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4.5.20

REGIÃOComunidades ciganas de Braga e Barcelos recebem ‘kits’ de higiene

in O Minho

A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal distribuiu 500 ‘kits’ de higiene angariados ao abrigo da campanha SOS comunidades ciganas, que visa apoiar famílias carenciadas no combate à pandemia da covid-19, foi hoje anunciado.

Braga e Barcelos fazem parte dos nove concelhos onde foram distribuídos os ‘kits’ compostos por máscaras, luvas, álcool, sabão, toalhitas desinfetantes e lixívia.

Elvas, Beja, Mourão, Guarda, Fundão, Viseu e Porto foram as restantes localidades abrangidas.

Durante a campanha, lançada em 09 de abril, foram, segundo a organização, “adquiridos 500 ‘kits’, abrangidas 126 famílias e angariados 9.500 euros”.

A ação vai prolongar-se até 31 de maio, prevendo a EAPN Portugal entregar na próxima semana “’kits’ de higiene a toda a população do Bairro das Pedreiras, em Beja, que conta com 800 pessoas, cerca de 150 famílias”.

A organização garante que o levantamento das necessidades está a ser feito pelos seus núcleos distritais e lembra que “algumas comunidades ciganas carecem não só de alimentos e de materiais de higiene, como de informação e, por isso, os ‘kits’ sãos acompanhados de um desdobrável informativo sobre a covid-19.

Em comunicado, o presidente da EAPN Portugal lembra que “as famílias que vivem em acampamentos e barracas, sem acesso a água, luz e a uma habitação digna, são as que mais necessitam de proteção face à pandemia”.

“São famílias que possuem apenas, como meio de subsistência, os rendimentos provenientes da realização das feiras e da venda ambulante e que enfrentam, além dos problemas de salubridade, a suspensão das suas atividades por período indeterminado”, refere Jardim Moreira.
Na sexta-feira, a campanha será relançada nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, contando com o apoio do cantor Salvador Sobral, vencedor do festival Eurovisão em 2017.

De acordo com os números mais recentes, divulgados em 2014, existem em Portugal 24.210 portugueses ciganos em território nacional.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 224 mil mortos e infetou cerca de 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, morreram 973 pessoas das 24.505 confirmadas como infetadas, e há 1.470 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.




28.4.20

Com menos covid-19 e mais desemprego, Velha Europa começa desconfinamento

Maria Salgueiro, in NIIT

Especialistas dizem que colocar máscaras em crianças “pode ser fatal”

O jornal britânico "The Sun" falou com alguns médicos sobre a melhor forma de proteger os miúdos da Covid-19.

Os especialistas estão a avisar os pais de crianças pequenas e bebés que colocar-lhes máscaras “pode ser fatal”. Segundo o jornal britânico “The Sun“, os médicos dizem que este equipamento de proteção torna a respiração mais difícil para miúdos com menos de dois anos, uma vez que as suas vias respiratórias são mais pequenas e isto poderá levar ao sufocamento.

Como alternativa, os profissionais de saúde recomendam que os pais mantenham os filhos longe de locais públicos durante a pandemia da Covid-19, além de garantir que os membros da família sigam boas práticas de higienização, como a lavagem frequente das mãos.

“Também há o risco de que o bebé tente remover a máscara e que esta fique entrelaçada e cause potenciais ferimentos”, explicou Daniel Atkinson, um médico britânico, ao mesmo jornal. O mais importante, explicam os profissionais de saúde, é manter o distanciamento social.

Os especialistas explicaram ainda que muitas pessoas por todo o mundo estão a produzir máscaras caseiras para bebés durante a pandemia e que uma pesquisa por equipamentos de proteção infantis na Amazon mostra um “número alarmante” de resultados.

Apesar de os cientistas ainda estarem a tentar perceber o modo de incidência do vírus, as investigações mostram que há menos casos reportados em crianças. No entanto, isto não significa, claro, que os miúdos não possam ficar infetados: o caso mais jovem foi detetado num bebé com apenas 30 horas de vida.

Ainda assim, a informação disponível mostra que os sintomas são mais leves nas crianças e podem incluir febre, tosse seca e respiração acelerada. Sinais de desidratação, como não ir à casa de banho durante oito a 12 horas, não deitar lágrimas quando choram ou estarem menos ativos do que o normal também podem ser indicadores.

Para manter os bebés seguros, os especialistas recomendam que não sejam expostos a locais públicos, garantir que os membros da família não têm sintomas e lavar as mãos antes de os segurar, sendo importante evitar tocar-lhes na cara. Se for mesmo necessário sair de casa com uma criança pequena, o ideal é colocá-la num carrinho com um pequeno pano ou lençol a servir de barreira com o exterior.

16.4.20

Um terço das mortes ocorre em lares de idosos

in RTP

Um terço das mortes por Covid-19 ocorreram em lares. São quase 190, os idosos que perderam a vida com o novo coronavírus. A Direção-Geral da Saúde diz que não estão a ser seguidas as medidas preventivas, como o controle de visitas e o isolamento de doentes.

27.3.20

Teletrabalho: Revolução na pandemia?

Sérgio Costa, in RR

Uma “reportagem à distância” confirma a opinião comum sobre as vantagens do teletrabalho. Até aqui distante da maioria, a prática reúne consenso de trabalhadores, empresários e ambientalistas. Vai a crise do coronavírus revolucionar o mercado laboral português? A tendência do mercado evolui nesse sentido.

Escritório em casa. A prática a que, por força das circunstâncias, parte significativa dos portugueses tenta adaptar-se não é nova para Paulo Silva. Mesmo residindo em Ovar, um dos epicentros da pandemia da Covid-19 em Portugal e onde a liberdade de circulação é por estes dias muito restrita, Paulo Silva conta já com uma experiência acumulada de 20 anos a trabalhar em casa, “por opção própria”, na área da imprensa profissional.

Disciplina e automotivação são, assegura, regras essenciais para que o teletrabalho funcione. Essencial também para a concretização desta “reportagem à distância” limitando, assim, a vertente descritiva. Aqui não será possível descrever o local de trabalho dos entrevistados, não podemos perceber se há ruídos ou outros factores de distração, nem poderei descrever as reacções faciais perante as questões colocadas. Esta “reportagem” é feita em teletrabalho, e em teletrabalho responderam os intervenientes. É um reforçado apelo à imaginação no rigor que habitualmente se exige. Continuemos…

Voltamos a Paulo Silva, o experiente teletrabalhador, que define a disciplina e automotivação como regras essenciais. Considerando esses pressupostos cumpridos, “as distrações são menores, o foco é maior e isso aumenta a produtividade”, mas nem tudo são vantagens. A grande desvantagem é “perder-se o “caldo” de ideias que circulam numa empresa. Para Paulo Silva, “há conversas de ocasião, no corredor, na pausa para café, que resolvem inúmeros problemas ou geram grandes negócios”. Só desse ponto de vista, conclui, o teletrabalho não traz benefícios.


Mais tempo para a família
O tempo despendido com a família será outro dos principais factores, senão mesmo o principal, no momento de tomar opções e escolher um regime de teletrabalho, se tal for permitido.

Permite mesmo passar mais tempo com familiares? A esta pergunta, Paulo Silva responde que “dependerá sempre da função que se exerce”, lembrando que a evolução tecnológica permite maior flexibilidade.

“Teletrabalho já não precisa de ser sentado no escritório de casa em frente a um computador”, por isso, conclui que lhe permite cumprir outras tarefas, nomeadamente familiares. A eliminação de viagens de e para o trabalho permite assegurar mais tempo com a família.

É neste ponto que Ana Cid Gonçalves sugere um pensamento mais flexível sobre o modelo de trabalho.

A secretária-geral da Associação das Famílias Numerosas, que há muito defende o teletrabalho como estratégia para garantir ganhos à sociedade, considera que teletrabalho “pode não ser trabalhar em exclusivo em casa” e questiona “por que não permitir, por exemplo, duas idas ao local de trabalho por semana e os restantes dias em casa?” Para Ana Cid Gonçalves são inúmeras as vantagens da introdução do teletrabalho. Desde logo, diz, “não há razão para ser menos produtivo”, e do ponto de vista familiar só identifica ganhos e garantia de poupança. Em muitos casos, as famílias pouparão dinheiro em transportes, uma vez que se elimina “o desperdício de tempo das viagens de ida e volta para o trabalho”. Tempo que “poderá ser aproveitado de outra forma em benefício da sociedade”.

O otimismo esbarra, contudo, no que confirma ser o conservadorismo do universo empresarial português. “Esta é uma oportunidade para repensar os modelos de trabalho”, mas permanece a dúvida se a oportunidade vai ser aproveitada.

Empresários favoráveis ao teletrabalho, direitos quase iguais
Para reforçar os argumentos favoráveis, Paulo Silva apresenta um argumento à primeira vista infalível. “Pode poupar dinheiro a todos”. Ao trabalhador porque, naturalmente, tem menores encargos com deslocações, por exemplo. À empresa, acrescenta embora sem dados concretos, porque intui “que terá menores custos com absentismo e baixas por saúde com estes trabalhadores”.

Será mesmo assim?

Estudos académicos apresentados nas últimas décadas traduzem um certo conservadorismo empresarial como principal entrave à prática do teletrabalho em Portugal.

Dados do Eurostat, divulgados no último ano (acessíveis até em casa), mostram que a percentagem de pessoas com emprego entre os 15 e os 64 anos na União Europeia que habitualmente trabalham em casa era de 5,0% em 2017. Este valor foi mais elevado nos Países Baixos (13,7%), seguido pelo Luxemburgo (12,7%) e pela Finlândia (12,3%) e menor em estados como a Bulgária (0,3%) e a Roménia (0,4%).

Na estatística europeia, Portugal surge com cerca de 5% de pessoas que habitualmente trabalham a partir de casa. Um valor em queda em comparação com anos anteriores, algo que os analistas acreditam ser um efeito da crise financeira.

O quadro promete, aparentemente, mudar com o universo empresarial português mais predisposto a contratar em teletrabalho.

A Associação Empresarial de Portugal recorda ter elaborado ainda antes da crise da Covid-19 um documento de reflexão, intitulado “Estratégia para o Crescimento”, onde aponta para as novas formas de organização do trabalho, nomeadamente decorrentes da revolução tecnológica em curso, dando precisamente como exemplo o teletrabalho. O presidente da AEP, Luis Miguel Ribeiro manifesta convicção que a situação suscitada pela pandemia acabará por ser também “uma espécie de projeto-piloto ou de um ensaio” de como as empresas, as organizações (públicas e privadas) e a sociedade em geral podem passar a funcionar de forma diferente.

As vantagens, do ponto de vista da AEP, são substanciais: ao empregador permitirá alguma redução de custos fixos, como os gastos com a eletricidade e água, “que pode ser significativa, sobretudo quando o número de trabalhadores é considerável”, aponta Luis Miguel Ribeiro.

Na perspetiva do trabalhador, acrescenta, ao eliminar os chamados movimentos pendulares casa-trabalho-casa, o teletrabalho “otimiza o tempo habitualmente gasto”. E o presidente da AEP corrige mesmo a frase utilizando a expressão “tempo desperdiçado”, que pode corresponder a algumas horas diárias, sobretudo nas grandes cidades, face ao engarrafamento de trânsito. Um “desperdício de tempo que o teletrabalho permite poupar”, e que o trabalhador pode dedicar a outras tarefas. A flexibilidade é outra das vantagens identificadas. São fatores que para o representante máximo da AEP potenciam a competitividade tão reclamada e ansiada há vários anos.

Um senão e "uma forma muito interessante de competição"
A redução do contacto pessoal em ambiente de trabalho é o único senão. “O ser humano gosta de viver em sociedade”, enfatiza Luis Miguel Ribeiro, lembrando, a título de exemplo, “as imagens a que vamos assistindo atualmente em vários países, em que as pessoas, mesmo confinadas ao seu domicílio, no âmbito da aplicação do estado de emergência, adotam estratégias para se colocarem em contacto direto com os seus vizinhos”.

Mais do que a redução de custos do trabalho, o teletrabalho será “uma forma muito interessante de competição internacional”, adianta, por outro lado, Pedro Braz Teixeira.

O Director do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade lembra que uma das áreas de maior expansão dos últimos anos, em Portugal, tem sido a da exportação de serviços de informática, “com crescimento da ordem dos 20%”, consecutivamente. Braz Teixeira sublinha como facto muito interessante ser, por vezes, “a filial portuguesa de grandes multinacionais que tem conseguido ganhar concursos internos de fornecimento de serviços dentro da própria empresa”. Se o serviço é prestado pela internet, “isso permite que também possa ser realizado em teletrabalho”.

Para Pedro Braz Teixeira, outro aspecto significativo é que “a atual rigidez da nossa legislação laboral é ultrapassada pelo teletrabalho” que é, em si mesmo, mais flexível. Há, no entanto, desvantagens a ter em conta, “como uma maior dificuldade no trabalho coletivo”, mas que “estão em vias de ser reduzidas pela cada vez maior facilidade de funcionamento da internet em grupos”. O responsável do Fórum para a Competitividade sugere ainda que cada empresa deve procurar solução, concluindo que as desvantagens são “pouco importantes comparadas com as vantagens".

No que à flexibilidade do trabalho diz respeito, a especialista em Direito do Trabalho, Rita Garcia Pereira, discorda e alerta que exceto os casos de isenção de horário de trabalho, cujo regime é idêntico ao dos trabalhadores que se deslocam à empresa, ”os trabalhadores em teletrabalho têm um horário de trabalho que deve ser pontualmente cumprido”.

Até mesmo nos direitos há uma quase igualdade. “O vínculo em teletrabalho é exatamente igual ao dos trabalhadores que prestam tarefas nas instalações da empresa”, designadamente quanto à necessidade de seguro de acidentes de trabalho, direito à formação profissional ou necessidade de estipulação de horário de trabalho. A exceção, remata Rita Garcia Pereira, é a “exclusão do direito ao recebimento dos subsídios”, como o de refeição e transporte.

Neste ponto, Paulo Silva, o teletrabalhador chave desta “reportagem”, poderá sentir-se um privilegiado, uma vez que sempre usufruiu das regalias em vigor nas empresas onde trabalhou -- exceção feita ao curto período em que trabalhou por avença.

Ganhos ambientais
Paulo Silva continua a abrir o leque de beneficiados com o regime de teletrabalho e inclui os municípios, “porque enfrentarão uma menor pressão sobre a rede de transportes públicos e menor tráfego rodoviário”. E vai mais longe.

Olhando para a eliminação da necessidade de ter todas as pessoas nas cidades ou seus arredores, antecipa uma diminuição da pressão imobiliária dessas zonas e, ao mesmo tempo, algum incentivo económico de zonas tradicionalmente menos populosas.

Nesta “reportagem” à distância foi já sublinhada como benefício do teletrabalho a redução da necessidade de deslocações, de uso de transporte próprio ou público. Haverá efeitos positivos do ponto de vista ambiental?

Vários estudos sugerem que os programas de teletrabalho têm o potencial de reduzir os custos de energia, obtendo um resultado favorável para a sociedade. E consequência direta de uma menor utilização de transportes seria a redução das emissões de CO2.

Isso mesmo conclui um estudo publicado já em 2007 no The International Journal of Life Cycle Assessment sob o título “External air pollution costs of telework”. Ainda assim, o estudo alerta para a necessidade de uma avaliação rigorosa perante o previsível aumento de gastos energéticos em casa.

Mais recentemente, outros estudos apresentam conclusões ainda mais otimistas. Em 2019, o Global Workspace Survey, por exemplo, definiu o teletrabalho como uma forma viável de reorganizar e reestruturar os padrões habituais, a fim de reduzir a pegada de carbono e partilhar recursos.

Com base nestas análises, Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, diz ser favorável “a mais teletrabalho e mais reuniões por videoconferência”.

Todas as opiniões, de diferentes setores, convergem sobre as vantagens do teletrabalho. Benefícios económicos, familiares, ambientais e, claro, para o mercado laboral.

Importa contudo fazer um alerta, usando palavras de Paulo Silva, voz experiente nesta nova dimensão do trabalho para muitos: "cuidar” de crianças e trabalhar ao mesmo tempo não é compatível”. O atual momento de emergência a isso obrigará, mas em condições normais o trabalho em casa terá forçosamente de ser articulado com os períodos letivos. Feita a extensa análise, concluindo estarmos perante uma potencial revolução no mercado de trabalho, não deixa de ser “evidente que não podemos fechar todos os escritórios e passar tudo e todos a teletrabalho”.

26.3.20

Sem rendimentos das feiras, comunidade cigana "já pede ajuda a familiares"

Por Maria Augusta Casaca, in TSF

Com receio da propagação do vírus, comunidade cigana apela a que as autoridades sanitárias olhem para acampamentos sem condições de higiene.

Em estado de emergência e com a esmagadora maioria do país fechado em casa, também as feiras e mercados ficaram sem gente. Sem poderem, por estes dias, vender nesses mesmos espaços, muitos feirantes ciganos estão a passar dificuldades.

"Para ter uma ideia, em Portugal somos cerca de 50 mil ciganos e 70% a 80% são feirantes", diz o presidente da Federação Cigana de Portugal. Rafael Ximens conta que habitualmente estes feirantes têm três a quatro feiras semanais e, não podendo fazer nenhuma, " já estão a pedir ajuda a familiares" para porem o pão na mesa.

Outro problema são as condições precárias em que vivem. Em Beja, por exemplo, está instalada uma grande comunidade desta etnia.

No bairro da Pedreira moram cerca de 800 pessoas. Algumas em casas, outras num acampamento onde só há uma torneira para centenas de pessoas.

Apesar dos alertas que já fez à sua comunidade para que tenha cuidados de higiene, o presidente da Associação de Mediadores Ciganos de Portugal (AMEC), que mora naquele bairro, receia que, nesta altura de pandemia, tal não seja o suficiente.

"Há aqui muitas crianças e eles estão com muito receio", revela Prudêncio Canhoto." Há uma torneira para 300 pessoas."

Por isso, esta associação cigana pede à Cruz Vermelha e à Proteção Civil que coloque tendas no local, com um enfermeiro para ajudar as pessoas e sobretudo produtos desinfetantes."Eles não têm álcool, não têm gel, não têm nada", conta.

Proteção Civil Distrital pede quarentena para migrantes nacionais e voluntários para IPSS

in Mensageiro de Bragança Online

A Comissão Distrital de Proteção Civil de Bragança solicitou hoje ao Ministério da Administração Interna que decrete o confinamento por quarentena de emigrantes e de cidadãos de outras zonas do país, sobretudo devido “à densidade populacional e índice de envelhecimento” da região.

A comissão, hoje reunida, decidiu solicitar ao Ministério da Saúde a disponibilização da informação diária por concelho, pois a informação que tem sido disponibilizada pela ARS “é desfasada”, não sendo, por isso, “real e exata”.

Por fim, e tendo em conta os casos de quarentena de trabalhadores de IPSS do distrito, foi criada uma bolsa de voluntariado através do link http://unitate.typeform.com/to/aNoBPe.

25.3.20

Por que o coronavírus é mais perigoso para os idosos

El País

A maneira como o sistema imunológico envelhece é a razão pela qual o vírus é perigoso especialmente para quem tem mais de 70 anos

A pandemia de coronavírus que se expande rapidamente afeta com gravidade os idosos. Dados obtidos a partir do surto inicial na China e mais tarde na Itália mostram que os infectados com menos de 60 anos têm um risco baixo, embora não seja nulo, de morrer de Covid-19. Curiosamente, as crianças pequenas não parecem estar em maior risco de complicações graves da doença causada por esse novo coronavírus, em contraste com o que ocorre com outros vírus, como a gripe sazonal.

Itália detectou há um mês o primeiro contágio local da Covid-19. Agora vive a pior crise desde 1945

No entanto, as estatísticas se tornam mais desalentadoras à medida que os pacientes envelhecem. Enquanto pacientes entre 60-70 anos têm uma probabilidade de 0,4% de morrer, aqueles com idades entre 70 e 80 anos têm 1,3% e os com mais de 80 anos, de 3,6%. Embora isso não pareça uma probabilidade muito alta de morte, no atual surto que a Itália está enfrentando, 83% dos que sucumbiram à infecção pela Covid-19 tinham mais de 60 anos de idade.

Portanto, o novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, é um patógeno muito sério para quem tem mais de 60 anos de idade. Enquanto continua a se espalhar, esse grupo mais velho continuará correndo o risco de ficar gravemente doente e morrer.

O que faz com que um vírus como este representem maior risco para os idosos? Acredita-se que seja devido a alterações sofridas pelo sistema imunológico humano à medida que envelhece.

As ferramentas do corpo para combater infecções
Na vida cotidiana, o corpo experimenta um bombardeio constante de bactérias, fungos e vírus que nos tornam doentes, os patógenos. Um corpo humano é um lugar maravilhoso para esses organismos crescerem e prosperarem, pois lhes proporciona um ambiente agradável, quente e rico em nutrientes.

É aí que o sistema imunológico entra em ação. É o sistema de defesa do corpo contra esse tipo de invasor. Antes mesmo de nascer, o corpo começa a produzir dois tipos especializados de células sanguíneas, linfócitos B e linfócitos T, capazes de reconhecer os patógenos e ajudar a bloquear seu crescimento.

Durante uma infecção, os linfócitos B podem se multiplicar e produzir anticorpos que aderem aos patógenos e bloqueiam sua capacidade de se espalhar pelo corpo. A função dos linfócitos T é reconhecer as células infectadas e matá-las. Juntos, eles formam o que os cientistas chamam de sistema imunológico “adaptativo”.

É possível que o seu médico tenha pedido alguns exames para verificar os níveis dos seus glóbulos brancos. Servem para medir se você tem mais linfócitos B e T do que o habitual, provavelmente porque eles estão lutando contra uma infecção.

Pessoas muito jovens não têm muitos linfócitos B ou T. Para o corpo delas pode ser um desafio controlar a infecção porque ele simplesmente não está acostumado com tal tarefa. À medida que amadurece, o sistema imunológico adaptativo aprende a reconhecer os patógenos e a lidar com essas invasões constantes, nos permitindo combater a infecção de maneira rápida e eficaz.

Embora os glóbulos brancos sejam poderosos protetores para os seres humanos, não são suficientes. Por sorte, nosso sistema imunológico possui outra camada, denominada resposta imunológica “inata”. Todas as células têm seu próprio sistema imunológico em miniatura que lhes permite responder diretamente aos patógenos com mais rapidez do que a necessária para mobilizar a resposta adaptativa.

A resposta imune inata está pronta para se lançar sobre tipos de moléculas que são comumente encontradas em bactérias e vírus, mas não nas células humanas. Quando uma célula detecta essas moléculas invasoras, desencadeia a produção de interferon, uma proteína antiviral. O interferon provoca a morte da célula infectada, limitando a infecção.

Outras células imunológicas inatas, chamadas monócitos, agem como uma espécie de porteiro celular, livrando-se de todas as células infectadas que encontram e enviando sinais à resposta imune adaptativa para que se ponha em marcha. O sistema imunológico inato e o adaptativo podem funcionar em conjunto como uma máquina bem lubrificada para detectar e eliminar patógenos.

Os sistemas imunológicos mais velhos são mais fracos
Quando um patógeno invade o corpo, a diferença entre a doença e a saúde se torna uma corrida entre a velocidade em que tal patógeno é capaz de se expandir em seu interior e a rapidez com a qual a resposta imunológica é capaz de reagir sem causar muitos danos colaterais.

À medida que envelhecemos, as respostas do sistema imunológico inato e do adaptativo mudam, alterando esse equilíbrio. Os monócitos dos indivíduos mais velhos produzem menos interferon em resposta à infecção viral. É mais difícil para eles matar as células infectadas e transmitir sinais à resposta imune adaptativa para que se ponha em marcha.

A inflamação crônica de baixo grau que comumente ocorre durante o envelhecimento também prejudica a capacidade da resposta imune adaptativa e inata de reagir contra os patógenos. É um pouco semelhante a se acostumar, com o passar do tempo, a ruídos irritantes.

Com o envelhecimento, a redução da “capacidade de atenção" da resposta imune inata e da adaptativa torna mais difícil que o corpo responda à infecção viral, dando vantagem ao vírus. Os vírus podem tirar proveito do atraso do sistema imunológico em responder e, assim, se apoderar rapidamente do corpo, causando uma doença grave e a morte.

O distanciamento social é vital para as pessoas vulneráveis
Dada a dificuldade que os idosos têm para controlar a infecção viral, a melhor opção é, desde o início, evitar ser infectados. E é aí que a ideia de distanciamento social adquire importância, em especial no que diz respeito à Covid-19.

A Covid-19 é causada por um vírus respiratório que contagia principalmente pela tosse, que pode espalhar pequenas gotas de saliva que contêm vírus. As gotículas mais pesadas caem rapidamente no chão. Gotas muito pequenas secam. Gotas de tamanho intermediário são as mais preocupantes, porque conseguem flutuar no ar mais de um metro antes de secarem. Essas gotas podem ser inaladas e entrar nos pulmões.

Manter uma distância de pelo menos um metro e meio de outras pessoas ajuda a reduzir significativamente o risco de ser infectado por essas gotículas de aerossóis. Mas ainda existe a possibilidade de o vírus contaminar as superfícies em que a pessoa infectada tocou ou na qual tossiu. Consequentemente, a melhor maneira de proteger idosos vulneráveis ​​e as pessoas imunocomprometidas é ficar longe delas até que o risco desapareça.

Brian Geiss é professor associado de microbiologia, imunologia e patologia na Universidade Estadual do Colorado e recebe financiamento do National Institutes of Health.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês na The Conversation.

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Coronavírus. Parlamento Europeu sugere evacuar campos de refugiados na Grécia

Filipe d'Avillez, in RR

A OMS já tinha pedido à União Europeia que retire as dezenas de milhares de refugiados e migrantes, para evitar mortes. Agora o Parlamento Europeu reforça esse voto.

O Parlamento Europeu sugere evacuar os campos de refugiados na Grécia para prevenir uma catástrofe causada pelo novo coronavírus.

A proposta partiu do eurodeputado Juan Fernando López Aguilar, numa carta divulgada na segunda-feira.


López Aguilar, que é também presidente da Comissão Parlamentar das Liberdades Civis do Parlamento Europeu, diz que esta é uma medida urente que pode evitar “muitas mortes”.

"Uma das principais questões a serem abordadas para evitar a rápida e ampla disseminação do Covid-19 nas ilhas gregas é a evacuação preventiva urgente dos campos superlotados", escreveu, citado pela RTP.

Na carta, dirigida ao comissário europeu para a gestão de crises, Janez Lenarcic, o eurodeputado espanhol diz que "se a UE não tomar medidas imediatas, a situação na Grécia e nas ilhas vai tornar-se incontrolável, com risco de haver muitas mortes".

A Organização Mundial da Saúde já tinha pedido à União Europeia que arranje solução para as dezenas de milhares de migrantes e refugiados que se encontram em campos nas ilhas gregas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 18.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Rede de Emergência Alimentar recebe 900 pedidos de ajuda em três dias

in SicNotícias

Isabel Jonet não tem dúvidas de que as necessidades vão aumentar durante esta fase de pandemia.

Em apenas três dias, a Rede de Emergência Alimentar recebeu 900 pedidos de ajuda. A Plataforma, criada pelo Banco Alimentar com outros projetos e instituições que ainda se mantêm abertas durante este período de quarentena, promete repor a ajuda interrompida durante o estado de emergência, que colocou voluntários em quarentena e fechou instituições.

A responsável, Isabel Jonet, não tem dúvidas de que as necessidades vão aumentar durante esta fase, mesmo entre quem não recebia ajuda até aqui. Quem quiser também pode contribuir através da internet.