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20.7.20

Estado da Nação. Portugal mais pobre, com menos emprego e maiores desigualdades em 2022

por Inês Moreira Santos, in RTP

A enfrentar uma pandemia, Portugal tem sofrido várias mudanças sociais e económicas, nos últimos meses. Mas se o cenário atual não parece muito animador, as expectativas dos portugueses para a economia portuguesa daqui a dois anos são ainda mais pessimistas, revela uma sondagem da Universidade Católica Portuguesa.

Com a Covid-19, a situação económica e social de muitos portugueses mudou drasticamente. As expectativas para a evolução da economia em Portugal, daqui a dois anos, revelam-se sombrias.

Face à situação atual, os portugueses acreditam que, daqui por dois anos, Portugal será "um país mais pobre, com maior desigualdade social, com mais austeridade e menos emprego". É assim que a maioria dos portugueses imagina o contexto económico português, segundo a Sondagem Social e Política do CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP e o jornal Público.

De facto, em função do que se conhece hoje, 70 por cento dos inquiridos consideram que Portugal estará mais pobre daqui por dois anos e 55 por cento estimam que as desigualdades sociais se acentuem ainda mais. O cenário parece ainda mais pessimista face aos 71 por cento que acreditam que o desemprego vai aumentar, na mesma altura.

Se compararmos as estatíticas antes e depois da pandemia podemos entender as expectativas menos animadoras dos portugueses. De acordo com os dados do relatório, três por cento dos inquiridos ficaram em lay-off, "seis por cento estão agora desempregados" e "quatro por cento afirmam estar sem atividade", desde o início da pandemia em Portugal.

Selecionados apenas os inquiridos a trabalhar no momento em que foi realizado o inquérito, a maioria (55 por cento) acredita que vai continuar a ter trabalho a médio prazo (um período definido de seis meses). Contudo, 13 por cento acham que é "algo ou muito provável perder o emprego no próximos seis meses".

Dos inquiridos, selecionados aleatoriamente, há ainda 66 por cento que afirmam que voltarão a enfrentar períodos de mais austeridade.

Menos rendimentos, menos férias

A pandemia, a suspensão de algumas atividades económicas, o lay-off e o desemprego vieram alterar os rendimentos de alguns agregados familiares. Embora a maioria dos inquiridos (67 por cento) admita que os rendimentos familiares não sofreram alterações, "29 por cento dos inquiridos têm agora rendimentos do agregado inferiores ao que tinham antes da crise".

Desses participantes que revelam ter o seu rendimento reduzido, 16 por cento dizem que "o rendimento desceu para mais de metade do que recebiam".

Segundo o mesmo relatório, "35 por cento dos inquiridos com rendimentos até 1000 euros ganham agora menos do que antes da pandemia". "Para os inquiridos com rendimentos entre os 1000 e os 2500, essa percentagem é de 24 por cento. Entre os que recebem mais de 2500, 17 por cento perderam rendimento".

No entanto, "parece haver alguma recuperação de rendimentos, sendo agora maior a percentagem que diz ter rendimentos iguais ao que eram antes da pandemia".

E, considerando as quebras em alguns rendimentos e a situação epidemiológica, a "maioria da população não tenciona fazer férias este ano fora da sua residência".

Dos inquiridos que, em anos normais, se deslocam para fazer férias, 45 por cento responderam que "de certeza que não" farão férias fora de casa e nove por cento dizem que "provavelmente não".

Mas para quem quer tentar passar uns dias fora, os destinos mais indicados são "o Algarve (referido por 34 por cento dos que pensam sair), a Região Norte (26 por cento), a Região Centro (19 por cento) e o Alentejo (16 por cento)".

Mesmo com uma pandemia global, há ainda seis por cento que indicaram "destinos na Europa e três por cento fora da europa".

Economia e justiça vão piorar

Mas não é só economicamente falando que as expectativas não são as mais promissoras.

Embora mais de metade dos participantes deste estudo considerem que Portugal vai continuar a ser um país "democrático" (59 por cento), tão ou mais "justo" do que atualmente (63 por cento) e, talvez, mais "solidário" (38 por cento), 40 por cento receiam que seja um país menos "seguro".

A juntar às descrenças dos portugueses, a maioria estima que o investimento público vai ser menor do que é atualmente.

Na ótica dos portugueses, as expectativas para a Economia, daqui a dois anos, são claramente pessimistas - 67 por cento dos inquiridos imaginam que a economia em Portugal vai estar pior.

Apesar de as piores previsões serem para o sector económico, 40 por cento dos inquiridos também consideram que a justiça será afetada e, por isso, estará pior também.

Já no que se refere ao ambiente as previsões parecem melhores. A maioria acha que não será muito diferente (37 por cento), mas 34 por cento acreditam que pode estar melhor.


Certo é que, a nível da "imagem internacional", 42 por cento acham que não será negativamente afetada e 29 por cento dizem que pode ser melhor, em 2022.


Considerando o contexto atual, as previsões dos portugueses para daqui a dois anos revelam, neste relatório, ser pouco positivas para a evolução da Economia em Portugal.

Ficha técnica
Os 1217 participantes desta sondagem foram selecionados aleatoriamente, através de uma lista de números de telefone fixo e de telemóvel, 34 por cento da região Norte, 21 por cento do Centro, 31 por cento da Área Metropolitana de Lisboa, seis por cento do Alentejo, quatro por cento do Algarve, dois por cento da Madeira e dois por cento dos Açores.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo (50 por cento foram mulheres), escalões etários, grau de escolaridade e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE.

17.7.18

A pobreza é uma vergonha nacional

Moreira da Silva, in Notícias da Trofa

O conceito de pobreza abrange áreas tão diferenciadas, que vão desde a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares e não alimentares básicas, assim como a falta de acesso à saúde e à educação, a falta de água e saneamento, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade. Mas também o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e até transportes públicos acessíveis. É uma grave privação de recursos!

A pobreza é, acima de tudo, um problema das erradas políticas económicas que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. A pobreza é uma vergonha nacional; é um problema estrutural gravíssimo da sociedade, um atentado à dignidade humana, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

Os dados dos relatórios de entidades nacionais e internacionais são muito esclarecedores sobre esta matéria: a pobreza atinge mais de um quinto da população portuguesa. Porque muitas pessoas não estão sensibilizadas para as questões sociais do nosso país, esta informação é aterradora, como é aterradora a informação de que Portugal é um dos países mais desiguais da União Europeia, atingindo um nível de desigualdade, que envergonha o país.
Tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a seguinte, bem como o nível de desigualdade salarial no nosso país, são precisas cinco gerações para se sair da pobreza em Portugal. Esta afirmação faz parte de um recente estudo sobre a mobilidade social da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que também conclui que Portugal é dos países desenvolvidos onde é mais difícil sair da pobreza ou, do outro lado, deixar de ser rico. A pobreza reproduz-se e gera ciclos de vulnerabilidade social.

O referido relatório da OCDE conclui que uma família portuguesa de fracos recursos socioeconómicos pode demorar 125 anos até que os descendentes consigam alcançar um salário médio. Esta organização internacional afirma que há margem para políticas que aumentem a mobilidade entre gerações, por isso sugere três objetivos: apoiar as crianças de meios desfavorecidos, assegurando uma boa educação pré-escolar, combater o desemprego de longa duração e aumentar o nível de qualificações através da educação para adultos.

Não é por não abrir telejornais, nem por ter deixado de ser notícia de primeira página dos jornais, que a pobreza e a miséria foram erradicadas no nosso país. Bem pelo contrário, atualmente mais de um quinto da população portuguesa (perto de 2,4 milhões de pessoas) estão em risco de pobreza ou exclusão social.

Dentro do quadro triste da pobreza, ainda existe a realidade que faz partir o coração, de muitos milhares de sem-abrigo que povoam as ruas das nossas cidades. Seres humanos como nós, que foram colocados à margem da sociedade, que se diz civilizada.

24.5.16

27,5% dos portugueses vivem no limiar da pobreza

Ana Margarida Pinheiro, in "Dinheiro Vivo"

Em apenas três anos (2010-2013) a intensidade da pobreza aumentou 30% e um em cada três pobres perdeu o acesso ao RSI.

“Ter um emprego deixou de ser fato de isenção em relação à pobreza”. A frase é do Movimento Erradicar a Pobreza que realizou este sábado o II Encontro para tentar combater este flagelo. No entanto, os baixos salários, a instabilidade familiar, e as famílias cada vez mais frágeis estão a agravar o problema. O Movimento estima que 27,5% dos portugueses estejam a viver no limiar da pobreza. Os mais afectados são mulheres a viver em famílias monoparentais, com filhos a cargo; mulheres idosas e crianças. “As condições de vida de três milhões de portugueses não são compatíveis com uma existência digna”, alerta o movimento, salientando que a massificação dos baixos salários como “modelo económico dominante durante o período de austeridade” a “fragilização das relações laborais” acentuou a dimensão do problema.

“Em apenas três anos (2010-2013) a intensidade da pobreza aumentou 30% e um em cada três pobres perdeu o acesso ao RSI”. Esta retirada, “resultou num aumento da intensidade da pobreza das crianças em 44%”, refere um estudo do economista José Alberto Pitacas apresentado neste encontro. Deste encontro resultou ainda uma petição que procura 7000 assinaturas para que os deputados possam renovar “as decisões das resoluções de 2008 e promovam políticas que ataquem as raízes da pobreza e tendam à sua erradicação”.

17.5.16

Privação material das famílias diminuiu em 2015, mas estilhaços da crise mantêm-se

Natália Faria, in "Público"

Portugal continua a contar com quase meio milhão de pessoas que se mantêm em risco de pobreza, apesar de trabalharem. O anunciado Complemento Salarial Anual não pode servir de subsídio encapotado às empresas, alerta investigador.

Mais do que a classe média, os pobres foram os mais penalizados pelas políticas austeritárias que vigoraram durante a permanência da troika em Portugal. O inquérito aos rendimentos e condições de vida divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) evidencia isso mesmo, segundo Carlos Farinha Rodrigues, investigador na área da distribuição do rendimento, desigualdade e pobreza.

“As famílias desprotegidas não só não foram isentas do processo de ajustamento como, antes pelo contrário, foram quem mais sofreu com isso, com quebras no rendimento na ordem dos 20%, entre 2009 e 2014”, precisa o economista.

Com o risco de pobreza a estabilizar em 2014 nos 19,5% da população portuguesa (o mesmo valor do ano anterior, o que equivale, ainda assim, a dizer que um em cada cinco portugueses vivia abaixo do limiar de pobreza, calculado em 422 euros/mês), o pouco que se conhece de 2015 aponta para a estabilização e mesmo para alguma melhoria nos indicadores. A taxa de privação material, por exemplo, que mede a carência forçada de pelo menos três de uma lista de nove itens (que vão da capacidade para pagar atempadamente as despesas ou financiar uma refeição de carne ou de peixe pelo menos de dois em dois dias), recuou dos 25,7%, em 2014, para os 21,6% de 2015.


Do mesmo modo, a taxa de privação material severa (carência em quatro dos nove itens) desceu para os 9,6% em 2015, contra os 10,6% de 2014 e os 10,9% de 2013. Porém, se recuarmos a 2012, aquele valor fixa-se nos 8,6%. E por isso é que Carlos Farinha Rodrigues afirma que nenhuma destas melhorias permite varrer para debaixo do tapete os estilhaços da crise.

“As políticas de austeridade fizeram recuar os indicadores, em muitos casos, para níveis que não existiam desde o início do século. É verdade que o cume do agravamento dá-se em 2013, mas a melhoria que é possível detectar é só relativamente ao ano imediatamente anterior, ou seja, ainda estamos longe do ponto em que estávamos em 2008 e 2009.”

Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população afectada situava-se nos 26,6% em 2015. É um recuo relativamente aos 27,5% do ano anterior. Mas, como aponta Farinha Rodrigues, “a percentagem de crianças e jovens em situação de pobreza continua altamente preocupante”. O INE conta que é nas famílias com rendimentos inferiores a 428 euros mensais que se encontra a proporção mais elevada de menores (25,2%), “o que reflecte as condições relativamente desfavorecidas das famílias com crianças”. Dito doutro modo, o risco de pobreza afectava 24,8% dos menores de 18 anos.


Trabalhadores, mas pobres
Os desempregados continuavam a ser, porém, os mais ameaçados pela pobreza. E aqui houve um agravamento. Se, em 2013, a pobreza afectava 40,5% dos desempregados, no ano seguinte eram já 42% os desempregados que viviam com menos de 422 euros por mês. E 60,4% viviam com menos de 610 euros mensais. Mas o que choca mais Carlos Farinha Rodrigues é a persistência dos chamados trabalhadores pobres. Entre a população empregada, 10,9% viviam em 2014 abaixo do limiar de pobreza. São cerca de 495 mil trabalhadores. No ano anterior, a percentagem era de 10,7 e, em 2011, era de 9,9.

“Há uns anos, ter um emprego era um factor de isenção em relação à pobreza e isso hoje não acontece.” Porquê? “Porque se reforçou a componente de baixos salários do nosso modelo económico durante o período austeritário e porque o processo de ajustamento reforçou a fragilização das relações laborais.”

A que ponto os mais recentes aumentos do salário mínimo nacional (de 485 para 505 euros, em Outubro de 2014 e até 31 de Dezembro de 2015, e para os 530 euros, desde 1 de Janeiro) vieram melhorar a situação é algo que se perceberá mais tarde. Mas o economista lembra que “o que é necessário é todo um processo de dignificação do factor trabalho que permita passar deste modelo assente em baixos salários para um modelo mais socialmente sustentado”. “O que se passa configura uma violação dos direitos de cidadania das pessoas”, enfatiza, para defender que “estes níveis de pobreza são um travão ao próprio desenvolvimento económico”.

No início deste ano, o Governo anunciou a criação do Complemento Salarial Anual (CSA) precisamente para responder aos quase meio milhão de portugueses que vivem abaixo do limiar de pobreza, apesar de trabalharem. O novo apoio social funcionaria através de um crédito fiscal àqueles trabalhadores.

Ao PÚBLICO, fonte do Ministério das Finanças respondeu que a medida consta do Programa do Governo, “não tendo a sua implementação sido equacionada para 2016”. Além disso, acrescenta-se na mesma nota, no Programa de Estabilidade para 2016-2020 que o Governo entregou em Abril no Parlamento “está prevista a atribuição de complementos salariais a famílias de baixos rendimentos”.

O importante aqui, para Farinha Rodrigues, será que esta medida seja “extremamente cuidadosa para não se transformar numa forma de as empresas reduzirem, às custas do Estado, os problemas que têm para resolver”. Dito doutro modo, o novo apoio social não poderá “ser pretexto para adiar ou evitar as alterações estruturais que o país tem de introduzir para que o mercado de trabalho deixe de ser gerador de desemprego ou pobreza”.

17.11.14

A pobreza portuguesa em destaque no "New York Times"

in RR

Trabalho do fotojornalista Mário Cruz mostra como ter um telhado é sobreviver para as centenas de sem-abrigo que ocupam edifícios devolutos em Lisboa.

"Eles não vivem, eles sobrevivem". Começa assim o artigo sobre uma série fotográfica que retrata a vida de sem-abrigos em Lisboa, publicado esta sexta-feira no blogue de jornalismo visual do New York Times.

O autor destas fotografias, Mário Cruz, é elogiado pela capacidade de notar o "sofrimento invisível" daqueles que fotografou durante mais de um ano: desempregados, idosos, sem-abrigo. O seu trabalho pode agora ser visto no blogue do New York Times "Lens".

"Roof" (telhado) põe a descoberto a vida sob um tecto precário ao qual centenas de portugueses chamam casa: edifícios devolutos parcialmente ocupados por sem-abrigos, que em Lisboa são 2.800.

Segundo um estudo da Câmara de Lisboa existem 800 sem-abrigo a dormir nas ruas, "um testemunho da crise no emprego, da falta de oportunidades e do triste destino que envolve a sociedade portuguesa", escreve Mário Cruz no seu portefólio online.

O fotojornalista de 27 anos procurou vestígios da presença humana em locais aparentemente desertos. Precisou de várias tentativas para ganhar a confiança dos homens e mulheres que fotografou.

Ao "New York Times", Mário Cruz deixou ainda o testemunho de um destes sem-abrigo, que lhe disse: "As pessoas pensam que nos escondemos, que ocupamos lugares que não são nossos, mas a única coisa que fazemos é sobreviver. E nós sobrevivemos ao arranjar um telhado".

23.10.13

Número de pobres em Portugal não pára de aumentar

André Castro Ribeiro/Manuel Oliveira, in RTP

Não pára de subir o número de pobres em Portugal. A AMI registou um aumento de pedidos de apoio, este ano, de cerca de 13% e a Cáritas viu o número de solicitações subir 20 por cento.

20.6.13

Relatório aponta para quase três milhões de pobres em Portugal

Rui Sá/ Sandra Duarte/ Rui Silva/ Virgílio Matos, in RTP

O último relatório da Cáritas mostra que um quarto da população portuguesa vive abaixo do limiar de pobreza e em risco de exclusão social. O estudo fala em 2,7 milhões de pobres numa sociedade que perde mil empregos por dia. O diagnóstico revela que já não chega canalizar ajudas para os que mais precisam, porque essa é uma política que alivia o problema mas não o resolve.

5.12.12

Regras do Eurostat ajudam a disfarçar pobreza em Portugal

Por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

As regras do Eurostat estão a ajudar a disfarçar o agravamento da pobreza em Portugal e noutros sete países da União Europeia.

De acordo com o gabinete de estatísticas europeu, o rendimento mediano a partir do qual uma pessoa deixa de ser considerada pobre caiu de 5.207 euros anuais em 2010 para 5.046 euros em 2011 para o caso de um indivíduo solteiro sem filhos.

Os dados em causa resultam de inquéritos conduzidos nos anos imediatamente anteriores.

Esta quebra no rendimento de referência, que serve para separar os pobres do resto da população, é a primeira que acontece na série do Eurostat que remonta a 1995.

Ou seja, em 2010, quem ganhasse menos de 434 euros entrava no perímetro da pobreza, mas em 2011, o teto oficial definido pelas autoridades baixou para 420,5 euros mensais. Com uma menor exigência no limite de pobreza, mais pessoas ficarão de fora da definição oficial do fenómeno.

Para além de Portugal, outros países registaram esta diminuição no rendimento de referência, entre eles Grécia e Espanha.

O Dinheiro Vivo tentou contactar o Eurostat sobre esta alteração, sem sucesso. O Instituto Nacional de Estatística INE), que segue as referidas regras europeias neste Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), explicou em julho que o limiar da pobreza em euros diminuiu porque existiu um deslocamento para pior dos rendimentos medianos dos inquiridos.

Segundo o INE, "de acordo com este inquérito, a mediana do rendimento monetário líquido por adulto equivalente registou um decréscimo nominal de 3% entre 2009 e 2010 [valores dos inquéritos de 2010 e 2011, respetivamente].

Consequentemente, o limiar, ou linha de pobreza relativa (que corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes) reduziu-se de 5.207 euros para 5.046 euros.

Apesar da menor exigência na definição de pobre, o Eurostat registou uma subida ligeira da pobreza em Portugal, a taxa oficial de pobreza conseguiu aumentar ligeiramente entre 2010 e 2011, de 17,9% da população para 18%. Há três anos que não havia um aumento no indicador.

Quer isto dizer que existem agora (em 2011) cerca de 1.919.000 pobres em Portugal, mais 16 mil do que em 2010.

18.10.12

«Milhões de portugueses em risco de pobreza»

in TVI24

Comunistas dizem que a proposta de orçamento para 2013 ainda piorará situação


Lisboa: taxa de pobreza subiu 80% em 20 anosTribunal condena mulher por pedir esmola com bebé ao coloEles vendem órgãos para sobreviver«Alguns grupos sociais não têm direito à habitação»O PCP alertou hoje que «milhões de portugueses» estão em risco de pobreza e que são cada vez mais os que já vivem na «pobreza absoluta», acrescentando que o orçamento proposto pelo Governo para 2013 piorará a situação.

«No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o PCP destaca o preocupante quadro social que se vive em Portugal, marcado pela existência de milhões de portugueses e suas famílias em risco de pobreza, ao mesmo tempo que está em crescimento o número dos que se encontram numa situação de pobreza absoluta», lê-se numa declaração de Fernanda Mateus, da Comissão Política do partido.

A dirigente comunista sublinha que as condições de vida dos portugueses pioraram no último ano, referindo, entre outros exemplos, o crescimento do desemprego, o aumento das «situações de fome e de carência alimentar» ou os «cortes de água, luz e gás nas casas de muitas famílias».

Ao mesmo tempo, acrescenta, «agudiza-se a escassez e mesmo a ausência de meios públicos ¿ financeiros e humanos ¿ para intervir nos chamados grupos de risco de pobreza».

«A verdade é que o aumento do risco de pobreza tem uma relação estreita e direta, com a destruição de importantes funções sociais do Estado consubstanciada, por exemplo, na Segurança Social, na redução do valor de importantes prestações sociais (abono de família, subsídio social de desemprego, subsídio de doença, rendimento de inserção social) num quadro em que aumenta o número dos que, encontrando-se, na prática, numa situação de pobreza, não são considerados pobres e estão excluídos de apoios e prestações sociais», lê-se na mesma declaração.

Neste contexto, o PCP considera que «a substituição de direitos económicos e sociais por políticas públicas assistencialistas e caritativas apresentadas pelo CDS-PP e pelo PSD como a «solução» socialmente justa para apoiar quem mais precisa, representa um «retrocesso político e social porque atenta contra a dignidade humana e, na prática, salda-se por um profundo fracasso».

Por outro lado, dizem os comunistas, «a proposta de Orçamento do Estado para 2013, alicerçada em elevados níveis de desemprego, numa brutal quebra do rendimento disponível das famílias por via da redução dos salários e das reformas, do brutal aumento da carga fiscal em sede de IRS, do custo de vida combinado com novas reduções nas transferências sociais representa, uma deliberada opção pela acentuação das injustiças e desigualdades na distribuição do rendimento nacional».

Na mesma declaração, o PCP promete dar «resposta ao rumo de empobrecimento» que Governo e troika «estão a impor ao país», promovendo diversas iniciativas, entre elas «exigir ao Governo» levantamentos, por distrito, do número de famílias que deixaram de pagar serviços como os de creches ou lares e de crianças com carências alimentares e um «recenseamento» das situações de pobreza.

O PCP quer ainda que o Governo informe a Assembleia da República sobre os recursos destinados ao Programa de Emergência Social e «do modo como foram distribuídas as verbas para o apoio ao alargamento das cantinas sociais, o número das que foram apoiadas, por distrito, indicando quais são as listas de espera que se registam para o seu acesso».

Os comunistas apelam ainda à participação nas «ações de luta» convocadas pela CGTP: a manifestação frente à Assembleia da República de 31 de outubro e a greve geral de 14 de novembro.

18.7.12

Bagão Félix prevê aumento da taxa de pobreza em 2012

Sandra Henriques, in RTP

No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Bagão Félix prevê que a taxa de pobreza aumente ainda mais em 2012, devido às medidas de austeridade em curso.

Depois de o Instituto Nacional de Estatística ter revelado que em 2010 havia em Portugal 18 por cento da população em risco de pobreza, Bagão Félix observa que este ano esta percentagem deve aumentar ainda mais, nomeadamente devido à subida do desemprego.

O antigo ministro do Trabalho salienta que, se não fossem as pensões, subsídios e abonos sociais, a pobreza atingiria 42,5 por cento da população. Bagão Félix destaca ainda o fosso entre ricos e pobres, que obriga a um maior esforço do sistema da Segurança Social.

Em declarações ao jornalista Nuno Rodrigues, Bagão Félix alerta para o facto de a estimativa da pobreza estar sempre um pouco inflacionada por causa do método de medição, que é feito apenas do lado dos rendimentos e não tem em conta o consumo.

Bagão Félix refere ainda a fatia do Orçamento do Estado para 2012 com gastos públicos em pensões, assistência, subsídios sociais e saúde, a qual representa 25,2 por cento do PIB. “É um esforço brutal que tem ajudado à diminuição da pobreza, mas levanta problemas da sua eficiência e equidade”, sublinha.

16.7.12

Pobreza: Dados de 2010 revelam um aumento de carenciados

in Correio da Manhã

1,9 milhões têm menos de 421 €

Portugal tem 1,9 milhões de residentes que vivem em risco de pobreza, com menos de 421 euros por mês, revela o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2011 e ontem publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Por agregados familiares, os mais afectados são os casais com três ou mais filhos, grupo em que 34,5% são pobres (mais 1,3% do que em 2009). Os menos atingidos pela pobreza são os agregados constituídos por três ou mais adultos sem crianças dependentes, que apresentam uma taxa de risco de 9,1% (valor igual ao de 2009).

No conjunto da população, os dados revelados pelo INE mostram um ligeiro agravamento da pobreza em relação a 2009. A percentagem da população pobre subiu uma décima, de 17,9% para 18%. O presidente da Associação de Famílias Numerosas, Fernando Ribeiro e Castro, sublinha que este agravamento das condições de vida das 200 mil famílias com três ou mais filhos resulta das políticas de austeridade do Governo. "São famílias que serão ainda mais penalizadas quando forem conhecidos os dados de 2011, uma vez que o Governo não reconhece os filhos na definição das taxas de IRS nem nas isenções das taxas moderadoras na Saúde", referiu Fernando Ribeiro e Castro. O responsável estima que mais dificuldades "irão surgir a curto prazo, com o brutal aumento dos transportes públicos, o fim do passe para estudantes e a subida das propinas".

Por faixa etária, 22,4% dos menores de 18 anos são carenciados, valor que se manteve inalterado entre 2009 e 2010. Por sua vez, entre a população com idade para trabalhar (18-64 anos), a pobreza afecta 16,2%. Por último, 20% dos idosos (mais de 65 anos) são pobres.

O estudo revela ainda que, numa outra investigação, a ‘Europa 2020’, um em cada quatro portugueses (24,4%) é pobre ou vítima de exclusão social (ver entrevista na página 47).

FOSSO ENTRE RICOS E POBRES SOFRE NOVO AGRAVAMENTO

É cada vez maior o fosso entre ricos e pobres. O relatório do INE revela que, em 2010, o rendimento dos 10% da população mais rica foi 9,4 vezes maior do que o obtido pelos 10% da população com menos recursos. Em 2009, esse valor tinha sido de 9,2 vezes. Quando comparados os 20% mais ricos com os 20% mais pobres, houve também agravamento da diferença dos rendimentos. Em 2010, os mais ricos receberam 5,7 vezes mais do que os mais pobres. Em 2009, esse valor foi de 5,6.

Comissário diz que Plano de Emergência Social aprovado pelo Governo não é suficiente

in TSF

Em entrevista à TSF, o comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa aplaudiu o Plano de Emergência Social aprovado pelo Governo, mas sublinhou que não é suficiente.

Nils Muiznieks esteve em Portugal e fez um relatório em que alerta para o aumento da pobreza entre as crianças.

Em entrevista à TSF, o comissário congratulou-se com o Plano de Emergência Social aprovado pelo Governo, mas sublinhou que não é suficiente.

O responsável defendeu ainda que é preciso estudar as consequências das medidas de austeridade aplicadas em Portugal.

«Pensei que seria interessante caso de estudo para analisar o impacto das medidas de austeridade sobre os direitos humanos. estou feliz por ter ido a portugal. Espero que o nosso relatório seja útil para aprofundar o debate», revelou.

11.7.12

Pobreza de crianças e idosos em Portugal preocupa Conselho da Europa

in TSF

Segundo o Conselho da Europa, o desemprego e os cortes nos salários e nos benefícios sociais estão na base dos problemas vividos por crianças e idosos em Portugal.
O Conselho da Europa está preocupado com o aumento da pobreza entre crianças e idosos em Portugal por causa do efeito das medidas de austeridade.

Num relatório, o comissário para os Direitos Humanos deste conselho, que visitou Portugal em maio, explicou que a austeridade aplicada em 2010 e 2011 aumentou o risco de pobreza entre as crianças.

Nils Muiznieks, que falou com ministros, sindicatos, especialistas e organizações da sociedade civil, pediu uma proteção social mínima e diz que o Governo tem de ter especial atenção às crianças e idosos.

O desemprego dos pais e os cortes nos salários e nos benefícios sociais estão na base dos problemas das crianças que chegam em cada vez maior número às organizações não governamentais, diz o relatório.

Muiznieks sublinhou ainda que a crise não pode ser desculpa para reduzir os direitos económicos e sociais das pessoas mais vulneráveis.

O comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa teme o crescimento do abandono escolar e do trabalho das crianças e jovens.

Citando várias fontes, o Conselho da Europa referiu que a crise e as medidas de austeridade já levaram várias famílias a recorrer de novo ao trabalho infantil, tendo algumas crianças sido obrigadas a emigrar.

Este comissário sublinhou ainda que os idosos foram também afetados pelas medidas de austeridade, porque passaram a ter menos rendimentos e benefícios sociais.

Por outro lado, os mais velhos viram aumentar os seus custos com a saúde, transportes públicos, gás, eletricidade e alimentação.

Muiznieks aproveitou ainda para aplaudir o programa de emergência social lançado pelo Governo, mas sublinha que pode não ser suficiente para responder a tantas dificuldades.

7.7.12

Martin Wolf: "Portugal continuará a ser pobre se não crescer a 3 ou 4%"

Pedro Araújo, in Dinheiro Vivo

"Não há uma crise orçamental. Esta é apenas a consequência de uma crise financeira de características únicas numa zona monetária e com poucos instrumentos para combatê-la", afirmou Martin Wolf, o famoso colunista do Financial Times que está hoje em Lisboa para dar uma conferência organizada pelo Negócios.

Quanto a Portugal, as ideias de Wolf são simples: colocar o PIB a crescer a 3% ou mais é única solução de longo prazo. “O teste ao sucesso do programa de ajustamento vai residir na capacidade de Portugal regressar a um crescimento verdadeiro”, disse Martin Wolf. “Com o PIB per capita que tem e sendo um membro da União Europeia, Portugal deve ter como objectivo crescer de forma sustentável a uma taxa de 3% a 4% ao ano.

“A Irlanda e Portugal, por esta ordem, estão a ter relativo sucesso a restaurar a confiança”, e começam por isso a ver “o preço do financiamento a descer para níveis aceitáveis.

Os indicadores de Portugal, no que toca ao défice comercial, ao desempenho das exportações, são encorajadores”, salientou Wolf.