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20.1.22

Fortuna dos 10 mais ricos do mundo duplicou durante a pandemia

in JN

A pandemia de covid-19 tornou os mais ricos do mundo muito mais ricos, mas também levou a que mais pessoas vivessem na pobreza, alerta a organização Oxfam.

Num relatório que evidencia os extremos, a organização humanitária britânica Oxfam refere que a redução de rendimentos para os mais pobres do mundo contribuiu para a morte de 21 mil pessoas por dia. Por outro lado, os dez homens mais ricos do mundo viram as suas fortunas mais do que duplicar desde março de 2020, quando foi declarada a pandemia de covid-19, doença causada pelo coronavírus SARS CoV-2.

"Este ano, o que está a acontecer está fora da escala", disse Danny Sriskandarajah, diretor da Oxfam no Reino Unido, à BBC. "Tem havido um novo bilionário quase todos os dias durante esta pandemia, enquanto 99% da população mundial está em pior situação por causa dos confinamentos, redução do comércio internacional, menos turismo internacional e, como resultado disso, mais 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza".

"Algo está profundamente viciado no nosso sistema económico", acrescentou.

A Oxfam recorre aos números da revista "Forbes" para identificar os dez homens mais ricos do mundo: Elon Musk (Tesla, SpaceX), Jeff Bezos (Amazon, Blue Origin), Bernard Arnault e família (grupo LVMH), Bill Gates (Microsoft), Larry Ellison (Oracle), Larry Page e Sergey Brin (Google), Mark Zuckerberg (Facebook), Steve Ballmer (Microsoft) e Warren Buffet (Berkshire Hathaway).

Coletivamente, a riqueza dos dez mais ricos cresceu de 700 mil milhões de dólares para 1500 mil milhões de dólares, mas há uma variação significativa entre eles, com a fortuna de Elon Musk a crescer mais de 1000%, enquanto que a de Bill Gates aumentou mais modestamente: 30%.

A falta de acesso aos cuidados de saúde, a fome, a violência de género e fenómenos climáticos contribuíram para uma morte a cada quatro segundos.

Mais 160 milhões de pessoas vivem com menos de 5,50 dólares (4,81 euros) por dia do que teria acontecido sem o impacto da pandemia de covid.

A Oxfam diz ainda que a igualdade de género foi posta em causa, com menos 13 milhões de mulheres a trabalhar agora do que em 2019 e mais de 20 milhões de raparigas em risco de nunca mais regressarem à escola.

Danny Sriskandarajah defende que os líderes políticos têm agora uma oportunidade histórica de apoiar estratégias económicas mais arrojadas para "mudar o rumo mortífero em que estamos". Isso deveria incluir regimes fiscais mais progressivos, que impõem taxas mais elevadas ao capital e à riqueza, com as receitas direcionadas para "cuidados de saúde universais de qualidade e protecção social para todos", diretor da Oxfam.

Fórum de Davos online devido à ómicron

A Oxfam publica normalmente um relatório sobre a desigualdade global no início da reunião do Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça, marcada para esta semana. Pelo segundo ano consecutivo, a reunião será apenas online, uma vez que o aparecimento da variante ómicron deitou por terra os planos para o evento ser presencial.

O Fórum de Davos costuma reunir milhares de líderes empresariais e políticos, celebridades, ativistas, economistas e jornalistas na estância de esqui suíça.

A provável trajetória da pandemia, a equidade das vacinas e a transição energética serão temas em discussão durante a semana.

Riqueza dos dez mais ricos duplicou durante a pandemia, revela Oxfam

Emma Batha e PÚBLICO, in Público online 

Segundo o relatório da Oxfam, os rendimentos dos mais pobres do mundo baixou e para isso contribuíram também a morte de 21 mil pessoas por dia por causa da covid-19.

As dez pessoas mais ricas do mundo mais que duplicaram as suas fortunas para 1,5 biliões de dólares (1,3 biliões de euros) durante a pandemia, à medida que as taxas de pobreza dispararam, de acordo com um estudo divulgado pela Oxfam, uma instituição de caridade britânica que é uma congregação de centenas de associações que actuam em mais de 90 países. Estes dados surge nesta segunda-feira, antes de um encontro de alto nível do Fórum Económico Mundial, em Davos.


Tradicionalmente, neste encontra na estação de ski suíça, é costume reunirem-se milhares de líderes empresariais e políticos, celebridades, activistas, economistas e jornalistas para debates sobre temas da actualidade. Contudo, devido ao surgimento da variante Ómicron, esta reunião será apenas online.

Segundo o relatório da Oxfam, que costuma ser divulgado antes de Davos, os rendimentos dos mais pobres do mundo baixou e para isso contribuíram também a morte de 21 mil pessoas por dia. Já para os dez homens mais ricos do mundo, as suas fortunas colectivas mais do que duplicaram desde Março de 2020.

De acordo com dados da Forbes, citados pela Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo são: Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Ballmer e Warren Buffet.

“Durante a pandemia, houve um novo bilionário criado quase todos os dias, enquanto 99% da população mundial está pior por causa de confinamentos, há menos comércio internacional, menos turismo internacional e, como resultado disso, mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para pobreza”, denuncia Danny Sriskandarajah, director-executivo da Oxfam no Reino Unido, citado pela BBC. “Algo está profundamente errado no nosso sistema económico”, lamenta.

Eis alguns números sobre a desigualdade global:
Os multimilionários viram um aumento recorde na sua riqueza durante a pandemia.
As dez pessoas mais ricas aumentaram as suas fortunas em 15.000 dólares (13 mil euros) por segundo ou 1,3 mil milhões (1,14 mil milhões de euros) por dia durante a pandemia.
Os dez mais ricos possuem mais do que os 3,1 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo.
A cada 26 horas, desde o início da pandemia, foi criado um novo multimilionário.
Estima-se que mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza durante a pandemia.
Pela primeira vez, numa geração, a desigualdade entre as nações deve aumentar, e também está acrescet dentro dos países.
As nações ricas estão a recuperar mais rapidamente do que as outras. A produção nos países ricos provavelmente retornará às tendências pré-pandemia até 2023, mas cairá 4% em média nos países em desenvolvimento, segundo o Banco Mundial.
Em 2023, o rendimento per capita provavelmente permanecerá abaixo dos níveis de 2019 em 40 países em desenvolvimento, diz o Banco Mundial.
A desigualdade contribui para a morte de pelo menos 21.300 pessoas por dia — uma pessoa a cada quatro segundos, de acordo com o relatório da Oxfam.
Estima-se que 5,6 milhões de pessoas em países pobres morrem a cada ano devido à falta de acesso à saúde, enquanto a fome mata mais de 2,1 milhões anualmente, segundo o relatório.
A proporção de pessoas com covid-19 que morrem da doença nos países em desenvolvimento foi estimada em aproximadamente o dobro da dos países ricos.
Pouco mais de 7% das pessoas em países pobres receberam uma dose de vacina em comparação com mais de 75% em países ricos.
O 1% mais rico do mundo emite duas vezes mais dióxido de carbono que aquece o planeta do que os 50% mais pobres.
Se não for controlada, a mudança climática pode levar até 132 milhões de pessoas à pobreza extrema até 2030, segundo estimativas do Banco Mundial.
A pandemia também atrasou o progresso global em direcção à igualdade de género. Levará quase 136 anos para que as mulheres estejam em pé de igualdade com os homens – acima dos 99 anos pré-pandemia.

Fontes: Oxfam, Banco Mundial, McKinsey Global Institute, Fórum Económico Mundial

26.4.21

COVID-19 AUMENTA FOSSO ENTRE RICOS E POBRES. CLASSE MÉDIA EM VIAS DE EXTINÇÃO

Nuno Mandeiro, in TVI24

A classe média global foi reduzida em cerca de 54 milhões de pessoas desde o início da pandemia

Foi há pouco menos de ano e meio que o mundo conheceu o novo inimigo comum. Entretanto, a pandemia de covid-19 já matou mais de três milhões de pessoas em todo o mundo e infetou quase 150 milhões.

Para além das consequências diretas, o SARS-CoV-2 foi ainda responsável por uma panóplia de efeitos colaterais que tem vindo a abalar a maioria das economias mundiais.


A classe média está a ser uma das mais atingidas pela agora batizada crise pandémica. Dados do Pew Research Center, instituto que fornece informações sobre algumas das principais questões, atitudes e tendências que moldam o planeta, revelam que a covid-19 fomentou um crescimento do número de pobres, em todo o planeta, exceto na China.

As projeções para 2020 mostram que a classe média global foi reduzida em cerca de 54 milhões de pessoas, para além das reduções da classe média alta e dos mais ricos.



O país mais afetado foi a Índia, que foi responsável por 60% deste retrocesso socioeconómico. O país perdeu um terço da sua classe média, o que equivale a uma redução de cerca de 33 milhões de pessoas.


Segundo a análise do Pew Research Center, não há qualquer previsão de que esta tendência se venha a reverter. As projeções acreditam sim que ocorra uma estagnação do número de pessoas que compõem a classe média.

O estudo entende que pertence à classe média quem viva com rendimentos diários entre 10 e 20 dólares ou com 14.600 a 29.200 dólares anuais, os cálculos tem por base um agregado familiar composto por quatro pessoas.



Antes da pandemia, a classe média tinha crescido de 899 milhões para 1,38 mil milhões de pessoas, entre 2011 e 2019. Em 2020, registou-se um decréscimo acentuado de menos 54 milhões de pessoas na classe média, uma redução de 36 milhões entre aqueles com rendimentos médio-altos e uma diminuição de 62 milhões de pessoas entre as que auferiam um rendimento alto.

A única exceção à regra é mesmo a China, berço do novo coronavírus. O país asiático não passou por qualquer período de recessão e já voltou a registar algum crescimento económico, no primeiro semestre de 2021.

Na China, os níveis de pobreza também não pioraram. O número de pessoas pertencentes à classe média e média-alta até já supera os que se encontram em situação de pobreza ou na classe média baixa.

A análise do Pew Research Center centra-se nos dados do Banco Mundial e tem por os rendimentos diários e anuais, embora possam existir outros fatores como a educação, emprego ou ter casa própria.

26.1.21

Homens mais ricos do mundo já recuperaram da crise. Os mais pobres vão demorar mais de uma década

in SicNotícias

Enquanto milhões de pessoas entram na pobreza, os maiores multimilionários regressam aos níveis de riqueza pré-crise em nove meses.
Especial Coronavírus

A pandemia fez aumentar a desigualdade económica em quase todos os países. A conclusão é do estudo "Vírus da Desigualdade", publicado pela ONG Oxfam, uma confederação que procura soluções para a pobreza, desigualdade e injustiça.

O estudo adianta que a população mais pobre pode demorar mais de uma década a recuperar da crise económica, 14 anos para ser mais preciso.

Enquanto milhões de pessoas entram na pobreza, os maiores multimilionários regressam aos níveis de riqueza pré-crise em nove meses.

Gabriela Bucher, diretora executiva da Oxfam, aponta para 10 bilionários que arrecadaram meio bilião de dólares entre março e finais de dezembro.


10.12.20

Países ricos estão a açambarcar vacinas, países pobres só garantem doses para uma em cada 10 pessoas

Ana Kotowicz, in o Observador

Nações mais ricas compraram vacinas em número suficiente para vacinar três vezes a sua população. Em contrapartida, em 67 países mais pobres apenas 1 em 10 pessoas poderá ser vacinada.

O fosso é enorme. Se as economias mais sólidas estão a encomendar doses de vacinas suficientes para vacinar três vezes a sua população contra a Covid-19, há 67 países onde os medicamentos disponíveis só garantem a vacinação de uma em cada dez pessoas. As contas são da People’s Vaccine Alliance e indicam ainda que mais de metade das vacinas (53%) estão encomendadas pelas nações mais ricas do planeta, as mesmas que representam apenas 14% da população mundial.

Entre os países que só garantem a vacinação de uma em cada dez pessoas estão o Quénia, Myanmar, Nigéria, Paquistão e Ucrânia, que juntas têm quase 1,5 milhão de contágios acumulados.

É por isso que People’s Vaccine Alliance, uma rede de organizações onde se inclui a Amnistia Internacional, a Oxfam e a Global Justice Now, entre outros, fala em “açambarcamento” de vacinas. O Canadá, por exemplo, garantiu já doses suficientes para vacinar 5 vezes cada um dos seus cidadãos.

Em Portugal, os números revelados na semana passada pela ministra da Saúde apontam para a compra de 22 milhões de vacinas para uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, num investimento que rondará os 200 milhões de euros.

As vacinas mais promissoras contra o vírus que provoca a Covid-19 obrigam a mais do que uma toma.

21.1.20

Dois mil bilionários têm mais riqueza do que 60% da população mundial

Por Notícias ao Minuto

Os 2.153 bilionários do mundo tinham em 2019 mais riqueza do que 4,6 mil milhões de pessoas, 60% da população mundial, alerta hoje a Oxfam, segundo a qual a desigualdade económica e de género está fora de controlo.

Estas informações constam do relatório "Tempo de Cuidar - O trabalho de cuidador mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade", que é lançando hoje pela Oxfam, na véspera do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, que se realiza entre terça-feira e sexta-feira.

Segundo o documento da organização não-governamental, o grande fosso entre ricos e pobres baseia-se num sistema económico sexista e falhado, que valoriza mais a riqueza de um grupo de poucos privilegiados, na sua maioria homens, do que vários milhões de horas dedicadas ao trabalho mais essencial - o de cuidador não remunerado ou mal pago, cuidados prestados principalmente por mulheres e raparigas em todo o mundo.
De acordo com dados do relatório, a desigualdade global está em níveis recordes e o número de bilionários duplicou na última década.

Os 22 homens mais ricos do mundo detêm mais riqueza do que todas as mulheres que vivem em África. Um por cento dos mais ricos do mundo detêm mais do dobro da riqueza de 6,9 mil milhões de pessoas.

Novas estimativas do Banco Mundial revelam que quase metade da população no mundo sobrevive com menos de 5,50 dólares (4,9 euros) por dia e que a taxa de redução da pobreza caiu pela metade desde 2013.

As tarefas diárias de cuidar de outras pessoas, cozinhar, limpar, buscar água e lenha são essenciais para o bem-estar de sociedades, comunidades e para o funcionamento da economia. A pesada e desigual responsabilidade por esse trabalho de cuidado perpetua as desigualdades de género e económica, escrevem os autores do relatório.

As mulheres também são maioria na força remunerada no trabalho de cuidador, acrescentam. Enfermeiras, trabalhadoras domésticas e cuidadoras são em geral mal pagas, têm poucos benefícios e trabalham em horários irregulares, além de sofrerem problemas físicos e emocionais.

Segundo o relatório, as mulheres fazem mais de 75% de todo trabalho de cuidado não remunerado do mundo. Frequentemente, estas trabalham menos horas em seus empregos ou têm de abandoná-los por causa da carga horária com o cuidado.

Em todo o mundo, 42% das mulheres não conseguem um emprego porque são responsáveis por todo o trabalho de cuidador, enquanto nos homens esse percentual é de apenas 6%.

Mulheres e raparigas em todo o mundo dedicam 12,5 mil milhões de horas, todos os dias, ao trabalho de cuidado não remunerado -- uma contribuição de pelo menos 10,8 biliões de dólares (9,6 biliões de euros) por ano à economia global -- mais de três vezes o valor da indústria de tecnologia do mundo.

A Oxfam alerta que o problema deve agravar-se na próxima década, à medida que a população mundial aumenta e envelhece. Estima-se que 2,3 mil milhões de pessoas vão precisar de cuidados em 2030 -- um aumento de 200 milhões desde 2015.

O relatório "Tempo de Cuidar" revela também como Governos estão a cobrar poucos impostos dos mais ricos e de grandes empresas, abandonando a opção de levantar os recursos necessários para reduzir a pobreza e as desigualdades.
Se o 1% mais rico do mundo pagasse uma taxa extra de 0,5% sobre sua riqueza nos próximos 10 anos seria possível criar 117 milhões de empregos em educação, saúde e de cuidado para idosos, estima a organização.

Os governos estão a subfinanciar serviços públicos e infraestruturas essenciais que deveriam reduzir o peso do trabalho de cuidador sobre mulheres e jovens. Investir em saneamento básico, eletricidade, creches e saúde, por exemplo, poderia dar às mulheres e raparigas oportunidades para melhorarem a qualidade de suas vidas, sugerem os autores do relatório.

Segundo a Oxfam, essa situação precisa de mudar e os Governos devem agir para construir uma economia humana que seja feminista e que valorize o que realmente importa para a sociedade, em vez de promover uma busca interminável pelo lucro e pela riqueza.

O relatório indica que é necessário investir em sistemas nacionais de cuidado para resolver a questão da responsabilidade desproporcional assumida pelo trabalho de mulheres e raparigas, adotar um sistema de tributação progressiva, com taxas sobre riquezas, e legislar em favor de quem é cuidador, são passos possíveis e cruciais a serem dados para uma mudança.

23.1.18

Mais de 80% da riqueza de todo o mundo nas mãos de 1% da população

in Jornal de Notícias

Relatório da ONG Oxfam fez as contas. Em 2017 aumentou o número de multimilionários no mundo

Mais de 80 por cento da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1 por cento da população mundial, refere um relatório da organização não-governamental Oxfam hoje divulgado.
No relatório "Recompensem o trabalho, não a riqueza", a Comissão de Combate à Fome de Oxford (Oxfam, no acrónimo em inglês da confederação de 17 organizações não-governamentais) refere que metade da população mundial não ficou com qualquer parcela daquela riqueza.
Segundo a Oxfam, houve um aumento histórico no número de multimilionários no mundo: "atualmente existem 2.043 multimilionários no mundo e 9 em cada 10 são homens".

O estudo calculou que a riqueza dos multimilionários aumentou 13% ao ano em média desde 2010, seis vezes mais do que os aumentos dos salários pagos aos trabalhadores (2% ao ano).
O mesmo relatório indicou que em 2017 a riqueza desse grupo aumentou 762 mil milhões de dólares (622,8 mil milhões de euros), uma verba suficiente para acabar mais de sete vezes com a pobreza extrema no mundo.
Para a organização não-governamental, o crescimento sem precedentes do número de bilionários não é um sinal de uma economia próspera, mas um sintoma de um sistema extremamente problemático já que mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 2 e 10 dólares (entre 1,6 euros e 8,1 euros).

"Enquanto o 1% mais rico ficou com 27% do crescimento do rendimento global entre 1980 e 2016, a metade mais pobre do mundo ficou com 13%", refere o relatório.

"Mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de 5 dólares (4 euros) por dia", concluiu a análise.

O lançamento do relatório internacional da Oxfam é feito na véspera do Fórum Económico Mundial, que junta os principais líderes políticos e empresariais do mundo na cidade de Davos, na Suíça, entre 23 e 26 de janeiro.

23.2.17

Quatro indonésios são mais ricos que os 100 milhões mais pobres do país

in Notícias ao Minuto

Os quatro homens mais ricos da Indonésia acumulam mais riqueza que os 100 milhões de pessoas mais pobres do país, de acordo com um relatório da Oxfam sobre desigualdade.

Segundo o relatório, a Indonésia, com uma população de mais de 250 milhões, é o 6.º país mais desigual do mundo.

A organização aponta o dedo ao "fundamentalismo de mercado" que permitiu aos ricos captarem a maioria dos benefícios durante quase duas décadas de forte crescimento económico e generalizada desigualdade de género.

O relatório indica que a pobreza extrema diminuiu acentuadamente desde 2000, mas que 93 milhões de indonésios ainda vivem com menos de 3,10 dólares por dia, o que o Banco Mundial define como uma linha moderada de pobreza.

A Oxfam alerta que a instabilidade social pode aumentar se o Governo não mitigar o fosso entre ricos e pobres.

29.12.15

O crescente fosso da desigualdade: a inevitabilidade e a irrelevância (?)

Miguel Coelho e Rui Sainhas de Oliveira, in Público on-line

Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Mas será esta a realidade? Uma análise dos autores do livro Mercados – São Mesmo os Grandes Culpados das Crises?

Tenacidade é um dos métodos, segundo Charles S. Peirce (filósofo americano - 1839-1914) para o estabelecimento das nossas opiniões e a fixação das nossas convicções, e que caracteriza do seguinte modo: podemos tomar uma proposição e repeti-la para nós mesmos, concentrando-nos em tudo o que a suporta e voltando as costas a qualquer coisa que a possa desafiar. Mas para tratar do tema da desigualdade, já tão generosamente glosado segundo aquele método, preferimos o método também proposto por Peirce que postula a existência de coisas reais cujas características são inteiramente independentes das nossas opiniões sobre elas; procurando, assim, tirar proveito do que sabemos para nos aproximar mais do que não sabemos, ainda.

Com efeito, esclarecidas as questões quanto ao método, queremos com o termo desigualdade significar o hiato de rendimento que se define entre os termos da comparação que mais genericamente se estabelece na discussão deste tópico, a saber: (i) a diferença de rendimento entre os países mais pobres e os países mais ricos; e (ii) as diferenças salariais num quadro de livre comércio. Procuraremos, pois, desenvolver esta reflexão em torno destes dois polos do tópico, muito valorizado na obra de Angus Deaton, Nobel da Economia de 2015.

O fosso da desigualdade entre países ricos e os países pobres
Partindo do que sabemos, comecemos por revisitar o quadro de reflexão do Prof. William O. Thweat (de quem tomámos o título deste artigo) sobre a definição e o alargamento do fosso da desigualdade de rendimentos entre países ricos e países pobres. Iniciamos esse percurso pela definição do que o autor designa por “taxa de ultrapassagem”: quociente entre a taxa de crescimento dos países mais pobres e a taxa de crescimento do país mais rico de referência, ou seja, o indicador da dinâmica do fosso de rendimento. Se superior a um, estaremos perante uma dinâmica de redução do fosso; se inferior a um, revela o alargamento do fosso de rendimento.

Uma análise centrada exclusivamente no crescente hiato do rendimento com descuidada extrapolação sobre a evolução da pobreza no mundo, como frequentemente se vê fazer, pode ser um obstáculo sério ao estudo lúcido deste importantíssimo problema social e económico, como seguidamente se pretende ilustrar de forma numérica.

Conforme se constata a partir dos dados do Banco Mundial, o crescimento observado nos países com o PIB per capita mais elevado tem sido claramente inferior ao registado nos países com PIB per capita mais baixo (3,9% por ano face aos 7,4% por ano observados no período compreendido entre 1999 e 2014). Apesar disso, o hiato de rendimento entre os dois grupos de países, em termos absolutos, aumentou claramente, com o diferencial entre o PIB per capita a passar de 21.223 USD para os 37.184 USD.

Uma leitura apressada destes dados poder-nos-ia levar à seguinte conclusão: Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Mas será esta a realidade?

Analisemos, as projeções do Banco de Mundial sobre a pobreza no mundo. De acordo com os últimos dados, 702 milhões de pessoas, ou seja, 9,6% da população mundial, vai ainda este ano (2015) viver abaixo da linha de pobreza. Todavia, em 2012 essa cifra era de 902 milhões, 13% da população mundial, que compara com 29% em 1999.

Conforme se observa, a pobreza no mundo caiu significativamente, não obstante o alargamento do hiato de rendimento entre países mais ricos e países menos ricos.

O impacto da integração europeia
Ao procurar outro foco de luz sobre este mesmo tópico da divergência na distribuição do rendimento, agora no âmbito de uma economia específica - Portugal -, no quadro dado de crescente integração no comércio internacional, ocorre-nos, naturalmente, revisitar o modelo de Heckscher – Ohlin e, em particular, o designado “Teorema da Igualização do Preço dos Factores Produtivos”.

De acordo com este teorema, e como consequência do comércio internacional, produz-se uma tendência para a igualização dos preços relativos e absolutos dos factores produtivos. O comércio internacional funciona assim como substituto da mobilidade internacional dos factores produtivos.

De acordo com a informação disponível, tal parece ter acontecido nos últimos anos na Europa, em benefício claro dos países mais pobres. Na realidade, se em 2002 o salário dos quadros superiores em França era o dobro do registado em Portugal para o mesmo universo de pessoal qualificado, em 2013 esse valor terá caído para cerca de 1,6. Leitura idêntica obtém-se quando se analisa a relação entre os salários dos trabalhadores não qualificados - em 2002 o salário em França era 1,4 vezes superior, tendo passado a 1,2 vezes em 2013.

Apesar da convergência salarial observada com o processo de integração europeia, será que adentro de cada país, nomeadamente em Portugal, a diferença salarial entre as profissões mais qualificadas e menos qualificadas aumentou ou diminuiu?

Conforme se constata, nos primeiros anos de integração europeia os salários dos quadros superiores eram em média cerca de 3,6 a 3,8 vezes maiores do que os salários dos trabalhadores não qualificados, tendo este valor crescido para cerca de 4,5 vezes em 1998-2002, facto que traduziu um agravamento das desigualdades salariais. Contudo, a partir de 2005, o diferencial reduziu-se significativamente voltando em 2013 a níveis de 1986.

Como explicar então este aparente paradoxo? Ou seja, como explicar que a desigualdade salarial entre países tenha diminuído no quadro europeu mas que adentro dos países menos desenvolvidos essa desigualdade salarial não tenha diminuído logo após o início do processo de integração europeia (1986)?

A explicação para isto pode estar num fenómeno que, em teoria económica, é mais conhecido pelo efeito de Kuznets ["Economic Growth and Income Inequality", in American Economic Review, Março de 1949]

De acordo com Kuznets (1901-1985, prémio Nobel da Economia em 1971), nos estágios iniciais do crescimento económico de um país a desigualdade vai aumentar. Isso acontece porque nessa fase do crescimento vai ocorrer um aumento grande na procura por mão-de-obra qualificada, elevando os salários dos trabalhadores qualificados em detrimento dos não qualificados.

Reflexões finais
A problemática da desigualdade de rendimentos entre os países mais ricos e os países mais pobres tem sido alvo de acesa discussão nas últimas décadas. Recorrentemente, valorizamos os insucessos visíveis com o acréscimo no fosso de rendimento entre países ricos e países menos ricos, ignorando os ganhos significativos que obtivemos ao nível da eliminação da pobreza à escala mundial e que se traduzem nas seguintes palavras de Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial: "Somos a primeira geração na História que pode eliminar a extrema pobreza".

Por outro lado, a asserção de Kuznets, que tão bem reflectia as fases mais precoces dos processos de crescimento económico dos países mais periféricos, amplia, no quadro de uma economia mundial que progressivamente foi passando para níveis de maior interdependência, o domínio da sua pertinência.

Com efeito, os países onde tem predominado uma economia assente numa mão-de-obra relativamente menos qualificada têm vindo a assistir, sobre diferentes formas, à crescente concorrência do vasto conjunto de países no mesmo patamar de competências, com as conhecidas consequências: (i) a pressão sobre os salários e (ii) o desemprego da mão-de-obra não qualificada. Ao invés, a mão-de-obra qualificada dos países da periferia, tem vindo a beneficiar do efeito de abertura da economia mundial e os seus efeitos são também bem conhecidos: (i) a forte potencial de atração dos países do centro por níveis elevados de qualificação tem impulsionado a forte mobilidade dos que a possuem, (ii) induzindo a valorização interna desses segmentos superiores de qualificação.

Daqui resulta que, num quadro crescente de integração económica à escala mundial, a qualificação dos recursos humanos apresenta-se como a única via para evitar que os trabalhadores dos países mais ricos, nos quais Portugal se inclui, sejam vítimas de uma inevitabilidade teórica: convergência salarial com os países mais pobres.