O espetro noticioso desta crónica — cujo intuito não mais é do que decifrar o tema que está na ordem dia — tinha várias possibilidades. Desde a notícia de que Fisco começa a pagar reembolsos do IRS esta semana, passando pelo facto de o Ministério Público ter deixado cair acusação de homicídio no caso Ihor Homeniuk (cuja leitura do acórdão está marcada para 10 de abril) ou até à reação oficial do PSD à decisão do juiz Ivo Rosa relativamente à Operação Marquês, pela voz do líder Rui Rio ("é a Justiça a não funcionar").
Mas o que pesou mais para alimentar as linhas que se seguem foi o estudo revelado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, A Pobreza em Portugal – Trajectos e Quotidianos. É que a informação nele contida é dura, crua e reflete a triste realidade de muitos e demasiados portugueses. Porque ter emprego não é sinónimo de fugir a esta realidade ou não estivesse um em cada três trabalhadores a viver numa situação de pobreza.
Por outras palavras, o estudo indica que um quinto da população portuguesa é pobre e a maior parte das pessoas em situação de pobreza... trabalha. E somos confrontados com quatro perfis de pobreza em Portugal:
Reformados: 27,5%
Precários: 26,6%
Desempregados: 13%
Trabalhadores: 32,9%
Neste último perfil estão trabalhadores pobres que até conseguem ter ligações a empresas com mais de 10 ou 20 anos. O problema reside no facto de ganharem pouco ou demasiado pouco. E o que ganham têm de dividir com a família, em muitos casos, numerosa.
"Se nos debruçamos sobre os fatores que levam as pessoas entrar na pobreza, são os mesmos que impedem que elas saiam", disse, em declarações à agência Lusa, o coordenador do estudo, Fernando Diogo, professor de Sociologia na Universidade dos Açores. O investigador acrescenta ainda que "em Portugal, há uma pobreza tradicional: é persistente e transmite-se".
E esta transmissão é feita a partir dos "três D": Desemprego, divórcio e doença. Esta última, aliás, surpreendeu bastante o investigador e a equipa que o ajudou a elaborar o estudo. É que não se trata somente de um problema individual — este ganha lastro no círculo familiar, a par daquilo que acontece com o desemprego.
Mas a situação de divórcio (ou a separação dos casais) também é outro fator importante para contribuir para a pobreza já que estampa "situações que já de si são de grande fragilidade, leva facilmente os indivíduos para a pobreza, considerando a redução de rendimentos causada pela separação e os seus efeitos em cascata, incluindo na atividade laboral".
Portugal é o 8.º país da União Europeia com maior nível de desigualdade. Quem o recorda é a coordenadora nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, Sandra Araújo, que explica que este estudo é importante para enfatizar a situação em que muitas famílias vivem. Se este constitui por si só uma "surpresa", a história é outra, mas pelo menos permite traçar um retrato com dados quantitativos e desmistifica estereótipos como a culpa de ser pobre ser dos próprios pobres.
É, portanto, pertinente colocar a questão: então e no futuro? Se o cenário já é por si só muito negro, o que se pode esperar num ano em que a pandemia provocou um arrombo gigante na economia? Ora, na opinião dos 11 investigadores que participaram no estudo, "a pandemia e suas consequências estão já a ter um efeito na pobreza em Portugal, intensificando-a e aumentando o número de pessoas nessa situação", com a certeza de que "não está a atingir todos por igual e os mais pobres estão a ser mais afetados".
Até quando irão as famílias com rendimentos tão baixos ter de viver no "fio da navalha"? A julgar pela crise que aí vem, em que os pobres serão os mais afetados, ainda durante mais tempo do que seria desejável. E esse é um problema deveras preocupante e cuja discussão devia de ser bem maior do a que na realidade é.
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14.4.21
Quem são os pobres em Portugal?
Conclusões do novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos em debate no programa desta semana.
A pobreza em Portugal é o tema do programa da Capa à Contracapa desta semana, os convidados são o sociólogo Fernando Diogo e a presidente da Cáritas, Rita Valadas.
A partir de um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos lançado esta semana - A Pobreza em Portugal, Trajetos e Quotidianos -, realizado por uma equipa de 11 investigadores em diferentes áreas das ciências sociais e da economia, vamos tentar conhecer o perfil da pobreza no país.
Através de entrevistas, foi possível traçar os percursos de vida da população com mais dificuldades socioeconómicas. Mais de 1,7 milhões de pessoas no país estão em risco de pobreza. Mas que realidades diversas esconde este número? Que tipos de pobreza existem no país? O que têm em comum? E o que os separa?
Para saber tudo isso e debater o tema contamos com a ajuda do coordenador do estudo, o sociólogo Fernando Diogo, e a Presidente da Cáritas, Rita Valadas, num debate moderado pelo jornalista José Pedro Frazão.
O programa Da Capa à Contracapa é uma parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A pobreza em Portugal é o tema do programa da Capa à Contracapa desta semana, os convidados são o sociólogo Fernando Diogo e a presidente da Cáritas, Rita Valadas.
A partir de um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos lançado esta semana - A Pobreza em Portugal, Trajetos e Quotidianos -, realizado por uma equipa de 11 investigadores em diferentes áreas das ciências sociais e da economia, vamos tentar conhecer o perfil da pobreza no país.
Através de entrevistas, foi possível traçar os percursos de vida da população com mais dificuldades socioeconómicas. Mais de 1,7 milhões de pessoas no país estão em risco de pobreza. Mas que realidades diversas esconde este número? Que tipos de pobreza existem no país? O que têm em comum? E o que os separa?
Para saber tudo isso e debater o tema contamos com a ajuda do coordenador do estudo, o sociólogo Fernando Diogo, e a Presidente da Cáritas, Rita Valadas, num debate moderado pelo jornalista José Pedro Frazão.
O programa Da Capa à Contracapa é uma parceria da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Os três D's que agravam a pobreza: desemprego, doença e divórcio
in SicNoticias
Entrevista a Gonçalo Matias, Diretor de Estudos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O desemprego, a doença e o divórcio são fatores que contribuem para a entrada numa situação de pobreza ou que impedem que se saia dessa condição, segundo o estudo "Pobreza em Portugal - Trajetos e Quotidianos".
O documento hoje divulgado, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, chama a esses três processos de produção, reprodução ou intensificação dessa situação "os três D da pobreza".
Gonçalo Matias, Diretor de Estudos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, explica que o estudo serviu para fazer um "diagnóstico" da pobreza em Portugal e destaca a grande surpresa neste trabalho: um conjunto significativo de pessoas que trabalham estão em situação de pobreza.
Entrevista a Gonçalo Matias, Diretor de Estudos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O desemprego, a doença e o divórcio são fatores que contribuem para a entrada numa situação de pobreza ou que impedem que se saia dessa condição, segundo o estudo "Pobreza em Portugal - Trajetos e Quotidianos".
O documento hoje divulgado, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, chama a esses três processos de produção, reprodução ou intensificação dessa situação "os três D da pobreza".
Gonçalo Matias, Diretor de Estudos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, explica que o estudo serviu para fazer um "diagnóstico" da pobreza em Portugal e destaca a grande surpresa neste trabalho: um conjunto significativo de pessoas que trabalham estão em situação de pobreza.
13.4.21
"Não basta dar subsídios." Pobreza em Portugal é "consentida pela política"
Por Sara de Melo Rocha com Rita Carvalho Pereira, in TSF
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza defende um trabalho de perto com as pessoas em situação de pobreza, para combater este fenómeno.
Mais do que apostar em subsídios, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, Agostinho Jardim Moreira, defende que é preciso pensar no combate à pobreza juntamente com as pessoas com menos rendimentos. Para Jardim Moreira, combater a pobreza estrutural passa por apostar na habitação, saúde e cultura.
Esta segunda-feira, foi conhecido o estudo "Pobreza em Portugal -- Trajetos e Quotidianos", promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado por Fernando Diogo, professor de Sociologia na Universidade dos Açores. A investigação conclui que um quinto da população portuguesa é pobre e que a maior parte das pessoas em situação de pobreza trabalha, muitas delas com contratos efetivos.
Maioria das pessoas em situação de pobreza em Portugal trabalha
O estudo identificou "quatro perfis de pobreza em Portugal, que são uma novidade: os reformados (27,5%), os precários (26,6%), os desempregados (13%) e os trabalhadores (32,9%)".
Ouvido pela TSF, Agostinho Jardim Moreira afirma ser "fundamental" que "as próprias pessoas em situação de pobreza sejam ouvidas, que sejam elas próprias participantes no seu processo".

Agostinho Jardim Moreira defende que é preciso ouvir as pessoas em situação de pobreza
00:0000:49
"Já se viu que não dá resultado dar apenas dinheiro e subsídios às pessoas e deixá-las abandonadas. É preciso acompanhá-las de perto para que sejam apoiadas de forma a que consigam acreditar que são capazes de viver e de intervir na vida social na sua autodeterminação e na sua autonomia económica", argumenta.
"É preciso que as pessoas tenham condições de vida. É preciso que lhe seja possibilitada uma digna habitação, acesso a serviços de saúde de qualidade e à cultura", defende.
Jardim Moreira refere mesmo que, se nada for feito, a pobreza estrutural revela-se um perigo para a democracia.
"É uma democracia que se alheia de 2 milhões de portugueses. Há alguma coisa de injusto, alguma coisa de contraditório nos termos. Os portugueses não são todos iguais, há aqui uma injustiça estrutural, uma injustiça assumida, aceite e escamoteada, que é destruidora da democracia que queremos construir e que devemos ter", alega.

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza quer melhores políticas sociais
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considera, por isso, que as autoridades e o poder político têm de fazer mais para combater a pobreza em Portugal.
"As políticas sociais nacionais não são suficientes nem atingem as causas da pobreza, porque ela é multidimensional. Ela é consentida pela política nacional, que aceita esta estrutura que vai mantendo os pobres na pobreza", critica.
Também em declarações à TSF, Susana Reis, diretora do Centro Porta Amiga de Vila Nova de Gaia, da AMI, confirma o perfil das pessoas em situação de pobreza.
"Temos uma procura por parte de várias famílias em situação de carência, onde, realmente, é manifesta a situação de desemprego, ou, mesmo mantendo algum vínculo laboral, esses vínculos são de caráter mais precário ou com rendimentos muito baixos, que não permitem fazer face às despesas diárias", adianta.

Susana Reis explica que muitas famílias não têm rendimentos suficientes para fazer face às despesas diárias
A AMI tem registado um aumento de novos casos de pobreza de famílias que estavam estabilizadas, mas que, devido à pandemia, estão a procurar apoios sociais pela primeira vez.
"Estamos a ter os primeiros indicadores desta tendência de aumento [da pobreza] fruto desta crise proveniente da pandemia. Mas, no fenómeno da pobreza, o grande impacto não é no imediato, pode dar-se daqui a alguns meses ou até nos próximos anos", comenta.

A AMI frisa a necessidade de políticas sociais apropriadas para o combate à pobreza
Susana Reis não tem dúvidas de que a pobreza geracional é uma realidade no país, mas explica como pode ser atenuada.
"É muito complicado quebrarmos o ciclo, mas a ideia é mesmo fazermos um trabalho muito pedagógico e tentarmos socorrer-nos de políticas sociais apropriadas, para que estas situações possam ter outro tipo de fim", frisa.
Já a presidente da Caritas, Rita Valadas, pede que estes números sejam olhados pelos decisores políticos na estratégia nacional de combate à pobreza.
"Analisando o contexto e a situação das pessoas, temos várias pobrezas diferentes. Não é igual estar num meio rural ou num meio urbano,... A questão dos contextos é o mais importante no momento de criar uma estratégia", aponta.

Rita Valadas, da Caritas, considera que é preciso repensar a estratégia que está em prática
Rita Valadas defende, por exemplo, que as regras do Rendimento Social de Inserção (RSI) devem ser repensadas.
"Resolver os problemas da pobreza tem de passar por repensar estratégias que já temos. O Rendimento Social de Inserção tem um conjunto de critérios que trata todos da mesma maneira, não tem a especificidade do contexto", indica.

O contexto deveria ser tido em conta na atribuição de apoios como o Rendimento Social de Inserção
A taxa de pobreza corresponde à percentagem de indivíduos com rendimento inferior a 60% do rendimento mediano observado no país num determinado ano e situava-se, em 2018, nos 501,2 euros mensais.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza defende um trabalho de perto com as pessoas em situação de pobreza, para combater este fenómeno.
Mais do que apostar em subsídios, o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, Agostinho Jardim Moreira, defende que é preciso pensar no combate à pobreza juntamente com as pessoas com menos rendimentos. Para Jardim Moreira, combater a pobreza estrutural passa por apostar na habitação, saúde e cultura.
Esta segunda-feira, foi conhecido o estudo "Pobreza em Portugal -- Trajetos e Quotidianos", promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado por Fernando Diogo, professor de Sociologia na Universidade dos Açores. A investigação conclui que um quinto da população portuguesa é pobre e que a maior parte das pessoas em situação de pobreza trabalha, muitas delas com contratos efetivos.
Maioria das pessoas em situação de pobreza em Portugal trabalha
O estudo identificou "quatro perfis de pobreza em Portugal, que são uma novidade: os reformados (27,5%), os precários (26,6%), os desempregados (13%) e os trabalhadores (32,9%)".
Ouvido pela TSF, Agostinho Jardim Moreira afirma ser "fundamental" que "as próprias pessoas em situação de pobreza sejam ouvidas, que sejam elas próprias participantes no seu processo".
Agostinho Jardim Moreira defende que é preciso ouvir as pessoas em situação de pobreza
00:0000:49
"Já se viu que não dá resultado dar apenas dinheiro e subsídios às pessoas e deixá-las abandonadas. É preciso acompanhá-las de perto para que sejam apoiadas de forma a que consigam acreditar que são capazes de viver e de intervir na vida social na sua autodeterminação e na sua autonomia económica", argumenta.
"É preciso que as pessoas tenham condições de vida. É preciso que lhe seja possibilitada uma digna habitação, acesso a serviços de saúde de qualidade e à cultura", defende.
Jardim Moreira refere mesmo que, se nada for feito, a pobreza estrutural revela-se um perigo para a democracia.
"É uma democracia que se alheia de 2 milhões de portugueses. Há alguma coisa de injusto, alguma coisa de contraditório nos termos. Os portugueses não são todos iguais, há aqui uma injustiça estrutural, uma injustiça assumida, aceite e escamoteada, que é destruidora da democracia que queremos construir e que devemos ter", alega.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza quer melhores políticas sociais
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considera, por isso, que as autoridades e o poder político têm de fazer mais para combater a pobreza em Portugal.
"As políticas sociais nacionais não são suficientes nem atingem as causas da pobreza, porque ela é multidimensional. Ela é consentida pela política nacional, que aceita esta estrutura que vai mantendo os pobres na pobreza", critica.
Também em declarações à TSF, Susana Reis, diretora do Centro Porta Amiga de Vila Nova de Gaia, da AMI, confirma o perfil das pessoas em situação de pobreza.
"Temos uma procura por parte de várias famílias em situação de carência, onde, realmente, é manifesta a situação de desemprego, ou, mesmo mantendo algum vínculo laboral, esses vínculos são de caráter mais precário ou com rendimentos muito baixos, que não permitem fazer face às despesas diárias", adianta.
Susana Reis explica que muitas famílias não têm rendimentos suficientes para fazer face às despesas diárias
A AMI tem registado um aumento de novos casos de pobreza de famílias que estavam estabilizadas, mas que, devido à pandemia, estão a procurar apoios sociais pela primeira vez.
"Estamos a ter os primeiros indicadores desta tendência de aumento [da pobreza] fruto desta crise proveniente da pandemia. Mas, no fenómeno da pobreza, o grande impacto não é no imediato, pode dar-se daqui a alguns meses ou até nos próximos anos", comenta.
A AMI frisa a necessidade de políticas sociais apropriadas para o combate à pobreza
Susana Reis não tem dúvidas de que a pobreza geracional é uma realidade no país, mas explica como pode ser atenuada.
"É muito complicado quebrarmos o ciclo, mas a ideia é mesmo fazermos um trabalho muito pedagógico e tentarmos socorrer-nos de políticas sociais apropriadas, para que estas situações possam ter outro tipo de fim", frisa.
Já a presidente da Caritas, Rita Valadas, pede que estes números sejam olhados pelos decisores políticos na estratégia nacional de combate à pobreza.
"Analisando o contexto e a situação das pessoas, temos várias pobrezas diferentes. Não é igual estar num meio rural ou num meio urbano,... A questão dos contextos é o mais importante no momento de criar uma estratégia", aponta.
Rita Valadas, da Caritas, considera que é preciso repensar a estratégia que está em prática
Rita Valadas defende, por exemplo, que as regras do Rendimento Social de Inserção (RSI) devem ser repensadas.
"Resolver os problemas da pobreza tem de passar por repensar estratégias que já temos. O Rendimento Social de Inserção tem um conjunto de critérios que trata todos da mesma maneira, não tem a especificidade do contexto", indica.
O contexto deveria ser tido em conta na atribuição de apoios como o Rendimento Social de Inserção
A taxa de pobreza corresponde à percentagem de indivíduos com rendimento inferior a 60% do rendimento mediano observado no país num determinado ano e situava-se, em 2018, nos 501,2 euros mensais.
A pobreza tem rosto de mulher. "Neste momento, não vivo, sobrevivo"
Maria Moreira Rato, in iOnline
Em território nacional, o género feminino é o mais vulnerável à pobreza. O i conversou com Virgínia, Daniela, Amália e Cátia, quatro mulheres que lutam pela sobrevivência em plena pandemia de covid-19.
Ficou sem emprego devido à pandemia e, sem conseguir o subsídio de desemprego, recorreu à reforma antecipada, com apenas 62 anos. Ao fim de 47 anos de descontos para a Segurança Social, aufere 394 euros e quer “muito trabalhar”, mas sofre de uma depressão e ainda é perseguida pelo ex-companheiro, que está prestes a cumprir a pena por violência doméstica.
Este é o resumo da história de vida de Virgínia Maria Santos, residente em Lisboa, que com o pouco dinheiro que ganha, ainda tem de sustentar o filho de 20 anos que não encontra emprego. “Consegui a reforma em agosto do ano passado, mas tem sido muito difícil. Aquilo que me vale é ter uma renda barata, de 37,40 euros”, desabafa.
Este cenário não é, de todo, estranho. Afinal, de acordo com o estudo coordenado por Fernando Diogo, quando se considera o total da população e os grupos etários com 18 anos ou mais, a taxa de pobreza observada nas mulheres é quase sempre superior à taxa de pobreza observada nos homens. Por exemplo, em 2016, 18,7% das mulheres eram pobres, enquanto este valor correspondia a 17,8% na população masculina.
“Como tive problemas de saúde e de baixa, não tive direito ao subsidio de desemprego”, confessa sobre os 11 anos em que trabalhou como monitora de crianças. Conseguiu estar cinco meses num centro de dia, todavia, foi “convidada a sair”.
Quando ficou desempregada, recorreu à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e começou a receber 250 euros e um cabaz de alimentos mensalmente. Agora, só pode contar com a comida. “Não é suficiente, nem pouco mais ou menos, mas é aquilo que me dão e aceito”, narra a mulher que, por vezes, conta com o apoio de uma das filhas mais velhas. “Tudo quanto peço é para o irmão dela. Se eu não puder comer, não como”, realça.
A depressão instalou-se no período pós-parto e tem-se vindo a arrastar há duas décadas. “Divorciei-me e estive com outra pessoa que revelou ser quem nunca imaginei. Tenho um processo em tribunal contra ele de violência doméstica”, explica, desabafando que chegou a ter medo de sair de casa porque o indivíduo em questão conhecia os seus horários e as rotinas.
“Apanhou três anos de pena suspensa, mas termina em agosto e isso assusta-me. Ele tem pulseira eletrónica, mas até hoje, escreve o meu número em casas de banho públicas”, declara, garantindo que “as perseguições nunca pararam”.
“Consigo comprar os medicamentos porque são bastante baratos. Sem a medicação, vou muito abaixo e já tive vários episódios em que tentei desistir. Não vejo uma luz ao fundo do túnel”, afirma a lisboeta, que corresponde ao perfil traçado no estudo. “No que concerne à variável sexo (...) as mulheres têm um aumento de 5,7 pontos percentuais na probabilidade de serem pobres, quando comparadas com os homens”, pode ler-se.
“O meu sonho é trabalhar com crianças novamente. Se não conseguir, gostaria de trabalhar no atendimento ao público”, divulga. “Neste momento, não vivo, sobrevivo. Depois de uma vida de trabalho, devia ter nem que fosse o ordenado mínimo. É uma revolta muito grande que eu sinto”, termina.
Entre um salto de fé e a desilusão
Durante seis meses, Daniela Rodrigues, hoje com 26 anos, dividiu-se entre as cidades suíças de Zurique, Berna e Interlaken. “Foi a minha melhor experiência laboral. Vivi no cantão alemão porque me disseram que lá ganharia mais”. E, de facto, a licenciada em Design auferia 4700 euros, um valor surpreendente em Portugal, mas não no país em que o salário mínimo ronda os 3700 euros.
Tudo corria bem, quando a jovem decidiu regressar a Portugal. “Tenho uma deficiência de vitamina D muito grave, preciso de medicação e, com pouco sol, fico depressiva, ansiosa e tenho problemas de pele e de cabelo”, lamenta, constatando que viveu “com dignidade” e foi tratada “com justiça”.
Natural do Porto, foi viver para a capital “por uma questão amorosa”, há quase três anos, e pensou que conseguiria um emprego bom pois, para além da licenciatura, tirou um curso de desenhadora projetista na Cooperativa Árvore e está habilitada a fazer os mesmos projetos que os arquitetos. “Só não posso assinar”, brinca. No entanto, conseguiu somente um projeto na sua área de formação, num restaurante na Baixa: todas as outras experiências que teve passaram por locais como escritórios ou companhias de seguros. “Em Design, só consegui contratos de estágio, mas já os tinha feito, não podia repetir. Achei estranho quando me mandavam embora, pensava que o problema era meu, mas o último trabalho que tive foi numa seguradora, saí em novembro e a maioria dos contratos de seis meses não foram renovados”, diz.
Apesar de viver numa casa partilhada e pagar 300 euros por um quarto, a rapariga não desiste e, apesar de não ter um pé de meia consistente devido às despesas que tem enfrentado, está a tentar lançar a marca Jasmim juntamente com uma amiga que é cantora. “Queremos investir nos produtos sustentáveis, começando pelos tecidos e métodos de pigmento”, explicita com o entusiasmo notório na voz.
“Diz-se que Portugal é um país desenvolvido, mas estamos em condições muito más. O mérito parece não valer, é tudo uma questão de sorte”, expressa. “O meu sonho é investir no hiper-realismo tanto na pintura como na escultura, mas, simultaneamente, na parte de desenhadora projetista”, sublinha.
Sobreviver com uma indemnização
Com 435 euros de subsídio de desemprego e dez meses de indemnização por despedimento, Amália Valente, de 50 anos, tenta pagar todas as contas. A ela, junta-se o marido, trabalhador de uma gráfica, que ganha o ordenado mínimo. Ao fim de cada mês, pagam, somente de renda, 550 euros. Com dois filhos maiores de idade que já não se encontram sob a sua alçada, continuam a não respirar de alívio.
A mulher trabalhava numa rouparia, no Casino de Lisboa, tratando de recolher, enviar para a lavandaria, rececionar e entregar a roupa dos funcionários. Contudo, foi despedida em setembro do ano passado, após dois anos de baixa profissional. “Não conseguia andar por causa das minhas hérnias e o meu posto profissional foi extinto”, lastima. Antes desde emprego, passou por cargos em empresas como o Pingo Doce ou a Fnac e ilustra a “trajetória de emprego em carrossel” denunciada pelo estudo de Fernando Diogo, ou seja, “por muito que os inquiridos tenham mudado de emprego ou de atividade, por muitas atividades distintas que tenham desenvolvido ao longo da sua vida, não saem da mesma posição social”.
O drama da restauração
Ganhava 1200 euros e era responsável por um restaurante em Lagos. O estabelecimento fechou no primeiro confinamento, reabriu em maio e encerrou novamente em novembro. Sem saber o que fazer, Cátia Santos, de 47 anos, tornou-se cozinheira na prisão de Silves.
“Tive de respirar fundo e engolir o orgulho. Criava pratos de excelência e, agora, faço comida para 60 homens. É completamente diferente. Tive de baixar vários degraus”, relata, explicando que, depois dos descontos, aufere 593 euros e, como consequência, ficou com o filho a seu cargo, mas a filha está com o pai.
“Esperamos pelos turistas nacionais e internacionais como quem espera por chuva no deserto. O meu maior desejo é que tudo volte a ser como antes da covid-19”, manifesta.
“Todos os meses tenho de mexer nas poupanças para comer”, admite a mulher que paga 400 euros de renda, água, eletricidade e Internet. “Sou uma das vítimas da pandemia sem ter estado infetada”, refere.
Em território nacional, o género feminino é o mais vulnerável à pobreza. O i conversou com Virgínia, Daniela, Amália e Cátia, quatro mulheres que lutam pela sobrevivência em plena pandemia de covid-19.
Ficou sem emprego devido à pandemia e, sem conseguir o subsídio de desemprego, recorreu à reforma antecipada, com apenas 62 anos. Ao fim de 47 anos de descontos para a Segurança Social, aufere 394 euros e quer “muito trabalhar”, mas sofre de uma depressão e ainda é perseguida pelo ex-companheiro, que está prestes a cumprir a pena por violência doméstica.
Este é o resumo da história de vida de Virgínia Maria Santos, residente em Lisboa, que com o pouco dinheiro que ganha, ainda tem de sustentar o filho de 20 anos que não encontra emprego. “Consegui a reforma em agosto do ano passado, mas tem sido muito difícil. Aquilo que me vale é ter uma renda barata, de 37,40 euros”, desabafa.
Este cenário não é, de todo, estranho. Afinal, de acordo com o estudo coordenado por Fernando Diogo, quando se considera o total da população e os grupos etários com 18 anos ou mais, a taxa de pobreza observada nas mulheres é quase sempre superior à taxa de pobreza observada nos homens. Por exemplo, em 2016, 18,7% das mulheres eram pobres, enquanto este valor correspondia a 17,8% na população masculina.
“Como tive problemas de saúde e de baixa, não tive direito ao subsidio de desemprego”, confessa sobre os 11 anos em que trabalhou como monitora de crianças. Conseguiu estar cinco meses num centro de dia, todavia, foi “convidada a sair”.
Quando ficou desempregada, recorreu à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e começou a receber 250 euros e um cabaz de alimentos mensalmente. Agora, só pode contar com a comida. “Não é suficiente, nem pouco mais ou menos, mas é aquilo que me dão e aceito”, narra a mulher que, por vezes, conta com o apoio de uma das filhas mais velhas. “Tudo quanto peço é para o irmão dela. Se eu não puder comer, não como”, realça.
A depressão instalou-se no período pós-parto e tem-se vindo a arrastar há duas décadas. “Divorciei-me e estive com outra pessoa que revelou ser quem nunca imaginei. Tenho um processo em tribunal contra ele de violência doméstica”, explica, desabafando que chegou a ter medo de sair de casa porque o indivíduo em questão conhecia os seus horários e as rotinas.
“Apanhou três anos de pena suspensa, mas termina em agosto e isso assusta-me. Ele tem pulseira eletrónica, mas até hoje, escreve o meu número em casas de banho públicas”, declara, garantindo que “as perseguições nunca pararam”.
“Consigo comprar os medicamentos porque são bastante baratos. Sem a medicação, vou muito abaixo e já tive vários episódios em que tentei desistir. Não vejo uma luz ao fundo do túnel”, afirma a lisboeta, que corresponde ao perfil traçado no estudo. “No que concerne à variável sexo (...) as mulheres têm um aumento de 5,7 pontos percentuais na probabilidade de serem pobres, quando comparadas com os homens”, pode ler-se.
“O meu sonho é trabalhar com crianças novamente. Se não conseguir, gostaria de trabalhar no atendimento ao público”, divulga. “Neste momento, não vivo, sobrevivo. Depois de uma vida de trabalho, devia ter nem que fosse o ordenado mínimo. É uma revolta muito grande que eu sinto”, termina.
Entre um salto de fé e a desilusão
Durante seis meses, Daniela Rodrigues, hoje com 26 anos, dividiu-se entre as cidades suíças de Zurique, Berna e Interlaken. “Foi a minha melhor experiência laboral. Vivi no cantão alemão porque me disseram que lá ganharia mais”. E, de facto, a licenciada em Design auferia 4700 euros, um valor surpreendente em Portugal, mas não no país em que o salário mínimo ronda os 3700 euros.
Tudo corria bem, quando a jovem decidiu regressar a Portugal. “Tenho uma deficiência de vitamina D muito grave, preciso de medicação e, com pouco sol, fico depressiva, ansiosa e tenho problemas de pele e de cabelo”, lamenta, constatando que viveu “com dignidade” e foi tratada “com justiça”.
Natural do Porto, foi viver para a capital “por uma questão amorosa”, há quase três anos, e pensou que conseguiria um emprego bom pois, para além da licenciatura, tirou um curso de desenhadora projetista na Cooperativa Árvore e está habilitada a fazer os mesmos projetos que os arquitetos. “Só não posso assinar”, brinca. No entanto, conseguiu somente um projeto na sua área de formação, num restaurante na Baixa: todas as outras experiências que teve passaram por locais como escritórios ou companhias de seguros. “Em Design, só consegui contratos de estágio, mas já os tinha feito, não podia repetir. Achei estranho quando me mandavam embora, pensava que o problema era meu, mas o último trabalho que tive foi numa seguradora, saí em novembro e a maioria dos contratos de seis meses não foram renovados”, diz.
Apesar de viver numa casa partilhada e pagar 300 euros por um quarto, a rapariga não desiste e, apesar de não ter um pé de meia consistente devido às despesas que tem enfrentado, está a tentar lançar a marca Jasmim juntamente com uma amiga que é cantora. “Queremos investir nos produtos sustentáveis, começando pelos tecidos e métodos de pigmento”, explicita com o entusiasmo notório na voz.
“Diz-se que Portugal é um país desenvolvido, mas estamos em condições muito más. O mérito parece não valer, é tudo uma questão de sorte”, expressa. “O meu sonho é investir no hiper-realismo tanto na pintura como na escultura, mas, simultaneamente, na parte de desenhadora projetista”, sublinha.
Sobreviver com uma indemnização
Com 435 euros de subsídio de desemprego e dez meses de indemnização por despedimento, Amália Valente, de 50 anos, tenta pagar todas as contas. A ela, junta-se o marido, trabalhador de uma gráfica, que ganha o ordenado mínimo. Ao fim de cada mês, pagam, somente de renda, 550 euros. Com dois filhos maiores de idade que já não se encontram sob a sua alçada, continuam a não respirar de alívio.
A mulher trabalhava numa rouparia, no Casino de Lisboa, tratando de recolher, enviar para a lavandaria, rececionar e entregar a roupa dos funcionários. Contudo, foi despedida em setembro do ano passado, após dois anos de baixa profissional. “Não conseguia andar por causa das minhas hérnias e o meu posto profissional foi extinto”, lastima. Antes desde emprego, passou por cargos em empresas como o Pingo Doce ou a Fnac e ilustra a “trajetória de emprego em carrossel” denunciada pelo estudo de Fernando Diogo, ou seja, “por muito que os inquiridos tenham mudado de emprego ou de atividade, por muitas atividades distintas que tenham desenvolvido ao longo da sua vida, não saem da mesma posição social”.
O drama da restauração
Ganhava 1200 euros e era responsável por um restaurante em Lagos. O estabelecimento fechou no primeiro confinamento, reabriu em maio e encerrou novamente em novembro. Sem saber o que fazer, Cátia Santos, de 47 anos, tornou-se cozinheira na prisão de Silves.
“Tive de respirar fundo e engolir o orgulho. Criava pratos de excelência e, agora, faço comida para 60 homens. É completamente diferente. Tive de baixar vários degraus”, relata, explicando que, depois dos descontos, aufere 593 euros e, como consequência, ficou com o filho a seu cargo, mas a filha está com o pai.
“Esperamos pelos turistas nacionais e internacionais como quem espera por chuva no deserto. O meu maior desejo é que tudo volte a ser como antes da covid-19”, manifesta.
“Todos os meses tenho de mexer nas poupanças para comer”, admite a mulher que paga 400 euros de renda, água, eletricidade e Internet. “Sou uma das vítimas da pandemia sem ter estado infetada”, refere.
Trabalhar para continuar pobre
Abílio dos Reis, in Sapo24
12.4.21
A maior parte das pessoas a viver em situação de pobreza em Portugal tem emprego
Fábio Martins, in MAGG
Estes trabalhadores têm contrato sem termo, mas os salários que recebem ao final do mês são muito baixos. É esta a conclusão de um novo estudo que retrata a pobreza no País.
Os dados são alarmantes. Em Portugal, mais de um em cada dez trabalhadores, o que equivale a uma taxa de 11%, está atualmente a viver em situação de pobreza. É esta a conclusão da investigação "Pobreza em Portugal — Trajetos e Quotidianos", coordenada por Fernando Diogo, investigador e professor universitário de Sociologia, e promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
As crianças são as mais afetadas pela pobreza em Portugal
Mas a fatia da população a viver no limiar da pobreza não está nessas condições por não ter trabalho. Muito pelo contrário: têm um emprego que, muitas das vezes, é precário ou resulta num salário muito baixo ao final do mês.
A investigação é clara e permite criar um retrato claro de quem são, afinal, as pessoas a viver em situação de pobreza. Ainda que 13% dos que vivam nestas condições sejam desempregados, 26,6% são precárias, 27,5% são reformados e 32,9% são trabalhadores empregados, escreve a Agência Lusa, citado pelo jornal "Observador".
É nessa fatia de 32,9%, que corresponde à maioria dos que vivem em situação de pobreza, que se encontram as pessoas empregadas com contrato e com direito a, pelo menos, o salário mínimo.
A taxa de pobreza infantil também é mais elevada "do que a taxa global", explica Fernando Diogo à mesma publicação. "Os agregados onde existem crianças são aqueles em que a taxa e a pobreza é mais elevada."
A explicação é simples: nos agregados familiares em que os salários são baixos, a situação acentua-se quando os trabalhadores têm de partilhar os rendimentos para sustentar a família.
E a pobreza herda-se, identificando-se a "natureza estrutural" do fenómeno — uma vez que há pessoas que, por terem crescido "num contexto mais ou menos de privação", veem condicionadas e limitadas "as suas oportunidades na vida".
Estes trabalhadores têm contrato sem termo, mas os salários que recebem ao final do mês são muito baixos. É esta a conclusão de um novo estudo que retrata a pobreza no País.
As crianças são as mais afetadas pela pobreza em Portugal
Mas a fatia da população a viver no limiar da pobreza não está nessas condições por não ter trabalho. Muito pelo contrário: têm um emprego que, muitas das vezes, é precário ou resulta num salário muito baixo ao final do mês.
A investigação é clara e permite criar um retrato claro de quem são, afinal, as pessoas a viver em situação de pobreza. Ainda que 13% dos que vivam nestas condições sejam desempregados, 26,6% são precárias, 27,5% são reformados e 32,9% são trabalhadores empregados, escreve a Agência Lusa, citado pelo jornal "Observador".
É nessa fatia de 32,9%, que corresponde à maioria dos que vivem em situação de pobreza, que se encontram as pessoas empregadas com contrato e com direito a, pelo menos, o salário mínimo.
A taxa de pobreza infantil também é mais elevada "do que a taxa global", explica Fernando Diogo à mesma publicação. "Os agregados onde existem crianças são aqueles em que a taxa e a pobreza é mais elevada."
A explicação é simples: nos agregados familiares em que os salários são baixos, a situação acentua-se quando os trabalhadores têm de partilhar os rendimentos para sustentar a família.
E a pobreza herda-se, identificando-se a "natureza estrutural" do fenómeno — uma vez que há pessoas que, por terem crescido "num contexto mais ou menos de privação", veem condicionadas e limitadas "as suas oportunidades na vida".
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