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5.5.23

Federação Portuguesa de Futebol propõe às escolas mais actividade física para crianças

Ana Dias Cordeiro, in Público online

Projecto-piloto revelou melhorias nas capacidades motoras das crianças envolvidas. Federação ambiciona ter 500 mil federados em futebol e futsal em 2030.

A actividade física de crianças entre os seis e os dez anos, se for alargada em duas horas semanais – de forma opcional, lúdica e ao ar livre – abrirá espaço a um maior desenvolvimento das competências na idade certa e a uma melhoria das capacidades motoras futuras.

A mensagem baseia-se num estudo académico realizado por professores da Universidade do Porto, da Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa e da Escola Superior de Desporto de Viana do Castelo, através da Federação Portuguesa de Futebol, e que envolveu 1303 crianças de 44 escolas nos primeiros três meses deste ano num projecto-piloto.

“Não tem sido dada atenção às primeiras idades, e isso tem de ser feito”, resume Carlos Neto, professor catedrático jubilado da FMH e um dos investigadores neste projecto.

O objectivo é propor uma articulação e contratualização com os agrupamentos de escolas de modo a que “as crianças possam ter uma estimulação muito baseada em experiências através de jogos, de brincadeira numa dimensão lúdica” com mais uma ou duas horas de actividades físicas semanais, explica Carlos Neto. “O que se pretende é que estas competências motoras possam ser aperfeiçoadas numa dimensão informal e em complemento àquilo que é a Educação Física curricular” no âmbito, por exemplo, das actividades de enriquecimento escolar gratuitas e opcionais. Não é uma actividade extracurricular, nem uma substituição da Educação Física ou do desporto escolar, elucida.

Resultados distintos

No fim do projecto-piloto, aplicado nos primeiros três meses deste ano em 44 escolas de 24 concelhos, verificou-se uma evolução positiva de 48% no grupo experimental (participantes em três sessões semanais de uma hora, 12 semanas consecutivas), enquanto o grupo de controlo, não-sujeito às sessões de actividade física, diminuiu ligeiramente a competência motora (-2%), segundo as conclusões do estudo. Também é dito que os valores entre estes grupos distintos “eram similares em Janeiro e que no final do projecto, em Março, o grupo experimental demonstrava um valor de competência motora 62% acima do grupo de controlo”.

As conclusões vão ser apresentadas nesta sexta-feira, no primeiro de dois dias do Congresso Internacional do Desporto para Crianças e Jovens, que decorre na Cidade do Futebol, em Oeiras.​

A partir dos resultados mais positivos associados ao grupo das crianças envolvidas em mais três horas semanais de actividade física, durante 12 semanas, pretende-se mostrar a relevância dessa intervenção junto das crianças e assim mostrar que se justifica o alargamento da experiência a todas as escolas do país, sintetiza Carlos Neto.

Não se trata da disciplina de Educação Física, já incluída nos currículos escolares, mas de uma actividade cujo objectivo seja “desenvolver competências motoras gerais e específicas com e sem manipulação da bola de forma”. A par disso, a FPF apresenta como meta deste programa “facilitar as aquisições futuras mais complexas exigidas na prática dos jogos pré-desportivos (que ensinam habilidades gerais das modalidades desportivas) e jogos desportivos colectivos”.

Embora ao projecto se dê o nome de Bola Mágica, “não são escolinhas de futebol”, esclarece. “São momentos de vivência de jogos e actividades motoras, com bolas, diversificadas num ambiente lúdico de exploração livre”, insiste. A ideia é dar a oportunidade às crianças, que passam o dia inteiro na escola, muitas vezes porque os pais trabalham muitas horas, de ter “actividades prazerosas e não-escolarizadas”.
Ter 400 mil federados

Tal não invalida que, no âmbito deste estudo, a própria FPF apresente, entre os objectivos do plano estratégico, “ter 400 mil jogadores federados e 500 mil jogadores informais de futebol e futsal em 2030”.

Isso corresponderia a mais do que duplicar os números actuais, havendo à data de hoje 178.076 praticantes federados de futebol e 36.994 praticantes federados de futsal, de acordo com os dados fornecidos ao PÚBLICO. São 215.070 no total, com a estimativa de virem a ser 220 mil no final do ano.

Tendo em conta os referidos objectivos para 2030, “é imperativa a actuação junto das escolas”, defende a FPF. A federação cita publicações académicas como a Lancet Child Adolescent Health ou o Scandinavian Journal of Medicine and Science of Sports, com dados que mostram que na população mundial com mais de 11 anos, 80% não cumpre as linhas de recomendação para actividade física, 51% demonstra comportamento sedentário, e 40% das crianças entre os seis e os dez anos têm uma competência motora considerada insatisfatória.

As mesmas publicações referem que, em Portugal, 85% da população com mais de 11 anos é fisicamente inactiva e 62% tem um comportamento sedentário.


1.9.22

Vinte milhões para abrir cinco mil vagas em creches este ano lectivo

in Público online

Gratuitidade das creches começa esta quinta-feira nas instituições do sector social e solidário para todas as crianças que nasceram no último ano.

O Governo espera abrir mais cinco mil vagas nas creches durante o próximo ano lectivo, revelou esta quinta-feira a ministra da Solidariedade, que vai lançar este mês um anúncio de 20 milhões de euros para financiar as obras.

A medida é divulgada no dia em que arranca o programa de gratuitidade das creches, que começa esta quinta-feira nas instituições do sector social e solidário para todas as crianças que nasceram no último ano.

No próximo mês de Janeiro, acrescentou a ministra em declarações à Lusa, o programa será alargado aos bebés mais novos de instituições privadas que não conseguiram vaga no sector social e solidário.

O programa será alargado de forma faseada até 2024, quando todas as crianças dos três anos estarão abrangidas pela gratuitidade das creches, independentemente dos rendimentos das famílias.

Para garantir o acesso a todos, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) está a trabalhar no alargamento da capacidade de resposta.

“Vamos lançar este mês um aviso, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para alargamento de vagas de lugares em creches”, disse a ministra da Solidariedade e Segurança Social.

Segundo Ana Mendes Godinho, o aviso conta com “20 milhões de euros para procurar aumentar cinco mil lugares em creches” durante este ano lectivo.

Os projectos de reconversão de espaços já existentes terão prioridade em relação às novas construções, para que o processo seja “mais simples, mais rápido e com um custo menor”, acrescentou a governante.

No entanto, também podem candidatar-se novas construções e até espaços “desenvolvidos por construções modelares”, afirmou Ana Mendes Godinho.

“O nosso objectivo é, nos próximos dois anos, ter a capacidade de aumentar em dez mil lugares o total da rede de creches, complementando este aviso com aqueles que já lançámos”, disse a ministra.

As vagas podem abrir em todo o país, mas também aqui será dada prioridade aos projectos em zonas onde a taxa de cobertura é menor, ou seja, onde há mais procura e menos capacidade de resposta, como é o caso da área metropolitana de Lisboa.

“Vamos priorizar com critérios de discriminação positiva na identificação da selecção dos projectos a abranger”, disse.

A gratuitidade da frequência das creches está dependente da capacidade dos estabelecimentos, sendo a única excepção os casos de crianças em risco que poderão obrigar a criar uma vaga extra.

Segundo o diploma publicado no final de Julho, a excepção são as crianças com medidas de promoção e protecção “com indicação de frequência de creche, que têm acesso e admissão obrigatórios na resposta de creche, ainda que para o efeito tenha de ser criada vaga extra”.

No caso de não haver vagas para todos, há uma lista de prioridades para admissão que tem em conta a situação económica familiar mas também outras “circunstâncias conducentes à desvantagem social da criança e da respectiva família”.

A lista de prioridades para admissão nas vagas das respostas sociais é encimada pelas crianças que já frequentavam a creche no ano anterior, seguindo-se as crianças com deficiência ou incapacidades.

As crianças, que agora venham a ser abrangidas pela medida, vão mantê-la durante todos os anos que estiverem na creche.

“Este é um dia importante para as crianças em Portugal e para o país porque pode ser uma medida transformadora do ponto de vista de inclusão, de promoção de igualdade entre homens e mulheres e também da conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional e ser transformadora de muitas crianças permitindo que desde o início façam parte de um sistema colectivo que as integra, nomeadamente combatendo a pobreza infantil e cortando ciclos intergeracionais”, salientou Ana Mendes Godinho.

A partir desta quinta-feira, o Estado deixa de apoiar exclusivamente as famílias de mais baixos rendimentos, já que até agora apenas as crianças de famílias dos 1.º e 2.º escalões tinham direito a creches gratuitas.

20.5.22

Peso da Régua acolheu o workshop para Diagnóstico Social no âmbito da infância e juventude

in Notícias de Vila Real

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Peso da Régua (CPCJ), em parceria com o Município de Peso da Régua, através da Rede Social e do CLDS 4G, promoveu hoje, no Auditório Municipal, o workshop world café, dinamizado pelo núcleo distrital de Vila Real da Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN).

Este workshop de metodologia participativa centrou-se em auscultar as entidades com competência em matéria de infância e juventude, que atuam no território do Peso da Régua, de forma a contribuírem para a definição do Plano Estratégico Local de Promoção e Proteção das Crianças e Jovens do Peso da Régua, no âmbito do Projeto Adélia. A iniciativa contou a presença de cerca de trinta entidades com competência na área.

Eduardo Pinto, Vereador e Presidente do Conselho Local de Ação do Peso da Régua fez a abertura da sessão, agradecendo a presença e os contributos de todos ao longo de um dia de profícuo trabalho.

Pedro Lopes, Presidente da CPCJ enquadrou os objetivos do projeto Adélia e destacou a importância da participação dos parceiros na definição de uma estratégia comum, capaz de acautelar os interesses das crianças e jovens do concelho.

Catarina Oliveira, Técnica do núcleo distrital de Vila Real da EAPN e dinamizadora do workshop, destacou que a sessão teve como objetivo trabalhar os eixos de intervenção prioritária, no seguimento dos documentos de planeamento estratégicos já aprovados, nomeadamente o Diagnóstico Social.

Desta forma, foi dado um passo em frente na consolidação das respostas existentes, por forma a ampliar a capacidade de intervenção das entidades com competência em matéria de infância e juventude.

4.4.22

Prestação Social Única e reforço no combate à pobreza infantil no programa do Governo

Patrícia Carvalho, in Público on-line

O Governo mantém o objectivo de criar o Complemento do Abono de Família, que irá permitir que as crianças e jovens até aos 18 anos, em risco de pobreza extrema, tenham acesso a este apoio.

Constava do programa eleitoral com que António Costa e o PS se apresentaram a eleições e está agora plasmado no programa de Governo entregue, esta sexta-feira, na Assembleia da República, sem que se mude sequer uma vírgula: “Criar uma Prestação Social Única para as prestações de cariz não contributivo, assegurando a sua eficácia no combate à pobreza”. Esta é apenas uma das várias novidades que se encontram no documento, no que diz respeito às propostas para erradicar a pobreza, e em que um reforço nos apoios à infância também aparece em destaque.

As metas que se pretendem atingir a esse nível estão definidas com uma minúcia que não constava do documento do anterior Governo. Pretende-se que “a taxa da pobreza monetária” para o conjunto da população seja reduzida “para 10% em 2030, o que representa uma redução de 660 mil pessoas em situação de pobreza”; essa taxa deve ser reduzida para metade no caso das crianças, com o Governo a contabilizar que isto representa “uma redução de 170 mil crianças em situação de pobreza”; e há também o objectivo de retirar 230 mil trabalhadores dessa mesma situação, o que implicará uma redução para metade da taxa de pobreza monetária dos “trabalhadores pobres”. O conjunto de objectivos passa ainda por “aproximar o indicador da privação material infantil à média europeia” e “reduzir a disparidade da taxa de pobreza dos diferentes territórios até ao máximo de 3 pontos percentuais em relação à taxa média nacional”.

Para conseguir tudo isto o Governo propõe-se a continuar medidas que já constavam do anterior programa - como a reposição do valor de referência do Complemento Solidário para Idosos -, acrescentando agora a reposição do Complemento Social para a Inclusão acima do limiar da pobreza, para que haja uma melhoria dos rendimentos não só da população mais idosa, mas também “entre as pessoas com deficiência”, frisa-se no documento.

Sem referência a valores, o Governo introduz agora como meta “assegurar o aumento extraordinário das pensões” e propõe-se a criar um Código das Prestações Sociais, unificando estas prestações segundo “o modelo simplificado da Prestação Social para a Inclusão”.
Combate à pobreza infantil

Ao nível do combate à pobreza infantil são várias as medidas que surgem como novidade neste programa. Desde logo, o Governo mantém a intenção de avançar com o Complemento do Abono de Família, que irá permitir que as crianças e jovens até aos 18 anos, em risco de pobreza extrema, tenham acesso a um apoio anual de 1200 euros, e que já era uma medida prevista no último Orçamento de Estado. “Trata-se de um aumento significativo do apoio, que corresponde a um aumento de 63 euros para crianças com mais de 6 anos em 2023”, refere-se no documento, precisando-se que o valor mensal em causa será de 70 euros em 2022 e de 100 euros no ano seguinte.

Em simultâneo, através do Complemento Garantia para a Infância, pretende-se que “os titulares do direito a abono de família acima do 2.º escalão que não obtenham um valor total anual de 600 euros por criança ou jovem, entre o abono de família e a dedução à colecta de IRS, venham a receber a diferença para esse valor, a transferir pela AT [Autoridade Tributária]”.

Está ainda prevista uma majoração da dedução por dependentes em sede de IRS. O Governo quer que cada dependente até aos seis anos, e a partir do segundo filho, seja majorado de 600 para 750 euros já este ano e para 900 euros em 2023.

No novo documento desaparece o alargamento da tarifa social ao gás de cidade e ao GPL engarrafado ou canalizado, que aparecia no documento anterior, como uma medida de combate à pobreza energética, mas aparece agora a vontade de aprovar a Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2021-2050, cuja proposta já esteve em consulta pública.

Há também um conjunto de novidades na área da Economia Social, com o Governo a propor a criação de um Centro de Competências para a Economia Social, acompanhado do desenvolvimento de um “programa de formação e capacitação para dirigentes e trabalhadores de entidades da economia social, potenciando a inovação, a criatividade e o empreendedorismo no sector” e da implementação de um programa de digitalização da Economia Social.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) também tem lugar neste programa agora apresentado, seja numa referência à sua mobilização para “investimento na Economia Social para resposta aos desafios da demografia e do combate às desigualdades”, seja pelo objectivo de “implementar os investimentos nas operações integradas em áreas desfavorecidas das Áreas Metropolitanas previstos”, que aparece associado à necessidade de renovar os instrumentos territoriais integrados de combate à pobreza, com uma melhor articulação nas respostas destinadas à habitação, formação e emprego.

Sem alterações, continua a intenção de “concluir a execução da Estratégia Nacional para a Integração dos Sem-Abrigo, disponibilizando soluções de vida condignas às pessoas que se encontram nesta situação”, enquanto uma referência ao Rendimento Social de Inserção desaparece do documento. No programa anterior, recorde-se, o Governo propunha-se “rever as condições de atribuição do Rendimento Social de Inserção, por forma a melhorar a compatibilização desta medida de protecção social com o acesso ao mercado de trabalho, com vista a favorecer a elevação dos rendimentos dos seus beneficiários e a promover a sua mobilidade social”.​



21.7.21

PRR: Governo assina hoje protocolo com sector social para investimento de 465 milhões

in Económico

O Governo vai hoje assinar um protocolo com o setor social no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com um investimento de 465 milhões de euros para as respostas sociais à infância, pessoas com deficiência e envelhecimento.

O protocolo entre o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e os parceiros do setor social e solidário é hoje celebrado numa cerimónia na Quinta Alegre, em Lisboa, onde também estará presente o primeiro-ministro, António Costa.

Com um investimento de 465 milhões de euros, o objetivo até 2026 é adaptar, requalificar e inovar as respostas sociais em três principais áreas, explicou em declarações à agência Lusa a ministra Ana Mendes Godinho.

“Nesta parceria com o setor social, assumimos a concretização articulada e uma parceria de colaboração para uma implementação eficiente do PRR, concretamente nas dimensões das respostas sociais à infância, às pessoas com deficiência e ao envelhecimento”, indicou a responsável pela pasta do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Através da atenção nestas áreas, a intenção é implementar medidas tendo em vista a promoção da natalidade, do envelhecimento saudável e da autonomia das pessoas com deficiência ou incapacidades.

“Temos previsto, por um lado, a requalificação e o alargamento da rede de equipamentos e de respostas sociais, concretamente de respostas para a infância”, exemplificou a ministra, referindo também a requalificação da rede de cuidados continuados e paliativos e a aposta em resposta inovadoras para o envelhecimento.

A este nível, Ana Mendes Godinho fala numa “nova geração de apoio domiciliário 4.0”: “Um apoio domiciliário integrado, com várias valências e também aqui com investimento na área digital, colocando o campo digital ao serviço deste tipo de resposta, nomeadamente para garantir acompanhamento à distância das pessoas, permitindo que estejam sempre ligadas”.

Por outro lado, o novo protocolo prevê ainda a promoção de uma intervenção integrada em comunidades desfavorecidas, no âmbito do combate à pobreza.

O trabalho para alguns dos objetivos serão agora formalmente assumidos passará também pelo novo programa Radar Social que, de acordo com a ministra, consiste na constituição de equipas de profissionais presentes em todos os concelhos do país “para a identificação e sinalização de pessoas em situação mais vulnerável e de acompanhamento e integração na rede social”.

“Existem várias dimensões de investimento e é neste sentido, aliás, que esta parceria com o setor social é determinante para conseguirmos implementar com uma dimensão de exigência tão grande que temos pela frente”, sublinhou, acrescentando que estas medidas também garantem “que o nosso país é um país para todos”.

O protocolo entre o Governo e o setor social e solidário será implementado até 2026, pelo mesmo período do PRR, entregue à Comissão Europeia em abril.

Ao longo desse período, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social espera contar com o apoio dos parceiros sociais na implementação e monitorização das medidas, e na promoção “de uma participação ativa dos agentes do território para aplicar da melhor forma possível e da forma mais eficiente e transparente possível estes instrumentos”, conclui.

20.5.21

Há 800 mil euros para apoiar projectos que ajudem na inclusão social de jovens e crianças em risco

Nuno Rafael Gomes, in Público on-line

Prémio Infância, promovido pelo BPI e pela Fundação “la Caixa”, quer “romper com o círculo da pobreza” na infância. Candidaturas estão abertas até 7 de Junho.

Em 2019, a taxa de pobreza das crianças em Portugal era de 18,5% — um valor acima do referente à população total, que é de 17,2%. Os dados encontram-se no relatório Portugal, Balanço Social 2020 — Um retrato do país e dos efeitos da pandemia, divulgado pela NOVA SBE, a Fundação “la Caixa” e o BPI. Já em 2018, segundo o Eurostat, 21,9% dos jovens portugueses com idades abaixo dos 18 anos “encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social”. Com a pandemia, a pobreza em Portugal intensificou-se: em Abril, o PÚBLICO noticiou que 101.574 famílias beneficiavam do rendimento social de inserção (mais 7626 do que em Março de 2020). Do número total de beneficiários, 32,4% tinham menos de 18 anos.

Para contrariar esses dados e “romper com o círculo da pobreza, dando valor à infância e à adolescência, assim como à família como eixo da acção socioeducativa”, o BPI e a Fundação “la Caixa” lançaram uma iniciativa que quer facilitar “o desenvolvimento integral e o processo de inclusão social de crianças e jovens” em situações de risco. Assim, está lançada a 3.ª edição do Prémio Infância, cujo valor é de 800 mil euros, a repartir por várias propostas. As candidaturas estão abertas até 7 de Junho e podem concorrer “todas as instituições privadas sem fins lucrativos que apresentem projectos sólidos e inovadores nesta área”, lê-se no site do BPI.

As candidaturas são efectuadas online e há algumas condições de acesso para as entidades e para os projectos. Para este prémio (porque há outros, já lá vamos), cada entidade promotora só pode apresentar uma candidatura. Os projectos podem ser realizados individualmente ou em parceria com outras entidades, excluindo-se as privadas. As propostas apresentadas podem ter a duração de um ou dois anos e são também aceites aqueles que forem “comparticipados por outros apoios financeiros nacionais, comunitários ou internacionais”. As restantes condições podem ser encontradas no regulamento do concurso, que requer a entrega de alguns documentos.

O valor dos projectos vencedores com a duração de um ano será, no máximo, de 40 mil euros “se executado por uma só entidade”; caso haja uma parceria, o prémio sobe para os 60 mil euros. Já no que diz respeito às propostas vencedoras que prevêem uma actuação de dois anos, os valores são de 80 mil (para uma só entidade organizadora) e 120 mil euros (mais do que uma entidade). Note-se ainda que o apoio cobrirá “até 80% do custo total orçamentado” do projecto; assegurar os restantes 20% é da responsabilidade de quem apresenta a proposta.

De acordo com comunicado que anuncia a abertura das candidaturas, este prémio, criado em 2019, “já atribuiu 1,5 milhões de euros a 55 projectos”. Em igual sentido, o BPI e a Fundação “la Caixa” entregaram, desde 2010, “19 milhões de euros para a execução de mais de 600 projectos de inclusão social que contribuíram para melhorar a vida de mais de 150 mil portugueses”.

Em 2021, as duas instituições financeiras já fecharam três concursos dos Prémios BPI Fundação “la Caixa” (Capacitar, Solidário e Seniores), decorrendo, agora, as candidaturas ao Infância. A 8 de Junho abrirão as candidaturas para o prémio Rural. Segundo a mesma nota de imprensa, a iniciativa representa uma dotação de 4 milhões de euros.

O programa de bolsas da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, disponibiliza bolsas de pós-graduação na Europa, América do Norte e na zona da Ásia- Pacífico, e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento em Espanha e Portugal. Nesta página especial dedicada a bolsas de estudo e a empregabilidade jovem, o P3 partilha dicas úteis sobre como concorrer a bolsas, preparar currículos e dar nas vistas entre outros candidatos, sem qualquer relação directa com os apoios atribuídos pelo programa.


12.4.21

O que acontece na infância não fica na infância

Rute Agulhas, in DN

Falar de maus-tratos é falar de comportamentos muito diversos, desde a negligência e os maus-tratos físicos e psicológicos ao abuso sexual. Falamos ainda da exposição à violência entre os pais e da manipulação e sugestionamento por parte de um progenitor, por forma a alterar os vínculos afetivos com o outro.

Começa hoje o mês de abril, dedicado à prevenção dos maus-tratos na infância e na juventude. Um mês durante o qual todas as atenções estão voltadas, e bem, para a reflexão e a consciencialização de toda a comunidade sobre este tema, infelizmente ainda tão atual.

A negligência por falta de provisão, quando as necessidades básicas da criança não são satisfeitas, bem como os maus-tratos físicos, são as categorias mais fáceis de identificar e reconhecer enquanto formas de maltrato, pelas consequências observáveis e as sequelas físicas que deixam. Por outro lado, a negligência emocional e os maus-tratos psicológicos não deixam marcas visíveis. Não há queimaduras, hematomas ou ossos partidos, mas sim ameaças, terror e humilhação, a par de exclusão da criança, fazendo-a sentir que não é amada nem desejada. Os maus-tratos emocionais são o parente pobre dos maus-tratos, tantas vezes desvalorizados e, ao mesmo tempo, aqueles que apresentam maior prevalência.

O abuso sexual, no passado mais desvalorizado sempre que não existia penetração, é hoje entendido de outra forma, reconhecendo-se a multiplicidade de comportamentos que pode envolver, muitos deles sem contacto físico.

A exposição da criança à violência entre os pais é também uma realidade crescente. Estas crianças percecionam um dos progenitores como agressivo e o outro, vítima dessa mesma agressividade, é muitas vezes sentido como menos disponível do ponto de vista emocional. Existem ainda numerosas situações em que a violência entre os pais é mútua, expondo a criança a um verdadeiro clima de guerra.

E o que dizer das crianças manipuladas e sugestionadas por um dos pais, por forma a alterar o relacionamento que mantém com o outro? São crianças igualmente expostas ao conflito parental, que se aliam a um dos pais, instrumentalizadas e utilizadas como verdadeiras armas de arremesso. Injustificadamente afastadas de um dos pais, por vezes durante anos, crescem amputadas. Sim, também esta é uma forma de maltrato que nem sempre é reconhecida enquanto tal.

Os maus-tratos existem e apresentam contornos nem sempre facilmente identificáveis. Exigem, por isso, um olhar atento de todos nós, enquanto comunidade, por forma a facilitar a sua deteção e sinalização precoces. Exigem ainda um esforço conjunto de articulação dos vários profissionais e serviços, para uma avaliação rigorosa e uma intervenção célere e protetora. Proteger as crianças é dever de todos, e nunca é demais lembrar que as crianças crescem, o tempo passa, mas as sequelas permanecem. Aquilo que acontece na infância não fica na infância.

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

10.5.19

FAO alerta: 70% das crianças que trabalham estão na agricultura

in ONUBR

O trabalho infantil é definido como o trabalho que é inapropriado na infância – ou, mais especificamente, o trabalho que afeta a educação de uma criança ou que pode prejudicar sua saúde, segurança ou moral.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 70% de todas as crianças trabalhadoras estão na agricultura – pecuária, silvicultura, pesca ou aquicultura. Isso representa um aumento de 12%, ou 10 milhões de meninas e meninos, desde 2012.

O trabalho infantil é definido como o trabalho que é inapropriado na infância – ou, mais especificamente, o trabalho que afeta a educação de uma criança ou que pode prejudicar sua saúde, segurança ou moral.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 70% de todas as crianças trabalhadoras estão na agricultura – pecuária, silvicultura, pesca ou aquicultura. Isso representa um aumento de 12%, ou 10 milhões de meninas e meninos, desde 2012.
Claramente, esse não é um problema fácil de superar, mas é também uma questão que precisamos abordar para proteger o bem-estar de milhões de crianças.
As crianças devem ser livres para realizar plenamente seus direitos à educação, lazer e desenvolvimento saudável. Isso, por sua vez, fornece a base essencial para um desenvolvimento social e econômico mais amplo, para a erradicação da pobreza e para o alcance dos direitos humanos.
Promover e reforçar a ação global contra o trabalho infantil é a única maneira de proteger as crianças do mundo e, por meio delas, nosso futuro compartilhado.
A FAO considera que, para o objetivo de fome zero seja alcançado, é necessário que seja posto um fim ao trabalho infantil.

16.4.13

Brincar com os filhos em idade pré-escolar reduz distúrbios de comportamento

in iOnline

Um estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra comprovou que brincar 10 minutos diários com os filhos em idade pré-escolar, de forma cooperativa, contribui para reduzir distúrbios de comportamento nas crianças.

O projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo programa FEDER-COMPETE, explica que estas brincadeiras, se feitas em exclusivo, contribuem para a redução da hiperatividade, défice de atenção, oposição (a criança opõe-se a qualquer ordem do adulto) e desafio e agressividade.

A ideia do estudo era testar, em Portugal, diz a Universidade de Coimbra, “o impacto e eficácia do programa americano ‘Anos Incríveis’ (http://www.incredibleyears.com), em figuras parentais de crianças dos três aos seis anos de idade, com problemas de comportamento diagnosticados e envolveu 125 mães e pais e outros cuidadores (avós), de Coimbra e do Porto, indicados por pediatras, psicólogos e jardins-de-infância”.

“Os primeiros resultados do estudo, que incluiu 14 semanas de trabalho intensivo com cada um dos grupos de pais, revelaram que o programa é eficaz em Portugal, tendo-se registado a redução de sintomatologias de hiperatividade, défice de atenção e oposição e desafio, agressividade e impulsividade, assim como um aumento das competências parentais”, diz também a Universidade de Coimbra.

O programa “Anos Incríveis”, desenvolvido há várias décadas nos Estados Unidos e aplicado em vários países do mundo – no Reino Unido, na grande maioria dos países nórdicos e até na China, na Palestina e na Nova Zelândia -não tem “fórmulas mágicas para uma família feliz, mas ajuda muito”.

“É um guia que oferece aos pais um conjunto alargado de competências para cuidar melhor das crianças com características que se podem tornar desadaptativas", diz Maria Filomena Gaspar, uma das coordenadoras do estudo iniciado em 2010, na sequência de outros estudos desenvolvidos entre 2003 e 2009, que abrangeu a tradução e adaptação do programa americano à realidade portuguesa e aplicações voluntárias na comunidade, incluindo a grupos em vulnerabilidade social.

Os pais, apostando na técnica do jornalismo pirâmide invertida, ao invés de darem ordem e imporem castigos às crianças que se portam mal, optam por estratégias positivas: “Colocam óculos cor-de-rosa e assumem-se como ‘detetives do bom comportamento’, treinando competências como elogiar os filhos, brincar alguns minutos com eles, recompensar a criança, estabelecer regras e limites com calma e mesmo ignorar alguns dos comportamentos negativos porque uma birra não faz mal a ninguém”, explica ainda a especialista em Psicologia da Educação.

A Universidade de Coimbra diz também que seis a 15% das crianças apresentem sintomas clínicos de perturbações de comportamento, mas em contexto de risco social a percentagem aumenta, podendo atingir os 35%.

11.4.13

Luís Villas-Boas. “É preciso acender a luz do túnel”

Por Marta F. Reis, in iOnline

Psicólogo defende mudança nas respostas às crianças em perigo e alerta que ainda não houve medidas de fundo depois do caso Casa Pia

Capitão de Abril, psicólogo e director do Refúgio Aboim Ascensão, é um dos oradores do III Fórum Internacional de Psicologia Clínica, que arranca hoje em Lisboa. Falará dos traumas. Sublimar é a palavra de ordem.

Como é que a psicologia é útil aos traumas infantis?

Agindo de forma intensiva. Há trauma destruidor, mas há trauma que é supostamente isso mas não é. Tive uma criança que entrou aqui cosida na vagina. Agarrei-a e ela cravou-me os dentes no pescoço. Viu em mim alguém parecido com quem lhe fez mal. Saiu daqui três anos depois, sem medo dos homens. A psicologia que se aprende na faculdade dá-nos bases, mas como é que se recupera uma criança violada com dois anos? Com psicologia, mas acima de tudo com uma resposta multidisciplinar 24 horas por dia.

Metemos os traumas debaixo do tapete?

Somos um país onde isso acontece, mas onde também há bons exemplos de que é possível tratá-los. O problema é de paradigma. Precisamos de dizer “o rei vai nu”.

Que rei?

O Estado em geral, que vê crianças em perigo e não actua. Que alimenta instituições que se dizem da criança e nunca viram uma criança na vida. E que mantém um modelo de depósito de crianças.

A curar traumas vai apagando os seus?

Os meus traumas estão resolvidos. Voltei de Angola com uma gangrena vírica. Fiquei com um problema de circulação e, embora não possa andar muito a pé, estou bem. Mas não posso pensar nos 200 km a pé na selva, a levar e a dar tiros. Sublimei. É essa a palavra em psicologia. Fi-lo e é isso que procuramos fazer com estas crianças. Sublimei ao pôr o que herdei em acção.

Os portugueses sabem sublimar?

Os portugueses têm duas características importantíssimas: uma profunda disponibilidade para ajudar o outro e gostar de que o tratem bem. O esforço que fazem para ter esse reconhecimento, às vezes, leva quase à submissão. Tem de se passar a exigir que a sociedade os estimule e premeie em vida.

Conseguir a sua revolução na resposta de emergência infantil superaria Abril?

Nada apaga Abril. Independentemente de termos aberto as portas da liberdade e da democracia, acabou-se com uma guerra fratricida. Só isso, justificaria Abril. Depois, os capitães não eram políticos. Quando se abriram as portas da liberdade, não estavam preparados. Houve quem agarrasse a política. Uns óptimos, outros péssimos, que ainda por aí andam.

O que nos trouxe até hoje?

O que há hoje é uma geração que cresceu depois de Abril e já tem 40 e 50 anos. Falar de Abril com ela é como falar de D. Afonso Henriques. Hoje, no parlamento, não se encontra ninguém que tenha feito serviço em África. Não há ninguém que tenha estado na guerra, tirando o Presidente da República.

E vê essa marca em Cavaco Silva?

Não vou criticá-lo. O que posso dizer é que quem esteve na guerra tinha outra compreensão. Entendia melhor o sofrimento. A nova geração tem outro passado. Há uma série de caminhos de equilíbrio e conciliação entre detectar o que está mal e corrigir que poucos são capazes de agilizar, para não falar dos saudosistas.

O que não é o seu caso?

Sou um saudosista, mas que diz que é preciso mudar os direitos das crianças. A nova geração que conhece o mundo, as novas tecnologias, é que tem de perceber como o faremos. Acredito que a geração nova vai conseguir dar a volta ao texto. Não importa a cor que o vai conseguir. Há uma matriz portuguesa de superação que pode ser rentabilizada. Só que nós não podemos ser óptimos no Luxemburgo e péssimos cá dentro.

Porque somos óptimos no Luxemburgo?

Porque há ambiente estimulador, meios disponíveis, e há um prémio visível, um futuro visível. Aqui há uma espécie de túnel sem luz.É preciso acender a luz.

Que prescrição faz ao país?

Recomendaria que se lutasse por uma unidade nacional. A dolência colectiva dos últimos dois ou três anos deveria ser suficiente para unir o país.

E não é isso que vemos na rua?

O que vemos na rua são manifestações contra. Do que precisamos é de um braço dado nacional, de um desígnio comum.

O caso Casa Pia abalou o trabalho que se faz com crianças separadas das famílias?

Julgo que não. Mas alertou Portugal para um drama, para um sistema absolutamente cristalizado onde tudo era permitido.

O Estado está mais capaz de fiscalizar?

Do que sei, não há reporte de situações novas. Mas o Estado está anestesiado, pois medidas de fundo não existem. No Refúgio lidamos com crianças o mínimo de tempo possível. Enquanto houver instituições que lidam com crianças por muitos anos, há riscos.

Ficou surpreendido com a nomeação deste governo para liderar o grupo de trabalho sobre a agenda da criança?

Conheço o secretário de Estado Marco António e sei que é um homem de um profundo humanismo, assim como o ministro Pedro Mota Soares. Surgiu o convite, que aceitei. Já fizemos a proposta de serem criadas duas comissões, para propor alterações aos modelos de protecção e acolhimento de crianças.

É militante do CDS?

Sou militante do PSD. Inscrevi-me em 86 e saí em 92. Voltei há três anos quando Passos Coelho se recandidatou. Acreditava que faria um bom trabalho.

Ainda acredita?

Acredito que é um homem sério que sente o sofrimento das pessoas e que dá o seu melhor.

Há algum “mas”?

Não há nenhum “mas”.

Revê-se nos apelos a uma nova revolução?

Falta Abril, mas não com armas. Desejo a revolução num sentido pacífico, de aceitação do outro e de mudança.