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29.4.22

Notícias dos bairros pobres

 in Diário de Aveiro


https://www.diarioaveiro.pt/noticia/82081



Portugal é a quarta das economias mais pobres a crescer menos


As mais recentes projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) dão conta que, entre 2019 (no período pré-pandemia) e 2027, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita português “deverá crescer, a preços contantes, cerca de 12 por cento”, um valor semelhante à média da União Europeia. No entanto, e de acor­do com o Instituto + Liberdade, a média da região é “influencia­da sobretudo pelas maiores economias (como a alemã e a francesa, por exemplo), que são economias mais desenvolvidas, consolidadas e ricas, pelo que apresentam menor crescimen­to potencial” - as previsões indicam um crescimento de apenas oito por cento para a Alemanha, e para a Fran­ça perspectiva-se um crescimento de seis por cento.
Apesar de o crescimento do PIB per capita português estar dentro da média da União Europeia, o Instituto + Liberdade alerta para um cenário “bem mais pessimista” quando se analisa Portugal com outras e­conomias “mais comparáveis”. “Todos os países do Leste europeu irão crescer consideravelmente mais do que Portugal”, revela, especificando que, “entre as 17 economias que estão abaixo da média da União Europeia (todas do Sul e Leste europeu), Portugal é superado por 13 países, incluindo as sete economias que ultrapassaram Portugal nos últimos 20 anos”, enumerando Malta, República Checa, Eslovénia, Lituânia, Estónia, Polónia e Hungria.
Segundo os dados apresentados, prevê-se que a Bulgária seja o país que apresentará maior crescimento (na ordem dos 28 por cento) do PIB per capita entre 2019 e 2027 no âmbito das economias da União Europeia que são mais pobres, seguindo-se a Polónia, com um crescimento de 26 por cento, e a Hungria e Roménia, cada um com um crescimento de 25 por cento.
“Apenas três países desta lista terão um crescimento inferior a Portugal: Itália [prevê-se um crescimento de 10 por cento], Espanha e Chipre [com crescimentos na ordem dos sete e seis por cento, respectivamen­te]”, remata o Instituto + Liberdade.

30.7.20

Programa Bairros Saudáveis prevê "pelo menos 200 projetos aprovados"

in TSF

Helena Roseta destacou a importância de construir um conjunto de etapas.

O Programa Bairros Saudáveis vai dispor de um site a disponibilizar "ainda no mês de agosto", para abrir a consulta pública e, depois, o concurso de candidaturas, avançou esta quarta-feira a coordenadora, Helena Roseta, prevendo "pelo menos 200 projetos aprovados".

"Para ser útil e para funcionar, gostaria de abrir concurso de candidaturas de projetos para este programa em outubro, o que significa que as fases da preparação, da divulgação e da capitação têm de ser feitas agora. Já começámos em julho, mas ainda não estamos a ir ao terreno e vamos ter de ir, nem que seja através de ferramentas online, até ao final de setembro", disse à Lusa a coordenadora do programa.

Sublinhando que este "é um programa participativo e a participação não nasce do zero", a arquiteta destacou a importância de construir um conjunto de etapas, assumindo como fundamental a capacitação, para chegar aos territórios elegíveis, que "são territórios com determinadas vulnerabilidades e problemas", no sentido de começarem a construir projetos.

"Queremos ter um site do programa a funcionar ainda no mês de agosto. Vamos pôr toda a informação e será a partir do site que vamos lançar a consulta pública, em que as pessoas podem contactar. Vamos começar a construir possibilidades de projetos e explicar como é que se fazem projetos, para depois quando abrir o concurso, que também é através do site, as pessoas poderem fazer as candidaturas", indicou.

Em vigor desde 02 de julho, o Programa Bairros Saudáveis visa "dinamizar parcerias e intervenções locais de promoção da saúde e da qualidade de vida das comunidades territoriais, através do apoio a projetos apresentados por associações, coletividades, organizações não governamentais, movimentos cívicos e organizações de moradores, em colaboração com as autarquias e as autoridades de saúde", dispondo de uma dotação de 10 milhões de euros, a executar até ao final de 2021.

Questionada sobre a identificação de bairros onde é prioritário intervir, Helena Roseta adiantou que está a ser realizado "um mapeamento preliminar de onde é que poderão estar estes territórios". Estão, inclusive, a ser constituídas equipas regionais.

Neste âmbito, o processo de consulta pública vai ser "muito importante", porque os cidadãos podem pronunciar-se sobre as regras do programa, os bairros a intervir e os projetos a executar.

"Pode haver problemas mesmo em zonas pouco conhecidas, pode haver pequenos problemas em territórios que normalmente não diríamos que os têm, porque há problemas de muita natureza. Temos nas zonas urbanas problemas que já são relativamente conhecidos. [...] Temos nas zonas rurais problemas que têm muito a ver com a precarização na agricultura, sobretudo agricultura intensiva que trabalha com migrantes", referiu.

Em termos de participação, pensa-se que "muitas destas comunidades estão à espera disto há muito tempo". A dificuldade vai ser construir os projetos, pelo que é necessário apoiar os cidadãos e associações dos bairros com "equipas de mentores".

"A capacitação é um trabalho muito importante e é o que vai ser feito agora durante este trimestre, até ao final de setembro", frisou.

Helena Roseta afirmou que "o objetivo é atingir pelo menos 200 projetos aprovados, portanto isto implica dar muito ao dedo nestes meses".

"O máximo que cada projeto pode ter de financiamento é de 50 mil euros. O programa tem 10 milhões de euros, o que a dividir por 50 mil euros dá 200 projetos. Se forem projetos mais pequenos, serão mais", explicou.

Desenvolvidos nos eixos da saúde, social, económico, ambiental ou urbanístico, os projetos a candidatar podem ser pequenas intervenções (até 5 mil euros), serviços à comunidade (até 25 mil) ou projetos integrados (até 50 mil euros), que têm de ser executados até ao final de 2021.

Lembrando que este é um programa novo, em que "não há nenhum levantamento prévio de quais são os territórios que podem candidatar-se", a arquiteta considerou que a verba disponível é suficiente, sendo possível fazer ajustamentos, se necessário.

Os projetos apresentados a concurso são todos avaliados e pontuados por um júri independente e, "enquanto houver dinheiro, faz-se um protocolo com as candidaturas mais bem pontuadas", assegurou, indicando que a avaliação envolve critérios como a importância do projeto para o bairro, a participação e envolvimento da comunidade e a inovação da intervenção.

"Há projetos que podem ser pequeninos, mas são altamente inovadores e podem ter uma pontuação alta por causa disso", apontou a coordenadora, reforçando que este não é um programa de habitação, pelo que "criar novas habitações não está mesmo previsto de todo e melhorias nas habitações só por razões sanitárias".

Inspirado no programa municipal de Lisboa BIP -ZIP, premiado pelo Observatório Internacional da Democracia Participativa, a ideia de criar o Programa Bairros Saudáveis foi proposta por Helena Roseta ao primeiro-ministro, António Costa.

"Não estava à espera de ser convidada para nada, fiz aquela proposta como cidadã, porque há muitos anos que defendo que programas destes deviam existir", declarou Helena Roseta, acrescentando que quando lhe propuseram coordenar o programa só aceitou com uma condição: "Não ser remunerada, porque estou aposentada, não tenho essa necessidade e fico mais livre para fazer as coisas à minha maneira".

25.1.19

Emanuel não quer mudar de bairro. Mas gostava que o bairro mudasse

Rita Costa com Ana Sofia Freitas, in TSF

Na última semana, viu a mãe a ser agredida pela policia e o irmão a ser detido por resistência e coação à autoridade no Bairro da Jamaica onde vive. Hoje falou à TSF sobre a vida no bairro e afirma que ali vivem felizes apesar dos confrontos que, assegura, são cada vez mais esporádicos.

Sobre o que se passou na última semana, não quer falar. Mas Emanuel Coxi, pouco mais de 20 anos, morador do bairro do Seixal, distrito de Setúbal, que tem estado no topo da atualidade, tem muito para contar.
Traz a frase "desculpa mãe" escrita na t-shirt, diz que é uma frase simbólica: "Tem um significado para todas as mães e para todos os filhos que ainda não conseguiram dar boas condições às mães". Aos 21 anos conta que se sente culpado por ainda não ter conseguido dar uma vida melhor à mãe, que quer poder dar-lhe uma casa, uma mesada, "tudo o que ela pedir, seja um carro, seja roupa, seja comida, seja o que for".

"Estou aqui desde 2001, cresci aqui. Nasci em Angola, mas vim para cá pequenino", conta Emanuel Coxi à reportagem da TSF. Apegado ao bairro onde cresceu, o jovem conta que não gostou da notícia da destruição do bairro, nem da ideia de ir viver para outro lugar. "Eu preferia que mandassem as pessoas embora, remodelassem isto e a gente voltava para cá, eu preferia assim". A família tem uma opinião diferente e Coxi compreende.
É sem qualquer ansiedade que o jovem angolano espera pelo prometido realojamento. "Eu falo por mim, pela minha família, estamos aqui tranquilos, quando tiverem que nos dar (casa) que deem, sempre nos habituámos aqui, não vai ser agora que vêm notícias de casas que vamos ficar frustrados. Se vier vem, se não vier também, somos felizes aqui."

"A vida aqui é simples, humilde, é calma, às vezes há aqueles confrontos, mas é a realidade do bairro, nenhum bairro tem uma boa fama", afirma Emanuel que revela que noutros tempos havia mais problemas e a polícia visitava mais vezes o bairro.

Emanuel Coxi conta que noutros tempos o bairro da Jamaica era um bairro com muita vida, havia música e festa todos os dias, mas " hoje em dia o bairro está mais calmo". Acredita que as pessoas perceberam que fazer "festa todos os dias não vai alimentar a família".
Questionado sobre se o facto de viverem em edifícios degradados não causa revolta, Emanuel assegura que não. "A gente vê ricos que não são felizes, têm vivendas e não são felizes, a gente vê filhos de ricos que não têm liberdade, nós aqui temos liberdade de expressão, de sair, de viver a nossa vida, aqui nós somos felizes, somos pobres, mas somos felizes."

29.6.18

Foi-se o preconceito, venham os turistas

João Pedro Pincha, in Público on-line

Pela terceira vez, mais de uma centena de artistas está em Loures para pintar paredes. Há cada vez mais privados a quererem intervenções nos seus prédios -- e chamar turistas é missão assumida pela autarquia.

Obed Osorio é salvadorenho mas viu-se grego para cá chegar. Voou de El Salvador para a Costa Rica, dali para Espanha, aterrou finalmente em Portugal ao fim de quase dois dias em trânsito. Foram de madrugada buscá-lo ao aeroporto de Lisboa e, poucas horas depois, já estava empoleirado numa grua a tentar dar cor a uma desinteressante empena do bairro da Quinta do Mocho, em Loures.
Porque veio de tão longe? “Acho que é porque sou louco”, sorri Obed, 25 anos, operário têxtil que ambiciona tornar-se artista a tempo inteiro. “No meu país não há arte urbana como aqui na Europa. Há alguns artistas, mas o panorama é muito limitado”, diz, limpando o suor do rosto, o homem que assina as suas obras como Abraham. Atrás de si, ainda em traços largos, ganha forma o que parece ser o rosto de uma mulher africana, com um turbante na cabeça e um medalhão ao peito. Quando a pintura estiver pronta, vai ser uma das mais visíveis da estrada que liga Camarate a Sacavém.

E vai ser mais uma a enfeitar a Quinta do Mocho, que nos últimos anos se transformou numa galeria de arte urbana a céu aberto, primeiro para limpar a má fama do bairro municipal, agora para atrair turistas ao concelho. “O objectivo primeiro era mostrar à população que o bairro era pobre, sim, mas de gente honesta e trabalhadora”, diz Maria Eugénia Cavalheiro, vereadora da câmara de Loures. “Estamos a apostar fortemente na inclusão desta arte pública nos roteiros turísticos de Lisboa.”

Vasco Rodrigues, que se orgulha de ter sido “a primeira pessoa a levar visitantes à Quinta do Mocho”, logo em 2014, depois das intervenções artísticas iniciais, está constantemente a guiar turistas por aquelas ruas largas e sem interesse, típicas de bairro de realojamento, a que a arte urbana veio animar. Ainda no domingo passado orientou uma visita para 30 pessoas, a maioria portuguesas e brasileiras, mas também de outras quatro nacionalidades. “Lembro-me perfeitamente que, das primeiras vezes que trouxe portugueses, eles ficavam de pé atrás”, conta, recordando a conotação do Mocho como “bairro problemático” em que poucos queriam entrar.

“Os estrangeiros foram os primeiros a vir”, diz Vasco, com vinte anos de experiência em arte urbana. A criação da plataforma Loures Arte Pública, que divulga os trabalhos do concelho todo o ano e que, até domingo, é um festival em que participam 120 artistas de 20 países diferentes, “fez com que houvesse uma descentralização da arte na Grande Lisboa”, opina Vasco Rodrigues. “Os estrangeiros que vêm e querem ver arte urbana já sabem que não ficam só em Lisboa.” Para isso contribuiu a presença, nos três festivais Loures Arte Pública que já se realizaram, de nomes reconhecidos no panorama. Como o americano Arcy, que há poucos dias pintou uma minhota de faces rosadas, ou o luso-francês Hopare, que já interveio no Mocho e este ano regressa.

Nesta edição, para a qual houve 400 candidaturas de artistas, a câmara decidiu apostar mais em emergentes, pessoas que nunca tinham sonhado com a existência de Loures. É o caso de Obed, mas também do grego Nikolaos Tsounakas, que se encarregou de pintar um tigre num posto de transformação de electricidade em Santo António dos Cavaleiros. “As pessoas daqui vêm dar-me cerveja e bananas”, comenta, surpreendido. “Este bairro é de gente trabalhadora, que não vê este tipo de arte todos os dias. Pareceu-me mais importante fazer isto aqui do que em Lisboa”, justifica.

Como um bairro problemático se transformou numa galeria de arte pública

O bairro onde ninguém queria entrar já "recebe mais visitas que os museus"
Não muito longe, protegido por um chapéu-de-sol com o logótipo da autarquia, o mexicano Toner Linaje põe na parede uma mulher com o filho às costas no meio de um deserto de cactos. E as argentinas Medianeras, que acabaram de chegar, ainda só estão a pôr a tinta branca para depois fazerem surgir um menino deitado a ler um livro numa das paredes da Escola João Villaret, no Infantado. Este, como tantos outros do festival, é um espaço público, mas há cada vez mais privados a pedirem intervenções nos seus prédios. “Vês como são as pessoas? Precisam de ver. Há muito preconceito com arte urbana, por isso são importantes festivais como este, para dar visibilidade”, comenta uma das artistas.

Visibilidade é coisa que a Quinta do Mocho tem ganhado ininterruptamente. “Algumas lojas que estavam fechadas abriram, alguns restaurantes ganharam nova dinâmica”, afirma Eugénia Cavalheiro. Vasco Rodrigues confirma esse dinamismo económico e acrescenta: “Senti uma diferença no orgulho dos moradores. Muitas vezes estou com um grupo de turistas e vêm moradores falar com eles, sugerir sítios para ir, coisas que não podem perder.” O Loures Arte Pública termina no domingo, as obras estão lá, para quem as quiser ver, o ano inteiro.

11.7.17

Violência policial: "Todos viraram as costas!"

Valentina Marcelino, in DN

A Comissão de Alerta Precoce para a Cova da Moura, criada em 2015, nunca apresentou resultados. PSP não comenta

O caso de 5 de fevereiro de 2015 foi mais um entre muitos de violência policial de que se queixam, recorrentemente, os moradores da Cova da Moura. Este teve a particularidade de, além de uma dimensão invulgar - quer pelo número de agentes envolvidos quer pela brutalidade motivada pela xenofobia e racismo assumidos - ter como vítimas também jovens integrados, trabalhadores e estudantes, ativistas em associações cívicas do bairro.

Em sua defesa vieram nomes públicos sonantes, como o do sociólogo Boaventura Sousa Santos e de várias organizações de direitos humanos, como o SOS Racismo, manifestando-se em protesto em frente da Assembleia da República. Da parte do governo PSD-CDS, na altura no poder, chamaram-se as associações e residentes do bairro, sentando-os à mesma mesa com as autoridades policiais.

O Alto-Comissariado para as Migrações (ACM) e a Comissão para a Igualdade contra a Discriminação Racial pediram à IGAI a abertura de processos contra os polícias. Foi criada, ainda pelo Ministério da Administração Interna (MAI), uma Comissão de Alerta Precoce para a Cova da Moura, juntando polícias, autarquias e associações de imigrantes, que levaram testemunhos de uma "sistemática" brutalidade policial e racismo sobre os residentes, que se tinham agravado nos últimos anos.
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No passado dia 5 de fevereiro, quando se completaram dois anos dos incidentes, o gabinete da atual ministra não respondeu ao pedido do DN para saber sobre o trabalho da Comissão, remetendo para a Junta de Freguesia Águas Livres/Buraca - coordenadora da dita Comissão - os esclarecimentos. Apesar das insistentes solicitações do DN, por mail e telefone, a junta nunca respondeu.

O ACM, por seu lado, garantia que foram tomadas várias medidas, entre elas "a aproximação entre os moradores africanos e as forças de segurança, através de abordagens primárias. No bairro, que chegou, em tempos, a ser um exemplo do dito "policiamento de proximidade" da PSP, com a cooperação intensa da Associação Moinho da Juventude, nenhum esforço foi notado.

Lúcia Gomes, a advogada dos seis jovens agredidos, escrevia nessa data, no blogue Manifesto 74: "As associações falharam, deixaram de estar, de falar sobre o assunto. Todas as personalidades que se indignaram, à data, desapareceram. O Alto-Comissariado para as Migrações nunca sequer lá pôs os pés para falar com ninguém ou intervir e se disser que o fez, mente. Todos viraram as costas, fingindo que não há racismo, não há violência, não há tortura."

Da parte da Direção Nacional da PSP tudo continuou como se nada tivesse acontecido. Os polícias agressores continuaram na esquadra e não houve notícia de mudança nos critérios de recrutamento e formação dos agentes destacados para aquelas áreas sociais sensíveis. Contactado pelo DN, o gabinete do diretor nacional, Luís Farinha, disse que não respondia. A IGAI, por seu lado, que acabou por arquivar o inquérito, prometeu, conforme o DN chegou a noticiar, um manual de boas práticas e formação especial para os agentes que fazem policiamento neste género de bairros, a começar pela Cova da Moura. Como em tudo o resto, nada que fosse notado pelos habitantes deste bairro, às portas de Lisboa, com uma maioria de habitantes de origem cabo-verdiana.

O medo persistiu e persiste em 2017, "num mundo em que um jovem deixa de sair à rua porque não quer encontrar a polícia nem que no bairro o acusem de pôr o bairro em perigo porque enfrentou a polícia. (...) Num mundo onde dizem a um semelhante que deve ser exterminado, que não é pessoa", testemunhou Lúcia Gomes.

Ministério Público vai acusar 18 agentes da PSP por crimes de tortura e discriminação

in DN

O Ministério Público vai constituir como arguidos 18 agentes da PSP, entre os quais um chefe, que serão acusados dos crimes de "tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada", refere o Diário de Notícias.

Segundo a edição 'online' daquele diário, estes crimes terão sido "agravados pelo ódio e discriminação racial contra seis jovens [do bairro] da Cova da Moura", no concelho da Amadora (distrito de Lisboa).

A acusação deriva de uma investigação da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, que durou dois anos, adianta o jornal. O caso remonta a 05 de fevereiro de 2015 e os crimes terão decorrido na esquadra da PSP de Alfragide.

O Diário de Notícias aponta que o Ministério Público (MP) "acusa também alguns dos polícias por crimes de falsificação de relatórios, de autos de notícia e de testemunho", sendo que uma subcomissária e uma agente serão acusadas também dos crimes de "omissão de auxílio e denúncia".

A 05 de fevereiro, cinco jovens com idades entre os 23 e os 25 anos foram detidos depois de, segundo a PSP, terem "tentado invadir" a esquadra de Alfragide, na sequência da detenção de um outro jovem, no bairro da Cova da Moura.

Segundo um ativista do movimento SOS Racismo, os cinco jovens tinham-se deslocado à esquadra de Alfragide para saberem da situação de um amigo que tinha sido detido no bairro da Cova da Moura, após ter sido revistado pelas autoridades.

No decurso da operação policial, a PSP "efetuou disparos" para tentar dispersar os moradores do bairro, que protestavam pela forma como trataram o jovem.

A versão da PSP é a de que, na sequência da detenção, os restantes jovens "tentaram invadir" a esquadra, tendo sido disparado um novo tiro para o ar. Foram detidos cinco elementos do grupo e os restantes fugiram.

O jovem que foi detido na Cova da Moura saiu em liberdade, depois de ouvido por um juiz, que obrigou o arguido a "apresentações periódicas".

A 07 de julho de 2015, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou a instauração de processos disciplinares contra nove elementos da PSP, na sequência de incidentes ocorridos no Bairro da Cova da Moura.

Em comunicado, o MAI dava conta de que a ministra "determinou a instauração de processo disciplinar contra nove elementos da PSP e o arquivamento dos autos em relação a outros cinco elementos da PSP".

A decisão da ministra tem por base o relatório final apresentado pela Inspeção-geral da Administração Interna (IGAI) sobre os incidentes.

A investigação da IGAI foi anunciada três dias depois dos incidentes ocorridos, que levaram à detenção de seis jovens.

Segundo a edição 'online' do DN, o Ministério Público "mandou arquivar todos os processos dos polícias contra os jovens".

13.4.15

O dia em que o Instagram conheceu "o que sobra do Aleixo"

in Público on-line (P3)

Torre 4 do Aleixo foi demolida no dia 12 de Abril de 2013, mas o futuro do que resta do bairro continua uma incógnita. Dois anos depois da queda da segunda das cinco torres, um grupo de seis instagramers fotografou o "lugar onde poucos entram"

Texto de Mariana Correia Pinto • 12/04/2015 - 23:10

Entre as torres 1 e 2 do Aleixo, no Porto, oito homens ocupam o "ringue" e cumprem a "tradição de domingo". Joga-se futebol. Moradores contra moradores, misturada com gente "expulsa" do bairro que recusa afastar-se dele. São quase 12 horas do dia 12 de Abril. Em 2013, neste dia e por esta hora, ainda se via no ar a poeira levantada pela queda da torre 4. Ainda se ouviam gritos de revolta e se limpavam lágrimas. Dois anos depois, e enquanto o futuro do Aleixo continua um gigante ponto de interrogação, um grupo de seis instagramers visitou o bairro onde poucos ousam entrar. O que viram e fotografaram não foi o Aleixo — foi "o que sobra" dele.

A sentença é dada por Antonieta Silva, quase 40 anos de bairro e uma mágoa do tamanho da torre onde vive. Quando se mudou para o Aleixo, "chavala de 14 anos", era outra coisa: "Havia um reboliço e uma animação constantes e muita união entre os moradores. Só de pensar no que era o São João aqui no bairro até me emociono..." Agora, vive no 12.º piso da torre 3 à espera de um futuro que não controla. "A nossa vida é estarmos aqui arrumados à espera que digam como vamos viver. A gente não conta para nada e a nossa opinião é inútil."

Foi para "mostrar o problema por dentro" que Luís Octávio Costa (@kitato) se aventurou na criação de um "instameet" no Aleixo, o primeiro de uma série de encontros que o editor do P3 e instagramer recentemente elogiado pelo Huffington Post quer fazer no país. As gigantes torres de vistas invejáveis para o Douro foram o cenário de umas boas horas de conversa, passeio e muitos cliques para os cinco instagramers convidados pelo organizador: @doavesso (Patricia Costa), @mazedlm (André Neves), @alexcoelholima (Alexandre Coelho Lima), @diogolage (Diogo Lage) e @anitados7oficios (Ana Morais) vão, ao longo da semana, mostrar o que viram na hashtag #InstAleixo.

Este Aleixo — com filtros, mas sem ficção — deve ser revelado. É o Aleixo que emocionou Ana Morais, que não gosta de fotos sem gente dentro e que de tantos retratos fazer recebeu flores e abraços das crianças como prendas. O Aleixo de "dimensão vertical" e lado "modesto e afável" que encantou Diogo Lage. O Aleixo geométrico do arquitecto Alexandre Coelho Lima e o cinematográfico de Luís Octávio Costa. O Aleixo com sorrisos de André Neves (o Maze dos Dealema) e o Aleixo a preto e branco de Patrícia Costa. Mas também o Aleixo que não descola da droga e onde se exigem cuidados de segurança: fotografar na direcção da torre 1, avisa o ex-morador Renato Florim, "não é aconselhável".

"Deixaram aqui o gado que somos nós"

O conselho do jovem, que juntamente com José e Jonas acompanhou o encontro de instagramers no Aleixo, resume-se numa frase de Alberto Moreira, morador da torre 2 e proprietário do Bar Azul, um exíguo espaço na cave da torre: "Foram-se as pessoas, ficou o tráfico de droga." A demolição das torres, diz-se sem discordâncias numa animada conversa no café, não resolveu em nada o problema — que se espalhou por outros bairros da cidade e tem há um ano (desde a demolição da antiga fábrica de sabão de Lordelo) um foco privilegiado no antigo mercado e café do Aleixo. E os realojamentos feitos aos poucos, e que deixam as torres semi-habitadas, só vieram agravar o problema, lamenta Sónia Gonçalves: "Mandaram as torres abaixo e deixaram aqui o gado que somos nós. Somos tratados como gado. Na droga eles não têm coragem de mexer."

A moradora da torre 1 do Aleixo, edifício onde o tráfico é mais acentuado, mudou-se para ali há 40 anos. Menos um do que conta agora. Não trocava o bairro por nenhum lugar do mundo, mas viver na torre 1 por estes dias dá medo. Não pela droga com a qual sempre viveu paredes meias. O problema, conta revoltada, "são as ratazanas e as pombas." "Só visto é que a pessoa acredita. Imagine o que é viver num lugar onde há ratazanas de um tamanho que nunca tinha visto na vida. De não saber quando é que as crianças estão em perigo..." O que se pede pelo Aleixo é uma decisão rápida e tratamento semelhante ao que é dado aos demais moradores de bairros sociais no Porto. "Nós pagamos rendas, caso contrário somos logo despejados, mas não temos direito a nada. Estamos aqui completamente esquecidos. Às vezes com os elevadores avariados. É assim desde que esse senhor Rui Rio foi para a câmara", desabafa Alberto Moreira, 33 anos de vida e de bairro.

São queixas que Patrícia Costa (@doavesso) conhece bem. A educadora social da ADILO (Agência de Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro) entrou pela primeira vez no Aleixo em 2003 e trabalhou durante muitos anos dentro do bairro. Regressar ali e ver os espaços onde trabalhava, na torre 3, é desolador. "Aqui era o gabinete, entrávamos por esta porta...", descreve. Renato Sousa, presidente da Associação de Moradores, vai acenando como quem percebe bem o sentimento de tristeza. Viveu as últimas duas décadas por ali e viu tudo: desde o "boom" de intervenção dos anos 90 até ao abandono a partir de meados de 2000. "Costumo comparar isto a um campo completamente infértil onde se investiu muito. Insistiu-se, plantaram-se sementes, regou-se. E um dia fez-se até a primeira colheita. Mas depois esqueceram-se de continuar a tratar... como qualquer campo, tornou-se novamente infértil. Perdemos tudo", lamenta.

O futuro do bairro continua em "stand-by". Depois de a Mota-Engil ter demonstrado interesse em constituir-se accionista do Invesurb – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado, que gere os terrenos do Aleixo, a Câmara do Porto veio dizer que o contrato terá de ser alterado para que a entrada da empresa de construção seja formalizada. Além de “recapitalizar o fundo e dotá-lo de instrumentos financeiros que lhe permitam cumprir o fim a que estava destinado”, Rui Moreira garantiu recentemente ao PÚBLICO que a sua “prioridade” é que o fundo avance com a construção de habitação para os moradores do Aleixo na Avenida Fernão de Magalhães e na Travessa de Salgueiros.

No bairro agora com três torres continua ainda a funcionar um ATL (que os ex-moradores fazem questão de continuar a frequentar) e um centro de apoio à terceira idade. Há uma comunidade que sobrevive unida — como se querem os bairros — e que, depois de ultrapassar alguma desconfiança, até gosta de receber "estranhos". Instagramers incluídos. Mas uma comunidade entristecida que tombou com as duas torres desabadas, como espelham os desabafos de Antonieta Silva: "Isto já foi o Aleixo. Agora é o que sobra do Aleixo. É uma coisa que às vezes já nem reconheço."

27.3.14

Uma pistola num carrinho de bebé, um machado junto à cama “para desmanchar o porco”

Andreia Sanches, in Público on-line

Confrontos de 2008 na Quinta da Fonte chegaram a julgamento. Compareceram no tribunal de Loures 12 arguidos. Dois faltaram. E um outro, acusado de detenção de arma proibida, ficou de fora porque o crime já prescreveu.
A próxima sessão está marcada para dia 9 de Abril Rui Gaudêncio

Foi interrompido pouco depois de ter começado porque um dos arguidos começou a prestar declarações sem que o tribunal se tivesse apercebido que não estava presente o seu defensor — “Tudo o que fizemos até agora não tem valor nenhum”, desabafou a juíza. Começou nesta quarta-feira o julgamento do “processo da Quinta da Fonte”, o bairro de Loures que, em Julho de 2008, foi palco de tiroteios em plena rua provocados por um desentendimento entre moradores de etnia cigana e outros de origem africana.

Afinal, não são 15 os que se sentam no banco dos réus, como tem sido noticiado, mas sim 14 — o crime de que vinha acusado um dos que fazia parte do grupo inicial (detenção de arma proibida ) acabou por ser considerado prescrito. O advogado de pelo menos mais um dos acusados já requereu a prescrição do crime imputado ao seu cliente. Quanto à sessão do julgamento, foi retomada mal foi encontrado o defensor que faltava.

O episódio da “guerra” na Quinta da Fonte, que fez com que durante dias a fio o bairro fosse ocupado pela polícia, foi relembrado ao longo de várias horas, nesta quarta-feira, sobretudo pelas testemunhas ouvidas a pedido do Ministério Público: elementos da PSP chamados ao local no segundo dia de tiroteios e inspectores da Polícia Judiciária que participaram na investigação.

Muito faladas foram também as imagens dos confrontos que, na altura, passaram nas estações de televisão — e que foram obtidas por alguém que estava no bairro, cuja identidade nunca foi possível apurar. Alguns advogados (participaram 13 no julgamento) estavam interessados em perceber os detalhes de como foi feita a identificação de alguns dos seus clientes através das filmagens.

Em suma, ontem compareceram seis arguidos de etnia cigana. O rosto mais conhecido do grupo é o do homem que, depois dos confrontos, foi entrevistado por vários órgãos de comunicação social como sendo o porta-voz da comunidade cigana na Quinta da Fonte. Foi identificado como alegado participante do motim através das ditas filmagens.

Há também uma mulher entre os arguidos ciganos. Na sua casa foram encontrados, logo no segundo dia de confrontos, uma pistola, num carrinho de bebé, outra pistola, na casa de banho, e uma espingarda caçadeira junto à porta, para além de várias munições e carregadores. Nenhum dos seis quis falar ao tribunal, para já.

Compareceram ainda seis arguidos de origem africana — durante a sessão, a juíza esclareceu uma das testemunhas que “a etnia é cigana, a raça é negra”, pelo que é assim que se deve dizer. Cinco quiseram prestar declarações. Para alegar, no essencial, que as armas que a polícia encontrou, já em Setembro de 2008, nas casas onde viviam, não eram suas.

Um dos arguidos explicou que a faca de 20,5 cm de comprimento que estava junto à sua mesa de cabeceira foi a mãe que a trouxe da Guiné. A procuradora do Ministério Público quis saber o porquê de se ter uma faca daquelas junto à cama e, face à ausência de respostas, perguntou se era para “macumba” — “Vamos supor que o senhor andava com espíritos...” E o arguido confirmou que era para algo desse género.

Outro explicou que o machado de 32 cm, que tinha atrás da cama, era da mãe e apenas servia para “desmanchar o porco” e que os três bastões também apreendidos serviam para a mãe se defender do marido. Não para agredir mais ninguém.

Outro ainda alegou que os cartuchos que tinha na mesa de cabeceira no quarto que dividia com o pai pertenciam, na verdade, ao pai, que é caçador na Guiné. E uma arguida desconhecia que havia uma faca de mato em cima do guarda-fatos, na casa onde vivia. Faca que, disse, pertencia ao pai.

O oficial da PSP de Loures que testemunhou disse não ter dúvidas de que o encontrou no bairro, a 11 de Julho de 2008, o segundo dia de confrontos, foi um conflito "entre ciganos e negros”. Certo é que antes da sessão começar, alguns arguidos "ciganos e negros" se cumprimentaram com um aperto de mão.

17.8.13

Chaves: Combate à exclusão social nos bairros mais vulneráveis

Cátia Portela, in @tual

Foi assinado, na terça-feira passada, um protocolo de colaboração entre a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Chaves e a Associação Chaves Social que visa promover a inclusão social dos cidadãos através de acções que contribuam para o aumento da empregabilidade, combater as situações críticas de pobreza, nomeadamente na faixa etária infantil, combater a exclusão social nos territórios vulneráveis e envelhecidos e promover a inclusão activa das pessoas com deficiência ou com incapacidade.

Protocolo-CCPCJO protocolo assinado ontem entre a CPCJ e a Associação Chaves Social, designado por Contrato Local de Desenvolvimento Social + (CLDS+), irá abranger toda a população do Concelho de Chaves que se encontrem em situações de exclusão social ou de risco. O programa tem a duração de dois anos e é financiado em 300 mil euros pela Segurança Social. O projecto CLDS+ será executado e coordenado pela a Associação Chaves Social que será a responsável pela distribuição das verbas financiadas pela Segurança Social.

Assim, as principais acções que a equipa do Conselho Local de Desenvolvimento Social pretendem desenvolver assentam em três eixos fundamentais para a promoção do desenvolvimento social e da coesão cívica. A aposta será sobretudo a nível da empregabilidade, incentivando à criação do próprio emprego e facultando todas as ferramentas informativas sobre os recursos institucionais económicos e financeiros. Para além disso, serão desenvolvidas acções ao nível das famílias através da identificação e diagnóstico das famílias e os principais factores de risco presentes, com o objectivo de poderem trabalhar e melhorar a relação familiar; criação de grupos de autoajuda de conscialização e resolução de problemáticas como o alcoolismo, a violência doméstica e a gestão doméstica e habitacional. Serão desenvolvidas actividades a nível do planeamento familiar em parceria com os serviços de saúde local e será disponibilizado a todas as crianças, jovens e famílias em situações de vulnerabilidade social um gabinete de apoio psicológico.

Neste sentido, o programa CLDS+ já sinalizou alguns dos principais bairros onde estão já a pensar actuar, como é o caso dos bairros da Várzea e dos Aregos. “No bairro da Várzea queremos incentivar para a criação de uma associação de moradores e no bairro dos Aregos queremos incentivar para a criação de uma associação juvenil e queremos ainda, nestes dois bairros fazer uma caracterização da população tendo em vista futuramente desenvolver acções de formação e conseguirmos também desenvolver acções sociais junto dos moradores nestes bairros ”, adiantou a psicológa clínica e representante dos conselhos locais de desenvolvimento social.

O programa visa ainda abranger a população mais idosa através de acções de sensibilização a toda a comunidade.
A presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Chaves, Márcia Teixeira, considera que “em tempos de crise as condições de muitas famílias têm vindo a piorar” e acrescentou que “a nossa preocupação vai nesse sentido, de intervirmos activamente na área social para que possamos ajudar e orientar essas famílias a estruturarem-se. Desta forma, futuramente isso irá rever-se nessas famílias e, sobretudo, nas crianças e jovens”.

O número de casos de famílias sinalizadas pela CPCJ tem vindo a aumentar de ano para ano e com o programa CLDS+ pretende-se que todas as instituições de acolhimento, os centros de saúde, o centro de emprego e todas as instituições de cariz social comecem a desenvolver um trabalho em rede na resolução dos problemas das pessoas com mais dificuldades.

21.5.13

Pais e filhos "procuram a felicidade" num bairro problemático do Porto

in Parlamento Global

Projeto inovador da Fundação EDP

Em Paranhos, um dos bairros mais problemáticos do Porto, funciona um projeto inovador que pretende dar resposta às questões sociais da região.
Através do desporto e da cultura pretende-se fomentar a auto-estima e o bem-estar da comunidade.

A SIC e o Parlamento Global foram ao terreno ver o impacto destas atividades na vida dos moradores deste bairro.