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18.4.23

Utentes dizem que qualidade dos serviços no SNS baixou, sobretudo a acessibilidade

Por Lusa, in Público



De acordo com o Índice de Saúde Sustentável, a acessibilidade técnica do SNS diminuiu no ano passado face a 2021 e encontra-se “em níveis muito baixos”. Estudo é apresentado nesta terça-feira.


A qualidade dos serviços prestados no Serviço Nacional de Saúde (SNS) baixou na perspectiva dos utentes, sendo que o valor mais baixo de sempre é atribuído à acessibilidade técnica, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.


De acordo com o Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), a acessibilidade técnica do SNS diminuiu no ano passado face a 2021 e encontra-se "em níveis muito baixos" quando comparada com as demais dimensões.


A acessibilidade técnica avalia indicadores como as primeiras consultas em tempo adequado, os inscritos em lista espera e tempo máximo de resposta garantido (180 e 270 dias), os episódios de urgência atendidos em tempo previsto e a utilização da capacidade disponível de hospitalização domiciliária.

"Temos uma qualidade percepcionada pelos utentes que está mais ou menos estabilizada e que este ano decresceu um pouco, ainda que de forma não significativa, e uma qualidade técnica que subiu", disse o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho.

Abaixo dos valores positivos

O responsável explicou que a qualidade técnica é muito induzida por aspectos que "não são tão percepcionados pelos utentes", como, por exemplo, a diminuição do internamento a 30 dias e a redução da mortalidade por AVC (Acidente Vascular Cerebral).


Por outro lado, adiantou, de todas as dimensões analisadas, o índice de acessibilidade "é o mais baixo": "Tem apenas 51 pontos, numa escala de zero a 100, ou seja, nem sequer atinge o limiar dos 60 pontos, que é o limiar dos valores positivos".

"Com estes vários vectores, uns mais positivos, outros mais negativos, o índice de sustentabilidade [do Serviço Nacional de Saúde] acaba por ficar relativamente estável", acrescenta, falando de um ano "com sinais mistos". De acordo com o estudo, o índice de sustentabilidade do SNS - que tinha caído no primeiro ano da pandemia e subido em 2021 -- manteve-se quase estável (passou de 92,5 para 91,8).

"É um índice que está estabilizado (...). Estimamos que a actividade (...) tenha crescido acima dos 2%, o que é positivo, mas simultaneamente temos uma despesa que cresceu acima dos 6%. Portanto, (...) uma despesa a crescer acima da actividade significa uma certa perda de produtividade", explicou.

Pedro Simões Coelho lembrou ainda que este índice estava em valores que rondavam os 102 pontos antes da pandemia e que, em 2020, teve uma queda abrupta, acrescentando: "Em 2021 recuperou parcialmente dessa queda, mas em 2022 continua estável e, portanto, não foi ainda capaz de atingir os níveis os níveis pré-pandemia".

Percepção da qualidade piorou

A satisfação e confiança dos utentes diminuíram na generalidade dos parâmetros avaliados (excepção para a satisfação com a urgência). A este nível, foram analisados os cuidados de saúde recebidos nos últimos 12 meses, as consultas no centro de saúde e no hospital público, os exames de diagnóstico, o atendimento na urgência e o internamento.

Também a percepção da qualidade dos serviços piorou na maioria das determinantes avaliadas, que incluíram a facilidade de acesso aos cuidados (marcação ou admissão), os tempos de espera entre a marcação e a realização dos actos médicos, as infra-estruturas e equipamentos dos locais onde foram prestados os cuidados, assim como a qualidade dos profissionais e da informação prestada por estes.

Como ponto forte do SNS os utentes continuam a apontar os profissionais de saúde e a qualidade da informação por eles fornecida, considerando que devem ser valorizados. As áreas prioritárias de actuação apontadas são a facilidade de acesso aos cuidados e os tempos de espera. O trabalho, desenvolvido em colaboração com a AbbVie, Diário de Notícias e TSF, é apresentado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, esta terça-feira.

9.2.23

Listas de espera longas dificultam acesso a cuidados continuados

in JN 

Aumento da esperança média de vida leva a uma maior necessidade de realizar tratamentos que permitam aos idosos viver com qualidade e autonomia.

Os avanços no campo da medicina têm possibilitado o prolongamento da vida das pessoas para lá do expectável, sobretudo por comparação com o que ocorria no passado. Porém, nem sempre essa maior longevidade se traduz, por si só, em bem-estar. É aqui que entram os cuidados continuados integrados, cuja importância foi objeto de análise na oitava edição do Conversas por Boas Causas, uma rubrica organizada em parceria pela TSF, "Jornal de Notícias" e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

Inês Guerreiro, socióloga e antiga coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, salienta que, "de facto, temos uma sobrevida longa e que pretendemos que seja saudável, mas também sabemos que, com a idade, vamos acumulando problemas e dificuldades na rotina diária que interferem na capacidade de sermos autónomos". Ora, conforme explica a socióloga, "a rede de cuidados continuados nasceu precisamente para dar resposta às necessidades das pessoas, sobretudo ao nível da reabilitação das suas capacidades funcionais e cognitivas". Um grande entrave à aplicação destes tratamentos em tempo útil prende-se com as listas de espera que, para Inês Guerreiro, colocam em causa o seu sucesso. "Esperar seis meses para entrar numa unidade de cuidados continuados compromete todo o tratamento desenvolvido a jusante porque a pessoa já pode ter as suas funcionalidades em risco e o trabalho que se vai iniciar não tem nada a ver com a continuidade de cuidados", afirmou a socióloga.

Opinião idêntica manifesta Ana Gomes, diretora dos cuidados continuados integrados da SCML, que refere que "ter mais anos implica também ter mais cuidados de saúde e de apoio social". Ana Gomes assevera igualmente que "a rede de cuidados continuados ainda está a crescer e vai ter muito que dar resposta às pessoas porque está muito aquém". Segundo esta dirigente da Santa Casa, "os cuidados agudos e hospitalares têm de ter uma sequência certa" para que, depois do regresso ao domicílio, "se evite o reinternamento".

País envelhecido

Portugal é o quarto país da União Europeia com a população mais idosa. Alentejo é a região do país mais envelhecida.

Santa Casa

SCML possui três unidades de cuidados continuados integrados, tendo tratado no ano passado cerca de 700 doentes.

Faltam apoios

Só 5% dos idosos em Portugal recebem apoio institucional, sendo as famílias ainda o principal amparo desta população.

Lista de espera

Há 1500 pessoas a aguardar vaga nos cuidados continuados e o número médio de utentes aumentou 88% entre 2019 e 2022.

Mais meios

Até 2025, PRR prevê a aquisição de 5500 novas camas para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

1.2.23

Associação quer obrigatoriedade de médicos em permanência nos lares

in Observador

O presidente da Associação dos Médicos dos Idosos apela para que os doentes tenham uma "vigilância e assistência regular" de modo a serem acompanhados conforme as suas necessidades.

O presidente da Associação dos Médicos dos Idosos que estão nos lares defendeu esta sexta-feira a necessidade de ter clínicos em permanência nestas estruturas, para garantir uma vigilância e assistência regular, evitando muitas vezes o transporte para a urgência.

“Concordo que os lares não são hospitais, mas é indiscutível que mais de metade dos idosos internados nos lares são doentes e têm de ter vigilância e assistência regular“, disse João Gorjão Clara, que preside à Associação dos Médicos dos Idosos Institucionalizados (AMIDI).

O responsável, que é especialista em Medicina Interna, lembrou que muitos destes idosos que vão para os lares têm várias doenças e levam já medicação, que muitas vezes não é ajustada com a devida regularidade. O médico defendeu que os médicos que prestam assistência aos utentes dos lares deviam ter formação específica.

“Muitos, quando chegam aos lares, levam medicação que já tomavam, que é perpetuada e muitas vezes não é reacertada em função da evolução clínica ou, se o é, é de forma pouco regular”, afirmou.

“Há lares que nunca têm médico, e aí presumo que a medicação não seja ajustada, noutros o médico vai uma vez por semana e noutros duas vezes”, explicou, sublinhando: “isso não cobre as necessidades dos doentes idosos que estão nas ERPI [Estruturas Residenciais Para Idosos]”.

Mais de 100 mil idosos vivem nos cerca de 3.500 lares existentes em Portugal, entre lucrativos, setor social e não legalizados.

“Tem de ser garantida a estas pessoas a assistência permanente”, defendeu Gorjão Clara, lembrando que tantos nos Estados Unidos da América como na Europa “existe esta preocupação” e dando o exemplo de Espanha, onde além da obrigatoriedade de médico em permanência nos lares há um rácio de clínicos por doentes nestas estruturas.

Em Portugal, “se há uma complicação, e se o médico não está disponível, o doente vai para a urgência, sobrecarregando ainda mais as urgências, com problemas que poderiam ser resolvidos no local se houvesse médico em permanência“, considerou.

A Associação de Médicos dos Idosos Institucionalizados, lançada no ano passado e que pretende dar formação aos médicos que acompanham os idosos que estão em lares, vai realizar no sábado a sua primeira reunião, onde pretendem transmitir recomendações para melhorar a assistência aos idosos que estão nas ERPI.

Neste encontro vão participar não só os associados, mas alguns convidados, inclusive o médico francês Yves Gineste, que vem falar do conceito de humanitude: uma maneira própria de tratar doentes com défices cognitivos graves.

“Trata-se de uma estratégia para tratar estas pessoas, resolvendo os problemas de conflito que muitas vezes têm com os seus cuidadores, como o facto de não quererem tomar a medicação ou tomar banho”, explicou Gorjão Clara, adiantando quer na reunião vai ser mostrado um vídeo com uma mensagem enviada pelo Presidente da República.

18.1.23

Governo quer criar equipas próprias dedicadas às Urgências

 Por Lusa, in TVI

O Governo vai criar equipas próprias dedicadas às urgências “pelo menos” nos hospitais de maior dimensão, disse hoje o ministro da Saúde, apontando esta como uma das “soluções” para colmatar as dificuldades estruturais nestes serviços.

Em declarações aos jornalistas, no Porto, e quando abordado sobre os problemas nas urgências dos hospitais, Manuel Pizarro avançou que está a ser criado um Modelo de Equipas Próprias dedicadas à Urgência “com condições técnicas e remuneratórias mais bem estruturadas”.

“A criação de equipas dedicadas na urgência, pelo menos nas urgências de maior dimensão, pode ser uma solução [para os problemas nestes serviços]. E, não havendo especialidade de Medicina de Urgência, podemos criar estas equipas com condições técnicas e remuneratórias mais bem estruturadas”, disse Manuel Pizarro.

O ministro da Saúde disse que “será criado um modelo que será adaptado conforme as necessidades e as possibilidades de cada local” e usou o exemplo do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, para explicar a medida, mas salvaguardando que até neste hospital a equipa tem de ser “aditivada”.

“O Hospital de São João é um dos hospitais do país que tem uma equipa dedicada à urgência, mas essa equipa precisa de ser aditivada. Precisamos de melhorar as condições para que ela continue a funcionar”, disse o governante.

Manuel Pizarro recordou o chumbo, por parte da Ordem dos Médicos, à criação de uma nova especialidade de Medicina de Urgência, mas não teceu comentários sobre a pertinência ou não da criação desta nova especialidade, preferindo apontar quais as medidas a levar a cabo para melhorar os serviços de urgência dos hospitais portugueses.

Médicos no interior do país vão ter melhor salário, casa de graça e internato partilhado

Alexandra Campos, in Público

Doentes crónicos vão poder renovar receitas nas farmácias e estas passam a poder distribuir fármacos prescritos nos hospitais para algumas patologias.

O Ministério da Saúde vai avançar com várias medidas para fixar médicos especialistas no interior do país e outras zonas de baixa densidade demográfica. A partir do início de 2024, os jovens médicos que começam a sua formação na especialidade (internato) nestas zonas passarão uma parte desse período não só no hospital de destino mas também num hospital mais diferenciado, designadamente no litoral, anunciou esta segunda-feira o ministro Manuel Pizarro. Terão ainda salários majorados e casa gratuita, a disponibilizar pela autarquia e o hospital de destino, acrescentou o governante num encontro com jornalistas, no Porto.

Este programa de formação partilhada já está a ser preparado em conjunto com a Ordem dos Médicos (OM) e permitirá, por exemplo, que um médico comece o internato no hospital de Santo António, no Porto, e o prossiga no hospital de Bragança. O ministro está convencido de que esta medida "vai resolver o problema" da falta de especialistas "no médio prazo". "Uma parte destes médicos vai-se fixar, não tenho dúvida nenhuma", disse.

São sete os centros hospitalares abrangidos: as unidades locais de saúde do Nordeste (sede em Bragança), a da Guarda, a de Castelo Branco, a do Norte Alentejano (Portalegre), a do Litoral Alentejano (Santiago do Cacém), a do Baixo Alentejo (Beja) e o Centro Hospitalar da Cova da Beira (Covilhã).

Sublinhando que a falta de especialistas nas zonas de baixa densidade é "muito preocupante", Manuel Pizarro especificou que serão priorizadas as especialidades de medicina interna, cirurgia geral, ortopedia, anestesiologia, ginecologia/obstetrícia, pediatria, radiologia e, eventualmente, psiquiatria, pedopsiquiatria e psiquiatria da adolescência.

Estas são medidas para "produzir resultados numa década", assumiu, enfatizando que, "se não se fizer nada, estas especialidades vão desaparecer" nestas zonas.

Renovar receituário crónico nas farmácias

Manuel Pizarro adiantou ainda que o sistema de "dispensa de medicamentos em proximidade" nos hospitais e a renovação da prescrição de medicação de doentes crónicos, nas farmácias, está "em fase final de implementação".

As farmácias passam a poder distribuir os medicamentos prescritos nos hospitais (e que são só dispensados nestas unidades) para tratamento de algumas doenças e a fazer a renovação das receitas de doentes crónicos passadas pelos médicos de família e outros profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Além de ajudar a "descongestionar os centros de saúde", a medida vai ter um "enorme impacto" para as pessoas, que deixam de ter ir ao médico de família ou ao hospital pedir uma nova receita dos medicamentos que tomam habitualmente.

Estudo sobre rede hospitalar

O ministro revelou ainda que vai encomendar a "uma instituição credível" um estudo sobre rede hospitalar que se pretende para 2030, o qual deverá está pronto ainda este ano e que permitirá "dar coerência" às decisões. "É absolutamente claro que precisamos de actualizar a rede hospitalar. Há muitas decisões que foram tomadas de forma casuística" e hospitais que estão subdimensionados para a população que servem, como o de Penafiel, o de Almada e o de Amadora-Sintra, disse.

Questionado sobre se o estudo poderá implicar fechos, o ministro assegurou que está mais concentrado "na requalificação e nas aberturas de novos espaços do que nos encerramentos". No entretanto, "vai avançar o hospital de Lisboa Oriental, está em construção o novo Hospital Central do Alentejo. Vai ainda avançar o novo hospital do Algarve e o novo hospital do Oeste".

20.7.22

Impacto do acesso a cuidados de saúde na mortalidade tem que ser estudado

Joana Amorim, in JN

Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) foi ouvido, nesta manhã de terça-feira, na Comissão de Saúde, no Parlamento.Perceber se o acesso a cuidados de saúde durante a pandemia teve ou não impactos na mortalidade requer um estudo de fundo, estando desde já o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) disponível para o fazer, se para tal solicitado. Ouvido nesta manhã na Comissão de Saúde a pedido do PSD sobre a mortalidade em Portugal, o presidente daquele instituto, Fernando de Almeida, garantia aos deputados que "se não tivessem sido tomadas as medidas que o SNS tomou logo em março de há dois anos, provavelmente haveria um excesso de mortalidade muito mais preocupante".

Sobre o acesso, lembrou o que foi o confinamento e o "receio das pessoas em irem ao hospital, o que naturalmente tem reflexos", não só em Portugal, "mas também em França, Espanha, Inglaterra ou Alemanha". Se "solicitada ao INSA, a questão do acesso vai ser estudada, no âmbito da sua metodologia científica". Sublinhando Fernando de Almeida aos deputados que a "análise dos números [da mortalidade] a frio, sem enquadrar, é sempre de evitar".

O coordenador do departamento de epidemiologia do INSA, por sua vez, desmontou que os "fatores que concorrem" para o óbito "são múltiplos e complexos". Segundo Carlos Dias, "quando se fala de mortalidade atribuível ao calor, à gripe, muitas vezes é um fator precipitante, não uma causa direta", lembrando que os "golpes de calor são pouco frequentes". E a estes fatores precipitantes "junta-se a população mais envelhecida a nível europeu, as comorbiilidades, as fragilidades da vida pessoal e social". Sendo que, precisou, "a fração de óbitos que não é atribuível a esses fatores [como o calor, o frio ou a gripe] tem sido pequena, da ordem dos 10%, e é nessa fração que a investigação se torna muito importante, olhando para a mortalidade específica por causa".