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23.1.18

Envelhecimento coloca pressão acrescida ao mercado de trabalho

Raquel Martins, Público on-line

OIT desafia os governos a desenharem políticas que abarquem o sistema de pensões, a política de rendimentos e a formação ao longo da vida

O envelhecimento da população é um dos principais desafios que se colocam aos países da Europa e da Ásia Oriental e traz uma pressão acrescida ao mercado de trabalho. O alerta é deixado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) no relatório sobre as tendências do emprego em 2018, divulgado nesta segunda-feira.

“Além do desafio que o crescente número de aposentados traz aos sistemas de pensões, uma força de trabalho cada vez mais envelhecida também terá um impacto directo no mercado de trabalho, diminuindo a produtividade e a capacidade de ajustamento aos choques económicos”, alerta o economista da OIT, Sangheon Lee.

Nos países desenvolvidos, onde o envelhecimento é consideravelmente mais rápido, estima-se que, em 2030, haverá cerca de cinco pessoas com 65 ou mais anos para cada dez pessoas empregadas. Ao mesmo tempo, nota a OIT, a idade média da população activa aumentará, colocando os próprios trabalhadores sob pressão para conseguirem acompanhar o ritmo de inovação e as mudanças estruturais no mercado laboral.

Mas o envelhecimento da população também conduzirá a uma alteração dos padrões de consumo, criando oportunidades de emprego no sector da prestação de cuidados aos mais idosos.

Para responder a estes desafios, os governos terão de desenhar um conjunto de políticas que abarquem o sistema de pensões, a política de rendimentos, o sistema de protecção social e a formação ao longo da vida.
No relatório, a OIT conclui ainda que o sector dos serviços será o principal motor do crescimento do emprego no futuro, enquanto na agricultura e na indústria o emprego tenderá a diminuir.

Numa primeira abordagem, esta mudança poderá ter efeitos positivos, dado que na agricultura predomina a informalidade. Porém, as mudanças serão limitadas, devido à prevalência do emprego informal e vulnerável em algumas áreas do sector dos serviços. Em alguns países em desenvolvimento, exemplifica a OIT, a taxa de informalidade na área do alojamento e restauração é mais elevada do que na agricultura.

A organização pede que haja um esforço político para aumentar a qualidade do trabalho e a produtividade no sector de serviços, alertando que só assim será possível melhorar a qualidade do emprego em termos globais.
Outro desafio identificado pela OIT tem a ver com os rendimentos do trabalho. Na Europa e na Ásia Central o emprego aumentou 1,2% no período entre 2015 e 2016, (acima dos 0,1% registados entre 2011 e 2014), porém essa expansão não se traduz num crescimento dos salários.

É o que acontece, exemplifica a OIT, na zona euro (da qual Portugal faz parte) onde, desde o início da crise financeira de 2008, uma grande percentagem do emprego criado foi a tempo parcial. À medida que a recuperação económica se tornou mais robusta essa tendência tem vindo a esbater-se mas, ainda assim, a criação de emprego a tempo completo ainda não é suficiente para recuperar os empregos destruídos, lamenta a organização liderada por Guy Ryder.

Redução da pobreza no trabalho estagna
A OIT lamenta ainda que os progressos registados na redução da pobreza entre os trabalhadores tenham estagnado. Nos países em desenvolvimento, alerta a organização, “os progressos na redução da pobreza no trabalho têm sido demasiado lentos para conseguirem acompanhar a expansão da força de trabalho”.

“Espera-se que o número de trabalhadores que vivem numa situação de pobreza extrema permaneça teimosamente acima de 114 milhões nos próximos anos, afectando 40% da população empregada em 2018 ", concretiza Stefan Kühn, economista da OIT e principal autor do relatório.

No documento, os autores também destacam o facto de que as taxas de participação das mulheres no mercado de trabalho permanecerem muito abaixo da taxa de participação masculina.

E mesmo quando conseguem trabalho, há uma segregação em relação aos sectores, às ocupações desenvolvidas e à qualidade do emprego. Em 2017, 82% das mulheres dos países em desenvolvimento tinham empregos considerados vulneráveis, enquanto nos homens essa percentagem era de 72%.

Outro motivo de preocupação da OIT – e um dos grandes desafios – são as reduzidas oportunidades de emprego para os jovens. A taxa de desemprego jovem global é estimada em 13%, bem acima da taxa de 4,3% estimada para os adultos. O desafio é particularmente visível no Norte de África, onde perto de 30% dos jovens não têm trabalho. A OIT alerta ainda que as desigualdades de género começam a revelar-se neste grupo desde cedo, o que torna mais difícil uma recuperação no futuro.  

29.5.14

OIT vê nuvens negras no mercado laboral em todo o mundo

in TSF

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) continua a ver nuvens negras sobre o mercado laboral em todo o mundo. Apesar das perspetivas de crescimento terem melhorado há fatores que levam a OIT, num relatório anual revelado hoje, a dizer que os níveis de desemprego vão continuar elevados, especialmente entre os mais jovens.

Os números mais recentes mostram que Portugal, com 37,4%, é o 12º país do mundo com maior taxa de desemprego jovem. Uma lista liderada pela Bósnia, com mais de 60% de jovens desempregados.

A OIT acredita que estes números podem acentuar as novas tendências globais de imigração.

Raymond Torres, o director Geral da OIT, cita Portugal, entre os casos de países que registam novos movimentos de saída dos mais qualificados à procura de oportunidades.

«Mais recentemente, temos assistido a uma migração Norte-Sul. Os jovens formados de Portugal e da Grécia, por exemplo, estão a emigrar para países em desenvolvimento, porque não têm oportunidades de trabalhos nos respetivos países. É claro que isto é um fenómeno recente e ainda temos de perceber se será uma tendência estrutural para o futuro ou simplesmente uma resposta à recessão», salienta.

Raymond Torres chama mesmo assim a atenção para uma dificuldade que pode afetar estes novos migrantes. É que, também, nos países emergentes, está a gerar-se um problema que terá reflexo na criação de empregos.

«Existe muita turbulência nos mercados e isso afeta os países em desenvolvimento, de forma desproporcional. Foi investido muito capital nesses países, durante algum tempo, e agora esse capital está a ser retirado desses mesmos países, gerando instabilidade. Isso torna mais difícil a criação de empregos qualificados, nos países emergentes e em desenvolvimento. Estes factos tornam mais complicadas as perspetivas de criação de emprego, nos próximos anos», adianta.

A OIT volta a destacar, neste relatório anual, que a precarização do trabalho veio para ficar e que só com a qualificação do trabalho as economias podem crescer de forma sustentada.

Uma sugestão que a organização deixa: «É necessário utilizar os lucros dos negócios mais prósperos, não em especulação financeira, mas na criação de emprego para fazer movimentar a economia real».

6.11.13

OIT defende aumento do salário mínimo e do RSI

por Fernanda Câncio, in Diário de Notícias

Numa conferência que tem hoje lugar em Lisboa, OIT (Organização Internacional do Trabalho) apresenta relatório sobre situação laboral portuguesa, com propostas para "enfrentar a crise do emprego".

Um conjunto de medidas para reforçar a proteção social, incluindo a atualização do Indexante de Apoios Sociais (unidade base das prestações sociais) e o reforço do RSI, nomeadamente para as famílias com filhos, mais o aumento do salário mínimo, assim como um programa especial para combater o desemprego jovem com custo estimado de mil milhões de euros anuais, são algumas das propostas de um relatório da OIT que hoje será apresentado numa conferência fechada à comunicação social.

Nesta conferência participam, além do diretor-geral da OIT, o ex-sindicalista britânico Guy Ryder (leia hoje a entrevista no DN), membros do Governo e representantes do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu (ou seja, da troika). Estes serão confrontados com as conclusões de um relatório bastante crítico sobre os resultados do programa de ajustamento.

Elaborado pelo Grupo de Ação interdepartamental da OIT sobre os países em crise, o documento, cuja versão portuguesa tem 111 páginas, retrata um mercado de trabalho que desde 2008 perdeu um em cada sete empregos e que "não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira", aliás, pelo contrário: "a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos".

E, releva-se, sem que os objetivos macroeconómicos, nomeadamente quanto ao cumprir das metas do défice, tenham sido cumpridos.

5.11.13

OIT alerta para o crescimento do desemprego desde 2008

in iOnline

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará hoje um relatório onde analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal, com o título "Enfrentar a crise em Portugal"
A OIT alerta hoje para o crescimento do desemprego em Portugal desde 2008, com a perda de um em cada sete empregos, e afirma que a situação não melhorou desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a 'troika'.

"Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos -- a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha", diz o relatório sobre o mercado de trabalho e o desemprego em Portugal, que a Organização Internacional do Trabalho apresenta hoje.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará hoje um relatório, a que a agência Lusa teve acesso, onde analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal, com o título "Enfrentar a crise em Portugal".

O relatório será lançado numa "Conferência de Alto Nível", em Lisboa, que contará com a participação de membros do Governo de Portugal, representantes dos trabalhadores e representantes dos empregadores.

O Diretor Geral da OIT também estará presente na reunião.

No relatório a debater em Lisboa, a OIT salienta que "a taxa de desemprego em Portugal atingiu um máximo histórico de mais de 17 por cento" e que "os trabalhadores jovens e as famílias com crianças de tenra idade têm sido afetados desproporcionadamente pela contração económica".

"O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto, a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos -- embora com alguns sinais de redução nos meses mais recentes", refere o documento.

De acordo com a OIT, o volume do investimento produtivo em Portugal foi reduzido em mais de um terço desde 2008 -- tendo-se verificado grande parte deste declínio nos dois últimos anos --, provocando uma erosão nos ganhos de produtividade e prejudicando uma prosperidade futura.

"Os mais de 56 por cento de desempregados que estão sem trabalho há mais de um ano estão a perder competências e motivação, e terão acrescida dificuldade em participar numa retoma económica futura caso não lhes seja prestado um apoio adequado. Muitos trabalhadores, incluindo parte dos jovens mais talentosos e qualificados, têm vindo a ser empurrados para a emigração", salienta o relatório.

Para a OIT, a "situação crítica" do país reflete uma combinação de fatores macroeconómicos e de fatores estruturais.

"A política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna", refere.

Segundo a OIT, as sucessivas políticas ativas de emprego e os serviços públicos de emprego têm sido insuficientes para fazer face ao aumento significativo do desemprego registado nos últimos anos.

A organização internacional defende que é necessária uma nova estratégia e lembra, nomeadamente, que a proporção de trabalhadores a auferir o salário mínimo mais do que duplicou desde o início da crise.

"Parece ser necessário começar de novo para enfrentar estas tendências. Tais mudanças de políticas terão de ter em conta a estagnação de longo prazo com que Portugal já se defrontava antes da crise. Entre 2000 e 2008, a taxa de desemprego registou uma suave tendência de subida. Os rendimentos médios reais da população portuguesa estagnaram, ao contrário do sucedido na maioria dos países da UE", concluiu o relatório.

OIT contra medidas indiscriminadas em Portugal que afectem o emprego

in iOnline

Nos últimos anos, "entre as políticas adotadas como consequência do pedido de assistência" financeira, verificaram-se "algumas medidas que claramente afetaram o crescimento económico e o desemprego", reconheceu Raymond Torres
O diretor do Instituto de Estudos sobre o Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou à Lusa que o caso português não recomenda "medidas indiscriminadas de cortes orçamentais, sobretudo em áreas importantes para o emprego".

Em declarações à Lusa, Raymond Torres, admitiu que, "se há dispositivos ineficazes ou despesas inúteis, a racionalização do orçamento público é normal", mas sem causar problemas adicionais no "crescimento económico e desemprego".

Nos últimos anos, "entre as políticas adotadas como consequência do pedido de assistência" financeira, verificaram-se "algumas medidas que claramente afetaram o crescimento económico e o desemprego", reconheceu Raymond Torres.

"Se a Europa tivesse tido à disposição instrumentos de coesão mais fortes na zona Euro" e "se houvesse uma verdadeira união bancária, possivelmente a situação atual podia ter sido diferente", salientou.

"Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos -- a mais significativa deterioração do mercado de trabalho entre os países europeus, depois da Grécia e de Espanha", refere o relatório sobre o mercado de trabalho e o desemprego em Portugal, hoje apresentado.

Para o dirigente da OIT, a atual situação "tem consequências graves em termos de confiança nos sistemas políticos e o que pode causar uma fragmentação dos sistemas políticos, um desinteresse crescente acerca do sistema eleitoral", compreendendo a fuga de mão-de-obra qualificada para outros países.

"Para alguns jovens é a melhor opção porque não há trabalho e ter uma experiência profissional é uma boa coisa", disse, embora salientando que este êxodo leva também a custos económicos para o país.

"Portugal tinha investido na educação de jovens e de alguma forma este investimento fica perdido", disse Raymond Torres, salientando que o relatório sugere uma série de medidas suplementares para ajudar o país a sair da crise, com maior aposta nas exportações para fora da Europa e melhor financiamento das pequenas e médias empresas (PME).

Para os jovens, a OIT recomenda a implementação de ações de formação e apoios sociais para combater o desemprego juvenil.

"Em relação a outros países, a cadeia de decisão ainda funciona em Portugal e não podemos subestimar isso. Desta forma as recomendações podem ser imediatamente aplicadas", concluiu Raymond Torres.

Ministro do Emprego defende avaliação dos resultados das reformas

in iOnline

A OIT alertou, no seu relatório, para o crescimento do desemprego em Portugal desde 2008, com a perda de um em cada sete empregos

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, defendeu hoje a necessidade de avaliação dos resultados das reformas na área laboral antes de serem tomadas outras medidas.

"Portugal fez um longo caminho em termos de reformas laborais. De pouco serve tomar medidas sobre medidas sem avaliar primeiro os efeitos das que foram postas em prática", disse Mota Soares na sessão de abertura de uma conferência da OIT, em Lisboa.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) promoveu uma "Conferência de Alto Nível", que contou com a participação de membros do Governo, representantes dos trabalhadores e dos empregadores.

Na conferência foi apresentado e discutido um relatório sobre o impacto da crise económica no mercado de trabalho em Portugal, no qual são também apresentadas algumas propostas para inverter a situação do desemprego e da pobreza no país.

O ministro do emprego garantiu que o desemprego é a primeira preocupação do Governo e lembrou que o acordo tripartido para a competitividade e o emprego, assinado em janeiro de 2012, veio reforçar as políticas ativas de emprego.

Mota Soares elencou um conjunto de medidas que estão em prática na área do emprego e da proteção social e referiu os resultados positivos que estão a ser conseguidos, admitindo, no entanto, que ainda não são suficientes.

Defendeu, por isso, que "a avaliação das medidas em curso é essencial" e que "a concertação social tem sido fundamental".

A OIT alertou, no seu relatório, para o crescimento do desemprego em Portugal desde 2008, com a perda de um em cada sete empregos, e considerou que a situação não melhorou desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a ‘troika’.

Para a OIT, a "situação crítica" do país reflete uma combinação de fatores macroeconómicos e de fatores estruturais.

"A política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna", refere.

Segundo a OIT, as sucessivas políticas ativas de emprego e os serviços públicos de emprego têm sido insuficientes para fazer face ao aumento significativo do desemprego registado nos últimos anos.

A organização internacional defende ainda o reforço da proteção social como forma de combater o agravamento das desigualdades e da pobreza.