in Porto Canal
As políticas públicas europeias contra a pobreza têm fracassado porque as pessoas nessa situação não são ouvidas, nem participam na sua elaboração, algo que é urgente inverter, disse esta sexta-feira o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal.
“É minha convicção que as políticas para as pessoas, [mas] sem elas, não podem ser efetivamente bem-sucedidas”, disse o padre Agostinho Jardim Moreira enquanto discursava na Cimeira das Pessoas, no Porto.
O padre Agostinho Jardim Moreira frisou que noutras situações sociais são ouvidos os sindicatos e as ordens.
“Já os pobres não têm forma de se expressar”, disse.
“Nós desejamos que haja uma forma de as pessoas participarem naquilo que lhes diz respeito e se lhes diz respeito deviam ser ouvidas”, sublinhou, exemplificando que tal devia acontecer na construção das leis, na monitorização da sua aplicação e na avaliação porque, caso contrário, não se está a tratar estas pessoas de forma inclusiva.
Na sua opinião, não basta de boas intenções, sendo urgente inverter esta tendência e ouvir as pessoas em situação de pobreza não só de forma individual, mas em família para que as políticas tenham sucesso.
Por este motivo, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal defendeu a criação de estruturas e espaços de participação e de diálogo permanente para um trabalho conjunto e integrado.
O responsável recordou que o novo paradigma de luta contra a pobreza é a luta pelo desenvolvimento integral de todo o ser humano.
“Lutar contra a pobreza é um desafio de caráter estrutural que exige uma visão global e uma ação integrada em detrimento de medidas pontuais ou setoriais que aliviam situações de emergência social e minimizam os efeitos da pobreza, mas que não atingem de forma permanente as suas causas”, frisou.
A dimensão social na estrutura europeia surge sempre como um “parente pobre” em prol do crescimento económico, da criação de emprego e consequente criação de riqueza, criticou o padre Agostinho Jardim Moreira.
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21.3.23
Medidas anti-pobreza em Portugal fracassam porque os pobres não são ouvidos, defende rede europeia
8.6.22
Presidente chinês defende "progressos" em matéria de direitos humanos
Yue Yuewei/Xinhua, in Euronews
O Presidente chinês falou por videoconferência com Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos que está em visita oficial de 6 dias à China.
Durante a conversa, Xi Jinping defendeu que o país tem feito "progressos" em matéria de direitos humanos. Isto acontece numa altura em que fugas de informação revelam crimes contra a minoria Uigur, em Xinjiang, tema que não foi abordado por nenhum dos dois na conversa.
As revelações, obtidas a partir de 100 mil documentos da polícia chinesa, foram publicadas por vários meios de comunicação internacionais e dão conta de detenções em massa e condenações arbitrárias de membros Uigur, que se encontram em campos de reeducação. O Governo chinês desmente as acusações e afirma, contudo, que a frequência destes campos é voluntária.
De salientar que a representante da ONU está na China a convite de Pequim até ao próximo domingo. A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos deverá visitar Kashgar e Urumqi, as duas principais cidades de Xinjiang, região que tem estado sob escrutínio mundial nas últimas horas. De referir também que, devido à política 0 Covid-19, adotada pelo país, Michelle Bachelet não deverá passar pela capital chinesa.
Esta visita está a ser criticada por várias organizações de direitos humanos. Também os Estados Unidos da América já se pronunciaram e defenderam que esta deslocação é um "erro".
Durante a conversa, Xi Jinping defendeu que o país tem feito "progressos" em matéria de direitos humanos. Isto acontece numa altura em que fugas de informação revelam crimes contra a minoria Uigur, em Xinjiang, tema que não foi abordado por nenhum dos dois na conversa.
As revelações, obtidas a partir de 100 mil documentos da polícia chinesa, foram publicadas por vários meios de comunicação internacionais e dão conta de detenções em massa e condenações arbitrárias de membros Uigur, que se encontram em campos de reeducação. O Governo chinês desmente as acusações e afirma, contudo, que a frequência destes campos é voluntária.
De salientar que a representante da ONU está na China a convite de Pequim até ao próximo domingo. A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos deverá visitar Kashgar e Urumqi, as duas principais cidades de Xinjiang, região que tem estado sob escrutínio mundial nas últimas horas. De referir também que, devido à política 0 Covid-19, adotada pelo país, Michelle Bachelet não deverá passar pela capital chinesa.
Esta visita está a ser criticada por várias organizações de direitos humanos. Também os Estados Unidos da América já se pronunciaram e defenderam que esta deslocação é um "erro".
12.5.22
Presidente apela à “consciência colectiva” dos povos para valorizar construção da UE
Leonete Botelho, in Público
No Dia da Europa, este ano marcado pelo encerramento da “Conferência sobre o Futuro da Europa”, Marcelo evoca a Declaração Schuman lembrando como a Europa soube “erguer-se dos escombros da guerra”.
Mais de sete décadas depois de Robert Schuman ter proferido a declaração fundadora da União Europeia, em mais um Dia da Europa que este ano é assinalado com encerramento, em Estrasburgo, da “Conferência sobre o Futuro da Europa”, o Presidente da República publica uma nota em que lembra como a Europa soube “erguer-se dos escombros da guerra” e continua hoje a ser capaz de revelar “uma vez mais a sabedoria para ultrapassar nova fase crítica”.
“Neste dia 9 de Maio em que celebramos a Europa, saúdo todos os seus povos que, ao longo de décadas, souberam erguer-se dos escombros da guerra, fortalecer laços de solidariedade democrática, mobilizar comunidades pela paz, liberdade, justiça social, e acolher quem se quis juntar”, escreve Marcelo Rebelo de Sousa.
Citando as “palavras imortais de Robert Schuman”, o Presidente português reafirma que “a Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que
E para que assim continue a ser, o chefe de Estado apela “à consciência colectiva dos nossos povos” para que valorize “a construção da União Europeia como o encontro permanente de múltiplas vontades, capazes de dirimir interesses nem sempre alinhados num interesse comum mais próspero, mais pacífico e mais justo”.
“Por ser na integração europeia que o destino dos povos europeus encontra estabilidade, saibamos preservar os seus inalienáveis valores democráticos, sem nunca vergarmos a quem, dentro e fora da nossa União, os tenta afrontar”, sublinha Marcelo, numa referência ao crescimento das democracias iliberais na UE e também ao conflito, por muitos considerado civilizacional, entre a Rússia e a Ucrânia – e através dela, os aliados europeus e da NATO.
Por isso, insiste: “Hoje, mais do que nunca, as democracias precisam do apoio firme umas das outras, sob pena de sucumbirem aos anátemas nascidos no seu interior ou à força bruta que as cerca de fora.”
O Presidente termina com uma nota do seu “optimismo realista” quanto ao futuro colectivo da Europa, mostrando-se convicto de que “Portugal manterá um papel central no seu aprofundamento” e, por outro lado, “a União revelará uma vez mais a sabedoria para ultrapassar nova fase crítica, com a coesão intacta, as democracias revigoradas, e um apoio popular revitalizado”.
“Por isso hoje, mais do que nunca, a Europa de que precisamos faz de todos os que nela acreditam indispensáveis ao seu futuro”, apela.
No Dia da Europa, este ano marcado pelo encerramento da “Conferência sobre o Futuro da Europa”, Marcelo evoca a Declaração Schuman lembrando como a Europa soube “erguer-se dos escombros da guerra”.
Mais de sete décadas depois de Robert Schuman ter proferido a declaração fundadora da União Europeia, em mais um Dia da Europa que este ano é assinalado com encerramento, em Estrasburgo, da “Conferência sobre o Futuro da Europa”, o Presidente da República publica uma nota em que lembra como a Europa soube “erguer-se dos escombros da guerra” e continua hoje a ser capaz de revelar “uma vez mais a sabedoria para ultrapassar nova fase crítica”.
“Neste dia 9 de Maio em que celebramos a Europa, saúdo todos os seus povos que, ao longo de décadas, souberam erguer-se dos escombros da guerra, fortalecer laços de solidariedade democrática, mobilizar comunidades pela paz, liberdade, justiça social, e acolher quem se quis juntar”, escreve Marcelo Rebelo de Sousa.
Citando as “palavras imortais de Robert Schuman”, o Presidente português reafirma que “a Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que
E para que assim continue a ser, o chefe de Estado apela “à consciência colectiva dos nossos povos” para que valorize “a construção da União Europeia como o encontro permanente de múltiplas vontades, capazes de dirimir interesses nem sempre alinhados num interesse comum mais próspero, mais pacífico e mais justo”.
“Por ser na integração europeia que o destino dos povos europeus encontra estabilidade, saibamos preservar os seus inalienáveis valores democráticos, sem nunca vergarmos a quem, dentro e fora da nossa União, os tenta afrontar”, sublinha Marcelo, numa referência ao crescimento das democracias iliberais na UE e também ao conflito, por muitos considerado civilizacional, entre a Rússia e a Ucrânia – e através dela, os aliados europeus e da NATO.
Por isso, insiste: “Hoje, mais do que nunca, as democracias precisam do apoio firme umas das outras, sob pena de sucumbirem aos anátemas nascidos no seu interior ou à força bruta que as cerca de fora.”
O Presidente termina com uma nota do seu “optimismo realista” quanto ao futuro colectivo da Europa, mostrando-se convicto de que “Portugal manterá um papel central no seu aprofundamento” e, por outro lado, “a União revelará uma vez mais a sabedoria para ultrapassar nova fase crítica, com a coesão intacta, as democracias revigoradas, e um apoio popular revitalizado”.
“Por isso hoje, mais do que nunca, a Europa de que precisamos faz de todos os que nela acreditam indispensáveis ao seu futuro”, apela.
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