Samuel Silva, in Público on-line
Mudança no limiar de elegibilidade vai alargar acção social escolar a mais 3000 a 4000 estudantes. Reitores consideram apoios “claramente insuficientes” no actual contexto económico.
O ano lectivo arranca com novas regras para o acesso à acção social escolar que potencialmente aumentará o número de estudantes do ensino superior apoiados pelo Estado – podem ser mais 3000 a 4000 bolseiros. No entanto, o valor de referência das bolsas não sofre alterações, mesmo num cenário de aumento do custo de vida.Interactivo: veja aqui se entrou na universidade e quantas vagas restam
Todos os textos sobre o acesso ao ensino superior
As mudanças já tinham sido anunciadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior no último dia de Julho. O limiar de elegibilidade subiu agora para 19 vezes o Indexante dos Apoios Sociais. Ou seja, os estudantes provenientes de famílias com rendimentos per capita até 736 euros mensais brutos passam a ter acesso às bolsas de estudo.
As estimativas do MCTES apontam para cerca de 3000 a 4000 estudantes que passam a ser abrangidos pelos apoios do Estado fruto desta mudança. No ano lectivo 2021/2022, mais de 100 mil estudantes do ensino superior concorreram a uma bolsa de acção social no ensino superior.
As novidades incluem a atribuição automática de bolsas de estudo aos estudantes do ensino superior que beneficiem de abono de família até ao terceiro escalão – até agora essa atribuição simplificada estava reservada apenas aos beneficiários do primeiro escalão, o alargamento do programa Mais Superior (que apoia os estudantes que vão estudar para instituições do interior em 1700 euros) a todos os bolseiros e a criação de um novo complemento à bolsa de estudo, com valor máximo de 250 euros anuais, para apoiar as deslocações dos estudantes deslocados.
As medidas anunciadas pelo MCTES no final de Julho decorriam, em grande medida, de compromissos que já constavam na proposta original do Orçamento do Estado para 2022 e que foram mantidos na versão que foi aprovada já nesta legislatura. O PÚBLICO questionou, por isso, a tutela se, face ao aumento da inflação, que já levou o Governo a tomar medidas para apoiar as famílias noutros domínios, estaria também a ser ponderado algum tipo de apoio extraordinário aos estudantes do ensino superior, mas não obteve uma resposta.
O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Sousa Pereira, não tem dúvidas de que as medidas de acção social escolar existentes no ensino superior são “claramente insuficientes” no actual contexto: “As famílias estão a sofrer fortemente com a inflação.” Sem um reforço do apoio do Estado, “vão ter que ser as universidades a criar mecanismos complementares” para apoiar os estudantes, entende, incluindo apoios financeiros directos com recurso a receitas próprias das instituições de ensino ou com o apoio de mecenas.
Mostrar mensagens com a etiqueta Bolsas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bolsas. Mostrar todas as mensagens
4.2.21
Felgueiras tem 30 mil euros para distribuir pelos estudantes universitários do concelho
Nuno Rafael Gomes, in Público on-line
As candidaturas às bolsas criadas pela autarquia estão abertas até 12 de Fevereiro. Resultados serão conhecidos no dia 19 do mês seguinte. Estas bolsas têm como objectivo a promoção da “igualdade de oportunidades”.
Os estudantes universitários de Felgueiras já podem concorrer às bolsas de estudo criadas pelo município. De acordo com a informação disponível no site da autarquia, há 30 mil euros para distribuir pelos felgueirenses que frequentem o ensino superior. As candidaturas estão abertas até dia 12 de Fevereiro e podem ser realizadas através dos serviços online da Câmara Municipal.
O valor atribuído “não poderá exceder o valor da propina anualmente fixado para o ensino superior público”, lê-se no documento explicativo disponível no site da autarquia. Caso os estudantes seleccionados recebam “outras bolsas ou subsídios, nomeadamente bolsas atribuídas pelos estabelecimentos de ensino superior”, o apoio da autarquia é ajustado para que o somatório das bolsas não ultrapasse o valor da propina.
Mas há alguns requisitos: a bolsa destina-se a estudantes de licenciatura ou de mestrado integrado que residam naquele concelho “há mais de dois anos”. Para além disso, têm de estar matriculados num “estabelecimento de ensino superior público”, que não seja sediado e/ou funcione em Felgueiras. O aproveitamento escolar no último ano lectivo também é exigido, exceptuando alunos que estejam, pela primeira vez, num curso do ensino superior ou que tenham interrompido os estudos “por motivos de força maior, devidamente justificados e comprovados”.
Os candidatos serão seleccionados “mediante a análise do rendimento mensal per capita do agregado familiar”. Para a candidatura ser admitida, esse valor tem de ser “igual ou inferior ao indexante dos apoios sociais”. Em caso de empate na selecção, a decisão será tomada mediante a classificação académica, a distância entre residência e estabelecimento de ensino superior e idade do candidato.
A lista provisória de resultados será publicada a 1 de Março. Por isso, há um período para submeter pedidos de esclarecimento ou reclamações, que inicia no dia seguinte, estendendo-se até 15 de Março. A lista definitiva será conhecida no dia 19 do mesmo mês.
Citado em comunicado da Câmara Municipal de Felgueiras, o presidente do município, Nuno Fonseca, salienta que estas bolsas facilitarão “a prossecução de estudos superiores”, para além de promoverem a “igualdade de oportunidades aos jovens”.
O programa de bolsas da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, disponibiliza bolsas de pós-graduação na Europa, América do Norte e na zona da Ásia- Pacífico, e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento em Espanha e Portugal. Nesta página especial dedicada a bolsas de estudo e a empregabilidade jovem, o P3 partilha dicas úteis sobre como concorrer a bolsas, preparar currículos e dar nas vistas entre outros candidatos, sem qualquer relação directa com os apoios atribuídos pelo programa.
As candidaturas às bolsas criadas pela autarquia estão abertas até 12 de Fevereiro. Resultados serão conhecidos no dia 19 do mês seguinte. Estas bolsas têm como objectivo a promoção da “igualdade de oportunidades”.
Os estudantes universitários de Felgueiras já podem concorrer às bolsas de estudo criadas pelo município. De acordo com a informação disponível no site da autarquia, há 30 mil euros para distribuir pelos felgueirenses que frequentem o ensino superior. As candidaturas estão abertas até dia 12 de Fevereiro e podem ser realizadas através dos serviços online da Câmara Municipal.
O valor atribuído “não poderá exceder o valor da propina anualmente fixado para o ensino superior público”, lê-se no documento explicativo disponível no site da autarquia. Caso os estudantes seleccionados recebam “outras bolsas ou subsídios, nomeadamente bolsas atribuídas pelos estabelecimentos de ensino superior”, o apoio da autarquia é ajustado para que o somatório das bolsas não ultrapasse o valor da propina.
Mas há alguns requisitos: a bolsa destina-se a estudantes de licenciatura ou de mestrado integrado que residam naquele concelho “há mais de dois anos”. Para além disso, têm de estar matriculados num “estabelecimento de ensino superior público”, que não seja sediado e/ou funcione em Felgueiras. O aproveitamento escolar no último ano lectivo também é exigido, exceptuando alunos que estejam, pela primeira vez, num curso do ensino superior ou que tenham interrompido os estudos “por motivos de força maior, devidamente justificados e comprovados”.
Os candidatos serão seleccionados “mediante a análise do rendimento mensal per capita do agregado familiar”. Para a candidatura ser admitida, esse valor tem de ser “igual ou inferior ao indexante dos apoios sociais”. Em caso de empate na selecção, a decisão será tomada mediante a classificação académica, a distância entre residência e estabelecimento de ensino superior e idade do candidato.
A lista provisória de resultados será publicada a 1 de Março. Por isso, há um período para submeter pedidos de esclarecimento ou reclamações, que inicia no dia seguinte, estendendo-se até 15 de Março. A lista definitiva será conhecida no dia 19 do mesmo mês.
Citado em comunicado da Câmara Municipal de Felgueiras, o presidente do município, Nuno Fonseca, salienta que estas bolsas facilitarão “a prossecução de estudos superiores”, para além de promoverem a “igualdade de oportunidades aos jovens”.
O programa de bolsas da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, disponibiliza bolsas de pós-graduação na Europa, América do Norte e na zona da Ásia- Pacífico, e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento em Espanha e Portugal. Nesta página especial dedicada a bolsas de estudo e a empregabilidade jovem, o P3 partilha dicas úteis sobre como concorrer a bolsas, preparar currículos e dar nas vistas entre outros candidatos, sem qualquer relação directa com os apoios atribuídos pelo programa.
20.11.20
Há três candidatos para cada uma das bolsas para estudar no interior
Samuel Silva, in Público on-line
Os 2230 apoios ao abrigo do programa Mais Superior disponíveis este ano constituem o número mais elevado de sempre, mas não vão chegar para os mais de 11 mil estudantes que os pediram.O número de alunos do ensino superior que pretendem receber um apoio pelo facto de estudarem numa instituição do interior do país aumentou face ao ano passado. Mais de 7 mil estudantes concorram ao programa Mais Superior neste ano lectivo. Ou seja, há três candidatos para cada uma das 2230 bolsas disponíveis.
Nos últimos quatro anos, o número de bolsas Mais Superior tem vindo sempre a aumentar. Há um ano, foram disponibilizadas 1895. Quando o programa foi lançado, em 2014, tinham sido 1000. Este ano, estão em jogo mais do dobro: 2230. É o número mais elevado de sempre.
No entanto, o número de estudantes que pretendem receber este apoio também atingiu este ano lectivo um valor histórico – 7006 no total. O período de candidaturas terminou no último domingo e os números foram agora disponibilizados pela Direcção-Geral do Ensino Superior.
O total de estudantes que concorre às bolsas Mais Superior tem vindo a crescer desde o lançamento do programa. No ano passado foram registados 6661 candidatos. A estes juntam-se ainda 4277 potenciais renovações que, segundo o Ministério da Ciência e Ensino Superior “são automáticas”, desde que os alunos mantenham as condições de elegibilidade.
Este crescimento decorre, em parte, do aumento de visibilidade do Mais Superior, defende o presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAESP), Tiago Diniz. Mais de 60% das instituições de ensino superior cujos estudantes são elegíveis para este programa são institutos politécnicos. O aumento do número de bolsas Mais Superior e do valor das mesmas neste ano lectivo fazia já os estudantes “esperar por um aumento do número de candidatos”, acrescenta o mesmo dirigente estudantil. Em causa estão apoios de 1700 euros anuais, um valor que também foi reforçado em 200 euros neste ano lectivo. Os estudantes dos cursos técnicos superiores profissionais e os que ingressam no ensino superior ao abrigo do concurso especial para maiores de 23 anos têm uma majoração de 255 euros por ano.
Tiago Diniz sublinha que, desde que foi lançado, o programa “teve sempre mais candidatos do que bolsas disponíveis”, ainda que a proporção nunca tenha sido tão elevada como este ano. Por isso, considera que o que está em causa é “a própria forma como o Mais Superior está desenhado”. O presidente da FNAESP nota que os estudantes que agora se candidatam a um destes apoios só vão recebê-lo perto do final do primeiro semestre lectivo. Ou seja, a iniciativa “não está a funcionar como um incentivo à mobilidade para o interior, como era pretendido”, antes como um “prémio” a quem procura uma instituição de ensino numa destas regiões.
Bolsas divididas pelas seis regiões
As 2230 bolsas disponíveis são previamente divididas pelas seis regiões onde há instituições de ensino superior cujos alunos são elegíveis para o Mais Superior. O rácio entre candidatos e número de apoios disponível é mais elevado no Norte (3,17 candidatos por cada bolsa) e Centro (2,8), que são simultaneamente as regiões com mais apoios – 800 em cada uma. Também os Açores apresentam um número elevado de candidatos (122) para as 35 bolsas disponíveis (rácio de 3,5). A região da Madeira é a que apresenta uma situação mais equilibrada, com 84 candidatos para 35 bolsas. Ou seja, 2,4 estudantes para cada apoio disponível.
O Mais Superior abrange todos os alunos que escolham universidades e politécnicos do interior do país, ou seja, que se deslocam do local onde vivem, seja no litoral ou no interior, para uma das instituições abrangidas pela medida. Isto é, tanto são elegíveis alunos que vivam em Lisboa, por exemplo, e queiram ir para Bragança, como alunos que vivam em Bragança, por exemplo, e queiram ir para a Guarda.
Actualmente, o programa Mais Superior apoia apenas alunos com carências económicas, pelo que acaba por funcionar como um complemento às bolsas de acção social. Este ano, já se candidataram quase 100 mil estudantes às bolsas de estudo, o que é também o número mais elevado de sempre. Este ano, é esperado um aumento do número de alunos apoiados, por via das novas regras fixadas este ano lectivo, o que terá motivado mais estudantes a apresentarem candidatura às bolsas de acção social. Tiago Diniz da FNAESP admite que haja algum “contágio” entre os dois processos de candidaturas, que têm o mesmo público-alvo. Por outro lado, a quebra de rendimentos das famílias, devido à pandemia, “já está a ser sentida no ensino superior”, o que também está a levar mais alunos a tentarem aceder aos apoios do Estado.
Actualização 9h32: Corrige o título e os números apresentados. A primeira versão da notícia baseava-se no somatório entre novas candidaturas e pedidos de renovação. Segundo o Ministério da Ciência e Ensino Superior, as renovações das bolsas Mais Superior “são automáticas” pelo que não devem ser consideradas para a análise que é feita.
18.9.17
Governo lança bolsas de estudo para jovens de etnia cigana
in Sol
Governo vai lançar este ano 30 bolsas de estudo para jovens de etnia cigana que entrem no ensino superior. São mais cinco do que em 2016
O governo vai apoiar este ano letivo mais cinco bolsas para estudantes do ensino superior de etnia cigana, 30 no total. São mais cinco do que em 2016, ano em que o governo reforçou o apoio a um projeto promovido por associações ligadas à comunidade cigana.
Olga Mariano, de 67 anos, foi uma das mentoras da iniciativa. Todos lhe chamam tia Olga. Era vendedora ambulante até ter ficado viúva. Em 1998, fez uma ação de formação sobre mediadores socioculturais com mulheres africanas e ciganas e decidiu criar a Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas. Nunca estudou na universidade, mas essa foi uma das bandeiras da AMUCIP. Pelo caminho, conheceu Bruno Gonçalves, da Associação de Ciganos de Coimbra, e começaram a estruturar uma forma de ajudar outros jovens e adultos a ter mais oportunidades na área da formação.
O programa Opré Chalavé – “erguei-vos jovens”, em romani – surgiria em 2015, numa parceria da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres com a Associação Letras Nómadas e cofinanciado pelo programas Cidadania Ativa da Gulbenkian, o Escolhas do Alto Comissariado para as Migrações e a Fundação Montepio.
Na altura, começaram com um grupo piloto de 15 jovens, que apoiaram na ida para o ensino superior, suportando as propinas de oito estudantes. Queriam mostrar que estudar era uma questão de empenho e esforço, mas também de suporte financeiro para não serem forçados a abandonar os cursos.
No ano passado, o programa mudou de nome e passou a ter mais apoio estatal. Já com o nome OPRE – Programa Operacional de Promoção de Educação – o Estado passou a assegurar 25 bolsas. E foi a procura que levou a que este ano abrissem mais cinco vagas, para responder a 30 candidaturas.
O anúncio do aumento das bolsas foi feito ontem pelo ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita, numa cerimónia que teve lugar no ISCTE. Cabrita lembrou o seu percurso como “filho de operários”, parabenizou os estudantes pela sua determinação e apelou um maior número de candidaturas nos próximos anos, defendendo ser necessário motivar mais os homens e mulheres desta comunidade “a ter orgulho em aceder ao ensino superior”.
“Queríamos que os nossos meninos e meninas tivessem acesso ao Ensino Superior. Percebemos que tínhamos de construir a casa pelo teto, que eram precisos exemplos do mais alto nível de formação para que inspirassem os mais novos”, explica Olga Mariano.
Maria Teresa Vieira e Priscila Sá são duas das estudantes que levaram mais longe os desejos da mentora. “Entrar para a faculdade era algo que eu nem punha em questão porque não é normal na minha comunidade”, diz Maria Teresa, de 27 anos, do Montijo. “Aos 25 anos, a tia Olga convenceu-me a concorrer através do programa Maiores de 23. Os meus pais sempre me apoiaram e estou muito feliz por estudar Sociologia no ISCTE.”
Bruno Gonçalves resume o objetivo do programa: capacitar. “A sociedade é exigente e é preciso provar aos nossos jovens que é necessário atingir alguns patamares de formação para que sofram menos e possam combater a pobreza, que está tão enraizada na nossa comunidade”, sublinha, lamentando que o preconceito ainda leve alguns jovens a não aproveita resta oportunidade para não serem mais tarde discriminados na procura de emprego ou casa. Uma “clandestinidade étnica” a que muitos jovens ainda se sentem obrigados por causa do estigma.
Governo vai lançar este ano 30 bolsas de estudo para jovens de etnia cigana que entrem no ensino superior. São mais cinco do que em 2016
O governo vai apoiar este ano letivo mais cinco bolsas para estudantes do ensino superior de etnia cigana, 30 no total. São mais cinco do que em 2016, ano em que o governo reforçou o apoio a um projeto promovido por associações ligadas à comunidade cigana.
Olga Mariano, de 67 anos, foi uma das mentoras da iniciativa. Todos lhe chamam tia Olga. Era vendedora ambulante até ter ficado viúva. Em 1998, fez uma ação de formação sobre mediadores socioculturais com mulheres africanas e ciganas e decidiu criar a Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas. Nunca estudou na universidade, mas essa foi uma das bandeiras da AMUCIP. Pelo caminho, conheceu Bruno Gonçalves, da Associação de Ciganos de Coimbra, e começaram a estruturar uma forma de ajudar outros jovens e adultos a ter mais oportunidades na área da formação.
O programa Opré Chalavé – “erguei-vos jovens”, em romani – surgiria em 2015, numa parceria da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres com a Associação Letras Nómadas e cofinanciado pelo programas Cidadania Ativa da Gulbenkian, o Escolhas do Alto Comissariado para as Migrações e a Fundação Montepio.
Na altura, começaram com um grupo piloto de 15 jovens, que apoiaram na ida para o ensino superior, suportando as propinas de oito estudantes. Queriam mostrar que estudar era uma questão de empenho e esforço, mas também de suporte financeiro para não serem forçados a abandonar os cursos.
No ano passado, o programa mudou de nome e passou a ter mais apoio estatal. Já com o nome OPRE – Programa Operacional de Promoção de Educação – o Estado passou a assegurar 25 bolsas. E foi a procura que levou a que este ano abrissem mais cinco vagas, para responder a 30 candidaturas.
O anúncio do aumento das bolsas foi feito ontem pelo ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita, numa cerimónia que teve lugar no ISCTE. Cabrita lembrou o seu percurso como “filho de operários”, parabenizou os estudantes pela sua determinação e apelou um maior número de candidaturas nos próximos anos, defendendo ser necessário motivar mais os homens e mulheres desta comunidade “a ter orgulho em aceder ao ensino superior”.
“Queríamos que os nossos meninos e meninas tivessem acesso ao Ensino Superior. Percebemos que tínhamos de construir a casa pelo teto, que eram precisos exemplos do mais alto nível de formação para que inspirassem os mais novos”, explica Olga Mariano.
Maria Teresa Vieira e Priscila Sá são duas das estudantes que levaram mais longe os desejos da mentora. “Entrar para a faculdade era algo que eu nem punha em questão porque não é normal na minha comunidade”, diz Maria Teresa, de 27 anos, do Montijo. “Aos 25 anos, a tia Olga convenceu-me a concorrer através do programa Maiores de 23. Os meus pais sempre me apoiaram e estou muito feliz por estudar Sociologia no ISCTE.”
Bruno Gonçalves resume o objetivo do programa: capacitar. “A sociedade é exigente e é preciso provar aos nossos jovens que é necessário atingir alguns patamares de formação para que sofram menos e possam combater a pobreza, que está tão enraizada na nossa comunidade”, sublinha, lamentando que o preconceito ainda leve alguns jovens a não aproveita resta oportunidade para não serem mais tarde discriminados na procura de emprego ou casa. Uma “clandestinidade étnica” a que muitos jovens ainda se sentem obrigados por causa do estigma.
11.4.16
Governo atribui 25 bolsas a ciganos para estudarem no Ensino Superior
in RR
Financiamento do projecto será feito com verbas comunitárias. Valor da bolsa ainda está em estudo, mas nunca será inferior a 1.500 euros por ano.
Francisco Azul, cigano no segundo ano da licenciatura de Serviço Social, ao abrigo do programa "Opré Chavalé". Foto: André Kosters/Lusa
O Governo vai atribuir 25 bolsas de estudo a jovens estudantes da comunidade cigana, para o ano lectivo 2016/2017, através do Alto Comissariado para as Migrações. O anúncio foi feito pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, no âmbito do Dia Internacional do Cigano que se assinala esta sexta-feira.
A secreária de Estado Catarina Marcelino explicou que o Governo decidiu assinalar a data com a apresentação de um programa que contempla 25 bolsas de estudo para jovens ciganos estudarem no ensino superior.
Segundo a secretária de Estado, o programa nasce tendo por inspiração o projecto `Opré Chavalé` (Erguei-vos, jovens ciganos, na língua romani), da associação Letras Nómadas e financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do fundo EEA Grants, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu.
O projecto `Opré Chavalé` tem como objectivo ajudar jovens ciganos a entrar na universidade, tendo conseguido inscrever oito estudantes em universidades de norte a sul do país, entre cinco rapazes e três raparigas, no ano lectivo 2015/2016.
Catarina Marcelino frisou que o projecto teve não só a componente de atribuição de uma bolsa de estudo, como também fez o acompanhamento dos jovens, "com grande envolvimento de apoio às famílias".
"E o projecto correu tão bem que nós decidimos lançar um programa para o próximo ano lectivo 2016/2017, que iniciará em Setembro, com 25 bolsas para 25 jovens no modelo do `Opré Chavalé`", adiantou a secretária de Estado, admitindo que este é um caso em que um programa experimental é "absorvido" pelas políticas públicas.
As bolsas serão atribuídas pelo ACM e, apesar de ainda estar a ser avaliado o valor, a secretária de Estado referiu que nunca será inferior a 1.500 euros por ano, por estudante, sendo este o valor da propina e mais um apoio para a integração.
Acompanhar e integrar
Os 25 jovens bolseiros ainda não estão seleccionados, mas tanto o ACM como a associação "Letras Nómadas" têm já referenciados alguns jovens que querem ingressar no ensino superior.
O programa inclui também não só as bolsas como o acompanhamento dos alunos, já que, segundo Catarina Marcelino, regista-se muitas vezes uma taxa de abandono escolar muito elevada.
"O acompanhamento das pessoas é muito importante e o que nós queremos fazer é um projecto um bocadinho na semelhança do que aconteceu com o `Opré Chavalé`, que ao fim de um ano não teve desistências e está a correr muito bem", referiu, apontando que se trata de uma medida integrada na Estratégia Nacional para Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).
Paralelamente, anunciou Catarina Marcelino, o Governo vai criar um outro projecto de mediadores socioculturais, ligados às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco que estão em territórios onde há comunidades ciganas.
O objectivo, segundo a secretária de Estado, é que estas pessoas trabalhem com as escolas e as famílias, acompanhando a integração das crianças, de forma a prevenir o abandono escolar na comunidade cigana, principalmente das raparigas.
Catarina Marcelino adiantou que o financiamento deste projecto será feito com verbas comunitárias, a partir do Programa 2020, não havendo ainda data para candidatura, nem quantos mediadores poderão ser precisos.
Financiamento do projecto será feito com verbas comunitárias. Valor da bolsa ainda está em estudo, mas nunca será inferior a 1.500 euros por ano.
Francisco Azul, cigano no segundo ano da licenciatura de Serviço Social, ao abrigo do programa "Opré Chavalé". Foto: André Kosters/Lusa
O Governo vai atribuir 25 bolsas de estudo a jovens estudantes da comunidade cigana, para o ano lectivo 2016/2017, através do Alto Comissariado para as Migrações. O anúncio foi feito pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, no âmbito do Dia Internacional do Cigano que se assinala esta sexta-feira.
A secreária de Estado Catarina Marcelino explicou que o Governo decidiu assinalar a data com a apresentação de um programa que contempla 25 bolsas de estudo para jovens ciganos estudarem no ensino superior.
Segundo a secretária de Estado, o programa nasce tendo por inspiração o projecto `Opré Chavalé` (Erguei-vos, jovens ciganos, na língua romani), da associação Letras Nómadas e financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do fundo EEA Grants, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu.
O projecto `Opré Chavalé` tem como objectivo ajudar jovens ciganos a entrar na universidade, tendo conseguido inscrever oito estudantes em universidades de norte a sul do país, entre cinco rapazes e três raparigas, no ano lectivo 2015/2016.
Catarina Marcelino frisou que o projecto teve não só a componente de atribuição de uma bolsa de estudo, como também fez o acompanhamento dos jovens, "com grande envolvimento de apoio às famílias".
"E o projecto correu tão bem que nós decidimos lançar um programa para o próximo ano lectivo 2016/2017, que iniciará em Setembro, com 25 bolsas para 25 jovens no modelo do `Opré Chavalé`", adiantou a secretária de Estado, admitindo que este é um caso em que um programa experimental é "absorvido" pelas políticas públicas.
As bolsas serão atribuídas pelo ACM e, apesar de ainda estar a ser avaliado o valor, a secretária de Estado referiu que nunca será inferior a 1.500 euros por ano, por estudante, sendo este o valor da propina e mais um apoio para a integração.
Acompanhar e integrar
Os 25 jovens bolseiros ainda não estão seleccionados, mas tanto o ACM como a associação "Letras Nómadas" têm já referenciados alguns jovens que querem ingressar no ensino superior.
O programa inclui também não só as bolsas como o acompanhamento dos alunos, já que, segundo Catarina Marcelino, regista-se muitas vezes uma taxa de abandono escolar muito elevada.
"O acompanhamento das pessoas é muito importante e o que nós queremos fazer é um projecto um bocadinho na semelhança do que aconteceu com o `Opré Chavalé`, que ao fim de um ano não teve desistências e está a correr muito bem", referiu, apontando que se trata de uma medida integrada na Estratégia Nacional para Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).
Paralelamente, anunciou Catarina Marcelino, o Governo vai criar um outro projecto de mediadores socioculturais, ligados às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco que estão em territórios onde há comunidades ciganas.
O objectivo, segundo a secretária de Estado, é que estas pessoas trabalhem com as escolas e as famílias, acompanhando a integração das crianças, de forma a prevenir o abandono escolar na comunidade cigana, principalmente das raparigas.
Catarina Marcelino adiantou que o financiamento deste projecto será feito com verbas comunitárias, a partir do Programa 2020, não havendo ainda data para candidatura, nem quantos mediadores poderão ser precisos.
28.10.15
Um incentivo ao primeiro emprego
Melissa Lopes, in iOnline
Unir alunos, empresas e instituições de ensino superior foi um dos objectivos traçados pelo banco para lançar o programa de bolsas MANUEL V
O Banco Santander Totta criou um programa de 1500 bolsas de estágio com o objectivo de facilitar a entrada de jovens no mercado de trabalho.
Terminar um curso é um passo importante, mas a etapa seguinte – entrar no mercado de trabalho – é crucial no percurso de qualquer recém-licenciado. Arranjar um emprego, porém, não acontece de um dia para o outro e está longe de ser um caminho fácil. Para facilitar o primeiro contacto com este novo mundo, o Banco Santander Totta tem desde o ano passado um programa de estágios para licenciados ou mestres que se vai prolongar até 2017 e tem como finalidade unir alunos, empresas e instituições de ensino superior.
Sem limite de idade e sem exigir que se seja cliente do banco para se candidatar, os subsídios têm duração de três meses e consistem numa mensalidade de 550 euros, quantia financiada pelo banco, que no total investiu 2,5 milhões de euros. Para usufruir deste programa há apenas um requisito: ser finalista ou recém-licenciado em qualquer área. A inscrição é feita no portal bolsasdeestagiosantander.pt, onde estão disponíveis as vagas das empresas que já colaboram com o banco.
O próprio aluno pode propor a uma empresa que entre no programa. Aliás, é essa a proactividade que se pretende fomentar junto da população estudantil. Feita a inscrição na plataforma, segue-se o processo normal de selecção, como acontece também nas empresas. São as empregadoras que escolhem os candidatos através de entrevistas e avaliação dos currículos dos candidatos à vaga disponível. De acordo com o banco, uma grande parte dos bolseiros acaba por ficar na empresa depois de terminar o estágio, cerca de 40%.
Foi o que aconteceu com Inês Borosa, licenciada em Economia pela Faculdade de Economia do Porto. Quebrada a “incógnita” inicial, a bolsa do Santander permitiu que enriquecesse pessoal e profissionalmente: “Aprendi bastante sobre a minha área, que com a teoria de um curso superior não se aprende”, conta. E o melhor viria depois. Passados os três meses de estágio, ficou a trabalhar na empresa (SMIC): “Foi muito importante para iniciar a vida profissional.”
PREPARAÇÃO Causar boa impressão na entrevista e ter um currículo feito à medida da empresa que escolhemos requer alguma dedicação e saber como fazer. Esta também é uma preocupação do Santander. Para ajudar quem está prestes a deixar a faculdade, o banco criou o U2Work, um projecto que pretende disponibilizar as “ferramentas certas” para a inserção no mercado de trabalho. Através de conferências realizadas nas universidades, o U2Work quer motivar os estudantes para as questões mais determinantes para quem quer arranjar um primeiro emprego.
Funcionando como um curso intensivo de preparação, o U2Work estende-se ao longo de dois dias. Durante esse tempo, faz-se uma análise às diversas alternativas para cada curso e tira-se uma radiografia às empresas do país. A procura de emprego, a melhor forma de começar uma carreira e o processo de recrutamento são outros temas em evidência. Os estudantes participam ainda em workshops, onde cada aluno tem um acompanhamento mais personalizado e onde são abordadas todas as fases de um processo de selecção, incluindo a elaboração de currículos e cartas de apresentação, dinâmicas de grupo e simulação de entrevistas de emprego.
Unir alunos, empresas e instituições de ensino superior foi um dos objectivos traçados pelo banco para lançar o programa de bolsas MANUEL V
O Banco Santander Totta criou um programa de 1500 bolsas de estágio com o objectivo de facilitar a entrada de jovens no mercado de trabalho.
Terminar um curso é um passo importante, mas a etapa seguinte – entrar no mercado de trabalho – é crucial no percurso de qualquer recém-licenciado. Arranjar um emprego, porém, não acontece de um dia para o outro e está longe de ser um caminho fácil. Para facilitar o primeiro contacto com este novo mundo, o Banco Santander Totta tem desde o ano passado um programa de estágios para licenciados ou mestres que se vai prolongar até 2017 e tem como finalidade unir alunos, empresas e instituições de ensino superior.
Sem limite de idade e sem exigir que se seja cliente do banco para se candidatar, os subsídios têm duração de três meses e consistem numa mensalidade de 550 euros, quantia financiada pelo banco, que no total investiu 2,5 milhões de euros. Para usufruir deste programa há apenas um requisito: ser finalista ou recém-licenciado em qualquer área. A inscrição é feita no portal bolsasdeestagiosantander.pt, onde estão disponíveis as vagas das empresas que já colaboram com o banco.
O próprio aluno pode propor a uma empresa que entre no programa. Aliás, é essa a proactividade que se pretende fomentar junto da população estudantil. Feita a inscrição na plataforma, segue-se o processo normal de selecção, como acontece também nas empresas. São as empregadoras que escolhem os candidatos através de entrevistas e avaliação dos currículos dos candidatos à vaga disponível. De acordo com o banco, uma grande parte dos bolseiros acaba por ficar na empresa depois de terminar o estágio, cerca de 40%.
Foi o que aconteceu com Inês Borosa, licenciada em Economia pela Faculdade de Economia do Porto. Quebrada a “incógnita” inicial, a bolsa do Santander permitiu que enriquecesse pessoal e profissionalmente: “Aprendi bastante sobre a minha área, que com a teoria de um curso superior não se aprende”, conta. E o melhor viria depois. Passados os três meses de estágio, ficou a trabalhar na empresa (SMIC): “Foi muito importante para iniciar a vida profissional.”
PREPARAÇÃO Causar boa impressão na entrevista e ter um currículo feito à medida da empresa que escolhemos requer alguma dedicação e saber como fazer. Esta também é uma preocupação do Santander. Para ajudar quem está prestes a deixar a faculdade, o banco criou o U2Work, um projecto que pretende disponibilizar as “ferramentas certas” para a inserção no mercado de trabalho. Através de conferências realizadas nas universidades, o U2Work quer motivar os estudantes para as questões mais determinantes para quem quer arranjar um primeiro emprego.
Funcionando como um curso intensivo de preparação, o U2Work estende-se ao longo de dois dias. Durante esse tempo, faz-se uma análise às diversas alternativas para cada curso e tira-se uma radiografia às empresas do país. A procura de emprego, a melhor forma de começar uma carreira e o processo de recrutamento são outros temas em evidência. Os estudantes participam ainda em workshops, onde cada aluno tem um acompanhamento mais personalizado e onde são abordadas todas as fases de um processo de selecção, incluindo a elaboração de currículos e cartas de apresentação, dinâmicas de grupo e simulação de entrevistas de emprego.
4.8.15
Há cada vez mais universitários a estudar de graça por serem muito bons
Texto de Samuel Silva, in Público on-line (P3)
Instituições de ensino superior estão a usar prémios em dinheiro para atrair alunos para cursos com pouca procura. Recompensar os resultados e reforçar relações com empresas são outros motivos para o crescimento do número de bolsas de mérito
Quando Eduardo Dias acabou a licenciatura em Física não tinha gasto nem um euro. A média acima dos 19 valores no final de cada um dos três anos do curso valeu-lhe a atribuição de uma das bolsas de excelência da Universidade do Minho, que pagam aos alunos distinguidos o valor da propina anual. “Nunca trabalhei a pensar no prémio, mas funciona como uma motivação extra”, reconhece o jovem de Braga. Como ele, há cada vez mais alunos do ensino superior a estudarem de graça.
Em Maio, Eduardo foi um dos 164 estudantes da Universidade do Minho a receber este tipo de prémio, lançado em 2012 apenas para os alunos do primeiro ano e alargado progressivamente: este ano, já chegou a todos os estudantes de licenciatura e vai ser estendido aos mestrados.
Agora que é mestrando de Física Fundamental, Eduardo Dias pode ser bolseiro outra vez. Em tempo de dificuldades financeiras para as famílias, os 1037 euros recebidos – o equivalente ao valor da propina anual de licenciatura – servem para que o jovem de 21 anos possa “aliviar um bocadinho” o esforço dos pais. “Tenho outro irmão na universidade e uma irmã mais nova. Um apoio destes é sempre uma boa ajuda”, conta o estudante.
Prémios de mérito como este têm-se tornado uma prática na generalidade das instituições de ensino públicas, com uma ou outra variação. No Politécnico do Porto, por exemplo, há uma bolsa especial para trabalhadores-estudantes com bons resultados e bolsas para novos alunos que entrem na instituição com média superior a 17 valores. Numa altura em que decorre o concurso nacional de acesso ao ensino superior, a existência deste tipo de apoios pode ser mais um factor a pesar nas escolhas dos alunos.
As próprias instituições têm feito uma aposta cada vez mais forte nas bolsas para bons alunos, reforçando a sua divulgação durante a fase de candidaturas ao ensino superior. Há uma tendência crescente para universidades e institutos politécnicos utilizarem estes prémios em dinheiro como forma de atrair estudantes, sobretudo para cursos com menor procura.
Há um ano, a Universidade do Minho anunciou que os 15 melhores estudantes que fossem colocados no curso de Engenharia Civil – um dos mais afectados pela crise de candidatos ao ensino superior dos últimos anos – receberiam uma bolsa equivalente ao valor das propinas durante a totalidade dos cinco anos de formação, um apoio financiado por empresas do sector. A partir do próximo ano, também a Sociedade Portuguesa de Química passa a atribuir bolsas no valor da propina aos cinco melhores alunos do 1º ano das licenciaturas em Química nas universidades de Aveiro, Coimbra, Minho, Porto, Lisboa e Nova.
Em Aveiro, são também privados que irão pagar as propinas do primeiro ano do curso aos seis estudantes com as melhores médias de ingresso do Mestrado Integrado de Engenharia Física. Uma iniciativa que “pretende ajudar a reduzir as necessidades de engenheiros físicos, numa área de formação que é actualmente a quarta com maior taxa de empregabilidade do ensino superior nacional”, anuncia a universidade.
Um exemplo paradigmático dos esforços das universidades para atraírem alunos para cursos com pouca procura é o que está a ser feito pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, nos cursos de Ciências do Ambiente e Engenharia Florestal. Os cinco melhores colocados no concurso nacional de acesso terão isenção de propinas. A única condição é que os estudantes sejam sócios ou familiares de sócios da Liga Portuguesa de Bombeiros, do Corpo Nacional de Escutas ou de uma das instituições do Consórcio de Associações Florestais e Ambientais, que são parceiras desta iniciativa.
“A floresta é um sector com um peso muito elevado em termos económicos para o país, particularmente por via das exportações, mas não temos tido alunos no curso”, justifica o vice-reitor para o Ensino, João Coutinho. Nos últimos anos, o número de candidatos a Engenharia Florestal a nível nacional nunca tem ultrapassado os 7. “Isto é uma maneira de tentar atrair” alguns alunos, assume o mesmo responsável, para quem, se não houve estratégias como esta, o país corre o risco de, “a curto prazo”, deixar de ter técnicos qualificados na área.
Além dos prémios de mérito e da captação de alunos para cursos com menor procura, o terceiro motivo que tem explicado o crescimento das bolsas para bons alunos é o reforço das parcerias entre ensino superior e empresas.
Instituições de ensino superior estão a usar prémios em dinheiro para atrair alunos para cursos com pouca procura. Recompensar os resultados e reforçar relações com empresas são outros motivos para o crescimento do número de bolsas de mérito
Quando Eduardo Dias acabou a licenciatura em Física não tinha gasto nem um euro. A média acima dos 19 valores no final de cada um dos três anos do curso valeu-lhe a atribuição de uma das bolsas de excelência da Universidade do Minho, que pagam aos alunos distinguidos o valor da propina anual. “Nunca trabalhei a pensar no prémio, mas funciona como uma motivação extra”, reconhece o jovem de Braga. Como ele, há cada vez mais alunos do ensino superior a estudarem de graça.
Em Maio, Eduardo foi um dos 164 estudantes da Universidade do Minho a receber este tipo de prémio, lançado em 2012 apenas para os alunos do primeiro ano e alargado progressivamente: este ano, já chegou a todos os estudantes de licenciatura e vai ser estendido aos mestrados.
Agora que é mestrando de Física Fundamental, Eduardo Dias pode ser bolseiro outra vez. Em tempo de dificuldades financeiras para as famílias, os 1037 euros recebidos – o equivalente ao valor da propina anual de licenciatura – servem para que o jovem de 21 anos possa “aliviar um bocadinho” o esforço dos pais. “Tenho outro irmão na universidade e uma irmã mais nova. Um apoio destes é sempre uma boa ajuda”, conta o estudante.
Prémios de mérito como este têm-se tornado uma prática na generalidade das instituições de ensino públicas, com uma ou outra variação. No Politécnico do Porto, por exemplo, há uma bolsa especial para trabalhadores-estudantes com bons resultados e bolsas para novos alunos que entrem na instituição com média superior a 17 valores. Numa altura em que decorre o concurso nacional de acesso ao ensino superior, a existência deste tipo de apoios pode ser mais um factor a pesar nas escolhas dos alunos.
As próprias instituições têm feito uma aposta cada vez mais forte nas bolsas para bons alunos, reforçando a sua divulgação durante a fase de candidaturas ao ensino superior. Há uma tendência crescente para universidades e institutos politécnicos utilizarem estes prémios em dinheiro como forma de atrair estudantes, sobretudo para cursos com menor procura.
Há um ano, a Universidade do Minho anunciou que os 15 melhores estudantes que fossem colocados no curso de Engenharia Civil – um dos mais afectados pela crise de candidatos ao ensino superior dos últimos anos – receberiam uma bolsa equivalente ao valor das propinas durante a totalidade dos cinco anos de formação, um apoio financiado por empresas do sector. A partir do próximo ano, também a Sociedade Portuguesa de Química passa a atribuir bolsas no valor da propina aos cinco melhores alunos do 1º ano das licenciaturas em Química nas universidades de Aveiro, Coimbra, Minho, Porto, Lisboa e Nova.
Em Aveiro, são também privados que irão pagar as propinas do primeiro ano do curso aos seis estudantes com as melhores médias de ingresso do Mestrado Integrado de Engenharia Física. Uma iniciativa que “pretende ajudar a reduzir as necessidades de engenheiros físicos, numa área de formação que é actualmente a quarta com maior taxa de empregabilidade do ensino superior nacional”, anuncia a universidade.
Um exemplo paradigmático dos esforços das universidades para atraírem alunos para cursos com pouca procura é o que está a ser feito pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, nos cursos de Ciências do Ambiente e Engenharia Florestal. Os cinco melhores colocados no concurso nacional de acesso terão isenção de propinas. A única condição é que os estudantes sejam sócios ou familiares de sócios da Liga Portuguesa de Bombeiros, do Corpo Nacional de Escutas ou de uma das instituições do Consórcio de Associações Florestais e Ambientais, que são parceiras desta iniciativa.
“A floresta é um sector com um peso muito elevado em termos económicos para o país, particularmente por via das exportações, mas não temos tido alunos no curso”, justifica o vice-reitor para o Ensino, João Coutinho. Nos últimos anos, o número de candidatos a Engenharia Florestal a nível nacional nunca tem ultrapassado os 7. “Isto é uma maneira de tentar atrair” alguns alunos, assume o mesmo responsável, para quem, se não houve estratégias como esta, o país corre o risco de, “a curto prazo”, deixar de ter técnicos qualificados na área.
Além dos prémios de mérito e da captação de alunos para cursos com menor procura, o terceiro motivo que tem explicado o crescimento das bolsas para bons alunos é o reforço das parcerias entre ensino superior e empresas.
19.6.15
Novo regulamento de bolsas vai pagar propinas a mais 5000 universitários
Samuel Silva, in Público on-line
Governo e associações académicas acordaram mudar as regras das bolsas no ensino superior, fazendo baixar limite a partir do qual alunos podem receber este apoio
O número de estudantes do ensino superior que recebem bolsa de estudo vai aumentar no próximo ano lectivo, fruto de uma alteração às regras deste apoio que foi acordada, esta quinta-feira, pelo Governo e associações académicas. A nova redacção do documento vai baixar o limite a partir do qual os alunos são elegíveis, o que fará com que cerca de 5000 estudantes possam agora receber a bolsa mínima, que lhes permite pagar a propina anual das universidades e institutos politécnicos.
A alteração do limitar de elegibilidade foi a principal mudança no regulamento acertada numa reunião entre o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, e os dirigentes das principais associações académicas. Este valor será aumentado em cerca de 840 euros anuais, o que vai permitir atribuir bolsa de estudo a jovens provenientes de famílias que tenham rendimentos entre os 489 e os 558 euros mensais per capita. No actual regulamento de bolsas, o limite de elegibilidade fixa-se em 14 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), valor que sobe agora para 16 vezes o IAS.
As contas feitas pelas associações académicas indicam que, no ano passado, cerca de 3000 estudantes foram excluídos da possibilidade de receberem bolsas de estudo porque os rendimentos das suas famílias se situavam entre estes dois patamares e passam agora a ser elegíveis. A estes, devem ainda somar-se cerca de 2000 estudantes que, por saberem que não tinham condições para receber o apoio, não chegaram sequer a candidatar-se. Para estes estudantes a bolsa de estudo será a mínima, que cobre apenas o valor das propinas.
As alterações feitas ao regulamento de bolsas visam “alargar o sistema de ação social escolar directa a mais estudantes carenciados e aprofundar a equidade e a justiça social na atribuição das bolsas”, defende o MEC, em comunicado. As associações académicas também dizem sair “satisfeitas” da negociação. “Partimos para esse processo com a consciência de que estávamos limitados pela aproximação do final da legislatura, mas conseguimos concretizar as alterações que neste momento eram exequíveis”, valoriza o presidente da Associação Académica da Universidade do Minho.
A mudança do limiar de elegibilidade era uma das 22 alterações propostas ao Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo para Estudantes do Ensino Superior, no início de Maio, por uma comissão criada pelo governo e constituída por representantes do Conselho de Reitores, Conselho Coordenador dos Politécnicos, a Associação do Ensino Superior Privado, bem como as associações académicas e de estudantes do ensino superior. O secretário de Estado do Ensino Superior deu seguimento e quase todas as recomendações saídas desse trabalho.
Assim, no novo regulamento de bolsas do ensino superior, que será publicado durante o Verão, a tempo de poder entrar em vigor no próximo ano lectivo, haverá outras alterações como a introdução de um calendário de pagamentos, que preveja o pagamento das bolsas de estudo em dia fixo do mês e a divulgação, no site da Direcção-Geral do Ensino Superior, dos dados referentes às principais causas de indeferimento dos requerimentos de bolsa. Os bolseiros deslocados também vão passar a poder receber o complemento de alojamento em 11 meses (em lugar dos actuais 10) e é introduzida uma clarificação no regulamento, estabelecendo que as bolsas de mérito e as bolsas atribuídas ao abrigo dos programas +Superior e Retomar não são contabilizadas na fórmula de cálculo dos rendimentos do agregado familiar dos estudantes.
Governo e associações académicas acordaram mudar as regras das bolsas no ensino superior, fazendo baixar limite a partir do qual alunos podem receber este apoio
O número de estudantes do ensino superior que recebem bolsa de estudo vai aumentar no próximo ano lectivo, fruto de uma alteração às regras deste apoio que foi acordada, esta quinta-feira, pelo Governo e associações académicas. A nova redacção do documento vai baixar o limite a partir do qual os alunos são elegíveis, o que fará com que cerca de 5000 estudantes possam agora receber a bolsa mínima, que lhes permite pagar a propina anual das universidades e institutos politécnicos.
A alteração do limitar de elegibilidade foi a principal mudança no regulamento acertada numa reunião entre o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, e os dirigentes das principais associações académicas. Este valor será aumentado em cerca de 840 euros anuais, o que vai permitir atribuir bolsa de estudo a jovens provenientes de famílias que tenham rendimentos entre os 489 e os 558 euros mensais per capita. No actual regulamento de bolsas, o limite de elegibilidade fixa-se em 14 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), valor que sobe agora para 16 vezes o IAS.
As contas feitas pelas associações académicas indicam que, no ano passado, cerca de 3000 estudantes foram excluídos da possibilidade de receberem bolsas de estudo porque os rendimentos das suas famílias se situavam entre estes dois patamares e passam agora a ser elegíveis. A estes, devem ainda somar-se cerca de 2000 estudantes que, por saberem que não tinham condições para receber o apoio, não chegaram sequer a candidatar-se. Para estes estudantes a bolsa de estudo será a mínima, que cobre apenas o valor das propinas.
As alterações feitas ao regulamento de bolsas visam “alargar o sistema de ação social escolar directa a mais estudantes carenciados e aprofundar a equidade e a justiça social na atribuição das bolsas”, defende o MEC, em comunicado. As associações académicas também dizem sair “satisfeitas” da negociação. “Partimos para esse processo com a consciência de que estávamos limitados pela aproximação do final da legislatura, mas conseguimos concretizar as alterações que neste momento eram exequíveis”, valoriza o presidente da Associação Académica da Universidade do Minho.
A mudança do limiar de elegibilidade era uma das 22 alterações propostas ao Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo para Estudantes do Ensino Superior, no início de Maio, por uma comissão criada pelo governo e constituída por representantes do Conselho de Reitores, Conselho Coordenador dos Politécnicos, a Associação do Ensino Superior Privado, bem como as associações académicas e de estudantes do ensino superior. O secretário de Estado do Ensino Superior deu seguimento e quase todas as recomendações saídas desse trabalho.
Assim, no novo regulamento de bolsas do ensino superior, que será publicado durante o Verão, a tempo de poder entrar em vigor no próximo ano lectivo, haverá outras alterações como a introdução de um calendário de pagamentos, que preveja o pagamento das bolsas de estudo em dia fixo do mês e a divulgação, no site da Direcção-Geral do Ensino Superior, dos dados referentes às principais causas de indeferimento dos requerimentos de bolsa. Os bolseiros deslocados também vão passar a poder receber o complemento de alojamento em 11 meses (em lugar dos actuais 10) e é introduzida uma clarificação no regulamento, estabelecendo que as bolsas de mérito e as bolsas atribuídas ao abrigo dos programas +Superior e Retomar não são contabilizadas na fórmula de cálculo dos rendimentos do agregado familiar dos estudantes.
7.5.15
Bolsas para mais 5000 estudantes se Governo aprovar regulamento
Samuel Silva, in Público on-line
Proposta da comissão de revisão do mecanismos de apoio aos estudantes do ensino superior propõe aumentar limiar de elegibilidade para o apoio.
As bolsas de estudo no ensino superior podem chegar a mais 5000 alunos a partir do próximo ano, se o Governo aprovar as alterações ao regulamento de acção social que estão a ser propostas pelos estudantes e líderes das instituições de ensino superior. A comissão de revisão do regulamento de acção social, que tinha sido nomeada no final do ano pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), defende o aumento do limiar de elegibilidade para este apoio em cerca de 840 euros anuais, o que vai permitir apoiar jovens provenientes de famílias que tenham rendimentos entre os 489 e os 558 euros mensais per capita.
No actual regulamento de bolsas, o limite de elegibilidade fixa-se em 14 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que corresponde a um rendimento anual de 5869 euros per capita. Na proposta agora feita à tutela é proposto o aumento desse limiar em cerca de 840 euros anuais, fixando-se em 16 vezes o IAS. Ou seja, a possibilidade de bolsa de estudo passaria a estar acessível aos estudantes provenientes de famílias que recebam 558 euros mensais per capita, cerca de 70 euros acima do limite actual (489 euros).
A comissão de revisão do regulamento de bolsas de estudo entende que o limiar “deve ser alargado, como forma de aumentar o universo de candidatos abrangidos”. As contas feitas pelas associações académicas indicam que, no ano passado, cerca de 3000 estudantes foram excluídos da possibilidade de receberem bolsas de estudo por causa de os rendimentos das suas famílias se situarem entre o limite actual de 14 vezes o IAS e o que é agora proposto pela comissão de revisão do regulamento de bolsas de estudo. A estes, devem ainda somar-se cerca de 2000 estudantes que, por saberem que não tinham condições para receber o apoio, não chegaram sequer a candidatar-se. Para estes estudantes, a bolsa de estudo será a mínima, que cobre apenas o valor das propinas, pelo que, a ser aprovada pelo Governo, esta medida terá um custo de cerca de 5 milhões de euros anuais aos cofres do MEC.
A comissão criada pelo Governo para a revisão do Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo para Estudantes do Ensino Superior era constituída por representares do Conselho de Reitores, Conselho Coordenador dos Politécnicos, a Associação do Ensino Superior Privado, bem como as associações académicas e de estudantes do ensino superior. O documento com as propostas de alteração foi entregue, esta quarta-feira, ao secretário de Estado do Ensino Superior, e terá agora que ser validado pela tutela. Outra das mudanças que é proposta prende-se com a definição de um dia fixo do mês para o pagamento das bolsas, garantindo alguma previsibilidade dos rendimentos para os alunos, evitando atrasos como os que aconteceram este ano.
Ao todo, são propostas 22 alterações ao regulamento consideradas “transversais e consensuais”, de acordo com um comunicado divulgado pelo próprio MEC. Entre essas medidas estão a supressão das majorações que são introduzidas no cálculo do valor da bolsa de estudos dos candidatos integrados em agregados familiares com menos de três pessoas e o aumento de 10 para 11 meses do complemento de alojamento aos bolseiros deslocados.
Proposta da comissão de revisão do mecanismos de apoio aos estudantes do ensino superior propõe aumentar limiar de elegibilidade para o apoio.
As bolsas de estudo no ensino superior podem chegar a mais 5000 alunos a partir do próximo ano, se o Governo aprovar as alterações ao regulamento de acção social que estão a ser propostas pelos estudantes e líderes das instituições de ensino superior. A comissão de revisão do regulamento de acção social, que tinha sido nomeada no final do ano pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), defende o aumento do limiar de elegibilidade para este apoio em cerca de 840 euros anuais, o que vai permitir apoiar jovens provenientes de famílias que tenham rendimentos entre os 489 e os 558 euros mensais per capita.
No actual regulamento de bolsas, o limite de elegibilidade fixa-se em 14 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que corresponde a um rendimento anual de 5869 euros per capita. Na proposta agora feita à tutela é proposto o aumento desse limiar em cerca de 840 euros anuais, fixando-se em 16 vezes o IAS. Ou seja, a possibilidade de bolsa de estudo passaria a estar acessível aos estudantes provenientes de famílias que recebam 558 euros mensais per capita, cerca de 70 euros acima do limite actual (489 euros).
A comissão de revisão do regulamento de bolsas de estudo entende que o limiar “deve ser alargado, como forma de aumentar o universo de candidatos abrangidos”. As contas feitas pelas associações académicas indicam que, no ano passado, cerca de 3000 estudantes foram excluídos da possibilidade de receberem bolsas de estudo por causa de os rendimentos das suas famílias se situarem entre o limite actual de 14 vezes o IAS e o que é agora proposto pela comissão de revisão do regulamento de bolsas de estudo. A estes, devem ainda somar-se cerca de 2000 estudantes que, por saberem que não tinham condições para receber o apoio, não chegaram sequer a candidatar-se. Para estes estudantes, a bolsa de estudo será a mínima, que cobre apenas o valor das propinas, pelo que, a ser aprovada pelo Governo, esta medida terá um custo de cerca de 5 milhões de euros anuais aos cofres do MEC.
A comissão criada pelo Governo para a revisão do Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo para Estudantes do Ensino Superior era constituída por representares do Conselho de Reitores, Conselho Coordenador dos Politécnicos, a Associação do Ensino Superior Privado, bem como as associações académicas e de estudantes do ensino superior. O documento com as propostas de alteração foi entregue, esta quarta-feira, ao secretário de Estado do Ensino Superior, e terá agora que ser validado pela tutela. Outra das mudanças que é proposta prende-se com a definição de um dia fixo do mês para o pagamento das bolsas, garantindo alguma previsibilidade dos rendimentos para os alunos, evitando atrasos como os que aconteceram este ano.
Ao todo, são propostas 22 alterações ao regulamento consideradas “transversais e consensuais”, de acordo com um comunicado divulgado pelo próprio MEC. Entre essas medidas estão a supressão das majorações que são introduzidas no cálculo do valor da bolsa de estudos dos candidatos integrados em agregados familiares com menos de três pessoas e o aumento de 10 para 11 meses do complemento de alojamento aos bolseiros deslocados.
21.7.14
Governo português anuncia bolsas de 1.200 euros para jovens desempregados que voltem a estudar
in Portal Digital
O governo português anunciou a criação de 3.000 bolsas, no valor de 1.200 euros anuais, para jovens desempregados, com menos de 30 anos, que queiram voltar a estudar no próximo ano letivo.
Lisboa - O governo português anunciou a criação de 3.000 bolsas, no valor de 1.200 euros anuais, para jovens desempregados, com menos de 30 anos, que queiram voltar a estudar no próximo ano letivo.
Estarem em comprovada situação de desemprego, teram menos de 30 anos e conseguir completar a licenciatura até essa idade são algumas das exigências do governo do primeiro-ministro Passos Coelho. E, é claro, terão de comprovar aproveitamento escolar.
As bolsas, no valor de 100 euros mensais (cerca de 300 reais), suportam, na prática, o custo das mensalidades (propinas) cobradas pelas instituições públicas de ensino. O governo, por seu turno, pagará às instituições de ensino 300 euros por cada aluno que admitam.
Milhares de jovens portugueses abandonaram as universidades nos últimos anos por falta de condições económicas para prosseguirem os estudos.
O governo português anunciou a criação de 3.000 bolsas, no valor de 1.200 euros anuais, para jovens desempregados, com menos de 30 anos, que queiram voltar a estudar no próximo ano letivo.
Lisboa - O governo português anunciou a criação de 3.000 bolsas, no valor de 1.200 euros anuais, para jovens desempregados, com menos de 30 anos, que queiram voltar a estudar no próximo ano letivo.
Estarem em comprovada situação de desemprego, teram menos de 30 anos e conseguir completar a licenciatura até essa idade são algumas das exigências do governo do primeiro-ministro Passos Coelho. E, é claro, terão de comprovar aproveitamento escolar.
As bolsas, no valor de 100 euros mensais (cerca de 300 reais), suportam, na prática, o custo das mensalidades (propinas) cobradas pelas instituições públicas de ensino. O governo, por seu turno, pagará às instituições de ensino 300 euros por cada aluno que admitam.
Milhares de jovens portugueses abandonaram as universidades nos últimos anos por falta de condições económicas para prosseguirem os estudos.
23.4.12
Cerca de 20 mil estudantes com pedido de bolsa de estudo recusado
Madalena Queirós, in Económico
Dos 49 mil pedidos apresentados, cerca de 20 mil foram indeferidos. Novas regras diminuem número de alunos bolseiros.
Quatro em cada dez pedidos de bolsa de estudo apresentado pelos alunos das universidades públicas foram indeferidos, este ano lectivo. Cerca de 20 mil dos perto de 49 mil pedidos de bolsas de estudo apresentados foram recusados, de acordo com os indicadores a que o Diário Económico teve acesso.
O facto dos alunos terem apresentado processos incompletos é a justificação que aparece, em primeiro lugar, na lista das razões de indeferimento. Logo seguida de "excesso de capitação". O que significa que cerca de 6.398 alunos ultrapassaram os cerca de 6.898 euros de rendimento anual familiar definido como tecto máximo para atribuição da bolsa de estudo.
Mas há cerca de 19% dos pedidos que foram indeferidos por outras razões. Neste grupo de quatro mil pedidos de bolsa recusados estarão englobados os estudantes que têm elementos do agregado familiar com uma situação de incumprimento relativamente ao Fisco ou à Segurança Social. Segue-se a falta de aproveitamento escolar como a razão evocada para cerca de 2.600 pedidos recusados.
O facto de não estarem inscritos afastou cerca de 538 alunos (3%). Cerca de 314 estudantes com um património superior a 240 Indexantes ao Apoio Social (IAS) também foram excluídos.
Percentagem de bolseiros cai 30% na Universidade de Lisboa
Se fizermos uma radiografia do que se passa apenas numa universidade e se tomarmos como exemplo a Universidade de Lisboa, podemos ver que a percentagem de alunos abrangidos pelo regime de Acção Social Escolar tem vindo a descer nos últimos anos.
Entre 2007 a 2012, a percentagem de estudantes abrangidos caiu cerca de 30%.
Uma realidade que acontece "numa altura em que há um agravamento da situação social das famílias e que não pode ter como explicação o facto de todos os alunos enriquecerem de repente", afirma Luísa Cerdeira, pró-reitora da Universidade de Lisboa ( (UL). Na realidade enquanto o discurso político anuncia um aumento da cobertura das bolsas de estudo, verifica-se que o novo regulamento de bolsas "abrange um cada vez menor número de estudantes", acrescenta.
Um estudo realizado sobre os custos de frequência do ensino superior, que Luísa Cerdeira deverá apresentar em breve, revela que, em média, um estudante do ensino superior gasta cerca de seis mil euros, por ano, por frequentar a universidade. Deste total, cerca de 16,5% dizem respeito a custos com educação e 83,5% com alojamento, alimentação, transportes e outras despesas.
Outra das conclusões a que Luísa Cerdeira chegou é que o valor médio da bolsa "é insuficiente" para custear todas estas despesas. Para o provar estão os estudos sobre o universo dos alunos que se candidatam a empréstimos com garantia mútua do Estado, que revelam que "um terço dos estudantes que pediram empréstimo são bolseiros". No seu entender, a única explicação para este fenómeno é o facto da bolsa recebida, em média "apenas assegurar o pagamento da propina e mais nenhum custo associado", conclui.
O PCP requereu a presença do ministro da Educação no Parlamento para eplicar o abandono escolar no Ensino Superior, que os comunistas estimam que esteja a ocorrer, por dificuldades económicas, a um ritmo de 100 estudantes por dia.
Bolseiros só recebem se não tiverem dívidas
As dívidas às Finanças ou à Segurança Social por parte dos estudantes, ou de algum membro do seu agregado familiar, são motivo de exclusão no acesso à bolsa de estudo. Esta era uma regra do novo regulamento de bolsas desenhado pela tutela de Nuno Crato e que os estudantes dizem ser "a principal causa de exclusão" deste apoio social, principalmente nas Universidades do Porto, Aveiro e Coimbra, sublinha o presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Lisboa, João Marecos. Uma regra com a qual os dirigentes estudantis dizem não concordar, apesar de defenderem um maior rigor nas regras de acesso às bolsas de estudo. Isto porque, entendem os estudantes, que "não é justo que um filho seja prejudicado pelas dívidas do agregado familiar", defende Luís Rebelo. No entanto, o Governo deu a possibilidade aos estudantes de poderem vir a reabrir a sua candidatura caso as verbas em falta de pagamento ao Estado sejam regularizadas.
Dos 49 mil pedidos apresentados, cerca de 20 mil foram indeferidos. Novas regras diminuem número de alunos bolseiros.
Quatro em cada dez pedidos de bolsa de estudo apresentado pelos alunos das universidades públicas foram indeferidos, este ano lectivo. Cerca de 20 mil dos perto de 49 mil pedidos de bolsas de estudo apresentados foram recusados, de acordo com os indicadores a que o Diário Económico teve acesso.
O facto dos alunos terem apresentado processos incompletos é a justificação que aparece, em primeiro lugar, na lista das razões de indeferimento. Logo seguida de "excesso de capitação". O que significa que cerca de 6.398 alunos ultrapassaram os cerca de 6.898 euros de rendimento anual familiar definido como tecto máximo para atribuição da bolsa de estudo.
Mas há cerca de 19% dos pedidos que foram indeferidos por outras razões. Neste grupo de quatro mil pedidos de bolsa recusados estarão englobados os estudantes que têm elementos do agregado familiar com uma situação de incumprimento relativamente ao Fisco ou à Segurança Social. Segue-se a falta de aproveitamento escolar como a razão evocada para cerca de 2.600 pedidos recusados.
O facto de não estarem inscritos afastou cerca de 538 alunos (3%). Cerca de 314 estudantes com um património superior a 240 Indexantes ao Apoio Social (IAS) também foram excluídos.
Percentagem de bolseiros cai 30% na Universidade de Lisboa
Se fizermos uma radiografia do que se passa apenas numa universidade e se tomarmos como exemplo a Universidade de Lisboa, podemos ver que a percentagem de alunos abrangidos pelo regime de Acção Social Escolar tem vindo a descer nos últimos anos.
Entre 2007 a 2012, a percentagem de estudantes abrangidos caiu cerca de 30%.
Uma realidade que acontece "numa altura em que há um agravamento da situação social das famílias e que não pode ter como explicação o facto de todos os alunos enriquecerem de repente", afirma Luísa Cerdeira, pró-reitora da Universidade de Lisboa ( (UL). Na realidade enquanto o discurso político anuncia um aumento da cobertura das bolsas de estudo, verifica-se que o novo regulamento de bolsas "abrange um cada vez menor número de estudantes", acrescenta.
Um estudo realizado sobre os custos de frequência do ensino superior, que Luísa Cerdeira deverá apresentar em breve, revela que, em média, um estudante do ensino superior gasta cerca de seis mil euros, por ano, por frequentar a universidade. Deste total, cerca de 16,5% dizem respeito a custos com educação e 83,5% com alojamento, alimentação, transportes e outras despesas.
Outra das conclusões a que Luísa Cerdeira chegou é que o valor médio da bolsa "é insuficiente" para custear todas estas despesas. Para o provar estão os estudos sobre o universo dos alunos que se candidatam a empréstimos com garantia mútua do Estado, que revelam que "um terço dos estudantes que pediram empréstimo são bolseiros". No seu entender, a única explicação para este fenómeno é o facto da bolsa recebida, em média "apenas assegurar o pagamento da propina e mais nenhum custo associado", conclui.
O PCP requereu a presença do ministro da Educação no Parlamento para eplicar o abandono escolar no Ensino Superior, que os comunistas estimam que esteja a ocorrer, por dificuldades económicas, a um ritmo de 100 estudantes por dia.
Bolseiros só recebem se não tiverem dívidas
As dívidas às Finanças ou à Segurança Social por parte dos estudantes, ou de algum membro do seu agregado familiar, são motivo de exclusão no acesso à bolsa de estudo. Esta era uma regra do novo regulamento de bolsas desenhado pela tutela de Nuno Crato e que os estudantes dizem ser "a principal causa de exclusão" deste apoio social, principalmente nas Universidades do Porto, Aveiro e Coimbra, sublinha o presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Lisboa, João Marecos. Uma regra com a qual os dirigentes estudantis dizem não concordar, apesar de defenderem um maior rigor nas regras de acesso às bolsas de estudo. Isto porque, entendem os estudantes, que "não é justo que um filho seja prejudicado pelas dívidas do agregado familiar", defende Luís Rebelo. No entanto, o Governo deu a possibilidade aos estudantes de poderem vir a reabrir a sua candidatura caso as verbas em falta de pagamento ao Estado sejam regularizadas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

