Daniel Moura Borges, in Público on-line
Este ano a pandemia de covid-19 dificultou ainda mais as possibilidades de sucesso de novos empreendedores. Numa luta constante para manterem as portas abertas, os estabelecimentos que começaram a surgir no final de 2019 e início de 2020 viram os seus rendimentos iniciais reduzidos pelo confinamento.
“Tudo o que não poderia acontecer num primeiro negócio aconteceu”, diz Bruno, sentado numa mesa interior da Chasing Rabbits, uma loja de vinis que funciona também como café, da qual é dono. Juntamente com a sua parceira Ana, Bruno abriu o espaço há pouco mais de um ano, em Novembro de 2019.
Na Rua do Sol ao Rato, entre Campo de Ourique e o largo do Rato (Lisboa), Ana e Bruno decidiram começar um negócio baseado nas respectivas vivências e no que gostam de fazer. Formados na área da publicidade e do design gráfico, decidiram investir num negócio que é uma “continuidade de uma partilha musical” que já faziam em casa.
No salão principal da loja costuma está sentada uma cadela Border Collie chamada Grace. Estão expostos à venda postais de artistas conhecidos, desde Tom Waits a Lou Reed, vários pins, sacos de pano com o logótipo da loja e ainda algumas revista da área da música. Há algumas mesas para os clientes se sentarem, mas o espaço é apertado.
Em frente há uma passagem para uma pequena esplanada exterior, decorada de verde com plantas e flores. À esquerda a divisão onde estão expostos discos, livros e mais recentemente uma exposição fotográfica intitulada Do Espaço que existe entre o Princípio e o Fim, bem como um cantinho de audição de música com um gira-discos e um longo sofá em pele.
Os primeiros meses foram suficientes para se ligarem ao bairro e para conquistarem alguns clientes que se tornaram habituais, mas o sucesso do negócio é difícil de medir, precisamente por causa do início da pandemia. “Tanto pode estar a tapar um futuro muito promissor, como pode estar a tapar um futuro não muito promissor”, diz Bruno.
Quando projectaram o futuro, Bruno e Ana não equacionaram uma pandemia que levaria ao encerramento contínuo da fonte de rendimento. “Nunca achas que chega perto de casa... e de repente chega”, explica o dono. Fecharam as portas durante o primeiro fim-de-semana do confinamento, por perceberem “que as pessoas estavam assustadas” e que “já não estavam a circular da mesma forma”.
Pensaram que “poderia não valer a pena abrir” novamente, visto que o negócio estava a começar e que não tinham ainda alicerces e rotinas. “Decidimos não o fazer porque o processo já estava em curso, há dinheiro investido”, justifica. “Achámos que nos poderíamos adaptar”.
E foi o que fizeram. Abriram a esplanada exterior para haver alguma circulação de ar e a possibilidade de as pessoas manterem o distanciamento. Apostaram no formato online através do site, que agora funciona também como loja, bem como das redes sociais. Mas não foi o suficiente para colmatar as falhas no rendimento.
“Perdemos rendimento porque tivemos o espaço fechado com rendas para pagar, com fornecedores para pagar, com comida para nos alimentarmos”, diz Bruno. “É dinheiro que se foi da bolsa que era o que nos daria alguma almofada na construção do negócio. Foi-se, e está cada vez mais difícil neste momento.”
Do Estado receberam o apoio aos sócios-gerentes, mas recusaram as linhas de créditos. “É um assumir que vamos ter outra corda ao pescoço”, explica o dono.
O objectivo dos gerentes é tentar reduzir a dívida ao máximo e aumentar o lucro para tornar o negócio sustentável, mas a imprevisibilidade da pandemia tornou qualquer planeamento impossível. Encomendas de stock, contratação de pessoal, flexibilização de horários, tudo é posto em causa devido à covid-19.
“É bom ainda estarmos cá. É muito mais difícil do que era há um ano. É muito mais desgastante do que era há um ano atrás, mas ainda continuamos cá.”, confessa Bruno. “Quanto tempo vamos continuar? Não sabemos”, admite. “Temos ainda alguns indícios positivos, mas a margem de erro é gigante”.
Pôr um negócio em pausa
Um pouco mais abaixo, ainda na Rua do Sol ao Rato, abriu em Setembro de 2020 o The Whisk Café. Catarina e Ricardo, que gerem o café, conheceram-se em Angola, enquanto trabalhavam os dois na área de consultoria de gestão. Planeavam que o espaço abrisse em Maio, mas a pandemia veio adiar esses planos e pôr uma pausa em todo o desenvolvimento do projecto.
A ideia surgiu em Novembro de 2019 e o casal empenhou-se na procura de um espaço para começar a planificação e construção do café. As obras começaram em Fevereiro, altura em que abandonaram outras fontes de rendimento para se focarem no projecto. Os planos estavam feitos para abrir o mais depressa possível, mas em meados de Março, quando a taxa de propagação do coronavírus começou a aumentar em Portugal, o arquitecto desapareceu.
As obras pararam quinze dias na altura do confinamento e o espaço acabou por ser desenhado pelos donos. O The Whisk é um salão algures entre o estilo industrial e vintage com uma longa mesa de madeira ao meio, acompanhada em comprimento por um espelho na parede. Várias mesas de diferentes formatos ocupam a montra e os cantos do café e as paredes estão enfeitadas com placas metálicas de estilos diferentes. Ao pé da porta lê-se, num sinal iluminado, “The Whisk”.
Aliados à falta de arquitecto e ao adiamento das obras surgiram outros desafios. “A maior dificuldade foi por parte da EDP”, explica Ricardo. “Precisávamos de ter um aumento de potência significativa e eles não nos deram resposta. Pedimos em Fevereiro e só nos responderam em Agosto”.
Outro problema foi a entrega de equipamentos. A máquina de café do The Whisk, que veio de Itália, atrasou-se porque as fábricas encerraram devido à covid-19. O mesmo aconteceu com os equipamentos da cozinha, que vieram da Alemanha. Todo este tempo entre problemas significou apenas despesa e nenhum rendimento para os donos.
Não conseguiram ajuda financeira por parte do Estado. “Uma candidatura que fizemos em Abril, recebemos uma resposta negativa há um mês”, diz Ricardo. “De 60 e tal projectos que foram submetidos, apenas três candidaturas não foram aprovadas e a nossa foi uma delas”, diz Catarina.
“Quando o presidente da câmara de Lisboa disse que iam haver apoios para a restauração eu telefonei para a Câmara e eles disseram-me: «Você só começou actividade este ano, não tem histórico do ano passado, por isso não há nada»”, lamenta Ricardo. “Eu vou pagar na mesma os impostos, nós começámos este ano, é este ano que precisamos de ajuda”.
Associado à falta de clientes e de rendimentos está também a dificuldade em gerir um café num momento tão imprevisível. A falta de uma matriz de instruções clara e as constantes mudanças nas medidas de restrição contra a covid-19 causaram já alguns mal entendidos.
“No primeiro fim-de-semana nós fechámos porque achámos que as notícias não eram muito claras. Não queríamos estar a abrir e depois receber uma multa. Foi um rombo enorme porque depois percebemos que o fim-de-semana teria corrido bastante bem”, explica Catarina.
Segundo a empresária, o mesmo aconteceu com as segundas-feiras antes dos feriados de 1 e 8 de Dezembro, em que o café fechou mais cedo do que podia ter fechado porque as instruções não era claras.
O orçamento para o plano de negócio foi ultrapassado apenas por cerca de 10%, mas os custos fazem-se sentir nas poupanças pessoais dos donos, já que estiveram vários meses com o negócio parado e continuam na expectativa de como será o futuro.
“Quando se falava em retorno ao investimento em três, quatro anos se tudo corresse bem, hoje não consigo prever quando é que as coisas voltam ao normal”, explica Ricardo.
“Há dias em que não entram 10 pessoas na loja”
Germano Roriz, dono da mercearia de produtos brasileiros Mercadim, em Picoas (Lisboa), lamenta o mesmo: “Eu fiz um plano de dois anos. Em dois anos, teoricamente, um negócio bem administrado consegue começar a ter o seu ponto de equilíbrio. Já se passou um ano e eu estou muito longe do ponto de equilibro”.
Germano abriu o Mercadim em abriu em Novembro de 2019 com a sua mulher Flávia, depois de terem decidido mudar-se para Portugal para passar o resto da vida. A maioria dos seus clientes é imigrante brasileira que vêm à procura de produtos da sua terra. Entre as prateleiras podem-se encontrar bombons Malandro, farofa de mandioca e paçoca Moreninha do Rio, entre outros produtos tradicionais do Brasil.
Na esquina da Rua São Sebastião da Pedreira com a Rua Viriato, em frente ao Hotel Turim Europa, o negócio está posicionado de forma estratégica.
“Escolhi este lugar porque estou perto de uma agência do SEF, estou perto do Fogo de Chão que é uma churrasqueira brasileira muito movimentada, estou perto de uma Conservatória, onde os brasileiros têm de ir muito, estou perto das Finanças, estou perto do Boi Preto, que é outra churrasqueira brasileira. Ou seja, o lugar que eu escolhi é o lugar que os brasileiros frequentam”, explica Germano.
No entanto, o início da pandemia retirou alguma da relevância comercial da zona ao mercado. A agência do SEF fechou, as churrasqueiras fecharam, a conservatória também. O Mercadim perdeu clientes que entravam na loja vindos da rua, passando a depender de pessoas que vinham especificamente para fazer compras de produtos especializados. “Muitos clientes habituais voltaram para o Brasil”, acrescenta Germano.
Embora seja um negócio de bens essenciais e tenha a possibilidade de ficar aberto mais tempo que os restaurantes, o facto de ser uma mercearia especializada significa que a quantidade de clientes é mais reduzida. “Há dias em que não entram 10 pessoas na loja”, diz o empresário.
Como os donos do The Whisk, Germano também não teve acesso a apoios financeiros por parte do Estado porque não tinha rendimentos relativos ao ano anterior, e portanto teve de utilizar a sua reserva destinada ao negócio para se sustentar numa altura em que os clientes são escassos e o lucro é incerto.
“Estamos a comer a nossa reserva, o que não era o planeado. Não era suposto estarmos a usar o nosso dinheiro de reserva para morar e para comer”, explica. “O que a pandemia fez foi dilapidar aquela reserva que era específica para a manutenção do negócio até que ele se conseguisse equilibrar”.
As encomendas de stock sofreram muita instabilidade durante o início da pandemia, devido ao desconhecimento do que se passava e iria passar. Antes, como não sabiam o que se avizinhava, os donos fizeram uma compra de stock para o número de vendas que esperavam fazer. Com o início da pandemia e do confinamento, muito desse stock teve de ir para o lixo por passar a data de validade, porque não havia procura. Todas as compras de têm de ser, portanto, calculadas minuciosamente, para que não haja mercadoria em falta ou a mais.
Retomar uma normalidade de vendas a médio prazo mantém-se como o objectivo de Germano, que tem visto o negócio que construiu a sofrer com a falta de clientes, a falta de apoios e a imprevisibilidade das pessoas e da pandemia. No entanto, mantém-se optimista com o início da vacinação. “Eu só olho para a frente”, conclui.
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9.12.20
Modar-te: Catarina quer um “núcleo criativo” do têxtil em Amarante
Marta Sousa Coutinho, in Público on-line
Para pôr Amarante a olhar para a arte e o design do têxtil de outra forma, Catarina Noronha quer abrir um núcleo criativo na cidade onde nasceu. O Modar-te tem uma campanha de crowdfunding até 22 de Dezembro.
Catarina Noronha quer mudar o olhar sobre a moda e criar memórias colectivas. Para isso, a jovem pensou o Modar-te, um núcleo criativo que visa contribuir para uma cidade com um olhar mais aberto para a arte e o design. O projecto pretende criar em Amarante, de onde Catarina é natural, um estúdio de coworking, eventos e oficinas e workshops para todas as idades. O “conceito de estúdio para o mundo digital” através do canal de YouTube vai ser outra das inovações do projecto. Em Fevereiro de 2021 serão lançadas entrevistas e um diário gráfico de quem utiliza o espaço de coworking, que será disponibilizado a partir de Janeiro, e onde haverá oficinas e workshops relacionados com o têxtil. Para tal, a jovem lançou uma campanha de crowdfunding.
Sem esquecer as artes mais antigas, o Modar-te pretende ainda “pegar em técnicas ancestrais de artesanato e revitalizá-las através de um design mais contemporâneo, no qual as gerações mais novas se identifiquem”. Há já vários workshops programados por pessoas mais velhas com conhecimentos em artesanato e direccionados aos mais jovens, ainda que sem limite de idade.
A educação é um dos quatro conceitos pelo qual o projecto se rege. Catarina, de 28 anos, inspirou-se numa experiência do Serviço de Voluntariado Europeu na República Checa, onde trabalhou com crianças na criação de uma colecção de moda conceptual, tendo depois originado um desfile. A promoção do têxtil “enquanto forma de expressão artística” é outro dos conceitos que o projecto pretende abordar, através da venda das peças criadas, do canal no YouTube e de eventos e exposições. A ilustração, o design e respectivo re-design e o up-cycling - a reutilização de objectos que parecem inúteis e a sua transformação criativa - são, também, pilares do projecto.
Catarina Noronha estudou Ciências no ensino secundário e começou a estudar Genética e Biotecnologia na faculdade, mas cedo se apercebeu de que aquilo que queria mesmo fazer a nível profissional era trabalhar na área das artes. Acabou a estudar Design e Marketing de Moda na Universidade do Minho e no fim da licenciatura promoveu desfiles e um evento criativo de moda em Amarante, que durou 12 horas e, mais tarde, se tornou o projecto com o mesmo nome para o qual lançou uma campanha de crowfunding.
Apaixonada pela sua cidade, Catarina quer continuar a viver pelas margens do Tâmega. Não tendo muita oferta de trabalho na área de moda e design, decidiu abrir o próprio espaço. Para tal, tem a decorrer uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL: as contribuições podem começar nos cinco euros e ir até aos 1000, recompensados com um busto de gesso. A campanha está online até 22 de Dezembro.
Para pôr Amarante a olhar para a arte e o design do têxtil de outra forma, Catarina Noronha quer abrir um núcleo criativo na cidade onde nasceu. O Modar-te tem uma campanha de crowdfunding até 22 de Dezembro.
Catarina Noronha quer mudar o olhar sobre a moda e criar memórias colectivas. Para isso, a jovem pensou o Modar-te, um núcleo criativo que visa contribuir para uma cidade com um olhar mais aberto para a arte e o design. O projecto pretende criar em Amarante, de onde Catarina é natural, um estúdio de coworking, eventos e oficinas e workshops para todas as idades. O “conceito de estúdio para o mundo digital” através do canal de YouTube vai ser outra das inovações do projecto. Em Fevereiro de 2021 serão lançadas entrevistas e um diário gráfico de quem utiliza o espaço de coworking, que será disponibilizado a partir de Janeiro, e onde haverá oficinas e workshops relacionados com o têxtil. Para tal, a jovem lançou uma campanha de crowdfunding.
Sem esquecer as artes mais antigas, o Modar-te pretende ainda “pegar em técnicas ancestrais de artesanato e revitalizá-las através de um design mais contemporâneo, no qual as gerações mais novas se identifiquem”. Há já vários workshops programados por pessoas mais velhas com conhecimentos em artesanato e direccionados aos mais jovens, ainda que sem limite de idade.
A educação é um dos quatro conceitos pelo qual o projecto se rege. Catarina, de 28 anos, inspirou-se numa experiência do Serviço de Voluntariado Europeu na República Checa, onde trabalhou com crianças na criação de uma colecção de moda conceptual, tendo depois originado um desfile. A promoção do têxtil “enquanto forma de expressão artística” é outro dos conceitos que o projecto pretende abordar, através da venda das peças criadas, do canal no YouTube e de eventos e exposições. A ilustração, o design e respectivo re-design e o up-cycling - a reutilização de objectos que parecem inúteis e a sua transformação criativa - são, também, pilares do projecto.
Catarina Noronha estudou Ciências no ensino secundário e começou a estudar Genética e Biotecnologia na faculdade, mas cedo se apercebeu de que aquilo que queria mesmo fazer a nível profissional era trabalhar na área das artes. Acabou a estudar Design e Marketing de Moda na Universidade do Minho e no fim da licenciatura promoveu desfiles e um evento criativo de moda em Amarante, que durou 12 horas e, mais tarde, se tornou o projecto com o mesmo nome para o qual lançou uma campanha de crowfunding.
Apaixonada pela sua cidade, Catarina quer continuar a viver pelas margens do Tâmega. Não tendo muita oferta de trabalho na área de moda e design, decidiu abrir o próprio espaço. Para tal, tem a decorrer uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL: as contribuições podem começar nos cinco euros e ir até aos 1000, recompensados com um busto de gesso. A campanha está online até 22 de Dezembro.
16.11.20
Os “miúdos de Burgães” que ajudaram a manter 500 postos de trabalho
Victor Ferreira (texto) e Nelson Garrido (fotografias), in Público on-line
A PPTex conseguiu liderar um processo de transformação no sector do vestuário no Vale do Ave, cooperando com confecções que estavam em vias de fechar.
Burgães desapareceu do mapa administrativo em 2013, quando a reforma das freguesias impôs a fusão com outros povoados de Santo Tirso. Mas o turnaround da PPTex voltou a pôr o nome da terra num mapa, no mapa da indústria têxtil e vestuário (ITV).
Ainda há gente deste sector que não ouviu falar da empresa, mas a fama já passou as fronteiras do distrito do Porto e extravasou para todo o Vale do Ave, sobretudo no universo das pequenas empresas que trabalham por subcontratação.
“A PPTex foi a nossa tábua de salvação”, atesta Helena Antunes, dona de uma micro-empresa de corte localizada na Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga. “Sem eles, teria fechado as portas, teria ido para layoff e não sei quando teria reaberto”, recorda a empresária, que tem sete funcionários numa empresa que nasceu há 22 anos em Guimarães.
Eles são a equipa PPTex: uma dúzia de pessoas, com uma média de idades a rondar os 34 anos, que desenvolvia vestuário técnico, de características específicas, para grandes marcas de desporto e actividades ao ar livre, angariava clientes e depois contratava a produção em confecções.
40.000
Número máximo de embalamentos feitos pela máquina de embalar croissants que a PPTex usou para as máscaras
No rol de clientes estavam nomes como a Hummel. Quando a pandemia bateu à porta, as encomendas foram suspensas ou mesmo canceladas. Pensaram numa máscara de alta protecção, que despertou de imediato interesse no mercado e a cobiça da concorrência. Foram olhados com certa displicência, ou desdém. Baptizaram-nos “os miúdos de Burgães”: aqueles com uma boa ideia, mas que não passariam disso, uns miúdos que tinham facturado uns 300 mil euros em 2019, uma gota de água face a empresas com outro poder de fogo que estavam a tentar ocupar o mercado da saúde em crescimento. O tempo, porém, mostrou quem tinha razão.
Receitas multiplicadas por 25
Só entre Abril e Novembro, a facturação de todo o ano de 2019 foi multiplicada por 25. “A expectativa é chegarmos aos 8,5 milhões de euros”, confidencia Pedro Braga, dono da empresa, cuja aposta nos equipamentos de protecção individual (EPI) ajudou a manter cerca de meio milhar de postos de trabalho em duas dezenas de empresas do Vale do Ave.
Na confecção de Zita Gomes, também em Santo Tirso, a vida mudou bastante desde que Pedro Braga lhes bateu à porta. As cerca de 40 trabalhadoras deixaram o vestuário e agora fazem EPI. A dona da fábrica não anseia voltar à moda. “Apesar de ter um preço mais baixo, o EPI tem menos diversidade de modelo. De cada vez que meto um modelo de moda em linha, tenho dois a três dias de quebra. Com o EPI isso não acontece”, justifica a empresária.
Zita Gomes e o marido gerem uma confecção com mais de 20 anos de vida e que evitou o "layoff" por causa das máscaras
Além disso, acrescenta, deixou de estar sujeita à quebra de encomendas de grandes cadeias de pronto-a-vestir que, em 2019, por exemplo, permitiram a transferência de produção do Norte de Portugal para o Norte de África.
“Em Março, tínhamos uma encomenda de 40 mil peças, mas a última parte foi suspensa. Estávamos a pensar que a nossa única solução era o layoff. Chegámos a falar com as empregadas, mas entretanto surgiu a PPTex e isso mudou o nosso destino”, conta.
Salva de palmas na confecção
Para a equipa de Pedro Braga, ainda havia uma série de barreiras pela frente, desde logo porque toda a produção dependia de subcontratados que estavam a fechar e a mandar pessoas para casa. Para a matéria-prima, recorreram à LMA, que já os fornecia para o equipamento de alta performance desportiva.
“A LMA mudou em três ou quatro dias, toda a sua produção naquela altura e virou-se para os EPI”, recorda Luís Sousa Dias, responsável comercial. “Passado poucos dias, o Pedro apareceu aqui de cabelo rapado e anunciou que ia à luta.”
Enquanto procuravam laboratórios que atestassem as capacidades protectoras do modelo, o que em Março não era fácil, Pedro Braga continuava a procurar confecções abertas. Nalgumas onde não o conheciam bem, foi recebido com cepticismo. Prometeu duas coisas: pagar à semana e adiantar dinheiro naquelas situações de empresas que já não tinham liquidez. A aposta com um certo risco, diz, surtiu efeito.
Apesar de estarem numa indústria que paga abaixo da média nacional, as 90 trabalhadoras de uma dessas confecções não desvalorizam o que lhes aconteceu. A primeira vez que Pedro Braga visitou essa fábrica, foi recebido de forma inesperada: cerca de 90 mulheres pararam de trabalhar, levantaram-se e bateram-lhe palmas.
As compras do Estado à China
Agora, Pedro Braga lamenta algumas decisões nacionais, como o facto de o país continuar a comprar EPI no estrangeiro, depois de ter dado dinheiro a empresas nacionais para estas comprarem máquinas e reconverterem-se para a produção desses equipamentos para a saúde.
Tivemos estímulos com 85% a fundo perdido, houve empresas a financiar-se com valores expressivos, e no dia a seguir vemos toneladas de material a chegar da China e compradas pelo Estado.Pedro Braga
“Devia existir uma muito maior defesa da nossa economia. Não somos só turismo. Tivemos estímulos com 85% a fundo perdido, houve empresas a financiar-se com valores expressivos, o país tem este custo e no dia a seguir vemos toneladas de material a chegar da China em aviões e compradas pelo Estado. Estas empresas tentaram reagir, mas esta bolha não terá viabilidade. Quem diz Portugal, diz Europa, onde acontece o mesmo, porque nós conseguimos concorrer em qualidade mas não em preço. Se o objectivo era continuar a importar, qual foi a razão para investimentos de tão larga escala nestas empresas que não vão ter preço para subsistir nem em Portugal, nem na Europa.”
A PPTex não seguiu por esse caminho e Pedro Braga mostra um certo orgulho em dizer que não contraiu dívida e montou tudo com capital próprio. "No dia 16 de Março, quando pensámos nisto, apostámos tudo o que tínhamos. O que nos ajudou foi termos duas unidades hospitalares, uma das quais fez um pagamento adiantado e a outra fez um pagamento a pronto”, continua, tentando assim ilustrar o ambiente que se vivia. No sector de saúde, era quase o desespero por EPI, e na ITV era uma corrida desenfreada por alternativas para sobreviver.
Criou uma empresa de comunicação para sustentar uma marca própria, a Protect Others, que agora alberga todos os EPI que entretanto entraram no portefólio. Para o embalamento, criou outra empresa para a qual recrutou 11 pessoas de um restaurante que tinha fechado para layoff.
“Cozinheiros, empregados de mesa, tudo, veio tudo. Sozinhos, embalaram milhão e meio de máscaras durante cinco meses, até à reabertura do restaurante”, conta o gestor. Todos os EPI são embalados nas confecções, com excepção das máscaras, para as quais recorreram a uma antiga máquina de embalar croissants. “Tinha uma tiragem de 30 a 40 mil peças por dia. Foi a mais rápida que encontrámos”, anota.
O abraço do polícia
Oito meses volvidos, há histórias que não esquecerão. Como aquele abraço de um polícia, à entrada de uma auto-estrada. “Estava a sair de Lisboa, quase a entrar na A1. Com o país em confinamento, fui mandado parar. Perguntaram-me por que estava ali e eu expliquei que tinha acabado de fazer uma entrega de material de protecção num hospital de Lisboa e que estava a regressar a casa. Inesperadamente, deram-me um abraço e mandaram-me seguir.”
De então para cá, a empresa mudou muito. Em Janeiro ocupava 108 metros quadrados, saltou depois para outro edifício com mil metros quadrados e agora vai na terceira localização, com dois mil metros quadrados perto da A3. O activo é “90% cash”, sendo que a quantidade de capital “cresceu 300 vezes” nestes oito meses. A empresa está em fase de certificação junto do Infarmed “para não trabalhar só a parte covid”. Espera entrar em 2021 num projecto de investigação e desenvolvimento para a área da saúde, com certificação de qualidade e de processos.
“Para uma diversificação de riscos, vamos manter o têxtil, vamos manter o merchandising, que neste momento são residuais, mas temos todas as condições para continuar a aposta no mercado de saúde, no qual já temos uma boa presença”, resume Pedro Braga, frisando que, até ao momento, vendeu dois milhões de máscaras.
Os principais clientes são empresariais, como hospitais, os CTT ou a Câmara de Lisboa. Os custos fixos são 5% da receita, muito abaixo dos 30% no sector, porque a equipa é pequena e a produção em outsourcing. Paga um salário na ordem dos “1400 a 150o euros limpos”.
O capital circulante é de dois milhões de euros, com três quartos desse montante nos clientes e o resto nos fornecedores. A margem EBITDA está nos 44%. “Não podemos pedir muito mais”, garante o gestor.
“O nosso problema em Portugal é que temos um preço que está no meio da tabela. Não temos o bom senso de criar marca, de expressar um valor ao cliente, tendo custos superiores a concorrentes que competem com base no preço baixo. Ou seja, ficamos sempre no limbo.”
“A aposta nos EPI não melhorou salários”
Segundo dados do Ministério do Trabalho, a remuneração base mensal média na indústria de vestuário é de 698,1 euros, isto é, 75,1% dos 929,2 euros pagos na indústria transformadora.
O panorama ainda piora em termos de ganho mensal médio, isto é, a soma de todos os rendimentos, como horas extraordinárias ou eventuais prémios: no vestuário, o ganho médio é de 781,5 euros, 70,4% da média da indústria transformadora (1110,5 euros).
Num sector onde o subsídio de refeição ronda os 2,40 euros, “não há salário médio, só há salário mínimo”, protesta Francisco Vieira, da União de Sindicatos de Braga, um dos distritos com maior presença de confecções do sector do vestuário.
Quais são as condicionantes do salário na indústria têxtil e vestuário?
Não há salário médio, só há salário mínimo, andamos sempre nos 635 euros. Tirando uma excepção em que se vai acima da tabela, a esmagadora maioria ganha o salário mínimo. Há patrões que abandonaram a contratação colectiva.
As empresas que apostaram nos equipamentos de protecção individual estão melhor?
O rendimento gerado por essa aposta não se repercutiu numa melhoria do salário dos trabalhadores. O que há são horas extraordinárias, por vezes pagas por baixo da mesa, em dinheiro vivo, ao final da semana.
Onde está então o bloqueio?
São poucas as empresas que pagam acima do salário mínimo. O sector está recheado de empresas que estão em subcontratação e, por isso, sujeitam-se a quem tem poder de mercado. Há confecções que recebem 50 cêntimos para fazer produtos que custam dez euros no mercado. Há uma concorrência desleal, um “salve-se quem puder”, que perpetua esta situação.
O que tem de acontecer para melhorar o salário nestes sectores?
Precisamos de subir o salário mínimo nacional para os 850 euros. É lamentável, é miserável que ainda haja neste momento patrões com dúvidas sobre se se pode valorizar o salário no próximo ano. Há milhares de profissionais com 30 ou 40 anos de profissão que se mantêm no salário mínimo. V.F.
A PPTex conseguiu liderar um processo de transformação no sector do vestuário no Vale do Ave, cooperando com confecções que estavam em vias de fechar.
Burgães desapareceu do mapa administrativo em 2013, quando a reforma das freguesias impôs a fusão com outros povoados de Santo Tirso. Mas o turnaround da PPTex voltou a pôr o nome da terra num mapa, no mapa da indústria têxtil e vestuário (ITV).
Ainda há gente deste sector que não ouviu falar da empresa, mas a fama já passou as fronteiras do distrito do Porto e extravasou para todo o Vale do Ave, sobretudo no universo das pequenas empresas que trabalham por subcontratação.
“A PPTex foi a nossa tábua de salvação”, atesta Helena Antunes, dona de uma micro-empresa de corte localizada na Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga. “Sem eles, teria fechado as portas, teria ido para layoff e não sei quando teria reaberto”, recorda a empresária, que tem sete funcionários numa empresa que nasceu há 22 anos em Guimarães.
Eles são a equipa PPTex: uma dúzia de pessoas, com uma média de idades a rondar os 34 anos, que desenvolvia vestuário técnico, de características específicas, para grandes marcas de desporto e actividades ao ar livre, angariava clientes e depois contratava a produção em confecções.
40.000
Número máximo de embalamentos feitos pela máquina de embalar croissants que a PPTex usou para as máscaras
No rol de clientes estavam nomes como a Hummel. Quando a pandemia bateu à porta, as encomendas foram suspensas ou mesmo canceladas. Pensaram numa máscara de alta protecção, que despertou de imediato interesse no mercado e a cobiça da concorrência. Foram olhados com certa displicência, ou desdém. Baptizaram-nos “os miúdos de Burgães”: aqueles com uma boa ideia, mas que não passariam disso, uns miúdos que tinham facturado uns 300 mil euros em 2019, uma gota de água face a empresas com outro poder de fogo que estavam a tentar ocupar o mercado da saúde em crescimento. O tempo, porém, mostrou quem tinha razão.
Receitas multiplicadas por 25
Só entre Abril e Novembro, a facturação de todo o ano de 2019 foi multiplicada por 25. “A expectativa é chegarmos aos 8,5 milhões de euros”, confidencia Pedro Braga, dono da empresa, cuja aposta nos equipamentos de protecção individual (EPI) ajudou a manter cerca de meio milhar de postos de trabalho em duas dezenas de empresas do Vale do Ave.
Na confecção de Zita Gomes, também em Santo Tirso, a vida mudou bastante desde que Pedro Braga lhes bateu à porta. As cerca de 40 trabalhadoras deixaram o vestuário e agora fazem EPI. A dona da fábrica não anseia voltar à moda. “Apesar de ter um preço mais baixo, o EPI tem menos diversidade de modelo. De cada vez que meto um modelo de moda em linha, tenho dois a três dias de quebra. Com o EPI isso não acontece”, justifica a empresária.
Zita Gomes e o marido gerem uma confecção com mais de 20 anos de vida e que evitou o "layoff" por causa das máscaras
Além disso, acrescenta, deixou de estar sujeita à quebra de encomendas de grandes cadeias de pronto-a-vestir que, em 2019, por exemplo, permitiram a transferência de produção do Norte de Portugal para o Norte de África.
“Em Março, tínhamos uma encomenda de 40 mil peças, mas a última parte foi suspensa. Estávamos a pensar que a nossa única solução era o layoff. Chegámos a falar com as empregadas, mas entretanto surgiu a PPTex e isso mudou o nosso destino”, conta.
Salva de palmas na confecção
Para a equipa de Pedro Braga, ainda havia uma série de barreiras pela frente, desde logo porque toda a produção dependia de subcontratados que estavam a fechar e a mandar pessoas para casa. Para a matéria-prima, recorreram à LMA, que já os fornecia para o equipamento de alta performance desportiva.
“A LMA mudou em três ou quatro dias, toda a sua produção naquela altura e virou-se para os EPI”, recorda Luís Sousa Dias, responsável comercial. “Passado poucos dias, o Pedro apareceu aqui de cabelo rapado e anunciou que ia à luta.”
Enquanto procuravam laboratórios que atestassem as capacidades protectoras do modelo, o que em Março não era fácil, Pedro Braga continuava a procurar confecções abertas. Nalgumas onde não o conheciam bem, foi recebido com cepticismo. Prometeu duas coisas: pagar à semana e adiantar dinheiro naquelas situações de empresas que já não tinham liquidez. A aposta com um certo risco, diz, surtiu efeito.
Apesar de estarem numa indústria que paga abaixo da média nacional, as 90 trabalhadoras de uma dessas confecções não desvalorizam o que lhes aconteceu. A primeira vez que Pedro Braga visitou essa fábrica, foi recebido de forma inesperada: cerca de 90 mulheres pararam de trabalhar, levantaram-se e bateram-lhe palmas.
As compras do Estado à China
Agora, Pedro Braga lamenta algumas decisões nacionais, como o facto de o país continuar a comprar EPI no estrangeiro, depois de ter dado dinheiro a empresas nacionais para estas comprarem máquinas e reconverterem-se para a produção desses equipamentos para a saúde.
Tivemos estímulos com 85% a fundo perdido, houve empresas a financiar-se com valores expressivos, e no dia a seguir vemos toneladas de material a chegar da China e compradas pelo Estado.Pedro Braga
“Devia existir uma muito maior defesa da nossa economia. Não somos só turismo. Tivemos estímulos com 85% a fundo perdido, houve empresas a financiar-se com valores expressivos, o país tem este custo e no dia a seguir vemos toneladas de material a chegar da China em aviões e compradas pelo Estado. Estas empresas tentaram reagir, mas esta bolha não terá viabilidade. Quem diz Portugal, diz Europa, onde acontece o mesmo, porque nós conseguimos concorrer em qualidade mas não em preço. Se o objectivo era continuar a importar, qual foi a razão para investimentos de tão larga escala nestas empresas que não vão ter preço para subsistir nem em Portugal, nem na Europa.”
A PPTex não seguiu por esse caminho e Pedro Braga mostra um certo orgulho em dizer que não contraiu dívida e montou tudo com capital próprio. "No dia 16 de Março, quando pensámos nisto, apostámos tudo o que tínhamos. O que nos ajudou foi termos duas unidades hospitalares, uma das quais fez um pagamento adiantado e a outra fez um pagamento a pronto”, continua, tentando assim ilustrar o ambiente que se vivia. No sector de saúde, era quase o desespero por EPI, e na ITV era uma corrida desenfreada por alternativas para sobreviver.
Criou uma empresa de comunicação para sustentar uma marca própria, a Protect Others, que agora alberga todos os EPI que entretanto entraram no portefólio. Para o embalamento, criou outra empresa para a qual recrutou 11 pessoas de um restaurante que tinha fechado para layoff.
“Cozinheiros, empregados de mesa, tudo, veio tudo. Sozinhos, embalaram milhão e meio de máscaras durante cinco meses, até à reabertura do restaurante”, conta o gestor. Todos os EPI são embalados nas confecções, com excepção das máscaras, para as quais recorreram a uma antiga máquina de embalar croissants. “Tinha uma tiragem de 30 a 40 mil peças por dia. Foi a mais rápida que encontrámos”, anota.
O abraço do polícia
Oito meses volvidos, há histórias que não esquecerão. Como aquele abraço de um polícia, à entrada de uma auto-estrada. “Estava a sair de Lisboa, quase a entrar na A1. Com o país em confinamento, fui mandado parar. Perguntaram-me por que estava ali e eu expliquei que tinha acabado de fazer uma entrega de material de protecção num hospital de Lisboa e que estava a regressar a casa. Inesperadamente, deram-me um abraço e mandaram-me seguir.”
De então para cá, a empresa mudou muito. Em Janeiro ocupava 108 metros quadrados, saltou depois para outro edifício com mil metros quadrados e agora vai na terceira localização, com dois mil metros quadrados perto da A3. O activo é “90% cash”, sendo que a quantidade de capital “cresceu 300 vezes” nestes oito meses. A empresa está em fase de certificação junto do Infarmed “para não trabalhar só a parte covid”. Espera entrar em 2021 num projecto de investigação e desenvolvimento para a área da saúde, com certificação de qualidade e de processos.
“Para uma diversificação de riscos, vamos manter o têxtil, vamos manter o merchandising, que neste momento são residuais, mas temos todas as condições para continuar a aposta no mercado de saúde, no qual já temos uma boa presença”, resume Pedro Braga, frisando que, até ao momento, vendeu dois milhões de máscaras.
Os principais clientes são empresariais, como hospitais, os CTT ou a Câmara de Lisboa. Os custos fixos são 5% da receita, muito abaixo dos 30% no sector, porque a equipa é pequena e a produção em outsourcing. Paga um salário na ordem dos “1400 a 150o euros limpos”.
O capital circulante é de dois milhões de euros, com três quartos desse montante nos clientes e o resto nos fornecedores. A margem EBITDA está nos 44%. “Não podemos pedir muito mais”, garante o gestor.
“O nosso problema em Portugal é que temos um preço que está no meio da tabela. Não temos o bom senso de criar marca, de expressar um valor ao cliente, tendo custos superiores a concorrentes que competem com base no preço baixo. Ou seja, ficamos sempre no limbo.”
“A aposta nos EPI não melhorou salários”
Segundo dados do Ministério do Trabalho, a remuneração base mensal média na indústria de vestuário é de 698,1 euros, isto é, 75,1% dos 929,2 euros pagos na indústria transformadora.
O panorama ainda piora em termos de ganho mensal médio, isto é, a soma de todos os rendimentos, como horas extraordinárias ou eventuais prémios: no vestuário, o ganho médio é de 781,5 euros, 70,4% da média da indústria transformadora (1110,5 euros).
Num sector onde o subsídio de refeição ronda os 2,40 euros, “não há salário médio, só há salário mínimo”, protesta Francisco Vieira, da União de Sindicatos de Braga, um dos distritos com maior presença de confecções do sector do vestuário.
Quais são as condicionantes do salário na indústria têxtil e vestuário?
Não há salário médio, só há salário mínimo, andamos sempre nos 635 euros. Tirando uma excepção em que se vai acima da tabela, a esmagadora maioria ganha o salário mínimo. Há patrões que abandonaram a contratação colectiva.
As empresas que apostaram nos equipamentos de protecção individual estão melhor?
O rendimento gerado por essa aposta não se repercutiu numa melhoria do salário dos trabalhadores. O que há são horas extraordinárias, por vezes pagas por baixo da mesa, em dinheiro vivo, ao final da semana.
Onde está então o bloqueio?
São poucas as empresas que pagam acima do salário mínimo. O sector está recheado de empresas que estão em subcontratação e, por isso, sujeitam-se a quem tem poder de mercado. Há confecções que recebem 50 cêntimos para fazer produtos que custam dez euros no mercado. Há uma concorrência desleal, um “salve-se quem puder”, que perpetua esta situação.
O que tem de acontecer para melhorar o salário nestes sectores?
Precisamos de subir o salário mínimo nacional para os 850 euros. É lamentável, é miserável que ainda haja neste momento patrões com dúvidas sobre se se pode valorizar o salário no próximo ano. Há milhares de profissionais com 30 ou 40 anos de profissão que se mantêm no salário mínimo. V.F.
13.9.17
Lisboa apoia 38 projetos em zonas e bairros prioritários, num total de 1,6 milhões de euros
in Diário de Notícias</i>
A Câmara Municipal de Lisboa vai apoiar 38 projetos ao abrigo do programa BIP/ZIP - Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária para 2017, num total de 1,6 milhões de euros, e que envolve 152 entidades.
Na edição deste ano, a autarquia recebeu 107 candidaturas de 336 entidades promotoras, que abrangiam 67 territórios BIP/ZIP.
Destas, foram selecionados pelo júri do concurso 38 projetos que incidem sobre 66 territórios do programa, levados a cabo por 152 entidades.
A edição de 2017 do BIP/ZIP foi hoje apresentada numa cerimónia de assinatura dos protocolos entre o município e as entidades promotoras e parceiras, que decorreu nos Paços do Concelho.
Entre os projetos aprovados encontram-se: uma rede de produtos conscientes, que irá criar uma plataforma comum para divulgação e distribuição de produtos locais com impactos sociais, um programa de capacitação e formação de jovens e crianças imigrantes e das diásporas em risco de exclusão social, um levantamento das memórias do bairro do Casal Ventoso, ou uma livraria solidária em Carnide.
Estes programas serão apoiados pela Câmara em 1,6 milhões de euros (valor igual ao da edição passada), aos quais acrescem 612 mil euros assegurados por outras fontes de financiamento (como parcerias com privados).
Entre os destinatários destes projetos estão a comunidade (22), as crianças (três), a família (um), os idosos (cinco) e os jovens (dois), entre outros (cinco).
Já as temáticas dos projetos passam por melhorar a vida do bairro, competências e empreendedorismo, reabilitação e requalificação de espaços, inclusão e prevenção, promoção da cidadania, entre outras.
Este programa foi criado em 2011 por Helena Roseta, na altura vereadora responsável pela Habitação, e já apoiou um total de 270 projetos.
Presente hoje na cerimónia, a atual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa destacou que "neste programa são as organizações que decidem o que fazer e quem recebe o dinheiro" para pôr mãos à obra.
"Quando fazemos coisas em conjunto criam-se laços de amizade e este programa permite isso", advogou Helena Roseta, salientando que "é isto que dá energia à cidade".
No final da sua intervenção, a também deputada socialista à Assembleia da República comprometeu-se a "convencer o Governo a fazer um programa como o BIP/ZIP a nível nacional".
Por seu turno, a atual vereadora da Habitação e do Desenvolvimento Local da Câmara de Lisboa vincou que "este programa está para ficar e para durar", constituindo um exemplo de uma "governação participada".
"Desde 2011 temos 270 projetos, 1015 entidades e quase 1700 atividades", explicou Paula Marques, apontando um "investimento público de mais de 12 milhões de euros nestes anos".
Falando perante os representantes das entidades envolvidas, Paula Marques afirmou que "nos sítios mais improváveis é possível encontrar a marca e a energia BIP/ZIP por toda a cidade".
A Câmara Municipal de Lisboa vai apoiar 38 projetos ao abrigo do programa BIP/ZIP - Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária para 2017, num total de 1,6 milhões de euros, e que envolve 152 entidades.
Na edição deste ano, a autarquia recebeu 107 candidaturas de 336 entidades promotoras, que abrangiam 67 territórios BIP/ZIP.
Destas, foram selecionados pelo júri do concurso 38 projetos que incidem sobre 66 territórios do programa, levados a cabo por 152 entidades.
A edição de 2017 do BIP/ZIP foi hoje apresentada numa cerimónia de assinatura dos protocolos entre o município e as entidades promotoras e parceiras, que decorreu nos Paços do Concelho.
Entre os projetos aprovados encontram-se: uma rede de produtos conscientes, que irá criar uma plataforma comum para divulgação e distribuição de produtos locais com impactos sociais, um programa de capacitação e formação de jovens e crianças imigrantes e das diásporas em risco de exclusão social, um levantamento das memórias do bairro do Casal Ventoso, ou uma livraria solidária em Carnide.
Estes programas serão apoiados pela Câmara em 1,6 milhões de euros (valor igual ao da edição passada), aos quais acrescem 612 mil euros assegurados por outras fontes de financiamento (como parcerias com privados).
Entre os destinatários destes projetos estão a comunidade (22), as crianças (três), a família (um), os idosos (cinco) e os jovens (dois), entre outros (cinco).
Já as temáticas dos projetos passam por melhorar a vida do bairro, competências e empreendedorismo, reabilitação e requalificação de espaços, inclusão e prevenção, promoção da cidadania, entre outras.
Este programa foi criado em 2011 por Helena Roseta, na altura vereadora responsável pela Habitação, e já apoiou um total de 270 projetos.
Presente hoje na cerimónia, a atual presidente da Assembleia Municipal de Lisboa destacou que "neste programa são as organizações que decidem o que fazer e quem recebe o dinheiro" para pôr mãos à obra.
"Quando fazemos coisas em conjunto criam-se laços de amizade e este programa permite isso", advogou Helena Roseta, salientando que "é isto que dá energia à cidade".
No final da sua intervenção, a também deputada socialista à Assembleia da República comprometeu-se a "convencer o Governo a fazer um programa como o BIP/ZIP a nível nacional".
Por seu turno, a atual vereadora da Habitação e do Desenvolvimento Local da Câmara de Lisboa vincou que "este programa está para ficar e para durar", constituindo um exemplo de uma "governação participada".
"Desde 2011 temos 270 projetos, 1015 entidades e quase 1700 atividades", explicou Paula Marques, apontando um "investimento público de mais de 12 milhões de euros nestes anos".
Falando perante os representantes das entidades envolvidas, Paula Marques afirmou que "nos sítios mais improváveis é possível encontrar a marca e a energia BIP/ZIP por toda a cidade".
5.9.17
Science4you abre 32 lojas e reforça época de Natal com 300 trabalhadores
in o Observador
Empresa portuguesa vai reforçar a época de Natal com mais 300 pessoas até ao fim do ano. Vai abrir mais 32 lojas em Portugal e sete na região de Madrid, em Espanha.
Com estas contratações, a equipa vai contar com mais de 660 pessoas nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures
A empresa portuguesa de brinquedos educativos, a Science4you, vai recrutar 300 colaboradores até dezembro para reforçar a época de Natal e abrir mais 32 lojas em centros comerciais no país. Em Madrid, vai abrir mais sete, anunciou a empresa esta segunda-feira em comunicado.
A contratação sazonal de colaboradores na Science4you é habitual desde o início da empresa, pois trata-se de um negócio com maior incidência nos últimos meses do ano, e que requer assim um reforço no número de profissionais, em diversas áreas da empresa”, afirmou em comunicado Miguel Pina Martins, fundador e presidente da Science4you.
Até ao final do ano, a empresa liderada por Miguel Pina Martins vai contar com mais de 660 colaboradores nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures. Com as obras de extensão da fábrica, que decorrem até outubro, a Science4you prevê que um terço das contratações sazonais se mantenha depois do Natal, altura em que a empresa fatura cerca de 70% do total anual.
A Science4you comercializa os brinquedos educativos para mais de 40 países em todo o mundo. Os mais recentes são Marrocos, República Dominicana, Letónia, Estónia, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Taiwan, Rússia e Bielorrússia. O objetivo de Miguel Pina Martins é terminar o ano de 2017 com uma faturação de 23 milhões de euros.
Empresa portuguesa vai reforçar a época de Natal com mais 300 pessoas até ao fim do ano. Vai abrir mais 32 lojas em Portugal e sete na região de Madrid, em Espanha.
Com estas contratações, a equipa vai contar com mais de 660 pessoas nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures
A empresa portuguesa de brinquedos educativos, a Science4you, vai recrutar 300 colaboradores até dezembro para reforçar a época de Natal e abrir mais 32 lojas em centros comerciais no país. Em Madrid, vai abrir mais sete, anunciou a empresa esta segunda-feira em comunicado.
A contratação sazonal de colaboradores na Science4you é habitual desde o início da empresa, pois trata-se de um negócio com maior incidência nos últimos meses do ano, e que requer assim um reforço no número de profissionais, em diversas áreas da empresa”, afirmou em comunicado Miguel Pina Martins, fundador e presidente da Science4you.
Até ao final do ano, a empresa liderada por Miguel Pina Martins vai contar com mais de 660 colaboradores nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures. Com as obras de extensão da fábrica, que decorrem até outubro, a Science4you prevê que um terço das contratações sazonais se mantenha depois do Natal, altura em que a empresa fatura cerca de 70% do total anual.
A Science4you comercializa os brinquedos educativos para mais de 40 países em todo o mundo. Os mais recentes são Marrocos, República Dominicana, Letónia, Estónia, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Taiwan, Rússia e Bielorrússia. O objetivo de Miguel Pina Martins é terminar o ano de 2017 com uma faturação de 23 milhões de euros.
2.8.16
IEFP: Programa de empreendedorismo quer integrar 1500 desempregados
in Dinheiro Vivo
Programa resulta de uma parceria entre a Unilever, do grupo Jerónimo Martins, e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)
Quando o sucesso quase acaba com a empresaMultimédia10 piscinas na zona de Lisboa para fugir às multidões das praias O programa de Empreendedorismo IEFP — SOU OLÁ arrancou oficialmente este mês com o objetivo de ajudar a integrar no mercado laboral 1500 desempregados do IEFP até 2020, disse à Lusa Elena Durán, responsável pelo programa. Segundo a mesma fonte, para este programa, que resulta de uma parceria entre a Unilever, do grupo Jerónimo Martins, e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), ainda não há uma previsão exata de quantos desempregados poderá abranger já este ano, uma vez que se encontra no início, mas o objetivo é que possa “apoiar cerca de 1500 pessoas até 2020”. Assim, através do programa, os desempregados inscritos no IEFP têm a possibilidade de explorar um meio de venda Olá com 15. 000 euros de investimento.
A multinacional Unilever comparticipa 50% do investimento inicial, correspondente a 7. 500 euros e o restante pode ser feito com capitais próprios ou através de um financiamento com condições especiais, a que o empreendedor se pode candidatar através de programas de apoio oferecidos pelo IEFP. “Não existe uma seleção dos candidatos, mas sim uma validação da sua candidatura conforme o modelo de negócio e o local escolhido para abrir o ponto de venda”, explicou a responsável do programa, sublinhando que essa validação “depende do potencial, em termos de rentabilidade, e do local escolhido pelo candidato”. Para se candidatarem, os desempregados inscritos no IEFP têm de escolher um local com potencial para abrir um meio de venda de gelados, preencher o Simulador de Negócio, um documento disponível no website do programa, em www.souola.pt/empreendedorismo no menu “Como Candidatar-me”, preencher o formulário de candidatura e submetê-lo online.
Quando a candidatura for aprovada, o empreendedor deve avançar com o pedido de licenças às entidades públicas responsáveis pelo local escolhido, assinar o contrato de concessão e dar início à atividade assim que tenha os recursos financeiros necessários e as licenças aprovadas. Para além dos gelados da marca Olá, o empreendedor pode vender produtos como Lipton ice tea e chá quente, água, café, chocolate quente, waffles, sob aprovação da Olá. O programa tem como base o Plano de Sustentabilidade da Unilever e pretende “promover o empreendedorismo”, destinando-se a “pessoas em situação de desemprego que tenham espírito empreendedor e vontade de criar algo seu, mas não têm uma ideia de negócio ou os recursos necessários para concretizá-la”, explicou à Lusa Elena Durán. O programa arrancou oficialmente este mês, no entanto, a responsável explicou que ao logo dos últimos meses a Olá realizou várias sessões de esclarecimento no IEFP para avaliar a reação e interesse das pessoas em relação ao programa.
Programa resulta de uma parceria entre a Unilever, do grupo Jerónimo Martins, e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)
Quando o sucesso quase acaba com a empresaMultimédia10 piscinas na zona de Lisboa para fugir às multidões das praias O programa de Empreendedorismo IEFP — SOU OLÁ arrancou oficialmente este mês com o objetivo de ajudar a integrar no mercado laboral 1500 desempregados do IEFP até 2020, disse à Lusa Elena Durán, responsável pelo programa. Segundo a mesma fonte, para este programa, que resulta de uma parceria entre a Unilever, do grupo Jerónimo Martins, e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), ainda não há uma previsão exata de quantos desempregados poderá abranger já este ano, uma vez que se encontra no início, mas o objetivo é que possa “apoiar cerca de 1500 pessoas até 2020”. Assim, através do programa, os desempregados inscritos no IEFP têm a possibilidade de explorar um meio de venda Olá com 15. 000 euros de investimento.
A multinacional Unilever comparticipa 50% do investimento inicial, correspondente a 7. 500 euros e o restante pode ser feito com capitais próprios ou através de um financiamento com condições especiais, a que o empreendedor se pode candidatar através de programas de apoio oferecidos pelo IEFP. “Não existe uma seleção dos candidatos, mas sim uma validação da sua candidatura conforme o modelo de negócio e o local escolhido para abrir o ponto de venda”, explicou a responsável do programa, sublinhando que essa validação “depende do potencial, em termos de rentabilidade, e do local escolhido pelo candidato”. Para se candidatarem, os desempregados inscritos no IEFP têm de escolher um local com potencial para abrir um meio de venda de gelados, preencher o Simulador de Negócio, um documento disponível no website do programa, em www.souola.pt/empreendedorismo no menu “Como Candidatar-me”, preencher o formulário de candidatura e submetê-lo online.
Quando a candidatura for aprovada, o empreendedor deve avançar com o pedido de licenças às entidades públicas responsáveis pelo local escolhido, assinar o contrato de concessão e dar início à atividade assim que tenha os recursos financeiros necessários e as licenças aprovadas. Para além dos gelados da marca Olá, o empreendedor pode vender produtos como Lipton ice tea e chá quente, água, café, chocolate quente, waffles, sob aprovação da Olá. O programa tem como base o Plano de Sustentabilidade da Unilever e pretende “promover o empreendedorismo”, destinando-se a “pessoas em situação de desemprego que tenham espírito empreendedor e vontade de criar algo seu, mas não têm uma ideia de negócio ou os recursos necessários para concretizá-la”, explicou à Lusa Elena Durán. O programa arrancou oficialmente este mês, no entanto, a responsável explicou que ao logo dos últimos meses a Olá realizou várias sessões de esclarecimento no IEFP para avaliar a reação e interesse das pessoas em relação ao programa.
30.12.15
“O empreendedorismo é a chave para resolver o desemprego”
Madalena Queirós, in Económico
Criar condições para incentivar os jovens a empreender é a solução, diz Miguel Horta e Costa.
Prestar serviços à comunidade, praticar um desporto, desenvolver um talento e vencer alguns testes de sobrevivência. Estas são algumas das provas que os jovens dos 14 aos 24 anos têm que vencer para conseguir o Prémio Infante D. Henrique, a versão portuguesa do “The Duke of Edinburgh’s International Award”.
Ter este “selo” no currículo pode ser factor de desempate na conquista de um emprego ou de uma vaga nas melhores universidades mundo, revela o presidente da Direcção do Prémio Infante Dom Henrique, Miguel Horta e Costa em entrevista ao Capital Humano do ETV.
Já participaram cerca de 10 milhões de jovens de 140 países desde que este programa foi criado em 1956.
O que é o Prémio Infante D. Henrique?
O Prémio Infante D. Henrique é a versão portuguesa do Prémio Duque de Edimburgo criado em 1956 com o objectivo de promover um conjunto de características essenciais dos jovens. O prémio é um programa internacional de desenvolvimento pessoal e social destinada a jovens dos 14 aos 24 anos e que procura desenvolver características essenciais tão importantes como complemento da educação que têm na escola. Para além de valores como seriedade, honestidade, dedicação, desenvolve características como a autoconfiança, a auto-estima, a responsabilidade, a cidadania activa, a liderança, o saber trabalhar em equipa, a motivação, a comunicação a capacidade de aprendizagem.
Ter o prémio pode ser um passaporte para um emprego?
O prémio é como um ‘selo’ que garante que quem o tem que é bem formado. O que é tão importante hoje em dia, quando falamos de empregabilidade. Por isso este prémio tem sido um caso de enorme sucesso internacional.
Portugal foi escolhido para acolher uma prova internacional ...
O programa internacional residencial que vamos acolher no Funchal, no próximo ano, é destinado aos jovens candidatos ao prémio Ouro que são os mais velhos. Porque o prémio tem três escalões em função da idade: bronze, prata e ouro. Na prática os candidatos terão que fazer um trabalho de equipa junto de uma escola, universidade ou organização. Ao todo deveremos receber mais de cem jovens de 13 países diferentes.
O que recomendaria a um jovem hoje para ter sucesso?
O que me parece muito importante é desenvolver junto dos jovens a grande vontade de empreender, porque o empreendedorismo é a chave para responder ao drama do desemprego que hoje vivemos em Portugal e na Europa. É importante que os jovens tenham cada vez mais a ambição de criar o seu negócio, a sua empresa, ou a sua área de actividade. Criar as condições para acarinhar e promover o empreendedorismo será a chave para resolver o problema do desemprego.
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Criar condições para incentivar os jovens a empreender é a solução, diz Miguel Horta e Costa.
Prestar serviços à comunidade, praticar um desporto, desenvolver um talento e vencer alguns testes de sobrevivência. Estas são algumas das provas que os jovens dos 14 aos 24 anos têm que vencer para conseguir o Prémio Infante D. Henrique, a versão portuguesa do “The Duke of Edinburgh’s International Award”.
Ter este “selo” no currículo pode ser factor de desempate na conquista de um emprego ou de uma vaga nas melhores universidades mundo, revela o presidente da Direcção do Prémio Infante Dom Henrique, Miguel Horta e Costa em entrevista ao Capital Humano do ETV.
Já participaram cerca de 10 milhões de jovens de 140 países desde que este programa foi criado em 1956.
O que é o Prémio Infante D. Henrique?
O Prémio Infante D. Henrique é a versão portuguesa do Prémio Duque de Edimburgo criado em 1956 com o objectivo de promover um conjunto de características essenciais dos jovens. O prémio é um programa internacional de desenvolvimento pessoal e social destinada a jovens dos 14 aos 24 anos e que procura desenvolver características essenciais tão importantes como complemento da educação que têm na escola. Para além de valores como seriedade, honestidade, dedicação, desenvolve características como a autoconfiança, a auto-estima, a responsabilidade, a cidadania activa, a liderança, o saber trabalhar em equipa, a motivação, a comunicação a capacidade de aprendizagem.
Ter o prémio pode ser um passaporte para um emprego?
O prémio é como um ‘selo’ que garante que quem o tem que é bem formado. O que é tão importante hoje em dia, quando falamos de empregabilidade. Por isso este prémio tem sido um caso de enorme sucesso internacional.
Portugal foi escolhido para acolher uma prova internacional ...
O programa internacional residencial que vamos acolher no Funchal, no próximo ano, é destinado aos jovens candidatos ao prémio Ouro que são os mais velhos. Porque o prémio tem três escalões em função da idade: bronze, prata e ouro. Na prática os candidatos terão que fazer um trabalho de equipa junto de uma escola, universidade ou organização. Ao todo deveremos receber mais de cem jovens de 13 países diferentes.
O que recomendaria a um jovem hoje para ter sucesso?
O que me parece muito importante é desenvolver junto dos jovens a grande vontade de empreender, porque o empreendedorismo é a chave para responder ao drama do desemprego que hoje vivemos em Portugal e na Europa. É importante que os jovens tenham cada vez mais a ambição de criar o seu negócio, a sua empresa, ou a sua área de actividade. Criar as condições para acarinhar e promover o empreendedorismo será a chave para resolver o problema do desemprego.
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12.11.15
Plataforma exchange: Ativar o Empreendedorismo Feminino
In Empreendedor
O ‘exchange’ é um projeto que tem como missão promover o empreendedorismo feminino em Portugal e apoiar organizações locais que trabalham com mulheres imigrantes ou em situação de exclusão social.
Foi lançada no final de setembro uma nova plataforma online com vários vídeos de mulheres empreendedoras que partilham a sua história de vida e de ação, e que pretende ser um importante recurso para que outras mulheres se sintam inspiradas a empreender, e a conquistar iniciativa e autonomia.
Esta plataforma é resultado do desenvolvimento do projeto ‘exchange’, que tem como missão promover o empreendedorismo feminino em Portugal e apoiar organizações locais que trabalham na área da empregabilidade.
A plataforma online do projeto (www.plataformaexchange.pt), que conta com vários vídeos de mulheres empreendedoras que partilham a sua história de vida e de ação, pretende ser um importante recurso para que outras mulheres se sintam inspiradas a empreender, e a conquistar iniciativa e autonomia.
O ‘exchange’ é um projeto que tem como missão promover o empreendedorismo feminino em Portugal e apoiar organizações locais que trabalham com mulheres imigrantes ou em situação de exclusão social.
Foi lançada no final de setembro uma nova plataforma online com vários vídeos de mulheres empreendedoras que partilham a sua história de vida e de ação, e que pretende ser um importante recurso para que outras mulheres se sintam inspiradas a empreender, e a conquistar iniciativa e autonomia.
Esta plataforma é resultado do desenvolvimento do projeto ‘exchange’, que tem como missão promover o empreendedorismo feminino em Portugal e apoiar organizações locais que trabalham na área da empregabilidade.
A plataforma online do projeto (www.plataformaexchange.pt), que conta com vários vídeos de mulheres empreendedoras que partilham a sua história de vida e de ação, pretende ser um importante recurso para que outras mulheres se sintam inspiradas a empreender, e a conquistar iniciativa e autonomia.
11.8.15
Sérgio Costa ganhou um prémio internacional a analisar o que falha no empreendedorismo
Samuel Silva, in Público on-line
Mudar “qb” é o conselho para as spin-offs do português que venceu o prémio Heizer 2015 e que durante um ano observou o comportamento de empresas nascidas em contexto universitário.
Quanto deve uma empresa mudar o seu plano de negócio nos primeiros anos de vida? “Em linguagem comum: nem muito, nem pouco”, responde Sérgio Costa. O modelo desenvolvido por este investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-Tec), permite perceber o equilíbrio entre as alterações à estratégia de uma firma e a sua performance. Este foi o motivo pelo qual lhe foi entregue, esta segunda-feira, o Heizer, um dos mais importantes galardões internacionais de estudos sobre empreendedorismo, que premia o seu trabalho de doutoramento feito no Reino Unido.
A análise feita por Costa permite perceber uma relação entre as alterações no modelo de negócio e a performance da empresa que, num gráfico, se desenha como um U invertido. Ou seja, as empresas que fazem muitas mudanças têm pior performance, mas também as mais estáticas alcançam maus resultados. O segredo é, portanto, aplicar mudanças “qb” para ir corrigindo a estratégia em função da interacção inicial com clientes e potenciais parceiros.
De acordo com este investigador sénior do INESC-Tec, os limites inferior e superior do gráfico de mudança nas firmas variam em função do tipo de indústria em que estas operam, criando pontos de equilíbrio diferentes para as tecnológicas ou sectores de indústria mais pesada. No entanto, “só os limites são diferentes. Muda a escala, mas a relação é sempre de um U invertido”, explica.
Esta é a principal conclusão de “Mudança no modelo de negócio em spin-offs universitárias na fase inicial” (“Business Model Change in Early-Stage University Spin-offs”) a tese de doutoramento que Sérgio Costa fez na Universidade de Strathclyde, em Glasgow (Escócia). No âmbito desse trabalho, o investigador acompanhou durante um ano oito empresas spin-offs nascidas no contexto daquela universidade britânica. A escolha sobre este género foi justificada pelo facto de se considerar que são organizações que operam num contexto de muita mudança, não só por estarem na fase inicial dos seus percursos, mas também por serem criadas e geridas por investigadores universitários, que têm altos níveis de conhecimento científico, mas a quem faltam geralmente os conhecimentos de gestão.
As conclusões deste trabalho permitem traçar um retrato de um spin-off de sucesso. As empresas com maior performance têm mercados-alvo e aplicações das tecnologias desenvolvidas mais concentradas. São também estas firmas que tendem a interagir mais intensivamente e mais cedo com potenciais clientes e peritos na indústria, bem como a fazer mais parcerias com uma variedade ampla de actores. “Em tudo o resto, são empresas que se mantêm muito estáveis”, valoriza Costa.
Pelo contrário, as empresas com pior performance tendem a percepcionar que têm mais falta de recursos de todo o tipo. Por isso estão sempre a fazer pequenos ajustes e esse “excesso” de mudança vai revelar-se fatal para a sua performance. Daí que Sérgio Costa saliente a importância do início da vida das spin-offs universitárias: “É preciso começar bem, com objectivos bem definidos e fazendo uma série de interacções que permitam acertos. Quem começa mal, queima recursos, queima tempo, e rapidamente começa a haver algum descrédito junto dos investidores”.
A forma de análise desenvolvida pelo investigador durante o seu doutoramento é ainda exploratória, pelo este considera “prematuro” falar num modelo final para explicar como funcionam estas empresas na sua fase de lançamento. O que este trabalho permitiu desenvolver foi “um conjunto de preposições teóricas, que podem agora ser testadas com uma amostra muito maior de empresas”, explica Costa. É esse o próximo passo: aplicar este modelo a uma amostra maior de spin-offs universitários e generaliza-lo gradualmente, para empresas tecnológicas e outro tipo de empresas que têm uma grande incerteza de mercado.
Este modelo tem originalidades que foram reconhecidas com o prémio Heizer, em particular ao nível da metodologia. Por um lado, o estudo de Sérgio Costa é mais detalhado do que habitualmente acontece nesta área, já que se baseia num quadro de referência de nove elementos (do segmento de cliente à proposta de valor, passando pelas parcerias desenvolvidas), em lugar de analisar o modelo de negócio como um todo.
Por outro lado, este estudo é o primeiro a acompanhar os processos de mudança nas empresas “em tempo real”. Os estudos realizados até agora nesta área têm partido de dois tipos de análise: ou a partir de um único ponto do tempo da história da firma ou fazendo a avaliação longitudinal retrospectiva dos processos, o que introduz limitações aos resultados conseguidos. O que o investigador do INESC-Tec fez foi avaliar as firmas com base uma recolha mensal de informação ao longo de um ano. “Neste período, percebem-se hesitações e mudanças. Os empreendedores estão cheios de incertezas, há várias possibilidades e não sabem o que vai funcionar”, diz.
O que é o prémio Heizer
O prémio Heizer para a melhor dissertação de estudos em empreendedorismo que distingue o trabalho de doutoramento de Sérgio Costa é considerado um dos mais importantes do mundo na área. O galardão é atribuído pela divisão de empreendedorismo da Academy of Management, uma associação profissional internacional, que reúne académicos que trabalham nas áreas de gestão e organizações. Esta instituição está sediada em Nova Iorque, nos Estados Unidos e foi fundada em 1936, agregando actualmente cerca de 120 mil membros efectivos em 115 países do mundo.
O Heizer Best Dissertation Award premeia a melhor tese original de estudos sobre empreendedorismo que tenha sido publicada durante o último ano. Sérgio Costa tinha sido anunciado, em Junho, como um dos três finalistas seleccionados pela Academy of Managment, depois de uma selecção baseada nos resumos dos trabalhos. Na fase final, o júri avaliou o trabalho completo de cada um dos investigadores, tendo escolhido o do investigador de Barcelos, que é o primeiro português a ser distinguido com este galardão.
O prémio Heizer 2015 foi entregue ao investigador do INESC-Tec esta segunda-feira, durante a 75ª conferência anual da Academy of Managment, que decorre durante toda a semana em Vancouver, no Canadá.
Mudar “qb” é o conselho para as spin-offs do português que venceu o prémio Heizer 2015 e que durante um ano observou o comportamento de empresas nascidas em contexto universitário.
Quanto deve uma empresa mudar o seu plano de negócio nos primeiros anos de vida? “Em linguagem comum: nem muito, nem pouco”, responde Sérgio Costa. O modelo desenvolvido por este investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-Tec), permite perceber o equilíbrio entre as alterações à estratégia de uma firma e a sua performance. Este foi o motivo pelo qual lhe foi entregue, esta segunda-feira, o Heizer, um dos mais importantes galardões internacionais de estudos sobre empreendedorismo, que premia o seu trabalho de doutoramento feito no Reino Unido.
A análise feita por Costa permite perceber uma relação entre as alterações no modelo de negócio e a performance da empresa que, num gráfico, se desenha como um U invertido. Ou seja, as empresas que fazem muitas mudanças têm pior performance, mas também as mais estáticas alcançam maus resultados. O segredo é, portanto, aplicar mudanças “qb” para ir corrigindo a estratégia em função da interacção inicial com clientes e potenciais parceiros.
De acordo com este investigador sénior do INESC-Tec, os limites inferior e superior do gráfico de mudança nas firmas variam em função do tipo de indústria em que estas operam, criando pontos de equilíbrio diferentes para as tecnológicas ou sectores de indústria mais pesada. No entanto, “só os limites são diferentes. Muda a escala, mas a relação é sempre de um U invertido”, explica.
Esta é a principal conclusão de “Mudança no modelo de negócio em spin-offs universitárias na fase inicial” (“Business Model Change in Early-Stage University Spin-offs”) a tese de doutoramento que Sérgio Costa fez na Universidade de Strathclyde, em Glasgow (Escócia). No âmbito desse trabalho, o investigador acompanhou durante um ano oito empresas spin-offs nascidas no contexto daquela universidade britânica. A escolha sobre este género foi justificada pelo facto de se considerar que são organizações que operam num contexto de muita mudança, não só por estarem na fase inicial dos seus percursos, mas também por serem criadas e geridas por investigadores universitários, que têm altos níveis de conhecimento científico, mas a quem faltam geralmente os conhecimentos de gestão.
As conclusões deste trabalho permitem traçar um retrato de um spin-off de sucesso. As empresas com maior performance têm mercados-alvo e aplicações das tecnologias desenvolvidas mais concentradas. São também estas firmas que tendem a interagir mais intensivamente e mais cedo com potenciais clientes e peritos na indústria, bem como a fazer mais parcerias com uma variedade ampla de actores. “Em tudo o resto, são empresas que se mantêm muito estáveis”, valoriza Costa.
Pelo contrário, as empresas com pior performance tendem a percepcionar que têm mais falta de recursos de todo o tipo. Por isso estão sempre a fazer pequenos ajustes e esse “excesso” de mudança vai revelar-se fatal para a sua performance. Daí que Sérgio Costa saliente a importância do início da vida das spin-offs universitárias: “É preciso começar bem, com objectivos bem definidos e fazendo uma série de interacções que permitam acertos. Quem começa mal, queima recursos, queima tempo, e rapidamente começa a haver algum descrédito junto dos investidores”.
A forma de análise desenvolvida pelo investigador durante o seu doutoramento é ainda exploratória, pelo este considera “prematuro” falar num modelo final para explicar como funcionam estas empresas na sua fase de lançamento. O que este trabalho permitiu desenvolver foi “um conjunto de preposições teóricas, que podem agora ser testadas com uma amostra muito maior de empresas”, explica Costa. É esse o próximo passo: aplicar este modelo a uma amostra maior de spin-offs universitários e generaliza-lo gradualmente, para empresas tecnológicas e outro tipo de empresas que têm uma grande incerteza de mercado.
Este modelo tem originalidades que foram reconhecidas com o prémio Heizer, em particular ao nível da metodologia. Por um lado, o estudo de Sérgio Costa é mais detalhado do que habitualmente acontece nesta área, já que se baseia num quadro de referência de nove elementos (do segmento de cliente à proposta de valor, passando pelas parcerias desenvolvidas), em lugar de analisar o modelo de negócio como um todo.
Por outro lado, este estudo é o primeiro a acompanhar os processos de mudança nas empresas “em tempo real”. Os estudos realizados até agora nesta área têm partido de dois tipos de análise: ou a partir de um único ponto do tempo da história da firma ou fazendo a avaliação longitudinal retrospectiva dos processos, o que introduz limitações aos resultados conseguidos. O que o investigador do INESC-Tec fez foi avaliar as firmas com base uma recolha mensal de informação ao longo de um ano. “Neste período, percebem-se hesitações e mudanças. Os empreendedores estão cheios de incertezas, há várias possibilidades e não sabem o que vai funcionar”, diz.
O que é o prémio Heizer
O prémio Heizer para a melhor dissertação de estudos em empreendedorismo que distingue o trabalho de doutoramento de Sérgio Costa é considerado um dos mais importantes do mundo na área. O galardão é atribuído pela divisão de empreendedorismo da Academy of Management, uma associação profissional internacional, que reúne académicos que trabalham nas áreas de gestão e organizações. Esta instituição está sediada em Nova Iorque, nos Estados Unidos e foi fundada em 1936, agregando actualmente cerca de 120 mil membros efectivos em 115 países do mundo.
O Heizer Best Dissertation Award premeia a melhor tese original de estudos sobre empreendedorismo que tenha sido publicada durante o último ano. Sérgio Costa tinha sido anunciado, em Junho, como um dos três finalistas seleccionados pela Academy of Managment, depois de uma selecção baseada nos resumos dos trabalhos. Na fase final, o júri avaliou o trabalho completo de cada um dos investigadores, tendo escolhido o do investigador de Barcelos, que é o primeiro português a ser distinguido com este galardão.
O prémio Heizer 2015 foi entregue ao investigador do INESC-Tec esta segunda-feira, durante a 75ª conferência anual da Academy of Managment, que decorre durante toda a semana em Vancouver, no Canadá.
17.4.15
Anje vai apoiar 10 projectos de negócio de base tecnológica
in Público on-line (P3)
O ponto de partida do programa passa por "familiarizar os jovens empreendedores com os desafios decorrentes da criação e desenvolvimento de um projeto empresarial"
A Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) abriu as candidaturas, até 26 de Abril, para o programa de aceleração de "start-ups", que apoia o lançamento no mercado de projectos de negócio através de uma "combinação inovadora de metodologias". Em antecipação à agência Lusa, a associação anuncia a realização, durante os meses de Maio e Junho, do ANJE Startup Accelerator (ASA), que "apresenta uma combinação inovadora de metodologias com provas dadas em programas de empreendedorismo internacionalmente reconhecidos com metodologias de estímulo à criatividade".
Com candidaturas abertas até 26 de Abril no site www.inovaportugal.com/asa e um número máximo de 30 projectos de negócio na primeira fase, o ASA vai "apoiar a constituição de 10 'startups' de base tecnológica", que receberão um apoio total de 22 mil euros, cinco mil euros em dinheiro e os restantes 17 mil euros em benefícios, incluindo ainda o prémio a incubação ANJE com duração de dois anos.
Segundo a informação avançada, o "ASA está aberto a candidatos estrangeiros, motivados pela criação de empresas em Portugal, numa lógica de atracção de investimento e inovação, mas também de atracção de talento e de estímulo ao estabelecimento de sinergias internacionais".
O presidente da ANJE, João Rafael Koehler, explicou à agência Lusa que este é "o único programa que integra quer a componente de "design thinking", quer a de "business thinking", para assim ajudar os empreendedores a perceberem como criar valor para os seus clientes, desenvolvendo produtos e serviços centrados na experiência dos utilizadores".
Quatro fases
O responsável garante que "este acelerador foi desenhado e pensado de acordo com as novas tendências de aceleração aplicadas nos mais competitivos ecossistemas de empreendedorismo a nível internacional". O ponto de partida do programa passa por "familiarizar os jovens empreendedores com os desafios decorrentes da criação e desenvolvimento de um projecto empresarial", recebendo os candidatos selecionados "apoio especializado ao nível da definição do plano de negócio, do financiamento do projeto, do desenvolvimento de produto, da relação clientes/mercado, da gestão de equipas, da legislação aplicável à atividade económica, do "marketing" e da comunicação".
Os dois meses de duração do Asa estão divididos em quatro fases, sendo a primeira a selecção dos candidatos, a que se seguem um conjunto de "workshops", no intervalo dos quais os 30 escolhidos vão desenvolver trabalhos de aplicação. "O trabalho desenvolvido permitirá aos mentores selecionar 10 equipas, anunciadas a 26 de março, para participarem na terceira fase, aquela em a aceleração do ASA será efetivada", explica a ANJE. O ASA — ANJE Startup Accelerator é uma iniciativa promovida pela ANJE no âmbito do PIP — Projecto Inovação Portugal, programa de empreendedorismo cofinanciado pelo QREN — Quadro de Referência Estratégico Nacional, no âmbito do Compete — Programa Operacional Fatores de Competitividade.
O ponto de partida do programa passa por "familiarizar os jovens empreendedores com os desafios decorrentes da criação e desenvolvimento de um projeto empresarial"
A Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) abriu as candidaturas, até 26 de Abril, para o programa de aceleração de "start-ups", que apoia o lançamento no mercado de projectos de negócio através de uma "combinação inovadora de metodologias". Em antecipação à agência Lusa, a associação anuncia a realização, durante os meses de Maio e Junho, do ANJE Startup Accelerator (ASA), que "apresenta uma combinação inovadora de metodologias com provas dadas em programas de empreendedorismo internacionalmente reconhecidos com metodologias de estímulo à criatividade".
Com candidaturas abertas até 26 de Abril no site www.inovaportugal.com/asa e um número máximo de 30 projectos de negócio na primeira fase, o ASA vai "apoiar a constituição de 10 'startups' de base tecnológica", que receberão um apoio total de 22 mil euros, cinco mil euros em dinheiro e os restantes 17 mil euros em benefícios, incluindo ainda o prémio a incubação ANJE com duração de dois anos.
Segundo a informação avançada, o "ASA está aberto a candidatos estrangeiros, motivados pela criação de empresas em Portugal, numa lógica de atracção de investimento e inovação, mas também de atracção de talento e de estímulo ao estabelecimento de sinergias internacionais".
O presidente da ANJE, João Rafael Koehler, explicou à agência Lusa que este é "o único programa que integra quer a componente de "design thinking", quer a de "business thinking", para assim ajudar os empreendedores a perceberem como criar valor para os seus clientes, desenvolvendo produtos e serviços centrados na experiência dos utilizadores".
Quatro fases
O responsável garante que "este acelerador foi desenhado e pensado de acordo com as novas tendências de aceleração aplicadas nos mais competitivos ecossistemas de empreendedorismo a nível internacional". O ponto de partida do programa passa por "familiarizar os jovens empreendedores com os desafios decorrentes da criação e desenvolvimento de um projecto empresarial", recebendo os candidatos selecionados "apoio especializado ao nível da definição do plano de negócio, do financiamento do projeto, do desenvolvimento de produto, da relação clientes/mercado, da gestão de equipas, da legislação aplicável à atividade económica, do "marketing" e da comunicação".
Os dois meses de duração do Asa estão divididos em quatro fases, sendo a primeira a selecção dos candidatos, a que se seguem um conjunto de "workshops", no intervalo dos quais os 30 escolhidos vão desenvolver trabalhos de aplicação. "O trabalho desenvolvido permitirá aos mentores selecionar 10 equipas, anunciadas a 26 de março, para participarem na terceira fase, aquela em a aceleração do ASA será efetivada", explica a ANJE. O ASA — ANJE Startup Accelerator é uma iniciativa promovida pela ANJE no âmbito do PIP — Projecto Inovação Portugal, programa de empreendedorismo cofinanciado pelo QREN — Quadro de Referência Estratégico Nacional, no âmbito do Compete — Programa Operacional Fatores de Competitividade.
17.12.14
Microcrédito deu a mão aos novos empreendedores e está a arrebitar o comércio local
Texto de Marisa Soares e Ana Tulha, in Público on-line (P3)
Associação Nacional de Direito ao Crédito já ajudou cerca de 200 empresários a abrir negócio este ano, com recurso a pequenos empréstimos. O PÚBLICO foi conhecer alguns casos de sucesso em Lisboa e no Porto.
Ocupam lojas esvaziadas pela crise, à medida que encolhem os números do desemprego. São jovens licenciados com uma ideia, desempregados menos jovens mas ainda longe da reforma ou, simplesmente, pequenos empresários aos quais a banca fechou a porta. A Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) deu-lhes a mão e ajudou-os a subir os degraus do negócio, num caminho onde muitas vezes se fica para trás.
Os micro-empresários estão a trazer uma lufada de ar fresco ao comércio local, dentro e fora dos grandes centros urbanos. Só este ano, nasceram cerca de 200 micro-empresas com o apoio da ANDC, associação sem fins lucrativos pioneira no microcrédito em Portugal. São sobretudo restaurantes, cafés, cabeleireiros e centros de estética, mas também surgem cada vez mais projectos “fora da caixa”: hostels, aluguer de bicicletas, agricultura, serviços audiovisuais, lojas de artesanato e até lojas eróticas.
Em 16 anos, completados este domingo, a ANDC ajudou – gratuitamente – quase 2000 empresários a conseguirem empréstimos de 1000 a 12.500 euros, com juros mais baixos do que os praticados normalmente pela banca. No total, foram concedidos mais de 11 milhões de euros até ao final de 2013. Cerca de 30% desses negócios continuam de pé após quatro anos de existência. É uma taxa de sobrevivência superior à média nacional, que segundo o Instituto Nacional de Estatística ronda os 23,2%.
Para divulgar os casos de sucesso a associação criou o Dia do Micro-empresário, celebrado a 13 de Dezembro. Este ano a organização convidou a população a "olhar para o bairro onde mora, para a rua em que habita", sugerindo percursos que passam por negócios lançados através do microcrédito, em várias cidades. O PÚBLICO aceitou o desafio e foi conhecer alguns.
Contornar obstáculos
Não há uma receita para fazer vingar um negócio, mas Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito da ANDC, aponta alguns ingredientes: iniciativa e cautela para não dar passos maiores do que a perna. “É preciso ter paciência para esperar pelo crescimento.”
Helena Faria, de 51 anos, encaixa no perfil. Depois de 15 anos a trabalhar em marketing e publicidade, ficou desempregada aos 45, com "experiência a mais". Tinha um bacharelato em Direito, um master em Gestão Comercial e muita vontade de trabalhar. "Mas já não me apetecia nada que fosse por conta de outros", admite. Apostou na estética, mesmo sem formação na área, e investiu 40 mil euros para criar a Depilplus. Arrendou “um buraco antigo e velho” no número 16A da Rua de Santa Marta, em Lisboa, a dois passos da Avenida da Liberdade, remodelou-o e equipou-o. Mas o primeiro obstáculo surgiu antes de abrir: a casa de banho não estava conforme a planta disponível na câmara. Passou dois anos à espera da legalização.
Sem garantias para mais endividamentos na banca e com os prejuízos a crescer, Helena Faria esteve quase a desistir. Foi então que recorreu à ANDC. Pediu 8000 euros para arrancar com o negócio em Março de 2013. Além do seu posto de trabalho criou mais três. Hoje a Depilplus já não é apenas um centro de depilação definitiva: tem manicure e pedicure, massagens e tratamentos de pele.
O projecto de Helena Faria foi seguido por um dos sete técnicos da associação espalhados pelo país, que acompanham os projectos até os empréstimos estarem totalmente pagos. Após uma triagem inicial para confirmar a situação bancária do promotor, os técnicos analisam também a sua história de vida e contexto familiar, além do projecto em si. Depois, o processo é avaliado por uma comissão de voluntários e, caso seja aprovado, segue para os bancos.
“Já tendo a chancela da associaçao, é mais fácil para o banco aprovar. Temos mais de 90% dos projectos aceites”, diz Edgar Costa. A entidade bancária assume 75% do crédito, o promotor tem que apresentar um fiador para 20% e a associação (que é financiada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional) empresta os restantes 5%. “Se o projecto estiver bem estruturado conseguimos aprová-lo em 15 dias e em 60 dias o dinheiro está na conta do empresário”, afirma o gestor. Mas cada caso é único.
Lê o artigo completo no Público
Associação Nacional de Direito ao Crédito já ajudou cerca de 200 empresários a abrir negócio este ano, com recurso a pequenos empréstimos. O PÚBLICO foi conhecer alguns casos de sucesso em Lisboa e no Porto.
Ocupam lojas esvaziadas pela crise, à medida que encolhem os números do desemprego. São jovens licenciados com uma ideia, desempregados menos jovens mas ainda longe da reforma ou, simplesmente, pequenos empresários aos quais a banca fechou a porta. A Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) deu-lhes a mão e ajudou-os a subir os degraus do negócio, num caminho onde muitas vezes se fica para trás.
Os micro-empresários estão a trazer uma lufada de ar fresco ao comércio local, dentro e fora dos grandes centros urbanos. Só este ano, nasceram cerca de 200 micro-empresas com o apoio da ANDC, associação sem fins lucrativos pioneira no microcrédito em Portugal. São sobretudo restaurantes, cafés, cabeleireiros e centros de estética, mas também surgem cada vez mais projectos “fora da caixa”: hostels, aluguer de bicicletas, agricultura, serviços audiovisuais, lojas de artesanato e até lojas eróticas.
Em 16 anos, completados este domingo, a ANDC ajudou – gratuitamente – quase 2000 empresários a conseguirem empréstimos de 1000 a 12.500 euros, com juros mais baixos do que os praticados normalmente pela banca. No total, foram concedidos mais de 11 milhões de euros até ao final de 2013. Cerca de 30% desses negócios continuam de pé após quatro anos de existência. É uma taxa de sobrevivência superior à média nacional, que segundo o Instituto Nacional de Estatística ronda os 23,2%.
Para divulgar os casos de sucesso a associação criou o Dia do Micro-empresário, celebrado a 13 de Dezembro. Este ano a organização convidou a população a "olhar para o bairro onde mora, para a rua em que habita", sugerindo percursos que passam por negócios lançados através do microcrédito, em várias cidades. O PÚBLICO aceitou o desafio e foi conhecer alguns.
Contornar obstáculos
Não há uma receita para fazer vingar um negócio, mas Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito da ANDC, aponta alguns ingredientes: iniciativa e cautela para não dar passos maiores do que a perna. “É preciso ter paciência para esperar pelo crescimento.”
Helena Faria, de 51 anos, encaixa no perfil. Depois de 15 anos a trabalhar em marketing e publicidade, ficou desempregada aos 45, com "experiência a mais". Tinha um bacharelato em Direito, um master em Gestão Comercial e muita vontade de trabalhar. "Mas já não me apetecia nada que fosse por conta de outros", admite. Apostou na estética, mesmo sem formação na área, e investiu 40 mil euros para criar a Depilplus. Arrendou “um buraco antigo e velho” no número 16A da Rua de Santa Marta, em Lisboa, a dois passos da Avenida da Liberdade, remodelou-o e equipou-o. Mas o primeiro obstáculo surgiu antes de abrir: a casa de banho não estava conforme a planta disponível na câmara. Passou dois anos à espera da legalização.
Sem garantias para mais endividamentos na banca e com os prejuízos a crescer, Helena Faria esteve quase a desistir. Foi então que recorreu à ANDC. Pediu 8000 euros para arrancar com o negócio em Março de 2013. Além do seu posto de trabalho criou mais três. Hoje a Depilplus já não é apenas um centro de depilação definitiva: tem manicure e pedicure, massagens e tratamentos de pele.
O projecto de Helena Faria foi seguido por um dos sete técnicos da associação espalhados pelo país, que acompanham os projectos até os empréstimos estarem totalmente pagos. Após uma triagem inicial para confirmar a situação bancária do promotor, os técnicos analisam também a sua história de vida e contexto familiar, além do projecto em si. Depois, o processo é avaliado por uma comissão de voluntários e, caso seja aprovado, segue para os bancos.
“Já tendo a chancela da associaçao, é mais fácil para o banco aprovar. Temos mais de 90% dos projectos aceites”, diz Edgar Costa. A entidade bancária assume 75% do crédito, o promotor tem que apresentar um fiador para 20% e a associação (que é financiada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional) empresta os restantes 5%. “Se o projecto estiver bem estruturado conseguimos aprová-lo em 15 dias e em 60 dias o dinheiro está na conta do empresário”, afirma o gestor. Mas cada caso é único.
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24.11.14
HeArt, um negócio social para promover artistas com deficiência
Cláudia Bancaleiro, in Público on-line
Site vai funcionar como loja online. Dinheiro reverte a favor dos artistas e vai ajudar o projecto a continuar a crescer.
Sessenta artistas, com idades a partir dos 18 anos, vão ser os primeiros protagonistas de um projecto que arranca online esta terça-feira, o HeArt, que pretende dar visibilidade, promover e vender a arte criada por deficientes que frequentam a CERCICA.
O site www.heart.pt funciona como uma loja online onde estão publicados trabalhos de criadores com deficiência e que podem ser adquiridas inicialmente mediante uma transferência bancária mas que poderão ser pagas em breve através de cartão de crédito.
Cada obra é acompanhada por uma biografia do artista, sem qualquer referência à deficiencia que tem. O objectivo é “valorizar o indivíduo”, sublinhou ao PÚBLICO Sofia Perestrelo, presidente da HeArt, que realça o “entusiasmo” com que a plataforma foi recebida entre as pessoas que a vão integrar nesta fase inicial.
Criado este ano, o projecto social, que também tem uma página no Facebook a partir desta terça-feira, pretende “promover a valorização dos seus artistas dando-lhes visibilidade e oportunidades iguais”. O objectivo é trabalhar com instituições sociais e com estas encontrar potenciais artistas que venham depois a integrar o site.
Para já, arranca com as obras de 60 pessoas da CERCICA, mas o HeArt quer desenvolver parcerias com outras instituições e alargar o número de trabalhos para venda online. Outras das metas do projecto é criar parcerias com criadores nacionais e internacionais, realizar eventos de promoção à arte e exposições.
Sofia Perestrelo explica que com o dinheiro angariado com a venda das peças a plataforma pretende “contribuir para o aumento da capacidade financeira dos artistas” e também que o projecto se torne “auto-sustentável, sem dependências”, já que até aqui tem apenas contado com o apoio financeiro de particulares.
Uma visita ao atelier da CERCICA foi o ponto de partida para o projecto. “No atelier encontrámos um grupo de artistas e talentos artísticos fantásticos e esta é uma realidade nacional. Existem pelo país associações que têm artistas e é uma pena não serem apreciados e terem visibilidade. Porque não fazer uma plataforma, dar estes artistas oportunidades iguais?”, conta Sofia Perestrelo.
A presidente do HeArte diz que a única dificuldade foi escolher entre as obras que foram encontradas. “Há trabalho muito bom. Os artistas têm uma visão do mundo muito própria e conseguem exteriorizar emoções de uma forma que eu não tenho capacidade”, considera.
O projecto HeArt tem como madrinha a jornalista Judite de Sousa e na apresentação desta terça-feira vai contar ainda com a presença do ministro da Solidariedade Trabalho e Segurança Social, Pedro Mota Soares, e Carlos Jesus Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, autarquia que atribuiu à plataforma o primeiro lugar na categoria de Empreendedorismo Social, no 8.º Concurso de Ideias de Negócios de Cascais.
Site vai funcionar como loja online. Dinheiro reverte a favor dos artistas e vai ajudar o projecto a continuar a crescer.
Sessenta artistas, com idades a partir dos 18 anos, vão ser os primeiros protagonistas de um projecto que arranca online esta terça-feira, o HeArt, que pretende dar visibilidade, promover e vender a arte criada por deficientes que frequentam a CERCICA.
O site www.heart.pt funciona como uma loja online onde estão publicados trabalhos de criadores com deficiência e que podem ser adquiridas inicialmente mediante uma transferência bancária mas que poderão ser pagas em breve através de cartão de crédito.
Cada obra é acompanhada por uma biografia do artista, sem qualquer referência à deficiencia que tem. O objectivo é “valorizar o indivíduo”, sublinhou ao PÚBLICO Sofia Perestrelo, presidente da HeArt, que realça o “entusiasmo” com que a plataforma foi recebida entre as pessoas que a vão integrar nesta fase inicial.
Criado este ano, o projecto social, que também tem uma página no Facebook a partir desta terça-feira, pretende “promover a valorização dos seus artistas dando-lhes visibilidade e oportunidades iguais”. O objectivo é trabalhar com instituições sociais e com estas encontrar potenciais artistas que venham depois a integrar o site.
Para já, arranca com as obras de 60 pessoas da CERCICA, mas o HeArt quer desenvolver parcerias com outras instituições e alargar o número de trabalhos para venda online. Outras das metas do projecto é criar parcerias com criadores nacionais e internacionais, realizar eventos de promoção à arte e exposições.
Sofia Perestrelo explica que com o dinheiro angariado com a venda das peças a plataforma pretende “contribuir para o aumento da capacidade financeira dos artistas” e também que o projecto se torne “auto-sustentável, sem dependências”, já que até aqui tem apenas contado com o apoio financeiro de particulares.
Uma visita ao atelier da CERCICA foi o ponto de partida para o projecto. “No atelier encontrámos um grupo de artistas e talentos artísticos fantásticos e esta é uma realidade nacional. Existem pelo país associações que têm artistas e é uma pena não serem apreciados e terem visibilidade. Porque não fazer uma plataforma, dar estes artistas oportunidades iguais?”, conta Sofia Perestrelo.
A presidente do HeArte diz que a única dificuldade foi escolher entre as obras que foram encontradas. “Há trabalho muito bom. Os artistas têm uma visão do mundo muito própria e conseguem exteriorizar emoções de uma forma que eu não tenho capacidade”, considera.
O projecto HeArt tem como madrinha a jornalista Judite de Sousa e na apresentação desta terça-feira vai contar ainda com a presença do ministro da Solidariedade Trabalho e Segurança Social, Pedro Mota Soares, e Carlos Jesus Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, autarquia que atribuiu à plataforma o primeiro lugar na categoria de Empreendedorismo Social, no 8.º Concurso de Ideias de Negócios de Cascais.
5.11.14
Desemprego jovem. Há ONG que ajudam jovens a lançar negócios
in o Observador
Cidadania Ativa gere os fundos EEA Grants para Portugal e quer que o empreendedorismo social ajude os jovens desempregados. Há 21 projetos de ONG com financiamento europeu para promover o emprego.
A conferência “Emprego Jovem e Empreendedorismo Social: Novos Caminhos” decorre esta quarta-feira, na Fundação Calouste GulbenkianGetty
No Alentejo, a Monte-ACE quer ajudar os jovens a lançarem negócios agrícolas e, em seis dias, recebeu 22 manifestações de interesse. O projeto New Deal for Youth Employment foi lançado a 28 de outubro pela Organização Não-Governamental (ONG) alentejana, em parceria com a Universidade de Évora, a associação Agricultores do Sul e com a colaboração do Instituto do Emprego e Formação Profissional. “Há necessidade de fomentar o emprego jovem no setor agrícola”, explicou ao Observador Carmen Caetano, coordenadora do projeto.
A iniciativa alentejana visa contribuir para a empregabilidade na zona centro do Alentejo através da dinamização de ações de formação, visitas a explorações agrícolas e um estágio profissional. A par com esta iniciativa, a ONG também lançou um Núcleo de Apoio ao Empreendedorismo Agrícola, que vai acompanhar e aconselhar tecnicamente jovens que queiram criar o próprio emprego e lançar projetos empresariais. Durante 18 meses, o projeto vai ser financiado através dos EEA Grants (Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu) e pretende chegar, no mínimo, a 30 jovens.
Objetivo do projeto é chegar a 50 jovens, envolver 25 mentores com mais de 50 anos e 30 professores e a iniciativa conta com dois parceiros.
No InSocialChange, o apoio à empregabilidade dos jovens também chega via EEA Grants. O projeto da associação RH+50, conta com a sabedoria dos mais velhos para ajudar os mais novos a integrarem o mercado de trabalho ou a arriscarem num negócio próprio, apadrinhando-o. O objetivo do projeto é chegar a 50 jovens, envolver 25 mentores com mais de 50 anos e 30 professores e a iniciativa conta com dois parceiros: o Agrupamento de Escolas Amadora Oeste e a fundação norueguesa Mangfold i Arbeidslivet (MiA).
Ajudar os jovens a entrarem no mercado de trabalho e a criarem o seu próprio emprego. Nesta quarta-feira, é disso que se fala na Fundação Calouste Gulbenkian: de empreendedorismo social e da importância que a sociedade civil tem no combate ao desemprego entre os mais novos.
Para Luís Madureira Pires, administrador da Gulbenkian e coordenador do Cidadania Ativa, programa da fundação que gere os fundos dos EEA Grants para Portugal, as ONG têm um papel a desempenhar junto do setor privado e público para “resolver o problema” do desemprego jovem. Em setembro, 35,2% dos jovens com menos de 25 anos estavam desempregados em Portugal, de acordo com os dados da Eurostat. Nos últimos três anos, os valores têm-se mantido sempre acima dos 35%.
A globalização e o papel ativo dos jovens
Como combater o flagelo? “Essa é a resposta de ‘um milhão de dólares’”, avança Luís Madureira Pires. “Se a soubéssemos, o assunto estava resolvido. É preciso ter consciência de que a globalização foi criar empregos noutros lados e que temos agora o problema de absorção dos jovens qualificados, que começaram, entretanto, a surgir. E isto não é um problema só português, mas em economias mais frágeis, como a nossa, o problema é maior”, acrescenta.
O administrador da Gulbenkian também alerta que os jovens não podem ter um papel passivo nesta matéria, e adianta que e é preciso que intervenham durante o processo. Criar um negócio próprio é uma das formas de intervir e de ter um papel ativo.
Financiados pelos países da EFTA, como Noruega, Islândia e Liechtenstein, os EEA Grants apoiam projetos nos 16 países menos ricos da União Europeia, onde se inclui Portugal. A Fundação Calouste Gulbenkian foi selecionada em dezembro de 2012 para operar os fundos portugueses. Através do Cidadania Ativa, gere 8,7 milhões de euros para apoiar projetos promovidos por ONG, em quatro domínios de atuação, que, além do desemprego juvenil, inclui a participação das organizações na conceção e aplicação de políticas públicas ou a promoção dos Direitos Humanos. Destes, 2,1 milhões destinam-se apoiar a empregabilidade e inclusão dos jovens, através do financiamento de projetos dirigidos a desempregados, pessoas que tenham abandonado a escola ou que estejam num contexto de vulnerabilidade. No último ano, o desemprego jovem, tornou-se a grande prioridade dos EEA Grants.
Para Luís Madureira Pires, o financiamento dos projetos de empreendedorismo social ainda é um problema. O acesso ao microcrédito pode ser difícil e o investimento das capitais e risco é um processo lento
Quais são as principais dificuldades dos jovens que querem empreender? O financiamento dos projetos, diz Luís Madureira Pires, referindo-se ao microcrédito e ao capital de risco. O acesso ao primeiro ainda é “difícil” porque “alguns bancos exigem garantias reais aos jovens”, que não as têm. O segundo traduz-se, de acordo com o coordenador do Cidadania Ativa, num processo “extremamente lento”. “Temos de encontrar alianças, parcerias, que nos permitam agir mais e melhor”, disse ao Observador.
O microcrédito é um mecanismo que se destina a apoiar pessoas que não têm acesso ao crédito bancário normal, como desempregados, jovens à procura do primeiro emprego ou trabalhadores em regime precário, mas que têm uma boa ideia de negócio.
No princípio dos anos 70, Muhammad Yunus, considerado o pai do microcrédito, emprestou 27 dólares a 42 famílias, no Bangladesh, para provar que as pessoas mais desfavorecidas também podiam construir os seus negócios. A experiência do homem que já foi laureado com o prémio Nobel da Paz levou-o a fundar o Grameen Bank, aquele que é considerado “o banco dos pobres”.
O emprego para os mais novos tem sido uma das prioridades da União Europeia, mas Paulo Madureira Pires adianta que é preciso envolver também as empresas e os cidadãos.
Do início de 2014, até 3 de novembro, a Associação Nacional do Direito ao Crédito (ANDC), responsável pela entrada do microcrédito em Portugal, recebeu 1790 candidaturas e creditou 137 projetos, no valor de 1,33 milhões de euros. A estimativa da ANDC é que até ao final do ano a associação receba 2.230 candidaturas. Em 2013, receberam 1689.
Para Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito da ANDC, não é difícil chegar a esta forma de financiamento. “Não vejo que haja dificuldades nessa área, mas os negócios sociais têm características diferentes, porque pode ser mais difícil encontrar viabilidade no negócio. Este crédito pressupõe o retorno do montante num curto prazo e o empreendedorismo social pode não gerar fundos que permitam devolver o dinheiro rapidamente”, explicou.
Conferência traz a Portugal especialistas internacionais como a secretária de Estado para os Assuntos Europeus da Noruega, Ingvild Stub, e a coordenadora europeia do EEA Grants, embaixadora Ingrid Schulerud.
O Cidadania Ativa recebeu um reforço de 2,5 milhões de euros, em fevereiro de 2014, para cofinanciar projetos dirigidos a desempregados jovens. São já 21 os projetos com financiamento para o próximo ano e meio. O emprego para os mais novos tem sido uma das prioridades da União Europeia, mas Paulo Madureira Pires adianta que é preciso envolver também as empresas e os cidadãos. “É muito importante que seja uma organização da sociedade civil a agarrar esta problemática em mãos”, afirmou Luís Madureira Pires.
Esta quarta-feira, a Fundação Calouste Gulbenkian, juntamente com os EEA Grants debate o problema do desemprego entre os mais novos na conferência “Emprego Jovem e Empreendedorismo Social: Novos Caminhos” e espera que pelo menos 350 pessoas participem, incluindo ONG, académicos, empresários, bancos, associações de microcrédito e decisores políticos. A conferência traz a Portugal especialistas internacionais como a secretária de Estado para os Assuntos Europeus da Noruega, Ingvild Stub, e a coordenadora europeia do EEA Grants, embaixadora Ingrid Schulerud.
Cidadania Ativa gere os fundos EEA Grants para Portugal e quer que o empreendedorismo social ajude os jovens desempregados. Há 21 projetos de ONG com financiamento europeu para promover o emprego.
A conferência “Emprego Jovem e Empreendedorismo Social: Novos Caminhos” decorre esta quarta-feira, na Fundação Calouste GulbenkianGetty
No Alentejo, a Monte-ACE quer ajudar os jovens a lançarem negócios agrícolas e, em seis dias, recebeu 22 manifestações de interesse. O projeto New Deal for Youth Employment foi lançado a 28 de outubro pela Organização Não-Governamental (ONG) alentejana, em parceria com a Universidade de Évora, a associação Agricultores do Sul e com a colaboração do Instituto do Emprego e Formação Profissional. “Há necessidade de fomentar o emprego jovem no setor agrícola”, explicou ao Observador Carmen Caetano, coordenadora do projeto.
A iniciativa alentejana visa contribuir para a empregabilidade na zona centro do Alentejo através da dinamização de ações de formação, visitas a explorações agrícolas e um estágio profissional. A par com esta iniciativa, a ONG também lançou um Núcleo de Apoio ao Empreendedorismo Agrícola, que vai acompanhar e aconselhar tecnicamente jovens que queiram criar o próprio emprego e lançar projetos empresariais. Durante 18 meses, o projeto vai ser financiado através dos EEA Grants (Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu) e pretende chegar, no mínimo, a 30 jovens.
Objetivo do projeto é chegar a 50 jovens, envolver 25 mentores com mais de 50 anos e 30 professores e a iniciativa conta com dois parceiros.
No InSocialChange, o apoio à empregabilidade dos jovens também chega via EEA Grants. O projeto da associação RH+50, conta com a sabedoria dos mais velhos para ajudar os mais novos a integrarem o mercado de trabalho ou a arriscarem num negócio próprio, apadrinhando-o. O objetivo do projeto é chegar a 50 jovens, envolver 25 mentores com mais de 50 anos e 30 professores e a iniciativa conta com dois parceiros: o Agrupamento de Escolas Amadora Oeste e a fundação norueguesa Mangfold i Arbeidslivet (MiA).
Ajudar os jovens a entrarem no mercado de trabalho e a criarem o seu próprio emprego. Nesta quarta-feira, é disso que se fala na Fundação Calouste Gulbenkian: de empreendedorismo social e da importância que a sociedade civil tem no combate ao desemprego entre os mais novos.
Para Luís Madureira Pires, administrador da Gulbenkian e coordenador do Cidadania Ativa, programa da fundação que gere os fundos dos EEA Grants para Portugal, as ONG têm um papel a desempenhar junto do setor privado e público para “resolver o problema” do desemprego jovem. Em setembro, 35,2% dos jovens com menos de 25 anos estavam desempregados em Portugal, de acordo com os dados da Eurostat. Nos últimos três anos, os valores têm-se mantido sempre acima dos 35%.
A globalização e o papel ativo dos jovens
Como combater o flagelo? “Essa é a resposta de ‘um milhão de dólares’”, avança Luís Madureira Pires. “Se a soubéssemos, o assunto estava resolvido. É preciso ter consciência de que a globalização foi criar empregos noutros lados e que temos agora o problema de absorção dos jovens qualificados, que começaram, entretanto, a surgir. E isto não é um problema só português, mas em economias mais frágeis, como a nossa, o problema é maior”, acrescenta.
O administrador da Gulbenkian também alerta que os jovens não podem ter um papel passivo nesta matéria, e adianta que e é preciso que intervenham durante o processo. Criar um negócio próprio é uma das formas de intervir e de ter um papel ativo.
Financiados pelos países da EFTA, como Noruega, Islândia e Liechtenstein, os EEA Grants apoiam projetos nos 16 países menos ricos da União Europeia, onde se inclui Portugal. A Fundação Calouste Gulbenkian foi selecionada em dezembro de 2012 para operar os fundos portugueses. Através do Cidadania Ativa, gere 8,7 milhões de euros para apoiar projetos promovidos por ONG, em quatro domínios de atuação, que, além do desemprego juvenil, inclui a participação das organizações na conceção e aplicação de políticas públicas ou a promoção dos Direitos Humanos. Destes, 2,1 milhões destinam-se apoiar a empregabilidade e inclusão dos jovens, através do financiamento de projetos dirigidos a desempregados, pessoas que tenham abandonado a escola ou que estejam num contexto de vulnerabilidade. No último ano, o desemprego jovem, tornou-se a grande prioridade dos EEA Grants.
Para Luís Madureira Pires, o financiamento dos projetos de empreendedorismo social ainda é um problema. O acesso ao microcrédito pode ser difícil e o investimento das capitais e risco é um processo lento
Quais são as principais dificuldades dos jovens que querem empreender? O financiamento dos projetos, diz Luís Madureira Pires, referindo-se ao microcrédito e ao capital de risco. O acesso ao primeiro ainda é “difícil” porque “alguns bancos exigem garantias reais aos jovens”, que não as têm. O segundo traduz-se, de acordo com o coordenador do Cidadania Ativa, num processo “extremamente lento”. “Temos de encontrar alianças, parcerias, que nos permitam agir mais e melhor”, disse ao Observador.
O microcrédito é um mecanismo que se destina a apoiar pessoas que não têm acesso ao crédito bancário normal, como desempregados, jovens à procura do primeiro emprego ou trabalhadores em regime precário, mas que têm uma boa ideia de negócio.
No princípio dos anos 70, Muhammad Yunus, considerado o pai do microcrédito, emprestou 27 dólares a 42 famílias, no Bangladesh, para provar que as pessoas mais desfavorecidas também podiam construir os seus negócios. A experiência do homem que já foi laureado com o prémio Nobel da Paz levou-o a fundar o Grameen Bank, aquele que é considerado “o banco dos pobres”.
O emprego para os mais novos tem sido uma das prioridades da União Europeia, mas Paulo Madureira Pires adianta que é preciso envolver também as empresas e os cidadãos.
Do início de 2014, até 3 de novembro, a Associação Nacional do Direito ao Crédito (ANDC), responsável pela entrada do microcrédito em Portugal, recebeu 1790 candidaturas e creditou 137 projetos, no valor de 1,33 milhões de euros. A estimativa da ANDC é que até ao final do ano a associação receba 2.230 candidaturas. Em 2013, receberam 1689.
Para Edgar Costa, gestor operacional de microcrédito da ANDC, não é difícil chegar a esta forma de financiamento. “Não vejo que haja dificuldades nessa área, mas os negócios sociais têm características diferentes, porque pode ser mais difícil encontrar viabilidade no negócio. Este crédito pressupõe o retorno do montante num curto prazo e o empreendedorismo social pode não gerar fundos que permitam devolver o dinheiro rapidamente”, explicou.
Conferência traz a Portugal especialistas internacionais como a secretária de Estado para os Assuntos Europeus da Noruega, Ingvild Stub, e a coordenadora europeia do EEA Grants, embaixadora Ingrid Schulerud.
O Cidadania Ativa recebeu um reforço de 2,5 milhões de euros, em fevereiro de 2014, para cofinanciar projetos dirigidos a desempregados jovens. São já 21 os projetos com financiamento para o próximo ano e meio. O emprego para os mais novos tem sido uma das prioridades da União Europeia, mas Paulo Madureira Pires adianta que é preciso envolver também as empresas e os cidadãos. “É muito importante que seja uma organização da sociedade civil a agarrar esta problemática em mãos”, afirmou Luís Madureira Pires.
Esta quarta-feira, a Fundação Calouste Gulbenkian, juntamente com os EEA Grants debate o problema do desemprego entre os mais novos na conferência “Emprego Jovem e Empreendedorismo Social: Novos Caminhos” e espera que pelo menos 350 pessoas participem, incluindo ONG, académicos, empresários, bancos, associações de microcrédito e decisores políticos. A conferência traz a Portugal especialistas internacionais como a secretária de Estado para os Assuntos Europeus da Noruega, Ingvild Stub, e a coordenadora europeia do EEA Grants, embaixadora Ingrid Schulerud.
3.6.14
A maior dificuldade das mulheres empreendedoras é acreditarem nelas próprias
Ana Rute Silva, in Público on-line
David Clutterbuck, especialista mundial em mentoring e coaching, programas que ajudam homens e mulheres a progredirem na carreira, diz que o investimento em mulheres empreendedoras tem, em média, mais retorno do que em homens.
Falta auto-confiança às mulheres empreendedoras, diz David Clutterbuck, que está hoje em Lisboa para lançar o Programa de Mentoring da , Associação para o Desenvolvimento do Talento Humano e da Iniciativa Empresarial Feminina. O especialista em mentoring, consultor e autor de 50 livros sobre o tema, acredita que ter um mentor, alguém experiente, que faça as perguntas difíceis, pode ajudar a aumentar o número de mulheres empresárias.
Qual é a diferença entre ter um mentor e um colega de trabalho que nos ajuda?
Um mentor é alguém que pode ser um amigo, um exemplo a seguir, com muita experiencia em carreira ou numa determinada área de trabalho e a quem podemos recorrer.
É mais honesto do que um amigo?
Sem dúvida. Diz coisas que um amigo poderia ter receio em dizer porque o seu papel é precisamente dar feedback.
E o que é preciso para ser um bom mentor?
Um bom mentor é alguém com muita experiência e que nos ajuda a pensar no que queremos fazer. Alguém experiente a fazer as perguntas certas, que nos ajuda a sermos honestos connosco próprios.
O mentoring usa-se através de um programa estruturado?
Sim, há programas específicos para mulheres empreendedoras, por exemplo, e nestes casos a qualidade da relação com o mentor é muito melhor. Há pouco perguntava o que faz de alguém um bom mentor e eu acrescento que é alguém com experiência e humildade.
Porque não pode impor uma ideia ou forma de estar?
Sim, não pode dizer o que fazer. Ajuda alguém com a qualidade do seu pensamento. Ajuda outro a pensar em si, na sua carreira.
As mulheres precisam mais de programas de mentoring do que os homens?
As mulheres tendem a aceitar melhor que precisam de um mentor, são melhores ouvintes do que os homens. E essa qualidade, muito melhor desenvolvida, é crítica. Os homens são melhores a colocar questões críticas. Têm, além disso, uma paixão por aprender, o que torna estes programas mais eficazes.
Mas precisam mais de ajuda por terem, porventura, mais falta de confiança nas suas capacidades?
Sim, porque a maior dificuldade é acreditarem nelas. Num estudo que fizemos com 100 mulheres de sucesso que participaram em programas de mentoring, 50% decidiram criar o seu próprio negócio, e as restantes decidiram ficar na empresa. Em todas elas, a decisão de ficarem ou saírem foi tomada depois de terem sido acompanhadas por um mentor. Colocou-lhes questões que as obrigaram a tomar uma decisão.
Que resultados se esperam depois de um programa destes? Conseguir tomar decisões difíceis?
Tendo em conta que ajuda as pessoas a pensarem nelas próprias, passam a compreender-se melhor e a perceber melhor o ambiente que as rodeia. Descobrimos que estes programas produzem quatro tipos de resultados. Pode haver uma mudança na carreira e, entre as mulheres empreendedoras, isso significa arrancar com o seu negócio e fazê-lo funcionar. Sabemos que, em média, o investimento em mulheres empreendedoras tem mais retorno do que em homens empreendedores, sobretudo em pequenos negócios. O segundo resultado é que, com base na experiência do mentor, conseguem antecipar o que esperar da sua decisão. Depois, têm um plano de desenvolvimento pessoal e um modelo de negócio desenhado. E também há resultados do ponto de vista emocional. Saber quem somos, para onde vamos e porquê é algo de muito poderoso.
Em Portugal, a Agência para a Competitividade e Inovação (Iapmei) está a ponderar criar a figura de um mentor para acompanhar a recuperação de empresas. É uma boa ideia?
Isso não é mentoring. Um mentor é alguém que trabalha com um indivíduo e que o ajuda a passar por transições significativas. Não é um serviço para a recuperar empresas.
É conhecido como o mestre das questões difíceis. Qual é a pergunta mais difícil que se pode colocar a alguém?
Depende das circunstâncias, mas será sempre aquela que leva alguém a pensar de forma mais profunda. Por exemplo, uma mulher com quem trabalhei tinha muita dificuldade em equilibrar a vida pessoal com profissional. E eu perguntei-lhe: “Como é que se recompensa?”. Ela pensou na pergunta durante dias. Foi uma questão importante para ela.
E que reacção é que as pessoas têm quando lhes coloca essas questões?
Um dia recebi um e-mail de uma pessoa de quem eu tinha sido mentor. Dizia-me: “Provavelmente já não se lembra de mim, mas colocou-me várias questões. Há dois anos, finalmente, consegui responder a uma delas e mudei toda a minha carreira”. Enviou-me o mail a agradecer.
Os seus objectivos são introduzir mudança?
Sim. Veja-se o caso da presença das mulheres em cargos de decisão. A falta de mulheres no topo empobrece as organizações. E muito do mentoring que fazemos com mulheres é ao nível da reputação. As mulheres são boas a gerir a rede de contactos, mas não tanto a sua reputação (os homens são melhores nisso). Os mentores ajudam-nas a gerir a reputação. Não precisamos de mulheres que ajam como homens, mas mulheres que mudem as organizações de uma forma feminina. As empresas podem beneficiar com essas diferenças. E o mentoring talvez seja a ferramenta mais poderosa para fazer aumentar o número de mulheres em cargos de responsabilidade.
David Clutterbuck, especialista mundial em mentoring e coaching, programas que ajudam homens e mulheres a progredirem na carreira, diz que o investimento em mulheres empreendedoras tem, em média, mais retorno do que em homens.
Falta auto-confiança às mulheres empreendedoras, diz David Clutterbuck, que está hoje em Lisboa para lançar o Programa de Mentoring da , Associação para o Desenvolvimento do Talento Humano e da Iniciativa Empresarial Feminina. O especialista em mentoring, consultor e autor de 50 livros sobre o tema, acredita que ter um mentor, alguém experiente, que faça as perguntas difíceis, pode ajudar a aumentar o número de mulheres empresárias.
Qual é a diferença entre ter um mentor e um colega de trabalho que nos ajuda?
Um mentor é alguém que pode ser um amigo, um exemplo a seguir, com muita experiencia em carreira ou numa determinada área de trabalho e a quem podemos recorrer.
É mais honesto do que um amigo?
Sem dúvida. Diz coisas que um amigo poderia ter receio em dizer porque o seu papel é precisamente dar feedback.
E o que é preciso para ser um bom mentor?
Um bom mentor é alguém com muita experiência e que nos ajuda a pensar no que queremos fazer. Alguém experiente a fazer as perguntas certas, que nos ajuda a sermos honestos connosco próprios.
O mentoring usa-se através de um programa estruturado?
Sim, há programas específicos para mulheres empreendedoras, por exemplo, e nestes casos a qualidade da relação com o mentor é muito melhor. Há pouco perguntava o que faz de alguém um bom mentor e eu acrescento que é alguém com experiência e humildade.
Porque não pode impor uma ideia ou forma de estar?
Sim, não pode dizer o que fazer. Ajuda alguém com a qualidade do seu pensamento. Ajuda outro a pensar em si, na sua carreira.
As mulheres precisam mais de programas de mentoring do que os homens?
As mulheres tendem a aceitar melhor que precisam de um mentor, são melhores ouvintes do que os homens. E essa qualidade, muito melhor desenvolvida, é crítica. Os homens são melhores a colocar questões críticas. Têm, além disso, uma paixão por aprender, o que torna estes programas mais eficazes.
Mas precisam mais de ajuda por terem, porventura, mais falta de confiança nas suas capacidades?
Sim, porque a maior dificuldade é acreditarem nelas. Num estudo que fizemos com 100 mulheres de sucesso que participaram em programas de mentoring, 50% decidiram criar o seu próprio negócio, e as restantes decidiram ficar na empresa. Em todas elas, a decisão de ficarem ou saírem foi tomada depois de terem sido acompanhadas por um mentor. Colocou-lhes questões que as obrigaram a tomar uma decisão.
Que resultados se esperam depois de um programa destes? Conseguir tomar decisões difíceis?
Tendo em conta que ajuda as pessoas a pensarem nelas próprias, passam a compreender-se melhor e a perceber melhor o ambiente que as rodeia. Descobrimos que estes programas produzem quatro tipos de resultados. Pode haver uma mudança na carreira e, entre as mulheres empreendedoras, isso significa arrancar com o seu negócio e fazê-lo funcionar. Sabemos que, em média, o investimento em mulheres empreendedoras tem mais retorno do que em homens empreendedores, sobretudo em pequenos negócios. O segundo resultado é que, com base na experiência do mentor, conseguem antecipar o que esperar da sua decisão. Depois, têm um plano de desenvolvimento pessoal e um modelo de negócio desenhado. E também há resultados do ponto de vista emocional. Saber quem somos, para onde vamos e porquê é algo de muito poderoso.
Em Portugal, a Agência para a Competitividade e Inovação (Iapmei) está a ponderar criar a figura de um mentor para acompanhar a recuperação de empresas. É uma boa ideia?
Isso não é mentoring. Um mentor é alguém que trabalha com um indivíduo e que o ajuda a passar por transições significativas. Não é um serviço para a recuperar empresas.
É conhecido como o mestre das questões difíceis. Qual é a pergunta mais difícil que se pode colocar a alguém?
Depende das circunstâncias, mas será sempre aquela que leva alguém a pensar de forma mais profunda. Por exemplo, uma mulher com quem trabalhei tinha muita dificuldade em equilibrar a vida pessoal com profissional. E eu perguntei-lhe: “Como é que se recompensa?”. Ela pensou na pergunta durante dias. Foi uma questão importante para ela.
E que reacção é que as pessoas têm quando lhes coloca essas questões?
Um dia recebi um e-mail de uma pessoa de quem eu tinha sido mentor. Dizia-me: “Provavelmente já não se lembra de mim, mas colocou-me várias questões. Há dois anos, finalmente, consegui responder a uma delas e mudei toda a minha carreira”. Enviou-me o mail a agradecer.
Os seus objectivos são introduzir mudança?
Sim. Veja-se o caso da presença das mulheres em cargos de decisão. A falta de mulheres no topo empobrece as organizações. E muito do mentoring que fazemos com mulheres é ao nível da reputação. As mulheres são boas a gerir a rede de contactos, mas não tanto a sua reputação (os homens são melhores nisso). Os mentores ajudam-nas a gerir a reputação. Não precisamos de mulheres que ajam como homens, mas mulheres que mudem as organizações de uma forma feminina. As empresas podem beneficiar com essas diferenças. E o mentoring talvez seja a ferramenta mais poderosa para fazer aumentar o número de mulheres em cargos de responsabilidade.
25.3.14
Os projectos também falham
por Alexandra Machado, in Negócios on-line
Por cada empresa que morre nascem 2,4 sociedades. Em 2013 foram criadas, em Portugal, mais de 35 mil empresas, para 14,5 mil dissoluções naturais. São as empresas que nascem que garantem 50% do emprego criado. De acordo com dados da DB Informa, quem cria essas empresas está a empreender, numa média de 60% dos casos, pela primeira vez, quando se trata de investidores individuais.
Ainda de acordo com a DB Informa, em média, 20% das empresas constituídas em cada ano nunca chegam a arrancar. Ao fim de três anos são menos de 50% as empresas criadas que ainda estão em actividade. E a taxa de sobrevivência ao fim do primeiro ano tem vindo a diminuir. Há projectos que falham. Muitos em áreas como as biotecnologias, onde demora anos para se conseguir chegar ao mercado. E muitas vezes sem investidores dispostos à incerteza do longo prazo.
Recentemente, a Bioalvo, que foi tantas vezes noticiada como uma empresa com potencial, chegou ao fim da linha. O Tribunal do Comércio de Lisboa proferiu, em Fevereiro, "sentença de declaração de insolvência" da Bioalvo. A fundadora Helena Vieira não esteve disponível para falar do processo. Mas lamentou sempre a dificuldade em arranjar financiamentos.
Paulo Andrez, presidente da EBAN (associação europeia de "business angels"), assume que "falhar não é mau desde que a pessoa esteja preparada para esse falhanço ao nível material e imaterial (psicologicamente)". Para este responsável, "é importante falhar sem grandes custos para o empreendedor".
Há projectos que têm de falhar
Ricardo Luz, presidente da Invicta Angels e ele próprio investidor, já esteve envolvido em projectos que não seguiram em frente. Não quer, ainda, falar deles, mas assume que "há casos em que o projecto falhou porque não havia mercado". E há que assumir: "Uns funcionam, outros não". Quando não há mercado "não vale a pena insistir". Nos investimentos, diz, é preciso uma dose de realismo muito grande. Por vezes tem de assumir-se que o problema não é do projecto, mas do empreendedor.
Também há casos em que se falha, mas ainda existe potencial para dar a volta. Aí há que reformular. Ainda recentemente um email chegava aos utilizadores da Modelo 3. "Os meses de entrega da declaração de IRS estão ao virar da esquina, e tenho notícias boas e menos boas sobre a Modelo 3". Este ano não haverá serviço disponível da Modelo 3, explicava-se nessa mensagem. "Chegámos à conclusão de que a solução a que chegámos não tem ainda a qualidade que queremos para um serviço desta natureza. No entanto, tenho também uma boa notícia: o tempo que ganhámos será usado para garantir um Modelo 3 mais fácil e mais inteligente".
A Modelo 3 está a reformular-se. Em todos estes casos, o conselho para o empreendedor, avança Marta Miraldes, "managing partner" da SBI Consulting, é apenas um: "Voltar a tentar, sempre. Falhar mais, falhar melhor, até acertar".
Por cada empresa que morre nascem 2,4 sociedades. Em 2013 foram criadas, em Portugal, mais de 35 mil empresas, para 14,5 mil dissoluções naturais. São as empresas que nascem que garantem 50% do emprego criado. De acordo com dados da DB Informa, quem cria essas empresas está a empreender, numa média de 60% dos casos, pela primeira vez, quando se trata de investidores individuais.
Ainda de acordo com a DB Informa, em média, 20% das empresas constituídas em cada ano nunca chegam a arrancar. Ao fim de três anos são menos de 50% as empresas criadas que ainda estão em actividade. E a taxa de sobrevivência ao fim do primeiro ano tem vindo a diminuir. Há projectos que falham. Muitos em áreas como as biotecnologias, onde demora anos para se conseguir chegar ao mercado. E muitas vezes sem investidores dispostos à incerteza do longo prazo.
Recentemente, a Bioalvo, que foi tantas vezes noticiada como uma empresa com potencial, chegou ao fim da linha. O Tribunal do Comércio de Lisboa proferiu, em Fevereiro, "sentença de declaração de insolvência" da Bioalvo. A fundadora Helena Vieira não esteve disponível para falar do processo. Mas lamentou sempre a dificuldade em arranjar financiamentos.
Paulo Andrez, presidente da EBAN (associação europeia de "business angels"), assume que "falhar não é mau desde que a pessoa esteja preparada para esse falhanço ao nível material e imaterial (psicologicamente)". Para este responsável, "é importante falhar sem grandes custos para o empreendedor".
Há projectos que têm de falhar
Ricardo Luz, presidente da Invicta Angels e ele próprio investidor, já esteve envolvido em projectos que não seguiram em frente. Não quer, ainda, falar deles, mas assume que "há casos em que o projecto falhou porque não havia mercado". E há que assumir: "Uns funcionam, outros não". Quando não há mercado "não vale a pena insistir". Nos investimentos, diz, é preciso uma dose de realismo muito grande. Por vezes tem de assumir-se que o problema não é do projecto, mas do empreendedor.
Também há casos em que se falha, mas ainda existe potencial para dar a volta. Aí há que reformular. Ainda recentemente um email chegava aos utilizadores da Modelo 3. "Os meses de entrega da declaração de IRS estão ao virar da esquina, e tenho notícias boas e menos boas sobre a Modelo 3". Este ano não haverá serviço disponível da Modelo 3, explicava-se nessa mensagem. "Chegámos à conclusão de que a solução a que chegámos não tem ainda a qualidade que queremos para um serviço desta natureza. No entanto, tenho também uma boa notícia: o tempo que ganhámos será usado para garantir um Modelo 3 mais fácil e mais inteligente".
A Modelo 3 está a reformular-se. Em todos estes casos, o conselho para o empreendedor, avança Marta Miraldes, "managing partner" da SBI Consulting, é apenas um: "Voltar a tentar, sempre. Falhar mais, falhar melhor, até acertar".
10.3.14
Instituições de solidariedade reinventam respostas
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Na resposta às situações de desemprego, pobreza e exclusão, o empreendedorismo encontra obstáculos que não resolve: como convencer um canalizador que faz uns biscates a constituir-se como empresário, quando os impostos sobem e a protecção social recua?
O processo está em curso. Empurradas pela crise económica, incitadas pela União Europeia, instituições particulares de solidariedade social e outras entidades que fazem parte da economia social tentam descobrir como desenvolver práticas inovadoras, sustentáveis, promotoras de autonomia.
Em todo o país, um número indeterminado de pessoas já se fechou em salas a assistir ao documentário “Quem se importa”, de Mara Mourão. Discutiram a partir do que viram desfilar no ecrã: pessoas que tentaram melhorar a vida alheia e não apenas ganhar dinheiro, como Muhammed Yunus, prémio Nobel da Paz, economista do Bangladesh que inventou o microcrédito.
Chama-lhes empreendedores sociais. Cristina Parente, do Departamento de Sociologia da Universidade do Porto, diz que transmitem uma “mistura de actividades arrojadas, de carácter dinâmico e inovador, que exigem diligência e pró-actividade, porém aplicadas a objectivos sociais”.
O termo remonta à época vitoriana tardia, ao final do século XIX, mas agora “está na moda”, nota Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti Pobreza – EAPN. E a “moda” veio de onde vem o dinheiro.
A União Europeia lançou um plano de acção específico em 2011: a Iniciativa Empreendedorismo Social. Já no ano passado, quando incitou os Estados-membros a reorientarem o investimento social, a Comissão Europeia reclamou mais envolvimento das partes interessadas, sobretudos dos parceiros sociais e das organizações da sociedade civil; exigiu estratégias de inclusão activa; instigou a explorar abordagens inovadoras de financiamento, como o microcrédito e as empresas sociais.
“As empresas sociais apresentam centenas de exemplos bem-sucedidos da forma como a Europa pode ajudar a melhorar os seus modelos de negócio, estando mais centradas no aumento do bem-estar das pessoas e menos na pura obtenção de lucro”, discursou o comissário responsável pelo Emprego, pelos Assuntos Sociais e pela Inclusão, László Andor, o mês passado, em Estrasburgo, numa conferência sobre empreendedorismo social. “Agora, mais do que nunca, precisamos da sua capacidade de criação de empregos”, enfatizou também o vice-Presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo.
O programa Emprego e Inovação Social 2014-20 deve canalizar 85 milhões de euros para o mercado social. Nesse período, o mercado social e o empreendedorismo social deverão figurar entre as prioridades dos Fundos Estruturais – Fundo Social Europeu e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Para facilitar a iniciativa privados, a UE criou o Fundo Europeu de Empreendedorismo Social.
Sérgio Aires aplaude a orientação para trabalhar mais com as pessoas e não apenas para elas. Teme é que haja quem passe desse plano, que é o da participação, para a da mera responsabilização individual, como se não existisse um contexto social e económico em cada situação concreta de desemprego, pobreza ou exclusão.
“Não há coisa mais falaciosa do que pedir às pessoas para fazerem coisas que elas não são capazes de fazer”, comenta. “A ideia de que todos devem ser capazes de enfrentar os seus problemas cai sempre na punição dos que não conseguem”, adverte. A experiência diz-lhe que sobram obstáculos. Como convencer um canalizador que faz uns biscates a constituir-se como empresário, quando os impostos sobem e a protecção social recua? “As pessoas trocam a economia informal pela economia formal se ganharem mais dinheiro e tiverem mais protecção social”, salienta.
A inserção no mercado de trabalho é uma das maiores dores de cabeça de quem trabalha com grupos desfavorecidos. Não é, porém, o único caminho por onde se espera que o sector social seja capaz de inovar.
No Verão do ano passado, Marco António, então secretário de estado da Segurança Social, explicou a misericórdias, instituições particulares de solidariedade social e mutualidades que o novo quadro comunitário de apoio 2014-2020 teria 20 mil milhões para distribuir por quatro eixos e que em todos eles a Economia Social desempenharia um papel. Apontou-lhes duas áreas prioritárias: deficiência e demografia – “na tripla vertente de fecundidade, natalidade e envelhecimento activo”.
A maior parte dos lares de idosos foi feita a pensar num paradigma de envelhecimento que já não existe, admite Carlos Andrade, vice-presidente da União de Misericórdias Portuguesas. Estão preparados para acolher maiores de 65 anos. Ora, a idade média de quem os habita, agora, ronda os 80. Muitos estão na casa dos 90. Aumenta a população com diagnóstico de demência. “Temos de olhar para o dinheiro que aí vem como uma oportunidade para nos adaptarmos à nova realidade”, analisa. Uma coisa parece-lhe evidente: “será preciso criatividade.”
Com ou sem o documentário “Quem se importa”, distribuído pela Fundação EDP precisamente para inspirar, discute-se, por exemplo, a aposta em pequenos serviços de comunidade para criar emprego local e adiar até ao limite o dia em que os idosos têm de sair das suas próprias casas; ou o avanço para centros de noite para quem faz a sua vida de dia mas teme o que a noite traz.
O sector solidário já ia ensaiando. A Fundação Social do Porto experimentou facilitar o alojamento de estudantes universitários em casa de idosos isolados, por exemplo. Entretanto, quem tem preocupações de lucro também trata de abrir caminho: um aluno do Instituto Politécnico de Bragança, por exemplo, lembrou-se de conceber uma empresa destinada a tomar conta de idosos como quem toma conta de crianças enquanto os pais vão ao cinema ou passam o fim-de-semana fora.
O envelhecimento não é alheio à dificuldade de conciliar vida profissional, pessoal e familiar. Eleutério Alves, vogal da Confederação de Instituições Particulares de Solidariedade Social, lembra a necessidade de se alargar os horários de infantários e creches. O grande problema, enfatiza, é a sustentabilidade. A inovação, parece-lhe, terá de ir por aí. “Não se pode estar só a depender da comparticipação do Estado. E as famílias têm menos capacidade financeira, não podem pagar mais.”
Há, na União, quem esteja concentrado na busca de formas alternativas de financiamento. Está a ser desenvolvida uma Bolsa de Valores Sociais. Em Outubro, foi criado um código de conduta para o microcrédito. Ao mesmo tempo, há cada vez mais quem recorra ao crowdfunding.
Na resposta às situações de desemprego, pobreza e exclusão, o empreendedorismo encontra obstáculos que não resolve: como convencer um canalizador que faz uns biscates a constituir-se como empresário, quando os impostos sobem e a protecção social recua?
O processo está em curso. Empurradas pela crise económica, incitadas pela União Europeia, instituições particulares de solidariedade social e outras entidades que fazem parte da economia social tentam descobrir como desenvolver práticas inovadoras, sustentáveis, promotoras de autonomia.
Em todo o país, um número indeterminado de pessoas já se fechou em salas a assistir ao documentário “Quem se importa”, de Mara Mourão. Discutiram a partir do que viram desfilar no ecrã: pessoas que tentaram melhorar a vida alheia e não apenas ganhar dinheiro, como Muhammed Yunus, prémio Nobel da Paz, economista do Bangladesh que inventou o microcrédito.
Chama-lhes empreendedores sociais. Cristina Parente, do Departamento de Sociologia da Universidade do Porto, diz que transmitem uma “mistura de actividades arrojadas, de carácter dinâmico e inovador, que exigem diligência e pró-actividade, porém aplicadas a objectivos sociais”.
O termo remonta à época vitoriana tardia, ao final do século XIX, mas agora “está na moda”, nota Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti Pobreza – EAPN. E a “moda” veio de onde vem o dinheiro.
A União Europeia lançou um plano de acção específico em 2011: a Iniciativa Empreendedorismo Social. Já no ano passado, quando incitou os Estados-membros a reorientarem o investimento social, a Comissão Europeia reclamou mais envolvimento das partes interessadas, sobretudos dos parceiros sociais e das organizações da sociedade civil; exigiu estratégias de inclusão activa; instigou a explorar abordagens inovadoras de financiamento, como o microcrédito e as empresas sociais.
“As empresas sociais apresentam centenas de exemplos bem-sucedidos da forma como a Europa pode ajudar a melhorar os seus modelos de negócio, estando mais centradas no aumento do bem-estar das pessoas e menos na pura obtenção de lucro”, discursou o comissário responsável pelo Emprego, pelos Assuntos Sociais e pela Inclusão, László Andor, o mês passado, em Estrasburgo, numa conferência sobre empreendedorismo social. “Agora, mais do que nunca, precisamos da sua capacidade de criação de empregos”, enfatizou também o vice-Presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, responsável pela Indústria e pelo Empreendedorismo.
O programa Emprego e Inovação Social 2014-20 deve canalizar 85 milhões de euros para o mercado social. Nesse período, o mercado social e o empreendedorismo social deverão figurar entre as prioridades dos Fundos Estruturais – Fundo Social Europeu e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Para facilitar a iniciativa privados, a UE criou o Fundo Europeu de Empreendedorismo Social.
Sérgio Aires aplaude a orientação para trabalhar mais com as pessoas e não apenas para elas. Teme é que haja quem passe desse plano, que é o da participação, para a da mera responsabilização individual, como se não existisse um contexto social e económico em cada situação concreta de desemprego, pobreza ou exclusão.
“Não há coisa mais falaciosa do que pedir às pessoas para fazerem coisas que elas não são capazes de fazer”, comenta. “A ideia de que todos devem ser capazes de enfrentar os seus problemas cai sempre na punição dos que não conseguem”, adverte. A experiência diz-lhe que sobram obstáculos. Como convencer um canalizador que faz uns biscates a constituir-se como empresário, quando os impostos sobem e a protecção social recua? “As pessoas trocam a economia informal pela economia formal se ganharem mais dinheiro e tiverem mais protecção social”, salienta.
A inserção no mercado de trabalho é uma das maiores dores de cabeça de quem trabalha com grupos desfavorecidos. Não é, porém, o único caminho por onde se espera que o sector social seja capaz de inovar.
No Verão do ano passado, Marco António, então secretário de estado da Segurança Social, explicou a misericórdias, instituições particulares de solidariedade social e mutualidades que o novo quadro comunitário de apoio 2014-2020 teria 20 mil milhões para distribuir por quatro eixos e que em todos eles a Economia Social desempenharia um papel. Apontou-lhes duas áreas prioritárias: deficiência e demografia – “na tripla vertente de fecundidade, natalidade e envelhecimento activo”.
A maior parte dos lares de idosos foi feita a pensar num paradigma de envelhecimento que já não existe, admite Carlos Andrade, vice-presidente da União de Misericórdias Portuguesas. Estão preparados para acolher maiores de 65 anos. Ora, a idade média de quem os habita, agora, ronda os 80. Muitos estão na casa dos 90. Aumenta a população com diagnóstico de demência. “Temos de olhar para o dinheiro que aí vem como uma oportunidade para nos adaptarmos à nova realidade”, analisa. Uma coisa parece-lhe evidente: “será preciso criatividade.”
Com ou sem o documentário “Quem se importa”, distribuído pela Fundação EDP precisamente para inspirar, discute-se, por exemplo, a aposta em pequenos serviços de comunidade para criar emprego local e adiar até ao limite o dia em que os idosos têm de sair das suas próprias casas; ou o avanço para centros de noite para quem faz a sua vida de dia mas teme o que a noite traz.
O sector solidário já ia ensaiando. A Fundação Social do Porto experimentou facilitar o alojamento de estudantes universitários em casa de idosos isolados, por exemplo. Entretanto, quem tem preocupações de lucro também trata de abrir caminho: um aluno do Instituto Politécnico de Bragança, por exemplo, lembrou-se de conceber uma empresa destinada a tomar conta de idosos como quem toma conta de crianças enquanto os pais vão ao cinema ou passam o fim-de-semana fora.
O envelhecimento não é alheio à dificuldade de conciliar vida profissional, pessoal e familiar. Eleutério Alves, vogal da Confederação de Instituições Particulares de Solidariedade Social, lembra a necessidade de se alargar os horários de infantários e creches. O grande problema, enfatiza, é a sustentabilidade. A inovação, parece-lhe, terá de ir por aí. “Não se pode estar só a depender da comparticipação do Estado. E as famílias têm menos capacidade financeira, não podem pagar mais.”
Há, na União, quem esteja concentrado na busca de formas alternativas de financiamento. Está a ser desenvolvida uma Bolsa de Valores Sociais. Em Outubro, foi criado um código de conduta para o microcrédito. Ao mesmo tempo, há cada vez mais quem recorra ao crowdfunding.
12.2.14
Empreendedorismo de subsistência ou de necessidade
Texto de Carlota Montenegro, in Público on-line (P3)
A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores
A criação de negócios próprios e o acesso a micro-créditos há muito que são vistos como a grande alavanca da economia de países em desenvolvimento. Hoje, países do “primeiro mundo” seguem cada vez mais o mesmo caminho e Portugal não é excepção. Não considero que devamos esperar eternamente por um Estado Social que trate de relançar a produtividade que há em nós mas, quando vejo o empreendedorismo jovem surgir como fuga desenfreada ao desemprego, acciono o alarme.
Um diploma não basta, seja de licenciatura ou mestrado, pós-graduação ou qualquer outro título académico. Agora, a educação não formal torna-se currículo obrigatório – seja por via do voluntariado, associativismo, blogues pessoais ou até de viagens. Contudo, a corrida ao sucesso tem ganho novos contornos e o ser-se empreendedor passa a ser quase a fórmula mágica. A ideia de que não se nasce empreendedor parece ser unânime, mas a crença de que “qualquer um pode sê-lo” também parece ser facilmente aceite e consensual.
O desemprego jovem em Portugal atingiu os 36.8% em Novembro de 2013. Um cenário dramático mas considerado “ideal” para estimular a veia inovadora de muitos. Programas como o Impulso Jovem, que serve de incentivo ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego, aliviam a carga burocrática e eliminam muitas barreiras inerentes ao risco inicial. Cai-se facilmente na ideia imaginária de que o empreendedorismo é a solução para o desemprego (em particular o da geração jovem). Rui Baptista, professor de Empreendedorismo Internacional na Brunel Business School em Londres, explica que o elevado desemprego desta geração leva a que tantos vejam o empreendedorismo como uma solução alternativa.
Nos países em desenvolvimento, a percepção de que o microfinanciamento tem vindo a descarrilar é uma opinião tida já por líderes e especialistas da área. É frequente que os negócios desenvolvidos não se tornam geradores de desenvolvimento sustentável nem de redução da pobreza. Qual a correlação com Portugal? Rui Baptista esclarece. “O 'empreendedorismo de subsistência ou de necessidade', que se assume como a única alternativa viável ao emprego, tem um impacte económico muito baixo "porque se trata de empresas que não vão crescer e que não vão criar emprego". A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores, e em 2013 as novas empresas envolveram cerca de 46.256 empreendedores (segundo a Informa D&B). Mas o ser-se inovador, o saber aproveitar oportunidades e correr riscos não é suficiente. Na criação de negócios próprios com sucesso e de longa vida, não está à venda o “tamanho único”.
Não se pretende cortar caminhos nem incentivos. Menos ainda se pretende arrasar com a capacidade de sonhar e de dar a volta dos portugueses nesta época de tamanho aperto. Contudo, Saif Mohammad Moinul Islam, coordenador da Care Banglasdesh afirma, e bem – “Para dar poder ('empower'), é preciso primeiro trabalhar no contexto e depois no individual.” E é neste ponto que, enquanto jovem, levanto a voz. As repercussões da crise podem reanimar nas novas gerações um sentido de risco e de criatividade adormecidos. Porém quando parte de uma economia e de uma taxa de empregabilidade jovem se tornam refém da ebulição de novos negócios individuais, a visão enturva-se.
A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores
A criação de negócios próprios e o acesso a micro-créditos há muito que são vistos como a grande alavanca da economia de países em desenvolvimento. Hoje, países do “primeiro mundo” seguem cada vez mais o mesmo caminho e Portugal não é excepção. Não considero que devamos esperar eternamente por um Estado Social que trate de relançar a produtividade que há em nós mas, quando vejo o empreendedorismo jovem surgir como fuga desenfreada ao desemprego, acciono o alarme.
Um diploma não basta, seja de licenciatura ou mestrado, pós-graduação ou qualquer outro título académico. Agora, a educação não formal torna-se currículo obrigatório – seja por via do voluntariado, associativismo, blogues pessoais ou até de viagens. Contudo, a corrida ao sucesso tem ganho novos contornos e o ser-se empreendedor passa a ser quase a fórmula mágica. A ideia de que não se nasce empreendedor parece ser unânime, mas a crença de que “qualquer um pode sê-lo” também parece ser facilmente aceite e consensual.
O desemprego jovem em Portugal atingiu os 36.8% em Novembro de 2013. Um cenário dramático mas considerado “ideal” para estimular a veia inovadora de muitos. Programas como o Impulso Jovem, que serve de incentivo ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego, aliviam a carga burocrática e eliminam muitas barreiras inerentes ao risco inicial. Cai-se facilmente na ideia imaginária de que o empreendedorismo é a solução para o desemprego (em particular o da geração jovem). Rui Baptista, professor de Empreendedorismo Internacional na Brunel Business School em Londres, explica que o elevado desemprego desta geração leva a que tantos vejam o empreendedorismo como uma solução alternativa.
Nos países em desenvolvimento, a percepção de que o microfinanciamento tem vindo a descarrilar é uma opinião tida já por líderes e especialistas da área. É frequente que os negócios desenvolvidos não se tornam geradores de desenvolvimento sustentável nem de redução da pobreza. Qual a correlação com Portugal? Rui Baptista esclarece. “O 'empreendedorismo de subsistência ou de necessidade', que se assume como a única alternativa viável ao emprego, tem um impacte económico muito baixo "porque se trata de empresas que não vão crescer e que não vão criar emprego". A faixa etária entre os 25 e os 34 anos é a que reúne mais empreendedores, e em 2013 as novas empresas envolveram cerca de 46.256 empreendedores (segundo a Informa D&B). Mas o ser-se inovador, o saber aproveitar oportunidades e correr riscos não é suficiente. Na criação de negócios próprios com sucesso e de longa vida, não está à venda o “tamanho único”.
Não se pretende cortar caminhos nem incentivos. Menos ainda se pretende arrasar com a capacidade de sonhar e de dar a volta dos portugueses nesta época de tamanho aperto. Contudo, Saif Mohammad Moinul Islam, coordenador da Care Banglasdesh afirma, e bem – “Para dar poder ('empower'), é preciso primeiro trabalhar no contexto e depois no individual.” E é neste ponto que, enquanto jovem, levanto a voz. As repercussões da crise podem reanimar nas novas gerações um sentido de risco e de criatividade adormecidos. Porém quando parte de uma economia e de uma taxa de empregabilidade jovem se tornam refém da ebulição de novos negócios individuais, a visão enturva-se.
22.1.14
Rede social para criar empresas disponível hoje para empreendedores e investidores
in iOnline
A rede social, atualmente em língua portuguesa, vai mudar brevemente para inglês, fator que a ajudará na sua escalada global
A WePinch, a primeira rede social que liga os protagonistas indispensáveis para se criarem empresas - promotores de negócios, profissionais e investidores - está a partir de hoje disponível na Internet e de forma gratuita.
“A WePiching (sigla em inglês que significa nós beliscamos) é um projeto inovador português que cria um ponto de encontro ‘online’ entre os empreendedores, profissionais e investidores com o objetivo de criar mais emprego e empresas em Portugal e, em breve, internacionalmente”, disse à Lusa Andreia Onofre, fundadora do projeto.
O conceito inovador da WePinch tem a ver com a ligação no mesmo espaço ‘online’ de todo o ecossistema de criação de novas empresas, juntando todo o tipo de ideias, projetos e ‘startup’, isto é, as empresas que nas suas diferentes fases de arranque necessitam de profissionais adequados e de captar investimento.
Os promotores dos negócios podem, através da WePinch, “criar ou completar” a sua equipa de profissionais e internacionalizar as ‘startup’ e empresas por via da ligação com os profissionais que residem noutros países.
“Nenhum pequeno negócio cresce ou sobrevive sem as pessoas certas e sem os recursos financeiros necessários. Queremos que neste espaço as mais de 30.000 empresas que foram criadas em 2013 em Portugal possam encontrar as suas equipas e os seus investidores”, explicou Andreia Onofre à Lusa.
No fundo, “à criatividade dos empreendedores alia-se a capacidade dos recursos humanos, bem como a possibilidade de captação de investimento”, reiterou, lembrando que o projeto visa "criar valor para as partes envolvidas".
Numa primeira fase, a rede social WePinch é disponibilizada em Portugal e, no primeiro trimestre deste ano, surgirá em alguns países da Europa e da América Latina, incluindo o Brasil, bem como nos Estados Unidos.
Para tal, a WePinch, desenvolvida pela Sales Engine Online (SEO), aliou-se e conta a presença desta tecnológica na América Latina.
O projeto da rede social WePinch envolve um investimento global que totalizará 500 mil euros.
A rede social, atualmente em língua portuguesa, vai mudar brevemente para inglês, fator que a ajudará na sua escalada global.
“Esta rede social dirige-se a quem tem ideias e a quem quer fazer parte de projetos maiores. A colaboração entre todos vai permitir estimular um ecossistema de projetos ‘online’ que poderão estar na génese de micro e pequenas empresas e das ‘startup’ do futuro”, disse Andreia Onofre.
Portugal tem tido nos últimos anos um ecossistema crescente de jovens empresários, porém, este tem-se constituído isoladamente e em espaços físicos e eventos, pelo que a WePinch "veio colmatar esta lacuna", salientou a fundadora da rede social.
A portuguesa SEO desenvolve soluções digitais e de marketing online.
Com escritórios em Madrid, São Paulo, Bucareste, Bogotá e Luanda, a SEO gere atualmente campanhas em mais de 24 países de todo o mundo.
A rede social, atualmente em língua portuguesa, vai mudar brevemente para inglês, fator que a ajudará na sua escalada global
A WePinch, a primeira rede social que liga os protagonistas indispensáveis para se criarem empresas - promotores de negócios, profissionais e investidores - está a partir de hoje disponível na Internet e de forma gratuita.
“A WePiching (sigla em inglês que significa nós beliscamos) é um projeto inovador português que cria um ponto de encontro ‘online’ entre os empreendedores, profissionais e investidores com o objetivo de criar mais emprego e empresas em Portugal e, em breve, internacionalmente”, disse à Lusa Andreia Onofre, fundadora do projeto.
O conceito inovador da WePinch tem a ver com a ligação no mesmo espaço ‘online’ de todo o ecossistema de criação de novas empresas, juntando todo o tipo de ideias, projetos e ‘startup’, isto é, as empresas que nas suas diferentes fases de arranque necessitam de profissionais adequados e de captar investimento.
Os promotores dos negócios podem, através da WePinch, “criar ou completar” a sua equipa de profissionais e internacionalizar as ‘startup’ e empresas por via da ligação com os profissionais que residem noutros países.
“Nenhum pequeno negócio cresce ou sobrevive sem as pessoas certas e sem os recursos financeiros necessários. Queremos que neste espaço as mais de 30.000 empresas que foram criadas em 2013 em Portugal possam encontrar as suas equipas e os seus investidores”, explicou Andreia Onofre à Lusa.
No fundo, “à criatividade dos empreendedores alia-se a capacidade dos recursos humanos, bem como a possibilidade de captação de investimento”, reiterou, lembrando que o projeto visa "criar valor para as partes envolvidas".
Numa primeira fase, a rede social WePinch é disponibilizada em Portugal e, no primeiro trimestre deste ano, surgirá em alguns países da Europa e da América Latina, incluindo o Brasil, bem como nos Estados Unidos.
Para tal, a WePinch, desenvolvida pela Sales Engine Online (SEO), aliou-se e conta a presença desta tecnológica na América Latina.
O projeto da rede social WePinch envolve um investimento global que totalizará 500 mil euros.
A rede social, atualmente em língua portuguesa, vai mudar brevemente para inglês, fator que a ajudará na sua escalada global.
“Esta rede social dirige-se a quem tem ideias e a quem quer fazer parte de projetos maiores. A colaboração entre todos vai permitir estimular um ecossistema de projetos ‘online’ que poderão estar na génese de micro e pequenas empresas e das ‘startup’ do futuro”, disse Andreia Onofre.
Portugal tem tido nos últimos anos um ecossistema crescente de jovens empresários, porém, este tem-se constituído isoladamente e em espaços físicos e eventos, pelo que a WePinch "veio colmatar esta lacuna", salientou a fundadora da rede social.
A portuguesa SEO desenvolve soluções digitais e de marketing online.
Com escritórios em Madrid, São Paulo, Bucareste, Bogotá e Luanda, a SEO gere atualmente campanhas em mais de 24 países de todo o mundo.
8.1.14
Desde a crise que não abriam tantas empresas em Portugal
por Sandra Afonso, in RR
O ano de 2013 destaca-se, ainda, como o primeiro ano, desde 2009, em que as insolvências diminuíram em todas as regiões, à excepção de Lisboa.
Mais de 35 mil novas empresas surgiram em Portugal no último ano, valor que representa uma subida de quase 13% face ao ano anterior. Cerca de metade destes negócios tem capital social inferior a cinco mil euros.
Os dados, do barómetro da D&B, empresa especialista em informação empresarial, mostram que, desde 2009, não eram criados tantos negócios no país. Por cada empresa que fechou em 2013, abriram duas novas.
As novas firmas situam-se nas áreas dos serviços, retalho, alojamento e restauração. O Norte foi a região onde surgiram mais novos negócios.
O ano de 2013 destaca-se ainda como o primeiro ano desde 2009 em que as insolvências caem. A descida ronda 7,5 % e abrange todas as regiões, à excepção de Lisboa. Em todo o país, as dissoluções diminuíram 20%.
O barómetro da D&B tem como base os registos de empresas no portal da justiça até 31 de Dezembro.
O ano de 2013 destaca-se, ainda, como o primeiro ano, desde 2009, em que as insolvências diminuíram em todas as regiões, à excepção de Lisboa.
Mais de 35 mil novas empresas surgiram em Portugal no último ano, valor que representa uma subida de quase 13% face ao ano anterior. Cerca de metade destes negócios tem capital social inferior a cinco mil euros.
Os dados, do barómetro da D&B, empresa especialista em informação empresarial, mostram que, desde 2009, não eram criados tantos negócios no país. Por cada empresa que fechou em 2013, abriram duas novas.
As novas firmas situam-se nas áreas dos serviços, retalho, alojamento e restauração. O Norte foi a região onde surgiram mais novos negócios.
O ano de 2013 destaca-se ainda como o primeiro ano desde 2009 em que as insolvências caem. A descida ronda 7,5 % e abrange todas as regiões, à excepção de Lisboa. Em todo o país, as dissoluções diminuíram 20%.
O barómetro da D&B tem como base os registos de empresas no portal da justiça até 31 de Dezembro.
2.1.14
"Devemos criar pontes entre as empresas e a economia social" - Entrevista a Carlos Azevedo
Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias
Presidente da rede de inovadores sociais Eslider, entregou a Cavaco Silva um roteiro para transformar Portugal na “primeira nação de valor partilhado”, onde o mais importante é o valor social criado e não quem o cria.
[leia aqui o artigo na íntegra]
Presidente da rede de inovadores sociais Eslider, entregou a Cavaco Silva um roteiro para transformar Portugal na “primeira nação de valor partilhado”, onde o mais importante é o valor social criado e não quem o cria.
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