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11.8.21

Emprego regressou aos níveis pré-pandemia

Sérgio Aníbal, in Público on-line

Ao contrário da actividade económica, que continua abaixo dos níveis pré-crise, o número de empregos já recuperou e está a um nível superior ao de há dois anos. A taxa de desemprego continua ligeiramente acima, em 6,7%.

Pela primeira vez desde o início da crise, o número de pessoas empregadas em Portugal registou, no segundo trimestre deste ano, um valor superior ao verificado antes da chegada da pandemia, um resultado que confirma que este indicador apresenta, na actual conjuntura, uma evolução mais favorável do que a da economia.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira, registou-se, no segundo trimestre de 2020, um aumento de 128,9 mil empregos em Portugal face ao primeiro trimestre do ano e de mais de 200 mil empregos face ao trimestre homólogo do ano anterior. É um acréscimo de 2,8% em cadeia e de 4,5% face ao período homólogo, num trimestre em que a economia cresceu 4,9% em cadeia e 15,5% em termos homólogos.

No entanto, esta variação em cadeia menos positiva do emprego neste trimestre não impede que, quando se olha para a evolução dos indicadores desde o início da pandemia, seja evidente a forma mais positiva como o emprego resistiu à crise. Os números publicados pelo INE mostram que, face ao primeiro trimestre de 2020, o último sem o efeito da pandemia, passou agora a registar-se uma subida no nível do emprego, com mais 66 mil pessoas empregadas. E que, face ao segundo trimestre de 2019 (para evitar os efeitos da sazonalidade), o número de empregos é 0,8% maior (mais 36 mil empregos).

É a primeira vez que, nos dados trimestrais do emprego, se regista um regresso aos níveis pré-pandemia, algo que não acontece com o valor do PIB, que no segundo trimestre deste ano ainda estava 4,7% abaixo do registado antes da crise.

O ritmo de crescimento mais lento que agora se regista é explicado pelo facto de, no início da crise, quando a actividade económica se contraiu severamente, o nível do emprego ter caído de forma muito mais moderada. Isso aconteceu, em larga medida, devido às medidas de apoio colocadas em prática, nomeadamente o layoff simplificado, que evitou uma onda de despedimentos em massa na face inicial da crise.

Quando se olha para a taxa de desemprego, contudo, ainda não se verifica um regresso completo aos níveis anteriores à crise. Este indicador tem sido, durante a pandemia, afectado pelo facto de as medidas de confinamento limitarem a possibilidade de as pessoas procurarem activamente um emprego, o que as faz com que fiquem classificadas como inactivas, em vez de desempregadas. Isso conduziu, por exemplo, a que no auge da crise, no segundo trimestre de 2020, a taxa de desemprego até tivesse descido. Agora, à medida que esse efeito desaparece, a taxa de desemprego apresenta uma evolução menos favorável que a do emprego.

No segundo trimestre deste ano, revela o INE, a taxa de desemprego diminuiu de 7,1% para 6,7%. Ainda assim, é um valor superior aos 5,7% do período homólogo (fortemente afectado por questões metodológicas) e que fica também ligeiramente acima dos 6,3% que se verificavam no segundo trimestre de 2019.

Já a taxa de subutilização do trabalho, que inclui os inactivos disponíveis para trabalhar, foi de 12,3%, menos 1,8 pontos percentuais que no trimestre anterior e menos dois pontos que no trimestre homólogo do ano anterior. Neste caso, o valor é também já inferior ao registado antes da crise, já que no segundo trimestre de 2019, a taxa de subutilização do trabalho estava nos 12,7%.

Onde é possível ainda observar um sinal de persistência dos efeitos da crise no mercado de trabalho é entre os mais jovens. Há dois anos, no segundo trimestre de 2019, havia em Portugal 191,5 mil jovens que não estavam nem empregados, nem em educação ou formação. Agora, apesar da diminuição dos últimos trimestres, esse valor ainda é mais alto, situando-se em 210,5 mil no segundo trimestre de 2021.

25.11.20

Mulheres, de famílias pouco qualificadas e com notas baixas — eis os jovens inactivos

Samuel Silva, in Público on-line

Percentagem daqueles que não estudam nem trabalham após terminarem o ensino secundário recuou ligeiramente nos últimos dois anos. Raparigas com maior dificuldade em encontrar emprego.

São maioritariamente raparigas, vindas de famílias onde as qualificações não vão além do ensino básico e tiveram notas medianas durante o seu percurso escolar. É este em traço grosso o perfil dos jovens que não estudam nem trabalham, segundo um relatório da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) publicado esta semana. Foram cerca de 6000 os que concluíram o ensino secundário no ano lectivo de 2018/2019 e que estão agora nesta situação.

De acordo com o estudo que faz o retrato dos finalistas de 2018/19, mais de dois terços (70%) dos que estão inactivos concluíram um curso profissional ao nível do ensino secundário (precisamente o tipo de ensino mais vocacionado para a inserção no mercado de trabalho). O relatório assinala também uma “maior concentração”, neste grupo, de pessoas que concluíram a escolaridade obrigatória através de cursos vocacionais (23%).

Em sentido contrário, a percentagem mais elevada de jovens que prosseguem estudos, nomeadamente para o ensino superior, são provenientes de cursos científico-humanísticos (83%).

De acordo com a DGEEC, terminaram o 12.º ano em 2018/2019 um total de 97.150 alunos. Aqueles que não estudam nem trabalham constituem 6% desta população. São cerca de 6000.

A grande maioria destes jovens teve percursos escolares medianos. Mais de 60% obtiveram uma média de conclusão do ensino secundário entre os 10 e os 14 valores. “O menor sucesso escolar é um facto de maior desapego da continuidade do percurso académico”, sublinha a socióloga Ana Paula Marques, investigadora da Universidade do Minho, que tem estudo os percursos dos jovens.

O estudo Jovens no Pós-Secundário, é publicado regularmente pela DGEEC. A última edição, que saiu esta semana, tem por base um inquérito aplicado no ano lectivo passado a estudantes que tinham terminado o ensino secundário nos 14 meses anteriores. Este trabalho apresenta contudo uma metodologia diferente que permite traçar um retrato dos jovens que não estudam nem trabalham.

Portugal com mais “nem-nem"

A maioria deles provém de famílias com baixas qualificações. As habilitações dos pais de dois terços destes jovens não vão além do ensino básico. Há também uma maior proporção (53%) de mulheres no grupo dos que estão inactivos um ano após a conclusão do ensino secundário. Pelo contrário, há mais rapazes (54%) entre aqueles que estão exclusivamente a trabalhar depois de terminarem o 12.º ano.

“Os homens estão mais ligados ao mercado de trabalho”, analisa Ana Paula Marques, enquanto “as práticas de discriminação são sobretudo visíveis nas mulheres”, a quem são conferidas menos oportunidades de emprego e também menor qualidade nas propostas, quer em termos de duração dos contratos, quer de tipo de vínculo.

Aqueles que “não estudam, nem trabalham”, tal como são considerados neste estudo da DGEEC, não cabem por completo na categoria “nem-nem” que os estudos científicos e relatórios internacionais como os da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) consideram, alerta a socióloga da Universidade do Minho. Isto porque, de acordo com o relatório agora publicado, estes jovens mostraram “algumas diligências” para encontrar emprego. Não estão conformados com a sua situação.

Mais estudam e trabalham ao mesmo tempo

Pouco mais de um ano após a conclusão do ensino secundário, 62% dos jovens continuam a estudar, de acordo com o relatório Jovens no Pós-Secundário em 2019, publicado pela DGEEC. Dentro deste grupo, quase todos (98%) frequentam o ensino superior. A opção mais habitual é uma licenciatura numa instituição universitária (65%).

O número de jovens que prossegue estudos após o ensino secundário sofre um ligeiro recuo em relação ao relatório de há dois anos (menos 1,2 pontos percentuais). Em contrapartida, cresce (1 ponto percentual) a percentagem dos que, 14 meses após o final do 12.º ano, estão exclusivamente a trabalhar (23%).

Com a economia e o mercado de trabalho em crescimento nos últimos anos, os jovens tiveram maior facilidade de encontrar um trabalho, o que desviou alguns do prosseguimento de estudos – uma realidade que já tinha sido sublinhada pelos responsáveis das instituições de ensino superior nos últimos concursos nacionais de acessos. De acordo com o relatório da DGEEC, também aumento (1,2 pontos percentuais) os jovens que estudam e trabalham em simultâneo. São agora 8%.

Por exemplo, 77% dizem já ter pedido ajuda a um familiar ou amigo para arranjar trabalho, enquanto 75% relatam ter apresentado candidaturas espontâneas e outros 46% responderam a anúncios. “Não são jovens desligados, que desistiram”, sublinha Ana Paula Marques.

Essa diferença na forma de contabilizar os jovens inactivos explica a diferença entre os dados da DGEEC e os indicadores internacionais. No estudo agora publicado, aqueles que, pouco mais de um ano após o final do ensino secundário, não estudam nem trabalham, representam 6%, tendo recuado em relação ao relatório anterior, publicado há dois anos (menos 0,4 pontos percentuais). Uma variação ligeira, em linha com o que acontece com as outras vias seguidos por estes jovens (ver caixa).

Já na edição do ano passado do relatório Education at a Glance, da OCDE, Portugal estava entre os países onde havia mais jovens “nem-nem”, partilhando o problema com Itália, Espanha e Grécia. Cerca de 3% dos jovens dos 18 aos 24 anos estão desempregados há mais de um ano e não estão a estudar, o que é o dobro da média da OCDE.

Segundo o estudo da DGEEC, a esmagadora maioria (74%) dos jovens que não estudam nem trabalham procuram um emprego “para obter independência financeira”. Mais de metade deste grupo (53%) está ou esteve inscrito num centro de emprego.

18.7.18

Emprego dos jovens que acabaram agora o curso volta aos níveis pré-troika

Luís Reis Ribeiro, in DN

Em Portugal, em 2017, quase 81% conseguiram arranjar trabalho. Na Alemanha, nível de concretização está em 91%.

O nível de emprego dos jovens que, em Portugal, acabaram recentemente cursos de grau mais elevado - secundário do 10.º ao 12.º ano, pós-secundário e ensino superior - regressou aos níveis pré-troika, mas continua a ser um dos mais baixos da Europa, indicam dados do Eurostat obtidos pelo DN/Dinheiro Vivo. Segundo os números oficiais, em 2017, 80,7% desses indivíduos (com idades dos 20 aos 34 anos e que acabaram o respetivo curso há três anos, no máximo) conseguiram arranjar emprego. Trata-se de uma proporção que está ao nível de 2010 (80,6%), último ano antes da bancarrota e do início do programa de ajustamento da troika.
Esta taxa de empregabilidade dos jovens com cursos mais avançados (licenciaturas e não só), que no fundo acaba por ser um indicador que também ajuda a medir o retorno do investimento em qualificações, está a subir desde 2012, ano em que atingiu o valor mais baixo da série do gabinete de estatísticas da União Europeia. Nessa altura, a taxa de emprego deste grupo de pessoas atingiu um mínimo de 67,5%.

dinheiro vivo
Há quase 500 vagas de emprego no Algarve. E para entrada imediata
A recuperação nos níveis de empregabilidade assente em qualificações mais altas não é um exclusivo de Portugal. Isso aconteceu em todos os países europeus.
Em termos comparativos, Portugal, embora esteja ligeiramente acima da média da União Europeia, continua a ter das empregabilidades mais baixas ao nível dos tais jovens mais qualificados que acabaram o curso há três anos ou menos.
A média da UE está nos 80,2%. Portugal está em 18.º lugar no grupo dos 28 da União. Em termos de empregabilidade, está atrás de concorrentes diretos do Leste Europeu, como Eslovénia, Estónia ou Eslováquia.
Os países com maiores taxas de sucesso na obtenção de emprego são Malta (94,5%), Alemanha (90,9%) e Holanda (90,4%). No fundo da tabela estão Croácia (65,9%), Itália (55,2%) e Grécia (52%).

mercado laboral
57% do emprego está nas empresas de baixa tecnologia
"Nível de escolaridade assume um papel crucial"
Fonte da Comissão Europeia congratula-se com o facto de "em 2017, mais de 80% dos graduados recentes na União Europeia estarem empregados" e de este ser "o quarto ano consecutivo de aumento" na taxa de emprego deste grupo de pessoas. "Reverteu-se a descida observada entre 2008 e 2013."
A mesma fonte explica que "os graduados recentes são pessoas com idades dos 20 aos 34 anos, que não estão a receber educação ou formação, e que completaram os seus estudos há três anos no máximo". "O nível de escolaridade considerado é, pelo menos, o secundário superior [10.º a 12.º anos], o que também inclui o ensino superior".

"Quando estes graduados recentes estão à procura de trabalho, o seu nível de escolaridade assume um papel crucial", observam os peritos da Comissão. Isto é, a nível europeu, "as taxas de emprego para quem concluiu graus do ensino superior foi de 85% em 2017, ao passo que a mesma taxa para quem concluiu graus de ensino vocacional (secundário e pós-secundário) foi de 77%".
Já a empregabilidade de quem apenas cumpriu o ensino secundário e pós-secundário-geral (sem vertente vocacional, logo não especializado) "foi consideravelmente mais baixa", cerca de 64% ao nível da UE.
A Portugal acontece o mesmo. Quanto mais elevado o nível de escolarização, mais alta a taxa de emprego destes jovens com 20 a 34 anos que terminaram o curso há três anos, no máximo.

ensino superior
"Crescemos a ouvir: vamos para a faculdade para ter emprego melhor"
Como já referido, 80,7% arranjaram emprego quando se considera o grupo onde estão as pessoas com ensino superior. Quando se expurga os licenciados, mas se considera o ensino secundário e pós-secundário com vertentes vocacionais, a taxa reduz-se ligeiramente, para 78,9%, ainda assim elevada.
Já no grupo dos jovens com curso secundário ou pós-secundário simples, genérico, a taxa de emprego baixa para 73,2% em 2017, indicam as bases de dados do Eurostat.

19.9.17

Estágios a 2750 euros prometem impulsionar emprego jovem

in Dinheiro Vivo

A VidaEdu garante que a maioria dos programas inclui alojamento, alimentação e remuneração.

Estagiar na Suíça a ganhar 2790 euros por mês? É possível e é uma das propostas que a VidaEdu vai apresentar a jovens estudantes, entre os 18 e os 35 anos, nos próximos dias 22 e 23. A empresa portuguesa especializada em facilitar experiências educativas no estrangeiro volta esta semana a promover uma série de workshops sobre estágios, voluntariado, au pair e cursos no estrangeiro.

Entre os novos programas propostos pela VidaEdu estão estágios na área de Agricultura e Animais na Suíça e na Dinamarca. “O novo programa na Suíça tem uma remuneração que pode atingir os 2790 Euros por mês e o país é fantástico, é uma oportunidade única para jovens que estão a estudar na área de Agricultura & Animais ou concluíram os estudos numa Escola Profissional ou Universidade ganharem experiência profissional na prática”, afirma Paulo Martins, diretor da VidaEdu, em comunicado. Outro dos novos programas da empresa é destinado a estudantes de Hotelaria & Turismo na China. A VidaEdu garante que a maioria dos programas inclui alojamento, alimentação e remuneração. Os workshops decorrem na próxima sexta-feira no Hotel Vila Galé, no Porto, e no dia seguinte no Hotel VIP Executive Zurique, em Lisboa. A participação é gratuita mas é necessário fazer marcação.

29.1.14

Governo anuncia investimento de 1.300 milhões para apoiar emprego jovem

in iOnline

O Governo decidiu prolongar os apoios aos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego até ao final de 2014

O Governo anunciou hoje um investimento aproximado de 1.300 milhões de euros para apoiar a formação e a criação de emprego jovem no âmbito do programa “Garantia Jovem”, divulgou hoje o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

“Em 2014 e 2015 o objetivo da “Garantia Jovem” é desenvolver cerca de 378 mil respostas de educação, formação, inserção e emprego para os jovens portugueses (que não trabalham, não estudam nem seguem qualquer formação), o que envolverá um investimento de aproximadamente 1.300 milhões de euros”, refere o Ministério de Pedro Mota Soares.

As iniciativas mais relevantes, segundo o executivo, apostam em áreas “de educação e formação de jovens, de incentivo ao regresso ao sistema educativo, ao programa de estágios emprego em empresas e economia social, ao programa de estágios na administração central e local, à colocação e medidas de apoio à contratação nas vertentes de apoio a custos salariais e não salariais, a medidas de apoio ao empreendedorismo e criação do próprio emprego e medidas de apoio à mobilidade jovem”.

As novas medidas deverão ser concretizadas e desenvolvidas no primeiro trimestre de 2014, indica o documento, lembrando que estão já em execução “um conjunto de outras medidas” desde o dia 02 de janeiro.

De acordo com uma portaria publicada em Diário da República, a 27 de dezembro último, o Governo decidiu prolongar os apoios aos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego até ao final de 2014.

São destinatários da medida os jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, as pessoas com idade superior a 30 anos com remunerações na Segurança Social nos 12 meses anteriores à entrada da candidatura, pessoas com deficiência e incapacidade, pessoas que integrem família monoparental e pessoas cujos cônjuges ou pessoas com quem vivam em união de facto se encontrem igualmente inscritos como desempregados no IEFP.

A portaria estabelece igualmente que até 31 de dezembro de 2014 são ainda destinatários da medida os jovens entre os 31 e os 35 anos, inclusive, inscritos como desempregados no IEFP.

São exigidas qualificações mínimas, variáveis consoante a faixa etária e a condição do candidato e todos têm de estar inscritos nos Centros de Emprego.

O Governo apresentou em junho a reformulação do programa "Impulso Jovem" – agora denominado “Garantia Jovem” -, com o objetivo de o simplificar e alargar a mais jovens portugueses.

No Conselho Europeu de junho, os líderes europeus acordaram antecipar para 2014 e 2015 a disponibilização da verba de seis mil milhões de euros destinada à “Garantia Jovem”, inicialmente prevista para o período 2014-2020.