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26.12.22

Presidente da República quer que no próximo ano haja menos pobreza

in RTP

O Presidente da República quer que no próximo ano haja menos pobreza e mais desenvolvimento, justiça e paz.

A mensagem foi deixada na cerimónia da entrega da Vela da Cáritas Portuguesa no Palácio de Belém .

O Presidente da República recebeu também o Corpo Nacional de Escutas, para a apresentação da Luz da Paz de Belém.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que sempre que aumentam as desigualdades é a paz que fica em causa.

23.8.21

Cimeira. Plano visa reduzir a pobreza e melhorar a qualidade do emprego

Reportagem de Raquel Morão Lopes, in Antena 1

O compromisso social do Porto é um marco histórico, no entender do primeiro-ministro português.
Terminada a Cimeira Social, as instituições europeias e os parceiros sociais assinaram um acordo com metas específicas a alcançar até 2030, no que à política social diz respeito.

Reduzir a pobreza e melhorar a qualidade do emprego são alguns dos objetivos deste acordo que, apesar disso, não tem valor de lei.

Ainda assim, o tom da conferência de imprensa foi de grande satisfação, o compromisso foi considerado abrangente e ambicioso, e a presidência portuguesa foi alvo de elogios.


31.1.18

Ministro do trabalho fala em “evolução positiva” na redução da pobreza

in Sapo24

Ministro da Segurança Social vai defender na ONU o potencial dos idosos

Cristas pede ao partido que fale para os jovens em Setúbal onde "disruptivo" é ser do CDS
O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social disse à Lusa, à margem de um encontro na ONU, em Nova Iorque, que existe uma "evolução positiva" na redução da pobreza em Portugal.

"É uma evolução positiva, ainda que tenhamos vivido um agravamento da situação [durante os anos da crise]", disse José António Vieira da Silva.

O ministro está em Nova Iorque, para participar na 56.ª sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social da ONU, e lembrou o percurso feito por Portugal no combate à pobreza nas últimas décadas.

"Portugal foi um país que, durante muito tempo, viveu numa situação generalizada de pobreza. Conseguiu sair dessa situação, mas manteve, infelizmente, níveis que são dos mais elevados à escala europeia. Temos ainda 18 por cento de pessoas que, estatisticamente, ao nível da União Europeia, vivem abaixo daquilo que é considerado o limiar da pobreza", explicou o ministro.

"Portugal, que vinha numa tendência descendente desde que há estatísticas europeias a este nível, viu a situação agravar-se durante os anos mais duros desta crise financeira, económica e social. Ainda não temos dados mais recentes, mas os dados de 2016 apontam para uma recuperação e diminuição do número de pessoas em situação de pobreza, principalmente de pessoas em situação de pobreza severa", garantiu o ministro.

Vieira da Silva discursou na segunda-feira na sessão de abertura da 56.ª sessão desta Comissão, a que Portugal se juntou em 2016, e destacou três pilares fundamentais no combate à pobreza: educação, trabalho, e existência de proteção social.

"A combinação dessas três vias é a mais eficaz", adiantou o ministro à Lusa.
Na quarta-feira, o ministro vai apresentar a Declaração Ministerial "A Sustainable Society for all ages: Realizing the potencial of living longer" (Uma sociedade sustentável para todas as idades: Realizar o potencial da longevidade), assinada em Lisboa em a 22 de setembro de 2017 pelos 56 Estados-membros da Comissão Económica das Nações Unidas para a região Europa (UNECE).

O ministro irá apresentar aos restantes estados-membros as três prioridades até 2022 definidas no documento: reconhecer o potencial da pessoa idosa, encorajar o envelhecimento ativo, garantir um envelhecimento com dignidade.

"Pretende-se que as pessoas possam prolongar uma vida de bem-estar, que não se considerem velhas para o trabalho pessoas que tem muito a dar para a sociedade e a si próprias. Trata-se de realizar o potencial de todos e, em particular, dos idosos", explicou Vieira da Silva.
Segundo o ministro, a declaração pretende "minimizar também aquilo que foi, durante muitos anos, um risco de confronto de gerações."

"Os idosos temiam que os jovens lhe viessem tirar o trabalho, os jovens achavam que os mais idosos podiam estar a comprometer o seu futuro. Essa ideia, que durante muitos anos pairou em todas as sociedades, é uma ideia nefasta, negativa, porque a relação entre gerações sempre foi um fator de progresso", explicou.

Vieira da Silva tem ainda prevista, para quarta-feira, uma reunião bilateral com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.


17.5.16

Privação material das famílias diminuiu em 2015, mas estilhaços da crise mantêm-se

Natália Faria, in "Público"

Portugal continua a contar com quase meio milhão de pessoas que se mantêm em risco de pobreza, apesar de trabalharem. O anunciado Complemento Salarial Anual não pode servir de subsídio encapotado às empresas, alerta investigador.

Mais do que a classe média, os pobres foram os mais penalizados pelas políticas austeritárias que vigoraram durante a permanência da troika em Portugal. O inquérito aos rendimentos e condições de vida divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) evidencia isso mesmo, segundo Carlos Farinha Rodrigues, investigador na área da distribuição do rendimento, desigualdade e pobreza.

“As famílias desprotegidas não só não foram isentas do processo de ajustamento como, antes pelo contrário, foram quem mais sofreu com isso, com quebras no rendimento na ordem dos 20%, entre 2009 e 2014”, precisa o economista.

Com o risco de pobreza a estabilizar em 2014 nos 19,5% da população portuguesa (o mesmo valor do ano anterior, o que equivale, ainda assim, a dizer que um em cada cinco portugueses vivia abaixo do limiar de pobreza, calculado em 422 euros/mês), o pouco que se conhece de 2015 aponta para a estabilização e mesmo para alguma melhoria nos indicadores. A taxa de privação material, por exemplo, que mede a carência forçada de pelo menos três de uma lista de nove itens (que vão da capacidade para pagar atempadamente as despesas ou financiar uma refeição de carne ou de peixe pelo menos de dois em dois dias), recuou dos 25,7%, em 2014, para os 21,6% de 2015.


Do mesmo modo, a taxa de privação material severa (carência em quatro dos nove itens) desceu para os 9,6% em 2015, contra os 10,6% de 2014 e os 10,9% de 2013. Porém, se recuarmos a 2012, aquele valor fixa-se nos 8,6%. E por isso é que Carlos Farinha Rodrigues afirma que nenhuma destas melhorias permite varrer para debaixo do tapete os estilhaços da crise.

“As políticas de austeridade fizeram recuar os indicadores, em muitos casos, para níveis que não existiam desde o início do século. É verdade que o cume do agravamento dá-se em 2013, mas a melhoria que é possível detectar é só relativamente ao ano imediatamente anterior, ou seja, ainda estamos longe do ponto em que estávamos em 2008 e 2009.”

Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população afectada situava-se nos 26,6% em 2015. É um recuo relativamente aos 27,5% do ano anterior. Mas, como aponta Farinha Rodrigues, “a percentagem de crianças e jovens em situação de pobreza continua altamente preocupante”. O INE conta que é nas famílias com rendimentos inferiores a 428 euros mensais que se encontra a proporção mais elevada de menores (25,2%), “o que reflecte as condições relativamente desfavorecidas das famílias com crianças”. Dito doutro modo, o risco de pobreza afectava 24,8% dos menores de 18 anos.


Trabalhadores, mas pobres
Os desempregados continuavam a ser, porém, os mais ameaçados pela pobreza. E aqui houve um agravamento. Se, em 2013, a pobreza afectava 40,5% dos desempregados, no ano seguinte eram já 42% os desempregados que viviam com menos de 422 euros por mês. E 60,4% viviam com menos de 610 euros mensais. Mas o que choca mais Carlos Farinha Rodrigues é a persistência dos chamados trabalhadores pobres. Entre a população empregada, 10,9% viviam em 2014 abaixo do limiar de pobreza. São cerca de 495 mil trabalhadores. No ano anterior, a percentagem era de 10,7 e, em 2011, era de 9,9.

“Há uns anos, ter um emprego era um factor de isenção em relação à pobreza e isso hoje não acontece.” Porquê? “Porque se reforçou a componente de baixos salários do nosso modelo económico durante o período austeritário e porque o processo de ajustamento reforçou a fragilização das relações laborais.”

A que ponto os mais recentes aumentos do salário mínimo nacional (de 485 para 505 euros, em Outubro de 2014 e até 31 de Dezembro de 2015, e para os 530 euros, desde 1 de Janeiro) vieram melhorar a situação é algo que se perceberá mais tarde. Mas o economista lembra que “o que é necessário é todo um processo de dignificação do factor trabalho que permita passar deste modelo assente em baixos salários para um modelo mais socialmente sustentado”. “O que se passa configura uma violação dos direitos de cidadania das pessoas”, enfatiza, para defender que “estes níveis de pobreza são um travão ao próprio desenvolvimento económico”.

No início deste ano, o Governo anunciou a criação do Complemento Salarial Anual (CSA) precisamente para responder aos quase meio milhão de portugueses que vivem abaixo do limiar de pobreza, apesar de trabalharem. O novo apoio social funcionaria através de um crédito fiscal àqueles trabalhadores.

Ao PÚBLICO, fonte do Ministério das Finanças respondeu que a medida consta do Programa do Governo, “não tendo a sua implementação sido equacionada para 2016”. Além disso, acrescenta-se na mesma nota, no Programa de Estabilidade para 2016-2020 que o Governo entregou em Abril no Parlamento “está prevista a atribuição de complementos salariais a famílias de baixos rendimentos”.

O importante aqui, para Farinha Rodrigues, será que esta medida seja “extremamente cuidadosa para não se transformar numa forma de as empresas reduzirem, às custas do Estado, os problemas que têm para resolver”. Dito doutro modo, o novo apoio social não poderá “ser pretexto para adiar ou evitar as alterações estruturais que o país tem de introduzir para que o mercado de trabalho deixe de ser gerador de desemprego ou pobreza”.

10.7.15

Como reduzir a pobreza? Atribuir crédito fiscal às famílias em vez de subir salário mínimo

in RR

A recomendação para apoiar as famílias de baixos rendimentos é feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Diz que o salário mínimo em Portugal é "relativamente alto".

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recomenda a Portugal a atribuição de um crédito fiscal para famílias com baixos rendimentos que, considera, mais eficaz na redução da pobreza do que o aumento do salário mínimo.

Numa análise elaborada no âmbito das Perspectivas do Emprego 2015, e divulgada esta quinta-feira, a organização defende que esta subida pode levar à perda de empregos. Em alternativa sugere "a criação de créditos fiscais pode ser uma forma mais eficaz para apoiar as famílias de baixos rendimentos".

"Um crédito fiscal dirigido às famílias de baixos rendimentos reduziria a dispersão de rendimentos, sem reduzir a procura de trabalho. Ao reforçar os incentivos ao trabalho, é provável que o impacto no emprego seja positivo", afirma a OCDE. Mas esta pode não ser uma medida fácil de aplicar, uma vez que estas famílias já estarão isentas do pagamento de IRS. Assim, sobram os impostos sobre o consumo, mais complicados de devolver.

Salário mínimo "relativamente alto"
Em 2013, o salário mínimo nacional já era" relativamente alto" quando comparado com o salário médio em Portugal, e numa comparação com a média dos países da OCDE, destaca a organização.

O salário mínimo subiu para os 505 euros em Outubro de 2014, um aumento que foi acompanhado pela descida de 0,75 pontos percentuais da taxa social única (TSU) paga pelas empresas para aqueles trabalhadores que já auferiam o salário mínimo.

Ainda de acordo com a OCDE, é recomendado a Portugal que invista em políticas activas de emprego, uma vez que as medidas actualmente em vigor têm tido pouco sucesso na dinamização do mercado de trabalho.

Apesar de o país ter registado uma descida da taxa de desemprego por sete trimestres consecutivos, os dados mais recentes sugerem "a possibilidade de um abrandamento" na recuperação do mercado de trabalho. "Embora seja muito cedo para dizer, isso [a descida do desemprego e subida do emprego] poderá ser temporário, uma vez que a recuperação económica deverá concretizar-se no final de 2015 e 2016", estima a organização.