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14.9.23

BCE sobe taxas em 25 pontos base e coloca juros em níveis históricos

Luís Leitão, ECO - Parceiro CNN Portugal

Apesar da decisão desta quinta-feira, o BCE abre a porta - e pela primeira vez - ao fim do ciclo de subidas das taxas de juro iniciado em julho do ano passado

As taxas de juro na Zona Euro voltaram a subir. De acordo com a decisão tomada esta quinta-feira pelo Comité de Política Monetária do Banco Central Europeu (BCE), as taxas diretoras do BCE vão aumentar 25 pontos base.

Trata-se da décima subida consecutiva desde que em julho do ano passado a autoridade monetária da Zona Euro iniciou um ciclo de subida das taxas de juro. Com esta decisão, a taxa de facilidade permanente de depósitos aumenta para 4%, situando-se no valor mais elevado de sempre.


Significa que, a partir de agora, os recursos depositados pelos bancos comerciais junto do BCE em overnight passarão a ser remunerados à taxa de 4%.
Ciclos de subida do BCE

Com a subida anunciada esta quinta-feira, o Banco Central Europeu coloca a taxa de juro de facilidade permanente de depósito no valor mais elevado desde a entrada em vigor da moeda única.



As restantes taxas diretoras do BCE também sofrem um aumento de 25 pontos base. Desta forma, a taxa de juro das principais operações de refinanciamento passa para 4,5% e a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez aumenta para 4,75%.


A decisão anunciada pelo BCE não apanhou o mercado totalmente de surpresa, sobretudo depois de na quarta-feira a Reuters ter revelado que o BCE prepara-se para rever em alta as previsões da inflação para o espaço da moeda única para o próximo ano, colocando o Índice Harmonizado de Preços do Consumidor acima dos 3% em 2024.

“As projeções macroeconómicas de setembro para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE indicam uma inflação média de 5,6% em 2023, 3,2% em 2024 e 2,1% em 2025, o que representa uma revisão em alta para 2023 e 2024 e uma revisão em baixa relativamente a 2025”, refere o BCE.

A autoridade monetária da Zona Euro liderada por Christine Lagarde justifica que a revisão em alta da inflação em relação a 2023 e 2024 reflete uma trajetória mais elevada para os preços dos produtos energéticos. “As pressões subjacentes sobre os preços permanecem altas, embora a maioria dos indicadores tenha começado a abrandar.”

O BCE considera também que as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas e estão a refrear cada vez mais a procura, “o que constitui um importante fator para fazer a inflação regressar ao objetivo”. O efeito desta dinâmica é espelhado por um maior enfraquecimento do enquadramento do comércio internacional, que levou os especialistas do BCE a reduzirem significativamente as suas projeções para o crescimento económico. O BCE espera agora que economia do espaço do euro cresça apenas 0,7% em 2023, 1,0% em 2024 e 1,5% em 2025.

BCE perspetiva que não haverá mais subidas

Pela primeira vez, o BCE abre também a porta a que o ciclo de subidas das taxas de juro desde julho do ano passado tenha chegado ao fim. “Com base na sua atual avaliação, o Conselho do BCE considera que as taxas de juro diretoras atingiram os níveis que – se forem mantidos durante um período suficientemente longo – darão um contributo substancial para o retorno atempado da inflação ao objetivo.”

Na sua declaração, o BCE salienta que “as futuras decisões do Conselho do BCE assegurarão que as taxas de juro diretoras sejam fixadas em níveis suficientemente restritivos, durante o tempo que for necessário.”

No entanto, o BCE sublinha que continuará a seguir uma abordagem dependente dos dados na determinação do nível e da duração adequados da restritividade. “As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro continuarão a basear-se na avaliação das perspetivas de inflação, à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária.”


11.5.23

Taxas de juro em Portugal: bancos pagam pouco e cobram muito

José Gomes Ferreira, in SIC



Se dúvidas houvesse sobre a voracidade dos principais bancos na captação de dinheiro dos bolsos dos portugueses, foram completamente desfeitas esta semana com a publicação das últimas estatísticas bancárias da área do euro apuradas até 31 de março pelo Banco Central Europeu e pelo Banco de Portugal.


Nuno Rico, economista e especialista em assuntos financeiros da DECO Protesto, Ventura Leite, economista e Catarina Castro, analisa de mercados, foram os convidados de José Gomes Ferreira no Negócios da Semana.

10.5.23

Presidente do BCE admite novas subidas das taxas de juro

in SIC



Christine Lagarde diz que o Banco Central Europeu vai estar "extremamente atento" aos fatores que pressionam a inflação e, em particular, ao crescimento dos salários em vários países europeus.


Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), admite novas subidas das taxas de juro e alerta que são ainda grandes os riscos de subida da inflação acima das previsões.

No topo das preocupações do Banco Central Europeu está a subida de salários que pode provocar um agravamento generalizado dos preços.

Christine Lagarde disse, por isso, ao jornal japonês Nikkei, que o BCE vai estar "extremamente atento" aos fatores que pressionam a inflação e, em particular, ao crescimento dos salários em vários países europeus.
Taxas de juro aumentaram na passada semana

As declarações da presidente da instituição surgem depois de na passada semana, ter sido anunciado que as taxas de juro vão voltar a aumentar, desta vez em 25 pontos base. Esta é, no entanto, a subida mais ligeira desde que as taxas de juro da zona euro começaram a aumentar para combater a inflação.

Para o verão, os economistas preveem que as mesmas cheguem a máximos dos últimos 22 anos e admitem que ainda poderá ser cedo para o BCE começar a ponderar acabar com este ciclo de aumentos, que já vai em sete subidas consecutivas

3.8.22

Taxa de juro dos novos empréstimos à habitação acelerou para 1,47% em Junho

Rosa Soares, in Público on-line

Montante contratado caiu 93 milhões de euros para 1399 milhões de euros na habitação, mas subiu 14 milhões de euros no crédito para outros fins.

O montante de crédito à habitação contratado em Junho caiu ligeiramente, mas a taxa de juro média subiu de forma expressiva, para máximos desde 2018. De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP), a taxa média subiu para 1,47% em Junho, acima dos 1,28% de Maio, e bem mais alta que os 0,81% fixados em Janeiro do corrente ano.

No total, os bancos concederam 2097 milhões de euros em novos empréstimos a particulares, menos 105 milhões face a mês anterior.

Para compra de habitação foram emprestados 1399 milhões de euros, menos 93 milhões que em Maio, um mês particularmente activo neste segmento, mas mais que os 1297 milhões de euros que no mesmo período do ano passado.

Nos outros créditos aos particulares verificou-se um comportamento misto, com o destinado ao consumo, como o crédito automóvel, a cair 27 milhões de euros, para 484 milhões de euros, e o crédito para outros fins a subir 14 milhões de euros, para 213 milhões.

Ao contrário do crédito à habitação, nos empréstimos ao consumo a taxa de juro média baixou ligeiramente, passando de 7,86% em Maio para 7,78% em Junho.

A subida da taxa média no crédito à habitação é explicada pela evolução das taxas Euribor, presentes na maioria dos novos empréstimos, que têm vindo a acumular valor praticamente desde o início do ano e já estão todas em terreno positivo.

A Euribor a 12 meses, que é praticamente o único prazo utilizado nos novos empréstimos para compra de casa, por ser a de valor mais elevado, fixou-se esta terça-feira em 0,926%, abaixo do máximo de 1,2%, registado em 22 de Julho. A de seis meses, ficou em 0,652%, e a de três meses a 0,260%.

As taxas Euribor, fixadas a partir das condições dos empréstimos que um conjunto alargado de bancos está disponível para realizar entre si, tem vindo a antecipar a alteração da política monetária do Banco Central Europeu (BCE). E confirmando ou mesmo superando as expectativas do mercado, o banco central aumentou as taxas directoras em Julho, em 0,5 pontos percentuais.