18.1.09

A crise do gás entre pobres e hospitais da Moldávia

Anatoli Golia, in Jornal Público

Enquanto os políticos deixam arrastar a "guerra do gás", um hospital sem aquecimento na Moldávia, o país mais pobre da Europa, teve de mandar os pacientes para as suas gélidas casas, e as pessoas das aldeias começaram a reunir lenha para acender lareiras.

"Tivemos muito trabalho estes últimos dias", suspira Mikhaïl Kojoukhar, médico responsável do hospital de Doubossary, uma cidade industrial privada de gás entre 7 e 14 de Janeiro, quando as entregas russas de gás foram interrompidas. "Houve doentes com hipotermias e doenças respiratórias. Temos medicamentos mas para estas pessoas isso não chega - têm de estar aquecidas e alimentar-se de comida quente. E não têm isso nem em casa nem no hospital", acrescenta. Cerca de 200 doentes foram enviados para as suas casas, o hospital está fechado e só os médicos de serviço se deslocam ao domicílio dos doentes. A temperatura dos quartos mal atinge os 14 graus. Apenas alguns quartos são aquecidos, os doentes mais graves foram transferidos para uma outra cidade", conta ainda Kojoukhar.

De acordo com este médico, os cortes de gás provocaram vários incidentes mortais. Um habitante de 70 anos da aldeia de Doïban, perto de Doubossary, morreu asfixiado na sexta-feira quando o seu cobertor eléctrico se incendiou. Na quinta-feira, uma mulher de 60 anos morreu em Tiraspol porque as suas roupas pegaram fogo em cima de um aquecimento.

Nas localidades onde há uns anos se começou a cozinhar a gás, volta agora a usar-se lenha, como no passado. "A lenha é cara, não tenho dinheiro, a minha reforma chega apenas para o pão e o leite", queixa-se Klavdia Platsynda, de 67 anos.
"Gastei muito dinheiro para fazer chegar o gás à minha casa, essa despesa teria sido suficiente para me abastecer em lenha e carvão por vários anos", deplora. "Os políticos discutem e nós sofremos."

Em Doïban, Vassili Boïko, outro reformado, puxa um trenó carregado de lenha enquanto a sua mulher empurra."Fazemos o que podemos. Não temos outro meio de transporte e esta actividade aquece-nos. De dia, apanhamos lenha. De noite, cozinhamos e juntamo-nos à lareira", conta. AFP