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25.9.23

Incêndios: Governo apoia apicultores de Aljezur, Monchique e Odemira com 25 mil euros

Agência Lusa, in Observador


O apoio, realçou, vai ser "atribuído aos apicultores cujos apiários foram direta ou indiretamente afetados pelos incêndios que deflagraram, no mês de maio e nos primeiros dias do mês de agosto".


O Governo criou um apoio extraordinário, com uma dotação de 25 mil euros, destinado aos apicultores afetados pelos incêndios ocorridos em maio e agosto deste ano nos concelhos de Aljezur, Monchique e Odemira, foi esta segunda-feira anunciado.

Em comunicado, o gabinete da ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, indicou que o despacho normativo que prevê a criação desta ajuda, assinado pela governante, foi esta segunda-feira publicado.

O apoio, realçou, vai ser “atribuído aos apicultores cujos apiários foram direta ou indiretamente afetados pelos incêndios que deflagraram, no mês de maio e nos primeiros dias do mês de agosto deste ano, nos concelhos de Aljezur, Monchique e Odemira”.


Referindo-se aos prejuízos causados pelos incêndios, a tutela assinalou que, além dos bovinos, ovinos e caprinos que “ficaram afetados pela eliminação de pastos usados na sua alimentação”, as abelhas foram igualmente afetadas.


Os fogos “comprometeram também a alimentação das abelhas das explorações apícolas cujos apiários se situam na proximidade das áreas ardidas, privando as abelhas do alimento natural que estas áreas lhes proporcionavam”, sublinhou.

Segundo o ministério, os apicultores devem fazer o pedido de apoio, no prazo máximo de 30 dias úteis após a data de publicação deste despacho, junto da Direção Regional de Agricultura (DRAP) e Pescas territorialmente competente, acompanhado por uma ficha de declaração de prejuízos e pela declaração de existências.

A aprovação da ajuda “depende da verificação administrativa e o pagamento é antecedido de controlo no local dos prejuízos sofridos a efetuar pela DRAP”, acrescentou.

Em 25 de agosto último, a ministra da Agricultura e da Alimentação já tinha anunciado um apoio unitário de 8.400 euros para os agricultores e produtores pecuários de Odemira e de 5.400 euros para os de Aljezur.

O incêndio ocorrido em agosto teve início no dia 5 desse mês, no concelho de Odemira (Beja), tendo sido dado como dominado às 10h15 do dia 9, seis dias depois de ter deflagrado numa área de mato e pinhal na zona de Baiona, na freguesia de São Teotónio.


O fogo chegou a entrar nos concelhos algarvios de Monchique e Aljezur e a área ardida ascende a cerca de 8.400 hectares, num perímetro de 50 quilómetros.

18.9.23

Albertina Madeira aos 100 anos ainda emenda `gralhas` no jornal que dirige

por Duarte Baltazar - Antena 1, in RTP


Conta com 100 anos, dirige um jornal regional no Algarve e diz que à reforma é algo que não lhe passa pela cabeça. Albertina Madeira afirma ter gosto por coisas boas na terra onde vive e o jornal Ecos da Serra é a forma de fazer chegar aos quatros cantos do mundo as notícias da serra algarvia.
Apesar de a senhora Albertina um século de vida, ainda trabalha por convicção.

A directora do Ecos da Serra recorda com saudade, ao jornalista da antena 1 Duarte Baltazar, como nasceu este jornal e revela que ainda hoje corrige os erros antes da publicação sair para os leitores.

Um tema que vai merecer desenvolvimento mais logo, na emissão da A1, depois das notícias da uma da tarde, no programa Portugal em Directo.

22.8.23

“Não podia entrar a não ser para retirar as coisas”: Carlos foi despejado da casa que arrendava sem aviso prévio

in TVI


Além de permitir o avanço do arrendamento coercivo e o fim dos vistos gold, o pacote Mais Habitação tornará mais simples e rápido despejar inquilinos. Para isso, bastará que a renda não seja paga e os senhorios apresentem queixa ao Balcão Nacional do Arrendamento, que será criado. Mas esta medida não irá resolver alguns problemas que continuam a persistir, como o que a TVI detetou no Algarve.

Oh, o Algarve não tem portugueses…

Pedro Gomes Sanches, opinião, in Expresso


O problema não é o Algarve, o problema não são os algarvios, o problema não é "o sector do turismo", o problema não são os portugueses. O problema são os bolsos dos portugueses, que estão cada vez mais curtos e apertados. Uma família não gasta menos de 1.400 euros por uma semana. Coincidência ou não, da última vez que reparei, o salário médio bruto mensal de um português (repito: médio; repito: bruto; repito: mensal) era de 1.411 euros.


As gentis almas lusas descobriram que há poucos portugueses no Algarve este ano, e trataram logo de especular sobre as razões. Lamento, mas não tenho boas notícias: o problema não tem, fora do empobrecimento estrutural dos portugueses, bodes expiatórios sobre quem o governo possa lançar os anátemas do costume.


O problema não é o Algarve, o problema não são os algarvios, o problema não é "o sector do turismo", o problema não são os portugueses. O problema são os bolsos dos portugueses, que estão cada vez mais curtos e apertados.


E, como não há eleições à porta, Costa não deu a esmola do costume e as pessoas ficaram, compreensivelmente, em casa.


Imaginem uma família composta por um jovem casal com um filho menor, a iniciar férias hoje no Algarve. Seguindo o célebre e útil conselho do Eng. Guterres, fui fazer as contas. Fui ao AirBnB e encontrei uma casa "barata" para os albergar: 123 euros por noite em São Bartolomeu de Messines, a 24 km da costa. Quanto mais perto do mar, mais caras, claro.


Na mesma plataforma, uma pesquisa feita ontem (quando escrevi este artigo), sem grande critério, para a semana de 21 a 28 de Agosto, para dois adultos e uma criança, devolve 480 alojamentos. A média do custo por noite é 568 euros, e o valor com mais ocorrências é 278 euros. Repito: por noite. "Fiquemos", portanto, em São Bartolomeu de Messines. Feita a reserva, com baixa de tarifa e taxa de limpeza: 858 euros por uma semana. A casa não tem piscina, mas não vou contabilizar o custo do combustível para deslocações mínimas de 50 kms diários, para a praia e regresso. Também não vou contabilizar os custos da deslocação de casa para o alojamento de férias e regresso. Nem as portagens.


Passando para o Tripadvisor e procurando restaurantes no Algarve apenas com um € nos filtros, encontram-se algumas hipóteses, e nessas abundam hamburguerias. Uma refeição, para 3 pessoas, não custa menos de 35 euros. Sem sobremesas e com parcimónia nas bebidas, claro.


Admitamos, apertando o cinto - esse velho mas sempre actual conselho Soarista -, que o almoço são sandes compradas num supermercado qualquer e o jantar é na hamburgueria. Considerando a bola de berlim de manhã, o café depois de almoço, o gelado para a criança e a imperial para os adultos à tarde, e a mesma dose à noite, depois do jantar, o dia não acaba, com muita contenção e pouco relaxamento, sem se gastar pelo menos 75 euros. Nada disto inclui gins de final de tarde com vista de mar nem almoçaradas com couvert e sobremesa. Também não inclui duas refeições em restaurante. É tudo à pele: 525 euros por 7 dias.


Em síntese, descontando custos de deslocações, com combustíveis e portagens, para umas férias no Algarve, a 24 kms da praia, e com grande contenção de despesas, consumindo porventura menos e pior do que se consumiria em casa, esta família não gasta menos de 1.400 euros por uma semana. Uma semana.


Coincidência ou não, da última vez que reparei, o salário médio bruto mensal de um português (repito: médio; repito: bruto; repito: mensal) era de 1.411 euros (em 2022). Parece que aumentou, "mas a subida esconde uma queda real de 4% da remuneração média em Portugal se for tido em conta efeito da inflação". Se a família tiver crédito à habitação com taxa variável indexada à Euribor, a coisa é pior.


Claro que houve quem procurasse outras paragens fora do país, nos tais charters. Mas não foram "resmas". Claro que houve quem aproveitasse para "descobrir" outro Portugal, das praias fluviais e das aldeias perdidas. Mas o destino a Sul preferido dos portugueses não ficou mais ventoso nem as suas águas ficaram mais frias.


A explicação é que os portugueses vivem pior. Podiam, claro, ir como na década de 90 do século passado - esse tempo cavaquista que a esquerda deplora -, de Renault 5 carregado de mercearia e grelhador para preparar ao almoço o peixe comprado diariamente no mercado local, dirão alguns. Não teria mal nenhum, e encontro nisso grandes virtudes. Mas enquanto que em 90 esse movimento - com o carro comprado num auto-grupo e as primeiras férias fora de casa - era sinónimo de ascensão social, hoje significa exactamente o contrário. Já para não falar no preço a que está o peixe, que talvez não permitisse grandes poupanças. É claro que, dessa década e do Algarve, os que dizem isso já só se lembram da Kadoc e das festas no Castelo. Portanto, siga a festa!



Pedro Gomes Sanches escreve de acordo com a antiga ortografia

10.8.23

Algarve vazio: vá para dentro, lá fora

Manuel Cardoso Humorista, opinião, in Expresso

O Algarve já foi destino, agora é fado: é do agrado dos portugueses, mas vê-lo ao vivo só está ao alcance do bolso dos estrangeiros


Pelintramente, requeri junto de familiares o usufruto temporário de uma casa de férias e, no início deste mês, consegui passar uns dias no Algarve. Na semana da Jornada Mundial da Juventude, tinha sido pressagiado um imparável movimento migratório pela A2 abaixo - não de “todos, todos, todos”, mas de alguns, alguns, alguns. Não ocorreu; o Sul estava efetivamente calminho. Escandalosamente calminho, até. O alerta de fraca adesão turística confirma-se: neste verão, a região tem dado ares de destino para onde as pessoas viajam quando querem evitar a confusão do Algarve.

Calculo que muita gente não se reveja neste Algarve em que não é preciso estar 45 minutos à espera de mesa para comer, em que não se tem de estacionar a dois quilómetros da praia, em que não nos é dada a oportunidade de escutar a totalidade da conversa íntima da família que estendeu a toalha a meio metro da nossa. Este não é o Algarve a que fomos habituados; exigimos o regresso do maralhal! É que o Rio Trancão tinha mais gente do que a Ria Formosa. Pela primeira vez na história das quinzenas de Agosto, foi pertinente alguém dizer "bom, a Bobadela está impossível, vou mas é desfrutar da quietude de Quarteira".

O Algarve não tem estado vazio necessariamente por causa da ausência de estrangeiros: a afluência de irlandeses, por exemplo, cresceu uns impressionantes 25% face ao período de pré-pandemia. É possível que o único irlandês que não veio para o Algarve tenha sido o ator Cillian Murphy, protagonista de “Oppenheimer” - provavelmente, porque já estaria suficientemente bronzeado em virtude da radiação atómica.

Segundo os dados da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, quem faltou à chamada foram os turistas nacionais. Ou seja, se o Sul do país já foi o segredo mais bem guardado da Europa, hoje é o segredo mais bem guardado de Portugal. Não por ser um local desconhecido, mas porque está tão caro que, para não ser tido como um magnata, quem lá vai guarda sigilo. O Algarve já foi destino, agora é fado: é do agrado dos portugueses, mas vê-lo ao vivo só está ao alcance do bolso dos estrangeiros.

Paulo Futre, em 2011, estava parcialmente correto quando profetizou "vão vir charters". Na verdade, "estão a sair charters". De Portugal, em direção a destinos turísticos mais em conta. Segundo a edição da semana passada do Expresso, os voos para países como Cabo Verde, Caraíbas, Marrocos, Tunísia, Egito ou Senegal têm tido imensa procura. A razão? Os preços são muito mais competitivos do que os do Algarve. Ou seja, passar férias em Boliqueime é atualmente mais extravagante do que ir para as Bahamas. Isto terá consequências trágicas, como o aumento do número de pessoas que nos dirão que "não há melhor do que um hotel com pulseirinha" e que nos tentarão convencer que um curso de mergulho "vale mesmo a pena".

Eu não percebo nada de hotelaria, mas julgo que os operadores turísticos do Algarve se entusiasmaram nos preços face à competição. Note-se que a maioria dos destinos supracitados são banhados por água quentinha. Ao português não lhe falta vontade de ir para o Algarve e é até capaz de desafiar um estrangeiro para um duelo, caso lhe ouça uma crítica às praias portuguesas.

Agora, um destino de praia cuja temperatura do mar é frequentemente definida pela frase "custa a entrar, mas depois habituas-te" de modo algum justifica 200 euros por uma noite num hotel. Uma vez que os portugueses parecem estar a escolher destinos de praia porque o Algarve está muito inflacionado, o novo lema do Turismo de Portugal devia ser "vá para dentro, lá fora".

Portanto, Lisboa estava a abarrotar de beatos, o Algarve ficou demasiado caro e o interior lida, como sempre, com os incêndios. Onde é que os portugueses se enfiaram no verão de 2023? No cinema. O ICA revelou que julho foi o melhor mês em receitas brutas para as salas de cinema desde que há registos. Faz sentido, é o único local com ar condicionado em que podemos dormir no verão que custa menos de dez euros. Parte desta faturação terá acontecido graças ao filme “Oppenheimer”. É curioso que, para fugirem ao calor, os portugueses tenham ido ver uma película que se debruça sobre uma bomba que atinge temperaturas de 50 milhões de graus Celsius.

Nesta quinta-feira, estreou o filme “Gran Turismo”. Ainda não vi, mas é melhor não esperar grande coisa: parece que tudo o que está relacionado com turismo em Portugal tem ficado aquém das expectativas.

4.8.23

Agora as praias do Algarve só têm estrangeiros e algarvios? Não é bem assim, mas já esteve mais longe

Teresa Amaro Ribeiro, in Expresso

Esta quinta-feira, na rubrica Economia dia a dia, falamos do Algarve, a única região do país onde o turismo permanece aquém dos níveis pré-pandemia. O dedo é apontado aos portugueses que por causa do aumento do custo de vida e tas taxas de juro, tiveram de repensar as suas férias

1.8.23

Algarve. Hotéis esperam menos turistas portugueses devido a perda de poder de compra

Mira Godinho, in RR

O presidente da maior associação hoteleira algarvia admite que tenha havido uma subida nos preços. Até porque os custos também subiram para os empresários. Mas o problema, defende, está mesmo no poder de compra dos portugueses.


Este verão, esperam-se menos turistas no Algarve. Mas a quebra não é geral. Como explica o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), há, essencialmente, menos turistas de uma nacionalidade: a portuguesa. Há menos portugueses a fazer férias no Algarve este ano e a razão está identificada.


Hélder Martins, presidente da AHETA, refere à Renascença “há uma diminuição. Nota-se na restauração, nota-se no apartamentos, nota-se que há menos gente, e essa menos gente são portugueses. Razão para isso, não tenho a mínima dúvida que tem a ver com o aumento das taxas de juro, dos empréstimos, da inflação. Isso obriga a que muitas pessoas tenham de ficar em casa”.


O presidente da maior associação hoteleira algarvia admite que tenha havido uma subida nos preços. Até porque os custos também subiram para os empresários. Mas o problema, defende, está mesmo no poder de compra dos portugueses.


“Passar férias, com uma família, com refeições, com alojamento, com diversões, é preciso uma bolsa que muitos portugueses não têm. Não tenho a mínima dúvida”, aponta.


Hélder Martins recusa que a situação seja dramática para o setor. E adianta que entre os britânicos, segunda maior nacionalidade rmytr os turistas que o Algarve recebe, a seguir aos portugueses, a redução não se tem verificado.

Por isso, apela ao Governo que olhe "para aquilo que é a sobrecarga fiscal das famílias e das empresas para podermos estar mais acessiveis”.


O presidente da AHETA diz ainda que a maior redução de turistas regista-se entre as unidades hoteleiras com preços mais reduzidos, mantendo-se uma elevada procura pelas mais caras. Outra prova, diz, que quem tem poder de compra continua a fazer férias no Algarve. O problema é mesmo o reduzido tamanho da bolsa dos portugueses.

19.6.23

“Precisamos de pessoas qualificadas para termos um desenvolvimento sustentável”

João Tavares, in Postal do Algarve

“O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, afirma Madalena Feu, delegada regional do IEFP


Milhões de pessoas visitam o Algarve todo o ano. Procuram o sol, a praia e a boa comida, e o setor do turismo e da restauração são reforçados com milhares de trabalhadores, e muitos deles têm de se contentar com contratos a termo e precários. Mas o Algarve é muito mais do que um ‘pacote turístico’ e quer apostar em outros ramos de atividades, e com recursos humanos de excelência. “Temos de diversificar a nossa economia e apostar na qualificação e formação profissional”, começa por destacar ao POSTAL a delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Os desafios são muitos e o Algarve não quer perder a corrida, isto num período em que as mudanças são cada vez mais rápidas e radicais. “O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, salienta Madalena Feu, adiantando que é preciso encontrar respostas para a época baixa.

“Não conseguindo os empregadores garantir postos de trabalho a tempo inteiro durante todo o ano, faz com que haja um número elevado, e maior que a média nacional, de contratos a prazo, sazonais e precários. É por isso que se torna vital diversificar a nossa economia”, garante a responsável do IEFP, confirmando que as empresas e entidades têm consciência dessa realidade. “Não queremos matar a “galinha dos ovos de ouro”, que é o turismo, e que muito tem contribuído para a economia do país, mas temos de encontrar também outras respostas”.

E para que tal realidade seja possível, tem de haver vontade do setor empresarial e a aposta numa mão-de-obra cada vez mais capaz. “Precisamos de pessoas qualificadas, com as competências necessárias e ajustadas às necessidades do mercado, para garantirmos o desenvolvimento sustentável da nossa economia, daí ser tão importante apostar na formação profissional. Só assim podemos colher frutos no futuro”, conta a responsável do IEFP no Algarve. Mas o problema não é só a qualidade, mas também a quantidade.

“O Algarve tem falta de recursos humanos, apesar dos últimos censos evidenciarem o aumento da população na região. Mas este aumento aconteceu à custa da população mais idosa e também dos últimos fluxos migratórios para a nossa região, que vieram à procura de melhores condições de vida, designadamente de cidadãos estrangeiros de países terceiros. E precisamos destas pessoas, porque apenas com os recursos humanos da região não se consegue responder às necessidades de mão de obra e à diversificação e crescimento da economia regional”.

“Precisamos de pessoas qualificadas para termos um desenvolvimento sustentável”


“O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, afirma Madalena Feu, delegada regional do IEFP


Milhões de pessoas visitam o Algarve todo o ano. Procuram o sol, a praia e a boa comida, e o setor do turismo e da restauração são reforçados com milhares de trabalhadores, e muitos deles têm de se contentar com contratos a termo e precários. Mas o Algarve é muito mais do que um ‘pacote turístico’ e quer apostar em outros ramos de atividades, e com recursos humanos de excelência. “Temos de diversificar a nossa economia e apostar na qualificação e formação profissional”, começa por destacar ao POSTAL a delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Madalena Feu, delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional no Algarve

Os desafios são muitos e o Algarve não quer perder a corrida, isto num período em que as mudanças são cada vez mais rápidas e radicais. “O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, salienta Madalena Feu, adiantando que é preciso encontrar respostas para a época baixa.

“Não conseguindo os empregadores garantir postos de trabalho a tempo inteiro durante todo o ano, faz com que haja um número elevado, e maior que a média nacional, de contratos a prazo, sazonais e precários. É por isso que se torna vital diversificar a nossa economia”, garante a responsável do IEFP, confirmando que as empresas e entidades têm consciência dessa realidade. “Não queremos matar a “galinha dos ovos de ouro”, que é o turismo, e que muito tem contribuído para a economia do país, mas temos de encontrar também outras respostas”.

E para que tal realidade seja possível, tem de haver vontade do setor empresarial e a aposta numa mão-de-obra cada vez mais capaz. “Precisamos de pessoas qualificadas, com as competências necessárias e ajustadas às necessidades do mercado, para garantirmos o desenvolvimento sustentável da nossa economia, daí ser tão importante apostar na formação profissional. Só assim podemos colher frutos no futuro”, conta a responsável do IEFP no Algarve. Mas o problema não é só a qualidade, mas também a quantidade.

“O Algarve tem falta de recursos humanos, apesar dos últimos censos evidenciarem o aumento da população na região. Mas este aumento aconteceu à custa da população mais idosa e também dos últimos fluxos migratórios para a nossa região, que vieram à procura de melhores condições de vida, designadamente de cidadãos estrangeiros de países terceiros. E precisamos destas pessoas, porque apenas com os recursos humanos da região não se consegue responder às necessidades de mão de obra e à diversificação e crescimento da economia regional”

E para Madalena Feu todos têm respondido ao desafio: as empresas, os jovens, aqueles que têm estado no desemprego e até mesmo trabalhadores que estão no ativo, mas que querem melhorar as suas competências. “É preciso investir não só na formação inicial dos jovens e dos migrantes, dando-lhes as competências necessárias para se ajustarem ao mercado de trabalho, mas também reconverter aqueles que já não querem estar no setor do turismo, ou em qualquer outro setor, mas sim em outras atividades profissionais. Temos de qualificar e requalificar para novos empregos, mas também melhorar e desenvolver novas competências para manter postos de trabalho”.

Segundo a delegada regional do IEFP, todos têm a ganhar com esta aposta no futuro. “Quanto mais qualificados forem os trabalhadores de uma empresa, mais fácil é garantir os parâmetros de qualidade e de excelência nos resultados. A formação não deve ser vista como um custo para a empresa, mais sim como um investimento”.
“É preciso apostar na transformação digital”

A União Europeia promove em 2023 o Ano Europeu das Competências. O Postal do Algarve desafiou a diretora regional do IEFP a enumerar as áreas em que é preciso apostar no imediato.

“O Algarve tem condições para não ser apenas restauração e hotelaria. A estratégia de desenvolvimento regional para uma especialização inteligente, sustentável e inclusiva do Algarve, a designada RIS 3, identifica os diversos setores em que é necessário apostar. Considero que, no presente, uma das áreas mais urgentes é a que está relacionada com a transição digital, pois temos de acompanhar esta importante mudança decorrente da inovação tecnológica. E o digital é transversal a todas as atividades profissionais, bem como também “mexe” com a vida das pessoas. É preciso prevenir a possível exclusão social, que daí poderá advir”. Mas há outros. “Áreas profissionais relacionadas com a economia do mar e economia verde, com a transição energética e ambiental, bem como tudo o que tenha a ver com os setores da saúde e bem-estar e social. Todos estes setores podem ajudar a encontrar outros focos de desenvolvimento na região”.
E esta necessidade de apostar na qualificação e requalificação tem levado a que haja uma procura cada vez maior no IEFP. “Fazemos muita formação em línguas estrangeiras, em especial no inglês, francês, alemão e espanhol, mas também em língua portuguesa dirigida a estrangeiros (Português Língua de Acolhimento), o que é muito necessário na nossa região, bem como permitirá aos cidadãos estrangeiros uma melhor integração social e profissional. Mas há outras áreas em que temos vindo a apostar, designadamente as áreas digitais, de multimédia, de marketing digital e comércio eletrónico”.


Mas também o setor empresarial sente a necessidade de evoluir. “Apostamos cada vez mais na formação dirigida aos ativos das empresas. Esse número tem aumentado. Muitas empresas procuram-nos de modo a realizarmos ações de formação nas áreas ajustadas às suas necessidades, por norma de curta duração, em que podem melhorar as competências dos seus trabalhadores”, garante Madalena Feu.
“Faltam graus intermédios no Algarve”

É nas escolas que os jovens acabam por fazer as primeiras escolhas antes de entrarem no mercado de trabalho. Uma das primeiras, é a via a seguir até ao primeiro emprego.

“Muitos pais ainda têm o ensino superior como uma bandeira, têm aquela ideia de que os filhos têm de ser doutores”, começa por contar Madalena Feu, realçando a necessidade de apostar “na formação profissional, como uma alternativa de excelente qualidade, que permitirá o acesso mais rápido ao mercado de trabalho, mas que também permitirá prosseguir estudos, caso essa venha a ser a vontade de cada pessoa”.

“O mercado de trabalho no Algarve precisa de jovens (e adultos) com estudos superiores, mas também tem muita falta de trabalhadores com qualificações de nível intermédio. Falo de qualificações de nível 4 e 5. E temos um número significativo de jovens, que terminam ou abandonam previamente a sua escolaridade obrigatória e não prosseguem estudos. Havendo falta de mão de obra em áreas profissionais de nível intermédio, considero ser muito importante intervir a este nível”, acrescenta.

E a formação aproxima de imediato os formandos do mundo laboral. “A vantagem da qualificação profissional é que muita dessa formação implica um estágio com uma carga horária elevada numa empresa. A maior parte desses jovens ficam a trabalhar nas empresas onde estagiam ou vão para outras”, conta a diretora regional, avançando ainda que tem muitas empresas a trabalhar em parceria com o IEFP.

10.5.23

Há quem contorne a seca no Algarve com uma agricultura que regenera

Idálio Revez, in Público online

“Temos de permitir que a natureza faça o seu caminho, e abandonar as plantas mais exigentes em água.” Há agricultores no Algarve que optaram por respeitar os escassos recursos existentes. Com sucesso.

Na Quinta do Freixo, onde não há falta de água, não se plantaram pomares de abacateiros, como seria de esperar. “Essa seria a opção fácil”, diz o sócio-gerente da empresa agrícola, Luís Silva, defensor de uma visão holística para o futuro do mundo rural, em que todas as suas componentes – vegetais e animais – desempenham um papel fundamental. Assim sendo, como é que as ovelhas e outros animais podem ajudar a manter o ecossistema e a terra fértil? A resposta a esta questão serviu de tema para um congresso internacional, realizado no final de Abril e que contou com a presença de 110 pessoas oriundas de 30 países, desde a Nova Zelândia aos EUA, passando pela vizinha Espanha.

A Quinta do Freixo, uma propriedade com 700 hectares situada no interior do concelho de Loulé, foi o local escolhido para juntar agricultores e investigadores preocupados com futuro do planeta. “Estamos numa zona que não é o Alentejo da moda, nem o Algarve do turismo clássico”, diz o sócio-gerente de uma exploração que não segue as linhas clássicas da agricultura. Luís Silva mostra o resultado, no território, do trabalho de um rebanho com mil ovelhas e 600 borregos. “Comem as ervas e deixam o estrume.” O solo agradece o fertilizante natural nele depositado e a regeneração das sementes, sublinha, faz-se de forma espontânea. “A matéria orgânica comporta-se como uma esponja na absorção da humidade” e, a partir daí, tendo a água garantida, todos os seres – animais e vegetais – entram na cadeia reprodutiva, assegurando que a vida pulsa neste espaço.

O que é a agricultura regenerativa?

As alterações climáticas evidenciam os velhos problemas dos países da bacia do Mediterrâneo: chuvas cada vez menos frequentes e mais intensas. “O solo é o maior reservatório, mas para funcionar com esse objectivo precisa de ter práticas agrícolas compatíveis com a preservação dos ecossistemas”, diz o director Regional de Agricultura do Algarve, Pedro Monteiro, destacando a importância da agricultura regenerativa. O conceito, reconhece, “não sendo novo, está a ter uma nova abordagem pela necessidade de encontrar novas soluções para o problema da seca”. No país, adianta, são pouco mais de meia dúzia de projectos a serem ensaiados, dois dos quais estão no Algarve

Os solos em Portugal, diz Pedro Monteiro, também professor da Universidade do Algarve, são pobres e, como tal, têm pouca capacidade de retenção da água. O que a agricultura regenerativa preconiza é aumentar a matéria orgânica na terra para esta criar as condições para uma maior absorção da chuva. A pastorícia, tal como se fazia nos métodos tradicionais da agricultura, está no centro do processo, onde nada se perde e tudo se transforma. Os animais ficam durante um período de tempo numa parcela e ao deixarem na terra os dejectos proporcionam o fermento para que todo o ecossistema renasça. Depois, o gado roda para outro sítio e assim se vai formando um mosaico de biodiversidade, com a natureza a ganhar novas formas e cores.

O tipo de culturas utilizado na agricultura regenerativa é outra das formas de encarar os desafios que se colocam a um território, cada vez mais dependente dos escassos recursos hídricos. A figueira e a alfarrobeira, árvores pouco exigentes em água, readquiriram, neste contexto, uma nova importância e não apenas económica. Os pomares intensivos de citrinos e abacateiros estão nas antípodas do novo conceito que está a ser trilhado: A terra só dá ao homem se ele a souber cuidar e alimentar. Até agora, o recurso aos adubos químicos tem sido prática corrente, para garantir a política da produção máxima a custos menores. Mas até quando?

Os visitantes são convidados a subir para os reboques dos tractores. Os assentos, improvisados, são fardos de palha, amarrados por cordas. “O transporte está homologado [condições de segurança]?”, graceja o representante da Direcção Regional de Agricultura, João Santana. O veículo segue em velocidade lenta. Junto a uma mina de água, Gustavo Alés, espanhol, chama a atenção para a importância dos animais selvagens – raposas e javalis – para manter o equilíbrio das espécies. “Javalis?”, questiona a professora da Universidade do Algarve, Emília Madeira, considerando que os porcos selvagens “são uma praga” devido ao descontrolo da espécie que se verifica por várias regiões do país. “Tenho um vídeo de uma raposa que entrou pelo restaurante adentro”, revela Luís Silva, lembrando que os “animais andam a vaguear” pela quinta, em harmonia com os outros seres. Ao fim e ao cabo, explica, “a gestão holística é perceber como funciona a relação das plantas com os animais e as milhares de ligações que se estabelecem. Não podemos estar contra a natureza, que é o que temos feito”, sublinha.

O tractor sobe a encosta e os adeptos da visão “holística” aplicada ao mundo rural são convidados a observar o desempenho das ovelhas, enquanto estas se alimentam. Os animais, diz Gustavo Alés, “são indissociáveis da actividade do agricultor como sucede há milhares de anos”. O que há de novo, prossegue o consultor do projecto Quinta do Freixo, é o maneio dos animais.

O rebanho (1600 cabeças) fica confinado a 1,5 hectares durante uma semana, ao invés do que se passava no passado, em que se dispersava por dezenas hectares. Na semana seguinte, passa para outra parcela. De princípio, explica, os animais comem as ervas mais apetitosas, como se estivessem num restaurante self-service. “Uma refeição gourmet”, diz o agrónomo Luís Silva. Porém, o método ensaiado foi concebido para levar os animais a diversificar a alimentação, sem direito a escolha de ementa. Numa perspectiva de conservação do ecossistema, diz, não é aconselhável lavrar a terra e mandar abaixo as ervas. Por outro lado, a exposição da terra nua ao sol, enfatiza Luís Silva, “descontrola por completo a microbiologia”. Durante o Verão, exemplifica, a superfície da terra nesta zona algarvia chega a atingir os 50 a 60 graus. Se houver cobertura vegetal, “a temperatura reduz 15 a 20 graus”. As conclusões surgem a partir do resultado das amostras recolhidas em 20 pontos, onde é feita a análise do solo e avaliada a diversidade faunística.

O facto de a quinta se localizar junto ao sítio de Paisagem Protegida da Rocha da Pena e perto da Fonte Grande (Alte) confere-lhe uma situação privilegiada em recursos hídricos. No entanto, a área de regadio é feita com parcimónia. Do conjunto dos 700 hectares da propriedade, 300 são utilizados para pastagens e produção hortícola. Nas restantes parcelas, extrai-se o figo, alfarroba e cortiça. A exploração completa-se com sector da transformação: produção de compotas, queijo de figo e aguardente e ainda há uma unidade de alojamento de agro-turismo com 16 quartos. Do conjunto dos clientes regulares, diz o proprietário, destacam-se os amantes do birdwatching, percursos pedestres e cicloturistas.

O método da gestão holística, que se ensaia nesta quinta há três anos, leva mais de 50 anos de prática noutros países; porém, durante décadas os agricultores estiveram divorciados da academia. Com as alterações climáticas e a terra a dar sinais de cansaço, a “aproximação entre cientistas e agricultores tornou-se imprescindível”. Essa foi a conclusão do congresso, que contou com a presença de Allan Savory, de 88 anos de idade, presidente do Instituto Savory, com sede no Colorado (EUA), bem como alunos e investigadores da Universidade do Algarve.

A agricultura regenerativa, do ponto de vista técnico, disse Allan, “tem conhecidos benefícios ambientais – falta é convencer os políticos”. A Quinta do Freixo, entretanto, anunciou que, graças a este método, recuperou seis hectares de zona de mato (esteva) para pastagem e vai prosseguir com o projecto. No próximo ano, pretende alargar a experiência a mais duas dezenas de hectares, introduzindo a criação de porcos, galinhas e vacas. “Temos de permitir que a natureza faça o seu caminho, e ao mesmo tempo abandonar as plantas mais exigentes em água”, rematou Luís Silva. E deixou uma nota de satisfação: “O nosso carneiro Zambujo voltou a receber (pela segunda vez) a distinção do melhor exemplar da raça campaniça na Ovibeja.”

Sem recorrer ao regadio, Rosa produz os primeiros figos maduros da Europa

Os pássaros namoram os figos que vão crescendo. A fruta, ainda verde, daqui por um mês já estará madura é à venda nos mercados de Paris. “Tudo o que produzo é para exportação, somos os primeiros produtores a chegar à Europa com figos biológicos.” A jovem agricultora Rosa Dias, da Quinta da Fornalha (Castro Marim), decidiu trilhar um percurso contrário àquele que é seguido pelos vizinhos espanhóis do outro lado do Guadiana, onde não há água que chegue para tanto regadio. “Aprendi a fazer aquilo que os meus avós faziam: cultivar a terra respeitando a natureza.” A quinta, de 30 hectares, é outro dos exemplos, a juntar à Quinta do Freixo, onde se pratica a agricultura regenerativa. “Só não tenho é o rebanho das ovelhas”, comenta.

Rosa Dias, licenciada em Psicologia Social, não se deixou seduzir pela cultura dos campos de abacateiros e citrinos como se vê em redor da sua propriedade, exigentes em rega. Por isso optou pelas culturas tradicionais, de sequeiro. “A água é escassa, estamos no clima mediterrânico, ouvimos e lemos, mas ignora-se o que a história nos ensina”, enfatiza. Nesta altura, com mais um ano consecutivo de seca severa, diz, “devíamos estar a conservar a pouca humidade que existe no solo, em vez de aumentar as áreas de regadio”. Ali, à beirinha do rio, chegam as brisas do Guadiana, bênção divina nos dias de calor tórrido. No entanto, a suavidade do vento não chega para matar a sede da terra. Por vezes, sente-se um sopro de ar quente que vem do interior da serra do Nordeste algarvio, como se fosse um prenúncio de incêndio. A diferença de temperaturas entre o dia e a noite, dizem os agricultores, calibra os açúcares da fruta, quando o stress hídrico não deita tudo a perder.

“O figo-lampo, preto, nos finais de Maio já está a sair.” As primeiras colheitas, recorda, podem atingir os 8 euros/quilo nos mercados de França e Alemanha. No pico da produção, Rosa Dias exporta, em média, uma tonelada por semana. “Se tivesse ficado em Lisboa, provavelmente, seria mais uma a fazer estudos de mercado”, diz, a olhar para o verde-escuro das folhas das figueiras. “Os figos são a minha cara”, diz a sorrir.

O regresso à terra onde nasceu, recorda, fê-la reviver os sonhos de criança. “Sou um bocadinho romântica”, admite. Sublinha que aprendeu também a ser gestora: “A quinta estava na falência, a exploração do meu pai não correu bem.” Livrou-se do garrote dos bancos, em 2016, ao fim de seis anos de actividade. A partir daí lançou-se num novo desafio. Em complemento à exploração agrícola, criou um alojamento local para 11 famílias. “Estamos a construir [literalmente] um projecto pedra a pedra.”

As folhas das árvores vão caindo, precipitadas por uma Primavera anormalmente quente. “Já o meu avô dizia: o solo precisa de ser alimentado e a água é vital.” A neta aprendeu a lição.
“Natureza em profundo sofrimento”

Quando chega o mês de Agosto, o Algarve turístico não se dá conta do que se passa na maior parte do território. A pouco mais de meia dúzia de quilómetros de distância das grandes cadeias de hotéis, mais para o interior, a água não corre nas torneiras como se fosse um bem infinito: “A natureza está em profundo sofrimento.” O stress hídrico, lembra Rosa Dias, faz parte da história dos povos do Sul, mas a aceleração do problema, obrigando todo o ecossistema a reagir causa apreensão. “Costumo dizer que, no Verão, vivemos a hibernação ao contrário: as cobras, sapos e outros bichos enfiam-se na terra para se protegerem do calor.”

Na quinta, mostra o pequeno bosque em redor da casa, como se fosse uma bolsa de oxigénio e frescura. As árvores, plantadas de forma a delinear percursos pedestres, têm apenas uma função: criar sombras e amenizar o clima.

A época dos fogos avizinha-se, como se fosse uma fatalidade que se repete ano após ano. O investimento nos meios de combate a incêndios, observa, não resolve todos os problemas. “Não se discutem as más práticas agrícolas, nem formas de melhorar a gestão do território.” As verbas do fundo ambiental, sugere, deveriam ser aplicadas em equipamentos públicos para triturar os sobrantes das podas, fornecendo assim mais matéria para fertilizar o solo. Na falta desse tipo de intervenção, critica, os agricultores, “fazem queimas ou oferecem [a madeira] aos espanhóis que a transportam para Huelva, transformando-a em pellets”.

A Quinta da Fornalha está integrada no perímetro de rega do sotavento algarvio, com água fornecida pelo sistema de barragens Beliche-Odeleite. A agricultura faz-se nas várzeas, seguindo a tradição da localidade. No resto da propriedade, além das culturas das leguminosas (ervilhas e favas), predomina o pomar de sequeiro (figueiras, oliveiras, alfarrobeiras) e ainda uma pequena parcela de citrinos. A quinta possui uma barragem com cerca de um hectare, que não está a ser utilizada. A função é servir de “reserva” e um lugar de repouso de aves e outros animais que ali encontram o seu habitat, como se fossem turistas a gozar férias.

13.4.23

SC da Misericórdia Albufeira | Exposição “a nossa pele arco-iris”

in Mais Algarve



A semana da interculturalidade está de regresso entre 3 e 16 de abril, com atividades por todo o país. Em Albufeira, o projeto Albufeira GerAção CLDS 4G dinamiza a exposição gratuita “a nossa pele arco-íris.” A mostra de desenhos, realizados pelas crianças do 4.º A da Escola EB1 dos Brejos, decorre no Espaço Em Con_tato (Rua António Aleixo) entre as 09:00 e as 17:00 de segunda a sexta-feira.


Os desenhos são inspirados no livro que leva o mesmo nome, da autoria da psicóloga colombiana Manuela Molina. A obra serviu de motor para a realização de atividades de sensibilização com o público infantil, que resultaram em belas ilustrações.

“A nossa pele arco-íris” é um convite para falarmos sobre as nossas diferenças e, também, sobre o que nos une como seres humanos. A exposição visa encorajar novos e crescidos a tratarem todos os seres humanos com o mesmo respeito e compaixão.

Refira-se que a celebração da semana da interculturalidade é promovida, desde 2014, pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal com a colaboração do Alto Comissariado para as Migrações (ACM), como nas edições anteriores, e da OIM Portugal. A iniciativa visa promover diálogos e relacionamentos entre culturas, através da dinamização de diversas iniciativas por todo o país, para mobilizar a comunidade local para o combate à pobreza e exclusão social, contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva.

27.3.23

Algarve é região em que o desemprego mais aumentou desde 2019

in SIC

São 93 os concelhos em Portugal onde o desemprego subiu nos últimos quatro anos. Odemira, Azambuja e Bombarral lideram a lista.

Um terço dos concelhos de Portugal Continental ainda não recuperou o emprego perdido desde 2019. O Algarve é a região onde o desemprego mais aumentou. Jovens e maiores de 55 anos são os mais afetados.

São 93 os concelhos em Portugal onde o desemprego subiu nos últimos quatro anos. Em proporção, Odemira é o que regista maior aumento de desempregados, mais 71%. Segue-se Azambuja, com 42%, e Bombarral, com 41%.

Segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, a nível regional, Faro é o distrito que mais desempregados ganhou nos últimos anos: mais 27%. Pelo contrário, Aveiro é o distrito onde o desemprego mais diminuiu, registando uma descida de 18%.

Os jovens e os maiores de 55 anos são os mais afetados, explica João Cerejeira, professor e investigador na Universidade do Minho.

Os especialistas em mercado de trabalho preveem que o desemprego cresça ligeiramente este ano. A taxa de desemprego no ano passado foi de 6%, menos 0,6% face a 2021 e a mais baixa dos últimos 20 anos.

20.2.23

No Algarve "estamos na Idade Média na saúde mental" de crianças e adolescentes

Maria Augusta Casaca, in TSF

Saúde Mental para Crianças e Adolescentes do Algarve e Alentejo só em Lisboa.

A Rede Nacional de Serviços de Urgência de Psiquiatria da infância e adolescência, em vigor desde o início do mês, está organizada em urgências regionais, sendo que o Hospital D. Estefânia atenderá além de Lisboa e Vale do Tejo, a população do Alentejo e do Algarve. Na região sul, quem é adolescente e necessita de apoio ao nível da saúde mental, não tem qualquer alternativa a não ser deslocar-se a Lisboa.

É o caso das meninas que estão na Casa de Acolhimento da Associação De Proteção à Rapariga e à Família. Nesta altura estão ali 16 jovens. Ao longo dos anos têm sido muitas as vezes que as técnicas da instituição foram obrigadas a deslocar-se de urgência com várias raparigas para Lisboa.

"Aqui em Faro, num fim de semana ou na urgência não há pedopsiquiatra", relata a presidente da instituição. "Ou quem faz o atendimento assume uma resposta, ou então a miúda tem que ir para a Estefânia, que é a referência para todo o sul de Portugal", adianta Filomena Rosa. Para serem observadas fazem 600 quilómetros, muitas vezes agitadas e a necessitar de um apoio imediato.
Estas jovens têm idades compreendidas entre os 12 e 18 anos, mas podem prolongar a sua vida na casa de acolhimento até aos 24 anos, se estiverem a estudar. Têm vidas difíceis que obrigaram à institucionalização e os problemas de saúde mental são recorrentes, como passarem por um sofrimento imenso ou automutilarem-se.

Filomena Rosa dá o exemplo de uma jovem que precisava de ser internada com urgência, mas no D. Estefânia não havia vaga. A alternativa foi bem pior." Destruía, agredia pessoas lá fora e, como não havia vaga no Hospital [D. Estefânia] foi-lhe aplicada uma medida tutelar educativa", conta.

Com um único pedopsiquiatra na região que não tem mãos a medir, a presidente da Associação de Proteção à Rapariga considera que as respostas ao nível da saúde mental são insuficientes e deviam melhorar urgentemente " Tem que se criar uma rede de saúde mental no Algarve ou, pelo menos, um departamento que tem o número de técnicos que precisa", considera." Para ver se saímos da idade média em termos de respostas à saúde mental no Algarve", enfatiza.

Centro Hospitalar do Algarve tem apenas um pedopsiquiatra a meio tempo

A presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) admite que o hospital não tem capacidade para observar adolescentes na especialidade de psiquiatria. O único pedopsiquiatra que existe nem sequer trabalha a tempo inteiro no hospital."Não há clínicos suficientes para manter uma escala de urgência", admite. " Eu não posso manter uma escala de urgência aberta com um pedopsiquiatra que faz 20 horas semanais", afirma. Ana Varges Gomes considera que a situação nunca melhorará se se continuarem a formar poucos pedopsiquiatras no país.

Para enfatizar a falta de especialistas nesta área, lembra que Coimbra, que tem vários médicos pedopsiquiatras, este ano só formou um especialista. "Já tentamos sugerir algum apoio, nem que fosse por vídeo consulta para uma primeira abordagem", conta. No entanto, "pela lei as crianças têm que ser vistas por um pedopsiquiatra, nós não temos e por isso têm que ir até Lisboa". A presidente do CHUA defende que a Ordem dos Médicos devia pensar numa forma de criar para os psiquiatras de adultos uma especialização para a infância, para tentar ultrapassar o problema a curto prazo.
O Centro Hospitalar e Universitário do Algarve em março um outro pedopsiquiatra a trabalhar, mas ainda é um dado incerto.

6.2.23

Em Olhão, pede-se a prisão dos suspeitos de agressão mas também há “receio” nas ruas

Idálio Revez, in Público

Alguns dos jovens serão provenientes de um bairro problemático. Há quem se apresse a sentenciar a prisão imediata dos jovens e quem lembre que é também importante “integrar”.

As recentes agressões a um imigrante nepalês, numa das ruas de Olhão, deixaram os moradores daquela cidade apreensivos e com receio de novos episódios. “Quando vou para a pesca, pelas 5h ou 6h da manhã, tenho algum receio de andar na rua”, admite Fernando Alves. O mesmo sentimento marca as conversas que tem com os seus conterrâneos. A seu lado, sentado num banco de jardim da Avenida da República, está um seu velho camarada de faina, reformado. “Deviam ir todos presos”, sentencia o homem, que recusa identificar-se. Como ele, há mais habitantes que apelam à necessidade de “mais acção policial” e admitem também o receio.

As agressões aconteceram mais à frente, a meio da Rua Vasco da Gama, na noite de 25 de Janeiro. É precisamente nessa artéria que vive o presidente da Câmara de Olhão, António Pina. “Retirá-los [os jovens agressores] da comunidade brevemente era importante, até para a segurança deles. A população olhanense não aceita aquilo”, disse já no sábado à SIC. A PSP promete, para esta segunda-feira, “mais informação” sobre a investigação a este grupo de jovens que, num mês, já terá agredido 15 imigrantes em oito situações semelhantes.

Mas nem todos os olhanenses se apressam a clamar apenas pela prisão dos suspeitos. “É mais fácil mandar prender ou institucionalizar do que integrar”, diz António Terramoto, preocupado com o que vai ouvindo e com o perigo de se cair “no extremismo”. “Não posso deixar de condenar o acto praticado”, sublinha.

A meio da tarde deste domingo, José Ponte levava o cão a passear pela trela. “Moro na rua ali ao lado. Não consigo perceber como é que ninguém viu, para chamar a polícia.” Alguns dos jovens do grupo, entre os 16 e os 19 anos, são conhecidos por se passearem pela cidade - não estudam, nem trabalham. Muitos deles residem no Bairro dos Índios, uma zona referenciada pelas autoridades como problemática.

António Terramoto chama precisamente à atenção para as condições económicas e habitacionais da população. “Estão na origem de muitos problemas sociais na cidade”, sustenta. Letícia Gonçalves, de 93 anos e encostada a um cajado, retribui ao cumprimento de “Boa tarde”, com um sorriso. Ouve mal. “Não tenho dinheiro para comprar aparelho de ouvir, recebo 500 euros de reforma e vivem comigo dois filhos doentes”. Já o antigo jogado de futebol Fernando Alves, actualmente mariscador, queixa-se da dureza da faina: “Temos de andar com água pela cintura”. Da dureza do trabalho, salta para o contraste com que observa alguns grupos de jovens “sem futuro”.

Do outro lado da vida, um grupo de taxistas fala da notícia do dia: “Deu na televisão que a polícia já sabe quem eles são. Também não deve ser difícil”, comenta Manuel Serafim, ex-emigrante em França: “Trabalhava na agricultura, conheci as dificuldades de quem está fora do seu país”, diz, solidarizando-se com a vítima, de 26 anos, residente há três meses em Portugal. Ao regressar a casa no seu primeiro dia de trabalho foi atacado por um grupo de “sete ou nove” jovens, que num vídeo difundido nas redes sociais, aparecem encapuzados.

O motorista mais antigo da praxa de táxis, prossegue o discurso das dificuldades: “Estou aqui desde 8h, passa das 3h da tarde, só fiz um serviço. Fui levar uma senhora ao bairro do Gaiato.” Entretanto, não resiste a comentar as notícias sobre o último caso de violência. “Só vem dar má fama, prejudica a imagem da terra”, critica.

Já o pescador Fernando Alves deixa um alerta enquanto se despede. “Se vai ao Bairro dos Índios, tenha cuidado”. A zona habitacional, situada do lado norte da EN 125, apresenta nas paredes dos prédios, grafitados, sinais de que o elevador social não está a passar por ali. Numa das ruas adjacentes, está sentado à porta de casa, um homem, de 56 anos. Quando se ergue, nota-se que coxeia. “Cai de cima de um andaime, fiquei inválido para trabalhar na construção civil”. Sobre os jovens vizinhos, alegadamente envolvidos nas agressões lamenta o sucedido mas é parco nas palavras. “Cada um faz a sua vida”, diz deixando depois apenas uma nota de receio sobre o bairro: “Às vezes, quando estou deitado, ouço uns tiros de caçadeira, coisas dessas…”. Não quer problemas e pede para não ser identificado.

24.1.23

Risco de pobreza diminuiu em todo o país, mas aumentou no Algarve e nas regiões autónomas

in Terra Ruiva 

O risco de pobreza continua a ser mais elevado nas regiões autónomas Em 2021, considerando o limiar de pobreza nacional, o risco de pobreza diminuiu nas regiões Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa e Alentejo e aumentou na região do Algarve (mais 0,5 p.p.) e nas regiões autónomas (mais 3,2 p.p. na Região Autónoma dos Açores e mais 1,7 p.p.na Região Autónoma da Madeira).

Enquanto a taxa de risco de pobreza na Área Metropolitana de Lisboa era substancialmente inferior ao valor nacional – 10,4%, ou seja, menos 6,0 p.p. do que a taxa de risco de pobreza nacional -, o Algarve e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira registavam taxas de risco de pobreza de 22,1%, 25,1% e 25,9%, respetivamente, bastante superiores ao valor nacional.

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2022 sobre rendimentos do ano anterior, indica que 16,4% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2021, menos 2,0 pontos percentuais (p.p.) do que em 2020. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2021, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 6 608 euros (551 euros por mês).

A diminuição da pobreza abrangeu todos os grupos etários, embora tenha sido mais significativa para a população idosa (menos 3,1 p.p.); o risco de pobreza dos menores de 18 anos diminuiu 1,9 p.p. e o dos adultos em idade ativa diminuiu 1,6 p.p.

O risco de pobreza diminuiu quer para a população empregada, de 11,2% em 2020 para 10,3% em 2021, quer para a população desempregada, de 46,5% em 2020 para 43,4% em 2021.

As transferências sociais, relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social contribuíram para a redução do risco de pobreza em 5,1 p.p. (de 21,5% para 16,4%), um contributo superior ao do ano anterior (4,6 p.p.).

Em 2022 (rendimentos de 2021), 2 006 milhares de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida ou em situação de privação material e social severa). Consequentemente, a taxa de pobreza ou exclusão social foi 19,4%, menos 3,0 p.p. do que no ano anterior.

A desigualdade diminuiu em 2021: o Coeficiente de Gini registou um valor de 32,0%, menos 1,0 p.p. do que em 2020 (33,0%), e o rácio S80/S20, que compara a soma do rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com maiores recursos com a soma do rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com menores recursos, diminuiu, de 5,7 em 2020 para 5,1 em 2021. Este comportamento pode ser explicado pela evolução dos decis da distribuição dos rendimentos: apenas os 30% das pessoas com menores rendimentos registaram um aumento dos rendimentos monetários líquidos entre 2020 e 2021.

Os resultados do Inquérito, relativos a 2022, indicam ainda a melhoria das condições habitacionais dos residentes, em especial da população em risco de pobreza: a taxa de sobrelotação diminuiu 1,4 p.p.; a carga mediana das despesas em habitação foi 10,2%, inferior em 0,3 p.p. à verificada no ano anterior; a taxa de sobrecarga das despesas em habitação atingiu 5,0% da população, menos 0,9 p.p. do que em 2021.

Ainda em 2022, aumentou a percentagem de pessoas que viviam em agregados sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida (17,5%, mais 1,2 p.p. do que em 2021).

Os resultados completos podem ser vistos aqui: relatório INE risco de pobreza

1.8.22

ABC oficializa CoLAB para envelhecimento ativo e saudável no Algarve

in Barlavento

Escritura pública será oficializada amanhã.

O ABC CoLAB é o mais recente laboratório colaborativo na área do envelhecimento ativo e saudável, idealizado pelo Algarve Biomedical Center e apresentado amanhã, sexta-feira, dia 29 de julho, às 15h00, na sala de conferências da biblioteca da Universidade do Algarve, quando será oficializada a escritura pública.

O projeto propõe desenvolver novas soluções a partir do ecossistema único do Algarve, visando afirmá-lo como uma região de referência para a investigação e inovação dirigidas para o envelhecimento ativo e saudável.

Reconhecendo que «o envelhecimento da população é hoje um fenómeno universal que requer respostas efetivas ao novos problemas e desafios que o acompanham», o ABC CoLAB pretende «preencher esta lacuna, ao desenvolver novas soluções para um envelhecimento ativo e saudável a partir do ecossistema único oferecido pelo Algarve».

O ABC CoLAB assume-se como «uma instituição de investigação, inovação e desenvolvimento multidisciplinar, constituída por 12 entidades provenientes de diversos setores de atividade».

Através deste laboratório colaborativo, «serão desenvolvidas soluções integradas para o envelhecimento e rejuvenescimento, mas também criados produtos, serviços e soluções direcionados ao mercado, com base em suporte científico e inovação tecnológica».

É também missão do ABC CoLAB «potenciar a criação de valor e de emprego científico qualificado, sempre interligando diferentes setores da economia e introduzindo tecnologia de ponta para impactar positivamente na saúde humana e na sociedade», afiançam os responsáveis.

19.5.22

Famílias que fugiram para o Algarve em risco de ficar desalojadas no verão

 in DN

Várias famílias ucranianas que fugiram da guerra para o Algarve estão na iminência de ficar sem alojamento devido ao início da época turística e muitas têm de abandonar as casas já no dia 01 de junho.

Ira Grabenko, de 38 anos, chegou em meados de março a Quarteira, em Loulé, no distrito de Faro, onde tem família, e acabou por conseguir ficar com os filhos, de 19 e oito anos, num apartamento que lhes foi cedido gratuitamente, contou à Lusa.

Apesar de ter sido avisada de que a situação seria provisória e que teria de abandonar a casa no verão, Ira estava convicta de que a guerra "ia durar uma ou duas semanas" e que rapidamente poderia regressar a Kiev.

Hoje, quase três meses após o início da ofensiva, Ira sabe que não pode regressar e está sem perspetivas.

"Até agora, não temos nenhuma solução. Se não encontrarmos casa teremos de sair do Algarve, é impossível encontrar casa aqui", desabafou.

No entanto, o desejo da psicóloga é manter-se no Algarve, pois o filho, de oito anos, já está na escola e é na região que tem a família e uma rede de ligações sociais: "Não queremos ir embora daqui, mas provavelmente teremos que ir".

Para já, aguarda informação de um grupo de voluntários sobre soluções de arrendamento a longo prazo, um problema que, no Algarve, afeta não só os refugiados ucranianos como os portugueses, e outros, devido à elevada procura e escassa oferta.

Estamos "todos na mesma situação. Quando viemos não tínhamos planeado ficar para o verão", respondeu, quando questionada sobre se conhecia mais famílias ucranianas obrigadas a abandonar as casas até 01 de junho.

Na mesma situação está Katerina, com três filhos, de cinco, 14 e 17 anos, que estava a pagar 650 euros mensais por um apartamento também em Quarteira, uma das zonas mais procuradas para férias no Algarve central.

Segundo contou à Lusa o irmão Vadim, a residir há vários anos no Algarve e que fala fluentemente português, a irmã foi pedindo para a estadia se prolongar ao máximo, mas agora o senhorio quer a casa de volta para alugar a turistas.

"Ela está à procura de casa, mas até ao momento ainda não conseguiu. Não sei se é só aqui que é tão complicado", referiu, notando que os sobrinhos já estão na escola e que o desejo da irmã é continuar no Algarve, onde estão também os pais.

Para já, Katerina aguarda uma resposta por parte de um britânico "que é capaz de arranjar uma casa", pois há "muita gente a tentar ajudar", nomeadamente, voluntários estrangeiros, que têm "mais possibilidades [financeiras]" do que os portugueses.

"O que nós preferíamos era voltar para casa [na Ucrânia], mas neste momento ainda não é possível voltar", lamentou Vadim.

Loulé é um dos municípios do Algarve que organizou viagens de autocarro para retirar refugiados da Ucrânia e se preparou para acolher famílias, tendo disponibilizado cerca de 50 alojamentos partilhados.

No entanto, segundo disse à Lusa o presidente da Câmara de Loulé, apesar de os alojamentos terem "todas as condições e dignidade", o facto de serem partilhados fez com que muitos optassem por procurar habitações no mercado de arrendamento.

Segundo Vítor Aleixo, foram "poucos" os que aceitaram permanecer nesses alojamentos, tendo preferido encontrar, "por si próprios, outras soluções", havendo, também, uma preferência por ficarem no litoral, onde há menos habitações disponíveis.

"Ainda temos uma reserva para alojar pessoas, mas o que tem acontecido é que as pessoas preferem casas individuais, apartamentos. Ora, apartamentos nós não temos", sublinhou.

Para o autarca, a carência de habitações para arrendamento a longo prazo na região é uma realidade "atroz" e que afeta não só os refugiados como "toda a gente" que procura casa no mercado.

Segundo Vítor Aleixo, a autarquia tem ainda disponível espaço em dois locais para acolher oito pessoas - quatro em Almancil e quatro em Salir - e está a fazer obras noutros locais para aumentar a capacidade de oferta.

Atualmente, nos alojamentos partilhados cedidos pelo município estão instaladas oito famílias, num total de 28 pessoas, nas freguesias de Almancil, Alte, Salir e Quarteira.

4.5.22

MOJU associa-se à DECO Algarve para combater o desperdício alimentar

in Postal

A equipa do Gabinete de Bairro aceitou o desafio lançado pela DECO Algarve de promover sessões

A MOJU – Associação Movimento Juvenil em Olhão e a DECO Algarve – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, uniram-se na realização de uma sessão de sensibilização sobre a temática do desperdício alimentar.

A sessão de sensibilização foi dinamizada pela DECO Algarve no âmbito do seu projeto “Poupar e organizar para alimentos não desperdiçar” e decorreu nas instalações do Gabinete de Bairro, em Olhão, promovido pela associação juvenil olhanense.

De acordo com a DECO Algarve, “as perdas relacionadas com o desperdício alimentar representam um forte impacto ambiental, económico e social, pelo que é essencial identificar as causas e desenvolver mecanismos para atenuar este problema”.

Foi neste sentido que a equipa do Gabinete de Bairro aceitou o desafio lançado pela DECO Algarve de promover sessões de sensibilização para ajudar o/ consumidor/a a fazer melhores escolhas de consumo, capacitando-o/a para uma tomada de decisão mais responsável e consciente, do ponto de vista económico e ambiental.

A sessão foi preenchida por momentos de aprendizagem, de partilha e principalmente com muitos truques e dicas para diminuir o desperdício alimentar.

O Gabinete de Bairro encontra-se em funcionamento num espaço cedido pelo Município de Olhão, no Bairro Fundo Fomento à Habitação, e é completamente livre de custos para os/as utilizadores/as. Esta é uma das atividades do Projeto Bairro Cool, que está a ser implementando no âmbito do Programa Bairros Saudáveis.

O Programa Bairros Saudáveis é um programa público, de natureza participativa, para melhoria das condições de saúde, bem-estar e qualidade de vida em territórios vulneráveis, financiado pelo Fundo de Recuperação e Resiliência – União Europeia, pelo Fundo Ambiental e pelo Ministério da Saúde.


2.2.22

Algarve é a região continental com maior taxa de risco de pobreza

Por Bruno Filipe Pires, in Barlavento

Algarve é a região continental com maior taxa de risco de pobreza segundo o estudo «Portugal, Balanço Social 2021».

A Fundação «la Caixa», o BPI e a Nova SBE lançaram na terça-feira, dia 18 de janeiro, o relatório «Portugal, Balanço Social 2021», da autoria de Bruno P. Carvalho, Mariana Esteves e Susana Peralta, do Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center.

O trabalho foi realizado no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, um programa plurianual estabelecido entre estas instituições.

O relatório, nesta segunda edição, atualiza a situação social no país, tirando partido dos principais indicadores do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) de 2020, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em coordenação europeia.

No ICOR 2020, a amostra é constituída por 6.875 pessoas com idade superior a 65 anos, o que corresponde a um universo de 2.228.770 residentes em Portugal.

Outro dos indicadores centrais para a análise é o de «Risco de Pobreza ou Exclusão Social», que inclui não só as pessoas que são pobres do ponto de vista monetário (isto é, com rendimento abaixo do limiar oficial de pobreza), mas também aquelas que se encontram em privação material severa (isto é, que não têm acesso a um conjunto de bens essenciais). Em 2019, o limiar de pobreza equivalia a 6480 euros anuais, ou a 462,9 euros por mês.

Neste aspeto, o norte e o Algarve continuam a ser as regiões de Portugal continental com maior taxa de privação material severa, com 6,7 por cento e 6,5 por cento, respetivamente, em 2019. São igualmente as regiões continentais com maior taxa de pobreza.

Desde 2018 que o ICOR permite uma caracterização regional das condições de vida ao nível das regiões NUTS II, que são sete, ou seja, as duas regiões autónomas e o território continental dividido em cinco regiões.

Em termos regionais, a taxa de risco de pobreza aumentou sobretudo no Algarve (+3,9 pontos percentuais para 21,6 por cento em 2020).

Segundo os autores do estudo, o Algarve voltou, assim, a ser a região continental com maior taxa de risco de pobreza.

No país, cerca de 28 por cento de famílias encontram-se em situação de vulnerabilidade económica, dispondo de um rendimento inferior a 75 por cento do rendimento mediano, ou seja, 8100 euros por ano (em 2019).

«Existem, por isso, bolsas de pobreza persistente em Portugal que devem ser objeto de especial atenção no desenho de políticas públicas», aconselham os autores do estudo.

No que toca ao acesso a cuidados de saúde, no ICOR 2020, 18,9 por cento indicou que pelo menos numa ocasião não conseguiu aceder a consulta ou tratamento de medicina dentária.

Em 2019, 19,1 por cento das crianças em Portugal são pobres. Têm menor acesso à educação pré-escolar, e as que beneficiam de ação social escolar tiveram piores resultados no Estudo Diagnóstico para os alunos do 3º ano (realizado em janeiro de 2021), do que as de meios socioeconómicos menos desfavorecidos.

Ainda no que toca à educação, em 2021, as provas de aferição realizadas numa amostra representativa dos alunos do 2º, 5º e 8º anos de escolaridade mostram que as perturbações na atividade letiva devido à pandemia trouxeram perda de competências face aos anos anteriores.

De igual forma, quando analisada a situação socioeconómica das pessoas com mais de 65 anos, regista-se que 17,5 por cento é pobre em 2019. Isto significa 381 mil pessoas.
Dados de 2018 indicam que 24,9 por cento não tinha capacidade para comprar alimentos para fazer refeições completas e saudáveis, e 6,8 por cento indica ter sentido fome, que não conseguiu satisfazer por falta de dinheiro.

As condições no mercado de trabalho também se alteraram profundamente. No início da pandemia, mais de 40 por cento das pessoas com ensino superior empregadas ficaram em teletrabalho, face a apenas dois por cento de quem não tem educação básica completa e 11 por cento de quem tem ensino básico completo.

Albufeira foi onde, em média, 17,2 por cento da população em idade ativa está inscrita no centro de emprego em 2020, e foi o município onde a taxa de desemprego foi mais elevada. Os autores do estudo admitem que esta estatística se deva ao impacto da pandemia no turismo.

Dados preliminares disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base no ICOR 2021, mostram um aumento da pobreza já em 2020.

Em 2019, 9,8 por cento da população encontrava-se em situação de pobreza persistente, ou seja, era pobre em 2018 e em pelo menos dois anos entre 2016 e 2019. Esta percentagem sobe para 11 por cento no caso das crianças e para quase 28 por cento nos desempregados.

Este estudo é feito no âmbito da Estratégia 2020 lançada pela União Europeia em 2010, que se traduz num conjunto de objetivos quantificáveis a atingir em 2020, em cinco áreas chave, inclusive na pobreza e exclusão social.

A pandemia veio mostrar «a existência de meios muito desiguais para se proteger dos riscos económicos e sanitários, dependendo do nível de rendimento, de educação, da profissão que se exerce e da ligação ao mercado de trabalho, mas também da região onde se vive e do grupo etário a que se pertence».

Os dados individuais do ICOR 2021 serão analisados com todo o detalhe na próxima edição do «Portugal, Balanço Social», depois de disponibilizados à comunidade académica no verão de 2022.

Além do relatório completo, é possível consultar um sumário do mesmo.
Pandemia interrompeu ciclo positivo que se observava desde 2015

Em 2020, a taxa de risco de pobreza após transferências sociais do Estado atingiu 18,4 por cento, 2,2 pontos percentuais acima da de 2019 (16,2 por cento), interrompendo a tendência de descida que se observava desde 2015. Logo, o número de pessoas em risco de pobreza aumentou de 1,7 milhões em 2019 para 1,9 milhões em 2020, mais 228 mil. A taxa de risco de pobreza subiu mais entre as mulheres, com um crescimento de 2,5 pontos percentuais entre 2019 e 2020 (+1,9 pontos percentuais para os homens) e entre pessoas com mais de 65 anos (+2,6 pontos percentuais). A taxa de pobreza das famílias com crianças foi, em 2020, de 19,7 por cento, o que representa um crescimento de 2,7 pontos percentuais face a 2019. A taxa de risco de pobreza antes de transferências sociais atingiu, em 2020, 43,5 por cento, o valor mais alto desde 2017.
Portugal estava em «clara aceleração económica»

A economia portuguesa estava «numa clara aceleração económica» entre 2014 e 2017, interrompida em 2020, devido à crise pandémica, quando o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 7,7 por cento. Em 2012, no pico da crise das dívidas soberanas, o PIB caiu quatro por cento, uma queda bastante inferior à de 2020. Desde 2013, o PIB per capita cresceu todos os anos até a um pico de 19.305 euros, em 2019. A pandemia veio contrariar esta tendência, e, em 2020, a riqueza gerada por pessoa em Portugal ficou-se pelos 18.239 euros. Ainda assim, entre 2008 e 2013, durante os anos da crise financeira, o desemprego subiu todos os anos, atingindo um pico de 16,2 por cento em 2013. Desde aí, observou-se um decréscimo progressivo, com a taxa de desemprego a atingir um valor de 6,5 por cento em 2019. Em 2020, o Salário Mínimo Nacional era de 635 euros mensais.
Pensões de velhice são a maioria das transferências sociais

As transferências sociais para indivíduos e agregados são ferramentas fundamentais de redução da desigualdade, pobreza e exclusão social. Há um aumento nominal das pensões de reforma, viuvez e incapacidade em Portugal desde 2008, com maior destaque para as pensões de velhice, cujo valor médio anual é de 5237 euros em 2019. Em Portugal, mais de dois milhões de pessoas eram beneficiárias desta pensão em 2019. Ao contrário, noutros benefícios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (RSI), o subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego e abono de família, têm-se verificado «reduções significativas» no número de beneficiários. Em 2010, o abono de família sofreu uma reestruturação e o 4º e 5º escalões de rendimento deixaram de receber este apoio, o que provocou uma «quebra abrupta» no número de beneficiários.

24.11.21

25 milhões de euros querem criar rede de aldeias inteligentes no Algarve e melhorar cobertura digital

in Sul Informação

No âmbito do Portugal 2030, em consulta pública, o programa operacional regional vai mobilizar 25 milhões de euros

25 milhões de euros para criar uma rede de aldeias inteligentes e garantir a cobertura digital no interior do Algarve. A proposta é da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e dos municípios e foi anunciada por José Apolinário na passada sexta-feira, 19 de Novembro, em Albufeira.

O presidente da CCDR aproveitou o lançamento do Observatório Nacional de Envelhecimento Ativo para anunciar o propósito de, no âmbito do Portugal 2030, em consulta pública, o programa operacional regional mobilizar 15 milhões de euros para o apoio à melhoria da conectividade nas áreas rurais e de baixa densidade e 10 milhões para ações de valorização económica de recursos endógenos e estratégias de diversificação da base económica nos territórios de baixa densidade.

José Apolinário sublinhou que, no domínio demográfico, projeções recentes apontam para que, em 2070, Portugal tenha apenas cerca de 8 milhões de habitantes — uma redução de 23 % da população residente face ao contexto atual —, o que, a confirmar-se, é um dos maiores decréscimos populacionais registados na Europa.

De acordo com estas projeções, Portugal passaria a ser o país europeu com maior peso dos «muito idosos» no conjunto da população, com as pessoas acima dos 80 anos a representar 16,1 % da população.

A conjugação dos saldos naturais e migratórios resultou num acelerado envelhecimento da população portuguesa, com as mais recentes projeções demográficas colocam Portugal como sexto país mais envelhecido do mundo. De acordo com os dados de 2019, existem em Portugal mais de 161,3 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 jovens até aos 15 anos, e quase 34,2 pessoas com 65 e mais anos por cada 100 pessoas em idade ativa.

No Algarve, depois de um forte crescimento populacional nas duas décadas de 1991 até 2011, a década passada veio revelar uma perda de intensidade do crescimento demográfico no Algarve, apesar de o litoral ainda ser um dos raros territórios nacionais a ver aumentar o número de residentes.

O crescimento é bastante assimétrico no interior da região, sendo os ganhos dos concelhos do litoral bastante inferiores aos da década 2001-2011 e menos expressivos do que as perdas dos concelhos do interior: -13,6% a perda de residentes em Alcoutim e de -9,6% em Monchique.

«O índice de envelhecimento no Algarve, em torno dos 149,2 idosos por cada 100 jovens, em 2020, é contudo elevado e preocupante, condicionando a dinâmica de renovação populacional, logo, também as dinâmicas do mercado de trabalho da região, onde o número de inativos por 100 empregados é superior aos valores do Continente (109,4 contra 106,8), resultado de uma tendência de diminuição da população ativa mais acentuada regionalmente e de um aumento da população inativa, em contraciclo com o comportamento do território continental, entre 2013 e 2020», diz a CCDR Algarve.

Só que, este perfil demográfico, também pode representar «um manancial de oportunidades emergentes na promoção de formas de envelhecimento ativo e na criação de novos serviços e qualificações territoriais que conduziram ao reconhecimento do Algarve como espaço de referência para o envelhecimento saudável, estimulando o segmento da economia grisalha, de longevidade e bem-estar e potenciando fatores de inovação e complementaridade entre os setores da saúde humana e do turismo».

22.11.21

Aviso de 220 milhões para "alargar respostas" ao envelhecimento

Por Notícias ao Minuto

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou hoje que o Governo vai lançar na segunda-feira um aviso para "alargar as respostas" ao envelhecimento, com um valor global de 220 milhões de euros.

"Vamos lançar na segunda-feira um aviso, com 220ME, um aviso dedicado às respostas ao envelhecimento, sendo fundamental que consigamos garantir que esta alocação destes recursos tenha a capacidade de responder e acelerar as respostas estruturais que precisamos de fazer", disse Ana Mendes Godinho, em Albufeira, no distrito de Faro.

Ao intervir na cerimónia do lançamento do novo Observatório Nacional do Envelhecimento, que decorreu no Inatel, em Albufeira, a ministra afirmou que Portugal "precisa, claramente, de dar saltos significativos nas respostas e na forma como se olha para o envelhecimento".

"Temos a mobilização, temos a legitimidade social para o fazer e temos os recursos, seja no programa PT 2030 ou no PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] no seu conjunto. Temos instrumentos significativos e precisamos da capacidade de fazer bem nesta mobilização de recursos que estamos a fazer", sublinhou.

De acordo com Ana Mendes Godinho, face aos recursos que estão disponíveis "de forma inédita, o grande desafio que se coloca, é encontrar soluções disruptivas e inovadoras que respondam de forma eficaz às expectativas que as pessoas têm".

"Face ao que ficou evidente durante a pandemia, conseguimos ser inovadores nas respostas ao atuarmos em conjunto e não através de 'capelinhas'. Só em conjunto conseguimos ter uma visão integrada e articulada que responda em plenitude aos desafios que temos como sociedade", apontou.

A ministra considerou que, com o Observatório Nacional do Envelhecimento, Portugal "vai poder ter instrumentos fidedignos, científicos, que permitam ter indicadores para agir de forma eficaz e que responda às necessidades reais das pessoas, promovendo o envelhecimento ativo e saudável".

O Observatório Nacional do Envelhecimento vai ficar instalado na Aldeia de Alte, no interior do concelho algarvio de Loulé, e será coordenado pelo Algarve Biomedical Center (ABC), integrando 14 entidades públicas e privadas.

"O objetivo é identificar as necessidades do ponto de vista de respostas sociais, através de equipas de acompanhamento e de combate ao isolamento, para mobilização dos vários instrumentos financeiros que neste momento temos à disposição", referiu a ministra.

Por seu turno, o coordenador do ABC, Nuno Marques, indicou que o observatório, que deverá entrar em funcionamento em julho de 2022, pretende recolher, analisar e disponibilizar indicadores estatísticos que permitam a monitorização da população ao longo do ciclo de vida em todo o território nacional, dispondo de grande capacidade computacional para gerir dados em diversas áreas, como do desemprego, trabalho, saúde e ação social.

"O observatório terá um grande desafio e responsabilidade a nível nacional de promover o conhecimento científico nesta área, pois a sua missão é fazer o levantamento, identificar as áreas chave com dinamismo populacional e avaliar as políticas públicas e privadas de resposta ao envelhecimento", avançou.

O responsável adiantou que até março de 2022, "terá de ser bem definido o que este observatório vai fazer", prevendo que o primeiro relatório possa sair até ao final do próximo ano".

"Estes são os 'timings' definidos para este projeto de colaboração entre os centros de investigação das várias instituições públicas, privadas e da sociedade civil na área do envelhecimento ativo e saudável, criando parcerias nacionais e também internacionais", concluiu Nuno Marques.


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