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19.9.23

Cartão de jogador? “Seria um controlo sobre a liberdade das pessoas”

 Isabel Pacheco com redação, in TSF

A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal (EAPN) não concorda com a criação de um cartão de jogador. A proposta é lançada na sequência de um estudo sobre a dependência das "raspadinhas".


O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), padre Jardim Moreira, diz ser necessário atuar na prevenção do jogo, mas discorda da criação de um cartão do jogador porque poderá representar um atentado contra a liberdade das pessoas.
“Acho que a iniciativa pode ser bem intencionada, mas é um pouco exagerada”, avança à Renascença o presidente da EAPN. “É difícil chegarmos aí porque seria um controlo bastante grande sobre a liberdade das pessoas”, argumenta.
Como alternativa, Jardim Moreira defende uma nova forma de regulamentar e promover o jogo das raspadinhas. “Penso que deverá ser repensado porque julgo não deve ter como objetivo promover esta exploração das pessoas com debilidades e ter cuidado em não criar mais problemas”, defende.

Um estudo d Conselho Económico e Social (CES) feito em parceria com a Universidade do Minho conclui que cerca de 100 mil portugueses têm problemas de jogo com a raspadinha.
Ainda de acordo com as conclusões, são sobretudo as pessoas com menores rendimentos e menos habilitações que mais jogam na raspadinha. 30 mil pessoas assumem um comportamento patológico.
Só em 2020, os portugueses gastaram 1,4 mil milhões de euros em raspadinhas - o que equivale a quatro milhões por dia.

28.8.23

30 MILHÕES TRANSFORMAM QUINTA DO LORDE

Carla Sousa, in JM Madeira

No primeiro semestre de 2024, o antigo resort do Caniçal dará lugar ao hotel ‘Dreams Madeira’. A remodelação significou um investimento de 30 milhões de euros e a unidade, que vai funcionar num regime de tudo incluído, ficará ligada à cadeia hoteleira internacional Hyatt. Terá 360 quartos, 12 espaços de restauração e vai empregar 250 pessoas.

Esta é a notícia que faz a manchete de hoje do seu JM, numa Primeira Página que destaca um triste realidade. “Dinheiro não basta para sair da pobreza”. A pobreza tem várias causasm na opinião de Agostinho Moreira, da rede europeia anti-pobreza, que diz ser prioritário “atuar na família em primeiro lugar”. Sílvia Ferreira, do CASA, mostra preocupação com a falta de habitação e a toxicodependência.

Saiba ainda que “é fácil ser chef, ser bom cozinheiro é mais difícil”. Comunica como poucos e cozinha de forma distinta. Octávio Freitas, convidado de ontem da iniciativa do JM e do Centro Comercial La Vie, confessa ser chef por “vocação”.

Destaque também nesta edição para o turismo: 152 mil euros asseguram a Festa do Vinho Madeira, e para o despovoamento que preocupa em São Vicente. Autarcas entendem que a fixação dos residentes “deve ser uma preocupação coletiva”. Albuquerque considera que “o município está à altura do desafio”.

19.6.23

PRESSUPOSTOS PARA UMA INTERVENÇÃO SOCIAL NO ÂMBITO DO COMBATE À POBREZA

Padre jardim Moreira, opinião,  in Mensageiro de Bragança



Tendo em conta o momento crítico que atravessamos, o aumento intenso da pobreza, sobretudo dos grupos mais vulneráveis, a EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza propõe uma reflexão sobre os desafios colocados às entidades com responsabilidades sociais, no que respeita a enfrentar este problema complexo, de natureza multidisciplinar, gerador de exclusão e de perda oportunidades e de capacidades.

Apesar do investimento em políticas sociais, nas duas últimas décadas em Portugal, os indicadores de pobreza monetária e de desigualdades são ainda bastante elevados, sendo Portugal um dos países europeus com taxas de incidência de pobreza mais altas. Não obstante o esforço redistributivo da proteção social dos últimos anos, do qual resultou alguma redução das desigualdades, da pobreza e exclusão social, este permanece como um dos grandes desafios que Portugal tem de enfrentar.

De acordo com um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) de 2018, Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. Tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a seguinte, bem como o nível de desigualdade salarial em Portugal, pode demorar cinco gerações para que as crianças de uma família na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio.

Porque é que é assim?

Pensamos que não tem sido considerado que a pobreza tem causas multidimensionais, e não basta apenas uma resposta monetária. O conceito de pobreza multidimensional refere-se à experiência e ao impacto da pobreza no percurso de vida das pessoas. As pessoas experienciam a pobreza como uma série de privações, não apenas como ‘dinheiro insuficiente’ – ou outras coisas, mas experiências, oportunidades, serviços e ambientes que outras pessoas aceitam como normais. Estas privações podem incluir desemprego e baixa intensidade laboral, recursos financeiros, acesso a educação de qualidade e a cuidados de saúde, integração social, apoio familiar, condições de alojamento e residência. As pessoas em situação de pobreza também podem ser vítimas de estigma, vergonha, discriminação, isolamento e exclusão da vida social, consequências negativas de decisões restritivas ou de curta duração, pior saúde mental e física e uma esperança de vida mais reduzida. Por outro lado, o impacto da pobreza multidimensional pode ser mitigado nos seus efeitos através de fatores pessoais, relacionais, sociais e culturais de apoio ou que diminuem danos, criam resiliência e resistência. Episódios de pobreza frequentes, pobreza muito profunda ou pobreza persistente (i.e que dura um longo período), pode enfraquecer a resiliência das pessoas, reforçando a sua pobreza e isolamento.

Será indispensável uma resposta pluridimensional, que conte com a participação das próprias pessoas em situação de pobreza. Lembramos o aforismo: ”nada por nós sem nós” e todos os atores que intervêm aos vários níveis territoriais, bem como um cuidado acompanhamento de proximidade.

Trabalhamos já há vários anos, com uma equipa de âmbito nacional, composta de alguns dos melhores especialistas na matéria, na apresentação de uma estratégia nacional de luta contra a pobreza.
Temos assistido, e bem, a uma grande sensibilidade por parte das autarquias e muitas juntas de freguesia, organizações sociais públicas e privadas, empresas e sociedade civil, a responder, cada um a seu modo, aos problemas e carências de muitos portugueses, nesta hora de pandemia que enfrentamos.
Penso que são pressupostos e condições que propiciam uma nova intervenção para uma sociedade mais respeitadora dos direitos humanos de todos os portugueses; de exigirmos o exercício verdadeiro da democracia, da defesa das vítimas da injustiça e não prioritariamente na defesa das elites.

Sabemos que muitos cidadãos (ãs) portugueses, vivem hoje em condições que não são compatíveis com a dignidade humana e com uma sociedade democrática; estamos conscientes de que uma parte considerável da população portuguesa não vê satisfeitas as suas necessidades básicas em domínios como educação, saúde, habitação, justiça, emprego e proteção social. Sabe-se que as diversas formas de desigualdade (de rendimento, de riqueza, de poder, etc) se entrelaçam e se reforçam mutuamente.

Os pressupostos essenciais do combate à pobreza são a participação, a intervenção em parceria, a abordagem territorial e a intervenção integrada (Jordi Estivill). Sendo todos eles importantes para o êxito da intervenção social, entendemos que existem, ainda fortes limitações, sobretudo quanto à participação e quanto à ação integrada, que devem ser corrigidas.

De facto, frequentemente, combinam-se na mesma pessoa ou na mesma família vários problemas a necessitar de apoio, como insuficiência de recursos, baixa escolarização e qualificações, emprego precário, habitação degradada, desarticulação familiar, saúde debilitada, dificuldade no acesso à justiça e aos serviços.

A multidimensionalidade do fenómeno da pobreza tem de ser reconhecida pelos programas, e dar lugar a respostas integradas que mobilizam competências e recursos de diversas especialidades e parcerias. A promoção do acesso de todos os cidadãos a um conjunto de direitos sociais, designadamente, a um rendimento mínimo, ao mercado de trabalho, à proteção social, à educação e formação, à habitação, a cuidados de saúde, a serviços e equipamentos sociais, constitui um desafio estratégico e exige uma articulação de políticas que conjugam três pilares da inclusão ativa: (1) Favorecer a melhoria do rendimento, (2) Apoiar a integração socioprofissional, (3) Proporcionar mais e melhor acesso a serviços.

Uma estratégia de luta contra a pobreza requer medidas de carácter transversal e a avaliação dos efeitos (positivos e ou negativos) que as políticas poderão ter sobre a pobreza e a exclusão social.

O sistema judicial é um instrumento central no exercício da democracia “como instrumento de adensamento da cidadania “

Diversos estudos têm demonstrado que as categorias sociais mais vulneráveis evidenciam uma maior dificuldade no exercício do direito, o que indica uma desigualdade da proteção dos interesses sociais, ou seja, uma desigualdade jurídica dos cidadãos. Por parte, dos mais desfavorecidos, também se traduz num maior desconhecimento dos direitos e uma maior propensão para a resignação, e pela sua fragilidade linguística enfrentam dificuldades acrescidas.

A pobreza e a desigualdade em Portugal constituem problemas profundos e multidimensionais que requerem uma ação política para serem erradicadas. A EAPN Portugal acredita que é hora de concretizar uma Estratégia Nacional que mude positiva e eficazmente o destino de quase dois milhões de pessoas em Portugal.

Mantemo-nos disponíveis para cooperar com as entidades nacionais, regionais e locais na procura de soluções e iniciativas para a superação da profunda crise económica e social que estamos a vivenciar, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos experimentais junto de populações afetadas por situações de depressão social e pressão económica, nas suas várias vertentes, tendo em vista assegurar um acompanhamento próximo, inteligente e inovador. O combate à pobreza e exclusão social exige-nos, mais do que nunca, essa coragem transformadora e urgente.
Edição
3788

6.9.22

Rede Europeia Anti-Pobreza diz que resposta do Governo "não é a ideal"

Por Lusa, in TSF

O padre Jardim Moreira considera que, "pela primeira vez", o Governo olhou para as famílias portuguesas.

A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal disse na segunda-feira que as medidas de apoio para aliviar as consequências da inflação, apresentadas pelo Governo, "não são a resposta ideal", mas salientou que "foi importante" que o Executivo "tenha assumido as suas funções".

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"Imagino e sinto que esta não é resposta ideal. Nós somos um país pobre e temos de nos saber gerir com as nossas limitações", adiantou à Lusa o presidente da EAPN Portugal, padre Jardim Moreira.

De acordo o padre Jardim Moreira, "pela primeira vez" o Governo olhou para as famílias portuguesas.

"(...) É na família que se partilha os problemas e onde todos partilham os seus bens e as suas fraquezas. (...) Há um olhar novo para a classe média e para o conjunto da família", indicou.

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Para Jardim Moreira, era fundamental "tomar medidas estruturais a partir da implementação da estratégia nacional contra a pobreza".

"Apesar de não ser ideal e não ser uma resposta choruda -- uma resposta muito generosa -- (...), penso que é a primeira intervenção [do Governo] e espero que a avaliação desta medida possa ser corrigida naquilo que for de corrigir (...)" para que haja um "equilíbrio da sociedade portuguesa", salientou.

"É preciso que seja uma resposta estrutural nacional organizada para com os mais pobres, os mais debitados, porque senão andamos sempre com pensos rápidos, não conseguimos transformar a vida das pessoas, a questão social e a pobreza em Portugal", acrescentou.

O primeiro-ministro, António Costa, apresentou na segunda-feira as medidas excecionais de apoio às famílias para mitigar os efeitos da inflação, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

Esse pacote de medidas inclui, entre outros, um pagamento extraordinário de 125 euros a cada cidadão não pensionista com rendimento até 2.700 euros brutos mensais e a atribuição de 50 euros a todas as famílias por cada descendente até aos 24 anos que tenham a seu cargo.