Se ficou sem emprego durante o estado de emergência ou calamidade, deve apresentar um novo pedido de subsídio de desemprego para beneficiar da flexibilização desse apoio.
Os trabalhadores que tenham perdido o seu posto de trabalho durante o estado de emergência ou o estado de calamidade e que queiram beneficiar da recente flexibilização do acesso ao subsídio de desemprego devem entregar um novo pedido de apoio à Segurança Social, esclareceu, esta sexta-feira, o ministro da Economia, em declarações aos jornalistas à saída de uma reunião com os parceiros sociais.
O Governo aprovou, na semana passada, em Conselho de Ministros a regulamentação que estava em falta para colocar em prática a flexibilização do acesso ao subsídio de desemprego ditada pelo Orçamento Suplementar para 2020. Assim, a medida que estava prevista desde o final de julho só agora ficará efetivamente disponível.
Falta apenas o “sim” do Presidente da República e a publicação do diploma em Diário da República, para que, nos casos em que a perda do posto de trabalho tenha acontecido durante o estado de emergência ou de calamidade, passe a ser preciso ter apenas 180 dias de descontos para a Segurança Social, nos últimos 24 meses para ter direito à prestação em causa.
Em circunstâncias normais, o prazo de garantia para ter acesso a esta prestação é de, pelo menos, 360 dias de descontos nos últimos 24 meses, ou seja, reduz-se para metade as contribuições necessárias para ter acesso a este apoio, nos casos referidos.
Questionada sobre seria preciso entregar um novo pedido de subsídio, na conferência de imprensa após a referida reunião de Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva indicou que não seria necessário apresentar um novo pedido de subsídio de desemprego para beneficiar destas regras especiais. A Segurança Social estava, contudo, a pedir aos desempregados que o fizessem.
Esta sexta-feira, Pedro Siza Vieira esclareceu que é mesmo preciso enviar um novo pedido de subsídio de desemprego, caso se pretenda beneficiar do prazo de garantia reduzido. Ou seja, não será a Segurança Social a averiguar oficiosamente que pedidos indeferidos têm direito a “luz verde” face ao novo quadro legal.
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27.7.20
Governo e autarquias analisam fim do estado de calamidade
in DN
Autarcas declararam-se otimistas, mas ministra da Saúde pôs água na fervura. Presidente da República não tem pressa.
Os autarcas dos cinco concelhos com freguesias em estado de calamidade devido ao números de contaminados com covid-19 reúnem-se nesta segunda-feira à tarde com vários elementos do executivo. O objetivo do encontro é analisar em conjunto a estratégia adotada naquelas áreas para se tomar uma decisão, em conselho de ministros de quinta-feira, sobre o eventual levantamento daquela medida de exceção.
À mesa da residência oficial do primeiro-ministro estarão os ministros Eduardo Cabrita (Administração Interna), Marta Temido (Saúde), Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), os secretários de Estado Duarte Cordeiro (coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo) e Tiago Antunes (adjunto do primeiro-ministro), bem como os autarcas Basílio Horta (Sintra), Bernardino Soares (Loures), Carla Tavares (Amadora), Fernando Medina (Lisboa) e Hugo Martins (Odivelas), e ainda o coordenador do Gabinete de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal.
Otimismo dos autarcas
Nos últimos dias os presidentes das câmaras de Lisboa e de Loures mostraram-se otimistas quanto à evolução epidemiológica nas freguesias afetadas e, em consequência, que se decrete o fim do estado de calamidade.
"A evolução que temos tido ao longo das últimas semanas tem sido uma evolução positiva na generalidade dos municípios da área metropolitana e nas várias freguesias. Essa avaliação vai ser feita no início da próxima semana com o governo. Se for possível registar, ao longo destes dias que ainda faltam, uma evolução positiva, como aquela que temos vindo a registar, o mais provável é de facto a retirada de freguesias da lista da situação de calamidade", comentou na sexta-feira Fernando Medina, que é também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.
Na quinta-feira o comunista Bernardino Soares, autarca de Loures, declarou que a evolução nas suas freguesias (Camarate, Unhos e Apelação e Sacavém e Prior Velho) é positiva. "Se se confirmar a trajetória de descida [esta semana], quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade", afirmou à agência Lusa.
Bernardino Soares disse que o número de casos ativos é muito menor do que antes e que a situação está normalizada. "Vamos continuar a ter covid-19 no nosso território e vamos ter de continuar a trabalhar e a manter as equipas no terreno, mas acho que estamos já num patamar em que podemos lidar com isso sem estar em estado de calamidade."
Portugal continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.
Na AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos - Loures, Amadora, Odivelas, Lisboa e Sintra - permaneceram em estado de calamidade, já que, segundo disse na altura o primeiro-ministro António Costa, é onde se concentra "o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados".
A situação de alerta, aquela em que o país se encontrava antes de ser decretado o estado de emergência em 18 de março, é o nível mais baixo de intervenção previsto na Lei de Bases de Proteção Civil, e o de calamidade o mais elevado.
As medidas vigoram até ao final do mês e têm correspondência com diferentes restrições. Nas 19 freguesias em estado de calamidade foram impostas medidas especiais de confinamento, como o "dever cívico de recolhimento domiciliário", ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.
Os ajuntamentos estão limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.
As 19 freguesias que estão em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro) e as duas referidas freguesias de Loures.
Ao falar sobre a única freguesia do concelho de Lisboa, Santa Clara, em estado de calamidade, o presidente da autarquia registou melhorias tanto nos focos locais, como "nos números globais". E aproveitou para comentar a política de saúde pública adotada: "No fundo o que se tratava era o controlo de focos que, estando na comunidade, tivemos a capacidade de os isolar, de os confinar e, no fundo, de impedir a sua propagação. E isso é um trabalho que está a ter bons resultados e que já está a ter efeitos nos números que nós estamos a registar."
Ministra da Saúde baixa expectativas
A ministra da Saúde, Marta Temido, lembrou na sexta-feira que "não se pode baixar a guarda" e que o levantamento da situação de calamidade depende da "consolidação de dados".
Foi a resposta às declarações de Fernando Medina, que lembrou ainda que a decisão é tomada "em momento próprio", pelo Conselho de Ministros: "Nós estabelecemos desde o início um calendário quinzenal para poder ter alguma estabilidade de informação e ter dados mais robustos mais fiáveis e, portanto, vamos respeitar esse calendário", defendeu.
"Sabemos que de facto há áreas que estão a ter uma evolução mais rápida do que outras, que são áreas mais complexas com mais habitantes com características mais multifacetadas e sabemos, sobretudo, que muitas destas medidas que utilizamos nestes cinco concelhos são medidas muito importantes eventualmente para estender a outros territórios", salientou.
Marta Temido disse estar a falar concretamente de "aspetos provavelmente menos mediáticos" como o trabalho das equipas multidisciplinares e das equipas de saúde pública.
"Acreditamos que é sobretudo por essa via que podemos garantir que a situação fica mais robusta, mais controlada e que em outros territórios também limítrofes a estes concelhos aquilo que é a progressão normal da doença pode ser evitada".
Segundo a ministra, essa avaliação "depende da consolidação de dados". "A grande lição que todos já temos hoje, até quando olhamos para a evolução de outros países, é que ninguém está livre da doença até ser descoberta uma vacina ou um tratamento eficaz, e não podemos baixar a guarda", asseverou.
Marcelo apela para o diálogo científico
Quem também mostrou cautela foi o Presidente da República. No sábado, no final de uma cerimónia religiosa em memória das 40 vítimas mortais por covid-19 em Ovar, disse: "Vale a pena esperar para ver, uma vez que o regime que existe dura até ao final do mês. Faltam cinco dias e cada dia conta. Olhar para a diminuição que tem havido - e que deve manter-se - de internados e utentes em cuidados intensivos é muito importante."
Olhar para os números e ouvir os especialistas é a receita defendida pelo chefe de Estado, que indicou, no entanto, a existência de pontos de vista diferentes entre a comunidade científica.
"No dia 8, à saída de uma reunião que foi a última naquele modelo com epidemiologistas, eu, por exemplo, citava um estudo de uma equipa de epidemiologistas liderada pelo professor Henrique de Barros sobre as linhas ferroviárias na Grande Lisboa. Passados 17 dias, há agora entendimentos aparentemente diversos sobre esta matéria, também técnicos, portanto aquilo que nós esperamos é que os especialistas e sanitaristas vão dialogando, trocando impressões, e que seja possível, a partir disso, haver uma imagem cada vez mais clara da situação para quem tem que tomar decisões políticas e de acompanhar o que se passa no dia-a-dia", concluiu.
Autarcas declararam-se otimistas, mas ministra da Saúde pôs água na fervura. Presidente da República não tem pressa.
Os autarcas dos cinco concelhos com freguesias em estado de calamidade devido ao números de contaminados com covid-19 reúnem-se nesta segunda-feira à tarde com vários elementos do executivo. O objetivo do encontro é analisar em conjunto a estratégia adotada naquelas áreas para se tomar uma decisão, em conselho de ministros de quinta-feira, sobre o eventual levantamento daquela medida de exceção.
À mesa da residência oficial do primeiro-ministro estarão os ministros Eduardo Cabrita (Administração Interna), Marta Temido (Saúde), Ana Mendes Godinho (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), os secretários de Estado Duarte Cordeiro (coordenador da Região de Lisboa e Vale do Tejo) e Tiago Antunes (adjunto do primeiro-ministro), bem como os autarcas Basílio Horta (Sintra), Bernardino Soares (Loures), Carla Tavares (Amadora), Fernando Medina (Lisboa) e Hugo Martins (Odivelas), e ainda o coordenador do Gabinete de intervenção para a supressão da covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, Rui Portugal.
Otimismo dos autarcas
Nos últimos dias os presidentes das câmaras de Lisboa e de Loures mostraram-se otimistas quanto à evolução epidemiológica nas freguesias afetadas e, em consequência, que se decrete o fim do estado de calamidade.
"A evolução que temos tido ao longo das últimas semanas tem sido uma evolução positiva na generalidade dos municípios da área metropolitana e nas várias freguesias. Essa avaliação vai ser feita no início da próxima semana com o governo. Se for possível registar, ao longo destes dias que ainda faltam, uma evolução positiva, como aquela que temos vindo a registar, o mais provável é de facto a retirada de freguesias da lista da situação de calamidade", comentou na sexta-feira Fernando Medina, que é também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.
Na quinta-feira o comunista Bernardino Soares, autarca de Loures, declarou que a evolução nas suas freguesias (Camarate, Unhos e Apelação e Sacavém e Prior Velho) é positiva. "Se se confirmar a trajetória de descida [esta semana], quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade", afirmou à agência Lusa.
Bernardino Soares disse que o número de casos ativos é muito menor do que antes e que a situação está normalizada. "Vamos continuar a ter covid-19 no nosso território e vamos ter de continuar a trabalhar e a manter as equipas no terreno, mas acho que estamos já num patamar em que podemos lidar com isso sem estar em estado de calamidade."
Portugal continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.
Na AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos - Loures, Amadora, Odivelas, Lisboa e Sintra - permaneceram em estado de calamidade, já que, segundo disse na altura o primeiro-ministro António Costa, é onde se concentra "o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados".
A situação de alerta, aquela em que o país se encontrava antes de ser decretado o estado de emergência em 18 de março, é o nível mais baixo de intervenção previsto na Lei de Bases de Proteção Civil, e o de calamidade o mais elevado.
As medidas vigoram até ao final do mês e têm correspondência com diferentes restrições. Nas 19 freguesias em estado de calamidade foram impostas medidas especiais de confinamento, como o "dever cívico de recolhimento domiciliário", ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.
Os ajuntamentos estão limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.
As 19 freguesias que estão em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro) e as duas referidas freguesias de Loures.
Ao falar sobre a única freguesia do concelho de Lisboa, Santa Clara, em estado de calamidade, o presidente da autarquia registou melhorias tanto nos focos locais, como "nos números globais". E aproveitou para comentar a política de saúde pública adotada: "No fundo o que se tratava era o controlo de focos que, estando na comunidade, tivemos a capacidade de os isolar, de os confinar e, no fundo, de impedir a sua propagação. E isso é um trabalho que está a ter bons resultados e que já está a ter efeitos nos números que nós estamos a registar."
Ministra da Saúde baixa expectativas
A ministra da Saúde, Marta Temido, lembrou na sexta-feira que "não se pode baixar a guarda" e que o levantamento da situação de calamidade depende da "consolidação de dados".
Foi a resposta às declarações de Fernando Medina, que lembrou ainda que a decisão é tomada "em momento próprio", pelo Conselho de Ministros: "Nós estabelecemos desde o início um calendário quinzenal para poder ter alguma estabilidade de informação e ter dados mais robustos mais fiáveis e, portanto, vamos respeitar esse calendário", defendeu.
"Sabemos que de facto há áreas que estão a ter uma evolução mais rápida do que outras, que são áreas mais complexas com mais habitantes com características mais multifacetadas e sabemos, sobretudo, que muitas destas medidas que utilizamos nestes cinco concelhos são medidas muito importantes eventualmente para estender a outros territórios", salientou.
Marta Temido disse estar a falar concretamente de "aspetos provavelmente menos mediáticos" como o trabalho das equipas multidisciplinares e das equipas de saúde pública.
"Acreditamos que é sobretudo por essa via que podemos garantir que a situação fica mais robusta, mais controlada e que em outros territórios também limítrofes a estes concelhos aquilo que é a progressão normal da doença pode ser evitada".
Segundo a ministra, essa avaliação "depende da consolidação de dados". "A grande lição que todos já temos hoje, até quando olhamos para a evolução de outros países, é que ninguém está livre da doença até ser descoberta uma vacina ou um tratamento eficaz, e não podemos baixar a guarda", asseverou.
Marcelo apela para o diálogo científico
Quem também mostrou cautela foi o Presidente da República. No sábado, no final de uma cerimónia religiosa em memória das 40 vítimas mortais por covid-19 em Ovar, disse: "Vale a pena esperar para ver, uma vez que o regime que existe dura até ao final do mês. Faltam cinco dias e cada dia conta. Olhar para a diminuição que tem havido - e que deve manter-se - de internados e utentes em cuidados intensivos é muito importante."
Olhar para os números e ouvir os especialistas é a receita defendida pelo chefe de Estado, que indicou, no entanto, a existência de pontos de vista diferentes entre a comunidade científica.
"No dia 8, à saída de uma reunião que foi a última naquele modelo com epidemiologistas, eu, por exemplo, citava um estudo de uma equipa de epidemiologistas liderada pelo professor Henrique de Barros sobre as linhas ferroviárias na Grande Lisboa. Passados 17 dias, há agora entendimentos aparentemente diversos sobre esta matéria, também técnicos, portanto aquilo que nós esperamos é que os especialistas e sanitaristas vão dialogando, trocando impressões, e que seja possível, a partir disso, haver uma imagem cada vez mais clara da situação para quem tem que tomar decisões políticas e de acompanhar o que se passa no dia-a-dia", concluiu.
22.5.20
Marinha Mercante. Há trabalhadores sem salário e retidos há meses em alto-mar
André Rodrigues, in RR
A paralisação generalizada de centenas de cargueiros em alto-mar, associada à suspensão de voos que permitam a rendição intercontinental de comandantes e tripulações, “está a criar exaustão e ansiedade junto das tripulações que estão ao serviço".
Há trabalhadores da marinha mercante que não recebem salário há vários meses, por causa da pandemia. O quadro é revelado à Renascença por Pedro Amaral, piloto de barra com larga experiência no porto de Setúbal.
A paralisação generalizada de centenas de cargueiros em alto-mar, associada à suspensão de voos que permitam a rendição intercontinental de comandantes e tripulações, “está a criar exaustão e ansiedade junto das tripulações que estão ao serviço".
Em muitos casos, "são trabalhadores que estão há seis, sete e oito meses retidos em alto-mar, quando os contratos de trabalho na marinha mercante preveem períodos de trabalho por um máximo de três meses consecutivos".
Por outro lado, "cada viagem corresponde a um contrato e a pessoa ganha pelos três meses que está a bordo, mais alguma coisa, porque o tempo a bordo também corresponde a algum tempo de descanso".
Com a atividade dos navios mercantes suspensa, os armadores deixaram de celebrar contratos de trabalho com quem está em terra e, por isso, "há pessoas que estão em causa há vários meses sem receber nada".
Também os comandantes das embarcações estão a sofrer as consequências da paralisação. O capitão de alto-mar António Curto está à espera de render um colega russo numa embarcação que opera na zona do Mediterrâneo.
"Eu devia ter rendido um capitão russo no dia 1 de abril, num navio que opera na zona do Mediterrâneo. Eu estou em casa, sem saber quando posso rendê-lo e ele teve de prolongar largamente a sua permanência a bordo".
No entanto, com as companhias aéreas europeias a perspetivar o retorno às operações a partir de junho, António Curto admite que "a situação possa começar a resolver-se dentro de duas semanas".
Transporte marítimo movimenta 90% do comércio mundial
O transporte de mercadorias por via marítima é um ramo de atividade de que pouco se tem falado, sobretudo por causa da perceção de que as ligações à escala global são asseguradas pelo setor aeronáutico.
Se isso é objetivamente verdade no transporte de passageiros, já o comércio mundial de mercadorias faz-se quase exclusivamente por via marítima.
O capitão de mar e guerra Armando Dias Correia, autor do livro "O Mar no Século XXI", lembra que "90% do comércio mundial flui pela via marítima, pelo que o impacto é enorme. Ainda para mais, se tivermos em conta que a atividade nos portos também baixou imenso".
No caso português, Dias Correia recorda que "refinaria de Sines parou durante um mês, assim como a Autoeuropa, por isso, podemos imaginar as dificuldades que todo o ecossistema, que vai dos armadores aos tripulantes, sente e vai continuar a sentir nos próximos tempos".
Por outro lado, Armando Dias Correia avisa que a retenção de centenas de cargueiros em alto-mar, por força da pandemia, está a criar um cenário de paralisia económica.
No limite, está em risco a sobrevivência de vários armadores que poderão não resistir ao congelamento da atividade por muito mais tempo.
"Como as pessoas viajam essencialmente por avião e as cargas circulam por navio, fala-se muito dos problemas relacionados com a aviação e muito pouco dos problemas da marinha mercante, que, certamente, se vão sentir a muito mais longo prazo, com muitos armadores a não conseguirem sustentar as suas frotas".
O futuro? "Não sabemos o que será, porque ainda temos muito poucos dados para avaliar a situação", conclui.
A paralisação generalizada de centenas de cargueiros em alto-mar, associada à suspensão de voos que permitam a rendição intercontinental de comandantes e tripulações, “está a criar exaustão e ansiedade junto das tripulações que estão ao serviço".
Há trabalhadores da marinha mercante que não recebem salário há vários meses, por causa da pandemia. O quadro é revelado à Renascença por Pedro Amaral, piloto de barra com larga experiência no porto de Setúbal.
A paralisação generalizada de centenas de cargueiros em alto-mar, associada à suspensão de voos que permitam a rendição intercontinental de comandantes e tripulações, “está a criar exaustão e ansiedade junto das tripulações que estão ao serviço".
Em muitos casos, "são trabalhadores que estão há seis, sete e oito meses retidos em alto-mar, quando os contratos de trabalho na marinha mercante preveem períodos de trabalho por um máximo de três meses consecutivos".
Por outro lado, "cada viagem corresponde a um contrato e a pessoa ganha pelos três meses que está a bordo, mais alguma coisa, porque o tempo a bordo também corresponde a algum tempo de descanso".
Com a atividade dos navios mercantes suspensa, os armadores deixaram de celebrar contratos de trabalho com quem está em terra e, por isso, "há pessoas que estão em causa há vários meses sem receber nada".
Também os comandantes das embarcações estão a sofrer as consequências da paralisação. O capitão de alto-mar António Curto está à espera de render um colega russo numa embarcação que opera na zona do Mediterrâneo.
"Eu devia ter rendido um capitão russo no dia 1 de abril, num navio que opera na zona do Mediterrâneo. Eu estou em casa, sem saber quando posso rendê-lo e ele teve de prolongar largamente a sua permanência a bordo".
No entanto, com as companhias aéreas europeias a perspetivar o retorno às operações a partir de junho, António Curto admite que "a situação possa começar a resolver-se dentro de duas semanas".
Transporte marítimo movimenta 90% do comércio mundial
O transporte de mercadorias por via marítima é um ramo de atividade de que pouco se tem falado, sobretudo por causa da perceção de que as ligações à escala global são asseguradas pelo setor aeronáutico.
Se isso é objetivamente verdade no transporte de passageiros, já o comércio mundial de mercadorias faz-se quase exclusivamente por via marítima.
O capitão de mar e guerra Armando Dias Correia, autor do livro "O Mar no Século XXI", lembra que "90% do comércio mundial flui pela via marítima, pelo que o impacto é enorme. Ainda para mais, se tivermos em conta que a atividade nos portos também baixou imenso".
No caso português, Dias Correia recorda que "refinaria de Sines parou durante um mês, assim como a Autoeuropa, por isso, podemos imaginar as dificuldades que todo o ecossistema, que vai dos armadores aos tripulantes, sente e vai continuar a sentir nos próximos tempos".
Por outro lado, Armando Dias Correia avisa que a retenção de centenas de cargueiros em alto-mar, por força da pandemia, está a criar um cenário de paralisia económica.
No limite, está em risco a sobrevivência de vários armadores que poderão não resistir ao congelamento da atividade por muito mais tempo.
"Como as pessoas viajam essencialmente por avião e as cargas circulam por navio, fala-se muito dos problemas relacionados com a aviação e muito pouco dos problemas da marinha mercante, que, certamente, se vão sentir a muito mais longo prazo, com muitos armadores a não conseguirem sustentar as suas frotas".
O futuro? "Não sabemos o que será, porque ainda temos muito poucos dados para avaliar a situação", conclui.
14.5.20
Cardeal Marto: "Ou nos salvamos todos juntos ou nos afundamos todos juntos"
Henrique Cunha, in RR
O bispo de Leiria-Fátima, cardeal D. António Marto, defendeu, na sua homilia, que a pandemia deve fazer repensar estilos de vida, modelos de sociedade e obriga os cristão a serem mais solidários. "Não se pode viver só para produzir e para consumir, para ter e para aparecer”, advertiu
"Como cristãos, não podemos ficar indiferentes, olhar para o lado”, advertiu, sublinhando, de seguida, que “a pandemia, com a longa interrupção da vida normal, traz terríveis consequências económicas, sociais e laborais” e já está a gerar “uma pandemia mais dolorosa: a da extensão da pobreza, da fome e da exclusão social, agravada pela cultura da indiferença”.
O bispo de Leiria-Fátima reforçou que os “cristãos não podem olhar para o lado” porque vivemos “uma situação que já bate à porta das Cáritas diocesanas e de várias paróquias”, soando a “sinal de grito de alarme".
Para além de destacar o impacto da Covid-19 na sociedade,” uma situação dramática e trágica, sem precedentes, que nos convida a refletir sobre a vida”, o cardeal, que é também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, alertou para a necessidade de a sociedade ser responsável e solidária, pois “damos conta de que a nossa liberdade só pode ser exercida na responsabilidade e na solidariedade, que somos interdependentes e solidários uns dos outros e, por isso, "ou nos salvamos todos juntos ou nos afundamos todos juntos”.
D. António Marto assinalou, por outro lado, que a pandemia “é um chamamento à conversão espiritual mais em profundidade” e também “um chamamento aos fiéis cristãos, mas também a todos os homens, que permanecem criaturas de Deus”.
"Uma vida melhor na nossa casa comum, em paz com as criaturas, com os outros e com Deus, uma vida rica de sentido requer conversão", insistiu, defendendo, neste contexto, uma mudança de paradigma, que seja menos centrado no “poder cientifico-técnico, no poder económico-financeiro” ou no consumo, com novos hábitos e outro estilo de vida, mais atento à dimensão interior.
"Não se pode viver só para produzir e para consumir, para ter e para aparecer”, advertiu o cardeal Marto, lançando o desafio: "Perguntemo-nos, pois, se temos tempo para Deus, se lhe damos o lugar que Ele merece no nosso coração e na nossa vida."
O cardeal situou a celebração desta manhã em Fátima, lembrando que, pela primeira vez na história “desde 1917, neste grande dia 13 de maio” em que “o teu povo amado, Senhora, vindo dos mais diversos ângulos do mundo não pode estar aqui, em multidão, impedido pelos riscos da saúde pública. De repente, algo que nem sequer podíamos imaginar confina-nos nas nossas casas e priva-nos dos momentos mais desejados e afetuosos da vida, como este que vivemos cada ano junto ti, ó terna mãe”.
No final da celebração, o cardeal agradeceu “esta peregrinação interior, a luz, a esperança, a consolação e a paz de Cristo que levas às nossas casas” e deixou uma mensagem de confiança e o compromisso: “Voltaremos, Mãe querida.”
“Hoje fazes tu o caminho da ida; o caminho da volta fá-lo-emos nós quando superarmos esta ameaça que no-lo impede. Voltaremos - é a nossa confiança e nosso compromisso. Voltaremos juntos aqui, em ação de graças, para te cantar 'aqui vimos, mãe querida, consagrar-te o nosso amor'", rematou D. António Marto.
O bispo de Leiria-Fátima, cardeal D. António Marto, defendeu, na sua homilia, que a pandemia deve fazer repensar estilos de vida, modelos de sociedade e obriga os cristão a serem mais solidários. "Não se pode viver só para produzir e para consumir, para ter e para aparecer”, advertiu
"Como cristãos, não podemos ficar indiferentes, olhar para o lado”, advertiu, sublinhando, de seguida, que “a pandemia, com a longa interrupção da vida normal, traz terríveis consequências económicas, sociais e laborais” e já está a gerar “uma pandemia mais dolorosa: a da extensão da pobreza, da fome e da exclusão social, agravada pela cultura da indiferença”.
O bispo de Leiria-Fátima reforçou que os “cristãos não podem olhar para o lado” porque vivemos “uma situação que já bate à porta das Cáritas diocesanas e de várias paróquias”, soando a “sinal de grito de alarme".
Para além de destacar o impacto da Covid-19 na sociedade,” uma situação dramática e trágica, sem precedentes, que nos convida a refletir sobre a vida”, o cardeal, que é também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, alertou para a necessidade de a sociedade ser responsável e solidária, pois “damos conta de que a nossa liberdade só pode ser exercida na responsabilidade e na solidariedade, que somos interdependentes e solidários uns dos outros e, por isso, "ou nos salvamos todos juntos ou nos afundamos todos juntos”.
D. António Marto assinalou, por outro lado, que a pandemia “é um chamamento à conversão espiritual mais em profundidade” e também “um chamamento aos fiéis cristãos, mas também a todos os homens, que permanecem criaturas de Deus”.
"Uma vida melhor na nossa casa comum, em paz com as criaturas, com os outros e com Deus, uma vida rica de sentido requer conversão", insistiu, defendendo, neste contexto, uma mudança de paradigma, que seja menos centrado no “poder cientifico-técnico, no poder económico-financeiro” ou no consumo, com novos hábitos e outro estilo de vida, mais atento à dimensão interior.
"Não se pode viver só para produzir e para consumir, para ter e para aparecer”, advertiu o cardeal Marto, lançando o desafio: "Perguntemo-nos, pois, se temos tempo para Deus, se lhe damos o lugar que Ele merece no nosso coração e na nossa vida."
O cardeal situou a celebração desta manhã em Fátima, lembrando que, pela primeira vez na história “desde 1917, neste grande dia 13 de maio” em que “o teu povo amado, Senhora, vindo dos mais diversos ângulos do mundo não pode estar aqui, em multidão, impedido pelos riscos da saúde pública. De repente, algo que nem sequer podíamos imaginar confina-nos nas nossas casas e priva-nos dos momentos mais desejados e afetuosos da vida, como este que vivemos cada ano junto ti, ó terna mãe”.
No final da celebração, o cardeal agradeceu “esta peregrinação interior, a luz, a esperança, a consolação e a paz de Cristo que levas às nossas casas” e deixou uma mensagem de confiança e o compromisso: “Voltaremos, Mãe querida.”
“Hoje fazes tu o caminho da ida; o caminho da volta fá-lo-emos nós quando superarmos esta ameaça que no-lo impede. Voltaremos - é a nossa confiança e nosso compromisso. Voltaremos juntos aqui, em ação de graças, para te cantar 'aqui vimos, mãe querida, consagrar-te o nosso amor'", rematou D. António Marto.
12.5.20
Isabel Jonet preocupada com o aumento dos “novos pobres”
Dina Soares, in RR
À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome, mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza. Já Eugénio da Fonseca, da Caritas, defende a revisão do Rendimento Social de Inserção.
A presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonet, teme que, depois do "lay off", o desemprego dispare e venha engrossar o número de pobres em Portugal.
À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente dos Banco Alimentares mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza: “Há muitas pessoas que nunca tinham tido necessidade de pedir apoio, que tinham uma vida equilibrada e que, de repente, ficaram sem qualquer rendimento."
Profissionais liberais, fisioterapeutas, dentistas e professores de ginástica são algumas das profissões referidas por Isabel Jonet. “São pessoas que lidam mal com esta situação, sobretudo porque não veem o fim”. Por isso, a fundadora dos Bancos Alimentares em Portugal apela às empresas para que não despeçam os seus funcionários.
Todos os dias, os Bancos Alimentares recebem cerca de mil novos pedidos de ajuda. Desde 20 de março somam já perto de 15 mil o que, pelas suas contas, corresponde a 59 mil pessoas a precisarem de ajuda. A área da Grande Lisboa, Setúbal, Porto, Braga e o Algarve são as zonas mais afetadas.
Caritas propõe revisão do Rendimento Social de Inserção
Eugénio Fonseca, da Caritas, disse que nesta crise nota uma mudança no tipo de pedidos de ajuda que chegam aos centros diocesanos: se na crise de 2012 as pessoas pediam ajuda para procurar e encontrar emprego, agora a necessidade é mais funda e básica e pedem sobretudo alimentação.
Daí que defenda que deve existir um plano articulado de medidas de combate à pobreza, que envolva instituições e organismos oficiais, desde o Governo a autarquias, e que se promovam medidas que vão mais longe das tomadas até agora, propondo a revisão do Rendimento Social de Inserção (RSI), “em metodologia e em valor.
“Se as pessoas tiverem autonomia financeira já não precisam de recorrer a instituições como a Caritas”, disse, criticando a burocracia que dificulta o acesso a este apoio social, sendo necessário fazer prova de três meses sem rendimentos e depois esperar 45 dias – prazo atual – para receber a primeira prestação.
Na Caritas há 48 mil novas pessoas a precisar de ajuda e Eugénio Fonseca reiterou que as linhas de financiamento de valor global de 130 mil euros criadas pela instituição não vão cumprir o objetivo de chegar até junho, “porque a procura é muita” e os números não revelam toda a realidade, até pela multiplicidade de instituições que estão a prestar apoio.
“Ninguém sabe dizer quanto tempo vai durar, o que ouvimos dizer é que vai durar muito tempo e há que equacionar recursos para darmos o mínimo de dignidade às pessoas”, disse Eugénio Fonseca, que estima que a situação de desemprego se agrave no próximo outono e inverno e se revelou preocupado nos efeitos que a crise possa ter em termos de endividamento e sobre-endividamento das famílias, criando problemas que se podem “tornar insolúveis” para instituições e para o Estado.
À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome, mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza. Já Eugénio da Fonseca, da Caritas, defende a revisão do Rendimento Social de Inserção.
A presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Isabel Jonet, teme que, depois do "lay off", o desemprego dispare e venha engrossar o número de pobres em Portugal.
À saída de Belém, após um encontro com o Presidente da República, a presidente dos Banco Alimentares mostrou-se muito preocupada com o aumento súbito do número de pessoas que caíram numa situação conjuntural de pobreza: “Há muitas pessoas que nunca tinham tido necessidade de pedir apoio, que tinham uma vida equilibrada e que, de repente, ficaram sem qualquer rendimento."
Profissionais liberais, fisioterapeutas, dentistas e professores de ginástica são algumas das profissões referidas por Isabel Jonet. “São pessoas que lidam mal com esta situação, sobretudo porque não veem o fim”. Por isso, a fundadora dos Bancos Alimentares em Portugal apela às empresas para que não despeçam os seus funcionários.
Todos os dias, os Bancos Alimentares recebem cerca de mil novos pedidos de ajuda. Desde 20 de março somam já perto de 15 mil o que, pelas suas contas, corresponde a 59 mil pessoas a precisarem de ajuda. A área da Grande Lisboa, Setúbal, Porto, Braga e o Algarve são as zonas mais afetadas.
Caritas propõe revisão do Rendimento Social de Inserção
Eugénio Fonseca, da Caritas, disse que nesta crise nota uma mudança no tipo de pedidos de ajuda que chegam aos centros diocesanos: se na crise de 2012 as pessoas pediam ajuda para procurar e encontrar emprego, agora a necessidade é mais funda e básica e pedem sobretudo alimentação.
Daí que defenda que deve existir um plano articulado de medidas de combate à pobreza, que envolva instituições e organismos oficiais, desde o Governo a autarquias, e que se promovam medidas que vão mais longe das tomadas até agora, propondo a revisão do Rendimento Social de Inserção (RSI), “em metodologia e em valor.
“Se as pessoas tiverem autonomia financeira já não precisam de recorrer a instituições como a Caritas”, disse, criticando a burocracia que dificulta o acesso a este apoio social, sendo necessário fazer prova de três meses sem rendimentos e depois esperar 45 dias – prazo atual – para receber a primeira prestação.
Na Caritas há 48 mil novas pessoas a precisar de ajuda e Eugénio Fonseca reiterou que as linhas de financiamento de valor global de 130 mil euros criadas pela instituição não vão cumprir o objetivo de chegar até junho, “porque a procura é muita” e os números não revelam toda a realidade, até pela multiplicidade de instituições que estão a prestar apoio.
“Ninguém sabe dizer quanto tempo vai durar, o que ouvimos dizer é que vai durar muito tempo e há que equacionar recursos para darmos o mínimo de dignidade às pessoas”, disse Eugénio Fonseca, que estima que a situação de desemprego se agrave no próximo outono e inverno e se revelou preocupado nos efeitos que a crise possa ter em termos de endividamento e sobre-endividamento das famílias, criando problemas que se podem “tornar insolúveis” para instituições e para o Estado.
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