Lurdes Ferreira e Infografia, in Público
A Convenção Europeia dos Direitos Humanos foi adoptada pelo Conselho da Europa, em 4 de Novembro de 1950, e entrou em vigor em 1953. O instrumento jurídico que instituiu o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos inclui hoje 47 países. A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, para a União Europeia, entrou em vigor em 2009, com a adopção do Tratado de Lisboa. Embora assente na convenção e noutros instrumentos europeus e internacionais, a carta é inovadora, nomeadamente porque inclui, entre outras questões, a deficiência, a idade e a orientação sexual como motivos de discriminação proibidos.
CIDADANIA
SOLIDARIEDADE
LIBERDADE
IGUALDADE
DIGNIDADE
JUSTIÇA
DISPOSIÇÕES GERAIS
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14.2.17
Amnistia diz haver refugiados em “perigosas e repugnantes condições de vida"
in TVI24
Para a organização humanitária, a responsabilidade é do acordo celebrado entre a União Europeia e Turquia. Milhares de refugiados estão em perigo
O acordo assinado pela União Europeia (UE) e a Turquia deixou milhares de refugiados e migrantes em “perigosas e repugnantes condições de vida” e não deve ser replicado com outros países, afirmou a Amnistia Internacional num relatório agora divulgado, intitulado “Uma rota para o desespero: Impacto dos Direitos Humanos do Acordo UE-Turquia".
Um ano volvido sobre o acordo assinado entre a UE e Ancara, a Amnistia Internacional afirma que esse entendimento diplomático deixou “milhares de pessoas expostas a repugnantes e inseguras condições nas ilhas gregas”, havendo uma “flagrante violação dos seus direitos e da lei internacional”.
O Acordo UE-Turquia tem sido um desastre para os milhares que ficaram ‘encalhados’ nas ilhas gregas num perigoso e desesperante limbo”, afirma a diretora-adjunta da Amnistia Internacional para Europa, Gauri van Gulik, em comunicado .
A responsável considera que “não é honesta” a forma como os líderes europeus se referem ao acordo, que apontam como um sucesso, “fechando os olhos ao insuportável alto custo para aqueles que sofrem as suas consequências”.
A premissa central do acordo de fazer regressar à Turquia, cada cidadão irregular chegado às ilhas gregas, baseia-se no pressuposto de que a Turquia é segura para os requerentes de asilo”, todavia a Amnistia Internacional demonstra que alguns requerentes foram enviados de volta para a Turquia, “sem lhe ter sido dada oportunidade de pedir asilo ou apresentar recurso, numa clara violação do direito internacional”.
Por enquanto, a Turquia ainda não é um país seguro, a UE deve trabalhar com as autoridades gregas para transferir com urgência os requerentes de asilo para a Grécia continental e os governos europeus deveriam dar-lhes acesso a uma deslocalização para outros países”, afirma Gauri van Gulik.
"Morrer de frio às portas da Europa"
No comunicado, a Amnistia Internacional sustenta que "ninguém deveria morrer de frio às portas da Europa".
Os líderes que afirmam que o Acordo UE-Turquia pode ser um modelo para outros países como a Líbia, Sudão ou o Níger, devem em primeiro lugar olhar para as consequências horríveis e ser avisado que de tal situação nunca deverá ser repetida", refere-se.
Afirma a Amnistia que quando o Acordo entrou em vigor, todos os refugiados e migrantes foram automaticamente colocados em “centros de detenção”, e embora já não estejam num regime de detenção estrito, não podem, todavia, deixar as ilhas. Como tal “são forçados a viver miseravelmente em acampamentos superlotados, com falta de água quente, falta de higiene, má nutrição, e inadequados cuidados médicos”.
"Casas de banho comuns"
Para a AI, as condições nas ilhas gregas “não são apenas degradantes, mas colocam em causa o bem-estar físico e as vidas de refugiados, requerentes de asilo e migrantes".
Às más condições de acolhimento nas ilhas helénicas são agravadas pelo “medo dos moradores pela sua própria segurança”.
As condições precárias nos campos, afirma a Aministia Internacional, a incerteza com que os refugiados e migrantes olham o seu futuro e as preocupantes relações com as populações locais, contribuem significativamente para as tensões que degeneraram em violência ocasional.
A Aministia dá ainda conta de refugiados que foram vítimas de ataques motivados pelo ódio no campo de Souda, na ilha de Chios e sublinha que os refugiados e migrantes, especialmente as mulheres, são alvo de assédio sexual, verbal ou fisicamente, e de violência doméstica, criticando o facto de, em muitos campos, as casas de banho serem comuns aos dois sexos.
Para a organização humanitária, a responsabilidade é do acordo celebrado entre a União Europeia e Turquia. Milhares de refugiados estão em perigo
O acordo assinado pela União Europeia (UE) e a Turquia deixou milhares de refugiados e migrantes em “perigosas e repugnantes condições de vida” e não deve ser replicado com outros países, afirmou a Amnistia Internacional num relatório agora divulgado, intitulado “Uma rota para o desespero: Impacto dos Direitos Humanos do Acordo UE-Turquia".
Um ano volvido sobre o acordo assinado entre a UE e Ancara, a Amnistia Internacional afirma que esse entendimento diplomático deixou “milhares de pessoas expostas a repugnantes e inseguras condições nas ilhas gregas”, havendo uma “flagrante violação dos seus direitos e da lei internacional”.
O Acordo UE-Turquia tem sido um desastre para os milhares que ficaram ‘encalhados’ nas ilhas gregas num perigoso e desesperante limbo”, afirma a diretora-adjunta da Amnistia Internacional para Europa, Gauri van Gulik, em comunicado .
A responsável considera que “não é honesta” a forma como os líderes europeus se referem ao acordo, que apontam como um sucesso, “fechando os olhos ao insuportável alto custo para aqueles que sofrem as suas consequências”.
A premissa central do acordo de fazer regressar à Turquia, cada cidadão irregular chegado às ilhas gregas, baseia-se no pressuposto de que a Turquia é segura para os requerentes de asilo”, todavia a Amnistia Internacional demonstra que alguns requerentes foram enviados de volta para a Turquia, “sem lhe ter sido dada oportunidade de pedir asilo ou apresentar recurso, numa clara violação do direito internacional”.
Por enquanto, a Turquia ainda não é um país seguro, a UE deve trabalhar com as autoridades gregas para transferir com urgência os requerentes de asilo para a Grécia continental e os governos europeus deveriam dar-lhes acesso a uma deslocalização para outros países”, afirma Gauri van Gulik.
"Morrer de frio às portas da Europa"
No comunicado, a Amnistia Internacional sustenta que "ninguém deveria morrer de frio às portas da Europa".
Os líderes que afirmam que o Acordo UE-Turquia pode ser um modelo para outros países como a Líbia, Sudão ou o Níger, devem em primeiro lugar olhar para as consequências horríveis e ser avisado que de tal situação nunca deverá ser repetida", refere-se.
Afirma a Amnistia que quando o Acordo entrou em vigor, todos os refugiados e migrantes foram automaticamente colocados em “centros de detenção”, e embora já não estejam num regime de detenção estrito, não podem, todavia, deixar as ilhas. Como tal “são forçados a viver miseravelmente em acampamentos superlotados, com falta de água quente, falta de higiene, má nutrição, e inadequados cuidados médicos”.
"Casas de banho comuns"
Para a AI, as condições nas ilhas gregas “não são apenas degradantes, mas colocam em causa o bem-estar físico e as vidas de refugiados, requerentes de asilo e migrantes".
Às más condições de acolhimento nas ilhas helénicas são agravadas pelo “medo dos moradores pela sua própria segurança”.
As condições precárias nos campos, afirma a Aministia Internacional, a incerteza com que os refugiados e migrantes olham o seu futuro e as preocupantes relações com as populações locais, contribuem significativamente para as tensões que degeneraram em violência ocasional.
A Aministia dá ainda conta de refugiados que foram vítimas de ataques motivados pelo ódio no campo de Souda, na ilha de Chios e sublinha que os refugiados e migrantes, especialmente as mulheres, são alvo de assédio sexual, verbal ou fisicamente, e de violência doméstica, criticando o facto de, em muitos campos, as casas de banho serem comuns aos dois sexos.
Vaticano: Papa apela a um ano novo que desafie a lógica da «exclusão» e do «privilégio»
in Agência Ecclesia
«Dignidade» tem de ser um direito de todos, disse Francisco
Cidade do Vaticano, 31 dez 2016 (Ecclesia) - O Papa desafiou hoje no Vaticano os cristãos a colocarem em prática ao longo de 2017, com “criatividade pessoal e comunitária”, a “lógica da compaixão e do encontro” que brota do nascimento de Cristo.
Durante a oração de vésperas, com o canto do hino ‘Te Deum’, no último dia de 2016 e em ação de Graças a Deus, Francisco realçou a importância de não apenas “agradecer” por mais este ano, pela “generosidade” e “proximidade” de Deus simbolizada pelo Natal, mas transformar esses dons em gestos e projetos a favor do bem-comum, da transformação do mundo.
Na sua intervenção na Basílica de São Pedro, o Papa argentino salientou que “Jesus veio para se fazer próximo de todos quantos se sentem perdidos, mortificados, feridos, desencorajados, desconsolados e intimidados”.
Que assumiu a condição humana, fez-se Menino para se fazer “vizinho daqueles que, na sua própria carne, transportam o peso do afastamento e da solidão, a fim que o pecado, a vergonha, as feridas, o desconforto, a exclusão não tenham a última palavra na vida dos seus filhos”.
“O presépio convida-nos a fazer nossa esta lógica divina, uma lógica não centrada no privilégio, sobre concessões ou favoritismos”, mas na “lógica da compaixão que gera inclusão, que faz resplandecer em cada pessoa a dignidade para a qual foi criada”, frisou Francisco.
Que o agradecimento por este ano “não seja nostalgia estéril ou recordação de um passado idealizado e desencarnado, mas sim memória viva que ajude a suscitar a criatividade pessoal e comunitária porque sabemos que Deus está connosco”, exortou.
O Papa manifestou particular preocupação pelo futuro dos jovens, que muitas vezes hoje “não encontram um espaço propício à sua real inserção”.
“Porque lentamente são colocados à margem da sociedade, obrigados a emigrar ou a mendigar por trabalho que não existe ou que não lhes permite projetarem o seu futuro”, apontou.
O ‘Te Deum’ é um dos mais antigos hinos litúrgicos, provavelmente do século IV, e encerra o Ofício de leitura nos domingos, festas e solenidades; também se canta em celebrações solenes de ação de graças.
O nome deriva das duas primeiras palavras do primeiro verso, "Te Deum laudamus".
A celebração de oração no Vaticano terminou com o hino ‘Adeste Fideles’, cuja autoria tem sido atribuída ao rei D. João IV (1604-1656).
Depois de concluída a celebração, o Papa Francisco seguiu a pé pela Praça de São Pedro, onde estavam milhares de peregrinos que acompanhavam a oração, cumprimentou as pessoas, deixou-lhes votos de um bom ano de 2017 e rezou junto do presépio que alí está instalado.
Esta cerimónia no final do ano está tradicionalmente ligada à Cidade de Roma, em que participam o vigário para a Diocese de Roma com todos os bispos auxiliares.
Este domingo de manhã, primeiro dia de 2017, o Papa Francisco vai presidir à missa da solenidade de Maria, Mãe de Deus, também por ocasião do Dia Mundial da Paz.
JCP
«Dignidade» tem de ser um direito de todos, disse Francisco
Cidade do Vaticano, 31 dez 2016 (Ecclesia) - O Papa desafiou hoje no Vaticano os cristãos a colocarem em prática ao longo de 2017, com “criatividade pessoal e comunitária”, a “lógica da compaixão e do encontro” que brota do nascimento de Cristo.
Durante a oração de vésperas, com o canto do hino ‘Te Deum’, no último dia de 2016 e em ação de Graças a Deus, Francisco realçou a importância de não apenas “agradecer” por mais este ano, pela “generosidade” e “proximidade” de Deus simbolizada pelo Natal, mas transformar esses dons em gestos e projetos a favor do bem-comum, da transformação do mundo.
Na sua intervenção na Basílica de São Pedro, o Papa argentino salientou que “Jesus veio para se fazer próximo de todos quantos se sentem perdidos, mortificados, feridos, desencorajados, desconsolados e intimidados”.
Que assumiu a condição humana, fez-se Menino para se fazer “vizinho daqueles que, na sua própria carne, transportam o peso do afastamento e da solidão, a fim que o pecado, a vergonha, as feridas, o desconforto, a exclusão não tenham a última palavra na vida dos seus filhos”.
“O presépio convida-nos a fazer nossa esta lógica divina, uma lógica não centrada no privilégio, sobre concessões ou favoritismos”, mas na “lógica da compaixão que gera inclusão, que faz resplandecer em cada pessoa a dignidade para a qual foi criada”, frisou Francisco.
Que o agradecimento por este ano “não seja nostalgia estéril ou recordação de um passado idealizado e desencarnado, mas sim memória viva que ajude a suscitar a criatividade pessoal e comunitária porque sabemos que Deus está connosco”, exortou.
O Papa manifestou particular preocupação pelo futuro dos jovens, que muitas vezes hoje “não encontram um espaço propício à sua real inserção”.
“Porque lentamente são colocados à margem da sociedade, obrigados a emigrar ou a mendigar por trabalho que não existe ou que não lhes permite projetarem o seu futuro”, apontou.
O ‘Te Deum’ é um dos mais antigos hinos litúrgicos, provavelmente do século IV, e encerra o Ofício de leitura nos domingos, festas e solenidades; também se canta em celebrações solenes de ação de graças.
O nome deriva das duas primeiras palavras do primeiro verso, "Te Deum laudamus".
A celebração de oração no Vaticano terminou com o hino ‘Adeste Fideles’, cuja autoria tem sido atribuída ao rei D. João IV (1604-1656).
Depois de concluída a celebração, o Papa Francisco seguiu a pé pela Praça de São Pedro, onde estavam milhares de peregrinos que acompanhavam a oração, cumprimentou as pessoas, deixou-lhes votos de um bom ano de 2017 e rezou junto do presépio que alí está instalado.
Esta cerimónia no final do ano está tradicionalmente ligada à Cidade de Roma, em que participam o vigário para a Diocese de Roma com todos os bispos auxiliares.
Este domingo de manhã, primeiro dia de 2017, o Papa Francisco vai presidir à missa da solenidade de Maria, Mãe de Deus, também por ocasião do Dia Mundial da Paz.
JCP
17.1.17
Mínimos de dignidade
Júlia Caré, in Dnotícias
Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala?
O salário mínimo foi introduzido na vida económica portuguesa logo no dealbar da revolução de abril e consagrado posteriormente na Constituição, cabendo ao Estado assegurar o seu estabelecimento e atualização, “tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, (...) as exigências da estabilidade económica e financeira (...)” (artigo 59º). Além disto, aumentar o salário mínimo é discutir condições laborais, jornada de trabalho, férias e folgas, “de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da atividade profissional com a vida familiar” (idem). E também falar de decência e dignidade básicas, no país europeu com maior desigualdade salarial e onde, segundo fontes governamentais, mais de um em cada dez trabalhadores está em risco de pobreza. E sobretudo, por uma questão de ética cidadã, intervir ativamente na chaga do desemprego, evitando que empregadores sem escrúpulos se possam aproveitar da elevada precariedade laboral para explorar de forma desumana e inaceitável. É defender a democracia.
Nos últimos anos, ainda antes da crise, e agravada em consequência dela, procedeu-se à desregulação paulatina das relações laborais, à desvalorização generalizada das remunerações com congelamentos, reduções e cortes de salários. Seja pelo contexto da globalização, por convicções ideológicas, por imperativos financeiros, ou por incompetência política, a distribuição percecionada do rendimento no nosso país fez-se mais em favor do capital, em detrimento dos salários. Sabe-se como o anterior congelamento do salário mínimo se fez acompanhar por uma brutal destruição de emprego e aumento da pobreza. O que sentimos como resultado foi o crescente empobrecimento de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e o agravamento das desigualdades na distribuição da riqueza produzida. E ainda não esquecemos a simultânea eliminação dos benefícios sociais. A era do Estado mínimo. Estranha conceção de coesão social...
O salário mínimo foi agora fixado em 557 euros a nível nacional (570 euros a nível regional). Um acordo difícil porque, pagar mais, alegam os patrões e alguns gurus da economia e da política, cá e em Bruxelas, significará mais desemprego e afastará os investidores... Ainda que outras estatísticas provem exatamente o contrário: aqueles gráficos do aumento de lucros dos mais ricos da revista Forbes, - os que patrioticamente pagam impostos fora do país -, das exportações, das ténues auroras de sucesso na economia portuguesa, segundo o britânico Financial Times e blá, blá, blá... Pouco provável é que os milhões das compras e dos movimentos multibanco da época natalícia de que tanto se fala tenham vindo de detentores de salário mínimo!
O que os números também dizem é que são cada vez mais os trabalhadores – alguns com formação universitária - a auferir este rendimento laboral. E que aquela discutível cedência negocial do governo à volta da TSU das empresas poderá retirar contribuições necessárias e devidas à Segurança Social e contribuir, isso sim, para mais desvalorização salarial por parte de empresas cujo sucesso financeiro até permitiria pagar um pouco mais aos seus trabalhadores... Conceções de responsabilidade social de certo universo empresarial...
Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala? Para pagar os custos com habitação, alimentação, cuidados de saúde, educação, transportes, vestuário, acesso à cultura? Para constituir família e equilibrar a demografia? Para um país desenvolvido, coeso, democrático e uma economia socialmente justa e sustentável? E quem se preocupa com isso, neste ano de muita apreensão que agora se inicia?
Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala?
O salário mínimo foi introduzido na vida económica portuguesa logo no dealbar da revolução de abril e consagrado posteriormente na Constituição, cabendo ao Estado assegurar o seu estabelecimento e atualização, “tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, (...) as exigências da estabilidade económica e financeira (...)” (artigo 59º). Além disto, aumentar o salário mínimo é discutir condições laborais, jornada de trabalho, férias e folgas, “de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da atividade profissional com a vida familiar” (idem). E também falar de decência e dignidade básicas, no país europeu com maior desigualdade salarial e onde, segundo fontes governamentais, mais de um em cada dez trabalhadores está em risco de pobreza. E sobretudo, por uma questão de ética cidadã, intervir ativamente na chaga do desemprego, evitando que empregadores sem escrúpulos se possam aproveitar da elevada precariedade laboral para explorar de forma desumana e inaceitável. É defender a democracia.
Nos últimos anos, ainda antes da crise, e agravada em consequência dela, procedeu-se à desregulação paulatina das relações laborais, à desvalorização generalizada das remunerações com congelamentos, reduções e cortes de salários. Seja pelo contexto da globalização, por convicções ideológicas, por imperativos financeiros, ou por incompetência política, a distribuição percecionada do rendimento no nosso país fez-se mais em favor do capital, em detrimento dos salários. Sabe-se como o anterior congelamento do salário mínimo se fez acompanhar por uma brutal destruição de emprego e aumento da pobreza. O que sentimos como resultado foi o crescente empobrecimento de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e o agravamento das desigualdades na distribuição da riqueza produzida. E ainda não esquecemos a simultânea eliminação dos benefícios sociais. A era do Estado mínimo. Estranha conceção de coesão social...
O salário mínimo foi agora fixado em 557 euros a nível nacional (570 euros a nível regional). Um acordo difícil porque, pagar mais, alegam os patrões e alguns gurus da economia e da política, cá e em Bruxelas, significará mais desemprego e afastará os investidores... Ainda que outras estatísticas provem exatamente o contrário: aqueles gráficos do aumento de lucros dos mais ricos da revista Forbes, - os que patrioticamente pagam impostos fora do país -, das exportações, das ténues auroras de sucesso na economia portuguesa, segundo o britânico Financial Times e blá, blá, blá... Pouco provável é que os milhões das compras e dos movimentos multibanco da época natalícia de que tanto se fala tenham vindo de detentores de salário mínimo!
O que os números também dizem é que são cada vez mais os trabalhadores – alguns com formação universitária - a auferir este rendimento laboral. E que aquela discutível cedência negocial do governo à volta da TSU das empresas poderá retirar contribuições necessárias e devidas à Segurança Social e contribuir, isso sim, para mais desvalorização salarial por parte de empresas cujo sucesso financeiro até permitiria pagar um pouco mais aos seus trabalhadores... Conceções de responsabilidade social de certo universo empresarial...
Um salário de 557 ou 570 euros chegará para a tal vida digna de que a Constituição Portuguesa fala? Para pagar os custos com habitação, alimentação, cuidados de saúde, educação, transportes, vestuário, acesso à cultura? Para constituir família e equilibrar a demografia? Para um país desenvolvido, coeso, democrático e uma economia socialmente justa e sustentável? E quem se preocupa com isso, neste ano de muita apreensão que agora se inicia?
1.7.15
Grécia. Papa pede responsabilidade da Europa e atenção à dignidade humana
in RR
Preocupação do Papa foi expressa através de um comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
O Papa está preocupado com as notícias sobre a situação económica e social da Grécia e pede responsabilidade à Europa.
"A dignidade da pessoa humana deve permanecer no centro de qualquer debate político e técnico, assim como na tomada de decisões responsáveis", lê-se num comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
A mesma nota acrescenta que “o Santo Padre está próximo do povo grego, tendo presente sobretudo as famílias gravemente atingidas por uma crise humana e social, tão complexa como dura”.
“O Papa Francisco convida todos os fiéis a rezar pelo bem do amado povo grego”, conclui a nota.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai dirigir-se esta quarta-feira à nação numa mensagem transmitida pela televisão, depois de Atenas ter apresentado uma contraproposta para tentar alcançar um acordo com os credores.
D. Nicolau Printezis, arcebispo de Naxos-Tinos-Mícono-Andros e metropolita do Egeu, publicou uma carta aberta aos dirigentes do país, apelando ao “diálogo” entre a Grécia e os credores para encontrar uma “solução menos dolorosa”.
“O tempo que resta é curto e deve ser usado corretamente e de forma sensata”, apela o prelado, para quem é necessário procurar uma “solução nacional” e não partidária.
O prelado desafia Governo e oposição a travar a actual situação de “pobreza” e de “futuro incerto para crianças, adolescentes e jovens”.
Preocupação do Papa foi expressa através de um comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
O Papa está preocupado com as notícias sobre a situação económica e social da Grécia e pede responsabilidade à Europa.
"A dignidade da pessoa humana deve permanecer no centro de qualquer debate político e técnico, assim como na tomada de decisões responsáveis", lê-se num comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
A mesma nota acrescenta que “o Santo Padre está próximo do povo grego, tendo presente sobretudo as famílias gravemente atingidas por uma crise humana e social, tão complexa como dura”.
“O Papa Francisco convida todos os fiéis a rezar pelo bem do amado povo grego”, conclui a nota.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai dirigir-se esta quarta-feira à nação numa mensagem transmitida pela televisão, depois de Atenas ter apresentado uma contraproposta para tentar alcançar um acordo com os credores.
D. Nicolau Printezis, arcebispo de Naxos-Tinos-Mícono-Andros e metropolita do Egeu, publicou uma carta aberta aos dirigentes do país, apelando ao “diálogo” entre a Grécia e os credores para encontrar uma “solução menos dolorosa”.
“O tempo que resta é curto e deve ser usado corretamente e de forma sensata”, apela o prelado, para quem é necessário procurar uma “solução nacional” e não partidária.
O prelado desafia Governo e oposição a travar a actual situação de “pobreza” e de “futuro incerto para crianças, adolescentes e jovens”.
30.6.15
Dois Amigos Transformam Uma Carrinha Numa Lavandaria Para Sem Abrigo
in Chiado Magazine
Os dois australianos Lucas Patchett e Nicholas Marchesi, ambos com 20 anos, queriam encontrar uma forma de trazer alguma dignidade a pessoas que vivem na rua.
A pensar nisso, decidiram criar a Orange Sky Landry, uma lavandaria móvel que percorre as ruas da cidade e lava a roupa de todos os sem abrigo que encontrar.
O processo não foi fácil, é certo. Antes de tudo estar pronto, tiveram de angariar dinheiro para uma máquina de lavar, uma de secar e ainda um gerador.
Depois de cumprido esse objectivo, foi altura de modificar o veículo para que conseguisse cumprir o seu propósito.
Agora, a Orange Sky Landry lava roupas, cobertores e acessórios de muitos moradores de rua, com uma capacidade de lavar até 20 kg por hora.
A ideia agora é conseguir que outras instituições participem e que, enquanto esperam pela lavagem, os sem abrigo possam receber alimentou ou ser consultados por um médico.
Em 2015, os dois amigos esperam que o projecto já esteja a andar por toda a Austrália!
Os dois australianos Lucas Patchett e Nicholas Marchesi, ambos com 20 anos, queriam encontrar uma forma de trazer alguma dignidade a pessoas que vivem na rua.
A pensar nisso, decidiram criar a Orange Sky Landry, uma lavandaria móvel que percorre as ruas da cidade e lava a roupa de todos os sem abrigo que encontrar.
O processo não foi fácil, é certo. Antes de tudo estar pronto, tiveram de angariar dinheiro para uma máquina de lavar, uma de secar e ainda um gerador.
Depois de cumprido esse objectivo, foi altura de modificar o veículo para que conseguisse cumprir o seu propósito.
Agora, a Orange Sky Landry lava roupas, cobertores e acessórios de muitos moradores de rua, com uma capacidade de lavar até 20 kg por hora.
A ideia agora é conseguir que outras instituições participem e que, enquanto esperam pela lavagem, os sem abrigo possam receber alimentou ou ser consultados por um médico.
Em 2015, os dois amigos esperam que o projecto já esteja a andar por toda a Austrália!
8.7.14
Papa diz que desemprego significa a perda da dignidade humana
in Jornal de Notícias
O Papa Francisco afirmou este sábado em Molise, centro de Itália, que o desemprego significa a perda da dignidade humana e pediu aos governos que desenvolvam um pacto que fomente o trabalho em tempo de crise.
A ausência de emprego "implica a perda da dignidade humana. O problema de não trabalhar não é deixar de ganhar dinheiro para comer, porque podemos nos aproximar de organizações como a Cáritas, que nos dão alimentos. O problema é não poder levar o pão para casa, é perder a dignidade", afirmou o Papa durante a sua visita a Molise.
"Tantos postos de trabalho poderiam ser recuperados através de uma estratégia concertada com as autoridades nacionais, um pacto para o trabalho que aproveitaria as oportunidades oferecidas pelos regulamentos nacionais e europeus", disse.
Francisco discursou diante de centenas de alunos e profissionais do setor da indústria, num evento na universidade de Molise, na província de Campobasso, na primeira de quatro intervenções que o Papa fará este sábado durante a sua visita a esta região da Itália, numa deslocação que o levará também à província de Isernia.
O Papa defendeu a importância da formação universitária dos jovens, como preparação para responder às exigências do mercado laboral na atual situação de crise económica e insistiu no papel da família, apelando para que os casais tenham filhos mais cedo, não esquecendo de brincar e de "perder tempo" com as crianças todos os dias, além de viver o dia de domingo em família.
Depois do discurso na universidade de Molise, Francisco percorreu em papamóvel as ruas de Campobasso até ao antigo estádio Romagnoli, no qual fará a única homilia programada para a visita deste sábado.
O Papa Francisco afirmou este sábado em Molise, centro de Itália, que o desemprego significa a perda da dignidade humana e pediu aos governos que desenvolvam um pacto que fomente o trabalho em tempo de crise.
A ausência de emprego "implica a perda da dignidade humana. O problema de não trabalhar não é deixar de ganhar dinheiro para comer, porque podemos nos aproximar de organizações como a Cáritas, que nos dão alimentos. O problema é não poder levar o pão para casa, é perder a dignidade", afirmou o Papa durante a sua visita a Molise.
"Tantos postos de trabalho poderiam ser recuperados através de uma estratégia concertada com as autoridades nacionais, um pacto para o trabalho que aproveitaria as oportunidades oferecidas pelos regulamentos nacionais e europeus", disse.
Francisco discursou diante de centenas de alunos e profissionais do setor da indústria, num evento na universidade de Molise, na província de Campobasso, na primeira de quatro intervenções que o Papa fará este sábado durante a sua visita a esta região da Itália, numa deslocação que o levará também à província de Isernia.
O Papa defendeu a importância da formação universitária dos jovens, como preparação para responder às exigências do mercado laboral na atual situação de crise económica e insistiu no papel da família, apelando para que os casais tenham filhos mais cedo, não esquecendo de brincar e de "perder tempo" com as crianças todos os dias, além de viver o dia de domingo em família.
Depois do discurso na universidade de Molise, Francisco percorreu em papamóvel as ruas de Campobasso até ao antigo estádio Romagnoli, no qual fará a única homilia programada para a visita deste sábado.
4.4.13
Movimento pede que União Europeia valorize o direito à vida
in RR
Objectivo do “One of Us” é aumentar o grau de consciência pela dignidade da vida humana, desde o seu estado embrionário.
José Ribeiro e Castro, deputado do CDS, em conjunto com Carina Oliveira, do PSD, do movimento “One of Us” apresentam esta quinta-feira uma petição na Assembleia da República. O objectivo é incentivar a União Europeia a desenvolver iniciativas a favor da protecção do direito à vida.
“O grande objectivo do One of Us é aumentar o grau de consciência pela dignidade da vida humana, desde o seu estado embrionário, e conseguir que a União Europeia se empenhe mais no seu conhecimento e na sua protecção”, explica à Renascença José Ribeiro e Castro.
O deputado do CDS considera que “o mais fundamental dos direitos humanos é o direito à vida”, por isso, o movimento “One of Us” pretende “conseguir que a União Europeia desenvolva iniciativas no sentido da protecção da vida humana, da dignidade da vida, desde o momento da formação do embrião”.
A iniciativa pretende recolher um milhão de assinaturas até Novembro deste ano. O movimento pretende desmistificar a “errada percepção” de que a União Europeia financia, no plano internacional, “actividades abortivas”.
Objectivo do “One of Us” é aumentar o grau de consciência pela dignidade da vida humana, desde o seu estado embrionário.
José Ribeiro e Castro, deputado do CDS, em conjunto com Carina Oliveira, do PSD, do movimento “One of Us” apresentam esta quinta-feira uma petição na Assembleia da República. O objectivo é incentivar a União Europeia a desenvolver iniciativas a favor da protecção do direito à vida.
“O grande objectivo do One of Us é aumentar o grau de consciência pela dignidade da vida humana, desde o seu estado embrionário, e conseguir que a União Europeia se empenhe mais no seu conhecimento e na sua protecção”, explica à Renascença José Ribeiro e Castro.
O deputado do CDS considera que “o mais fundamental dos direitos humanos é o direito à vida”, por isso, o movimento “One of Us” pretende “conseguir que a União Europeia desenvolva iniciativas no sentido da protecção da vida humana, da dignidade da vida, desde o momento da formação do embrião”.
A iniciativa pretende recolher um milhão de assinaturas até Novembro deste ano. O movimento pretende desmistificar a “errada percepção” de que a União Europeia financia, no plano internacional, “actividades abortivas”.
6.12.12
Dignidade do homem deve estar acima de qualquer estado ou doença
por Carolina Duarte, in RR
“Qualquer dispensa de pessoas com deficiência na nossa vida social ou o afastamento delas, é negar a própria sociedade que somos e devemos ser”, afirma D. Manuel Clemente.
O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, foi o convidado do Hospital de S. João para encerrar o ciclo de debates por ocasião do cinquentenário do serviço de psiquiatria.
“Saúde Mental e Deus”, um tema que levou D .Manuel Clemente a percorrer a história da Igreja, lembrando as palavras em que João Paulo II lembrou que a dignidade do homem deve estar acima de qualquer estado ou doença.
“Qualquer dispensa de pessoas com deficiência na nossa vida social ou o afastamento delas, é negar a própria sociedade que somos e devemos ser”, defende o Bispo do Porto.
Tratar a doença mental é quebrar o isolamento do doente e restaurar a convivência perdida, refere. D. Manuel Clemente lembra que em tempo de crise ninguém pode ficar para trás e é obrigação de todos olhar os doentes como pessoas.
O Bispo do Porto olhou também para o que se espera em 2013. Vai ser um “ano difícil”, mas os portugueses já estão “mais preparados para enfrentar dificuldades acrescidas”, refere D. Manuel Clemente.
“Qualquer dispensa de pessoas com deficiência na nossa vida social ou o afastamento delas, é negar a própria sociedade que somos e devemos ser”, afirma D. Manuel Clemente.
O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, foi o convidado do Hospital de S. João para encerrar o ciclo de debates por ocasião do cinquentenário do serviço de psiquiatria.
“Saúde Mental e Deus”, um tema que levou D .Manuel Clemente a percorrer a história da Igreja, lembrando as palavras em que João Paulo II lembrou que a dignidade do homem deve estar acima de qualquer estado ou doença.
“Qualquer dispensa de pessoas com deficiência na nossa vida social ou o afastamento delas, é negar a própria sociedade que somos e devemos ser”, defende o Bispo do Porto.
Tratar a doença mental é quebrar o isolamento do doente e restaurar a convivência perdida, refere. D. Manuel Clemente lembra que em tempo de crise ninguém pode ficar para trás e é obrigação de todos olhar os doentes como pessoas.
O Bispo do Porto olhou também para o que se espera em 2013. Vai ser um “ano difícil”, mas os portugueses já estão “mais preparados para enfrentar dificuldades acrescidas”, refere D. Manuel Clemente.
16.11.12
Cáritas alerta para o risco de desrespeito pela dignidade humana
in Jornal a Bola
A Cáritas Portuguesa alertou hoje para o aumento do risco de se pisar a fronteira do desrespeito pela dignidade humana.
O presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, lembrou também que os que passam por dificuldades não pretendem «apenas pão», mas também ajudas para ultrapassar as causas que os empurraram para esta crise.
O responsável considerou ainda que as mudanças nos estilos de vida devem começar por quem dispõe de mais do que uma fonte de rendimento, e não só pelos mais pobres.
«Reconhecemos que o país está empobrecido, mas nunca devemos assumir isso como um objetivo, mas tão só infelizmente, como uma consequência das medidas de austeridade impostas, que têm penalizado sobretudo os que já eram pobres e passaram a viver na miséria, e os remediados que caíram nos braços da pobreza», disse, na abertura do Conselho Geral da Cáritas, em Fátima.
A Cáritas Portuguesa alertou hoje para o aumento do risco de se pisar a fronteira do desrespeito pela dignidade humana.
O presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, lembrou também que os que passam por dificuldades não pretendem «apenas pão», mas também ajudas para ultrapassar as causas que os empurraram para esta crise.
O responsável considerou ainda que as mudanças nos estilos de vida devem começar por quem dispõe de mais do que uma fonte de rendimento, e não só pelos mais pobres.
«Reconhecemos que o país está empobrecido, mas nunca devemos assumir isso como um objetivo, mas tão só infelizmente, como uma consequência das medidas de austeridade impostas, que têm penalizado sobretudo os que já eram pobres e passaram a viver na miséria, e os remediados que caíram nos braços da pobreza», disse, na abertura do Conselho Geral da Cáritas, em Fátima.
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