João Tavares, in Postal do Algarve
“O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, afirma Madalena Feu, delegada regional do IEFP
Milhões de pessoas visitam o Algarve todo o ano. Procuram o sol, a praia e a boa comida, e o setor do turismo e da restauração são reforçados com milhares de trabalhadores, e muitos deles têm de se contentar com contratos a termo e precários. Mas o Algarve é muito mais do que um ‘pacote turístico’ e quer apostar em outros ramos de atividades, e com recursos humanos de excelência. “Temos de diversificar a nossa economia e apostar na qualificação e formação profissional”, começa por destacar ao POSTAL a delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Os desafios são muitos e o Algarve não quer perder a corrida, isto num período em que as mudanças são cada vez mais rápidas e radicais. “O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, salienta Madalena Feu, adiantando que é preciso encontrar respostas para a época baixa.
“Não conseguindo os empregadores garantir postos de trabalho a tempo inteiro durante todo o ano, faz com que haja um número elevado, e maior que a média nacional, de contratos a prazo, sazonais e precários. É por isso que se torna vital diversificar a nossa economia”, garante a responsável do IEFP, confirmando que as empresas e entidades têm consciência dessa realidade. “Não queremos matar a “galinha dos ovos de ouro”, que é o turismo, e que muito tem contribuído para a economia do país, mas temos de encontrar também outras respostas”.
E para que tal realidade seja possível, tem de haver vontade do setor empresarial e a aposta numa mão-de-obra cada vez mais capaz. “Precisamos de pessoas qualificadas, com as competências necessárias e ajustadas às necessidades do mercado, para garantirmos o desenvolvimento sustentável da nossa economia, daí ser tão importante apostar na formação profissional. Só assim podemos colher frutos no futuro”, conta a responsável do IEFP no Algarve. Mas o problema não é só a qualidade, mas também a quantidade.
“O Algarve tem falta de recursos humanos, apesar dos últimos censos evidenciarem o aumento da população na região. Mas este aumento aconteceu à custa da população mais idosa e também dos últimos fluxos migratórios para a nossa região, que vieram à procura de melhores condições de vida, designadamente de cidadãos estrangeiros de países terceiros. E precisamos destas pessoas, porque apenas com os recursos humanos da região não se consegue responder às necessidades de mão de obra e à diversificação e crescimento da economia regional”.
“Precisamos de pessoas qualificadas para termos um desenvolvimento sustentável”
“O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, afirma Madalena Feu, delegada regional do IEFP
Milhões de pessoas visitam o Algarve todo o ano. Procuram o sol, a praia e a boa comida, e o setor do turismo e da restauração são reforçados com milhares de trabalhadores, e muitos deles têm de se contentar com contratos a termo e precários. Mas o Algarve é muito mais do que um ‘pacote turístico’ e quer apostar em outros ramos de atividades, e com recursos humanos de excelência. “Temos de diversificar a nossa economia e apostar na qualificação e formação profissional”, começa por destacar ao POSTAL a delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Madalena Feu, delegada regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional no Algarve
Os desafios são muitos e o Algarve não quer perder a corrida, isto num período em que as mudanças são cada vez mais rápidas e radicais. “O Algarve não é só restauração e hotelaria. A formação profissional tem de adaptar-se às necessidades atuais e futuras, resultantes da evolução e das alterações do mercado de trabalho”, salienta Madalena Feu, adiantando que é preciso encontrar respostas para a época baixa.
“Não conseguindo os empregadores garantir postos de trabalho a tempo inteiro durante todo o ano, faz com que haja um número elevado, e maior que a média nacional, de contratos a prazo, sazonais e precários. É por isso que se torna vital diversificar a nossa economia”, garante a responsável do IEFP, confirmando que as empresas e entidades têm consciência dessa realidade. “Não queremos matar a “galinha dos ovos de ouro”, que é o turismo, e que muito tem contribuído para a economia do país, mas temos de encontrar também outras respostas”.
E para que tal realidade seja possível, tem de haver vontade do setor empresarial e a aposta numa mão-de-obra cada vez mais capaz. “Precisamos de pessoas qualificadas, com as competências necessárias e ajustadas às necessidades do mercado, para garantirmos o desenvolvimento sustentável da nossa economia, daí ser tão importante apostar na formação profissional. Só assim podemos colher frutos no futuro”, conta a responsável do IEFP no Algarve. Mas o problema não é só a qualidade, mas também a quantidade.
“O Algarve tem falta de recursos humanos, apesar dos últimos censos evidenciarem o aumento da população na região. Mas este aumento aconteceu à custa da população mais idosa e também dos últimos fluxos migratórios para a nossa região, que vieram à procura de melhores condições de vida, designadamente de cidadãos estrangeiros de países terceiros. E precisamos destas pessoas, porque apenas com os recursos humanos da região não se consegue responder às necessidades de mão de obra e à diversificação e crescimento da economia regional”
E para Madalena Feu todos têm respondido ao desafio: as empresas, os jovens, aqueles que têm estado no desemprego e até mesmo trabalhadores que estão no ativo, mas que querem melhorar as suas competências. “É preciso investir não só na formação inicial dos jovens e dos migrantes, dando-lhes as competências necessárias para se ajustarem ao mercado de trabalho, mas também reconverter aqueles que já não querem estar no setor do turismo, ou em qualquer outro setor, mas sim em outras atividades profissionais. Temos de qualificar e requalificar para novos empregos, mas também melhorar e desenvolver novas competências para manter postos de trabalho”.
Segundo a delegada regional do IEFP, todos têm a ganhar com esta aposta no futuro. “Quanto mais qualificados forem os trabalhadores de uma empresa, mais fácil é garantir os parâmetros de qualidade e de excelência nos resultados. A formação não deve ser vista como um custo para a empresa, mais sim como um investimento”.
“É preciso apostar na transformação digital”
A União Europeia promove em 2023 o Ano Europeu das Competências. O Postal do Algarve desafiou a diretora regional do IEFP a enumerar as áreas em que é preciso apostar no imediato.
“O Algarve tem condições para não ser apenas restauração e hotelaria. A estratégia de desenvolvimento regional para uma especialização inteligente, sustentável e inclusiva do Algarve, a designada RIS 3, identifica os diversos setores em que é necessário apostar. Considero que, no presente, uma das áreas mais urgentes é a que está relacionada com a transição digital, pois temos de acompanhar esta importante mudança decorrente da inovação tecnológica. E o digital é transversal a todas as atividades profissionais, bem como também “mexe” com a vida das pessoas. É preciso prevenir a possível exclusão social, que daí poderá advir”. Mas há outros. “Áreas profissionais relacionadas com a economia do mar e economia verde, com a transição energética e ambiental, bem como tudo o que tenha a ver com os setores da saúde e bem-estar e social. Todos estes setores podem ajudar a encontrar outros focos de desenvolvimento na região”.
E esta necessidade de apostar na qualificação e requalificação tem levado a que haja uma procura cada vez maior no IEFP. “Fazemos muita formação em línguas estrangeiras, em especial no inglês, francês, alemão e espanhol, mas também em língua portuguesa dirigida a estrangeiros (Português Língua de Acolhimento), o que é muito necessário na nossa região, bem como permitirá aos cidadãos estrangeiros uma melhor integração social e profissional. Mas há outras áreas em que temos vindo a apostar, designadamente as áreas digitais, de multimédia, de marketing digital e comércio eletrónico”.
Mas também o setor empresarial sente a necessidade de evoluir. “Apostamos cada vez mais na formação dirigida aos ativos das empresas. Esse número tem aumentado. Muitas empresas procuram-nos de modo a realizarmos ações de formação nas áreas ajustadas às suas necessidades, por norma de curta duração, em que podem melhorar as competências dos seus trabalhadores”, garante Madalena Feu.
“Faltam graus intermédios no Algarve”
É nas escolas que os jovens acabam por fazer as primeiras escolhas antes de entrarem no mercado de trabalho. Uma das primeiras, é a via a seguir até ao primeiro emprego.
“Muitos pais ainda têm o ensino superior como uma bandeira, têm aquela ideia de que os filhos têm de ser doutores”, começa por contar Madalena Feu, realçando a necessidade de apostar “na formação profissional, como uma alternativa de excelente qualidade, que permitirá o acesso mais rápido ao mercado de trabalho, mas que também permitirá prosseguir estudos, caso essa venha a ser a vontade de cada pessoa”.
“O mercado de trabalho no Algarve precisa de jovens (e adultos) com estudos superiores, mas também tem muita falta de trabalhadores com qualificações de nível intermédio. Falo de qualificações de nível 4 e 5. E temos um número significativo de jovens, que terminam ou abandonam previamente a sua escolaridade obrigatória e não prosseguem estudos. Havendo falta de mão de obra em áreas profissionais de nível intermédio, considero ser muito importante intervir a este nível”, acrescenta.
E a formação aproxima de imediato os formandos do mundo laboral. “A vantagem da qualificação profissional é que muita dessa formação implica um estágio com uma carga horária elevada numa empresa. A maior parte desses jovens ficam a trabalhar nas empresas onde estagiam ou vão para outras”, conta a diretora regional, avançando ainda que tem muitas empresas a trabalhar em parceria com o IEFP.
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21.11.22
O problema não é sermos muitos, é consumirmos demasiado
Paulo Narigão Reis, in Público online
Quase a chegar aos 8 mil milhões de humanos, está o mundo mesmo sobrepovoado? Mais do que excesso de população, o problema está, como defendem muitos cientistas, no excesso de consumo.
Interactivo. Oito mil milhões de humanos. Quantos havia quando nasceu?
Com o mundo prestes a alcançar a marca dos 8 mil milhões de habitantes, há perguntas a fazer: quantas pessoas cabem realmente no nosso planeta? E está o mundo, de facto, sobrepovoado? O debate sobre qual é o número ideal de seres humanos é antigo – remonta ao século XVIII – e polémico e, quando somamos mais um milhar de milhões, como acontecerá esta terça-feira, as opiniões voltam a dividir-se.
Na semana passada, a revista The Economist titulava: “A população atingiu os 8 mil milhões. Não entremos em pânico”. No artigo em causa, a publicação advoga que quer o medo da sobrepopulação quer da subpopulação são manifestamente exagerados. O planeta não está nem à beira do excesso de habitantes nem do inverso colapso populacional, mesmo que no primeiro caso, os dois últimos mil milhões tenham sido alcançados no espaço de doze anos cada (os 7 mil milhões entre 1998 e 2010 e os 8 mil milhões entre 2010 e 2022).
“Oito mil milhões de pessoas é um marco importante para a humanidade”, disse a chefe do Fundo de População das Nações Unidas, Natalia Kanem, numa declaração oficial, saudando ao mesmo tempo o aumento da esperança de vida e a diminuição do número de mortes maternas e infantis.
“Ainda assim, percebo que este momento poderá não ser celebrado por todos”, acrescentou Kanem. “Alguns expressam a preocupação de que o nosso mundo está sobrepovoado. Estou aqui para dizer que o grande número de vidas humanas não é motivo de medo”.
Para muitos especialistas na matéria, dizer que o mundo tem gente a mais é estar a colocar a questão errada. “Muitos para quem, muitos para quê? Se me perguntarem se eu estou a mais? Digo que não”, afirma Joel Cohen, do Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, citado pela agência France-Presse.
Para o cientista, a questão de quantas pessoas pode suportar o mundo tem dois lados: os limites naturais e escolhas humanas. Que estão ambos ligados: “As nossas escolhas fazem com que os humanos consumam muito mais recursos biológicos do que o planeta é capaz de regenerar a cada ano”, acrescenta Cohen.
O mais recente relatório climático da ONU menciona o crescimento populacional como um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases de efeito de estufa, ainda assim menor do que o crescimento económico. Mais do que excesso de população, o problema está, como defendem muitos cientistas, no excesso de consumo.
“Estamos a consumir os recursos renováveis de 1,7 planetas Terra. Se as coisas não mudarem, precisaremos de três até 2050. À medida que mais pessoas exigem mais da natureza, pioramos a já catastrófica perda de biodiversidade, acelerando a escassez de água, poluição e desmatamento”, escreveu Robin Maynard, director da organização Population Matters, sediada no Reino Unido, no jornal Guardian, no mês passado.
Ainda assim, Maynard defende que oito mil milhões de pessoas no planeta é um número que começa a ser incomportável, inclusivamente para as outras espécies. “Os governos, os organismos internacionais e as sociedades não podem ignorar o papel da população no que diz respeito ao clima, à vida selvagem e aos colapsos dos ecossistemas que hoje enfrentamos”, considera.
Mas, se em vez de tentarmos ajustar o número de pessoas que habitam o mundo, virarmos o foco antes para para o que fazemos, o que consumimos, a pegada que deixamos? A quantidade de recursos que cada pessoa consome no seu dia-a-dia tem mais impacto do que o número de humanos sobre a Terra, isto num mundo em que, estima a ONU, um terço dos alimentos que produzimos é desperdiçado a cada ano.
E, aqui, a “culpa” é dos países mais ricos que, para além de consumirem mais, têm taxas de natalidade menores do que as nações mais pobres. Ou seja, reduzir o consumo individual pode ser a receita para reduzir a pegada da humanidade sem esmagar o crescimento dos países menos desenvolvidos.
Um estudo da Oxfam publicado em 2015 estimava que a pegada ecológica de quem faz parte do 1% com os maiores rendimentos era, pelo menos, 175 vezes maior do que alguém nos 10% mais pobres. Segundo a ONU, os países pobres e de rendimento médio-baixo, de onde virá 90% do crescimento populacional na próxima década, são responsáveis por apenas um sétimo das emissões mundiais de dióxido de carbono.
“O problema é a extrema desigualdade, o consumo excessivo dos ultra-ricos do mundo e um sistema que dá prioridade aos lucros em relação ao bem-estar social e ecológico. É aqui que devemos focar nossa atenção”, afirma Heather Alberro, especialista em desenvolvimento sustentável na Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, citada pelo site The Conversation.
Até porque, na realidade, a população humana não está a aumentar exponencialmente, antes a desacelerar. Na tendência actual, a população global chegará aos 9 mil milhões em 2037 e atingirá o pico em 10,4 mil milhões entre 2080 e 2100, sendo que metade do crescimento projectado entre 2022 e 2050 ocorrerá em apenas oito países, cinco deles em África (República Democrática do Congo, Egipto, Etiópia, Nigéria e Tanzânia) e três na Ásia (Índia, Paquistão e Filipinas). E se no próximo ano a Índia irá, provavelmente, ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo, este ano, o continente africano já superou as populações combinadas da Europa e América do Norte.
Quase a chegar aos 8 mil milhões de humanos, está o mundo mesmo sobrepovoado? Mais do que excesso de população, o problema está, como defendem muitos cientistas, no excesso de consumo.
Interactivo. Oito mil milhões de humanos. Quantos havia quando nasceu?
Com o mundo prestes a alcançar a marca dos 8 mil milhões de habitantes, há perguntas a fazer: quantas pessoas cabem realmente no nosso planeta? E está o mundo, de facto, sobrepovoado? O debate sobre qual é o número ideal de seres humanos é antigo – remonta ao século XVIII – e polémico e, quando somamos mais um milhar de milhões, como acontecerá esta terça-feira, as opiniões voltam a dividir-se.
Na semana passada, a revista The Economist titulava: “A população atingiu os 8 mil milhões. Não entremos em pânico”. No artigo em causa, a publicação advoga que quer o medo da sobrepopulação quer da subpopulação são manifestamente exagerados. O planeta não está nem à beira do excesso de habitantes nem do inverso colapso populacional, mesmo que no primeiro caso, os dois últimos mil milhões tenham sido alcançados no espaço de doze anos cada (os 7 mil milhões entre 1998 e 2010 e os 8 mil milhões entre 2010 e 2022).
“Oito mil milhões de pessoas é um marco importante para a humanidade”, disse a chefe do Fundo de População das Nações Unidas, Natalia Kanem, numa declaração oficial, saudando ao mesmo tempo o aumento da esperança de vida e a diminuição do número de mortes maternas e infantis.
“Ainda assim, percebo que este momento poderá não ser celebrado por todos”, acrescentou Kanem. “Alguns expressam a preocupação de que o nosso mundo está sobrepovoado. Estou aqui para dizer que o grande número de vidas humanas não é motivo de medo”.
Para muitos especialistas na matéria, dizer que o mundo tem gente a mais é estar a colocar a questão errada. “Muitos para quem, muitos para quê? Se me perguntarem se eu estou a mais? Digo que não”, afirma Joel Cohen, do Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, citado pela agência France-Presse.
Para o cientista, a questão de quantas pessoas pode suportar o mundo tem dois lados: os limites naturais e escolhas humanas. Que estão ambos ligados: “As nossas escolhas fazem com que os humanos consumam muito mais recursos biológicos do que o planeta é capaz de regenerar a cada ano”, acrescenta Cohen.
O mais recente relatório climático da ONU menciona o crescimento populacional como um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases de efeito de estufa, ainda assim menor do que o crescimento económico. Mais do que excesso de população, o problema está, como defendem muitos cientistas, no excesso de consumo.
“Estamos a consumir os recursos renováveis de 1,7 planetas Terra. Se as coisas não mudarem, precisaremos de três até 2050. À medida que mais pessoas exigem mais da natureza, pioramos a já catastrófica perda de biodiversidade, acelerando a escassez de água, poluição e desmatamento”, escreveu Robin Maynard, director da organização Population Matters, sediada no Reino Unido, no jornal Guardian, no mês passado.
Ainda assim, Maynard defende que oito mil milhões de pessoas no planeta é um número que começa a ser incomportável, inclusivamente para as outras espécies. “Os governos, os organismos internacionais e as sociedades não podem ignorar o papel da população no que diz respeito ao clima, à vida selvagem e aos colapsos dos ecossistemas que hoje enfrentamos”, considera.
Mas, se em vez de tentarmos ajustar o número de pessoas que habitam o mundo, virarmos o foco antes para para o que fazemos, o que consumimos, a pegada que deixamos? A quantidade de recursos que cada pessoa consome no seu dia-a-dia tem mais impacto do que o número de humanos sobre a Terra, isto num mundo em que, estima a ONU, um terço dos alimentos que produzimos é desperdiçado a cada ano.
E, aqui, a “culpa” é dos países mais ricos que, para além de consumirem mais, têm taxas de natalidade menores do que as nações mais pobres. Ou seja, reduzir o consumo individual pode ser a receita para reduzir a pegada da humanidade sem esmagar o crescimento dos países menos desenvolvidos.
Um estudo da Oxfam publicado em 2015 estimava que a pegada ecológica de quem faz parte do 1% com os maiores rendimentos era, pelo menos, 175 vezes maior do que alguém nos 10% mais pobres. Segundo a ONU, os países pobres e de rendimento médio-baixo, de onde virá 90% do crescimento populacional na próxima década, são responsáveis por apenas um sétimo das emissões mundiais de dióxido de carbono.
“O problema é a extrema desigualdade, o consumo excessivo dos ultra-ricos do mundo e um sistema que dá prioridade aos lucros em relação ao bem-estar social e ecológico. É aqui que devemos focar nossa atenção”, afirma Heather Alberro, especialista em desenvolvimento sustentável na Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, citada pelo site The Conversation.
Até porque, na realidade, a população humana não está a aumentar exponencialmente, antes a desacelerar. Na tendência actual, a população global chegará aos 9 mil milhões em 2037 e atingirá o pico em 10,4 mil milhões entre 2080 e 2100, sendo que metade do crescimento projectado entre 2022 e 2050 ocorrerá em apenas oito países, cinco deles em África (República Democrática do Congo, Egipto, Etiópia, Nigéria e Tanzânia) e três na Ásia (Índia, Paquistão e Filipinas). E se no próximo ano a Índia irá, provavelmente, ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo, este ano, o continente africano já superou as populações combinadas da Europa e América do Norte.
20.4.22
Pobreza: um assunto de todos
Pedro Perdigão, in Público
Enquanto a pobreza for vista como um problema dos outros, ou daqueles que “não querem trabalhar”, não o poderemos verdadeiramente resolver nem trabalhar em instrumentos e mecanismos de erradicação, que é o primeiro dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Há uma conta que não pára de crescer e à qual nenhum de nós pode ficar indiferente. O número de pessoas a viver na pobreza e na pobreza extrema, em todo o mundo, tem subido violentamente ao longo dos últimos dois anos, aos quais, para além de todas as assimetrias que já vinham a ser discutidas, debatidas e estudadas, se somam a pandemia e a guerra. E este é um assunto que nos diz respeito a todos.
Várias vezes, nos relatórios das grandes organizações mundiais, como as Nações Unidas ou o Banco Mundial, o problema é levantado e são sugeridas medidas de combate e prevenção. E cada vez o panorama é pior. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. Para termos uma ideia do que estamos a falar, o Banco Mundial já tinha estimado que 198 milhões de pessoas passariam a viver em pobreza extrema e, agora, a Oxfam estima que poderão ser mais de 250 milhões de pessoas. Cerca de metade da população europeia.
Por norma não é muito difícil estimar quem é que vai ser mais penalizado quando falamos de desigualdades e pobreza. São as mulheres e as crianças quem mais sofrem com este flagelo, que é mundial. Regionalmente, é na África Subsariana onde as dificuldades são mais agudas e onde há mais trabalho a fazer. Para trazer alguns números, estima-se que os preços da comida tenham subido 17% nos países ricos e 40% nesta região tão necessitada. Não quer isto dizer que não tenhamos trabalho a fazer na Europa ou em Portugal, bem pelo contrário.
Nas primeiras sessões plenárias na nossa Assembleia da República, vimos o debate vir para cima da mesa porque há, no Parlamento, quem se oponha à ideia de taxar mais aqueles que têm vindo a lucrar, deliberadamente, através da guerra.
No programa de Governo apresentado há dias, a palavra pobreza aparece 30 vezes, incluindo quando de energia se trata. Há um subcapítulo dedicado apenas à erradicação da pobreza, com quatro páginas. Nelas, o Governo propõe-se a retirar da pobreza 660 mil pessoas; destas, 170 mil são crianças e 230 mil trabalhadores pobres. Aproximar a taxa de privação material à média europeia e ainda reduzir a disparidade de pobreza territorial em Portugal para um máximo de três pontos percentuais. Se estas são as metas, quer isto dizer que temos muito a fazer, aqui, em Portugal. Muitas destas pessoas podemos ser mesmo nós, que lemos este texto, o nosso familiar ou mesmo o vizinho da porta ao lado.
Neste problema é importante que a abordagem não seja entre eles e nós. Não existe isso. Existimos todos. Viu-se, com a distribuição das vacinas pelo mundo, que o mundo não ficou um lugar melhor como muitos achavam no início desta pandemia. E, não, não ficou tudo bem.
Enquanto a pobreza for vista como um problema dos outros, ou daqueles que “não querem trabalhar”, não o poderemos verdadeiramente resolver nem trabalhar em instrumentos e mecanismos de erradicação, que é o primeiro dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Então o que é que se pode fazer? Algumas das medidas sugeridas nos relatórios, e das quais sou a favor, são a progressividade de impostos mais acentuada e o adiamento do pagamento de parte das dívidas externas de países altamente endividados (libertando, assim, 27 mil milhões de euros), quase como as moratórias que salvaram muitas das nossas famílias de entrar em incumprimento com os credores, mas também nos rendimentos e no trabalho. Outra medida seria libertar do fundo de austeridade (sabias que existe?) cerca de 92 mil milhões de euros para canalizar para as populações mais afectadas.
Temos muito trabalho a fazer. Se existe dinheiro para umas coisas, para o básico é que tem de existir mesmo. Não podemos deixar ninguém para trás e esta tem de ser a nossa orientação e vontade política.
Enquanto a pobreza for vista como um problema dos outros, ou daqueles que “não querem trabalhar”, não o poderemos verdadeiramente resolver nem trabalhar em instrumentos e mecanismos de erradicação, que é o primeiro dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Há uma conta que não pára de crescer e à qual nenhum de nós pode ficar indiferente. O número de pessoas a viver na pobreza e na pobreza extrema, em todo o mundo, tem subido violentamente ao longo dos últimos dois anos, aos quais, para além de todas as assimetrias que já vinham a ser discutidas, debatidas e estudadas, se somam a pandemia e a guerra. E este é um assunto que nos diz respeito a todos.
Várias vezes, nos relatórios das grandes organizações mundiais, como as Nações Unidas ou o Banco Mundial, o problema é levantado e são sugeridas medidas de combate e prevenção. E cada vez o panorama é pior. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. Para termos uma ideia do que estamos a falar, o Banco Mundial já tinha estimado que 198 milhões de pessoas passariam a viver em pobreza extrema e, agora, a Oxfam estima que poderão ser mais de 250 milhões de pessoas. Cerca de metade da população europeia.
Por norma não é muito difícil estimar quem é que vai ser mais penalizado quando falamos de desigualdades e pobreza. São as mulheres e as crianças quem mais sofrem com este flagelo, que é mundial. Regionalmente, é na África Subsariana onde as dificuldades são mais agudas e onde há mais trabalho a fazer. Para trazer alguns números, estima-se que os preços da comida tenham subido 17% nos países ricos e 40% nesta região tão necessitada. Não quer isto dizer que não tenhamos trabalho a fazer na Europa ou em Portugal, bem pelo contrário.
Nas primeiras sessões plenárias na nossa Assembleia da República, vimos o debate vir para cima da mesa porque há, no Parlamento, quem se oponha à ideia de taxar mais aqueles que têm vindo a lucrar, deliberadamente, através da guerra.
No programa de Governo apresentado há dias, a palavra pobreza aparece 30 vezes, incluindo quando de energia se trata. Há um subcapítulo dedicado apenas à erradicação da pobreza, com quatro páginas. Nelas, o Governo propõe-se a retirar da pobreza 660 mil pessoas; destas, 170 mil são crianças e 230 mil trabalhadores pobres. Aproximar a taxa de privação material à média europeia e ainda reduzir a disparidade de pobreza territorial em Portugal para um máximo de três pontos percentuais. Se estas são as metas, quer isto dizer que temos muito a fazer, aqui, em Portugal. Muitas destas pessoas podemos ser mesmo nós, que lemos este texto, o nosso familiar ou mesmo o vizinho da porta ao lado.
Neste problema é importante que a abordagem não seja entre eles e nós. Não existe isso. Existimos todos. Viu-se, com a distribuição das vacinas pelo mundo, que o mundo não ficou um lugar melhor como muitos achavam no início desta pandemia. E, não, não ficou tudo bem.
Enquanto a pobreza for vista como um problema dos outros, ou daqueles que “não querem trabalhar”, não o poderemos verdadeiramente resolver nem trabalhar em instrumentos e mecanismos de erradicação, que é o primeiro dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.
Então o que é que se pode fazer? Algumas das medidas sugeridas nos relatórios, e das quais sou a favor, são a progressividade de impostos mais acentuada e o adiamento do pagamento de parte das dívidas externas de países altamente endividados (libertando, assim, 27 mil milhões de euros), quase como as moratórias que salvaram muitas das nossas famílias de entrar em incumprimento com os credores, mas também nos rendimentos e no trabalho. Outra medida seria libertar do fundo de austeridade (sabias que existe?) cerca de 92 mil milhões de euros para canalizar para as populações mais afectadas.
Temos muito trabalho a fazer. Se existe dinheiro para umas coisas, para o básico é que tem de existir mesmo. Não podemos deixar ninguém para trás e esta tem de ser a nossa orientação e vontade política.
11.11.20
Projeto pioneiro quer pôr os 308 municípios do país a concretizar os objetivos propostos pela ONU para 2030
Carla Tomás, in Expresso
A 10 anos da meta definida pela ONU para que o mundo alcance os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, um consórcio nacional avança com uma plataforma inovadora que pretende ajudar a transformar políticas municipais em decisões e ações no terreno. Plataforma ODS Local é lançada esta quarta-feiraUm projeto pioneiro que pretende juntar toda a informação sobre o que os municípios estão a fazer para atingir, a nível local, até 2030, os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas vai ser lançado esta quarta-feira, 11 de novembro. Quarenta e cinco municípios já aderiram à plataforma, que resulta de um consórcio liderado pelo Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS).
“Somos o único país a ter a ambição de envolver todos os municípios na busca de atingir as metas definidas pela ONU na Agenda 2030”, sublinha o presidente do CNADS, Filipe Duarte Santos. “Estamos perante várias crises: a crise das alterações climáticas e da perda de biodiversidade, a que agora se associa uma crise pandémica e uma crise social e económica. E os municípios estão sensíveis a estas questões”, reforça. Agora esperam que os 308 municípios do continente e das ilhas também adiram.
A Plataforma ODS Local - Plataforma Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nasceu em forma de projeto piloto há dois anos, pelas mãos deste consórcio, que junta a startup tecnológica em ambiente e alterações climáticas 2adapt e dois centros de investigação universitários — o OBSERVA, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e o MARE, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa — e conta com o apoio financeiro da Fundação La Caixa. O objetivo é mapear e divulgar a adesão dos municípios portugueses aos 17 ODS — que vão da erradicação da pobreza e da fome à adoção de medidas urgentes para combater as alterações climáticas e a perda de biodiversidade, passando pela garantia de acesso a educação de qualidade, a água potável, a fontes renováveis de energia ou de padrões de produção e consumo sustentáveis e criação de cidades mais resilientes e sustentáveis. Para isso contam com o apoio financeiro da Fundação La Caixa ao longo dos próximos três anos.
À plataforma aderiram na fase piloto sete municípios — Bragança, Cascais, Castelo de Vide, Coruche, Loulé, Seia e Viana do Castelo — e entretanto mais 30, entre os quais Lisboa. Os projetos que estão a ser desenvolvidos pelas autarquias, mas também por outras entidades públicas ou privadas e por organizações não governamentais nesses municípios, vão sendo carregados e sistematizados na plataforma.
CONSCIENCIALIZAR, CAPACITAR, SISTEMATIZAR
“O grande objetivo, e o que diferencia este de outro projetos, é que permite trabalhar diferentes indicadores adaptados à realidade de cada município. O nosso trabalho é ajudar os municípios a concretizar no seu dia a dia as decisões que vão ao encontro dos objetivos do desenvolvimento sustentável”, explica ao Expresso o coordenador do projeto, João Ferrão. “O nosso papel é de consciencialização, capacitação, sistematização de informação e transformação de projetos e políticas em decisões e ações no terreno”, reforça João Ferrão, geógrafo e ex-Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades.
Para que se perceba como estes projetos contribuem para as metas dos ODS, os investigadores desenvolveram “um conjunto de indicadores e uma linguagem comum de forma a que a informação possa ser percetível para os relatórios internacionais”, esclarece Pedro Garrett, da 2adapt. Este engenheiro do Ambiente indica também que “ao exporem os seus projetos nesta plataforma os municípios apresentam o trabalho feito, acompanham um conjunto de práticas e sistematizam projetos, o que permite condidatá-los a financiamento europeu”. Ao 2adapt cabe a componente tecnológica do projeto, ao MARE a dinâmica da sociedade civil ao nível local e ao Observa a formação de técnicos dos municípios.
Um dos municípios que tem sido bastante ativo na plataforma ODS Local é o de Loulé. “Há uma grande preocupação do executivo com a questão das alterações climáticas e com as questões relacionadas com o esgotamento de recursos devido a uma economia predadora”, sublinha o presidente da Câmara, Vítor Aleixo. Já antes Loulé foi o primeiro município a concluir a estratégia de adaptação às alterações climáticas AdaptLocal, preocupado com as fragilidades do concelho a eventos extremos como intempéries, inundações e secas. Indo ao encontro dos ODS relacionados com o combate às alterações climáticas, a aposta na educação ambiental e nas energias renováveis avançaram com o projeto de comunidades energéticas escolares que permitiu colocar painéis fotovoltaicos em sete escolas, numa das quais “já permitiu reduzir a fatura à EDP em 70%”. Ciclovias, sistemas de monitorização e poupança de água de rega, postos de carregamento elétricos são alguns dos projetos já concretizados ou em curso.
Este e outros seis municípios de fase piloto vão apresentar o que já fizeram no âmbito dos compromissos com este consórcio. A sessão de apresentação realiza-se esta quarta-feira no Centro Cultural de Belém e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e o apoio do Governo.
*Artigo alterado às 16h19 corrigindo o número de municípios que já aderiram e passaram de 30 para 45
5.3.20
Desenvolvimento sustentável e economia social
Manuel Belo Moreira, in Negócios on-line
Do Estado esperam-se políticas eficazes para lidar com as externalidades, estimulando as positivas e penalizando as negativas, e políticas ajustadas às necessidades das populações nomeadamente formas de providenciar os bens e os serviços públicos socialmente necessários.
O desenvolvimento sustentável exige, entre outros requisitos, um mercado eficaz e um Estado atento e interventivo.
O mercado é indispensável, mas não só é insuficiente para o desenvolvimento sustentável como a lógica de mercado é intrinsecamente fonte da insustentabilidade. Das instituições do mercado pede-se que sejam capazes de dinamizar a economia, longe, portanto, das preocupações das entidades de mercado globalizado para quem a produção local não conta, mas não é possível pedir-lhes atenção às externalidades.
O Estado, historicamente, mostra falhas de ação e omissão. Isto é, políticas desajustadas e falhas na regulação do mercado, permitindo que o poder do mercado, cada vez mais oligopolista, destrua os mercados locais. Do Estado esperam-se políticas eficazes para lidar com as externalidades, estimulando as positivas e penalizando as negativas, e políticas ajustadas às necessidades das populações nomeadamente formas de providenciar os bens e os serviços públicos socialmente necessários.
Nestas circunstâncias em que nem o mercado nem o Estado conseguem por si sós resultados satisfatórios, a economia social, particularmente quando se trata do desenvolvimento sustentável a nível local, mostra potencial para suprir muitas das falhas do mercado e do Estado. Em concreto as entidades da economia social apresentam as seguintes vantagens:
– Resultam da ação coletiva e estão bem posicionadas para conhecer as particularidades de cada zona e para mobilizar a sociedade civil;
– Sendo entidades sem fins lucrativos, podem dedicar-se a atividades pouco ou nada atrativas para o capital, tanto mais que potencializam o recurso ao voluntariado;
– Estão sujeitas ao escrutínio democrático e apresentam uma legitimidade reforçada para a obtenção de apoios públicos.
As entidades da economia social poderão desempenhar um papel relevante em várias vertentes. Ocupando o lugar deixado vago pelo mercado capitalista, promovendo um empreendedorismo inovador em processos, isto é, voltado para uma função empresarial vocacionada para a satisfação das necessidades das populações envolvidas. Trata-se de um empreendedorismo necessário para o desenvolvimento sustentável, particularmente nas zonas desfavorecidas onde poderá compartilhar com o Estado a criação e a manutenção dos bens e serviços públicos necessários para uma qualidade de vida das populações e para um ambiente sustentável.
Faz assim todo o sentido fomentar a criação de parcerias do Estado com a economia social que podemos designar por parcerias público-sociais capazes de superar os entraves burocráticos e providenciar resultados a menor custo. As entidades da economia social como parceiras executoras e elemento de ligação privilegiado às populações interessadas e o Estado como entidade capaz de fornecer apoio técnico e científico, nomeadamente através do envolvimento das universidades e laboratórios de investigação públicos e como financiador. Exige-se, obviamente, que a transparência e a prestação de contas não só estejam devidamente salvaguardadas, como sejam pré-requisito para o respetivo financiamento.
Está disponível, no sítio institucional da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), o número 7 da revista digital Economia Social – Leituras & Debates.
Trata-se de um número especial dedicado aos 10 anos da CASES e inclui artigos de Eduardo Graça, sobre aquela efeméride e de Eduardo Pedroso, sobre “Relatório CASES – Cooperativas em municípios do interior”. Destaque ainda para a lista dos premiados com o Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2019, a apresentação do Inquérito ao Setor da Economia Social e o Programa Nacional de Microcrédito – a experiência da CASES.
Ciclo de debates sobre associativismo
A Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) organiza, no Barreiro, no próximo dia 21 de março, pelas 15h00, um debate sobre Associativismo, tendo como tema “Entidades da economia social, escolas de democracia?”.
A iniciativa terá lugar no Clube Dramático de Instrução e Recreio 31 de janeiro “Os Celtas”, e insere-se no programa “O Associativismo vai dar a volta a Portugal”.
No debate participarão Sérgio Pratas, jurista, vice-presidente da CPCCRD e diretor da revista Análise Associativa, e Nuno Nunes, sociólogo e investigador integrado do CIES (ISCTE-IUL).
Do Estado esperam-se políticas eficazes para lidar com as externalidades, estimulando as positivas e penalizando as negativas, e políticas ajustadas às necessidades das populações nomeadamente formas de providenciar os bens e os serviços públicos socialmente necessários.
O desenvolvimento sustentável exige, entre outros requisitos, um mercado eficaz e um Estado atento e interventivo.
O mercado é indispensável, mas não só é insuficiente para o desenvolvimento sustentável como a lógica de mercado é intrinsecamente fonte da insustentabilidade. Das instituições do mercado pede-se que sejam capazes de dinamizar a economia, longe, portanto, das preocupações das entidades de mercado globalizado para quem a produção local não conta, mas não é possível pedir-lhes atenção às externalidades.
O Estado, historicamente, mostra falhas de ação e omissão. Isto é, políticas desajustadas e falhas na regulação do mercado, permitindo que o poder do mercado, cada vez mais oligopolista, destrua os mercados locais. Do Estado esperam-se políticas eficazes para lidar com as externalidades, estimulando as positivas e penalizando as negativas, e políticas ajustadas às necessidades das populações nomeadamente formas de providenciar os bens e os serviços públicos socialmente necessários.
Nestas circunstâncias em que nem o mercado nem o Estado conseguem por si sós resultados satisfatórios, a economia social, particularmente quando se trata do desenvolvimento sustentável a nível local, mostra potencial para suprir muitas das falhas do mercado e do Estado. Em concreto as entidades da economia social apresentam as seguintes vantagens:
– Resultam da ação coletiva e estão bem posicionadas para conhecer as particularidades de cada zona e para mobilizar a sociedade civil;
– Sendo entidades sem fins lucrativos, podem dedicar-se a atividades pouco ou nada atrativas para o capital, tanto mais que potencializam o recurso ao voluntariado;
– Estão sujeitas ao escrutínio democrático e apresentam uma legitimidade reforçada para a obtenção de apoios públicos.
As entidades da economia social poderão desempenhar um papel relevante em várias vertentes. Ocupando o lugar deixado vago pelo mercado capitalista, promovendo um empreendedorismo inovador em processos, isto é, voltado para uma função empresarial vocacionada para a satisfação das necessidades das populações envolvidas. Trata-se de um empreendedorismo necessário para o desenvolvimento sustentável, particularmente nas zonas desfavorecidas onde poderá compartilhar com o Estado a criação e a manutenção dos bens e serviços públicos necessários para uma qualidade de vida das populações e para um ambiente sustentável.
Faz assim todo o sentido fomentar a criação de parcerias do Estado com a economia social que podemos designar por parcerias público-sociais capazes de superar os entraves burocráticos e providenciar resultados a menor custo. As entidades da economia social como parceiras executoras e elemento de ligação privilegiado às populações interessadas e o Estado como entidade capaz de fornecer apoio técnico e científico, nomeadamente através do envolvimento das universidades e laboratórios de investigação públicos e como financiador. Exige-se, obviamente, que a transparência e a prestação de contas não só estejam devidamente salvaguardadas, como sejam pré-requisito para o respetivo financiamento.
Está disponível, no sítio institucional da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), o número 7 da revista digital Economia Social – Leituras & Debates.
Trata-se de um número especial dedicado aos 10 anos da CASES e inclui artigos de Eduardo Graça, sobre aquela efeméride e de Eduardo Pedroso, sobre “Relatório CASES – Cooperativas em municípios do interior”. Destaque ainda para a lista dos premiados com o Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2019, a apresentação do Inquérito ao Setor da Economia Social e o Programa Nacional de Microcrédito – a experiência da CASES.
Ciclo de debates sobre associativismo
A Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD) organiza, no Barreiro, no próximo dia 21 de março, pelas 15h00, um debate sobre Associativismo, tendo como tema “Entidades da economia social, escolas de democracia?”.
A iniciativa terá lugar no Clube Dramático de Instrução e Recreio 31 de janeiro “Os Celtas”, e insere-se no programa “O Associativismo vai dar a volta a Portugal”.
No debate participarão Sérgio Pratas, jurista, vice-presidente da CPCCRD e diretor da revista Análise Associativa, e Nuno Nunes, sociólogo e investigador integrado do CIES (ISCTE-IUL).
18.7.19
Um quarto dos habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha da pobreza
in ONUBR
Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
Em 2015, as Nações Unidas estabeleceram uma visão para “pessoas, planeta, paz e prosperidade” através de parcerias e solidariedade, quando adotou sua Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável. Até o momento, no entanto, muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), ainda enfrentam persistentes desafios ligados à pobreza, à desigualdade e aos impactos climáticos.
Falando em nome de membros do Fórum de Ilhas do Pacífico, Fiame Naomi Mata’afa, vice-primeira-ministra de Samoa e ministra de Recursos Naturais e Meio Ambiente, detalhou um cenário de corais morrendo e de aumento no número de ciclones, enchentes e secas.
“Um evento catastrófico está desfazendo décadas de progressos, ceifando vidas, destruindo infraestruturas vitais, casas, biodiversidade e afetando negativamente a segurança alimentar e a entrega de serviços e meios de subsistência”, afirmou. “Além disso, a geração de lixo está superando nossa capacidade de gestão e está impactando nosso meio ambiente, oceano e vida marinha”.
Conforme os SIDS lutam contra os impactos da crise climática, que amplificam desafios e vulnerabilidades, a realidade de inseguranças e de resultados ruins em desenvolvimento prevalece em muitos países. A principal causa de perda de terras é o aumento do nível do mar.
Segundo Mata’afa, um a cada quatro habitantes de ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
“Desemprego, especialmente de mulheres e jovens, é alto; desemprego entre os jovens é o dobro em relação à taxa global”, afirmou. “No Pacífico, os homens superam as mulheres em empregos pagos na proporção de dois para uma”, acrescentou.
Além disso, algumas das maiores taxas do mundo de violência contra as mulheres estão no Pacífico. A representação de mulheres em Parlamentos do Pacífico também é a menor globalmente, em 7,7%.
“Dos quatro países em todo o mundo que não têm mulheres parlamentares, três estão no Pacífico”, afirmou.
Em relação a doenças não comunicáveis, ela destacou que, sobre diabetes, sete países do Pacífico estão no Top 10 global. Em 10 SIDS, cinco a cada 10 habitantes estão acima do peso.
“Uma abordagem holística” é necessária
Em relação aos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), o Fórum de Alto Nível avaliou progressos e desafios em alguns dos países mais vulneráveis do mundo, onde populações correm o risco de serem deixadas para trás, muitas em situações de conflito ou pós-conflitos.
Muitas pessoas em LDC e países em desenvolvimento sem litoral estão sendo afetadas pela pobreza e pela falta de acesso a serviços básicos. Além de elas não se beneficiarem do crescimento econômico, as altas taxas anuais de crescimento populacional também apresentam desafios para matrícula na educação superior e no treinamento de força de trabalho capacitada.
Para alcançar resultados sustentáveis, o desenvolvimento precisa ser “um processo holístico”, disse Saad Al Farargi, relator especial sobre o direito ao desenvolvimento. O processo precisa de participação e envolvimento de diversos grupos, incluindo Estados, organizações internacionais, sociedade civil, academia e setor privado.
“Programas e políticas de desenvolvimento só podem ter sucesso se responderem às prioridades certas”, afirmou. “Para fazer isto, processos participativos de consultas, abertos para todos os segmentos da sociedade, precisam ser visados”.
Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
Apesar de progressos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos últimos quatro anos, alguns Estados insulares vulneráveis estão perdendo ritmo na corrida para 2030, de acordo com discussões realizadas na quarta-feira (10) em Nova Iorque durante o Fórum Político de Alto Nível para Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Segundo dados apresentado ao Fórum, um em cada quatro habitantes de Ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
Em 2015, as Nações Unidas estabeleceram uma visão para “pessoas, planeta, paz e prosperidade” através de parcerias e solidariedade, quando adotou sua Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável. Até o momento, no entanto, muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), ainda enfrentam persistentes desafios ligados à pobreza, à desigualdade e aos impactos climáticos.
Falando em nome de membros do Fórum de Ilhas do Pacífico, Fiame Naomi Mata’afa, vice-primeira-ministra de Samoa e ministra de Recursos Naturais e Meio Ambiente, detalhou um cenário de corais morrendo e de aumento no número de ciclones, enchentes e secas.
“Um evento catastrófico está desfazendo décadas de progressos, ceifando vidas, destruindo infraestruturas vitais, casas, biodiversidade e afetando negativamente a segurança alimentar e a entrega de serviços e meios de subsistência”, afirmou. “Além disso, a geração de lixo está superando nossa capacidade de gestão e está impactando nosso meio ambiente, oceano e vida marinha”.
Conforme os SIDS lutam contra os impactos da crise climática, que amplificam desafios e vulnerabilidades, a realidade de inseguranças e de resultados ruins em desenvolvimento prevalece em muitos países. A principal causa de perda de terras é o aumento do nível do mar.
Segundo Mata’afa, um a cada quatro habitantes de ilhas do Pacífico vive abaixo da linha de pobreza.
“Desemprego, especialmente de mulheres e jovens, é alto; desemprego entre os jovens é o dobro em relação à taxa global”, afirmou. “No Pacífico, os homens superam as mulheres em empregos pagos na proporção de dois para uma”, acrescentou.
Além disso, algumas das maiores taxas do mundo de violência contra as mulheres estão no Pacífico. A representação de mulheres em Parlamentos do Pacífico também é a menor globalmente, em 7,7%.
“Dos quatro países em todo o mundo que não têm mulheres parlamentares, três estão no Pacífico”, afirmou.
Em relação a doenças não comunicáveis, ela destacou que, sobre diabetes, sete países do Pacífico estão no Top 10 global. Em 10 SIDS, cinco a cada 10 habitantes estão acima do peso.
“Uma abordagem holística” é necessária
Em relação aos Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), o Fórum de Alto Nível avaliou progressos e desafios em alguns dos países mais vulneráveis do mundo, onde populações correm o risco de serem deixadas para trás, muitas em situações de conflito ou pós-conflitos.
Muitas pessoas em LDC e países em desenvolvimento sem litoral estão sendo afetadas pela pobreza e pela falta de acesso a serviços básicos. Além de elas não se beneficiarem do crescimento econômico, as altas taxas anuais de crescimento populacional também apresentam desafios para matrícula na educação superior e no treinamento de força de trabalho capacitada.
Para alcançar resultados sustentáveis, o desenvolvimento precisa ser “um processo holístico”, disse Saad Al Farargi, relator especial sobre o direito ao desenvolvimento. O processo precisa de participação e envolvimento de diversos grupos, incluindo Estados, organizações internacionais, sociedade civil, academia e setor privado.
“Programas e políticas de desenvolvimento só podem ter sucesso se responderem às prioridades certas”, afirmou. “Para fazer isto, processos participativos de consultas, abertos para todos os segmentos da sociedade, precisam ser visados”.
10.7.18
“O que mais valor tem para as próximas gerações vale zero para a economia”
Margarida David Cardoso, in Público on-line
O jurista e ambientalista Paulo Magalhães, defensor de um condomínio para o sistema terrestre, diz que as políticas devem compensar os países que contribuem para o bem comum. Numa abordagem ao capitalismo ecológico, o investigador percebe que “ninguém quer ser o otário”. Por isso, há que mudar as regras do jogo.
Há anos que Paulo Magalhães, jurista e investigador na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, anda a desenvolver a única forma que acredita que pode fazer frente a um problema tão global como o das alterações climáticas: tal como o seu prédio não funcionaria sem condomínio, sem um governo comum a todo o sistema terrestre a economia e a natureza vão sempre andar desencontradas. Hoje a ideia faz caminho na Casa Comum da Humanidade, fundada em 2016 com o objectivo, a longo prazo, de criar condições para que haja um órgão de governo ambiental com sede nas Nações Unidas.
Paulo Magalhães preside a este organismo internacional com sede no Porto que reúne, em permanência, cerca de 20 investigadores das ciências da Terra. O também membro do conselho geral da Zero é um dos oradores do evento Cidade +, que decorre este fim-de-semana nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.
Na origem da Casa Comum da Humanidade está a ideia de que o planeta tem que ter um condomínio, que cuide do comum. Como é que isto se aplica ao sistema terrestre?
Nos seus 4,5 mil milhões de anos, a Terra já teve estados do sistema terrestre muito diferentes – com composições da atmosfera, acumulações de energia e termodinâmicas diferentes –, mas só nos últimos 11,5 mil anos é que se criou esta estabilidade climática que permite a vida. Ora, este sistema terrestre é também fruto da própria evolução da vida, porque há determinados gases que só depois de serem transformados quimicamente por seres vivos é que se produzem. Se destruímos a vida – as florestas, os ecossistemas – vamos criar inevitavelmente atmosferas diferentes.
O que propomos é que se reconheça este estado favorável do sistema terrestre, este trabalho da natureza que é intangível e que nenhum conceito jurídico actualmente existente consegue representar.
A moldura jurídica actual não é suficiente?
As ciências jurídicas ficaram presas num conceito que parou no tempo, que é a soberania ao território. Eu posso dizer “tu não entras nas minhas águas” ou “até aqui não podes pescar”, mas não posso dizer que não adiro às alterações climáticas nem que a composição bioquímica da água do meu oceano é diferente da do teu.
A nossa casa não é o planeta em si, não são os 510 milhões de quilómetros quadrados, mas as condições favoráveis à vida que aconteceram no holoceno nos últimos 11,5 mil anos. A ciência já definiu os limites dessa estrutura bioquímica [investigadores do Stockholm Resilience Centre definiram nove limites para a concentração de CO2 e de aerossóis na atmosfera, fluxos de nitrogénio e fósforo na biosfera e oceanos, perdas de azoto estratosférico e de biodiversidade, poluição química, acidificação dos oceanos e ciclo hídrico]. Nada disto se mede em hectares.
E nesta questão o direito não precisa de fazer nada que já não tenha feito antes. Para o trabalho intelectual ser reconhecido teve que se criar um objecto jurídico novo, a ideia. Separar a posse do livro da ideia. Agora, tal como trabalho intangível intelectual, o trabalho da natureza tem que ser reconhecido.
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Há uma empresa suíça, por exemplo, que tem tecnologia para absorver CO2 através de turbinas. Cada hélice retira uma tonelada de CO2 por dia. E o custo de cada tonelada é 100 dólares. Com isto uma empresa pode anular as suas emissões e criar produtos neutros em carbono
Isso é também uma questão económica.
Sim. Toda a gente sabe que a floresta vale muito, mas na economia só vale o valor da madeira ou do papel. Um ecossistema tem o valor da infra-estrutura mais o valor dos serviços que presta. A economia actual só olha para o valor da infra-estrutura. O que mais valor tem para as próximas gerações vale zero para a economia.
Basta dar o exemplo da Noruega: eles têm a maior frota de carros eléctricos do mundo, mas são dos maiores exportadores de petróleo. A regra do jogo é esta, os países têm obrigações com o PIB e se não a seguirmos nós é que somos os otários.
Por isso ou fazemos este upgrade do sistema económico e jurídico tendo em conta a informação que temos da ciência ou não vamos a lado nenhum – como os últimos 30 anos de negociações para mitigação das emissões nos mostraram.
Há uma empresa suíça, por exemplo, que tem tecnologia para absorver CO2 através de turbinas. Cada hélice retira uma tonelada de CO2 por dia. E o custo de cada tonelada é 100 dólares. Com isto uma empresa pode anular as suas emissões e criar produtos neutros em carbono. Mas o sistema como hoje existe não compensa o investimento nestas turbinas. Este trabalho é fundamental porque suporta a vida, mas vale zero na economia.
A proposta é que o governo deste condomínio seja feito com sede na ONU. Como se faz uma governação global que não passe por cima dos Estados?
Há um desfasamento total entre o funcionamento do sistema terrestre e os fluxos da economia. Para isto ser harmonizado o direito tem que intervir no sentido organizador, não sancionatório. Precisamos de algo que permita esta sobreposição de soberania e de património comum que existe dentro e fora dos espaços soberanos. Isto é o condomínio.
Se reconhecermos que o sistema terrestre existe, tudo o que cada um faz – positivo ou negativo – tem que ser contabilizado para o manter dentro dos limites de segurança
Claro que também tenho conflitos no meu condomínio, mas imaginem que ele não existia. Estaria tudo a cair e tudo à pancada. É essa a situação na natureza. É preciso um conceito novo, que permita novas soluções.
Se reconhecermos que o sistema terrestre existe, tudo o que cada um faz – positivo ou negativo – tem que ser contabilizado para o manter dentro dos limites de segurança.
Seguindo um princípio de poluidor-pagador?
Poluidor-pagador e prestador-recebedor, à escala global.
Perdas de 415 milhões com isenções às energias fósseis? Não, 19 vezes mais do que isso
Na prática, tem que haver um administrador do condomínio que faz a avaliação e gestão permanente de cada um dos limites do sistema – o que já gastamos este ano, o que podemos gastar mais, onde é urgente compensar – e que define o seu valor.
Esta entidade vai ter em conta os resultados de cada país e estabelecer metas todos os anos. E se se quer alterar o comportamento de um grupo tem que haver compensações.
Isto pode fazer com que, por exemplo, o Brasil e o Peru não tenham que gerir praticamente sozinhos uma floresta que presta bens comuns?
Sim, a infra-estrutura da Amazónia é deles, mas os serviços que ela presta são comuns. Tem que existir um sistema de compensação – e não de mercado –, em que todos têm acesso ao bem, independentemente de conseguirem pagar, mas, porque o bem é escasso, tem que representar uma retribuição a quem o mantém.
Sem estas condições ninguém vai mudar a sua atitude. Se eu perceber que os outros têm as florestas e vão receber porque todos dependemos delas, vou olhar para os meus recursos e ver o que posso fazer para beneficiar o comum: onde posso ser mais eficiente, reabilitar as minhas reservas naturais, por exemplo.
A pegada [ecológica portuguesa] não é a melhor, mas também não é a pior. O país tem uma área relativamente pequena, teria que investir muito em eficiência energética e na redução das emissões de carbono.
Neste contexto, Portugal estaria a receber ou pagar?
A pegada [ecológica portuguesa] não é a melhor, mas também não é a pior. O país tem uma área relativamente pequena, teria que investir muito em eficiência energética e na redução das emissões de carbono. Mas tem uma área de oceanos bastante grande, que ia contar como um amortecedor da nossa pegada. Mas é preciso fazer cálculos. Isso é o que está por definir: o peso que, por exemplo, a área do oceano tem neste cálculo.
Então já estão definidos os limites, mas falta uma métrica e uma forma de valoração daquilo que a natureza nos dá.
Sim, aí há trabalho a fazer. A valoração há-de surgir de uma convenção internacional. A grande questão é que não pode valer zero, tem que valer o suficiente para mudar a economia. Pelo menos os verdadeiros custos de produção – os custos das externalidades negativas – têm que ser incorporado na economia.
Numa altura em que os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris e, como noutros momentos, há uma retórica proteccionista, como se faz para vingar esta ideia?
É difícil. Mas o estado actual é também resultado do insucesso das políticas anteriores.
[O acordo de] Paris é muito importante e para se chegar a uma gestão global é preciso dar estes pequenos passos. Mas tem que se perceber que se tem que mudar a regra do jogo. Sem isso, ainda que algo mitigados, temos sempre os mesmos resultados.
A pressão dos factos é que vai ditar a possibilidade de mudar. Os processos humanos de mudança demoram sempre 50, 100 anos. Este processo tem 30 anos sem resultados dignos de serem mencionados como um sucesso.
Qual é o futuro da Casa Comum da Humanidade?
Há um caminho a fazer para ensinar as ciências do sistema terrestre, que juntam matemática, física, geologia, biologia, climatologia... O conceito começou a ser pensado no princípio deste século. É muito recente. São poucos os especialistas e são poucas as faculdades que o ensinam. Queremos fazer uma grande conferência, no Porto, no próximo ano, que junte os cientistas do sistema terrestre e os juristas do mundo. E discutir se isto serve ou não serve a economistas, se isto pode ou não pode ser uma solução. No fim da conferência queremos ter o primeiro documento que proponha e reúna o apoio de determinados Estados para introduzir isto nas Nações Unidas.
E a pergunta que se lhes coloca é: se fomos capazes de fazer Internet e toda a tecnologia que temos hoje, porque não somos capazes de reconstruir ecossistemas? É uma questão económica.
O jurista e ambientalista Paulo Magalhães, defensor de um condomínio para o sistema terrestre, diz que as políticas devem compensar os países que contribuem para o bem comum. Numa abordagem ao capitalismo ecológico, o investigador percebe que “ninguém quer ser o otário”. Por isso, há que mudar as regras do jogo.
Há anos que Paulo Magalhães, jurista e investigador na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, anda a desenvolver a única forma que acredita que pode fazer frente a um problema tão global como o das alterações climáticas: tal como o seu prédio não funcionaria sem condomínio, sem um governo comum a todo o sistema terrestre a economia e a natureza vão sempre andar desencontradas. Hoje a ideia faz caminho na Casa Comum da Humanidade, fundada em 2016 com o objectivo, a longo prazo, de criar condições para que haja um órgão de governo ambiental com sede nas Nações Unidas.
Paulo Magalhães preside a este organismo internacional com sede no Porto que reúne, em permanência, cerca de 20 investigadores das ciências da Terra. O também membro do conselho geral da Zero é um dos oradores do evento Cidade +, que decorre este fim-de-semana nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.
Na origem da Casa Comum da Humanidade está a ideia de que o planeta tem que ter um condomínio, que cuide do comum. Como é que isto se aplica ao sistema terrestre?
Nos seus 4,5 mil milhões de anos, a Terra já teve estados do sistema terrestre muito diferentes – com composições da atmosfera, acumulações de energia e termodinâmicas diferentes –, mas só nos últimos 11,5 mil anos é que se criou esta estabilidade climática que permite a vida. Ora, este sistema terrestre é também fruto da própria evolução da vida, porque há determinados gases que só depois de serem transformados quimicamente por seres vivos é que se produzem. Se destruímos a vida – as florestas, os ecossistemas – vamos criar inevitavelmente atmosferas diferentes.
O que propomos é que se reconheça este estado favorável do sistema terrestre, este trabalho da natureza que é intangível e que nenhum conceito jurídico actualmente existente consegue representar.
A moldura jurídica actual não é suficiente?
As ciências jurídicas ficaram presas num conceito que parou no tempo, que é a soberania ao território. Eu posso dizer “tu não entras nas minhas águas” ou “até aqui não podes pescar”, mas não posso dizer que não adiro às alterações climáticas nem que a composição bioquímica da água do meu oceano é diferente da do teu.
A nossa casa não é o planeta em si, não são os 510 milhões de quilómetros quadrados, mas as condições favoráveis à vida que aconteceram no holoceno nos últimos 11,5 mil anos. A ciência já definiu os limites dessa estrutura bioquímica [investigadores do Stockholm Resilience Centre definiram nove limites para a concentração de CO2 e de aerossóis na atmosfera, fluxos de nitrogénio e fósforo na biosfera e oceanos, perdas de azoto estratosférico e de biodiversidade, poluição química, acidificação dos oceanos e ciclo hídrico]. Nada disto se mede em hectares.
E nesta questão o direito não precisa de fazer nada que já não tenha feito antes. Para o trabalho intelectual ser reconhecido teve que se criar um objecto jurídico novo, a ideia. Separar a posse do livro da ideia. Agora, tal como trabalho intangível intelectual, o trabalho da natureza tem que ser reconhecido.
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Há uma empresa suíça, por exemplo, que tem tecnologia para absorver CO2 através de turbinas. Cada hélice retira uma tonelada de CO2 por dia. E o custo de cada tonelada é 100 dólares. Com isto uma empresa pode anular as suas emissões e criar produtos neutros em carbono
Isso é também uma questão económica.
Sim. Toda a gente sabe que a floresta vale muito, mas na economia só vale o valor da madeira ou do papel. Um ecossistema tem o valor da infra-estrutura mais o valor dos serviços que presta. A economia actual só olha para o valor da infra-estrutura. O que mais valor tem para as próximas gerações vale zero para a economia.
Basta dar o exemplo da Noruega: eles têm a maior frota de carros eléctricos do mundo, mas são dos maiores exportadores de petróleo. A regra do jogo é esta, os países têm obrigações com o PIB e se não a seguirmos nós é que somos os otários.
Por isso ou fazemos este upgrade do sistema económico e jurídico tendo em conta a informação que temos da ciência ou não vamos a lado nenhum – como os últimos 30 anos de negociações para mitigação das emissões nos mostraram.
Há uma empresa suíça, por exemplo, que tem tecnologia para absorver CO2 através de turbinas. Cada hélice retira uma tonelada de CO2 por dia. E o custo de cada tonelada é 100 dólares. Com isto uma empresa pode anular as suas emissões e criar produtos neutros em carbono. Mas o sistema como hoje existe não compensa o investimento nestas turbinas. Este trabalho é fundamental porque suporta a vida, mas vale zero na economia.
A proposta é que o governo deste condomínio seja feito com sede na ONU. Como se faz uma governação global que não passe por cima dos Estados?
Há um desfasamento total entre o funcionamento do sistema terrestre e os fluxos da economia. Para isto ser harmonizado o direito tem que intervir no sentido organizador, não sancionatório. Precisamos de algo que permita esta sobreposição de soberania e de património comum que existe dentro e fora dos espaços soberanos. Isto é o condomínio.
Se reconhecermos que o sistema terrestre existe, tudo o que cada um faz – positivo ou negativo – tem que ser contabilizado para o manter dentro dos limites de segurança
Claro que também tenho conflitos no meu condomínio, mas imaginem que ele não existia. Estaria tudo a cair e tudo à pancada. É essa a situação na natureza. É preciso um conceito novo, que permita novas soluções.
Se reconhecermos que o sistema terrestre existe, tudo o que cada um faz – positivo ou negativo – tem que ser contabilizado para o manter dentro dos limites de segurança.
Seguindo um princípio de poluidor-pagador?
Poluidor-pagador e prestador-recebedor, à escala global.
Perdas de 415 milhões com isenções às energias fósseis? Não, 19 vezes mais do que isso
Na prática, tem que haver um administrador do condomínio que faz a avaliação e gestão permanente de cada um dos limites do sistema – o que já gastamos este ano, o que podemos gastar mais, onde é urgente compensar – e que define o seu valor.
Esta entidade vai ter em conta os resultados de cada país e estabelecer metas todos os anos. E se se quer alterar o comportamento de um grupo tem que haver compensações.
Isto pode fazer com que, por exemplo, o Brasil e o Peru não tenham que gerir praticamente sozinhos uma floresta que presta bens comuns?
Sim, a infra-estrutura da Amazónia é deles, mas os serviços que ela presta são comuns. Tem que existir um sistema de compensação – e não de mercado –, em que todos têm acesso ao bem, independentemente de conseguirem pagar, mas, porque o bem é escasso, tem que representar uma retribuição a quem o mantém.
Sem estas condições ninguém vai mudar a sua atitude. Se eu perceber que os outros têm as florestas e vão receber porque todos dependemos delas, vou olhar para os meus recursos e ver o que posso fazer para beneficiar o comum: onde posso ser mais eficiente, reabilitar as minhas reservas naturais, por exemplo.
A pegada [ecológica portuguesa] não é a melhor, mas também não é a pior. O país tem uma área relativamente pequena, teria que investir muito em eficiência energética e na redução das emissões de carbono.
Neste contexto, Portugal estaria a receber ou pagar?
A pegada [ecológica portuguesa] não é a melhor, mas também não é a pior. O país tem uma área relativamente pequena, teria que investir muito em eficiência energética e na redução das emissões de carbono. Mas tem uma área de oceanos bastante grande, que ia contar como um amortecedor da nossa pegada. Mas é preciso fazer cálculos. Isso é o que está por definir: o peso que, por exemplo, a área do oceano tem neste cálculo.
Então já estão definidos os limites, mas falta uma métrica e uma forma de valoração daquilo que a natureza nos dá.
Sim, aí há trabalho a fazer. A valoração há-de surgir de uma convenção internacional. A grande questão é que não pode valer zero, tem que valer o suficiente para mudar a economia. Pelo menos os verdadeiros custos de produção – os custos das externalidades negativas – têm que ser incorporado na economia.
Numa altura em que os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris e, como noutros momentos, há uma retórica proteccionista, como se faz para vingar esta ideia?
É difícil. Mas o estado actual é também resultado do insucesso das políticas anteriores.
[O acordo de] Paris é muito importante e para se chegar a uma gestão global é preciso dar estes pequenos passos. Mas tem que se perceber que se tem que mudar a regra do jogo. Sem isso, ainda que algo mitigados, temos sempre os mesmos resultados.
A pressão dos factos é que vai ditar a possibilidade de mudar. Os processos humanos de mudança demoram sempre 50, 100 anos. Este processo tem 30 anos sem resultados dignos de serem mencionados como um sucesso.
Qual é o futuro da Casa Comum da Humanidade?
Há um caminho a fazer para ensinar as ciências do sistema terrestre, que juntam matemática, física, geologia, biologia, climatologia... O conceito começou a ser pensado no princípio deste século. É muito recente. São poucos os especialistas e são poucas as faculdades que o ensinam. Queremos fazer uma grande conferência, no Porto, no próximo ano, que junte os cientistas do sistema terrestre e os juristas do mundo. E discutir se isto serve ou não serve a economistas, se isto pode ou não pode ser uma solução. No fim da conferência queremos ter o primeiro documento que proponha e reúna o apoio de determinados Estados para introduzir isto nas Nações Unidas.
E a pergunta que se lhes coloca é: se fomos capazes de fazer Internet e toda a tecnologia que temos hoje, porque não somos capazes de reconstruir ecossistemas? É uma questão económica.
4.8.17
Solidariedade entre gerações é vital para o desenvolvimento sustentável, diz Guterres
in ONUBR
A sabedoria, a experiência, a energia e os ideais dos anciãos e dos jovens são vitais para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), disse na terça-feira (1) o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmando que juntos eles podem ajudar a quebrar os ciclos de pobreza que têm durado gerações.
A sabedoria, a experiência, a energia e os ideais dos anciãos e dos jovens são vitais para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), disse na terça-feira (1) o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmando que juntos eles podem ajudar a quebrar os ciclos de pobreza que têm durado gerações.
“Os jovens e as pessoas mais idosas nesta sala têm sabedoria, experiência, energia e ideais”, disse o chefe da ONU em sua mensagem de vídeo para um evento especial na sede da ONU. O tema também foi abordado pela recém-nomeada enviada especial para a juventude, Jayathma Wickramanayake, e pelo presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson.
O evento teve como objetivo aumentar a conscientização sobre o papel valioso que os jovens e idosos podem desempenhar, juntos, na implementação dos ODSs — metas abrangentes de desenvolvimento acordadas por mais de 190 países em 2015 para garantir o crescimento e proteger as pessoas e o planeta.
Thomson, já com quase 70 anos, falou sobre sua própria juventude crescendo na ilha de Fiji, antes que as ilhas de plástico e o aquecimento dos oceanos começassem a ameaçar sua própria existência.
“Vamos garantir que todas as pessoas, jovens e idosas, se reconheçam como donos, pilotos e beneficiários dos ODSs […] Como avô, eu me importo com toda minha essência que deixemos um mundo sustentável para nossos netos e aqueles que virão depois”, declarou.
Wickramanayake, que tem 26 anos, enfatizou que “construir pontes para diferentes gerações trabalharem juntas em um relacionamento mutuamente empoderador é um dos fatores mais importantes que afetam a implementação dos ODSs”.
“É preciso reconhecer que as gerações não funcionam de forma binária”, disse. “A solidariedade entre as gerações é fundamental para o desenvolvimento social e, para isso, exigimos novas abordagens na força de trabalho, na educação e no desenvolvimento socioeconômico. As populações em envelhecimento devem trabalhar com populações mais jovens para promover relações e parcerias intergeracionais bem-sucedidas e recíprocas, que estarão no cerne de toda sociedade bem integrada”.
A sabedoria, a experiência, a energia e os ideais dos anciãos e dos jovens são vitais para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), disse na terça-feira (1) o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmando que juntos eles podem ajudar a quebrar os ciclos de pobreza que têm durado gerações.
A sabedoria, a experiência, a energia e os ideais dos anciãos e dos jovens são vitais para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), disse na terça-feira (1) o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmando que juntos eles podem ajudar a quebrar os ciclos de pobreza que têm durado gerações.
“Os jovens e as pessoas mais idosas nesta sala têm sabedoria, experiência, energia e ideais”, disse o chefe da ONU em sua mensagem de vídeo para um evento especial na sede da ONU. O tema também foi abordado pela recém-nomeada enviada especial para a juventude, Jayathma Wickramanayake, e pelo presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson.
O evento teve como objetivo aumentar a conscientização sobre o papel valioso que os jovens e idosos podem desempenhar, juntos, na implementação dos ODSs — metas abrangentes de desenvolvimento acordadas por mais de 190 países em 2015 para garantir o crescimento e proteger as pessoas e o planeta.
Thomson, já com quase 70 anos, falou sobre sua própria juventude crescendo na ilha de Fiji, antes que as ilhas de plástico e o aquecimento dos oceanos começassem a ameaçar sua própria existência.
“Vamos garantir que todas as pessoas, jovens e idosas, se reconheçam como donos, pilotos e beneficiários dos ODSs […] Como avô, eu me importo com toda minha essência que deixemos um mundo sustentável para nossos netos e aqueles que virão depois”, declarou.
Wickramanayake, que tem 26 anos, enfatizou que “construir pontes para diferentes gerações trabalharem juntas em um relacionamento mutuamente empoderador é um dos fatores mais importantes que afetam a implementação dos ODSs”.
“É preciso reconhecer que as gerações não funcionam de forma binária”, disse. “A solidariedade entre as gerações é fundamental para o desenvolvimento social e, para isso, exigimos novas abordagens na força de trabalho, na educação e no desenvolvimento socioeconômico. As populações em envelhecimento devem trabalhar com populações mais jovens para promover relações e parcerias intergeracionais bem-sucedidas e recíprocas, que estarão no cerne de toda sociedade bem integrada”.
29.6.16
Em Cannes, agências de publicidade firmam parceria para defender desenvolvimento sustentável
in ONU
A iniciativa “Common Ground” (terreno comum, em tradução livre) visa a apoiar a divulgação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e foi lançada como uma parceria entre as agências de publicidade Dentsu, Havas, IPG, Omnicom, Publicis e WPP.
Segundo o chefe da ONU, Ban Ki-moon, trata-se de um passo histórico das empresas no sentido de combater a pobreza, a desigualdade e a injustiça mundial.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou na semana passada (24), durante o Festival de Publicidade de Cannes, o lançamento da campanha “Common Ground” (terreno comum, em tradução livre), iniciativa desenvolvida pelas seis maiores agências de publicidade do mundo para apoiar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Segundo Ban, as agências Dentsu, Havas, IPG, Omnicom, Publicis e WPP estão dando um passo histórico, o primeiro no sentido de combater a pobreza, a desigualdade e a injustiça mundial.
“No curto prazo, queremos que a Agenda 2030 seja conhecida por 2 bilhões de pessoas. Queremos mobilizar 1 milhão de pessoas como agentes de mudança. Ajude-nos a chegar longe”, disse o dirigente máximo das Nações Unidas durante o encontro que reúne profissionais das áreas de publicidade, marketing e comunicação.
“Sei que todos vocês têm um tremendo poder de moldar opiniões. Você são mestres em contar histórias. Gostaria que nos ajudassem a criar a maior campanha para a humanidade”, acrescentou o secretário-geral.
Ban Ki-moon pediu a todos participantes do evento que encontrem melhores maneiras de garantir que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas sejam prioridade para todas as empresas, inspirando todas as pessoas, especialmente jovens e mulheres.
“A criatividade, a inovação e o poder de persuasão de vocês são inigualáveis. Ajude-nos a transformar uma agenda complexa e abstrata em uma história pessoal e emocional sobre como podemos construir um mundo melhor”, disse o secretário-geral, ressaltando que o sucesso requer uma parceria séria, de 15 anos, pela humanidade.
Segundo o secretário-geral, somos a primeira geração que pode acabar com a pobreza global e a última que pode lidar com a mudança climática antes que seja tarde demais.
Para as empresas envolvidas, a iniciativa reconhece que as questões globais identificadas pela ONU transcendem a rivalidade comercial.
”Ao trabalhar em parceria para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, queremos demonstrar que até mesmo concorrentes podem deixar de lado suas diferenças, a fim de servir a um interesse comum mais amplo”, disse comunicado conjunto das seis empresas.
O pontapé inicial do projeto será uma campanha publicitária global, com espaço doado por empresas e publicações.
A iniciativa “Common Ground” (terreno comum, em tradução livre) visa a apoiar a divulgação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e foi lançada como uma parceria entre as agências de publicidade Dentsu, Havas, IPG, Omnicom, Publicis e WPP.
Segundo o chefe da ONU, Ban Ki-moon, trata-se de um passo histórico das empresas no sentido de combater a pobreza, a desigualdade e a injustiça mundial.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou na semana passada (24), durante o Festival de Publicidade de Cannes, o lançamento da campanha “Common Ground” (terreno comum, em tradução livre), iniciativa desenvolvida pelas seis maiores agências de publicidade do mundo para apoiar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Segundo Ban, as agências Dentsu, Havas, IPG, Omnicom, Publicis e WPP estão dando um passo histórico, o primeiro no sentido de combater a pobreza, a desigualdade e a injustiça mundial.
“No curto prazo, queremos que a Agenda 2030 seja conhecida por 2 bilhões de pessoas. Queremos mobilizar 1 milhão de pessoas como agentes de mudança. Ajude-nos a chegar longe”, disse o dirigente máximo das Nações Unidas durante o encontro que reúne profissionais das áreas de publicidade, marketing e comunicação.
“Sei que todos vocês têm um tremendo poder de moldar opiniões. Você são mestres em contar histórias. Gostaria que nos ajudassem a criar a maior campanha para a humanidade”, acrescentou o secretário-geral.
Ban Ki-moon pediu a todos participantes do evento que encontrem melhores maneiras de garantir que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas sejam prioridade para todas as empresas, inspirando todas as pessoas, especialmente jovens e mulheres.
“A criatividade, a inovação e o poder de persuasão de vocês são inigualáveis. Ajude-nos a transformar uma agenda complexa e abstrata em uma história pessoal e emocional sobre como podemos construir um mundo melhor”, disse o secretário-geral, ressaltando que o sucesso requer uma parceria séria, de 15 anos, pela humanidade.
Segundo o secretário-geral, somos a primeira geração que pode acabar com a pobreza global e a última que pode lidar com a mudança climática antes que seja tarde demais.
Para as empresas envolvidas, a iniciativa reconhece que as questões globais identificadas pela ONU transcendem a rivalidade comercial.
”Ao trabalhar em parceria para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, queremos demonstrar que até mesmo concorrentes podem deixar de lado suas diferenças, a fim de servir a um interesse comum mais amplo”, disse comunicado conjunto das seis empresas.
O pontapé inicial do projeto será uma campanha publicitária global, com espaço doado por empresas e publicações.
Disparidades entre ricos e pobres são flagrantes e crescentes nas crianças
Ana Dias Cordeiro, in Público on-line
Angola continua a ser o país com a taxa de mortalidade infantil mais elevada do mundo. Relatório da UNICEF 2016 é publicado esta terça-feira.
Houve avanços nalguns países mas as desigualdades continuam a ser extremas entre Estados e dentro dos próprios países entre os mais ricos e os mais pobres, resume a UNICEF Manuel Roberto
Os avanços conseguidos para se alcançarem os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) em 2015 permitem olhar para a pobreza e níveis de desenvolvimento numa perspectiva mais positiva nalgumas partes do planeta. Globalmente, as taxas de mortalidade de crianças até aos cinco anos baixaram para menos de metade do que em 1990 e o total das pessoas a viver na pobreza extrema é quase metade do que era nessa década.
Mas isso apenas nalguns países e regiões do globo, escreve o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no seu relatório Uma oportunidade justa para todas as crianças publicado hoje. Angola continua a ser o país do mundo onde morrem mais crianças: 157 em mil com menos de cinco anos. Este país produtor de petróleo tem assim a maior taxa de mortalidade infantil, seguido do Chade e da Somália. Também a Guiné Equatorial, outro Estado petrolífero e membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014, apresenta uma taxa elevada, posicionando-se em 11º, logo a seguir à República Democrática do Congo e do Níger, com 93 mortes em cada mil crianças com menos de cinco anos.
Guiné-Bissau e Moçambique também estão na lista dos 25 países onde essa taxa é mais elevada, com 93 mortes por mil e 79 mortes por mil respectivamente, sendo os dois únicos países lusófonos onde a UNICEF encontrou uma carência extrema de médicos, enfermeiros e parteiras – com números abaixo dos 10 profissionais do sector por 10 mil pessoas, sendo o nível considerado mínimo para a Organização Mundial de Saúde de 23 profissionais de saúde por cada 10 mil habitantes.
O relatório identifica causas para retrocessos e exemplos de sucesso e coloca o enfoque na igualdade, ao admitir que “os progressos alcançados não foram uniformes nem justos”. As expectativas negativas traduzem-se em números avassaladores no relatório e o prefácio do director-executivo Anthony Lake, alerta para isso mesmo, se nada for feito para inverter a tendência.
“O tempo de agir é agora”, escreve o responsável da UNICEF. É urgente esbater as desigualdades “que colocam milhões de crianças em perigo e ameaçam o futuro” num mundo onde é dez vezes mais provável uma criança da África Subsariana morrer antes dos cinco anos, do que uma criança num país rico, defende.
Os Objectivos para o Desenvolvimento do Milénio não foram atingidos entre 2000 e 2015. E 2030 passou a ser a nova meta para se alcançarem idênticos indicadores – os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável – que introduzem, entre outras coisas, a redução das desigualdades dentro dos países mas também entre eles.
Em média, e tendo em consideração a dimensão da população, a desigualdade aumentou 11% entre 1990 e 2010 nos países em desenvolvimento. E uma grande maioria de famílias, mais de 75% segundo as Nações Unidas, vive em sociedades onde o rendimento é menos bem repartido do que na década de 1990.
Avanços e diferenças
No mundo inteiro, as crianças que nascem hoje têm 40% mais hipótese de sobreviver antes de completarem cinco anos e de irem à escola do que as crianças nascidas no início da década de 2000, conclui o documento de mais de 180 páginas. Porém, ao mesmo tempo que assinalam avanços, as médias nacionais escondem disparidades flagrantes – e por vezes crescentes – entre crianças de famílias mais pobres e crianças de famílias mais ricas. “Não podemos deixar que a história se repita”, assume o documento que quantifica claramente custos e consequências do fracasso e qualifica-os de “enormes”.
O fracasso é previsível, se as tendências dos últimos 15 anos se mantiverem nos próximos 15 anos. Se assim for, 167 milhões de crianças poderão estar a viver na pobreza extrema, a maioria das quais na África Subsariana. Estima-se igualmente que 3,6 milhões de crianças por ano poderão morrer antes dos cinco anos, ainda e na maior parte dos casos por doenças ou causas que poderiam ter sido evitadas se tivessem sido prestados cuidados de saúde.
Síria e refugiados entre as principais preocupações
A África Subsariana, a Síria devido ao prolongamento e à violência da guerra, e os milhões de refugiados que fugiram deste e de outros países são os três focos de maior preocupação da UNICEF relativamente à pobreza infantil. A população pobre da Síria mais do que triplicou, ao passar de 12,3% do total em 2007 para 43% do total em 2013. Estima-se que entre os milhões de refugiados, sobretudo sírios, mais de dois terços sejam pobres. E neste conjunto, as crianças representam mais de metade. Nalguns casos, só há dados estatísticos disponíveis até 2013.
A UNICEF constata por outro lado que depois de vários anos em que a pobreza baixou nos países do Norte de África e Médio Oriente, voltou a estagnar ou mesmo a aumentar nalguns países. Nos países da África Subsariana, vive não apenas a maioria da população pobre mas aquela que continua a aumentar. Lê-se no relatório que, partindo das tendências actuais, e se nada se alterar, nove em cada 10 crianças a viver com menos de 1,9 dólares por dia (1,7 euros) serão em 2030 de países da África Subsariana.
8.6.16
Desenvolvimento sustentável e igualdade de género
Luísa Salgueiro, in "Diário de Notícias"
Deputada do Partido Socialista, membro do Grupo Parlamentar sobre a População e Desenvolvimento perto de seis mil pessoas reuniram-se entre 14 e 19 de maio em Cope-nhaga no maior encon-tro mundial sobre raparigas e mulheres. Na sua quarta edição, a Women Deliver debruçou-se sobre direitos e bem-estar naquela que foi a mais importante reunião internacional da última década, Entre os presentes estavam duas mil organizações em representação de 150 países (chefes de Estado, primeiros-ministros e parlamentares) cujos trabalhos foram seguidos por centenas de jornalistas de todo o mundo. Na conferência, representei Portugal em nome do Grupo Parlamentar sobre População e Desenvolvimento.
A principal conclusão da Women Deliver é a de colocar na agenda política mundial a questão da igualdade de género. Um dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU é precisamente alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e meninas,
acabando com todas as formas de discriminação contra elas. Até 2030, devem ser eliminadas todas as formas de violência contra mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e a exploração sexual e eliminadas também todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e a mutilação genital feminina.
De acordo com as Nações Unidas, é necessário reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, económica e pública. É necessário assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos e realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos económicos, bem como o acesso a propriedade e controlo sobre a terra e outras formas de propriedade e serviços financeiros. Finalmente, a ONU tem como objetivo adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de género e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis.
AWomen Deliver apoia e reforça estes objetivos de desenvolvimento sustentável. Melinda Gates, copresidente da Bill & Melinda Foundation, anunciou em Copenhaga um investimento de 80 milhões de dólares nos próximos três anos para a recolha e o tratamento de dados sobre a mulher. A conferencista defende que são necessários dados mais confiáveis sobre a vida das mulheres, como o tempo gasto em trabalho não remunerado, por exemplo, para acelerar os progressos, contribuindo para a informação que desenvolverá mais políticas e programas para a mulher. O financiamento vai ajudar a preencher lacunas de dados de género críticos, melhorar a precisão e a confiabilidade da recolha de dados e dar aos decisores mais informação. Ao mesmo tempo apoia os esforços da sociedade civil para responsabilizar os líderes pelos seus compromissos.
Melinda Gates acrescentou que" é ótimo que as mulheres e as meninas sejam o ceme dos objetivos de desenvolvimento sustentável, mas não há dados suficientes para construir uma linha de base para quase 80% dos subindicadores desses objetivos.
Ainda a propósito da igualdade entre mulheres e homens, o McKinsey Global Institute (MGI) defendeu que reduzira lacuna de género pode desencadear o crescimento maciço, justificando que os benefícios económicos da redução das disparidades superam em muito o gasto social adicional necessário. Aquela instituição aponta a educação, o planeamento familiar, a saúde materna, a inclusão financeira, a inclusão digital e a assistência ao trabalho não remunerado como áreas em que a melhoria de acesso aos serviços pode desbloquear oportunidades para as mulheres.
Em resumo, e como defendeu a presidente daWomen Deliver, Katja Iversen, no seu discurso de encerramento, investir na igualdade de género - e na saúde das meninas e mulheres - é investir no progresso humano. Os direitos humanos das meninas e mulheres são a chave do desenvolvimento sustentável.
Deputada do Partido Socialista, membro do Grupo Parlamentar sobre a População e Desenvolvimento perto de seis mil pessoas reuniram-se entre 14 e 19 de maio em Cope-nhaga no maior encon-tro mundial sobre raparigas e mulheres. Na sua quarta edição, a Women Deliver debruçou-se sobre direitos e bem-estar naquela que foi a mais importante reunião internacional da última década, Entre os presentes estavam duas mil organizações em representação de 150 países (chefes de Estado, primeiros-ministros e parlamentares) cujos trabalhos foram seguidos por centenas de jornalistas de todo o mundo. Na conferência, representei Portugal em nome do Grupo Parlamentar sobre População e Desenvolvimento.
A principal conclusão da Women Deliver é a de colocar na agenda política mundial a questão da igualdade de género. Um dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU é precisamente alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e meninas,
acabando com todas as formas de discriminação contra elas. Até 2030, devem ser eliminadas todas as formas de violência contra mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e a exploração sexual e eliminadas também todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e a mutilação genital feminina.
De acordo com as Nações Unidas, é necessário reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, económica e pública. É necessário assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos e realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos económicos, bem como o acesso a propriedade e controlo sobre a terra e outras formas de propriedade e serviços financeiros. Finalmente, a ONU tem como objetivo adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de género e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis.
AWomen Deliver apoia e reforça estes objetivos de desenvolvimento sustentável. Melinda Gates, copresidente da Bill & Melinda Foundation, anunciou em Copenhaga um investimento de 80 milhões de dólares nos próximos três anos para a recolha e o tratamento de dados sobre a mulher. A conferencista defende que são necessários dados mais confiáveis sobre a vida das mulheres, como o tempo gasto em trabalho não remunerado, por exemplo, para acelerar os progressos, contribuindo para a informação que desenvolverá mais políticas e programas para a mulher. O financiamento vai ajudar a preencher lacunas de dados de género críticos, melhorar a precisão e a confiabilidade da recolha de dados e dar aos decisores mais informação. Ao mesmo tempo apoia os esforços da sociedade civil para responsabilizar os líderes pelos seus compromissos.
Melinda Gates acrescentou que" é ótimo que as mulheres e as meninas sejam o ceme dos objetivos de desenvolvimento sustentável, mas não há dados suficientes para construir uma linha de base para quase 80% dos subindicadores desses objetivos.
Ainda a propósito da igualdade entre mulheres e homens, o McKinsey Global Institute (MGI) defendeu que reduzira lacuna de género pode desencadear o crescimento maciço, justificando que os benefícios económicos da redução das disparidades superam em muito o gasto social adicional necessário. Aquela instituição aponta a educação, o planeamento familiar, a saúde materna, a inclusão financeira, a inclusão digital e a assistência ao trabalho não remunerado como áreas em que a melhoria de acesso aos serviços pode desbloquear oportunidades para as mulheres.
Em resumo, e como defendeu a presidente daWomen Deliver, Katja Iversen, no seu discurso de encerramento, investir na igualdade de género - e na saúde das meninas e mulheres - é investir no progresso humano. Os direitos humanos das meninas e mulheres são a chave do desenvolvimento sustentável.
22.4.16
Crise adia transição da América Latina para economia de classe média, diz Banco Mundial
in ONU
Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de latino-americanos entraram para a classe média anualmente, em 2014 esse volume caiu para 3,5 milhões. Caso a evolução tivesse se mantido no mesmo ritmo, a região seria predominantemente de classe média em 2017.
A desaceleração das economias latino-americanas tem prejudicado a expansão das classes médias nesses países, de acordo com o Banco Mundial. Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de pessoas entraram na classe média anualmente, esse número caiu para 3,5 milhões em 2014.
Caso a evolução tivesse se mantido no ritmo de 1% ao ano, a América Latina se tornaria uma região predominantemente de classe média em 2017, segundo cálculos do Laboratório contra a Pobreza na América Latina (LAC Equity Lab), do Banco Mundial.
A mudança foi prejudicada pela redução dos preços das matérias-primas, que vinham impulsionando o crescimento econômico na América Latina entre 2002 e 2012. O resultado foi uma desaceleração do crescimento econômico, especialmente no Brasil. Na média ponderada, a América Latina está entrando no quinto ano consecutivo de retração.
O novo cenário fez economistas descartarem qualquer previsão sobre quando os países da região poderão chegar à condição de economias predominantemente de classe média.
Apesar do contexto mais difícil, o percentual de latino-americanos de classe média não diminuiu, ficando estável em 35% entre 2013 e 2014, segundo o Banco Mundial. Além disso, mesmo diante do menor crescimento da renda para os 40% mais pobres da América Latina, a taxa de pobreza continuou a cair, passando de 24,1% em 2013 para 23,3% em 2014.
Segundo o Banco Mundial, o cenário ruim tem ampliado o número de pessoas consideradas vulneráveis, que vivem com de 4 a 10 dólares por dia. O grupo, que mais tem crescido nos últimos anos, está mais sujeito a cair na pobreza do que migrar à classe média.
Na classificação do Banco Mundial, são consideradas de classe média pessoas que vivem com de 10 a 50 dólares por dia, enquanto são considerados pobres aqueles que vivem com até 4 dólares diários.
“Por isso, minimizar esse risco (de queda dos vulneráveis à pobreza) será um importante objetivo em toda a região durante o ajuste ao novo ambiente econômico”, disse o economista Oscar Calvo-González, gerente do departamento de pobreza e igualdade para a América Latina do Banco Mundial.
Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de latino-americanos entraram para a classe média anualmente, em 2014 esse volume caiu para 3,5 milhões. Caso a evolução tivesse se mantido no mesmo ritmo, a região seria predominantemente de classe média em 2017.
A desaceleração das economias latino-americanas tem prejudicado a expansão das classes médias nesses países, de acordo com o Banco Mundial. Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de pessoas entraram na classe média anualmente, esse número caiu para 3,5 milhões em 2014.
Caso a evolução tivesse se mantido no ritmo de 1% ao ano, a América Latina se tornaria uma região predominantemente de classe média em 2017, segundo cálculos do Laboratório contra a Pobreza na América Latina (LAC Equity Lab), do Banco Mundial.
A mudança foi prejudicada pela redução dos preços das matérias-primas, que vinham impulsionando o crescimento econômico na América Latina entre 2002 e 2012. O resultado foi uma desaceleração do crescimento econômico, especialmente no Brasil. Na média ponderada, a América Latina está entrando no quinto ano consecutivo de retração.
O novo cenário fez economistas descartarem qualquer previsão sobre quando os países da região poderão chegar à condição de economias predominantemente de classe média.
Apesar do contexto mais difícil, o percentual de latino-americanos de classe média não diminuiu, ficando estável em 35% entre 2013 e 2014, segundo o Banco Mundial. Além disso, mesmo diante do menor crescimento da renda para os 40% mais pobres da América Latina, a taxa de pobreza continuou a cair, passando de 24,1% em 2013 para 23,3% em 2014.
Segundo o Banco Mundial, o cenário ruim tem ampliado o número de pessoas consideradas vulneráveis, que vivem com de 4 a 10 dólares por dia. O grupo, que mais tem crescido nos últimos anos, está mais sujeito a cair na pobreza do que migrar à classe média.
Na classificação do Banco Mundial, são consideradas de classe média pessoas que vivem com de 10 a 50 dólares por dia, enquanto são considerados pobres aqueles que vivem com até 4 dólares diários.
“Por isso, minimizar esse risco (de queda dos vulneráveis à pobreza) será um importante objetivo em toda a região durante o ajuste ao novo ambiente econômico”, disse o economista Oscar Calvo-González, gerente do departamento de pobreza e igualdade para a América Latina do Banco Mundial.
18.3.16
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência
In "Plural & Singular"
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência th« Em Setembro de 2015, a cimeira das Nações Unidas fixou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm substituir os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados em 2000. Embora, segundo as Nações Unidas, tenha havido progressos com a aplicação dos ODM, sobretudo ao nível da redução da pobreza, esta organização reconhece que a situação está longe de ser satisfatória.
Entretanto, um estudo da ONG britânica Oxfam de 2015 revela que, pela primeira vez, a riqueza dos 1% mais ricos do planeta ultrapassou a riqueza dos 99% restantes. O relatório conclui que as 62 pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza que 50% da restante população mundial. São dados sinistros, sobretudo porque demonstram que a tendência é para que se acentue cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
Por isso é fundamental que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam assumidos como um desiderato por todos os governos, pela sociedade em geral e por cada um de nós, mas exigindo que a sua execução não seja suportada pelos mais pobres.
Segundo a ONU, os ODS vieram introduzir melhoramentos aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Um destes melhoramentos é a referência à situação das pessoas com deficiência, que os ODM ignoravam. São estes os objetivos que os países se propuseram alcançar até 2030: Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos Objetivo 5. Alcançar a igualdade de género e empoderar Fonte: https://nacoesunidas.org/pos2015/ todas as mulheres e meninas.
Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos Objetivo 8. Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos Objetivo 9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles Objetivo 11. Tornar as cidades e as comunidades inclusivas, seguras, resistentes e sustentáveis Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos Objetivo 14. Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável As pessoas com deficiência são especialmente citadas na educação (objetivo 4), no emprego (objetivo 8), na redução das desigualdades (objetivo 10), na construção de cidades e comunidades sustentáveis (objetivo 11).
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as pessoas com deficiência th« Em Setembro de 2015, a cimeira das Nações Unidas fixou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm substituir os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, aprovados em 2000. Embora, segundo as Nações Unidas, tenha havido progressos com a aplicação dos ODM, sobretudo ao nível da redução da pobreza, esta organização reconhece que a situação está longe de ser satisfatória.
Entretanto, um estudo da ONG britânica Oxfam de 2015 revela que, pela primeira vez, a riqueza dos 1% mais ricos do planeta ultrapassou a riqueza dos 99% restantes. O relatório conclui que as 62 pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza que 50% da restante população mundial. São dados sinistros, sobretudo porque demonstram que a tendência é para que se acentue cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
Por isso é fundamental que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam assumidos como um desiderato por todos os governos, pela sociedade em geral e por cada um de nós, mas exigindo que a sua execução não seja suportada pelos mais pobres.
Segundo a ONU, os ODS vieram introduzir melhoramentos aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Um destes melhoramentos é a referência à situação das pessoas com deficiência, que os ODM ignoravam. São estes os objetivos que os países se propuseram alcançar até 2030: Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos Objetivo 5. Alcançar a igualdade de género e empoderar Fonte: https://nacoesunidas.org/pos2015/ todas as mulheres e meninas.
Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos Objetivo 8. Promover o crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos Objetivo 9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles Objetivo 11. Tornar as cidades e as comunidades inclusivas, seguras, resistentes e sustentáveis Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos Objetivo 14. Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável As pessoas com deficiência são especialmente citadas na educação (objetivo 4), no emprego (objetivo 8), na redução das desigualdades (objetivo 10), na construção de cidades e comunidades sustentáveis (objetivo 11).
25.1.16
Energia limpa é a chave para combater a pobreza
Francisco Pedro, in "Fátima Missionária"
Secretário-geral das Nações Unidas afirma que este «é o momento de ação» para garantir o acesso à energia moderna e sustentável, e, ao mesmo tempo, erradicar a pobreza e combater as alterações climáticas
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou esta segunda-feira, 18 de janeiro, aos governos, setor privado, organizações nacionais e internacionais, que comecem a trabalhar rapidamente na implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por forma a garantirem o acesso confiável e de baixo custo à energia moderna e sustentável para todos. Este «é o momento de ação», afirmou o responsável em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na Conferência Mundial de Energia Futura.
Para Ki-moon, se as metas forem atingidas, isso pode ter um impacto enorme nas mudanças climáticas, ao reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa, e salvar indiretamente mais de 4 milhões de vidas por ano. Ao mesmo tempo, pode melhorar-se a saúde pública e salvaguardar o crescimento económico, pois para o mundo conseguir manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados é preciso acelerar urgentemente o uso de fontes de energia sustentável.
«Esta é a primeira geração com chance de acabar com a pobreza e a última geração com chance de combater a mudança climática», afirmou o líder da ONU, deixando claro que a «energia limpa» é a chave para a resolução destes dois problemas. Segundo Ban Ki-moon, se os objetivos traçados forem alcançados antes de 2030, será ainda possível melhorar as oportunidades da comunidade internacional de atingir também os objetivos em relação à segurança, cuidados de saúde, educação e emprego.
Secretário-geral das Nações Unidas afirma que este «é o momento de ação» para garantir o acesso à energia moderna e sustentável, e, ao mesmo tempo, erradicar a pobreza e combater as alterações climáticas
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou esta segunda-feira, 18 de janeiro, aos governos, setor privado, organizações nacionais e internacionais, que comecem a trabalhar rapidamente na implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por forma a garantirem o acesso confiável e de baixo custo à energia moderna e sustentável para todos. Este «é o momento de ação», afirmou o responsável em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, na Conferência Mundial de Energia Futura.
Para Ki-moon, se as metas forem atingidas, isso pode ter um impacto enorme nas mudanças climáticas, ao reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa, e salvar indiretamente mais de 4 milhões de vidas por ano. Ao mesmo tempo, pode melhorar-se a saúde pública e salvaguardar o crescimento económico, pois para o mundo conseguir manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados é preciso acelerar urgentemente o uso de fontes de energia sustentável.
«Esta é a primeira geração com chance de acabar com a pobreza e a última geração com chance de combater a mudança climática», afirmou o líder da ONU, deixando claro que a «energia limpa» é a chave para a resolução destes dois problemas. Segundo Ban Ki-moon, se os objetivos traçados forem alcançados antes de 2030, será ainda possível melhorar as oportunidades da comunidade internacional de atingir também os objetivos em relação à segurança, cuidados de saúde, educação e emprego.
30.11.15
Catástrofes naturais. Mais de 600 mil mortos em 20 anos, diz a ONU
in iOnline
Relatório da ONU revela que nas últimas duas décadas quase 90% das mortes causadas por desastres naturais aconteceram em países pobres.
Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes e cada vez mais demolidores. Desde 1995, estas catástrofes mataram 606 mil pessoas, uma média de 30 mil por ano, com 4,1 mil milhões de pessoas feridas, que perderam as suas casas ou ficaram com necessidade de ajuda urgente. Os números foram compilados e divulgados pelo gabinete da ONU para a redução dos riscos de catástrofes (UNISDR) e mostram ainda que a grande maioria destas mortes (89%) ocorreram em países de fracos rendimentos e causaram perdas financeiras avaliadas em 1,8 mil milhões de euros.
“O conteúdo deste relatório sublinha a importância de um novo acordo sobre alterações climáticas” na conferência do clima (COP21), afirmou a directora do gabinete, Margareta Wahlstorm. A COP21, que vai ter lugar em Bourget, na periferia nordeste de Paris, tem como principal objectivo fazer com que os 195 países assumam um acordo mundial para atenuar o aquecimento global. Em cima da mesa vai estar o compromisso dos países para conter a subida das temperaturas a 2 oC relativamente à era pré-industrial.
Ana Rita Antunes, do grupo de trabalho Energia e Alterações Climáticas da Quercus, explica que os países em de-senvolvimento são os que mais sofrem as consequências das grandes catástrofes porque são justamente aqueles que “têm piores de condições de vida e menos capacidade de resposta a estas calamidades, quer na prevenção quer na actuação”. E é por isso que estão a fazer pressão para que na cimeira do clima se chegue a um acordo sobre a redução das emissões de carbono, por um lado, e a pedir maior financiamento aos mais ricos para lidarem com estes fenómenos.
Para Ana Rita Antunes, não se trata de “culpar”as grandes potências, mas sim de responsabilizá-las. “Têm por um lado uma responsabilidade histórica sobre este novo fenómeno das alterações climáticas: foram os primeiros a emitir gases com efeito de estufa”, recorda. Por outro lado, Ana Rita sublinha que têm capacidade financeira que os países em desenvolvimento não têm. “Daí a questão do financiamento para mitigação e adaptação ser uma questão fundamental para os países em desenvolvimento, que deve constar do futuro acordo de Paris”, resume a especialista.
De resto, há uma ligação forte entre as calamidades e o nível de pobreza destas regiões mais afectadas que, continuando a sofrer cada vez mais fenómenos desta natureza, dificilmente deixarão de ser pobres. Recentemente, Barack Obama pediu a todos os líderes mundiais que não poupem esforços na missão de atingir um “forte acordo” sobre o clima, avisando que “todos os países serão afectados pelas alterações climáticas, mas serão os mais pobres a carregar o fardo”.
As alterações climáticas e todos os fenómenos meteorológicos associados são encarados pela ONU como uma “ameaça à erradicação da pobreza extrema no mundo”. De acordo com o relatório, “as catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes, sobretudo devido ao aumento consistente do número de inundações e tempestades”, pode ler-se.
Cheias As inundações representaram, por si só, 47% das catástrofes climáticas entre 1995 e 2015 e afectaram 2,3 mil milhões de pessoas, 95% das quais na Ásia. Apesar de menos frequentes que as inundações, as tempestades foram as catástrofes climáticas mais mortíferas, com 242 mil mortos. Ao todo, os Estados Unidos e a China registaram o maior número de catástrofes desde 1995, devido à dimensão territorial. Mas a China e a Índia lideram o ranking dos países mais atingidos em termos de população afectada. Seguem-se o Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Na América, o Brasil é o país onde a população foi mais castigada e, em África, o Quénia e a Etiópia.
E em Portugal? Nos últimos anos, o país também já foi castigado por cheias. Em 2010, na Madeira, 47 pessoas perderam a vida devido a um forte temporal e deslizamentos de terras. Três anos depois, no Faial (Açores), três pessoas morreram pelas mesmas razões. No mês passado, Albufeira viu-se completamente envolta em lama depois de uma enxurrada.
Sendo um país com muitas vulnerabilidades, Portugal está a preparar-se para os riscos das alterações climáticas através do projecto ClimAdaPT, que envolve especialistas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Quercus e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em colaboração com 26 municípios portugueses.
Esta equipa de especialistas prevê que Portugal venha a enfrentar fenómenos de precipitação excessiva, causando cheias e inundações rápidas, deslizamentos de terras e danos em infra-estruturas. Apesar de poderem vir a ser menos frequentes, irão ser mais intensos. Além de cheias, o país vai enfrentar mais ondas de calor, secas “progressivamente mais frequentes e intensas até 2100”, assim como a subida do nível do mar.
Relatório da ONU revela que nas últimas duas décadas quase 90% das mortes causadas por desastres naturais aconteceram em países pobres.
Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes e cada vez mais demolidores. Desde 1995, estas catástrofes mataram 606 mil pessoas, uma média de 30 mil por ano, com 4,1 mil milhões de pessoas feridas, que perderam as suas casas ou ficaram com necessidade de ajuda urgente. Os números foram compilados e divulgados pelo gabinete da ONU para a redução dos riscos de catástrofes (UNISDR) e mostram ainda que a grande maioria destas mortes (89%) ocorreram em países de fracos rendimentos e causaram perdas financeiras avaliadas em 1,8 mil milhões de euros.
“O conteúdo deste relatório sublinha a importância de um novo acordo sobre alterações climáticas” na conferência do clima (COP21), afirmou a directora do gabinete, Margareta Wahlstorm. A COP21, que vai ter lugar em Bourget, na periferia nordeste de Paris, tem como principal objectivo fazer com que os 195 países assumam um acordo mundial para atenuar o aquecimento global. Em cima da mesa vai estar o compromisso dos países para conter a subida das temperaturas a 2 oC relativamente à era pré-industrial.
Ana Rita Antunes, do grupo de trabalho Energia e Alterações Climáticas da Quercus, explica que os países em de-senvolvimento são os que mais sofrem as consequências das grandes catástrofes porque são justamente aqueles que “têm piores de condições de vida e menos capacidade de resposta a estas calamidades, quer na prevenção quer na actuação”. E é por isso que estão a fazer pressão para que na cimeira do clima se chegue a um acordo sobre a redução das emissões de carbono, por um lado, e a pedir maior financiamento aos mais ricos para lidarem com estes fenómenos.
Para Ana Rita Antunes, não se trata de “culpar”as grandes potências, mas sim de responsabilizá-las. “Têm por um lado uma responsabilidade histórica sobre este novo fenómeno das alterações climáticas: foram os primeiros a emitir gases com efeito de estufa”, recorda. Por outro lado, Ana Rita sublinha que têm capacidade financeira que os países em desenvolvimento não têm. “Daí a questão do financiamento para mitigação e adaptação ser uma questão fundamental para os países em desenvolvimento, que deve constar do futuro acordo de Paris”, resume a especialista.
De resto, há uma ligação forte entre as calamidades e o nível de pobreza destas regiões mais afectadas que, continuando a sofrer cada vez mais fenómenos desta natureza, dificilmente deixarão de ser pobres. Recentemente, Barack Obama pediu a todos os líderes mundiais que não poupem esforços na missão de atingir um “forte acordo” sobre o clima, avisando que “todos os países serão afectados pelas alterações climáticas, mas serão os mais pobres a carregar o fardo”.
As alterações climáticas e todos os fenómenos meteorológicos associados são encarados pela ONU como uma “ameaça à erradicação da pobreza extrema no mundo”. De acordo com o relatório, “as catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes, sobretudo devido ao aumento consistente do número de inundações e tempestades”, pode ler-se.
Cheias As inundações representaram, por si só, 47% das catástrofes climáticas entre 1995 e 2015 e afectaram 2,3 mil milhões de pessoas, 95% das quais na Ásia. Apesar de menos frequentes que as inundações, as tempestades foram as catástrofes climáticas mais mortíferas, com 242 mil mortos. Ao todo, os Estados Unidos e a China registaram o maior número de catástrofes desde 1995, devido à dimensão territorial. Mas a China e a Índia lideram o ranking dos países mais atingidos em termos de população afectada. Seguem-se o Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Na América, o Brasil é o país onde a população foi mais castigada e, em África, o Quénia e a Etiópia.
E em Portugal? Nos últimos anos, o país também já foi castigado por cheias. Em 2010, na Madeira, 47 pessoas perderam a vida devido a um forte temporal e deslizamentos de terras. Três anos depois, no Faial (Açores), três pessoas morreram pelas mesmas razões. No mês passado, Albufeira viu-se completamente envolta em lama depois de uma enxurrada.
Sendo um país com muitas vulnerabilidades, Portugal está a preparar-se para os riscos das alterações climáticas através do projecto ClimAdaPT, que envolve especialistas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Quercus e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em colaboração com 26 municípios portugueses.
Esta equipa de especialistas prevê que Portugal venha a enfrentar fenómenos de precipitação excessiva, causando cheias e inundações rápidas, deslizamentos de terras e danos em infra-estruturas. Apesar de poderem vir a ser menos frequentes, irão ser mais intensos. Além de cheias, o país vai enfrentar mais ondas de calor, secas “progressivamente mais frequentes e intensas até 2100”, assim como a subida do nível do mar.
25.11.15
Ajuda pública ao desenvolvimento caiu pelo quarto ano consecutivo
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Relatório da AidWatch diz que 65% da cooperação bilateral está associada à diplomacia económica
Diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento de refugiados
A ajuda pública ao desenvolvimento caiu 14% em 2014, conta com os custos relacionados com refugiados e continua muito associada à diplomacia económica, alerta o Relatório Aid Watch, lançado esta terça-feira pela CONCORD, a Confederação Europeia das ONG de Ajuda ao Desenvolvimento, de que a Plataforma Portuguesa das ONGD é membro fundador.
Bem vistos os números, passou de 364,4 em 2013 para 315,8 milhões de euros em 2014 a ajuda pública ao desenvolvimento. Já caíra 20,4% em 2013, 11,3% em 2012, 3% em 2011, tendência justificada pelo Governo com a crise económica, o controlo do défice público e a consolidação orçamental.
Contas feitas, Portugal disponibilizou 0,19% do Rendimento Nacional Bruto para a ajuda ao desenvolvimento, bem longe dos 0,7% que prometeu alcançar até 2015. Pedro Krupenski, presidente da Plataforma Portuguesa das ONGD, não compreende por que reiterou o Governo o compromisso já este ano, na cimeira de Adis Abeba. “Teria sido mais sensato comprometer-se com uma meta intercalar”, diz.
O país está longe de ser caso único. Em 2014, a União Europeia atribuiu tão-somente 0,42% do seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) à ajuda ao desenvolvimento. Só quatro Estados-membros alcançaram a meta dos 0,7: o Luxemburgo, a Suécia, a Dinamarca e o Reino Unido.Não basta atender aos montantes para perceber o recuo em matéria de Cooperação para o Desenvolvimento, Educação para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária e de Emergência. É também preciso olhar para o que está inscrito em cada parcela.
Já no ano passado, diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento e à integração de refugiados, com destaque para a Holanda (145%), a Itália (107%), Chipre (65%) e Portugal (38%). Teme-se agora que a tendência se agrave. Pedro Krupenski não nega a natureza urgente da crise. Salienta, no entanto, que a ajuda pública ao desenvolvimento diz respeito ao combate às causas, isto é, à pobreza, às desigualdades, aos conflitos em países terceiros.
Outro facto mascara as contas em Portugal. A “ajuda ligada”, isto é, os empréstimos condicionados à aquisição de bens ou serviços, representa 65% da ajuda bilateral nacional. Menos 5% do que no ano anterior, contrariando uma tendência de crescimento que tinha sido assinalada num relatório retrospectivo lançado em 2012.
Não é uma agenda escondida. O documento orientador da Cooperação Portuguesa estabelece que “a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável” tem de responder ao mesmo tempo “aos interesses nacionais e aos objectivos e prioridades dos países parceiros”. É a tendência nos países do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação Económica.
Um último aspecto merece uma chamada de atenção no relatório. Os projectos de cooperação delegada, isto é, executados pela cooperação portuguesa mas financiados pela União Europeia, têm cada vez mais peso na ajuda bilateral. A CONCORD entende que tal factor reflecte um recuo do investimento nacional, mas também um reconhecimento pelas instituições europeias.
Relatório da AidWatch diz que 65% da cooperação bilateral está associada à diplomacia económica
Diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento de refugiados
A ajuda pública ao desenvolvimento caiu 14% em 2014, conta com os custos relacionados com refugiados e continua muito associada à diplomacia económica, alerta o Relatório Aid Watch, lançado esta terça-feira pela CONCORD, a Confederação Europeia das ONG de Ajuda ao Desenvolvimento, de que a Plataforma Portuguesa das ONGD é membro fundador.
Bem vistos os números, passou de 364,4 em 2013 para 315,8 milhões de euros em 2014 a ajuda pública ao desenvolvimento. Já caíra 20,4% em 2013, 11,3% em 2012, 3% em 2011, tendência justificada pelo Governo com a crise económica, o controlo do défice público e a consolidação orçamental.
Contas feitas, Portugal disponibilizou 0,19% do Rendimento Nacional Bruto para a ajuda ao desenvolvimento, bem longe dos 0,7% que prometeu alcançar até 2015. Pedro Krupenski, presidente da Plataforma Portuguesa das ONGD, não compreende por que reiterou o Governo o compromisso já este ano, na cimeira de Adis Abeba. “Teria sido mais sensato comprometer-se com uma meta intercalar”, diz.
O país está longe de ser caso único. Em 2014, a União Europeia atribuiu tão-somente 0,42% do seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) à ajuda ao desenvolvimento. Só quatro Estados-membros alcançaram a meta dos 0,7: o Luxemburgo, a Suécia, a Dinamarca e o Reino Unido.Não basta atender aos montantes para perceber o recuo em matéria de Cooperação para o Desenvolvimento, Educação para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária e de Emergência. É também preciso olhar para o que está inscrito em cada parcela.
Já no ano passado, diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento e à integração de refugiados, com destaque para a Holanda (145%), a Itália (107%), Chipre (65%) e Portugal (38%). Teme-se agora que a tendência se agrave. Pedro Krupenski não nega a natureza urgente da crise. Salienta, no entanto, que a ajuda pública ao desenvolvimento diz respeito ao combate às causas, isto é, à pobreza, às desigualdades, aos conflitos em países terceiros.
Outro facto mascara as contas em Portugal. A “ajuda ligada”, isto é, os empréstimos condicionados à aquisição de bens ou serviços, representa 65% da ajuda bilateral nacional. Menos 5% do que no ano anterior, contrariando uma tendência de crescimento que tinha sido assinalada num relatório retrospectivo lançado em 2012.
Não é uma agenda escondida. O documento orientador da Cooperação Portuguesa estabelece que “a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável” tem de responder ao mesmo tempo “aos interesses nacionais e aos objectivos e prioridades dos países parceiros”. É a tendência nos países do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação Económica.
Um último aspecto merece uma chamada de atenção no relatório. Os projectos de cooperação delegada, isto é, executados pela cooperação portuguesa mas financiados pela União Europeia, têm cada vez mais peso na ajuda bilateral. A CONCORD entende que tal factor reflecte um recuo do investimento nacional, mas também um reconhecimento pelas instituições europeias.
28.9.15
Algumas promessas para um mundo melhor já foram feitas na ONU
in Público on-line
Cimeira do Desenvolvimento Sustentável termina esta domingo em Nova Iorque.
Os líderes mundiais adoptaram um ambicioso programa de desenvolvimento sustentável, a realizar até 2030, prometendo um mundo melhor em todos os domínios, da educação à pobreza, até à saúde e ao ambiente. Na cimeira de três dias, que terminou neste domingo na sede da ONU em Nova Iorque houve algumas promessas concretas
O Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou a criação de um fundo de ajuda ao desenvolvimento de dois mil milhões de dólares, destinado aos países mais pobres do planeta.
Queremos “colocar a justiça à frente dos interesses particulares”, disse Xi. Com uma economia virada para exportação de produtos de manufacturas, é nos países em vias de desenvolvimento do Sul do planeta que a China mais lucra, sendo actualmente o principal parceiro comercial dos países africanos e também da América Latina.
Pequim é alvo frequente de críticas de por não fazer mais em matéria de ajuda ao desenvolvimento, e o valor agora anunciado fica muito aquém das contribuições de países como os EUA (30 mil milhões em 2013), Reino Unido, França, Alemanha ou Japão (todos contribuíram com mais de 11 mil milhões de dólares em ajudas ao desenvolvimento nesse mesmo ano), segundo a OCDE.
Internet para todos
O patrão do Facebook, Mark Zuckerberg, e o fundador da Microsoft, Bill Gates, prometeram colocar os seus recursos ao serviço de um objectivo que lhe é muito caro: desenvolver um acesso universal à Internet até 2020.
A ONU estima que metade do planeta não tem um acesso fiável à Internet, nomeadamente as mulheres e as raparigas, cuja educação é vital na óptica do desenvolvimento.
“Quando as pessoas tem acesso às ferramentas e ao conhecimento da Internet, elas tem acesso a meios de tornar a vida melhor para todos”, lê-se na declaração assinada por Zuckerberg, Bill e Melinda Gates. “A Internet pertence a todo o mundo e devia ser acessível a todo o mundo.”
Na sua página do Facebook, Mark Zuckerberg escreveu que em cada dez pessoas ligadas à Internet, uma consegue sair da pobreza.
Acabar com as mortes evitáveis
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou ter recebido a promessa de contribuições no valor total de mais de 25 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos para acabar com as mortes evitáveis das mães, crianças e adolescentes até 2030.
Estas promessas de contribuição foram conseguidas no quadro da iniciativa “Estratégia mundial para a saúde da mulher, da criança e do adolescente”, lançada oficialmente em Nova Iorque este fim-de-semana.
“Quando a vida das mulheres e das crianças melhora, a vida melhora sob todos os pontos de vista”, declarou Bill Gates a propósito desta iniciativa. “Uma melhor saúde leva a uma melhor educação e a melhores perspectivas económicas, o que permite uma maior prosperidade.”
Entre as promessas de contribuições anunciadas na ONU, está a dos EUA (3,3 mil milhões de dólares), do Canadá (2,6 mil milhões de dólares), a Suécia (2,5 mil milhões de dólares), a Alemanha (1,3 mil milhões de dólares), a Noruega (420 milhões), a Holanda (326 milhões) e a Coreia do Sul (300 milhões)
O clima de Dilma
O Brasil anunciou que tenciona reduzir em 37% as emissões de gases com efeito de estufa até 2025 e em 43% em 2030, em relação aos níveis de 2005.
A Presidente Dilma Roussef considerou que os novos objectivos da ONU para o desenvolvimento sustentável representam uma “oportunidade única” para elaborar uma “resposta comum” ao desafio climático.
Sublinhando a riquíssima mistura de fontes de energia do Brasil, Rousseff comprometeu-se a travar o desmatamento da Amazónia, a melhorar a produção agrícola, a diversificar as fontes de energias renováveis do país e a desenvolver novas formas de produção menos poluentes.
Cimeira do Desenvolvimento Sustentável termina esta domingo em Nova Iorque.
Os líderes mundiais adoptaram um ambicioso programa de desenvolvimento sustentável, a realizar até 2030, prometendo um mundo melhor em todos os domínios, da educação à pobreza, até à saúde e ao ambiente. Na cimeira de três dias, que terminou neste domingo na sede da ONU em Nova Iorque houve algumas promessas concretas
O Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou a criação de um fundo de ajuda ao desenvolvimento de dois mil milhões de dólares, destinado aos países mais pobres do planeta.
Queremos “colocar a justiça à frente dos interesses particulares”, disse Xi. Com uma economia virada para exportação de produtos de manufacturas, é nos países em vias de desenvolvimento do Sul do planeta que a China mais lucra, sendo actualmente o principal parceiro comercial dos países africanos e também da América Latina.
Pequim é alvo frequente de críticas de por não fazer mais em matéria de ajuda ao desenvolvimento, e o valor agora anunciado fica muito aquém das contribuições de países como os EUA (30 mil milhões em 2013), Reino Unido, França, Alemanha ou Japão (todos contribuíram com mais de 11 mil milhões de dólares em ajudas ao desenvolvimento nesse mesmo ano), segundo a OCDE.
Internet para todos
O patrão do Facebook, Mark Zuckerberg, e o fundador da Microsoft, Bill Gates, prometeram colocar os seus recursos ao serviço de um objectivo que lhe é muito caro: desenvolver um acesso universal à Internet até 2020.
A ONU estima que metade do planeta não tem um acesso fiável à Internet, nomeadamente as mulheres e as raparigas, cuja educação é vital na óptica do desenvolvimento.
“Quando as pessoas tem acesso às ferramentas e ao conhecimento da Internet, elas tem acesso a meios de tornar a vida melhor para todos”, lê-se na declaração assinada por Zuckerberg, Bill e Melinda Gates. “A Internet pertence a todo o mundo e devia ser acessível a todo o mundo.”
Na sua página do Facebook, Mark Zuckerberg escreveu que em cada dez pessoas ligadas à Internet, uma consegue sair da pobreza.
Acabar com as mortes evitáveis
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou ter recebido a promessa de contribuições no valor total de mais de 25 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos para acabar com as mortes evitáveis das mães, crianças e adolescentes até 2030.
Estas promessas de contribuição foram conseguidas no quadro da iniciativa “Estratégia mundial para a saúde da mulher, da criança e do adolescente”, lançada oficialmente em Nova Iorque este fim-de-semana.
“Quando a vida das mulheres e das crianças melhora, a vida melhora sob todos os pontos de vista”, declarou Bill Gates a propósito desta iniciativa. “Uma melhor saúde leva a uma melhor educação e a melhores perspectivas económicas, o que permite uma maior prosperidade.”
Entre as promessas de contribuições anunciadas na ONU, está a dos EUA (3,3 mil milhões de dólares), do Canadá (2,6 mil milhões de dólares), a Suécia (2,5 mil milhões de dólares), a Alemanha (1,3 mil milhões de dólares), a Noruega (420 milhões), a Holanda (326 milhões) e a Coreia do Sul (300 milhões)
O clima de Dilma
O Brasil anunciou que tenciona reduzir em 37% as emissões de gases com efeito de estufa até 2025 e em 43% em 2030, em relação aos níveis de 2005.
A Presidente Dilma Roussef considerou que os novos objectivos da ONU para o desenvolvimento sustentável representam uma “oportunidade única” para elaborar uma “resposta comum” ao desafio climático.
Sublinhando a riquíssima mistura de fontes de energia do Brasil, Rousseff comprometeu-se a travar o desmatamento da Amazónia, a melhorar a produção agrícola, a diversificar as fontes de energias renováveis do país e a desenvolver novas formas de produção menos poluentes.
24.4.14
Desenvolvimento sustentado é compatível com Estado Social
in Sol
O presidente do Tribunal de Contas (TdC), Guilherme d'Oliveira Martins, defendeu hoje, em Coimbra, que o "desenvolvimento sustentado é compatível" e "coerente" com o princípio do Estado Social.
"No caso de Portugal, deve ser salientado que a ideia de desenvolvimento sustentado é compatível e coerente com o princípio do Estado Social, consagrado na Constituição da República, e com o modelo social europeu", afirmou Guilherme d'Oliveira Martins, que falava no colóquio "Direitos sociais, gestão pública e controlo financeiro", que está a decorrer hoje na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
"Se os tratados a que Portugal se encontra vinculado são para levar a sério -- e são-no --, então não podemos ignorar a clara afirmação no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (UE)", sustentou o presidente do TdC.
Aquele tratado afirma que a UE "tem em conta as exigências relacionadas com a promoção de um nível elevado de emprego, a garantia de uma protecção social adequada, a luta contra a exclusão social e um nível elevado de educação, formação e proteção da saúde humana".
"A centralidade dos direitos sociais, como se vê, não é uma bizarria da Constituição da República Portuguesa de 1976", sublinhou Guilherme d'Oliveira Martins.
Mas como "só poderá haver efectiva protecção social com recursos financeiros suficientes, exige-se uma gestão rigorosa e criteriosa dos recursos financeiros públicos", advertiu o presidente do TdC, sustentando que, "neste domínio", os Tribunais de Contas desempenham "um papel de grande relevo".
As organizações internacionais de Tribunais de Contas "estão atentas aos problemas deste tempo" e, se prosseguirem o aprofundamento da "estratégia de cooperação" entre si, "darão um forte contributo para que as finanças públicas estejam, cada vez mais, ao serviço das populações e dos direitos humanos", acredita Guilherme d'Oliveira Martins.
As instituições superiores de controlo desempenham "um papel fundamental na garantia de finanças públicas sãs e, deste modo, no desenvolvimento sustentado dos respectivos países", salientou.
Na sua intervenção, Guilherme d'Oliveira Martins defendeu a ética e a integridade nos organismos públicos como garantia "indispensável a uma boa governação" e como "um eixo de ação central na promoção dos direitos dos cidadãos".
A prevenção de risco de gestão é essencial para "enfrentar o problema da corrupção nas suas diversas facetas", alertou o presidente do TdC, destacando "o papel que, em Portugal, o Conselho de Prevenção da Corrupção tem vindo a desempenhar" neste domínio.
Guilherme de Oliveira Martins intervinha num painel do colóquio "Direitos sociais, gestão pública e controlo financeiro", organizado pelo Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos da FDUC, em parceria com o TdC.
Lusa/SOL
O presidente do Tribunal de Contas (TdC), Guilherme d'Oliveira Martins, defendeu hoje, em Coimbra, que o "desenvolvimento sustentado é compatível" e "coerente" com o princípio do Estado Social.
"No caso de Portugal, deve ser salientado que a ideia de desenvolvimento sustentado é compatível e coerente com o princípio do Estado Social, consagrado na Constituição da República, e com o modelo social europeu", afirmou Guilherme d'Oliveira Martins, que falava no colóquio "Direitos sociais, gestão pública e controlo financeiro", que está a decorrer hoje na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
"Se os tratados a que Portugal se encontra vinculado são para levar a sério -- e são-no --, então não podemos ignorar a clara afirmação no Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (UE)", sustentou o presidente do TdC.
Aquele tratado afirma que a UE "tem em conta as exigências relacionadas com a promoção de um nível elevado de emprego, a garantia de uma protecção social adequada, a luta contra a exclusão social e um nível elevado de educação, formação e proteção da saúde humana".
"A centralidade dos direitos sociais, como se vê, não é uma bizarria da Constituição da República Portuguesa de 1976", sublinhou Guilherme d'Oliveira Martins.
Mas como "só poderá haver efectiva protecção social com recursos financeiros suficientes, exige-se uma gestão rigorosa e criteriosa dos recursos financeiros públicos", advertiu o presidente do TdC, sustentando que, "neste domínio", os Tribunais de Contas desempenham "um papel de grande relevo".
As organizações internacionais de Tribunais de Contas "estão atentas aos problemas deste tempo" e, se prosseguirem o aprofundamento da "estratégia de cooperação" entre si, "darão um forte contributo para que as finanças públicas estejam, cada vez mais, ao serviço das populações e dos direitos humanos", acredita Guilherme d'Oliveira Martins.
As instituições superiores de controlo desempenham "um papel fundamental na garantia de finanças públicas sãs e, deste modo, no desenvolvimento sustentado dos respectivos países", salientou.
Na sua intervenção, Guilherme d'Oliveira Martins defendeu a ética e a integridade nos organismos públicos como garantia "indispensável a uma boa governação" e como "um eixo de ação central na promoção dos direitos dos cidadãos".
A prevenção de risco de gestão é essencial para "enfrentar o problema da corrupção nas suas diversas facetas", alertou o presidente do TdC, destacando "o papel que, em Portugal, o Conselho de Prevenção da Corrupção tem vindo a desempenhar" neste domínio.
Guilherme de Oliveira Martins intervinha num painel do colóquio "Direitos sociais, gestão pública e controlo financeiro", organizado pelo Ius Gentium Conimbrigae/Centro de Direitos Humanos da FDUC, em parceria com o TdC.
Lusa/SOL
19.9.13
Xanana Gusmão: sistema financeiro mundial é problema para crescimento económico sustentável
in iOnline
Segundo o chefe do governo timorense, ninguém no mundo desenvolvido assumiu responsabilidades pela crise que afetou, sobretudo, cidadãos vulneráveis
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou hoje que o sistema financeiro mundial fracassou e é um problema para o crescimento económico sustentável, que se deve traduzir no aumento do bem-estar social das pessoas.
"O sistema financeiro mundial é uma parte fundamental deste problema, visto que perpetua e reforça a desigualdade. Acho que podemos afirmar de modo convicto que o mercado livre financeiro global fracassou", afirmou o chefe do governo timorense.
Xanana Gusmão falava na sessão de abertura da Conferência de Alto Nível dedicada ao tema "Transformando a Riqueza dos Recursos Naturais em Crescimento Inclusivo e Desenvolvimento Económico", que decorre até quinta-feira em Díli.
"A crise financeira global veio expor a ineficiência, a ganância descontrolada e a corrupção sistemática que grassam no mundo das finanças", disse Xanana Gusmão.
Segundo o chefe do governo timorense, ninguém no mundo desenvolvido assumiu responsabilidades pela crise que afetou, sobretudo, cidadãos vulneráveis.
"No entanto, em Timor-Leste, durante esta crise continuámos a ser moralmente repreendidos por gastarmos o nosso dinheiro na melhoria das vidas precárias dos nossos cidadãos. Repreendidos, diga-se, pelos mesmos especialistas que fizeram ruir a economia mundial", sublinhou.
Para Xanana Gusmão, a "ganância descontrolada e a manipulação do mercado pelas finanças mundiais resultaram num enorme aumento da desigualdade e da hipocrisia".
"Vimos centenas de milhares de milhões de dólares em fundos de resgate a irem para nações desenvolvidas, ao passo que os países frágeis e os países menos desenvolvidos foram em grande parte ignorados. E aqui temos de perguntar porquê?", questionou o primeiro-ministro.
Para Xanana Gusmão, é "perverso" dizerem para as pessoas terem fé num sistema que "está a causar tanta angústia e que continua a perpetuar a desigualdade".
Por acreditar num caminho melhor, Xanana Gusmão explicou aos participantes na conferência que o governo tem estado a garantir que os benefícios dos recursos naturais são aplicados no desenvolvimento do país, nomeadamente na construção de infraestruturas.
"Estamos conscientes de que temos ainda um longo caminho a percorrer. Embora a construção de infraestruturas nacionais de boa qualidade seja essencial para o desenvolvimento social e para possibilitar um crescimento equilibrado, os desafios são grandes e contínuos", disse.
O Fundo Petrolífero de Timor-Leste é atualmente de 14 mil milhões de dólares, com um crescimento médio mensal de 300 milhões de dólares desde o início do ano devido à crise no Egipto e na Síria.
A conferência é organizada em conjunto pelo governo timorense, Fundo Monetário Internacional em colaboração com Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Mundial e a Agência de Cooperação Internacional do Japão.
Segundo o chefe do governo timorense, ninguém no mundo desenvolvido assumiu responsabilidades pela crise que afetou, sobretudo, cidadãos vulneráveis
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou hoje que o sistema financeiro mundial fracassou e é um problema para o crescimento económico sustentável, que se deve traduzir no aumento do bem-estar social das pessoas.
"O sistema financeiro mundial é uma parte fundamental deste problema, visto que perpetua e reforça a desigualdade. Acho que podemos afirmar de modo convicto que o mercado livre financeiro global fracassou", afirmou o chefe do governo timorense.
Xanana Gusmão falava na sessão de abertura da Conferência de Alto Nível dedicada ao tema "Transformando a Riqueza dos Recursos Naturais em Crescimento Inclusivo e Desenvolvimento Económico", que decorre até quinta-feira em Díli.
"A crise financeira global veio expor a ineficiência, a ganância descontrolada e a corrupção sistemática que grassam no mundo das finanças", disse Xanana Gusmão.
Segundo o chefe do governo timorense, ninguém no mundo desenvolvido assumiu responsabilidades pela crise que afetou, sobretudo, cidadãos vulneráveis.
"No entanto, em Timor-Leste, durante esta crise continuámos a ser moralmente repreendidos por gastarmos o nosso dinheiro na melhoria das vidas precárias dos nossos cidadãos. Repreendidos, diga-se, pelos mesmos especialistas que fizeram ruir a economia mundial", sublinhou.
Para Xanana Gusmão, a "ganância descontrolada e a manipulação do mercado pelas finanças mundiais resultaram num enorme aumento da desigualdade e da hipocrisia".
"Vimos centenas de milhares de milhões de dólares em fundos de resgate a irem para nações desenvolvidas, ao passo que os países frágeis e os países menos desenvolvidos foram em grande parte ignorados. E aqui temos de perguntar porquê?", questionou o primeiro-ministro.
Para Xanana Gusmão, é "perverso" dizerem para as pessoas terem fé num sistema que "está a causar tanta angústia e que continua a perpetuar a desigualdade".
Por acreditar num caminho melhor, Xanana Gusmão explicou aos participantes na conferência que o governo tem estado a garantir que os benefícios dos recursos naturais são aplicados no desenvolvimento do país, nomeadamente na construção de infraestruturas.
"Estamos conscientes de que temos ainda um longo caminho a percorrer. Embora a construção de infraestruturas nacionais de boa qualidade seja essencial para o desenvolvimento social e para possibilitar um crescimento equilibrado, os desafios são grandes e contínuos", disse.
O Fundo Petrolífero de Timor-Leste é atualmente de 14 mil milhões de dólares, com um crescimento médio mensal de 300 milhões de dólares desde o início do ano devido à crise no Egipto e na Síria.
A conferência é organizada em conjunto pelo governo timorense, Fundo Monetário Internacional em colaboração com Banco Asiático de Desenvolvimento, Banco Mundial e a Agência de Cooperação Internacional do Japão.
15.3.13
ONU: Ajude a escolher o que quer mudar no mundo
in Boas Notícias
Muitas são as ocasiões em que gostaríamos que a nossa opinião tivesse maior peso nos rumos do mundo e na sua transformação num lugar melhor. Agora, uma nova iniciativa da ONU permite a cada um de nós dizer o que é mais importante mudar. As prioridades mais votadas serão, depois, debatidas pelos líderes internacionais aquando da definição da agenda global.
A Organização das Nações Unidas acaba de lançar a "My World" (O Meu Mundo, em português), uma pesquisa a nível mundial que convida os indivíduos a escolher quais são, entre 16 hipóteses possíveis, as questões que podem fazer uma maior diferença nas suas vidas e que mais precisam de receber a atenção dos governos de todo o planeta.
Entre as opções a votos estão, por exemplo, a existência de maior honestidade na governação, o "acesso a alimentos de qualidade", a "igualdade entre homens e mulheres", a "eliminação do preconceito e da discriminação", a "proteção a florestas, rios e oceanos", o "combate às alterações climáticas", a "melhoria dos serviços de saúde" ou uma "educação de qualidade".
Além de poderem votar nas opções disponibilizadas, os participantes podem ainda sugerir uma prioridade que considerem particularmente importante, uma possibilidade que, segundo a ONU, tem como objetivo "capturar os temas recorrentes que podem ter sido perdidos" numa primeira análise.
A organização explica que "a pesquisa é anónima", sendo que os cidadãos devem apenas fornecer informações sobre género, idade, nível de educação e país "para permitir a desagregação dos dados" e a apresentação, aos grupos de decisão, de "um quadro global mais preciso dos pensamentos" dos participantes.
Até 2015, a ONU vai procurar "envolver o maior número de pessoas e países possíveis", "cidadãos de todas as idades, géneros e origens e, particularmente, pessoas com baixos rendimentos e comunidades marginalizadas do mundo".
Os resultados serão, depois, compartilhados com o secretário-geral da entidade e com os líderes globais durante a preparação da próxima agenda de desenvolvimento mundial. "Conte-nos sobre o mundo que quer. Levante a sua voz!", apela a ONU no site do projecto.
A votação pode ser efetuada online através do site http://www.myworld2015.org nos vários idiomas oficiais da ONU (entre os quais o português), através das redes sociais e também por telemóvel (nomeadamente por SMS e por meio de números de telefone gratuitos).
Em alternativa, os interessados poderão ainda escolher as suas prioridades
"offline", por via do preenchimento de uma versão impressa do questionário que tem sido distribuída por comunidades religiosas, grupos de jovens, entidades do setor privado e parceiros de organizações não-governamentais do mundo inteiro.
Muitas são as ocasiões em que gostaríamos que a nossa opinião tivesse maior peso nos rumos do mundo e na sua transformação num lugar melhor. Agora, uma nova iniciativa da ONU permite a cada um de nós dizer o que é mais importante mudar. As prioridades mais votadas serão, depois, debatidas pelos líderes internacionais aquando da definição da agenda global.
A Organização das Nações Unidas acaba de lançar a "My World" (O Meu Mundo, em português), uma pesquisa a nível mundial que convida os indivíduos a escolher quais são, entre 16 hipóteses possíveis, as questões que podem fazer uma maior diferença nas suas vidas e que mais precisam de receber a atenção dos governos de todo o planeta.
Entre as opções a votos estão, por exemplo, a existência de maior honestidade na governação, o "acesso a alimentos de qualidade", a "igualdade entre homens e mulheres", a "eliminação do preconceito e da discriminação", a "proteção a florestas, rios e oceanos", o "combate às alterações climáticas", a "melhoria dos serviços de saúde" ou uma "educação de qualidade".
Além de poderem votar nas opções disponibilizadas, os participantes podem ainda sugerir uma prioridade que considerem particularmente importante, uma possibilidade que, segundo a ONU, tem como objetivo "capturar os temas recorrentes que podem ter sido perdidos" numa primeira análise.
A organização explica que "a pesquisa é anónima", sendo que os cidadãos devem apenas fornecer informações sobre género, idade, nível de educação e país "para permitir a desagregação dos dados" e a apresentação, aos grupos de decisão, de "um quadro global mais preciso dos pensamentos" dos participantes.
Até 2015, a ONU vai procurar "envolver o maior número de pessoas e países possíveis", "cidadãos de todas as idades, géneros e origens e, particularmente, pessoas com baixos rendimentos e comunidades marginalizadas do mundo".
Os resultados serão, depois, compartilhados com o secretário-geral da entidade e com os líderes globais durante a preparação da próxima agenda de desenvolvimento mundial. "Conte-nos sobre o mundo que quer. Levante a sua voz!", apela a ONU no site do projecto.
A votação pode ser efetuada online através do site http://www.myworld2015.org nos vários idiomas oficiais da ONU (entre os quais o português), através das redes sociais e também por telemóvel (nomeadamente por SMS e por meio de números de telefone gratuitos).
Em alternativa, os interessados poderão ainda escolher as suas prioridades
"offline", por via do preenchimento de uma versão impressa do questionário que tem sido distribuída por comunidades religiosas, grupos de jovens, entidades do setor privado e parceiros de organizações não-governamentais do mundo inteiro.
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