Mostrar mensagens com a etiqueta Muhammad Yunus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Muhammad Yunus. Mostrar todas as mensagens

20.7.20

Nobel da Paz Muhammad Yunus diz que pandemia revelou a divisão do mundo

in DNotícias

Muhammad Yunus falou à agência Lusa a propósito do Dia Internacional Nelson Mandela, que se assinala hoje

O economista bengali Muhammad Yunus, considerado o "pai" do microcrédito e laureado em 2006 com o prémio Nobel da Paz, considera que a covid-19 mostrou a divisão da humanidade, precisamente o oposto do que defendia Nelson Mandela.

"Todos estão a tentar proteger-se a si próprios. O que acontece com os outros não é da sua conta, o que contrasta com o que pessoas como o Mandela faria, que mobilizava todos para a luta", disse Muhammad Yunus em entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional Nelson Mandela, que se assinala hoje.

No dia de aniversário do líder sul-africano, que faleceu em 2013, a Academia de Líderes Ubuntu promove o Mandela Bridges World E-Summit, um evento que decorrerá online devido às condicionantes impostas pela covid-19 e que irá contar com a participação de Muhammad Yunus e mais dois laureados com o Nobel da Paz - Ramos Horta e Kaylash Satyarthi.

Yunus sublinhou a importância da lição de Nelson Mandela, que, comentou, "fez coisas impopulares e que ninguém esperava", mas que chamava todos -- brancos e negros -- para a luta.

"Infelizmente, hoje estamos mais divididos. Já não somos mais uma comunidade global e o coronavírus tornou isso claro. É um inimigo comum, que ataca todo o mundo, mas não temos uma frente comum para fazer face à pandemia", referiu.

E recordou que nesta guerra uns "optaram por atacar a Organização Mundial de Saúde [OMS], que é precisamente um organismo que deve representar todo o mundo numa pandemia como esta", numa referência aos Estados Unidos da América, que acabaram com o financiamento da organização.

Divisões que a busca por uma vacina tornou mais óbvias: "Novamente, o que vemos é os líderes, como os Estados Unidos e outros países na Europa, a tentarem garantir o máximo de vacinas".

Por isso, Muhammad Yunus não acredita que, quando forem descobertos, a vacina ou novos tratamentos estejam disponíveis de igual forma para ricos e pobres.

"Não vejo nenhum sinal disso. O que vejo é os países ricos a tentarem assegurar as vacinas para si. Quando os países pobres -- onde há muitas pessoas ricas -- precisarem, não vão ter, porque as companhias estão a produzir para os países ricos".

Por esta razão, o Nobel da Paz defende que, quando a vacina for descoberta, seja classificada como "um bem universal", disponível para todos da mesma forma e pela qual só pagará quem tiver dinheiro para isso.

Reconhecido mundialmente pelo sistema de microcrédito, que consiste na concessão de pequenos empréstimos a empreendedores demasiado pobres para obterem empréstimos de banco tradicionais, o qual ajudou milhões de pessoas a escapar à pobreza, Muhammad Yunus acredita que este sistema poderá ajudar as populações mais pobres a retomar a sua vida após a pandemia.

Uma situação que não é nova no Bangladesh, afectado frequentemente por outras doenças, como a gripe, que atinge populações que depois precisam de ajuda para retomar a sua economia, por mais pequena que seja.

"No Bangladesh, ainda não tínhamos coronavírus e já tínhamos a gripe. Hoje, temos o coronavírus e também a gripe. Sabemos como ajudar, como permitir que comecem ou recomecem as suas vidas. O microcrédito funciona como um banco para os pobres", disse.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 590 mil mortos e infectou mais de 13,83 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.


Muhammad Yunus: "A pobreza não é criada pelas pessoas pobres"

Rui Alexandre, in TSF

"Se redesenharmos o sistema, a pobreza desaparece". Segunda parte da entrevista à TSF com o Nobel da Paz 2006, que participa na conferência portuguesa da Academia Ubuntu que assinala o Dia Mandela.

Muhammad Yunus, o senhor ficou conhecido como "o banqueiro dos pobres", foi o criador da ideia do microcrédito que ofereceu uma saída da miséria a milhões de famílias no Bangladesh e não só. Mas as disparidades no mundo vão aumentando, os ricos estão cada vez mais ricos...

Poderíamos dizer que não houve pessoas, bancos e instituições suficientes a seguir ideias como a sua do microcrédito em 2006?

Sim. Mencionou 2006, o ano em que ganhámos o Prémio Nobel. Foi um longo caminho, porque desde que começámos no Bangladesh, com o banco Grameen e o microcrédito já passaram 44 anos. E toda a gente adora o projeto. Toda a gente diz que é uma ótima ideia, ajuda especialmente as pessoas pobres, as mulheres pobres. Ninguém prestou atenção às mulheres pobres antes disso. Este projeto ajusta-se tanto às necessidades delas, que elas não precisam mudar nada, apenas descobrir o seu próprio valor, a sua capacidade e criatividade. É verdade no entanto, que depois de todos os elogios e de todos os prémios que recebemos, o sistema financeiro não mudou.

Por isso eu digo: qual é a piada de dar prémios e não mudar nada? O microcrédito, nos bancos, ainda é uma nota de rodapé. Não é o mainstream. Você vai a qualquer banco tentar saber o que é o microcrédito. Eles não têm uma área ou programa para isso. Então, esse é o problema. Talvez Portugal não precise disso. Talvez isso não importe. Mas executamos programas em toda a parte. O Reino Unido tem programa de microcrédito, Portugal possui programa de microcrédito. Os EUA têm programas de microcrédito em todo o país, não apenas em alguns pontos, um programa chamado Grameen América. A necessidade está em toda a parte, mas o sistema financeiro ainda está muito fora disso.

Se queremos ir para o novo destino de que tenho estado a falar, um mundo que não terá aquecimento global, concentração de riqueza ou desemprego, um mundo que eu tenho classificado como um mundo de três zeros: zero de emissão líquida de carbono, zero concentração de riqueza, zero dívida de desemprego, temos de mudar o sistema financeiro. É a chave para tudo. Temos que redesenhar o sistema financeiro. O sistema hoje está feito para as pessoas que estão no topo, as pessoas que têm 99% da riqueza.

Cabe à próxima geração conseguir viver num mundo em que a pobreza e o desemprego são erradicados? Quero dizer, é algo que pode ser conseguido pela próxima geração de jovens?

Eu diria que a pobreza não é criada pelas pessoas pobres. É criada pelo sistema. Se redesenharmos o sistema a pobreza desaparece. As pessoas são tão boas quanto em qualquer lugar, a pessoa pobre que você vê na rua, a pessoa sem-teto que você conhece... Eles são tão bons seres humanos como qualquer outra pessoa. Mas o sistema não funciona para eles, são rejeitados em todos os serviços das instituições antigas que temos ao nosso redor. Precisamos abordar essa questão, é fundamental: porque é que isto acontece? Se fizermos isso... podemos mudar tudo em menos de uma geração, mas temos que mudar a estrutura básica da teoria económica.

Pôde certamente ver as imagens de milhões de trabalhadores migrantes na Índia a tentar ir para casa porque não há nada de bom para eles na cidade agora. Já não podem pagar o aluguer dos pequenos buracos em que vivem nessas cidades. Estão a sair desses buracos para que possam sobreviver, voltando para as suas próprias terras. Vimo-los a chegar às autoestradas para fazer a pé o caminho para casa. Mas a casa fica a milhares de quilómetros de distância. Não apenas a alguns quilômetros da cidade.

Eu digo: que tipo de economia nós queremos? Esta em que as pessoas precisam andar milhares de quilómetros para encontrar meios de subsistência para a sobrevivência? Isso não é forma de conceber a economia. A economia deve ser projetada de maneira a que você tenha a sua sobrevivência no local em que nasceu. Não a milhares de quilómetros, deixando a sua família e os seus filhos em casa com negócios incertos e incertezas para si também, constantemente. Por que não podemos fazer as coisas de outro modo?

Todo este setor dos trabalhadores migrantes e na rua é conhecido como setor informal... mas este não é um setor informal, essa designação é muito negativa, como se eles não valessem nada. Ou como se alguém só tenha valor quando chega ao setor considerado formal. Isso não é verdade. Deveríamos renomear o nome de setor de microempreendedores, que podem fazer as coisas à sua maneira mas que não têm instituições para os apoiar.

São vítimas deste sistema?

São vítimas dos agiotas, todos os agiotas lucram muito com essas pessoas, eles trabalham e os agiotas ficam com o dinheiro. Quem trabalha fica com uma parte muito pequena do dinheiro. Porquê? Porque é que não pegam em serviços financeiros, como o Grameen Bank, etc., que funcionam muito bem, e trazem a ideia de negócios sociais para os seus negócios, para ajudar as pessoas em vez de ganhar dinheiro para si mesmas. Por que não podemos criar bancos de negócios sociais dessas pessoas? Isso significaria uma verdadeira mudança. Foi isso o que aconteceu quando o microcrédito chegou ao Bangladesh, temos pelo menos 15 milhões de pessoas associadas ao microcrédito, particamente só mulheres, 97 ou 98% são mulheres, em todas as aldeias. Seriam pessoas desempregadas a cuidar das famílias? Não, a designação está errada, são microempreendedoras à espera por uma oportunidade.

Então, damos-lhes a oportunidade, trazendo o dinheiro e elas tornam-se empreendedoras. Portanto, mulheres analfabetas da aldeia, que não têm absolutamente nenhuma infraestrutura, podem tornar-se empreendedoras para cuidar da família. Ela não está a a fazê-lo porque é a base da família, mas porque tem acesso ao sistema de financiamento, traz dinheiro para a família, gera rendimento e assim por diante. Então, por que não podemos expandir isso, criando um sistema bancário global inteiro como um sistema bancário de negócios sociais?

Ou seja, as desigualdades de género estão - continuam a estar - no centro da prevalência da pobreza...


As desigualdades de género estão no centro de tudo, bem como as desigualdades rurais. Todo o sistema está muito focado no meio urbano. Como se tudo existisse em função daquilo que preocupa o centro e em que as pessoas rurais não têm nada com isso. As pessoas rurais tornam-se efetivas apenas em termos de mão-de-obra.

Formas as pessoas localmente, mas depois elas têm de ir para a cidade e procurar lá trabalho. Então, são os homens da família que geralmente vão, as mulheres são deixadas para trás. Portanto, este é o começo da discriminação de que as mulheres não têm hipótese de participar na economia. Os homens tiveram essa possibilidade e, com isso, agora os filhos precisam voltar à cidade novamente para a educação. As meninas é que ficam em casa, os meninos vão para a cidade. Há aqui uma culpa institucional. Por que não podemos fazer da economia rural uma economia básica, em vez de um tipo de apêndice da economia urbana? Assim, a reformulação do conceito é muito importante. Para que as coisas aconteçam, para que não haja distinção entre homens e mulheres, meninos e meninas, o sistema financeiro é a chave de tudo isto. O sistema financeiro pode compensar todas os erros que se fizeram ignorando as mulheres.

Ou seja, agora podemo-nos concentrar nas mulheres e começar a partir daí e seguir em frente, para que as possamos compensar e as raparigas comecem a trabalhar onde quer que morem. Com a tecnologia disponível hoje, isso pode ser feito. Não precisamos de coçar a cabeça durante anos a pensar no que fazer. Com a tecnologia e a infraestrutura disponíveis hoje, que nunca existiram assim antes na nossa história global, a eletricidade está hoje disponível em todas as aldeias, todos os tipos de comunicação estão disponíveis. A discussão que estamos a ter agora, qualquer pessoa numa aldeia a pode estar a ouvir sem qualquer problema e tão bem quanto em qualquer outro lugar do mundo. Essa é a situação global que mudou, mas os nossos conceitos não mudaram. Portanto, precisamos redesenhar o conceito e, como resultado do projeto, temos que construir novas instituições. As instituições não podem continuar com o antigo modo de vida a dirigir a economia. Precisamos de novas instituições, de acordo com o novo conceito e o novo objetivo que estabelecemos para nós mesmos.

É possível continuar otimista em relação ao nosso futuro comum?

Bastante. Esse é o único caminho possível. Se desistirmos, é o nosso fim. Não podemos simplesmente ficar sentados e nada fazer. Nada é impossível para um ser humano. Deva pensar e lembrar sempre isso. Se o ser humano decide algo e trabalha para isso, vai acontecer. É sempre assim que acontece. É uma questão de tempo e é uma questão de intensidade do desejo. Quanto mais o quisermos, mais rapidamente isso acontece.

3.12.14

Muhammad Yunus: “A ideia de procurar emprego está errada. É orientar para outro tipo de escravatura”

Joana Gorjão Henriques, in Público on-line

O pai do microcrédito acredita que não devemos procurar mas sim criar o nosso próprio emprego. Em conversa com o PÚBLICO em Londres defende ainda que a eliminação da pobreza é o passo para acabar com a escravatura

Oito anos depois de ter recebido o Nobel da Paz, Muhammad Yunus continua a ser uma estrela. Yunus é interpelado várias vezes depois do seu discurso na conferência anual Trust Women, organizada em Londres pela Thomson Reuters Foundation, a 18 e 19 de Novembro, e dedicada ao tema das mulheres e da escravatura. As conversas com curiosos são constantemente interrompidas, é-lhe pedido que tire selfies. Bem-disposto, vai aceitando, sorrindo.

Yunus (n.1940) recebeu o Nobel da Paz em 2006 pela fundação do banco Grameen e pela criação do microcrédito (pequenos empréstimos a pessoas pobres). Nascido no Bangladesh, criou o Yunus Centre, que desenvolve a sua filosofia e funciona como apoio aos negócios sociais (negócios sem prejuízos, nem dividendos, mas com mais valias sociais). Yunus não quis falar do Grameen e da polémica que o envolve (o governo do Bangladesh, em 2011, acusou-o de atropelos à lei; Yunus considera-se vítima de perseguição política).

Na conferência de Londres, encontrou-se com o Nobel da Paz deste ano, Kailash Satyarthi, o activista indiano que salvou 80 mil crianças do trabalho forçado. Conversa de 25 minutos num dos intervalos da conferência.

Kailash Satyarthi, na sua intervenção, contou a história de uma criança que tinha perguntado: o que nos impede de acabar com a escravatura? Quer responder?
Há muitas coisas erradas no mundo às quais as pessoas não ligam, e esta é uma delas. Diria que a resposta é a indiferença: as pessoas estão tão focadas em fazer dinheiro, na perseguição do lucro, em ambições pessoais em termos de quanto dinheiro se ganha... Temas como a violação dos direitos humanos, a escravatura infantil, a pobreza, a disparidade salarial não interessam. Nesse contexto, as pessoas tornam-se muito egoístas porque isso é encorajado num sistema que é alicerçado no egoísmo.

A escravatura é também um produto disso, entre outras coisas. Está-se tão focado em fazer dinheiro que não há interesse pelos direitos humanos, subjugam-se as pessoas para fazer dinheiro com elas.

Disse que os negócios sociais poderiam ser uma maneira de prevenir o tráfico de pessoas. Pode explicar melhor como?
As vítimas são pessoas que estão à procura de oportunidades porque não as tiveram nem as vêem na sua vida. As mães vendem os filhos e entregam-nos porque têm tão pouco que não conseguem alimentá-los. E pensam que, se os derem, recebem dinheiro – é um instinto de sobrevivência que as leva a sacrificar os filhos. Mas se conseguirmos melhorar a qualidade de vida dos pais a incidência desse problema diminui. Como? Criamos negócios sociais para empregar pessoas que não têm salários. É uma acção preventiva, tirar as pessoas da pobreza, de modo a que não estejam sob pressão para as vender, as mandar para a prostituição, etc. Isso é o que pode fazer um negócio social. Num negócio convencional não é isso que acontece: quer-se fazer dinheiro. Precisamos de negócios que não estejam sedimentados nos interesses pessoais, no egoísmo. São os negócios sociais, que não têm dividendos.

Os problemas a resolver são ajudar as famílias a melhorar a sua qualidade de vida, de educação, ou a criar emprego ou negócios, de modo a não se tornarem vulneráveis à pressão de vender os seus filhos.

Criou dois conceitos fortes, microcrédito e negócio social. Tem algum outro conceito que permita acabar com a escravatura ou fazer avanços na prevenção e combate?
O combate é mais um tema de lei e ordem – apanhar quem faz negócio com escravatura, condenar, etc. Estes são os mecanismos que existem, como deixar o sistema alerta de modo a receber os sinais das pessoas que estão em dificuldade, como melhorar a parte do crime, do sistema judicial e de modo a que os perpetradores não saiam ilesos.

A solução é criar consciência sobre o tema. Muita gente, mesmo os indianos, não sabe que metade do trabalho escravo infantil está na Índia. Se soubermos quantas pessoas estão nessa situação então ficamos alertas, fazemos disso um tema político, tornamo-lo um tema global. Então a questão é de como melhorar as leis, tornar o sistema sensível de modo a não se arrastar durante anos até chegar a uma conclusão. Estes são os temas da luta contra o crime. No comércio sexual mundial há mulheres a entrar no esquema e porque entram? Porque não têm alternativa e caem na armadilha. Se tiverem melhores alternativas não caem no tráfico.

O seu objectivo era que o Bangladesh cumprisse a meta dos objectivos do milénio para 2015. Como é que está neste momento nessa matéria?
Está muito bem. O objectivo número um, de erradicar a fome e a pobreza extrema em metade, conseguiu fazê-lo dois anos e meio antes – um dos países mais pobres do mundo atingiu isso antecipadamente. Em relação aos outros objectivos tem um bom desempenho, excepto na saúde maternal, mas estamos a tentar corrigir isso de modo a que, quando chegar Dezembro de 2015, atinjamos o objectivo ou cheguemos lá muito perto. Estamos a aplicar tecnologia para identificar a gravidez, desenvolvemos aplicações de telemóvel para mulheres grávidas em que respondem a 20 perguntas e, de acordo com as respostas, uma mulher pode identificar se está numa gravidez de risco – no Bangladesh 16% das gravidezes são de risco.

24.2.12

Muhammad Yunus proposto para a presidência do Banco Mundial

in Sol

A primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, propôs hoje para a presidência do Banco Mundial (BM) o inventor do microcrédito e um dos principais opositores do governo de Dacca, o prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus.

«Hasina disse que se Yunus se tornar presidente do BM, poderá difundir o microcrédito como uma solução para o alívio da pobreza em todo o mundo», afirmou Molla Waheduzzaman, secretária da primeira-ministra, relatando à agência noticiosa France Presse um encontro entre Sheikh Hasina e uma delegação de deputados do Parlamento Europeu, de visita ao país.

Hasina frisou junto dos deputados europeus que Yunus - fundador e ex-presidente do banco Grameen - granjeou, junto como o banco, respeito internacional pelo papel pioneiro na utilização de empréstimos de pequenas verbas para combater a pobreza.

O norte-americano Robert Zoellick, presidente do BM, termina a 30 de Junho o mandato de cinco anos à frente da instituição, abrindo assim a corrida à sua substituição na liderança do banco.

A prática tem sido atribuir a liderança do Fundo Monetário Internacional a um europeu e a do BM, que terá que ser decidida até 20 de Abril, a uma figura dos Estados Unidos.

O banco central do Bangladesh, no ano passado, exigiu a saída de Yunus do banco Grameen, por ter ultrapassado a idade obrigatória de reforma, numa manobra que os observadores consideraram ter sido instigada pelo governo liderado por Sheikh Hasina

A pressão para Yunus sair da instituição mereceu críticas da comunidade internacional, incluindo do governo dos Estados Unidos.

A relação entre Hasina e Yunus começou a piorar quando o fundador do microcrédito, conhecido como o 'banqueiro dos pobres', criou um partido político em 2007, quando o governo era militar.

Lusa/SOL