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27.7.23

Valor para dar de entrada na compra de casa duplicou em cinco anos em Lisboa e Porto

Por Lusa, in TSF


Estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos revela que os agregados familiares diminuíram em número de membros, mas aumentaram em quantidade e precisam agora de estar num nível mais alto de rendimento para conseguir entrar no processo de compra.


dinheiro necessário para dar de entrada na compra de uma casa em Lisboa e no Porto praticamente duplicou entre 2017 e 2022, segundo um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos que avisa ser "provável" manter-se a degradação do acesso à habitação.

O documento divulgado esta quarta-feira, da autoria de Rita Fraque Lourenço, Paulo M. M. Rodrigues e Hugo de Almeida Vilares, é o primeiro de uma série que a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) divulga e em que atualiza o estudo lançado em 2021 onde era traçado o retrato do mercado imobiliário em Portugal e a sua evolução.

Com a subida do preço das casas a superar os aumentos salariais, as famílias enfrentam cada vez mais dificuldades no acesso ao mercado habitacional, tendo visto o "rendimento necessário para adquirir uma habitação" aumentar "consideravelmente nos últimos anos".

Segundo o documento, o capital inicial necessário para dar de entrada numa casa mediana aumentou de cerca de 30 mil para 56 mil euros no concelho de Lisboa, e de 16 mil para 37 mil no concelho do Porto, entre 2017 e 2022.

12.7.23

400 mil idosos em risco de pobreza em Portugal. Com pensões abaixo de 554 euros mensais

in Rádio Voz da Planície


Mais de 400 mil idosos vivem em risco de pobreza em Portugal, com um máximo de 551 euros por mês, ou seja, abaixo do limiar no nosso País que é de 554 euros mensais. No distrito de Beja, o "envelhecimento da população é devastador e as pensões estão muito abaixo do limiar determinado", diz o comentador para a área social, Miguel Bento.


Os dados que foram revelados ontem, 11 de julho - Dia Mundial da população - dizem, pela Pordata, também, que para 90 por cento das pessoas com 65 ou mais anos, a reforma ou pensão é a principal fonte de rendimento. Nesta faixa etária, nove por cento permanecem no mercado de trabalho, sendo que 240 mil pessoas trabalham ou ocupam-se na agricultura.

Os dados reunidos pela base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram que há mais de 500 mil idosos a viverem sós.

Sobre estes dados, o comentador da Voz da Planície para a área social, Miguel Bento, frisou que "o distrito de Beja tem muitos idosos sem dinheiro para pagarem as suas necessidades básicas - saúde, alimentação, saneamento, eletricidade - por receberem pensões muito abaixo do limiar determinado para Portugal".

Acrescenta Miguel Bento que "esta situação acontece, principalmente, porque muitos idosos, particularmente as mulheres que são mais pobres do que os homens na velhice, não tiveram carreiras contributivas longas e noutros casos são pessoas que trabalharam na agricultura e que não tiveram descontos feitos, na altura devida para a segurança social".


Em 2001, o número de pessoas com 65 ou mais anos ultrapassou o número de crianças e jovens com menos de 15 anos. Atualmente, há quase duas vezes mais seniores do que crianças e jovens em Portugal. Em cada 100 residentes no País, 13 são crianças ou jovens com menos de 15 anos, 63 são pessoas em idade ativa (15-64 anos) e 24 têm 65 ou mais anos.

Para além destes dados, a Pordata revelou no dia de ontem, 11 de julho, igualmente, que o número de pessoas a atingir os cem anos aumentou 77 por cento na última década em Portugal, para quase três mil cidadãos centenários no ano passado.

Em 2022, viviam em Portugal duas mil e 940 pessoas com 100 anos ou mais, contra mil e 658 em 2012, indicam números da base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O comentador da área social, Miguel Bento, esclareceu que "estas revelações não são novidade em Portugal e que estão relacionados com diversos fatores, entre eles o aumento da esperança média de vida e o regresso de muitos que emigraram nas décadas de 60/70 do século XX e que regressaram a Portugal na velhice".

Miguel Bento disse, ainda, que "no Alentejo, a taxa de envelhecimento é devastadora, particularmente, nalguns concelhos do distrito de Beja". E que "a situação no País e distrito não é mais grave devido à imigração pois muitos dos nascimentos registados nos últimos anos são de mulheres que vieram para Portugal em idade fértil".


A inversão da pirâmide demográfica é considerada um dos maiores desafios do século XXI na generalidade dos países europeus e, também em Portugal, onde o peso da população idosa duplicou nos últimos 36 anos. Segundo a Pordata, 24 por cento da população portuguesa tem hoje 65 anos ou mais.



“O futuro das economias e sociedades europeias depende da forma como se enfrentará esta questão no curto prazo, importando, por isso, analisar esta tendência e, também, as condições em que a população mais idosa vive atualmente”, sublinha a análise da Pordata aos dados estatísticos.Dos 10,4 milhões de pessoas que vivem em Portugal, 2,5 milhões têm 65 anos ou mais, estando as mulheres em maioria (57 por cento).


“Este peso superior do sexo feminino cresce à medida que a idade aumenta: as mulheres representam 62 por cento do total da população com 80 ou mais anos”, lê-se num documento divulgado pela plataforma.

No mais recente Censos (2021), foram registadas 46 mil pessoas estrangeiras com 65 ou mais anos em Portugal. “Na última década, o número de estrangeiros nesta faixa etária mais do que duplicou (em 2011 eram 20 mil), sendo 67 por cento são europeus, sobretudo do Reino Unido (19 por cento); França (12 por cento) e Itália (7 por cento)”, observou a Pordata. Entre os não europeus, destacam-se os brasileiros (11 por cento).

“O aumento do interesse por Portugal junto da população sénior impacta igualmente os números da imigração: Em 2021 entraram no país 23 mil pessoas nesta faixa etária, o equivalente a 23 por cento do total de imigrantes”, destacaram os peritos que compilaram os dados.

Portugal era, em 2022, o segundo país da União Europeia com maior proporção de pessoas com 65 ou mais anos (23,7 por cento), a seguir a Itália (23,8 por cento). A média europeia era de 21,1 por cento no ano passado. A população sénior ultrapassou a de crianças e jovens no virar do milénio.

O índice de envelhecimento em Portugal revela que há 184 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens. Em todos os municípios do País, com exceção de Lagoa e Ribeira Grande, nos Açores, o número de idosos é superior ao número de jovens.

11.7.23

População centenária em Portugal aumentou 77% na última década

Por Lusa,  in SIC


Em 2022, viviam em Portugal perto de 3.000 pessoas com 100 anos ou mais. Segundo a Pordata, 24% da população portuguesa tem atualmente 65 anos ou mais, o que se traduz em cerca de 2,5 milhões de idosos.

O número de pessoas a atingir os cem anos aumentou 77% na última década em Portugal, para quase 3.000 cidadãos centenários no ano passado, revelou a Pordata, por ocasião do Dia Mundial da População, que esta terça-feira se assinala.

Em 2022, viviam em Portugal 2.940 pessoas com 100 anos ou mais, contra 1.658 em 2012, indicam números da base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

A inversão da pirâmide demográfica é considerada um dos maiores desafios do século XXI na generalidade dos países europeus e, também em Portugal, onde o peso da população idosa duplicou nos últimos 36 anos. Segundo a Pordata, 24% da população portuguesa tem atualmente 65 anos ou mais.


"O futuro das economias e sociedades europeias depende da forma como se enfrentará esta questão no curto prazo, importando, por isso, analisar esta tendência e, também, as condições em que a população mais idosa vive atualmente", sublinha a análise da Pordata aos dados estatísticos.

Dos 10,4 milhões de pessoas que vivem em Portugal, 2,5 milhões têm 65 anos ou mais, estando as mulheres em maioria (57%).


"Este peso superior do sexo feminino cresce à medida que a idade aumenta: as mulheres representam 62% do total da população com 80 ou mais anos", lê-se num documento divulgado pela plataforma.

No mais recente Censos (2021), foram registadas 46.000 pessoas estrangeiras com 65 ou mais anos em Portugal. "Na última década, o número de estrangeiros nesta faixa etária mais do que duplicou (em 2011 eram 20.000), sendo 67% são europeus, sobretudo do Reino Unido (19%); França (12%) e Itália (7%)", observou a Pordata. Entre os não europeus, destacam-se os brasileiros (11%).


"O aumento do interesse por Portugal junto da população sénior impacta igualmente os números da imigração: Em 2021 entraram no país 23.000 pessoas nesta faixa etária, o equivalente a 23% do total de imigrantes", destacaram os peritos que compilaram os dados.

Portugal era, em 2022, o segundo país da União Europeia com maior proporção de pessoas com 65 ou mais anos (23,7%), a seguir a Itália (23,8%). A média europeia era de 21,1% no ano passado.

A população sénior ultrapassou a de crianças e jovens no virar do milénio.

O índice de envelhecimento em Portugal revela que há 184 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens. Em todos os municípios do país, com exceção de Lagoa e Ribeira Grande, nos Açores, o número de idosos é superior ao número de jovens.

3.5.23

Dia do Trabalhador: as profissões mais bem (e mal) pagas em Portugal

Ana Lemos, in SIC



No Dia do Trabalhador, a Pordata faz uma “radiografia à situação laboral dos portugueses”, revelando quais os setores com mais trabalhadores, mas também as profissões mais bem e mais mal pagas. E, se há setores com falta de mão-de-obra, outros há em que o nível de escolaridade ou o sexo podem fazer a diferença no salário.


No feriado do 1.º de Maio, que este ano saberá ainda melhor para muitos por calhar a uma segunda-feira, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos partilha um retrato sobre a evolução, na última década, da situação dos trabalhadores portugueses.

Quais são, atualmente, as profissões com mais trabalhadores e as que mais cresceram e diminuíram? Onde se verifica o maior fosso salarial entre homens e mulheres? Quais são os setores pagam melhor e os que pagam menos? E, as qualificações têm ou não impacto?

A “radiografia laboral” foi feita pela Pordata com base nos Censos de 2021, cuja recolha de dados decorreu ainda durante a pandemia, e em comparação com os de 2011. As conclusões são várias. Por exemplo, “os trabalhadores não qualificados da indústria e da construção foram os que mais cresceram na última década (mais 51 mil)”, mas não são os mais bem pagos.

Além disso, os setores económicos que mais riqueza geram são também aqueles que praticam salários abaixo da média nacional. E, se gestores, diretores e profissionais das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM) estão entre os mais bem pagos, os trabalhadores de limpeza e de cuidados pessoais são os que ganham menos.

Vendedores “lideram”

Em 2021, a população empregada era de 4,4 milhões de pessoas, ou seja, um aumento de 1,5% em relação a 2011. O “top3” das profissões com mais trabalhadores é liderado por vendedores (365 mil), seguem-se os empregados de escritório e secretários (280 mil) e os trabalhadores qualificados da construção, eletricidade e eletrónica (273 mil).

Mas se focarmos a análise nas profissões que viram o número de efetivos aumentar, os vendedores saem deste ranking, mantém-se os trabalhadores não qualificados da indústria e da construção (+51 mil), bem como os empregados de escritório e secretários (+23 mil), e entram os profissionais de saúde (que não médicos e enfermeiros, +21 mil).

Quanto às profissões que mais diminuíram o número de efetivos, o destaque, de acordo com os dados da Pordata, vai para diretores e gerentes, do comércio a retalho e por grosso (-42 mil), trabalhadores de limpeza em casas particulares, hotéis e escritórios (-39 mil), vendedores (-36 mil), trabalhadores qualificados da construção, eletricidade e eletrónica (-36 mil), e, professores (-29 mil).
Setores “mais ricos” pagam abaixo da média

Quase meio milhão de pessoas trabalhava, há dois anos, “no comércio a retalho (461 mil), 348 mil na administração pública, 328 mil na educação, e 277 mil nas atividades de saúde”. No conjunto, estes trabalhadores representavam um terço do total da mão-de-obra.

Já as maiores perdas, na última década, registaram-se no setor da construção (-68 mil na promoção imobiliária), comércio (-59 mil no retalho), educação (-48 mil), indústria transformadora (-42 mil no vestuário) e alojamento e restauração (-37 mil na restauração).

Há, porém, uma outra conclusão deste estudo da Pordata que importa salientar. Um determinado setor económico pode até ter perdido trabalhadores e praticar salários abaixo da média nacional, mas ser, ainda assim, dos que gerou mais riqueza (VAB – Valor acrescentado bruto).


“É o caso da indústria transformadora que gerou 13,8% do VAB, com destaque para as indústrias alimentar e têxtil, [e] onde os salários médios são 121 euros e 340 euros, [respetivamente], inferiores à média nacional". O mesmo sucede nas atividades imobiliárias e o comércio (13,4% e 13,1% do VAB), na administração pública e na saúde (7,4% e 7% do VAB).

Mas é no alojamento e restauração (VAB de 3,6%), na agricultura (VAB de 2,5%) e nas atividades administrativas e serviços de apoio (VAB de 3,8%) que se encontram as maiores diferenças a nível nacional. Os trabalhadores destes setores recebem, em média, menos 380 euros e menos 283 euros, respetivamente, face à média nacional.


Em sentido oposto, os setores económicos mais bem remunerados são o da eletricidade, gás e água - com salário médio 1.672 euros acima da média nacional, e, o das atividades financeiras e de seguros - com salário médio 1.080 euros acima da média nacional.

Ainda assim, “a produtividade do trabalho em Portugal é 35% inferior à média da União Europeia (UE)”. Entre os 27, Portugal é o quinto país com menor produtividade no trabalho, fixando-se apenas à frente de Letónia, Polónia, Grécia e Bulgária.
Diretores e gestores vs auxiliares e trabalhadores de limpeza

Tendo por base os dados de 2021 e o universo de trabalhadores por conta de outrem em empresas, o salário que auferiam era, em média, de 1.294 euros ilíquidos (antes da dedução de quaisquer descontos). Em comparação com 2011, este valor representa um aumento de 210 euros, mas que se “descontado o efeito da inflação” desce para 118 euros.

E que trabalhadores recebiam um salário acima da média nacional?representantes do poder legislativo e de órgãos executivos (+1.483 euros);
profissões intelectuais e científicas (+701 euros);
técnicos de nível intermédio (+314 euros), entre os quais se verifica uma exceção: os técnicos e profissionais de nível intermédio da saúde - como técnicos de equipamento de diagnóstico e terapêutico, técnicos de laboratório, auxiliares de enfermagem e pessoal de ambulâncias - que auferem menos 108 euros do que a média nacional.

Dentro deste grupo, encontramos as profissões mais bem pagas:a cargos de gestão ou direção: representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas (ganhavam, em média, 3.577 euros);
os diretores de serviços administrativos e comerciais: financeiros, de recursos humanos, de vendas e marketing, publicidade e relações-públicas (3.091 euros);
os diretores de produção e de serviços especializados: produção da agricultura, indústrias, construção, diretores de compras, distribuição, transportes, diretores de serviços de saúde, de sucursais de bancos, serviços financeiros e seguro (2.826 euros); e,
os técnicos dos serviços jurídicos, sociais, desportivos e culturais: atletas e jogadores profissionais, árbitros, treinadores, fotógrafos e chefes de cozinha (2.331 euros).

Neste grupo, destacam-se ainda as profissões das áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM) com remunerações acima dos 1.850 euros, e das quais se destacam:especialistas em tecnologias de informação e comunicação (2.198 euros);
especialistas em finanças, contabilidade, organização administrativa, relações-públicas e comerciais (2.111 euros);
especialistas das ciências físicas, matemáticas, engenharias (2.019 euros);
profissionais de saúde (1.869 euros).

Quanto às profissões mais mal pagas são, sobretudo três as que a Pordata refere:assistente na preparação de refeições (761 euros);
trabalhador de limpeza (791 euros); e,
trabalhador dos cuidados pessoais: auxiliares de educadores de infância e de professores e auxiliares nos serviços de saúde e ajudantes familiares (818 euros).

Desigualdade entre sexos mantém-se

Se a nossa análise se centrar na diferença entre homens e mulheres, o cenário muda e sempre em prejuízo do sexo feminino, que ganha sempre menos. Mas vejamos aquele que a Pordata destaca como “o maior fosso”.

Os técnicos dos serviços jurídicos, sociais, desportivos e culturais: atletas e jogadores profissionais, árbitros, treinadores, fotógrafos e chefes de cozinha constam no grupo das profissões mais bem pagas. Acontece que se quem exercer essa profissão for uma mulher ganha 1.037 euros, se for um homem o salário ronda os 2.409 euros.

Neste caso, a diferença salarial é superior a 1.300 euros, mas há outros exemplos e em várias áreas:representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas - os homens ganham, em média, mais 1.070 euros do que as mulheres;
diretores de produção - a diferença é de mais 585 euros para os homens;
diretores de serviços administrativos e comerciais - os homens ganham mais 577 euros;
especialistas em finanças, contabilidade, organização administrativa, relações-públicas e comerciais - a diferença é de 452 euros; e,
Profissionais de saúde - os homens ganham, em média, mais 442 euros.
Nível de escolarização (ainda) é baixo

Em 2021, “cerca de 6 em cada 10 trabalhadores da agricultura, construção e indústria tinham, no máximo, o ensino básico, evidenciando a ainda baixa escolarização de alguns setores económicos”. Este é também “o nível de ensino de metade dos trabalhadores das atividades administrativas e dos serviços de apoio, do alojamento e restauração”, conclui a Pordata.

Contudo, em setores como atividades de informação e comunicação (69%), atividades financeiras e de seguros (61%), de consultoria e científicas (59%) e da educação (58%), mais de metade dos trabalhadores têm o ensino superior.