Verificou-se também, pelo segundo ano consecutivo, uma situação de mudança natural negativa, com mais mortes do que nascimentos, “muito provavelmente devido ao impacto da pandemia”. O número total da população da União Europeia (UE) voltou a baixar este ano para 446,8 milhões de pessoas, anunciou esta segunda-feira o serviço estatístico comunitário, o Eurostat, atribuindo a redução à pandemia de covid-19.
Numa publicação a propósito do Dia Mundial da População, que se assinala esta segunda-feira, o Eurostat divulga que, “após um primeiro declínio no crescimento da população em 2020 devido ao impacto da pandemia de covid-19, a população da UE diminuiu novamente em 2021, de 447 milhões a 1 de Janeiro de 2021 para 446,8 a 1 de Janeiro de 2022”.
De acordo com o serviço estatístico europeu, verificou-se também, pelo segundo ano consecutivo, uma situação de mudança natural negativa, com mais mortes do que nascimentos, “muito provavelmente devido ao impacto da pandemia”.
Assim, a primeira estimativa sobre este ano indica que se registaram, na UE, mais 531.000 mortes em 2020 do que em 2019, a comparar com 113.000 mais mortes em 2021 do que em 2020.
A população da UE cresceu de 354,5 milhões em 1960 para 446,8 milhões a 1 de Janeiro de 2022, um aumento de 92,3 milhões de pessoas, mas este crescimento tem vindo a diminuir gradualmente nas últimas décadas.
De acordo com o Eurostat, a população da UE aumentou, em média, em cerca de 700 mil pessoas por ano durante o período de 2005 a 2022, em comparação com um aumento médio de cerca de três milhões de pessoas por ano durante a década de 1960.
Por país, a população de cada Estado-membro da UE variava, no início deste ano, entre cinco milhões em Malta e 83,2 milhões na Alemanha.
A Alemanha, França e Itália, em conjunto, representavam, a 1 de Janeiro de 2022, quase metade (47%) da população total da UE.
Portugal ficava a meio da tabela, sendo o 12.º país com mais população entre os 27 Estados-membros.
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4.11.21
Portugal é o quinto país do mundo que mais perde emprego de baixo rendimento
Por José Milheiro, in TSF
A economia portuguesa só não é ultrapassada pela Grécia, Panamá, Mongólia e Turquia.
De acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), houve uma quebra de 8% no emprego com salários baixos de 2019 para 2020. Mas a OIT não atribui esta queda a uma melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Antes pelo contrário, a pandemia levou à perda de postos de trabalho menos qualificados e logo as empresas e as atividades com os salários mais baixos foram condenadas a fechar.
"O impacto desproporcional da pandemia nas pequenas empresas e nos trabalhadores com salários mais baixos têm implicações importantes nas perspetivas de recuperação", explica a OIT na oitava edição do seu "Monitor" dedicado ao impacto da pandemia no emprego.
Neste quadro a economia portuguesa só não é ultrapassada pela Grécia, Panamá, Mongólia e Turquia.
Para a OIT, "a redução abrupta e em grande escala da participação das empresas mais pequenas pode limitar as perspetivas de emprego, visto que as pequenas empresas fornecem a maioria das oportunidades de emprego aos trabalhadores com salários mais baixos".
Por outro lado, "com a crescente disparidade de produtividade entre as economias em desenvolvimento e as avançadas, a contribuição positiva da produtividade para a promoção do crescimento inclusivo e a criação de empregos dignos está sendo ainda mais prejudicada nos países que mais precisam desse incentivo", que são os países de baixo rendimento.
Face à pandemia e aos seus impactos a OIT aponta em 2021 e 2022 para "uma recuperação de duas velocidades".
A OIT argumenta que "o otimismo que prevalecia no início de 2021 desvaneceu-se sob os efeitos de novas ondas da pandemia, o surgimento de novas variantes de COVID e o lançamento lento e desigual de vacinações. O amplo acesso às vacinas, combinado com um estímulo fiscal relativamente forte, provavelmente permitirá que os países mais ricos registem uma recuperação mais rápida nas horas trabalhadas do que o resto do mundo".
Os especialistas da OIT fizeram as contas e estimam que "para cada 14 pessoas totalmente vacinadas no segundo trimestre de 2021, um emprego equivalente a tempo inteiro foi acrescentado ao mercado de trabalho global, o que impulsionou substancialmente a recuperação", conclui.
A economia portuguesa só não é ultrapassada pela Grécia, Panamá, Mongólia e Turquia.
"O impacto desproporcional da pandemia nas pequenas empresas e nos trabalhadores com salários mais baixos têm implicações importantes nas perspetivas de recuperação", explica a OIT na oitava edição do seu "Monitor" dedicado ao impacto da pandemia no emprego.
Neste quadro a economia portuguesa só não é ultrapassada pela Grécia, Panamá, Mongólia e Turquia.

Para a OIT, "a redução abrupta e em grande escala da participação das empresas mais pequenas pode limitar as perspetivas de emprego, visto que as pequenas empresas fornecem a maioria das oportunidades de emprego aos trabalhadores com salários mais baixos".
Por outro lado, "com a crescente disparidade de produtividade entre as economias em desenvolvimento e as avançadas, a contribuição positiva da produtividade para a promoção do crescimento inclusivo e a criação de empregos dignos está sendo ainda mais prejudicada nos países que mais precisam desse incentivo", que são os países de baixo rendimento.
Face à pandemia e aos seus impactos a OIT aponta em 2021 e 2022 para "uma recuperação de duas velocidades".
A OIT argumenta que "o otimismo que prevalecia no início de 2021 desvaneceu-se sob os efeitos de novas ondas da pandemia, o surgimento de novas variantes de COVID e o lançamento lento e desigual de vacinações. O amplo acesso às vacinas, combinado com um estímulo fiscal relativamente forte, provavelmente permitirá que os países mais ricos registem uma recuperação mais rápida nas horas trabalhadas do que o resto do mundo".
Os especialistas da OIT fizeram as contas e estimam que "para cada 14 pessoas totalmente vacinadas no segundo trimestre de 2021, um emprego equivalente a tempo inteiro foi acrescentado ao mercado de trabalho global, o que impulsionou substancialmente a recuperação", conclui.
4.10.21
Rede Europeia Anti-Pobreza. Setor público e privado ainda “andam de costas voltadas”
Cristina Nascimento , André Peralta (sonorização), in RR
Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza defende uma revisão dos acordos com a Segurança Social para poder melhorar os salários dos recursos humanos nas instituições sociais.
A pandemia ainda não acabou mas a Rede Europeia Anti-Pobreza já tirou lições deste tempo. Lançou um inquérito às instituições que trabalham na área para saber que dificuldades enfrentaram e uma das primeiras conclusões a que chegaram é que tinham limitações.
Jardim Moreira, presidente desta rede, explica que a necessidade obrigou a que as instituições “tivessem aberto um pouco mais a porta e ter sentido necessidade de trabalhar mais em rede”, pois “sentiram a sua limitação de recursos humanos”.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza explica que os recursos humanos das instituições sociais trabalharam em “esforço”, com “maior exigência” que resultou, depois, em “stress, burnout, desânimo, medo”.
Contratar mais pessoas foi difícil não só porque não abundam profissionais com experiência e também porque as remunerações são pouco atrativas.
Assim, defende uma revisão dos “protocolos com a Segurança Social para poder aumentar as verbas, para poder pagar minimamente aos técnicos, aos recursos humanos, senão não temos recursos humanos capazes de oferecer respostas às pessoas.”
Além das questões relacionadas com os recursos humanos foram identificadas necessidades também a nível informático.
“Era necessário que as instituições se preparem e se equipem com maior capacidade de computadores, recursos de informática e capacitação técnica suficiente para usar essa tecnologia”, explica.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que, com mais ou menos dificuldades, os problemas foram sendo ultrapassados, mas muitos ainda persistem.
“[Tivemos de dar] apoio às famílias que se viram no desemprego, dar apoio alimentar a essas famílias, dos idosos e até das crianças e apoio psicológico, porque muitas pessoas começaram a ficar desorientadas. Houve aqui grandes dramas que muitos deles não estão resolvidos”, descreve.
Como lição para o futuro, Jardim Moreira aconselha uma aproximação do setor público e privado que, diz, ainda agem de costas voltadas.
O presidente da rede diz que “muitas vezes as instituições públicas acham que o privado é desonesto e este espírito negativo não ajuda nada”, remata.
Respostas Sociais à Pandemia é uma rubrica da Renascença com apoio da Câmara Municipal de Gaia que surge no seguimento da Conferência "Pandemia: Respostas à Crise" onde se debateu em maio de 2021 o papel das Instituições Sociais e do Poder Local.
Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza defende uma revisão dos acordos com a Segurança Social para poder melhorar os salários dos recursos humanos nas instituições sociais.
A pandemia ainda não acabou mas a Rede Europeia Anti-Pobreza já tirou lições deste tempo. Lançou um inquérito às instituições que trabalham na área para saber que dificuldades enfrentaram e uma das primeiras conclusões a que chegaram é que tinham limitações.
Jardim Moreira, presidente desta rede, explica que a necessidade obrigou a que as instituições “tivessem aberto um pouco mais a porta e ter sentido necessidade de trabalhar mais em rede”, pois “sentiram a sua limitação de recursos humanos”.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza explica que os recursos humanos das instituições sociais trabalharam em “esforço”, com “maior exigência” que resultou, depois, em “stress, burnout, desânimo, medo”.
Contratar mais pessoas foi difícil não só porque não abundam profissionais com experiência e também porque as remunerações são pouco atrativas.
Assim, defende uma revisão dos “protocolos com a Segurança Social para poder aumentar as verbas, para poder pagar minimamente aos técnicos, aos recursos humanos, senão não temos recursos humanos capazes de oferecer respostas às pessoas.”
Além das questões relacionadas com os recursos humanos foram identificadas necessidades também a nível informático.
“Era necessário que as instituições se preparem e se equipem com maior capacidade de computadores, recursos de informática e capacitação técnica suficiente para usar essa tecnologia”, explica.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que, com mais ou menos dificuldades, os problemas foram sendo ultrapassados, mas muitos ainda persistem.
“[Tivemos de dar] apoio às famílias que se viram no desemprego, dar apoio alimentar a essas famílias, dos idosos e até das crianças e apoio psicológico, porque muitas pessoas começaram a ficar desorientadas. Houve aqui grandes dramas que muitos deles não estão resolvidos”, descreve.
Como lição para o futuro, Jardim Moreira aconselha uma aproximação do setor público e privado que, diz, ainda agem de costas voltadas.
O presidente da rede diz que “muitas vezes as instituições públicas acham que o privado é desonesto e este espírito negativo não ajuda nada”, remata.
Respostas Sociais à Pandemia é uma rubrica da Renascença com apoio da Câmara Municipal de Gaia que surge no seguimento da Conferência "Pandemia: Respostas à Crise" onde se debateu em maio de 2021 o papel das Instituições Sociais e do Poder Local.
30.6.21
“400 mil novos pobres são mais importantes do que mil infetados por dia”
Marta Grosso, in RR
Henrique Raposo responde ao ralhete de Merkel a Portugal sobre a permissão para a entrada de turistas ingleses e insiste: está na hora de mudar a matriz de risco.
“Não é um ralhete justificado”, diz o comentador d’As Três da Manhã. “Porque recebemos turistas ingleses? Porque temos 400 mil novos pobres. São mais importantes do que mil infetados por dia”, responde.
“Dão quatro estádios da Luz antigo que eram da classe média e caíram na pobreza”, sublinha, lembrando que estes novos pobres são também “400 mil novas pessoas que vão desenvolver novas doenças”.
Henrique Raposo critica a narrativa que se mantém na comunicação social e entre os políticos.
“Temos de mudar a matriz de risco”, insiste. “As televisões parece que não mudaram a narrativa, quando temos três milhões de pessoas vacinadas. Isto é desrespeitar a ciência”, que não nega que, mesmo com vacinas, o vírus continuará a ser transmitido.
Na opinião do comentador das quartas-feiras, se o foco continuar a ser a Covid-19, “vamos ter mais doenças a crescer, como a psiquiatria, que está a rebentar pelas costuras”.
Henrique Raposo responde ao ralhete de Merkel a Portugal sobre a permissão para a entrada de turistas ingleses e insiste: está na hora de mudar a matriz de risco.
“Não é um ralhete justificado”, diz o comentador d’As Três da Manhã. “Porque recebemos turistas ingleses? Porque temos 400 mil novos pobres. São mais importantes do que mil infetados por dia”, responde.
“Dão quatro estádios da Luz antigo que eram da classe média e caíram na pobreza”, sublinha, lembrando que estes novos pobres são também “400 mil novas pessoas que vão desenvolver novas doenças”.
Henrique Raposo critica a narrativa que se mantém na comunicação social e entre os políticos.
“Temos de mudar a matriz de risco”, insiste. “As televisões parece que não mudaram a narrativa, quando temos três milhões de pessoas vacinadas. Isto é desrespeitar a ciência”, que não nega que, mesmo com vacinas, o vírus continuará a ser transmitido.
Na opinião do comentador das quartas-feiras, se o foco continuar a ser a Covid-19, “vamos ter mais doenças a crescer, como a psiquiatria, que está a rebentar pelas costuras”.
19.4.21
Algarve está a sofrer impacto “absolutamente desproporcional” por causa da pandemia
in Sul Informação
Comparação homóloga que os autores fizeram entre maio de 2020 e 2019 indica que o ‘disparo’ do desemprego tem o seu maior impacto no Algarve, em particular em Albufeira
O Algarve é a região do país onde a pandemia está a ter um “impacto absolutamente desproporcional” e apresenta o maior aumento homólogo do desemprego, seguida, muito à distância, da Área Metropolitana de Lisboa, segundo o Observatório das Desigualdades.
Um relatório agora divulgado, assinado por Inês Tavares, Ana Filipa Cândido, Jorge Caleiras e Renato Miguel do Carmo, analisou o mercado de trabalho em Portugal continental durante o ano de 2020, com base em dados do Instituto do Emprego e da Formação Profissional.
A primeira grande constatação do estudo “Desemprego em 2020 – Impactos da Pandemia, Mapeamentos e Reflexões” foi “a inversão da trajetória de descida sustentada do desemprego que vinha acontecendo desde 2012”.
Com efeito, o desemprego registado baixou regularmente de 710.652 pessoas em 2012, para 297.931 em janeiro de 2020.
Mas um “repentino recrudescimento, mais notório a partir de abril de 2020, inverteu esta tendência” e colocou o total de desempregados registados em 375.150 no último mês do ano.
Os designados “desempregados imediatos”, que não beneficiaram do ‘layoff’ simplificado, entre outras medidas indiretas de apoio ao emprego, foram sobretudo “trabalhadores mais precários, informais, trabalhadores independentes, falsos recibos verdes, em suma, trabalhadores vulneráveis, com vínculos contratuais frágeis ou simplesmente inexistentes, aos quais se juntaram os que estavam em período experimental e não continuaram”.
Mas depois do acentuado crescimento inicial o número de desempregados manteve-se “contido/atenuado”, o que foi atribuído pelos investigadores, entre outras razões, à ‘reabertura’/desconfinamentos e aos apoios diretos e indiretos ao emprego.
Das várias características da população considerada, o Observatório apontou que “entre os grupos profissionais que estão a crescer mais e a ganhar peso relativo no total de desempregados encontram-se os trabalhadores não qualificados, os dos serviços pessoais, de proteção, segurança e vendedores, o pessoal administrativo, os especialistas das atividades intelectuais e científicas e os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices”.
Por outro lado, em termos de setores, “a larga maioria dos desempregados proveio de atividades dos serviços e só depois, muito abaixo, da indústria (…) e, mais abaixo ainda, do setor primário”
‘Afunilando’ a análise, focando na atividade económica concreta, os investigadores verificaram que “os desempregados são provenientes sobretudo do alojamento, restauração e similares; transportes e armazenagem; indústria do couro e dos produtos do couro; atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio; fabrico de veículos automóveis, componentes e outro equipamento de transporte; e indústria do vestuário”.
Depois de afirmarem que “o setor do turismo continua a ser largamente penalizado pela pandemia”, os investigadores salientaram que “no caso da região do Algarve, o fenómeno é ainda mais expressivo”.
Avançaram mesmo que no Algarve “a pandemia está a ter um impacto absolutamente desproporcional, explicado em grande medida pelo facto de a região ser muito dependente da atividade turística, com particular destaque para o concelho de Albufeira”.
Salientaram ainda que “os números do desemprego registado são inéditos” e que “o Algarve é a região do país com maior aumento do desemprego em termos homólogos, seguida, muito à distância, da Área Metropolitana de Lisboa” (AML).
Por fim, a comparação homóloga que os autores fizeram entre maio de 2020 e 2019 indica que o ‘disparo’ do desemprego tem o seu maior impacto no Algarve, em particular em Albufeira.
Quando observaram as mesmas variações entre dezembro de 2020 e 2019 apuraram, com base no mapa por concelhos, o alastramento do problema: o “maior impacto” é sofrido por Algarve, AML e Região Oeste, um “impacto significativo” verifica-se em alguns municípios da AML, do Algarve e do Interior e um “menor impacto” ocorreu em municípios do Interior, sobretudo a Norte.
O Observatório das Desigualdades é uma estrutura independente, constituída no quadro do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, que tem por instituições parceiras o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores.
Comparação homóloga que os autores fizeram entre maio de 2020 e 2019 indica que o ‘disparo’ do desemprego tem o seu maior impacto no Algarve, em particular em Albufeira
O Algarve é a região do país onde a pandemia está a ter um “impacto absolutamente desproporcional” e apresenta o maior aumento homólogo do desemprego, seguida, muito à distância, da Área Metropolitana de Lisboa, segundo o Observatório das Desigualdades.
Um relatório agora divulgado, assinado por Inês Tavares, Ana Filipa Cândido, Jorge Caleiras e Renato Miguel do Carmo, analisou o mercado de trabalho em Portugal continental durante o ano de 2020, com base em dados do Instituto do Emprego e da Formação Profissional.
A primeira grande constatação do estudo “Desemprego em 2020 – Impactos da Pandemia, Mapeamentos e Reflexões” foi “a inversão da trajetória de descida sustentada do desemprego que vinha acontecendo desde 2012”.
Com efeito, o desemprego registado baixou regularmente de 710.652 pessoas em 2012, para 297.931 em janeiro de 2020.
Mas um “repentino recrudescimento, mais notório a partir de abril de 2020, inverteu esta tendência” e colocou o total de desempregados registados em 375.150 no último mês do ano.
Os designados “desempregados imediatos”, que não beneficiaram do ‘layoff’ simplificado, entre outras medidas indiretas de apoio ao emprego, foram sobretudo “trabalhadores mais precários, informais, trabalhadores independentes, falsos recibos verdes, em suma, trabalhadores vulneráveis, com vínculos contratuais frágeis ou simplesmente inexistentes, aos quais se juntaram os que estavam em período experimental e não continuaram”.
Mas depois do acentuado crescimento inicial o número de desempregados manteve-se “contido/atenuado”, o que foi atribuído pelos investigadores, entre outras razões, à ‘reabertura’/desconfinamentos e aos apoios diretos e indiretos ao emprego.
Das várias características da população considerada, o Observatório apontou que “entre os grupos profissionais que estão a crescer mais e a ganhar peso relativo no total de desempregados encontram-se os trabalhadores não qualificados, os dos serviços pessoais, de proteção, segurança e vendedores, o pessoal administrativo, os especialistas das atividades intelectuais e científicas e os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices”.
Por outro lado, em termos de setores, “a larga maioria dos desempregados proveio de atividades dos serviços e só depois, muito abaixo, da indústria (…) e, mais abaixo ainda, do setor primário”
‘Afunilando’ a análise, focando na atividade económica concreta, os investigadores verificaram que “os desempregados são provenientes sobretudo do alojamento, restauração e similares; transportes e armazenagem; indústria do couro e dos produtos do couro; atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio; fabrico de veículos automóveis, componentes e outro equipamento de transporte; e indústria do vestuário”.
Depois de afirmarem que “o setor do turismo continua a ser largamente penalizado pela pandemia”, os investigadores salientaram que “no caso da região do Algarve, o fenómeno é ainda mais expressivo”.
Avançaram mesmo que no Algarve “a pandemia está a ter um impacto absolutamente desproporcional, explicado em grande medida pelo facto de a região ser muito dependente da atividade turística, com particular destaque para o concelho de Albufeira”.
Salientaram ainda que “os números do desemprego registado são inéditos” e que “o Algarve é a região do país com maior aumento do desemprego em termos homólogos, seguida, muito à distância, da Área Metropolitana de Lisboa” (AML).
Por fim, a comparação homóloga que os autores fizeram entre maio de 2020 e 2019 indica que o ‘disparo’ do desemprego tem o seu maior impacto no Algarve, em particular em Albufeira.
Quando observaram as mesmas variações entre dezembro de 2020 e 2019 apuraram, com base no mapa por concelhos, o alastramento do problema: o “maior impacto” é sofrido por Algarve, AML e Região Oeste, um “impacto significativo” verifica-se em alguns municípios da AML, do Algarve e do Interior e um “menor impacto” ocorreu em municípios do Interior, sobretudo a Norte.
O Observatório das Desigualdades é uma estrutura independente, constituída no quadro do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, que tem por instituições parceiras o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e o Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores.
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