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11.5.23

Ao fim de 18 meses, preços dos alimentos pararam de subir em Abril

Sérgio Aníbal, in Público


Ainda antes da eliminação do IVA em 46 bens essenciais, os preços dos alimentos em Abril deixaram de subir. Contudo, a inflação homóloga destes produtos continua acima de 15%.

Ao fim de 18 meses consecutivos de subidas, os preços dos alimentos em Portugal registaram em Abril a sua primeira descida. Um recuo muito ligeiro dos preços, de apenas 0,1%, que ocorreu, na sua grande maioria, antes da introdução do IVA zero nos bens alimentares essenciais.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta quinta-feira que os preços dos bens e serviços em Portugal registaram, durante o passado mês de Abril, uma subida de 0,6%, o que permitiu que a taxa de inflação homóloga em Portugal diminuísse de 7,4% em Março para 5,7% em Abril.

Estes dados tinham sido apresentados na estimativa rápida publicada pelo INE no final de Abril e revelam, no cálculo da inflação homóloga, o elevado efeito base registado em Abril. Nesse mês do ano passado, devido ao início da guerra na Ucrânia, os preços tinham subido de forma muito acentuada e isso reflecte-se agora numa descida, em Abril deste ano, da taxa de variação face ao mesmo mês do ano passado.

De qualquer forma, são também evidentes os sinais de recuos dos preços de alguns bens depois de vários meses consecutivos de fortes subidas. E a principal novidade, em Abril, surgiu nos bens alimentares, cujos preços registaram uma variação mensal negativa de 0,1%.

O recuo muito ligeiro é o primeiro desde Setembro de 2021. Os bens alimentares tinham vindo a dar, nos 18 meses anteriores, um dos principais contributos para a inflação alta que se tem vindo a registar em Portugal. Aliás, a descida agora registada não impede que, em termos homólogos, a variação dos preços dos alimentos continue a ser muito elevada. Entre Abril de 2022 e Abril de 2023, os alimentos tornaram-se 15,5% mais caros. Mesmo assim, esta variação homóloga regista um abrandamento face aos 20% registados em Março.

A evolução é diferente consoante o tipo de alimentos. De acordo com os dados do INE, a maior descida de preços mensal ocorreu nos produtos hortícolas, com uma variação negativa de 4,4%. Descidas mais moderadas ocorreram nas frutas (-0,5%) e no leite, queijo e ovos (-0,2%). Já na carne (1,5%), no açúcar (0,6%) e no peixe (0,3%), os preços voltaram a subir.

Em todos os casos, contudo, quando a comparação é feita com aquilo que acontecia há um ano, os agravamentos de preços continuam a ser notórios. A inflação homóloga dos produtos hortícolas passou de 35,4% em Março para 24% em Abril.

O INE assinala igualmente que os dados obtidos em Abril não levam ainda em conta grande parte do efeito que a introdução de um IVA zero nos bens considerados essenciais possa vir a ter. "Importa referir que a grande maioria dos preços considerados no apuramento do Índice de Preços no Consumidor [IPC] de Abril foram recolhidos antes da entrada em vigor da isenção de IVA num conjunto de bens alimentares essenciais, pelo que os eventuais efeitos desta medida só terão efectivamente impacto no IPC em Maio", diz o INE.

Também os produtos energéticos continuaram a revelar um recuo importante, semelhante ao registado já nos meses anteriores. De acordo com o INE, os preços destes bens, que incluem a electricidade e os combustíveis, caíram 3,2% em Abril, com a variação face ao mesmo mês do ano passado a ser já claramente negativa, de -12,7%.

No sentido inverso, a classe de bens e serviços onde se assistiu, durante o mês de Abril, a uma maior aceleração dos preços foi a dos restaurantes e hotéis. Aqui, os preços subiram 4,1% entre Março e Abril, a variação mais acentuada desde Abril do ano passado e que foi responsabilidade, quase inteiramente, dos serviços de alojamento (que incluem hotéis e alojamento local) e cujos preços aumentaram 23% face a Março. Em termos homólogos, a variação dos preços dos serviços de alojamento, passou de 23,5% em Março para 25% em Abril, ganhando um papel cada vez mais expressivo na manutenção de uma inflação elevada no país.

8.3.23

“A mensagem é clara, o Estado está atento”: quase 40 brigadas da ASAE fiscalizam preços nos hiper e supermercados de todo o país

Por Lusa, in Expresso

O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, explicou que esta ação inspetiva da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) tem “como pano de fundo que Portugal tem uma inflação geral de 8,6%, abaixo da média da União Europeia de 10%, mas, no que respeita aos produtos alimentares, o preço do cabaz aumentou mais do dobro da inflação, 21,1%”, no último ano

Trinta e oito brigadas envolvendo 80 inspetores da ASAE estão hoje no terreno a fiscalizar os preços dos bens alimentares nos hiper e supermercados, face ao aumento de 21,1% do cabaz básico no último ano, mais do dobro da inflação.

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, explicou que esta ação inspetiva da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) tem “como pano de fundo que Portugal tem uma inflação geral de 8,6%, abaixo da média da União Europeia de 10%, mas, no que respeita aos produtos alimentares, o preço do cabaz aumentou mais do dobro da inflação, 21,1%”, no último ano.

“Por isso mesmo, e também porque temos, em alguns produtos, aumentos de 40, 50 e até 70% face ao ano anterior, pretendemos intensificar a fiscalização ao nível dos preços dos bens alimentares”, afirmou o governante.

Naquele que é o primeiro dia do mês do consumidor, Nuno Fazendo avançou à Lusa que estão no terreno 10 brigadas da ASAE no Norte do país, 12 brigadas no Sul e 16 brigadas na região Centro para “fiscalizar no terreno, em supermercados e hipermercados de todo o país, a fixação de preços e as práticas comerciais”.

“Queremos transmitir uma palavra de confiança aos consumidores. O Estado está atento, está a agir e vai intensificar esta ação no terreno”, enfatizou.

De acordo com o secretário de Estado, esta fiscalização dos preços dos bens alimentares “é algo que já tem vindo a ser feito”, sendo que, “nos últimos seis meses, a ASAE desenvolveu uma atividade inspetiva em cerca de 800 operadores, que resultou no levantamento de 40 processos-crime e de cerca de 80 contraordenações”.

“Incluem-se aqui, por exemplo, a fiscalização dos preços fixados em prateleira e dos pagos nas caixas de pagamento dos supermercados”, precisou.

Considerando que “o aumento exagerado dos preços não favorece ninguém, incluindo os próprios operadores económicos”, Nuno Fazenda notou que “os portugueses só vão poder pagar os preços que são comportáveis”, pelo que há que “ter muita atenção ao exagero nos preços a que são vendidos nos produtos alimentares”.

“Este é um esforço que convoca todos. Convoca, seguramente, o Estado e as suas instituições, na regulação e na fiscalização, mas convoca também os operadores, naquilo que diz respeito ao reforço da confiança, da transparência e da responsabilidade social”.

“A mensagem é muito clara: vamos intensificar estas ações ao longo dos próximos tempos. O Estado está atento e a agir na defesa do consumidor e na proteção de uma economia saudável”, sublinhou.