in Postal
A equipa do Gabinete de Bairro aceitou o desafio lançado pela DECO Algarve de promover sessões
A MOJU – Associação Movimento Juvenil em Olhão e a DECO Algarve – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, uniram-se na realização de uma sessão de sensibilização sobre a temática do desperdício alimentar.
A sessão de sensibilização foi dinamizada pela DECO Algarve no âmbito do seu projeto “Poupar e organizar para alimentos não desperdiçar” e decorreu nas instalações do Gabinete de Bairro, em Olhão, promovido pela associação juvenil olhanense.
De acordo com a DECO Algarve, “as perdas relacionadas com o desperdício alimentar representam um forte impacto ambiental, económico e social, pelo que é essencial identificar as causas e desenvolver mecanismos para atenuar este problema”.
Foi neste sentido que a equipa do Gabinete de Bairro aceitou o desafio lançado pela DECO Algarve de promover sessões de sensibilização para ajudar o/ consumidor/a a fazer melhores escolhas de consumo, capacitando-o/a para uma tomada de decisão mais responsável e consciente, do ponto de vista económico e ambiental.
A sessão foi preenchida por momentos de aprendizagem, de partilha e principalmente com muitos truques e dicas para diminuir o desperdício alimentar.
O Gabinete de Bairro encontra-se em funcionamento num espaço cedido pelo Município de Olhão, no Bairro Fundo Fomento à Habitação, e é completamente livre de custos para os/as utilizadores/as. Esta é uma das atividades do Projeto Bairro Cool, que está a ser implementando no âmbito do Programa Bairros Saudáveis.
O Programa Bairros Saudáveis é um programa público, de natureza participativa, para melhoria das condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida em territórios vulneráveis, financiado pelo Fundo de Recuperação e Resiliência – União Europeia, pelo Fundo Ambiental e pelo Ministério da Saúde.
Mostrar mensagens com a etiqueta Combate ao desperdício alimentar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Combate ao desperdício alimentar. Mostrar todas as mensagens
8.6.21
Refood Setúbal – Quando a boa-vontade causa um impacto social e ambiental.
in Distrito online
Eliminar o desperdício alimentar e ajudar quem mais precisa é a nossa missão. A REFOOD é uma organização de voluntariado que envolve toda a comunidade para resgatar alimentos e refeições. Por isso, aquilo que fazemos reduz o impacto negativo da biomassa que degrada o meio ambiente em aterros. Assim, conseguimos diminuir a nossa pegada ecológica ao recolher alimentos e entregá-los a quem mais precisa.
Como funciona?
É simples, os nossos superpoderes estão na boa vontade dos nossos voluntários e na inclusão de instituições públicas ou privadas, empresas e pequenos negócios presentes na comunidade. Cada entidade é convidada a participar no movimento da REFOOD, na medida que seja mais adequada à sua realidade, segundo o seu próprio interesse, disponibilidade e boa vontade.
Depois, realizamos a recolha dos alimentos de carro, a pé ou de bicicletas, em equipa, onde fortalecemos o espírito de comunidade solitária e garantimos sempre o fornecimento diário de alimentos nutritivos em bom estado.
Tudo isto se resume ao poder de uma refeição ou referida por muitos como a hora mais importante. É um ritual essencial ao desenvolvimento humano, não só em função alimentar, mas como um momento de partilha e convívio social e emocional, que todos têm direito. Logo, se tens 2 horas por semana para lutar contra o desperdício alimentar e queres fazer a diferença na tua cidade, junta-te à REFOOD!
#somosrefoodsetubal
Eliminar o desperdício alimentar e ajudar quem mais precisa é a nossa missão. A REFOOD é uma organização de voluntariado que envolve toda a comunidade para resgatar alimentos e refeições. Por isso, aquilo que fazemos reduz o impacto negativo da biomassa que degrada o meio ambiente em aterros. Assim, conseguimos diminuir a nossa pegada ecológica ao recolher alimentos e entregá-los a quem mais precisa.
Como funciona?
É simples, os nossos superpoderes estão na boa vontade dos nossos voluntários e na inclusão de instituições públicas ou privadas, empresas e pequenos negócios presentes na comunidade. Cada entidade é convidada a participar no movimento da REFOOD, na medida que seja mais adequada à sua realidade, segundo o seu próprio interesse, disponibilidade e boa vontade.
Depois, realizamos a recolha dos alimentos de carro, a pé ou de bicicletas, em equipa, onde fortalecemos o espírito de comunidade solitária e garantimos sempre o fornecimento diário de alimentos nutritivos em bom estado.
Tudo isto se resume ao poder de uma refeição ou referida por muitos como a hora mais importante. É um ritual essencial ao desenvolvimento humano, não só em função alimentar, mas como um momento de partilha e convívio social e emocional, que todos têm direito. Logo, se tens 2 horas por semana para lutar contra o desperdício alimentar e queres fazer a diferença na tua cidade, junta-te à REFOOD!
#somosrefoodsetubal
5.9.17
Bens em fim de validade vão ter pontos de venda próprios
Joana Amorim, in Jornal de Notícias
Estratégia e Plano de Ação em consulta pública. Vai ser criada plataforma colaborativa com oferta e procura.
Em Portugal, todos os anos é desperdiçado um milhão de toneladas de alimentos. São 96,8 quilogramas per capita. No mesmo país onde 29% das crianças estão em risco de pobreza. Com atraso, como todos reconhecem, a Estratégia Nacional e Plano de Ação de Combate ao Desperdício Alimentar está já em consulta pública. E foca-se na (in)formação.
Estratégia e Plano de Ação em consulta pública. Vai ser criada plataforma colaborativa com oferta e procura.
Em Portugal, todos os anos é desperdiçado um milhão de toneladas de alimentos. São 96,8 quilogramas per capita. No mesmo país onde 29% das crianças estão em risco de pobreza. Com atraso, como todos reconhecem, a Estratégia Nacional e Plano de Ação de Combate ao Desperdício Alimentar está já em consulta pública. E foca-se na (in)formação.
4.9.17
Um supermercado de oportunidades para poupar e combater o desperdício
Sérgio Pires, in Diário de Notícias
A Good After é uma plataforma de compras única na Península Ibérica: vende os produtos que não cabem nas prateleiras dos retalhistas devido a alterações na embalagem ou à aproximação da data de consumo preferencial
Massas, champôs, azeite, bolachas, um carrinho de compras num corredor, encomendas devidamente embaladas noutro. No pequeno armazém do Hipercentro, parque empresarial na Areosa, Porto, encontra-se desde mercearia a produtos de higiene ou de limpeza.
Será este um supermercado? Sim e não. A Good After está no retalho, mas joga num campeonato diferente do dos grandes players do setor.
"Somos um supermercado de oportunidades", explica ao DN Chantal Gispert, catalã de 41 anos que vive no Porto há quase vinte "por culpa do amor". Juntamente com um grupo de sócios, criou a única plataforma de compras na Península Ibérica a adotar um conceito que já existe nos Estados Unidos e no Norte da Europa: "Um dos sócios é jurista e verificou a viabilidade da nossa ideia face à lei portuguesa. Durante um ano estivemos a preparar o arranque da empresa, tivemos a aprovação da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, consultámos a ASAE, fizemos tudo o que devíamos fazer antes e em junho de 2016 abrimos portas."
Na Good After - o nome surgiu por oposição à expressão inglesa "Best Before", indicação de consumo preferencial utilizada nos produtos - vendem-se com um desconto que vai dos 20% aos 70% artigos que não têm lugar nas prateleiras dos supermercados convencionais: por terem mudado o grafismo ou o tamanho da embalagem, alguns, mas sobretudo aqueles cujo prazo de consumo preferencial está a expirar - há que sublinhar as diferenças entre os produtos que têm "prazo preferencial de consumo", que podem continuar a ser consumidos depois dessa data sem ser colocada em risco a segurança alimentar, e aqueles que têm uma "data-limite", os frescos, que não são vendidos aqui.
"Os lotes que nos chegam às mãos [vendidos pelas marcas à plataforma] não estão disponíveis nos pontos habituais por algum motivo. Tudo isto são ineficiências de stock (aponta em volta). Os clientes que nos procuram têm por base um consumo responsável, além de pouparem querem combater o desperdício", explica Chantal, percorrendo os corredores até apontar um exemplo concreto: "Estas bolachas têm uma embalagem natalícia, mas nós vendemo-las fora do Natal... Estão ótimas, mas não podem ser comercializadas fora da época numa superfície comercial por causa da embalagem, ou seja, o fornecedor teria de deitá-las ao lixo porque os custos logísticos de as reembalar são demasiado elevados."
Mais de 20 mil clientes registados
O crescimento da Good After faz-se conquistando aos poucos a confiança dos clientes, mas também dos fornecedores, cativando cada vez mais marcas para colaborarem nesta nova forma de consumo sustentável (ver outros exemplos nos destaques).
"A fatura detalha o motivo pelo qual se está a comprar a um preço mais baixo: é um procedimento importante para o cliente não ser levado ao engano e uma forma de a marca não se ver diminuída. No fundo, é como ir aos saldos. Apelamos à responsabilidade social que as marcas têm no combate ao desperdício, porque tudo isto iria parar ao lixo", diz a responsável.
Em pouco mais de um ano, a plataforma chegou aos 20 mil consumidores registados no site e mais de 30 mil seguidores no Facebook. Há "fregueses" em Portugal, a maioria na Grande Lisboa, mas também em Espanha.
O consumidor pode levantar a sua encomenda no armazém no próprio dia (caso a faça até às 13.00) ou em alternativa recebê-la na morada indicada ou levantá-la nos CTT ou numa loja Phone House (no dia seguinte).
Sara Parente, 46 anos, vive no Porto, é uma cliente habitual e pela proximidade aproveita para levantar as suas compras no armazém. "Assim poupo nos portes de envio e nos custos com a embalagem. A minha motivação é economizar e também combater o desperdício. Sou muito criteriosa no que compro, até porque tenho de gerir o orçamento de um agregado familiar com dois filhos, que passam a quatro a cada 15 dias. Comparo sempre os preços e, por exemplo, um gel de banho que custa quatro ou cinco euros num supermercado habitual só com uma promoção grande é que atinge os 2,5 euros, o preço habitual na Good After, onde agora faço cerca de 40% das compras mensais", diz ao DN esta profissional da área da assessoria, salientando que compra através da plataforma produtos de higiene e sobretudo bens alimentares.
"O que vendemos mais é mercearia: atum, polpa de tomate...", revela Chantal Gispert, explicando que a percentagem de desconto aplicada aos produtos está diretamente relacionada com o número de dias que lhe restam: "À medida que a data de consumo preferencial se vai aproximando, o desconto aumenta, até um máximo de 70%."
Apesar do crescimento, o sonho de abrir uma loja convencional não está previsto para breve. "Começámos por esta plataforma porque é um conceito novo e achámos que era a maneira mais prudente de testar o mercado. Uma loja física requer um investimento bem maior, mas gostaríamos de vir a dar esse passo. Para já, o nosso principal objetivo é ter sempre arroz, massa, etc. para que os meus clientes consigam comprar aqui sempre que quiserem um cabaz razoável, independentemente das marcas. Aliás, se tivéssemos sempre aqui os mesmos produtos seria um sinal de que eles não estavam a funcionar no mercado. Aqui dependemos das ineficiências de stock deste ou daquele fornecedor. É por isso é que digo: somos um supermercado de oportunidades", conclui a responsável pela Good After.
A Good After é uma plataforma de compras única na Península Ibérica: vende os produtos que não cabem nas prateleiras dos retalhistas devido a alterações na embalagem ou à aproximação da data de consumo preferencial
Massas, champôs, azeite, bolachas, um carrinho de compras num corredor, encomendas devidamente embaladas noutro. No pequeno armazém do Hipercentro, parque empresarial na Areosa, Porto, encontra-se desde mercearia a produtos de higiene ou de limpeza.
Será este um supermercado? Sim e não. A Good After está no retalho, mas joga num campeonato diferente do dos grandes players do setor.
"Somos um supermercado de oportunidades", explica ao DN Chantal Gispert, catalã de 41 anos que vive no Porto há quase vinte "por culpa do amor". Juntamente com um grupo de sócios, criou a única plataforma de compras na Península Ibérica a adotar um conceito que já existe nos Estados Unidos e no Norte da Europa: "Um dos sócios é jurista e verificou a viabilidade da nossa ideia face à lei portuguesa. Durante um ano estivemos a preparar o arranque da empresa, tivemos a aprovação da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, consultámos a ASAE, fizemos tudo o que devíamos fazer antes e em junho de 2016 abrimos portas."
Na Good After - o nome surgiu por oposição à expressão inglesa "Best Before", indicação de consumo preferencial utilizada nos produtos - vendem-se com um desconto que vai dos 20% aos 70% artigos que não têm lugar nas prateleiras dos supermercados convencionais: por terem mudado o grafismo ou o tamanho da embalagem, alguns, mas sobretudo aqueles cujo prazo de consumo preferencial está a expirar - há que sublinhar as diferenças entre os produtos que têm "prazo preferencial de consumo", que podem continuar a ser consumidos depois dessa data sem ser colocada em risco a segurança alimentar, e aqueles que têm uma "data-limite", os frescos, que não são vendidos aqui.
"Os lotes que nos chegam às mãos [vendidos pelas marcas à plataforma] não estão disponíveis nos pontos habituais por algum motivo. Tudo isto são ineficiências de stock (aponta em volta). Os clientes que nos procuram têm por base um consumo responsável, além de pouparem querem combater o desperdício", explica Chantal, percorrendo os corredores até apontar um exemplo concreto: "Estas bolachas têm uma embalagem natalícia, mas nós vendemo-las fora do Natal... Estão ótimas, mas não podem ser comercializadas fora da época numa superfície comercial por causa da embalagem, ou seja, o fornecedor teria de deitá-las ao lixo porque os custos logísticos de as reembalar são demasiado elevados."
Mais de 20 mil clientes registados
O crescimento da Good After faz-se conquistando aos poucos a confiança dos clientes, mas também dos fornecedores, cativando cada vez mais marcas para colaborarem nesta nova forma de consumo sustentável (ver outros exemplos nos destaques).
"A fatura detalha o motivo pelo qual se está a comprar a um preço mais baixo: é um procedimento importante para o cliente não ser levado ao engano e uma forma de a marca não se ver diminuída. No fundo, é como ir aos saldos. Apelamos à responsabilidade social que as marcas têm no combate ao desperdício, porque tudo isto iria parar ao lixo", diz a responsável.
Em pouco mais de um ano, a plataforma chegou aos 20 mil consumidores registados no site e mais de 30 mil seguidores no Facebook. Há "fregueses" em Portugal, a maioria na Grande Lisboa, mas também em Espanha.
O consumidor pode levantar a sua encomenda no armazém no próprio dia (caso a faça até às 13.00) ou em alternativa recebê-la na morada indicada ou levantá-la nos CTT ou numa loja Phone House (no dia seguinte).
Sara Parente, 46 anos, vive no Porto, é uma cliente habitual e pela proximidade aproveita para levantar as suas compras no armazém. "Assim poupo nos portes de envio e nos custos com a embalagem. A minha motivação é economizar e também combater o desperdício. Sou muito criteriosa no que compro, até porque tenho de gerir o orçamento de um agregado familiar com dois filhos, que passam a quatro a cada 15 dias. Comparo sempre os preços e, por exemplo, um gel de banho que custa quatro ou cinco euros num supermercado habitual só com uma promoção grande é que atinge os 2,5 euros, o preço habitual na Good After, onde agora faço cerca de 40% das compras mensais", diz ao DN esta profissional da área da assessoria, salientando que compra através da plataforma produtos de higiene e sobretudo bens alimentares.
"O que vendemos mais é mercearia: atum, polpa de tomate...", revela Chantal Gispert, explicando que a percentagem de desconto aplicada aos produtos está diretamente relacionada com o número de dias que lhe restam: "À medida que a data de consumo preferencial se vai aproximando, o desconto aumenta, até um máximo de 70%."
Apesar do crescimento, o sonho de abrir uma loja convencional não está previsto para breve. "Começámos por esta plataforma porque é um conceito novo e achámos que era a maneira mais prudente de testar o mercado. Uma loja física requer um investimento bem maior, mas gostaríamos de vir a dar esse passo. Para já, o nosso principal objetivo é ter sempre arroz, massa, etc. para que os meus clientes consigam comprar aqui sempre que quiserem um cabaz razoável, independentemente das marcas. Aliás, se tivéssemos sempre aqui os mesmos produtos seria um sinal de que eles não estavam a funcionar no mercado. Aqui dependemos das ineficiências de stock deste ou daquele fornecedor. É por isso é que digo: somos um supermercado de oportunidades", conclui a responsável pela Good After.
28.6.16
São alimentos feitos a partir de restos.. e são deliciosos
in Diário de Notícias
A maneira como estes alimentos são feitos é desconhecida para muita gente
A origem dos alimentos é algo a que muitas pessoas não prestam atenção na hora de comer. Alguns alimentos que consumimos no dia-a-dia são na verdade sobras e restos de outros e são obtidos por processos que nem imaginamos.
Um bom exemplo disso é a gelatina, um dos produtos mais recomendados para dietas equilibradas devido ao seu baixo número de calorias e por ter muita água. O que muitos não sabem é que a gelatina é feita de ossos, pele e cartilagem de animais, ou seja, as partes que não podem ser consumidas diretamente.
O primeiro passo para fazer esta sobremesa muito apreciada é ferver as sobras de pele e ossos de galinhas, vacas e porcos para libertar a molécula fibrosa de colagénio. A mistura é depois filtrada e posta a secar até se transformar em pó.
À temperatura ambiente, os filamentos de colagénio unem-se uns aos outros mas à medida que é adicionada água quente ao pó, as moléculas ganham novas formas e colam-se às moléculas de água.
Embora preparar gelatina seja agora um processo fácil e rápido, as primeiras receitas aconselhavam os produtores a ferverem especialmente com cuidado os pés de bezerro e a adicionarem bexigas secas de peixe, um produto conhecido como cola de peixe, e bocados de marfim, segundo a BBC.
Há vários sabores de gelatina de frutas disponíveis nos dias de hoje e nenhum deles deixa adivinhar a origem deste alimento.
Outro alimento que resulta dos restos de produção de outros é o melaço. Este produto escuro e viscoso é rico em ferro, cobre, cálcio e magnésio, para além de ser um adoçante natural e resulta do processamento do açúcar.
Para fazer melaço, a cana-de-açúcar é esmagada para libertar um líquido, que é depois fervido para a água evaporar. Enquanto o líquido coze, o açúcar começa a cristalizar, e a mistura é colocada numa centrifugadora. No final, os cristais de açúcar são retirados mas o líquido que sobra, que tem o aspeto de lodo, continua a ser tratado até ficar mais espesso e doce.
Depois de fermentado com água e levedura e destilado, o melaço pode ainda ser transformado em rum.
Estes dois produtos são utilizados principalmente para fazer lanches e sobremesas na cozinha portuguesa e quando chegam à mesa torna-se quase impossível adivinhar como são feitos.
Portugueses inventam aparelho que mede sal na comida em três minutos.
A maneira como estes alimentos são feitos é desconhecida para muita gente
A origem dos alimentos é algo a que muitas pessoas não prestam atenção na hora de comer. Alguns alimentos que consumimos no dia-a-dia são na verdade sobras e restos de outros e são obtidos por processos que nem imaginamos.
Um bom exemplo disso é a gelatina, um dos produtos mais recomendados para dietas equilibradas devido ao seu baixo número de calorias e por ter muita água. O que muitos não sabem é que a gelatina é feita de ossos, pele e cartilagem de animais, ou seja, as partes que não podem ser consumidas diretamente.
O primeiro passo para fazer esta sobremesa muito apreciada é ferver as sobras de pele e ossos de galinhas, vacas e porcos para libertar a molécula fibrosa de colagénio. A mistura é depois filtrada e posta a secar até se transformar em pó.
À temperatura ambiente, os filamentos de colagénio unem-se uns aos outros mas à medida que é adicionada água quente ao pó, as moléculas ganham novas formas e colam-se às moléculas de água.
Embora preparar gelatina seja agora um processo fácil e rápido, as primeiras receitas aconselhavam os produtores a ferverem especialmente com cuidado os pés de bezerro e a adicionarem bexigas secas de peixe, um produto conhecido como cola de peixe, e bocados de marfim, segundo a BBC.
Há vários sabores de gelatina de frutas disponíveis nos dias de hoje e nenhum deles deixa adivinhar a origem deste alimento.
Outro alimento que resulta dos restos de produção de outros é o melaço. Este produto escuro e viscoso é rico em ferro, cobre, cálcio e magnésio, para além de ser um adoçante natural e resulta do processamento do açúcar.
Para fazer melaço, a cana-de-açúcar é esmagada para libertar um líquido, que é depois fervido para a água evaporar. Enquanto o líquido coze, o açúcar começa a cristalizar, e a mistura é colocada numa centrifugadora. No final, os cristais de açúcar são retirados mas o líquido que sobra, que tem o aspeto de lodo, continua a ser tratado até ficar mais espesso e doce.
Depois de fermentado com água e levedura e destilado, o melaço pode ainda ser transformado em rum.
Estes dois produtos são utilizados principalmente para fazer lanches e sobremesas na cozinha portuguesa e quando chegam à mesa torna-se quase impossível adivinhar como são feitos.
Portugueses inventam aparelho que mede sal na comida em três minutos.
26.4.16
Desperdício alimentar. Sobras e produtos quase fora do prazo salvam alimentação dos portugueses
SÓNIA PERES PINTO, in "Jornal I"
Os consumidores estão cada vez mais sensibilizados e grandes superfícies não ficam alheias a esta questão. Só no ano passado, o Continente distribuiu 1,1 milhões de refeições
Todos os anos são desperdiçados cerca de 1,3 milhões de toneladas de alimentos, com custos na ordem dos 600 milhões de euros, o que dava para alimentar os mais de 925 milhões de pessoas que passam fome. Portugal não fica alheio a esta realidade mas, ainda assim, apresenta valores ligeiramente superiores em relação a outros países no que diz respeito ao combate do desperdício alimentar.
De acordo com os últimos dados disponíveis, o nosso país encontra-se a um nível de desperdício de 17%, abaixo da média mundial, que está fixada nos 35%. E a par dos milhões de euros que são desperdiçados é preciso contar ainda que estas más práticas estão a contribuir para aumentar as emissões de gases de efeito de estufa e para diminuir as reservas de água potável e, consequentemente, a biodiversidade no planeta.
O setor da distribuição não fica alheio a esta tendência e tem vindo a apostar em projetos para contornar esta situação. Incentivar boas práticas na produção dos alimentos é um desses exemplos, mas não fica por aqui. Doações a instituições como Re-Food e DariAcordar – Movimento Zero Desperdício, a reutilização de produtos – salvaguardando a qualidade, higiene e segurança alimentar, com chefes a ensinar a cozinhar com “restos”, venda de fruta feia e áreas em loja com descontos em produtos em final de prazo de validade – e a sensibilização para boas práticas em casa dos portugueses são outras técnicas usadas pelas grandes superfícies.
“Todas estas técnicas já permitiram doar mais 1,1 milhões de refeições no ano passado e contamos com mais de 600 instituições em parceria ”, explica ao i a diretora de relações públicas da Sonae MC, Nádia Reis.
Luta ganha novos contornos De acordo com a responsável, este combate ao desperdício não é novo, apesar de ter ganhado novos contornos nos últimos anos, uma vez que contam atualmente com 250 lojas dispersas em todos o país. “Termos excedentes é natural na nossa atividade e é uma obrigação para empresas deste ramo fazerem acontecer. É importante mudar os hábitos de consumo dos clientes de forma a terem um consumo mais consciente”, salienta.
Nádia Reis lembra que muitos dos produtos doados não estão próprios para venda porque têm, por exemplo, a embalagem estragada, mas apresentam todas as condições para serem consumidos. “A ideia é criar uma série de iniciativas com vista a sensibilizar tanto os produtos como os clientes para esta questão, apostando ao mesmo tempo em ações de formação, já que a grande maioria do desperdício que ainda se verifica é na casa dos portugueses.” Daí a aposta do Continente na apresentação de receitas de chefes para ajudar a aproveitar os alimentos que sobram nas refeições.
A responsável lembra que estas tendências têm vindo a ser implementadas um pouco por todo o mundo e que, nalguns casos, passam pela aposta em supermercados que vendem produtos perto do fim do prazo de validade. A responsável reconhece, no entanto, que em Portugal “a regulamentação nesta matéria ainda é muito apertada”.
Ajuda em crescimento A Re-Food surgiu em março de 2011 pelas mãos do norte-americano Hunter Halder, a viver em Portugal há mais de 20 anos. O projeto surgiu apenas com Halder na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, com a ideia de distribuir comida recolhida em restaurantes por famílias carenciadas. A rede de voluntariado foi crescendo – com a exceção do núcleo duro, que tem de estar mais disponível para se dedicar a este projeto sempre numa lógica microlocal, os restantes elementos trabalham duas horas por semana – e já conta com mais de quatro mil voluntários e 30 núcleos abertos em todo o país. Tem mais outros 30 em desenvolvimento, “mas que estão à espera de arranjar um espaço para poderem arrancar”, salienta ao i Francisca Vermelho, da Re-Food.
Atualmente já são distribuídas mais de 50 mil refeições por mês. Esses alimentos são recolhidos tanto nos restaurantes como nas cantinas e nas grandes superfícies. Mas a ajuda não fica por aqui. Sempre que são identificadas outras necessidades, além das alimentares, as pessoas são reencaminhadas para outras instituições de solidariedade. Além disso, para poderem beneficiar de uma refeição completa, essas pessoas têm de estar integradas num sistema organizado, nomeadamente serem acompanhadas por uma assistente social. E se faltarem mais de três vezes seguidas sem avisarem, há penalizações. “Quem precisa não falta e têm sempre a vantagem de poderem levar as refeições para casa, e não sendo um take-away, há sempre a preocupação de levarem aquilo de que mais gostam, sempre adaptado às suas necessidades”, conclui Francisca Vermelho.
Os consumidores estão cada vez mais sensibilizados e grandes superfícies não ficam alheias a esta questão. Só no ano passado, o Continente distribuiu 1,1 milhões de refeições
Todos os anos são desperdiçados cerca de 1,3 milhões de toneladas de alimentos, com custos na ordem dos 600 milhões de euros, o que dava para alimentar os mais de 925 milhões de pessoas que passam fome. Portugal não fica alheio a esta realidade mas, ainda assim, apresenta valores ligeiramente superiores em relação a outros países no que diz respeito ao combate do desperdício alimentar.
De acordo com os últimos dados disponíveis, o nosso país encontra-se a um nível de desperdício de 17%, abaixo da média mundial, que está fixada nos 35%. E a par dos milhões de euros que são desperdiçados é preciso contar ainda que estas más práticas estão a contribuir para aumentar as emissões de gases de efeito de estufa e para diminuir as reservas de água potável e, consequentemente, a biodiversidade no planeta.
O setor da distribuição não fica alheio a esta tendência e tem vindo a apostar em projetos para contornar esta situação. Incentivar boas práticas na produção dos alimentos é um desses exemplos, mas não fica por aqui. Doações a instituições como Re-Food e DariAcordar – Movimento Zero Desperdício, a reutilização de produtos – salvaguardando a qualidade, higiene e segurança alimentar, com chefes a ensinar a cozinhar com “restos”, venda de fruta feia e áreas em loja com descontos em produtos em final de prazo de validade – e a sensibilização para boas práticas em casa dos portugueses são outras técnicas usadas pelas grandes superfícies.
“Todas estas técnicas já permitiram doar mais 1,1 milhões de refeições no ano passado e contamos com mais de 600 instituições em parceria ”, explica ao i a diretora de relações públicas da Sonae MC, Nádia Reis.
Luta ganha novos contornos De acordo com a responsável, este combate ao desperdício não é novo, apesar de ter ganhado novos contornos nos últimos anos, uma vez que contam atualmente com 250 lojas dispersas em todos o país. “Termos excedentes é natural na nossa atividade e é uma obrigação para empresas deste ramo fazerem acontecer. É importante mudar os hábitos de consumo dos clientes de forma a terem um consumo mais consciente”, salienta.
Nádia Reis lembra que muitos dos produtos doados não estão próprios para venda porque têm, por exemplo, a embalagem estragada, mas apresentam todas as condições para serem consumidos. “A ideia é criar uma série de iniciativas com vista a sensibilizar tanto os produtos como os clientes para esta questão, apostando ao mesmo tempo em ações de formação, já que a grande maioria do desperdício que ainda se verifica é na casa dos portugueses.” Daí a aposta do Continente na apresentação de receitas de chefes para ajudar a aproveitar os alimentos que sobram nas refeições.
A responsável lembra que estas tendências têm vindo a ser implementadas um pouco por todo o mundo e que, nalguns casos, passam pela aposta em supermercados que vendem produtos perto do fim do prazo de validade. A responsável reconhece, no entanto, que em Portugal “a regulamentação nesta matéria ainda é muito apertada”.
Ajuda em crescimento A Re-Food surgiu em março de 2011 pelas mãos do norte-americano Hunter Halder, a viver em Portugal há mais de 20 anos. O projeto surgiu apenas com Halder na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, com a ideia de distribuir comida recolhida em restaurantes por famílias carenciadas. A rede de voluntariado foi crescendo – com a exceção do núcleo duro, que tem de estar mais disponível para se dedicar a este projeto sempre numa lógica microlocal, os restantes elementos trabalham duas horas por semana – e já conta com mais de quatro mil voluntários e 30 núcleos abertos em todo o país. Tem mais outros 30 em desenvolvimento, “mas que estão à espera de arranjar um espaço para poderem arrancar”, salienta ao i Francisca Vermelho, da Re-Food.
Atualmente já são distribuídas mais de 50 mil refeições por mês. Esses alimentos são recolhidos tanto nos restaurantes como nas cantinas e nas grandes superfícies. Mas a ajuda não fica por aqui. Sempre que são identificadas outras necessidades, além das alimentares, as pessoas são reencaminhadas para outras instituições de solidariedade. Além disso, para poderem beneficiar de uma refeição completa, essas pessoas têm de estar integradas num sistema organizado, nomeadamente serem acompanhadas por uma assistente social. E se faltarem mais de três vezes seguidas sem avisarem, há penalizações. “Quem precisa não falta e têm sempre a vantagem de poderem levar as refeições para casa, e não sendo um take-away, há sempre a preocupação de levarem aquilo de que mais gostam, sempre adaptado às suas necessidades”, conclui Francisca Vermelho.
30.4.14
Câmara de Lisboa cria Comissariado de Combate ao Desperdício Alimentar
in Notícias ao Minuto
A Câmara de Lisboa vai criar um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, que irá elaborar um plano específico e tentar reduzir a fome no município lisboeta.
A criação do comissariado consta de uma proposta - subscrita pelo presidente, António Costa (PS), pelo vereador do movimento Cidadãos por Lisboa que integra a maioria socialista, João Afonso, e pelo vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira -, que vai ser debatida na reunião camarária de quarta-feira.
Na proposta, a que a Lusa teve acesso, são destacadas várias iniciativas da sociedade civil na luta contra a fome e pode ler-se que "é chegado o momento de a Câmara Municipal de Lisboa incrementar o seu contributo através do seu apoio institucional para o reforço e alargamento destas iniciativas da sociedade civil e dos diferentes parceiros".
Os subscritores da proposta defendem ainda que a autarquia deve ter uma "participação ativa" e "mobilizar as parcerias com a sociedade civil, nomeadamente com as instituições sociais e com o tecido empresarial, tendo em vista maximizar o combate ao desperdício de alimentos da restauração e cantinas, através do aproveitamento dos excedentes, de modo a serem distribuídos pelos que deles mais necessitam".
"É possível e necessário construir uma 'Lisboa, Cidade sem Desperdício Alimentar', que pelo seu papel como capital deve liderar a criação de uma estrutura estratégica de conjunto na área metropolitana", lê-se no documento.
O presidente e os vereadores estipulam ainda que a nova estrutura vai funcionar com recursos humanos já existentes na câmara e que "não consubstancia um acréscimo de despesa nem de encargos financeiros para o município".
O Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar vai funcionar na dependência do vereador João Gonçalves Pereira, enquanto comissário e responsável pelo projeto, e do vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, a quem caberá, sempre que necessário, a articulação com os serviços da câmara.
A Câmara de Lisboa vai criar um Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar, que irá elaborar um plano específico e tentar reduzir a fome no município lisboeta.
A criação do comissariado consta de uma proposta - subscrita pelo presidente, António Costa (PS), pelo vereador do movimento Cidadãos por Lisboa que integra a maioria socialista, João Afonso, e pelo vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira -, que vai ser debatida na reunião camarária de quarta-feira.
Na proposta, a que a Lusa teve acesso, são destacadas várias iniciativas da sociedade civil na luta contra a fome e pode ler-se que "é chegado o momento de a Câmara Municipal de Lisboa incrementar o seu contributo através do seu apoio institucional para o reforço e alargamento destas iniciativas da sociedade civil e dos diferentes parceiros".
Os subscritores da proposta defendem ainda que a autarquia deve ter uma "participação ativa" e "mobilizar as parcerias com a sociedade civil, nomeadamente com as instituições sociais e com o tecido empresarial, tendo em vista maximizar o combate ao desperdício de alimentos da restauração e cantinas, através do aproveitamento dos excedentes, de modo a serem distribuídos pelos que deles mais necessitam".
"É possível e necessário construir uma 'Lisboa, Cidade sem Desperdício Alimentar', que pelo seu papel como capital deve liderar a criação de uma estrutura estratégica de conjunto na área metropolitana", lê-se no documento.
O presidente e os vereadores estipulam ainda que a nova estrutura vai funcionar com recursos humanos já existentes na câmara e que "não consubstancia um acréscimo de despesa nem de encargos financeiros para o município".
O Comissariado Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar vai funcionar na dependência do vereador João Gonçalves Pereira, enquanto comissário e responsável pelo projeto, e do vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, a quem caberá, sempre que necessário, a articulação com os serviços da câmara.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

