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9.2.21

OCDE: Pandemia deixou 270 milhões de pessoas a passar fome em 2020

Liliana Monteiro, in RR

“Só se atuarmos juntos podemos vencer” a Covid-19, apela o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

A pandemia de Covid-19 deixou 270 milhões de pessoas a passar fome em 2020, alertou esta segunda-feira o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Coube a Angel Gurría dar início à conferência sobre "Equidade nas vacinas e construção de resiliência: Dois testes para a solidariedade global".

“Por causa da Covid-19 mais de 100 milhões de pessoas foram empurradas para uma situação de extrema pobreza em 2020 e 270 milhões de pessoas passam fome. Este sofrimento e estas perdas vão continuar enquanto esta pandemia persistir”, declarou.

Neste encontro foi destacada a extrema importância de colocar os países menos desenvolvidos, e nestes, todo o continente africano, numa lista igualitária de vacinação e combate a esta pandemia.

Angel Gurría sublinha que a “cooperação de todos num esquema vasto de vacinação” representa um “beneficio mútuo só possível através de solidariedade”.

“Mas isto é também um ato de esperteza, é ético e moralmente correto, é economicamente certo e também politicamente certo”, salientou.

No final da sua intervenção, o secretário-geral da OCDE deixou um apelo: “caros amigos, só se atuarmos juntos podemos vencer. As economias mais ricas não vão vencer o vírus, não vão recuperar a não ser que ajudem os países e economias mais frágeis. Isto traz um novo sentido à solidariedade global, à ajuda multilateral. Nunca tivemos uma crise tão global com necessidades tão óbvias e imediatas”.

“Restam-nos ainda 61 dias”

O diretor-geral Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez contas e traçou um objetivo que definiu como fulcral: “peço a todos que se juntem todos ao esforço de vacinação dos profissionais de saúde e idosos em todos os países nos primeiros 100 dias deste ano”.

“Restam-nos 61 dias, todos os momentos contam, acredito que juntos iremos conseguir e chegar lá, ainda não é tarde. Façamos usos dos 61 dias para que todos possam vacinar os profissionais de saúde e os mais velhos”, defendeu Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Pediu-se que as ajudas disponibilizadas em matéria de vacinação, mesmo as que chegam via Covax (o grupo que reúne várias ajudas voluntárias para fornecer vacinas contra a covid-19, particularmente a países de médio e baixo rendimento), não substituam, ou anulem, outras ajudas já previstas, que sejam sempre ajudas adicionais.

Jorge Moreira da Silva, diretor na OCDE, concluiu “dar acesso à vacina aos países em desenvolvimento como forma de travar uma crise financeira é vital. Teremos de saber maximizar as sinergias bilaterais e multilaterais e apostar na transparência de fundos em tempo real para conseguirmos atempadamente travar a crise. A crise covid revelou a ausência de mecanismos de coordenação internacional. O esforço de todos pode ser maximizado através de contactos diplomáticos e usando o poder político dos governos da OCDE, desenvolvendo estratégias de ação para responder coletivamente a choques globais”.

Destacou ainda algumas conclusões que mostram bem as disparidades entre países, dados do mais recente relatório da OCDE. “Detetámos que todos os países estão a enfrentar a mesma ameaça à vida, mas a capacidade de resposta é definida em grande parte por realidades sólidas e pré-existentes”, acrescentando um exemplo claro disso.

“A proteção social em países subdesenvolvidos (antes da crise Pandémica) era em média de 4 dólares (3,32 euros) por capita contra 695 dólares (577 euros) nos países desenvolvidos. Em matéria de perdas de tempo escolar, havia uma média de 4 meses nos países subdesenvolvidos versus uma média de 6 semanas nos países desenvolvidos em 2020.”
“Pensem nos países africanos”

A África do Sul esteve representada neste encontro por Ebrahim Patel, ministro do Comércio, Indústria e Concorrência.

Descreveu a Alemanha nesta altura como um parceiro importante uma vez que o países está a trabalhar com África para vacinas, lamentando eu nesta crise quem menos tem está a ser obrigado a pagar mais, referindo-se a ausência de condições e empresas Africanas que possam assegurar fabrico ou transporte em condições das vacinas tendo, por isso, de fazer opções extra continente o que encarece de forma insuportável o processo.

Ebrahim Patel aproveitou para deixar uma palavra a todos os participantes: “Precisamos de uma boa vacina em todo o mundo e não apenas em algumas partes dele. Pensem nos países africanos”.

O encontro contou com outra participação Portuguesa Francisco André, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação que lembrou que “não podemos estar seguros enquanto todo o globo não estiver vacinado”.
“Não podemos falhar"

O mundo atravessa um dos maiores desafios já mais colocados e Dag-Inge Ulstein, ministro do Desenvolvimento Internacional da Noruega, não tem dúvidas: “a vacinação nacional apenas ajuda o vírus. A vacinação nacional pensada apenas dessa forma só ajuda o vírus!”.

Para o ministro norueguês, “precisamos de mais dinheiro, mais partilha de tecnologia, transparência, não podemos falhar porque se falharmos agora isso vai minar o trabalho comunitário em futuros momentos”.

O encontro presidido pelo secretário-geral da OCDE contou ainda com a participação da comissária Europeia responsável pelas Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen, e ainda de membros dos Governos de Portugal, Espanha, Costa do Marfim, África do Sul, Noruega, e dirigentes da indústria farmacêutica, organizações internacionais e organizações não governamentais (ONG).


19.1.21

Preço das casas fechou o mês de Dezembro a valorizar 4,8%

Luisa Pinto, in Público on-line

Índice de preços residenciais apurado pela Confidencial Imobiliário mostra que houve uma grande travagem na variação homóloga das casas, mas elas seguem em terreno positivo

O mês de Dezembro proporcionou a maior variação mensal acumulada no preço de venda das casas em tempos de pandemia, registando um aumento de 1% face ao mês de Novembro, e 4,8% face ao mês homólogo, Dezembro de 2019. Os dados foram apurados pela Confidencial Imobiliário, no âmbito da análise ao Índice de Preços Residenciais, um indicador que tem vindo a monitorizar desde 2007.

A análise a este índice permite perceber que durante o ano de 2020, o mês de Setembro foi a excepção que confirma a regra de que as variações mensais se fazem sempre em terreno positivo. Demorou cinco anos – e praticamente sete meses, desde que foi declarada a pandemia de covid-19 – para que os proprietários cedessem na resistência que têm demonstrado em baixar os preços das casas que pretendiam colocar no mercado. Isso aconteceu em Setembro de 2020, mas não se voltou a repetir.

“Apesar da resistência ao choque pandémico, o comportamento de curto prazo dos preços durante a pandemia evidencia uma desaceleração face ao anterior ritmo do mercado. Em 2019, os preços tinham crescido a uma média de 1,2% por mês, tendência que os dois primeiros meses de 2020 confirmaram”, explica a Confidencial Imobiliário, na informação onde dá conta da evolução do índice.

Depois dos meses de Janeiro e Fevereiro, com as taxas de variação mensais a registarem aumentos de 1,2% e 1,8% em cadeia, e 17,4% e 17,6% em termos homólogos, o índice travou a fundo em Março, mas nunca deixou o terreno positivo. Tal só aconteceu em Setembro, quando perdeu 2,1% face a Agosto, mas manteve uma variação positiva, em termos homólogos, de 7,9%.

De acordo com a Confidencial Imobiliário, a valorização homóloga travou de forma clara ao longo de 2020, e fechou o ano em 4,8%, “ou seja, quase 13 pontos percentuais menos do que os 17,4% a que os preços subiam em Janeiro”, sublinha a empresa especializada em estatísticas do sector.

16.11.20

É nos Açores que o RSI é mais baixo: 86,11 euros por beneficiário

Mas nem todo o arquipélago é igual. A intensidade de pobreza nos Açores varia de ilha para ilha: e é em São Miguel que a pobreza é mais penosa. Com uma densidade populacional superior às restantes ilhas (cerca de 80% da população total dos Açores) e com “um problema de transmissão geracional da pobreza”, a maior ilha dos Açores é também onde se concentram 74% do total de beneficiários do RSI nos Açores. Se no Pico, no Faial, nas Flores e no Corvo o número de beneficiários é inferior à média nacional, 14,1% dos residentes em São Miguel necessitam deste apoio, apontam os dados do Instituto Nacional de Estatística recolhidos em 2019.

O estigma da pobreza

Apesar dos traços gerais desenhados pelas estatísticas, o especialista destaca que “os beneficiários não são todos iguais”, até porque os dados apresentados dizem respeito apenas ao titular e não à totalidade de beneficiários que acabam por ter acesso ao apoio nos Açores e entre os quais “cerca de 33% são crianças e jovens até aos 15 anos”. Além disso, o valor que cada beneficiário recebe pode ir dos “dez aos 300 euros”. “A incapacidade de dar respostas mais firmes”, explica o professor, “deve-se à ausência de estudos sobre a pobreza em Portugal”. O especialista nota que “o último grande estudo sobre o RSI foi feito ainda durante o Governo de Guterres” e que desde então têm sido feitas apenas “algumas avaliações”.
Nos Açores, os salários continuam a ser tendencialmente mais baixos do que a média do paísFernando Diogo, sociólogo e professor na Universidade dos Açores

“É preciso compreender que o combate à pobreza não esse faz apenas com estas medidas. Estas são medidas que ajudam a mitigar a intensidade e dureza da pobreza. Mas é preciso apostar em medidas mais estruturais, que passam pelo investimento em educação, na formação e em emprego de qualidade”, argumenta. “Gasta-se tanto na requalificação de uma rua como num programa de combate ao abandono e insucesso escolar”, lamenta o especialista. Uma escolha que “reflecte a pressão das elites locais” e que “explica a actual situação nos Açores”.