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26.7.23

Já não há hotéis na ‘terra da fraternidade’ e uma noite num dos empreendimentos de luxo pode chegar a €1650

TEXTO CARLA TOMÁS FOTOS TIAGO MIRANDA, in Expresso

Zeca Afonso teria de “montar uma tenda para dormir” em Grândola

Megaempreendimentos como o Costa Terra alimentam a especulação imobiliária

A Pensão Fim do Mundo, onde Zeca Afonso ficou quando há 59 anos compôs a letra da canção que homenageia a “terra da fraternidade”, já não é mais uma pensão. Tal como a Residencial Vila Morena já não é uma residencial e o Hotel Dom Jorge de Lencastre já não é um hotel. Estes três estabelecimentos foram transformados em alojamentos que servem de dormitório de funcionários e trabalhadores contratados pelos megaempreendimentos turísticos de luxo em construção ou já em funcionamento no concelho.

“Não se encontra na vila de Grândola um único hotel ou pensão onde se possa pernoitar por preços acessíveis uma ou duas noites”, garante Luís Vital Alexandre, presidente da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. E usa a ironia para dizer que se Zeca Afonso estivesse vivo e quisesse revisitar a associação, “teria de montar uma tenda de campismo para aqui dormir”. A única coisa que “ainda vai havendo”, acrescenta, “é a fraternidade que inspirou o poema”.


Ao lado da associação que alberga a orquestra filarmónica está o edifício do que era o único hotel da vila, pintado de branco e azul e com uma câmara à entrada. Comprado pela Quinta da Comporta, passou a dormitório de funcionários do Wellness Boutique Resort, que funciona no Carvalhal. A empresa confirma: “Cerca de 70% da equipa está no [antigo] Hotel Dom Jorge e a restante em apartamentos próprios ou da empresa na área.”

Quem esteja de passagem por Grândola não consegue alugar um quarto “nem num raio de um quilómetro do centro”, garante o também vereador socialista sem pelouro na Câmara de Grândola, de maioria comunista. Para alojar o maestro, que ali vai duas vezes por semana (e vive a 130 km de distância), tiveram que “improvisar um quarto” numa das salas de ensaio, onde meteram uma cama. “Sendo uma associação sem fins lucrativos, era impossível colocar o maestro num Alojamento Local a mais de €100 a noite”, diz Luís Alexandre, lamentando “a situação gritante em que o concelho se encontra ao nível dos preços do alojamento temporário e da habitação”.“As ações da câmara levaram à ultrapassagem do limite máximo de camas turísticas”, diz a Proteger Grândola

Na vila ninguém arrenda um T2 por menos de €800 nem compra um por menos de €200 mil, diz quem ali vive, atribuindo a culpa à especulação imobiliária associada ao turismo de luxo de uma dezena de empreendimentos, aos quais se juntam milhares de camas turísticas previstas em “pedidos de informação prévia” aprovados pela Câmara de Grândola. Se todas forem concretizadas, “o concelho ultrapassa as 30 mil, mais do dobro do legalmente estabelecido no Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo em vigor, que estabelece um limite de uma cama turística por cada habitante”, recorda Guy Villax, presidente da associação Proteger Grândola. O concelho tem 13.822 habitantes (perdeu 7% numa década) e o PDM, suspenso há mais de um ano, autoriza 14.915 camas turísticas. “As ações ou inações do executivo camarário levaram à ultrapassagem do limite máximo, o que terá graves impactos urbanísticos e levanta enormes preocupações ambientais e sociais junto da população local”, reforça Villax.

O problema, alerta Luís Alexandre, “é que todo este investimento não traz o retorno que desejaríamos”. O concelho de Grândola é um dos que mais perdeu população no país e um dos que mais cresceu em termos de receitas de imposto municipal sobre transmissões de imóveis (IMT) (mais 708%), segundo o “Anuário Financeiro dos Municípios”.

OS RISCOS DO ENCLAVE

Numa frente de 45 km de costa, entre Troia e Melides, os investimentos turístico-imobiliários somam mais de €1,5 mil milhões. “Grândola é uma vila pequena e com história e não estava preparada para este boom”, admite Ricardo Ribeiro, que viu a oportunidade de há um ano abrir um pequeno Alojamento Local no centro da vila, onde 80% dos clientes são turistas estrangeiros e uma noite ronda os €100. “O maior problema são os desequilí­brios que estes grandes investimentos no turismo geram e a inflação que criam. Apesar de a taxa de desemprego ser baixa no concelho, não é aqui que contratam mão de obra qualificada para trabalhar nos empreendimentos e os locais enfrentam a inflação nos preços das casas, nos restaurantes e nos bens em geral. É um desenvolvimento que não é sustentado.”

Para o geógrafo João Ferrão, há um “sobreaquecimento do mercado imobiliário totalmente desproporcional em relação ao poder de compra da esmagadora maioria da população local”. O investigador aponta para os riscos desta “lógica de enclave” dos empreendimentos de luxo e da potencial “contaminação ao nível de salários, preços de produtos básicos de consumo, mercado fundiário e imobiliário, que prejudicará uma parte significativa das comunidades locais a curto ou médio prazo”.

O retorno deste turismo é coisa que não chega à retrosaria de Vitorino Pereira. “O turismo aqui é só para passear e comer, e há quem lucre com uns quartos”, diz o comerciante, de 82 anos, que aqui continua atrás do balcão a vender linhas e tecidos. Hoje não faz mais de €30 em vendas por dia. “A 4 de janeiro de 1983 fiz mais de 91 contos”, conta, enquanto lê as anotações escritas nos livrinhos de capa preta dura que guarda num montinho, atado por um cordel, e que remontam a 1914, quando a loja abriu.

O preço médio de um quarto duplo nos alojamentos/hotéis rurais do concelho ronda mais de €150 por noite, sendo que em espaços como a Quinta da Comporta ou o Sublime Comporta custa mais de €700 ou pode mesmo chegar a €1650, com direito a pequeno-almoço, spa e outras regalias.

Nas antigas Pensões Pereira e Paraí­so, ao pé do posto de gasolina da vila, os preços são bem mais modestos, mas estão ocupadas cinco dias por semana, este ano e nos próximos, por trabalhadores das empresas de construção, climatização ou jardinagem, contratadas pelos grandes empreendimentos costeiros. No final do dia é vê-los chegar exaustos após a longa jornada sob o calor. Param no café-restaurante em baixo do alojamento para beber uma cerveja e comer qualquer coisa antes de dormir. Não querem falar para não terem problemas com o patrão. No fim de semana regressam a casa, longe dali, nas áreas de Lisboa, Coimbra ou Porto.

TURISMO E DESENVOLVIMENTO

Questionado sobre a existência de alojamentos acessíveis a turistas e que benefícios tem o município com o desenvolvimento dos grandes resorts, uma vez que a mão de obra vem sobretudo de fora e a especulação imobiliária afeta a população local, o município, presidido pelo comunista António Figueira Mendes, apenas responde por escrito que “o turismo já é uma das grandes alavancas do desenvolvimento de Grândola” e que “estão centrados em promover a habitação acessível no concelho para os munícipes”, disponibilizando “lotes municipais para autoconstrução, terrenos para construção cooperativa a custos controlados e habitação municipal para arrendamento acessível”.

A 27 km da vila de Grândola fica o empreendimento Costa Terra Golf and Ocean Club, onde uma residência custa mais de €4 milhões, ou pelo menos esse terá sido o preço a que foram vendidas 71 das 300 moradias que ali tencionam construir, de acordo com declarações do diretor de vendas da Discovery Land Company, Adrian Wadey, ao “The New York Times”, em 2021. Um valor bem acima dos €1,8 milhões pelos quais foi vendida há meses uma casa com frente de mar no bairro erguido na década de 90 do século XX ao lado do antigo Parque de Campismo da Galé.

Visitar o empreendimento Costa Terra, cuja construção “teve início em setembro do ano passado e terá diferentes fases de desenvolvimento no decorrer dos próximos anos”, está vedado a jornalistas, “por questões de segurança”, diz fonte oficial da Discovery Land ao Expresso. Questionado pelo Expresso relativamente ao alojamento dos seus trabalhadores, o Costa Terra responde que “a grande maioria reside nas suas habitações próprias, situadas em localidades próximas, cerca de 15 em apartamentos com contratos de arrendamento anuais e só um num Alojamento Local”.

Na estrada pública que atravessa a propriedade até à Praia da Galé não faltam seguranças privados a vigiar cada paragem que fazemos. Do outro lado da propriedade, na estrada que liga à Praia da Aberta Nova — onde há “cabanas” com meia dúzia de espreguiçadeiras no areal a €350 ao dia —, encontramos Custódio Pereira Chainho, o antigo caseiro da Herdade da Costa Terra. Só vai à praia à noite, para pescar à cana, e nem sabe o preço das espreguiçadeiras. Aos quase 85 anos de idade, Custódio vai cuidando da horta e do campo de milho que tem ao pé da casa, à beira da estrada, onde vive há 50 anos. É dono de 10 hectares de “terra muito cobiçada” e já vá­rias pessoas lhe bateram à porta para lhos comprar. Nem pergunta quanto oferecem. “Não quero saber. Daqui só saio quando for para uma morada fixa… para a eternidade”, diz com uma gargalhada.

19.4.23

Grândola distinguida novamente com selo “Comunidades Pró-Envelhecimento”

 in Grândola Município



O município de Grândola é uma das 72 entidades distinguidas com o selo Comunidades Pró-Envelhecimento. A distinção atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) tem como objetivo reconhecer e destacar as comunidades portuguesas com um forte e efetivo compromisso, por intermédio das suas políticas, programas, planos estratégicos e práticas, na promoção do envelhecimento saudável e bem-sucedido ao longo de todo o ciclo de vida.

A Vereadora do Pelouro de Desenvolvimento Social, Carina Batista, representou o município na cerimónia de entrega dos selos, que ocorreu na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, no passado dia 14 de abril.

3.7.20

Município de Grândola reforça por mais três meses, as medidas de apoio às famílias, instituições e economia local

in Rádio Campanário

O Município de Grândola aprovou, em reunião de Câmara extraordinária, a renovação de das Medidas Municipais Extraordinárias de Apoio à População, às Instituições e à Economia Local e Empresas – COVID-19, pelo período de três meses.

Estas medidas tinham sido determinadas em março e que visam ajudar as famílias do nosso concelho, que se confrontam atualmente com a diminuição dos seus rendimentos, as instituições – que estão na linha da frente deste combate e que precisam de mais meios, e as empresas – que foram obrigadas a fechar as suas portas.
Comissão de Acompanhamento e Sala de situação/monitorização diária;
Programa Grândola solidária para apoio à população idosa e dependente na aquisição de bens de 1.ª necessidade e medicamentos;
Monitorização e Apoio aos Idosos inscritos nos programas de envelhecimento ativo;
Apoio de emergência a famílias carenciadas devidamente assinaladas;
Fornecimento de refeições aos alunos dos escalões A e B;
Isenção do valor total da fatura dos serviços de abastecimento de água, saneamento e resíduos aos consumidores do tarifário social doméstico, nos meses de julho, agosto e setembro (3 meses);
Isenção do pagamento das tarifas fixas dos serviços de abastecimento de água, saneamento e resíduos para todos os consumidores domésticos nos meses de julho, agosto e setembro (3 meses);
Isenção do pagamento das rendas das habitações sociais municipais nos meses de julho, agosto e setembro;
Linha de Apoio Psicológico;
Apoio a doentes infetados com COVID-19 sem suporte familiar;
Espaços Polivalentes de Apoio de Emergência;
Desinfeção e higienização regular de espaços públicos;

No quadro dos “Apoios às Instituições” o Município decidiu renovar as seguintes medidas:

Disponibilização gratuita de alojamento a profissionais de saúde;
Angariação de alojamento para profissionais de saúde junto dos empreendimentos turísticos do Concelho;
Apoio Logístico à Unidade Local de Saúde;
Angariação de apoios privados para reforço dos serviços de saúde e proteção civil;
Apoio aos Bombeiros - fornecimento gratuito de refeições e fornecimento de EPIS;
Apoio às IPSS – Manutenção dos apoios monetários definidos em protocolo;
Fornecimento de EPIS e soluções desinfetantes às forças de segurança;
Manutenção dos apoios previstos em protocolo para os Clubes e Associações, mesmo durante a paragem nas atividades, e Isenção dos clubes do pagamento de taxas de utilização dos equipamentos municipais referentes aos meses de julho, agosto e setembro;
Atribuição de apoio financeiro extraordinário às Juntas de Freguesia para implementação de medidas de combate à Epidemia;

Quanto aos “Apoios à Economia Local e Empresas” foi hoje aprovada a renovação das seguintes medidas:

Pagamento imediato a todos os fornecedores;
Isenção do pagamento das tarifas fixas dos serviços de abastecimento de água, saneamento e resíduos para todos os consumidores não domésticos nos meses de julho, agosto e setembro;
Isenção até setembro do pagamento de taxas referentes à ocupação do espaço público e publicidade aos detentores de estabelecimentos comerciais;
Isenção até setembro do pagamento de rendas espaços municipais arrendados ou concessionados;
Divulgação nos meios municipais das empresas/serviços que se encontram em funcionamento.
Elaboração e divulgação de manual de procedimentos de segurança para laboração nos próximos meses, em que se incentive o cumprimento de práticas seguras ao nível da saúde pública, segurança sanitária e combate ao contágio em ambiente de trabalho

5.5.20

COVID-19: Grândola vai distribuir mais de 400 máscaras à população idosa

in Diário Campanário

Em comunicado do Município de Grândola, no âmbito da disciplina “Cantinho dos Segredos” da Universidade Sénior de Grândola - USG, um grupo de alunas, com o apoio da professora de Artes Decorativas, confecionou, de forma voluntária, mais de 400 máscaras reutilizáveis para os alunos da USG e do Programa Viver Solidário, bem como para outros idosos que delas necessitem.

A distribuição das máscaras comunitárias já está a decorrer e tem sido realizada pela equipa técnica do Envelhecimento Ativo, junto dos participantes do Programa Viver Solidário, alunos da Universidade Sénior e beneficiários do Cartão Municipal do Idoso.

A iniciativa pretende assegurar uma maior proteção à população idosa nas deslocações essenciais de curta duração que tem de efetuar, ampliando a onda de solidariedade e de apoio aos grupos mais desprotegidos, no plano social, e contribuindo para minimizar os efeitos da COVID-19 e a sua propagação".