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25.7.23

Até onde pode ir Portugal nas energias renováveis?

Miguel Prado, in Expresso

A revisão do Plano Nacional de Energia e Clima para 2030 fixa metas que implicarão um ritmo de instalação de parques solares e eólicos como Portugal nunca teve. Mas os objetivos estão longe de esgotar o potencial técnico do país nas renováveis


Portugal tem feito um caminho de reforço, ano após ano, da capacidade instalada para produção de eletricidade renovável, mas até onde pode ir o país nessa expansão? No plano simbólico o céu é o limite, até porque é sobretudo na energia solar e eólica que estarão os grandes investimentos. E no plano técnico? Um estudo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) mostra que o potencial do território nacional vai muito além das metas já traçadas pelo Governo.

A apresentação feita pelo LNEG este mês sobre o potencial técnico das renováveis em Portugal traça patamares que, à data de hoje, excedem em muito as necessidades de consumo do país. Mas mostra, ao mesmo tempo, que há um largo espaço para aproveitar melhor as fontes endógenas. Só na energia solar centralizada o LNEG estima que Portugal tenha um potencial de 46 a 169 gigawatts (GW), o que corresponde a 28 a 105 vezes a capacidade atualmente em operação em centrais fotovoltaicas.

O estudo também se debruçou sobre o potencial da energia solar distribuída (ou seja, as instalações mais próximas de pontos de consumo, aproveitando coberturas de edifícios ou terrenos próximos, por exemplo). E aí o potencial técnico do país ascende a 23,3 GW, ou seja, mais de 20 vezes a capacidade descentralizada que já está operacional em Portugal.

Para chegar a estes números do potencial descentralizado os investigadores do LNEG estudaram o espaço já artificializado no país, incluindo áreas industriais, edifícios comerciais, prédios residenciais e de uso misto, vivendas, edifícios de saúde, de ensino, turismo, culturais e militares e outros usos do solo. E concluíram que tecnicamente, aproveitando todas essas áreas, se poderia instalar em Portugal 23,3 GW de painéis fotovoltaicos, que gerariam perto de 37 terawatt hora (TWh) de eletricidade por ano (quase três quartos do consumo atual do país).

Já no que toca a produção fotovoltaica centralizada, o trabalho do LNEG aponta para um potencial técnico de 46 a 169 GW, que poderiam gerar 78 a 278 TWh anuais de eletricidade (muito acima do consumo do país, que ronda os 50 TWh por ano). Para estas contas o LNEG excluiu áreas com declives superiores a 3% e áreas protegidas, entre outros critérios.

Mas o vasto intervalo considera diferentes abordagens. O potencial de 46 GW já considera a exclusão de todas as áreas que hoje são reserva agrícola nacional (RAN) e reserva ecológica nacional (REN), bem como os espaços ocupados com culturas temporárias de sequeiro e regadio e sistemas aquíferos, excluindo também uma faixa de 500 metros em torno de habitações e prédios. Já o potencial de 169 GW apenas exclui a superfície neste raio de 500 metros de edifícios.

Os autores do estudo admitem que este exercício (que o LNEG tenciona atualizar numa base anual) tem um conjunto de limitações, nomeadamente um elevado grau de incerteza associado à estimativa de áreas cobertas (para energia solar distribuída) e da fração dessas coberturas que é tecnicamente passível de ser usada.

Este será um ponto crítico, já que muitos telhados não estão estruturalmente preparados para receber o peso dos módulos fotovoltaicos, além de poderem ter já estruturas e equipamentos que inviabilizam a total ocupação com painéis solares. O sombreamento de parte das coberturas também pode diminuir consideravelmente a área de facto útil para novas instalações fotovoltaicas.
CAPACIDADE VIÁVEL “SEGURAMENTE INFERIOR” AO POTENCIAL TÉCNICO

Pedro Pestana de Aguiar, administrador da Prosolia Energy, lembra que a aposta nas renováveis “permite baixar o custo de energia e atrair indústrias eletrointensivas, ao mesmo tempo que reduz as importações de combustíveis (carvão, gás natural) e reduz a dependência energetica”.

O gestor ressalva que o potencial apontado pelo LNEG é “teórico”, porque não contempla as especificidades dos terrenos usados nos projetos solares, nem considera os obstáculos e sombras que possam existir nas áreas contabilizadas. “Entrando em conta com estes factores, a capacidade realmente viável será seguramente inferior”, diz ao Expresso o gestor da Prosolia, que juntamente com a Iberdrola está a desenvolver a central solar Fernando Pessoa, em Santiago do Cacém, que terá mais de 1 GW de capacidade e será a maior do país.

José Allen Lima, consultor na área da energia, admite que nas renováveis há em Portugal “um potencial interessante, mas que tem muitos constrangimentos: equipar os telhados citadinos com fotovoltaicas, zonas de grande densidade de consumo”. “É fácil em estabelecimentos de serviços ou mesmo fabris, mas difícil em condomínios. Teria que haver intervenção do governo para ajudar a abrir esta possibilidade, tornando obrigatório deixar preparados novos edifícios para isso (tal como para carga de veículos elétricos), e permitir o aluguer de telhados para instalação, independentemente de a venda da energia produzida ser feita no prédio e também fora dele. Adicionalmente poderia ser útil a facilidade de instalação de algumas baterias locais, para prolongar o uso para horas noturnas”, sugere ao Expresso.

Segundo José Allen Lima, uma aposta deste género, planeada “de forma equilibrada”, permitiria “poupar investimento em rede de transporte e de distribuição” e evitar perdas nestas infra-estruturas. “Sai mais barato do que a eólica offshore e evita os problemas, que já se avizinham, de grande ocupação de terrenos e impacto paisagístico dos sistemas fotovoltaicos de grande escala”, acrescenta.

Ainda no domínio da energia solar, o LNEG estudou o potencial do país para centrais de concentração, tomando como modelo a tecnologia que usa coletores com cilindros para armazenar energia térmica e poder usá-la a qualquer hora para produzir eletricidade e injetá-la na rede a qualquer momento e não apenas quando há sol. Aqui, considerando as áreas disponíveis no país com maior radiação solar (um potencial superior a 1800 kilowatt hora por metro quadrado e por ano), os investigadores da instituição concluíram que o potencial técnico do país permitiria instalar até 62,7 GW.



Contudo, esta é uma opção ainda pouco madura, quando comparada com os convencionais painéis fotovoltaicos (que injetam instantaneamente na rede, a menos que tenham acoplados sistemas de baterias). Dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) indicam que Portugal conta com apenas 15 megawatts (MW), ou 0,015 GW, de capacidade solar de concentração. E mesmo o PNEC2030 considera volumes relativamente reduzidos de nova capacidade nesta área.

22.6.23

Energias renováveis: Portugal é um país de prioridades trocadas?

História de José Gomes Ferreira, in Expresso

Enquanto milhares de milhões dos fundos comunitários são canalizados para os poderosos interesses da energia, o Governo toma decisões de milhares de milhões de euros que vão condicionar o futuro do país durante várias gerações. Esta semana no Negócios da Semana em podcast a análise de Luís Todo Bom, engenheiro e antigo secretário de Estado da Indústria e Energia, Pedro Amaral Jorge, engenheiro e presidente da APREN, e João Joanaz de Melo, professor do Ambiente e investigador do CENSE. Oiça aqui o programa de José Gomes Ferreira

Enquanto andamos todos entretidos a discutir o folclore da política, o Governo toma decisões de milhares de milhões de euros que vão condicionar o futuro do país durante várias gerações, sem praticamente nenhuma discussão pública. E enquanto milhares de milhões dos fundos comunitários são canalizados para os poderosos interesses da energia, o Ministério e a Agência do Ambiente impedem a aprovação de pequenas barragens e até charcas para rega numa altura em que mais de metade do país enfrenta uma grave seca. Luís Todo Bom, engenheiro e antigo secretário de Estado da Indústria e Energia, Pedro Amaral Jorge, engenheiro e presidente da APREN, e João Joanaz de Melo, professor do Ambiente e investigador do CENSE, são os convidados de José Gomes Ferreira no Negócios da Semana.

Negócios da Semana é um programa de José Gomes Ferreira. Os termos e realidades da Economia nacional e internacional explicados todas as semanas na SIC Notícias. Passa na televisão quarta-feira, às 23h, e é publicado em podcast na quinta. Ouça mais episódios:

11.11.22

Contributos dos investigadores do IPG sobre envelhecimento activo, migrações e energias renováveis

in A Guarda

Encontro decorreu em Turim

Quatro investigadores do IPG - Instituto Politécnico da Guarda estiveram em Turim, num encontro da UNITA, de 25 a 28 de Outubro, onde apresentaram os seus contributos científicos nas áreas do envelhecimento activo, das migrações e das energias renováveis. A UNITA é uma aliança que une instituições de ensino superior de cinco países europeus – Portugal, Espanha, França, Itália e Roménia – que têm em comum a sua localização em zonas transfronteiriças e de montanha.

Os investigadores do IPG participaram em três painéis de debate: “Migração: Cidadania Europeia e Saúde”, que contou com a participação do docente e investigador Pedro Gouveia da Fonseca; “População Envelhecida”, no qual participaram as investigadoras Carolina Vila-Chã e Fátima Roque; e “Tecnologias Verdes: Energias Renováveis e a Transição Verde”, que contou com a intervenção do investigador António Costa.

Fátima Roque, docente e investigadora no IPG, disse que “foi uma experiência muito enriquecedora! A participação neste encontro da UNITA permitiu-nos apresentar os nossos projectos de investigação e ter uma visão mais abrangente dos projectos que têm sido desenvolvidos noutros países na área do envelhecimento saudável, e que também poderão ser implementados no nosso território”, afirma. “Estes dias foram também importantes para trocas de ideias entre as instituições de ensino superior no sentido de desenvolverem parcerias e apresentarem candidaturas a projectos europeus”.

A rede UNITA – Universitas Montium tem como universidades fundadoras a Universidade da Beira Interior, a Universidade de Saragoça, a Universidade de Turim, a Universidade de Savoie Mont-Blanc, a Universidade de Pau et Pays de L’Adour e a Universidade de Timisoara. O objectivo é discutir e partilhar problemas comuns que dificultam o desenvolvimento das zonas rurais, montanhosas e transfronteiriças, em que estas instituições se inserem, e ainda definir novas estratégias de desenvolvimento sustentável. Em 2021, o IPG passou a integrar a rede UNITA, como membro associado, a convite da Universidade da Beira Interior.

26.8.22

Dez projetos de empreendedorismo social incubados em Braga

Luís Moreira, in JN


O Human Power Hub - Centro de Inovação Social de Braga (HPH) vai acolher dez projetos de empreendedorismo.

Promoção da literacia financeira de pessoas infoexcluídas, responsabilidade social corporativa, apoio à mobilidade, inclusão pela música, intercâmbio de gerações, envelhecimento ativo, segurança em casa, viveiro de aves exóticas, produtos para a pele e inserção social de comunidades desfavorecidas. São estes, em síntese, os objetivos dos dez projetos de empreendedorismo social que vão subscrever, em setembro, contratos de incubação no Human Power Hub - Centro de Inovação Social de Braga (HPH) do Município local. O Centro recebeu este ano a visita do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Carlos Videira, administrador executivo da empresa municipal Bragahabit, adiantou ao JN que as três melhores ideias em incubação, depois de um período de aceleração do projeto, beneficiam de incentivos financeiros de 2500, 1500 e 1000 euros. Os projetos a incubar, que terão de ser financeiramente sustentáveis, são: Binario/App de Gestão de Negócios: Criação de uma app de apoio à criação e gestão de empresas, desde a elaboração de planos de negócios, ao cálculo de indicadores e mapas de reporte, e à (re)definição da estratégia; DITANS: proposta de Responsabilidade Social Corporativa aliada à prática do Serviço Social, da Psicologia e da Formação, visando a capacitação do capital humano e das organizações; 50+ On: A força da economia prateada é uma realidade assim como o envelhecimento mundial, pelo que, a proposta é a de integrar numa plataforma digital serviços e produtos de necessidade e interesse do público maduro.

A quarta iniciativa chama-se "Título dos 0 aos 100 -Intercâmbio de Gerações: Ambientes multigeracionais" e visa "promover a solidariedade e fortalecer a equidade entre as gerações através da criação de espaços de partilha, numa ótica intergeracional que visa a partilha, e aquisição de novos saberes e competências".

Segue-se o "DESCOMPLI-CAR" um projeto que pretende melhorar a qualidade de vida da população sénior ou mais jovem, com algum tipo de limitação, do concelho. Visa aumentar a sua autonomia favorecendo o envelhecimento ativo, confiança e bem-estar. Incluindo na condução dos seus próprios veículos.

A sexta ideia intitula-se "Mais Seguro em Casa", um projeto focado em estratégias de envelhecimento ativo e de cuidados globais de saúde à população sénior no domicílio. Quer "garantir cuidados de saúde básicos e vigilância/deteção precoce de problemas; capacitar as famílias e cuidadores informais para a prestação de cuidados; diminuir a solidão dos idosos; contribuir para o "descanso do cuidador"; retardar a necessidade de institucionalização".

Segue-se o (Re)construir, que se propõe "desconstruir preconceitos face a minorias discriminadas. Convida os cidadãos a uma experiência imersiva (teatro do labirinto) e reflexiva (teatro do oprimido) de forma a construir crenças e comportamentos tolerantes".

A oitava proposta é o "Dzanga Aventura Psittacus", a criação de um viveiro de aves exóticas, psitacídeos, num local em condições ambientais próximas do seu habitat natural, promovendo a interação com a pessoa humana e a sua conservação.

Já o "Humble Bee Studios" é um estúdio de Música/ Hub criativo de várias vertentes artísticas, e também um coletivo de produção musical. Nasceu em 2021 em Braga, num espaço abandonado, reerguido pelas mãos dos fundadores e sócios.

O elenco de projetos culmina no "Búrios essências de vale do homem", e que consiste numa gama terapêutica para cuidar da pele e enfermidades. Feito artesanalmente com plantas e matérias-primas naturais, apresenta boiões artesanais e reutilizáveis.


5.7.22

O mundo está a arder. Precisamos de uma revolução das renováveis

 António Guterres, opinião, in Público

7.2.17

Governo anuncia investimento de 800 milhões nas energias renováveis

in Sol

O governo revelou este domingo que vão arrancar novos projetos em energias renováveis com uma capacidade instalada de cerca de 750 megawatts e um investimento potencial superior a 800 milhões de euros.

Segundo o Ministério da Economia, "a par dos 380 megawatts de licenças para centrais solares, sem tarifas subsidiadas pelos consumidores e com cauções já entregues pelos promotores, o governo aprovou 41 megawatts relativos a três centrais de biomassa".

Portugal teve, em 2015, uma quota de 27% de energias renováveis no mix energético nacional, a sétima maior da União Europeia que, no seu conjunto, chegou aos 16,4%.

Desde 2013 que a quota de energia proveniente de fontes renováveis tem aumento constantemente (25,7% do consumo final bruto de energia), ano em que estava já ultrapassada a meta de pelo menos 20% até 2020.

19.2.14

UE está a desperdiçar sol e vento portugueses

Erika Nunes, in Jornal de Notícias

A União Europeia deve dar "apoios significativos" à interligação da Península Ibérica com o resto da Europa, quer para a energia elétrica, quer para o gás natural, e isso deve fazer parte do pacote de políticas da UE até 2030, defendeu Jorge Moreira da Silva, ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e da Energia, na Conferência "Gás Natural em Portugal", a decorrer na Alfândega do Porto.

"Já falhámos a meta dos 10% de interligação [elétrica] na Península Ibérica - toda a Europa cumpre com os países vizinhos, nós só temos 1,6% - e o objetivo para 2030 é agora de 25% e não queremos falhar", apontou o ministro, adiantando que o apoio da UE para essa fase foi aprovado. Até o objetivo ser concluído, a Europa está a perder a oportunidade de aproveitar a "produção das renováveis que, em Portugal, são abundantes e podem ajudar outros países a suprir as suas quotas nacionais a partir de parceiros".

Leia também: "Plano Nacional de Barragens não vai ter custos para o contribuinte"


O ministro alertou, ainda, que, no que respeita ao gás natural, é "prioritário concretizar a terceira interligação [com Espanha]", mas tal "não será feito enquanto não for resolvido o bloqueio com a França, o que deve ser assumido previamente" e que, considerou, "não é um problema só português ou ibérico", pelo que deverá ser também a UE a "dar um sinal muito significativo no financiamento" da infraestrutura que terá benefícios comunitários. A competitvidade europeia depende, assim, da "eliminação de bloqueios" que nos permitam enfrentar a concorrência. "Nos EUA, o preço da energia elétrica é metade do da UE e o do gás natural é 1/3", disse Moreira da Silva. Em Portugal, adiantou, "o preço do gás natural para o setor industrial está em linha com os preços da UE e é superior ao da UE para o setor doméstico devido a questões fiscais".

"Mas as tarifas podiam subir quase 50% até 2020, se o Governo não tivesse efetuado cortes no valor de 3,4 mil milhões de euros e assumido entre 1,5% e 2% de aumento anual. De um défice tarifário de 4,4 mil milhões de euros vamos passar para uma dívida tarifária em 2015 e abandonar o défice", revelou.

Leia também: Afinal também há petróleo e gás na Europa. mas está debaixo de Paris

O gás natural chega a apenas 25% dos consumidores portugueses e a ampliação da rede será feita, adiantou o ministro, através do "alargamento da distribuição AG [distribuição e armazenamento] a mais 30 municípios" através de pontos de abastecimento. Quanto aos restantes, tal como já tinha sido anunciado, além de o Governo pretender alterar, em breve, as especificações técnicas das botijas de gás "de forma a harmonizá-las com o padrão europeu", mediante os resultados do estudo que está em curso sobre os preços do gás butano e propano em todo o país, o Executivo admite que "poderá ser necessário fixar preços para o gás de botija".

O gás natural é, ainda, considerado uma "solução de transição" no que toca à mobilidade, onde o Governo continuará a apostar na energia elétrica. "Também os fundos comunitários para Portugal 2020 irão dar sinal disso", adiantou Moreira da Silva.


15.1.14

Quase 60% do consumo de eletricidade oriundo de energias renováveis

in Jornal de Notícias

Quase 60% do consumo de eletricidade em 2013 em Portugal foi oriundo de fontes renováveis, um aumento de 20% em relação 20%, refere a Quercus num comunicado emitido esta terça-feira.

A organização ambiental refere que se assistiu a uma "redução do valor de eletricidade importada em 2,8 vezes, o que, na prática, se traduz num decréscimo de 10% do total consumido".

A produção de energia hídrica mais do que duplicou, ao passo que a produção de energia eólica aumentou quase 20% e a fotovoltaica disparou 25% face a 2012, de acordo com a Quercus.

"Não podemos deixar de continuar a apostar nas energias renováveis e na eficiência energética, permitindo a recuperação da economia sem onerar o ambiente. Para tal, é preciso um investimento na sensibilização e um planeamento adequado do setor energético também em prol de uma desejável política climática exigente", afirmou Francisco Ferreira, coordenador do grupo de energia e alterações climáticas da Quercus, citado no comunicado.

A Quercus aponta que a produção de energia através de fontes renováveis foi responsável por 32% de toda a eletricidade produzida em Portugal continental, sendo que em 2012 esta proporção tinha sido de 27%.

Este aumento deve-se sobretudo à energia eólica, que garantiu 23% da produção elétrica, referiu a organização ambiental, estimando que, em cada hora de consumo de eletricidade em 2013, dezanove minutos tiveram origem nestas centrais renováveis, dos quais catorze minutos foram produzidos pela energia eólica.

7.4.12

Há 130 mil empregos em risco nas energias renováveis

in Jornal de Notícias

O presidente do consórcio Eólicas de Portugal, responsável pela instalação de 1200 MegaWatt de potência eólica, afirmou que estão em risco 130 mil empregos na área das renováveis, porque a atividade nacional "está parada".

"Não são 130 mil postos de trabalho que estão em suspenso, estão mesmo em risco para o futuro. Nesta altura, em Portugal está a desinvestir-se, quando o resto do mundo está a investir nas energias renováveis. Cá pararam, estamos em contraciclo", apontou Aníbal Fernandes, em declarações à agência Lusa.

Em causa, afirmou, estão empregos diretos e indiretos na fileira das renováveis, sobretudo hídricas e eólicas, face à "paragem" da atividade, nomeadamente com a revisão dos incentivos, taxas e tarifas anunciada pelo governo.

"Estamos a falar de fábricas de aerogeradores que empregam muita gente, da construção de barragens, da projeção e gestão de parques, entre outros", disse ainda, à margem da visita de um grupo de seis deputados do parlamento federal alemão às fabricas da Enercon em Viana do Castelo.

Em Portugal, o consórcio Eólicas de Portugal (ENEOP) realizou um investimento de 188 milhões de euros em novas unidades industriais, lideradas pela alemã Enercon, número um mundial na produção de aerogeradores.

Aquele consórcio, que junta ainda empresas como a EDP e a Finerge, criou, desde 2006, cerca de 1930 postos de trabalho diretos e mais 5000 indiretos.

Tarifa mais baixa da Europa

Da licença atribuída de 1200 MegaWatt (MW) de potência eólica, 840 MW já estão ligados à rede elétrica nacional, através de 205 quilómetros de linhas de alta tensão que o consórcio construiu, num investimento de 38 milhões de euros.

Só em Viana do Castelo, representa atualmente cerca de 1400 postos de trabalho, em cinco fábricas da Enercon.

Por este volume de investimento, o consórcio ENEOP recebe 67 euros por cada MegaWatt hora produzido nos respetivos parques. Na Alemanha, recordou Aníbal Fernandes, esse valor é de 96 euros, em Itália de 140 euros e na Bélgica de 120 euros.

"A nossa é a tarifa mais baixa de Europa. Contrariamente à cacofonia que algumas pessoas querem instalar no país, porque têm agendas escondidas e são intelectualmente desonestas", criticou Aníbal Fernandes.

A isto acrescentou: "As tarifas que estão hoje em vigor e que algumas pessoas criticam como o monstro elétrico do Sócrates, foram publicadas pelo governo de Durão Barroso".

Para o presidente da ENEOP, o Estado tem agora que honrar os compromissos assumidos. "O que queremos é que o valor da tarifa que nos foi consignada, num concurso legal e transparente, nos seja garantido nos pontos de ligação à rede. Mais nada", sublinhou.

Apesar da paragem nos financiamentos e na política de diversificação das fontes de energias renováveis - que afirma estar a acontecer desde o Verão passado -, o presidente da ENEOP admitiu que só foi possível manter os postos de trabalho entretanto criados através do incremento das exportações, nomeadamente pela Enercon.

"É aí que está o mérito dos acionistas da ENEOP. Quando os bancos desapareceram, foram os acionistas a injetar 600 milhões de euros de capitais próprios e a Enercon a antecipar as exportações", disse ainda.

Atualmente, mais de metade da produção da Enercon é para exportação, por via marítima, apenas para Irlanda, França e Itália.