Mostrar mensagens com a etiqueta Envelhecimento Ativo e Saudável. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Envelhecimento Ativo e Saudável. Mostrar todas as mensagens

21.9.23

As pessoas e a longevidade: Portugal precisa de investir mais em investigação, prevenção e literacia

Sofia Correia Baptista Jornalista, in Expresso


O país deve apostar na investigação, na prevenção e na literacia para um envelhecimento mais saudável, concluiu o painel de mais uma webtalk sobre os desafios associados à longevidade


A ciência e a literacia na área da longevidade e a preparação de Portugal para promover um envelhecimento saudável foram os temas centrais abordados em mais uma webtalk do projeto do Expresso dedicado à Longevidade.

Dividido em três conversas, o painel desta quarta-feira contou com a participação de Cláudia Cavadas (líder do grupo de Neuroendocrinologia e Envelhecimento do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra), Helena Canhão (diretora da NOVA Medical School), Daniel Riscado (responsável do Centro de Transformação da Fidelidade), Pedro Pimentel (diretor-geral da Centromarca), Maria do Rosário Zincke (presidente da Alzheimer Europe) e Sofia Sousa Roque (coordenadora executiva da Digital Health Portugal). O diretor-adjunto do Expresso, Martim Silva, moderou o debate.

Estas foram as principais ideias em discussão:
INVESTIGAÇÃO

Na Universidade de Coimbra, o grupo liderado por Cláudia Cavadas dedica-se à análise da forma como as células envelhecem, isto é, “perceber os processos” para que seja possível intervir, de forma a que as doenças surjam “o mais tarde possível”. Pretende-se que o trabalho em laboratório venha, no futuro, a ter impacto nas políticas públicas.

Já na NOVA Medical School, Helena Canhão destaca o trabalho de investigação centrado no indivíduo e nas populações. Trata-se de perceber quais são as características para, depois, “tentar modificar padrões e comportamentos”, algo que é “muito difícil”. Está em causa uma “validação clínica” de inovação e novas tecnologias, avaliando o impacto e repercussão na qualidade de vida.

APOIO

Para Cláudia Cavadas, é necessário mais financiamento para a investigação dedicada ao envelhecimento, área em que há agora um maior interesse. É também preciso investir no apoio domiciliário, segundo Helena Canhão: a tecnologia existe no nosso país, mas há desigualdade no acesso.

Por exemplo, há países em que dispositivos como luzes que se acendem com sensores ou apoios para a casa de banho são comparticipados, “enquanto cá, quem não pode pagar essas ajudas, tem uma qualidade de vida completamente diferente do que quem pode”.

PREVENÇÃO

A prevenção é “muito importante” e, para tal, precisamos de “políticas de saúde e não de doença”, indica Cláudia Cavadas. Além de preventiva, a medicina deve ser também preditiva, personalizada e participativa, uma vez que a genética e os comportamentos são diferentes.

Também em termos de prevenção, Maria do Rosário Zincke salienta que a Estratégia da Saúde na Área das Demências “tem estado parada”. É preciso uma “aposta séria na prevenção” e atuar ao nível dos fatores de risco – como o isolamento social – e da intervenção não farmacológica.


LITERACIA

Para a presidente da Alzheimer Europe, o grande desafio tem sido contribuir para a literacia dos cuidadores e dos decisores políticos, mas também das próprias pessoas com demência, o que significa “assegurar que conhecem o seu diagnóstico e a partir daí conseguem planear o futuro, e dar a conhecer os seus direitos”.

Neste contexto, as crianças podem assumir um papel relevante em termos de “veículo de informação”. Sofia Sousa Roque aponta, no mesmo sentido, uma “permeabilidade grande da informação” transmitida pelos mais novos.

Tudo isto porque, de acordo com Maria do Rosário Zincke, “ainda há muito trabalho a desenvolver no combate ao estigma e às ideias erradas sobre o que é uma pessoa com demência”. Estas pessoas “podem ter um papel ativo na sociedade” e devem ser envolvidas nas tomadas de decisão.
PROBLEMA DEMOGRÁFICO

Pedro Pimentel alertou que Portugal tem um “problema sério a nível demográfico”. Em cerca de 100 anos e “se nada for feito”, o país passará a ter aproximadamente seis milhões de habitantes, uma perda que “só pode ser compensada com reforço de natalidade e através de imigração”.

PROPÓSITO

Em vez de estruturar a vida em três fases – estudo, trabalho e reforma –, Daniel Riscado considera fazer sentido acrescentar uma outra fase, antes da reforma, com um “desacelerar mas um contributo ativo”. É que a existência de um propósito tem um “grande impacto positivo” na longevidade. “O facto de estarmos a contribuir para algo tem um papel enorme em vivermos bem”, resume o responsável do Centro de Transformação da Fidelidade.

24.8.23

Aceitar o envelhecimento como uma fase de vida

Margarida Quinhones, opinião, in Público


O envelhecimento saudável não é apenas sobre manter a mente ativa, mas também sobre cultivar a flexibilidade mental que nos permite abraçar mudanças e desafios com confiança.


O envelhecimento saudável está a tornar-se uma preocupação fundamental para os indivíduos e para as sociedades, e ainda bem, porque é inegável que se vive mais tempo e procuramos que isso aconteça da melhor forma. À medida que a ciência e a medicina progridem, paralelamente com a consciencialização sobre a importância do bem-estar em todas as fases da vida de um ser humano, o paradigma do envelhecimento vai também sendo alterado.


Hoje, mais do que nunca, entendemos que o envelhecimento não precisa ser sinónimo de declínio, embora traga algumas perdas significativas, mas pode ser visto como uma nova etapa da vida, de sabedoria e realização. Envelhecer de forma saudável significa saber fazer escolhas, melhorar hábitos de vida e mudar atitudes que podem e devem moldar os nossos últimos anos.


Na sua essência, o envelhecimento saudável alia bem-estar físico, mental e emocional. É fundamental adotar estilos de vida que alimentem o nosso corpo e o espírito, como ter uma alimentação saudável, manter relações sociais e ter tempo para desenvolver a espiritualidade.

A base de um envelhecimento saudável começa no corpo: a alimentação equilibrada é o primeiro passo que influencia a qualidade da jornada de envelhecimento. Evitar o excesso de açúcares, as gorduras saturadas e alimentos processados pode ser determinante.


Aceitar o envelhecimento como uma fase de vidaO caminho para o envelhecimento saudável não está completo sem a atividade física. A incorporação de exercícios regulares, seja caminhar, nadar, dançar ou praticar qualquer desporto, não só mantém os nossos músculos e ossos fortes, mas também promove a libertação de endorfinas, que têm um impacto direto no nosso bem-estar emocional e previne, ainda, algumas doenças graves.

Além disso, o estimular a mente é uma componente vital neste quadro do envelhecimento saudável. A aprendizagem contínua, a procura por novos desafios cognitivos e a participação em atividades intelectualmente estimulantes são os aspectos que também contribuem de forma determinante. O envelhecimento saudável não é apenas sobre manter a mente ativa, mas também sobre cultivar a flexibilidade mental que nos permite abraçar mudanças e desafios com confiança.

Outro dos aspetos marcantes do envelhecimento saudável é o conjunto de ligações sociais que construímos. Cultivar relacionamentos significativos, passar tempo com entes queridos e construir uma rede de apoio são elementos que trazem significado à nossa vida. As ligações sociais não são apenas mais um componente da vida: são a própria essência da experiência humana.

O conceito de envelhecimento saudável não se deve focar apenas no indivíduo, mas também no ambiente e nos contextos em que vive. As comunidades que priorizam espaços verdes, acessibilidade e inclusão, contribuem para um envelhecimento mais saudável da sua população. As políticas públicas também desempenham um papel crucial na tarefa de criar um ambiente que promova a saúde e o bem-estar das pessoas mais velhas. É importante investir em infra-estruturas adaptadas, cuidados de saúde acessíveis a todos e programas de apoio social adequados.

Veja-se o exemplo das chamadas Blue Zones, regiões do mundo onde as pessoas têm uma longevidade notável e envelhecem com vitalidade. Estes locais representam verdadeiras lições de vida sobre o envelhecimento saudável. Nestas zonas, a ligação com a natureza, a alimentação baseada em plantas cultivadas localmente, o exercício físico diário, o apoio social e um propósito de vida comum são elementos centrais que contribuem para a qualidade de vida excecional das pessoas. Estas comunidades não revelam apenas segredos para uma vida longa e saudável, mas também oferecem uma valiosa perceção sobre como podemos construir uma trajetória de envelhecimento mais ativo e saudável.

Devemos encarar o envelhecimento como uma expressão única de quem somos e do que valorizamos, que reflita o percurso de vida de cada um, como seres únicos e irrepetíveis. Cada escolha que fazemos, cada relacionamento que cultivamos e cada momento que abraçamos deve contribuir para esta construção do envelhecimento, enquanto uma fase de vida que é, e não como um fim de vida.

A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990

[artigo disponível na íntegra só para assinantes]



10.10.17

Ministra defende que envelhecimento ativo e saudável requer políticas transversais

in Diário de Notícias

A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, sublinhou hoje que o envelhecimento ativo e saudável requer políticas transversais, sendo necessário um trabalho conjunto com os diferentes agentes.

"Como é que melhoramos a qualidade de vida as pessoas? As respostas tradicionais já não são suficientes para lidar com o problema" do envelhecimento, notou Maria Manuel Leitão Marques, que falava durante a abertura oficial do Active and Assisted Living Forum, evento focado nas tecnologias em torno de envelhecimento ativo e que decorre este ano em Coimbra.

Para a ministra, as mudanças demográficas que ocorreram em Portugal nas últimas décadas representam "um enorme desafio para Portugal", para a sua administração, mas também para as universidades, empresas e organizações do setor social.
Segundo a membro do Governo, os agentes - públicos e privados - têm de ser "inovadores e procurar novas respostas", cuja inovação não precisa de ser apenas tecnológica, mas também "social".

"Temos que lidar com o problema através de uma resposta multidisciplinar, combinando diferentes capacidades e também diferentes políticas públicas, da ciência à cultura, da saúde à educação", defendeu Maria Manuel Leitão Marques, que fez o seu discurso em inglês.

De acordo com a ministra, é preciso os diferentes níveis da administração pública trabalharem "juntos e cooperarem muito mais", bem como garantir um envolvimento dos agentes privados e sociais para garantir uma mudança.

O fórum realiza-se no Convento São Francisco, onde vão ser apresentadas tecnologias que estão a ser desenvolvidas para o mercado do envelhecimento ativo e saudável.

São esperados cerca de 750 participantes, a maioria estrangeiros, e serão apresentadas mais de 20 tecnologias em torno do envelhecimento ativo.
A edição do fórum em Coimbra é organizada pelo Instituto Pedro Nunes, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Município de Coimbra, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e Universidade de Coimbra.

18.9.17

Governo acolhe estratégia para tornar Portugal num país “amigo dos idosos”

Natália Faria, in Público on-line

Num país em que os idosos já representam 20% da população, a estratégia nacional para o período 2017-2025 que é hoje entregue ao Governo propõe medidas que vão da entrada progressiva na reforma à criação de lojas móveis do cidadão idoso.

Da instituição de um exame de saúde obrigatório logo aos 65 anos à adaptação do sistema de triagem nas urgências hospitalares, passando pela promoção da entrada progressiva na reforma e pela adaptação da temporização dos semáforos aos mais velhos, o Governo recebe esta segunda-feira em mãos um vastíssimo leque de propostas que visam preparar o país para um cenário não muito distante em que mais de um terço da sua população terá 65 ou mais anos de idade.

A Estratégia Nacional para o Envelhecimento Activo e Saudável 2017-2025, que é hoje entregue ao secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, levou mais de um ano a ser preparada. Numa altura em que as pessoas com 65 e mais anos de idade representam já 20% da população portuguesa, o documento propõe a abertura de várias frentes de combate ao isolamento, estigmatização e às dependências, económicas, físicas e mentais dos mais velhos.

“A promoção de um envelhecimento activo e saudável não se pode adiar. É urgente que o país se adapte a uma estrutura demográfica envelhecida porque o que está em causa é toda a sustentabilidade do sistema em que vivemos”, resume José Pereira Miguel, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e coordenador do grupo de trabalho que, a partir de um despacho conjunto dos ministros da Saúde, Finanças, Adjunto e do Trabalho e Solidariedade Social, se pôs a estudar formas de garantir a sustentabilidade do país face a um duplo desafio: o que decorre do envelhecimento demográfico e o que resulta de as pessoas em Portugal estarem a viver mais tempo mas com pouca saúde.

O país tem de ser para velhos

Situemo-nos. Entre os consecutivos recordes negativos no número de nascimentos - que a ligeiríssima recuperação dos últimos dois anos está longe de conseguir inverter – e a emigração de jovens, Portugal é já o quarto país mais envelhecido da União Europeia (20,5% da população tem 65 ou mais anos de idade), ultrapassado apenas pela Grécia, Alemanha e Itália. Em 2015, os octogenários, por seu turno, já representavam 5,84% da população. Nas últimas projecções do Instituto Nacional de Estatística, no cenário mais moderadamente optimista (que ainda assim pressupõe uma recuperação do índice sintético de fecundidade para as 1,55 crianças por mulher em idade fértil - contra as actuais 1,36 - e o regresso a saldos migratórios positivos que se mantém negativo desde 2011) o país estará em 2080 reduzido a 7,5 milhões de residentes. Destes, 2,8 milhões terão 65 ou mais anos de idade. Haverá então 317 idosos por cada 100 jovens.

Tudo somado, chega-se ao prognóstico do país invertendo a declaração que dá título ao romance do norte-americano Cormac McCarthy e que dará qualquer coisa como “Este país terá de ser para velhos”. “Vamos ter que nos adaptar e isso implica dar passos arrojados. Esta estratégia não resolverá tudo mas é muito importante”, avisa José Pereira Miguel, dizendo-se esperançado que este não seja mais um documento para ficar esquecido numa gaveta e que, ao contrário, receba do Governo “o aval e os meios necessários” para levar à prática as suas propostas.

Enquadradas por quatro eixos fundamentais – que vão da saúde à participação, passando pela segurança e monitorização e investigação -, este “modelo orientador da intervenção” propõe-se “dar substância e coerência” à acção no domínio da promoção do envelhecimento activo e saudável, para que envelhecer deixe de significar estar mais exposto a riscos como o isolamento social e a solidão, a dependência física, mental e económica, a estigmatização, os abusos e a violência. Na saúde, e porque cerca de 23% da carga global da doença no mundo é atribuível às pessoas com 60 ou mais anos de idade e porque no caso português as pessoas vivem mais mas em pior estado de saúde, a estratégia aposta, sem surpresas, na promoção de hábitos de vida saudável, por forma a, como sublinha Pereira Miguel, prevenir “retrocessos em comportamentos como o consumo de tabaco e álcool e sedentarismo”.

Parece mais do mesmo, mas do que se trata aqui é de procurar ganhar em anos de vida saudável após os 65, sobretudo porque se soube, como o PÚBLICO noticiou em Março, que, contra todas as expectativas, os portugueses “perderam” cerca de três anos de esperança de vida saudável em 2014 face ao ano anterior.

Aos 65 anos, as mulheres podiam esperar viver em média apenas mais 6,5 anos sem incapacidades ou doenças, enquanto aos homens se perspectiva mais 6,9 anos nas mesmas condições. É um indicador em que Portugal faz muito má figura na fotografia da União Europeia (UE) a 28. E a não ser que o consiga melhorar será muito difícil ao país garantir o sucesso noutra das apostas desta estratégia: promover uma transição mais suave do trabalho para a reforma. “Esta transição não tem de ser feita em termos de tudo ou nada. A ideia é que haja transições em que a pessoa possa continuar a contribuir com um trabalho mais leve e estruturado de outra maneira. Que não seja passar do oito para o 80. Mas, claro, isso implica que as pessoas lá cheguem com saúde e energia”, nota o coordenador.
Avaliar estado de exaustão dos cuidadores

A criação de um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas, que engloba avaliações regulares logo a partir dos 50 anos, a obrigatoriedade de um diagnóstico compreensivo aos 65 anos, o estabelecimento de um plano individual de cuidados que inclui um sistema de “bandeiras vermelhas” que alertem os profissionais para situações como o recurso frequente às urgências hospitalares, faltas sucessivas a consultas ou sinais de negligência ou maus tratos, são outras das medidas que se conjugam no capítulo da saúde.
População muito idosa duplicou em duas décadas
População muito idosa duplicou em duas décadas

A par disto, propõe-se um sistema de diferenciação positiva dos idosos nas urgências dos hospitais, a aposta no projecto Centros de Saúde Amigos das Pessoas Idosas, instituído pela Organização Mundial de Saúde em 2010, e a sinalização e a justificação dos casos de idosos que tomam mais de cinco medicamentos. “Esta adaptação dos serviços”, enquadra José Pereira Miguel, “é fundamental e tem de estender-se aos cuidados de toda a espécie e feitio”.

Quanto aos cuidadores dos idosos, e em consonância com a ideia de que é preciso apostar na domiciliação dos cuidados até porque “não se pode hospitalizar toda a gente, nem meter toda a gente em lares”, a estratégia prevê que lhes seja dada formação, sobretudo se se tratar de familiares não qualificados para o efeito, bem como fazer uma avaliação periódica do seu estado de saúde e exaustão.

Noutras frentes, o documento propõe integrar a temática da valorização da pessoa idosa nos programas e metas curriculares, apoiar o desenvolvimento de universidades sénior e desenvolver o Erasmus Sénior, programa que, à semelhança dos estudantes do ensino superior, visa promover o intercâmbio no espaço europeu dos idosos que frequentem a universidade.

A criação, a nível municipal ou de freguesia, de lojas móveis do cidadão idoso e de gabinetes de apoio ao idoso nas câmaras ou juntas das freguesias integram também o leque de propostas a submeter à aprovação do Governo para, como conclui José Miguel Pereira, Portugal se torne num bom país para viver “não apenas para os estrangeiros que chegam com boas reformas mas para quem ‘moureja’ por cá e luta para sobreviver por cá”.
Governo quer adaptar urgências dos hospitais aos doentes idosos
Governo quer adaptar urgências dos hospitais aos doentes idosos
Propostas da Estratégia Nacional para o Envelhecimento Activo e Saudável 2017-2025

Saúde

Promover acções dirigidas ao auto-cuidado, à vigilância da saúde, à vacinação, aos rastreios, aos exames médicos, adesão ao plano terapêutico e a outros cuidados de saúde
Criar um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas que institua o registo da avaliação das funcionalidades e que compreenda a realização de avaliações regulares com vista à detecção precoce de défices funcionais, défices psíquicos ou doenças crónicas logo a partir dos 50 anos de idade
Instituir diagnóstico compreensivo obrigatório aos 65 anos
Estabelecer um Plano Individual de Cuidados (PIC) como instrumento de intervenção integrada em todos os idosos com várias patologias e que inclua um sistema de “bandeiras vermelhas” que sirvam de alerta sempre que, por exemplo, haja um recurso frequente às urgências, faltas sucessivas a consultas ou sinais de negligência ou maus-tratos
Referenciar a pessoa responsável pelos cuidados ao idoso. Nos casos em que seja necessário, aquela deve receber formação para os cuidados a dar e o seu estado geral de saúde e o nível de exaustão devem ser avaliados periodicamente
Definir uma estratégia de combate à polimedicação tornando-a de justificação obrigatória quando inclua mais de cinco medicamentos
Adaptar a triagem nas urgências hospitalares aos idosos, criando um sistema de diferenciação positiva
Generalização do projecto Centro de Saúde Amigo das Pessoas Idosas
Criar unidades de agudos para doentes idosos e equipas multidisciplinares capazes de dar uma resposta integrada aos doentes idosos

Educação e participação

Investir na formação e educação sobre o envelhecimento em todos os graus de ensino, integrando nos programas e metas curriculares a valorização da pessoa idosa
Incentivar a investigação académica na área do envelhecimento
Alertar as instituições do ensino superior para as necessidades de adequação dos planos curriculares às características populacionais emergentes
Apoiar o desenvolvimento de universidades seniores e desenvolver o Erasmus Senior que promova intercâmbios no espaço europeu dos idosos que frequentem a universidade
Acordar com empresas de entretenimento produtoras de programas de grande audiência a inserção de mensagens promotoras da literacia em saúde
Combater o idadismo (discriminação em razão da idade) através de campanhas que promovam aspectos positivos do envelhecimento e identifiquem os contributos dos idosos para a sociedade
Promover a transição progressiva para a reforma e incentivar a criação de estruturas ou recursos que sejam agentes facilitadores desta mudança
Criar, organizar e divulgar redes de prestação de cuidados prestados ao domicílio e em ambulatório e apoiar nas necessidades pontuais de manutenção do conforto no domicílio das pessoas idosas
Criar ambientes de suporte físico e social nos bairros, permitindo a permanência das pessoas idosas em suas casas e comunidades o maior tempo possível
Desenvolver sistemas de monitorização que permitam o “ageing in place” com qualidade e segurança
Cumprir a lei no que concerne à eliminação de barreiras arquitectónicas
Preparar zonas pedonais que facilitem a deslocação de pessoas a pé ou em cadeira de rodas
Criar Loja Móvel do Cidadão Idoso e gabinetes de apoio ao idoso nas autarquias ou juntas de freguesia

Segurança

Avaliação sistemática em todas as pessoas idosas de sinais de violência pelo menos uma vez por ano, nos centros de saúde
Generalizar a circulação de autocarros com piso rebaixado e formar os condutores para o transporte de pessoas idosas
Semaforização com temporização adequada aos idosos

16.1.13

Universidade de Coimbra lidera candidatura a Região Europeia para o Envelhecimento Ativo e Saudável

in RTP

A Universidade de Coimbra (UC) lidera a única candidatura portuguesa a Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, cujo projeto pretende melhorar a qualidade de vida dos idosos e garantir a sustentabilidade do sistema de saúde.

O anúncio foi feito hoje pela UC, que lidera o projeto através das Faculdades de Medicina e de Ciências do Desporto e Educação Física, em consórcio com a Câmara de Coimbra, a Administração Regional de Saúde do Centro, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Instituto Pedro Nunes.

O protocolo de entendimento interinstitucional entre estas entidades vai ser assinado na quinta-feira, às 09:30, no salão nobre da Câmara de Coimbra.

Joaquim Murta, diretor da Faculdade Medicina da UC, disse à agência Lusa que o projeto "leva à investigação das áreas ligadas ao envelhecimento, entrelaçando os domínios da intervenção social, cuidados de saúde, investigação científica, inovação, desenvolvimento de tecnologia e competitividade do tecido empresarial e das políticas de urbanismo amigas do idoso".

Segundo Joaquim Murta, o consórcio vai contribuir para estimular as universidades e as empresas a desenvolverem, em conjunto, tecnologias inovadoras que melhorem a "qualidade de vida da população idosa e que garantam a sustentabilidade do sistema de saúde".

Para já, segundo explicou, a zona Centro terá de ser aceite pela Comunidade Europeia como Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável e só depois, numa segunda fase, o consórcio poderá candidatar-se a fundos comunitários para desenvolver um conjunto de ações.

De acordo com uma nota da UC, o envelhecimento das populações na Europa, e em particular em Portugal, é hoje entendido como um problema social e económico da maior relevância, em que o número de cidadãos idosos duplicou em poucos anos, crescendo, na União Europeia, a um ritmo superior a dois milhões de indivíduos com mais de 60 anos por cada ano civil.