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12.7.23

400 mil idosos em risco de pobreza em Portugal. Com pensões abaixo de 554 euros mensais

in Rádio Voz da Planície


Mais de 400 mil idosos vivem em risco de pobreza em Portugal, com um máximo de 551 euros por mês, ou seja, abaixo do limiar no nosso País que é de 554 euros mensais. No distrito de Beja, o "envelhecimento da população é devastador e as pensões estão muito abaixo do limiar determinado", diz o comentador para a área social, Miguel Bento.


Os dados que foram revelados ontem, 11 de julho - Dia Mundial da população - dizem, pela Pordata, também, que para 90 por cento das pessoas com 65 ou mais anos, a reforma ou pensão é a principal fonte de rendimento. Nesta faixa etária, nove por cento permanecem no mercado de trabalho, sendo que 240 mil pessoas trabalham ou ocupam-se na agricultura.

Os dados reunidos pela base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram que há mais de 500 mil idosos a viverem sós.

Sobre estes dados, o comentador da Voz da Planície para a área social, Miguel Bento, frisou que "o distrito de Beja tem muitos idosos sem dinheiro para pagarem as suas necessidades básicas - saúde, alimentação, saneamento, eletricidade - por receberem pensões muito abaixo do limiar determinado para Portugal".

Acrescenta Miguel Bento que "esta situação acontece, principalmente, porque muitos idosos, particularmente as mulheres que são mais pobres do que os homens na velhice, não tiveram carreiras contributivas longas e noutros casos são pessoas que trabalharam na agricultura e que não tiveram descontos feitos, na altura devida para a segurança social".


Em 2001, o número de pessoas com 65 ou mais anos ultrapassou o número de crianças e jovens com menos de 15 anos. Atualmente, há quase duas vezes mais seniores do que crianças e jovens em Portugal. Em cada 100 residentes no País, 13 são crianças ou jovens com menos de 15 anos, 63 são pessoas em idade ativa (15-64 anos) e 24 têm 65 ou mais anos.

Para além destes dados, a Pordata revelou no dia de ontem, 11 de julho, igualmente, que o número de pessoas a atingir os cem anos aumentou 77 por cento na última década em Portugal, para quase três mil cidadãos centenários no ano passado.

Em 2022, viviam em Portugal duas mil e 940 pessoas com 100 anos ou mais, contra mil e 658 em 2012, indicam números da base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O comentador da área social, Miguel Bento, esclareceu que "estas revelações não são novidade em Portugal e que estão relacionados com diversos fatores, entre eles o aumento da esperança média de vida e o regresso de muitos que emigraram nas décadas de 60/70 do século XX e que regressaram a Portugal na velhice".

Miguel Bento disse, ainda, que "no Alentejo, a taxa de envelhecimento é devastadora, particularmente, nalguns concelhos do distrito de Beja". E que "a situação no País e distrito não é mais grave devido à imigração pois muitos dos nascimentos registados nos últimos anos são de mulheres que vieram para Portugal em idade fértil".


A inversão da pirâmide demográfica é considerada um dos maiores desafios do século XXI na generalidade dos países europeus e, também em Portugal, onde o peso da população idosa duplicou nos últimos 36 anos. Segundo a Pordata, 24 por cento da população portuguesa tem hoje 65 anos ou mais.



“O futuro das economias e sociedades europeias depende da forma como se enfrentará esta questão no curto prazo, importando, por isso, analisar esta tendência e, também, as condições em que a população mais idosa vive atualmente”, sublinha a análise da Pordata aos dados estatísticos.Dos 10,4 milhões de pessoas que vivem em Portugal, 2,5 milhões têm 65 anos ou mais, estando as mulheres em maioria (57 por cento).


“Este peso superior do sexo feminino cresce à medida que a idade aumenta: as mulheres representam 62 por cento do total da população com 80 ou mais anos”, lê-se num documento divulgado pela plataforma.

No mais recente Censos (2021), foram registadas 46 mil pessoas estrangeiras com 65 ou mais anos em Portugal. “Na última década, o número de estrangeiros nesta faixa etária mais do que duplicou (em 2011 eram 20 mil), sendo 67 por cento são europeus, sobretudo do Reino Unido (19 por cento); França (12 por cento) e Itália (7 por cento)”, observou a Pordata. Entre os não europeus, destacam-se os brasileiros (11 por cento).

“O aumento do interesse por Portugal junto da população sénior impacta igualmente os números da imigração: Em 2021 entraram no país 23 mil pessoas nesta faixa etária, o equivalente a 23 por cento do total de imigrantes”, destacaram os peritos que compilaram os dados.

Portugal era, em 2022, o segundo país da União Europeia com maior proporção de pessoas com 65 ou mais anos (23,7 por cento), a seguir a Itália (23,8 por cento). A média europeia era de 21,1 por cento no ano passado. A população sénior ultrapassou a de crianças e jovens no virar do milénio.

O índice de envelhecimento em Portugal revela que há 184 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens. Em todos os municípios do País, com exceção de Lagoa e Ribeira Grande, nos Açores, o número de idosos é superior ao número de jovens.

8.3.23

Gripe pode ser “gatilho” para perda de autonomia dos idosos

Francisco de Almeida Fernandes, in Expresso

Considerada benigna pela generalidade da população, a infeção sazonal apresenta um risco superior entre as pessoas com mais de 65 anos e doentes crónicos. Prevenção deve ser, defendem sociedades médicas, prioridade. Este será um dos temas em discussão no Flu Summit 2023, na próxima terça-feira, 7, com transmissão em direto no Facebook do Expresso a partir das 14h30

Mais do que uma infeção passageira e que pode obrigar a alguns dias de repouso, a gripe apresenta riscos acrescidos entre os mais idosos. Segundo Sofia Duque, coordenadora do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, a doença pode ser, para a população idosa mais vulnerável, “o gatilho para uma deterioração importante da capacidade de fazerem a sua vida diária”. Em causa estão consequências como a desidratação, má nutrição, incontinência do esfíncter ou mesmo perda de capacidade cognitiva.

A prevenção, defende, é particularmente relevante entre este grupo. De acordo com os dados do Vacinómetro – projeto da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, com apoio da Sanofi -, na atual época gripal foram vacinadas 83,2% das pessoas com mais de 65 anos, cumprindo a meta de 75% proposta pela Organização Mundial da Saúde. “O povo português é dos povos que mais aceita as vacinas”, esclarece Manuel Carrageta.

“As pessoas idosas têm sintomas atípicos e estes casos são subdiagnosticados. A dimensão do problema é muito maior do que se julga”, aponta Manuel Carrageta

O presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG) considera que, além do desconhecimento da população sobre os riscos agravados da gripe, existe uma “subnotificação” dos casos de infeção em Portugal. “As pessoas idosas têm sintomas atípicos e estes casos são subdiagnosticados. A dimensão do problema é muito maior do que se julga”, acrescenta. Para lá dos impactos na autonomia dos mais idosos, a doença pode ter complicações como a pneumonia, que pode ser fatal, ou até mesmo relacionadas com episódios cardiovasculares.

60.000

Número de europeus que, anualmente, perde a vida em resultado da gripe, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde

O estudo BARI – Burden of Acute Respiratory Infections, que analisou as épocas gripais entre 2008 e 2019, evidencia a relação entre a gripe e os internamentos por doença respiratória ou cardiovascular. “Na altura dos picos da gripe, as unidades coronárias enchem-se de doentes com enfarte do miocárdio”, exemplifica Manuel Carrageta. “Sabemos que a utilização de vacinas mais efetivas, nesses casos, tem um potencial para salvar centenas de vidas em Portugal”, acrescenta, em referência às opções de dose reforçada que começaram a ser implementadas no país na época 2022/2023. Porém, realça, esta arma preventiva só está disponível para pessoas institucionalizadas. “Não é viver numa instituição que determina o risco de a pessoa ter gripe”, critica Sofia Duque, que defende que os grupos mais vulneráveis devem ter acesso igual às melhores tecnologias disponíveis.

A análise do primeiro ano de aplicação da vacina antigripal quadrivalente de dose reforçada será um dos temas em debate no Flu Summit 2023, um evento organizado pela Sanofi e ao qual o Expresso se volta a associar. O evento, que decorre na próxima terça-feira, 7, vai contar com a presença de especialistas e representantes das principais sociedades médicas nacionais. Consulte, abaixo, os detalhes da iniciativa.

FLU SUMMIT 2023

O que é

“Unidos além da gripe” é o tema da edição deste ano do Flu Summit, uma iniciativa para a sensibilização do impacto da infeção nas populações mais vulneráveis e que pretende debater as estratégias fundamentais para uma saúde mais sustentável. Participam especialistas em várias áreas da medicina, bem como representantes de instituições de saúde públicas e das principais sociedades médicas nacionais. A agenda prevê a discussão sobre o impacto da gripe no Serviço Nacional de Saúde e nos grupos mais vulneráveis, sobre as recomendações das sociedades médicas e, ainda, sobre a primeira época de aplicação da nova vacina disponível.

Quando, onde e a que horas?

Terça-feira, dia 7, a partir das 14h30, com transmissão no Facebook do Expresso

Quem são os oradores?

Helena Freitas, diretora geral da Sanofi;
Filipe Froes, pneumologista no Hospital Pulido Valente;
Carlos Robalo Cordeiro, diretor do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra;
Tor Biering-Sørensen, director do Center for Translational Cardiology and Pragmatic Randomized Trials em Copenhaga;
António Morais, Sociedade Portuguesa de Pneumologia;
Bruno Almeida, Sociedade Portuguesa de Diabetologia;
Paulo Almeida, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna;
Ana Teresa Timóteo, Sociedade Portuguesa de Cardiologia;
Manuel Carrageta, Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia;
Joaquim Oliveira, Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica;
António Tavares, Santa Casa da Misericórdia do Porto;
Coronel Penha Gonçalves, Task-force de vacinação;
Gonçalo Sarmento, especialista em Medicina Interna;
Isabel Saraiva, Associação Respira;
Graça Freitas, Direção Geral da Saúde (por confirmar);
António Maló de Abreu, Comissão Parlamentar da Saúde;
Manuel Pizarro, Ministro da Saúde (por confirmar).

Porque é que este evento é importante?

Os riscos acrescidos da gripe em populações consideradas mais vulneráveis, como idosos acima dos 65 anos e doentes crónicos, podem resultar em internamentos hospitalares associados a episódios respiratórios e cardiovasculares. Prevenir é importante para evitar mortes e doença aguda, assim como para diminuir a sobrecarga dos serviços de saúde em Portugal.

Como posso ver?

Simples, clicando AQUI

17.5.22

Alimentação, obras em casa e na rua. Lisboa quer cuidar dos mais idosos

André Campos Ferrão, in DN

A autarquia pretende combater o isolamento da população mais envelhecida através da sinalização das situações mais preocupantes, disponibilizando de apoio domiciliário ao nível da alimentação ou até de obras nas habitações identificadas.

A Câmara Municipal de Lisboa assinou esta segunda-feira um protocolo com várias entidades para combater as situações de isolamento da população da cidade com mais de 65 anos, que representa "mais de um terço da população de Lisboa", e criar "condições para a atividade das pessoas" mais velhas, de acordo com o presidente da autarquia.

O documento - que integra o programa "Lisboa, cidade para todas as idades" - foi assinado entre o município da capital, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), o Instituto da Segurança Social, a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, Policia de Segurança Pública (PSP) e as juntas de freguesia da cidade.

Segundo a informação disponibilizada, pretende "sinalizar a população da cidade com mais de 65 anos e identificar as suas necessidades, de modo a serem detetadas, precocemente, situações de risco, agilizando uma intervenção ajustada a cada situação".

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS) referiu que o programa "RADAR" tem um "significado muito profundo", uma vez que vai ao encontro de "mais de um terço da população" da cidade. "Sintetiza bem aquilo que é um eixo da cidade, não há futuro em Lisboa se não houver uma sociedade coesa", vincou durante a cerimónia que decorreu no Convento de São Pedro de Alcântara, na freguesia da Misericórdia, em Lisboa.

No final da assinatura do protocolo, o autarca referiu aos jornalistas que a iniciativa "cuida de todos aqueles que têm maior idade" em Lisboa e reiterou "que são muitos".

Fernando Medina acrescentou que a autarquia tem a "obrigação" de criar espaços para que a população com mais de 65 anos possa manter a sua atividade voluntariamente e "não tenham de sair [de casa] para lares".

O socialista também disse que as habitações das pessoas sinalizadas pelo programa poderão sofrer reabilitações, como a "substituição de banheiras por polibãs, instalação de um pequeno corrimão, tratar do rebaixamento do acesso a uma casa como uma rampa em vez de um degrau".

Está ainda pensada a intervenção na via pública, como a "substituição de calçada [portuguesa] em zonas que não são históricas por pavimentos mais seguros" e que permitam que a população mais envelhecida se desloque com mais facilidade.

A autarquia da capital não deixou de lado as "pessoas que necessitem de acompanhamento médico" e, por isso, Fernando Medina referiu que "há dez centros de saúde envolvidos" no programa.

Projeto pretende identificar 30 mil pessoas com mais de 65 anos