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No «Goucha», Priscila Sá nasceu numa família cigana e sonhava desde criança em ser advogada e conseguiu. Priscila faz parte de uma nova geração de ciganos que rompe com o padrão de que cigano é aquele que vende na feira e nos mercados. Neste momento, Priscila já é mãe de família. Está a estagiar e a preparar-se para fazer o exame à Ordem dos Advogados.
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12.6.23
12.9.22
Proprietários retiram do mercado 80% dos quartos que eram para estudantes
Samuel Silva, in Público on-line
Há menos oito mil lugares para alunos do superior no sector privado. Oferta virou-se para o turismo e para os nómadas digitais. A que existe, está mais cara 10%. O plano do Governo continua a marcar passo.
“Este ano vai ser ainda mais difícil para um estudante encontrar casa”. A certeza do presidente da Federação Académica de Lisboa, João Machado, sintetiza um cenário difícil que os estudantes do ensino superior vão enfrentar nas próximas semanas, quando começarem as aulas do novo ano lectivo. Há muito menos quartos disponíveis – a queda na oferta chega aos 80% – e a preços estão 10% mais elevados face ao ano passado. Nas residências públicas, os investimentos ficaram parados à espera do dinheiro da “bazuca” europeia.Interactivo: veja aqui se entrou na universidade e quantas vagas restam
Todos os textos sobre o acesso ao ensino superior
No mercado privado, havia, em Setembro do ano passado, 9884 anúncios de quartos disponíveis para estudantes em todo o país. Este ano, são 1973, segundo o último relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, que é publicado pela Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES).
A diminuição do número de quartos é transversal a todo o país. Há cidades com populações universitárias importantes onde praticamente não há oferta neste arranque do ano lectivo: Aveiro tem 32 quartos, Setúbal, 34, e Braga, 64. No entanto, a quebra mais acentuada é a que se verifica na cidade de Lisboa onde, no início do ano passado, havia 3706 anúncios de arrendamento para alunos do superior e, neste momento, são apenas 764.
Segundo Guilherme Farinha, da Alfredo Real Estate Analytics, start-up portuguesa que é responsável desde há dois anos pelo Observatório do Alojamento Estudantil, “há efectivamente uma redução dos quartos disponíveis” no mercado. A empresa não alterou a sua metodologia de recolha e tratamento de dados, que continuam a ter como origem mais de duas dezenas de plataformas como portais imobiliários e sites de agências do sector.
Os dados mostram que não só há menos quartos para arrendar a estudantes neste ano lectivo como os preços a que estes estão no mercado são mais elevados do que no ano passado. O preço médio de um quarto passou de 268 para 294 euros mensais – uma subida de 10%. A comparação é feita, mais uma vez, entre o relatório de Setembro do ano passado e o de Setembro deste ano do Observatório do Alojamento Estudantil.
Os preços sobem em todo o país, mas de forma particularmente expressiva nas cidades do Porto – onde o custo médio de um quarto aumentou de 250 para 324 euros mensais no espaço de um ano –, Lisboa (mais 55 euros por mês, fixando-se agora em 381 euros) e Braga (subida de 50 euros, para 250 euros em média).
Estes valores estão bem acima do apoio que o Estado dá aos estudantes carenciados que não conseguem lugar nas residências universitárias, que chega, no máximo, aos 288 euros mensais, para quem estuda nos concelhos de Lisboa, Cascais ou Oeiras. Na generalidade do país, o complementado de alojamento fica-se pelos 221,60 euros mensais.
Turistas e nómadas digitais
Tanto a redução da oferta como o aumento de preços sublinhados pelos dados do Observatório do Alojamento Estudantil não surpreendem as associações de estudantes. “Todos os dias temos tido contactos de famílias que não estão a conseguir encontrar casa ou, quando conseguem, têm preços demasiado altos”, conta a presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ana Gabriela Cabilhas.
Há vários anos que aquela estrutura estudantil agrega e disponibiliza informação sobre oferta de alojamento existente na Área Metropolitana do Porto, mantendo, por isso, contacto próximo com muitos dos proprietários da região. Nas últimas semanas, “são os próprios senhorios que têm dito que os quartos já não estão disponíveis”, acrescenta a presidente da FAP.
Se não estão no mercado estudantil, para onde estão a ir estes quartos? “Provavelmente para o alojamento local”, responde João Machado, da Federação Académica de Lisboa. “Com o regresso em força do turismo, os proprietários fazem mais dinheiro a alugar à noite do que ao mês.”
Esta ideia é confirmada pelos senhorios. Os quartos que antes estavam disponíveis para os alunos do ensino superior “ou vão para os nómadas digitais ou para o alojamento local”, de acordo com a directora da Associação Lisbonense de Proprietários Diana Ralha.
Essa decisão não tem apenas uma motivação financeira – os nómadas digitais pagam rendas superiores e o mercado de alojamento local tem maior flexibilidade contratual, dimensões valorizadas pelos arrendadores –, mas decorre também de algum agastamento dos proprietários face às “constantes alterações legislativas no sector”, prossegue a dirigente. O travão à subida das rendas no próximo ano, anunciado pelo Governo no início desta semana, foi “a última estocada”.
Sem camas novas
Às dificuldades crescentes para encontrar um quarto no mercado privado, juntam-se os problemas já conhecidos de falta de oferta no sector público – onde existem cerca de 15 mil camas, menos de 15% do número de estudantes deslocados que existem, segundo um diagnóstico feito pelo Governo.
A concretização do Plano Nacional de Alojamento Estudantil (PNAES), criado pelo Governo para responder a este problema, arrasta-se desde 2018 devido a várias dificuldades de financiamento. No último ano, foram criados menos de uma centena de novos lugares em residências estudantis públicas, segundo dados recolhidos pelo PÚBLICO junto das instituições de ensino superior.
Os números oficiais sobre quantas camas novas e quantas renovadas foram criadas nas residências estudantis das instituições de ensino públicas ao longo do último ano e quantas camas novas e quantas renovas estão previstas até ao final do ano civil foram pedidos ao longo da última semana ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mas a tutela não os disponibilizou.
Na resposta, o gabinete de Elvira Fortunato admite, porém, que o investimento em alojamento estudantil esteve em stand-by. “As instituições promotoras reservaram os investimentos previstos para beneficiarem desta fonte de financiamento”.
Em causa estão os 375 milhões que o Plano de Recuperação e Resiliência destina ao PNAES, garantindo a criação de 12 mil novas camas para estudantes – apesar de o número total de projectos aprovados suplantar o financiamento existente. Na próxima quinta-feira, os contratos de financiamento desse investimento serão assinados pelas entidades promotoras – que, além das instituições de ensino superior, incluem autarquias e outros organismos públicos – e o Primeiro-Ministro.
Há menos oito mil lugares para alunos do superior no sector privado. Oferta virou-se para o turismo e para os nómadas digitais. A que existe, está mais cara 10%. O plano do Governo continua a marcar passo.
“Este ano vai ser ainda mais difícil para um estudante encontrar casa”. A certeza do presidente da Federação Académica de Lisboa, João Machado, sintetiza um cenário difícil que os estudantes do ensino superior vão enfrentar nas próximas semanas, quando começarem as aulas do novo ano lectivo. Há muito menos quartos disponíveis – a queda na oferta chega aos 80% – e a preços estão 10% mais elevados face ao ano passado. Nas residências públicas, os investimentos ficaram parados à espera do dinheiro da “bazuca” europeia.Interactivo: veja aqui se entrou na universidade e quantas vagas restam
Todos os textos sobre o acesso ao ensino superior
No mercado privado, havia, em Setembro do ano passado, 9884 anúncios de quartos disponíveis para estudantes em todo o país. Este ano, são 1973, segundo o último relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, que é publicado pela Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES).
A diminuição do número de quartos é transversal a todo o país. Há cidades com populações universitárias importantes onde praticamente não há oferta neste arranque do ano lectivo: Aveiro tem 32 quartos, Setúbal, 34, e Braga, 64. No entanto, a quebra mais acentuada é a que se verifica na cidade de Lisboa onde, no início do ano passado, havia 3706 anúncios de arrendamento para alunos do superior e, neste momento, são apenas 764.
Segundo Guilherme Farinha, da Alfredo Real Estate Analytics, start-up portuguesa que é responsável desde há dois anos pelo Observatório do Alojamento Estudantil, “há efectivamente uma redução dos quartos disponíveis” no mercado. A empresa não alterou a sua metodologia de recolha e tratamento de dados, que continuam a ter como origem mais de duas dezenas de plataformas como portais imobiliários e sites de agências do sector.
Os dados mostram que não só há menos quartos para arrendar a estudantes neste ano lectivo como os preços a que estes estão no mercado são mais elevados do que no ano passado. O preço médio de um quarto passou de 268 para 294 euros mensais – uma subida de 10%. A comparação é feita, mais uma vez, entre o relatório de Setembro do ano passado e o de Setembro deste ano do Observatório do Alojamento Estudantil.
Os preços sobem em todo o país, mas de forma particularmente expressiva nas cidades do Porto – onde o custo médio de um quarto aumentou de 250 para 324 euros mensais no espaço de um ano –, Lisboa (mais 55 euros por mês, fixando-se agora em 381 euros) e Braga (subida de 50 euros, para 250 euros em média).
Estes valores estão bem acima do apoio que o Estado dá aos estudantes carenciados que não conseguem lugar nas residências universitárias, que chega, no máximo, aos 288 euros mensais, para quem estuda nos concelhos de Lisboa, Cascais ou Oeiras. Na generalidade do país, o complementado de alojamento fica-se pelos 221,60 euros mensais.
Turistas e nómadas digitais
Tanto a redução da oferta como o aumento de preços sublinhados pelos dados do Observatório do Alojamento Estudantil não surpreendem as associações de estudantes. “Todos os dias temos tido contactos de famílias que não estão a conseguir encontrar casa ou, quando conseguem, têm preços demasiado altos”, conta a presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Ana Gabriela Cabilhas.
Há vários anos que aquela estrutura estudantil agrega e disponibiliza informação sobre oferta de alojamento existente na Área Metropolitana do Porto, mantendo, por isso, contacto próximo com muitos dos proprietários da região. Nas últimas semanas, “são os próprios senhorios que têm dito que os quartos já não estão disponíveis”, acrescenta a presidente da FAP.
Se não estão no mercado estudantil, para onde estão a ir estes quartos? “Provavelmente para o alojamento local”, responde João Machado, da Federação Académica de Lisboa. “Com o regresso em força do turismo, os proprietários fazem mais dinheiro a alugar à noite do que ao mês.”
Esta ideia é confirmada pelos senhorios. Os quartos que antes estavam disponíveis para os alunos do ensino superior “ou vão para os nómadas digitais ou para o alojamento local”, de acordo com a directora da Associação Lisbonense de Proprietários Diana Ralha.
Essa decisão não tem apenas uma motivação financeira – os nómadas digitais pagam rendas superiores e o mercado de alojamento local tem maior flexibilidade contratual, dimensões valorizadas pelos arrendadores –, mas decorre também de algum agastamento dos proprietários face às “constantes alterações legislativas no sector”, prossegue a dirigente. O travão à subida das rendas no próximo ano, anunciado pelo Governo no início desta semana, foi “a última estocada”.
Sem camas novas
Às dificuldades crescentes para encontrar um quarto no mercado privado, juntam-se os problemas já conhecidos de falta de oferta no sector público – onde existem cerca de 15 mil camas, menos de 15% do número de estudantes deslocados que existem, segundo um diagnóstico feito pelo Governo.
A concretização do Plano Nacional de Alojamento Estudantil (PNAES), criado pelo Governo para responder a este problema, arrasta-se desde 2018 devido a várias dificuldades de financiamento. No último ano, foram criados menos de uma centena de novos lugares em residências estudantis públicas, segundo dados recolhidos pelo PÚBLICO junto das instituições de ensino superior.
Os números oficiais sobre quantas camas novas e quantas renovadas foram criadas nas residências estudantis das instituições de ensino públicas ao longo do último ano e quantas camas novas e quantas renovas estão previstas até ao final do ano civil foram pedidos ao longo da última semana ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mas a tutela não os disponibilizou.
Na resposta, o gabinete de Elvira Fortunato admite, porém, que o investimento em alojamento estudantil esteve em stand-by. “As instituições promotoras reservaram os investimentos previstos para beneficiarem desta fonte de financiamento”.
Em causa estão os 375 milhões que o Plano de Recuperação e Resiliência destina ao PNAES, garantindo a criação de 12 mil novas camas para estudantes – apesar de o número total de projectos aprovados suplantar o financiamento existente. Na próxima quinta-feira, os contratos de financiamento desse investimento serão assinados pelas entidades promotoras – que, além das instituições de ensino superior, incluem autarquias e outros organismos públicos – e o Primeiro-Ministro.
3.3.22
Estudantes têm quase 40 milhões de euros de propinas em atraso. Pandemia fez disparar dívidas
Samuel Silva, in Público on-line
Verbas por pagar aumentaram 35% face ao período anterior à covid-19. Estudantes que não têm acesso a bolsas de estudo são os mais afectados, segundo as associações académicas.A pandemia fez disparar o número de estudantes que têm o pagamento das propinas em atraso. Há quase 40 milhões de euros em dívida, de acordo com dados disponibilizados por 17 das 29 instituições de ensino superior. A flexibilização dos prazos de liquidação dos custos de frequência dos cursos também pode ajudar a explicar o fenómeno. Em alguns casos, o valor em débito aumentou entre 50 e 70% nos últimos dois anos.
De acordo com os números disponibilizados ao PÚBLICO pelas universidades e institutos politécnicos, os estudantes ainda não pagaram acima de 38 milhões de euros de propinas. É um aumento de 35% – ou seja, quase dez milhões de euros – para o conjunto das mesmas instituições. A comparação é feita entre o final do ano civil de 2019, antes do início da pandemia de covid-19, e os primeiros meses deste ano.
Em muitos casos, o valor das dívidas dispara, neste período. Com aumentos que são de 40%, no Politécnico do Porto, e quase 30% na Universidade de Coimbra. Uma das instituições de ensino onde as propinas em atraso mais cresceram foi o Politécnico de Bragança. Entre o início de 2020 e os primeiros meses deste ano, o valor em dívida passou de 657 mil euros para 1,1 milhões. Um incremento de quase 70%.
“Entendemos que este crescimento se deve à pandemia”, avalia o presidente da instituição transmontana, Orlando Rodrigues. Até porque, prossegue o mesmo responsável, “nos períodos anteriores o valor de propinas em dívida mantinha-se estável”. Este aumento foi mais acentuado logo no primeiro ano da covid-19, subindo o total em dívida para 889 mil euros.
No Politécnico de Coimbra, o valor da dívida dos estudantes aumentou 55%, fixando-se agora em 1,8 milhões de euros. Esta variação será, “certamente, um efeito da pandemia”, avança a presidência da instituição, em resposta escrita enviada por correio electrónico. “O facto de os estudantes estarem menos presentes por força do ensino à distância também ajudará a um maior descuido no pagamento.”
Estes números são “coerentes” com os resultados de um questionário sobre o efeito da pandemia feito pela Federação Académica de Lisboa junto dos estudantes da capital. “Mais de um quarto viu os rendimentos das suas famílias serem afectados durante esse período”, sublinha o presidente da organização estudantil, João Machado.
Os valores de propinas em dívida podem, também, indicar um aumento do abandono escolar, prossegue o dirigente escolar. Muitos estudantes deixam de frequentar o curso, mas não cancelam a matrícula e, por isso, ficam a acumular dívidas, explica.
Os números mais recentes da Direcção-Geral do Ensino Superior apontam para um ligeiro aumento do abandono – nas licenciaturas, passou de 8,8 para 9,1% e, nos mestrados integrados, subiu de 3,4% para 3,7%. As associações de estudantes acreditam que os números oficiais escondem uma realidade “mais grave”.
O problema das propinas em atraso e do abandono afecta “sobretudo um grupo de estudantes que não usufruem de acção social escolar”, acredita a presidente da Federação Académica do Porto, Ana Gabriela Cavilhas, tendo em conta os resultados de inquéritos feitos aos estudantes da cidade. “São estudantes de classe média e média-baixa cujos rendimentos familiares ficam a muito pouca distância do valor definido para ter acesso aos apoios e que, por isso, não usufruem da bolsa de estudo.”
É provável que este aumento seja um efeito da pandemia, uma vez que nos últimos cinco anos a Universidade do Porto tinha registado uma tendência decrescente no valor de propinas em dívida. O ano de 2021 representou uma inversão desta tendência António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto
O PÚBLICO recolheu estes dados directamente junto das universidades e politécnicos. Responderam à solicitação 17 das 29 instituições de ensino superior públicas. Fora destas contas estão, por exemplo, a Universidade de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa, que não responderam às questões enviadas nas últimas semanas.
Já na Universidade do Porto, o valor em dívida aumentou, no último ano, 5%. “É provável que este aumento seja um efeito da pandemia, uma vez que nos últimos cinco anos a Universidade do Porto tinha registado uma tendência decrescente no valor de propinas em dívida”, afirma o reitor, António Sousa Pereira. O valor dos débitos dos estudantes tinha baixado de dez milhões em 2017 para 8,5 milhões em 2020. “O ano de 2021 representou, assim, uma inversão desta tendência, sendo a pandemia e as dificuldades económicas provocada pela mesma as causas mais plausíveis.”
Na última década, o Tribunal de Contas e a Inspecção-Geral de Finanças chamaram a atenção de universidades e politécnicos em diferentes relatórios de auditoria, apontando a necessidade de serem criados mecanismos mais eficazes de cobrança de propinas junto dos alunos, face às elevadas dívidas existentes.
A partir de 2015, a generalidade das instituições de ensino passou a pedir que a cobrança aos estudantes em incumprimento passasse a ser feita pela Autoridade Tributária, equiparando-a a quaisquer outras dívidas ao Estado. A prática ajudou a reduzir os valores em dívida. Nos últimos dois anos, a maioria das universidades e politécnicos optaram por não emitir certidões de dívida para efeitos de cobrança junto das Finanças.
Esse relaxamento, motivado pelas dificuldades socio-económicas sentidas pelos alunos durante a pandemia, ajuda também a explicar o aumento das dívidas. Isso mesmo é assumido por instituições como a Universidade de Aveiro: “Em matéria de propinas, não houve nenhum tipo de interpelação formal aos devedores de propinas, pelos Serviços de Gestão Académica da Universidade de Aveiro, nos anos académicos de 2019/2020 e 2020/2021.”
Além disso, também por força da pandemia, o Governo flexibilizou, a partir do final do ano lectivo 2019/20, os mecanismos de regularização das propinas em atraso, permitindo aos estudantes diluir os pagamentos por um maior período de tempo. Esta medida também terá contribuído para o aumento do total em dívida, dado que resulta num valor acumulado maior que é contabilizado pelas instituições. Ou seja, apesar de a dívida total ser maior, isso não significa necessariamente que esteja descontrolada, uma vez que aumentou o número de estudantes com planos de pagamento activos.
A covid-19 é apontada por quase todas as instituições como justificação para o valor de propinas em atraso, mas há excepções. O Politécnico de Setúbal, onde o valor da dívida passou de 171 mil euros no ano lectivo 2019/20 para 292 mil euros no final do último ano civil – ou seja, mais de 70% de crescimento –, considera o impacto da pandemia no aumento das situações de dívida “ligeiro”. O Politécnico de Lisboa também diz não ser “identificável qualquer influência da situação pandémica, quanto ao aumento da dívida referente a propinas por pagar”.
Também a Universidade Aberta, a única instituição pública nacional especializada em ensino à distância, “não sofreu um impacto penalizador neste período pandémico”, apesar de um aumento de 18% no número de estudantes. No último balanço, no início de 2020, esta universidade tinha 3,9 milhões de euros de propinas em dívida.
30.11.21
Mesmo depois de diplomados, estudantes mais pobres correm mais risco de desemprego
Clara Viana, in Público on-line
Estudo sobre os estudantes do ensino superior mostra que aqueles que são oriundos de meios mais desfavorecidos continuam a ser segregados no acesso aos cursos que garantem mais emprego e remuneração. E que, por isso, o seu meio de origem acaba por ditar muito do que poderá ser a sua vida.
Tantas voltas e reviravoltas tem dado a educação em Portugal e, no entanto, é o meio de origem dos estudantes que continua a ditar muito do que acontece durante o seu percurso escolar e na vida que vem depois. É o que mostra um novo estudo centrado no ensino superior, que será apresentado nesta segunda-feira pelo Edulog, um think tank sobre educação criado pela Fundação Belmiro de Azevedo.
Milhares de candidatos desistem após falhar a primeira fase do concurso de acesso
É certo que que hoje muitos mais jovens, de meios socioeconómicos diversos, têm acesso à educação. Basta ver o que acontece precisamente no ensino superior: em 1970, o número de estudantes inscritos rondava os 50 mil, enquanto em 2020 estava quase em 400 mil. Só que esta expansão “não tem sido sinónimo de eliminação de desigualdades, que são visíveis no momento do acesso, e se estendem às decisões de permanência e de abandono e continuam presentes no mercado de trabalho”, como se constata no estudo Estudantes nacionais e internacionais no acesso ao ensino superior.
Com base numa amostra de trabalho composta por dados relativos a “777 cursos de licenciatura e mestrado integrado oferecidos por instituições públicas portuguesas”, os autores deste estudo confirmam “que os estudantes provenientes de contextos desfavorecidos estão em desvantagem no acesso ao ensino superior, sendo mais provável que frequentem um instituto politécnico do que uma universidade”.
Esta análise baseia-se na informação relativa às habilitações escolares dos pais e à percentagem de estudantes com bolsas da acção social, pode-se constatar que, em 2017/2018, 40% dos alunos inscritos, pela primeira vez, no 1.º ano das universidades públicas tinham mães com ensino superior e que, do total, 27,7% eram bolseiros. Entre os que entraram em instituições do ensino politécnico, a situação inverte-se com menos alunos cujas mães têm ensino superior (22,8%) e mais na situação de bolseiros (37,3%).
No total dos estudantes que entraram no ensino superior, os que têm bolsas da acção social (14.185) representam cerca de 32%. Uma das principais condições para se ser beneficiário de uma bolsa diz respeito ao rendimento disponível das famílias. Com a revisão efectuada em 2021, têm direito a este apoio os estudantes com agregados familiares com um rendimento per capita inferior a 8.962€, o que representa um valor por mês inferior ao actual salário mínimo nacional.
Mais desemprego
Mas quais as razões para se considerar que os alunos “de contextos desfavorecidos estão em desvantagem no acesso ao ensino superior” por terem mais probabilidades de entrar no ensino politécnico? Concluem os autores do estudo que este primeiro afunilamento vai reflectir-se no que irá acontecer na transição para o mercado de trabalho: “Em média, os diplomados de cursos universitários experimentam menor propensão ao desemprego, não se concretizando a expectativa de que os diplomados de cursos vocacionais teriam uma transição mais fácil para o mercado de trabalho.”
Só que as licenciaturas oferecidas por instituições politécnicas públicas apresentavam, em 2018, “uma propensão ao desemprego de 4,5% contra 3,1% nas licenciaturas oferecidas pelas universidades”. Indo um pouco mais fundo, volta a emergir a mesma “condenação” de partida: “Ao contrário das universidades, os institutos politécnicos recebem estudantes de contextos socioeconómicos mais diversos. A maior propensão ao desemprego dos seus diplomados é um reflexo das desigualdades já existentes no momento do acesso, e não tanto uma falha do ensino politécnico no cumprimento da sua missão vocacional.”
O que leva a esta conclusão: “Os estudantes de contextos desfavorecidos enfrentam maior risco de desemprego, sugerindo que o ensino superior pode nem sempre cumprir o seu papel de promotor da mobilidade social.”
Voltando ao momento do acesso ao superior soma-se o peso que as notas obtidas no ensino secundário e nos exames nacionais têm nas escolhas dos cursos e instituições. Ora estas classificações estão “fortemente correlacionadas” com o contexto família, levando a que sejam geralmente os alunos de meios favorecidos a conseguirem as “melhores notas de candidatura” e poderem assim “candidatar-se aos cursos mais selectivos”, que são também os que oferecem mais possibilidade de emprego, de carreira e remunerações mais elevadas.
Aumentar
Veja-se por exemplos o que se passa com os cursos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM), entendidos como a área de ponta dos dias de hoje. A percentagem de estudantes com apoios sociais nestes cursos ronda os 26% contra 34% em outros cursos. E de novo existem repercussões no futuro: “Na comparação dos retornos no mercado de trabalho dos diplomados nas áreas CTEM com os retornos das restantes áreas, as primeiras estão em vantagem.”
Abandono é maior entre os mais carenciados
Pelo caminho, existem outros riscos. Como o de não se chegar sequer a concluir o ensino superior. E lá vamos ao mesmo: “Quanto menos favorecido é o contexto socioeconómico dos estudantes, maior é a taxa de abandono.”
Olhando para as taxas de abandono nos politécnicos e nas universidades constata-se que esta é sempre superior nos primeiros. No ensino politécnico oscilou entre 9,4% e 8,8% entre 2016/2017 e 2019/2020, enquanto no universitário variou entre 7,5% e 8,1%.
Para as “elevadas taxas de abandono” registadas em Portugal contribuem não só o contexto familiar de cada estudante, mas também “as condições socioeconómicas do país”. Em média, a contribuição das famílias portuguesa tem representado 32% do custo total do ensino superior, enquanto na União Europeia se situa nos 14%, devido em grande parte ao peso do financiamento público nesta despesa, sob a forma de bolsas ou de outros apoios.
O Edulog propõe, entre outras medidas, que se proceda “à alteração das condições de atribuição de bolsas de acção social de modo a alargar o número de estudantes elegíveis”, o que constituirá “uma medida apropriada para reduzir o abandono e aumentar a permanência no ensino superior”.
Ora, em Portugal, as bolsas são “atribuídas apenas a estudantes cujo rendimento familiar per capita é próximo do salário mínimo, o que coloca numa situação de não elegibilidade para bolsa muitos estudantes de baixos rendimentos”.
Bolsas só para poucos dos que precisam
Os dados existentes dão conta de que “a percentagem de bolseiros [num curso ou instituição] não tem um efeito significativo sobre o abandono”. Falta o resto, que é muito. “Atendendo a que os estudantes com bolsa poderão estar mais protegidos de situações de abandono, ficam desprotegidos muitos estudantes que, tendo-se candidatado a bolsa, viram o seu pedido recusado”, alertam. Apenas um exemplo: em 2020/2021, a percentagem de pedidos a bolsa não aprovados “posicionou-se em 29%”.
Existem outros vectores que podem explicar “o facto de os estudantes de contextos desfavorecidos abandonarem mais” o ensino superior do que os seus colegas de meios mais favorecidos. Por exemplo, “poderão ser demovidos de escolher cursos e instituições afastadas da residência dos pais por incapacidade de suportar os custos de mobilidade e o nível de vida em algumas cidades”.
Tendo por base este pacote de exclusão, o estudo do Edulog propõe, entre outras medidas, que se proceda “à alteração das condições de atribuição de bolsas de acção social de modo a alargar o número de estudantes elegíveis”, o que constituirá “uma medida apropriada para reduzir o abandono e aumentar a permanência no ensino superior”.
A última revisão do regulamento das bolsas ocorreu este ano e traduziu-se num aumento de 878 euros per capita no rendimento elegível para a atribuição deste apoio social, o que segundo o Governo terá permitido “aumentar o número de beneficiários dos 72 mil do ano lectivo transacto para aproximadamente 80 mil”.
Actualização às 19h26: corrige a percentagem de bolsas não aprovadas, que foi 29% e não 71%. A alteração decorre do facto de o próprio estudo ter trocado os indicadores de bolsas deferidas e indeferidas, como reconhecem os autores do mesmo.
Estudo sobre os estudantes do ensino superior mostra que aqueles que são oriundos de meios mais desfavorecidos continuam a ser segregados no acesso aos cursos que garantem mais emprego e remuneração. E que, por isso, o seu meio de origem acaba por ditar muito do que poderá ser a sua vida.
Tantas voltas e reviravoltas tem dado a educação em Portugal e, no entanto, é o meio de origem dos estudantes que continua a ditar muito do que acontece durante o seu percurso escolar e na vida que vem depois. É o que mostra um novo estudo centrado no ensino superior, que será apresentado nesta segunda-feira pelo Edulog, um think tank sobre educação criado pela Fundação Belmiro de Azevedo.
Milhares de candidatos desistem após falhar a primeira fase do concurso de acesso
É certo que que hoje muitos mais jovens, de meios socioeconómicos diversos, têm acesso à educação. Basta ver o que acontece precisamente no ensino superior: em 1970, o número de estudantes inscritos rondava os 50 mil, enquanto em 2020 estava quase em 400 mil. Só que esta expansão “não tem sido sinónimo de eliminação de desigualdades, que são visíveis no momento do acesso, e se estendem às decisões de permanência e de abandono e continuam presentes no mercado de trabalho”, como se constata no estudo Estudantes nacionais e internacionais no acesso ao ensino superior.
Com base numa amostra de trabalho composta por dados relativos a “777 cursos de licenciatura e mestrado integrado oferecidos por instituições públicas portuguesas”, os autores deste estudo confirmam “que os estudantes provenientes de contextos desfavorecidos estão em desvantagem no acesso ao ensino superior, sendo mais provável que frequentem um instituto politécnico do que uma universidade”.
Esta análise baseia-se na informação relativa às habilitações escolares dos pais e à percentagem de estudantes com bolsas da acção social, pode-se constatar que, em 2017/2018, 40% dos alunos inscritos, pela primeira vez, no 1.º ano das universidades públicas tinham mães com ensino superior e que, do total, 27,7% eram bolseiros. Entre os que entraram em instituições do ensino politécnico, a situação inverte-se com menos alunos cujas mães têm ensino superior (22,8%) e mais na situação de bolseiros (37,3%).
No total dos estudantes que entraram no ensino superior, os que têm bolsas da acção social (14.185) representam cerca de 32%. Uma das principais condições para se ser beneficiário de uma bolsa diz respeito ao rendimento disponível das famílias. Com a revisão efectuada em 2021, têm direito a este apoio os estudantes com agregados familiares com um rendimento per capita inferior a 8.962€, o que representa um valor por mês inferior ao actual salário mínimo nacional.
Mais desemprego
Mas quais as razões para se considerar que os alunos “de contextos desfavorecidos estão em desvantagem no acesso ao ensino superior” por terem mais probabilidades de entrar no ensino politécnico? Concluem os autores do estudo que este primeiro afunilamento vai reflectir-se no que irá acontecer na transição para o mercado de trabalho: “Em média, os diplomados de cursos universitários experimentam menor propensão ao desemprego, não se concretizando a expectativa de que os diplomados de cursos vocacionais teriam uma transição mais fácil para o mercado de trabalho.”
Só que as licenciaturas oferecidas por instituições politécnicas públicas apresentavam, em 2018, “uma propensão ao desemprego de 4,5% contra 3,1% nas licenciaturas oferecidas pelas universidades”. Indo um pouco mais fundo, volta a emergir a mesma “condenação” de partida: “Ao contrário das universidades, os institutos politécnicos recebem estudantes de contextos socioeconómicos mais diversos. A maior propensão ao desemprego dos seus diplomados é um reflexo das desigualdades já existentes no momento do acesso, e não tanto uma falha do ensino politécnico no cumprimento da sua missão vocacional.”
O que leva a esta conclusão: “Os estudantes de contextos desfavorecidos enfrentam maior risco de desemprego, sugerindo que o ensino superior pode nem sempre cumprir o seu papel de promotor da mobilidade social.”
Voltando ao momento do acesso ao superior soma-se o peso que as notas obtidas no ensino secundário e nos exames nacionais têm nas escolhas dos cursos e instituições. Ora estas classificações estão “fortemente correlacionadas” com o contexto família, levando a que sejam geralmente os alunos de meios favorecidos a conseguirem as “melhores notas de candidatura” e poderem assim “candidatar-se aos cursos mais selectivos”, que são também os que oferecem mais possibilidade de emprego, de carreira e remunerações mais elevadas.
Aumentar
Veja-se por exemplos o que se passa com os cursos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM), entendidos como a área de ponta dos dias de hoje. A percentagem de estudantes com apoios sociais nestes cursos ronda os 26% contra 34% em outros cursos. E de novo existem repercussões no futuro: “Na comparação dos retornos no mercado de trabalho dos diplomados nas áreas CTEM com os retornos das restantes áreas, as primeiras estão em vantagem.”
Abandono é maior entre os mais carenciados
Pelo caminho, existem outros riscos. Como o de não se chegar sequer a concluir o ensino superior. E lá vamos ao mesmo: “Quanto menos favorecido é o contexto socioeconómico dos estudantes, maior é a taxa de abandono.”
Olhando para as taxas de abandono nos politécnicos e nas universidades constata-se que esta é sempre superior nos primeiros. No ensino politécnico oscilou entre 9,4% e 8,8% entre 2016/2017 e 2019/2020, enquanto no universitário variou entre 7,5% e 8,1%.
Para as “elevadas taxas de abandono” registadas em Portugal contribuem não só o contexto familiar de cada estudante, mas também “as condições socioeconómicas do país”. Em média, a contribuição das famílias portuguesa tem representado 32% do custo total do ensino superior, enquanto na União Europeia se situa nos 14%, devido em grande parte ao peso do financiamento público nesta despesa, sob a forma de bolsas ou de outros apoios.
O Edulog propõe, entre outras medidas, que se proceda “à alteração das condições de atribuição de bolsas de acção social de modo a alargar o número de estudantes elegíveis”, o que constituirá “uma medida apropriada para reduzir o abandono e aumentar a permanência no ensino superior”.
Ora, em Portugal, as bolsas são “atribuídas apenas a estudantes cujo rendimento familiar per capita é próximo do salário mínimo, o que coloca numa situação de não elegibilidade para bolsa muitos estudantes de baixos rendimentos”.
Bolsas só para poucos dos que precisam
Os dados existentes dão conta de que “a percentagem de bolseiros [num curso ou instituição] não tem um efeito significativo sobre o abandono”. Falta o resto, que é muito. “Atendendo a que os estudantes com bolsa poderão estar mais protegidos de situações de abandono, ficam desprotegidos muitos estudantes que, tendo-se candidatado a bolsa, viram o seu pedido recusado”, alertam. Apenas um exemplo: em 2020/2021, a percentagem de pedidos a bolsa não aprovados “posicionou-se em 29%”.
Existem outros vectores que podem explicar “o facto de os estudantes de contextos desfavorecidos abandonarem mais” o ensino superior do que os seus colegas de meios mais favorecidos. Por exemplo, “poderão ser demovidos de escolher cursos e instituições afastadas da residência dos pais por incapacidade de suportar os custos de mobilidade e o nível de vida em algumas cidades”.
Tendo por base este pacote de exclusão, o estudo do Edulog propõe, entre outras medidas, que se proceda “à alteração das condições de atribuição de bolsas de acção social de modo a alargar o número de estudantes elegíveis”, o que constituirá “uma medida apropriada para reduzir o abandono e aumentar a permanência no ensino superior”.
A última revisão do regulamento das bolsas ocorreu este ano e traduziu-se num aumento de 878 euros per capita no rendimento elegível para a atribuição deste apoio social, o que segundo o Governo terá permitido “aumentar o número de beneficiários dos 72 mil do ano lectivo transacto para aproximadamente 80 mil”.
Actualização às 19h26: corrige a percentagem de bolsas não aprovadas, que foi 29% e não 71%. A alteração decorre do facto de o próprio estudo ter trocado os indicadores de bolsas deferidas e indeferidas, como reconhecem os autores do mesmo.
10.8.21
Governo paga 27,8 milhões às empresas por passes para estudantes e famílias carenciadas
Por Nuno Guedes, in TSF
Atrasos nos pagamentos do Estado levaram empresas de transportes rodoviários a fazer ameaça.
O Governo publicou esta segunda-feira a autorização para pagar 27,8 milhões de euros às empresas de transportes pelos descontos dados em 2021 nos passes para estudantes e para famílias de baixos rendimentos - os passes 4_18, sub23 e Social +.
Há cerca de duas semanas a TSF noticiou uma ameaça das empresas de autocarros, através da Associação Nacional de Transportes de Passageiros (ANTROP), que prometiam deixar de vender estes passes se os atrasos do Estado se arrastassem.
Desde o início do ano, que as empresas de transportes esperavam pelo dinheiro.
Na resolução agora publicada, a Presidência do Conselho de Ministros aprova as chamadas indemnizações compensatórias para compensar os descontos previstos na legislação.
Para os transportes rodoviários do setor privado estão previstos 10,3 milhões de euros e para a ferrovia seguem 9,9 milhões, com quase 3 milhões a terem como destino a CP.
O Metropolitano de Lisboa receberá perto de 4 milhões de euros e o Metro do Porto cerca de 3 milhões.
Atrasos nos pagamentos do Estado levaram empresas de transportes rodoviários a fazer ameaça.
O Governo publicou esta segunda-feira a autorização para pagar 27,8 milhões de euros às empresas de transportes pelos descontos dados em 2021 nos passes para estudantes e para famílias de baixos rendimentos - os passes 4_18, sub23 e Social +.
Há cerca de duas semanas a TSF noticiou uma ameaça das empresas de autocarros, através da Associação Nacional de Transportes de Passageiros (ANTROP), que prometiam deixar de vender estes passes se os atrasos do Estado se arrastassem.
Desde o início do ano, que as empresas de transportes esperavam pelo dinheiro.
Na resolução agora publicada, a Presidência do Conselho de Ministros aprova as chamadas indemnizações compensatórias para compensar os descontos previstos na legislação.
Para os transportes rodoviários do setor privado estão previstos 10,3 milhões de euros e para a ferrovia seguem 9,9 milhões, com quase 3 milhões a terem como destino a CP.
O Metropolitano de Lisboa receberá perto de 4 milhões de euros e o Metro do Porto cerca de 3 milhões.
7.6.21
O Erasmus já deslocou mais de 10 milhões de pessoas
Rui Pedro Paiva, in Público on-line
O novo Erasmus+ vai ser apresentando a 18 de Junho em Viana do Castelo. O objectivo é tornar o programa mais verde, mais digital e mais inclusivo.
O Erasmus é um dos programas símbolo da União Europeia. Ao longo de 30 anos, mais de 10 milhões de pessoas pularam entre países europeus à boleia do Erasmus, que há muito deixou de ser só um programa de intercâmbio, para se afirmar como uma pedra basilar da identidade europeia.
Mas, apesar de ser um programa reconhecido por todos, ainda há muito para fazer. O reconhecimento surge da própria Comissão Europeia ao reforçar o orçamento do Erasmus para o período 2021-27: o programa terá um orçamento de 26,2 mil milhões de euros, mais 11,3 mil milhões do que teve em 2014-2020.
Um reforço, também exigido pelo Parlamento Europeu (PE), para criar um novo Erasmus +, onde o sinal de mais pretende abarcar três frentes: mais inclusivo, mais digital e mais verde. O novo Erasmus+ vai ser apresentado a 18 de Junho, em Viana do Castelo, um evento integrado na presidência portuguesa da União Europeia (UE).
“É um evento importante da presidência portuguesa. O Parlamento Europeu já aprovou em plenário o regulamento programa Erasmus e o que vai acontecer em Viana é o lançamento do programa”, explica ao PÚBLICO Margarida Marques, deputada no Parlamento Europeu eleita pelo PS, acrescentando que na ocasião será ainda lançado o programa de voluntariado da UE.
Para a socialista, o evento deve ser encarado com uma “oportunidade”: “Um dos desafios de Viana do Castelo é tentar uma maior abertura no programa Erasmus”, diz, uma vez que várias universidades europeias têm vindo a trabalhar em grupos fechados.
Margarida Marques aponta “dois desafios fundamentais” para o futuro do Erasmus. Um é o “reconhecimento da formação”, uma “batalha desde o início” do programa que continua a ser ainda um processo árduo, apesar da “evolução” dos últimos anos. O outro desafio é a “construção de redes virtuais”, para “que mais gente possa beneficiar do Erasmus”, ao mesmo tempo que se mitiga o impacto ambiental do programa.
Por isso tudo, a antiga secretária de Estado dos Assuntos Europeus no primeiro governo de António Costa, reconhece o “esforço” da Comissão no aumento do financiamento para o programa, mas diz que o valor ainda “não é o suficiente”. “Não é suficiente porque nós temos consciência de que as bolsas Erasmus não são muitas vezes suficientes para que os estudantes façam e beneficiem do programa devido às suas condições sócio-económicas”, alerta a também vice-presidente da Comissão de Orçamentos do PE.
Erasmus mais verde e mais digital
Com o reforço do orçamento, vem também a intenção de catapultar o número de participantes. A meta é atingir 12 milhões de participantes até 2027 – quase tantos como desde a fundação –, isto quando no período 2014-20 foram cerca de quatro milhões os participantes. O Erasmus+ quer permitir intercâmbios em seis áreas: ensino superior, ensino profissional, educação escolar, ensino para adultos, juventude e desporto.
Tornar o Erasmus+ mais inclusivo é mesmo uma das necessidades para os próximos anos, defende a eurodeputada Lídia Pereira, eleita pelo PSD. Uma inclusão para abranger estudantes de diferentes tipos de ensino, independentemente das condições económicas, para acabar com a ideia de que o Erasmus é apenas destinado ao ensino superior.
A social-democrata reconhece a importância do programa em que ela própria participou – “no Erasmus aprendi que sou portuguesa, europeia e não sei ser uma sem a outra” – mas não se deixa conformar com os mais de dez milhões de participantes. “Nós somos um continente com 450 milhões [de habitantes], portanto ainda há um longo caminho a percorrer e eu acho que essas novas actividades, como o ambiente e digital, podem ser veículos para haver mais frequência no Erasmus.”
Na vertente digital, Lídia Pereira destaca a possibilidade de existirem “novos formatos de intercâmbios”, “mistos e intensivos”, através da deslocação física aos países por um período mais curto, complementado depois com o “trabalho com uma equipa à distância através da internet”.
Além de a digitalização ter ganhos ambientais, a presidente da Juventude do Partido Popular Europeu enaltece ainda a possibilidade de serem adoptadas medidas específicas para tornar o Erasmus mais verde, como os incentivos financeiros aos participantes que utilizarem transportes sustentáveis ou a discriminação positiva para projectos que promovam a sensibilização ambiental.
Ao mesmo tempo, é preciso “reforçar as bolsas”, uma tarefa também a cargo dos governos nacionais, porque os custos do programa continuam a ser “uma barreira e um obstáculo aos estudantes que têm uma realidade financeira mais limitada”. E a inclusão também deve ser feita ao nível das instituições, tornando as candidaturas “mais fáceis” para garantir um “acesso mais inclusivo” às escolas, aos clubes desportivos e às associações de jovens. “Este novo programa que vai ser lançado tem uma grande carga de não só se tornar mais inclusivo, mas tornar-se um programa verdadeiramente inclusivo, dentro do enquadramento da transição digital e da transição verde.”
“Portugal pode fazer mais”
Portugal já teve mais de 220 mil participantes desde que aderiu ao Erasmus. Em 2019 (período pré-pandemia, portanto), foram 24 454 os participantes oriundos de Portugal. Desses, uma grande maioria, quase 15 mil, foram alunos do ensino superior. A Universidade do Porto foi a instituição que mais alunos enviou para o programa, seguida da Universidade de Lisboa e da Nova de Lisboa. Os portugueses vão principalmente para a Espanha, para a Polónia e para a Itália.
“Portugal pode fazer mais para explicar melhor a importância de fazer um período de formação noutro estado membro da UE, quer sejam alunos, que sejam professores, quer sejam formados”, defende Margarida Marques, referindo a estatística que revela que os participantes no Erasmus têm mais facilidade em arranjar emprego num país europeu que não o de origem.
A socialista diz ainda ser preciso “diversificar os parceiros” das instituições portuguesas e reforçar a acção social escolar: “O apoio é importante para que as diferenças sociais e económicas não se repercutam no acesso ao Erasmus”, aponta Margarida Marques, enaltecendo a meta do governo português que ambiciona, até 2027, ter 30% dos estudantes do superior a realizar o programa (actualmente são cerca 10%).
“Havia também a meta de ter 20% de estudantes de intercâmbio até 2020 e essa ficou largamente abaixo. É fundamental que essa meta de 2027 seja de facto cumprida”, atira Lídia Pereira. Para a social-democrata, existem “dois factores principais” para levar mais portugueses a realizar o programa: o “acesso às bolsas” e a “equivalência nas transferências de créditos” no ensino superior. “Duas coisas que podem ser ultrapassáveis”, defende, desde que “haja vontade política”.
Depois, é preciso fazer pedagogia e ir “lembrando” algumas vantagens do Erasmus, como a diminuição em 50% do desemprego de longa duração entre os estudantes que realizaram o programa Erasmus, exemplifica Lídia Pereira, citando dados da agência Erasmus+. “É desta forma que todos nós temos de olhar para o Erasmus: não só como pilar da afirmação da identidade europeia, mas também uma grande oportunidade a nível profissional.”
O presente e o futuro do projecto europeu, à luz dos grandes desafios que a União enfrenta. E o lugar de Portugal e dos portugueses nos destinos de uma Europa a 27.
O novo Erasmus+ vai ser apresentando a 18 de Junho em Viana do Castelo. O objectivo é tornar o programa mais verde, mais digital e mais inclusivo.
O Erasmus é um dos programas símbolo da União Europeia. Ao longo de 30 anos, mais de 10 milhões de pessoas pularam entre países europeus à boleia do Erasmus, que há muito deixou de ser só um programa de intercâmbio, para se afirmar como uma pedra basilar da identidade europeia.
Mas, apesar de ser um programa reconhecido por todos, ainda há muito para fazer. O reconhecimento surge da própria Comissão Europeia ao reforçar o orçamento do Erasmus para o período 2021-27: o programa terá um orçamento de 26,2 mil milhões de euros, mais 11,3 mil milhões do que teve em 2014-2020.
Um reforço, também exigido pelo Parlamento Europeu (PE), para criar um novo Erasmus +, onde o sinal de mais pretende abarcar três frentes: mais inclusivo, mais digital e mais verde. O novo Erasmus+ vai ser apresentado a 18 de Junho, em Viana do Castelo, um evento integrado na presidência portuguesa da União Europeia (UE).
“É um evento importante da presidência portuguesa. O Parlamento Europeu já aprovou em plenário o regulamento programa Erasmus e o que vai acontecer em Viana é o lançamento do programa”, explica ao PÚBLICO Margarida Marques, deputada no Parlamento Europeu eleita pelo PS, acrescentando que na ocasião será ainda lançado o programa de voluntariado da UE.
Para a socialista, o evento deve ser encarado com uma “oportunidade”: “Um dos desafios de Viana do Castelo é tentar uma maior abertura no programa Erasmus”, diz, uma vez que várias universidades europeias têm vindo a trabalhar em grupos fechados.
Margarida Marques aponta “dois desafios fundamentais” para o futuro do Erasmus. Um é o “reconhecimento da formação”, uma “batalha desde o início” do programa que continua a ser ainda um processo árduo, apesar da “evolução” dos últimos anos. O outro desafio é a “construção de redes virtuais”, para “que mais gente possa beneficiar do Erasmus”, ao mesmo tempo que se mitiga o impacto ambiental do programa.
Por isso tudo, a antiga secretária de Estado dos Assuntos Europeus no primeiro governo de António Costa, reconhece o “esforço” da Comissão no aumento do financiamento para o programa, mas diz que o valor ainda “não é o suficiente”. “Não é suficiente porque nós temos consciência de que as bolsas Erasmus não são muitas vezes suficientes para que os estudantes façam e beneficiem do programa devido às suas condições sócio-económicas”, alerta a também vice-presidente da Comissão de Orçamentos do PE.
Erasmus mais verde e mais digital
Com o reforço do orçamento, vem também a intenção de catapultar o número de participantes. A meta é atingir 12 milhões de participantes até 2027 – quase tantos como desde a fundação –, isto quando no período 2014-20 foram cerca de quatro milhões os participantes. O Erasmus+ quer permitir intercâmbios em seis áreas: ensino superior, ensino profissional, educação escolar, ensino para adultos, juventude e desporto.
Tornar o Erasmus+ mais inclusivo é mesmo uma das necessidades para os próximos anos, defende a eurodeputada Lídia Pereira, eleita pelo PSD. Uma inclusão para abranger estudantes de diferentes tipos de ensino, independentemente das condições económicas, para acabar com a ideia de que o Erasmus é apenas destinado ao ensino superior.
A social-democrata reconhece a importância do programa em que ela própria participou – “no Erasmus aprendi que sou portuguesa, europeia e não sei ser uma sem a outra” – mas não se deixa conformar com os mais de dez milhões de participantes. “Nós somos um continente com 450 milhões [de habitantes], portanto ainda há um longo caminho a percorrer e eu acho que essas novas actividades, como o ambiente e digital, podem ser veículos para haver mais frequência no Erasmus.”
Na vertente digital, Lídia Pereira destaca a possibilidade de existirem “novos formatos de intercâmbios”, “mistos e intensivos”, através da deslocação física aos países por um período mais curto, complementado depois com o “trabalho com uma equipa à distância através da internet”.
Além de a digitalização ter ganhos ambientais, a presidente da Juventude do Partido Popular Europeu enaltece ainda a possibilidade de serem adoptadas medidas específicas para tornar o Erasmus mais verde, como os incentivos financeiros aos participantes que utilizarem transportes sustentáveis ou a discriminação positiva para projectos que promovam a sensibilização ambiental.
Ao mesmo tempo, é preciso “reforçar as bolsas”, uma tarefa também a cargo dos governos nacionais, porque os custos do programa continuam a ser “uma barreira e um obstáculo aos estudantes que têm uma realidade financeira mais limitada”. E a inclusão também deve ser feita ao nível das instituições, tornando as candidaturas “mais fáceis” para garantir um “acesso mais inclusivo” às escolas, aos clubes desportivos e às associações de jovens. “Este novo programa que vai ser lançado tem uma grande carga de não só se tornar mais inclusivo, mas tornar-se um programa verdadeiramente inclusivo, dentro do enquadramento da transição digital e da transição verde.”
“Portugal pode fazer mais”
Portugal já teve mais de 220 mil participantes desde que aderiu ao Erasmus. Em 2019 (período pré-pandemia, portanto), foram 24 454 os participantes oriundos de Portugal. Desses, uma grande maioria, quase 15 mil, foram alunos do ensino superior. A Universidade do Porto foi a instituição que mais alunos enviou para o programa, seguida da Universidade de Lisboa e da Nova de Lisboa. Os portugueses vão principalmente para a Espanha, para a Polónia e para a Itália.
“Portugal pode fazer mais para explicar melhor a importância de fazer um período de formação noutro estado membro da UE, quer sejam alunos, que sejam professores, quer sejam formados”, defende Margarida Marques, referindo a estatística que revela que os participantes no Erasmus têm mais facilidade em arranjar emprego num país europeu que não o de origem.
A socialista diz ainda ser preciso “diversificar os parceiros” das instituições portuguesas e reforçar a acção social escolar: “O apoio é importante para que as diferenças sociais e económicas não se repercutam no acesso ao Erasmus”, aponta Margarida Marques, enaltecendo a meta do governo português que ambiciona, até 2027, ter 30% dos estudantes do superior a realizar o programa (actualmente são cerca 10%).
“Havia também a meta de ter 20% de estudantes de intercâmbio até 2020 e essa ficou largamente abaixo. É fundamental que essa meta de 2027 seja de facto cumprida”, atira Lídia Pereira. Para a social-democrata, existem “dois factores principais” para levar mais portugueses a realizar o programa: o “acesso às bolsas” e a “equivalência nas transferências de créditos” no ensino superior. “Duas coisas que podem ser ultrapassáveis”, defende, desde que “haja vontade política”.
Depois, é preciso fazer pedagogia e ir “lembrando” algumas vantagens do Erasmus, como a diminuição em 50% do desemprego de longa duração entre os estudantes que realizaram o programa Erasmus, exemplifica Lídia Pereira, citando dados da agência Erasmus+. “É desta forma que todos nós temos de olhar para o Erasmus: não só como pilar da afirmação da identidade europeia, mas também uma grande oportunidade a nível profissional.”
O presente e o futuro do projecto europeu, à luz dos grandes desafios que a União enfrenta. E o lugar de Portugal e dos portugueses nos destinos de uma Europa a 27.
19.4.21
Candidato denuncia casos de estudantes do Politécnico de Coimbra “no limiar da pobreza”
Por Notícias de Coimbra
Manuel Castelo Branco, candidato à presidência do Instituto Politécnico de Coimbra – IPC nas próximas eleições de maio, afirma que tornará “a ação social para os estudantes na principal missão da presidência do Politécnico” no caso de ser eleito.
O candidato diz que em dez mil alunos que frequentam as escolas do IPC neste ano letivo, houve 3.697 que se candidataram a bolsas de estudo, ou seja, quase 40% dos estudantes pertencem a agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 8.962€/per capita.
“Há demasiados estudantes do IPC a viver no limiar da pobreza: uns porque vieram dos PALOP; outros porque, apesar de serem bolseiros, os montantes que lhes foram atribuídos em função da situação fiscal do agregado familiar não são adequados; outros porque – não tendo condições de elegibilidade para receberem bolsas – vivem, de facto, numa grande privação de recursos”, denuncia Manuel Castelo Branco. “O IPC tem, por isso, de revolucionar o seu sistema de bolsas complementares em função da realidade objetiva, concreta, de cada estudante: para isso tem de haver mais visibilidade e acessibilidade dos Serviços Sociais em cada escola e, sobretudo, têm de existir mais profissionais especializados para acompanharem no terreno os estudantes com dificuldades”.
Atualmente o IPC dispõe apenas de três psicólogos e de cinco assistentes sociais para o acompanhamento pessoal de 10.000 estudantes. “É uma situação insustentável: o número destes profissionais tem pelo menos de duplicar”, afirma o candidato. “A filosofia de ação tem de mudar radicalmente: não basta preencher formulários que, muitas vezes, passam ao lado das reais condições de vida: é preciso criar condições para que os assistentes sociais e os psicólogos andem nos corredores, vão ao alojamento dos estudantes, percebam a forma como vivem. O IPC tem sido totalmente omisso nesta área”, denuncia.
Segundo Manuel Castelo Branco, existe uma “ausência insustentável” dos Serviços Sociais do Politécnico no acompanhamento singular e concreto dos estudantes economicamente mais frágeis que tem de acabar. “Nenhum aluno do IPC pode viver no limiar da pobreza, nenhum aluno pode abandonar o IPC por falta de recursos”, afirma. O seu compromisso é colocar no próximo mandato os serviços e as prestações sociais ao dispor dos estudantes do IPC ao mesmo nível das que já são proporcionados hoje aos alunos das universidades públicas.
“A crise sanitária, económica e social provocada pela pandemia da Covid-19 colocou a ação social na primeira linha das condições de acesso e frequência do ensino superior: estando as missões pedagógicas e científicas confiadas às escolas, caberá à presidência do Politécnico preencher o atual vazio”, afirma Manuel Castelo Branco. “Os estudantes precisam que acabe a ausência do Politécnico em áreas como a saúde e o acompanhamento pessoal, os apoios sociais e as bolsas, as residências estudantis, a cultura, o desporto e uma alimentação de qualidade: estes temas têm de passar a ser o centro da ação do próximo presidente”.
Os estudantes que vivem no limiar da pobreza são a grande preocupação do candidato, uma vez que considera “a solicitude social como um dever de cuidado constitucionalmente exigido ao Estado e às instituições de ensino público”. É para Manuel Castelo Branco uma prioridade ultrapassar “o estado atual de prestação mínima” em que vivem muitos estudantes das escolas do IPC em Coimbra e em Oliveira do Hospital: “Todos os estudantes do IPC têm de dispor do dinheiro de bolso indispensável para a frequência normal do ensino superior”, razão pela qual se irá empenhar em tornar a intervenção dos Serviços de Ação Social do IPC menos administrativa e burocrática e mais visível a todos os estudantes.
Manuel Castelo Branco compromete-se a aumentar para 1.500 as atuais 400 camas que o IPC oferece nas suas residências estudantis: esse aumento será feito através de parcerias com entidades públicas – como o município – e privadas – hotelaria local e investidores imobiliários – a diocese e fundações para disponibilizar alojamento a custo controlado. “Serão desencadeadas todas as diligências para o reforço da dotação global do Politécnico de Coimbra para a construção de novas residências”, afirma o candidato.
As cantinas da Escola Superior de Educação – ESEC e do campus de Bencanta serão completamente requalificadas e, tanto estas duas como as da Escola Superior de Tecnologias da Saúde (ESTSC) e do Instituto Superior de Engenharia (ISEC), serão objeto de um grande plano de otimização do controlo de qualidade e dos processos de aprovisionamento. O objetivo é garantir o aumento da qualidade das refeições oferecidas: “A qualidade das refeições tem de ser excelente”, afirma Manuel Castelo Branco.
Para preencher a ausência de qualquer sistema direto ou indireto de saúde no âmbito do IPG, será recriada a Clínica do Politécnico de Coimbra em parceria com instituições de saúde da cidade, a qual funcionará como clínica-escola em articulação com a Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra: serão assim providenciados cuidados de saúde de qualidade aos estudantes, a preço reduzido ou sem custo, acessíveis também a funcionários e docentes.
A oferta de equipamentos para a prática desportiva do IPC aos estudantes das suas escolas é hoje “quase zero”, uma situação “tanto mais grave quanto uma das suas escolas tem uma licenciatura em Desporto e Lazer”, considera o candidato a presidente do IPC. Este “quase zero” terá como resposta imediata “a reabilitação e o cuidado continuado dos poucos equipamentos existentes”, acompanhada “pelo lançamento de um pavilhão multiusos para o Politécnico financiado com verbas europeias”. Este novo pavilhão será concebido para também poder acolher eventos académicos e científicos de maior dimensão. Se for eleito presidente, Manuel Castelo Branco entregará a uma das suas vice-presidências os pelouros exclusivos do desporto e da cultura, “outra área ‘quase zero’ do IPC”. Será essa vice-presidência que mais contactos terá com as associações de estudantes das escolas do IPC.
“O financiamento desta ‘revolução social’ será feito, em primeiro lugar, através do emagrecimento dos Serviços Centrais do Politécnico, no âmbito da devolução às escolas das competências e dos recursos que lhes cabem gerir. Mas a captação profissionalizada de novas fontes de financiamento, como os fundos europeus, irá representar o grosso do montante global”, afirma Manuel Castelo Branco. “No que concerne aos apoios aos alunos economicamente mais vulneráveis, a resposta às atuais insuficiências será também apoiada por parcerias com fundações, grupos empresariais, instituições sociais e religiosas, municípios, clubes de Serviço como o Rotary e os Lions, por forma a reforçar significativamente o número dos alunos beneficiários”.
Recorde-se que descentralizar o poder e os recursos acumulados pela presidência do Instituto Politécnico de Coimbra – IPC, devolvendo-os às suas seis escolas e institutos, é um dos principais eixos da candidatura de Manuel Castelo Branco à presidência do IPC. Mas, ao mesmo tempo que irá otimizar a autonomia e a liberdade de gestão de todas as seis escolas do IPC, Manuel Castelo Branco faz questão de reforçar os poderes da presidência do Politécnico na ação social.
Outras duas áreas de maior intervenção da presidência serão: a identificação de fontes e oportunidades de financiamento, nomeadamente verbas europeias, para financiar projetos e parcerias das seis escolas; e o apoio às escolas no desenho de estratégias para a captação de novos alunos.
Manuel Castelo Branco é professor na Coimbra Business School – ISCAC, a que presidiu entre 2010 e 2018.
Jorge Conde lidera o IPC e deverá recandidar-se a novo mandato.

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Manuel Castelo Branco, candidato à presidência do Instituto Politécnico de Coimbra – IPC nas próximas eleições de maio, afirma que tornará “a ação social para os estudantes na principal missão da presidência do Politécnico” no caso de ser eleito.
O candidato diz que em dez mil alunos que frequentam as escolas do IPC neste ano letivo, houve 3.697 que se candidataram a bolsas de estudo, ou seja, quase 40% dos estudantes pertencem a agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 8.962€/per capita.
“Há demasiados estudantes do IPC a viver no limiar da pobreza: uns porque vieram dos PALOP; outros porque, apesar de serem bolseiros, os montantes que lhes foram atribuídos em função da situação fiscal do agregado familiar não são adequados; outros porque – não tendo condições de elegibilidade para receberem bolsas – vivem, de facto, numa grande privação de recursos”, denuncia Manuel Castelo Branco. “O IPC tem, por isso, de revolucionar o seu sistema de bolsas complementares em função da realidade objetiva, concreta, de cada estudante: para isso tem de haver mais visibilidade e acessibilidade dos Serviços Sociais em cada escola e, sobretudo, têm de existir mais profissionais especializados para acompanharem no terreno os estudantes com dificuldades”.
Atualmente o IPC dispõe apenas de três psicólogos e de cinco assistentes sociais para o acompanhamento pessoal de 10.000 estudantes. “É uma situação insustentável: o número destes profissionais tem pelo menos de duplicar”, afirma o candidato. “A filosofia de ação tem de mudar radicalmente: não basta preencher formulários que, muitas vezes, passam ao lado das reais condições de vida: é preciso criar condições para que os assistentes sociais e os psicólogos andem nos corredores, vão ao alojamento dos estudantes, percebam a forma como vivem. O IPC tem sido totalmente omisso nesta área”, denuncia.
Segundo Manuel Castelo Branco, existe uma “ausência insustentável” dos Serviços Sociais do Politécnico no acompanhamento singular e concreto dos estudantes economicamente mais frágeis que tem de acabar. “Nenhum aluno do IPC pode viver no limiar da pobreza, nenhum aluno pode abandonar o IPC por falta de recursos”, afirma. O seu compromisso é colocar no próximo mandato os serviços e as prestações sociais ao dispor dos estudantes do IPC ao mesmo nível das que já são proporcionados hoje aos alunos das universidades públicas.
“A crise sanitária, económica e social provocada pela pandemia da Covid-19 colocou a ação social na primeira linha das condições de acesso e frequência do ensino superior: estando as missões pedagógicas e científicas confiadas às escolas, caberá à presidência do Politécnico preencher o atual vazio”, afirma Manuel Castelo Branco. “Os estudantes precisam que acabe a ausência do Politécnico em áreas como a saúde e o acompanhamento pessoal, os apoios sociais e as bolsas, as residências estudantis, a cultura, o desporto e uma alimentação de qualidade: estes temas têm de passar a ser o centro da ação do próximo presidente”.
Os estudantes que vivem no limiar da pobreza são a grande preocupação do candidato, uma vez que considera “a solicitude social como um dever de cuidado constitucionalmente exigido ao Estado e às instituições de ensino público”. É para Manuel Castelo Branco uma prioridade ultrapassar “o estado atual de prestação mínima” em que vivem muitos estudantes das escolas do IPC em Coimbra e em Oliveira do Hospital: “Todos os estudantes do IPC têm de dispor do dinheiro de bolso indispensável para a frequência normal do ensino superior”, razão pela qual se irá empenhar em tornar a intervenção dos Serviços de Ação Social do IPC menos administrativa e burocrática e mais visível a todos os estudantes.
Manuel Castelo Branco compromete-se a aumentar para 1.500 as atuais 400 camas que o IPC oferece nas suas residências estudantis: esse aumento será feito através de parcerias com entidades públicas – como o município – e privadas – hotelaria local e investidores imobiliários – a diocese e fundações para disponibilizar alojamento a custo controlado. “Serão desencadeadas todas as diligências para o reforço da dotação global do Politécnico de Coimbra para a construção de novas residências”, afirma o candidato.
As cantinas da Escola Superior de Educação – ESEC e do campus de Bencanta serão completamente requalificadas e, tanto estas duas como as da Escola Superior de Tecnologias da Saúde (ESTSC) e do Instituto Superior de Engenharia (ISEC), serão objeto de um grande plano de otimização do controlo de qualidade e dos processos de aprovisionamento. O objetivo é garantir o aumento da qualidade das refeições oferecidas: “A qualidade das refeições tem de ser excelente”, afirma Manuel Castelo Branco.
Para preencher a ausência de qualquer sistema direto ou indireto de saúde no âmbito do IPG, será recriada a Clínica do Politécnico de Coimbra em parceria com instituições de saúde da cidade, a qual funcionará como clínica-escola em articulação com a Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra: serão assim providenciados cuidados de saúde de qualidade aos estudantes, a preço reduzido ou sem custo, acessíveis também a funcionários e docentes.
A oferta de equipamentos para a prática desportiva do IPC aos estudantes das suas escolas é hoje “quase zero”, uma situação “tanto mais grave quanto uma das suas escolas tem uma licenciatura em Desporto e Lazer”, considera o candidato a presidente do IPC. Este “quase zero” terá como resposta imediata “a reabilitação e o cuidado continuado dos poucos equipamentos existentes”, acompanhada “pelo lançamento de um pavilhão multiusos para o Politécnico financiado com verbas europeias”. Este novo pavilhão será concebido para também poder acolher eventos académicos e científicos de maior dimensão. Se for eleito presidente, Manuel Castelo Branco entregará a uma das suas vice-presidências os pelouros exclusivos do desporto e da cultura, “outra área ‘quase zero’ do IPC”. Será essa vice-presidência que mais contactos terá com as associações de estudantes das escolas do IPC.
“O financiamento desta ‘revolução social’ será feito, em primeiro lugar, através do emagrecimento dos Serviços Centrais do Politécnico, no âmbito da devolução às escolas das competências e dos recursos que lhes cabem gerir. Mas a captação profissionalizada de novas fontes de financiamento, como os fundos europeus, irá representar o grosso do montante global”, afirma Manuel Castelo Branco. “No que concerne aos apoios aos alunos economicamente mais vulneráveis, a resposta às atuais insuficiências será também apoiada por parcerias com fundações, grupos empresariais, instituições sociais e religiosas, municípios, clubes de Serviço como o Rotary e os Lions, por forma a reforçar significativamente o número dos alunos beneficiários”.
Recorde-se que descentralizar o poder e os recursos acumulados pela presidência do Instituto Politécnico de Coimbra – IPC, devolvendo-os às suas seis escolas e institutos, é um dos principais eixos da candidatura de Manuel Castelo Branco à presidência do IPC. Mas, ao mesmo tempo que irá otimizar a autonomia e a liberdade de gestão de todas as seis escolas do IPC, Manuel Castelo Branco faz questão de reforçar os poderes da presidência do Politécnico na ação social.
Outras duas áreas de maior intervenção da presidência serão: a identificação de fontes e oportunidades de financiamento, nomeadamente verbas europeias, para financiar projetos e parcerias das seis escolas; e o apoio às escolas no desenho de estratégias para a captação de novos alunos.
Manuel Castelo Branco é professor na Coimbra Business School – ISCAC, a que presidiu entre 2010 e 2018.
Jorge Conde lidera o IPC e deverá recandidar-se a novo mandato.
2.2.21
Estudantes voltam ao ensino à distância ainda sem tarifa social de internet
in o Observador
O acesso à conectividade em banda larga foi prometido para 2020, mas a tarifa social de acesso à internet não foi garantida. O Governo espera concluir processo “o mais brevemente possível”.
A partir de 8 de fevereiro, terminado o período de suspensão de atividades letivas nas escolas, alunos e professores vão voltar às aulas à distância. Mas as dificuldades em assegurar o acesso à internet e garantir aos estudantes um computador mantêm-se. Estas eram metas prometidas pelo Governo para 2020.
No que se refere à entrega de computadores, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu que vão começar a chegar às escolas mais 335 mil computadores, mas ainda não se sabe muito sobre a ajuda financeira para garantir a conectividade em banda larga aos estudantes. Questionado pelo jornal Público, o gabinete do secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo, remeteu “qualquer comentário sobre a criação da tarifa social da Internet para momento oportuno e em coordenação com o Gabinete do SEAC”.
Ao mesmo jornal, o gabinete do Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações (SEAC), Hugo Mendes, respondeu que “o Governo está a trabalhar para que a operacionalização da tarifa social de acesso a serviços de Internet, inscrita no Programa do XX Governo Constitucional, ocorra o mais brevemente possível, ao longo de 2021”.
Além da indefinição do Governo sobre os prazos em que tudo isto se processará, também ainda nada se sabe sobre o modelo de atribuição desta tarifa, mais concretamente quem serão os seus potenciais beneficiários, os critérios de elegibilidade e a forma de financiamento.
Também em declarações ao Público, a associação que representa os operadores das telecomunicações, a Apritel, lembrou que os “enormes benefícios” de “uma política social que visa garantir um acesso adequado à Internet de banda larga a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica” alcança toda a economia e não apenas o sector das telecomunicações, pelo que o seu financiamento “deve ser assegurado por fundos públicos”.
De acordo com a Apritel, os operadores de telecomunicações desconhecem ainda as “características fundamentais” da tarifa social de internet que o Governo pretende criar, bem como “a sua articulação com outras políticas tão ou mais importantes para combater” o risco de exclusão digital de parte da população portuguesa.
O acesso à conectividade em banda larga foi prometido para 2020, mas a tarifa social de acesso à internet não foi garantida. O Governo espera concluir processo “o mais brevemente possível”.
A partir de 8 de fevereiro, terminado o período de suspensão de atividades letivas nas escolas, alunos e professores vão voltar às aulas à distância. Mas as dificuldades em assegurar o acesso à internet e garantir aos estudantes um computador mantêm-se. Estas eram metas prometidas pelo Governo para 2020.
No que se refere à entrega de computadores, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu que vão começar a chegar às escolas mais 335 mil computadores, mas ainda não se sabe muito sobre a ajuda financeira para garantir a conectividade em banda larga aos estudantes. Questionado pelo jornal Público, o gabinete do secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo, remeteu “qualquer comentário sobre a criação da tarifa social da Internet para momento oportuno e em coordenação com o Gabinete do SEAC”.
Ao mesmo jornal, o gabinete do Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações (SEAC), Hugo Mendes, respondeu que “o Governo está a trabalhar para que a operacionalização da tarifa social de acesso a serviços de Internet, inscrita no Programa do XX Governo Constitucional, ocorra o mais brevemente possível, ao longo de 2021”.
Além da indefinição do Governo sobre os prazos em que tudo isto se processará, também ainda nada se sabe sobre o modelo de atribuição desta tarifa, mais concretamente quem serão os seus potenciais beneficiários, os critérios de elegibilidade e a forma de financiamento.
Também em declarações ao Público, a associação que representa os operadores das telecomunicações, a Apritel, lembrou que os “enormes benefícios” de “uma política social que visa garantir um acesso adequado à Internet de banda larga a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica” alcança toda a economia e não apenas o sector das telecomunicações, pelo que o seu financiamento “deve ser assegurado por fundos públicos”.
De acordo com a Apritel, os operadores de telecomunicações desconhecem ainda as “características fundamentais” da tarifa social de internet que o Governo pretende criar, bem como “a sua articulação com outras políticas tão ou mais importantes para combater” o risco de exclusão digital de parte da população portuguesa.
28.12.20
Trabalhar em troca de alojamento: será esta a nova alternativa para os alunos da UAlg?
Por Lara Rivera, in Sul Informação
Reportagem sobre os estudantes que, sem dinheiro para pagar um quarto em Faro, são voluntários a troco de alojamento
É de manhã bem cedo e o aroma a café acabado de fazer começa a espalhar-se pelos corredores do hostel Ria Terrace, situado no centro da cidade de Faro. Keven Prado prepara-se para começar o dia. Procura um canto sossegado e sem distrações para participar na sua aula online.
«Às vezes, é difícil morar com 9 pessoas na mesma casa, só temos uma casa de banho, só uma sala», relata, enquanto bebe o seu café.
Do outro lado da casa, entre cumprimentos de bom dia, máscara e corridas para o terminal rodoviário, já não é estranho ter um pouco de adrenalina no dia-a-dia de R.S., que frequenta as suas aulas presenciais todas as manhãs no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg).
Estes são os casos de dois alunos da UAlg, que, neste momento, se apresentam como voluntários em troca de alojamento no Hostel Ria Terrace, na Rua Conselheiro Bivar, em Faro.
Esta forma de voluntariado consiste em dedicar uma determinada carga horária semanal (entre 16 a 25 horas), recebendo em troca a possibilidade de se alojar no hostel, com uma cama disponível em quarto partilhado, juntamente com o resto da equipa.
«Muita gente se surpreende quando digo que moro num hostel»,comenta Keven ao enrolar o cigarro. «O meu rendimento não dá para pagar um quarto, no momento essa é (talvez) a minha única e melhor opção».
Keven Prado, de 20 anos, está atualmente a frequentar o 2.º ano de Psicologia na Universidade do Algarve. Chegou a Portugal pela primeira vez em Agosto de 2019. A partir daí, e por recomendação de outros amigos e alunos, encontrou uma nova alternativa para “minorar” as suas despesas através do voluntariado.
«Quando saí do Brasil, cheguei à Europa com apenas 600 euros na carteira. Tive que procurar um trabalho urgente, porque, com aquele dinheiro, só dava para alugar um quarto por um mês e o resto tinha que distribuir entre alimentação, despesas gerais e transporte para a Universidade».
«No primeiro hostel onde fiquei, encontrei uma amiga que viaja e conseguiu poupar grande parte do seu dinheiro graças ao voluntariado, e eu nem sabia que isso era possível. Depois descobri que muitos outros alunos apostam nesta atividade».
Trata-se de uma opção particularmente popular para aqueles que desejam passar vários anos de suas vidas viajando. Existem várias plataformas online, como Worldpackers ou WorkAway, onde é possível criar uma conta e candidatar-se a voluntariado em quase qualquer parte do mundo. Nessas plataformas, pode encontrar-se anúncios onde muitos hostels, hotéis, campos agrícolas ou de permacultura, e até ONGs, procuram pessoas que querem dedicar horas de trabalho em troca de um lugar para dormir e ainda receber uma ou mais refeições por dia.
Pode ser uma solução eficaz e útil para quem planeia viajar por longos períodos, quando é essencial gastar o mínimo de dinheiro possível. É também funcional para aquelas pessoas que, por diferentes motivos e situações de vida, precisam mesmo de um local seguro para dormir e optam por tomar esta opção como “tábua de salvação”, como descreve Rui Silva.
«No começo não foi fácil, a minha mãe estava muito preocupada com o que poderia acontecer, as pessoas que eu poderia encontrar e essa pandemia dá ainda mais motivos para desconfiar», diz. Mas, «para ser sincero, nunca senti medo», acrescenta. «É a única opção viável para mim neste momento».
R.S., natural de Coimbra, é estudante de Ciências Agrárias na Universidade do Algarve. Por motivos pessoais, deixou a sua cidade e casa para continuar os estudos, mas desta vez na cidade de Faro.
Diante da dificuldade de manter um emprego e estudar ao mesmo tempo, recebe uma bolsa do Estado para cobrir as suas necessidades básicas, como alimentação e hospedagem. Também recebe ajuda de sua mãe, que, com muito esforço e sacrifício, consegue mandar para o filho algum dinheiro para continuar a pagar os estudos da universidade.
Esta situação afeta R.S. de uma forma pessoal: «não quero que isso se prolongue a longo prazo, quero muito trabalhar». «Estou apenas a aguentar-me», acrescenta, dizendo que «entre as horas de voluntariado e as aulas, mal consigo acomodar o meu tempo para estudar».
O desemprego, a escassez de novos empregos, a incerteza e a impossibilidade de fazer planos para o futuro, são alguns dos vestígios pós-pandémicos que nos deixa este 2020.
Keven diz que uma das suas fontes de rendimento foi dar aulas particulares de Inglês como professor independente. «Voltar ao meu país para passar a quarentena foi a pior decisão da minha vida; Perdi grande parte dos meus alunos com a pandemia, agora só tenho um cliente e o dinheiro que ganho só dá para o que como durante a semana».
«Felizmente, tive a sorte de encontrar algumas pessoas maravilhosas que também são voluntárias na Ria. Se a minha realidade mudasse agora, eu ficaria apenas por causa deles e da convivência. Nós nos ajudamos, pois a maioria passa pela mesma situação».
Tanto R.S. como Keven concordam que, para ambos, a experiência do voluntariado é enriquecedora de várias formas. Para além do dinheiro que podem poupar e de ter um sítio seguro para dormir, «a oportunidade de criar novos laços e ligações com outras pessoas de diferentes realidades é inestimável», afirma Rui. «Formamos laços fortes, somos agora uma família».
Nota: Lara Rivera é aluna do 2º ano do curso de Fotografia Profissional da ETIC_Algarve, Escola de Tecnologias, Inovação e Criação do Algarve
Reportagem sobre os estudantes que, sem dinheiro para pagar um quarto em Faro, são voluntários a troco de alojamento
É de manhã bem cedo e o aroma a café acabado de fazer começa a espalhar-se pelos corredores do hostel Ria Terrace, situado no centro da cidade de Faro. Keven Prado prepara-se para começar o dia. Procura um canto sossegado e sem distrações para participar na sua aula online.
«Às vezes, é difícil morar com 9 pessoas na mesma casa, só temos uma casa de banho, só uma sala», relata, enquanto bebe o seu café.
Do outro lado da casa, entre cumprimentos de bom dia, máscara e corridas para o terminal rodoviário, já não é estranho ter um pouco de adrenalina no dia-a-dia de R.S., que frequenta as suas aulas presenciais todas as manhãs no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg).
Estes são os casos de dois alunos da UAlg, que, neste momento, se apresentam como voluntários em troca de alojamento no Hostel Ria Terrace, na Rua Conselheiro Bivar, em Faro.
Esta forma de voluntariado consiste em dedicar uma determinada carga horária semanal (entre 16 a 25 horas), recebendo em troca a possibilidade de se alojar no hostel, com uma cama disponível em quarto partilhado, juntamente com o resto da equipa.
«Muita gente se surpreende quando digo que moro num hostel»,comenta Keven ao enrolar o cigarro. «O meu rendimento não dá para pagar um quarto, no momento essa é (talvez) a minha única e melhor opção».
Keven Prado, de 20 anos, está atualmente a frequentar o 2.º ano de Psicologia na Universidade do Algarve. Chegou a Portugal pela primeira vez em Agosto de 2019. A partir daí, e por recomendação de outros amigos e alunos, encontrou uma nova alternativa para “minorar” as suas despesas através do voluntariado.
«Quando saí do Brasil, cheguei à Europa com apenas 600 euros na carteira. Tive que procurar um trabalho urgente, porque, com aquele dinheiro, só dava para alugar um quarto por um mês e o resto tinha que distribuir entre alimentação, despesas gerais e transporte para a Universidade».
«No primeiro hostel onde fiquei, encontrei uma amiga que viaja e conseguiu poupar grande parte do seu dinheiro graças ao voluntariado, e eu nem sabia que isso era possível. Depois descobri que muitos outros alunos apostam nesta atividade».
Trata-se de uma opção particularmente popular para aqueles que desejam passar vários anos de suas vidas viajando. Existem várias plataformas online, como Worldpackers ou WorkAway, onde é possível criar uma conta e candidatar-se a voluntariado em quase qualquer parte do mundo. Nessas plataformas, pode encontrar-se anúncios onde muitos hostels, hotéis, campos agrícolas ou de permacultura, e até ONGs, procuram pessoas que querem dedicar horas de trabalho em troca de um lugar para dormir e ainda receber uma ou mais refeições por dia.
Pode ser uma solução eficaz e útil para quem planeia viajar por longos períodos, quando é essencial gastar o mínimo de dinheiro possível. É também funcional para aquelas pessoas que, por diferentes motivos e situações de vida, precisam mesmo de um local seguro para dormir e optam por tomar esta opção como “tábua de salvação”, como descreve Rui Silva.
«No começo não foi fácil, a minha mãe estava muito preocupada com o que poderia acontecer, as pessoas que eu poderia encontrar e essa pandemia dá ainda mais motivos para desconfiar», diz. Mas, «para ser sincero, nunca senti medo», acrescenta. «É a única opção viável para mim neste momento».
R.S., natural de Coimbra, é estudante de Ciências Agrárias na Universidade do Algarve. Por motivos pessoais, deixou a sua cidade e casa para continuar os estudos, mas desta vez na cidade de Faro.
Diante da dificuldade de manter um emprego e estudar ao mesmo tempo, recebe uma bolsa do Estado para cobrir as suas necessidades básicas, como alimentação e hospedagem. Também recebe ajuda de sua mãe, que, com muito esforço e sacrifício, consegue mandar para o filho algum dinheiro para continuar a pagar os estudos da universidade.
Esta situação afeta R.S. de uma forma pessoal: «não quero que isso se prolongue a longo prazo, quero muito trabalhar». «Estou apenas a aguentar-me», acrescenta, dizendo que «entre as horas de voluntariado e as aulas, mal consigo acomodar o meu tempo para estudar».
O desemprego, a escassez de novos empregos, a incerteza e a impossibilidade de fazer planos para o futuro, são alguns dos vestígios pós-pandémicos que nos deixa este 2020.
Keven diz que uma das suas fontes de rendimento foi dar aulas particulares de Inglês como professor independente. «Voltar ao meu país para passar a quarentena foi a pior decisão da minha vida; Perdi grande parte dos meus alunos com a pandemia, agora só tenho um cliente e o dinheiro que ganho só dá para o que como durante a semana».
«Felizmente, tive a sorte de encontrar algumas pessoas maravilhosas que também são voluntárias na Ria. Se a minha realidade mudasse agora, eu ficaria apenas por causa deles e da convivência. Nós nos ajudamos, pois a maioria passa pela mesma situação».
Tanto R.S. como Keven concordam que, para ambos, a experiência do voluntariado é enriquecedora de várias formas. Para além do dinheiro que podem poupar e de ter um sítio seguro para dormir, «a oportunidade de criar novos laços e ligações com outras pessoas de diferentes realidades é inestimável», afirma Rui. «Formamos laços fortes, somos agora uma família».
Nota: Lara Rivera é aluna do 2º ano do curso de Fotografia Profissional da ETIC_Algarve, Escola de Tecnologias, Inovação e Criação do Algarve
5.12.19
PISA 2018: Situação socioeconómica continua a influenciar resultados dos estudantes
Por Sara Beatriz Monteiro e Rui Polónio, in TSF
Só na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018. Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho no mesmo domínio.
A situação socioeconómica dos estudantes foi, mais uma vez, um fator com influência no desempenho dos alunos nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências em Portugal. A conclusão é do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2018, o estudo internacional trienal que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade nestes três domínios.
Perante estes resultados, o secretário de estado adjunto da Educação, João Costa reconhece à TSF que é preciso atuar. "O primeiro passo é começar o mais cedo possível e agir aos primeiros sinais de dificuldade. Investir, como está previsto, nas estratégias de recuperação, mas sobretudo continuar o trabalho que foi começado na legislatura anterior e dar autonomia às escolas para poderem criar medidas de apoio dirigidas a grupos específicos. Há um dado interessante no PISA: a pobreza não é determinante."
De acordo com o estudo, na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018, sendo que a média da OCDE é de 89 pontos. Em 2009, a diferença de desempenho relacionada com a situação socioeconómica dos alunos portugueses era de 87 pontos, ou seja, a diferença de desempenho entre pobres e ricos acentuou-se.
Também na área da Matemática e das Ciências, a situação socioeconómica dos estudantes revelou ser um fator de influência nos resultados. Registou-se uma variação de desempenho entre favorecidos e desfavorecidos de 17% no domínio da Matemática (comparado com 14% em média nos países da OCDE) e uma variação de 16% no domínio das Ciências (em comparação com a média da OCDE de 13% da variação).
Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho de Leitura. Em média, nos países da OCDE, 11% dos estudantes desfavorecidos atingiram os melhores níveis de desempenho em Leitura.
Em Portugal, os alunos de baixo desempenho estão agrupados em certas escolas na mesma medida que a média da OCDE. Já os alunos de alto desempenho estão menos frequentemente agrupados. De acordo com o estudo, um aluno desfavorecido tem 22% de hipóteses, em média, de estar matriculado numa escola com aqueles que atingem os melhores níveis no domínio da Leitura. A média da OCDE no mesmo parâmetro é de 17%.
Os diretores das escolas em Portugal relataram mais escassez de pessoal e mais escassez de material do que a média da OCDE. No entanto, não houve diferença significativa na escassez de pessoal entre escolas favorecidas e desfavorecidas.
Em Portugal, 18% dos estudantes matriculados numa escola desfavorecida e 29% dos alunos matriculados numa escola privilegiada frequentam um estabelecimento com falta de pessoal docente, reportada pelos diretores. Em média, nos países da OCDE, 34% dos estudantes em escolas desfavorecidas e 18% dos estudantes em escolas favorecidas frequentam escolas com o mesmo padrão.
As ambições de grande parte dos estudantes, em particular dos mais desfavorecidos, são mais baixas do que o esperado. Em Portugal, um em cada quatro estudantes desfavorecidos com elevados níveis de desempenho - e cerca de um em cada 30 estudantes favorecidos com elevado desempenho - não espera concluir o ensino superior.
As regras do PISA exigem que pelo menos 80% dos estudantes escolhidos nas escolas participem no estudo. Este limite de 80% foi atingido em todos os países, exceto em Portugal, onde apenas 76% dos estudantes realmente participaram no estudo.
Para João Costa a percentagem de "não participação" não altera os resultados, mas o governante admite que é preciso corrigir estes problemas. "Tem que haver mais proximidade com as escolas para estimular a participação dos alunos que são selecionados para amostra. Há aquilo a que se chama a fadiga da resposta. São muitos questionários e as pessoas por vezes não respondem a todos, mas dada a importância destes estudos tem que haver maior acompanhamento."
João Costa sobre a não participação portuguesa neste estudo
Os investigadores avisam que isto pode levar a resultados enviesados caso os alunos que não responderam sejam os que são mais propensos a ter desempenhos mais baixos. Ainda assim, justificam que a percentagem de não participação de Portugal é suficientemente pequena para preservar os resultados.
Só na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018. Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho no mesmo domínio.
A situação socioeconómica dos estudantes foi, mais uma vez, um fator com influência no desempenho dos alunos nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências em Portugal. A conclusão é do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2018, o estudo internacional trienal que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade nestes três domínios.
Perante estes resultados, o secretário de estado adjunto da Educação, João Costa reconhece à TSF que é preciso atuar. "O primeiro passo é começar o mais cedo possível e agir aos primeiros sinais de dificuldade. Investir, como está previsto, nas estratégias de recuperação, mas sobretudo continuar o trabalho que foi começado na legislatura anterior e dar autonomia às escolas para poderem criar medidas de apoio dirigidas a grupos específicos. Há um dado interessante no PISA: a pobreza não é determinante."
De acordo com o estudo, na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018, sendo que a média da OCDE é de 89 pontos. Em 2009, a diferença de desempenho relacionada com a situação socioeconómica dos alunos portugueses era de 87 pontos, ou seja, a diferença de desempenho entre pobres e ricos acentuou-se.
Também na área da Matemática e das Ciências, a situação socioeconómica dos estudantes revelou ser um fator de influência nos resultados. Registou-se uma variação de desempenho entre favorecidos e desfavorecidos de 17% no domínio da Matemática (comparado com 14% em média nos países da OCDE) e uma variação de 16% no domínio das Ciências (em comparação com a média da OCDE de 13% da variação).
Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho de Leitura. Em média, nos países da OCDE, 11% dos estudantes desfavorecidos atingiram os melhores níveis de desempenho em Leitura.
Em Portugal, os alunos de baixo desempenho estão agrupados em certas escolas na mesma medida que a média da OCDE. Já os alunos de alto desempenho estão menos frequentemente agrupados. De acordo com o estudo, um aluno desfavorecido tem 22% de hipóteses, em média, de estar matriculado numa escola com aqueles que atingem os melhores níveis no domínio da Leitura. A média da OCDE no mesmo parâmetro é de 17%.
Os diretores das escolas em Portugal relataram mais escassez de pessoal e mais escassez de material do que a média da OCDE. No entanto, não houve diferença significativa na escassez de pessoal entre escolas favorecidas e desfavorecidas.
Em Portugal, 18% dos estudantes matriculados numa escola desfavorecida e 29% dos alunos matriculados numa escola privilegiada frequentam um estabelecimento com falta de pessoal docente, reportada pelos diretores. Em média, nos países da OCDE, 34% dos estudantes em escolas desfavorecidas e 18% dos estudantes em escolas favorecidas frequentam escolas com o mesmo padrão.
As ambições de grande parte dos estudantes, em particular dos mais desfavorecidos, são mais baixas do que o esperado. Em Portugal, um em cada quatro estudantes desfavorecidos com elevados níveis de desempenho - e cerca de um em cada 30 estudantes favorecidos com elevado desempenho - não espera concluir o ensino superior.
As regras do PISA exigem que pelo menos 80% dos estudantes escolhidos nas escolas participem no estudo. Este limite de 80% foi atingido em todos os países, exceto em Portugal, onde apenas 76% dos estudantes realmente participaram no estudo.
Para João Costa a percentagem de "não participação" não altera os resultados, mas o governante admite que é preciso corrigir estes problemas. "Tem que haver mais proximidade com as escolas para estimular a participação dos alunos que são selecionados para amostra. Há aquilo a que se chama a fadiga da resposta. São muitos questionários e as pessoas por vezes não respondem a todos, mas dada a importância destes estudos tem que haver maior acompanhamento."
João Costa sobre a não participação portuguesa neste estudo
Os investigadores avisam que isto pode levar a resultados enviesados caso os alunos que não responderam sejam os que são mais propensos a ter desempenhos mais baixos. Ainda assim, justificam que a percentagem de não participação de Portugal é suficientemente pequena para preservar os resultados.
11.9.19
Salários de jovens licenciados são 50% mais elevados do que dos restantes
Samuel Silva, in Público on-line
À medida que a idade vai avançando a diferença salarial de quem tem uma licenciatura alarga-se ainda mais. Na faixa etária dos 45 aos 54 anos, os trabalhadores com curso superior ganham quase o dobro dos outros, revela relatório da OCDE.
Ter um curso universitário continua a ser a melhor garantia para uma vida profissional mais favorável em Portugal. Os dados do relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance, que é apresentado esta terça-feira, coloca o país entre aqueles onde há maiores ganhos para quem tem uma formação superior.
Os licenciados que têm entre 45 e 54 anos ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores da mesma faixa etária. A vantagem salarial é inferior entre os mais jovens. Mesmo assim, quem, entre os 25 e os 34 anos, tem uma formação superior, consegue vencimentos 50% mas elevados do que os outros trabalhadores da mesma idade.
Ao longo do Education at a Glance 2019, são vários os indicadores que demonstram os benefícios do ensino superior. O desemprego de longa duração é superior para quem tem como qualificação máxima o 3.º ciclo. Além disso, mais de 80% dos trabalhadores nacionais com ensino superior ganham acima da mediana de rendimentos do país. Na Europa, só a Hungria garante a mesma vantagem a quem tem um curso superior – os restantes são países da América Latina: Chile, Costa Rica, Colômbia e México.
A mediana é um indicador estatístico que fornece o valor central de um conjunto de dados. Ou seja, separa a metade superior da metade inferior de uma população. Ao contrário da média, este indicador não é afectado pela existência de valores extremos, sejam demasiado altos ou demasiado baixos.
Os benefícios de uma formação superior no mercado de trabalho não parecem suficientes para convencer mais jovens a entrar numa universidade e politécnico, ainda que a alternativa para muitos deles seja manter-se inactivo. Portugal continua a ser, de acordo com o relatório da OCDE, um dos países onde há mais jovens que não estudam nem trabalham – os chamados “nem-nem”.
Cerca de 3% dos jovens dos 18 aos 24 anos estão desempregados e não estão a estudar. Portugal está num grupo de países com o mesmo problema em que também se encontram Itália, Espanha e Grécia, que tem a percentagem mais elevada neste indicador, 7,9%.
Já na faixa etária mais jovem, o Education at a Glance salienta que Portugal foi um dos países que mais conseguiu reduzir o número de jovens fora da escola na última década. São cerca de 3% os jovens até aos 18 anos que não estudam, menos 16 pontos percentuais abaixo do que acontecia em 2005 – e a quinta taxa mais baixa de todos os países da OCDE. Este indicador será resultado do aumento da escolaridade mínima obrigatória.
À medida que a idade vai avançando a diferença salarial de quem tem uma licenciatura alarga-se ainda mais. Na faixa etária dos 45 aos 54 anos, os trabalhadores com curso superior ganham quase o dobro dos outros, revela relatório da OCDE.
Ter um curso universitário continua a ser a melhor garantia para uma vida profissional mais favorável em Portugal. Os dados do relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance, que é apresentado esta terça-feira, coloca o país entre aqueles onde há maiores ganhos para quem tem uma formação superior.
Os licenciados que têm entre 45 e 54 anos ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores da mesma faixa etária. A vantagem salarial é inferior entre os mais jovens. Mesmo assim, quem, entre os 25 e os 34 anos, tem uma formação superior, consegue vencimentos 50% mas elevados do que os outros trabalhadores da mesma idade.
Ao longo do Education at a Glance 2019, são vários os indicadores que demonstram os benefícios do ensino superior. O desemprego de longa duração é superior para quem tem como qualificação máxima o 3.º ciclo. Além disso, mais de 80% dos trabalhadores nacionais com ensino superior ganham acima da mediana de rendimentos do país. Na Europa, só a Hungria garante a mesma vantagem a quem tem um curso superior – os restantes são países da América Latina: Chile, Costa Rica, Colômbia e México.
A mediana é um indicador estatístico que fornece o valor central de um conjunto de dados. Ou seja, separa a metade superior da metade inferior de uma população. Ao contrário da média, este indicador não é afectado pela existência de valores extremos, sejam demasiado altos ou demasiado baixos.
Os benefícios de uma formação superior no mercado de trabalho não parecem suficientes para convencer mais jovens a entrar numa universidade e politécnico, ainda que a alternativa para muitos deles seja manter-se inactivo. Portugal continua a ser, de acordo com o relatório da OCDE, um dos países onde há mais jovens que não estudam nem trabalham – os chamados “nem-nem”.
Cerca de 3% dos jovens dos 18 aos 24 anos estão desempregados e não estão a estudar. Portugal está num grupo de países com o mesmo problema em que também se encontram Itália, Espanha e Grécia, que tem a percentagem mais elevada neste indicador, 7,9%.
Já na faixa etária mais jovem, o Education at a Glance salienta que Portugal foi um dos países que mais conseguiu reduzir o número de jovens fora da escola na última década. São cerca de 3% os jovens até aos 18 anos que não estudam, menos 16 pontos percentuais abaixo do que acontecia em 2005 – e a quinta taxa mais baixa de todos os países da OCDE. Este indicador será resultado do aumento da escolaridade mínima obrigatória.
23.3.18
64% dos estudantes queixam-se das residências e casas alugadas
in Público on-line
Há relatos de residências com um fogão para 50 alunos.
A maioria dos estudantes universitários de Lisboa "não está minimamente satisfeita" com o seu alojamento, havendo casos em que um fogão é dividido por 50 alunos ou ainda que têm de pagar para usar a cozinha, revela um estudo. A Federação Académica de Lisboa (FAL) realizou o estudo "Alojamentos de Estudantes Deslocados — Residências e Arrendamentos" e concluiu que "64% dos alunos não estão minimamente satisfeitos com o alojamento que têm", contou à Lusa o presidente da FAL, João Rodrigues.
Há residências universitárias onde um fogão tem de ser dividido por 50 alunos e casas arrendadas onde os alunos só podem usar a cozinha mediante um pagamento extra, revela o estudo feito com base nas respostas de 400 alunos que estão a estudar longe de casa.
A maioria dos alunos inquiridos está a estudar a mais de 250 quilómetros de casa e quando chegou a Lisboa teve muitas dificuldades em encontrar uma casa em bom estado e com preços acessíveis. "Há residências universitárias públicas que têm apenas um fogão para 50 estudantes. Há alunos que vivem em residências e que se queixam de infiltrações, outros que não têm acesso à Internet ou que não têm sala de estudo", contou à Lusa o presidente da FAL.
A maioria dos estudantes a viver em residências universitárias diz que estas estão equipadas com cozinha e espaços de refeitório, mas mais de 40% consideram que os espaços não são adequados, segundo o estudo que consta do "Livro Negro do Ensino Superior", que será publicado ainda este mês.
Tanto os alunos que vivem em residências como em casas particulares arrendadas queixam-se da utilização de alguns equipamentos básicos, como o frigorífico.
"Cerca de 45% dos inquiridos admitem que o frigorífico ao seu dispor não tem a dimensão adequada ao número de pessoas que partilha o mesmo electrodoméstico, criando dificuldades de gestão dos alimentos e uma alimentação menos cuidada", refere o estudo a que a Lusa teve acesso. Nas residências universitárias, quase metade dos alunos paga mais de cento e cinquenta euros por mês, sendo que cerca de 30% são beneficiários de complemento de alojamento.
Lisboa, Porto e Coimbra têm em falta entre 13 e 18 mil camas para estudantes
Mas para quem não conseguiu lugar numa residência, o cenário agrava-se. "Há alunos a pagar 430 euros para viver numas águas furtadas", contou à Lusa João Rodrigues, lembrando que os estudantes não escapam aos preços cada vez mais altos das casas que existem para arrendar na zona de Lisboa. Mais de 90% dos estudantes que vivem em casas arrendadas paga mais de cento e cinquenta euros mensais, sendo que apenas 3% possui um complemento estatal para fazer face às despesas de alojamento.
Em algumas casas particulares, o acesso à cozinha implica um pagamento extra: metade dos alunos inquiridos "admite que a utilização da cozinha tem um custo, dos quais quase 20% admitem que esse valor é caro", lê-se no estudo. Com rendas elevadas, muitos acabam por partilhar casa e até transformar a sala de estudo e convívio em mais um quarto.
"A maioria dos senhorios não passa recibo e quando as famílias o pedem as rendas aumentam ainda mais", lembra João Rodrigues, que hoje esteve reunido com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
Para combater a falta de oferta de residências universitárias e os preços do mercado de arrendamento, a FAL apresentou hoje um pacote de medidas ao ministro. Os estudantes defendem que deveria haver benefícios fiscais para os senhorios que arrendam a estudantes e reformados.
Ler mais
Como evitar ganhar peso no primeiro ano da universidade?
Reclamadas melhores condições na residência universitária de Santa Tecla, Braga
"Esta medida poderia ainda combater a elevada evasão fiscal que existe, já que a maioria dos arrendatários não passa factura", sublinhou o presidente da FAL. A reabilitação do edificado público é outra das soluções apresentadas pelos estudantes para aumentar e melhorar a oferta de residências.
Há relatos de residências com um fogão para 50 alunos.
A maioria dos estudantes universitários de Lisboa "não está minimamente satisfeita" com o seu alojamento, havendo casos em que um fogão é dividido por 50 alunos ou ainda que têm de pagar para usar a cozinha, revela um estudo. A Federação Académica de Lisboa (FAL) realizou o estudo "Alojamentos de Estudantes Deslocados — Residências e Arrendamentos" e concluiu que "64% dos alunos não estão minimamente satisfeitos com o alojamento que têm", contou à Lusa o presidente da FAL, João Rodrigues.
Há residências universitárias onde um fogão tem de ser dividido por 50 alunos e casas arrendadas onde os alunos só podem usar a cozinha mediante um pagamento extra, revela o estudo feito com base nas respostas de 400 alunos que estão a estudar longe de casa.
A maioria dos alunos inquiridos está a estudar a mais de 250 quilómetros de casa e quando chegou a Lisboa teve muitas dificuldades em encontrar uma casa em bom estado e com preços acessíveis. "Há residências universitárias públicas que têm apenas um fogão para 50 estudantes. Há alunos que vivem em residências e que se queixam de infiltrações, outros que não têm acesso à Internet ou que não têm sala de estudo", contou à Lusa o presidente da FAL.
A maioria dos estudantes a viver em residências universitárias diz que estas estão equipadas com cozinha e espaços de refeitório, mas mais de 40% consideram que os espaços não são adequados, segundo o estudo que consta do "Livro Negro do Ensino Superior", que será publicado ainda este mês.
Tanto os alunos que vivem em residências como em casas particulares arrendadas queixam-se da utilização de alguns equipamentos básicos, como o frigorífico.
"Cerca de 45% dos inquiridos admitem que o frigorífico ao seu dispor não tem a dimensão adequada ao número de pessoas que partilha o mesmo electrodoméstico, criando dificuldades de gestão dos alimentos e uma alimentação menos cuidada", refere o estudo a que a Lusa teve acesso. Nas residências universitárias, quase metade dos alunos paga mais de cento e cinquenta euros por mês, sendo que cerca de 30% são beneficiários de complemento de alojamento.
Lisboa, Porto e Coimbra têm em falta entre 13 e 18 mil camas para estudantes
Mas para quem não conseguiu lugar numa residência, o cenário agrava-se. "Há alunos a pagar 430 euros para viver numas águas furtadas", contou à Lusa João Rodrigues, lembrando que os estudantes não escapam aos preços cada vez mais altos das casas que existem para arrendar na zona de Lisboa. Mais de 90% dos estudantes que vivem em casas arrendadas paga mais de cento e cinquenta euros mensais, sendo que apenas 3% possui um complemento estatal para fazer face às despesas de alojamento.
Em algumas casas particulares, o acesso à cozinha implica um pagamento extra: metade dos alunos inquiridos "admite que a utilização da cozinha tem um custo, dos quais quase 20% admitem que esse valor é caro", lê-se no estudo. Com rendas elevadas, muitos acabam por partilhar casa e até transformar a sala de estudo e convívio em mais um quarto.
"A maioria dos senhorios não passa recibo e quando as famílias o pedem as rendas aumentam ainda mais", lembra João Rodrigues, que hoje esteve reunido com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
Para combater a falta de oferta de residências universitárias e os preços do mercado de arrendamento, a FAL apresentou hoje um pacote de medidas ao ministro. Os estudantes defendem que deveria haver benefícios fiscais para os senhorios que arrendam a estudantes e reformados.
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Como evitar ganhar peso no primeiro ano da universidade?
Reclamadas melhores condições na residência universitária de Santa Tecla, Braga
"Esta medida poderia ainda combater a elevada evasão fiscal que existe, já que a maioria dos arrendatários não passa factura", sublinhou o presidente da FAL. A reabilitação do edificado público é outra das soluções apresentadas pelos estudantes para aumentar e melhorar a oferta de residências.
9.8.17
Voluntários da Secundária de Amares ajudam Moçambique na saúde e na habitação
in Diário de Notícias
Ajuda na construção de habitações e formação na área da saúde serão as missões de uma delegação da Escola Secundária de Amares que de 16 de agosto a 03 de setembro vai participar numa ação de voluntariado em Moçambique.
O professor responsável pelo projeto, Bernardino Silva, disse hoje à Lusa que, além dele, participarão nesta missão quatro alunos que agora terminaram o 12.º ano e outros quatro antigos alunos daquela escola, dois dos quais são actualmente médicos e outros dois enfermeiros.
Segundo Bernardino Silva, os quatro ex-alunos vão trabalhar, essencialmente, no bairro do aeroporto, periférico de Maputo, e ministrarão formação nas áreas do leite materno e da saúde oral.
Os quatro alunos que agora terminaram o Secundário vão participar na construção de casas em Chibuto, a cerca de 300 quilómetros da capital de Moçambique.
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"Vamos participar e comparticipar na construção de quatro a seis casas", referiu.
No terreno, os voluntários de Amares contarão com a parceria dos Missionários da Boa Nova, que assegurarão o alojamento e farão a ponte com as instituições locais.
"São eles que dão credibilidade à nossa ação no terreno e que garantem que as obras têm continuidade após a nossa saída", disse ainda Bernardino Silva.
Designada por "Missão Amar(es)" e com uma primeira "etapa" em 2016, a iniciativa é desenvolvida pelo Clube da Solidariedade e do Voluntariado da Escola Secundária de Amares, coordenado por Bernardino Silva, professor de Educação Moral e Religiosa Cristã.
O clube desenvolve, ao longo do ano, várias ações de voluntariado, que passam pela recolha de bens para o Banco Alimentar e para outros alunos mais necessitados.
Nesta missão a Moçambique, os voluntários de Amares vão levar alguns bens recolhidos ao longo do ano, entre os quais equipamentos do Sporting Clube de Braga, que serão distribuídos por crianças e jovens.
Bernardino Silva já realizou diversas ações de voluntariado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Também já participou em ações humanitárias e de emergência em países como Paquistão, Afeganistão, Somália, Ruanda, Sudão, República Centro Africana, Congo, Chade, Nigéria, Serra Leoa, Etiópia, Haiti, Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Vietname, Índia, Tailândia e Laos.
Ajuda na construção de habitações e formação na área da saúde serão as missões de uma delegação da Escola Secundária de Amares que de 16 de agosto a 03 de setembro vai participar numa ação de voluntariado em Moçambique.
O professor responsável pelo projeto, Bernardino Silva, disse hoje à Lusa que, além dele, participarão nesta missão quatro alunos que agora terminaram o 12.º ano e outros quatro antigos alunos daquela escola, dois dos quais são actualmente médicos e outros dois enfermeiros.
Segundo Bernardino Silva, os quatro ex-alunos vão trabalhar, essencialmente, no bairro do aeroporto, periférico de Maputo, e ministrarão formação nas áreas do leite materno e da saúde oral.
Os quatro alunos que agora terminaram o Secundário vão participar na construção de casas em Chibuto, a cerca de 300 quilómetros da capital de Moçambique.
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"Vamos participar e comparticipar na construção de quatro a seis casas", referiu.
No terreno, os voluntários de Amares contarão com a parceria dos Missionários da Boa Nova, que assegurarão o alojamento e farão a ponte com as instituições locais.
"São eles que dão credibilidade à nossa ação no terreno e que garantem que as obras têm continuidade após a nossa saída", disse ainda Bernardino Silva.
Designada por "Missão Amar(es)" e com uma primeira "etapa" em 2016, a iniciativa é desenvolvida pelo Clube da Solidariedade e do Voluntariado da Escola Secundária de Amares, coordenado por Bernardino Silva, professor de Educação Moral e Religiosa Cristã.
O clube desenvolve, ao longo do ano, várias ações de voluntariado, que passam pela recolha de bens para o Banco Alimentar e para outros alunos mais necessitados.
Nesta missão a Moçambique, os voluntários de Amares vão levar alguns bens recolhidos ao longo do ano, entre os quais equipamentos do Sporting Clube de Braga, que serão distribuídos por crianças e jovens.
Bernardino Silva já realizou diversas ações de voluntariado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Também já participou em ações humanitárias e de emergência em países como Paquistão, Afeganistão, Somália, Ruanda, Sudão, República Centro Africana, Congo, Chade, Nigéria, Serra Leoa, Etiópia, Haiti, Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Vietname, Índia, Tailândia e Laos.
24.7.17
Estudantes estão a mudar a casa (e a vida) de famílias carenciadas
Ana Catarina Peixoto, in Jornal Público
A associação Just a Change, juntamente com a Fundação Mão Amiga, colocou jovens universitários a reabilitar 11 casas degradadas no concelho de Sever do Vouga, distrito de Aveiro
Desde o início de Julho que Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, tem recebido novos visitantes com uma missão especial. São jovens universitários, vêm de várias partes do país e não se importam de tirar uns dias das férias para ajudar quem mais precisa. Juntos, estão a reabilitar 11 casas degradadas de famílias carenciadas do concelho e esperam vir a mudar a vida de quem nelas habita.
Conceição Gradim tem 74 anos e vive com o seu marido, Manuel Martins, numa casa em Vila Fria, uma pequena terra no meio de Sever do Vouga. É lá que tem vivido parte da sua vida, mas os problemas têm-se acumulado: "Chovia muito aqui dentro, até no guarda-fatos. As telhas estavam mais para lá do que para cá e quando o vento era mais forte deixava tudo destruído", conta ao PÚBLICO, enquanto passa o olhar pela sala que está agora repleta de todo o tipo de materiais de construção.
No sítio onde vive, rodeado por natureza e pelo silêncio que se costuma sentir na pacata vila, há agora o frenesim e alegria dos jovens que estão a ajudar a recuperar o seu lar. Entre preparar a massa de cimento, tapar os buracos do telhado e arranjar os tectos e as paredes, os voluntários, pouco a pouco, vão dando uma nova vida e novas condições àquela e a outras habitações.
Ao todo, são 20 dias de obras de reabilitação de habitações degradadas, orientadas sempre por mestres de obra e apoiadas por várias instituições locais, num projecto que junta a associação Just a Change (em português, Apenas uma mudança), a Fundação Mão Amiga e a Câmara Municipal de Sever do Vouga.
A ideia do Just a Change surgiu quando um grupo de amigos se juntou e começou a tocar guitarra na Baixa de Lisboa para "ganhar uns trocos" e ajudar na alimentação dos sem-abrigo. Mas queriam ir mais longe e decidiram fazer algo diferente: "Já existiam muitas instituições a fazer esse tipo de trabalho e então virámo-nos mais para o ramo habitacional", conta Henrique Lopes Cardoso, da associação. Começaram, assim, a intervir em casas ou instituições com pequenas coisas como "pinturas e umas massas" e, a partir daí, foram evoluindo até chegar a este projecto. Desta vez, estão por Sever do Vouga.
Salomé Martins estuda Psicologia na Universidade de Aveiro, que tem um protocolo com a fundação Mão Amiga, e é uma das voluntárias do projecto. Não é a primeira vez que decide fazer voluntariado, mas confessa que é a sua estreia a "pôr as mãos na massa para reabilitar casas". Apesar de ser cansativo, diz estar a apanhar o gosto e a aprender coisas novas.
"Na casa onde nós estávamos, o senhor parecia que vivia sozinho, parecia mesmo ter vontade de falar, então nós estamos a trabalhar e a falar com ele ao mesmo tempo", acrescenta. E porquê colocar jovens a reabilitar casas? Segundo o Just a Change, são os mais novos que trazem consigo "uma vontade inabalável de mudar o mundo" e agora podem fazê-lo ao ajudar as famílias e idosos das aldeias de Portugal.
A associação Just a Change, juntamente com a Fundação Mão Amiga, colocou jovens universitários a reabilitar 11 casas degradadas no concelho de Sever do Vouga, distrito de Aveiro
Desde o início de Julho que Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, tem recebido novos visitantes com uma missão especial. São jovens universitários, vêm de várias partes do país e não se importam de tirar uns dias das férias para ajudar quem mais precisa. Juntos, estão a reabilitar 11 casas degradadas de famílias carenciadas do concelho e esperam vir a mudar a vida de quem nelas habita.
Conceição Gradim tem 74 anos e vive com o seu marido, Manuel Martins, numa casa em Vila Fria, uma pequena terra no meio de Sever do Vouga. É lá que tem vivido parte da sua vida, mas os problemas têm-se acumulado: "Chovia muito aqui dentro, até no guarda-fatos. As telhas estavam mais para lá do que para cá e quando o vento era mais forte deixava tudo destruído", conta ao PÚBLICO, enquanto passa o olhar pela sala que está agora repleta de todo o tipo de materiais de construção.
No sítio onde vive, rodeado por natureza e pelo silêncio que se costuma sentir na pacata vila, há agora o frenesim e alegria dos jovens que estão a ajudar a recuperar o seu lar. Entre preparar a massa de cimento, tapar os buracos do telhado e arranjar os tectos e as paredes, os voluntários, pouco a pouco, vão dando uma nova vida e novas condições àquela e a outras habitações.
Ao todo, são 20 dias de obras de reabilitação de habitações degradadas, orientadas sempre por mestres de obra e apoiadas por várias instituições locais, num projecto que junta a associação Just a Change (em português, Apenas uma mudança), a Fundação Mão Amiga e a Câmara Municipal de Sever do Vouga.
A ideia do Just a Change surgiu quando um grupo de amigos se juntou e começou a tocar guitarra na Baixa de Lisboa para "ganhar uns trocos" e ajudar na alimentação dos sem-abrigo. Mas queriam ir mais longe e decidiram fazer algo diferente: "Já existiam muitas instituições a fazer esse tipo de trabalho e então virámo-nos mais para o ramo habitacional", conta Henrique Lopes Cardoso, da associação. Começaram, assim, a intervir em casas ou instituições com pequenas coisas como "pinturas e umas massas" e, a partir daí, foram evoluindo até chegar a este projecto. Desta vez, estão por Sever do Vouga.
Salomé Martins estuda Psicologia na Universidade de Aveiro, que tem um protocolo com a fundação Mão Amiga, e é uma das voluntárias do projecto. Não é a primeira vez que decide fazer voluntariado, mas confessa que é a sua estreia a "pôr as mãos na massa para reabilitar casas". Apesar de ser cansativo, diz estar a apanhar o gosto e a aprender coisas novas.
"Na casa onde nós estávamos, o senhor parecia que vivia sozinho, parecia mesmo ter vontade de falar, então nós estamos a trabalhar e a falar com ele ao mesmo tempo", acrescenta. E porquê colocar jovens a reabilitar casas? Segundo o Just a Change, são os mais novos que trazem consigo "uma vontade inabalável de mudar o mundo" e agora podem fazê-lo ao ajudar as famílias e idosos das aldeias de Portugal.
20.10.16
Plataforma ajuda estudantes a serem líderes sustentáveis
Patricia Sousa, in Correio do Minho
Acreditando que “os jovens líderes são o futuro do nosso país”, a AIESEC (Association Internationale des Estudiants en Sciences Economiques et Commerciales), com sede na Universidade do Minho (UMinho), quer chegar também, através de projectos de voluntariado e intercâmbio aos concelhos de Vila Verde e Vila Nova de Famalicão.
“Somos uma plataforma global onde os jovens podem crescer, ganhar experiência e onde o objectivo é fazer com que os mesmos utilizem as suas capacidades e valores”, explicou o direc- tor de Marketing do Comité Minho daquela associação, João Araújo, defendendo que “a liderança sustentável, informada e global pode ajudar a resolver muitos dos desafios”.
O Comité Minho é um dos comités a nível nacional. “Por trabalharmos em parceria com a UMinho, já proporcionámos mais de vinte experiências a estudantes e apostamos no estabelecimento de relações com as várias escolas e partes integrantes da mesma”, contou aquele responsável, destacando que na associação os jovens “não vêem problemas, mas soluções”.
No que toca a trazer pessoas do estrangeiro para a região, o Comité Minho desenvolve dois projectos. “O ‘Ativa’ pretende proporcionar um intercâmbio geracional e cultural entre jovens brasileiros e uma população mais envelhecida. Uma das áreas focadas é a animação sócio-cultural, ond
e se pretende que os voluntários participem em actividades já existentes na instituição e que implementem novas actividades, ao longo de seis semanas, onde demonstrem a sua cultura”, explicou João Araújo.
O ‘Make It Possible’ é, ainda segundo o director de Marketing, “um projecto de seis semanas em que estagiários vindos de diversos países promovem a aprendizagem e a criação e desenvolvimento de projectos tendo por base os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.
Com estes projectos, os estudantes das escolas identificam os problemas nas suas comunidades e são desafiados a ponto de perceberem qual o papel que têm na resolução dos mesmos. Este projecto vai de acordo aquele que é o objectivo da AIESEC em prol do “desenvolvimento da liderança jovem, dando hipótese aos mesmos de assumirem um papel mais activo, de se inserirem num ambiente multicultural, formativo e desafiador e de serem capazes de serem a mudança que querem ver no mundo”.
Entretanto, a AIESEC leva a cabo outros projectos para colocar em prática o propósito, bem como desenvolver jovens líderes, como são exemplo disso os projectos Global Talent (oportunidade de adquirir experiência profissional a nível internacional numa empresa) e o Global Volunteer (Programa de estágios de voluntariado, focado na vertente social e que gera um impacto positivo nas comunidades).
Acreditando que “os jovens líderes são o futuro do nosso país”, a AIESEC (Association Internationale des Estudiants en Sciences Economiques et Commerciales), com sede na Universidade do Minho (UMinho), quer chegar também, através de projectos de voluntariado e intercâmbio aos concelhos de Vila Verde e Vila Nova de Famalicão.
“Somos uma plataforma global onde os jovens podem crescer, ganhar experiência e onde o objectivo é fazer com que os mesmos utilizem as suas capacidades e valores”, explicou o direc- tor de Marketing do Comité Minho daquela associação, João Araújo, defendendo que “a liderança sustentável, informada e global pode ajudar a resolver muitos dos desafios”.
O Comité Minho é um dos comités a nível nacional. “Por trabalharmos em parceria com a UMinho, já proporcionámos mais de vinte experiências a estudantes e apostamos no estabelecimento de relações com as várias escolas e partes integrantes da mesma”, contou aquele responsável, destacando que na associação os jovens “não vêem problemas, mas soluções”.
No que toca a trazer pessoas do estrangeiro para a região, o Comité Minho desenvolve dois projectos. “O ‘Ativa’ pretende proporcionar um intercâmbio geracional e cultural entre jovens brasileiros e uma população mais envelhecida. Uma das áreas focadas é a animação sócio-cultural, ond
e se pretende que os voluntários participem em actividades já existentes na instituição e que implementem novas actividades, ao longo de seis semanas, onde demonstrem a sua cultura”, explicou João Araújo.
O ‘Make It Possible’ é, ainda segundo o director de Marketing, “um projecto de seis semanas em que estagiários vindos de diversos países promovem a aprendizagem e a criação e desenvolvimento de projectos tendo por base os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.
Com estes projectos, os estudantes das escolas identificam os problemas nas suas comunidades e são desafiados a ponto de perceberem qual o papel que têm na resolução dos mesmos. Este projecto vai de acordo aquele que é o objectivo da AIESEC em prol do “desenvolvimento da liderança jovem, dando hipótese aos mesmos de assumirem um papel mais activo, de se inserirem num ambiente multicultural, formativo e desafiador e de serem capazes de serem a mudança que querem ver no mundo”.
Entretanto, a AIESEC leva a cabo outros projectos para colocar em prática o propósito, bem como desenvolver jovens líderes, como são exemplo disso os projectos Global Talent (oportunidade de adquirir experiência profissional a nível internacional numa empresa) e o Global Volunteer (Programa de estágios de voluntariado, focado na vertente social e que gera um impacto positivo nas comunidades).
5.2.15
Senhorios não passam recibos a 80% dos estudantes
Zulay Costa, in Jornal de Notícias
Para ter onde ficar ou poupar no final do mês, há milhares de universitários deslocados a pagar rendas sem comprovativo. Fisco avança com cruzamento de dados e reforça fiscalização para combater evasão.
O presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro, André Reis, estima que "80% dos senhorios que arrendam casas, quartos ou apartamentos a estudantes em Aveiro não passam recibos, alimentando a economia paralela". O jovem diz que "é essencial que as autoridades competentes sejam mais fiscalizadoras, para vencer vícios instalados". O Fisco promete agir e as multas não são convidativas.
Para ter onde ficar ou poupar no final do mês, há milhares de universitários deslocados a pagar rendas sem comprovativo. Fisco avança com cruzamento de dados e reforça fiscalização para combater evasão.
O presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro, André Reis, estima que "80% dos senhorios que arrendam casas, quartos ou apartamentos a estudantes em Aveiro não passam recibos, alimentando a economia paralela". O jovem diz que "é essencial que as autoridades competentes sejam mais fiscalizadoras, para vencer vícios instalados". O Fisco promete agir e as multas não são convidativas.
29.9.14
46% dos estudantes acredita que estará fora em 2020
por Ana Maia, in Diário de Notícias
Quase metade dos universitários (46%) que participaram no estudo Geração 2020 - O Futuro de Portugal aos olhos dos Universitários acredita que nessa altura vai estar a viver fora de Portugal.
O trabalho, elaborado pela Imago-LLORENTE & CUENCA em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, analisa a confiança e relação que os jovens universitários mantêm com diversos tipos de instituições.
Além de "Esperança", referido por 52% dos 1100 inquiridos entre os 18 e os 30 anos, e "Emigração" (50%), de um conjunto de 19 conceitos, positivos e negativos, que são associados a Portugal, os termos mais referidos pelos jovens são "Desemprego", "Pobreza", "Solidariedade", "Revolução", "Cultura" e "Juventude", com valores acima dos 30%.
Quanto às entidades que devem fazer reformas mais profundas ao serviço do interesse público são os partidos políticos as instituições mais mencionadas (95%, segundo o estudo), à frente do sistema judicial (89%) e da União Europeia (50%). Apenas 8% dos universitários acredita que são eles próprios que devem mudar, registando-se a mesma percentagem de referências à necessidade de mudança na sua família
Quase metade dos universitários (46%) que participaram no estudo Geração 2020 - O Futuro de Portugal aos olhos dos Universitários acredita que nessa altura vai estar a viver fora de Portugal.
O trabalho, elaborado pela Imago-LLORENTE & CUENCA em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, analisa a confiança e relação que os jovens universitários mantêm com diversos tipos de instituições.
Além de "Esperança", referido por 52% dos 1100 inquiridos entre os 18 e os 30 anos, e "Emigração" (50%), de um conjunto de 19 conceitos, positivos e negativos, que são associados a Portugal, os termos mais referidos pelos jovens são "Desemprego", "Pobreza", "Solidariedade", "Revolução", "Cultura" e "Juventude", com valores acima dos 30%.
Quanto às entidades que devem fazer reformas mais profundas ao serviço do interesse público são os partidos políticos as instituições mais mencionadas (95%, segundo o estudo), à frente do sistema judicial (89%) e da União Europeia (50%). Apenas 8% dos universitários acredita que são eles próprios que devem mudar, registando-se a mesma percentagem de referências à necessidade de mudança na sua família
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