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10.8.20

Covid-19: Quase metade das empresas reduziram actividade

in Publico on-line

Estudo da MDS conclui que 17,4% fecharam actividade devido aos efeitos económicos da pandemia.

Quase metade (47%) das empresas reduziram a sua actividade e quase um quinto (17,4%) encerraram ou interromperam totalmente” o funcionamento, de acordo com o estudo “MDS Research: Situação Económica em Portugal” divulgado esta sexta-feira.

A MDS, multinacional portuguesa de consultoria de riscos e seguros, adianta que o “tecido empresarial português está a enfrentar uma crise sem precedentes, com redução significativa da actividade”.

Segundo o estudo que tem por base um inquérito realizado junto de 115 empresas nacionais de quase duas dezenas de sectores de actividade, “menos de metade das empresas conseguiram manter o seu nível de actividade, mas uma pequena franja (5,2%) conseguiu crescer à sombra da pandemia”.

“A generalidade das empresas teve de implementar medidas para responder aos constrangimentos, seja por imposição legal, como o caso do teletrabalho e de medidas de protecção sanitária, seja porque a solidez financeira das empresas foi afectada”, acrescenta, salientando que “a redução do investimento, o corte de custos e o recurso ao layoff estão entre as principais medidas adoptadas, sendo relativamente reduzido a percentagem das empresas que procuraram novas formas de fazer negócio e de melhorar a sua oferta”.

Quase metade dos participantes do estudo (45,2%) foram microempresas, 19,1% pequenas empresas, 16,5% empresas de média dimensão e 19,1% de grande dimensão.

Os empresários e gestores estimam que a recuperação económica portuguesa seja em “U”, demorando “entre um a três anos a regressar aos níveis de actividade anteriores”.

A pandemia “provocou uma forte volatilidade no negócio das empresas, com impacto significativo na facturação”.

Mais de dois terços das empresas (73,1%) “esperam uma redução do seu volume de negócios no período de Abril a Junho, face aos três primeiros meses do ano”, enquanto 10,4% esperam “registar um crescimento dos seus volumes de negócio”.

“A redução dos níveis de actividade deverá continuar durante a segunda metade do ano, com cerca de três em cada quatro empresas (73%) a estimarem uma diminuição das vendas, enquanto apenas 12,1% esperam um aumento”, lê-se no estudo desenvolvido pela MDS que contou com a colaboração da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) e da BA&N Research.

“Tendo em conta a mediana da amostra de empresas que estimam uma redução do indicador, a redução do volume de negócios no segundo semestre do ano poderá situar-se no intervalo entre os 25% e 40%”, adianta o estudo.

“Mais de três em cada cinco empresas (61,7%) estima um nível de actividade inferior nos próximos 12 meses, enquanto 23,5% esperam um nível idêntico e 14,7% um nível superior”, acrescenta, apontando que “mais de metade das empresas (56,5%) assumem uma expectativa de corte ou suspensão total do investimento nos próximos 12 meses”.

Em termos dos recursos humanos, “os actuais instrumentos como o layoff ou a redução de horário e turnos continuarão a fazer parte da vida de algumas empresas, sendo que apenas 3,5% admitem vir a realizar despedimentos e 2,6% ter uma posição inversa, criando emprego”.

A principal preocupação actual dos gestores e empresários “é o nível de liquidez e situação de tesouraria das suas empresas, seguindo-se a falta de encomendas e o pagamento de salários”, sendo que “em alguns sectores, como o industrial, a expedição da produção e o abastecimento são também alvo de grande preocupação, pois colocam em causa o funcionamento das unidades”

25.5.20

Norte é a região de menor rendimento por habitante do país, mas foi a que mais contribuiu para aumentar produtividade do trabalho. Mais 16,7% que a Área Metropolitana de Lisboa

Porto Canal com Lusa

O Norte foi a região que mais contribuiu para aumentar a produtividade laboral entre 2000 e 2017, crescendo 20% quando a Área Metropolitana de Lisboa subiu 3,3%, revelou hoje a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

“O Norte, a região de menor rendimento por habitante do país, foi a que mais contribuiu para o aumento da produtividade do trabalho em Portugal entre 2000 e 2017. Trata-se de uma circunstância única na União Europeia (UE), onde as regiões mais desenvolvidas dos diferentes Estados-Membros (regiões-fronteira), maioritariamente as das suas capitais, foram as grandes impulsionadoras desse crescimento”, descreve a CCDRN referindo-se ao relatório Norte Estrutura.

Numa “edição especial” em que a análise não se limita à região mas é comparada com outras zonas nacionais e europeias, o documento refere que, em 17 anos, “Portugal ficou marcado por um fraco ritmo de crescimento da produtividade do trabalho (apenas 15,2%, em termos acumulados), em flagrante contraste com outros países europeus, em particular os da Europa de Leste”, diz a CCDRN.

“A debilidade do ritmo de crescimento da produtividade do trabalho foi especialmente notória e grave no caso da Área Metropolitana de Lisboa, que cresceu apenas 3,3%”, refere o documento.

Em termos comparativos, “a evolução na região do Norte foi bastante mais favorável, tendo registado um crescimento acumulado de 20,0%”, acrescenta.

O relatório destaca que, “apesar da evolução bastante mais favorável” do Norte no conjunto nacional, o crescimento da região foi “modesto no contexto europeu”.

“A produtividade do trabalho na região Norte representou cerca de dois terços do valor médio da UE e das suas regiões mais industrializadas e pouco mais de metade do valor observado nas regiões fronteira”, descreve o Norte Estrutura.

De acordo com a CCDRN, a análise, que recorre a uma base de dados da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico], “contrapõe, de algum modo, hipóteses que têm sido veiculadas em torno da debilidade do crescimento em Portugal, seja pelo aumento das disparidades internas nas trajetórias de crescimento ou pela insuficiente promoção da região-fronteira – neste caso a Área Metropolitana de Lisboa –, em favor de uma prioridade concedida à coesão interna”.

A CCDRN refere que o aumento da produtividade laboral a Norte “terá resultado, sobretudo, de processos de reestruturação do seu principal setor de atividade económica, as indústrias transformadoras, com um crescimento de 51,6%”.

Tal corresponde ao “12.º maior crescimento entre as 21 regiões europeias mais industrializadas incluídas no estudo”.

A CCDRN observa que, paralelamente, as indústrias transformadoras “perderam cerca de 150.000 empregos”.

Acresce que, segundo o relatório, “a região do Norte registou ainda perdas de emprego na construção e no setor primário (100 mil e 50 mil indivíduos, respetivamente)”.

O Norte “beneficiou de transferências moderadas de emprego em favor de atividades económicas mais dinâmicas e inovadoras, como é o caso do terciário superior (atividades de consultoria, científicas, serviços de apoio, informação, comunicação, serviços financeiros e seguros)”.

Nestas áreas, foram criados 64 mil novos postos de trabalho.

Nos “setores mais indiferenciados (comércio, transportes, restauração e hotelaria)”, registou-se uma criação de 60 mil empregos.

O Norte Estrutura é um documento elaborado pela CCDRN que faz uma leitura das tendências socioeconómicas da região a médio e longo prazo.

Nesta edição, o documento faz “uma leitura da mudança estrutural, do crescimento e da convergência da Região do Norte nos contextos nacional e europeu”.

28.6.18

OCDE diz que salários baixos em Portugal são culpa de empregos pouco produtivos

in Expresso

O crescimento do emprego em muitos países da OCDE está a ser impulsionado por postos de trabalho de baixa produtividade, pressionando em baixa os salários médios reais em países como Portugal, Espanha e Reino Unido, divulgou esta terça-feira a organização.

Na última edição do “Compêndio de Indicadores de Produtividade”, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) nota que “os salários reais (ajustados dos efeitos da inflação) caíram entre 2010 e 2016 em Portugal, Espanha e no Reino Unido” como resultado do número crescente de empregos de baixa produtividade.

“A quota de rendimento proveniente da atividade económica que é direcionada para o trabalho através dos salários caiu na maioria dos países nos últimos anos, mas mais acentuadamente na Hungria, Irlanda, Israel, México, Polónia e Portugal”, refere.

“E, embora noutros países, como a Alemanha e os EUA, os salários reais tenham começado a subir em linha com o aumento da produtividade do trabalho registado nos últimos anos, ainda que de forma lenta, em muitos setores, os salários continuam a não acompanhar a evolução da produtividade”, nota a OCDE, esclarecendo que tal aconteceu num terço dos vários setores económicos na Alemanha e nos EUA.

De acordo com a organização, o fraco crescimento da produtividade do trabalho “continua a caracterizar as economias mais desenvolvidas do mundo e ameaça comprometer melhorias na qualidade de vida”.

Este abrandamento do crescimento da produtividade (medido em termos de valor acrescentado por hora trabalhada) tem, segundo a OCDE, afetado especialmente o setor industrial – quer atividades de alta tecnologia, como computação e eletrónica, quer indústrias com níveis mais baixos de especialização – continuando “elevadas” as diferenças de produtividade laboral entre as empresas de maior e de menor dimensão.

“E embora o crescimento económico em muitos países tenha levado a um aumento do emprego, com destaque para Itália, México, Espanha, Reino Unido e EUA, a maioria dos novos postos de trabalho criados são em atividades de produtividade relativamente baixa”, refere.

Segundo a responsável pelo departamento estatístico da organização, “a dissociação de longo termo entre o crescimento dos salários e da produtividade a que se assiste em muitos países da OCDE pode igualmente estar a potenciar desigualdades no rendimento e na riqueza”.

“O abrandamento do crescimento da produtividade e o grande número de empregos de baixa produtividade que estão a ser criados limitam o alcance de melhorias no bem-estar material”, acrescenta Martine Durand.

O “Compêndio de Indicadores de Produtividade” revela que em 2016, o último ano para o qual estão disponíveis dados internacionais comparáveis, o investimento – um importante impulsionador do crescimento da produtividade – estava a começar a aumentar.

Contudo, as taxas de investimento, particularmente na área das máquinas e equipamentos e de outros bens tangíveis, permaneciam “ainda abaixo dos níveis pré-crise em muitos países da OCDE”.

Já o investimento em produtos de propriedade intelectual, como ‘software’ e Investigação & Desenvolvimento (I&D), tem vindo a aumentar desde antes da crise, muitas vezes a um ritmo mais elevado que o do investimento em capital físico, mas ainda com “diferenças significativas” entre os vários países.

Como exemplos são avançados os casos da Colômbia, Suíça e Irlanda, onde a quota de investimento total direcionado para a propriedade intelectual em 2016 foi, respetivamente, de 1,1%, 30% e 56%.
Ainda segundo o compêndio divulgado, “o relativamente robusto investimento em propriedade intelectual, apesar de só passado algum tempo revelar efeitos positivos nas empresas, pode atuar como catalisador para um crescimento económico mais forte no futuro”.

Para a OCDE, a produtividade é, em última análise, uma questão de “trabalhar melhor” em vez de “trabalhar mais”, refletindo a capacidade das empresas para produzirem mais mediante o recurso a novas ideias, inovações tecnológicas e melhorias organizacionais e de processos.

9.3.18

Portugueses são dos que mais trabalham na Europa

in RTP

Um estudo do Observatório das Desigualdades revela que os portugueses trabalham mais horas do que no resto da Europa, têm menos férias, mas produzem pouco.

[aceda à reportagem aqui]

15.12.17

Responsabilidade Social: como uma consciência social pode atrair e reter talento

Marco Barbosa, in o Observador

Estudo revela que 84% dos Millennials admitem que ter um impacto positivo no mundo é mais importante do que o reconhecimento profissional. Mas o que significa isso para as empresas?

Os Millennials superam já qualquer outra geração na força de trabalho e, até 2020, representarão mais de metade do seu total. E, ao contrário de muitos de seus predecessores, os Millennials são mais motivados por melhorar o mundo que os rodeia, do que por cargos de prestígio ou empregos com remuneração elevada.

De acordo com um estudo da Universidade de Bentley, 84% dos Millennials admitem que ter um impacto positivo no mundo é mais importante do que o reconhecimento profissional. Mas o que significa isso para as empresas que tentam atrair e reter os melhores talentos? Se a recompensa monetária e o reconhecimento profissional não funcionam como incentivos, o que funcionará?

A resposta: responsabilidade social e ambiental
A ideia de que conseguimos mudar o sistema de dentro para fora parece ter morrido juntamente com a crise financeira, mas os Millennials entendem que conseguem usar o seu poder de influência para encorajar as empresas a contribuirem positivamente para o mundo que as rodeia. O Millennial Impact Report descobriu que mais de metade dos Millennials são motivados em trabalhar em empresas cuja missão é transformar o mundo.

Isso levou a uma mudança incremental na forma como as empresas se apresentam e a uma redução em atividades geradoras de desperdício, tais como o excesso de impressão em papel. Mas as empresas precisam de ter uma visão mais abrangente do que apenas poupanças na eficiência – é necessário que demonstrem um compromisso com a promoção de mudança no mundo. Isto trará a solidariedade social para o primeiro plano tornando-a um aspeto-chave para todas as empresas nos próximos anos.

O relatório Global CEO Survey da PwC mostra que 64% das empresas consideram que as suas políticas de solidariedade social são um aspeto fundamental do seu negócio. No entanto, apenas 29% das empresas se focam na responsabilidade social como estratégia para atrair e reter os melhores talentos na sua força de trabalho.
As empresas que demonstrem compromisso a longo prazo, implementando bons processos e plataformas para gerir as suas políticas de responsabilidade social, superarão outras em termos de aquisição e retenção de talentos, produtividade e vendas.

Atrair os melhores talentos
De acordo com o relatório Project ROI, 76% dos americanos não aceitariam um emprego numa empresa com má reputação, ainda que estivessem desempregados, e 45% dos Millennials declararam que aceitariam um corte salarial optando por trabalhar para uma empresa que tenha um impacto social ou ambiental positivo. Ao mesmo tempo, 78% dos Millennials dizem que a responsabilidade social influencia diretamente se eles trabalhariam em determinada empresa, 90% dizem que querem usar as suas competências para o bem, 75% dos colaboradores querem participar dos programas de filantropia e voluntariado da sua empresa e 93% dos colaboradores que se voluntariam estão felizes com o seu empregador. Estes dados reforçam a importância inequívoca de uma boa reputação em termos de responsabilidade social.

Segundo a Harvard Business Review, não é necessariamente oferecendo mais dinheiro que se conseguem atrair e reter os recursos humanos que “vestem a camisola” e acreditam na empresa. As empresas precisam de demonstrar que estão empenhadas em ter um impacto positivo, que os colaboradores são envolvidos nesse processo e que isso é um aspeto fundamental na sua operação.

O mesmo relatório descobriu ainda que responsabilidade social reduziu a taxa de rotatividade do pessoal em 25-50% – o mesmo efeito que um aumento salarial de 3.700 dólares por ano. Isto permite uma poupança nos custos de recrutamento de 90-200% do salário anual de um colaborador. Assim, a responsabilidade social não só ajuda a atrair os melhores talentos, mas contribui também para os reter.

Melhorar a produtividade
Segundo a Gallup, 17,2% dos colaboradores são “tóxicos” e cada um tem um custo de cerca de 12.000 dólares por ano em baixa produtividade. Simon Sinek defende que a motivação das pessoas assenta na razão pela qual as empresas fazem o que fazem, mais do que a forma como o fazem. Isso é útil de uma perspetiva de gestão de marca, mas também se transfere para o funcionamento diário do negócio.

Apesar do receio de que as políticas de responsabilidade social ocupem o tempo dos colaboradores com tarefas não diretamente imputáveis ao seu cargo, os programas de solidariedade social têm demonstrado ser capazes de melhorar a produtividade em cerca de 13%, de acordo com o Project ROI.

O grande desafio para os empregadores é encontrar uma forma de gerir eficientemente estas políticas. Dedicar demasiado tempo e atenção pode ser uma distração e anular os ganhos de produtividade, mas dedicar pouco tempo acarreta o risco de o compromisso social se perder. Algumas grandes empresas estão mesmo a recrutar diretores de responsabilidade social (muitas vezes em colaboração com diretores de RH e Marketing) para gerirem o seu impacto, donativos, e programas de voluntariado. No entanto, para empresas mais pequenas, tal poderá não ser necessário ou viável.

Habilitar o programa de responsabilidade social com tecnologia traduz-se numa gestão manual mínima, e é geralmente a melhor e mais fácil forma de envolver todos os colaboradores, possibilitar novas funcionalidade e analisar o impacto. Os colaboradores têm então o poder de decisão e as ferramentas para se envolverem, ou não, com as ações de voluntariado, ou angariação de fundos para causas pessoais ou sociais com as quais se identificam.

Aumentar as vendas
As políticas de solidariedade social são uma excelente forma para atrair, reter e inspirar os melhores talentos. Mas o impacto não se fica por aí: também os clientes são inspirados pelas políticas de responsabilidade social.

Nos Estados Unidos, 83% dos consumidores dizem querer consumir mais produtos e serviços de empresas que contribuem para uma causa social, e 62% dizem-se motivados a mudar de marca na ausência de um propósito social claro.
Como tal, as empresas com uma boa reputação social veem as suas vendas aumentar em até 20%, de acordo com o relatório Project ROI, e por cada dólar em contribuições filantrópicas podem gerar 6 dólares de receita (dentro da razoabilidade).

É claro que as vendas não aumentarão se os clientes não conhecerem o trabalho que a empresa realiza, por isso a divulgação é um aspeto crítico. Isso geralmente é mais fácil de dizer do que de fazer, mas um gestor de responsabilidade social ou plataforma tecnológica deve poder registar e analisar os donativos, horas de voluntariado, causas apoiadas, medir o impacto nos colaboradores, etc.. Esses factos ajudam a comparar o seu negócio com outros e demonstrar o seu compromisso, proporcionando um excelente material de marketing.

Marco Barbosa é empreendedor social e foi selecionado pela ‘Forbes 30 under 30’ na categoria de Empreendedorismo Social em 2016. O seu atual projeto é a eSolidar, uma plataforma tecnológica que liga empresas a instituições de solidariedade social, com o objetivo de promover o desenvolvimento de programas de responsabilidade social, filantropia e voluntariado

5.9.17

Emprego que está a ser criado tem uma produtividade abaixo da média

in o Observador

Forum para a Competitividade considera que o crescimento da economia não é sustentável. A atividade vai abrandar durante o segundo semestre de 2017.

Exportações "o segundo contributo mais elevado para o PIB" desde o quarto trimestre de 2013

A aceleração da taxa de crescimento da economia durante o segundo trimestre de 2017 não é “inteiramente tranquilizadora” e os empregos que estão a ser criados “têm uma produtividade abaixo da média, o que nos impede de convergir para a produtividade mais elevada que se verifica na média da União Europeia”. A análise é do Forum para a Competitividade e está publicada na nota de conjuntura de agosto, divulgada nesta segunda-feira pelo think tank.

O gabinete de estudos do Forum, liderado pelo economista Pedro Braz Teixeira, assinala a revisão em alta que o Instituto Nacional de Estatística fez aos dados da evolução do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre, de 2,8% para 2,9% em variação homóloga, mas sublinha que o crescimento em cadeia “desacelerou fortemente, de 1,0% para 0,3%, com queda das exportações e consumo privado, compensada pela subida do investimento”.

Aparentemente, o aumento do investimento seria uma notícia positiva, mas o Forum para a Competitividade, presidido pelo empresário e gestor Pedro Ferraz da Costa, tem algumas dúvidas. “A maior parte da subida deste agregado [investimento] deve-se a uma subida no stock de existências, cujo significado é incerto“, afirma-se na nota de conjuntura. O facto “tanto pode ser fruto de fortes expectativas de vendas futuras, como erro na previsão de vendas passadas”, acrescenta o documento, que considera a situação como “não sustentável”.

O Forum refere que o consumo privado entrou em “estabilização” de abril a junho, enquanto a queda verificada no consumo público “não resulta de poupanças” na despesa das administrações públicas, “mas da forma como é contabilizada a redução de horário para as 35 horas: menos quantidade, com preços mais elevados”. O abrandamento que se verificou nas exportações é desvalorizado na análise em causa, já que as vendas de bens e serviços ao exterior deram “o segundo contributo mais elevado para o PIB (líquido de importações) desde o quarto trimestre de 2013”.

Menos saudável, na perspetiva do Forum para a Competitividade, parece ser o desempenho do mercado de trabalho. “O PIB continua a crescer abaixo do emprego (2,9% versus 3,5%), o que significa que os empregos que estão a ser criados têm uma produtividade abaixo da média, o que nos impede de convergir para a produtividade mais elevada que se verifica na média da UE”, refere a nota de conjuntura, que acrescenta: “Com este crescimento do emprego, o PIB deveria estar a crescer claramente acima dos 4%”.

Os técnicos do think tank concluem que “o problema principal com estes dados do PIB é que não são sustentáveis sem
que se introduzam as reformas estruturais de que o país carece” e alertam que os “valores actuais são fruto de um efeito base, pelo PIB do primeiro semestre de 2016 ter sido muito fraco (0,9%)”. O Forum para a Competitividade antecipa “uma desaceleração já no segundo semestre” de 2017, com uma previsão de crescimento para o conjunto do ano situada entre 2,3% e 2,6%, arrefecendo “ainda mais” em 2018.

29.6.17

Mario Draghi: "sem mobilidade laboral, produtividade traz mais desemprego"

in TSF

Presidente do BCE está mais otimista em relação à economia da zona euro, mas avisa que aumentos da produtividade podem aumentar desemprego se não forem acompanhados de mais flexibilidade laboral.

Mário Draghi quer mais flexibilidade laboral na zona euro. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) avisa que sem mobilidade no mercado de trabalho, o aumento da produtividade - que já se começa a observar - pode resultar em mais desemprego.

"Aumentos da produtividade dentro de cada indústria podem ter um efeito negativo no emprego,

mas as consequências que alastram para outras indústrias mais do que compensam esse efeito negativo em qualquer indústria específica", afirmou no painel final do Fórum anual do BCE em Sintra. Draghi sublinhou que "para termos os benefícios destas consequências, precisamos de mobilidade laboral, de uns setores para outros". "Sem mobilidade laboral", insistiu, "ou não teremos os aumentos de produtividade, ou teremos mais desemprego, sem que haja mais emprego noutras indústrias".
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O presidente do BCE está, ainda assim, mais otimista em relação às perspetivas económicas: "à medida que a economia melhora na zona euro, e o ciclo de negócios cresce, também haverá melhorias na produtividade. Já observamos um arranque no investimento privado, por isso esperamos melhorias no ciclo económico", observou nos momentos finais do encontro de topo organizado todos os anos pelo BCE em Sintra com a ajuda do Banco de Portugal

O Fórum do BCE dedicado este ano ao tema do investimento e crescimento nas economias avançadas, foi acompanhado por jornalistas de todo o mundo, e em particular pela imprensa internacional especializada.

20.6.17

E vivemos desempregados para sempre

Filipa Correia de Araújo, in Observador

Com mais tempo livre, a forma como o ocupamos será uma das nossas maiores preocupações e uma que poderíamos ter já. Estamos entre os maiores workaholics da Europa e tiramos disso poucos benefícios.

Até há bem pouco tempo não conseguíamos passar um dia sem ouvir falar do desemprego dos jovens licenciados em Portugal. Depois vieram os estágios do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e os milhões neles injectados (18,8 só na primeira de três fases em 2017) e deixámos de prestar tanta atenção a este problema. Saber que há jovens a mergulhar da faculdade directamente para o desemprego salta-nos se calhar mais à vista do que pais de família com quarentas e cinquentas que deixam de ter lugar no mercado de trabalho, apesar de ainda longe da idade da reforma.

Podemos estar um tanto ou quanto anestesiados, mas os problemas que levaram a essas elevadas taxas continuam longe de estar resolvidos. O desemprego é um dos tópicos a que damos atenção no Lisbon Hub dos Global Shapers e, no rescaldo da conferência AI for Good das Nações Unidas em Genebra, parece-me pertinente falar de inteligência artificial e de robôs a trabalhar por nós e do que vamos fazer quando for bastante mais raro termos um emprego ou mesmo um trabalho.

Curiosamente, os avanços da inteligência artificial têm-se dado de forma simultaneamente célere e lenta. Se, por um lado, já estamos a desenvolver robôs com capacidades incríveis (como a Sophia), por outro ainda não os estamos a ver entrar na nossa vida adentro de forma demasiado rápida para não parecer natural.

A comercialização de robôs que vão ajudar idosos e dar banho aos miúdos ainda se vislumbra distante, mas a inteligência artificial mais discreta já está a espreitar por debaixo da porta, especialmente da do nosso emprego. A maior parte da automatização em Portugal ainda está reservada à indústria, mas já conseguimos vislumbrar que muitas das tarefas que hoje em dia fazemos daqui a alguns anos serão mais económicas se feitas por sistemas de inteligência artificial. Claro que nessa altura haverá consequências negativas para o emprego, mas os efeitos positivos também lá estarão, à espera que os saibamos aproveitar.

Pensando no incêndio em Pedrógão Grande e no da semana passada em Londres, surge o anseio por robôs bombeiros que consigam enfrentar as chamas como não conseguem os seres humanos, programados para preservar a vida e a natureza em detrimento de si próprios. Também é de algum modo agradável saber que pode deixar de ser necessário ter pessoas a trabalhar no meio de lixeiras e esgotos e que daqui a uns anos os elementos repetitivos da maior parte dos empregos serão todos automatizados, deixando-nos livres para nos dedicarmos às tarefas com que acrescentamos mais valor.

O ajustamento à inteligência artificial como força produtiva vai demorar o seu tempo e viver diferentes fases, nas quais provavelmente teremos de nos reinventar e lançar a novas tarefas de modo consecutivamente mais rápido. Os millennials talvez já sejam uma geração relativamente bem preparada para esta adaptação, sabendo como perguntar tudo o que não sabem ao Google e habituados a aprender online aquilo que os professores ao vivo e a cores não lhes ensinam. As gerações anteriores provavelmente necessitarão de mais apoio nesta transição e, nesse caso, não só as reformas legais, mas também as decisões ao nível da regulação da inteligência artificial desempenharão um papel fulcral. Não seremos necessariamente obrigados a aceitar a introdução de todas as tecnologias à medida que são desenvolvidas e poderemos decidir que há algumas que destroem demasiados empregos demasiado depressa para serem adoptadas num certo momento.

Portugal está bem posicionado para a inovação de base científica, como escreveu o meu colega Global Shaper David Braga Malta, e isso pode dar-nos uma vantagem na introdução da inteligência artificial em grande escala no mercado de trabalho. Talvez os maiores desafios na adaptação a estas mudanças far-se-ão sentir nos países em desenvolvimento, que com uma população cada vez mais jovem e mais numerosa, estão actualmente com dificuldades em garantir um número mínimo de empregos para que uns poucos na família possam sustentar os muitos restantes.

Imaginar as pressões que as economias em desenvolvimento sentirão num mundo em que menos empregos estarão disponíveis, principalmente para aqueles sem formação tecnológica, não nos deixa antever um cenário positivo. O investimento de mais esforços na educação, tecnologia e estabilidade política, bem como o aumento da consciência de que neste mundo global a negligência com uns rapidamente se torna num mal para todos, serão instrumentais para garantir que limitamos o número de guerras e revoluções com efeitos devastadores.

Agradar-nos-ia a ideia de poder vir a ficar desempregados para sempre? Nos moldes do que é hoje o desemprego provavelmente não, mas se forem outros, porque não? Tendo por base alguns dos sistemas de previdência social na Europa, não é difícil de imaginar que sejamos capazes de chegar a um equilíbrio em que mesmo as 35 horas de trabalho semanais sejam em demasia para produzirmos o suficiente de modo a garantir que nós e os outros recebemos o que necessitamos para viver bem. Nesse caso, poderemos suportar bem mais pessoas sem emprego, ou com formas radicalmente diferentes das actuais de se estar empregado.

Com mais tempo livre, a forma como o ocupamos será possivelmente uma das nossas maiores preocupações e é uma que bem poderíamos ter já. Estamos entre os maiores workaholics da Europa e os benefícios que disso tiramos são poucos. Passar menos tempo no trabalho e dedicar mais tempo aos nossos hobbies, talvez até a investir em novas competências, é possivelmente uma das melhores formas de nos prepararmos para a maior convivência com os robôs.

Filipa Correia de Araújo tem 26 anos e é gestora de projectos de desenvolvimento internacional na CESO Development Consultants. Licenciou-se em Economia pela Universidade Nova de Lisboa em 2009 e antes de terminar o mestrado CEMS MIM em Gestão Internacional em 2015, trabalhou em países tão diversos como o Uganda, Timor e a Alemanha. A sua área de foco é a promoção do empreendedorismo como resposta à falta de emprego e estímulo ao sector privado em países em desenvolvimento.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre desemprego na era dos robôs. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal da autora e não vincula os Global Shapers de Lisboa.

21.12.15

Salário mínimo: aumenta ou retrai produtividade?

Texto Eduardo Santos, in Fátima Missionária

A ONU divulgou segunda-feira passada o relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), vulgo relatório do desenvolvimento humano. Um dos temas abordados é o desemprego, tema em que vamos refletir


Este documento sobre o desenvolvimento humano revela que, no aspeto do desemprego, as deslocalizações estão na origem de metade do desemprego em Portugal. Não sendo propriamente novidade, trata-se de uma constatação que é surpreendente.

O documento analisa o tema do emprego e refere que a contratação no exterior pode desenvolver regiões de alguns países, ao passo que tem consequências negativas para os trabalhadores de países desenvolvidos. No caso português, segundo a ONU, que cita um estudo da Organização Internacional de Trabalho, a contratação além-fronteiras é responsável por «quase 55 por cento de todas as perdas de empregos em Portugal», refere o documento.

O relatório dedica ainda um capítulo ao desemprego jovem. Em todo o mundo, há 74 milhões de jovens sem trabalho, com níveis recorde nos estados árabes, nos países do sul da Europa, América latina e Caraíbas. Em Portugal, sublinha o documento das Nações Unidas, o desemprego jovem no ano passado era quase duas vezes e meia mais elevado que entre os adultos, com uma taxa de 35%.

Quanto ao desenvolvimento verificado no nosso país, o documento refere que Portugal desacelerou nos últimos cinco anos. Apesar da classificação confortável, Portugal é um dos países europeus com menores pontuações (43º lugar, num total de 187 países). Em destaque está a Irlanda, onde o Fundo Monetário Internacional também interveio, que se encontra em 6º lugar (com a mesma pontuação da Alemanha), ou a Grécia, mergulhada numa grave crise económica e financeira, e que se encontra na 29ª posição.

O documento aborda também o aspeto da distribuição de riqueza e afirma que pouco ou nada se alterou. Os números avançados pela ONU refletem a enorme desigualdade entre países e populações. Em 2016, um por cento da população mundial terá domínio sobre 50 por cento da riqueza global em contraponto a 80 por cento, o grosso da população, que terá apenas seis por cento dessa riqueza.

O relatório «Trabalho para o Desenvolvimento Humano» é realizado todos os anos tendo como variáveis de comparação a esperança média de vida, os níveis de escolaridade e o Produto Interno Bruto per capita.

Em Portugal um dos temas do momento é a aprovação, a nível governamental, do salário mínimo nacional (SMN) e que está a gerar bastante polémica entre políticos, sindicalistas e patronato. Desde 2011 que a percentagem de trabalhadores a ganhar o SMN subiu 73,6%. Ganhou-se competitividade à custa de salários baixos, dizem políticos e representantes dos trabalhadores.

A economia portuguesa estará mais competitiva desde a chegada da troika, mas em grande parte à custa da desvalorização salarial. Hoje, um em cada cinco trabalhadores (19,6%) ganha o salário mínimo nacional de 505 euros por mês. Em 2011, antes das medidas de ajustamento impostas pelos credores, apenas 11,3% recebiam a remuneração base, então de 485 euros. É um aumento de 73,6%, segundo os números do Ministério da Economia.

António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), afirmou ao Dinheiro Vivo em Agosto passado: «Houve empresas que para não despedirem trabalhadores baixaram os salários». Por outro lado afirmou que do lado dos patrões «sempre temos defendido que mais vale ter um posto de trabalho remunerado com o salário mínimo do que o desemprego». Para os sindicatos, no entanto, a realidade é mais negra: «Assistimos a uma substituição de trabalhadores bem pagos por pessoas mais jovens e mal pagas». E sem aumento de produtividade, admite Sérgio Monte, da UGT.

Como se pode facilmente constatar não há consenso em relação a este assunto, mas torna-se necessário que haja um entendimento mínimo entre Governo, entidades patronais e sindicais, pois o número de desempregados continua em subida. O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), através da sua página na internet, referiu que o número de desempregados voltou a subir em Novembro, havendo agora 550 250 mil desempregados inscritos.

Perante o que se conhece da realidade portuguesa não é possível subir muito o valor mínimo do salário que é atribuído, mas na realidade é sempre pouco para quem o recebe. Há necessidade de acautelar e proteger a consolidação das empresas para que estas possam pagar ordenados mais adequados à presente situação, mas tendo em conta também a produtividade do assalariado. A «bola» está entre patronato e empregados, e tem que haver o bom senso de todos, no sentido de colaborarem para que a economia portuguesa cresça. Paul Krugman, Nobel da economia, avisou há dias em relação ao aumento de salário mínimo: «É preciso muito cuidado», ou seja, pode ser prejudicial para a economia portuguesa. Bom Natal para todos!

2.10.14

Mota Soares defende que salário mínimo ligado à produtividade do país é "fundamental"

in Jornal de Notícias

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, considerou esta quarta-feira "fundamental" que as atualizações do salário mínimo passem agora a estar ligadas à produtividade, tal como acordado com os parceiros sociais.


"Qualquer aumento do salário mínimo é um aumento que está para ficar. Fundamental é ligarmos sempre atualizações futuras do salário mínimo à produtividade do país", disse.

Porque esta correlação, continuou, é que garante que o país está "a ter um crescimento sustentável".

Pedro Mota Soares falava aos jornalistas em Évora, à margem de uma visita às fábricas da construtora aeronáutica brasileira Embraer naquela cidade alentejana.

No dia em que entra em vigor o novo salário mínimo nacional, que passou para 505 euros, o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social elogiou o acordo alcançado com os parceiros sociais, à exceção da CGTP, na semana passada.

"O compromisso foi muito importante, não só porque se conseguiu fazer um aumento do salário mínimo, até acima daquela que era a expectativa de muitas pessoas, mas também porque se conseguiu ligar atualizações futuras do salário mínimo à produtividade do país", congratulou-se.

A propósito da subida de 20 euros do salário mínimo, Mota Soares lembrou que este "não era aumentado há quatro anos em Portugal".

"Não foi este Governo, foi um governo anterior, que congelou esse mesmo aumento. Não foi este Governo, foi um governo anterior, que inscreveu no memorando de entendimento que, durante o período de ajustamento, não era possível aumentar o salário mínimo", disse.

Hoje, "felizmente", as condições do país, quer no que toca ao "crescimento económico", quer relativamente ao "aumento da produtividade", já "permitem que haja uma distribuição mais justa desse mesmo crescimento entre as empresas e os trabalhadores", salientou.

O salário mínimo nacional (SMN) subiu hoje dos 485 para os 505 euros, um aumento que abrange cerca de meio milhão de trabalhadores e que vigorará até ao final do próximo ano.

2.6.14

Bruxelas recomenda a Portugal alinhar salários com produtividade

in Jornal de Notícias

A Comissão Europeia defende que Portugal deve "manter um nível mínimo de evolução da massa salarial coerente com os objetivos de promoção do emprego e da competitividade" e assegurar um sistema que alinhe salários à produtividade.

Nas recomendações específicas dirigidas esta segunda-feira aos Estados-membros, no quadro do semestre europeu de coordenação de políticas económicas, o executivo comunitário, logo na sua segunda recomendação a Portugal para o período 2014-2015, sustenta que deve ser assegurado "um sistema de fixação de salários que promova o alinhamento dos salários e da produtividade a nível setorial e/ou a nível de empresa".

A Comissão recomenda também ao Governo que explore, "em consulta com os parceiros sociais e de acordo com as práticas nacionais, a possibilidade de prever modalidades de derrogação ('opt-out') a nível de empresa a acordos coletivos setoriais acordadas entre os empregadores e os representantes dos trabalhadores".

"Até setembro de 2014", sustenta Bruxelas, o Governo deve "apresentar propostas sobre modalidades de derrogação a nível de empresa a acordos coletivos setoriais acordadas entre empregadores e representantes dos trabalhadores, bem como sobre a revisão da sobrevivência de acordos coletivos".

Na semana passada, o ministro do Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou que o aumento do salário mínimo nacional será indexado à produtividade, mas não se comprometeu com o valor base nem com datas para a sua entrada em vigor.

"Neste momento é possível iniciar uma discussão com os parceiros socais tendente a aumentar o salário mínimo nacional (...) e o Governo quer discutir um aumento do salário mínimo nacional que seja plurianual e com um conjunto de critérios ligados à produtividade", afirmou Mota Soares.

7.3.14

Salários só podem aumentar "quando os portugueses trabalharem como os alemães"

in Jornal de Notícias

O presidente do Conselho de Administração da Sonae, Belmiro de Azevedo, afirmou esta quinta-feira que os salários em Portugal só podem aumentar quando os trabalhadores tiverem a mesma produtividade que, por exemplo, os alemães.

"Os salários só podem aumentar - e oxalá que isso aconteça - quando, de facto, um trabalhador português fizer uma coisa igual, parecida, com um trabalhador alemão ou inglês, seja o que for", afirmou Belmiro de Azevedo, à margem da cerimónia de entrega dos diplomas dos finalistas do MBA Executivo da Porto Business School.

Desta forma, para o 'chairman' da Sonae, que voltou a defender que a competitividade em Portugal só pode ser estimulada através da "educação das pessoas e [da] aquisição das máquinas corretas", é impossível comparar os salários em Portugal com os de países como a Alemanha "pura e simplesmente porque os alemães, por hora, fazem três ou quatro vezes mais do que os portugueses".

"Portanto, é uma maneira de fugir à realidade, porque se não formos igualmente competitivos não exportamos. E não exportando não vamos a sítio nenhum", disse Belmiro de Azevedo.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reiterou, na quarta-feira, que considera que o país não pode regressar ao "nível salarial" nem ao "nível remuneratório das pensões" de 2011.

De acordo com dados do Eurostat e dos Institutos Nacionais de Estatísticas reunidos pela Pordata, em 2012, se num índice da União Europeia a 27 a produtividade do trabalho por hora era 100, em Portugal seria 64,3, enquanto na Alemanha o valor era de 124,8.

25.2.14

Trabalho. Como as pausas para fumar aumentam a produtividade nas empresas

Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline

Em culturas e organizações que privilegiam o número de horas que os colaboradores passam nas empresas, as paragens intercaladas ao longo do dia são a única estratégia para manter altos níveis de concentração e produção

A grande maioria dos empregadores portugueses continua a valorizar o tempo que os seus colaboradores permanecem nos locais de trabalho, ao invés da produtividade ou da criatividade. Mas os estudos mais recentes comprovam que os momentos de não trabalho alimentam a capacidade de compromisso, em tempo e em esforço, do trabalhador para com a organização, aumentando o seu nível de eficiência.

Uma tese de mestrado defendida por Alexandra Pereira no Instituto de Psicologia Aplicada da Universidade Europeia sobre a importância das pausas no trabalho intelectual conclui que as estratégias mais utilizadas pelas pessoas para aumentarem o seu poder de concentração ao longo do dia passam por vários momentos de reset. Estas paragens são fundamentais para se ultrapassarem bloqueios mentais, descomprimir, compensar a falta de tempo para a vida privada e permitem retomar as tarefas com uma energia renovada.

A autora explica que o grupo analisado recorre a vários estratagemas para aumentar a produtividade. O espairecimento é a fórmula mágica para combater os bloqueios mentais, ganhar forças entre trabalhos ou tarefas e ainda relaxarem num contexto de excesso de trabalho. Fumar, comer, beber café, pequenas conversas ou mesmo ouvir música são os métodos mais utilizados para combater a fadiga mental e o cansaço.

Os entrevistados desempenham funções que os obrigam a grandes períodos de concentração e trabalho individual, o que os obriga a estar suficientemente concentrados para responderem às expectativas e aos objectivos que lhes são traçados, para conseguirem responder aos projectos que lhes são entregues. Trata--se de um trabalho de escritório intelectualmente exigente, por oposição a trabalho fabril ou a funções comerciais.

16 horas de trabalho por dia O conjunto de pessoas que integraram a investigação pertence, de uma forma geral, a organizações que requerem muitas horas na empresa, entre 10 e 16 por dia. E por trabalharem em empresas que estipulam metas ambiciosa, os participantes tendem a estar sujeitos a ritmos exigentes e a um elevado grau de pressão.

Romances dentro do escritório As relações amorosas nos locais de trabalho podem ser enquadradas nas estratégias de descompressão ao longo do dia para compensar a falta de tempo para a vida pessoal ou para combater a fadiga mental e o cansaço.

"A minha história com o Joaquim é muito interessante... quer dizer, não é interessante mas vou contar a minha aventura. Quando comecei a trabalhar no escritório... imagina, as pessoas têm mais coragem para falar no Messenger do que falar cara a cara não é?! Com o Joaquim tivemos de trabalhar juntos por causa de umas coisas. Ele mandava-me no Messenger aquilo que eu lhe pedi, eu agradecia-lhe e depois começámos a falar sobre nós e a desenvolver uma amizade enorme através do Messenger. Falávamos de tudo e depois as coisas aconteceram", diz Patrícia, citada na tese.

António conta a história de outro colega que se apaixonou por uma advogada do escritório e que, embora tentassem evitar o contacto no escritório, acabavam sempre por almoçar juntos e telefonar-se durante o dia. As pausas ao longo das horas que passavam no escritório contribuíram para o desenvolvimento do romance.

"Um tipo que entrou no escritório no meu ano apaixonou-se por uma mais velha e ela vice-versa. Na festa de Natal a aproximação foi óbvia. Via-se que estavam muito juntos. Continuaram a falar--se. Falavam-se muito pouco lá dentro (eu sei porque ele é meu amigo) mas sem ser no escritório falavam-se imenso. [...] Durante o dia, telefonemas, horas de almoço..." Nestas situações, as pausas tornam-se intencionais e têm como principal objectivo criar espaços de conversa no âmbito da relação amorosa.

A pressão dos colegas A pressão relativamente ao tempo que se passa nas empresas é grande e muitas vezes nem vem dos chefes. São também, e muitas vezes, os colegas que entram num esquema de competição baseado na presença e na disponibilidade. "Muitas vezes não é porque o chefe esteja, porque muitas vezes não está, o problema não é tanto o chefe, pelo menos no meu escritório, que é do que eu posso falar. [...] A maioria das vezes é porque aquilo é um verdadeiro Big Brother, porque as pessoas observam-se entre elas e a fama começa a gerar-se dentro do próprio grupo e a imagem que o chefe terá de ti também é a imagem que os outros tiveram de ti e que lhe passaram a ele", diz Filipa, uma das advogadas que participaram no estudo.

O café da manhã A maioria dos entrevistados diz não começar a trabalhar assim que chega ao escritório. De manhã, muitas pessoas estão pouco despertas para o trabalho e precisam de se envolver no espírito do trabalho antes de começarem o dia. Este período é percepcionado como um desafio: é preciso arranjar formas de se ultrapassar a inércia natural para começar a trabalhar efectivamente.

A autora da tese cita Covey no seu livro "Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", onde o investigador considera fundamental preservar as quatro dimensões da natureza humana - física, espiritual, mental e social/emocional - para se obterem melhores resultados, ou, como o autor refere, "afinar o instrumento".

Covey explica que o trabalho de serrar uma árvore pode ser mais proveitoso se, ao invés de longos períodos de esforço continuado, o indivíduo fizer pausas para afiar a serra. Nessa altura descansa o seu corpo e cuida de um instrumento que, uma vez afiado, irá render mais na utilização seguinte.

Carpir colectivamente João Vieira da Cunha, orientador da tese, considera que as interrupções deste tipo são fundamentais para a economia do conhecimento. "Uma auditora confessou que fazia mais de 20 chávenas de chá por dia, apesar de só beber três, explicando que sempre que precisa de espairecer faz uma caneca, nem que seja para a deixar arrefecer na sua mesa, utilizando este processo para um reset mental."

Navegar na internet tem o mesmo efeito. Vieira da Cunha refere que os empregados de uma das principais empresas públicas nacionais, que passou por uma reestruturação profunda entre 1998 e 2002, foram sujeitos a grandes mudanças na sua cultura e avaliação de desempenho e utilizaram um fórum virtual para partilharem o seu desconforto. "Sentiam-se humilhados e diminuídos e diziam--no abertamente. Este local de discussão, inicialmente criado para a troca de ideias e sugestões para aumentar a produtividade e a competitividade de todos os departamentos, acabou por ser utilizado para desabafar, com muita emoção à mistura, a experiência de passar por uma sucessão de momentos difíceis."

A válvula de escape acabou por ter um impacto muito positivo no projecto de mudança, tendo os níveis de resistência acabado por ser os mais baixos de sempre. "Ao colocarem as mensagens no fórum on-line", escreve o investigador no livro "Terror ao Pequeno-Almoço", "estavam como que a bater numa almofada em vez de bater no chefe. Chorar em conjunto, ainda que num espaço virtual, serviu para dissipar a energia que de outra forma seria canalizada para bloquear e sabotar a reestruturação da empresa."

21.1.13

Trabalhar mais horas não significa mais produtividade

in Jornal de Notícias

O Governo tem vindo a defender um aumento dos horários na Administração Pública com o objetivo de aumentar a produtividade, mas segundo um estudo hoje distribuído às três estruturas sindicais da Função Pública, uma realidade não depende da outra.

De acordo com o documento, ao qual a Lusa teve acesso, que faz uma análise da média de horas trabalhadas na União Europeia, no âmbito dos 27 Estados-membros, "com segurança que a primeira variável não é preditora da segunda, uma vez que não existe uma relação consistente entre o número de horas trabalhadas e a produtividade".

No caso de Portugal, o estudo indica que, embora se verifique um número médio de horas trabalhadas por semana, tanto no emprego total como no emprego a tempo inteiro, de 39,1 e de 43,3 horas, respetivamente, superior ao da Alemanha (35,6 e 42 horas), o índice de produtividade é pouco mais de metade do alemão.

Relativamente à produtividade entre os 27, o mesmo assinala que "são identificáveis disparidades muito grandes em países com um número de horas trabalhadas semelhantes ou iguais".

São disto exemplo a Suécia e a Letónia: o primeiro país apresenta uma média de horas trabalhadas semanalmente de 40,9 e, o segundo, de 40,8, respetivamente. No caso sueco, o índice de produtividade ultrapassa os 100%, e na Letónia, cuja fica abaixo dos 48%, segundo o estudo.

Numa análise por horas trabalhadas em Portugal, face à produtividade por hora na Administração Pública no conjunto da União Europeia, a média do número de horas trabalhadas no Emprego total é de 39,1 [horas] às quais corresponde uma produtividade na ordem dos 65,4%.

Com base em análises feitas nos últimos 20 anos, vários estudos apontam para o facto de, "à medida que se avança no número de horas trabalhadas durante o dia, a produtividade vai-se tornando gradualmente mais baixa".

Este estudo foi entregue pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, à Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, ao Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) e à Frente Sindical da Administração Pública (Fesap), que vão agora analisar o documento.

Atualmente, a média de trabalho semanal na Administração Pública é de 35 horas, em Portugal.

11.5.12

Salários baixam 6% e produtividade estagna em Portugal até 2014

in Jornal de Notícias

As remunerações dos trabalhadores vão cair - só este ano os salários deverão cair 6% - e a produtividade do trabalho vai manter-se idêntica este ano e no próximo em Portugal, segundo as previsões de primavera da Comissão Europeia, hoje divulgadas.

A Comissão prevê que as remunerações 'per capita' reais (isto é, ajustadas para a inflação) dos trabalhadores caiam 6% este ano e 1,9% no próximo. Caso se concretizem estas previsões, serão quatro anos consecutivos de redução das remunerações do trabalho.

Este ano, só na Grécia é que haverá uma redução maior nas remunerações, segundo a Comissão.

Quanto à produtividade do trabalho (o PIB dividido pelo número de trabalhadores empregados), deverá estagnar este ano e no próximo.

A Comissão Europeia espera que o "motor" da atividade económica nos próximos dois anos seja o setor exportador. No entanto, "apesar de melhorias recentes, a perda de competitividade pelo preço no exterior durante a última década ainda não foi invertida".

A recuperação de competitividade das exportações será então obtida graças à redução dos custos de trabalho, e não a um aumento de produtividade.

Nas suas previsões de primavera, a Comissão prevê que a economia portuguesa encolha 3,3% este ano e cresça 0,3% em 2013.