Por Lusa, in Expresso
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima detetou quatro casos de possível tráfico de seres humanos entre os 30 pedidos de ajuda que recebeu durante a Jornada Mundial da Juventude, que decorreu na primeira semana de agosto, em Lisboa
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) recebeu 30 pedidos de ajuda relacionados com a Jornada Mundial da Juventude e identificou quatro casos suspeitos de tráfico de pessoas que, alegadamente, foram "praticados por empresas subconcessionadas de outras que foram contratadas para operar na JMJ".
"Essa situação, recebida já após o fim da JMJ, foi imediatamente comunicada à Polícia Judiciária para investigação", refere a APAV.
Os 30 pedidos de ajuda chegaram tanto através da Linha de Apoio à Vítima, que naqueles dias funcionou durante 24 horas, como através da equipa da APAV que estava no terreno.
"Durante o horário de extensão da Linha de Apoio à Vítima, foram registados 45 atendimentos", seis dos quais diziam respeito a situações em contexto da JMJ e as restantes 39 relativas a outras situações, lê-se no relatório.
Por outro lado, a equipa da APAV na JMJ recebeu mais 31 pedidos de ajuda, "dos quais 24 diziam respeito a situações ocorridas em contexto da JMJ".
"Em suma, a APAV apoiou 30 situações em que os pedidos de ajuda estavam relacionados com a Jornada Mundial da Juventude", refere a associação de apoio à vítima.
Em 12 destas situações (40%) não havia qualquer situação de crime, havendo, por outro lado, cinco situações de burla (16,7%), quatro situações de furto (13,3%), três casos de importunação sexual (10%) e duas situações de coação/assédio (6,7%), além dos outros quatro casos de possível tráfico de pessoas.
De acordo com a APAV, entre os 30 pedidos de ajuda, cinco diziam respeito a cidadãos portugueses, enquanto 11 eram de cidadãos oriundos de outros países europeus, dois de países africanos, seis da América do Sul, três da Ásia, havendo ainda três casos em que não foi possível apurar a nacionalidade da pessoa.
A associação acrescenta que, para responder aos 30 pedidos de ajuda, foram feitos mais de 50 atendimentos presenciais, telefónicos ou por escrito com as pessoas apoiadas ou com outras entidades de relevo.
Refere também que as Equipas Móveis de Apoio à Vítima de Santarém e de Setúbal não receberam nenhuma queixa.
A APAV diz ainda que "é expectável que ainda possam surgir mais pedidos de apoio num futuro próximo, na medida em que nem sempre as vítimas se sentem confortáveis para pedir ajuda ou sequer tomar qualquer tipo de medida imediatamente após terem sofrido uma situação de crime ou de violência".
Por esse motivo, "os canais comunicacionais criados no âmbito deste protocolo mantêm-se abertos e disponíveis para receber mais pedidos de apoio".
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1.8.23
Entre o Texas e Oeiras: o milagre da multiplicação das línguas na missa de São Julião da Barra
Tiago Soares Jornalista e Nuno Botelho Fotojornalista, in Expresso
Reportagem numa paróquia nos arredores de Lisboa, onde o coordenador local da JMJ já consegue dormir mais do que quatro horas por noite. Centenas de peregrinos – vizinhos e do outro lado do oceano – são recebidos da mesma forma: uma missa que todos percebem celebrada (também) por militares, um arraial com concertina e boa disposição, e a promessa de que o autocarro vindo do Texas acabará por chegar
João Sacadura está há mais de três anos à espera das pessoas que vê agora à sua frente. “Convidaram-me para ser o coordenador [do acolhimento] porque sou catequista aqui na paróquia”, explica o jovem de 25 anos que está a completar o estágio de psicologia num projeto social da junta de freguesia de São Julião da Barra, em Oeiras, onde esta segunda-feira foram recebidos centenas de peregrinos – Espanha, Estados Unidos, Peru – que vão participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa.
“Esta é só a primeira vaga, estão a chegar a conta gotas. A segunda vaga já vai ser mais a sério. Vamos ter de acolher cerca de 2 mil peregrinos, mas é só na sexta-feira”, explica João, com a calma possível de quem está há meses em “reuniões” para que nada corra mal – mas também com a prontidão necessária para continuar a “apagar fogos” e a “afinar a máquina” até ao fim da JMJ.
“Na semana passada conseguimos dormir umas 3h, 4h por noite, mas decidimos parar com a brincadeira esta semana porque já estávamos a ficar todos zombies”, diz o cérebro da operação em São Julião da Barra.
João Sacadura está há mais de três anos à espera das pessoas que vê agora à sua frente. “Convidaram-me para ser o coordenador [do acolhimento] porque sou catequista aqui na paróquia”, explica o jovem de 25 anos que está a completar o estágio de psicologia num projeto social da junta de freguesia de São Julião da Barra, em Oeiras, onde esta segunda-feira foram recebidos centenas de peregrinos – Espanha, Estados Unidos, Peru – que vão participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa.
“Esta é só a primeira vaga, estão a chegar a conta gotas. A segunda vaga já vai ser mais a sério. Vamos ter de acolher cerca de 2 mil peregrinos, mas é só na sexta-feira”, explica João, com a calma possível de quem está há meses em “reuniões” para que nada corra mal – mas também com a prontidão necessária para continuar a “apagar fogos” e a “afinar a máquina” até ao fim da JMJ.
“Na semana passada conseguimos dormir umas 3h, 4h por noite, mas decidimos parar com a brincadeira esta semana porque já estávamos a ficar todos zombies”, diz o cérebro da operação em São Julião da Barra.
31.7.23
JMJ: Alojamento Local não esgota em Lisboa e tem ocupação entre 80% a 90%
Por Lusa, in Dinheiro Vivo
Presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal, Eduardo Miranda, explicou que o setor em Lisboa não está esgotado e que ainda estão disponíveis "cerca de mil casas" na plataforma de Airbnb.
O Alojamento Local em Lisboa está com uma ocupação entre os 80% a 90% para a semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), valores idênticos à semana homóloga de 2022, revelou esta segunda-feira fonte do setor.
"Eventos como este [da JMJ] são importantes para a exposição de Portugal, atraem o destino para o futuro" e os "efeitos positivos podem vir a sentir-se a longo prazo", mas o próprio "espírito do evento", com as pessoas a ficarem em escolas e outras instituições "não são uma oportunidade de negócio a curto prazo", declarou Eduardo Miranda, presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal (ALEP).
Em entrevista por telefone à agência Lusa no âmbito da JMJ, Eduardo Miranda explicou que o setor do Alojamento Local (AL) em Lisboa não está esgotado e que ainda estão disponíveis "cerca de mil casas" na plataforma de Airbnb.
A JMJ não está a ter efeitos diretos nem indiretos a curto prazo no setor do AL, porque os turistas tradicionais sabem do evento e evitam a cidade, marcando as estadias para outra semana.
"Os números de ocupação estão muito idênticos aos do ano anterior", concluiu.
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa para a JMJ, com o Papa. Francisco chega a Lisboa na quarta-feira, pelas 10h00, à Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa. A JMJ é o maior acontecimento da Igreja Católica.
Esta jornada nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II (1920-2005), após um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
As principais cerimónias da JMJ decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures, e no Parque Eduardo VII, no centro da capital.
Presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal, Eduardo Miranda, explicou que o setor em Lisboa não está esgotado e que ainda estão disponíveis "cerca de mil casas" na plataforma de Airbnb.
O Alojamento Local em Lisboa está com uma ocupação entre os 80% a 90% para a semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), valores idênticos à semana homóloga de 2022, revelou esta segunda-feira fonte do setor.
"Eventos como este [da JMJ] são importantes para a exposição de Portugal, atraem o destino para o futuro" e os "efeitos positivos podem vir a sentir-se a longo prazo", mas o próprio "espírito do evento", com as pessoas a ficarem em escolas e outras instituições "não são uma oportunidade de negócio a curto prazo", declarou Eduardo Miranda, presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal (ALEP).
Em entrevista por telefone à agência Lusa no âmbito da JMJ, Eduardo Miranda explicou que o setor do Alojamento Local (AL) em Lisboa não está esgotado e que ainda estão disponíveis "cerca de mil casas" na plataforma de Airbnb.
A JMJ não está a ter efeitos diretos nem indiretos a curto prazo no setor do AL, porque os turistas tradicionais sabem do evento e evitam a cidade, marcando as estadias para outra semana.
"Os números de ocupação estão muito idênticos aos do ano anterior", concluiu.
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa para a JMJ, com o Papa. Francisco chega a Lisboa na quarta-feira, pelas 10h00, à Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa. A JMJ é o maior acontecimento da Igreja Católica.
Esta jornada nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II (1920-2005), após um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
As principais cerimónias da JMJ decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures, e no Parque Eduardo VII, no centro da capital.
25.7.23
A gendarmerie e a Guarda Suíça já estão em Portugal a rever os caminhos do Papa. Missão: salvaguardar a segurança no contacto com jovens
Hugo Franco, in Expresso
Durante a JMJ serão cerca de trinta os operacionais da gendarmerie do Vaticano e da Guarda Suíça em redor do Sumo Pontífice. Estes operacionais já estiveram por duas vezes em Portugal este ano. Existe uma especial preocupação com o contacto direto do Papa Francisco com a população nas viagens ao estrangeiro. Lisboa não será exceção
Alguns dos operacionais do Vaticano que fazem parte da segurança do Papa Francisco aterraram em Lisboa, no passado domingo, uma semana antes do Sumo Pontífice. A missão destes elementos é a de preparar a passagem por Lisboa do representante máximo da Igreja católica na Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
De acordo com fonte próxima da organização do evento, o corpo de segurança do Papa contará durante a JMJ com cerca de trinta elementos, compostos pela gendarmerie do Vaticano e pela guarda suíça.
De acordo com o Omnes, um jornal católico, a gendarmerie do Vaticano é uma força policial militarizada.Trata-se de uma divisão especial de vigilância de cerca de 150 membros, que é responsável pelas funções de ordem pública do Papa, pela segurança do Estado da Cidade do Vaticano, tendo também o papel da polícia judiciária.
Já a Guarda Suíça é um corpo militar responsável pela segurança do Papa e da Santa Sé. Organicamente é um exército - o mais pequeno do mundo - com pouco mais de 100 membros cuja missão é a de proteger especificamente o Palácio Apostólico e o Santo Padre. Habitualmente usam um uniforme colorido, mas em missões no estrangeiro podem optar por vestes mais discretas.
O Expresso sabe que os operacionais que já se encontram em Portugal vão rever todos os trajetos e locais onde vai estar o Papa Francisco durante a JMJ. Esta não é a primeira vez que se encontram no nosso país. A segurança do Papa já viajou para Lisboa por duas vezes este ano: em fevereiro e em maio.
Também as viaturas que serão usadas pela comitiva do Papa já estão em solo português.
A DOR DE CABEÇA DA SEGURANÇA
Os homens que guardam o Papa conhecem bem as suas características e hábitos sempre que viajam para o estrangeiro. “O Papa Francisco gosta de contactar diretamente com as pessoas dos países que visita e não se limita a acenar ao longe através do Papamóvel. Isso é uma dor de cabeça permanente para quem faz a sua segurança”, confidencia uma fonte conhecedora do processo.
Uma vez que a JMJ vai trazer milhares de jovens de todo o mundo, será “altamente provável” que o Sumo Pontífice queira falar diretamente com os mais novos e ouvir o que têm a dizer. “Isso será um fator adicional de risco de segurança”, conclui a mesma fonte.
Está previsto que o Papa Francisco viaje para Lisboa no dia 2 de agosto. A saída está agendada para o dia 6 desse mês. Durante a estadia, o Santo Padre irá estar em Lisboa e também em Fátima.
Do programa já conhecido, o Papa participará, a 3 de agosto, à tarde, no Parque Eduardo VII, à cerimónia do Acolhimento dos peregrinos. No dia seguinte, presidirá, também no Parque Eduardo VII, à Via Sacra, enquanto no sábado, além da manhã, em Fátima, estará no fim da tarde, início da noite, no Parque Tejo, para o início da vigília dos jovens.
Durante a JMJ serão cerca de trinta os operacionais da gendarmerie do Vaticano e da Guarda Suíça em redor do Sumo Pontífice. Estes operacionais já estiveram por duas vezes em Portugal este ano. Existe uma especial preocupação com o contacto direto do Papa Francisco com a população nas viagens ao estrangeiro. Lisboa não será exceção
Alguns dos operacionais do Vaticano que fazem parte da segurança do Papa Francisco aterraram em Lisboa, no passado domingo, uma semana antes do Sumo Pontífice. A missão destes elementos é a de preparar a passagem por Lisboa do representante máximo da Igreja católica na Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
De acordo com fonte próxima da organização do evento, o corpo de segurança do Papa contará durante a JMJ com cerca de trinta elementos, compostos pela gendarmerie do Vaticano e pela guarda suíça.
De acordo com o Omnes, um jornal católico, a gendarmerie do Vaticano é uma força policial militarizada.Trata-se de uma divisão especial de vigilância de cerca de 150 membros, que é responsável pelas funções de ordem pública do Papa, pela segurança do Estado da Cidade do Vaticano, tendo também o papel da polícia judiciária.
Já a Guarda Suíça é um corpo militar responsável pela segurança do Papa e da Santa Sé. Organicamente é um exército - o mais pequeno do mundo - com pouco mais de 100 membros cuja missão é a de proteger especificamente o Palácio Apostólico e o Santo Padre. Habitualmente usam um uniforme colorido, mas em missões no estrangeiro podem optar por vestes mais discretas.
O Expresso sabe que os operacionais que já se encontram em Portugal vão rever todos os trajetos e locais onde vai estar o Papa Francisco durante a JMJ. Esta não é a primeira vez que se encontram no nosso país. A segurança do Papa já viajou para Lisboa por duas vezes este ano: em fevereiro e em maio.
Também as viaturas que serão usadas pela comitiva do Papa já estão em solo português.
A DOR DE CABEÇA DA SEGURANÇA
Os homens que guardam o Papa conhecem bem as suas características e hábitos sempre que viajam para o estrangeiro. “O Papa Francisco gosta de contactar diretamente com as pessoas dos países que visita e não se limita a acenar ao longe através do Papamóvel. Isso é uma dor de cabeça permanente para quem faz a sua segurança”, confidencia uma fonte conhecedora do processo.
Uma vez que a JMJ vai trazer milhares de jovens de todo o mundo, será “altamente provável” que o Sumo Pontífice queira falar diretamente com os mais novos e ouvir o que têm a dizer. “Isso será um fator adicional de risco de segurança”, conclui a mesma fonte.
Está previsto que o Papa Francisco viaje para Lisboa no dia 2 de agosto. A saída está agendada para o dia 6 desse mês. Durante a estadia, o Santo Padre irá estar em Lisboa e também em Fátima.
Do programa já conhecido, o Papa participará, a 3 de agosto, à tarde, no Parque Eduardo VII, à cerimónia do Acolhimento dos peregrinos. No dia seguinte, presidirá, também no Parque Eduardo VII, à Via Sacra, enquanto no sábado, além da manhã, em Fátima, estará no fim da tarde, início da noite, no Parque Tejo, para o início da vigília dos jovens.
24.7.23
Maioria dos jovens nunca participou em ações sociais e políticas (e também não vai à JMJ)
Filipe Santa-Bárbara, in TSF
Quase metade dos jovens inquiridos pela sondagem Aximage para a TSF, DN e JN assumem-se católicos e reconhecem a importância da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para o país. Questionados se vão participar, a resposta é não. Já noutras ações políticas e sociais, mais de metade revela que nunca participou.
A pergunta é simples: "Já alguma vez participou em ações sociais e políticas?" A resposta para mais de metade dos inquiridos (52%), na última sondagem da Aximage para a TSF, DN e JN, também: nunca. E se o envolvimento político e social deixa a desejar, também o religioso não fica atrás com quase três quartos dos inquiridos a dizer que não vai participar na JMJ.
Mas começamos pela religião com quase metade dos inquiridos (49%) a assumirem-se católicos face aos 38% que dizem não ter ou seguir qualquer religião. Já 5% admitiram ser evangélicos, a mesma percentagem daqueles que dizem seguir uma religião não cristã.
Daqueles que admitem a fé, quase metade até participam, ocasionalmente, em eventos religiosos, 25% dizem que não o fazem.
E por estes dias a iniciativa religiosa mais falada do país é mesmo católica - a JMJ - e a esmagadora maioria não passou ao lado, uma vez que são menos de 10% os inquiridos a dizer que não ouviram falar da Jornada. Nessa pequena fatia, a maioria é da zona sul do país e das ilhas.
A importância do acontecimento em território nacional é sublinhada por quase metade dos inquiridos, mas quando a pergunta é se vai ou tem intenção de participar o caso muda de figura: 74% não vão, 10% ainda não sabem, 6% vão como peregrinos e outros 6% vão ser voluntários.
Sobre voluntariado, no geral, o estudo da Aximage revela que mais de um terço dos inquiridos nunca participou em ações deste tipo, 27% fizeram-no na área da solidariedade social, 14% no desporto e 12% já fizeram voluntariado de cariz religioso.
E se a percentagem cresce muito mais quando olhamos para o desligamento ao nível social e político - os tais 52% que nunca participaram neste tipo de ações -, temos 31% que assinalam o facto de terem assinado uma petição e 16% admitem já ter participado numa manifestação.
As coisas ficam bem piores ao nível dos partidos e dos sindicatos, isto porque 6% admitem ter tido algum envolvimento com partidos políticos e apenas 4% participaram em atividades sindicais.
Ficha Técnica
A sondagem foi realizada pela Aximage para a TSF, DN e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos jovens em Portugal abordando temas da atualidade nacional política, económica e social.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 14 de julho de 2023. Foram recolhidas 803 entrevistas de residentes em Portugal entre os 18 e os 34 anos. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo e região.
À amostra de 803 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,5%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.
Quase metade dos jovens inquiridos pela sondagem Aximage para a TSF, DN e JN assumem-se católicos e reconhecem a importância da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para o país. Questionados se vão participar, a resposta é não. Já noutras ações políticas e sociais, mais de metade revela que nunca participou.
A pergunta é simples: "Já alguma vez participou em ações sociais e políticas?" A resposta para mais de metade dos inquiridos (52%), na última sondagem da Aximage para a TSF, DN e JN, também: nunca. E se o envolvimento político e social deixa a desejar, também o religioso não fica atrás com quase três quartos dos inquiridos a dizer que não vai participar na JMJ.
Mas começamos pela religião com quase metade dos inquiridos (49%) a assumirem-se católicos face aos 38% que dizem não ter ou seguir qualquer religião. Já 5% admitiram ser evangélicos, a mesma percentagem daqueles que dizem seguir uma religião não cristã.
Daqueles que admitem a fé, quase metade até participam, ocasionalmente, em eventos religiosos, 25% dizem que não o fazem.
E por estes dias a iniciativa religiosa mais falada do país é mesmo católica - a JMJ - e a esmagadora maioria não passou ao lado, uma vez que são menos de 10% os inquiridos a dizer que não ouviram falar da Jornada. Nessa pequena fatia, a maioria é da zona sul do país e das ilhas.
A importância do acontecimento em território nacional é sublinhada por quase metade dos inquiridos, mas quando a pergunta é se vai ou tem intenção de participar o caso muda de figura: 74% não vão, 10% ainda não sabem, 6% vão como peregrinos e outros 6% vão ser voluntários.
Sobre voluntariado, no geral, o estudo da Aximage revela que mais de um terço dos inquiridos nunca participou em ações deste tipo, 27% fizeram-no na área da solidariedade social, 14% no desporto e 12% já fizeram voluntariado de cariz religioso.
E se a percentagem cresce muito mais quando olhamos para o desligamento ao nível social e político - os tais 52% que nunca participaram neste tipo de ações -, temos 31% que assinalam o facto de terem assinado uma petição e 16% admitem já ter participado numa manifestação.
As coisas ficam bem piores ao nível dos partidos e dos sindicatos, isto porque 6% admitem ter tido algum envolvimento com partidos políticos e apenas 4% participaram em atividades sindicais.
Ficha Técnica
A sondagem foi realizada pela Aximage para a TSF, DN e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos jovens em Portugal abordando temas da atualidade nacional política, económica e social.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 14 de julho de 2023. Foram recolhidas 803 entrevistas de residentes em Portugal entre os 18 e os 34 anos. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo e região.
À amostra de 803 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,5%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.
Recusada a entrada a 65 pessoas desde a reposição do controlo de fronteiras
Por Lusa, in TSF
Desde sábado foram controladas 13.461 pessoas nas fronteiras terrestres e 149.838 passageiros nas fronteiras aéreas.
As autoridades portuguesas controlaram mais de 163 mil pessoas no primeiro fim de semana de reposição do controlo documental nas fronteiras no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), tendo impedido a entrada no país de 65 pessoas.
O controlo documental nas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres no âmbito da JMJ entrou em vigor no sábado e está a ser feito de forma seletiva e direcionado com base em informações e análise de risco.
De acordo com o balanço operacional feito esta segunda-feira, em comunicado, pelo Sistema de Segurança Interna, nos primeiros dois dias foram controladas 13.461 pessoas nas fronteiras terrestres e 149.838 passageiros nas fronteiras aéreas.
No âmbito da operação, foi recusada a entrada a 65 pessoas, das quais 52 tentavam chegar a Portugal por via terrestre e 13 por via aérea.
Nas fronteiras aéreas, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras controlou 885 voos, a esmagadora maioria com origem fora do Espaço Schengen, fez duas detenções, por fraude documental, e aplicou medidas cautelares em 41 casos.
Com 27 ações de fiscalização ao longo do dia, que envolveram um efetivo de 289 agentes, a Guarda Nacional República (GNR) identificou 25 contraordenações no controlo de fronteiras terrestres, dois crimes, fez três apreensões e deteve uma pessoa.
A informação divulgada esta segunda-feira indica ainda que a GNR controlou no fim de semana 2380 viaturas, dois comboios e sete embarcações.
Já o SEF, nas fronteiras terrestres, verificou 2122 viaturas e 7392 cidadãos, tendo em dois casos aplicado medidas cautelares.
A reposição de controlos documentais nas fronteiras permanecerá ativa até às 00h00 horas de 7 de agosto e acontece "a título excecional de forma a acautelar eventuais ameaças à ordem pública e à segurança interna", segundo uma resolução do Governo.
O controlo de fronteiras no âmbito da JMJ, evento que vai decorrer em Lisboa entre 1 e 6 de agosto e contará com a presença do Papa Francisco, está a cargo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), com a assistência da Polícia de Segurança Pública (PSP) e GNR, além da eventual colaboração de autoridades de outros países.
Desde sábado foram controladas 13.461 pessoas nas fronteiras terrestres e 149.838 passageiros nas fronteiras aéreas.
As autoridades portuguesas controlaram mais de 163 mil pessoas no primeiro fim de semana de reposição do controlo documental nas fronteiras no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), tendo impedido a entrada no país de 65 pessoas.
O controlo documental nas fronteiras aéreas, marítimas e terrestres no âmbito da JMJ entrou em vigor no sábado e está a ser feito de forma seletiva e direcionado com base em informações e análise de risco.
De acordo com o balanço operacional feito esta segunda-feira, em comunicado, pelo Sistema de Segurança Interna, nos primeiros dois dias foram controladas 13.461 pessoas nas fronteiras terrestres e 149.838 passageiros nas fronteiras aéreas.
No âmbito da operação, foi recusada a entrada a 65 pessoas, das quais 52 tentavam chegar a Portugal por via terrestre e 13 por via aérea.
Nas fronteiras aéreas, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras controlou 885 voos, a esmagadora maioria com origem fora do Espaço Schengen, fez duas detenções, por fraude documental, e aplicou medidas cautelares em 41 casos.
Com 27 ações de fiscalização ao longo do dia, que envolveram um efetivo de 289 agentes, a Guarda Nacional República (GNR) identificou 25 contraordenações no controlo de fronteiras terrestres, dois crimes, fez três apreensões e deteve uma pessoa.
A informação divulgada esta segunda-feira indica ainda que a GNR controlou no fim de semana 2380 viaturas, dois comboios e sete embarcações.
Já o SEF, nas fronteiras terrestres, verificou 2122 viaturas e 7392 cidadãos, tendo em dois casos aplicado medidas cautelares.
A reposição de controlos documentais nas fronteiras permanecerá ativa até às 00h00 horas de 7 de agosto e acontece "a título excecional de forma a acautelar eventuais ameaças à ordem pública e à segurança interna", segundo uma resolução do Governo.
O controlo de fronteiras no âmbito da JMJ, evento que vai decorrer em Lisboa entre 1 e 6 de agosto e contará com a presença do Papa Francisco, está a cargo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), com a assistência da Polícia de Segurança Pública (PSP) e GNR, além da eventual colaboração de autoridades de outros países.
17.7.23
Papa quer desfavorecidos na linha da frente da JMJ. Padre Agostinho Moreira diz que revela "projeto fraterno"
Por Ana Maria Ramos com Cátia Carmo, in TSF
O papa quer os jovens mais desfavorecidos na linha da frente dos eventos da Jornada Mundial da Juventude. Algo que, para o padre Agostinho Moreira, presidente da EAPN Portugal (Rede Europeia Anti-Pobreza), é mais do que revelar a prioridade multicultural.
JMJ obriga à definição de quatro zonas de exclusão aérea em Lisboa e Fátima
Peregrinos da JMJ vão ter passe para transportes na Área Metropolitana de Lisboa
ANTRAL diz que lisboetas têm de estar "bastante preocupados" com mobilidade na JMJ
"É importante perceber que os critérios do reino de Deus não são os critérios do reino deste mundo. Uma vez que este papa tem dado, e bem, a prioridade da atenção aos pobres para afirmar que o ser humano é portador, todo ele, igualmente da mesma dignidade. Penso que é um sinal dado, mundialmente, a todos os pobres do mundo, de um projeto, uma sociedade que nasce no projeto de Deus, um projeto fraterno de dar prioridade àqueles que são vítimas da injustiça ou do desrespeito pela sua dignidade", explicou Agostinho Moreira.
Em dia de se celebrar a Tomada de Bastilha, símbolo da revolução francesa e de luta pelos princípios da liberdade, fraternidade e igualdade, este responsável pela Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal defende que é urgente definir a fraternidade entre os povos como prioridade.
"É dar a prioridade àqueles que, por razões socioeconómicas, não têm acesso a viver ao nível das outras culturas, das outras sociedades na construção da fraternidade. Aqui o objetivo para mim, na minha leitura, é dizer que precisamos de construir a fraternidade entre os povos e, por isso, dar a mão e a atenção àqueles que são mais vítimas, mais afastados dessa possibilidade", sublinhou o padre.
Para este responsável é urgente recentrar a prioridade no ser humano e não o lucro, tal como revela o próprio relatório da ONU, que mostra que, nos últimos três anos, com a pandemia, inflação e a guerra, cerca de 165 milhões de pessoas entraram na pobreza.
"A riqueza cada vez está nas mãos de menos pessoas e, portanto, a classe média começa a ser a mais fustigada, a mais castigada e com uma tendência a diminuir e quase desaparecer. Isto nota-se a nível do capitalismo liberal, o capitalismo selvagem, onde, de facto, estas grandes bolsas económicas vão acumulando os bens e, portanto, aquela máxima que se dizia noutros tempos que desde que houvesse desenvolvimento, depois os pobres desapareciam, não faz sentido, estamos a verificar o contrário. Penso que este sistema está a ser a causa desta desta situação e é necessário repensar e corrigir o sistema porque está a levar a assimetrias tão grandes es desequilíbrios onde as pessoas não conseguem viver, nem se conseguem realizar, não conseguem ser felizes porque não têm acesso à vida da minoria, que são os mais ricos", acrescentou.
Ouça as declarações do padre Agostinho Moreira [clicando aqui]
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com o Papa Francisco, de 01 a 06 de agosto.
O papa, primeiro a inscrever-se na JMJ, chega a Lisboa no dia 02 de agosto, tendo prevista uma visita de duas horas ao Santuário de Fátima no dia 05 para rezar pela paz e pelo fim da guerra na Ucrânia.
Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a jornada nasceu por iniciativa do papa João Paulo II, após o sucesso de um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
As principais cerimónias da jornada decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures, e no Parque Eduardo VII, no centro da capital.
JMJ obriga à definição de quatro zonas de exclusão aérea em Lisboa e Fátima
Peregrinos da JMJ vão ter passe para transportes na Área Metropolitana de Lisboa
ANTRAL diz que lisboetas têm de estar "bastante preocupados" com mobilidade na JMJ
"É importante perceber que os critérios do reino de Deus não são os critérios do reino deste mundo. Uma vez que este papa tem dado, e bem, a prioridade da atenção aos pobres para afirmar que o ser humano é portador, todo ele, igualmente da mesma dignidade. Penso que é um sinal dado, mundialmente, a todos os pobres do mundo, de um projeto, uma sociedade que nasce no projeto de Deus, um projeto fraterno de dar prioridade àqueles que são vítimas da injustiça ou do desrespeito pela sua dignidade", explicou Agostinho Moreira.
Em dia de se celebrar a Tomada de Bastilha, símbolo da revolução francesa e de luta pelos princípios da liberdade, fraternidade e igualdade, este responsável pela Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal defende que é urgente definir a fraternidade entre os povos como prioridade.
"É dar a prioridade àqueles que, por razões socioeconómicas, não têm acesso a viver ao nível das outras culturas, das outras sociedades na construção da fraternidade. Aqui o objetivo para mim, na minha leitura, é dizer que precisamos de construir a fraternidade entre os povos e, por isso, dar a mão e a atenção àqueles que são mais vítimas, mais afastados dessa possibilidade", sublinhou o padre.
Para este responsável é urgente recentrar a prioridade no ser humano e não o lucro, tal como revela o próprio relatório da ONU, que mostra que, nos últimos três anos, com a pandemia, inflação e a guerra, cerca de 165 milhões de pessoas entraram na pobreza.
"A riqueza cada vez está nas mãos de menos pessoas e, portanto, a classe média começa a ser a mais fustigada, a mais castigada e com uma tendência a diminuir e quase desaparecer. Isto nota-se a nível do capitalismo liberal, o capitalismo selvagem, onde, de facto, estas grandes bolsas económicas vão acumulando os bens e, portanto, aquela máxima que se dizia noutros tempos que desde que houvesse desenvolvimento, depois os pobres desapareciam, não faz sentido, estamos a verificar o contrário. Penso que este sistema está a ser a causa desta desta situação e é necessário repensar e corrigir o sistema porque está a levar a assimetrias tão grandes es desequilíbrios onde as pessoas não conseguem viver, nem se conseguem realizar, não conseguem ser felizes porque não têm acesso à vida da minoria, que são os mais ricos", acrescentou.
Ouça as declarações do padre Agostinho Moreira [clicando aqui]
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com o Papa Francisco, de 01 a 06 de agosto.
O papa, primeiro a inscrever-se na JMJ, chega a Lisboa no dia 02 de agosto, tendo prevista uma visita de duas horas ao Santuário de Fátima no dia 05 para rezar pela paz e pelo fim da guerra na Ucrânia.
Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a jornada nasceu por iniciativa do papa João Paulo II, após o sucesso de um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
As principais cerimónias da jornada decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures, e no Parque Eduardo VII, no centro da capital.
11.7.23
Organização quer JMJ inclusiva e tem inscritas 1500 pessoas com deficiência
Por Lusa, in TSF
As pessoas com deficiência inscritas na Jornada Mundial da Juventude vão participar de diversas formas.A organização da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa desenvolveu uma estratégia de inclusão baseada em seis pontos e, a menos de um mês do evento, conta com 1500 inscrições de pessoas com algum tipo de deficiência.
"Estamos a fazer todos os esforços para que a JMJ seja acessível a todos, é isso que queremos. Temos inscritas cerca de 1500 pessoas com algum tipo de deficiência, oriundas de várias partes do mundo", disse à agência Lusa Carmo Diniz, do Gabinete de Diálogo e Proximidade, do Comité Organizador Local (COL).
De acordo com a responsável, as pessoas com deficiência inscritas na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorre na primeira semana de agosto, vão participar de diversas formas, nomeadamente integradas em grupos das dioceses, de algumas instituições, e individualmente.
Carmo Diniz, que é diretora do serviço de Pastoral a pessoas com deficiência do Patriarcado de Lisboa e da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), garante que os organizadores da JMJ trabalham "há muito numa estratégia de atenção à deficiência, que tem vindo a ser desenvolvida com um grupo alargado de instituições das várias áreas da deficiência".
Segundo a responsável, "a estratégia implementada assenta em seis eixos fundamentais: convite, participação, comunicação, alojamento, acessibilidade e mobilidade.
"É à volta destes seis eixos que temos estado a desenvolver uma série de iniciativas, com o propósito de garantir a participação das pessoas com deficiência na Jornada Mundial da Juventude como um todo, dentro da sua liberdade e vontade", refere.
Ao nível da comunicação, Carmo Diniz explica que estão a ser trabalhados temas como a língua gestual, o braille, e os sistemas de comunicação alternativa, como o Sistema Pictográfico de Comunicação.
"Estamos a trabalhar com o Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, que está a produzir vários materiais de comunicação para todos. Ou seja, a pegar em peças fundamentais da jornada e a colocá-las em formatos acessíveis", refere, acrescentando que "foi assumido desde o início que o site da JMJ e a aplicação teriam de ser acessíveis a todos".
Segundo Carmo Diniz, as pessoas com deficiência que não se inscreverem na JMJ e queiram deslocar-se aos dois espaços do evento - o Parque Tejo e o Parque Eduardo VII - conseguem aceder a todas as informações no site do evento.
A organização decidiu não ter voluntários específicos nos locais onde está prevista a presença de pessoas com deficiência, optando antes por preparar todos para essa realidade: "Com a direção de acolhimento e voluntariado criámos um módulo específico com indicações e de atenção à deficiência".
"Não vamos pessoas especificas para lidar com a deficiência, o que teremos, nos locais designados será um reforço do número de voluntários, pois, naturalmente, será precisa muita ajuda", afirma.
Carmo Diniz garante que a organização portuguesa falou com organizadores de jornadas anteriores, nomeadamente da JMJ do Panamá, que decorreu em 2019, sobre a forma como foi tratada a temática da deficiência, mas destaca "as diferentes realidades de cada país".
"Temos sempre de ajustar as condições à nossa realidade, e à nossa forma de fazer as coisas", afirma a responsável, acrescentando que foram também replicadas as formas de lidar com a temática utilizadas no Santuário de Fátima e na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a JMJ vai realizar-se entre 01 e 06 de agosto em Lisboa, sendo esperados cerca de 1,5 milhões de pessoas.
A edição deste ano contará com a presença do Papa Francisco, que estará em Portugal entre 2 e 6 de agosto.
9.6.23
Jornada Mundial: dos 24 aos 75 anos, a juventude dos voluntários não tem idade
Margarida Coutinho, in Expresso
Entre os voluntários que se cruzam pela sede da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, a grande maioria não chega aos 30 anos. Contudo, também há quem já ultrapasse os 70. “Sempre gostei de trabalhar com gente nova, é um desafio muito aliciante”, partilhou Ana Martinho, voluntária de 75 anos
Os voluntários são os alicerces das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), qualquer que seja o país onde decorrem. São eles que ficam responsáveis por vários departamentos essenciais desde a logística - que garante o alojamento ou a alimentação dos milhares de peregrinos inscritos - à comunicação ou aos vários eventos que acompanham a semana das jornadas. Até aqui, já há mais de 20 mil inscritos como voluntários - são necessários pelo menos mais 10 mil para atingir o número ideal apresentado pela organização -, a maior parte deles só chegará na semana antes das jornadas. Até lá, as tarefas ficam concentradas nas pequenas centenas de voluntários, a maioria portugueses, que habitam a sede da JMJ, no Beato. Sendo um evento de “jovens para jovens”, a maior parte dos participantes não têm mais de 30 anos. Contudo, no antigo edifício militar também se encontram pessoas que trocaram a tranquilidade da reforma pela correria da organização de um dos maiores eventos recebidos em Portugal. “Sempre gostei de trabalhar com gente nova, agora vejo-me nesta situação onde todos são mais novos. É um incentivo, é um desafio muito aliciante”, partilhou com o Expresso Ana Martinho, de 75 anos, voluntária na área Caminho 23.
A ex-assessora diplomática de Belém utiliza o seu conhecimento profissional de relações internacionais para ajudar no departamento responsável pelo “percurso dos peregrinos até à jornada”. “Estou a tratar das relações internacionais, das necessidades das viagens, das autorizações”. Além disso, Ana Martinho e a sua equipa mantêm contacto permanente com as “conferências episcopais de todo o mundo” e organizam eventos com as embaixadas em Lisboa. “Há poucos dias, por exemplo, organizámos um evento para as embaixadas em Lisboa que dava a conhecer o programa geral da jornada”. Contudo, a voluntária fez questão de frisar que não tem uma “função definida” e pretende “ajudar onde for preciso”. “O meu compromisso na vida é que tudo o que for preciso fazer, eu faço. Se for preciso arrastar mesas ou cadeiras, eu faço”, garante.
Esta é a primeira jornada de Ana Martinho no papel de voluntária, antes disso apenas tinha “visto de perto” a jornada do Panamá quando ainda trabalhava como assessora diplomática, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa. O convite foi lançado pela própria organização da JMJ, no ano passado e, desde aí, está como voluntária a “full-time”. “Vivo no Estoril e estou a vir aqui todos os dias”. Este esforço é feito em troca de uma “experiência muito positiva” e de um “desígnio espiritual”. “É uma ocasião única, uma aventura bonita com um objetivo muito transcendente e que espero que faça bem ao mundo”, resumiu.
Quem também está pela primeira vez como voluntário na JMJ é Francisco Seabra, de 24 anos. Recebeu o convite para a direção da área Pastoral e Eventos em Setembro do ano passado, altura em que tinha também recebido uma proposta de trabalho de uma consultora. “Percebi que [participar na JMJ] era aquilo que eu queria, que era um desafio que não podia dizer que não”, partilhou o mestre em engenharia eletrotécnica e computadores. Agora, é “braço-direito” na área responsável pelos “eventos, espiritualidade, parte artística, música, festival da Juventude, uma data de coisas”, enumerou. Depois de quase nove meses de trabalho, o jovem não se arrependeu da escolha que tomou. “Sem dúvida que está a superar muito as minhas expectativas em termos de desenvolvimento pessoal. Tem sido uma experiência que me está a encher as medidas”. A nível de experiência profissional, Francisco Seabra realça ainda a “responsabilidade” em si delegada que “dificilmente” teria noutro “primeiro emprego”. Isto ao mesmo tempo que vive um “ambiente brutal” na concretização de um evento de “jovens para jovens”.
Nem só de estreantes é feita a equipa de voluntários da JMJ. Há mais de uma dezena de jovens que já passaram por jornadas em países como Polónia, Panamá ou Brasil. Beatriz Soares, de 29 anos, é uma delas. Depois de ser voluntária na semana da jornada do Rio de Janeiro, em 2013, a jovem brasileira é agora voluntária de longa-duração em Lisboa, onde está a viver desde o final de 2021. “A diferença principal é que agora pude acompanhar o projeto desde o início e ver as coisas crescerem”, explica a jovem membro da Comunidade Católica Shalom. Destacada para a área da Comunicação - um dos departamentos mais numerosos -, Beatriz Soares está responsável por “angariar voluntários” de todo o mundo e alocá-los a uma área consoante o seu “perfil”. “Hoje conheço o nome e o país de todos os que chegaram”. Pela primeira vez em Portugal, outro dos sonhos da voluntária “desde criança” era visitar Fátima. Graças às ações de comunicação da JMJ, este já foi concretizado “quatro ou cinco vezes”. “Sempre que tenho oportunidade [de ir ao Santuário de Fátima], voluntario-me para ir. É um lugar fantástico”.
A menos de dois meses das jornadas, o ritmo nas instalações do Beato começa a aumentar. “Às vezes vemos alguém a correr no corredor porque é preciso correr”, revela Beatriz Soares. Os restantes voluntários concordam com este aumento de “intensidade”. “Estamos a entrar na fase de maior stress, mas também na fase mais gira em que começamos a ver as ideias serem materializadas”, disse Francisco Seabra. Exemplo disso são os “ensaios de coro e da orquestra” que já estão a decorrer ou a chegada dos primeiros membros do Ensemble23, o “elenco oficial dos eventos” formado por “jovens artistas” voluntários de várias partes do mundo. “Normalmente este grupo é feito por pessoas do país ou companhias de teatro contratadas. Nós quisemos dar oportunidade a jovens de todo o mundo, que estudam teatro ou música, de ganharem uma experiência profissional na sua área atuando para milhares de pessoas”, explicou o voluntário da área Pastoral e Eventos. Para já, chegou apenas uma das artistas que veio da Rússia e demorou “cinco dias só para poder chegar cá”. No dia 12 de junho, juntam-se os restantes elementos para “seis semanas” de “ensaios intensivos”.
“SABEMOS QUE TODAS AS DECISÕES SÃO MUITO PONDERADAS”
Numas jornadas rodeadas de polémicas – desde os valores milionários associados às infraestruturas como o altar-palco aos abusos sexuais de menores na Igreja Católica divulgados pelo relatório da Comissão Independente – os voluntários voltam a defender que nada afeta o “estado de espírito” na Rua do Grilo. “Estamos por dentro das decisões, sabemos realmente como as coisas estão a andar, que todas as decisões são muito ponderadas e que são feitas da melhor forma possível. Às vezes há erros, como em tudo. Mas o nosso objetivo é também sensibilizar as pessoas para a dimensão deste evento, para o bem que faz a Portugal e às pessoas, crentes e não crentes”, defende Francisco Seabra.
Apesar de reconhecer que estas polémicas geram perguntas de “amigos” e “familiares” que estão “por fora” do evento, Francisco prefere focar-se no futuro e no resultado da semana de 1 a 6 de agosto. “Há noites em que dormimos pior porque as pessoas não percebem. Mas estamos a falar do maior evento que Portugal já acolheu, um dos maiores eventos do mundo. No final, vamos perceber que foi das melhores coisas que aconteceu em Portugal e as coisas menos boas vão ser uma gotinha de água num oceano”. Também Ana Martinho acredita que o “mais importante” e o que irá prevalecer será a “mensagem de paz” que a JMJ traz numa “altura tão conturbada como a que vivemos”.
Entre os voluntários que se cruzam pela sede da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, a grande maioria não chega aos 30 anos. Contudo, também há quem já ultrapasse os 70. “Sempre gostei de trabalhar com gente nova, é um desafio muito aliciante”, partilhou Ana Martinho, voluntária de 75 anos
Os voluntários são os alicerces das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), qualquer que seja o país onde decorrem. São eles que ficam responsáveis por vários departamentos essenciais desde a logística - que garante o alojamento ou a alimentação dos milhares de peregrinos inscritos - à comunicação ou aos vários eventos que acompanham a semana das jornadas. Até aqui, já há mais de 20 mil inscritos como voluntários - são necessários pelo menos mais 10 mil para atingir o número ideal apresentado pela organização -, a maior parte deles só chegará na semana antes das jornadas. Até lá, as tarefas ficam concentradas nas pequenas centenas de voluntários, a maioria portugueses, que habitam a sede da JMJ, no Beato. Sendo um evento de “jovens para jovens”, a maior parte dos participantes não têm mais de 30 anos. Contudo, no antigo edifício militar também se encontram pessoas que trocaram a tranquilidade da reforma pela correria da organização de um dos maiores eventos recebidos em Portugal. “Sempre gostei de trabalhar com gente nova, agora vejo-me nesta situação onde todos são mais novos. É um incentivo, é um desafio muito aliciante”, partilhou com o Expresso Ana Martinho, de 75 anos, voluntária na área Caminho 23.
A ex-assessora diplomática de Belém utiliza o seu conhecimento profissional de relações internacionais para ajudar no departamento responsável pelo “percurso dos peregrinos até à jornada”. “Estou a tratar das relações internacionais, das necessidades das viagens, das autorizações”. Além disso, Ana Martinho e a sua equipa mantêm contacto permanente com as “conferências episcopais de todo o mundo” e organizam eventos com as embaixadas em Lisboa. “Há poucos dias, por exemplo, organizámos um evento para as embaixadas em Lisboa que dava a conhecer o programa geral da jornada”. Contudo, a voluntária fez questão de frisar que não tem uma “função definida” e pretende “ajudar onde for preciso”. “O meu compromisso na vida é que tudo o que for preciso fazer, eu faço. Se for preciso arrastar mesas ou cadeiras, eu faço”, garante.
Esta é a primeira jornada de Ana Martinho no papel de voluntária, antes disso apenas tinha “visto de perto” a jornada do Panamá quando ainda trabalhava como assessora diplomática, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa. O convite foi lançado pela própria organização da JMJ, no ano passado e, desde aí, está como voluntária a “full-time”. “Vivo no Estoril e estou a vir aqui todos os dias”. Este esforço é feito em troca de uma “experiência muito positiva” e de um “desígnio espiritual”. “É uma ocasião única, uma aventura bonita com um objetivo muito transcendente e que espero que faça bem ao mundo”, resumiu.
Quem também está pela primeira vez como voluntário na JMJ é Francisco Seabra, de 24 anos. Recebeu o convite para a direção da área Pastoral e Eventos em Setembro do ano passado, altura em que tinha também recebido uma proposta de trabalho de uma consultora. “Percebi que [participar na JMJ] era aquilo que eu queria, que era um desafio que não podia dizer que não”, partilhou o mestre em engenharia eletrotécnica e computadores. Agora, é “braço-direito” na área responsável pelos “eventos, espiritualidade, parte artística, música, festival da Juventude, uma data de coisas”, enumerou. Depois de quase nove meses de trabalho, o jovem não se arrependeu da escolha que tomou. “Sem dúvida que está a superar muito as minhas expectativas em termos de desenvolvimento pessoal. Tem sido uma experiência que me está a encher as medidas”. A nível de experiência profissional, Francisco Seabra realça ainda a “responsabilidade” em si delegada que “dificilmente” teria noutro “primeiro emprego”. Isto ao mesmo tempo que vive um “ambiente brutal” na concretização de um evento de “jovens para jovens”.
Nem só de estreantes é feita a equipa de voluntários da JMJ. Há mais de uma dezena de jovens que já passaram por jornadas em países como Polónia, Panamá ou Brasil. Beatriz Soares, de 29 anos, é uma delas. Depois de ser voluntária na semana da jornada do Rio de Janeiro, em 2013, a jovem brasileira é agora voluntária de longa-duração em Lisboa, onde está a viver desde o final de 2021. “A diferença principal é que agora pude acompanhar o projeto desde o início e ver as coisas crescerem”, explica a jovem membro da Comunidade Católica Shalom. Destacada para a área da Comunicação - um dos departamentos mais numerosos -, Beatriz Soares está responsável por “angariar voluntários” de todo o mundo e alocá-los a uma área consoante o seu “perfil”. “Hoje conheço o nome e o país de todos os que chegaram”. Pela primeira vez em Portugal, outro dos sonhos da voluntária “desde criança” era visitar Fátima. Graças às ações de comunicação da JMJ, este já foi concretizado “quatro ou cinco vezes”. “Sempre que tenho oportunidade [de ir ao Santuário de Fátima], voluntario-me para ir. É um lugar fantástico”.
A menos de dois meses das jornadas, o ritmo nas instalações do Beato começa a aumentar. “Às vezes vemos alguém a correr no corredor porque é preciso correr”, revela Beatriz Soares. Os restantes voluntários concordam com este aumento de “intensidade”. “Estamos a entrar na fase de maior stress, mas também na fase mais gira em que começamos a ver as ideias serem materializadas”, disse Francisco Seabra. Exemplo disso são os “ensaios de coro e da orquestra” que já estão a decorrer ou a chegada dos primeiros membros do Ensemble23, o “elenco oficial dos eventos” formado por “jovens artistas” voluntários de várias partes do mundo. “Normalmente este grupo é feito por pessoas do país ou companhias de teatro contratadas. Nós quisemos dar oportunidade a jovens de todo o mundo, que estudam teatro ou música, de ganharem uma experiência profissional na sua área atuando para milhares de pessoas”, explicou o voluntário da área Pastoral e Eventos. Para já, chegou apenas uma das artistas que veio da Rússia e demorou “cinco dias só para poder chegar cá”. No dia 12 de junho, juntam-se os restantes elementos para “seis semanas” de “ensaios intensivos”.
“SABEMOS QUE TODAS AS DECISÕES SÃO MUITO PONDERADAS”
Numas jornadas rodeadas de polémicas – desde os valores milionários associados às infraestruturas como o altar-palco aos abusos sexuais de menores na Igreja Católica divulgados pelo relatório da Comissão Independente – os voluntários voltam a defender que nada afeta o “estado de espírito” na Rua do Grilo. “Estamos por dentro das decisões, sabemos realmente como as coisas estão a andar, que todas as decisões são muito ponderadas e que são feitas da melhor forma possível. Às vezes há erros, como em tudo. Mas o nosso objetivo é também sensibilizar as pessoas para a dimensão deste evento, para o bem que faz a Portugal e às pessoas, crentes e não crentes”, defende Francisco Seabra.
Apesar de reconhecer que estas polémicas geram perguntas de “amigos” e “familiares” que estão “por fora” do evento, Francisco prefere focar-se no futuro e no resultado da semana de 1 a 6 de agosto. “Há noites em que dormimos pior porque as pessoas não percebem. Mas estamos a falar do maior evento que Portugal já acolheu, um dos maiores eventos do mundo. No final, vamos perceber que foi das melhores coisas que aconteceu em Portugal e as coisas menos boas vão ser uma gotinha de água num oceano”. Também Ana Martinho acredita que o “mais importante” e o que irá prevalecer será a “mensagem de paz” que a JMJ traz numa “altura tão conturbada como a que vivemos”.
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