Marta Botas, in Pombal TV
O Município de Pombal promoveu na passada sexta-feira, dia 13, uma conferência que juntou nos Claustros dos Paços do Concelho os principais responsáveis nacionais e internacionais na estratégia de combate à pobreza e à exclusão social.
Teve como oradores o Padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti Pobreza; Maria José Vicente, Coordenadora Nacional da EAPN Portugal; Sónia Costa, do Observatório Luta Contra a Pobreza; e Elisabete Santos, responsável pela Unidade de Investigação e dos Observatórios da EAPN Portugal.
A sessão incluiu a reflexão e a partilha de contributos que possam promover a coesão social do concelho de Pombal, e marcou o início da definição de um plano local na matéria, com vista à igualdade de oportunidades e à continuação da construção de uma sociedade cada vez mais justa e solidária.
Numa nota enviada à PombalTV, o Município de Pombal destaca que a temática do combate à pobreza e à exclusão social “assume a maior importância num contexto em que Portugal conta com cerca de 4,5 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social”, e recorda que “o primeiro e principal objetivo de desenvolvimento sustentável estabelecido pelas Nações Unidas para 2030 é precisamente erradicar a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, por forma a garantir que todos têm direitos iguais aos recursos económicos e acesso a serviços básicos”.
A luta contra a pobreza e a exclusão social constitui um dos objetivos específicos de política social da União Europeia (UE) e dos Estados-Membros.
A Comissão Europeia tem como objetivo a retirada de 15 milhões de pessoas da situação de risco de pobreza ou exclusão social até 2030.
Em Portugal, está em vigor um documento agregador que estabelece a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza (ENCP) 2021-2030 e que visa desencadear uma abordagem multidimensional e transversal de articulação das políticas públicas para a erradicação da pobreza.
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18.1.23
MEDIDAS DE COMBATE À POBREZA FORAM DEBATIDAS EM POMBAL
26.6.20
«Observatório da pobreza alertou: só no mês de abril, Lisboa somos mais 2825 desempregados» - DN
in a Bola
«A pandemia inverteu a tendência de descida do desemprego no concelho de Lisboa: em abril registaram-se mais 2825 desempregados. A maioria destas pessoas chegaram ao fim do contrato de trabalho e este não foi renovado.
No primeiro trimestre deste ano, o país continuava a ver diminuir o número de inscritos nos centros de emprego, mas a covid-19 inverteu esta tendência, particularmente no concelho de Lisboa, revela um estudo do Observatório Luta contra Pobreza na Cidade de Lisboa, com base nas estatísticas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade e Segurança Social.
Entre 31 de março e 30 de abril, o concelho passa de 16 339 desempregados para 19 164 (mais 17,3%), quando o aumento em todo o país foi de 47 781 desempregados (14,9%) e de 6077 (10,1%) no distrito.
Os dados finais do primeiro trimestre do ano, sublinham os autores do estudo, já refletem "os impactos da declaração de estado de emergência que se vivia desde 18 de março". Nestes três meses o desemprego decresceu 4,4% em Lisboa, mas numa percentagem inferior ao total do país e do distrito.
«A pandemia inverteu a tendência de descida do desemprego no concelho de Lisboa: em abril registaram-se mais 2825 desempregados. A maioria destas pessoas chegaram ao fim do contrato de trabalho e este não foi renovado.
No primeiro trimestre deste ano, o país continuava a ver diminuir o número de inscritos nos centros de emprego, mas a covid-19 inverteu esta tendência, particularmente no concelho de Lisboa, revela um estudo do Observatório Luta contra Pobreza na Cidade de Lisboa, com base nas estatísticas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade e Segurança Social.
Entre 31 de março e 30 de abril, o concelho passa de 16 339 desempregados para 19 164 (mais 17,3%), quando o aumento em todo o país foi de 47 781 desempregados (14,9%) e de 6077 (10,1%) no distrito.
Os dados finais do primeiro trimestre do ano, sublinham os autores do estudo, já refletem "os impactos da declaração de estado de emergência que se vivia desde 18 de março". Nestes três meses o desemprego decresceu 4,4% em Lisboa, mas numa percentagem inferior ao total do país e do distrito.
10.3.15
EPAL rescindiu com mais de 3500 clientes por falta de pagamento em 2014
in SicNotícias
A Epal cortou a água a 10.059 clientes em 2014 e rescindiu contrato com 3.583 por falta de pagamento, indicam dados da empresa divulgados hoje pelo Observatório Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com indicadores de consumo e de cobrança da Epal reunidos pelo Observatório e hoje divulgados, no ano passado a Empresa Pública de Águas Livres emitiu 2.514.083 faturas relativas a consumos de água, 82.894 (3,2%) das quais foram avisos de corte por falta de pagamento na data inicialmente indicada.
Destes, de acordo com a empresa, acabaram por ser expedidos 12.624 cortes de água, dos quais 10.059 foram efetivamente cumpridos.
Os dados revelam que foram ainda emitidas 4.773 cartas de rescisão de contratos e, destas, 3.583 referiam-se a rescisões por dívidas.
Foram também celebrados com 368 clientes acordos para o pagamento de faturas.
Em 2014, existiam 1.679 clientes com tarifa social de água (redução do preço para clientes cujo rendimento bruto do agregado familiar é inferior a 75% do valor anual da retribuição mínima mensal garantida) e 1.421 com tarifa familiar, uma hipótese que beneficia agregados familiares com cinco ou mais elementos.
Estes valores representam um decréscimo de 17% dos cortes efetivados no ano passado face a 2013, ano em que foram concretizados 12.122 cortes de água.
Apesar disso, em 2014, a Epal emitiu mais 9% de avisos de corte do que no ano anterior (76.069) e passou mais 1,8% de faturas, já que, em 2013, tinha um total de 2.469.099.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
A Epal cortou a água a 10.059 clientes em 2014 e rescindiu contrato com 3.583 por falta de pagamento, indicam dados da empresa divulgados hoje pelo Observatório Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com indicadores de consumo e de cobrança da Epal reunidos pelo Observatório e hoje divulgados, no ano passado a Empresa Pública de Águas Livres emitiu 2.514.083 faturas relativas a consumos de água, 82.894 (3,2%) das quais foram avisos de corte por falta de pagamento na data inicialmente indicada.
Destes, de acordo com a empresa, acabaram por ser expedidos 12.624 cortes de água, dos quais 10.059 foram efetivamente cumpridos.
Os dados revelam que foram ainda emitidas 4.773 cartas de rescisão de contratos e, destas, 3.583 referiam-se a rescisões por dívidas.
Foram também celebrados com 368 clientes acordos para o pagamento de faturas.
Em 2014, existiam 1.679 clientes com tarifa social de água (redução do preço para clientes cujo rendimento bruto do agregado familiar é inferior a 75% do valor anual da retribuição mínima mensal garantida) e 1.421 com tarifa familiar, uma hipótese que beneficia agregados familiares com cinco ou mais elementos.
Estes valores representam um decréscimo de 17% dos cortes efetivados no ano passado face a 2013, ano em que foram concretizados 12.122 cortes de água.
Apesar disso, em 2014, a Epal emitiu mais 9% de avisos de corte do que no ano anterior (76.069) e passou mais 1,8% de faturas, já que, em 2013, tinha um total de 2.469.099.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
9.3.15
Banco Alimentar ajudou 18.273 pessoas em Lisboa em 2014
in Diário de Notícias
O maior número de famílias apoiadas está nas freguesias da Estrela e dos Olivais.
Mais de 6.700 famílias de Lisboa, representando 18.273 pessoas, foram apoiadas em 2014 pelo Banco Alimentar, o maior número das quais na freguesia da Estrela, indicou hoje o Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com os dados do Observatório, no ano passado os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa (BAL) ajudaram 6.713 famílias na cidade, correspondendo a um total de 18.273 pessoas, um número um pouco inferior às 7.061 famílias apoiadas em 2013, num total de 18.394 pessoas.
Em 2012 foram 6.740 as famílias auxiliadas (17.630 pessoas), enquanto em 2011 foram 5.601 (15.182 pessoas).
O maior número de famílias está nas freguesias da Estrela, onde são auxiliadas 757, num total de 2.105 munícipes, e dos Olivais, onde recebem esta ajuda 545 famílias (1.638 munícipes).
Em Campo de Ourique recebem apoio 395 famílias, que representam, contudo, 1.330 pessoas, o terceiro posto em termos do número de cidadãos apoiados.
Em Santa Maria Maior são ajudadas 449 famílias (924 pessoas), em Arroios 472 famílias (827 pessoas) e em Marvila 384 famílias (994 pessoas).
Na Misericórdia são apoiadas 410 famílias (818 pessoas), na Penha de França 381 (990 pessoas), em Santa Clara 233 (945 pessoas) e em São Vicente 318 (854 pessoas).
As freguesias onde menos famílias e pessoas são apoiadas são as de Santo António, com 59 famílias (119 munícipes), de Belém, com 75 famílias (170 munícipes), e de Carnide, com 81 famílias (321 munícipes).
O Banco Alimentar de Lisboa registou ainda em 2014 um total de 127 pedidos de apoio direto, o maior número dos quais em Santa Clara (15 pedidos), em Arroios (14) e em Marvila (13).
Em 2013, tinham sido 205 os pedidos de apoio direto, que em 2012 foram 245 e no ano anterior 233.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
O maior número de famílias apoiadas está nas freguesias da Estrela e dos Olivais.
Mais de 6.700 famílias de Lisboa, representando 18.273 pessoas, foram apoiadas em 2014 pelo Banco Alimentar, o maior número das quais na freguesia da Estrela, indicou hoje o Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com os dados do Observatório, no ano passado os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa (BAL) ajudaram 6.713 famílias na cidade, correspondendo a um total de 18.273 pessoas, um número um pouco inferior às 7.061 famílias apoiadas em 2013, num total de 18.394 pessoas.
Em 2012 foram 6.740 as famílias auxiliadas (17.630 pessoas), enquanto em 2011 foram 5.601 (15.182 pessoas).
O maior número de famílias está nas freguesias da Estrela, onde são auxiliadas 757, num total de 2.105 munícipes, e dos Olivais, onde recebem esta ajuda 545 famílias (1.638 munícipes).
Em Campo de Ourique recebem apoio 395 famílias, que representam, contudo, 1.330 pessoas, o terceiro posto em termos do número de cidadãos apoiados.
Em Santa Maria Maior são ajudadas 449 famílias (924 pessoas), em Arroios 472 famílias (827 pessoas) e em Marvila 384 famílias (994 pessoas).
Na Misericórdia são apoiadas 410 famílias (818 pessoas), na Penha de França 381 (990 pessoas), em Santa Clara 233 (945 pessoas) e em São Vicente 318 (854 pessoas).
As freguesias onde menos famílias e pessoas são apoiadas são as de Santo António, com 59 famílias (119 munícipes), de Belém, com 75 famílias (170 munícipes), e de Carnide, com 81 famílias (321 munícipes).
O Banco Alimentar de Lisboa registou ainda em 2014 um total de 127 pedidos de apoio direto, o maior número dos quais em Santa Clara (15 pedidos), em Arroios (14) e em Marvila (13).
Em 2013, tinham sido 205 os pedidos de apoio direto, que em 2012 foram 245 e no ano anterior 233.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
Banco Alimentar de Lisboa: número de famílias apoiadas diminuiu
in TVI24
Os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa ajudaram 6.713 famílias no ano passado. Em 2013, foram 7.061 as famílias apoiadas
Mais de 6.700 famílias de Lisboa, representando 18.273 pessoas, foram apoiadas em 2014 pelo Banco Alimentar, o maior número das quais na freguesia da Estrela, indicou esta segunda-feira o Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com os dados do Observatório, no ano passado os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa (BAL) ajudaram 6.713 famílias na cidade, correspondendo a um total de 18.273 pessoas, um número um pouco inferior às 7.061 famílias apoiadas em 2013, num total de 18.394 pessoas.
Em 2012 foram 6.740 as famílias auxiliadas (17.630 pessoas), enquanto em 2011 foram 5.601 (15.182 pessoas).
O maior número de famílias está nas freguesias da Estrela, onde são auxiliadas 757, num total de 2.105 munícipes, e dos Olivais, onde recebem esta ajuda 545 famílias (1.638 munícipes).
Em Campo de Ourique recebem apoio 395 famílias, que representam, contudo, 1.330 pessoas, o terceiro posto em termos do número de cidadãos apoiados.
Em Santa Maria Maior são ajudadas 449 famílias (924 pessoas), em Arroios 472 famílias (827 pessoas) e em Marvila 384 famílias (994 pessoas).
Na Misericórdia são apoiadas 410 famílias (818 pessoas), na Penha de França 381 (990 pessoas), em Santa Clara 233 (945 pessoas) e em São Vicente 318 (854 pessoas).
As freguesias onde menos famílias e pessoas são apoiadas são as de Santo António, com 59 famílias (119 munícipes), de Belém, com 75 famílias (170 munícipes), e de Carnide, com 81 famílias (321 munícipes).
O Banco Alimentar de Lisboa registou ainda em 2014 um total de 127 pedidos de apoio direto, o maior número dos quais em Santa Clara (15 pedidos), em Arroios (14) e em Marvila (13).
Em 2013, tinham sido 205 os pedidos de apoio direto, que em 2012 foram 245 e no ano anterior 233.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
Os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa ajudaram 6.713 famílias no ano passado. Em 2013, foram 7.061 as famílias apoiadas
Mais de 6.700 famílias de Lisboa, representando 18.273 pessoas, foram apoiadas em 2014 pelo Banco Alimentar, o maior número das quais na freguesia da Estrela, indicou esta segunda-feira o Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
De acordo com os dados do Observatório, no ano passado os cabazes do Banco Alimentar de Lisboa (BAL) ajudaram 6.713 famílias na cidade, correspondendo a um total de 18.273 pessoas, um número um pouco inferior às 7.061 famílias apoiadas em 2013, num total de 18.394 pessoas.
Em 2012 foram 6.740 as famílias auxiliadas (17.630 pessoas), enquanto em 2011 foram 5.601 (15.182 pessoas).
O maior número de famílias está nas freguesias da Estrela, onde são auxiliadas 757, num total de 2.105 munícipes, e dos Olivais, onde recebem esta ajuda 545 famílias (1.638 munícipes).
Em Campo de Ourique recebem apoio 395 famílias, que representam, contudo, 1.330 pessoas, o terceiro posto em termos do número de cidadãos apoiados.
Em Santa Maria Maior são ajudadas 449 famílias (924 pessoas), em Arroios 472 famílias (827 pessoas) e em Marvila 384 famílias (994 pessoas).
Na Misericórdia são apoiadas 410 famílias (818 pessoas), na Penha de França 381 (990 pessoas), em Santa Clara 233 (945 pessoas) e em São Vicente 318 (854 pessoas).
As freguesias onde menos famílias e pessoas são apoiadas são as de Santo António, com 59 famílias (119 munícipes), de Belém, com 75 famílias (170 munícipes), e de Carnide, com 81 famílias (321 munícipes).
O Banco Alimentar de Lisboa registou ainda em 2014 um total de 127 pedidos de apoio direto, o maior número dos quais em Santa Clara (15 pedidos), em Arroios (14) e em Marvila (13).
Em 2013, tinham sido 205 os pedidos de apoio direto, que em 2012 foram 245 e no ano anterior 233.
O Observatório da Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa é uma iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza, que pretende contribuir para o conhecimento da realidade socioeconómica de Lisboa e as políticas e medidas de combate à pobreza e vulnerabilidade social.
2.2.15
Pobreza afeta mais de dois milhões de pessoas em Portugal
Frederico Pinheiro, in Antena 1
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o risco de pobreza continuou a aumentar em 2013.
Os números do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento mostram que a pobreza afeta quase dois milhões de pessoas em Portugal.
O diretor do Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, Sérgio Aires, afirma à Antena 1 que o país vive uma situação de emergência.
(com Sandra Henriques)
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o risco de pobreza continuou a aumentar em 2013.
Os números do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento mostram que a pobreza afeta quase dois milhões de pessoas em Portugal.
O diretor do Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, Sérgio Aires, afirma à Antena 1 que o país vive uma situação de emergência.
(com Sandra Henriques)
11.11.14
Estudo sobre pobreza em Lisboa revela que situação piorou em três anos
in o Observador
Um estudo do Observatório da Luta contra a Pobreza, que acompanha 57 residentes desde 2011, revela que a maioria viu a situação agravada nos últimos três anos.
Um estudo do Observatório da Luta contra a Pobreza que acompanha desde 2011 o percurso de 57 residentes em Lisboa com poucos recursos económicos, revela que mais de metade viu a sua situação agravada em três anos.
Segundo o “Barómetro de pessoas que se encontram em situação vulnerável – Fase II”, que é apresentado esta segunda-feira em Lisboa, das 57 situações analisadas, 17 mantêm a mesma situação de pobreza de 2011, mas para 30 a situação de fragilização em que se encontravam agravou-se e, para 10, a situação melhorou. “Três anos depois, uma parte substancial destas pessoas está pior, o que não é uma conclusão muito estranha dado o recuo das respostas das políticas públicas, das prestações sociais”, disse à agência Lusa o diretor do Observatório da Luta contra a Pobreza da Cidade de Lisboa, Sérgio Aires.
O agravamento da situação de vulnerabilidade em todos os perfis estudados é resultado em larga medida da ausência de respostas às necessidades mais básicas: rendimento, habitação e saúde. Sérgio Aires explicou que este estudo longitudinal, cuja primeira fase decorreu em 2011 e a segunda em 2013/2014, prevendo-se que se mantenha, pelo menos, até 2020, tem como “principal objetivo” perceber “o impacto das respostas existentes e das políticas públicas face à pobreza e exclusão num determinado grupo de pessoas residente em Lisboa”. Este grupo “não é representativo da sociedade portuguesa”, mas é “representativo de um conjunto de perfis de pessoas que vivem em situação de pobreza”, explicou.
O estudo envolveu 17 trabalhadores pobres, dez idosos, dez incapacitados para o trabalho por motivos de doença, nove desempregados, sete desfiliados, dois trabalhadores e duas cuidadoras informais. A maioria dos entrevistados (39 em 57) tem uma situação de pobreza (persistente, ou ocasional) há mais de oito anos, e esta situação é transversal a todos os grupos, embora atinja mais frequentemente os mais velhos. No grupo onde a pobreza é mais recente (menos de oito anos) metade vem de grupos familiares com pobreza geracional. “A incidência da pobreza geracional num grupo tão significativo de pobreza recente faz temer a sua passagem a um estádio permanente à medida que avança a idade e/ou que aumenta o tempo sem encontrar trabalho”, salienta o estudo.
Para os que consideram que melhoraram a sua situação, o que mudou foi que arranjaram uma ocupação remunerada ou melhoraram a situação de saúde. Já o piorar da situação está associada a fatores imprevisíveis, como a morte de familiares que faz perder a habitação e o rendimento, ou problemas de saúde. “A estabilidade na manutenção da situação de pobreza parece estar, sobretudo, associada àqueles que vão mantendo uma relação com o mercado de trabalho, mesmo que precária, ou que acabaram por conseguir manter um apoio social” que lhes permite garantir a subsistência.
Para Sérgio Aires, é “extremamente preocupante” não se conseguir quebrar o ciclo vicioso da pobreza, porque faz com que se mantenha e agrave. Sobre o que está a falhar nesta luta, o responsável disse que é não haver “uma estratégia de combate à pobreza que ataque de facto as causas do problema”. “Tentamos amenizar as consequências, assistir a alguns casos mais urgentes e complicados, mas em poucos casos conseguimos quebrar esse ciclo de pobreza”, lamentou.
Um estudo do Observatório da Luta contra a Pobreza, que acompanha 57 residentes desde 2011, revela que a maioria viu a situação agravada nos últimos três anos.
Um estudo do Observatório da Luta contra a Pobreza que acompanha desde 2011 o percurso de 57 residentes em Lisboa com poucos recursos económicos, revela que mais de metade viu a sua situação agravada em três anos.
Segundo o “Barómetro de pessoas que se encontram em situação vulnerável – Fase II”, que é apresentado esta segunda-feira em Lisboa, das 57 situações analisadas, 17 mantêm a mesma situação de pobreza de 2011, mas para 30 a situação de fragilização em que se encontravam agravou-se e, para 10, a situação melhorou. “Três anos depois, uma parte substancial destas pessoas está pior, o que não é uma conclusão muito estranha dado o recuo das respostas das políticas públicas, das prestações sociais”, disse à agência Lusa o diretor do Observatório da Luta contra a Pobreza da Cidade de Lisboa, Sérgio Aires.
O agravamento da situação de vulnerabilidade em todos os perfis estudados é resultado em larga medida da ausência de respostas às necessidades mais básicas: rendimento, habitação e saúde. Sérgio Aires explicou que este estudo longitudinal, cuja primeira fase decorreu em 2011 e a segunda em 2013/2014, prevendo-se que se mantenha, pelo menos, até 2020, tem como “principal objetivo” perceber “o impacto das respostas existentes e das políticas públicas face à pobreza e exclusão num determinado grupo de pessoas residente em Lisboa”. Este grupo “não é representativo da sociedade portuguesa”, mas é “representativo de um conjunto de perfis de pessoas que vivem em situação de pobreza”, explicou.
O estudo envolveu 17 trabalhadores pobres, dez idosos, dez incapacitados para o trabalho por motivos de doença, nove desempregados, sete desfiliados, dois trabalhadores e duas cuidadoras informais. A maioria dos entrevistados (39 em 57) tem uma situação de pobreza (persistente, ou ocasional) há mais de oito anos, e esta situação é transversal a todos os grupos, embora atinja mais frequentemente os mais velhos. No grupo onde a pobreza é mais recente (menos de oito anos) metade vem de grupos familiares com pobreza geracional. “A incidência da pobreza geracional num grupo tão significativo de pobreza recente faz temer a sua passagem a um estádio permanente à medida que avança a idade e/ou que aumenta o tempo sem encontrar trabalho”, salienta o estudo.
Para os que consideram que melhoraram a sua situação, o que mudou foi que arranjaram uma ocupação remunerada ou melhoraram a situação de saúde. Já o piorar da situação está associada a fatores imprevisíveis, como a morte de familiares que faz perder a habitação e o rendimento, ou problemas de saúde. “A estabilidade na manutenção da situação de pobreza parece estar, sobretudo, associada àqueles que vão mantendo uma relação com o mercado de trabalho, mesmo que precária, ou que acabaram por conseguir manter um apoio social” que lhes permite garantir a subsistência.
Para Sérgio Aires, é “extremamente preocupante” não se conseguir quebrar o ciclo vicioso da pobreza, porque faz com que se mantenha e agrave. Sobre o que está a falhar nesta luta, o responsável disse que é não haver “uma estratégia de combate à pobreza que ataque de facto as causas do problema”. “Tentamos amenizar as consequências, assistir a alguns casos mais urgentes e complicados, mas em poucos casos conseguimos quebrar esse ciclo de pobreza”, lamentou.
10.11.14
Os pobres de Lisboa ficaram mais pobres nos últimos três anos
Por Andreia Sanches, in Público on-line
Projecto do Observatório de Luta Contra a Pobreza começou em 2011. Prevê que as mesmas pessoas sejam acompanhadas até 2020. Na segunda leva de entrevistas, uma conclusão: as condições de vida agravaram-se.
Em 30 das 57 situações analisadas a situação de fragilidade agravou-se TIAGO MACHADO
São 57 pessoas que em 2011, por diferentes razões, viviam uma situação de vulnerabilidade social e que em 2014 voltaram a ser entrevistadas. O que lhes aconteceu? Apenas duas saíram da situação de pobreza que viviam, porque arranjaram um trabalho que permite à família ter um rendimento de mais de mil euros. As restantes estão hoje, na sua maioria, pior do que há três anos.
Regista-se “um agravamento da situação de vulnerabilidade em todos os perfis estudados, fruto em larga medida da ausência de respostas às necessidades mais básicas” — rendimento, habitação e saúde, conclui o estudo feito a pedido do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
A segunda edição do “Barómetro de Pessoas que se Encontram em Situação Vulnerável”, feito pelo Dinâmia-CET — Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território, do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, a pedido do Observatório, será apresentado nesta segunda-feira.
No relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, lê-se: “As conclusões são evidentes. No período considerado agravaram-se as condições de vida de uma parte substancial dos entrevistados. Nas situações analisadas, 17 (em 57) mantêm a sua situação de pobreza de 2011, mas para 30 a situação de fragilização em que se encontravam agravou-se.” São sobretudo os que dependem das políticas sociais “os mais penalizados”. A saber: os incapacitados e os idosos.
Há ainda dez pessoas que viram a sua situação melhorar. Mas destas, oito continuam a ser consideradas pobres.
Entre os entrevistados, os grupos dominantes são: trabalhadores pobres (17), como Carolina, de 44 anos; idosos “em situação de vulnerabilidade” (10), como Luísa, de 84 anos; desempregados (9), como Margarida, de 43; incapacitados por motivos de doença (10), como Dália, de 59.
Vivem essencialmente em duas zonas da cidade: Marvila/Santa Clara, constituída, sobretudo, por zonas de realojamento, onde existe uma pobreza persistente, que passa de geração em geração; e Santa Maria Maior/São Vicente, composta por núcleos históricos, onde muitas das pessoas não se consideram pobres — mas a pobreza existe, segundo os investigadores, ainda que mais “oscilante”.
O relatório conclui que o “recuo das políticas sociais” a que o país assistiu nos últimos anos fez-se sentir em força: 26 entrevistados relatam ter visto apoios como o Rendimento Social de Inserção (RSI), o Complemento Solidário para Idosos ou o subsídio de desemprego reduzir-se ou até acabar. Há ainda casos de pessoas que relatam ter visto diminuir também o apoio do Banco Alimentar da sua zona. “A ausência ou diminuição desses apoios é sentida de forma particularmente penosa pelas famílias que viviam/vivem no limiar da sobrevivência e cujos ajustes em termos de gestão doméstica muitas vezes são realizados através de cortes na alimentação.”
A saúde e a integração no mercado de trabalho aparecem, nos discursos destes indivíduos, como determinantes para uma alteração da sua situação entre 2011 e 2014. Para o bem e para o mal: arranjar trabalho foi aquilo que mais contribuiu para a melhoria da vida dos que dizem que esta melhorou, perder a saúde fez agravar a situação de outros.
Trabalhadores precários
A história do barómetro remonta a 2011, quando 74 pessoas foram escolhidas para integrar o projecto. O grupo foi constituído de modo a incluir diferentes “perfis de vulnerabilidade”. Objectivo: voltar aos mesmo painel de três em três anos e mantê-lo, pelo menos, até 2020. Mas apesar dos múltiplos esforços dos investigadores não foi possível este ano entrevistar todas as 74 — algumas emigraram, outras morreram, uma nunca compareceu aos encontros, alguns não foram encontrados. Foi possível encontrar e chegar à fala com 57.
“Ao contrário do que se poderia esperar, estamos perante um grupo maioritariamente ligado ao mercado de trabalho”, diz o relatório com base no facto de 42 terem trabalhado nos últimos três anos ou encontrarem-se "disponíveis para trabalhar”. A maioria dos que restam são idosos.
Nestas histórias impera, contudo, a precariedade: apenas 21 em 57 referem ter tido alguns períodos de estabilidade laboral ao longo da sua vida activa.
Apesar de muitos terem rendimentos do trabalho, e de reportarem diminuição nos apoios sociais, a maioria continua a ter um suporte muito significativo de pensões e subsídios públicos. Números: 54 em 57 beneficiam de prestações sociais várias (subsídio de desemprego, RSI, reformas dos pais, abonos de família, habitação social ou outros). Os suportes advindos das políticas sociais são contudo criticados “pela sua insuficiência e desadequação face às necessidades: critica-se a ausência de respostas em áreas básicas como o emprego, a habitação ou educação/formação”.
Muitos destes entrevistados são ainda marcados por aquilo que se considera ser uma pobreza geracional. “Em Portugal, frequentemente nasce-se pobre, e continua-se pobre, raramente deixando essa condição”, refere o relatório. A relação entre uma maior duração no tempo em situação de vulnerabilidade e a intergeracionalidade da pobreza (de pais para filhos) está presente em 35 casos. “Esta é a imagem mais clara do fracasso da nossa sociedade e das políticas de combate à pobreza”, considera o estudo.
Por outro lado, sendo certo que a pobreza e a exclusão são processos que podem atingir todos os grupos sociais, há públicos “particularmente expostos” — “Certas conjunturas familiares, de idade, de condição de saúde, geram grande exposição à pobreza e ao isolamento afectivo e social”. A toxicodependência, a monoparentalidade, a violência doméstica, por exemplo, são identificadas como problemáticas “com impacto na entrada ou manutenção da pobreza e exclusão social”, nomeadamente quando associadas a factores como a ausência de rendimentos e de equipamentos de suporte à família.
Sérgio Aires, director do Observatório, sublinha ainda “a percepção dos entrevistados de que os recursos estão desigualmente distribuídos” e de que as políticas sociais “são quantitativa e qualitativamente insuficientes”. “Estas pessoas fazem uma apreciação muito negativa do acompanhamento social que recebem”, nota.
Há também uma deterioração do estado de espírito do grupo: “estão mais pessimistas”, diz Sérgio Aires, “não vislumbram uma saída”. Isto numa cidade como Lisboa “que, vista de fora, é vista como uma cidade desafogada, rica”.
Se este estudo fosse replicado no resto do país as conclusões seriam as mesmas? “Em certas zonas do país, em certas freguesias do Porto e de outra cidades seriam, provavelmente, semelhantes, porque também aí encontramos estes perfis.”
Excertos das entrevistas:
“É querer comprar comprimidos e não ter o dinheiro. Andar a poupar, a poupar, a poupar. Hoje tomo amanhã não tomo. Não é? O dinheiro não chega.”
Luísa, 84 anos, idosa
“Foi mesmo por opção minha [não querer contrato nem pagar Segurança Social pelas três horas por semana que faz de limpezas], porque se eu tivesse de fazer descontos e tudo não ia receber quase nada.”
Carolina, 44 anos, trabalhadora pobre
“O problema é que a gente trabalha muito e ganha muito poucochinho, é só isso.”
Julieta, 48 anos, trabalhadora pobre
“Tenho ido comer à minha mãe. Mas não posso estar a vida toda assim, não é? [E ela pode ajudá-la um bocadinho?] Não, ela está acamada. Ela tem um cancro nos ossos, não anda.”
Dália, 59 anos, incapacitada
“Vou tentar-me aguentar no Rendimento Mínimo com a ajuda da Santa Casa até à altura em que me reformar, porque eu já sei que trabalho ninguém me vai aceitar. Na vida profissional, a minha vida está acabada. Se eu com vinte e tal não consegui!”
Júlio, 55 anos
“Sim. Estive a trabalhar. Trabalhei na rua da Madalena, a fazer limpeza. Entrava às 8h da manhã e saía às 11h30. Um part-time. Depois trabalhava aqui numa pastelaria. Ela telefonava-me e eu ia lá. Mas agora já não vou. Ela pagava muito mal. Entrava a um quarto para a uma e saia às 16h e ela pagava-me seis euros pelas 3 horas.”
Margarida, 43 anos, desempregada
“Tenho a dívida da minha casa [das rendas] E tenho a dívida com o banco. Tinha um crédito que foi pedido há 6 anos, era para 5 anos, mas quando a minha vida começou a piorar deixei de pagar e depois fui acumulando juros, juros, juros, e hoje posso-lhe dizer que o abono dos meus filhos, fico sem ele todos os meses.”
Carolina, 44 anos, trabalhadora pobre
“Eu sofri um bocadinho, chorei, porque eu era muito amiga das pessoas da Associação. Estávamos a ser ajudados já há bastantes anos. Se calhar acharam que já era um hábito nosso, que a gente já não merecia, que nos acomodámos com a ajuda deles. Não foi o caso. Eu, quanto menos precisar de ser ajudada, melhor. Sempre disse lá na Associação: mal tenha oportunidade de melhorar um bocadinho a minha vida eu não quero a vossa ajuda, porque se calhar quando eu tiver mais, haverá pessoas com muito mais prioridade do que eu. Sempre batalhei neste assunto e sempre mostrei a eles que não era uma acomodação, era mesmo uma necessidade.”
Anabela, 47 anos, desempregada
Projecto do Observatório de Luta Contra a Pobreza começou em 2011. Prevê que as mesmas pessoas sejam acompanhadas até 2020. Na segunda leva de entrevistas, uma conclusão: as condições de vida agravaram-se.
Em 30 das 57 situações analisadas a situação de fragilidade agravou-se TIAGO MACHADO
São 57 pessoas que em 2011, por diferentes razões, viviam uma situação de vulnerabilidade social e que em 2014 voltaram a ser entrevistadas. O que lhes aconteceu? Apenas duas saíram da situação de pobreza que viviam, porque arranjaram um trabalho que permite à família ter um rendimento de mais de mil euros. As restantes estão hoje, na sua maioria, pior do que há três anos.
Regista-se “um agravamento da situação de vulnerabilidade em todos os perfis estudados, fruto em larga medida da ausência de respostas às necessidades mais básicas” — rendimento, habitação e saúde, conclui o estudo feito a pedido do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa.
A segunda edição do “Barómetro de Pessoas que se Encontram em Situação Vulnerável”, feito pelo Dinâmia-CET — Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território, do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, a pedido do Observatório, será apresentado nesta segunda-feira.
No relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, lê-se: “As conclusões são evidentes. No período considerado agravaram-se as condições de vida de uma parte substancial dos entrevistados. Nas situações analisadas, 17 (em 57) mantêm a sua situação de pobreza de 2011, mas para 30 a situação de fragilização em que se encontravam agravou-se.” São sobretudo os que dependem das políticas sociais “os mais penalizados”. A saber: os incapacitados e os idosos.
Há ainda dez pessoas que viram a sua situação melhorar. Mas destas, oito continuam a ser consideradas pobres.
Entre os entrevistados, os grupos dominantes são: trabalhadores pobres (17), como Carolina, de 44 anos; idosos “em situação de vulnerabilidade” (10), como Luísa, de 84 anos; desempregados (9), como Margarida, de 43; incapacitados por motivos de doença (10), como Dália, de 59.
Vivem essencialmente em duas zonas da cidade: Marvila/Santa Clara, constituída, sobretudo, por zonas de realojamento, onde existe uma pobreza persistente, que passa de geração em geração; e Santa Maria Maior/São Vicente, composta por núcleos históricos, onde muitas das pessoas não se consideram pobres — mas a pobreza existe, segundo os investigadores, ainda que mais “oscilante”.
O relatório conclui que o “recuo das políticas sociais” a que o país assistiu nos últimos anos fez-se sentir em força: 26 entrevistados relatam ter visto apoios como o Rendimento Social de Inserção (RSI), o Complemento Solidário para Idosos ou o subsídio de desemprego reduzir-se ou até acabar. Há ainda casos de pessoas que relatam ter visto diminuir também o apoio do Banco Alimentar da sua zona. “A ausência ou diminuição desses apoios é sentida de forma particularmente penosa pelas famílias que viviam/vivem no limiar da sobrevivência e cujos ajustes em termos de gestão doméstica muitas vezes são realizados através de cortes na alimentação.”
A saúde e a integração no mercado de trabalho aparecem, nos discursos destes indivíduos, como determinantes para uma alteração da sua situação entre 2011 e 2014. Para o bem e para o mal: arranjar trabalho foi aquilo que mais contribuiu para a melhoria da vida dos que dizem que esta melhorou, perder a saúde fez agravar a situação de outros.
Trabalhadores precários
A história do barómetro remonta a 2011, quando 74 pessoas foram escolhidas para integrar o projecto. O grupo foi constituído de modo a incluir diferentes “perfis de vulnerabilidade”. Objectivo: voltar aos mesmo painel de três em três anos e mantê-lo, pelo menos, até 2020. Mas apesar dos múltiplos esforços dos investigadores não foi possível este ano entrevistar todas as 74 — algumas emigraram, outras morreram, uma nunca compareceu aos encontros, alguns não foram encontrados. Foi possível encontrar e chegar à fala com 57.
“Ao contrário do que se poderia esperar, estamos perante um grupo maioritariamente ligado ao mercado de trabalho”, diz o relatório com base no facto de 42 terem trabalhado nos últimos três anos ou encontrarem-se "disponíveis para trabalhar”. A maioria dos que restam são idosos.
Nestas histórias impera, contudo, a precariedade: apenas 21 em 57 referem ter tido alguns períodos de estabilidade laboral ao longo da sua vida activa.
Apesar de muitos terem rendimentos do trabalho, e de reportarem diminuição nos apoios sociais, a maioria continua a ter um suporte muito significativo de pensões e subsídios públicos. Números: 54 em 57 beneficiam de prestações sociais várias (subsídio de desemprego, RSI, reformas dos pais, abonos de família, habitação social ou outros). Os suportes advindos das políticas sociais são contudo criticados “pela sua insuficiência e desadequação face às necessidades: critica-se a ausência de respostas em áreas básicas como o emprego, a habitação ou educação/formação”.
Muitos destes entrevistados são ainda marcados por aquilo que se considera ser uma pobreza geracional. “Em Portugal, frequentemente nasce-se pobre, e continua-se pobre, raramente deixando essa condição”, refere o relatório. A relação entre uma maior duração no tempo em situação de vulnerabilidade e a intergeracionalidade da pobreza (de pais para filhos) está presente em 35 casos. “Esta é a imagem mais clara do fracasso da nossa sociedade e das políticas de combate à pobreza”, considera o estudo.
Por outro lado, sendo certo que a pobreza e a exclusão são processos que podem atingir todos os grupos sociais, há públicos “particularmente expostos” — “Certas conjunturas familiares, de idade, de condição de saúde, geram grande exposição à pobreza e ao isolamento afectivo e social”. A toxicodependência, a monoparentalidade, a violência doméstica, por exemplo, são identificadas como problemáticas “com impacto na entrada ou manutenção da pobreza e exclusão social”, nomeadamente quando associadas a factores como a ausência de rendimentos e de equipamentos de suporte à família.
Sérgio Aires, director do Observatório, sublinha ainda “a percepção dos entrevistados de que os recursos estão desigualmente distribuídos” e de que as políticas sociais “são quantitativa e qualitativamente insuficientes”. “Estas pessoas fazem uma apreciação muito negativa do acompanhamento social que recebem”, nota.
Há também uma deterioração do estado de espírito do grupo: “estão mais pessimistas”, diz Sérgio Aires, “não vislumbram uma saída”. Isto numa cidade como Lisboa “que, vista de fora, é vista como uma cidade desafogada, rica”.
Se este estudo fosse replicado no resto do país as conclusões seriam as mesmas? “Em certas zonas do país, em certas freguesias do Porto e de outra cidades seriam, provavelmente, semelhantes, porque também aí encontramos estes perfis.”
Excertos das entrevistas:
“É querer comprar comprimidos e não ter o dinheiro. Andar a poupar, a poupar, a poupar. Hoje tomo amanhã não tomo. Não é? O dinheiro não chega.”
Luísa, 84 anos, idosa
“Foi mesmo por opção minha [não querer contrato nem pagar Segurança Social pelas três horas por semana que faz de limpezas], porque se eu tivesse de fazer descontos e tudo não ia receber quase nada.”
Carolina, 44 anos, trabalhadora pobre
“O problema é que a gente trabalha muito e ganha muito poucochinho, é só isso.”
Julieta, 48 anos, trabalhadora pobre
“Tenho ido comer à minha mãe. Mas não posso estar a vida toda assim, não é? [E ela pode ajudá-la um bocadinho?] Não, ela está acamada. Ela tem um cancro nos ossos, não anda.”
Dália, 59 anos, incapacitada
“Vou tentar-me aguentar no Rendimento Mínimo com a ajuda da Santa Casa até à altura em que me reformar, porque eu já sei que trabalho ninguém me vai aceitar. Na vida profissional, a minha vida está acabada. Se eu com vinte e tal não consegui!”
Júlio, 55 anos
“Sim. Estive a trabalhar. Trabalhei na rua da Madalena, a fazer limpeza. Entrava às 8h da manhã e saía às 11h30. Um part-time. Depois trabalhava aqui numa pastelaria. Ela telefonava-me e eu ia lá. Mas agora já não vou. Ela pagava muito mal. Entrava a um quarto para a uma e saia às 16h e ela pagava-me seis euros pelas 3 horas.”
Margarida, 43 anos, desempregada
“Tenho a dívida da minha casa [das rendas] E tenho a dívida com o banco. Tinha um crédito que foi pedido há 6 anos, era para 5 anos, mas quando a minha vida começou a piorar deixei de pagar e depois fui acumulando juros, juros, juros, e hoje posso-lhe dizer que o abono dos meus filhos, fico sem ele todos os meses.”
Carolina, 44 anos, trabalhadora pobre
“Eu sofri um bocadinho, chorei, porque eu era muito amiga das pessoas da Associação. Estávamos a ser ajudados já há bastantes anos. Se calhar acharam que já era um hábito nosso, que a gente já não merecia, que nos acomodámos com a ajuda deles. Não foi o caso. Eu, quanto menos precisar de ser ajudada, melhor. Sempre disse lá na Associação: mal tenha oportunidade de melhorar um bocadinho a minha vida eu não quero a vossa ajuda, porque se calhar quando eu tiver mais, haverá pessoas com muito mais prioridade do que eu. Sempre batalhei neste assunto e sempre mostrei a eles que não era uma acomodação, era mesmo uma necessidade.”
Anabela, 47 anos, desempregada
27.5.13
Novos pobres "quase" excluídos de prestações sociais
in Diário de Notícias
O diretor do Observatório de Luta Contra a Pobreza em Lisboa considera que os novos pobres "têm muita dificuldade em aceder" a prestações sociais de combate à pobreza e à exclusão social, como o Rendimento Social de Inserção (RSI).
"Os chamados novos pobres têm muita dificuldade em aceder a este tipo de medidas. Mesmo estando endividados, estando a passar fome, tendo móveis ou imóveis em seu nome, estão quase automaticamente excluídos do acesso a este recurso", disse Sérgio Aires à agência Lusa.
De acordo com dados do Instituto da Segurança Social, entre 2006 e 2012, o número de famílias beneficiárias do RSI no distrito de Lisboa passou de 13 mil para 31 mil.
Contudo, entre 2010 e 2012 houve uma quebra no número de famílias beneficiárias desta prestação social: de quase 37 mil em 2010, desce-se para 33 mil em 2011 e para 31 mil em 2012. Esta evolução foi acompanhada da descida do valor médio da prestação por agregado: de 239 euros em 2006, desceu para 215 euros em 2012.
No total, o número de beneficiários do RSI no distrito de Lisboa passou de 35 mil em 2006 para 80 mil em 2012, e também aqui se registou uma redução do número de beneficiários entre 2010 e 2012: de 94 mil beneficiários do RSI em Lisboa em 2010, passou-se para 85 mil em 2011 e para 80 mil em 2012.
A descida do número de beneficiários em Lisboa foi acompanhada da descida do valor médio da prestação por indivíduo: de 88 euros em 2006 desceu para 86 euros em 2012.
Para o sociólogo, esta evolução pode ser também o resultado de uma maior fiscalização sobre os apoios, "mas, acima de tudo, é o resultado das alterações das regras de acesso". O direito a este recurso, diz, "foi de tal forma dificultado, quer do ponto de vista administrativo, quer pela forma de cálculo da medida, que houve muitas pessoas que, mesmo necessitando desta prestação, acabaram por ser excluídas".
"Estamos a falar de um apoio para pessoas que vivem muito abaixo do limiar da pobreza. Pessoas que, embora tendo um emprego, não ganham o suficiente para estarem acima do limiar que permite serem beneficiárias do RSI, afirmou, lamentando que "alguns decisores políticos, a diferentes níveis, não tenham nunca feito um esforço para dar visibilidade a isto, contribuindo, ao contrário, muitas vezes para alimentar os piores estereótipos sobre os beneficiários".
Sempre houve, e hoje haverá provavelmente ainda mais, diz, muitos trabalhadores pobres a solicitar o RSI. A medida, considera o responsável, "tem muitas virtualidades que não são concretizadas, e outras que têm sido muitas vezes escamoteadas por preconceito ideológico", nomeadamente, exemplificou, o impacto no combate à pobreza infantil e na formação de adultos.
"É bom não esquecer que antes desta crise Portugal já tinha uma taxa de risco de pobreza a rondar os dois milhões de pessoas", concluiu.
O diretor do Observatório de Luta Contra a Pobreza em Lisboa considera que os novos pobres "têm muita dificuldade em aceder" a prestações sociais de combate à pobreza e à exclusão social, como o Rendimento Social de Inserção (RSI).
"Os chamados novos pobres têm muita dificuldade em aceder a este tipo de medidas. Mesmo estando endividados, estando a passar fome, tendo móveis ou imóveis em seu nome, estão quase automaticamente excluídos do acesso a este recurso", disse Sérgio Aires à agência Lusa.
De acordo com dados do Instituto da Segurança Social, entre 2006 e 2012, o número de famílias beneficiárias do RSI no distrito de Lisboa passou de 13 mil para 31 mil.
Contudo, entre 2010 e 2012 houve uma quebra no número de famílias beneficiárias desta prestação social: de quase 37 mil em 2010, desce-se para 33 mil em 2011 e para 31 mil em 2012. Esta evolução foi acompanhada da descida do valor médio da prestação por agregado: de 239 euros em 2006, desceu para 215 euros em 2012.
No total, o número de beneficiários do RSI no distrito de Lisboa passou de 35 mil em 2006 para 80 mil em 2012, e também aqui se registou uma redução do número de beneficiários entre 2010 e 2012: de 94 mil beneficiários do RSI em Lisboa em 2010, passou-se para 85 mil em 2011 e para 80 mil em 2012.
A descida do número de beneficiários em Lisboa foi acompanhada da descida do valor médio da prestação por indivíduo: de 88 euros em 2006 desceu para 86 euros em 2012.
Para o sociólogo, esta evolução pode ser também o resultado de uma maior fiscalização sobre os apoios, "mas, acima de tudo, é o resultado das alterações das regras de acesso". O direito a este recurso, diz, "foi de tal forma dificultado, quer do ponto de vista administrativo, quer pela forma de cálculo da medida, que houve muitas pessoas que, mesmo necessitando desta prestação, acabaram por ser excluídas".
"Estamos a falar de um apoio para pessoas que vivem muito abaixo do limiar da pobreza. Pessoas que, embora tendo um emprego, não ganham o suficiente para estarem acima do limiar que permite serem beneficiárias do RSI, afirmou, lamentando que "alguns decisores políticos, a diferentes níveis, não tenham nunca feito um esforço para dar visibilidade a isto, contribuindo, ao contrário, muitas vezes para alimentar os piores estereótipos sobre os beneficiários".
Sempre houve, e hoje haverá provavelmente ainda mais, diz, muitos trabalhadores pobres a solicitar o RSI. A medida, considera o responsável, "tem muitas virtualidades que não são concretizadas, e outras que têm sido muitas vezes escamoteadas por preconceito ideológico", nomeadamente, exemplificou, o impacto no combate à pobreza infantil e na formação de adultos.
"É bom não esquecer que antes desta crise Portugal já tinha uma taxa de risco de pobreza a rondar os dois milhões de pessoas", concluiu.
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