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25.8.23

Precariedade leva mais portugueses ao desemprego

Isabel Patrício, in ECO

O número de pessoas que se inscreveram no IEFP em julho por terem visto terminar o contrato de trabalho não permanente subiu, agravando-se o seu peso no total do novo desemprego.


A precariedade atirou mais portugueses para o desemprego ao longo de julho do que no mesmo mês do ano passado. O fim dos contratos de trabalho não permanentes é, regra geral, a principal causa das novas inscrições nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), mas no último mês o peso desse motivo no novo desemprego registou mesmo um agravamento, tanto em cadeia como em termos homólogos.

Vamos por partes. De acordo com os números divulgados esta semana pelo IEFP, ao longo do mês de julho, inscreveram-se nos centros de emprego do continente 40.755 indivíduos. Destes, 47,52% chegaram ao IEFP na sequência do fim de contratos não permanentes, de acordo com os cálculos do ECO.

Esse já costuma ser o principal motivo por detrás do novo desemprego, mas em julho verificou-se um agravamento do peso: em comparação, em junho, do total de inscritos nos centros de emprego (cerca de 37 mil indivíduos), 44,28% indicaram como motivo o fim do trabalho não permanente, o que significa que, num mês, houve um salto de mais de três pontos percentuais.

Vale a pena olhar também para os dados absolutos: se em junho 16 mil tinham ficado sem trabalho por terem visto o contrato acabar, em julho esse total superou a fasquia dos 19 mil indivíduos.

Aliás, entre junho e julho, o número total de novas inscrições aumentou mais de 10%, sendo que quase 80% da diferença é explicada pelos precários.

Por outro lado, há um ano, em julho tinham sido registadas 16.561 novas inscrições no IEFP na sequência do fim do trabalho não permanente, o equivalente a 47,08% de todos os novos desempregados que chegaram ao IEFP. Em termos relativos, a diferença entre julho de 2023 e julho de 2022 é de apenas 0,44 pontos percentuais, mas em termos absolutos está em causa um aumento de mais de 2.800 indivíduos.

Convém frisar, contudo, que estas inscrições ocorreram ao longo do mês, pelo que não se pode dizer que todas as pessoas estejam ainda desempregadas. Por outro lado, os totais referidos não abrangem todos os desempregados, uma vez que nem todos se inscrevem no IEFP.
Mais inativos passam a procurar um novo emprego

Os dados do IEFP permitem perceber também que outros motivos, além da precariedade, levaram os portugueses ao desemprego ao longo do mês.

Por exemplo, em julho, cerca de quatro mil inscreveram-se nos centros de emprego por terem deixado a inatividade e decidido procurar ativamente um posto de trabalho. É o equivalente a 9,9% das novas inscrições, peso superior ao verificado em junho (em 1,1 pontos percentuais), mas inferior ao registado há um ano (em 0,67 pontos percentuais).

Entre os outros motivos para as inscrições no IEFP, destaque para os 5.549 indivíduos que se inscreveram depois de terem sido despedidos e para os 2.547 indivíduos que chegaram ao centro de emprego por se terem despedido. Representam, respetivamente, 13,62% e 6,25% do novo desemprego, abaixo do verificado há um mês, mas acima do registado no período homólogo de 2023.

Importa notar que, do ponto de vista global, depois de estar desde fevereiro a descer, o desemprego registado pelo IEFP, no fim do mês subiu 2% para cerca de 277 mil indivíduos desempregados.

22.8.23

Número de prestações de desemprego aumenta quase 5% em julho

Por Lusa, in RTP


Em relação ao mês anterior, em julho houve um acréscimo de 3.691 pessoas a receber prestações de desemprego e, em relação ao mês homólogo, registou-se uma subida de 7.808 beneficiários.

O valor médio das prestações de desemprego em julho foi de 576,80 euros.

Os subsídios de desemprego totalizaram 128.015, um aumento mensal de 2,5% (mais 3.106 beneficiários) e de 5,3% em termos homólogos (mais 6.392 beneficiários).

No caso do subsídio social de desemprego inicial, o número de beneficiários caiu face a junho em 2,9%, mas subiu na comparação homóloga em 30,2%, totalizando 6.433.

Já o subsídio social de desemprego subsequente foi processado a 23.489 beneficiários em julho, representando uma diminuição de 1,2% face a junho e uma redução de 13,5% em comparação com o mês homólogo.

As prestações de desemprego são maioritariamente requeridas por homens (58,8%), correspondendo a 98.546 beneficiários, segundo a síntese elaborada pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

De acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados no total do país aumentou 2,5% em julho, face ao período homólogo, e em 2,4% face a junho, para 284.330.

21.8.23

Desemprego jovem atinge o segundo valor mais baixo de sempre

Por Lusa, in Notícias ao Minuto

O desemprego jovem recuou 0,3% em julho, face ao mês anterior, para 27.609, o segundo valor mais baixo de sempre, mas o desemprego total aumentou 2,4%, segundo dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) hoje divulgados.


"No mês de julho, o desemprego jovem diminuiu em cadeia (-0,3%) face ao mês anterior, fixando no segundo valor mais baixo de sempre (27.609 jovens inscritos no IEFP), apenas superado pelo valor de julho de 2022, quando se atingiu o mínimo histórico do desemprego jovem", indicou hoje, em comunicado, o instituto.


Por sua vez, o desemprego total aumentou 2,4%, em comparação com junho, para 284.330 pessoas.

No entanto, este é o segundo valor mais baixo no mês em causa desde que há registo.

Entretanto, em comunicado, o Ministério do Trabalho destaca que o "número de desempregados inscritos no IEFP foi o 2.º mais baixo de sempre no mês de julho, apesar do aumento verificado face ao mês anterior".

"No mês de julho, o desemprego jovem diminuiu em cadeia (-0,3%) face ao mês anterior, fixando-se no segundo valor mais baixo de sempre (27.609 jovens inscritos no IEFP), apenas superado pelo valor de julho de 2022, quando se atingiu o mínimo histórico do desemprego jovem", é ainda referido.

Em julho, o desemprego de longa duração agravou-se 2,5%, relativamente ao mês anterior, mas teve um decréscimo de 13,5% face ao período homólogo.

[Notícia atualizada às 10h17]

Número de desempregados aumenta 2,5% para 284.330 em julho

Por Lusa, in Notícias ao Minuto

O número de desempregados aumentou cerca de 2,5% no final de julho, face ao período homólogo, para 284.330, destacando-se a região Centro, com um agravamento de 8,7%, revelou hoje o IEFP.

"No fim do mês de julho de 2023, estavam registados nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas 284.330 indivíduos desempregados, número que representa 63,8% de um total de 445.559 pedidos de emprego", segundo as estatísticas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).


O número total de desempregados aumentou 2,4%, relativamente ao mês anterior, e 2,5% face a julho de 2022.


Para a variação homóloga contribuiu o número de inscritos há menos de 12 meses, contabilizando mais 24.801.

Por sua vez, os inscritos há 12 ou mais meses recuaram em 17.937.

20.7.23

Desemprego cai 2,8% em junho em cadeia e 1,7% em termos homólogos

Maria João Pereira, in Lusa

Lisboa, 20 jul 2023 (Lusa) – O desemprego registado em junho diminuiu 2,8% relativamente ao mês anterior e caiu 1,7% face ao mesmo mês do ano passado, atingindo o valor mais reduzido de sempre no referido mês, segundo dados do IEFP hoje divulgados.

“O desemprego registado em junho voltou a baixar, sendo o mais reduzido de sempre (277.742 pessoas), nos meses de junho, com uma redução de -2,8% (-8.113 pessoas) relativamente ao mês anterior e -1,7% abaixo do nível observado em junho de 2022 (-4.711 pessoas)”, refere um comunicado do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que cita dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).


Já no desemprego de longa duração manteve-se a tendência de queda, com uma diminuição em cadeia de -1,9% (-2.139 pessoas), situando-se -18,8% abaixo do nível registado em junho de 2022 (-25.842 pessoas).

MPE // EA

Lusa/Fim

22.5.23

Número de desempregados inscritos nos centros de emprego cai 6% em abril

Por Lusa, in DN


Em relação aos jovens desempregados inscritos no IEFP, o número também baixou, com uma diminuição em cadeia de 6,9% (-2.360 jovens).


número de desempregados inscritos nos centros de emprego caiu, em abril, 6% em termos homólogos, tendo-se reduzido 3,5% face ao mês anterior, anunciou esta segunda-feira o Governo.


Em comunicado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social adiantou que o desemprego registado em abril (295.422 pessoas) diminuiu, "com uma redução de -3,5% (-10.735 pessoas) relativamente ao mês anterior e -6,0% abaixo do nível observado em abril de 2022 (-19.013 pessoas)".

Paralelamente, o número de jovens desempregados inscritos no IEFP - Instituto do Emprego e Formação Profissional voltou também a baixar, "sendo o mais reduzido de sempre (31.872 pessoas), nos meses de abril, com uma diminuição em cadeia de 6,9% (-2.360 jovens), e uma diminuição de 1,7% (-561 jovens) face ao mês homólogo", referiu a tutela.

Quanto ao desemprego de longa duração, registou "uma diminuição em cadeia de 0,7% (-798 pessoas), situando-se 24,4% abaixo do nível registado em abril de 2022 (-37.764 pessoas)", disse o Governo.

Assim, entre março e abril deste ano, "o desemprego registado diminuiu em cadeia em todas as regiões, com destaque para a redução de 21,8% na região do Algarve".

Por fim, indicou a tutela, "a nível setorial, registaram-se descidas em cadeia em todos os setores de atividade económica", nomeadamente no agrícola (-9,0%), secundário (-1,6%) e terciário (-3,5%)".

Em termos homólogos, registaram-se descidas também em todos os setores, com o agrícola a cair 1,7%, o secundário 3,9% e o terciário 5,0%, concluiu.

Segundo os dados hoje divulgados pelo IEFP, no final de abril, as ofertas de emprego por satisfazer, "totalizavam 15.468, nos serviços de emprego de todo o país", sendo que este número corresponde a uma diminuição anual de 23,4% e uma redução, face ao mês anterior, de 6,9% das ofertas.

De acordo com o instituto, ao longo do mês de abril, inscreveram-se nos serviços de emprego 37.135 desempregados, um número que "é inferior ao observado no mesmo mês de 2022 (-512; -1,4%) e também em relação ao mês anterior (-10.990; -22,8%)".

A entidade revelou ainda que as "ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês totalizaram 8.782 em todo o país", um valor inferior ao do mês homólogo, em 25,9% e menor face ao mês anterior em 40,4%.

"As atividades económicas com maior expressão nas ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês (dados do continente), por ordem decrescente, foram as seguintes: as 'atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio' (23,1%), o 'alojamento, restauração e similares' (16,0%) e o 'comércio por grosso e a retalho' (14,7%)", referiu o IEFP.

Por sua vez, as colocações realizadas durante o mês de abril totalizaram 7.647 em todo o país, segundo o IEFP, que concluiu que este número "é inferior ao verificado em igual período de 2022" em 15,4% e também menor em relação ao mês anterior em 15,3%.

Segundo o instituto, a análise das colocações efetuadas por grupos de profissões, no continente, "mostra uma maior concentração nos 'trabalhadores não qualificados' (34,8%), nos 'trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores' (22,0%), e no 'pessoal administrativo" (9,9%)".

26.4.23

Total de desempregados nos Açores diminuiu em março

Ana Carvalho Melo/Lusa, in Açoriano Oriental



O total de desempregados registados nos Açores foi 13,9 % inferior ao verificado no mesmo mês de 2022, segundo dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).


Segundo o IEFP, em Portugal o número de desempregados inscritos nos centros de emprego caiu 3,0% em março face a fevereiro, para 306.157, o valor mais baixo nesse mês dos últimos 30 anos, e 6,2% inferior a março de 2022.

A nível regional, no mês de março, com exceção do Alentejo (+7,2%) e Centro (+0,7%), o desemprego diminuiu, em termos homólogos, com destaque para as regiões autónomas da Madeira (-32,8%), Algarve (-14,3%) e Açores (-13,9%).

Já na análise entre fevereiro e março, o desemprego registado diminuiu em cadeia em todas as regiões, com destaque para a redução de 22,9% na região do Algarve. Em termos homólogos, verificaram-se descidas no Norte, Lisboa e Algarve, salientando-se a redução de 14,3% no Algarve.


O IEFP revela ainda que a nível nacional “o número de jovens desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional foi o mais baixo de sempre (34.232 pessoas) nos meses de março, registando uma diminuição de -1,8% (-622 pessoas) face ao mês homólogo”. Em cadeia, face a fevereiro, o desemprego jovem registou uma descida de 1,2% (-416 jovens).

21.4.23

Desemprego registado atinge mínimo histórico no mês de março

in Gov.pt



O número de jovens desempregados inscritos no IEFP foi o mais baixo de sempre (34.232 pessoas), nos meses de março, registando uma diminuição de -1,8% (-622 pessoas) face ao mês homólogo. Neste mês, foi registada uma descida em cadeia de -1,2% (-416 jovens).


O desemprego registado em março (306.157 pessoas), foi o valor mais baixo, nesse mês, nos últimos 30 anos, com uma diminuição de -3,0% (-9.488 pessoas) relativamente ao mês anterior, e -6,2% abaixo do nível observado em março de 2022 (-20.094 pessoas).

Foram registados em março 117.527 desempregados de longa duração, uma diminuição em cadeia de -2,8% (-3.346 pessoas), e -26,7% abaixo do nível registado em março de 2022 (-42.831 pessoas).

Entre fevereiro e março de 2023, o desemprego registado diminuiu em cadeia em todas as regiões, com destaque para a redução de -22,9% na região do Algarve. Em termos homólogos, verificam-se descidas no Norte, Lisboa e Algarve (com destaque para a redução de -14,3% na região do Algarve).
 
A nível setorial, registam-se descidas em cadeia em todos os setores de atividade económica: «Agrícola» (-2,8%), «Secundário» (-2,2%) e «Terciário» (-3,7%). Em termos homólogos, registou-se uma subida no setor «Agrícola» (+1,9%), e descidas nos setores «Secundário» (-4,1%) e «Terciário» (-5,3%).

Em março, havia 4765 casais com ambos os cônjuges em situação de desemprego, uma diminuição de -3,1% em cadeia e -6,1% em termos homólogos.

As estatísticas mensais do mercado de emprego estão disponíveis em: https://www.iefp.pt/estatisticas.

20.4.23

Desemprego registado baixou para 9.451 pessoas em Março

Francisco José Carneiro, in DNotícias



O desemprego registado na Madeira continua a diminuir, em Março de 2023 atingiu 9.451 pessoas, uma redução de 3,6% face a Fevereiro (menos 350 inscritos), e em termos homólogos (Março de 2022), foram registado menos 4.605 desempregados (-32,8%).


Os dados foram divulgados esta quinta-feira pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) recorda que no mês de Fevereiro deste ano estavam sem trabalho 9.801 pessoas e em Março do ano passado eram 14.056 pessoas desempregadas oficialmente.

Nesse mês a Madeira teve a segunda maior redução percentual em termos das regiões portuguesas - Algarve liderou destacado com -22,9% face a Fevereiro -, ainda assim acompanhando aquela região como as únicas a superarem a média nacional (-3%).

Quanto à variação homóloga, a Madeira foi a região que se destaca nas perdas, superando largamente a segunda região (Algarve, -14,3%) e terceira região (Açores, -13,9%), as que mais se sobressaíram face à média nacional (-6,2%).

27.3.23

Algarve é região em que o desemprego mais aumentou desde 2019

in SIC

São 93 os concelhos em Portugal onde o desemprego subiu nos últimos quatro anos. Odemira, Azambuja e Bombarral lideram a lista.

Um terço dos concelhos de Portugal Continental ainda não recuperou o emprego perdido desde 2019. O Algarve é a região onde o desemprego mais aumentou. Jovens e maiores de 55 anos são os mais afetados.

São 93 os concelhos em Portugal onde o desemprego subiu nos últimos quatro anos. Em proporção, Odemira é o que regista maior aumento de desempregados, mais 71%. Segue-se Azambuja, com 42%, e Bombarral, com 41%.

Segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, a nível regional, Faro é o distrito que mais desempregados ganhou nos últimos anos: mais 27%. Pelo contrário, Aveiro é o distrito onde o desemprego mais diminuiu, registando uma descida de 18%.

Os jovens e os maiores de 55 anos são os mais afetados, explica João Cerejeira, professor e investigador na Universidade do Minho.

Os especialistas em mercado de trabalho preveem que o desemprego cresça ligeiramente este ano. A taxa de desemprego no ano passado foi de 6%, menos 0,6% face a 2021 e a mais baixa dos últimos 20 anos.

8.3.23

Anulações de subsídio de desemprego no nível mais alto desde 2013

Raquel Martins , in Público

Em 2022, os centros de emprego anularam a inscrição de 5818 desempregados subsidiados, mais 30,5 % do que em 2021. Subida é explicada por anulações incorrectas em centros de emprego da zona de Lisboa.

No ano passado, os centros de emprego anularam a inscrição e o subsídio de 5818 desempregados que não cumpriram os deveres a que estão obrigados. Trata-se do número mais elevado dos últimos dez anos e um aumento de 30,5% face a 2021, uma evolução explicada por um maior dinamismo da economia e por um “conjunto vasto” de anulações incorrectas feitas pelos centros de emprego de Lisboa e Vale do Tejo.

Os dados constam do relatório de actividades de 2022 da Comissão de Recursos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), um órgão a que os desempregados podem recorrer, quando consideram que a anulação do subsídio não tem fundamento.

Para encontrar um nível de anulações superior ao registado em 2022, é preciso recuar a 2013, quando os centros de emprego anularam a inscrição de 6678 desempregados que não cumpriram os seus deveres. Mas, se olharmos para o total de desempregados subsidiados, a proporção de anulações em 2022 é a mais elevada do período analisado e chega a 3,8%, uma percentagem superior aos 1,8% de 2013 e aos 2,1% verificados em 2021.

No relatório, a presidente da Comissão de Recursos, Cristina Rodrigues, atribui a subida das anulações ao aumento da oferta de trabalho e à consequente “intensificação da actividade do IEFP”.

“O ano passado, apesar de ainda serem notórias as consequências da pandemia, marca o regresso do país a alguma normalidade, com maior dinamismo económico e do mercado de trabalho. Este dinamismo reflectiu-se na actividade dos centros de emprego, que aumentaram o número de decisões de anulação”, lê-se no documento.

Mas há outra razão que ajuda a explicar o elevado nível de anulações e que foi detectada pela comissão na análise aos 733 recursos que lhe chegaram.

Em Lisboa e Vale do Tejo, refere o relatório, houve “um conjunto vasto de convocatórias emitidas exclusivamente para efeito de entrega de certificado de habilitações, o que veio a verificar-se – com a intervenção da Comissão de Recursos – que era uma prática incorrecta”. De acordo com os dados, houve pelo menos 171 anulações que resultaram desta prática.

Os centros de emprego podem anular a inscrição e, consequentemente, cortar o subsídio de desempregados que por duas vezes não cumpram o dever de procura activa de emprego pelos próprios meios, de comparecer nas datas e locais determinados pelo serviço de emprego ou de realizar as acções previstas e contratadas no Plano Pessoal de Emprego (PPE).

São também motivos de anulação a recusa do PPE, assim como a não-aceitação de emprego conveniente ou socialmente necessário e de acções de formação profissional.

Quase 80% das 5818 anulações feitas no ano passado tiveram como fundamento a falta de comparência a uma convocatória do centro de emprego, 12% a falta de comparência nas entidades para onde os desempregados foram encaminhados e 4% por recusa de emprego conveniente.

Comissão obrigou a devolver subsídio a 345 desempregados

Entre os desempregados que viram a sua inscrição no centro de emprego anulada, 733 (12,6% do total) não se conformaram e pediram a intervenção da Comissão de Recursos.

A maioria dos desempregados que se queixaram alegou que o subsídio foi cortado por não terem respondido à convocatória do seu centro de emprego, em que 62% garantem que ela não lhes chegou à caixa de correio.

Este é um problema que já vem de anos anteriores, o que levou Cristina Rodrigues a estabelecer um canal de comunicação directo com o provedor do Cliente dos CTT.

Ao todo a comissão acabou por dar razão a 345 desempregados. No relatório sublinha-se que as 247 intervenções junto dos centros de emprego para que a anulação fosse revogada “ultrapassaram em muito” os 98 deferimentos expressos.

Apesar de nos anos anteriores a resolução dos recursos também ser feita maioritariamente através da articulação entre a comissão e os serviços de emprego, em 2022, essas intervenções tiveram maior expressão.

Isso aconteceu sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, por causa das convocatórias para entrega de certificado de habilitações enviadas aos desempregados e que serviram de justificação para as anulações. A Comissão de Recursos entendeu que essa era uma “prática incorrecta” e 171 dessas anulações acabaram por ser rectificadas.

No relatório, sublinha-se que o não recebimento das convocatórias tem que ver com problemas na distribuição postal (da responsabilidade dos CTT), mas identificam-se outros motivos que têm que ver com a situação social dos desempregados que pediram a intervenção da comissão, nomeadamente as “frequentes mudanças de morada, residências precárias e deficientes condições dos receptáculos postais”.

“O crescimento destas situações não pode ser dissociado do aumento da população desempregada imigrante”, refere Cristina Rodrigues, acrescentando que no próximo relatório semestral já será possível indicar a origem nacional dos recorrentes.

27.2.23

Fim de ciclo na descida do desemprego

Sónia M. Lourenço, in Expresso

Desemprego registado aumentou em janeiro pelo sexto mês consecutivo. Economistas antecipam novas subidas

Depois de ter resistido durante meses, o impacto da incerteza associada à guerra na Ucrânia, da escalada da inflação e da subida dos juros, levando a um abrandamento da atividade económica em Portugal, começa a notar-se no mercado de trabalho nacional. Sinal disso, os dados publicados esta semana pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) dão conta de um aumento do número de desempregados registados no país pelo sexto mês consecutivo. Uma evolução em linha com a subida da taxa de desemprego apurada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Economistas ouvidos pelo Expresso falam em “fim de ciclo na descida do desemprego” e antecipam novos aumentos do desemprego este ano, ainda que afastem o cenário de incrementos expressivos.Em janeiro estavam inscritos nos centros de emprego em Portugal 322.086 desempregados, mais 15.081 do que no mês anterior, ou seja, face a dezembro de 2022, o que significa um aumento de 4,9%. Foi o sexto mês consecutivo de incremento do desemprego registado, indicam os dados do IEFP, numa tendência iniciada em agosto do ano passado. Se compararmos com julho de 2022, quando o número de desempregados inscritos nos centros de emprego atingiu mínimos históricos, com 277.466 pessoas, encontramos mais quase 45 mil desempregados.

Desemprego registado sobe pelo sexto mês consecutivo
Número de desempregados registados nos centros de emprego em Portugal
Ainda assim, o desemprego registado ficou em janeiro 9,5% abaixo do registado um ano antes, em janeiro de 2022. São menos 33.782 desempregados inscritos nos centros de emprego. Aliás, numa nota enviada à comunicação social, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social destaca que o número de desempregados inscritos no IEFP no primeiro mês deste ano “foi o segundo mês de janeiro mais baixo nos últimos 30 anos”

TAXA DE DESEMPREGO ESTÁ A SUBIR DESDE AGOSTO

Certo é que a subida do desemprego registado contabilizada pelo IEFP desde o verão passado está de acordo com os dados mensais apurados pelo INE a partir do inquérito ao emprego. E que indicam que, depois de vários meses estável nos 5,9%, a taxa de desemprego em Portugal — ajustada da sazonalidade — começou a subir em agosto do ano passado, para os 6%, chegando aos 6,7% em dezembro (último valor disponível).

O que significam estes números? “Sinalizam um fim de ciclo na descida do desemprego”, responde João Cerejeira, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. E vai mais longe: “Provavelmente, vamos observar aumentos ligeiros do desemprego ao longo do ano, embora não seja nada de dramático.” Uma evolução “em linha com a moderação da atividade económica em 2023”, continua o economista.

E nota ainda que os dados do IEFP mostram “uma tendência de redução das ofertas de emprego desde maio do ano passado”, apesar de “ter havido um aumento no mês de janeiro”. O que “também aponta para uma estagnação do mercado de trabalho e mesmo um aumento ligeiro do desemprego”.

“A tendência parece ser claramente de aumento do desemprego, embora mantendo-se ainda em valores baixos em termos históricos”, alerta, por sua vez, Pedro Martins, professor da Nova SBE e antigo secretário de Estado do Emprego.
MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO LABORAL PODEM PENALIZAR EMPREGO
Nas vésperas da entrada em vigor no país das alterações à legislação laboral, aprovadas na Assembleia da República no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, Pedro Martins manifesta também “preocupação” com o impacto que podem ter na evolução do mercado de trabalho nacional. “Haverá mais restrições à atividade das empresas a nível laboral, podendo levar a maior relutância nas respetivas contratações, o que não ajuda nesta tendência de aumento do desemprego.”
Há outros fatores a criar incerteza adicional no mercado de trabalho. A começar pela continuação da guerra na Ucrânia e por uma inflação ainda elevada — embora a descer. São “entraves ao funcionamento das empresas, logo, à sua dinâmica em termos de contratações”, aponta Pedro Martins.

Acresce o “contexto de alguma imprevisibilidade em resultado das rápidas mudanças tecnológicas que estão a ocorrer”, salienta o economista, destacando a “evolução espetacular ao nível da inteligência artificial”. Ora, “não se sabe que impacto terá tudo isto, até a curto prazo, no mercado de trabalho”, alerta, falando num “conjunto de fatores muito alargado e complexo”.

Tudo somado, “vejo nuvens no horizonte. Receio que o desemprego possa continua a subir”, remata.