Por Lusa, in RR
A Ordem recomenda também a regulamentação "q.b." do uso da Inteligência Artificial, de modo a "permitir a proteção dos consumidores" sem impedir o desenvolvimento tecnológico.
O bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues, defendeu esta segunda-feira que Portugal deveria "avançar o quanto antes" com a regulamentação das aplicações móveis de saúde mental para salvaguardar a segurança de quem as utiliza.
Segundo Francisco Miranda Rodrigues, os riscos associados ao uso destas aplicações - que ajudam por exemplo as pessoas a autogerirem a sua saúde mental através de técnicas de relaxamento e do registo de humores - "podem ser mitigados" com regulamentação.
"Até que ponto as aplicações são válidas, fazem o que dizem fazer, como protegem a privacidade das pessoas?", questionou, em declarações à Lusa.
Francisco Miranda Rodrigues falava à Lusa no dia em que a Ordem dos Psicólogos Portugueses promove, no Porto, a conferência "O fator humano na transição digital".
O bastonário espera que da iniciativa, organizada no Dia Nacional do Psicólogo, saia um compromisso do Governo e das empresas em como "vão ter em conta o fator humano na transição digital", uma vez que a tecnologia de nada serve "se não for feita" de forma a que as pessoas a "consigam utilizar, compreender e sentir segurança na sua utilização".
Por ocasião da conferência, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança um documento com "recomendações estratégicas" para o desenvolvimento e uso da tecnologia Inteligência Artificial (IA), tendo por base a salvaguarda de princípios como segurança, saúde e bem-estar das pessoas, ética da transparência, equidade, diversidade e inclusão, formação e promoção de literacia e privacidade.
A Ordem recomenda a regulamentação "q.b." do uso da IA de modo a "permitir a proteção dos consumidores" sem impedir o desenvolvimento tecnológico.
Por outro lado, de acordo com Francisco Miranda Rodrigues, será preciso "uma literacia mais desenvolvida" sobre IA, a começar na escola.
"A regulação, só, não chega, há um conjunto mínimo de informação que as pessoas têm de dominar mais", sustentou.
O bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses assinalou que a IA - que consiste na aplicação do conhecimento dos processos cognitivos humanos aos sistemas computacionais que reproduzem esses processos, permitindo criar conteúdos novos, como textos e imagens - deverá implicar "transformações no mercado de trabalho significativas", levando a que as pessoas tenham de "fazer transições entre trabalhos que vão deixar de existir" e empregos novos.
"Este processo causa sofrimento, logo tem impacto no bem-estar das pessoas", sublinhou, salientando que a transição obrigará a que as pessoas "tenham competências" que lhes permitam "fazer uma adaptação do ponto de vista emocional para a mudança", saber lidar com as perdas e "agarrar as oportunidades". .
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30.9.22
“Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come”
Bárbara Wong, in Público on-line
ldar Shafir, professor de ciências comportamentais e de políticas públicas, que se sentou na Casa Branca e foi ouvido por Barack Obama, vai estar no congresso da Ordem dos Psicólogos, em Aveiro, para falar de pobreza e escassez.
Como podem os psicólogos ajudar no combate à pobreza? A pergunta é feita pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que começa esta quarta-feira o seu 5.º congresso, em Aveiro. O tema é “Tempo da Psicologia” e uma das 500 comunicações será a de Eldar Shafir, professor da Universidade de Princeton, EUA, sobre pobreza e escassez mental. Recentemente, a OPP lançou a campanha .Final à Pobreza (que se lê: “ponto final à pobreza"), onde reflecte sobre o papel dos psicólogos no combate à pobreza, uma vez que esta pode ser causa ou consequência de dificuldades e problemas de saúde psicológica.
Eldar Shafir, investigador na área das ciências comportamentais e de políticas públicas, que se sentou na Casa Branca e foi ouvido por Barack Obama, publicou A Tirania da Escassez: Porque é que tão pouco significa tanto!, em co-autoria com Sendhil Mullainathan, da Universidade de Chicago, onde defendem que quanto menos se tem, mais catastrófica pode ser a vida da pessoa. Recorrendo a inúmeros estudos, os autores concluem que o que está em falta na vida de uma pessoa ganha uma importância de tal maneira desproporcionada que tudo o resto deixa de ser relevante, acabando por o indivíduo afunilar a perspectiva, deixando de conseguir planear, educar os filhos ou concentrar-se no trabalho.
Os estudos apontam que as capacidades cognitivas são de tal modo impactadas que isso se reflecte nos testes de QI. É uma pescadinha de rabo na boca: os pobres ficam mais pobres e geram filhos pobres. Para a revista Foreign Policy, em 2013, os dois investigadores norte-americanos foram incluídos na lista dos 100 principais pensadores globais. Não é a primeira vez que Eldar Shafir vem a Portugal e está a aprender português na universidade, conta via Zoom. Com tanta formação e bons professores, seria um desperdício não aproveitar, argumenta. Sobre o seu trabalho como consultor durante a administração Obama, defende que é mais fácil fazer diferença a nível local do que nacional.
A Tirania da Escassez: Porque é que tão pouco significa tanto!
Autores: Eldar Shafir e Sendhil Mullainathan
Editor: Lua de Papel 320 págs., 11,62€
Escreveu A Tirania da Escassez há quase uma década. O mundo mudou, por exemplo, estamos a viver a guerra na Ucrânia, que nos afecta directamente, bem como as alterações climáticas. A teoria continua a fazer sentido?
Bem, não fizemos estudos recentemente, mas em geral, todos temos problemas com os filhos, os companheiros, a saúde, o Putin, as questões ambientais... Mas o que descobrimos é que, em momentos de escassez intensa, se o problema for demasiado grande, toma conta da nossa mente. Sim, a guerra é um problema, mas consigo estar mais de uma hora sem pensar no Putin; agora, se não conseguir pagar a renda ou comprar comida para os meus filhos, esse problema fica na minha mente e incomoda-me em permanência.
Porquê?
Porque não conseguimos parar de pensar. Um dos problemas com a questão ambiental não parecer tão urgente, é que conseguimos deixar para depois. Mas se estivermos em risco de ser despejados de casa, não conseguimos deixar para depois.
No livro usa a metáfora da mala de viagem. Quando temos uma mala maior, a vida é mais fácil porque não estamos obrigados a fazer escolhas. Não é um desafio mais interessante, quando a mala é pequena, em que somos obrigados a seleccionar?
Há muitos estudos que mostram que quem tem a mala pequena não se sai mal. Por exemplo, quando se pede, à porta do supermercado para as pessoas revelarem os gastos que fizeram, os mais pobres sabem exactamente o que pagaram por cada artigo, enquanto os ricos não fazem ideia. Portanto, sim, quem tem a mala pequena sabe gerir melhor, o único problema é que enquanto se está a fazer essa gestão, não se pensa noutras questões. Paradoxalmente, enquanto se estão a gerir recursos escassos, podemos esquecer-nos de pagar o estacionamento e seremos penalizados por isso, o que tornará a mala ainda mais apertada.
A escassez acaba por influenciar fortemente a forma como gerimos a nossa vida e tomamos decisões?
Quando os recursos são escassos — podemos falar de falta de tempo, de dinheiro ou da solidão —, a evidência mostra que quando a nossa mente está focada nas questões que nos preocupam, tudo o resto é negligenciado. As nossas capacidades são limitadas, não conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e quando nos focamos nas nossas insuficiências, as outras coisas não importam. No entanto, podem gerar problemas para os quais não estamos despertos porque não estamos focados.
No livro referem que a pobreza, de tempo ou de dinheiro, pode fazer de nós piores pais. Porquê?
Fazemos referência a um estudo feito com controladores aéreos e percebemos que quando o dia de trabalho lhes corre bem são melhores pais e companheiros. Portanto, quando estamos a gerir a escassez, quando estamos assoberbados, somos menos atenciosos, menos pacientes, menos consistentes.
Isso acontece a ricos e pobres.
O que é interessante é que a escassez não tem a ver só com pobreza económica, mas com o facto de pormos as pessoas em contextos de pobreza. Nestes estudos, mostramos que pessoas que eram muito capazes tornaram-se menos competentes quando a escassez se impõe nas suas vidas. Existe um longo debate nas ciências sociais: as pessoas são menos capazes por serem pobres ou são pobres porque são menos capazes? Muita gente, sobretudo no espectro mais à direita, tende a defender que a razão por que se é pobre é porque se é irresponsável. E os nossos estudos demonstram que a pessoa se torna irresponsável quando é pobre porque começa a fazer malabarismos e a gerir mal as suas opções.
Por vezes, temos o preconceito que as pessoas pobres fazem más opções. Por exemplo, porquê comer um bife de vaca se um de frango é mais barato?
Antes de mais, existe falta de empatia e de compreensão para com o outro. Por exemplo, na fila do supermercado, uma criança pobre pede à mãe para comprar um chocolate e ela anui. Alguém na fila vai pensar que é uma má decisão. Mas, quantas vezes disse aquela mãe que não ao seu filho? Umas 275 vezes. Queremos que aquela criança nunca experimente um chocolate? O que é correcto: comer uma vez, duas vezes por ano? Portanto, a pergunta parece ser: como se deve comportar o pobre para nos deixar satisfeitos? É-lhe permitido comer bife quando? Se para nós, o mais correcto é os mais pobres viverem uma vida muito infeliz então isso não é justo.
Mas, tal como os ricos, também tomam decisões erradas?
Claro que erram e fazem más escolhas. Tal como os ricos, só que a estes ninguém os apanha nem os julga porque é-lhes permitido errar.
Estes fazem más escolhas como viagens ao espaço?
Sim, ir ao espaço é exótico, são rapazes a brincar com brinquedos de luxo. Mas fazemos escolhas estúpidas a toda a hora e são-nos permitidas, ao passo que o mesmo não acontece com a mãe que compra o chocolate. Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come, mas não com quem compra umas sapatilhas de 6000 dólares. Envergonha-nos a nós e não aos pobres.
Voltando atrás, à pergunta que as ciências sociais colocam: os que sofrem de escassez são menos capazes por serem pobres ou são pobres porque são menos capazes?
Todos os dados mostram que se dermos condições às pessoas para fazerem melhor, elas fazem-no. Há uma imagem muito forte nos EUA que é a “rainha da assistência social”, é aquela pessoa que sabe tirar partido dos subsídios e benefícios do Estado, sentada em casa, a ver televisão e a rir-se da sociedade. É uma imagem que não corresponde à verdade porque todos os estudos mostram que essas situações são raras. Se dermos um trabalho digno e bem pago, a maioria das pessoas prefere trabalhar a ficar em casa a ver maus programas televisivos. Trata-se de um estereótipo muitíssimo enganador.
Sobre a escassez, que mensagem transmitir aos políticos e aos empresários, estes deviam saber mais sobre psicologia comportamental?
Sem dúvida. Muita investigação na área da psicologia comportamental observa o modo como as pessoas funcionam e, frequentemente não é como pensamos. Se não conhecermos o outro e o que o motiva, as políticas não vão ser adequadas. E há uma lista infinita de más políticas...
O que é uma boa política?
É uma baseada em assunções que sejam verdadeiras sobre as pessoas — o que querem? O que as preocupa? Há um estudo sobre pessoas que tinham de ir a tribunal, em Nova Iorque, por causa de infracções menores, como multas por andar de bicicleta no passeio ou atravessar com sinal vermelho, por exemplo. A maioria falhava na comparência em tribunal e acabava por ser presa. As pessoas esqueciam-se de ir a tribunal por terem vidas complicadas. O estudo consistia em enviar lembretes às pessoas para irem a tribunal e isso levou a uma diminuição drástica das condenações porque as pessoas compareciam. Portanto, a não ser que o legislador seja mesmo mal-intencionado, há pequenas medidas que podem facilitar a vida dos cidadãos.
É possível erradicar a pobreza?
É possível reduzi-la enormemente. Há governos, incluindo o de Portugal, que são mais sensíveis que o dos EUA. O ano passado, por causa da covid, foi introduzido um subsídio para famílias com crianças pequenas e a pobreza infantil diminuiu de um dia para o outro. Tão fácil. Mas, um ano depois, esse benefício foi suspenso. Transferir os impostos sobre os mais ricos para os pobres é outra medida que solucionaria muitos problemas.
E as pessoas seriam mais saudáveis e mais felizes?
Sem dúvida. Eu estou a falar a partir de um país onde não existe assistência médica gratuita e há estudos que mostram que a desigualdade torna as pessoas, — todas e não apenas as mais pobres —, menos felizes. Portanto, é importante para toda a sociedade que sejam introduzidas políticas que promovam a igualdade.
A escassez pode levar a problemas de saúde mental?
Sem dúvida, se a pessoa está sob pressão e em escassez, isso leva a que esteja sob um enorme stress. A juntar a isso, normalmente, estas pessoas vivem em piores condições, em sítios com mais barulho, mais poluição, mais crime, é tudo mau. A pobreza não é justa.
ldar Shafir, professor de ciências comportamentais e de políticas públicas, que se sentou na Casa Branca e foi ouvido por Barack Obama, vai estar no congresso da Ordem dos Psicólogos, em Aveiro, para falar de pobreza e escassez.
Como podem os psicólogos ajudar no combate à pobreza? A pergunta é feita pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que começa esta quarta-feira o seu 5.º congresso, em Aveiro. O tema é “Tempo da Psicologia” e uma das 500 comunicações será a de Eldar Shafir, professor da Universidade de Princeton, EUA, sobre pobreza e escassez mental. Recentemente, a OPP lançou a campanha .Final à Pobreza (que se lê: “ponto final à pobreza"), onde reflecte sobre o papel dos psicólogos no combate à pobreza, uma vez que esta pode ser causa ou consequência de dificuldades e problemas de saúde psicológica.
Eldar Shafir, investigador na área das ciências comportamentais e de políticas públicas, que se sentou na Casa Branca e foi ouvido por Barack Obama, publicou A Tirania da Escassez: Porque é que tão pouco significa tanto!, em co-autoria com Sendhil Mullainathan, da Universidade de Chicago, onde defendem que quanto menos se tem, mais catastrófica pode ser a vida da pessoa. Recorrendo a inúmeros estudos, os autores concluem que o que está em falta na vida de uma pessoa ganha uma importância de tal maneira desproporcionada que tudo o resto deixa de ser relevante, acabando por o indivíduo afunilar a perspectiva, deixando de conseguir planear, educar os filhos ou concentrar-se no trabalho.
Os estudos apontam que as capacidades cognitivas são de tal modo impactadas que isso se reflecte nos testes de QI. É uma pescadinha de rabo na boca: os pobres ficam mais pobres e geram filhos pobres. Para a revista Foreign Policy, em 2013, os dois investigadores norte-americanos foram incluídos na lista dos 100 principais pensadores globais. Não é a primeira vez que Eldar Shafir vem a Portugal e está a aprender português na universidade, conta via Zoom. Com tanta formação e bons professores, seria um desperdício não aproveitar, argumenta. Sobre o seu trabalho como consultor durante a administração Obama, defende que é mais fácil fazer diferença a nível local do que nacional.
A Tirania da Escassez: Porque é que tão pouco significa tanto!
Autores: Eldar Shafir e Sendhil Mullainathan
Editor: Lua de Papel 320 págs., 11,62€
Escreveu A Tirania da Escassez há quase uma década. O mundo mudou, por exemplo, estamos a viver a guerra na Ucrânia, que nos afecta directamente, bem como as alterações climáticas. A teoria continua a fazer sentido?
Bem, não fizemos estudos recentemente, mas em geral, todos temos problemas com os filhos, os companheiros, a saúde, o Putin, as questões ambientais... Mas o que descobrimos é que, em momentos de escassez intensa, se o problema for demasiado grande, toma conta da nossa mente. Sim, a guerra é um problema, mas consigo estar mais de uma hora sem pensar no Putin; agora, se não conseguir pagar a renda ou comprar comida para os meus filhos, esse problema fica na minha mente e incomoda-me em permanência.
Porquê?
Porque não conseguimos parar de pensar. Um dos problemas com a questão ambiental não parecer tão urgente, é que conseguimos deixar para depois. Mas se estivermos em risco de ser despejados de casa, não conseguimos deixar para depois.
No livro usa a metáfora da mala de viagem. Quando temos uma mala maior, a vida é mais fácil porque não estamos obrigados a fazer escolhas. Não é um desafio mais interessante, quando a mala é pequena, em que somos obrigados a seleccionar?
Há muitos estudos que mostram que quem tem a mala pequena não se sai mal. Por exemplo, quando se pede, à porta do supermercado para as pessoas revelarem os gastos que fizeram, os mais pobres sabem exactamente o que pagaram por cada artigo, enquanto os ricos não fazem ideia. Portanto, sim, quem tem a mala pequena sabe gerir melhor, o único problema é que enquanto se está a fazer essa gestão, não se pensa noutras questões. Paradoxalmente, enquanto se estão a gerir recursos escassos, podemos esquecer-nos de pagar o estacionamento e seremos penalizados por isso, o que tornará a mala ainda mais apertada.
A escassez acaba por influenciar fortemente a forma como gerimos a nossa vida e tomamos decisões?
Quando os recursos são escassos — podemos falar de falta de tempo, de dinheiro ou da solidão —, a evidência mostra que quando a nossa mente está focada nas questões que nos preocupam, tudo o resto é negligenciado. As nossas capacidades são limitadas, não conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e quando nos focamos nas nossas insuficiências, as outras coisas não importam. No entanto, podem gerar problemas para os quais não estamos despertos porque não estamos focados.
No livro referem que a pobreza, de tempo ou de dinheiro, pode fazer de nós piores pais. Porquê?
Fazemos referência a um estudo feito com controladores aéreos e percebemos que quando o dia de trabalho lhes corre bem são melhores pais e companheiros. Portanto, quando estamos a gerir a escassez, quando estamos assoberbados, somos menos atenciosos, menos pacientes, menos consistentes.
Isso acontece a ricos e pobres.
O que é interessante é que a escassez não tem a ver só com pobreza económica, mas com o facto de pormos as pessoas em contextos de pobreza. Nestes estudos, mostramos que pessoas que eram muito capazes tornaram-se menos competentes quando a escassez se impõe nas suas vidas. Existe um longo debate nas ciências sociais: as pessoas são menos capazes por serem pobres ou são pobres porque são menos capazes? Muita gente, sobretudo no espectro mais à direita, tende a defender que a razão por que se é pobre é porque se é irresponsável. E os nossos estudos demonstram que a pessoa se torna irresponsável quando é pobre porque começa a fazer malabarismos e a gerir mal as suas opções.
Por vezes, temos o preconceito que as pessoas pobres fazem más opções. Por exemplo, porquê comer um bife de vaca se um de frango é mais barato?
Antes de mais, existe falta de empatia e de compreensão para com o outro. Por exemplo, na fila do supermercado, uma criança pobre pede à mãe para comprar um chocolate e ela anui. Alguém na fila vai pensar que é uma má decisão. Mas, quantas vezes disse aquela mãe que não ao seu filho? Umas 275 vezes. Queremos que aquela criança nunca experimente um chocolate? O que é correcto: comer uma vez, duas vezes por ano? Portanto, a pergunta parece ser: como se deve comportar o pobre para nos deixar satisfeitos? É-lhe permitido comer bife quando? Se para nós, o mais correcto é os mais pobres viverem uma vida muito infeliz então isso não é justo.
Mas, tal como os ricos, também tomam decisões erradas?
Claro que erram e fazem más escolhas. Tal como os ricos, só que a estes ninguém os apanha nem os julga porque é-lhes permitido errar.
Estes fazem más escolhas como viagens ao espaço?
Sim, ir ao espaço é exótico, são rapazes a brincar com brinquedos de luxo. Mas fazemos escolhas estúpidas a toda a hora e são-nos permitidas, ao passo que o mesmo não acontece com a mãe que compra o chocolate. Há algo cómico quando nos preocupamos com o bife que um pobre come, mas não com quem compra umas sapatilhas de 6000 dólares. Envergonha-nos a nós e não aos pobres.
Voltando atrás, à pergunta que as ciências sociais colocam: os que sofrem de escassez são menos capazes por serem pobres ou são pobres porque são menos capazes?
Todos os dados mostram que se dermos condições às pessoas para fazerem melhor, elas fazem-no. Há uma imagem muito forte nos EUA que é a “rainha da assistência social”, é aquela pessoa que sabe tirar partido dos subsídios e benefícios do Estado, sentada em casa, a ver televisão e a rir-se da sociedade. É uma imagem que não corresponde à verdade porque todos os estudos mostram que essas situações são raras. Se dermos um trabalho digno e bem pago, a maioria das pessoas prefere trabalhar a ficar em casa a ver maus programas televisivos. Trata-se de um estereótipo muitíssimo enganador.
Sobre a escassez, que mensagem transmitir aos políticos e aos empresários, estes deviam saber mais sobre psicologia comportamental?
Sem dúvida. Muita investigação na área da psicologia comportamental observa o modo como as pessoas funcionam e, frequentemente não é como pensamos. Se não conhecermos o outro e o que o motiva, as políticas não vão ser adequadas. E há uma lista infinita de más políticas...
O que é uma boa política?
É uma baseada em assunções que sejam verdadeiras sobre as pessoas — o que querem? O que as preocupa? Há um estudo sobre pessoas que tinham de ir a tribunal, em Nova Iorque, por causa de infracções menores, como multas por andar de bicicleta no passeio ou atravessar com sinal vermelho, por exemplo. A maioria falhava na comparência em tribunal e acabava por ser presa. As pessoas esqueciam-se de ir a tribunal por terem vidas complicadas. O estudo consistia em enviar lembretes às pessoas para irem a tribunal e isso levou a uma diminuição drástica das condenações porque as pessoas compareciam. Portanto, a não ser que o legislador seja mesmo mal-intencionado, há pequenas medidas que podem facilitar a vida dos cidadãos.
É possível erradicar a pobreza?
É possível reduzi-la enormemente. Há governos, incluindo o de Portugal, que são mais sensíveis que o dos EUA. O ano passado, por causa da covid, foi introduzido um subsídio para famílias com crianças pequenas e a pobreza infantil diminuiu de um dia para o outro. Tão fácil. Mas, um ano depois, esse benefício foi suspenso. Transferir os impostos sobre os mais ricos para os pobres é outra medida que solucionaria muitos problemas.
E as pessoas seriam mais saudáveis e mais felizes?
Sem dúvida. Eu estou a falar a partir de um país onde não existe assistência médica gratuita e há estudos que mostram que a desigualdade torna as pessoas, — todas e não apenas as mais pobres —, menos felizes. Portanto, é importante para toda a sociedade que sejam introduzidas políticas que promovam a igualdade.
A escassez pode levar a problemas de saúde mental?
Sem dúvida, se a pessoa está sob pressão e em escassez, isso leva a que esteja sob um enorme stress. A juntar a isso, normalmente, estas pessoas vivem em piores condições, em sítios com mais barulho, mais poluição, mais crime, é tudo mau. A pobreza não é justa.
24.2.22
Inês Chaíça, in Público on-line
Um quarto dos psicólogos tem sinais de burnout – mas 87% arranjaram estratégias para fazer frente à pandemia
Não é “um número animador”, mas está em linha com o que acontece noutras áreas profissionais. Quase 87% dos psicólogos disse utilizar estratégias para a promoção da sua saúde e qualidade de vida: estar com amigos e família, dormir bem e “manter uma atitude positiva no trabalho” foram as mais citadas.
Quase um quarto dos psicólogos portugueses mostra algum sinal de burnout e são as mulheres, com idades entre os 35 e os 44 anos, que viram o seu volume de trabalho aumentar com a pandemia que relatam mais estes sintomas. As conclusões constam de um estudo sobre a saúde mental destes profissionais, publicado esta quinta-feira pela Ordem dos Psicólogos.
O estudo contou com a resposta de 1759 participantes, na maioria mulheres (89%), com idades compreendidas entre os 24 e os 76 anos, da área da psicologia clínica, mas não só. As respostas ao inquérito online foram anónimas e revelam que mais de metade (57%) dos psicólogos ouvidos indicam que o volume de trabalho aumentou desde o início da pandemia.
O aumento da procura de cuidados de saúde mental, os casos mais graves que lhes chegavam, as longas horas de trabalho foram alguns dos factores negativos que a pandemia trouxe, de acordo com os participantes: “Com a pandemia, houve desrespeito pelos colaboradores em termos de horários e número de horas, com turnos de dez horas durante sete dias e sete dias seguintes de descanso, o que se transmitiu em exaustão física e mental”, refere um dos profissionais que respondeu ao inquérito. Outro refere que recorreu a “antidepressivos e ansiolíticos pela primeira vez”.
Ana Virgolino, autora do estudo ouvida pelo PÚBLICO, considera que ter um quarto dos psicólogos com sintomas de burnout (síndrome do esgotamento profissional) não é um “número animador”, mas afirma que está em linha com um estudo feito a nível nacional pelo Insa - Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no qual também participou, sobre a saúde mental dos portugueses, em que 25% da população geral e 32% dos profissionais de saúde apresentavam sintomas de burnout. “Avaliámos profissionais de várias áreas e a percentagem era similar”, conclui a investigadora.
Mesmo que não tenham chegado ao burnout, a pandemia teve um impacto no bem-estar destes profissionais: 40% revelaram que o seu bem-estar piorou e pelo menos 21% estão numa situação de sofrimento mental. Também foram as mulheres e jovens (isto é, com menos de 35 anos de idade), “com uma situação financeira difícil e que aumentaram bastante o volume de trabalho em contexto de pandemia” que mostraram estar numa situação de maior risco, de acordo com o estudo.
A autora destaca que esta informação também “vai ao encontro a outros estudos do tempo de pandemia: as mulheres e as populações mais jovens são mais vulneráveis” aos seus efeitos negativos. No futuro, será importante que se faça “de forma regular” uma monitorização destes indicadores da saúde mental.
Entre os psicólogos ouvidos, há quem revele que “há muitos colegas que demonstram não estar bem para desempenhar as suas funções, mas só porque são psicólogos acham ou não se permitem reconhecer que precisam de ajuda”. Há também quem sugira a disponibilização de “psicólogos a custo reduzido para realizar psicoterapia a outros psicólogos”.
“As condições profissionais mantiveram-se e os pedidos de apoio aumentaram, com situações mais complexas. O cansaço prévio acumulou-se, o isolamento manteve-se e a disponibilidade das chefias reduziu-se, o que desencadeou esta sobrecarga sem resposta adequada das instituições. Temos de ser nós, como indivíduos, e não como profissionais, a tentar reequilibrarmo-nos”, revela um dos psicólogos citados no estudo.
Dormir bem e estar com amigos: os autocuidados dos psicólogos
Quase 87% dos psicólogos disse utilizar estratégias para a promoção da sua saúde e qualidade de vida. O que fazem os psicólogos para cuidar da sua saúde mental? Passar tempo com amigos e família, dormir bem, apesar “do aumento do volume de trabalho”, e manter uma atitude positiva no trabalho foram as respostas mais citadas. A autora do estudo realça este último ponto porque, “apesar da insatisfação, a verdade é que ‘dá o clique’ e pensamos que isto está a acontecer com muita gente, não é só nesta profissão”.
Menos citadas foram estratégias como o envolvimento em organizações profissionais, actividades religiosas e voluntariado.
Nem tudo são relatos negativos. Uma psicóloga, que diz trabalhar “em part-time em gestão de recursos humanos”, afirmou que durante a pandemia teve tempo para conciliar todos os aspectos da sua vida — e não são poucos. “Sou católica praticante, sei tocar vários instrumentos, caminho e pratico ginástica em grupo, pertenço a coros e grupos de dança. Faço voluntariado em diversas áreas. Procuro estar atenta aos sinais. Não culpabilizo pessoas ou organizações por algum mal que me aconteça, faço o que está ao meu alcance para viver com bem-estar, com sentido de responsabilidade”, refere.
Outra psicóloga afirma que, ainda que “há uns meses pudesse preencher todos os requisitos de diagnóstico de burnout”, encontrou formas de autocuidado no “apoio familiar, amigos, formação contínua” na própria “capacidade de resiliência”.
A vida online
Já antes da pandemia se falava na telepsicologia – uma prática que nunca chegou a ser popular em Portugal, a avaliar pelos 52% de inquiridos que nunca tinham realizado intervenções psicológicas à distância antes –, mas a covid-19 tornou-a urgente. “O aumento do recurso da intervenção psicológica à distância, com videoconferência ou telefone, e não apenas de intervenção clínica, porque abrangemos as várias especialidades, foi ao encontro do que estávamos à espera”, avalia Ana Virgolino.
O consultório passou a ser online e as formações aconteceram à distância mas nem todos se mostraram satisfeitos com a solução. Apesar de quase metade dos inquiridos ter considerado que foi fácil ou muito fácil fazer a transição para o online, mais de metade (68%) continuam a preferir a intervenção presencial. “Nada substitui o contacto presencial seja qual for o método de intervenção”, responde um psicólogo. “Acho que a necessidade que se tem verificado durante a pandemia tem estado a servir para implementação deste método online como alternativo no futuro, quando deverá ser apenas um recurso ocasional.”
Contudo, apesar de não ser o método preferido, 58% não descartam voltar a usar este tipo de soluções caso se revelem necessárias. Neste capítulo, um psicólogo diz que sente que a adaptação dependeu mais do cliente e que, “considerando que a alternativa actualmente é fazer consulta presencial com máscara”, prefere “fazer online” porque sente que “a máscara prejudica mais do que a distância”.
Um quarto dos psicólogos tem sinais de burnout – mas 87% arranjaram estratégias para fazer frente à pandemia
Não é “um número animador”, mas está em linha com o que acontece noutras áreas profissionais. Quase 87% dos psicólogos disse utilizar estratégias para a promoção da sua saúde e qualidade de vida: estar com amigos e família, dormir bem e “manter uma atitude positiva no trabalho” foram as mais citadas.
Quase um quarto dos psicólogos portugueses mostra algum sinal de burnout e são as mulheres, com idades entre os 35 e os 44 anos, que viram o seu volume de trabalho aumentar com a pandemia que relatam mais estes sintomas. As conclusões constam de um estudo sobre a saúde mental destes profissionais, publicado esta quinta-feira pela Ordem dos Psicólogos.
O estudo contou com a resposta de 1759 participantes, na maioria mulheres (89%), com idades compreendidas entre os 24 e os 76 anos, da área da psicologia clínica, mas não só. As respostas ao inquérito online foram anónimas e revelam que mais de metade (57%) dos psicólogos ouvidos indicam que o volume de trabalho aumentou desde o início da pandemia.
O aumento da procura de cuidados de saúde mental, os casos mais graves que lhes chegavam, as longas horas de trabalho foram alguns dos factores negativos que a pandemia trouxe, de acordo com os participantes: “Com a pandemia, houve desrespeito pelos colaboradores em termos de horários e número de horas, com turnos de dez horas durante sete dias e sete dias seguintes de descanso, o que se transmitiu em exaustão física e mental”, refere um dos profissionais que respondeu ao inquérito. Outro refere que recorreu a “antidepressivos e ansiolíticos pela primeira vez”.
Ana Virgolino, autora do estudo ouvida pelo PÚBLICO, considera que ter um quarto dos psicólogos com sintomas de burnout (síndrome do esgotamento profissional) não é um “número animador”, mas afirma que está em linha com um estudo feito a nível nacional pelo Insa - Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no qual também participou, sobre a saúde mental dos portugueses, em que 25% da população geral e 32% dos profissionais de saúde apresentavam sintomas de burnout. “Avaliámos profissionais de várias áreas e a percentagem era similar”, conclui a investigadora.
Mesmo que não tenham chegado ao burnout, a pandemia teve um impacto no bem-estar destes profissionais: 40% revelaram que o seu bem-estar piorou e pelo menos 21% estão numa situação de sofrimento mental. Também foram as mulheres e jovens (isto é, com menos de 35 anos de idade), “com uma situação financeira difícil e que aumentaram bastante o volume de trabalho em contexto de pandemia” que mostraram estar numa situação de maior risco, de acordo com o estudo.
A autora destaca que esta informação também “vai ao encontro a outros estudos do tempo de pandemia: as mulheres e as populações mais jovens são mais vulneráveis” aos seus efeitos negativos. No futuro, será importante que se faça “de forma regular” uma monitorização destes indicadores da saúde mental.
Entre os psicólogos ouvidos, há quem revele que “há muitos colegas que demonstram não estar bem para desempenhar as suas funções, mas só porque são psicólogos acham ou não se permitem reconhecer que precisam de ajuda”. Há também quem sugira a disponibilização de “psicólogos a custo reduzido para realizar psicoterapia a outros psicólogos”.
“As condições profissionais mantiveram-se e os pedidos de apoio aumentaram, com situações mais complexas. O cansaço prévio acumulou-se, o isolamento manteve-se e a disponibilidade das chefias reduziu-se, o que desencadeou esta sobrecarga sem resposta adequada das instituições. Temos de ser nós, como indivíduos, e não como profissionais, a tentar reequilibrarmo-nos”, revela um dos psicólogos citados no estudo.
Dormir bem e estar com amigos: os autocuidados dos psicólogos
Quase 87% dos psicólogos disse utilizar estratégias para a promoção da sua saúde e qualidade de vida. O que fazem os psicólogos para cuidar da sua saúde mental? Passar tempo com amigos e família, dormir bem, apesar “do aumento do volume de trabalho”, e manter uma atitude positiva no trabalho foram as respostas mais citadas. A autora do estudo realça este último ponto porque, “apesar da insatisfação, a verdade é que ‘dá o clique’ e pensamos que isto está a acontecer com muita gente, não é só nesta profissão”.
Menos citadas foram estratégias como o envolvimento em organizações profissionais, actividades religiosas e voluntariado.
Nem tudo são relatos negativos. Uma psicóloga, que diz trabalhar “em part-time em gestão de recursos humanos”, afirmou que durante a pandemia teve tempo para conciliar todos os aspectos da sua vida — e não são poucos. “Sou católica praticante, sei tocar vários instrumentos, caminho e pratico ginástica em grupo, pertenço a coros e grupos de dança. Faço voluntariado em diversas áreas. Procuro estar atenta aos sinais. Não culpabilizo pessoas ou organizações por algum mal que me aconteça, faço o que está ao meu alcance para viver com bem-estar, com sentido de responsabilidade”, refere.
Outra psicóloga afirma que, ainda que “há uns meses pudesse preencher todos os requisitos de diagnóstico de burnout”, encontrou formas de autocuidado no “apoio familiar, amigos, formação contínua” na própria “capacidade de resiliência”.
A vida online
Já antes da pandemia se falava na telepsicologia – uma prática que nunca chegou a ser popular em Portugal, a avaliar pelos 52% de inquiridos que nunca tinham realizado intervenções psicológicas à distância antes –, mas a covid-19 tornou-a urgente. “O aumento do recurso da intervenção psicológica à distância, com videoconferência ou telefone, e não apenas de intervenção clínica, porque abrangemos as várias especialidades, foi ao encontro do que estávamos à espera”, avalia Ana Virgolino.
O consultório passou a ser online e as formações aconteceram à distância mas nem todos se mostraram satisfeitos com a solução. Apesar de quase metade dos inquiridos ter considerado que foi fácil ou muito fácil fazer a transição para o online, mais de metade (68%) continuam a preferir a intervenção presencial. “Nada substitui o contacto presencial seja qual for o método de intervenção”, responde um psicólogo. “Acho que a necessidade que se tem verificado durante a pandemia tem estado a servir para implementação deste método online como alternativo no futuro, quando deverá ser apenas um recurso ocasional.”
Contudo, apesar de não ser o método preferido, 58% não descartam voltar a usar este tipo de soluções caso se revelem necessárias. Neste capítulo, um psicólogo diz que sente que a adaptação dependeu mais do cliente e que, “considerando que a alternativa actualmente é fazer consulta presencial com máscara”, prefere “fazer online” porque sente que “a máscara prejudica mais do que a distância”.
22.10.15
Ordem anunciou que 150 psicólogos vão apoiar refugiados
In RTP
Cento e cinquenta psicólogos vão apoiar refugiados que cheguem a Portugal. Fazem parte de uma bolsa criada pela Ordem dos Psicólogos e são formados em situações de crise e catástrofe.
Perante a atual crise humanitária, a Ordem dos Psicólogos pediu ainda aos mais de 600 profissionais na área que já têm esta formação para que se disponibilizassem para ajudar os refugiados.
Cento e cinquenta psicólogos vão apoiar refugiados que cheguem a Portugal. Fazem parte de uma bolsa criada pela Ordem dos Psicólogos e são formados em situações de crise e catástrofe.
Perante a atual crise humanitária, a Ordem dos Psicólogos pediu ainda aos mais de 600 profissionais na área que já têm esta formação para que se disponibilizassem para ajudar os refugiados.
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