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21.5.20

Fome em Portugal. Programa alimentar vai abranger 120 mil pessoas

Ana Carrilho, in RR

Nos últimos dois meses, as cantinas sociais serviram mais 103 mil refeições, afirma a ministra da Solidariedade.

O programa alimentar, financiado pela União Europeia através do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC) já abrange 90 mil pessoas em Portugal. Em julho, serão 120 mil.


A notícia foi avançada esta quarta-feira na comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social pela ministra Ana Mendes Godinho.

Segundo a governante, antes da pandemia, os beneficiários eram 60 mil e, daqui a dois meses, esse número duplicará.

Entretanto e depois da concertação com outros ministros europeus da área social, foi possível agilizar as regras de acesso ao apoio ao Fundo neste tempo de pandemia.

Ana Mendes Godinho garante que as regras vão ser simplificadas de forma a que a elegibilidade do candidato seja quase automática e aas situações mais facilmente reconhecidas pelas instituições envolvidas.
A ministra adiantou ainda que nestes dois meses as cantinas sociais serviram mais 103 mil refeições.

Crianças em risco podem voltar a ter aulas presenciais, excecionalmente

Questionada sobre o apoio às crianças em risco e que agora, sem ir à escola, estão mais desprotegidas, a ministra Ana Mendes Godinho lembrou a linha telefónica a que qualquer cidadão pode usar para denunciar situações de risco de que tenha conhecimento (SOS Criança 116 111), mas revelou também a união de esforços entre a Segurança Social e a Educação, envolvendo todas as escolas, para a adoção de novas formas de sinalização em contextos diferente de ensino.

Por outro lado, as crianças que sejam sinalizadas em situação de necessidade de proteção podem, excecionalmente, ter aulas presenciais, num esquema semelhante ao usado para os filhos dos trabalhadores de serviços essenciais.

Além disso, a Ana Mendes Godinho referiu o aumento em 20% do orçamento da CPCJ - Comissão de Proteção de Crianças e Jovens para reforço dos recursos humanos.

Foi ainda reforçada a rede de suporte às casas de acolhimento de crianças em risco. A ministra enfatizou que há agora uma equipa permanente da Segurança Social a funcionar com todos os 18 centros regionais, para acompanhar as crianças nas casas de acolhimento. Há pelo menos um contacto semanal.

Ajudar sem-abrigo a conseguir um projeto de vida e de reintegração

Durante a audição na Comissão de Trabalho e Segurança Social, Ana Mendes Godinho referiu ainda que neste período foram criados 21 novos espaços de apoio de retaguarda para as pessoas sem-abrigo, “para que nesta situação não fiquem na rua”.

No entanto, já a pensar na fase seguinte, a ministra considera que esta é também uma oportunidade para desenvolver projetos de vida e de reintegração para estas pessoas.

“É um desafio, há aqui uma nova dimensão de reposta direcionada a estas pessoas”. Um trabalho que está a ser desenvolvido com o coordenador da Estratégia Nacional para as Pessoas Sem-Abrigo.
Tópicos

5.5.20

Em Évora, Fundação Eugénio de Almeida oferece 6000 refeições por mês na sua nova Cozinha Social

in Público on-line

A fundação criou a Cozinha Social na Enoteca Cartuxa para “assegurar necessidades básicas de alimentação” a “pessoas e famílias que se encontrem em situações de vulnerabilidade”. E estará a funcionar “enquanto for necessário”.

Encerrada ao público desde 14 de Março, embora com loja online de vinhos e serviço de take-away e de entregas ao domicílio de refeições, a Enoteca Cartuxa, no antigo Palácio da Inquisição, junto ao templo romano de Évora, acolhe agora uma Cozinha Social para “ajudar os mais vulneráveis”.

A iniciativa arrancou a 27 de Abril, com entrega gratuita de duas refeições diárias, compostas por uma sopa, um prato principal e uma sobremesa, a “pessoas e famílias que se encontrem em situações de vulnerabilidade”, avança a Fundação Eugénio de Almeida em comunicado. Todas as refeições são entregues num “único horário”, entre as 12h e as 14h.

O objectivo passa por “contribuir de forma positiva e assertiva e minimizar os impactos negativos sociais e económicos do difícil contexto vivido actualmente”, procurando “assegurar necessidades básicas de alimentação da comunidade da cidade de Évora”.

De carácter temporário, a Cozinha Social tem capacidade para doar 200 refeições por dia, “o equivalente a 6000 refeições por mês”, e manter-se-á em funcionamento “enquanto for necessário”. Conta com a colaboração de diferentes instituições que “referenciam as pessoas a serem apoiadas e, quando necessário, realizam a entrega das refeições”.

Em comunicado, a Fundação Eugénio de Almeida assegura ainda que “todas as normas de higiene e segurança recomendadas pela Direcção-Geral de Saúde são seguidas com estrito rigor”.

“Em momentos como o que vivemos, é imprescindível estarmos perto das pessoas e, com elas, participarmos activamente na construção de uma comunidade forte, unida e solidária”, afirma Francisco Senra Coelho, presidente do Conselho de Administração da fundação, em comunicado. “Por esse motivo continuamos a dar cumprimento à missão da fundação de fazer mais pelas pessoas, para mais pessoas, criando proximidade à distância. Acreditamos que as refeições que partilhamos solidariamente podem ajudar cada pessoa a encontrar força e confiança no futuro.”

No âmbito do plano de contingência face ao surto de covid-19, a Fundação Eugénio de Almeida decidiu encerrar o funcionamento de todos os espaços de visita e fruição pública a 14 de Março, incluindo a Enoteca Cartuxa, o Centro de Arte e Cultura, o Paço São Miguel, entre outros.

O espaço de restauração – que “evoca o ambiente informal de uma taberna” e alia os vinhos da Adega Cartuxa a uma “cozinha regional interpretada e reinventada de forma actual”, lê-se no site – passou a servir refeições em regime de take-away e de entrega ao domicílio no concelho de Évora. E, no início de Abril, foi lançada uma nova loja online com os vinhos e azeites produzidos, com entregas em todo o país sem custos para compras superiores a 40€.

“Temos que ter amor para dar de comer aos outros”: a lição de Manuel Fialho (1938-2020)
A fundação criou, entretanto, a iniciativa #FundaçãoConsigo, “para estar mais próxima da comunidade que serve nos diferentes âmbitos da sua missão” e que conta com uma programação online, com visitas guiadas pelo património cultural da instituição, apresentação de peças patentes nas exposições do Centro de Arte e Cultura, actividades para os mais novos, entre outros.


Tavira distribui refeições por quem mais precisa e dá alojamento aos sem-abrigo

Por Sul Informação

Medidas de apoio tomadas em tempos de pandemia

A Câmara de Tavira reforçou o apoio social em tempos de pandemia da Covid-19, distribuindo refeições por quem mais precisa e dando alojamento aos sem-abrigo.

A autarquia implementou um serviço de refeições gratuitas, em regime de takeaway, em todas as freguesias. Este auxílio é realizado com a colaboração do Centro Social de Nossa Senhora das Dores (Santa Catarina da Fonte do Bispo), Centro Paroquial de Cachopo, Centro Social de Santo Estêvão, Casa do Povo da Luz e Centro Humanitário da Cruz Vermelha Portuguesa e resulta na distribuição de mais de 80 refeições diárias.

Na cidade de Tavira, são fornecidas, todos os dias, 113 refeições, numa cooperação com o Centro Humanitário da Cruz Vermelha.

A isto junta-se a criação de um voucher de Suplemento Essencial (VSE). 240 famílias beneficiam, agora, da entrega de um conjunto de senhas que lhes possibilita comprarem bens alimentares essenciais.

O apoio à Fundação Irene Rolo também foi reforçado. A autarquia atribuiu um apoio financeiro de €5.720 a esta instituição com o objetivo de manter o fornecimento das refeições diárias, no âmbito do projeto Chefe à Porta.

Além destes apoios já em vigor, a Câmara de Tavira prevê, caso a situação de carência alimentar persista ou evolua, avançar com a disponibilização diária de mais 500 refeições a quente em regime de takeaway,

Para o efeito, relembra, «terá de contar com a ajuda da Santa Casa da Misericórdia de Tavira, do Centro Humanitário de Tavira e da cantina da Escola EB1 da Horta do Carmo».

Quanto às pessoas em situação de sem-abrigo, a edilidade implementou um sistema de alojamento provisório de 20 camas, todas elas ocupadas neste momento, em quartos modulares/contentores, fornecendo alimentação diária e kits de higiene.

Durante este período, a Câmara realojou mais seis pessoas sem-abrigo em residências partilhadas.

Em termos de educação, a autarquia promoveu a abertura de duas cantinas escolares, também em regime de takeaway, para que os alunos possam usufruir de refeições diárias. 60 alunos do pré-escolar e do 1º ciclo do Ensino Básico do concelho procuraram este apoio.

A par desta medida, a Câmara Municipal assegura a abertura das escolas, uma vez por semana, para que as crianças tenham acesso ao serviço de fotocópias e impressões.

Ainda com o intuito de facilitar o estudo em casa, encontra-se em fase de procedimento a aquisição de 239 tablets, 68 computadores e 43 routers.

A ideia é distribuir o material pelos alunos mais carenciados.

29.6.18

"Consultório Solidário" garante tratamentos dentários a seropositivos no Porto

in Jornal de Notícias

A Fundação Portuguesa "A Comunidade contra a Sida" (FPCCSIDA) inaugurou esta quarta-feira, no Porto, o "consultório solidário" para dar resposta gratuita aos "problemas de saúde oral de portadores de VIH/ SIDA e pessoas economicamente carenciadas", anunciou a presidente da fundação.

"Este 'consultório solidário' foi criado depois da reação positiva que tivemos dos nossos utentes em projetos anteriores e da necessidade que tinham de cuidados de saúde oral", explicou à Lusa a presidente da associação, Filomena Frazão de Aguiar.

O consultório, na praça Carlos Alberto, no Porto, que disponibiliza serviços de medicina e próteses dentárias, é "aberto a qualquer pessoa que seja portadora da doença do VIH/ SIDA ou que tenha dificuldades económicas", disse Filomena Frazão de Aguiar.

O objetivo da FPCCSIDA é que qualquer uma destas pessoas usufrua do serviço "de forma gratuita e confidencial", salientou a dirigente.

O processo inicia-se no Centro Hospitalar do Porto (Hospital Santo António), "onde os utentes são sinalizados e reencaminhados" para o 'consultório solidário'.

De seguida, têm de marcar as consultas através de uma linha de atendimento gratuita da fundação, já que "neste momento os médicos e colaboradores estão em regime de voluntariado".

A FPCCSIDA apoia, só na delegação norte, cerca de 400 pessoas "de todas as idades", mas a presidente destaca os jovens e os idosos como "dois dos grupos problemáticos".

Filomena Frazão de Aguiar acrescentou que "a fundação está a programar o funcionamento de outras especialidades na delegação" e que a expansão do projeto para outras regiões do país seria "um sonho perfeitamente concretizável".

A FPCCSIDA é uma instituição particular de solidariedade social que atua, essencialmente, nas áreas de informação, educação para a saúde, prevenção pelo VIH e apoio às vítimas da sida e seus familiares.

13.9.17

Com 67 anos, Maria de Fátima teve a sua primeira consulta no dentista

Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

A Unidade de Saúde Familiar do Monte da Caparica foi a primeira a disponibilizar médicos dentistas na região de Lisboa e Vale do Tejo, no âmbito de um projecto-piloto que se estende também a alguns locais do Alentejo. Mais de 22 mil consultas foram já realizadas.

Para a maior parte dos doentes que a médica dentista Margarida Morais atende na Unidade de Saúde Familiar (USF) do Monte da Caparica, Almada, distrito de Lisboa, essa passagem pelo seu gabinete é a primeira consulta de tratamento dentário das suas vidas. Antes, no máximo, tinham ido a dentistas para extraírem dentes já sem cura, tal era o nível de degradação. Sem dinheiro, não podiam tratar-se mais cedo. Maria de Fátima Sousa é um desses casos frequentes: tem 67 anos e teve a sua primeira consulta na passada sexta-feira.

“Hoje foi a primeira vez que vim ao dentista e já tenho duas consultas marcadas para tratar de outro dente. Estou contentíssima”, diz Maria de Fátima ao PÚBLICO. A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) foi a primeira e entrar no projecto-piloto de saúde oral nos cuidados de saúde primários que arrancou a 13 de Setembro do ano passado. Abrange 11 centros de saúde nos quais trabalham 12 médicos dentistas. Que realizaram, até 31 de Agosto, 19.505 consultas, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde.

O projecto de levar dentistas aos centros de saúde chegou depois ao Alentejo, às unidades de Portel e Montemor-o-Novo, onde dois médicos asseguram os cuidados à população. De Outubro a 31 de Agosto foram realizadas 3178 consultas.

e acordo com informações da ARSLVT, nos primeiros três meses de existência, o projecto na região abrangia "os doentes portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e transplantados”. Apenas esses eram referenciados pelos médicos de família, completa a médica da USF do Monte da Caparica, onde é possível fazer limpeza (destartarização), extracção, restaurações, desvitalizações. “Tudo menos os tratamentos estéticos – como próteses, aparelhos, implantes ou coroas."

A partir de Janeiro deste ano, todos os utentes passaram a ter acesso a consultas de Medicina Dentária. Para quem está isento, a consulta é gratuita. Nos restantes casos, uma taxa moderadora de sete euros é cobrada.

Pouco tempo para tratar de si

Neste gabinete, que serve os concelhos de Almada e Seixal, a médica Margarida Morais e a assistente de medicina oral Vera Caldeira recebem “pessoas muito carenciadas, vulneráveis, que precisam de ser orientadas” e “muitas pessoas depressivas”. A dentista recorda o caso de uma senhora que dizia não ter dinheiro para comprar paracetamol para lhe aliviar as dores. “É uma realidade chocante", refere a médica. Uma realidade "muito diferente" da que encontra na clínica particular em que trabalha aos sábados para não perder a prática dos outros tratamentos não abrangidos por este programa, como as próteses.

Nas consultas aparecem sobretudo idosos. Maria de Fátima Sousa pouco tempo teve para tratar de si. Toda a vida trabalhou nas limpezas, em turnos de madrugada e noite, ou em casas particulares, deixando os quatro filhos sozinhos, porque também o marido “era só trabalhar”.

“Trabalhei numa firma de limpezas em Lisboa, saía às 4 horas da manhã de casa, entrava às 6h na Praça de Espanha, vinha para Almada a meio do dia para trabalhar numa casa particular e regressava a Lisboa para os turnos da noite. E mesmo assim não tinha dinheiro para ir ao dentista. A gente para acudir ao marido e aos filhos vai ficando para trás. Hoje foi a primeira vez que eu fiz uma limpeza aos dentes. Faz parte do tratamento”, diz Maria de Fátima.

Tirou as suas primeiras férias com 55 anos e nesse Verão de 2005 teve finalmente tempo para realizar os primeiros exames médicos da sua vida. Soube que tinha cancro.

Quase sorri, quando diz, como se falasse de coisas simples: “A minha vida é muito complicada.” Perdeu um filho toxicodependente e tem uma filha e o marido com a vida toldada por uma doença oncológica. Não sabe o que o futuro lhe reserva mas não perde a oportunidade que agora tem de tratar os dentes.
Situações urgentes

Também são referenciadas pessoas mais novas, entre os 30 e 40 anos, e essas estão habitualmente no desemprego. Vêm igualmente crianças, embora com menos frequência por beneficiarem do cheque-dentista que lhes permite serem acompanhadas num consultório privado. “Mas hoje em dia, ainda há algumas falhas no sistema, e eu não rejeito as crianças que chegam referenciadas pelos médicos de família”, diz Margarida Morais.

Nos últimos meses, várias situações impressionaram esta médica: como a de um menino de dez anos que chegou com “uma infecção gigante que estava a drenar para fora da cara”, conta. Tinha sido a escola a chamar a atenção da mãe “que era muito descuidada”. A situação era de tal maneira grave, com risco de septicemia, que o menino teve de receber tratamento com urgência para o Hospital de Santa Maria.

Uma outra criança de sete anos tinha um dente definitivo de tal forma degradado que necessitava de substituição por uma prótese. Teve de ser encaminhada. Margarida Morais, que lamenta nestes dois casos, e noutros, “o desleixo dos pais”, refere ainda a situação, que muito a marcou, de uma mulher de 21 anos, diabética, que tinha apenas três dentes, com prótese de cola.

Cheque-dentista alargado a jovens com 15 anos

Aqui foi criada “uma boa oportunidade para uma pessoa que não tenha possibilidades financeiras” ser acompanhada por um dentista, diz Rosa Fátima Ferreira, que tentou agendar uma primeira consulta na sexta-feira. Tem esperança de ser vista nos dias seguintes, e de poder marcar ela própria a consulta. Mas o processo será mais demorado: terá de passar pela médica de família, antes de o seu nome aparecer no sistema a que tem acesso a médica dentista e aguardar pelo menos dois meses na lista de espera que aumentou muito desde que todos os utentes passaram a poder ser abrangidos.

Não vai suportar dois meses de dores, queixa-se Rosa Ferreira à assistente de medicina oral que a informa que aqui, ao contrário do hospital, “não há urgências”. O mesmo acontece nos dez outros centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo onde o programa foi lançado: Mafra-Ericeira e Lourinhã, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Azambuja, Rio Maior, Cartaxo e Salvaterra de Magos, Moita e Fátima. O que há, assegura a médica Margarida Morais, da USF do Monte da Caparica, são tratamentos iniciados e garantidamente terminados.

7.2.17

Refood de Aveiro ajuda 200 pessoas

in RTP

A Refood de Aveiro alimenta em média 200 pessoas por dia. Depois da recolha de pão, bolos e salgados junto das 25 padarias e pastelarias do concelho, é altura agora para fazer chegar os produtos a quem mais precisa.

Comentários de Ana Pinho, representante da instituição; Fernando Santos, vice-coordenador da Refood de Aveiro

26.1.17

Programa de carência alimentar: 35 milhões vão apoiar 60 mil pessoas

in RR

O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, anunciou 35 milhões de euros para o novo modelo do programa de combate à carência alimentar.

O programa, que esteve suspenso durante 2016, deve ser retomado no segundo semestre de 2017, anunciou ainda o governante.

De acordo com o ministro, o programa vai apoiar 60 mil pessoas carenciadas.

“Esse cabaz alimentar está adaptado aos vários escalões etários e tem fixa uma distribuição alimentar correspondente a seis quilos de alimentos por semana e 24 quilos de alimentos por mês, o que corresponde a 50% das necessidades alimentares”, descreve Vieira da Silva.

"A definição do cabaz alimentar foi feita em conjunto com a Direcção-Geral da Saúde para que os beneficiários deste programa pudessem ter um apoio alimentar que correspondesse a 50% das suas necessidades nutricionais ao longo de um ano", adiantou.

4.8.15

Câmara de Alijó faz reparações domésticas grátis a pessoas carenciadas

in Público on-line

Abrange cinco áreas de intervenção: serralharia, carpintaria, electricidade, canalização e serviços de pedreiro

A Câmara de Alijó vai realizar gratuitamente pequenas reparações domésticas a pessoas idosas, portadoras de deficiência ou com doença prolongada, que vivem em pobreza extrema, para lhes proporcionar melhores condições de vida.

Este serviço, apelidado de “Oficina Solidária – O SOL”, cujo regulamento foi publicado nesta segunda-feira em Diário da República, abrange cinco áreas de intervenção: serralharia, carpintaria, electricidade, canalização e serviços de pedreiro.

As intervenções deverão ser feitas, preferencialmente, no interior das casas, mas em situações excepcionais, desde que não sejam necessárias licenças ou autorizações camarárias, podem ser alargadas ao exterior.

“A Oficina Solidária tem por missão atenuar a pobreza e a exclusão social, promovendo-se a inclusão das pessoas economicamente mais desfavorecidas ou em vivência de extrema pobreza”, lê-se no estatuto.

A autarquia de Alijó, no distrito de Vila Real, frisou que os benefícios do projecto são “claramente superiores” aos custos, para o qual disponibiliza um funcionário, sem que daí decorra “qualquer despesa acrescida”.

“Além disso, trata-se da prestação de pequenos serviços de reparação doméstica, cujos recursos associados não são expressivos, sobretudo se comparados com os inegáveis benefícios e vantagens que daí decorrem para a população abrangida por estas medidas”, frisou.

Para usufruir deste projecto, os munícipes deverão fazer o pedido na câmara municipal ou, em caso de urgência, por telefone.

A Câmara de Alijó realçou que a população vive cada vez mais isolada por causa de factores demográficos, económicos e sociais, registando-se elevados índices de envelhecimento, por isso, o projecto é de “extrema importância”.

“É imperioso minimizar os constrangimentos que acompanham o processo de envelhecimento e/ou as limitações das pessoas portadoras de deficiência ou de mobilidade reduzida, associados a situações de fragilidade económica, para que possam viver com conforto e segurança”, referiu.

7.5.15

Santa Casa investe para dar dignidade às pessoas

por Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

Entrevista a Fernando Paes Afonso, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Como é que a Santa Casa reagiu ao aumento das solicitações nestes anos de crise. Em que setores sentiram maior aumento das solicitações?

Esse aumento foi transversal. E isso colocou-nos vários problemas. As respostas tradicionais aos problemas tradicionais não bastavam. Nós encontrámos uma realidade com problemas novos. Pobreza repentina, pobreza muito envergonhada...

Nomeadamente na classe média...

Muito na classe média. Dando um exemplo doloroso, que se relaciona com as notícias de períodos de crise: os velhos que são abandonados nos hospitais. Percebemos que tínhamos de ajudar a encontrar resposta para estas situações. Cresceu muitíssimo o valor que nós gastamos com subsídios às famílias para lares. A nossa capacidade instalada não chega.

Estão a recorrer a lares de outras instituições?

Tivemos de recorrer aos lares privados, aos chamados lares lucrativos. É uma forma de pobreza que cresceu imenso. Depois, surgiram outros problemas complicados. Os problemas dos pais que julgavam que a vida se tinha realizado normalmente, os filhos estavam a trabalhar, e tiveram de assistir ao regresso dos filhos, à desestruturação das famílias dos filhos. E muitas vezes com reflexos nesses pais, por exemplo por fianças que prestaram aos filhos que não cumpriram créditos. Dar respostas é a missão da Santa Casa, mas de facto tivemos um acréscimo muito grande da procura, que sentimos em todo o lado. Por exemplo, temos uma rede de cuidados de saúde complementar à nossa ação principal. Temos cuidados primários que já não fazem só isso: são quase cuidados secundários. No sistema Nacional de Saúde, vou ao centro de saúde, onde tenho os cuidados primários, e se é preciso sou encaminhado para o hospital. Mas nós temos uma procura que nem isso é capaz de fazer. Não tem dinheiro para isso. Nem sequer tem dinheiro...

Para as taxas moderadoras?

Ou para ir. Os nossos cartões de utilizadores desses cuidados aumentaram exponencialmente. Quando as pessoas são pobres mesmo, não têm dinheiro para ir, ou para ir comprar os medicamentos que são prescritos, mesmo na parte que resta além da comparticipação do Estado. É uma realidade que como cidadãos não gostamos de ver, preferimos não ver, mas de facto há fenómenos de pobreza com os quais é muito difícil lidar.

Não lhe queria pedir para fazer política, mas essas situações que descreve não comprovam que houve alguma falta de cuidado na forma como algumas medidas foram tomadas nos últimos anos, sem acautelar as consequências? Por exemplo nessa questão dos empréstimos bancários?

Estou neste lugar na qualidade de gestor, não sou analista político nem é essa a minha função. A única coisa que digo é que não é a primeira vez que estou na Santa Casa da Misericórdia, estive a primeira vez era provedora a doutora Maria José Nogueira Pinto, de 2002 a 2005. Antes de chegar, não fazia ideia do que era ser pobre em Lisboa. Ser pobre em Lisboa ou no Porto, para falar nas grandes cidades, ou até na malha urbana, não tem nada que ver com o que era ser pobre no meio rural. É não ter batatas para ir buscar. Não era a crise que há hoje e encontrei pobreza que nem sabia que existia. Não fazia ideia de que havia pessoas que viviam em buracos, nem que estes existiam. O que senti desta vez, com esta crise, foi a transversalidade. E em relação à crise de 1983-85, nessa altura, parte da população urbana, que era com certeza já dominante, não tinha o domínio que tem hoje. E agora serve-nos pouco recolher que muito errado esteve quem permitiu o congelamento das rendas durante 40 anos, que obrigou a que os novos que queriam ter casa tivessem de a comprar, porque não havia casa para arrendar, e comprou por preços inacreditáveis. Um povo inteiro sem alternativa a não ser endividar-se para comprar casa.

Falou na capacidade de resposta dos vossos equipamentos. Onde é que estão a investir no reforço dessa capacidade? Há alguma aposta que queira destacar? Fala-se em hospitais, por exemplo...

Há muitos projetos que estão a fazer o seu caminho. Recebemos do Estado os chamados acolhimentos da capital, alargámos a nossa resposta, temos mais cerca de 22 estabelecimentos do que tínhamos antes da crise. A Mitra [albergue ] passou para a Santa Casa da Misericórdia, mas se fosse visitar a Mitra antes de passar para Santa Casa acho que se sentiria indignado... esse é um dos grandes projetos: a requalificação da Mitra, para ter efetivamente uma resposta adequada à dignidade humana. Todo o investimento que temos feito é para garantir que as pessoas são tratadas com a dignidade que merecem. É verdade que a Santa Casa anda à procura de espaços onde possa oferecer as respostas de que as pessoas precisam. Nomeadamente na área dos cuidados continuados, temos uma unidade de cuidados continuados pensada no tempo da doutora Maria José Nogueira Pinto que está sobrelotada. E Lisboa precisa dessa resposta. E nós damos, por exemplo, no apoio domiciliário. Vamos a casa das pessoas. As respostas nem sempre...

Implicam criar um espaço físico?

Nem sempre são o lar. Podem ser o apoio domiciliário com diferentes valências de apoio ao idoso. Lisboa, nesse aspeto, é uma cidade escondida. Os nossos mais velhos estão nos últimos andares dos prédios, porque antigamente eram os de renda baixa. Isto parece um contrassenso, mas onde é que encontra os velhos abandonados, sós, absolutamente sós? Nos últimos andares. Por vezes é de uma grande violência a própria pessoa pensar: "O que é adequado para mim é um lar." É um pouco como pensar: "Então, vou esperar." Muitas vezes, a resposta adequada é o apoio domiciliário. E as pessoas que o dão - digo isto com o à-vontade de quem não trabalha na área mas tem grande respeito por quem o faz - sentem-se privilegiadas. Estão a fazer a diferença.

Em fevereiro deste ano foi anunciada uma auditoria à SCML pela inspeção do Ministério da Segurança Social. Há algum desfecho conhecido?

Não. Ela está a decorrer, a um ritmo normal. Eu sou um grande adepto de auditorias e pratico-as porque nos ajudam a corrigir as coisas que não estão bem: e acho perfeitamente normal e saudável que instituições como a Santa Casa ou outras sejam auditadas. No outro dia foi conhecido o resultado da auditoria do Tribunal e Contas ao Tribunal Constitucional. Na vida das organizações dos países como aquele que queremos ser: um país pleno, de cidadania plena, as instituições podem e devem ser escrutinadas. Quanto aos resultados, os auditores o dirão.

2.3.15

Lojas sociais ajudam a minimizar necessidades em Lisboa

in O Observador

Vinte e seis lojas sociais estão envolvidas no esforço de dar resposta às necessidades das famílias mais carenciadas na zona de Lisboa, com a partilha e troca produtos a registar tendência para aumentar.

Vinte e seis lojas sociais estão envolvidas no esforço de dar resposta às necessidades das famílias mais carenciadas na zona de Lisboa, com a partilha e troca produtos, essencialmente vestuário e calçado, a registar tendência para aumentar.

A procura das lojas sociais “é um fenómeno que surge, talvez, associado à crise ou toma visibilidade associada à crise”, disse à agência Lusa o vereador dos Direitos Sociais na Câmara de Lisboa, João Afonso.

“As pessoas começam a ter consciência de que aquilo de que já não precisam pode ter utilidade para outras pessoas, mas também há muitas pessoas que começam a pensar que talvez não valha a pena comprar, talvez seja melhor trocar e ir buscar bens que ainda estão em bom estado”, admitiu o autarca.

A funcionar há quatro anos, a Loja Comunitária do Bairro da Boavista, na freguesia de Benfica, “já ajudou mais de 200 famílias” e a tendência é a de que o número cresça, disse a responsável pelo espaço e presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro da Boavista, Gilda Caldeira.

O apoio que esta loja social presta às pessoas mais carenciadas, através da partilha de peças de roupa e calçado, “é uma gota de água num oceano” de necessidades, pois continua a não ser suficiente para responder à procura, considerou a responsável.

“Esta loja precisava de ter mais espaço e muito mais coisas para satisfazer as necessidades reais das pessoas, que vivem, de facto, para lá da pobreza”, disse Gilda Caldeira, frisando que, além da roupa, a alimentação é “um bem precioso” necessário “para não haver meninos que vão para a escola em jejum”, como se verifica naquele bairro.

Margarida Proença, moradora no Bairro da Boavista, “quase todos os dias” vai à loja social à procura de roupa e calçado para toda a família.

Entre “agasalhos, comida, produtos alimentares, tudo faz falta”, disse a utente da Loja Comunitária, considerando que o que recebe “é uma ajuda preciosa”.

Na freguesia de Belém, desde 2008 que a loja social “Não Custa Nada” faz “a ligação entre as pessoas que querem dar um bem e quem precisa de receber”, essencialmente na área do vestuário, mas também quando surgem pessoas que querem doar eletrodomésticos ou móveis de que já não precisam, explicou o responsável pelo pelouro de Ação Social da Junta de Freguesia de Belém, João Carvalhosa.

“A maior parte são bens usados, mas são bens em bom estado”, disse João Carvalhosa.

Com mais de 400 pessoas inscritas, a entrada na loja “Não Custa Nada” requer a contribuição simbólica de cinquenta cêntimos, mas quando são pessoas muito carenciadas “nem pagam, têm é um limite de peças que podem levar”, sublinhou.

Segundo João Carvalhosa, existe “muita pobreza escondida, que é a chamada pobreza envergonhada”.

“Tivemos a consciência e a noção de que a crise afetou não só os mais carenciados, mas também algumas pessoas de classe média”, afirmou o responsável pela Ação Social na freguesia de Belém.

Luísa Rosa, Teresa Mina e Leonor Ferreira são voluntárias a tempo inteiro nesta loja social em Belém, aproveitando a disponibilidade que a reforma lhes proporciona para ajudarem os que mais precisam.

“O principal é fazer a triagem e entregar roupa a quem precisa, depois há outro trabalho que é muito giro, que é falar com as pessoas e poder encaminhá-las”, contou Luísa Rosa.

O vereador João Afonso lembrou que “Lisboa vai ser capital europeia do voluntariado e isso também é um reconhecimento do que foi o trabalho [da Câmara de Lisboa] nos últimos anos e dos lisboetas em termos de voluntariado”.

“Esta prática das lojas sociais também tem a ver com essa disponibilidade e essa vontade de partilhar”, frisou.

Através da plataforma online de lojas sociais da Câmara de Lisboa, as pessoas interessadas na partilha de produtos e serviços têm a informação sobre onde podem doar ou receber.

11.2.15

Câmara de Braga paga 6000 consultas de dentista por ano a famílias carenciadas

Samuel Silva, in Público on-line

Parceria com ONG “Mundo a sorrir” vai criar clínica dentária nas instalações do antigo hospital de S. Marcos, que entra em funcionamento em Março

Crianças, idosos e população carenciada de Braga vão passar a ter acesso a consultas de saúde oral gratuitas a partir do próximo mês. A autarquia local estabeleceu um acordo com a ONG “Mundo a Sorrir” que, a troco de 200 mil euros, permitirá levar acções de sensibilização a escolas, consultas a lares de 3ª idade e criar uma clínica com capacidade para 6000 consultas anuais. As câmaras do Porto e de Santo Tirso podem seguir o exemplo nos próximos meses.

O acordo entre a câmara de Braga e a Associação de Médicos Dentistas Solidários Portugueses “Mundo a Sorrir”, a ONG que será parceira desta iniciativa, foi ratificado na reunião do executivo municipal desta segunda-feira. Na mesma ocasião foi aprovado – com os votos contra dos partidos da oposição, PS e PCP – um subsídio de 200 mil euros que serão entregues àquela instituição para suportar os cursos dos três programas integrados nesta iniciativa.

A principal valência do “Braga a sorrir” – assim se chama esta parceria – será a criação de um Centro de Apoio à Saúde Oral, uma clínica dentária que vai funcionar nas instalações do antigo hospital de S. Marcos, no centro da cidade. A câmara estima que este equipamento esteja em funcionamento no próximo mês de Março. Este será um serviço permanente e é neste espaço que vão acontecer as 6000 consultas dentárias anuais acordadas entre a autarquia e a ONG.

A clínica dentária do programa “Braga a sorrir” vai fazer todo o tipo de tratamentos dentários, desde a profilaxia, à cirurgia e reabilitação oral, mas o acesso ao serviço não será generalizado a toda a população. “A esmagadora maioria dos utentes são pessoas que não acede a estes cuidados de saúde na medida em que não tem condições económicas para o fazer”, explica o presidente da Câmara, Ricardo Rio. O alvo desta parceria é a população carenciada do concelho, com especial atenção a grávidas, crianças, adolescentes e idosos, bem como a populações inseridas em projectos sociais como toxicodependentes.

Os potenciais beneficiários deste programa serão sinalizados pelo gabinete de acção social da Câmara de Braga, em articulação com as IPSS do concelho e as juntas de freguesia. Estas pessoas podem depois ter acesso gratuito às consultas dentárias.

Além dos 6000 atendimentos previstos na clínica, o projecto “Braga a sorrir” prevê ainda a realização de consultas nas instalações de Lares de 3º Idade e Centros de Dia do concelho, que deverão abranger 500 idosos em cada ano. As crianças também serão alvo de uma campanha de sensibilização, com a realização de seminários e acções de promoção da saúde oral junto dos alunos das escolas do 1º ciclo de Braga. A organização estima que estas iniciativas possam abranger cerca de 5 mil estudantes bracarenses.

O dirigente da Mundo a Sorri4, Miguel Pavão, defende a importância da iniciativa pelo facto de a saúde oral ser uma área em que “os serviços de saúde públicos não dão a resposta adequada”. Além disso, o mesmo responsável valoriza o carácter “inovador” desta iniciativa, especialmente por permitir o “casamento” entre um município e uma organização da sociedade civil. A Câmara de Braga é pioneira na implementação deste projecto, mas há outros municípios da região, como o Porto e Santo Tirso, que estão em negociações com esta ONG para criar programas semelhantes nos seus concelhos ainda durante este ano.

9.10.14

“Café Suspenso” destinado a carenciados chega à Mouraria, em Lisboa

in Público on-line

A Associação Renovar a Mouraria vai contar com uma rede de parceiros, que trabalham no terreno.

O projecto denominado "Café Suspenso", em que alguém pode deixar pago um café, um galão, uma sopa ou uma sandes a pessoas carenciadas chega no sábado à cafetaria da Associação Renovar a Mouraria, em Lisboa.

Inês Andrade, responsável pela associação, disse nesta quarta-feira à Lusa que o projecto será posto em prática na cafetaria, prevendo-se que "seja expandido à Rota das Tasquinhas e Restaurantes da Mouraria".

A ideia é "quando alguém vem beber o seu café poder deixar pago outro café ou outra coisa qualquer. Essas contribuições saem registadas num quadro e as pessoas que mais necessitam podem consumir estes alimentos gratuitamente", explicou.

De forma a sinalizar as pessoas que mais precisam, a Associação Renovar a Mouraria vai contar com "uma rede de parceiros, que trabalham no terreno, na área dos sem-abrigo, toxicodependentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social, pobreza ou solidão", acrescentou Inês Andrade.

"Para além da necessidade básica de subsistência, o projecto pretende ser um pretexto para que as pessoas criem hábitos de frequentar os espaços das associações, criem laços e se envolvam nas actividades de enriquecimento pessoal", afirmou.

Para Inês Andrade, "existe muita pobreza envergonhada, muitas pessoas que não conseguem assumir que estão a passar dificuldades e o objectivo é também chegar a essas pessoas".

Na Mouraria, em Lisboa, "um território de cerca de seis mil moradores, cerca de mil é população com necessidades", enumerou a responsável.

O conceito do "café suspenso" surgiu no sul de Itália, na cidade de Nápoles, e tem vindo, desde Maio deste ano, a ser implementado em Portugal por Mário Barros e dois amigos, que desafiaram a Associação Renovar a Mouraria a aderir.

15.2.13

Freguesia dos Anjos, em Lisboa, lança cartão para apoiar pessoas carenciadas

in Público on-line

Autarquia vai investir 5000 euros numa primeira fase mas admite rever este valor em alta, dada a quantidade de pedidos de ajuda.

A Junta de Freguesia dos Anjos, em Lisboa, vai lançar na segunda-feira o cartão solidário “Anjo Mais” que permite às pessoas mais carenciadas ter descontos ou acesso gratuito a vários serviços na freguesia, como refeições e apoio jurídico.

Numa fase inicial, deverão ser abrangidos cerca de 60 agregados familiares residentes na freguesia, num total de cerca de 100 pessoas, disse à Lusa o presidente da junta, João Mourato Grave (PSD). A autarquia vai investir nesta medida 5000 euros, um valor que deverá ser “revisto em alta” no fim do primeiro trimestre.

"Já tínhamos um pacote de serviços prestados às pessoas com maior carência (...) mas de uma forma isolada. Com este cartão, pretendemos integrar todos estes apoios para que a coisa seja o menos burocrática possível”, explicou João Mourato Grave.

Por outro lado, acrescentou o autarca, “ao reconhecer o cartão, o parceiro não precisa de levantar mais questões [porque] sabe que há uma análise de processo feita pelos serviços da autarquia”, pelo que “é muito menos estigmatizante”.

O cartão “Anjo Mais” inclui serviços, a baixo custo ou mesmo a custo zero, em várias áreas, incluindo a comparticipação de medicamentos, consultas gratuitas de aconselhamento jurídico, isenção no pagamento das propinas da Universidade Sénior dos Anjos e também a distribuição diária de refeições.

Para a primeira fase, a autarquia dispõe de 5000 euros para “dar uma resposta imediata”, mas “o investimento total vai depender” das necessidades que forem sendo detectadas, admitindo o presidente da junta que o montante “tenha de ser revisto em alta no médio/curto prazo, porque o número de solicitações tem vindo a aumentar”.

“Nesta altura de mais escassez de meios há de facto pessoas muito mais vulneráveis e, sendo o poder local aquele que terá mais obrigação de dar respostas, temos capacidade para rever essa disponibilidade financeira na medida do que venha a ser necessário, com as limitações que uma junta de freguesia tem”, esclareceu Mourato Grave.

A Junta de Freguesia dos Anjos pretende que estas sinergias tenham sustentabilidade “para se manterem ao longo do período que venha a ser necessário” e quer ainda alargar o leque de parceiros, nomeadamente no que diz respeito à iniciativa Desperdício Zero.

Este programa resulta de uma parceria com o Banco de Portugal, que vai ceder diariamente um conjunto de refeições já confeccionadas que sejam excedentárias.

6.8.12

400 pobres ajudados em Setúbal

Por:J.S. com Lusa, in Correio da Manhã

Mais de 400 carenciados do concelho de Setúbal estão a receber apoio do CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo, afirmou o vice-presidente Rogério Figueira.

"Estamos a ajudar cerca de 250 pessoas em Azeitão e 150 em Setúbal" disse o responsável do CASA, convicto de que as novas instalações em Setúbal, bem como o espaço que já tinham em Azeitão e que foi requalificado, vão permitir ajudar mais gente. "Estas pessoas que estamos a ajudar não estão a viver na rua, mas têm grandes probabilidades de se tornarem pessoas sem-abrigo, ou porque têm dificuldades em pagar a renda de casa, ou porque estão desempregadas", disse.

Segundo Rogério Figueira, o principal objectivoda instituição passa porrecuperar alimentação que sobra dos restaurantes, mas, acrescenta, começam a ser visíveis outras necessidades.