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6.11.15

Microcrédito recebe mais de 1.500 candidaturas que resultam em 130 projetos

in Público on-line

A Associação Nacional de Direito ao Crédito refere que, desde que foi introduzido em Portugal, há 17 anos, o montante concedido em microcrédito ascende a 13 milhões de euros.

A Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) recebeu este ano 1.565 novas candidaturas ao microcrédito, que resultaram em 130 novos projectos, num montante de crédito de perto de 1,3 milhões de euros.

Os dados foram divulgados esta quinta-feira pela associação responsável pela introdução do microcrédito em Portugal e que comemora no sábado o Dia do Microempresário, uma iniciativa que decorre pelo terceiro ano consecutivo e que tem como objectivo "celebrar a atitude de quem arriscou e criou o seu próprio negócio".

A data pretende ainda sensibilizar a população para a importância do microcrédito no combate ao desemprego e à exclusão social e financeira.

De acordo com a ANDC, desde que foi introduzido em Portugal, há 17 anos, o montante concedido em microcrédito ascende a 13 milhões de euros, que resultaram na criação de 2.286 novos postos de trabalho, tendo sido criados em média, nos últimos 10 anos, 157 micro negócios por ano.

Segundo os dados disponibilizados pela ANDC, este ano foram recebidas já 1.565 novas candidaturas, que resultaram em 130 projectos creditados, aos quais corresponde o montante de crédito aproximado de 1,285 milhões de euros.

"Os estudos de avaliação promovidos pela ANDC comprovam que o microcrédito é um instrumento eficaz de inclusão social e altamente eficiente, numa perspectiva social e de política pública, no apoio ao empreendedorismo", afirma o presidente da ANDC, António Baptista citado na nota da associação.

As áreas nas quais se verifica o maior número de projectos creditados são o comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos, seguida do alojamento, restauração e similares.

Numa análise geográfica, o Norte é a zona com o maior número de novos microempresários (41%), seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (23%), Centro (18%), Algarve (15%) e Alentejo (3%).

Em 2015, os créditos foram atribuídos na sua grande maioria a empreendedores entre os 31-40 anos (42%), com habilitações literárias ao nível do 12.º ano (36%).

"A procura por microcrédito tem vindo a aumentar nos últimos anos e há cada vez mais empreendedores a considerar a modalidade microcrédito para iniciarem o seu negócio", refere António Baptista.

Contudo, acrescenta, "ainda temos um longo caminho pela frente, pois ainda existe um grande desconhecimento das soluções de microcrédito por parte dos mais desfavorecidos, que a ANDC tem vindo a combater ao longo destes 17 anos".

Para assinalar o Dia do Microempresário, a ANDC vai organizar um ciclo de conferências sobre o tema em Lisboa, desafiando ainda o público "a olhar para a rua onde mora e a descobrir os micro negócios", comprarem localmente e darem atenção ao comércio de proximidade.

23.6.15

Amas têm um ano para se adaptar a novas regras

por J.C., in Diário de Notícias

Quem recebe crianças em casa pode passar a fazer parte de uma creche familiar ou criar o seu próprio emprego.

A atividade de ama já é reconhecida como profissão e está sujeita a um conjunto de novas regras, de acordo com o decreto-lei publicado ontem em Diário da República. No prazo de um ano, as amas terão de passar a integrar as chamadas creches familiares, enquadradas nas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), ou criar o seu próprio emprego. Este novo regime legal não agrada aos representantes do setor, que acreditam que centenas de amas vão acabar no desemprego.

Quem está enquadrado pelo Instituto de Segurança Social (ISS) terá um período de transição de um ano "tendo em conta a proteção das profissionais e das famílias que dispõem do serviço", no qual o ISS vai averiguar quais as amas disponíveis para integrar uma creche familiar, informou em comunicado o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social. As amas que optarem por trabalhar por conta própria podem beneficiar de incentivos à criação do próprio emprego, como o microcrédito.

Leia mais na edição impressa ou no ePaper do DN.

17.12.14

Microcrédito deu a mão aos novos empreendedores e está a arrebitar o comércio local

Texto de Marisa Soares e Ana Tulha, in Público on-line (P3)

Associação Nacional de Direito ao Crédito já ajudou cerca de 200 empresários a abrir negócio este ano, com recurso a pequenos empréstimos. O PÚBLICO foi conhecer alguns casos de sucesso em Lisboa e no Porto.

Ocupam lojas esvaziadas pela crise, à medida que encolhem os números do desemprego. São jovens licenciados com uma ideia, desempregados menos jovens mas ainda longe da reforma ou, simplesmente, pequenos empresários aos quais a banca fechou a porta. A Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) deu-lhes a mão e ajudou-os a subir os degraus do negócio, num caminho onde muitas vezes se fica para trás.

Os micro-empresários estão a trazer uma lufada de ar fresco ao comércio local, dentro e fora dos grandes centros urbanos. Só este ano, nasceram cerca de 200 micro-empresas com o apoio da ANDC, associação sem fins lucrativos pioneira no microcrédito em Portugal. São sobretudo restaurantes, cafés, cabeleireiros e centros de estética, mas também surgem cada vez mais projectos “fora da caixa”: hostels, aluguer de bicicletas, agricultura, serviços audiovisuais, lojas de artesanato e até lojas eróticas.

Em 16 anos, completados este domingo, a ANDC ajudou – gratuitamente – quase 2000 empresários a conseguirem empréstimos de 1000 a 12.500 euros, com juros mais baixos do que os praticados normalmente pela banca. No total, foram concedidos mais de 11 milhões de euros até ao final de 2013. Cerca de 30% desses negócios continuam de pé após quatro anos de existência. É uma taxa de sobrevivência superior à média nacional, que segundo o Instituto Nacional de Estatística ronda os 23,2%.

Para divulgar os casos de sucesso a associação criou o Dia do Micro-empresário, celebrado a 13 de Dezembro. Este ano a organização convidou a população a "olhar para o bairro onde mora, para a rua em que habita", sugerindo percursos que passam por negócios lançados através do microcrédito, em várias cidades. O PÚBLICO aceitou o desafio e foi conhecer alguns.

Contornar obstáculos

Não há uma receita para fazer vingar um negócio, mas Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito da ANDC, aponta alguns ingredientes: iniciativa e cautela para não dar passos maiores do que a perna. “É preciso ter paciência para esperar pelo crescimento.”

Helena Faria, de 51 anos, encaixa no perfil. Depois de 15 anos a trabalhar em marketing e publicidade, ficou desempregada aos 45, com "experiência a mais". Tinha um bacharelato em Direito, um master em Gestão Comercial e muita vontade de trabalhar. "Mas já não me apetecia nada que fosse por conta de outros", admite. Apostou na estética, mesmo sem formação na área, e investiu 40 mil euros para criar a Depilplus. Arrendou “um buraco antigo e velho” no número 16A da Rua de Santa Marta, em Lisboa, a dois passos da Avenida da Liberdade, remodelou-o e equipou-o. Mas o primeiro obstáculo surgiu antes de abrir: a casa de banho não estava conforme a planta disponível na câmara. Passou dois anos à espera da legalização.

Sem garantias para mais endividamentos na banca e com os prejuízos a crescer, Helena Faria esteve quase a desistir. Foi então que recorreu à ANDC. Pediu 8000 euros para arrancar com o negócio em Março de 2013. Além do seu posto de trabalho criou mais três. Hoje a Depilplus já não é apenas um centro de depilação definitiva: tem manicure e pedicure, massagens e tratamentos de pele.

O projecto de Helena Faria foi seguido por um dos sete técnicos da associação espalhados pelo país, que acompanham os projectos até os empréstimos estarem totalmente pagos. Após uma triagem inicial para confirmar a situação bancária do promotor, os técnicos analisam também a sua história de vida e contexto familiar, além do projecto em si. Depois, o processo é avaliado por uma comissão de voluntários e, caso seja aprovado, segue para os bancos.

“Já tendo a chancela da associaçao, é mais fácil para o banco aprovar. Temos mais de 90% dos projectos aceites”, diz Edgar Costa. A entidade bancária assume 75% do crédito, o promotor tem que apresentar um fiador para 20% e a associação (que é financiada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional) empresta os restantes 5%. “Se o projecto estiver bem estruturado conseguimos aprová-lo em 15 dias e em 60 dias o dinheiro está na conta do empresário”, afirma o gestor. Mas cada caso é único.

Lê o artigo completo no Público

3.12.14

Muhammad Yunus: “A ideia de procurar emprego está errada. É orientar para outro tipo de escravatura”

Joana Gorjão Henriques, in Público on-line

O pai do microcrédito acredita que não devemos procurar mas sim criar o nosso próprio emprego. Em conversa com o PÚBLICO em Londres defende ainda que a eliminação da pobreza é o passo para acabar com a escravatura

Oito anos depois de ter recebido o Nobel da Paz, Muhammad Yunus continua a ser uma estrela. Yunus é interpelado várias vezes depois do seu discurso na conferência anual Trust Women, organizada em Londres pela Thomson Reuters Foundation, a 18 e 19 de Novembro, e dedicada ao tema das mulheres e da escravatura. As conversas com curiosos são constantemente interrompidas, é-lhe pedido que tire selfies. Bem-disposto, vai aceitando, sorrindo.

Yunus (n.1940) recebeu o Nobel da Paz em 2006 pela fundação do banco Grameen e pela criação do microcrédito (pequenos empréstimos a pessoas pobres). Nascido no Bangladesh, criou o Yunus Centre, que desenvolve a sua filosofia e funciona como apoio aos negócios sociais (negócios sem prejuízos, nem dividendos, mas com mais valias sociais). Yunus não quis falar do Grameen e da polémica que o envolve (o governo do Bangladesh, em 2011, acusou-o de atropelos à lei; Yunus considera-se vítima de perseguição política).

Na conferência de Londres, encontrou-se com o Nobel da Paz deste ano, Kailash Satyarthi, o activista indiano que salvou 80 mil crianças do trabalho forçado. Conversa de 25 minutos num dos intervalos da conferência.

Kailash Satyarthi, na sua intervenção, contou a história de uma criança que tinha perguntado: o que nos impede de acabar com a escravatura? Quer responder?
Há muitas coisas erradas no mundo às quais as pessoas não ligam, e esta é uma delas. Diria que a resposta é a indiferença: as pessoas estão tão focadas em fazer dinheiro, na perseguição do lucro, em ambições pessoais em termos de quanto dinheiro se ganha... Temas como a violação dos direitos humanos, a escravatura infantil, a pobreza, a disparidade salarial não interessam. Nesse contexto, as pessoas tornam-se muito egoístas porque isso é encorajado num sistema que é alicerçado no egoísmo.

A escravatura é também um produto disso, entre outras coisas. Está-se tão focado em fazer dinheiro que não há interesse pelos direitos humanos, subjugam-se as pessoas para fazer dinheiro com elas.

Disse que os negócios sociais poderiam ser uma maneira de prevenir o tráfico de pessoas. Pode explicar melhor como?
As vítimas são pessoas que estão à procura de oportunidades porque não as tiveram nem as vêem na sua vida. As mães vendem os filhos e entregam-nos porque têm tão pouco que não conseguem alimentá-los. E pensam que, se os derem, recebem dinheiro – é um instinto de sobrevivência que as leva a sacrificar os filhos. Mas se conseguirmos melhorar a qualidade de vida dos pais a incidência desse problema diminui. Como? Criamos negócios sociais para empregar pessoas que não têm salários. É uma acção preventiva, tirar as pessoas da pobreza, de modo a que não estejam sob pressão para as vender, as mandar para a prostituição, etc. Isso é o que pode fazer um negócio social. Num negócio convencional não é isso que acontece: quer-se fazer dinheiro. Precisamos de negócios que não estejam sedimentados nos interesses pessoais, no egoísmo. São os negócios sociais, que não têm dividendos.

Os problemas a resolver são ajudar as famílias a melhorar a sua qualidade de vida, de educação, ou a criar emprego ou negócios, de modo a não se tornarem vulneráveis à pressão de vender os seus filhos.

Criou dois conceitos fortes, microcrédito e negócio social. Tem algum outro conceito que permita acabar com a escravatura ou fazer avanços na prevenção e combate?
O combate é mais um tema de lei e ordem – apanhar quem faz negócio com escravatura, condenar, etc. Estes são os mecanismos que existem, como deixar o sistema alerta de modo a receber os sinais das pessoas que estão em dificuldade, como melhorar a parte do crime, do sistema judicial e de modo a que os perpetradores não saiam ilesos.

A solução é criar consciência sobre o tema. Muita gente, mesmo os indianos, não sabe que metade do trabalho escravo infantil está na Índia. Se soubermos quantas pessoas estão nessa situação então ficamos alertas, fazemos disso um tema político, tornamo-lo um tema global. Então a questão é de como melhorar as leis, tornar o sistema sensível de modo a não se arrastar durante anos até chegar a uma conclusão. Estes são os temas da luta contra o crime. No comércio sexual mundial há mulheres a entrar no esquema e porque entram? Porque não têm alternativa e caem na armadilha. Se tiverem melhores alternativas não caem no tráfico.

O seu objectivo era que o Bangladesh cumprisse a meta dos objectivos do milénio para 2015. Como é que está neste momento nessa matéria?
Está muito bem. O objectivo número um, de erradicar a fome e a pobreza extrema em metade, conseguiu fazê-lo dois anos e meio antes – um dos países mais pobres do mundo atingiu isso antecipadamente. Em relação aos outros objectivos tem um bom desempenho, excepto na saúde maternal, mas estamos a tentar corrigir isso de modo a que, quando chegar Dezembro de 2015, atinjamos o objectivo ou cheguemos lá muito perto. Estamos a aplicar tecnologia para identificar a gravidez, desenvolvemos aplicações de telemóvel para mulheres grávidas em que respondem a 20 perguntas e, de acordo com as respostas, uma mulher pode identificar se está numa gravidez de risco – no Bangladesh 16% das gravidezes são de risco.

1.8.14

Jovens aderem em força ao Programa Nacional de Microcrédito

in Dinheiro Vivo

O Programa Nacional de Microcrédito está a chegar a mais projetos e, só no primeiro trimestre deste ano, cresceu 98%. Os jovens são os que mais aderem a esta ferramenta para capitalizarem os seus negócios.

De acordo com a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), a entidade gestora deste programa, foram validados 97 projetos de investimento, mais 98% do que no mesmo período do ano passado. O aumento relaciona-se com um maior interesse dos portugueses por esta forma de financiamento.

No arranque deste ano, Lisboa e Vale do Tejo foi a região com maior adesão, correspondendo a 32% do total de projetos validados entre janeiro e junho de 2014.

Conheça melhor aqui o programa de microcrédito e saiba como aderir

Os projetos apresentados são na sua maioria promovidos por jovens entre os 26 e os 35 anos (42%); com pelo menos o 9º ano de escolaridade (96%), 40% com o 12º ano. No que respeita à situação profissional, 37% estão desempregados há menos de 1 ano e 49% estão desempregados há mais de doze meses.

A validação destes projetos permite um investimento global de 1,6 milhões de euros e a criação de 148 postos de trabalho a tempo completo e outros 43 a tempo parcial. O investimento médio, refere a entidade, é de 16.707 euros.

19.6.14

Crise estimula interesse por microcrédito

Isabel Vicente, in Expresso

Pequenos negócios atraem jovens desempregados através de projectos apoiados pelo microcrédito.

A crise e o elevado nível de desemprego levam licenciados a procurar o microcrédito para montar os seus negócios. São essencialmente pessoas que perderam o emprego, de todas as idades, e jovens acabados de sair da universidade quem mais procura uma saída profissional através do recurso ao microcrédito.

Nos dias 19 e 20 vai realizar-se em Lisboa a 11ª Conferência Anual suibordinada ao tema "Emprego: Desafios e Oportunidades para a Microfinança". É a primeira vez que a European Microfinance Network (EMN), uma organização não governamental criada em 2003 e apoiada pela União Europeia, realiza esta conferência em Portugal.

O microcrédito permite, a quem não tem acesso ao crédito por falta de garantias, aceder a um projecto de negócio que é financiado e acompanhado por profissionais da banca.

Tratam-se de pequenos negócios que podem fazer a diferença na vida de quem está desempregado, tem um emprego precário ou simplesmente uma ideia de negócio inovadora. O microcrédito não é barato, tem risco para os bancos, mas pode ser uma solução para quem está sem trabalho.

Faisel Rahman, presidente da EMN, afirmou ao Expresso que "nos últimos anos se têm gerado milhares de empregos em toda a Europa nos países membros da EMN". Qual o impacto social da microfinança é uma das questões a discutir pelos cerca de 300 participantes na conferência a realizar-se no Hotel Sana, em Lisboa. O Millenniumbcp e a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) são parceiros da organização EMN.

Partilhar experiências e avaliar qual o impacto do microcrédito na vida dos empreendedores faz parte dos temas a debater na conferência.

Em 15 anos a ANDC apoiou 1786 projectos que envolveram um montente de financiamento na ordem dos 11,4 milhões de euros.

Entre os bancos portugueses que têm estas linhas de créditos estão o BCP, CGD, BES e BPI.

2.4.14

Apoios ao microcrédito “quase que não são utilizados”

in iOnline

O presidente do IEFP sublinhou que esse desconhecimento pode também surgir da falta de informação sobre os mesmos

O presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Jorge Gaspar, afirmou hoje, em Coimbra, que os apoios ao microcrédito, previstos no programa nacional do instituto, "quase que não são utilizados".

Muitos dos instrumentos de apoio do IEFP "são desconhecidos para a maioria das empresas", sejam estes de apoio à contratação ou ao empreendedorismo, disse Jorge Gaspar.

O presidente do IEFP sublinhou que esse desconhecimento pode também surgir da falta de informação sobre os mesmos.

Jorge Gaspar falava num seminário em torno do artesanato nos media, no Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE), em Coimbra, promovido pelo centro e pelo Instituto Superior Miguel Torga.

"O artesanato, do ponto de vista económico, é cada vez mais importante", defendeu, salientando que esta "é uma área com muito potencial".

Este setor é "fundamental não só para a subsistência das pessoas, mas para a fixação das mesmas", podendo ser um mecanismo de "combate à desertificação", referiu.

Segundo Jorge Gaspar, o artesanato pode assumir também "um papel importante" no "reforço das próprias exportações".






12.2.14

Empreendedorismo de subsistência ou de necessidade

Texto de Carlota Montenegro, in Público on-line (P3)

A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores

A criação de negócios próprios e o acesso a micro-créditos há muito que são vistos como a grande alavanca da economia de países em desenvolvimento. Hoje, países do “primeiro mundo” seguem cada vez mais o mesmo caminho e Portugal não é excepção. Não considero que devamos esperar eternamente por um Estado Social que trate de relançar a produtividade que há em nós mas, quando vejo o empreendedorismo jovem surgir como fuga desenfreada ao desemprego, acciono o alarme.

Um diploma não basta, seja de licenciatura ou mestrado, pós-graduação ou qualquer outro título académico. Agora, a educação não formal torna-se currículo obrigatório – seja por via do voluntariado, associativismo, blogues pessoais ou até de viagens. Contudo, a corrida ao sucesso tem ganho novos contornos e o ser-se empreendedor passa a ser quase a fórmula mágica. A ideia de que não se nasce empreendedor parece ser unânime, mas a crença de que “qualquer um pode sê-lo” também parece ser facilmente aceite e consensual.

O desemprego jovem em Portugal atingiu os 36.8% em Novembro de 2013. Um cenário dramático mas considerado “ideal” para estimular a veia inovadora de muitos. Programas como o Impulso Jovem, que serve de incentivo ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego, aliviam a carga burocrática e eliminam muitas barreiras inerentes ao risco inicial. Cai-se facilmente na ideia imaginária de que o empreendedorismo é a solução para o desemprego (em particular o da geração jovem). Rui Baptista, professor de Empreendedorismo Internacional na Brunel Business School em Londres, explica que o elevado desemprego desta geração leva a que tantos vejam o empreendedorismo como uma solução alternativa.

Nos países em desenvolvimento, a percepção de que o microfinanciamento tem vindo a descarrilar é uma opinião tida já por líderes e especialistas da área. É frequente que os negócios desenvolvidos não se tornam geradores de desenvolvimento sustentável nem de redução da pobreza. Qual a correlação com Portugal? Rui Baptista esclarece. “O 'empreendedorismo de subsistência ou de necessidade', que se assume como a única alternativa viável ao emprego, tem um impacte económico muito baixo "porque se trata de empresas que não vão crescer e que não vão criar emprego". A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores, e em 2013 as novas empresas envolveram cerca de 46.256 empreendedores (segundo a Informa D&B). Mas o ser-se inovador, o saber aproveitar oportunidades e correr riscos não é suficiente. Na criação de negócios próprios com sucesso e de longa vida, não está à venda o “tamanho único”.

Não se pretende cortar caminhos nem incentivos. Menos ainda se pretende arrasar com a capacidade de sonhar e de dar a volta dos portugueses nesta época de tamanho aperto. Contudo, Saif Mohammad Moinul Islam, coordenador da Care Banglasdesh afirma, e bem – “Para dar poder ('empower'), é preciso primeiro trabalhar no contexto e depois no individual.” E é neste ponto que, enquanto jovem, levanto a voz. As repercussões da crise podem reanimar nas novas gerações um sentido de risco e de criatividade adormecidos. Porém quando parte de uma economia e de uma taxa de empregabilidade jovem se tornam refém da ebulição de novos negócios individuais, a visão enturva-se.

2.1.14

Quer fugir ao desemprego? Crie o seu próprio negócio

Por Sónia Peres Pinto, in iOnline

Recorrer ao microcrédito e ao capital de risco são duas alternativas ao crédito bancário tradicional

Criar o seu próprio negócio poderá ser a solução para responder à elevada taxa de desemprego. E, como muitos especialistas defendem, é em alturas de crise que se podem criar verdadeiros negócios de sucesso. Esta tarefa, à primeira vista complicada, é bastante mais simples do que parece. Ter uma boa ideia - embora não seja tudo - é o requisito inicial para constituir uma empresa. A partir daí, é necessário recolher informação e desenvolver a ideia (ver coluna ao lado).

Depois da ideia, é também preciso arranjar capital. O ideal seria que conseguisse financiar o seu negócio com capitais próprios, mas a percentagem de empreendedores que consegue criar uma empresa sem recorrer a financiadores externos é residual. Por isso, deve estar preparado para defender o seu projecto junto da banca, de investidores privados ou empresas de capital de risco. O recurso às instituições financeiras é uma das formas mais comum dos empreendedores conseguirem obter financiamento. O que é certo é que o acesso ao crédito é cada vez mais restritivo, já que a banca está a conceder cada vez menos financiamento devido à crise financeira. De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, a banca concedeu 74 842 milhões de euros às pequenas e médias empresas em Outubro.

Microcrédito Outra hipótese passa por recorrer ao microcrédito. Geralmente esta é a solução para todos aqueles que não têm acesso ao crédito bancário normal e desejam realizar um pequeno investimento. Contudo, o valor do empréstimo tem alguns limites e varia dos mil aos 15 mil euros (ver coluna). O número de contactos feito junto da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) aumentou. "O número aumentou 14% em relação ao período homólogo de 2013, no entanto, "verifica-se que aumentou também o número de pessoas com incidentes bancários activos, pelo que esta subida não se traduziu num aumento de microcréditos aprovados", disse a associação ao i.

Só podem candidatar-se a estas linhas de financiamento desempregados ou indivíduos sem acesso ao crédito tradicional ou incidentes bancários com capacidade para trabalhar por conta própria e que apresentem fiadores. Mas nem todos os projectos são aprovados. "A maioria dos pedidos que recebemos são recusados porque em muitos casos o projecto não tem condições de viabilidade. O potencial micro empresário tem incidentes bancários activos ou por outros motivos, ligados ao negócio ou às suas condições pessoais. Preocupamo-nos em apoiar apenas os projectos que têm condições de sucesso porque o nosso objectivo é ajudar as pessoas a melhorarem as suas condições de vida", salienta a associação.

Segundo a mesma, os pedidos são feitos essencialmente para a área de serviços e comércio local.

capital de risco Apostar no capital de risco é outra alternativa para quem quer lançar o seu negócio, mas não tem o capital necessário. Este é aplicável a projectos de arranque, expansão, modernização e inovação empresarial. O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI) é o principal financiador público de fundos de capital de risco e promove a constituição destes instrumentos em parceria com a generalidade dos operadores privados que desenvolvem esta actividade.

As participações no capital social das empresas através deste instrumento de financiamento concretizam-se pela realização de aumentos de capital que podem ser complementados por suprimentos, prestações suplementares de capital ou outros instrumentos financeiros análogos por parte de um operador especializado de capital de risco, nomeadamente as Sociedades de Capital de Risco (SCR) ou Fundos de Capital de Risco (FCR).

Geralmente as participações são temporárias e, na generalidade dos casos, minoritárias. O operador de capital de risco intervém na empresa com o objectivo de criar valor, alienando a sua participação num prazo médio de três a sete anos. Contudo, as condições de entrada, de relacionamento e de saída são predefinidas num acordo parassocial celebrado entre os promotores e investidores de capital de risco.




22.11.13

Novo programa de microcrédito quer criar dois mil empregos em dois anos

por Teresa Almeida, in RR

Novo programa de apoio ao microcrédito é ser lançado esta sexta-feira, no distrito de Braga. Espera-se que sejam sobretudo os jovens a aderir.

A Associação Comercial e Industrial de Barcelos (ACIB) lança esta sexta-feira um novo programa de apoio ao microcrédito que pretende ser uma resposta no combate ao desemprego num dos distritos mais afectados pela falta de postos de trabalho.

O problema do desemprego “neste distrito é acrescido”, afirma o presidente da ACIB, João Albuquerque. O distrito é “um dos mais elevados do país e atinge essencialmente os jovens”, acrescenta.

Nos próximos dois anos, podem ser criados dois mil postos de trabalho, uma vez que a “expectativa é fazer nascer 500 novas empresas”.

Importante é também que “estas empresas se mantenham durante muito tempo a laborar, porque Barcelos e Braga têm uma taxa altíssima de criação de empresas, mas temos também uma taxa altíssima de morte de empresas. E esta morte de empresas tem a ver com o facto de não terem sido bem assessoradas, bem acompanhadas”, defende João Albuquerque.

A ACIB não quer que o programa seja visto apenas como uma resposta social, mas sim como um projecto multissectorial, que “seja levado aos jovens licenciados com carácter empreendedor”.

A partir de hoje, cada empresa constituída pode ter direito a um valor máximo de 20 mil euros para arrancar com o projecto.

5.2.13

Jovens recorrem ao microcrédito para recuperar negócios abandonados pelos patrões

in Jornal de Notícias

Quatro em cada dez negócios abertos através do microcrédito, em 2012, foram de empreendedores com menos de 30 anos, muitos dos quais recuperaram negócios abandonados pelos antigos patrões, segundo a Associação Nacional de Direito ao Crédito.

Dados ainda não definitivos da ANDC indicam que, em 2012, foram creditados 174 negócios, mais dez do que em 2011 e mais 24 do que em 2010.

Além dos 174 projetos creditados, num montante de 1,3 milhões de euros, responsáveis pela criação de 218 postos de trabalho, encontram-se a aguardar crédito mais 42 processos.

"Em 2012, 40% dos projetos creditados foram de empreendedores com menos de 30 anos, o que é uma alteração muito grande no nosso universo", disse, esta segunda-feira, à agência Lusa Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito, acrescentando que "muitos deles estão a pegar em negócios que os patrões estão a fechar".

Fazendo um balanço de 2012, Edgar Costa disse que se registou um "comportamento diferente" entre o primeiro e o segundo semestre.

Até junho, os projetos aprovados aumentaram 50%, em relação a igual período de 2011. O segundo semestre foi "relativamente mais fraco do que o habitual, o que interpretamos com algum receio face às expectativas e incertezas por causa da crise", disse o gestor, explicando que as pessoas tiveram receio de arriscar em novos negócios.

Contudo, a procura começou a retomar no final do ano e em janeiro registou-se, novamente, "bastante procura".

"Houve um impacto muito grande das medidas de austeridade adicionais e as pessoas pensaram que 2013 iria ser um ano muito difícil, como vai ser, mas, ainda assim, não vamos fechar as portas do país, vamos continuar a ter de fazer a nossa vida, comprar as nossas coisas e foi isso que as pessoas perceberam", comentou.

Sobre os negócios mais procurados, Edgar Costa disse que "o alojamento e a restauração ainda se mantêm com alguma preponderância".

Deu como exemplo os restaurantes que estão a fechar: "É possível reabrir restaurantes com outro tipo de serviço e por menor preço", disse.

A associação também está a registar muitos pedidos de jovens com formação superior para negócios na área de consultoria e tecnologia e de imigrantes, que representam já 13% dos projetos.

A taxa de sucesso é de 70%, mas há negócios que não chegam ao fim, uns por razões pessoais e outros porque as expectativas não saíram corretas.

A maior parte paga o seu crédito, mesmo que o negócio encerre. "Alguns créditos são relativamente pequenos e as pessoas fazem um grande esforço, mas acabam por pagar".

O valor do empréstimo pode ir até aos 15 mil euros, mas a média situa-se nos 7.500 euros, sendo as mulheres quem mais recorre ao microcrédito.

O maior número de negócios encontra-se na região de Lisboa (38,6%), seguindo-se o Norte (24%), Centro (21%), Alentejo (10,4%) e Algarve (5,9%).

Há também cada vez mais imigrantes a solicitarem um microcrédito, representando cerca de 13% dos projetos.

Os jovens entre os 25 e os 35 anos são os que mais arriscam num negócio (35,7%), seguindo-se o grupo 35/45 anos (28,1%), dos 45/55 anos (18%), com menos de 25 anos (12,1%), entre os 55 e os 65 anos (5,8%) e os maiores de 65 anos (0,3%).

A maioria dos empreendedores tem o ensino secundário (30,4%), 14,1%, o ensino superior, e 5,5% tem frequência universitária.

11.10.12

Desempregados são quem mais procuram microcrédito

António de Albuquerque, in Económico on-line

A crise económica e financeira está a levar muitos desempregados a encontrar solução para as suas vidas criando o seu próprio negócio. Mas estes não são os únicos a pretenderem dar uma volta de 180 graus, já que são cada vez mais os jovens licenciados que procuram esta solução também para se lançarem no mundo dos negócios. Os principais bancos como a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Millennium bcp, o Banif, o Santander Totta, o BPI e o Banco Espírito Santo (BES) têm apostado nestes produtos. Mas foi o Millennium bcp que de uma assentada anunciou mais de 20 milhões de euros financiados através do microcrédito, bem como a adesão ao European Progress Microfinance Facility (Progress Microfinance). Com esta iniciativa, o banco liderado por Nuno Amado torna-se o primeiro banco em Portugal a ter acesso a este mecanismo, que visa garantir operações de microcrédito apoiando microempreendedores e a criação de auto -emprego.

Aliás, o banco em Agosto já tinha apoiado 190 projectos, com um volume de financiamento associado de 2,2 milhões de euros e com capacidade de criarem 270 novos empregos. Um valor que já é muito idêntico ao registado nos últimos dois anos, segundo números facultados pela instituição financeira. Em 2009, foram emprestados dois milhões de euros, e no ano passado 2,19 milhões com 226 e 213 projectos aprovados, respectivamente.

Helena Mena, responsável pelo departamento de microcrédito do Millennium bcp, questionada sobre o perfil dos candidatos, é peremptória ao afirmar que "41% são de pessoas em situação de desemprego". Mas a mesma responsável não deixa de assinalar um interesse crescente dos jovens finalistas e licenciados universitários. "Os recém-licenciados sentem a necessidade de criar o seu próprio posto de trabalho, investindo em projectos inovadores e consentâneos com a sua formação e habilitações. Sem acesso a crédito na banca tradicional, têm no microcrédito a solução para o desafio que enfrentam ao entrar no mercado de trabalho", salienta Helena Mena. E quanto ao tipo de negócios que estão a criar maior apetência pelos novos empreendedores? Os números são bem elucidativos, ao descreverem que o pequeno comércio a retalho e restauração como os mais significativos ao ultrapassarem mais de 47% do total.

Em relação ao custo do dinheiro, Helena Mena, sem relevar uma taxa média, chama a atenção para o serviço que é prestado pela instituição, que passa pelo "acompanhamento permanente ao microempreendedor, desde o primeiro momento até ao final do contrato de financiamento". Contudo, a responsável reconhece que se trata de "um segmento com um risco de crédito bastante elevado".

Trabalho publicado na edição de 11 de Outubro de 2012 do Diário Económico

7.5.12

Quer fugir ao desemprego? Crie um negócio a partir de 1500 euros

Por Sónia Peres Pinto, in iOnline

A maioria dos negócios em franchising exige investimento até 25 mil euros

Quer fugir da crise financeira ou da elevada taxa de desemprego? Então investir no seu próprio negócio poderá ser uma alternativa. Há ofertas para todos os gostos, modalidades e a preços “low cost”. O Instituto de Informação de Franchising (IIF) diz ao i que é possível abrir uma empresa a partir de 1500 euros. Mas quem quer gastar mais também pode, há opções que exigem montantes na ordem dos 450 mil euros.

A verdade é que os investidores portugueses tendo em conta a crise financeira são mais contidos. Segundo o IIF, 40% das oportunidades de negócio que estão a operar no mercado apresentam um investimento inferior a 25 mil euros, mas a maioria dos conceitos têm apostado num investimento inferior a 10 mil euros. “A maioria destas marcas encontra-se no sector dos serviços e muitas delas são negócios que podem ser geridos a partir de casa”, refere. No entanto, 66% das oportunidades de negócio apresentam investimentos até 50 mil euros.

Optar por um negócio em regime de franchising é uma opção, tendo em conta que o modelo já está testado. Foi o que aconteceu com o responsável da Loja do Condomínio, Paulo Antunes. “O franchising é por definição um negócio testado, onde a transmissão de know-how é um factor obrigatório. Se montar um negócio envolve sempre riscos, o franchising será sempre a melhor forma de os reduzir muito significativamente”, diz ao i.

Uma opinião partilhada pelo director--geral da Melon (empresas ligadas à construção civil), João Carvalho, ao dizer que o franchising “funciona como uma espécie de rede de segurança para os investidores, uma vez que assenta em modelos de negócio já testados”.

Como existe actualmente uma grande pressão sobre o preço, Paulo Antunes admite que também neste sector há uma grande preocupação por este factor. “O franchising permite agregar as suas unidades em centrais de compras, garantindo assim uma maior competitividade, em termos de custos operacionais”. A Loja do Condomínio conta com 71 unidades no mercado português, 50 em Espanha e seis no Brasil. Para entrar neste negócio é necessário investir 36 mil euros.

Paulo Antunes reconhece que as dificuldades de acesso ao crédito continuam a ser um obstáculo, por isso mesmo o responsável garante que é obrigado “a reinventar modelos de negócio de forma a facilitar o empreendedorismo dos nossos franchisados. Mas mesmo com essa contingência continuamos a abrir unidades e a registar sucesso na nossa operação”, admite ao i.

Já João Carvalho salienta que no de-senvolvimento de um negócio em regime de franchising, o acesso ao crédito é menos dificultado do que nos casos de empreendedores independentes. “ As instituições bancárias também reconhecem o risco de apoiar o investimento de alguém que apenas tem uma ideia de negócio, em comparação com o investimento num negócio que já tenha provas dadas”, acrescentando ainda que na Melon “temos tido alguns casos de financiamentos de negócio a 100%, mas não é fácil, os nossos franchisados tiveram de lutar muito e convencer a banca que o risco de aderirem a um franchising era menor”.

Crise O franching não ficou alheio à retracção económica que se vive no país. De acordo com o IIF, no segundo semestre de 2011 verificou-se uma redução do número de unidades totais em funcionamento – existem neste momento 11 760 unidades – e consequentemente verificou-se uma contracção no emprego em cerca de 4%. “As dificuldades acrescidas de financiamento, a falta de confiança dos mercados e a passagem ao estatuto de país intervencionado pelas instâncias internacionais, acabou inevitavelmente por afectar também este sector”.

Segundo o IIF, o sector dos serviços é aquele que continua a ter maior potencial de crescimento, uma vez que continua a ser alvo de maior procura e é responsável por 56% das oportunidades de negócio, totalizando 5600 unidades. “Isto deve-se essencialmente aos seguintes factores: perfil de investidor existente no mercado é um quadro médio-superior mais vocacionado para esta área; maior procura por parte das empresas e consumidores de serviços especializados; é o sector que reúne o maior número de oportunidades de baixo investimento e sem necessidade de espaços comerciais com localização privilegiada”, salienta.

Dentro dos serviços, as áreas de negócios que aglutinam o maior número de unidades são os serviços de transporte e apoio a negócios, estética, saúde e bem--estar, consultoria financeira/auditoria e seguros, mediação imobiliária, serviços de conveniência, agências de viagens e formação e ensino. No sector do comércio, destacam-se os conceitos de compra e venda de ouro, responsáveis por mais de 400 unidades em operação.

Assistiu-se também a um crescimento das unidades em operação no estrangeiro com um aumento de 3,4% em 2011.

3.3.12

Desempregados recebem ajuda para criar o seu próprio trabalho

in Rádio Horizonte Algarve

Como criar o próprio emprego? Foi a esta resposta que representantes do Centro de Emprego de Faro, do Microcrédito e do Município de Olhão tentaram responder ontem à tarde no Salão da Casa do Povo do Concelho de Olhão em Moncarapacho. A sessão, destinada a desempregados, teve casa cheia.

O desemprego no Algarve é preocupante. O Município de Olhão, atento a esta problemática decidiu, em parceria com o Centro de Emprego de Faro, realizar um conjunto de sessões subordinadas à criação do próprio emprego. A primeira decorreu ontem à tarde em Moncarapacho, com cerca de 200 pessoas na assistência. Seguem-se Fuseta (12 de março, no Centro Comunitário da delegação da Fuseta da Cruz Vermelha Portuguesa), ACASO - Quinta do Brejo (11 abril), Junta de Freguesia de Pechão (19 abril) e Biblioteca de Olhão (23 abril).

Para ultrapassar o problema da pouca atividade laboral, os técnicos do Centro de Emprego de Faro – António Palma, diretor do centro, e Vítor Madeira, responsável pelo PAECPE (Programa de Apoio ao Empreendedorismo e Criação do Próprio Emprego) do Algarve, assim como Laura Soares, representante da Associação Nacional de Direito ao Crédito, deram algumas dicas à assistência. Também o vereador do Município de Olhão António Camacho, com o pelouro da Ação Social, referiu as possibilidades que a Autarquia, apesar de não ter a responsabilidade de criar empregos, disponibiliza para a criação de projetos financiados, nomeadamente através do Grupo de Ação Costeira (GAC) do Sotavento, sedeado em Olhão, ou da Rede Social, entre outros.

“Estamos dispostos a ajudar a abrir uma janela de oportunidade para cada um de vós, desde que estejam disponíveis para isso”, disse o autarca à plateia, referindo-se nessa oferta de ajuda igualmente a instituições como a ACASO, a Casa do Povo de Moncarapacho ou a Cruz Vermelha da Fuseta.

“Sou uma pessoa com sorte porque tenho emprego!”, começou por dizer o diretor do Centro de Emprego de Faro, António Palma, incentivando ao pedido de ajuda ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelando, assim como Vítor Madeira, as várias alternativas existentes para abrir um negócio, fazer formação ou até as ofertas de emprego que existem fora do País.

Laura Soares, que explicou em que consiste o microcrédito, destinado a pessoas que não têm como solicitar ajuda financeira aos bancos; é a instituição que faz a mediação entre as duas partes. O microcrédito aposta no empréstimo de pequenas quantias e destina-se tanto aos desempregados como a trabalhadores precários ou a proprietários de negócios já existentes.


Para mais informações os interessados podem encontrar todos os pormenores em http://www.iefp.pt ou em http://www.microcredito.com.pt