5.2.08

"Invisíveis aos olhos dos adultos"

Pedro Antunes Pereira, in Jornal de Notícias

Congresso deu voz às crianças


"As crianças são quase invisíveis na sociedade portuguesa, ainda que a situação de hoje seja melhor do que a do passado". A ideia é defendida pela presidente do primeiro congresso internacional em estudos da criança que ontem fechou portas e durante três dias decorreu na Universidade do Minho (UM), em Braga, juntando mais de 730 especialistas mundiais.

Paula Cristina Martins é da opinião que "é importante dar visibilidade e expressão às crianças que em diferentes contextos têm uma opinião específica sobre os seus mundos".

Mas há um caminho ainda a percorrer "A sociedade é um espaço que não é limitado a um só olhar mas é um Mundo em que crianças e adultos vivem em conjunto e ao qual está associado uma pluralidade de olhares que devem ser integrados. A solução está no sucesso desta integração". Para Paula Martins "fala-se muitas vezes de crianças como se fossem todas homogeneizadas. Mas o que ficou patente neste congresso é que há uma diversidade de mundos que condicionam a forma de ser crianças. São mundos dentro do próprio Mundo", afirma ao JN.

Cabe ao mundo dos adultos, "do qual elas retiram a sua cultura e a sua educação, servirem de mediadores privilegiados dos seus interesses". Segundo a especialista da UM, "a tensão está entre a igualdade de direitos e a diferença dos contextos em que cada um vive. O papel dos adultos é precisamente criar condições para que os direitos sejam universais para todos, levando em conta a especificidade de cada um."

Mais de 730 especialistas mundiais apresentaram perspectivas diversas sobre um objecto comum a criança. Psicólogos, sociólogos, pediatras, arquitectos e enfermeiros transformaram o campus universitário num amplo local de debate para um melhor conhecimento da criança.

Paula Cristina Martins reconhece que "os direitos das crianças não estão ser respeitados aqui nem em nenhuma parte do Mundo mas não podem ser desligados das culturas dos adultos. Enquanto as coisas não forem encaradas de forma natural, os direitos não serão cumpridos."