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22.2.21

Voluntariado: o trabalho invisível onde só o olhar já serve de agradecimento

in Notícias do Centro

Maria Natália tem 74 anos e depois de muitas décadas a tomar conta dos pequenitos agora está a “tomar conta de outros pequenitos”. É voluntária da Liga dos Amigos e Voluntariado do Centro Hospitalar Tondela Viseu e faz parte do grupo que está a ajudar com o processo de vacinação contra a Covid-19 em Viseu. É no Pavilhão Multiusos que os mais de dez voluntários, diariamente, ajudam os mais idosos.

“Sente-se aqui”, “pode vir para aqui”, “Está a sentir-e bem'”, “dê-me cá a sua bengala” ou “agora é a sua vez”. São estas pessoas que colocam a mão nas costas e encaminham quem se vê pela primeira vez num espaço onde, em corrida contra o tempo, se tenta vacinar aqueles que mais podem vir a ser afetados pela Covid-19.

Uma operação que está no terreno e que para vacinar todos os portugueses vai levar ainda meses. Para já, são os idosos com mais de 80 anos e os que têm doenças crónicas que estão a receber a primeira dose.

“O que aqui fazemos é um trabalho invisível, mas que nos dá a adrenalina para nos levantar todos os dias”, conta Maria Natália. Estão para ajudar, estão “para tudo”. Não precisam de agradecimentos. “Os olhos são suficientes para perceber que as pessoas estão agradecidas”, confessa a coordenadora Lurdes Cesário.

E se todos os dias são 10, a qualquer momento podem ser 40 voluntários, novos, velhos, no ativo, reformados. “Ajudamos cá fora, ajudamos lá dentro, ajudamos onde é necessário e estamos desde a primeira vacina e vamos ficar até à última”, garante, por seu lado, Luís Viegas, vice-presidente da Liga de Amigos que tem 40 voluntários a fazer quatro turnos de três horas por dia quer no Pavilhão Multiusos, quer no Hospital com a ajuda que dão nas consultas externas e, por exemplo, na higienização das mãos e colocação de máscaras a quem entra no Hospital.

Luís Viegas só lamenta que nesta questão da vacinação, os voluntários não sejam também vistos como profissionais de saúde. “Para umas coisas integramos as equipas e estamos no terreno, para outras nós não somos profissionais de saúde. Não somos, mas estamos a dar cobertura e uma retaguarda que é fundamental neste momento”, frisa.

Um reconhecimento que ficaria bem por parte das Tutela. “Os profissionais de saúde estão no limite e era importante que houvesse mais voluntários disponíveis”, desabafa.

4.2.21

U.Dream procura 60 voluntários em Lisboa e Aveiro para transformarem as suas comunidades

in Público on-line

A organização denuncia uma falta de voluntários “urgente” nas duas cidades. Objectivo é ajudar a combater dificuldades financeiras e sociais de várias comunidades.

O fundador da U.Dream, programa de voluntariado de universitários, alertou, esta quarta-feira, que são necessários “urgentemente” 60 jovens para ajudar neste período de pandemia em Lisboa e Aveiro, nas áreas de apoio escolar, sem-abrigo e integração de imigrantes.

A U.Dream é um projecto de voluntariado universitário criado em 2013 que conta com mais de 600 estudantes do Porto, Braga, Aveiro e Lisboa. Tem como objectivo aproximá-los dos problemas das suas comunidades, responsabilizá-los pelo que acontece de errado ao seu lado e ajudá-los a compreender as suas paixões e competências, para transformar as suas comunidades.

“Neste momento as coisas no Porto e em Braga estão mais tranquilas. Fechámos o processo de recrutamento e estamos a seleccionar os jovens. Em Lisboa e em Aveiro continuamos com uma urgência muito grande. Estamos à procura de 30 voluntários [para cada uma das duas cidades], que depois de um processo são seleccionados para trabalhar com a U.Dream”, declarou Diogo Mendes, um dos fundadores do programa.

Em entrevista telefónica à Lusa, Diogo Mendes explica que, para este semestre específico, e também devido ao período de pandemia que se está a viver, as necessidades que as comunidades estão a ter centram-se no combate à pobreza extrema, apoio a estudantes com dificuldades económicas e sociais e apoio a imigrantes. O apoio a idosos em lares, a entrega de refeições ou as explicações a imigrantes são outras das áreas em que os voluntários da U.Dream também ajudam.

“Para este semestre, nós estamos a trabalhar junto de jovens que precisam de apoio escolar, com dificuldades socioeconómicas identificadas, estamos a trabalhar pobreza extrema, sem-abrigo, e também estamos a dar apoio a imigrantes na capacidade deles se conectarem”, disse. A premissa é: “se cuidarmos todos uns aos outros, as coisas ficam mais fáceis”, defende aquele dirigente.

“Também compete aos jovens mostrar nesta altura [de pandemia] a coragem e a generosidade necessária para servir as comunidades e, portanto, aquilo que procuramos são jovens do ensino superior que queiram servir em segurança, a partir de suas casas, um conjunto de organizações que estão a trabalhar em várias cidades, mais em concreto agora em Aveiro e Lisboa, e que precisam urgentemente dessas necessidades”, e a U.Dream vai ajudar os jovens voluntários a “compreender melhor as suas paixões e competências e a colocá-las ao serviço da comunidade”. Diogo Mendes considerou que a pandemia veio “infelizmente” adormecer o voluntariado.

“Portugal já tem as piores taxas de voluntariado europeias. Somos o país com a terceira taxa pior de voluntariado e, depois, esta situação [da pandemia de covid-19] acentuou o medo das pessoas de se relacionarem com outras, e há também uma grande desinformação. As pessoas acham que a única forma de servir é estar no terreno. Mas isso não é verdade. Há muitas formas de ajudar, de servir”, referiu.

A U.Dream é um projecto que desenvolve competências de liderança social em estudantes do ensino superior nas cidades do Porto, Braga, Aveiro e Lisboa e que coloca esses estudantes a servir as suas comunidades (idosos, crianças de lares, apoia crianças e famílias com diversas patologias, emigrantes, sem-abrigo). O objectivo é garantir que, no fim do caminho de “serviço e empoderamento pessoal”, os jovens descubram qual é a sua missão social.

13.5.20

Os voluntários que tiveram de entrar para a linha da frente nos lares

in o Observador

O Covid-19 alterou as rotinas dos lares, não só devido aos casos positivos entre idosos, mas também porque afastou funcionários de funções e tiveram de ser voluntários a entrar para a linha da frente.

A pandemia de covid-19 alterou as rotinas dos lares, não só devido aos casos positivos entre os idosos, mas também porque afastou funcionários de funções e tiveram de ser voluntários a entrar para a ‘linha da frente’.
Mara Carneiro tem 23 anos e, como voluntária, ajudou a cuidar dos utentes infetados com o novo coronavírus no Lar Nossa Senhora da Veiga, em Foz Côa (Guarda). Esta estudante de Educação Social de Paços de Ferreira esteve 15 dias seguidos a cuidar dos idosos e a colaborar na higienização dos espaços comuns da instituição.

“Vivíamos o tempo que passámos no lar a cuidar dos idosos e nem nos lembrávamos que estávamos a lidar com pessoas infetadas pela covid-19, apesar de se tratar de uma doença altamente contagiosa”, salientou a voluntária.
Já Ana Rita Carvalho, de 22 anos, foi de Vila Nova de Gaia para Foz Côa e trabalhou com espírito de missão para ajudar a cuidar de “quem mais precisava” em tempo de pandemia.


“Não hesitei em ajudar a cuidar dos idosos deste lar, porque sabíamos que o maior risco associado à covid-19 estava neste tipo de equipamento social. Não ficámos de braços cruzados e decidimos ajudar quem mais precisava de cuidados em tempo de pandemia, tanto os infetados como os não infetados”, relatou.

Pelo lar de Foz Côa passaram 44 voluntários de todo o país e, neste momento, ainda estão 11 na instituição. Para o provedor da Misericórdia de Foz Côa, António Morgado, se não fossem estes voluntários, a instituição teria de recorrer à proteção civil distrital ou local, já que não havia capacidade para cuidar dos idosos. “Todos os voluntários demonstram uma dedicação extrema e solidária no tratamento dos idosos. Só temos de elogiar todo o comportamento e o espírito de entrega destes jovens voluntários”, concretizou o responsável.

Tânia Fernandes, aluna do terceiro ano da licenciatura em enfermagem na Universidade do Minho é voluntária num lar de idosos de Arcos de Valdevez, onde o surto do novo coronavírus registou vários casos de infeção e causou a morte, segundo os últimos dados, a seis utentes. Com a experiência adquirida noutras ações de voluntariado, a estudante não hesitou quando, em abril, a Câmara daquele concelho do distrito de Viana do Castelo abriu inscrições ‘online’ para o Banco Local de Voluntariado. Aos 21 anos, o desejo de ajudar foi mais forte do que “o receio de ficar infetada ou de levar o vírus para o seio familiar”.

“Se esta pandemia ocorresse dentro de uns anos, eu já estaria na linha da frente enquanto enfermeira. Neste caso, embora ainda não esteja a desempenhar essas funções, estou exposta a um risco com o qual vou lidar diariamente no futuro”, referiu.
Para Tânia Fernandes, as 12 horas de voluntariado no lar, uma das opções que escolheu quando se inscreveu na bolsa de voluntariado, a par do apoio a crianças com necessidades especiais, vão ser “muito importantes no futuro”. “Neste momento, estou a viver a história e a oportunidade de ter uma visão diferente de quando somos meros estudantes. Estar do outro lado e ver os profissionais de saúde em ação e aprender com eles é algo impagável e uma experiência muito enriquecedora”, apontou.

O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez explicou que a colocação dos voluntários é feita em articulação entre a autarquia e as instituições particulares de solidariedade social que necessitam de recursos humanos.

Lar em Alverca não conseguiu reunir condições para ter voluntários
Contudo, nem sempre o recurso ao voluntariado é possível, como aconteceu na Misericórdia de Alverca, onde em abril foram registados mais de 60 casos positivos de covid-19, entre os quais 18 funcionários. Segundo contou à Lusa o presidente da Misericórdia de Alverca, João Gaspar Simões, a instituição do concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, tentou junto de algumas plataformas de voluntários encontrar pessoas que pudessem ajudar nesta fase.

Mas, acabaram por verificar que para acionar essa solução seria necessário preencher determinadas condições que “a instituição, que estava num caos”, naquele momento não conseguia assegurar, como alojamento para os voluntários. “Depende da articulação entre entidades públicas para dar casa a essas pessoas durante um determinado período de tempo, com determinadas condições e isso não é fácil”, afirmou João Gaspar Simões.
Por isso, a solução para a Misericórdia de Alverca encontrar recursos humanos passou por uma parceria com a Segurança Social, que ativou um protocolo que tinha sido feito com a Cruz Vermelha.

“Os recursos humanos que temos hoje são recursos humanos enviado pela Cruz Vermelha através da Segurança Social, mas são pessoas que estão a ser pagas”, disse o responsável, salientando que o facto de serem remuneradas em nada retira o “espírito de missão” que demonstram.

Assim, voluntários no sentido ‘estrito’ do termo, neste momento a Misericórdia de Alverca tem apenas uma pessoa, “que já trabalhou há muitos anos” na instituição e que se ofereceu para ajudar neste período mais difícil.

27.3.20

Procuram-se voluntários para apoiar as IPSS

in Diário de Aveiro

A Câmara Municipal de Aveiro acaba de abrir uma bolsa de voluntariado a cidadãos disponíveis para prestar apoio e trabalho no Lar de Idosos da San­ta Casa da Misericórdia de Avei­ro (SCMA), onde foram detectados casos de contágio com COVID-19, ficando esta bolsa aberta para ser usada noutras Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que venham a necessitar de apoio nesta fase de combate ao novo coronavírus.

“O contributo de cada um de nós é de enorme importância para ganharmos a luta pela vi­da. Numa altura em que o me­do, as limitações e o isolamen­to social imperam, a vontade de ajudar a nossa comunidade é um instrumento fundamental. O voluntariado é, assim, uma via para quem quer dar es­se apoio e para quem promove esse suporte”, destaca a autarquia em comunicado, que informa ainda que as inscrições na “Bolsa de Voluntariado Primavera 2020” para Apoio Social a Idosos, poderá ser feita através do “e-mail” acaosocial-saude@cm-aveiro.pt (da Divisão de Acção Social e Saúde da CMA).

7.11.19

Trabalho dos voluntários da Web Summit vale cerca de um milhão de euros

Joana Gonçalves, in RR

Cerca de 2.700 voluntários ajudam no funcionamento da máquina de um dos maiores eventos tecnológicos do mundo. A Renascença perguntou a uma empresa de recursos humanos quanto vale este trabalho.

A mais recente edição da Web Summit, a decorrer esta semana em Lisboa, arrancou com um número recorde de 70 mil participantes, de mais de 160 nacionalidades diferentes. E em linha com o cenário de edições anteriores, também este ano a organização contou com o apoio de milhares de voluntários.

De acordo com a informação divulgada esta quarta-feira pela organização da cimeira tecnológica, a edição deste ano, a 4.ª em Portugal, soma 2.700 voluntários que, ao que a Renascença apurou, cumprem 9 horas de trabalho diário, com direito a um dia para visitar a feira e assistir às conferências.

A carga de trabalho pode chegar às 18 horas diárias no caso dos voluntários que optam por trabalhar menos dias. À Renascença, uma das mais relevantes empresas de recursos humanos em Portugal adianta uma estimativa de custo, que avalia o trabalho destes voluntário em 976.860 euros, tendo em conta o valor do pedido e não apenas o valor de tabela.

“Para um evento de quatro dias, onde a necessidade é de 2.700 hospedeiras/comissários durante 9h/dia, o valor a considerar, em jeito de estimativa, é de 976.860 euros”, adianta a Randstad, tendo já em conta o dia de descanso, para visita à cimeira, a que todos os voluntários têm direito.

A Randstad esclarece ainda que, “perante estes perfis, e face à muito curta duração da atividade, [os voluntários] são regra geral prestadores de serviços, o que por outras palavras significa que respondemos a estas consultas com uma realidade de recibos verdes (fatura-recibo)”.

“O perfil não é exigente em termos de competências técnicas, mas pedem-nos pessoas com uma presença física apelativa e exigente, com forte capacidade de comunicação, simpatia e disponibilidade”, acrescenta a empresa especializada em recursos humanos e trabalho flexível.

Apesar de cumprirem uma carga horária exigente, os voluntários encaram a participação na Web Summit como uma oportunidade única para “reforçar a rede de contactos”.

“Vim porque tenho muito interesse por assuntos internacionais e acho que esta é uma experiência que me vai ajudar a desenvolver outro tipo de qualidades, para além de conhecer outras pessoas”, explica à Renascença Mariana Pinho.

Enquanto voluntária da Web Summit, a estudante de 20 anos está encarregada de orientar os participantes à entrada do Altice Arena e no interior do pavilhão.

“Nos dias em que venho faço o turno das 7h às 16h, portanto chego aqui às 6h30 e depois às 16h, quando acabar o turno, vou visitar um pouco a Web Summit antes de me ir embora.”

Contactada pela Renascença, a organização da Web Summit remete uma resposta oficial para o final da conferência.

Costa diz que ministro da Educação já foi voluntário e "fez-lhe bem"
Questionado pelos jornalistas, o primeiro-ministro, António Costa, responde que muitos jovens são voluntários para conhecerem um grande evento por dentro e para reforçarem a sua formação.

“Este evento, como grande parte dos eventos, vive de diversas formas e também de muitos voluntários. E por que é que são voluntários? Muitos deles são voluntários porque acham que é uma excelente oportunidade para poderem conhecer o evento por dentro, participarem por dentro nesta experiência, terem contacto com toda esta realidade e isso também contribui para a sua própria formação”, defende António Costa.

“Temos um programa específico de apoio às ‘startups’ portuguesas, que é um concurso que abrimos todos os anos, que designamos ‘Road to Web Summit’, para apoiar ‘startups’ portuguesas a estarem aqui, apresentaram os seus projetos sem terem de costear a sua participação aqui. Muitos destes voluntários estão aqui para poderem viver esta experiência por dentro”, sublinha.

O primeiro-ministro deu mesmo o exemplo do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que foi voluntário durante a Expo98.

“Há 21 anos, lembramo-nos todos do que foi a Expo98 e nessa altura houve dezenas, centenas, milhares, de voluntários. O senhor ministro da Educação foi aqui voluntário no Expo98 e foi, não porque a Expo estivesse aqui a explorar, mas porque quis viver por dentro esta experiência que também a Expo lhe proporcionou”, declarou António Costa.

Tiago Brandão Rodrigues disse não teria como participar na Expo sem ser como voluntário e o primeiro-ministro respondeu: “e fez-lhe bem essa experiência de voluntariado”.
[notícia atualizada às 20h10 - com declarações do primeiro-ministro]

12.3.18

Uma cama, uma sopa, um duche: voluntários de Bruxelas acolhem refugiados em casa

Rita Siza em Bruxelas, in Público on-line

“Não temos nem o poder, nem os meios, nem as competências, mas queremos salvar vidas”, diz um dos participantes no esquema montado pela Plataforma Cidadã de Apoio aos Refugiados, co-presidida pela portuguesa Adriana Costa Santos.

A escuridão já tomou conta dos quarteirões de arranha-céus ocupados por milhares de escritórios, e o silêncio e vazio fazem das ruas que escondem o Parque Maximilian, entre o canal de Bruxelas e a Gare du Nord, um cenário de desolação urbana. Mas na esquina oposta ao edifício baptizado “World Trade Center”, levanta-se uma estranha azáfama todas as noites, por volta das oito horas. É quando centenas de pessoas se encontram para um ritual de ajuda e solidariedade, que garante um tecto, uma cama e uma refeição quente à população de candidatos a asilo, refugiados, migrantes ou exilados que vivem no parque.

Está um frio inclemente quando Nicole, uma britânica a viver em Bruxelas há 17 anos, se apresenta com a mãe na esquina do parque, para oferecer a sua hospitalidade por uma noite. É o terceiro dia do vortex polar que tomou conta da capital belga e do centro da Europa: com os pais a chegarem de visita do Reino Unido, e planos fechados para umas obras de renovação da casa, Nicole não contava acolher refugiados por estes dias. Mas depois de uma breve conversa com a família, a decisão foi tomada, e meteu-se no carro com a mãe, em direcção ao parque. Desta vez não levará quatro pessoas de volta, como faz habitualmente. Hoje só vai haver espaço para dois convidados — que já se aproximam com as suas pequenas mochilas às costas. “Chegamos à conclusão que ninguém ia conseguir dormir descansado sabendo que havia pessoas que passariam esta noite na rua”, justifica a mãe de Nicole, enquanto esta vai cumprindo as formalidades das apresentações.

Essa consciência, ou preocupação, com as dificuldades de quem se vê forçado a viver no parque é aquilo que une os voluntários que desde Setembro do ano passado estão em contacto com a Plataforma Cidadã de Apoio aos Refugiados para abrir as portas de casa, por uma noite, ou duas, ou uma semana, a quem de outra maneira não teria um jantar em família, um duche quente, um colchão para passar a noite. Tal como Nicole, quem se envolve no acolhimento, não consegue mais abstrair-se ou ignorar o sofrimento das cerca de 500 pessoas que por um caminho ou outro foram parar ao Parque Maximilian. E muito menos quando está tanto frio que todo o corpo dói.
“Sabemos que os nossos pequenos gestos de solidariedade não vão parar as bombas, ou a venda de armas, nem vão acabar com as crises económicas e políticas no mundo. Mas podem dar coragem, esperança e dignidade a alguém que já não terá de passar a noite ao relento”, escreveu um dos voluntários na página da Internet onde se acumulam testemunhos da “Não temos nem o poder, nem os meios, nem as competências, mas queremos salvar vidas”, resume um outro.

Em Bruxelas desde Outubro de 2015, Adriana Costa Santos, uma jovem portuguesa de 23 anos, é a co-presidente da Plataforma Cidadã e já se habituou a ouvir relatos semelhantes. No Parque Maximilian, é fácil perdê-la de vista: todos a conhecem, os refugiados e os voluntários, que a chamam pelo nome, para que ela responda a mais uma pergunta, atenda mais um pedido, arranje mais uma solução à última hora. Adriana, ao mesmo tempo franzina e robusta, não perde nunca o sorriso, a disponibilidade e a compostura, firme no seu compromisso de alojar mais uma e ainda mais outra pessoa esta noite, o telefone sempre em riste mesmo quando os frio de dez graus negativos lhe congela os dedos.

A jovem não gasta energia a falar dela própria mas tem paciência e disponibilidade para responder a todas as perguntas sobre o projecto a que está ligada desde o dia em que chegou a Bruxelas: foi depois de ser avisada por uma amiga da existência da Plataforma, e por andar interessada em fazer voluntariado, que decidiu sair de Portugal. A ideia era ficar por três meses, mas com a Plataforma a ganhar dimensão e com Adriana a assumir cada vez mais responsabilidades, acabou por “mudar de plano e ficar”.

De 2015 até hoje, tanto o contexto dos movimentos de refugiados e migrantes na Europa, como os serviços prestados pela Plataforma, mudaram significativamente. No Parque Maximilian estavam, em 2015, sobretudo famílias sírias e iraquianas, cujo acampamento foi rapidamente desmontado pela cidade de Bruxelas, que tratou do seu alojamento. Com a crise debelada, a Plataforma Cidadã fornecia-lhes vários serviços num centro de dia — infantário para as crianças, aulas de línguas para os adultos, acompanhamento jurídico e apoio à integração cultural.

No final de 2016, com o desmantelamento do campo de refugiados de Calais (em França), o Parque Maximilian voltou a ser procurado pelos candidatos a asilo e migrantes que vivem em trânsito pela Europa. No Verão passado, perante o crescimento do acampamento em Bruxelas, as autoridades belgas decidiram intervir: através de acções policiais de despejo dos “residentes”, e depois com um controverso acordo fixado com o Governo do Sudão, que levou os serviços secretos de Cartum até Bruxelas para identificar refugiados, que foram deportados e torturados no regresso ao país.

“No fim do Verão de 2017, a Plataforma lançou um apelo aos voluntários para ajudar a proteger a população mais vulnerável do parque das acções da polícia. E depois de receber tantas propostas de acolhimento, surgiu esta ideia, por que não alojar toda a gente?”, conta Adriana, que através das redes sociais fez crescer o número de inscrições de voluntários de 400 para mais de 39 mil.

Depois de dois anos e meio de operação, a Plataforma mantém-se uma organização formada inteiramente por voluntários que põem em prática, da forma mais pessoal e simples possível, a sua solidariedade. “Não é nada de mágico, é apenas humano, mas esse é o mais belo dos adjectivos”, resume um dos voluntários. É, também, uma organização independente, apolítica, arreligiosa, que cumpre uma função humanitária e cobre uma necessidade social que costuma estar na esfera das instituições públicas ou das organizações profissionais de ajuda de emergência — o que explica, talvez, que tanto Adriana como Mehdi Kasson, o outro co-presidente, tenham sido nomeados os “bruxelenses do ano” de 2017 pelo jornal Le Soir.

“Tratam-nos como criminosos”
Amadou (nome fictício) de 28 anos, está todas as noites no Parque Maximilian. É por isso que nos dois meses que leva em Bruxelas nunca precisou de dormir na rua, apesar de não ter documentos, nem roupa, “nem um único euro no bolso do casaco”. “Os belgas são simpáticos, isto que eles estão a fazer é simplesmente extraordinário”, diz este senegalês, que fugiu do seu país por razões políticas mas viu o seu pedido de asilo rejeitado em Bruxelas. “As autoridades querem mandar-me para Espanha, porque foi lá que eu entrei na Europa”, esclarece.

Da saída do Senegal à entrada na Europa foi quase um ano, recorda, em que passou primeiro pela Mauritânia e daí para Marrocos, onde foi saltando de cidade em cidade ao longo de meses até se ver num bote de borracha a cruzar o estreito com direcção a Algeciras. O desembarque em solo espanhol foi acompanhado pela Guardia Civil, que tem instruções para deter todos os migrantes. “Tratam-nos como criminosos, põem-nos logo algemas”, reclama Amadou, que passou mais de um mês numa prisão espanhola antes de ser “processado” num centro de refugiados. Foi daí que fugiu para a Bélgica.

No parque Maximilian, Amadou encontrou muitos outros candidatos a asilo e migrantes com um experiências semelhantes: aos contactos iniciais com traficantes, que podem pedir entre 1500 a mais de 5000 euros para garantir a travessia até à Europa, seguem-se meses em trânsito, até à. Em contacto com a Plataforma estão egípcios, etíopes, eritreus, guineenses, iraquianos, afegãos, e muitos sudaneses, que ora desembarcaram na Grécia vindos da Turquia, e daí caminharam a chamada rota dos Balcãs, ora cruzaram o Mediterrâneo até às ilhas da Sicília ou ao Sul de Espanha. Quando chegam à Bélgica, já passaram por centros de detenção, unidades de acolhimento ou serviços sociais ou de imigração de uma série de países: são pessoas permanentemente em trânsito no espaço da União Europeia por causa do sistema de Dublin, que prevê que só possam pedir asilo no país de entrada.
Ao contrário da esmagadora maioria dos seus companheiros do parque, Amadou não pretende seguir para o Reino Unido, onde não há controlo de identidade e existem várias comunidades étnicas bem estabelecidas. Quer ficar na Bélgica, onde pode falar francês e onde espera arranjar um trabalho que lhe permita viver uma vida pacata, sem ter medo de entrar num supermercado nem necessidade de andar a fugir da polícia. “Não fumo, não bebo, não sou malcriado nem violento, sou um bom rapaz”, promete. “Mas a Bélgica quer mandar-me para Espanha, e eu para lá não vou”, garante, dizendo que a sua única opção é continuar a esconder-se das autoridades no parque — e reconhecendo a ironia de dali poder ver o escritório do serviço de estrangeiros que processa os pedidos de asilo no outro lado do passeio.

Um pouco de normalidade
Chegar ao Reino Unido é o grande sonho dos quatro rapazes que Nazaré Vinha, uma alentejana a viver em Bruxelas há quase vinte anos, recebeu em sua casa. Os dois primeiros, vindos do Sudão, tentaram uma primeira vez atravessar o canal mas acabaram por regressar a Bruxelas; os outros dois, originários da Eritreia, estão agora em Paris: Nazaré recebeu há dias uma mensagem em que contavam que estão a dormir na rua, debaixo de um viaduto. Ficou triste, pela situação difícil em que eles se encontram e pela consciência de que não tem nada para lhes oferecer em troca. “Eles têm um sonho, e eu não tenho nada para lhes propor em alternativa a esse sonho” que na maior parte das vezes se revela impossível, lamenta.

Por isso, Nazaré propõe-lhes uma cama, um chá, umas costeletas de borrego, umas botas novas, aquilo que for preciso para . “A única coisa que posso fazer é dar-lhes algum conforto durante algum tempo, para que possam descansar e retemperar as forças. Posso tentar devolver um pouco de normalidade à vida deles. Eles esquecem-se que são jovens porque passaram por coisas inimagináveis e têm de sobreviver na rua mas que são exactamente como os nossos jovens, com a sua individualidade e os seus sonhos”, compara.

Foi no Natal, em Portugal, que Nazaré tomou conhecimento do sistema de albergue de refugiados montado pela Plataforma. A sua filha Adriana Sthiago, de 25 anos, recebeu um telefonema que a deixou muito incomodada: era Abdul, um jovem do Darfur que ela já tinha acolhido na casa que partilha com vários amigos, a perguntar se tinham lugar para ele não passar a noite de Natal na rua. “Eu estava em Portugal, rodeada da minha família, com calor e com comida e sem poder fazer nada “, lembra Adriana, que então confessou à mãe que estava inscrita na Plataforma Cidadã e há uns meses tinha começado a receber refugiados em casa.

A filha, que está a fazer um estágio no centro (do Governo federal) para requerentes de asilo, Petit Chatêau, receava uma descompostura materna — há sempre dúvidas quanto à segurança, e também “uma resistência a que se abram as portas de casa e a intimidade a completos estranhos”, diz. Mas Nazaré achou o gesto de Adriana admirável. “Fiquei impressionada, e também envergonhada por não ter pensado em fazer o mesmo”, revela. Decidiu então seguir o exemplo da filha e inscrever-se na Plataforma. “No Facebook vi que estavam a pedir voluntários para um programa especial de Ano Novo, deixei o meu nome e no dia 29 de Dezembro fui ao parque buscar dois rapazes sudaneses da idade dos meus filhos”, conta Nazaré, que sem saber exactamente o que fazer com eles acabou por “levá-los a fazer turismo, como se fossem dois convidados de visita a Bruxelas”.

Depois de os deixar novamente no parque, Nazaré desatou a chorar. “Não conseguia deixar de pensar como o mundo é injusto, como o meu filho estava tão bem em casa e eles ali, com as suas mochilas, totalmente vulneráveis”, lembra. Os sudaneses seguiram viagem rumo à costa, em busca de um transporte (clandestino) para o Reino Unido. Nazaré tinha-lhes dito que se não conseguissem, poderiam voltar a sua casa — foi o que aconteceu. “Fiquei aliviada quando os vi, mas também triste por eles não terem feito o que queriam”, diz a portuguesa, que entretanto tinha acolhido outros dois jovens, oriundos da Eritreia. “Eles não quiseram ficar muito tempo, e nós sabemos que isso quer dizer que têm já alguma coisa combinada para tentar sair da Bélgica”, explica. Os dois foram procurar asilo para Paris, mas agora estão a dormir na rua — Nazaré sabe porque comunicam no WhatsApp todos os dias.

“A partir do momento em que os conheço não posso deixar de me preocupar com eles. A sorte deles traduz a sorte de muita gente, mas agora para mim é a imagem deles que fica, miúdos, magrinhos, sempre com medo, sempre escondidos. Nós podemos resolver o problema deles por um dia ou dois, mas eles podem passar anos neste limbo. Estão presos nesta fortaleza europeia: deambulam, mas as vidas deles estão paradas”, diz.

9.5.17

"Não é voluntário quem quer"

Sónia Santos Silva, in TSF

A afirmação é de Manuel Campos, presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Santo António, no Porto, que está a comemorar 40 anos.

"Ajudar, Estar, Apoiar". É este o lema da Liga dos Amigos do Hospital de Santo António. Em ano de aniversário redondo, a liga que nasceu em 1977, tem quase 270 voluntários que todos os dias prestam apoio aos doentes e seus familiares nesta unidade hospitalar.

Servir um café, emprestar um jornal, dar um sorriso, prestar uma informação e dar apoio moral são pequenos grandes gestos dos voluntários que se distribuem pelo hospital, vestidos com bata branca, onde ostentam "V" ao peito.

2017 é o ano em que a Liga comemora o seu 40º aniversário. Para o presidente, Manuel Campos, o voluntariado faz cada vez mais sentido, num regime de complementaridade com o hospital, assumindo um papel ativo na rotina da instituição.
Manuel Campos, presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Santo António, entrevistado por Sónia Santos Silva

Manuel Campos lembra que os voluntários são sujeitos a um processo de formação, em que aprendem a lidar com os doentes e as doenças. Uma preparação que se complementa com o caráter do voluntário. Nas palavras de Manuel Campos "Não é voluntário quem quer. É muito importante ter sempre um sorriso e disponibilidade para ouvir".

Reportagem: Presidente da República prestou "tributo aos voluntários" em ações pelas ruas do Porto

in Diário de Notícias

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa~, passou a noite no Porto a ajudar duas instituições de apoio a sem-abrigo na sua missão de auxílio aos mais desfavorecidos, missão que rotulou de "tributo aos voluntários".

Acompanhado da secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, Marcelo viajou na unidade móvel dos Médicos do Mundo até à Boavista, para, de forma privada, falar com alguns dos sem-abrigo que uma vez por semana recebem apoio médico daquela organização.

"Há aqui problemas de saúde mental, de casa e de refeição", sintetizou Marcelo Rebelo de Sousa de um grupo de pessoas "também com problemas de empregabilidade", salientando o papel do Governo na estratégia de integração dos sem-abrigo.

Para o chefe de Estado, a questão dos sem-abrigo "é um problema que se pode resolver", disse após ter assistido na unidade móvel aos cuidados de enfermagem prestados a um sem-abrigo ferido na cara.

Cláudia Joaquim lembrou as "principais medidas da nova estratégia do Governo debatidas recentemente na Assembleia da República", sobre uma realidade que "é muito transversal e em que todos os ministérios têm de estar envolvidos".

"Claro que este é um tributo aos voluntários", disse depois Marcelo Rebelo de Sousa, defendendo uma "coordenação que vá mais longe, que seja mais eficaz" e argumentando que "têm de ser as pessoas na rua a dar o seu contributo para o voluntariado".

E continuou: "não é preciso rejuvenescer o voluntariado, tanto aqui como em Lisboa, várias instituições têm no seu núcleo duro jovens, são eles a componente dominante de várias instituições".

Mais tarde, noutra zona da cidade reuniu-se à Serviços de Apoio Organizações de Maria (SAOM), também ela ativa no apoio aos mais necessitados da cidade, "fornecendo-lhes refeições e roupa" e com eles viajou nas últimas visitas da noite

Antes, teve uma longa conversa com Jorge, de 47 anos, a dormir na rua, de quem quis saber o seu estado de saúde, aconselhando-o quanto à medicação que estava a usar, procurando auxiliar a voluntária dos Médicos do Mundo a mudar a vontade do sem-abrigo de continuar a viver na rua.

Seguiu depois para a Rua Santa Catarina, onde mais um conjunto de conversas terminou com o Presidente da República a dar as três pancadas da praxe na cartola de uma estudante universitária e "selfie" com os voluntários da SAOM, aproveitando as luzes de uma das ruas mais conhecidas do Porto.

7.2.17

Precisam-se de voluntários para o Banco Alimentar de Braga

Teresa M. Costa, in Correio do Minho

São muitos os voluntários que se disponibilizam para apoiar o Banco Alimentar Contra a Fome de Braga em dias de campanha, mas a instituição trabalha todo o ano para levar ajuda alimentar a quem precisa e precisa de voluntários no dia-a-dia.
O apelo é lançado pela coordenadora do Banco Alimentar de Braga, Isabel Varanda, que assume a necessidade de voluntários para o trabalho no armazém, de segunda a sexta-feira, e para a recolha de frutas e legumes no Mercado Abastecedor de Braga.

A recolha de excedentes no MARB é às quartas-feiras das 18.30 às 21 horas, havendo necessidade de voluntários neste horário específico.
No armazém, o trabalho faz-se entre as 9.30 e as 12.30 horas e das 14.30 às 16.30 horas, mas “não precisa de ser o tempo todo, só o que a pessoa puder disponibilizar” ressalva a coordenadora do Banco Alimentar de Braga.

No armazém, o trabalho diário consiste em fazer os cabazes para entregar às instituições, arrumar as paletes, distribuir a fruta e manobrar a mercadoria de um lugar para outro do armazém, descreve Isabel Varanda.
A recolha de papel, no âmbito da campanha papel por alimentos, é outra tarefa dos voluntários no armazém.

As terças e quintas-feiras são os dias em que mais faltam voluntários, porque às segundas, quartas e sexta, há cerca de uma dezena de pessoas a trabalhar, com assiduidade, no armazém, sobretudo no período da manhã.
Nos outros dias, os voluntários descem para cerca de metade e as tardes também são mais difíceis. “Nem sempre conseguimos garantir a abertura do armazém durante a tarde” admite a coordenadora do Banco Alimentar de Braga.

Maria Gardine, de 64 anos de idade e residente em Braga, é uma das voluntárias que, há oito anos, dá o seu tempo em prol do Banco Alimentar de Braga.
“Tenho tempo livre”. É assim que Maria Gardine explica a sua motivação para o voluntariado, justificando que “é isso que as pessoas têm que perceber: basta disponibilizar um pouco do seu tempo e

rentabilizá-lo em prol dos outros”, independentemente da área, que pode pode ser o Banco Alimentar ou outro tipo de voluntariado.

Maria Gardine já fazia voluntariado no Banco Alimentar em Lisboa e quando se mudou para Braga deu-lhe continuidade. O seu trabalho é organizar os cabazes. “Às vezes pegamos num pouco de peso”, mas nada demais, aponta.
Só no distrito de Braga, o Banco Alimentar Contra a Fome apoia cerca de 70 mil pessoas, através das instituições que são cerca de 400.

Aos 83 anos, D. Anita é uma das voluntárias assíduas no armazém
Uma das voluntárias assíduas a apoiar o Banco Alimentar Contra Fome de Braga é Ana da Conceição, D. Anita como é tratada, tem 83 anos de idade, mas os anos não a impedem de ajudar três vezes por semana, há já cinco anos.
É no armazém do Banco Alimentar, localizado em Gondizalves, que D. Anita ocupa as duas manhãs às segundas, quartas e sextas-feiras.

Pelas mãos desta voluntária passam os cabazes para as centenas de instituições apoiadas pelo Banco Alimentar. D. Anita recebe as quantidades e organiza os cabazes. Esta é uma das missões de quem trabalha no armazém, no dia-a-dia.
Questionada sobre a sua motivação, D. Anita responde, com a simplicidade que a caracteriza: “gosto de ajudar” e justifica: “a minha vida foi sempre muito agitada e estar sentada a ver televisão com uma mantinha nos joelhos não é comigo”.

O trabalho de voluntariado no armazém ajuda-a a distrair-se “e nem preciso de internet para saber as novidades” que fica a conhecer nas viagens de autocarro entre a Quinta da Capela, onde mora, e as instalações do Banco Alimentar, em Gondizalves. A localização é, aliás, o único senão apontado por D. Anita que tem de apanhar dois autocarros para ajudar os outros.
Esta voluntária admite que nunca se quis inscrever no Banco Local de Voluntariado, preferindo escolher o local onde quer dar o seu tempo, mas gostava de apoiar também as pessoas no hospital, confessa.

6.5.15

'Coração Amarelo' leva companhia e sorrisos a idosos sozinhos

in Notícias ao Minuto

A associação foi criada em 2000, em Lisboa, e desde então já tem mais de 900 voluntários.

Idosos sozinhos, sem companhia e alguns com dificuldades motoras. São estas as pessoas que levaram à criação da associação ‘Coração Amarelo’, em 2000.
Esta associação, explica Maria d’Assunção Cruz ao Público, nasceu em Lisboa mas nos últimos 15 anos já abriu delegações em Oeiras, Sintra, Cascais, Cacém, Porto e Aveiro. Ao todo, são cerca de 900 os beneficiários e outros tantos voluntários, uns que fazem companhia, outros que ajudam com obras ou organização de eventos com fins lucrativos para a associação e idosos.
Marta, de 28 anos, e Julieta, de 103, são apenas um dos exemplos da felicidade que esta associação leva a alguns lares mais tristes. Todas as semanas, chova ou não, esta jovem vai a casa de Julieta e faz-lhe companhia. Conversam, riem, ouvem música, vivem e as noites desta idosa deixaram de ser de medo.
Desde que enviuvou, há 30 anos, Julieta ficou com medo de ficar sozinha em casa de noite. Este seu receio foi reportado à 'Coração Amarelo' que contactou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (com a qual tem protocolo) e desde então Julieta é tratada como uma “princesa”. Uma voluntária vai a sua casa ao início da noite, faz-lhe o jantar, dorme lá e leva-lhe o pequeno-almoço à cama… e tudo isto fez o medo desaparecer.
Mas são precisos mais voluntários, “como pão para a boca”, diz a presidente da delegação de Lisboa, que conta na sua equipa com uma assistente social, uma psicóloga, uma animadora sociocultural e uma terapeuta ocupacional.

5.5.15

Re-Food procura de voluntários para combate à fome

in Público on-line

O número de pessoas que procuram a Re-Food tem vindo a crescer, assim como os restaurantes e empresas que aderem ao movimento.
São apoiadas 1726 pessoas por dia MIguel Manso

O Re-food promove nesta quinta-feira uma "reunião comunitária" em que vai desafiar a população a participar neste projecto de combate à fome e ao desperdício alimentar, que já resgatou e doou 407.000 refeições que tinham como destino o lixo.

A reunião, que decorrerá na Fundação Calouste Gulbenkian, é promovida pelo núcleo Re-food no bairro lisboeta de Nossa Senhora de Fátima, onde o projecto nasceu a 9 de Março de 2011 por iniciativa de Hunter Halder, um norte-americano que vive em Portugal há mais de vinte anos.

O objectivo do encontro é "angariar voluntários para nós e para as organizações que convidámos para estarem presentes no evento [a AC2, o Limiar, a Pro Bono, a Super Babysitters, o Coração Amarelo e a Sapana]", disse à agência Lusa Francisca Vermelho, voluntária no núcleo de Nossa Senhora de Fátima.

Francisca Vermelho explicou que, ao contrário de outros núcleos Re-Food que começaram este ano, o núcleo Nossa Senhora de Fátima "nunca fez uma chamada massiva de voluntários".

Tem havido "alguma dificuldade em puxar as pessoas de forma mais intensa para o projecto" e "a ideia é fazer com que as pessoas acordem um bocadinho da sua indiferença e se tornem mais solidárias”.

O núcleo de Nossa Senhora de Fátima conta actualmente com 250 voluntários, mas seriam necessários cerca de 300 para distribuir as cerca de 330 refeições diárias a pessoas carenciadas que ali recorrem.

Segundo Francisca Vermelho, o número de pessoas que procuram a Re-Food tem vindo a crescer, assim como os restaurantes e empresas que aderem ao movimento, que já resgata mais de 25 mil refeições por mês.

"Estamos a crescer a uma velocidade brutal, já existem 17 núcleos e provavelmente este número vai dobrar até ao final do ano", avançou.

Até Junho deverão abrir vários núcleos: Belém, Santa Clara, Alcântara, Covilhã, Santo António, Almancil, Cascais e Ermesinde.

O projecto conta actualmente com 2314 Voluntários nos 17 núcleos e apoia diariamente 1726 pessoas. Para conseguir realizar estar tarefa, o Re-food tem "687 fontes de alimentos", entre os quais restaurantes, cafés, pastelarias, padarias, refeitórios, supermercados e hipermercados.

A voluntária adiantou que o apoio dos supermercados e hipermercados foi muito importante para melhorar a qualidade de alimentação das famílias carenciadas.

"Além das refeições, passámos a dar iogurtes, fruta, legumes, o que melhorou imenso a qualidade da alimentação das nossas famílias", sublinhou.

Francisca Vermelho adiantou à Lusa que outro objectivo da Re-food é que alguns beneficiários possam passar para outros núcleos, conforme forem abrindo noutros bairros.

"Enquanto núcleo fundador temos muitas pessoas que não são do bairro e gostaríamos que fossem para o seu bairro", disse a voluntária, admitindo, no entanto, que nem sempre será possível porque muitos beneficiários não querem que os vizinhos conheçam a sua situação.

Em Portugal, 2,6 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza e exclusão social, sendo que destes mais de 640 mil serão crianças e jovens.

19.5.14

Voluntários reparam casas de idosos

Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai voltar a promover a iniciativa «Reparar». O objetivo é melhorar as condições de habitabilidade de pessoas desfavorecidas através da realização de reparações nas suas casas

A terceira edição da iniciativa «Reparar – Ação de Voluntariado de Reparações Solidárias» vai arrancar na próxima terça-feira, 20 de maio, e irá desenvolver-se até ao mês de junho. O projeto é promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e incentiva o voluntariado corporativo. A ação solidária tem como objetivo melhorar as condições de habitabilidade de pessoas idosas desfavorecidas através da realização de reparações nas suas casas, comparticipadas pelas empresas aderentes ao projeto e efetuadas pelos seus colaboradores em regime de voluntariado.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apoia todos os dias mais de 7.000 pessoas idosas, muitas das quais vivem sozinhas e em habitações degradadas. «Associando a rede social da Santa Casa e o seu conhecimento das necessidades dos seus utentes à responsabilidade social das organizações, a 'Reparar', criada em 2011, conjuga vontades e esforços para, através do voluntariado corporativo, beneficiar casas degradadas de pessoas idosas carenciadas e isoladas», explicam os promotores do projeto, em comunicado.

Nas edições anteriores, a «Reparar» permitiu a reparação de 52 casas beneficiando assim 59 idosos. As intervenções envolveram um total de 27 empresas apadrinhadoras e 532 dos seus colaboradores que participaram como voluntários, perfazendo um total de 4320 horas de voluntariado e que totalizaram um investimento de 212.000 euros (num investimento médio de 4.000 euros por intervenção). Este ano, o objetivo é reparar 26 casas de utentes de Serviços de Apoio Domiciliário e de Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

5.12.12

Quase 20% da população portuguesa faz voluntariado

in Diário de Notícias

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Voluntariado. Em Portugal são cerca de um milhão e 800 mil as pessoas que participam nestes programas, sendo que 700 mil estão integradas em instituições.

Quer sejam ações regulares ou ocasionais, o número de voluntários em Portugal ronda os 800 mil, avançou Elisa Borges, coordenadora do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, citada pelo Jornal de Notícias.

Os que trabalham em instituições e desenvolvem, por isso, um trabalho persistente e regular são 700 mil e o número tem vindo a aumentar. Neste momento, "a quase totalidade dos concelhos em Portugal tem ações de voluntariado a decorrer, ora em fase de lançamento, ora em fase de desenvolvimento, ora já com programas implementados e em curso", afirmou Elisa Borges ao JN.

Com a crise a crescer exponencialmente, "cada vez aparecem mais pessoas desempregadas para ser voluntárias", declarou Eugénio Fonseca, da Cáritas.

«Por onde passo alguma coisa fica»

Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária

Isabel Fernandes, recebeu o prémio europeu na categoria de «Melhor Voluntário»


Hoje é o Dia Internacional dos Voluntários. Isabel Fernandes, vencedora do prémio europeu na categoria de «Melhor Voluntário», trabalhou em Moçambique e conta que procurou «incessantemente» uma organização que a levasse até África

Tem 24 anos e chama-se Isabel Fernandes. É licenciada e mestre em psicologia e é natural de Famalicão. Em 2009 esteve como voluntária em Moçambique. Como quis repetir a experiência, voltou para o mesmo país africano em 2011. No último dia 19 de outubro, Isabel recebeu o prémio europeu na categoria de «Melhor Voluntário», atribuído pela Active Citizens of Europe Awards, em Itália. Na próxima segunda-feira, 10 de dezembro, a voluntária do ano receberá a medalha de ouro comemorativa do 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, no Salão Nobre do Palácio de São Bento.


FÁTIMA MISSIONÁRIA - Recebeu este ano o prémio europeu na categoria de «Melhor Voluntário». Acha que conseguiria ser voluntária a vida inteira?
Isabel Fernandes - Imagino-me a entregar-me sempre aos outros. E serei voluntária, daqui a 10 anos, 20, 30… enquanto cá estiver. (In)felizmente considero que o voluntariado é uma missão que não tem fim. Há muito trabalho por fazer. Não podemos baixar os braços. Obviamente que este meu compromisso é para sempre, independentemente do sítio onde estou. Se todos déssemos um pouquinho de nós, este mundo seria bem melhor.

FM - Em que contexto tomou a decisão de partir para Moçambique?
IF - Desde muito cedo sabia que queria partir em missão para África. Mas as oportunidades são poucas. No entanto, sempre partilhei este meu desejo e estive muito ativa na internet. Tive a felicidade de ter uma porta aberta em 2009. Nessa altura estava a acabar a licenciatura de psicologia. Depois dessa minha primeira missão, regressei contrariada porque o que mais queria era ter continuado lá. Mas continuei a procurar incessantemente organizações não governamentais para o desenvolvimento (ONGD) que me permitissem regressar à minha casa [África]. Em 2011 encontrei um anúncio na internet da Ataca que pedia dois voluntários para Moçambique. No dia 25 de abril do mesmo ano enviei o meu curriculum vitae e a minha carta de motivação. Num grupo de 100 pessoas fomos sujeitos a um processo de recrutamento, e qual o meu espanto e felicidade quando passado dois meses percebi que tinha sido uma das selecionadas.

FM – Partir em missão foi uma opção para ‘fugir’ à situação de desemprego?
IF - Esta minha vontade de estar no terreno não tem nada a ver com a situação de desemprego, mas sim com os meus ideais de vida.

FM - Como é trabalhar sem receber um salário?
IF - Essa é uma parte difícil na vida de qualquer voluntário, ainda para mais com a conjuntura atual. É muito difícil viver só do voluntariado. O ideal será conciliar um trabalho com o voluntariado, pois enquanto não houver nenhum organismo que garanta uma maior sustentabilidade às pessoas que partem em missão será difícil viver só do voluntariado.

FM - Os voluntários têm direito a proteção social quando terminam as suas missões?
IF - Ainda há muito trabalho que se pode fazer ao nível de voluntariado e essencialmente nos apoios que poderão ser dados às pessoas que partem em missão.

FM - Tem uma licenciatura e mestrado em psicologia. Tem procurado emprego em Portugal ou está apenas focada no trabalho que está a desenvolver em África?
IF - O meu objetivo é conseguir um emprego em África. Caso não consiga, o ideal é um emprego que me permita fazer a ponte Portugal-África.

FM – Como interpreta o trabalho das organizações não governamentais?
IF - São sem dúvida entidades muito importantes na vida de milhões de pessoas. Se estiverem bem estruturadas, se as pessoas que trabalham nelas tiverem boa índole, e se forem transparentes então fazem realmente a diferença. No entanto, atualmente, também devido à situação económica que vivemos as próprias ONG´s passam por um desafio muito grande.

FM - Antes de ser voluntária trabalhou em alguma empresa?
IF - Fiz vários trabalhos na minha área de formação enquanto tirava a licenciatura/mestrado. Mas estes trabalhos, sendo auto-propostos, eram não remunerados.

FM - Criou, juntamente com outros voluntários, uma associação. Qual é a atividade dessa estrutura?
IF - Depois da missão em 2009, juntamente com algumas colegas de terreno, fundámos uma associação sem fins lucrativos – kutsemba (www.kutsemba.pt). Kutsemba quer dizer Esperança no dialeto changane. E é isso que realmente nos move, a esperança num mundo melhor. Temos imensos projetos tanto em Portugal como em Moçambique. Como somos uma equipa multidisciplinar atuamos em diferentes áreas.

FM – Tem dedicado a sua vida ao voluntariado. Ser voluntária é motivante?
IF - Desde muito jovem que faço voluntariado. Pequenas ações, com a escola ou amigos. Por isso, é algo que já está intrínseco na minha pessoa. Ser voluntário é realmente motivante por todos os desafios. Nem sempre o caminho é luminoso, muitas vezes temos de dar um passo atrás para depois dar dois à frente. Mas quando se fazem as coisas por amor, tudo é recompensado. Acredito que vivemos numa aldeia chamada mundo» E por isso, à minha maneira vou mudando o meu mundo. Tenho a certeza que por onde passo alguma coisa fica.

FM - Tem feito viagens entre o continente africano e europeu. Quando chega ao seu destino, é mais fácil adaptar-se a Moçambique ou a Portugal?
IF - Costumo dizer que o mais difícil de uma missão é regressar a Portugal e (re)adaptar-me às rotinas, ao modo de vida, às pessoas. É bastante complicado. Quanto mais os dias passam, mais as saudades aumentam das minhas mamãs e das minhas crianças em Moçambique.

FM - O que é que a sua família e amigos acham da sua opção pelo voluntariado?
IF - Costumo denominar os meus amigos e a minha família como o meu património dos afetos. Sem eles nada disto seria possível. Apoiam-me em todo os momentos. Se sou quem sou, deve-se muito às pessoas que tenho à minha volta.

FM - Na sua experiência de voluntariado há algum episódio que a tenha marcado?
IF - Um ano é muito tempo… muitas pessoas, experiências, histórias, sorrisos, abraços. Vive-se a 100 por cento! E realmente lá, não há filtros, tudo é vivido de forma muito intensa. Mas já que estamos perto do Natal, posso dizer que passei lá o melhor Natal da minha vida. Sem prendas, sem bolos, sem bacalhau… mas com tudo! Proporcionámos às nossas mamãs e às nossas crianças um momento único que nem eles nem eu seguramente nos iremos esquecer. Posso dizer mais episódios mas não iria sair daqui. Qualquer passo dado pelas nossas famílias e crianças são marcantes. As latrinas construídas, os negócios das mamãs, as casas melhores do que estavam, as formações… tudo. Mas infelizmente também existem momentos marcantes pelos piores motivos. As perdas de vida, como eles lá chamam à morte, de algumas crianças ou mamãs do nosso projeto, são momentos difíceis de gerir. Assim como quando estive com malária. De resto, foi um ano fantástico que me fez apaixonar ainda mais por aquele povo e país.

24.9.12

Portugal tem 600 mil voluntários

José Paulo Silva, in Correio do Minho

Cerca de 20 por cento da população portuguesa com idade superior a 16 anos realiza, de forma permanente ou pontual, acções de voluntariado. A informação foi revelada ontem, em Braga, por Rogério Roque Amaro, autor de um estudo de caracterização do voluntariado em Portugal.

De acordo com aquele especialista, convidado para intervir no Seminário de Dessiminação do Voluntariado, promovido pela delegação da Cruz Vermelha Portuguesa no âmbito da Capital Europeia da Juventude, a crise económica e social é um dos factores que favorece a opção pelo voluntariado, a par da valorização social, política e científica daquela prática.

Roque Amaro, que realizou o estudo sobre o voluntariado a pedido da comissão do Ano Europeu do Voluntariado 2011, referiu que, em 2008, a percentagem da população adulta envolvida em acções de voluntariado era de de 14 por cento. Segundo o estudo de caracterização realizado em 2011, são cerca de 600 mil os portugueses que exercem o voluntariado enquadrados nas mais diversas organizações. De acordo com aquele economista, “a crise dos últimos tempo”, nomeadamente o aumento do desemprego, tem contribuído para o incremento do voluntariado.
O aumento da procura de apoios sociais é acompanhado pelo aumento da oferta dos mesmos, constatou no seminário organizado pela Juventude da Cruz Vermelha de Gaia.

Tentação de substituir postos de trabalho
Elza Chambel, presidente do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, alertou, no mesmo seminário, que “o voluntariado não pode, sobretudo numa época de crise, substituir postos de trabalho”.

De acordo com a mulher que coordenou a equipa nacional do Ano Europeu do Voluntariado, esta “é uma tentação muito grande” que deve ser contrariada. Roque Amaro chamou a atenção para as “formas incorrectas de voluntariado empresarial”, afirmando que este deve ser sempre cumprido fora do horário de trabalho.