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22.6.23

Falta de famílias de acolhimento remete crianças e jovens para instituições

por Marta Pacheco - Antena 1, in RTP



Há poucas famílias de acolhimento e, por esta razão, a esmagadora maioria das crianças e jovens está nesta altura em instituições, diz a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
A solução é mudar mentalidades, mais acompanhamento e formação, refere a instituição.

No dia em que o Instituto de Apoio à Criança debate, em Lisboa, o estado atual do acolhimento familiar em Portugal, Rui Godinho, da Santa Casa, revela que na Área Metropolitana de Lisboa há então um grande défice de famílias de acolhimento.

O Instituto de Apoio à Criança vai também dar conta do que foi feito no projeto europeu "Academia para a parentalidade consciente - Famílias de acolhimento precisam-se!". Um projeto que agora termina.

19.4.23

Ex-ministra da Saúde Ana Jorge vai ser a nova provedora da Misericórdia de Lisboa

Por Lusa, in Público online

Ana Jorge preside à Cruz Vermelha Portuguesa desde 2021, onde teve como objectivo dar relevo à área da saúde mental, sobretudo em relação à doença mental crónica.

A actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Ana Jorge, será a nova provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sucedendo a Edmundo Martinho, à frente da instituição desde Novembro de 2017.

Fonte do gabinete da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) adiantou à Lusa que a médica e ex-ministra da Saúde nos executivos de José Sócrates foi escolhida para assumir funções como provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), devendo iniciar funções em 1 de Maio. A mesma fonte acrescentou que o despacho de nomeação já foi aprovado e assinado.

Ana Jorge preside à Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) desde 2021, onde teve como objectivo dar relevo à área da saúde mental, sobretudo em relação à doença mental crónica, com respostas enquadradas na Rede Nacional de Cuidados Continuados para crianças, adolescentes e adultos.

Antes de assumir funções na CVP foi, entre 2016 e 2021, coordenadora da Unidade de Missão do Hospital da Estrela, da SCML.

A médica pediatra foi ministra da Saúde nos XVII e XVIII governos constitucionais, deputada e gestora de várias instituições de saúde e da economia social.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, vai ser ouvida na quarta-feira, na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, a requerimento do Grupo Parlamentar do PSD, sobre o estado dos órgãos sociais e das contas da SCML.

5.2.18

Mil vagas para idosos em oito equipamentos de cuidados continuados a construir em Lisboa

in RTP

Os oito novos equipamentos previstos no programa "LisBoa - cidade de todas as idades", hoje apresentado pela Câmara e Santa Casa da Misericórdia da capital, irão contar com mil vagas para idosos em estruturas residenciais e cuidados continuados.

Falando nos Paços do Concelho, na cerimónia de apresentação e assinatura do protocolo que irá dar início a este projeto, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) assinalou que esta será a "medida mais ambiciosa".

Com uma verba prevista de 50 milhões de euros serão criadas "mil novas vagas na cidade de Lisboa, entre respostas residenciais para pessoas idosas e cuidados continuados", referiu Edmundo Martinho.

Em declarações aos jornalistas no final da apresentação, o presidente da Câmara de Lisboa avançou que este valor e a construção das infraestruturas "será responsabilidade" do município.

"A Câmara de Lisboa disponibiliza os terrenos, irá construir os equipamentos", mas depois o "modelo de gestão é a Santa Casa que vai assegurar, com um contributo financeiro que a cidade agradece", afirmou.

Questionado sobre a inclusão deste investimento no orçamento municipal, o socialista referiu que "este é um valor que estará dividido por vários anos".

Quanto às vagas, as mil "são as que são possíveis", considerou.

"Haverá necessidade de mais, haverá necessidade de este programa ir crescendo, mas também temos que dar não só este passo, que é um passo com importância, mas também irmos vendo de que forma é que se vai adaptando a resposta entre o sistema social e o sistema de saúde", acrescentou.

Com o "passar do tempo vamos avaliando com o Ministério da Saúde quem é que faz o quê para que tenhamos as pessoas melhor servidas", vincou.

As freguesias escolhidas para acolher estes espaços são Alvalade, Avenidas Novas, Benfica, Campolide, Marvila, Santa Clara, São Domingos de Benfica, sendo que o oitavo equipamento será integrado no eixo Ajuda-Alcântara-Belém.
Durante a apresentação, Medina salientou que estas localizações foram "estudadas e equacionadas" para "dar uma resposta que Lisboa não tem" atualmente.

Apontando que este programa ainda não está fechado e "não vive sem sentido de parceria", o autarca deixou o repto à rede social existente na cidade para que dê os seus contributos.

O acordo prevê também a requalificação de 21 centros de dia da SCML, que darão lugar aos espaços InterAge, com o objetivo de "aproximar gerações". Segundo o provedor, esta medida orçada em 12 milhões de euros "já está a avançar em fase experimental", mas está previsto "alargar a toda a cidade".

Para isso, serão criadas também 650 vagas em creches, disse à Lusa fonte oficial do município.

Também em declarações aos jornalistas, o vereador dos Direitos Sociais (do BE) elencou que os centros contarão com uma valência para idosos e outra para a infância, mas a sua distribuição irá depender "do local onde serão feitas, das freguesias e das suas necessidades".

"O acordo que o BE fez com o PS para a Câmara de Lisboa prevê exatamente intervir nestas áreas", lembrou Ricardo Robles, advogando que "esta é uma nova geração de políticas sobre o envelhecimento ativo".
Para o vereador, este é "um passo gigante na resposta nesta área" e o programa "mais robusto apresentado pelo município".

O investimento neste programa está previsto chegar aos 100 milhões de euros, será repartido entre o município e a SCML, instituição que irá assegurar "30 a 40 milhões", isto "sem incluir o esforço de funcionamento dos novos equipamentos", precisou o provedor aos jornalistas.

3.10.16

Santana descentralizou os serviços sociais da Santa Casa

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

Sérgio Cintra, administrador executivo, sublinha importância das pontes criadas nos últimos anos, apontando “novo modelo de gestão, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias”

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já não se fecha tanto num mundo à parte, sobre si própria, com ar de auto-suficiente. Reorganizou algumas respostas sociais, tratou de desenvolver um modelo descentralizado, de construir pontes. Há uma marca de Santana Lopes na intervenção social?

Os relatórios e contas mostram que a partir de 2011 aumentaram os subsídios a pessoas carenciadas. Apontam a crise da dívida e o recuo do Estado social. Houve uma quebra no último semestre de 2014, que se tem vindo a manter. Atribuem-na à autonomização das pessoas, mas também à diminuição do tempo de espera na atribuição das prestações sociais.

Esta não é uma misericórdia como as outras. Reúne e coordena serviços que noutros concelhos são assegurados pela Segurança Social. Faz atendimento social, gere o serviço de adopção, uma rede de equipamentos de infância e juventude, respostas sociais para pessoas portadoras de deficiência, todo o tipo de serviços para idosos. E a emergência e o apoio à inserção de sem-abrigo.

Além de uma grande dimensão, a Santa Casa tem uma grande tradição, comenta Luís Capucha, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. A acção do provedor tem de atender a essa carga, que requer alguma estabilidade, mas também à orientação política. Afinal, este é um cargo de nomeação governamental. Parece-lhe que houve uma tentação caritativa, na era Passos Coelho, e um regresso à lógica solidária, com António Costa.

Que não haja equívocos, reclama Sérgio Cintra, administrador executivo da Santa Casa com o pelouro da Acção Social. “O provedor não se limita a gerir, tem uma visão própria”, sublinha. “Estamos inconformados com algumas soluções, achamos que devemos ser diferentes e temos iniciativas diferentes, inovar.” Nestes últimos cinco anos, a Santa Casa reabilitou equipamentos. Reorganizou serviços. Abriu duas residências de apoio moderado destinadas a jovens adultos que não conseguem ter autonomia completa mas têm capacidades para viver em habitação com suporte. Envolveu-se na criação da Rede Social e do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo de Lisboa. Ficou com a responsabilidade da intervenção e, nesse âmbito, com a gestão da Unidade de Atendimento à Pessoa Sem Abrigo.

Há, hoje, maior abertura ou, pelo menos, maior esforço de articulação, concorda Joaquina Madeira, que foi directora-geral da Acção Social entre 1991 a 2000 e em 2012 assumiu o papel de coordenadora Nacional do Programa Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações.

Sérgio Cintra prefere falar em pontes. Menciona o acordo firmado com a União das Misericórdias Portuguesas, que permitiu usar receitas do jogo para apoiar actividades de outras misericórdias do país. E um novo modelo de gestão, iniciado na sequência da reforma administrativa da cidade (24 freguesias), “mais descentralizado, com um forte pendor local de intervenção social, promovendo e reforçando parcerias, numa lógica de governação integrada”. Este novo paradigma, explica, assenta numa abordagem colaborativa e na gestão de caso.

Sérgio Aires, director do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, nota um esforço para requalificar as equipas técnicas e para tomar decisões baseadas em conhecimento. “Nos últimos anos, os funcionários estão mais próximos das pessoas”, analisa. Tratam-nas com maior cuidado, seguindo uma lógica que, pouco a pouco, se propaga pelo todo nacional.

A Santa Casa, gaba-se Santana Lopes, já não fica tanto à espera que quem precisa bata à porta. E dá o exemplo do projecto Intergerações, que fez, pela primeira vez, o levantamento da situação dos idosos que vivem na cidade de Lisboa. Quase 60 jovens percorreram as ruas de Lisboa, porta a porta, e encontraram mais de 500 idosos a precisar de apoio urgente.

O provedor faz a defesa da intergeracionalidade e da substituição do apoio em lares pelo apoio em casa. E, lembra Sérgio Cintra, as equipas de apoio a idosos foram requalificadas e reforçadas. Foi impulsionada a figura do cuidador familiar. O curso de formação para agentes de geriatria termina em Novembro de 2016. E a Acção Social está agora a preparar um projecto de intervenção e apoio directo aos utentes e às famílias de modo a reforçar e qualificar o apoio no domicilio. Está já a preparar um manual de boas práticas para cuidadores informais.

7.5.15

Santa Casa investe para dar dignidade às pessoas

por Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

Entrevista a Fernando Paes Afonso, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Como é que a Santa Casa reagiu ao aumento das solicitações nestes anos de crise. Em que setores sentiram maior aumento das solicitações?

Esse aumento foi transversal. E isso colocou-nos vários problemas. As respostas tradicionais aos problemas tradicionais não bastavam. Nós encontrámos uma realidade com problemas novos. Pobreza repentina, pobreza muito envergonhada...

Nomeadamente na classe média...

Muito na classe média. Dando um exemplo doloroso, que se relaciona com as notícias de períodos de crise: os velhos que são abandonados nos hospitais. Percebemos que tínhamos de ajudar a encontrar resposta para estas situações. Cresceu muitíssimo o valor que nós gastamos com subsídios às famílias para lares. A nossa capacidade instalada não chega.

Estão a recorrer a lares de outras instituições?

Tivemos de recorrer aos lares privados, aos chamados lares lucrativos. É uma forma de pobreza que cresceu imenso. Depois, surgiram outros problemas complicados. Os problemas dos pais que julgavam que a vida se tinha realizado normalmente, os filhos estavam a trabalhar, e tiveram de assistir ao regresso dos filhos, à desestruturação das famílias dos filhos. E muitas vezes com reflexos nesses pais, por exemplo por fianças que prestaram aos filhos que não cumpriram créditos. Dar respostas é a missão da Santa Casa, mas de facto tivemos um acréscimo muito grande da procura, que sentimos em todo o lado. Por exemplo, temos uma rede de cuidados de saúde complementar à nossa ação principal. Temos cuidados primários que já não fazem só isso: são quase cuidados secundários. No sistema Nacional de Saúde, vou ao centro de saúde, onde tenho os cuidados primários, e se é preciso sou encaminhado para o hospital. Mas nós temos uma procura que nem isso é capaz de fazer. Não tem dinheiro para isso. Nem sequer tem dinheiro...

Para as taxas moderadoras?

Ou para ir. Os nossos cartões de utilizadores desses cuidados aumentaram exponencialmente. Quando as pessoas são pobres mesmo, não têm dinheiro para ir, ou para ir comprar os medicamentos que são prescritos, mesmo na parte que resta além da comparticipação do Estado. É uma realidade que como cidadãos não gostamos de ver, preferimos não ver, mas de facto há fenómenos de pobreza com os quais é muito difícil lidar.

Não lhe queria pedir para fazer política, mas essas situações que descreve não comprovam que houve alguma falta de cuidado na forma como algumas medidas foram tomadas nos últimos anos, sem acautelar as consequências? Por exemplo nessa questão dos empréstimos bancários?

Estou neste lugar na qualidade de gestor, não sou analista político nem é essa a minha função. A única coisa que digo é que não é a primeira vez que estou na Santa Casa da Misericórdia, estive a primeira vez era provedora a doutora Maria José Nogueira Pinto, de 2002 a 2005. Antes de chegar, não fazia ideia do que era ser pobre em Lisboa. Ser pobre em Lisboa ou no Porto, para falar nas grandes cidades, ou até na malha urbana, não tem nada que ver com o que era ser pobre no meio rural. É não ter batatas para ir buscar. Não era a crise que há hoje e encontrei pobreza que nem sabia que existia. Não fazia ideia de que havia pessoas que viviam em buracos, nem que estes existiam. O que senti desta vez, com esta crise, foi a transversalidade. E em relação à crise de 1983-85, nessa altura, parte da população urbana, que era com certeza já dominante, não tinha o domínio que tem hoje. E agora serve-nos pouco recolher que muito errado esteve quem permitiu o congelamento das rendas durante 40 anos, que obrigou a que os novos que queriam ter casa tivessem de a comprar, porque não havia casa para arrendar, e comprou por preços inacreditáveis. Um povo inteiro sem alternativa a não ser endividar-se para comprar casa.

Falou na capacidade de resposta dos vossos equipamentos. Onde é que estão a investir no reforço dessa capacidade? Há alguma aposta que queira destacar? Fala-se em hospitais, por exemplo...

Há muitos projetos que estão a fazer o seu caminho. Recebemos do Estado os chamados acolhimentos da capital, alargámos a nossa resposta, temos mais cerca de 22 estabelecimentos do que tínhamos antes da crise. A Mitra [albergue ] passou para a Santa Casa da Misericórdia, mas se fosse visitar a Mitra antes de passar para Santa Casa acho que se sentiria indignado... esse é um dos grandes projetos: a requalificação da Mitra, para ter efetivamente uma resposta adequada à dignidade humana. Todo o investimento que temos feito é para garantir que as pessoas são tratadas com a dignidade que merecem. É verdade que a Santa Casa anda à procura de espaços onde possa oferecer as respostas de que as pessoas precisam. Nomeadamente na área dos cuidados continuados, temos uma unidade de cuidados continuados pensada no tempo da doutora Maria José Nogueira Pinto que está sobrelotada. E Lisboa precisa dessa resposta. E nós damos, por exemplo, no apoio domiciliário. Vamos a casa das pessoas. As respostas nem sempre...

Implicam criar um espaço físico?

Nem sempre são o lar. Podem ser o apoio domiciliário com diferentes valências de apoio ao idoso. Lisboa, nesse aspeto, é uma cidade escondida. Os nossos mais velhos estão nos últimos andares dos prédios, porque antigamente eram os de renda baixa. Isto parece um contrassenso, mas onde é que encontra os velhos abandonados, sós, absolutamente sós? Nos últimos andares. Por vezes é de uma grande violência a própria pessoa pensar: "O que é adequado para mim é um lar." É um pouco como pensar: "Então, vou esperar." Muitas vezes, a resposta adequada é o apoio domiciliário. E as pessoas que o dão - digo isto com o à-vontade de quem não trabalha na área mas tem grande respeito por quem o faz - sentem-se privilegiadas. Estão a fazer a diferença.

Em fevereiro deste ano foi anunciada uma auditoria à SCML pela inspeção do Ministério da Segurança Social. Há algum desfecho conhecido?

Não. Ela está a decorrer, a um ritmo normal. Eu sou um grande adepto de auditorias e pratico-as porque nos ajudam a corrigir as coisas que não estão bem: e acho perfeitamente normal e saudável que instituições como a Santa Casa ou outras sejam auditadas. No outro dia foi conhecido o resultado da auditoria do Tribunal e Contas ao Tribunal Constitucional. Na vida das organizações dos países como aquele que queremos ser: um país pleno, de cidadania plena, as instituições podem e devem ser escrutinadas. Quanto aos resultados, os auditores o dirão.

28.1.15

Santa Casa. Quando a dedicação vai além do horário de trabalho

Por Isabel Tavares, in iOnline

Ajudar os mais desfavorecidos está no ADN da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas a responsabilidade corporativa de qualquer instituição é feita por pessoas. Neste caso, os colaboradores encheram-se de ideias e de voluntarismo e colocaram no terreno

É certo que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem como missão ajudar os mais desfavorecidos e a acção social está no ADN da instituição. Mas a responsabilidade social vai muito além da obrigação corporativa e os colaboradores organizaram--se em diversos projectos que se estendem para lá do seu horário de trabalho e não são pagos.

Algumas destas iniciativas em regime de voluntariado correram tão bem que já vão na quarta edição. É o caso do programa Reparar, através do qual já foram recuperadas 77 casas e no qual participaram 840 voluntários, incluindo colaboradores das empresas apadrinhadoras, que são 45. Os custos suportados ascendem a 312 mil euros.

Mas há outros temas que se vão repetindo, como Um Dia Pelo Ambiente. Estas actividades são coordenadas por equipas da Santa Casa, mas em muitos casos contam também com a colaboração de empresas, que custeiam as operações, enquanto os seus trabalhadores dão a mão-de- -obra.

Para centralizar todas as acções, a Santa Casa criou em 2008 o Departamento da Qualidade e Inovação (DQI), um serviço de apoio estratégico que promove projectos num quadro de sustentabilidade e responsabilidade social e em que também são desenvolvidas e apoiadas as actividades de voluntariado.

Nesta altura a Santa Casa tem a decorrer, além dos programas já referidos, outras iniciativas de âmbito social. Este ano, e pela segunda vez, será feita uma contagem de sem-abrigo no concelho de Lisboa. Até então não existiam dados oficiais sobre esta realidade: quantos são, quem são, onde estão. O objectivo é dar um rosto a estas pessoas de quem tanto se fala em abstracto e tornar mais fácil a ajuda e a procura de soluções, tentando uma organização mais eficiente e eficaz. O modelo seguido no fim de 2013 será repetido.

Embora tenha mais de cinco séculos, a Santa Casa publicou o ano passado pela primeira vez um relatório de sustentabilidade. A ideia é pegar nesses resultados e preparar o futuro.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem actualmente cerca de 6 mil trabalhadores e 400 estabelecimentos. Um dos objectivos é conhecer a sua pegada ecológica e perceber onde pode, por exemplo, reduzir consumos, adoptando novos comportamentos que permitam aumentar a eficiência energética. Mas há muito mais, e o desafio é dar lastro a uma responsabilidade social também do ponto de vista corporativo.



Programa Reparar procura empresas para alargar âmbito do apoio técnico

A primeira fase de reparações vai realizar--se entre Março e Junho. As casas já estão a ser identificadas

A ideia surgiu porque os técnicos do serviço de apoio domiciliário, prestado sobretudo a idosos, se confrontavam todos os dias com pessoas a viver isoladas, sozinhas e em casas degradadas pelo tempo.

Depressa perceberam que, para viver com conforto, estes idosos precisavam de muito mais que cuidados pessoais de alimentação, higiene e saúde. Ou, dito de outra forma, de pouco mais. Bastava mudar coisas pequenas como uma lâmpada, limpar um candeeiro ou arranjar uma janela empenada para tornar a vida destas pessoas mais viva. “Não pretendemos substituir-nos ao senhorio (e as obras não podem ser realizadas em habitações de propriedade pública), mas apenas ajudar nas tarefas que as pessoas, pelos seus meios, físicos ou económicos, não conseguem resolver”, explica Sónia Silva, do Departamento de Qualidade e Inovação.

Sem dinheiro, um grupo de voluntários montou o projecto e foi à procura de empresas para custear as intervenções, enquanto os colaboradores ofereciam a mão-de-obra. Uma coisa levou a outra e aos pequenos consertos seguiram-se pinturas, substituição de soalhos, reparações eléctricas. Agora a Santa Casa quer alargar as reparações a outras valências, como a canalização ou o gás, para o que precisa de técnicos especializados. E está à procura de empresas que queiram juntar-se à causa.

Foi assim que começaram os arranjos no campo da electricidade, conta Sónia Silva. “A Fundação EDP, que é nossa parceira noutros projectos, participou com uma bolsa de electricistas voluntários”, por exemplo. E nas intervenções mais profundas há uma empresa de construção civil que se encarrega dos trabalhos preparatórios.

Neste momento, e até sexta-feira, estão a ser identificadas as casas que serão intervencionadas, entre obras mais superficiais e outras mais profundas. A primeira fase terá lugar entre Março e Junho e a segunda um pouco mais tarde, de Setembro a Novembro.



Um Dia Pelo Ambiente promete cuidar das propriedades públicas

No ano passado os voluntários participaram na reflorestação de uma propriedade pública

Neste caso, e ao contrário do projecto Reparar, que tem voluntários, empresas e individuais, externos, Um Dia Pelo Ambiente é uma acção interna, na qual podem participar os colaboradores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

No ano passado o dia foi o 10 de Abril e a missão plantar 2500 árvores na Herdade Vale de Lobos, em Alagoa, Portalegre, uma propriedade legada à Santa Casa pela benemérita Delmira Maçãs. A actividade estava limitada à participação máxima de 50 trabalhadores, por motivos logísticos, já que o transporte foi assegurado pela instituição.

Esta acção é desenvolvida no âmbito da estratégia de sustentabilidade e intervêm, além do Departamento de Qualidade e Inovação, o Departamento de Gestão Imobiliária e Património, que tem como função gerir o património imobiliário da SCML, dispondo de orçamento e conta próprios, que integram o orçamento geral da instituição.

A missão é preservar, reabilitar e rentabilizar o património existente, grande parte doado, gerando receitas que possam reverter para as causas apoiadas e actividades desenvolvidas pela SCML nas áreas da acção social, da saúde, da educação e da cultura.

Os objectivos desta acção são contribuir para minimizar a pegada ecológica da Santa Casa – proteger o solo e recursos hídricos, ajudar no sequestro de carbono, proteger a paisagem e a biodiversidade –, promover a responsabilidade social e ajudar a preservar o património natural da instituição, que é pública.

Esta é já a quarta edição do programa, que os colaboradores consideram inesquecível e que se realiza todos os anos desde 2012 perto da data de início da Primavera, entre 21 e 23 de Março. Em anos anteriores já foram plantados pinheiros--mansos e freixos, numa área total que se aproxima dos 15 hectares.

A actividade deste ano, que deverá coincidir com o Dia Mundial da Árvores, está já a ser preparada.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa encontrou 852 sem-abrigo na capital, numa contagem feita a 12 de Dezembro de 2013, com o apoio de centenas de voluntários que percorreram toda a cidade. Foi o resultado final de um trabalho desenvolvido pela equipa do “Programa Intergerações | InterSituações de Exclusão e Vulnerabilidade Social”, que este ano se vai repetir e que tem como objectivo concertar estratégias, públicas e privadas, de assistência e reintegração dos sem-abrigo.

A Santa Casa quer adequar os horários e serviços dos espaços de acolhimento às necessidades reais da população que vive nas ruas, permitindo-lhe, por exemplo, acesso a cuidados de saúde. Com o diagnóstico feito, torna-se mais fácil e eficaz orientar o esforço de reintegração, explica ao i Rita Chaves, directora do Departamento de Sustentabilidade e Inovação da Santa Casa.

No ano em que a contagem foi feita – contagem cujo modelo será agora repetido –, um terço dos sem-abrigo estavam na rua há menos de um ano e 66,8% ainda mantinham contactos familiares. Ainda um terço tinha o ensino secundário, técnico ou superior (4,6% têm qualificações superiores). Estes dados permitem encontrar soluções.

Concretamente, este trabalho permitiu à Santa Casa criar um núcleo de ligação para acompanhar esta população vulnerável, recorrendo, como mediadores, a pessoas que estiveram, também elas, sem tecto no passado. E pôr em marcha um Centro de Recuperação de Competências Psicossociais, uma espécie de ponto de encontro para promover a reinserção na vida activa e o reatamento de ligações com a família.

Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a Santa Casa planeou ainda um Centro de Alojamento de Transição, assumindo-se com um espaço de transição (até nove meses) para dar as condições necessárias à reorganização da vida enquanto cidadãos.

13.2.14

Santa Casa prepara apoio adaptado a novo perfil dos sem-abrigo

Por Marta F. Reis, in iOnline

Há 509 sem-abrigo a dormir nas ruas de Lisboa. Boa parte mantém contacto com família

Colchões com cobertor, cortinados, pratos de fruta. Estas foram algumas das surpresas da equipa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no projecto que, desde o Abril de 2013, se dedicou a diagnosticar a realidade dos sem-abrigo na capital. O objectivo passou por encontrar as melhores estratégias de apoio. Embora não exista um estudo comparável para dizer se os 852 sem-abrigo sinalizados – dos quais 509 a dormir na rua e os restantes em albergues – são mais ou menos do que no passado, há uma convicção de que o perfil é diferente e exige novas respostas.

Um abrigo de transição com menos regras e que afastam pela burocracia, e um centro de competências psicossociais com formações e apoios na área do emprego e gestão doméstica são alguns projectos em mente, revelou ontem na apresentação dos resultados a administradora para a Acção Social da SCML Rita Valadas.

“Ao contrário do que via no passado, encontrei nas ruas muitos lares, sinal de que as pessoas querem ter o seu espaço próprio”, contou Valadas, adiantando que vão aproveitar o facto de terem sinalizado uma maioria de casos em que o sem-abrigo mantém contacto regular com familiares para perceber se é possível ajudar a família a integrar o elemento, “com apoios à medida das necessidades”.

A forma como zonas de pernoita são cuidadas, indicia pessoas mais estruturadas do ponto de vista emocional, e a ideia de que a maioria não está isolada são apenas alguns indicadores de um novo perfil. Do inquérito a que responderam 454 sem-abrigo resultaram pistas como haver menos casos de dependência de álcool e droga e de problemas mentais, as características que tipicamente construíam o perfil do sem-abrigo, lembrou Valadas. Um espectro alargado de idades e formações académicas, inclusive 5% de licenciados, são novos indicadores.

Foram ainda detectadas diferenças consideráveis nos perfis das mulheres e dos homens sem-abrigo, que merecem mais investigação defendeu o sociólogo da SCML Paulo Ferreira e que podem motivar respostas diferentes. Elas são maioritariamente mais novas, casadas e estão há menos tempo na rua. Eles maioritariamente o oposto.

No curto prazo, explicou Rita Valadas, a expectativa é coordenar soluções na capital a partir de um novo centro para a problemática dos sem-abrigo que abrirá dentro de um mês no Cais do Sodré e que visa reunir as diferentes instituições e voluntários para uma resposta mais articulada.

Isto porque um dos problemas detectados foi a sobreposição ajudas como a distribuição de alimentos. Além de garantir que o interesse na procura de soluções não “esmorece”, como o objectivo final de que “ninguém passe a primeira noite na rua”, as ideias repetidas pelos responsáveis da Santa Casa, pretendem no futuro manter o diagnóstico actualizado.


12.2.14

Um médico, um piloto e um engenheiro entre os 852 sem-abrigo de Lisboa

in Jornal de Notícias

A cidade de Lisboa contava, em dezembro do ano passado, com 852 sem-abrigo, na sua maioria homens, portugueses, solteiros e sem fontes de rendimento. De acordo com o estudo da Casa da Misericórdia, 4,6% são licenciados.

Na contagem, realizada a 12 de dezembro de 2013, foram sinalizados 509 sem-abrigo na rua e 343 que dormiram em Centros de Acolhimento nessa noite.

As freguesias de Santa Maria Maior e do Parque das Nações registaram a maior concentração, com 83 pessoas cada, seguidas de Santo António, com 64.

A operação teve a participação de mais de 800 voluntários que percorreram todas as ruas da capital e foi o culminar do trabalho desenvolvido pelo "Programa Intergerações | InterSituações de Exclusão e Vulnerabilidade Social" que, de abril a dezembro de 2013, contactou com 649 sem-abrigo, dos quais 454 responderam a um inquérito.

Segundo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na origem da situação de exclusão estão, na maior parte dos casos, conflitos familiares e relacionais, o desemprego e a doença física ou mental.

Dos 454 inquéritos feitos, conclui-se que 30,6% dos sem-abrigo está na rua há menos de um ano, 17% entre um a três anos e 15%, entre três a seis anos.

Cinco por cento encontra-se há mais de duas décadas em situação de vulnerabilidade e surgiu um caso de uma pessoa que vive na rua há 40 anos.

A grande maioria dos sem-abrigo inquiridos é homem (87%) e tem entre 35 e 54 anos (48%), seguido pelo escalão 55-64 anos (20%).

A pessoa mais nova contactada tem 16 anos e a mais velha 85.

Os sem-abrigo inquiridos são maioritariamente solteiros (44,5%) e portugueses (58,4%), tendo sido registados 14,3% sem-abrigo pertencentes a outros países da União Europeia, alguns dos quais querem apenas um bilhete que lhes permita regressar a casa.

4,6 % são licenciados

Quanto à educação, um terço concluiu o ensino secundário, técnico ou superior, 4,6% têm qualificações superiores e 7,7% não sabe ler nem escrever.

A grande maioria (71,8%) não tem atualmente qualquer fonte de rendimento e 68,9% recebe apoio na alimentação.

Muitos preferem também dormir na rua por considerarem que os centros de acolhimento noturno não são adequados, quer pelo elevado número de pessoas seguidas, quer pelo "desfasamento de horário com as suas rotinas de higiene - levantam-se entre as e as 7 horas, mas estes espaços só abrem às 9 horas ou mesmo depois", indica a Santa Casa.

Apenas 36,3% dos sem-abrigo recorre àqueles centros de acolhimento.

Dos inquiridos, 54,2% dizem ter filhos, mas 36,2% não mantêm contacto em eles. Contudo, 13,8% afirmam ter contacto diário ou quase diário e 66,8% tem contactos frequentes com outros familiares.

A nível de saúde, apesar de 45,2% ter problemas de saúde, a maior parte não frequenta regularmente o médico ou outras entidades promotoras de saúde.

Só cinco por cento referiram ter apoio em cuidados primários ou na medicação, sendo os problemas de saúde oral, diabetes, doenças cardiovasculares, pulmonares e neurológicas e doenças sexualmente transmissíveis os mais comuns.

Dos inquiridos, apenas 15,4% revelaram sinais de desorganização mental, quase metade (48,5%) afirmaram nunca ter tido consumos aditivos de álcool (contra os 30,4% que ainda têm problemas desta natureza) e 63,9% disseram nunca ter consumido estupefacientes (face aos 8,8% que têm problemas a este nível).

Após a análise destes dados, a Santa Casa da Misericórdia lança o apelo aos organismos públicos e privados para concertarem "estratégias para mudar o paradigma de intervenção junto dos sem-abrigo, evoluindo da assistência para a reintegração social".

A Santa Casa sublinha, ainda, a urgência de se adaptarem as respostas existentes, "permitindo o acesso a cuidados de saúde e adequando os horários e serviços dos espaços de acolhimento às reais necessidades desta população".

A apresentação dos resultados desta contagem vai ser feita, esta quarta-feira, pelas 17 horas, na sede da Santa Casa da Misericórdia, por Rita Valadas, administradora da instituição para a Ação Social, João Marrana, coordenador do programa, e Paulo Ferreira, sociólogo.

21 sem-abrigo com estudos superiores

por Céu Neves, in Diário de Notícias

A 12 de dezembro a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa andou a contar os sem-abrigo da capital. Registou 852, incluíndo os 343 que dormem em centros de acolhimentos. Antes 454 pessoas responderam a um inquérito, concluindo-se que 139 vivem na rua há menos de um ano e 21 têm estudos superiores

O número contabilizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) é inferior ao de estudos anteriores realizados pela Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente o relatório de 2007, "A população de rua da cidade de Lisboa", que contabiliza 1187 sem-abrigo.

O estudo revela, ainda, que são mais os que dormem em locais públicos (59,7%) do que nos centros de acolhimento, quando alguns trabalhos anteriores indicavam o contrário.

E há, também, uma variedade maior de habilitações académicas. Se é bem verdade que 21 disseram tem qualificações superiores, 35 não sabem ler nem escrever. Um terço concluiu o ensino secundário, técnico ou superior.

Uma caracterização feita no âmbito do Programa Intergerações e pela equipa InterSituações, realizado entre abril e dezembro de 2013. O grupo de trabalho é liderada por Rita Valadas, responsável pela ação social da SCML.

Elaborado o diagnóstico, os coordenadores do estudo apelam aos a organismos públicos e privados para "concertar estratégias para mudar o paradigma de intervenção junto dos sem-abrigo, evoluindo da assistência para a reintegração social". Consideram ser urgente "adaptar as respostas existentes, nomeadamente permitindo o acesso a cuidados de saúde e adequando os horários e serviços dos espaços de acolhimento às reais necessidades desta população".

Apenas 5% das pessoas encontradas disseram ter apoio em cuidados primários ou na medicação, embora 45,2% diga ser doentes. Os mais problemas mais comuns são dentários, diabetes, doenças cardiovasculares, pulmonares e neurológicos, e doenças sexualmente transmissíveis.

As razões que levaram às pessoas a viver na rua são na maioria dos casos "conflitos familiares e relacionais, o desemprego e a doença física ou mental".

Vivem na rua maioritariamente homens (87%), portugueses (58,4%) e solteiros, sendo que uma grande parte tem entre 35 e 54 anos. Cerca de um terço (30,6%) estão há menos de um ano na rua e 17% entre um e três anos, mas também encontraram uma pessoa há mais de 40 anos de rua.

A cave da Gare Oriente acolhe um maior número de sem-abrigo, até porque é um local coberto e que não fecha (nem é possível) como outros edifícios públicos que encerram durante a noite. E faz com que as freguesias de Santa Maria Maior e do Parque das Nações tenham um maior número, 84, seguindo-se Santo António, 64.

9.5.13

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa cria Banco de Inovação Social

in RTP

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e uma rede de parceiros lançam hoje o Banco de Inovação Social (BIS), uma plataforma que visa apoiar projetos de negócio apresentados por desempregados, a par de iniciativas de combate ao abandono escolar.

O BIS reúne instituições, entidades e empresas cujo conhecimento, vocação, experiência e recursos se destinam a promover a inovação social através do apoio a projetos e negócios sociais inovadores.

"É uma plataforma que associa 25 parceiros com a finalidade de promover em conjunto a inovação social através do empreendedorismo", explicou à agência Lusa a diretora do Departamento de Empreendedorismo e Economia Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

Maria do Carmo Marques Pinto adiantou que "a inovação social é o motor do desenvolvimento económico e social" e uma "resposta inovadora" aos problemas que persistem na sociedade e que "já não têm uma solução como tinham dantes".

"A crise apenas veio agravar a situação, porque os Estados na Europa não têm tanta disponibilidade e a sociedade tem de organizar-se e nós temos de apoiar as soluções que nascem na sociedade", comentou.

Para apoiar da melhor forma estas iniciativas, a SCML apelou aos parceiros que levassem para o projeto "todos os ativos, todo o conhecimento, toda a experiência, toda a rede de contactos e todas as valências" de que dispõem, no âmbito da promoção da inovação social.

"Isso vai levar a uma nova forma de colaboração entre o Estado, as entidades do terceiro setor, as empresas e até as próprias famílias", disse a responsável, considerando que todos têm de intervir na resolução dos problemas.

O BIS vai lançar um programa de apoio ao empreendedorismo que assenta em dois eixos. Um deles pretende dar resposta a quatro necessidades que precisam de "soluções rápidas": Criação de emprego, promoção do envelhecimento ativo, combate ao desperdício e ao abandono escolar, "um problema que tem vindo a agravar-se".

"Nós aceitamos projetos que tragam uma solução a estes problemas", salientou a responsável.

O outro eixo dirige-se às pessoas desempregadas, que estejam à procura do primeiro emprego ou tenham um trabalho precário, com o objetivo de lançarem um "micro negócio".

"Aceitamos qualquer projeto, de qualquer âmbito, pode ser a criação de uma fábrica de aviões, um estaleiro naval ou abrir um cabeleireiro, o que entenderem. A única condição é que a pessoa esteja numa situação precária para criar o seu próprio emprego", realçou.

Os candidatos podem apresentar os seus projetos de negócio entre 01 de maio e 01 de junho, que depois serão analisados pelo conselho operacional do BIS até 30 de junho, que irá selecionar os 30 melhores.

Os selecionados vão receber um conjunto de recomendações por parte do Banco. Se as aceitaram entram no programa e, durante 20 meses, vão receber apoio técnico, logístico, recursos humanos, apoio financeiro e formação, até que os projetos possam ser desenvolvidos e sustentáveis.

A criação do BIS, que se constitui como "o primeiro fundo de investimento social do país", será formalizada hoje numa cerimónia que conta com a presença do provedor da SCML, Pedro Santana Lopes, e do ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares.