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10.8.23

Programa de férias incluIR marcado por diversas actividades desportivas

in Correio do Minho


Programa de Férias Inclusivas do Município de Braga conta com 204 crianças e jovens, que experienciaram, no último mês de Julho, diversas actividades desportivas. Mês intenso com idas à piscina, basquetebol, boccia, jogos de perícia e muito mais.


Foi um mês de Julho repleto de actividades desportivas. O programa de Férias Inclusivas do Município de Braga - incluIR - que arrancou a 19 de Junho e conta com a participação de 204 crianças e jovens - teve um mês intenso com diversas actividades, nomeadamente, idas à piscina, jogos de água, jogos tradicionais e de perícia, basquete- bol, boccia e polybat, entre muitas outras.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Sameiro Araújo, que tutela o pelouro do Desporto e da Juventude, sublinha “o sucesso do programa incluIR” e o seu impacto “profundamente positivo” na comu- nidade.


“Estamos, extremamente, satisfeitos com o impacto e os resultados do incluIR, de uma forma muito especial, na sua dimensão de integração e combate à exclusão social. Ver tantas crianças e jovens a participarem e a interagirem, de modo abrangente e inclusivo, com todas estas iniciativas e actividades, designadamente as desportivas, é o testemunho essencial da valia deste programa, bem como da certeza que o desporto é um grande aliado no crescimento das crianças e jovens”, salienta Sameiro Araújo, em jeito de balanço da iniciativa.
A vice-presidente da autarquia deixa ainda uma palavra de estima e reconhecimento a todas as pessoas que têm contribuído para o desenvolvimento e sucesso deste programa.

Recorde-se que o incluIR é um programa de férias com o objectivo de proporcionar actividades de natureza lúdico-pedagógica, “constituindo-se como uma resposta educativa e social que satisfaça as necessidades das crianças e jovens nesta pausa lectiva” de Verão. O programa tem como destinatários crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 15 anos, sendo que, no caso das crianças e jovens com necessidades específicas, o limite é até aos 18 anos. O programa teve início a 19 de Junho e prolonga-se até 8 de Setembro, abrangendo actividades em diversos domínios, como artes plásticas, teatro, música, expressão dramática e corporal, desporto, culinária, iniciativas na área do ambiente e visitas a espaços culturais.

12.7.23

Braga abre candidaturas à edição 2023/2024 da Academia Sénior

in Braga TV

Os bracarenses com idade igual ou superior a 55 anos e que se encontrem na condição de reformados ou pré-reformados podem candidatar-se, a partir de hoje, à Academia Sénior – Edição 2023/2024. Este projeto socioeducativo, formativo e cultural, promovido pela Câmara Municipal de Braga, nasceu em 2022 com os propósitos de elevar a qualidade de vida da população sénior do concelho, impulsionar o envelhecimento ativo e saudável e a aquisição/atualização de conhecimentos num âmbito de aprendizagem ao longo da vida.


Tem ainda como objetivos estimular espaços e momentos de convívio e partilha entre os seniores, potenciando as ligações interpessoais e as condições de bem-estar, combatendo os fenómenos da solidão, isolamento e exclusão social.


A Academia Sénior de Braga terá lugar entre os meses de setembro de 2023 e junho de 2024, decorrendo a respetiva atividade na Rua Dom Frei Caetano Brandão, n.º 161 (antigas instalações do Banco Local de Voluntariado).

Na Academia Sénior começaram por ser ministradas várias disciplinas, como História e Cultura de Braga, Literatura, Inglês, Informática, Cidadania, Inteligência Emocional, Actividade Física, Artes, Música, Dança, Viver o Campo e Memórias e Biografias. Esta nova Edição contará com as novas disciplinas de Teatro, Artesanato, Viola Braguesa e Literacia.

Este projeto, que no ano transato contou com mais de duas centenas de alunos, espera agora aumentar o número de participantes. Os interessados podem apresentar as suas candidaturas no Balcão Único do Município, no Edifício do Pópulo, e no Balcão Único Online.

O período de candidaturas inicia hoje e desenrola-se até ao próximo 21 de julho (estando as candidaturas sujeitas às vagas disponíveis).

29.5.23

Braga empenhada na inclusão de migrantes africanos

Jorge Oliveira,  in Diário do Minho


Município recebe parceiros do projeto Rhizome Cities - Citizens Tows


O Município de Braga vai convidar cidades de países da África subsariana com ligações históricas a Portugal a integrar o projeto Rhizome Cities - Citizens Tows, que está a ser desenvolvido em rede por dez cidades europeias.

Este projeto tem como objetivo «alavancar as ligações entre as comunidades migrantes e os países de origem» e «desenvolver a capacidade dos migrantes nas cidades europeias para atuarem como embaixadores do desenvolvimento de laços culturais e económicos entre as cidades europeias onde vivem e o continente africano».

No caso de Braga, cidade que acolhe cada vez mais imigrantes, não só de África, mas também de outros continentes, o que se pretende é «minimizar o sentimento da colonização», ou seja, aquela que foi a intervenção portuguesa enquanto país colonizador, explicou a vereadora da Educação; Inovação e Coesão Social da Câmara de Braga, Carla Sepúlveda.

A vereadora, que falava hoje à margem de uma sessão de trabalho do projeto Rhizome Cities, integrada na 3ª edição do Laboratório de Inovação Social da Eurocities, que decorre até ao dia 1 de junho no Human Power Hub (HPH), em Braga, referiu que a Câmara de  Braga está empenhada neste processo de inclusão e vai contribuir para que se assumam compromissos e tomem medidas no sentido da «verdadeira integração» das comunidades migrantes.

Guiné-Bissau, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique são os países que deverão ser contatados para integrar o Rhizome Cities. 

«Já estamos a trabalhar e Braga irá fazer a identificação de cidades nestes países africanos e fará o convite ao governo local para integrarem esta rede, para que os imigrantes se sintam verdadeiramente integrados e sejamos todos uma comunidade», disse Carla Sepúlveda, mostrando-se confiante na recetividade ao convite que será endereçado pela autarquia.

O projeto Rhizome Cities - Citizens Tows é liderado pela cidade italiana de Palermo através da ONG Studio Rizoma e, até à data, tem a participação dos municípios europeus de Atenas (Grécia), Bérgamo e Reggio Calabria (Itália), Braga (Portugal), Dusseldorf e Mannheim (Alemanha), Marselha e Montpellier (França) e Tirana (Albânia).

João Medeiros, um dos coordenadores do projeto no Município de Braga, indicou que estas dez cidades europeias pretendem elaborar uma carta de compromisso para ser entregue à União Europeia, podendo surgir daqui um plano estratégico que proporcione o encontro entre os municípios e a sociedade civil da Europa e de África.

A ideia é, com o conhecimento do passado colonial, aproveitar para «potenciar e capacitar» comunidades africanas radicadas na Europa para que depois no regresso aos seus países de origem ou por intercâmbio se possa trabalhar em conjunto numa perspetiva de inclusão, explicou.


O plano visa não só migrantes, mas também refugiados e jovens que estão a estudar nestas cidades europeias.

A sessão de trabalho foi antecedida de uma vista ao laboratório/exposição de legos patente numa das salas do Human Power Lab, que retrata a vida e a multiculturalidade nas cidades. São mais de 80 conjuntos de legos de variados tipos, cedidos por Carlos Santos, gestor de resiliência do HPB, representando cidades, aeroportos, núcleos habitacionais, áreas fabris, zonas high-tech, etc. 


A 3ª edição Eurocities Social Inovattion Lab (Laboratório de Inovação Social da Eurocities), que decorre até ao dia 1 de junho, é dedicada  à transição digital inclusiva. 

A Eurocities  é maior Rede Europeia de Cidades 

3.5.23

Banco Português de Fomento tem 120 milhões de euros para emprestar a entidades da economia social

Rita Robalo Rosa, in Expresso


O Banco Português de Fomento tem uma nova linha de financiamento, com 120 milhões de euros, para IPSS ou entidades equiparadas. Cada entidade pode candidatar-se a um máximo de 1,5 milhões de euros


Há uma nova linha de financiamento, gerida pelo Banco Português de Fomento, para as entidades do setor social, que conta com 120 milhões de euros, segundo comunicado divulgado esta quarta-feira.

A linha - que foi apresentada em Braga numa sessão que contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho - “visa apoiar as Entidades da Economia Social, atendendo ao contexto socioeconómico extraordinário resultante do aumento dos custos de energia”.

Mais concretamente, esta linha de crédito destina-se às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) “ou entidades equiparadas, sem fins lucrativos com certificação PME, quando aplicável, localizadas em território nacional, com atividade principal enquadrável” e que cumpram certos requisitos.

Estas entidades têm de apresentar uma “situação líquida positiva no último balanço aprovado, ou uma situação regularizada em balanço intercalar até à data da respetiva candidatura” e ser “outorgantes de convenção coletiva de trabalho – recentemente celebrada e/ou revista, há menos de três anos, ou que se encontre em fase de negociação”.

O apoio destina-se ao "financiamento de necessidades de financiamento e de investimento, seja no âmbito da transição ambiental, ou no âmbito da concretização de novos projetos ou de requalificação de equipamentos sociais".

O apoio máximo por entidade será de 1,5 milhões de euros, através de empréstimos de curto, médio ou longo prazo.

As entidades que se pretendem candidatar devem “contactar os bancos aderentes ou as sociedades de garantia mútua”, mas têm mais informações na página online do BPF.

24.4.23

Esta freguesia de Braga quer fazer despertar a cultura pondo crianças a fazer teatro

Pedro Manuel Magalhães e Nelson Garrido, in Público




A União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães decidiu criar oficinas de teatro, destinadas a crianças, para “fazer cultura”. O objectivo é constituir um grupo de teatro infanto-juvenil.



A ireverência característica dos imberbes espraia-se pelo auditório da sede da freguesia de Nogueira, em Braga. É terça-feira, são 10 da manhã, e Beatriz, a adulta da sala, rodeada por 18 crianças, vai tentando explicar, ainda nas escadas antes de subir ao palco, o que se seguirá. O rebuliço rapidamente dá lugar à quietude, uma vez que o desafio de hoje requer concentração. Serão realizados exercícios para estimular a memória, essencial para quem faz teatro.

As 18 crianças estão numa de duas oficinas de teatro desenvolvidas pela união de freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães, território que pretende alimentar a população com criação artística da casa com os da casa. A começar pelo teatro e pelas crianças.

A freguesia com perto de 15 mil habitantes mudou de rumo nas eleições autárquicas de Setembro de 2021 com a eleição de José Pinto de Matos (PS). A intenção passou, desde logo, por “reanimar a freguesia no que respeita à dinâmica cultural”, explica Susana Leite, secretária da junta e mentora do projecto das oficinas. O trabalho começou através da implementação de um programa cultural de “diferentes domínios artísticos, como as artes visuais e a música”, mas cedo se entendeu que não se podia focar “apenas no aspecto fruitivo, de levar espectáculos às pessoas”. Era urgente “fazer cultura”.

E para o contributo de uma “democracia cultural”, a freguesia decidiu começar pelos mais novos. “No momento em que tomamos a consciência de que somos agentes culturais, de colocarmos os próprios fregueses a criar, achamos que o melhor ponto de partida seriam as crianças”, enfatiza.

O contacto dos mais novos da freguesia com a cultura já se dá desde o pré-escolar. No período fora do horário escolar, a junta recebe, através da competência delegada de apoio à família, alunos do pré-escolar do 1º ciclo das escolas e dá-lhes uma “educação integral”, que “não fecha as crianças numa sala de aula”, sinaliza José Pinto de Matos. “Desenvolvemos actividades, particularmente nas férias – porque no período escolar há uma mudança constante de crianças -, ao nível da pintura, do teatro, de contactos com escritores e visitas ao património”, assinala José Pinto de Matos. As acções, garante o autarca, “sextuplicaram o número de crianças”, em relação ao passado, que ficam à guarida da freguesia no período não lectivo.

A procura exortou a freguesia a alargar o espectro e a incluir idades mais avançadas. “Queríamos avançar para algo mais profundo, daí surgiu a ideia de avançarmos para um projecto de teatro para as faixas etárias dos 2º e 3º ciclos, apesar de a junta não ter, para essas idades competência delegada”.

As ferramentas que o teatro dá

Em Fevereiro passado, a freguesia decidiu dar início à criação de oficinas de teatro. E porquê o teatro? “O teatro surge porque temos a consciência de que a formação deve ser integral: o jovem não deve ser só conhecimento, deve ter outro tipo de competências. O teatro é uma modalidade em que todos os códigos sociais e culturais se juntam”, explica o autarca. Mas logo se constituíram dois problemas: onde recrutar interessados, encontrar financiamento e formadores. As respostas foram encontradas no território. A freguesia estabeleceu parceria para a formação com a academia de teatro Tin.bra, da qual Beatriz Neri, a formadora, faz parte, e com os agrupamentos de escolas da freguesia, Alberto Sampaio e D. Maria II – que integram o Plano Nacional das Artes -, e deslindou o financiamento com a empresa dst group, conhecido mecenas cultural da cidade.

As candidaturas abriram e em pouco mais de um mês inscreveram-se 54 crianças, dos 11 aos 15 anos. Estão divididas por duas oficinas: a de Lamaçães, com 35, e a de Nogueira, com 19. Começaram em meados de Março e decorrem às terças-feiras. Terão a duração de um ano, abrangendo dois anos lectivos, o actual e o seguinte.

A inscrição foi gratuita, para “não deixar ninguém de fora”. A união de freguesias, analisa José Pinto de Matos, está dividida por “zonas com gente de classe média-alta, e por zonas mais rurais, com classes mais baixas”. Mas, além da classe, as oficinas querem incluir através do fomento da sociabilização.

“O principal é conviver com os colegas”

No auditório da junta, em palco, as crianças vão realizando o exercício da fotografia. O formando é desafiado a olhar para a posição dos colegas, a fechar os olhos, e depois a identificar quem é que abandona o palco. “Alguém desaparece e eles têm de se lembrar. É bem mais difícil do que parece. Puxa à concentração e à memória”, explica Beatriz.

A formadora, de 22 anos, trabalha com crianças dos 6 aos 10 anos desde o ano passado, mas só agora contacta com crianças de idades mais avançadas. “Dá para fazer mais coisas, os horizontes são maiores”, admite, além de estarem naquele “limbo entre o quererem ser mais do que crianças, mas ainda o são”. A concentração, essa, é que “por vezes” é mais difícil de limar.

Mas o mais importante, nota, é o “papel de sociabilização” que as aulas acarretam. “A minha prioridade, mais do que as ferramentas teatrais, é dar-lhes mais auto-estima, estarem mais à-vontade com eles mesmos”, sublinha. E a incluírem.

“Temos um menino indiano, que está em Braga há dois meses, que não fala bem português e os outros são muito pacientes com ele. Já conhece alguns colegas, e formou amizades através dos gestos. É algo que incentivo muito: deixarem a palavra para trás e expressarem-se pelo corpo”.

No final da aula, Maria, de 11 anos, da escola EB2/3 de Nogueira, desvenda-nos que o seu sonho “é ser actriz”. O de Rodrigo, de 12 anos, também. Surpreende a desenvoltura dos alunos, que vislumbram nas oficinas a possibilidade de aprender para um dia “ter uma carreira”. Mas ambos enaltecem o contacto com o outro. “O principal é conviver com os colegas”, diz Maria. “Vim para me socializar melhor e porque gosto de conhecer novas pessoas”, corrobora Rodrigo.

São exemplos de como o teatro está cheio de virtudes, enumera o director do agrupamento de escolas Alberto Sampaio, João Andrade, de onde saem muitos dos alunos para as oficinas. “Algumas são crianças introvertidas, que se marginalizam noutros contextos, e aqui têm um espaço onde, através de uma estrutura orientada, conseguem exprimir-se, aprender regras de relacionamento”.

Quem sabe se Maria e Rodrigo não farão parte do objectivo da junta, revelado por Susana. "Estas oficinas querem colocar as crianças, durante um ano, em contacto com a expressão dramática, no sentido de aqui constituirmos um grupo infanto-juvenil de teatro da freguesia”, sublinha.

19.4.23

Braga abre concurso para 50 casas de arrendamento acessível

Pedro Manuel Magalhães, in Público online

Programa de arrendamento para a classe média prevê limites entre os 250 euros para T0 e 675 euros para T5. Se a renda for superior a 35% da taxa de esforço dos inquilinos, o município apoiará.

O município de Braga tem aberto, a partir desta segunda-feira, um concurso para o arrendamento de 50 casas a preços acessíveis, destinado à classe média. Sustentado no programa de arrendamento acessível criado pelo Governo em 2019, o município de Braga compromete-se a estabelecer contratos com senhorios, isentando-os do pagamento de IRS, IRC (no caso de empresas), e IMI, mas estipulando tectos máximos nas rendas.

“É um programa para as pessoas que não são destinatárias dos apoios típicos à habitação, porque a classe média sofre hoje problemas na habitação que não sofria há anos”, detalhou o vereador com o pelouro da habitação na Câmara de Braga, João Rodrigues, na apresentação do programa municipal de arrendamento acessível.

O programa já abriu e os interessados – proprietários e inquilinos – podem candidatar-se através do site da BragaHabit, empresa municipal responsável pela gestão do programa. Estabelece, nos contratos com os proprietários, um tecto máximo de 250 euros nas rendas de um T0, 350 euros de um T1, 450 euros de um T2, 525 euros de um T3, 600 euros de um T4, 675 euros de um T5, e, a partir do T5, de 675 euros mais 50 euros por cada quarto. O valor poderá subir consoante a área do imóvel.

Os agregados familiares de uma pessoa, cujo rendimento anual não ultrapasse os 35.000 euros brutos, podem candidatar-se às tipologias de T0 e T1; de duas pessoas, cujo rendimento máximo anual seja de 45.000 euros brutos, são elegíveis às tipologias de T0 a T2; e os agregados com mais de duas pessoas, cujo rendimento máximo seja de 45 mil euros por ano e mais 5000 por cada dependente adicional que conste na declaração de IRS do ano fiscal anterior, são seleccionáveis às tipologias de T1 a mais de T5.

Se o valor da renda for a superior a 35% da taxa de esforço dos rendimentos dos inquilinos, o município subsidiará o valor em falta. A título de exemplo, uma pessoa cujo rendimento médio mensal seja de 700 euros e se candidate a um T1 no valor de 350 euros terá a subsidiação de 105 euros por parte do município.

No caso dos senhorios, para quem o programa mais necessita de cativar, existem, notou João Rodrigues, duas vantagens: a isenção do pagamento de impostos em contratos celebrados por cinco ou mais anos, e o facto de o contrato ser celebrado com o município. “O proprietário sabe que vai ter como contraparte o universo municipal, com tudo o que isso representa em termos de garantia de pagamento das rendas e da restituição do imóvel no estado em que se encontrava aquando da celebração do contrato”, referiu.

Num quadro demonstrativo, o município prevê que um proprietário de um T1 de 63 metros quadrados que coloque o imóvel no programa de arrendamento acessível ao preço de 350 euros pode ter um “ganho adicional” de 252 euros só pela isenção de impostos. No caso de um T2 de 82 metros quadrados de 450 euros, um ganho de 299 euros, e de um T3 de 95 metros quadrados de 525 euros, um ganho de 333 euros.

As candidaturas ao programa, cujas directrizes foram publicadas em Diário da República já no passado dia 14 de Março, estão abertas até ao final do ano ou até que os 50 imóveis sejam seleccionados, sendo que o município admite reforçar o programa na eventualidade de os imóveis serem contratualizados no espaço de meses. Depois de estabelecido o contrato de arrendamento com os proprietários, a BragaHabit subarrenda os imóveis aos inquilinos interessados através de um sorteio.

A abertura do programa, que se junta lançados pela autarquia ao longo dos últimos anos na área da habitação, como o RADA (Regime de Apoio Directo ao Arrendamento) ou o programa de combate à pobreza energética, decorre numa cidade que “tem, apesar do agravamento dos custos de aquisição e arrendamento de habitação nos últimos anos, dos preços mais baixos para acesso à habitação em comparação a cidades da sua dimensão e de muitas de menor dimensão”, assinalou o presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio.

Apesar do “cenário positivo macro, a realidade concreta de cada pessoa e de cada agregado familiar faz toda a diferença, e não podíamos ficar indiferentes às dificuldades que uma família que fosse tivesse para aceder ao mercado de habitação”, completou ainda.

13.4.23

Desemprego está a descer após aumento desde o Verão

Marlene Cerqueira, in Correio do Minho



Em Fevereiro, o número de inscritos nos centros de emprego desceu, invertendo a tendência de subida vinha desde o Verão. No recente relatório do IEFP, o distrito conta 25.109 desempregados.


Desde Agosto que o número de inscritos nos centros de emprego do distrito de Braga subia sucessivamente, mas a tendência foi invertia em Fevereiro com o número de pessoas em busca de trabalho a diminuir.

Segundo os números são avançados no mais recente relatório divulgado pelo IEFP - Instituto de Emprego e Formação Profissional, o distrito de Braga contabilizava no final de Fevereiro 25.109 desempregados, menos 303 do que em Janeiro.

O número de desempregados inscritos no IEFP desceu em nove dos 14 concelhos do distrito, sendo que as subidas ocorreram em Amares, Esposende, Guimarães, Póvoa de Lanhoso e Vizela.
Guimarães mantém-se como o concelho com mais desempregados e foi também o registou maior número de novos inscritos. Tinha 6200 no final de Fevereiro, mais 110 do que em Janeiro.
Segue-se Braga com 5673 inscritos, menos 17.
Famalicão fecha o ‘top 3’, sendo também o concelho onde o número de desempregados mais decresceu em números absolutos: tinham 3573 no final de Janeiro e terminou Fevereiro com 3380, menos 193.
Em Barcelos, o número de desempregados no fim de Fevereiro era de 2125, menos 53 do que em Janeiro.

Segue-se Fafe, que contabilizava no relatório em análise 1779 desempregados, menos 72 do que em Janeiro.
Ainda na casa dos milhares, Vila Verde aparece com 1120 inscritos no IEFP, menos 47 do que em Janeiro.
Encontramos depois Celorico de Basto, com 780 desempregados, menos quatro.
Com mais três inscritos, Vizela terminou Fevereiro com 736 desempregados.
Esposende terminou o mês em análise com 725 inscritos no IEFP, mais 30.
Também com mais 30 inscritos face a Janeiro, o concelho de Póvoa de Lanhoso registava 715 inscritos no IEFP no final de Fevereiro.

Com menos 11 inscritos face a Janeiro, Cabeceiras de Basto terminou o mês de Fevereiro com 589 inscritos no centro de emprego.
Amares registou uma subida ligeira: mais dois inscritos, terminando Fevereiro com 514 desempregados.
Já Vieira do Minho registou um descida significativa no número de inscritos no IPEF: tinha 487 no final de Fevereiro, menos 68.
No fundo da tabela encontramos Terras de Bouro. Este concelho contabilizava 286 desempregados no final de Fevereiro, menos do que no mês anterior.

27.3.23

Caminhada Solidária da AIA conta com adesão massiva

Libânia Pereira, in Correio do Minho

A 16 de Abril realiza-se a XII Caminhada Solidária da AIA. O evento, que surge com o intuito de sensibilizar para o autismo, é apoiado pela Câmara Municipal de Braga, pelo Pingo Doce e SC Braga.
‘Pelo autismo, todos os passos contam’, é este o mote da XII Caminha Solidária promovida pela Associação para a Inclusão e Apoio ao Autista (AIA). Agendada para o dia 16 de Abril, a Caminhada Solidária visa a sensibilização da comunidade para a questão do autismo, e simultaneamente a angariação de fundos de modo a apoiar a sustentabilidade financeira da AIA.

A apresentação pública desta XII edição decorreu na tarde de ontem, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa sessão onde além do presidente da AIA, Eduardo Ribeiro, estiveram também presentes os parceiros desta iniciativa, designadamente, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, o director de logística da área Norte do Pingo Doce, Rui Matos, e Alan, em representação do SC Braga.

De acordo com Eduardo Ribeiro, o que se pretende com a Caminhada Solidária da AIA é “sensibilizar a comunidade para a questão do autismo, cujos números têm vindo a aumentar nos últimos anos”.
Ao mesmo tempo, outro dos objectivos desta caminhada prende-se com a sustentabilidade da instituição, já que “estas terapias não têm apoio do Estado, sendo pagas integralmente pelos pais e pela associação quando os pais não podem contribuir”, lamentou o presidente da AIA.

A Caminhada Solidária vai ter o mesmo percurso de anos anteriores partindo, às 10 horas, dos Jardins da Avenida Central de Braga.
Este ano a AIA desafiou algumas escolas do concelho de Braga a pintar o saco onde se encontra o kit de caminhada. O desafio foi aceite e já estão a ser preparados cerca de 500 sacos em diversas escolas do 1.º ciclo. Eduardo Ribeiro sublinhou que esta foi também encarada como uma oportunidade da promover a sensibilização junto dos mais novos para o espectro do autismo, “numa perspectiva inclusiva de falar acerca da ‘diferença’, ainda que no fundo essa diferença não exista, já que todos somos diferentes”, disse.

O ticket da caminhada pode ser adquirido nas lojas Pingo Doce e na sede da AIA, e mantém o valor de 2.50 euros, o mesmo de edições anteriores. O kit será composto por uma t-shirt, um saco pintado pelos alunos das escolas de Braga, uma garrafa de água e uma maçã. Na edição de 2023 surge ainda uma surpresa para quem aderir a esta iniciativa, já que será oferecida uma pulseira alusiva ao evento.
Ao longo de cada nova edição o número de participantes na Caminhada Solidária da AIA tem vindo a aumentar, sendo que em 2022 o número fixou-se nos 14 mil. Este ano as expectativas apontam para os 16 mil tickets vendidos.
Na sessão de apresentação da Caminhada Solidária, o presidente do município de Braga sublinhou que a AIA é uma “instituição singular, que, apesar das dificuldades, tem sabido responder ao seu público-alvo, e temos de estar todos reconhecidos pela sua dedicação e contributo”. O autarca considerou ainda lamentável que estes tratamentos não sejam comparticipados pelo Estado, sendo que “todos aqueles que se associam a esta iniciativa acabam por substituir o Estado naquela que deveria ser também a sua responsabilidade”, frisou.

Ricardo Rio classificou a AIA como “uma instituição precursora em relação àquele que hoje é o desafio que se coloca a todas as instituições sociais, que é saber envolver a comunidade de modo a garantir a sua própria sustentabilidade financeira, mas também promovendo a sensibilização para as causas com que trabalham”.
A adesão por parte dos bracarenses tem sido massiva a esta Caminhada, “o que atesta o espírito solidário dos bracarenses”. “Mesmo em momentos de dificuldades como os que vivemos, estou certo de que os bracarenses não vão hesitar em dar este contributo”, disse. O edil elogiou ainda a associação do SC Braga e do Pingo Doce a esta causa, considerando ambos como “faróis”, como entidades que “vêm mostrar aos seus pares qual deve ser o caminho”.

Há mais de uma década que o Pingo Doce se assume como um parceiro activo desta iniciativa, disponibilizando as suas lojas e mobilizando os seus colaboradores para incentivarem os clientes a colaborarem com esta iniciativa. Segundo Rui Matos, este apoio é dado por duas razões fundamentais. “Fazemos isto primeiro porque vivemos com as comunidades e para as comunidades e sabemos que iniciativas desta natureza têm um grande impacto positivo. Por outro lado, é também uma forma do Pingo Doce dizer obrigado a todas as comunidades por nos elegerem no seu acto de compra, como uma loja de preferência”.

Em representação do SC Braga, parceiro desta iniciativa há largos anos, Alan mostrou-se “orgulhoso por estar associado a esta causa, uma causa muito nobre para a qual é fundamental estarmos todos sensibilizados”.

11.11.22

"Homofobia", abuso de poder e vinho do Porto que ficou. Pinho denuncia à PGR as buscas de que foi alvo

Gonçalo Teles, in TSF

"Afirmações homofóbicas", tentativas de "intimidação", agentes armados e "embaraçados" e garrafas de vinho do Porto que ficaram em casa, ao contrário de três desenhos "do cunhado". É numa carta com apenas quatro páginas, a que a TSF teve acesso, que o antigo ministro da Economia Manuel Pinho, atualmente em prisão domiciliária, conta a sua versão do que se passou há precisamente uma semana, quando a sua casa em Braga foi alvo de buscas no âmbito do caso EDP.

Numa missiva dirigida à procuradora-geral da República, Lucília Gago, datada de 6 de novembro, o ex-governante denuncia e acusa o procurador que dirigiu a operação de "homofobia" contra o "juiz que foi titular do processo até recentemente". É, nas palavras de Manuel Pinho - que também se queixa de intimidação -, a "ocorrência de longe mais grave" das registadas na memória do próprio a 3 de novembro.

"O senhor Procurador que presidiu à busca", escreve, fez "considerações homofóbicas relativamente a outros magistrados judiciais, especificamente ao juiz que foi titular do processo até recentemente. Disse ele, segundo tenho em memória, que as decisões daquele magistrado seriam 'resultado do seu traumatismo em ser homossexual'".

Mais: Manuel Pinho diz que o procurador é reincidente nestas afirmações. "Já tinham sido ditas nas primeiras buscas", revela, antes de as apelidar "considerações cavernícolas" feitas "com o maior à vontade", no que diz ser uma amostra da "convicção de quem as proferiu".

Na denúncia que envia a Lucília Gago, o antigo governante escreve que estas são considerações "absolutamente intoleráveis" e considera-as "criminosas".

"Espera-se de qualquer pessoa minimamente bem formada que respeite a orientação sexual dos outros. Não menos importante, a orientação sexual de cada um não pode ser utilizada para desqualificar alguém no exercício de funções, era mesmo o que faltava", argumenta, defendendo que ouvir de um procurador tais considerações face a um magistrado "significa que chegámos ao fundo do poço".

"Afirmações homofóbicas"

Respeitando o que diz ser a liberdade deste procurador de fazer "em privado as considerações que entender sobre o juiz anteriormente titular do processo", Pinho revela ainda - e diz que fica "mal" ao responsável pelas buscas - que foram feitas críticas à Polícia Judiciária, à Autoridade Tributária e às decisões do Tribunal da Relação. Foram até revelados, naquele dia, "factos desprestigiantes" que eram desconhecidos do ex-ministro.

Braga investe 500 mil euros no combate à pobreza energética das habitações

por Lusa, in Expresso

Podem candidatar-se as famílias que beneficiam da tarifa social da energia elétrica, sendo que cada uma poderá beneficiar de um apoio máximo de 2500 euros

A Câmara de Braga vai investir até 500 mil euros num programa municipal de combate à pobreza energética das habitações do concelho, para ajudar a climatizar as casas das famílias mais carenciadas, foi anunciado esta quarta-feira, 9 de novembro.

Em conferência de imprensa, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, disse que o programa "reflete o sentido de responsabilidade" do município para com uma franja da população mais desfavorecida e surge numa altura particularmente crítica, com o agravamento dos custos da energia.

"Este é um programa que tem impacto imediato e duradouro", referiu o autarca, destacando que se trata de mais uma iniciativa de cariz social, mas também um contributo "para a defesa da sustentabilidade" do concelho.

Segundo Ricardo Rio, o programa vai ajudar a baixar a fatura energética das famílias e, simultaneamente, contribuirá também para a redução da pegada ecológica.

Para já, o programa vigorará até finais de 2023, mas pode vir a ter continuidade em futuros orçamentos municipais, se a procura assim o justificar.

Podem candidatar-se as famílias que beneficiam da tarifa social da energia elétrica, sendo que cada uma poderá beneficiar de um apoio máximo de 2500 euros.


O voucher atribuído terá de ser usado num dos fornecedores que constam de uma lista elaborada pela Associação Empresarial de Braga, parceira do município no programa.

As soluções variarão caso a caso e poderão passar, entre outras, por janelas energeticamente eficientes, isolamento térmico, sistemas de aquecimento ou arrefecimento e instalação de caldeiras ou painéis fotovoltaicos.

"O que estamos a fazer é criar condições para utilização mais racional da energia. Este é um programa que tem um retorno concreto", disse ainda Ricardo Rio.

O autarca disse ainda que esta é uma iniciativa que "se preocupa, de facto, em ajudar os cidadãos, ao contrário do que faz o Governo, que só tem foco na arrecadação de receita" e "só cultiva o enriquecimento por via do tarifário".

O administrador da empresa municipal BragaHabit, Carlos Videira, sublinhou que se "passa muito frio" em Portugal, sublinhando que 19% dos portugueses estão em situação de pobreza energética.

O presidente da Associação Empresarial de Braga, Daniel Vilaça, disse esperar que o programa lançado pelo município "possa inspirar" o Governo a promover mais apoios e estímulos para que as famílias e empresas implementem soluções de eficiência energética.

24.10.22

Braga cria programa de combate à pobreza energética com 'voucher'

 Por Notícias ao Minuto

De acordo com um comunicado hoje divulgado pela autarquia, a medida "será discutida na próxima reunião do executivo", e "pretende apoiar as famílias bracarenses economicamente mais vulneráveis a melhorar o desempenho energético e ambiental das suas habitações".

"Cada projecto aprovado será financiado a 100% e até ao montante máximo de 2.500 euros. A cada candidatura será atribuído um 'voucher', com a validade de seis meses, desde a data da emissão, perdendo o seu valor na data de caducidade", refere a autarquia.

Caso o valor da intervenção seja maior que o da comparticipação, "o candidato deverá assumir o diferencial. Cada candidato e cada habitação terá direito a um único voucher", refere a autarquia.

A Câmara Municipal esclarece, no entanto, que os apoios, "a atribuir sob a forma de vouchers, não são cumulativos com outros apoios públicos da mesma natureza".

"Consideram-se elegíveis para este programa a substituição de janelas não eficientes por janelas de classe energética mínima igual a "A"; aplicação ou substituição de isolamento térmico na envolvente do edifício de habitação, bem como a substituição de portas de entrada", detalha a autarquia em comunicado.

O programa também inclui "a colocação de isolamento térmico em coberturas ou pavimentos exteriores e interiores; portas de entrada exteriores e de patim; instalação de sistemas de aquecimento e/ou arrefecimento ambiente e de águas quentes sanitárias; bombas de calor, sistemas solares térmicos; caldeiras ou recuperadores a biomassa com elevada eficiência; instalação de painéis fotovoltaicos e outros equipamentos de produção de energia renovável para autoconsumo".

Para aderir ao programa, as pessoas singulares terão que cumprir, "cumulativamente", os requisitos de serem residentes com habitação própria em Braga, residir em permanência na habitação inscrita, não possuir "qualquer outro bem imóvel destinado a habitação" no município, beneficiar da Tarifa Social de Energia Eléctrica (TSEE), e o imóvel ter um desempenho energético baixo.

"Serão ainda elegíveis pessoas singulares que sejam arrendatárias com contrato por tempo indeterminado e reúnam, cumulativamente, os requisitos acima descritos, com a excepção de possuírem habitação própria", refere a autarquia.

A primeira edição do programa "será implementada entre 2022 e 2023", e o prazo para submissão de candidaturas será anunciado "posteriormente", com recurso a vários comprovativos fotográficos e documentais, implicando ainda "uma visita técnica à habitação e a análise da pretensão do candidato por parte de uma Comissão de Acompanhamento".


Leia Também: Rede Europeia Anti-Pobreza vai expor "realidades dramáticas" em Portugal

1.3.21

“Comem cinco, seis pães. As pessoas chegam mesmo esfomeadas” ao pequeno-almoço de “O pão de Lázaro”

Olímpia Mairos, in RR

A resposta social criada a pensar nos sem-abrigo da cidade de Braga é atualmente procurada por outras pessoas que, face à pandemia de Covid-19, ficaram desprotegidas. A procura do pequeno-almoço disparou nos últimos tempos.

Com a pandemia e o aumento da pobreza, está a crescer o número de pessoas que recorrem ao pequeno-almoço “Pão de Lázaro”. A procura já duplicou, situando-se nesta altura nas 22 refeições por dia. A iniciativa da Associação Hospitalária de S. Lázaro surgiu de um desafio lançado pelo arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, para dar resposta ao sem abrigo da cidade, mas, atualmente, é procurada também por outras pessoas.

“Neste momento, a Associação Hospitalar de São Lázaro está a dar o pequeno-almoço ao dobro das pessoas que era habitual e está também a fazer pequenas refeições para as pessoas poderem levar para casa e comerem durante o dia. Porque, de facto, essas pessoas que vivem na rua e da rua, neste momento, são uma grande franja de pessoas que estão desprotegidas”, conta à Renascença o coordenador do voluntariado, Jorge Teixeira.

Se antes as pessoas chegavam ao espaço onde o pequeno-almoço é servido diariamente, junto à Igreja dos Terceiros, à procura de um conforto matinal, atualmente chegam “com fome”.

“Antigamente, antes deste confinamento, as pessoas comiam um pão, dois pães com leite. Neste momento, as pessoas chegam mesmo esfomeadas, comem cinco pães, seis pães, comem o que lhes apetecer”, afirma Jorge Teixeira, acrescentando que “nota-se que já não é só aquele conforto matinal que as pessoas vão buscar, neste momento, as mesmas pessoas vão lá para matar a fome”.

O pequeno-almoço solidário conta com leite simples ou com cevada, cevada, pão com manteiga, compotas, marmelada, bolos e fruta.

“E quem procura esta resposta social?”, questionamos.

“Há de tudo. Há pessoas que vivem na rua, há pessoas que vivem em casas abandonadas e têm algum tipo de abrigo, há pessoas que vivem em quartos alugados, que tem alguns rendimentos, a maior parte deles tem o Rendimento Social de Inserção, que é muito pequeno, mas dá para alugar um quarto, mas, depois, não têm como passar o resto do dia, não têm dinheiro suficiente para as refeições e vão-se socorrendo das instituições de solidariedade”, afirma Jorge Teixeira, acrescentando que também estão a ser procurados por “bastante imigrantes”, realidade que não se verificava.

O coordenador do voluntariado da Associação Hospitalária de S. Lázaro observa que tem crescido sobretudo o número de pessoas que, apesar de terem um teto, não têm trabalho fixo e “vivem um bocadinho da solidariedade, da esmola”.

“E são precisamente essas pessoas que hoje estão a passar bastante mal, porque, com tudo fechado, não há igrejas abertas, não há pessoas a circular, portanto aquela pequena quantia de dinheiro que conseguiam através da esmola, através do arrumar do carro, de pequenos recados que faziam nas ruas, neste momento, essas pessoas estão sem qualquer tipo de rendimentos e não têm como comer”, alerta.

Por iniciativa do grupo de voluntários, constituído por 25 elementos, também está a ser providenciada roupa e agasalhos.

“Foi uma iniciativa dos nossos voluntários que começaram a fazer uma recolha de roupa e cobertores, sacos-cama e as pessoas ficam muito comovidas, porque estavam com dificuldade em arranjar roupa, porque agora está tudo fechado e as instituições, também, muitas vezes, estão a funcionar com as limitações desta pandemia, e, então, as pessoas viram que era possível levar um cobertor ou o saco-cama, levar um agasalho e estamos a manter esse tipo de iniciativa”, refere Jorge Teixeira.

A Associação também entrega máscaras, porque, às vezes, “aparecem com máscaras muito sujas, muito velhas”, álcool gel e o que eles vão precisando no dia-a-dia e que nós possamos, dentro das nossas limitações, oferecer”, acrescenta o responsável pelo voluntariado.

O pequeno-almoço é assegurado com a ajuda de empresas que fornecem géneros alimentares e de alguns particulares, onde se incluem os próprios voluntários da Associação Hospitalária de S. Lázaro.

“Há imensas pessoas que passam todos os dias para deixar um pacote de bolachas ou alguma fruta, queijo. E é com essas dádivas anónimas que temos conseguido. A associação não tem fontes de rendimento e temos conseguido fazer face a este aumento da procura dos pequenos-almoços”, conta Jorge Teixeira, que aproveita para “agradecer a tantas pessoas que anonimamente têm passado na associação e têm deixado os seus géneros”, para conseguirem “responder cabalmente a esta alta procura”.

O “Pão de Lázaro” está de portas abertas de domingo a domingo, entre as 8h00 e as 9h30, para ajudar não só os sem-abrigo como também pessoas que estão a atravessar dificuldades.
Ouça aqui a reportagem

10.2.21

Arcebispo de Braga deteta "nova forma de pobreza constituída por casais jovens"

Henrique Cunha, in RR

D. Jorge Ortiga diz que há "pessoas ameaçadas de despejo” que estão a recorrer à Caritas e às paróquias para “não se tornarem pessoas sem-abrigo”.

O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, revela a existência de um “aumento de pedidos para pagamento de rendas” de pessoas que “deixaram de trabalhar por causa da pandemia”.

D. Jorge Ortiga diz à Renascença que a situação social se tem vindo a agravar por causa do desemprego, que, em muitos casos, atinge famílias inteiras.

O arcebispo fala de uma nova categoria de pobreza, constituída sobretudo por casais jovens. “Nós temos no nosso programa pastoral a indicação para estar atentos a novas formas de pobreza. E parece-me que está aí patente na sociedade uma nova forma de pobreza que é constituída pelos casais relativamente jovens, que estavam devidamente estabelecidos na sua vida, com o seu trabalho, com os seus sonhos com os seus projetos.”

“De um momento para o outro - quer um quer outro - ficaram sem trabalho, às vezes ligados a pequenos negócios familiares, alguns ligados ao turismo ou à restauração, e que agora se encontram numa situação onde lhes falta essencialmente o indispensável”, exemplifica D. Jorge.

O arcebispo de Braga revela que “as pessoas são ameaçadas de despejo” e que estão a recorrer à Caritas e às paróquias para “não se tornarem pessoas sem-abrigo”.

D. Jorge fala de “um problema que é tradicional e que está a sentir-se com mais acuidade, que é a questão das rendas”.

“Se as pessoas não recebem, não têm possibilidade de pagar as rendas de suas casas, e os caseiros ameaçam com o facto de ficarem sem a casa”, relata o arcebispo, ao mesmo tempo que revela que “o recurso é recorrer à Caritas, recorrer às paróquias, recorrer a qualquer pessoas para que possam não sair de sua casa, para que não passem a sem pessoas sem-abrigo".

D. Jorge Ortiga considera muito importante “tomar consciência do que está a acontecer e responsabilizar as entidades oficiais” como primeiros responsáveis pela resolução dos problemas.

“Não vou alarmar, não estamos em tempos de alarmismos, mas, antes pelo contrário, é uma oportunidade para tomarmos consciência daquilo que nós devemos fazer, e como devemos agir”, sublinha.

Para o prelado, é importante estar atento porque dessa forma vamos “resolvendo aquilo que podemos resolver, procurando responsabilizar as entidades oficiais porque também elas têm uma tarefa, são eles os primeiros responsáveis”.

D. Jorge considera importante “comprometer as nossas paroquias para primeiro responder aos problemas concretos e também para ir de encontro às causas para que essas causas não estejam também a gerar novas situações de pobreza”.

O arcebispo de Braga não nega algumas dificuldades e revela alguma falta de “suporte económico para responder às situações de carência” até porque a pandemia também está a afetar a frequência às eucaristias, “onde a Igreja vai angariando fundos para depois partilhar”.

D. Jorge recorda que, por exemplo, “na Quaresma, nós temos o chamado contributo penitencial, ou renuncia quaresmal que consiste na renúncia dos cristãos de alguma coisa que seja supérflua para poderem partilhar”.

"Os nossos cristãos sabem como isso se desenvolve, mas agora não vão às eucaristias, não tem oportunidade de pôr em comum aquilo que teriam muito gosto em o fazer, e como consequência não vamos ter um suporte económico para responder a algumas carências e a algumas necessidades que começam a ser prementes."

Estas declarações do arcebispo de Braga à Renascença foram feitas à margem de uma conferência de apresentação do espólio musical do padre Manuel Faria Borda, adquirido pela Arquidiocese a um alfarrabista de Esposende e que irá fazer parte do arquivo que a Arquidiocese se prepara para construir “logo que a pandemia o permita”.




3.2.21

"Aumento gigantesco". Banco Alimentar já apoia 100 mil pessoas no Porto e em Braga

Olímpia Mairos, in RR

A maioria das pessoas a pedir ajuda está a fazê-lo pela primeira vez. São “famílias na faixa etária ativa, a maioria delas sofreu cortes ou perda salarial”.

Os números são assustadores e tendem a aumentar nos próximos tempos. Os pedidos de ajuda ao Banco Alimentar do Porto e ao Banco Alimentar de Braga não param de crescer e situam-se em níveis preocupantes. Cerca de 100 mil pessoas estão a receber apoio daqueles dois bancos.

“Em 2019, o Banco Alimentar recebeu, diretamente, 71 pedidos de ajuda que encaminhou para as instituições sociais do distrito. E em 2020 recebemos mais de 500 telefonemas. Portanto, o aumento é gigantesco, em termos mensais”, conta à Renascença a responsável do serviço social do Banco Alimentar do Porto, Inês Pinto Cardoso.

O aumento dos pedidos de ajuda situa-se nos 600%, numa altura em que a instituição está a apoiar mais de 60 mil pessoas com alimentos, 25 mil com cabazes alimentares todos os meses e as restantes através de 300 instituições do distrito que servem refeições sociais à população mais vulnerável, como idosos, crianças vítimas de maus-tratos, jovens grávidas e vítimas de violência doméstica.

De acordo com Inês Pinto Cardoso, a maioria das pessoas a pedir ajuda são “famílias na faixa etária ativa, a maioria delas sofreu cortes ou perda salarial”.

“São pessoas nas faixas etárias entre os 20 e 45/50 anos que viram a sua situação económica agravar-se com a pandemia”, esclarece, acrescentando que as pessoas procuram o Banco Alimentar “numa situação de limite a solicitar apoio alimentar e, principalmente com este fecho das escolas e dos confinamentos, é problemático para muitas famílias”.

“Os filhos estão de regresso a casa, as escolas deixam de dar a refeição às crianças, é mais uma refeição que a família tem de suportar e isso é assustador para quem já está a passar um mau bocado”, afirma a responsável do serviço social do Banco Alimentar do Porto.
Banco Alimentar vai racionar distribuição de massa

O mês de fevereiro e de março está garantido em termos de ajuda e do Banco Alimentar do Porto vão sair cerca de 93 toneladas, em cada mês, mas, em abril, a situação pode complicar-se.

“Em abril podemos entrar em rotura de alguns produtos, nomeadamente massa, conservas e leguminosas”, adianta Inês Pinto Cardoso.

Já em fevereiro, o Banco Alimentar do Porto vai racionar a massa e em vez de dar dois quilos por família vai atribuir apenas um quilo.

Sem a habitual recolha de bens nos supermercados, Inês Pinto Cardoso sublinha que se apresentam novos desafios ao Banco Alimentar do Porto, para angariar produtos e poder continuar a ajudar.

“Nós, nas campanhas, fazemos no Porto mais de 750 toneladas por ano. Deixamos de estar em supermercado, são 750 toneladas a menos que estão a entrar e, por isso, tivemos que nos reinventar e criar iniciativas novas para a recolha de alimentos”, explica a responsável, indicando que estão a “ir a todas as entidades da sociedade civil, empresas, escolas, universidades” e a desenvolver várias iniciativas, por exemplo, nos centros religiosos do distrito ou no centro judaico.
“Quando pedem ajuda alimentar já deixaram muita coisa para trás”

O número de pedidos de ajuda no Banco Alimentar de Braga também está a aumentar.

A responsável, Pilar Barbosa, diz à Renascença que tem "notado muito, através da rede de urgência alimentar”, com os “pedidos estão sempre a surgir”.

“Através da rede de emergência alimentar já nos chegaram 4. 484 pedidos, pedidos de urgência, porque as pessoas, de repente ficaram sem qualquer rendimento e estamos a falar, neste caso, de 1. 755 crianças”, adianta a responsável do Banco Alimentar de Braga, acrescentando que a instituição está a apoiar “cerca de 39 mil pessoas, através de 308 instituições”.

Mais procura, menos sobras e mais solidariedade. Como a Refood se adaptou à pandemia

À semelhança do que acontece no distrito do Porto, também em Braga as pessoas que estão a recorrer ao Banco Alimentar são pessoas que perderam rendimentos, em consequência da pandemia.

“São pessoas que estão a pedir apoio pela primeira vez, que tinham uma vida mais ou menos estável”, afirma Pilar Barbosa, indicando que “a restauração levou muita gente para este caminho, assim como cabeleireiros ou pessoas ligadas às economias paralelas”.

“Em Braga, temos uma agravante que é uma grande comunidade brasileira, que ainda estava numa situação precária de trabalho e que está a passar por dificuldades”, acrescenta a responsável.

No entender de Pilar Barbosa, o atual estado de emergência, com o encerramento das escolas, veio agravar a já difícil situação de muitas famílias.

“É mais gente a precisar de se alimentar em casa, de refeições quentes. Isto complicou bastante e famílias que tinham uma situação estável e que não tem capacidade de fazer face às despesas do mês, sem receberem rendimento desse mês”, explica.

A responsável do Banco Alimentar de Braga sublinha que “é muito preocupante, porque, quando as famílias pedem ajuda alimentar, já deixaram muita coisa para trás”.

Para continuar a ajudar, o Banco Alimentar de Braga vai continuar a contar com o apoio de doadores. Pilar Barbosa destaca que através da rede de emergência alimentar “conseguiu-se unir todas as boas vontades, muitos dos doadores a quererem colaborar”.

“A sociedade civil foi muito importante, as juntas de freguesias e todas as instituições que deram o apoio na emergência. Sem elas não era possível”, conclui.

21.10.20

Uma boa cidade para se viver? Bracarenses mais satisfeitos do que lisboetas

Mariana Correia Pinto, in Público on-line

Estudo da Comissão Europeia sobre a qualidade de vida em 83 cidades mostra algumas divisões dentro do velho continente. Braga é a cidade da Europa onde mais se usa o carro, em Lisboa destaca-se a dificuldade em conseguir habitação a preços acessíveis.

Nove em cada dez europeus estão satisfeitos com a cidade onde vivem e Braga figura no top 10 das urbes onde os cidadãos estão mais felizes com a sua geografia, com 97% dos inquiridos a dizerem estar satisfeitos com a vida no concelho. Em Lisboa, a avaliação é também positiva, embora mais baixa (86%). Os habitantes da cidade nortenha mostram-se mais fãs da sua “casa” do que os da capital em 18 dos 22 itens avaliados. Os resultados divulgados esta semana no Inquérito de Percepção sobre a Qualidade de Vida nas Cidades Europeias de 2019 integram um estudo coordenado pela Comissão Europeia e esboçam um velho continente onde a qualidade de vida é boa – mas com grandes discrepâncias entre cidades em vários pontos.

Ao longo de 108 páginas, a Comissão Europeia avaliou a satisfação dos cidadãos em áreas como a segurança, o acesso a habitação e emprego, cuidados de saúde ou transportes. Das 83 cidades avaliadas, Copenhaga e Estocolmo são aquelas onde a satisfação geral com a vida na urbe é mais elevada (98% estão satisfeitos) e Belgrado (63%), Palermo (64%) e Atenas (64%) os locais onde a avaliação é pior. Segundo a OCDE, citada no relatório, a capacidade de conciliar trabalho com compromissos pessoais e familiares é importante no bem-estar das pessoas e a dificuldade em encontrar esse equilíbrio poderá explicar a menor satisfação verificada em residentes com idade para trabalhar (88%) em comparação com os que têm entre 15 e 24 anos (91%) ou com quem tem mais de 55 (90%).

Nas cidades analisadas, três em cada quatro residentes sentem-se seguros quando andam sozinhos à noite, com Copenhaga a ocupar o lugar cimeiro (94%). Há cinco cidades onde menos de metade dos residentes dizem sentir-se seguros: Atenas, Roma, Sofia, Liège e Marselha. Quatro das dez cidades com respostas mais positivas a esta pergunta ficam no Norte da Europa e três das dez piores ficam em Itália.

A relação entre dimensão da cidade e sentimento de segurança é óbvia: quanto maior a urbe, maior a insegurança. Enquanto em cidades com menos de 250 mil habitantes, 80% dos residentes dizem sentir-se seguros, em cidades com mais de cinco milhões apenas 67% dá essa resposta.

A pergunta sobre a cidade como um bom sítio para se viver não se limitava a avaliar a percepção em relação ao entrevistado. Um dos parâmetros estudados tem a ver com os imigrantes. Três em cada quatro residentes (75%) disseram que a sua cidade era um bom lugar para pessoas de outros países viverem. As cidades ocidentais mostram melhor desempenho (81%) e as do leste pior (65%). Em Braga e Lisboa, a esmagadora maioria considera que os imigrantes são bem-recebidos – 95% na cidade nortenha, 91% na capital. Juntamente com as cidades espanholas, as portuguesas ficam acima da média do sul da UE (77%).

Também no que diz respeito às cidades como bons locais para homossexuais viverem sem ser discriminados, a percepção global é positiva: oito em cada dez residentes (78%) consideram que a sua cidade é um bom sítio para gays e lésbicas viverem. Mas as discrepâncias neste capítulo são grandes: na UE são 81%, no Reino Unido 94%, na Turquia e nos Balcãs 37%.

Na pergunta sobre a qualidade da cidade para os mais velhos, Braga destaca-se como local onde os maiores de 65 anos encontram um bom lugar para viver, ao ocupar um lugar no top 10 e com 94% das pessoas a responder que é um bom lugar para quem tem mais de 65 anos.


Se a pergunta é sobre famílias jovens e com crianças, a globalidade dos cidadãos (oito em cada dez) consideram que a Europa é uma boa escolha. Genericamente, as não capitais parecem ser melhores para este grupo. Por exemplo, em Amesterdão o valor é de 65% enquanto em Roterdão é de 77% e em Groningen é de 88%. Em Paris, é de 71% enquanto Bordéus, Lille e Estrasburgo ficam acima de 90%. Em Portugal, Braga fica também acima de Lisboa, mas a discrepância não é significativa.
Conseguir casa a preços acessíveis é, regra geral, mais difícil nas capitais DANIEL ROCHA
Emprego e habitação são problema em Portugal

As cidades portuguesas fazem uma má avaliação da facilidade em encontrar emprego: a percentagem de pessoas a relatar facilidade fica abaixo dos 24%. São números que não as colocam, ainda assim, na lista das dez cidades mais “pessimistas”, onde figura Palermo (3%), Madrid (15%) ou Roma (15%), por exemplo. Em média, apenas dois em cada cinco residentes das 83 cidades estudadas pensam que é fácil encontrar um emprego. Mas as diferenças dentro do continente voltam a ser grandes: no sul, apenas uma em cada cinco acredita ser fácil encontrar emprego, no norte e oeste metade tem essa convicção.

Quem vive no sul da UE e em cidades dos Balcãs Ocidentais tem mais facilidade em encontrar casa a um preço razoável do que quem habita na zona ocidental e norte e nos países que fazem parte da EFTA, como a Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein. As capitais têm quase sempre um desempenho pior (31%) do que as não capitais (44%) e Portugal faz parte desse grupo (com 47 pontos percentuais de diferença entre Lisboa e Braga), a par da Finlândia, Dinamarca ou Alemanha.

Quanto à situação financeira dos agregados familiares, 72 % dos residentes dizem estar satisfeitos. Mas em Portugal, ambas as cidades ficam abaixo dos 62%. Este dado está quase sempre relacionado com a percepção geral de a cidade ser ou não um bom local para viver, mas aqui Lisboa e Braga aparecem como excepções já que a avaliação global feita é mais elevada.
Braga, cidades dos automóveis

Menos de metade (46%) dos residentes das cidades estudadas utilizam o carro, mas o número é ainda mais baixo para transportes públicos (44%). A pé andam apenas 24%, de bicicleta 16% e de motocicleta 8%. Regra geral, quanto mais se usa o transporte público menos se usa o carro.

Nas capitais parece haver menos uso de automóvel, o que se pode explicar pela melhor oferta de serviço público de transporte e também por o veículo próprio ser menos atraente por causa de trânsito e custos de estacionamento mais elevados.

Braga é das 83 cidades avaliadas aquela que mais usa o automóvel (61%) e Groningen a que menos usa (29%). Por outro lado, Braga é também das que menos usa transporte público (só ultrapassada por Podgorica, Nicósia e Palermo). Lisboa aparece no top 10 das cidades que menos usam bicicleta (9%).

Na avaliação dos espaços verdes são os moradores de Malmo quem mais satisfação mostra (96%) e os de Atenas ficam no lado oposto da tabela (29%). Comparando dados de 2015 com 2019, Braga (73%) e Lisboa (70%) aparecem como duas das cidades onde houve um maior aumento da satisfação neste item.

As preocupações com a qualidade do ar são mais proeminentes nas cidades do sul e leste da Europa, onde 49% e 52%, respectivamente, estão satisfeitos com a qualidade do ar em comparação com uma média global de 62%. Esta satisfação é menor nas capitais do que noutras cidades, mas tende a crescer em cidades com mais população.

29.7.20

ONU elogia cinco municípios portugueses pelas políticas adotadas no combate à Covid-19

in TVI24

Braga, Lisboa, Porto, Famalicão e Sintra são os cinco municípios elogiados pela ONU por terem adotado políticas inovadoras no combate à Covid-19.

 António Guterres diz que a pandemia trouxe uma nova visão sobre as cidades e recomenda medidas de desenvolvimento e segurança para as zonas urbanas.

7.7.20

Onde estão os quartos mais baratos? Preço do alojamento universitário desceu em Lisboa, Porto e Braga

Nuno Rafael Gomes, in Público on-line

Plataforma lançada este sábado resulta de uma parceria entre o Ministério do Ensino Superior, a DGES e uma startup portuguesa. Apesar de “importante”, dirigentes académicos alertam: o Observatório do Alojamento Estudantil “não vem responder às necessidades” dos estudantes.
Entre Outubro de 2019 e o início de Julho de 2020, o preço médio do alojamento universitário nos concelhos de Braga, Porto e Lisboa desceu. Arrendar um quarto para estudar na capital ficou mais barato 32 euros; no Porto, o decréscimo foi de 29 euros. E mais visível foi a redução em Braga, com uma queda no valor médio de 73 euros. Por outro lado, na Covilhã, o valor é o mesmo num e noutro mês (apesar de algumas variações ao longo dos últimos meses): 145 euros. Mais abaixo, em Évora, os preços só começaram a cair a partir de Janeiro. Estas são algumas das conclusões que, a partir deste sábado, 4 de Julho, poderão ser retiradas do Observatório do Alojamento Estudantil. A plataforma, aberta a todos, resulta da parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) e a Alfredo Real Estate Analytics, uma startup portuguesa que, através da inteligência artificial e big data, se debruça sobre o mercado imobiliário.

Com o Observatório do Alojamento Estudantil, o primeiro do género a nível europeu, procura-se “ajudar os alunos na escolha do quarto”, diz Gonçalo Abreu, da startup. Não é um site com anúncios, antes “uma congregação de dados de oferta pública e privada para potenciar o máximo de informação”. “E, assim, os alunos podem tomar uma decisão factual e informada”, acrescenta. Há uma série de dados que pode ajudar nessa escolha: para além dos preços mínimo, médio e máximo por concelho e freguesia, também é possível observar a evolução do corpo estudantil do sítio onde se escolhe estudar. E caso a curiosidade aguce, também se pode perceber como tem evoluído a população residente. O site conta com “todos os quartos disponíveis online”, sendo que há um “tratamento estatístico em todas as freguesias e concelhos”, refere João Januário, da mesma empresa, que tem vindo a desenvolver a plataforma “ao longo do último ano e meio”.

Para a recolha diária de dados da oferta privada entram nas contas 22 plataformas (como portais imobiliários) de acesso público. Destas, foram analisados, até agora, 13.541 quartos, espalhados “por 163 concelhos e 452 freguesias”, confirma Gonçalo Abreu. Àquele número de quartos juntam-se outros 15 mil, mas desta vez das residências estudantis públicas. E o que acontece quando o mesmo quarto está anunciado em duas plataformas diferentes? “Não contabilizamos duas vezes. Temos um processo que consegue percebê-lo, através da análise de preço e imagem”, responde. “Valores atípicos” — quando o preço anunciado “é muito alto ou baixo” ou quando “a oferta é mal introduzida” — também são automaticamente eliminados.
“Tapar o sol com a peneira”

Interpretar a descida observada nestes preços com uma eventual influência da pandemia de covid-19 é algo que a startup prefere deixar “para os utilizadores”. Para Ricardo Nora, presidente da Associação de Estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI), “ainda é cedo” para se desenharem conclusões desse impacto. Ainda assim, concorda que o preço médio observado corresponda ao apontado pela plataforma.

Mas, em Guimarães e em Braga, os preços não estão, “de todo, a baixar”, afirma o presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM). Os dados do observatório indicam que no concelho bracarense, com um total de 267 quartos disponíveis, o preço médio é de 222 euros, mas o valor máximo pode chegar aos 350 euros. Rui Oliveira diz mesmo que os preços estão “um pouco mais altos para a altura do ano”, quando as actividades estudantis cessam. Por sua vez, a Federação Académica do Porto (FAP) salienta que o Observatório do Alojamento Estudantil “tira alguns dados, mas não todos”, frisando ainda “a preocupação com o mercado informal”, que não entra nas contas e que, por isso, poderá esconder o panorama real da habitação estudantil. Marcos Alves Teixeira, presidente da FAP, esperava “um arrefecimento do mercado” devido à pandemia, que diz não observar: “Seria uma falsa esperança dizer que as coisas estão a melhorar”. No Porto, em 1788 quartos, a média é de 272 euros; o valor máximo é de 426 euros e o mínimo, de 161 euros.

Para os três dirigentes académicos, a plataforma cumpre a sua função, ainda que haja problemas maiores por resolver. “Tem um âmbito estatístico interessante, mas não vem responder à necessidade”, diz Rui Oliveira. Para além disso, como refere Ricardo Nora, “as próprias universidades já faziam esse levantamento”. “É curioso estarmos a falar de alojamento e de como os estudantes podem escolher. Mas é tapar o sol com a peneira. A plataforma ajuda na escolha, mas esquecemo-nos do número de camas anunciadas prometidas”, comenta.


Marcos Alves Teixeira partilha da opinião: “Isto não pode ser uma resposta ao problema. É importante e positivo, mas é preciso construir camas. E o Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior [PNAES] tem falhado redondamente, pelo menos para o Porto.” E, perspectiva o presidente da FAP, “prevê-se que diminua o número de camas nos próximos tempos”: outro dos impactos da pandemia, já que quartos partilhados nas residências poderão deixar de o ser, por questões sanitárias.

Essa questão também preocupa José Pinheiro, presidente da Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD): “O alojamento público já era baixo. Agora, e mais do que nunca, é importante haver uma indicação por parte da tutela face ao problema da pandemia”, começa por explicar. Em Vila Real, onde se situa a UTAD, há “530 camas para 5 mil estudantes deslocados”. “Se houver restrições” devido ao vírus, a oferta pública (e, em princípio, mais em conta) diminuirá; logo, “com a crise financeira e a fragilidade económica das famílias”, este passa a ser outro problema a somar à crise no alojamento estudantil. Por isso, o presidente da AAUTAD opina que “o esforço dado [pelo ministério] continua a não ser para o objectivo principal, que é criar mais alojamento”.

27.4.20

“Cada tabuleiro tem uma história”. Colégio de Braga serve refeições a 300 pessoas

Isabel Pacheco, in RR

A pandemia obrigou muitas instituições a fechar, deixando pessoas sem apoio. Na cozinha do Colégio Luso Internacional de Braga “cabem todos”, incluindo refugiados. Um que veio da Síria não tem dúvidas: “o coronavírus é mais complicado que a guerra”.

Na cozinha do Colégio Luso Internacional de Braga, não há mãos a medir. Logo pela manhã, prepara-se a feijoada e o empadão de carne que vão chegar a casa de 300 pessoas.

A sopa está a cargo de Nadege. A africana dos camarões está em Portugal ao abrigo da Plataforma de Apoio aos Refugiados e, apesar de não falar português, já domina a cozinha nacional. Conta-nos que já sabe fazer “praticamente tudo”, inclusive os “bolos de peixe”, que logo alguém traduz por “bolinhos de bacalhau”.

Ao fundo da sala da cantina encontramos Amad a embalar sanduíches. É uma das tarefas que lhe calhou em mais um dia de voluntariado.

“Estou aqui para ajudar”, diz prontamente o refugiado sírio que, apesar de não falar bem português, encontra as palavras para comparar a guerra do seu país com “esta”, que “está a pôr o mundo doente”.

“O coronavírus é igual a uma guerra. É mais complicado porque na guerra tu sabes onde há guerra e sais. Isto da doença tu não sabes. É mais complicado”, diz.

Amad e Nadege são dois dos voluntários que, desde o início da pandemia de Covid-19 no nosso país, ajudam na resposta de emergência a alimentar em Braga. O projeto, coordenado por Helena Pina Vaz, chega diariamente a cerca de 300 pessoas, mas “começou com 67”, recorda a responsável.

As refeições são separadas diariamente em tabuleiros que hão de chegar aos beneficiários. Cada um representa “uma pessoa ou um agregado familiar”. “Cada tabuleiro tem uma história”, diz.

“Temos pessoas sem abrigo, outras que viviam da prostituição. Há muitos casos. Há famílias que ficaram sem emprego. Temos vários migrantes e muitos idosos que estão isolados sem forma de se deslocar para irem buscar um cabaz”, descreve Helena Pina Vaz.

Parte dos beneficiários viram as associações que os apoiavam a fechar portas devido à pandemia, sobretudo, “por impossibilidade de voluntários”, “muitos por doença outros por serem idosos”, explica a coordenadora. Outras instituições viram as cantinas que forneciam as refeições a encerrar. “Nós, pelo contrário, tínhamos disponibilidade de dar nova vida a esta cantina e oferecemo-nos para tomar conta das situações”.

A ajuda é distribuída casa a casa por equipas de voluntários. Cada uma com a sua rota. “As nossa rotas já estão com um perímetro muito alargado. Ainda, hoje, desdobramos uma rota em duas porque as residências começam a ficar cada vez mais distantes”, conta.

“Ao final do dia, verificamos se entraram novos casos, porque um pedido que nos façam chegar hoje à noite, no dia seguinte já está a receber a refeição”.

Entre funcionários do colégio, pais, famílias de refugiados, empresas e parceiros, Helena confessa que já perdeu a noção de quantos voluntários estão envolvidos no projeto. Uma coisa é certa: “toda agente está a inventar ideias que depois vêm aqui cair”.

Fica só mesmo a faltar um nome. “Começámos por chamar cozinha do amor, daí passou para barco do amor”. Depois ficou a “cozinha do coração”, conta a bracarense que explica que esta “é uma cozinha onde cabem todos: para ajudar e para receber”.

“Ao final do dia, verificamos se entraram novos casos, porque um pedido que nos façam chegar hoje à noite, no dia seguinte já está a receber a refeição”.

Entre funcionários do colégio, pais, famílias de refugiados, empresas e parceiros, Helena confessa que já perdeu a noção de quantos voluntários estão envolvidos no projeto. Uma coisa é certa: “toda agente está a inventar ideias que depois vêm aqui cair”.

Fica só mesmo a faltar um nome. “Começámos por chamar cozinha do amor, daí passou para barco do amor”. Depois ficou a “cozinha do coração”, conta a bracarense que explica que esta “é uma cozinha onde cabem todos: para ajudar e para receber”.

27.3.19

Sem abrigo continua na rua em Braga após alerta a Marcelo

in iOnline

Um sem abrigo continua a dormir na rua, em Braga, uma semana depois do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter sido alertado, pessoalmente, antes da sua visita às novas instalações da Bosch, além de todo o Executivo da Câmara Municipal de Braga.

Carlos Dobreira, o cidadão que alertou Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta terça-feira ao i que “o senhor, além da situação em que se encontra, terá problemas psiquiátricos, daí a nossa insistência, porque esta situação já perdura há muitas semanas, temos vindo desde o início já a chamar a atenção para diversas individualidades e junto de várias entidades”.

Aquando desta deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Braga, “o Senhor Presidente da República tomou conhecimento da situação, dado ter ouvido atentamente o que descrevi, tendo sido informado tratar-se de um cidadão que ali costuma ser visto, tem haveres (sacos, cobertores, cartões) e que necessita de ser apoiado por quem de direito, sendo que um dos cidadãos afirmou que eventualmente seria um cidadão em tempos acompanhado na Especialidade de Psiquiatria do Hospital de Braga, logo este homem precisa de ajuda”.

O homem está a dormir por baixo de um viaduto da Circular de Braga, frente ao Quartel do Regimento de Cavalaria 6, em Braga, onde esta manhã se deslocou Carlos Dobreira, tendo sido informado naquela unidade militar que seria dado conhecimento à Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa, à Câmara Municipal de Braga e ainda à empresa municipal de limpeza, de águas e saneamento, AGERE, o que já se verificou esta manhã.

Esta segunda-feira, Carlos Dobreira deslocou-se igualmente à reunião do Executivo da Câmara Municipal de Braga, onde deu conta da situação, explicando ao i que “o senhor presidente da Câmara, Ricardo Rio, nem qualquer outro dos vereadores camarários, me responderam, no final da reunião o senhor vice-presidente, Firmino Marques, foi o único a interessar-se, comprometendo-se já a diligenciar no sentido de saber o que se passava”.

30.10.18

Desempregados com subsídio sobem 9% no mês de setembro

Joaquim Martins Fernandes, Correio do Minho

Centro distrital de Braga da Segurança Social processou mais 1279 prestações do que no mês de agosto.

O número de desempregados do distrito de Braga com direito a prestação de desemprego disparou em setembro para máximos de um ano.

O aumento de 1279 beneficiários custou mais 561 mil euros aos cofres do Centro Distrital de Braga que os encargos assumidos em agosto, apesar de o valor médio das prestações ter registado uma descida ligeira.
A subida em flecha no espaço de um mês atirou os beneficiários do subsídio de desemprego para 15 mil 350, valor que fica muito próximo do total dos subsídios de desemprego que foram pagos pelo Centro Distrital de Braga da Segurança Social em setembro de 2017.