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6.9.23

Mais rápido, mais potente: o novo supercomputador é instalado (finalmente) em Portugal

Tiago Ramalho (texto) e Nelson Garrido (fotografia), in Público

Supercomputador português só começará a receber projectos científicos no próximo ano. O Deucalion é inaugurado esta quarta-feira, em Guimarães, com a presença do primeiro-ministro, António Costa.


Passados quatro anos desde a assinatura do contrato, o Deucalion vai ser inaugurado pelo Governo português. É o novo supercomputador, o mais rápido e eficiente (dez vezes mais do que o anterior), e pode significar um salto para a ciência portuguesa na capacidade de cálculo e na velocidade com que analisa dados ou problemas. A equação é simples: um supercomputador demora uma hora a analisar um problema que um computador portátil demorará 20 ou 30 anos.


Depois de vários anúncios de entrada em funcionamento, a inauguração está marcada para esta quarta-feira, às 14h30, no Campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, onde está instalado o Deucalion – e conta inclusive com a presença do primeiro-ministro, António Costa. O tiro de partida deste supercomputador começou por ser anunciado para o final de 2020, depois adiado para o início de 2022 e, ainda, para o início de 2023, até ser finalmente agendado para esta quarta-feira.


Mas o que é um supercomputador? A construção da própria palavra ajuda. Os supercomputadores permitem analisar um conjunto enorme de dados num período de tempo bastante mais curto (que pode reduzir o tempo de uma análise em anos) ou fazer enormes quantidades de cálculos.


Geralmente, podemos encontrar exemplos do seu uso na física, transformando os dados recolhidos em imagens do Universo, por exemplo, ou mesmo na biologia, criando modelos de um vírus que demorariam meses sem a capacidade de processamento destes computadores. Um exemplo quotidiano são as previsões meteorológicas: os modelos actuais de meteorologia são cada vez mais certeiros (mesmo que achemos o contrário) porque conseguem analisar muito mais dados e em muito menos tempo. Em Janeiro deste ano, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera inaugurou também um novo supercomputador que duplica a cobertura e a rapidez das suas análises – importante não só para conhecermos o tempo antes de sair de casa, mas também para prever mais eficazmente o risco de incêndio, por exemplo.

Antes do Deucalion, Portugal já teve outros supercomputadores, como o Bob, instalado em 2019, em Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), o supercomputador mais potente até esta instalação (ainda assim, dez vezes inferior ao Deucalion), e que cessou o seu funcionamento no início deste ano.


“A rede de computação nacional é agora reforçada dez vezes com este novo supercomputador. Hoje, este é um instrumento que qualquer área de investigação tem para poder, de forma mais rápida, simular e calcular dados”, defende ao PÚBLICO Elvira Fortunato, ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, acrescentando que este é um projecto para todas as disciplinas científicas – e não só para quem usa programação. E é também para qualquer investigador em Portugal, dado que não é necessário estar ao lado do Deucalion para o utilizar: o acesso é totalmente remoto.


Anteciparia que, ao longo dos próximos cinco anos, estes custos [operacionais] poderão ser por volta de 13 a 15 milhões de euros

João Nuno Ferreira


Apesar de a inauguração estar marcada, o supercomputador Deucalion ainda não está em pleno funcionamento. Depois das obras no espaço onde está acomodado e da configuração da máquina, ainda há passos por cumprir. Nos próximos dois meses, avançará a última etapa de instalação do supercomputador e, depois disso, seguem-se os testes finais. “Entre o final deste ano e o início do próximo, esperamos ter a máquina em velocidade de cruzeiro a receber as centenas de projectos que estou certo que serão submetidos”, afirma João Nuno Ferreira, coordenador da Unidade de Computação Científica da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


Atrasos provocados pelas condições do espaço

“A primeira experiência com o Bob foi importante para perceber o potencial que a supercomputação oferecia ao nosso país, quer às universidades, quer às empresas – e a resposta foi interessante. Todos olhamos agora com confiança para o sucesso desta nova máquina”, afiança Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho. As expectativas para o Deucalion são elevadas. “É um salto muito significativo face ao Bob”, nota Francisco Santos, vice-presidente da FCT. “[Este supercomputador] permitirá ter projectos em Portugal de uma dimensão que não era possível antes”, acrescenta João Nuno Ferreira. Desde 2019 que as virtudes do Deucalion são elencadas, mas os atrasos na instalação desta máquina de 26 toneladas, distribuídas por 26 armários com dois metros de altura que estão arrumados numa sala da Universidade do Minho, adiaram a entrada em acção deste supercomputador.


A complexidade da instalação do Deucalion e os requisitos necessários para o acomodar são a justificação para os sucessivos adiamentos da instalação. “Passámos por uma sucessão de locais possíveis que não se revelaram viáveis. Ao fim de vários meses, a conclusão que nos diziam era ‘para um equipamento destes, mais vale construir de raiz’”, conta João Nuno Ferreira. Um supercomputador como o Deucalion exige não só espaço físico, mas também um acesso energético enorme, já que consome muita electricidade, e também um sistema de refrigeração com um caudal de cerca de 50 litros de água por segundo – condições que dificultaram a definição de um espaço. “O local foi o maior factor. Depois de identificado este local, os atrasos que se verificaram foram os expectáveis no contexto do fornecimento de equipamentos especializados neste tipo de instalações”, acrescenta. Apesar do esforço energético, o Deucalion tem maior eficiência do que o Bob, por exemplo: consegue dez vezes mais eficiência, com apenas o triplo do consumo energético, avança João Nuno Ferreira.


“Quando cheguei, tinha um problema para resolver e o que fiz foi arregaçar as mangas, constituir um grupo de trabalho, ter uma reunião com todos e dizer: ‘Temos um computador para instalar e temos de o instalar o mais rapidamente possível’. E foi isso que nós fizemos”, diz Elvira Fortunato.


A Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC, no acrónimo em inglês), organização da União Europeia criada para conjugar os esforços nesta área, justificava a demora, ao PÚBLICO, em Outubro de 2022, com os próprios processos de contratação pública. À época, Portugal e Espanha eram os únicos dos oito países a quem foram atribuídos supercomputadores em 2019 que não tinham instalado estas máquinas, de acordo com o EuroHPC – agora, sobram apenas os espanhóis.
Será criado um centro de computação avançada

A gestão do supercomputador será feita através da FCT, mas no próximo ano será criado o Centro Nacional de Computação Avançada, como referiu Francisco Santos. Esta organização nasce com o intuito também de “apoiar os investigadores na utilização do Deucalion e, ao mesmo tempo, fazer crescer o financiamento para esta área da computação avançada”, explica o vice-presidente da FCT. Este centro formalizará a Rede Nacional de Computação Avançada, uma plataforma colaborativa de infra-estruturas e pessoas ligadas a esta área, num organismo capaz de concorrer a financiamento europeu ou de atrair projectos internacionais para se desenvolverem no Deucalion, por exemplo.

O concurso a financiamento e a projectos ajudará também a arcar com as despesas associadas ao Deucalion. O fornecimento do supercomputador, assinado com a Fujitsu em Setembro de 2020, assume uma despesa inicial de 20 milhões de euros, ficando a empresa originária do Japão com a responsabilidade de fornecer a tecnologia que dá vida ao Deucalion. As verbas dividem-se entre dinheiro da FCT e verba europeia (65% da responsabilidade da instituição portuguesa). Além dos 20 milhões de euros de investimento inicial, há custos de operação. “Têm uma componente grande de energia, bem como a formação de uma equipa de oito a nove pessoas especializadas. Anteveria que, ao longo dos próximos cinco anos, estes custos poderão ser por volta de 13 a 15 milhões de euros”, orçamenta João Nuno Ferreira, deixando um asterisco para os custos de energias, sempre “voláteis”.


Estes custos serão pagos com o financiamento adquirido através de projectos, que podem ser científicos ou industriais. A gestão diária da máquina será um encargo da FCT, apesar de Francisco Santos confiar que poderão existir contributos de várias fontes, desde protocolos com instituições de ensino superior para a utilização do supercomputador a projectos de inovação quer industrial, quer da administração pública.


Deucalion disponível para todos os cientistas

Tal como a repartição de custos, a utilização do novo supercomputador também é 65%-35%. Neste caso, 65% do tempo de uso será dedicado aos projectos portugueses ou atraídos pelo futuro Centro Nacional de Computação Avançada, enquanto os restantes 35% serão para usufruto de cientistas europeus que pretendam utilizar o Deucalion – uma divisão que também acontece nos outros países que receberam supercomputadores.


Os cientistas portugueses serão, ainda assim, o destinatário principal deste supercomputador. “Esta infra-estrutura é transversal, todas as áreas disciplinares podem tirar partido de uma infra-estrutura como esta”, diz Francisco Santos. As oportunidades para concorrer à utilização deste equipamento serão feitas através do concurso de projectos de computação avançada da FCT, que nas candidaturas deste ano já incluirá o Deucalion, mas também nos concursos gerais de projectos científicos – algo que não existia. “O investigador pode dizer que vai fazer isto e aquilo, mas que, além disso, precisa de x horas de tempo de cálculo num computador nacional – e esse tempo de cálculo é atribuído juntamente com o financiamento e, assim, não tem de submeter duas candidaturas”, explica.

As competências nesta área por parte dos investigadores são uma das principais preocupações, mas Francisco Santos descarta que seja um problema. “Do ponto de vista técnico, não é necessário que a pessoa seja informática e a dificuldade estará relacionada com o tipo de aplicação que se pretende fazer. Exige alguma capacidade de utilizar recursos computacionais completos, mas não é algo que invalide ou ponha de parte investigadores fora destas áreas”, diz. É também por isso que existem, em várias universidades do país, centros de competências em computação avançada que dão apoio em matérias como esta.


A visão é similar a Miguel Avillez, astrofísico e responsável pelo supercomputador Oblivion, da Universidade de Évora, que utiliza outras máquinas europeias e norte-americanas no seu trabalho. “Haverá sempre uma aprendizagem por parte do utilizador, mas, para quem está habituado a trabalhar com isto, será simples. Para os que não têm os conhecimentos aprofundados, aí poderão existir alguns problemas – mas também aprenderão rapidamente”, sublinha.


“Nunca conseguimos ter o Bob com a potência máxima”


O Deucalion surge como substituto natural do Bob, o supercomputador mais potente que Portugal teve – antes da entrada em funcionamento deste Deucalion. Apesar de participar numa centena de projectos científicos, o Bob, instalado num centro da empresa Redes Energéticas Nacionais (REN) em Riba de Ave, nunca chegou à sua potência máxima.

“O Bob ajudou-nos a aprender e a crescer rapidamente antes da chegada do Deucalion”, explica João Nuno Ferreira, coordenador da Unidade de Computação Científica da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. No entanto, este era um equipamento doado pela Universidade de Austin (Estados Unidos) e cujos requisitos técnicos não se coadunavam com os centros de dados existentes em Portugal. “A potência e a refrigeração necessária esbarraram nessas limitações [dos centros portugueses], o que nos obrigou a nunca o ter forçado ao limite. Nunca conseguimos ter o Bob com a potência máxima”, lamenta.

Em Março deste ano, o supercomputador Bob marcou o fim da sua produção, como anunciou o Centro de Computação Avançada do Minho, ligado à Universidade do Minho. Este supercomputador tinha começado as operações em Portugal em Julho de 2019.

A “substituição” pelo novo supercomputador Deucalion, que será inaugurado esta quarta-feira, marca um aumento da capacidade portuguesa. “Vamos reforçar em muito a rede de computação avançada a nível nacional. Precisamos de sistemas de supercomputação porque temos cada vez mais dados. Mesmo a emergência da inteligência artificial e a digitalização irão necessitar de computadores que consigam tratar um volume maior de dados e, em simultâneo, uma capacidade de processar esses dados mais rapidamente”, nota a ministra da Ciência, Elvira Fortunato.

A contratualização europeia de supercomputadores coincide também com a aposta em microelectrónica, com o investimento na produção de processadores e semicondutores, presentes em grande parte da tecnologia (como computadores e telemóveis), no espaço europeu – para contrariar a dependência externa, de países como a China ou os Estados Unidos. “É importante que a Europa não fique atrás nestas áreas fundamentais. Como tivemos problemas de energia com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, nos semicondutores é igual: se a China cortar [o acesso], o mundo pára”, refere a ministra.

[artigo disponível na íntegra apenas para assinantes]
 

31.7.23

UNESCO vota Gulbenkian como Património Mundial e alargamento em Guimarães

Por Lusa,  in Notícias ao Minuto


O Comité do Património Mundial da UNESCO vai votar, em setembro, a classificação dos jardins e do edifício da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e o alargamento da área classificada de Guimarães, anunciou hoje a organização das Nações Unidas.

m comunicado, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), revelou que o Comité do Património Mundial se vai reunir em Riade, na Arábia Saudita, entre 10 e 25 de setembro para analisar 53 candidaturas, algumas das quais não puderam ser votadas no ano passado.

Entre estas inclui-se a proposta de classificação dos jardins e do edifício da Gulbenkian, um conjunto com "um caráter único de valor universal excecional, amplamente reconhecido e apoiado por intelectuais, especialistas e artistas de renome mundial", como se pode ler na justificação do valor universal da candidatura.

"Desenhado entre 1959 e 1969 pelos arquitetos Alberto Pessoa (1919-1985), Pedro Cid (1925-1983) e Ruy Jervis d'Athouguia (1917-2006), com os arquitetos paisagistas António Vianna Barreto (1924-2013) e Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020), o edifício sede e parque contribuíram para a afirmação da modernidade no mundial, combinando vários aspetos de criatividade e inovação do génio humano", pode ler-se no texto da lista indicativa, onde a candidatura foi incluída em 2016.


Já em relação a Guimarães, cuja candidatura para ampliação da área classificada passou a integrar a lista indicativa também em 2016, a Câmara Municipal propôs "duplicar a área classificada, inscrevendo a Zona de Couros na lista indicativa para obter o estatuto de Património da Humanidade", como se podia ler num comunicado da autarquia de 2015.

"No caso de a candidatura ser bem-sucedida, a área de proteção passará a ser cinco vezes superior à atual, criando-se uma zona tampão desde o topo da montanha da Penha, onde nasce a ribeira de Couros, à Veiga de Creixomil, foz de cursos de água", acrescentava o texto.

O Centro Histórico de Guimarães está classificado como Património Mundial desde 2001.

26.7.23

O coração volta a bater "sem barreiras" no Espaço Guimarães

in RR

A iniciativa de inclusão e economia “Corações sem barreiras” está de regresso ao Centro Comercial Espaço Guimarães.


O centro comercial Espaço Guimarães recebe, até dia 29 de julho, a iniciativa "Corações Sem Barreiras", que arrancou em meados de julho e que tem como finalidade dar a conhecer o trabalho manual e personalizado desenvolvido por jovens e adultos portadores de deficiência, nos últimos cinco meses, a partir de quadrados de lonas publicitárias devidamente transformadas.

Necessaires e bolsas de praia são alguns dos artigos que os visitantes do centro comercial podem adquirir em apoio ao trabalho da Ave Cooperativa de Intervenção Psicossocial – ACIP.

Os fundos angariados neste projeto servem para a aquisição de equipamento e manutenção de infraestruturas da ACIP e ainda para uma viagem anual, momento pelo qual os 72 jovens envolvidos no projeto mais anseiam.


À Renascença, André Dias, diretor do centro comercial Espaço Guimarães, explica que a iniciativa “é uma oportunidade para concretizarmos uma parte importante da nossa política de responsabilidade social e uma forma de chamarmos a atenção dos nossos visitantes para a importância da inclusão social”.

Mónica Carvalho, diretora geral da ACIP, adianta que este projeto com o centro comercial “é muito importante porque é um momento de verdadeira inclusão e capacitação”.

“É uma forma extraordinária” de sensibilizar e envolver a comunidade destacando a importância do “apoio a causas que fomentam o desenvolvimento social e o empreendedorismo”, acrescenta a repsonsável.

“Corações sem barreiras” é uma iniciativa não só de importância social, mas também de economia circular do espaço Guimarães, dado o aproveitamento das lonas publicitárias.

As lonas são utilizadas no centro da cidade e, ao longo do ano, ajudaram a purificar o ar da cidade através do processo de foto catálise que desintegra elementos poluentes na atmosfera quando entram em contacto com a lona.

Este é um projeto que resulta de uma parceria do Centro Comercial Espaço Guimarães e da ACIP – Ave Cooperativa de Intervenção Psicossocial.

27.2.23

Juventude Cruz Vermelha promove voluntariado social

José Paulo Silva, in Correio do Minho

O programa desta edição do ENJ conta também com actividades lúdicas e bancas das organizações-membro do Conselho Nacional de Juventude na que é designada ‘Feira de Oportunidades’.

A Comunidade Criativa de Inclusão Social de Guimarães (CCIDG), projecto desenvolvido pelo departamento de Juventude da delegação local da Cruz Vermelha Portuguesa, marca presença no ENJ numa acção de promoção do voluntariado social.

A coordenadora do projecto, Catarina Macedo, explicou ao Correio do Minho que a CCIDG visa o envolvimento dos jovens nas suas comunidades através do voluntariado social, ao mesmo tempo que se promove a inclusão digital de idosos, sem abrigo e refugiados.

Financiado pelo programa Portugal Inovação Social, com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães como investidor social,este projecto piloto decorre desde Abril de 2021 e encerra no final de Junho deste ano.

A intenção da Juventude Cruz Vermelha de Guimarães é prolongar a experiência, cujos resultados têm sido, até agoa, muito satisfatórios.

“Já chegámos a cinco freguesias do concelho, mas o objectivo e chegar a todas as freguesias do concelho”, referiu Catarina Macedo.

A CCIDG é um projecto itinerante, que funciona com recurso a uma carrinha equipada com seis postos informáticos, os quais permitem a implementação de um programa de desenvolvimento de competências digitais junto de populações info- - excluídas. 

8.4.21

Projecto pioneiro de inovação social abrange todo o concelho de Guimarães

in Correio do Minho

Promoção da prática do voluntariado jovem que visa a inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.

Guimarães foi o concelho escolhido no âmbito da iniciativa Portugal Inovação Social para implementar o projeto da Comunidade Criativa de Inclusão Digital de Guimarães (CCIDG). Trata-se de um projeto itinerante (sala de aula sobre rodas), com uma viatura equipada com seis postos informáticos, para a implementação de um programa de desenvolvimento de competências digitais, com vista ainda à promoção da inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.

O projeto é desenvolvido pela Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, financiado pelo Portugal Inovação Social em 312 mil euros, e conta com o apoio de 134 mil euros da Câmara Municipal de Guimarães como investidor social.

O Presidente da Câmara, Domingos Bragança, destacou a “resposta complementar que acrescenta mais inovação à área social e a outros projetos que estão no terreno”. Evidenciou a experiência da Cruz Vermelha na ligação ao voluntariado e a “capacidade de fazer esta ligação de âmbito intergeracional com as pessoas que estão mais isoladas”. O Presidente da Câmara de Guimarães realçou que “há imensos jovens que querem participar e revelam a excelência da criatividade para um mundo melhor, através das novas ferramentas digitais” associando isso ao “voluntariado” como a “forte componente humana”. Mencionou ainda que “o isolamento das pessoas, muitas vezes, deve-se à falta de interação psicológica e social. Precisamos de saber ler estes sinais de fragilidade para poder intervir”.

O Presidente da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha vincou, também, “a lógica de intergeracionalidade para combater o isolamento”, com a vantagem de chegar a todo o território através da nova unidade itinerante. Perante este “desafio”, Armando Guimarães aponta como meta envolver 240 jovens voluntários e chegar a mais de 500 vimaranenses.

Helena Loureiro, representante regional do Norte do programa Portugal Inovação Social, vincou a escolha de Guimarães para a implementação deste projeto pioneiro a nível nacional, na sequência dos resultados do trabalho da Rede Social e a interligação da Câmara Municipal com as instituições locais.

Agora, o programa será dinamizado por voluntários, tendo como objetivo principal estimular a participação cívica e envolvimento social dos jovens. Existe ainda um programa de acompanhamento, realizado por voluntários (Digital Dreamers) destinado aos beneficiários das sessões de Inclusão Digital, com foco prioritário nos idosos em situação de solidão ou isolamento.

No fundo, a criação da primeira Comunidade Criativa para a Inclusão Digital de Guimarães pretende incentivar os jovens para a prática do voluntariado, criar comunidades locais colaborativas, resilientes e que contribuam para um crescimento inclusivo, em todo o território. Está previsto ainda o empréstimo de tablets a utentes no sentido de praticarem os seus conhecimentos nos meios digitais, terem acesso a entretenimento e atividades personalizadas e a meios de comunicação inovadores e tecnológicos com o da equipa de voluntários.

Projeto pioneiro de inovação social abrange todo o concelho de Guimarães

in Semanário V

Guimarães foi o concelho escolhido no âmbito da iniciativa Portugal Inovação Social para implementar o projeto da Comunidade Criativa de Inclusão Digital de Guimarães (CCIDG). Trata-se de um projeto itinerante (sala de aula sobre rodas), com uma viatura equipada com seis postos informáticos, para a implementação de um programa de desenvolvimento de competências digitais, com vista ainda à promoção da inclusão da população mais vulnerável e em risco de exclusão digital.

O projeto é desenvolvido pela Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, financiado pelo Portugal Inovação Social em 312 mil euros, e conta com o apoio de 134 mil euros da Câmara Municipal de Guimarães como investidor social.

O Presidente da Câmara, Domingos Bragança, destacou a “resposta complementar que acrescenta mais inovação à área social e a outros projetos que estão no terreno”. Evidenciou a experiência da Cruz Vermelha na ligação ao voluntariado e a “capacidade de fazer esta ligação de âmbito intergeracional com as pessoas que estão mais isoladas”. O Presidente da Câmara de Guimarães realçou que “há imensos jovens que querem participar e revelam a excelência da criatividade para um mundo melhor, através das novas ferramentas digitais” associando isso ao “voluntariado” como a “forte componente humana”. Mencionou ainda que “o isolamento das pessoas, muitas vezes, deve-se à falta de interação psicológica e social. Precisamos de saber ler estes sinais de fragilidade para poder intervir”.

O Presidente da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha vincou, também, “a lógica de intergeracionalidade para combater o isolamento”, com a vantagem de chegar a todo o território através da nova unidade itinerante. Perante este “desafio”, Armando Guimarães aponta como meta envolver 240 jovens voluntários e chegar a mais de 500 vimaranenses.

Helena Loureiro, representante regional do Norte do programa Portugal Inovação Social, vincou a escolha de Guimarães para a implementação deste projeto pioneiro a nível nacional, na sequência dos resultados do trabalho da Rede Social e a interligação da Câmara Municipal com as instituições locais.

Agora, o programa será dinamizado por voluntários, tendo como objetivo principal estimular a participação cívica e envolvimento social dos jovens. Existe ainda um programa de acompanhamento, realizado por voluntários (Digital Dreamers) destinado aos beneficiários das sessões de Inclusão Digital, com foco prioritário nos idosos em situação de solidão ou isolamento.

No fundo, a criação da primeira Comunidade Criativa para a Inclusão Digital de Guimarães pretende incentivar os jovens para a prática do voluntariado, criar comunidades locais colaborativas, resilientes e que contribuam para um crescimento inclusivo, em todo o território. Está previsto ainda o empréstimo de tablets a utentes no sentido de praticarem os seus conhecimentos nos meios digitais, terem acesso a entretenimento e atividades personalizadas e a meios de comunicação inovadores e tecnológicos com o da equipa de voluntários.


20.6.17

Guimarães e Barcelos distinguidos pelo acolhimento a refugiados

in Correio do Minho

Os Municípios de Guimarães e de Barcelos contam-se entre as câmaras municipais que vão ser distinguidas, amanhã, pelo trabalho desenvolvido no acolhimento a refugiados.

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) anunciou que vai «prestar uma homenagem» às autarquias que acolherem migrantes em Portugal, no âmbito do Dia Mundial dos Refugiados, que se assinala amanhã.

«Pela primeira vez, o CPR irá prestar uma homenagem às autarquias do país e às equipas que colaboram com a nossa organização na procura de soluções dignas de acolhimento e integração dos refugiados em Portugal», lê-se numa nota enviada à imprensa.
«No Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho, celebra-se a resiliência e a coragem de mais de 65 milhões de pessoas que foram forçadas a fugir da guerra, da perseguição e da violência, mas também se reconhece o papel da sociedade porconjunto entregarão um prémio aos municípios parceiros do CPR no acolhimento de refugiados.

Ao atribuir uma distinção aos municípios que, em parceria com o CPR, têm acolhido refugiados, nomeadamente a Guimarães, Barcelos, Amadora, Águeda, Alenquer, Caldas da Rainha, Carregal do Sal, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Lisboa, Loulé, Loures, Moimenta da Beira, Oeiras, OuConselho Português para os Refugiados vai distinguir autarquias tuguesa que, solidariamente, acolhe refugiados, oferecendo-lhes um lugar seguro nas suas comunidades, recebendo-os nas suas escolas e nos seus locais de trabalho», explica o documento.

O CPR anunciou também a realização de uma gala que contará com a presença do ministro adjunto, Eduardo Cabrita, para além da presidente desta entidade, Teresa Tito de Morais, que em rém, Salvaterra de Magos, Santa Maria da Feira, Santarém, Sintra, Torres Novas, Torres Vedras e a Fundação INATEL, «o CPR pretende na Gala “Solidários #ComOsRefugiados” realçar o papel desenvolvido pelos técnicos e seus dirigentes em prol da causa dos Refugiados e dos Direitos Humanos», acrescenta-se no comunicado de imprensa.

Redação/Lusa DR

1.6.16

Banco alimentar - Campanha com quebras nas doações

Sara Dias Oliveira, in "Jornal de Notícias"

Guimarães "Hoje dou, amanhã posso precisar" Banco Alimentar Até às 18 horas de ontem, tinham sido recolhidas mais de 1367 toneladas de alimentos Campanha com ligeira quebra nas doações Sara Dias Oliveira saradlasolivelra@jn.pt ~ A campanha do Banco Alimentar Contra a Fome tinha recolhido, até às 18 horas de ontem, cerca de 1367 toneladas de alimentos - 1033 no sábado e 334 no domingo - em 2012 superfícies comerciais que aderiram à iniciativa. Os números ficam ligeiramente abaixo da campanha realizada no mesmo período do ano passado, no último fim de semana de maio. Menos cerca de 120 toneladas comparativamente ao período homólogo. Em 2015, e até às 18 horas, tinham sido recolhidas 1156 toneladas no primeiro dia e 331 no segundo.
"A campanha tem corrido bem.

No primeiro dia, foram recolhidas 1033 toneladas", adiantava ao IN Isabel lonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, ao início da noite. "É preciso ter noção da dimensão desta campanha: 1033 toneladas são um milhão de quilogramas de alimentos", acrescentava a responsável.
O balanço só será feito depois de terminada a campanha e até 5 de junho há vales disponíveis para quem quiser doar alimentos. Os produtos recolhidos serão depois distribuídos por 2654 instituições que apoiam mais de 436 mil pessoas. A próxima iniciativa de recolha de alimentos nos sacos de papel do Banco Alimentar já está marcada para 3 e 4 de dezembro.

Em 2015, só nesta iniciativa, foram doadas 4384 toneladas. Com um saco de enlatados e bolachas. Arménio Sá cumpre o ritual de ajudar o Banco Alimentar (BA) em Guimarães, à saída do hipermercado. "Hoje dou. amanhã posso precisar", explica o vimaranense. Sorridentes. as voluntárias da Escola Fernando Távora agradecem e juntam as embalagem, às milhares, já arrumadas. Seguiram para o armazém em Braga onde se juntaram. até ontem, mais de 130 toneladas de alimentos. Os números, ainda provisórios, refletem "uma pequena diminuição face a maio do ano passado". revela Isabel Varanda, coordenadora distrital.

No distrito de Braga. estiveram envolvidos mais de 2500 voluntários. Cecília Lopes, professora de Religião e Moral, reuniu 30 alunos e levou-os a fazer uma boa ação.
"Eles adoram. lá participaram na campanha de Natal e estavam sempre a perguntar quando é que havia outra vez.". Ao lado. Amélia Alves. assistente operacional no Hospital de Guimarães e experiente voluntária do BA. constatava que "chuva e o feriado de quinta-feira não ajudaram, mas não correu mal".

14.4.16

Projeto Re-food prepara instalação em Guimarães

In "Diário do Minho"

A Associação "Re-food" está a dar os primeiros passos na cidade berço e convida toda a comunidade a participar na reunião pública de divulgação do projeto, que decorre no dia 16 deste mês, às 15h00, no Anfiteatro D. António Bento Martins Júnior, mais conhecido por auditório da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, em pleno centro histórico de Guimarães.

O projeto "Re-food" é um movimento comunitário independente, 100 por cento voluntário, conduzido por cidadãos e integrado numa IPSS, cujo fim consiste na recuperação de comida em boas condições para alimentar pessoas necessitadas. Hunter Halder, o fundador do projeto, vai estar presente, em Guimarães, no próximo sábado, naquela sessão pública de apresentação do projeto, que conta já com o apoio de várias personalidades da sociedade vimaranense.

O evento, denominado de "reunião sementeira", contará, assim, com a participação de Hunter Halder, um norte-americano a viver em Lisboa e fundador do projeto Re-food, bem como com padrinhos vimaranenses que já acarinharam este desafio.

O grupo de pioneiros do núcleo Re-food de Guimarães leva a cabo aquela reunião de divulgação pública do projeto, intitulada “reunião de sementeira”. O evento da “reunião de sementeira” é um dos primeiros passos da criação de um núcleo Re-food. Consiste numa reunião pública, aberta à participação de todos os interessados, durante a qual o projeto é apresentado à comunidade e onde serão recrutados futuros voluntários e gestores do projeto.

A organização independente, orientada por cidadãos, totalmente voluntária, é uma comunidade de caridade eco-humanitária, que trabalha para eliminar o desperdício de alimentos e a fome em cada bairro. Guimarães vai passar a integrar os 25 núcleos do projeto "Re-food" para eliminar desperdícios e a fome.


«O objetivo do projeto Re-food é reduzir o desperdício de alimentos preparados e a fome ao mínimo, recolhendo os excedentes alimentares e distribuindo-os por famílias carenciadas, enquanto aumenta a solidariedade comunitária. O núcleo Re-food é um esforço totalmente voluntário, efetuado por e para cada cidadão. Com o Re-food, podemos mudar o mundo em cada comunidade», resumem os promotores.
O fim do projeto consiste na recuperação de comida em boas condições para alimentar pessoas necessitadas. O Re-food está totalmente voltado para a comunidade e opera a partir da própria comunidade, sem salários, com custos baixos e alta produtividade, não detendo bens ou investimentos que não sirvam a sua missão.

movimento comunitário A missão do projeto "Re-food" é eliminar o desperdício alimentar e acabar com a fome Projeto "Re-food" prepara instalação em Guimarães DR O projeto "Re-food" é uma organização orientada por cidadãos, totalmente voluntária, que trabalha para eliminar desperdícios de alimentos e a fome.

22.3.16

Guimarães lidera o acolhimento de refugiados no Norte do país

In "Diário do Minho"

Guimarães quer ser «exemplar» no acolhimento a refugiados DM Guimarães é o concelho que lidera o acolhimento de refugiados na região Norte do país. O concelho já acolheu 17 pessoas, 15 adultos e duas crianças, oriundas da Síria e Eritreia.

Rui de lemos Guimarães foi das primeiras comunidades do país a disponibilizar-se, a mobilizar-se e organizar-se para acolher refugiados de guerra.

A Câmara Municipal lançou um repto a organizações e entidades e depressa construiu um plano integrado de respostas para o acolhimento de 35 pessoas com necessidade de proteção internacional. «Estamos a acolher bem, vamos ser exemplares e referência. Tenho a certeza que vamos ser referência a nível nacional», considerou o presidente do Município, Domingos Bragança.

O autarca falava, ontem, na sessão de formalização do programa “Guimarães Acolhe”, que envolve 19 instituições, disponibilizando alojamento, serviços de saúde, apoio social, apoio jurídico, processo de legalização, ensino da língua, oferta de emprego, atividades culturais e recreativas. O programa visa proporcionar condições de bem-estar e segurança a 35 pessoas com REFUGIADOS ANSEIAM POR REUNIR A FAMÍLIA As primeiras impressões recolhidas junto dos três grupos de 17 pessoas com necessidade de proteção internacional acolhidos em Guimarães evidenciam «um forte desejo de reunir a família».

Segundo a vereadora responsável pela Ação Social vimaranense, todos os grupos de refugiados começam por «evidenciar um normal cansaço», mas depressa tentam estabelecer contacto com a família que se desagregou na fuga dos cenários de guerra. «A primeira preocupação é quando é que poderemos ter connosco os restantes elementos da família», revelou Paula Oliveira. Por isso, os alojamentos vimaranenses estão equipados com redes wi-fi, tentando fornecer acesso a equipamentos de telemóvel e computadores. Percebendo o desejo de manter um contacto permanente com os familiares, os responsáveis pelo consórcio “Guimarães Acolhe” tentam viabilizar o contacto permanente dos refugiados com as suas famílias, bem como «fazer tudo o que estiver ao nosso alcance» para ajudar a viabilizar o reencontro.

Necessidade de proteção internacional.

Aquele acordo de cooperação para o Plano de Ação do Município de Guimarães para o Acolhimento de Pessoas com Necessidade de Proteção Internacional sustenta o consórcio de instituições, coordenado tecnicamente pelo Município de Guimarães, em cooperação com o Conselho Português para os Refugiados e um conjunto de instituições que integram a Rede Social de Guimarães, o qual foi denominado “Guimarães Acolhe”.
O acordo estabelece o modo de funcionamento e os compromissos assumidos pelas organizações e serviços que o subscrevem, tendo em conta os compromissos definidos pelo Estado Português e os recursos locais que foram mobilizados. Guimarães já acolheu, até ao momento, 17 pessoas, que se encontram em alojamentos cedidos pela Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.
«Temos capacidade para garantir imediatamente o bom acolhimento de 35 pessoas, mas já temos disponibilidade de outras instituições com condições para integrar o consórcio, que aumentam esta capacidade, inicialmente projetada para até 60 pessoas», apontou Paula Oliveira, vereadora do pelouro de Ação Social.

O Município de Guimarães está empenhado em que a integração de refugiados no seu território se faça «de forma plena». «Acolher não é só disponibilizar o alojamento, mas uma rede que se construiu, com IPSS, organismos como o Centro de Emprego, Agrupamento de Centros de Saúde, e outras estruturas informais da comunidade para que este acolhimento seja pleno e efetivo», valorizou Paula Oliveira, revelando que todos grupos acolhidos já têm médico de família, aulas de ensino de português e até duas ofertas de emprego.
O propósito é que todos os que sejam acolhidos em Guimarães com necessidade de proteção internacional, durante os próximos dois anos, «se sintam plenamente vimaranenses como nós». Neste momento, existe disponibilidade para mais alojamento de refugiados no Lar de Santa Estefânia, Centro Juvenil de S. José e Associação de Apoio à Criança.

Segundo o presidente da Câmara de Guimarães todo aquele plano surge da necessidade de «reação à desumanização» porque estão a passar milhares de pessoas que «fogem ao drama da guerra».

5.2.16

Instituições preparadas para acolherem 35 refugiados

Maria Elisabete Sousa Pinto, in "O Comércio de Guimarães"

PROGRAMA «Guimarães acolhe» resulta de consórcio de 19 entidades Elisabete Pinto Guimarães já tem preparada a resposta para o acolhimento de 35 refugiados, embora ainda não esteja apontada a data para a chegada da primeira família. O plano de acção para o acolhimento de pessoas com necessidade de protecção internacional foi aprovado por unanimidade, na reunião do Executivo vimaranense, realizada na passada quinta-feira, na vila de Brito. «Guimarães Acolhe» é o nome do consórcio que envolve 19 entidades públicas e privadas, sendo coordenado pelo Município de Guimarães.

Coube à Vereadora da Acção Social a apresentação à Vereação do acordo de cooperação que estabelece o modo de funcionamento do plano de acolhimento, lembrando que desde Agosto do ano passado está a ser elaborado, estando agora criadas as condições para a recepção. "Portugal definiu como meta nos próximos dois anos acolher cinco mil pessoas, o que requer uma estratégia de acolhimento descentralizada", observou, indicando que o processo abrangeu a Rede Social de Guimarães e as "entidades que quiseram e se disponibilizaram para aderir".

Paula Oliveira frisou que no âmbito do Plano de Acção cada entidade assume os seus compromissos e o que se disponibilizou a fazer no processo de acolhimento "quer serja ao nível do alojamento, da alimentação ou da integração na comunidade". "Queremos uma integração plena, com alojamento, roupas, alimentação, acesso à saúde, educação, apoio jurídico e social", sublinhou, alertando que o plano de acção contempla: "a preparação do acolhimento, o acolhimento, a monitorização e a integração e a informação/formação e campanhas". "Já decorreram em Guimarães acções de formação e sensibilização quer para os técnicos e instituições que vão acolher os refugiados e que fazem parte deste plano, bem como para uma bolsa de voluntários que também se disponibilizou", referiu, ao acrescentar que, em termos de angariação de fundos, a comissão já conseguiu arrecadar dois mil 400 euros.

Foi criada uma Comissão Executiva, constituída por três entidades, para a gestão dos fundos que forem angariados, sendo extinta quando não for necessária a sua vigência.

"Neste momento, Guimarães tem todas as condições para executar o programa depois de aprovado o acordo, depois de assinado o memorando entre o Conselho Português dos Refugiados - interlocutor entre o Município e todo o «Guimarães Acolhe», o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Será ainda formalizada a Comissão Executiva", indicou Paula Oliveira, enaltecendo o empenho e generosidade de todas as entidades parceiras no projecto e dos vimaranenses que "são sensíveis ao drama que as pessoas que fogem da guerra estão a viver".

O Plano de Acção apresentado pela Vereadora da Acção Social mereceu a felicitação do líder local do PSD. Para André Coelho Lima, "é muito importante que Guimarães, como quaisquer comunidades, se prepare para um acolhimento transversal, não apenas para arranjar habitação, ou postos de trabalho, mas para arranjar as condições sociais de enquadramento, ou seja, que as instituições sociais estejam envolvidas no projecto, tendo a preocupação de fazer um acolhimento que permita que as pessoas sintam que fazem parte da comunidade". No seu entender, tal permitirá "evitar os problemas que têm ocorrido no centro da Europa, que decorrem da circunstância de se terem acolhido pessoas em número elevado e de não ter havido a preparação devida para que a comunidade que vai receber aceite e para que quem vem também queira ser recebido e ser aceite". "A forma como está projectado o acolhimento de refugiados é algo que me merece a total concordância", expressou André Coelho Lima.
O Vereador da CDU congratulou-se igualmente pela resposta criada, porque "a comunidade tem de ser preparada para a recepção dos refugiados". José Torcato Ribeiro considerou que "as instituições envolvidas têm condições para com serenidade acolherem as pessoas que nos procuram num momento difícil das suas vidas".

Consórcio agiliza recursos e respostas O programa «Guimarães Acolhe» é promovido pela Câmara de Guimarães com um conjunto de instituições que se organizam em consórcio para o seu desenvolvimento, de acordo com responsabilidades assumidas por cada uma delas.
Coordenado pela Autarquia vimaranense, o consórcio conta com a participação e apoio do Conselho Português de Refugiados, integrando ainda as seguintes entidades: ACES do Alto Ave, Centro de Emprego de Guimarães, Ordem dos Advogados - Delegação de Guimarães, Arciprestado de Guimarães, Associação de Apoio à Criança, Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, Associação de Solidariedade Social dos Professores - Delegação de Guimarães, Banco de Partilha, CASFIG, Centro Juvenil de S. José, Centro Social de Brito, Centro Social da Irmandade de S. Torcato, Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Guimarães, Fraterna, Lar de Santa Estefânia, Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e Venerável Ordem Terceira de S. Francisco.

Podem também integrar o «Guimarães Acolhe» outras instituições que partilhem dos objectivos e princípios do programa, que se queiram associar a esta causa através da disponibilização e mobilização de recursos, devendo manifestar essa vontade junto dos serviços da Autarquia.

30.12.15

Guimarães angaria 3.300 euros para refugiados

In "+ Guimarães"

Cerca de 3.300 euros é o valor angariado para o acolhimento de refugiados durante um evento solidário realizado na semana passada no Paço dos Duques de Bragança. A iniciativa, que se desenvolveu no âmbito do Plano de Ação do Município de Guimarães, denominado “Guimarães Acolhe”, contou com a apresentação da nova coleção do estilista Stefen Correia. O evento foi organizado pela marca FreakchicNY e pela Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração do Banco Local de Voluntariado.
Também na semana passada aconteceram duas ações de formação específicas para os voluntários que integram a bolsa de apoio ao processo de acolhimento de refugiados em Guimarães. As ações de sensibilização “Asilo e Refugiados” decorreram na sala de reuniões do Centro Cultural Vila Flor e a entidade formadora foi o Conselho Português para os Refugiados, representado por Mónica Frechaut. Recorde-se que o Plano de Acolhimento aos Refugiados reúne 20 instituições de Guimarães que se predispõem a receber pessoas que estão a fugir da guerra e a integrá-las na sociedade vimaranense. A cidade está a preparar-se para acolher 35 refugiados.

4.12.15

Guimarães programa acções até sábado para assinalar Dia Internacional dos Voluntários

In "Correio do Minho"

A Câmara Municipal de Guimarães, através do Banco Local de Voluntariado, preparou um conjunto de actividades com o objectivo de assinalar o Dia Internacional dos Voluntários, cuja data é comemorada no próximo sábado, 5 de Dezembro.

A programação do leque de eventos visa reforçar a qualificação dos voluntários, mas também retribuir-lhes a generosidade e a disponibilidade que evidenciam na dedicação e nos gestos que diariamente demonstram.

Esta terça-feira, pelas 21 horas, no Paço dos Duques de Bragança, terá lugar a apresentação da nova colecção do estilista Stefen Correia, cujo objectivo é a angariação de fundos para o Plano de Acção do Município de Guimarães para o Acolhimento de Refugiados - “Guimarães Acolhe”. Este evento solidário está a ser organizado pela marca FreakchicNY e pela Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração do Banco Local de Voluntariado.

Nos dias 03 e 04 de dezembro, decorrerão duas Acções de Formação Específicas para os voluntários que integram a bolsa de apoio ao processo de acolhimento de refugiados em Guimarães. As acções de sensibilização “Asilo e Refugiados” decorrerão na sala de reuniões do Centro Cultural Vila Flor e a entidad

e formadora será o Conselho Português para os Refugiados, representado por Mónica Frechaut.

No sábado, o Dia Internacional do Voluntariado será dedicado à promoção e à divulgação do processo de colaboração do Banco Local de Voluntariado nos inúmeros projetos e iniciativas que integram o processo de Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. À semelhança da Bolsa Específica de Voluntariado de apoio à Cidade Europeia do Desporto 2013, aposta-se, uma vez mais, na criação de uma Bolsa Específica de Voluntários, que possibilitará um melhor aproveitamento dos seus contributos.

Com esta iniciativa, pretende-se reunir um conjunto de voluntários, com motivações e interesses efetivos nas áreas da defesa, da preservação e da sustentabilidade ambiental, dando-lhes a conhecer o espírito e as ações desta candidatura. Para este efeito, decorrerá uma Ação de Sensibilização e de Formação Específica, na manhã do dia 05, sábado, no Laboratório da Paisagem, que contará com a presença e intervenções da Vereadora da Ação Social, Paula Oliveira, da Coordenadora Executiva da Unidade de Missão da Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, Isabel Loureiro, e do Diretor do Laboratório da Paisagem, Carlos Ribeiro.

3.12.15

Guimarães programa acções até sábado para assinalar Dia Internacional dos Voluntários

In "Correio do Minho"

A Câmara Municipal de Guimarães, através do Banco Local de Voluntariado, preparou um conjunto de actividades com o objectivo de assinalar o Dia Internacional dos Voluntários, cuja data é comemorada no próximo sábado, 5 de Dezembro.

A programação do leque de eventos visa reforçar a qualificação dos voluntários, mas também retribuir-lhes a generosidade e a disponibilidade que evidenciam na dedicação e nos gestos que diariamente demonstram.

Esta terça-feira, pelas 21 horas, no Paço dos Duques de Bragança, terá lugar a apresentação da nova colecção do estilista Stefen Correia, cujo objectivo é a angariação de fundos para o Plano de Acção do Município de Guimarães para o Acolhimento de Refugiados - “Guimarães Acolhe”. Este evento solidário está a ser organizado pela marca FreakchicNY e pela Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração do Banco Local de Voluntariado.

Nos dias 03 e 04 de dezembro, decorrerão duas Acções de Formação Específicas para os voluntários que integram a bolsa de apoio ao processo de acolhimento de refugiados em Guimarães. As acções de sensibilização “Asilo e Refugiados” decorrerão na sala de reuniões do Centro Cultural Vila Flor e a entidade formadora será o Conselho Português para os Refugiados, representado por Mónica Frechaut.

No sábado, o Dia Internacional do Voluntariado será dedicado à promoção e à divulgação do processo de colaboração do Banco Local de Voluntariado nos inúmeros projetos e iniciativas que integram o processo de Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia. À semelhança da Bolsa Específica de Voluntariado de apoio à Cidade Europeia do Desporto 2013, aposta-se, uma vez mais, na criação de uma Bolsa Específica de Voluntários, que possibilitará um melhor aproveitamento dos seus contributos.

Com esta iniciativa, pretende-se reunir um conjunto de voluntários, com motivações e interesses efetivos nas áreas da defesa, da preservação e da sustentabilidade ambiental, dando-lhes a conhecer o espírito e as ações desta candidatura. Para este efeito, decorrerá uma Ação de Sensibilização e de Formação Específica, na manhã do dia 05, sábado, no Laboratório da Paisagem, que contará com a presença e intervenções da Vereadora da Ação Social, Paula Oliveira, da Coordenadora Executiva da Unidade de Missão da Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, Isabel Loureiro, e do Diretor do Laboratório da Paisagem, Carlos Ribeiro.

11.11.15

Idosas saem de centro para dar lugar a refugiados

Delfim Machado, in Jornal de Notícias

Sete mulheres têm de abandonar até quinta-feira o Recolhimento das Trinas, no Centro Histórico de Guimarães, que vai acolher famílias de migrantes.

"Se me dessem a escolher, preferia que ficássemos todas aqui". As palavras são de Cândida Campos, uma das sete idosas que têm até amanhã para sair do Recolhimento das Trinas, uma espécie de lar de idosos que acolhe aquela pequena "família" de comadres há décadas, no Centro Histórico de Guimarães.

O edifício é da Santa Casa da Misericórdia que já providenciou estadia para todas. Mas vão ficar em lares diferentes, separadas umas das outras e da "família" que construíram já na velhice. Com a saída das mulheres, a casa fica livre e vai acolher três famílias de refugiados.

Cândida Campos tem 81 anos e mora nas Trinas há 10. Vai ser transferida para o Lar Emídio Guerreiro, junto ao castelo. Não é dos casos piores, pois fica próxima do centro na mesma, mas tem amigas que vão para o Lar Rainha D. Leonor, em Urgezes, a mais de dois quilómetros de um Centro Histórico onde passaram grande parte da terceira idade e que temem não voltar a ver.

Após décadas de vida, as sete idosas são obrigadas a refazer as rotinas. Já não vão ao pão a pé, acabam-se as conversas de circunstância na calçada histórica e a missa do Largo da Oliveira fica longe de mais para as voltar a ver. A convivência familiar que tinham passa a estar apenas na memória.

Cândida Campos admite que fazia parte de uma família: "Também nos zangávamos, às vezes, mas isso faz parte". O olhar triste e vago é lançado do alto da janela do recolhimento, de onde fala, porque as regras da casa ditam que ali não entram estranhos.

Os habitantes do Centro Histórico passaram a semana passada a ouvir os lamentos das idosas. "Chegaram-me aqui a chorar que iam ser transferidas. Nem queria acreditar, é uma família que se desfaz", assume Natália Gonçalves, vizinha e confidente das idosas.

A decisão de transferência das mulheres foi motivada pela falta de condições do Recolhimento das Trinas para funcionar como Lar de Idosos. Segundo Noémia Carneiro, provedora da Santa Casa, aquela instituição foi notificada "há cerca de dois anos" pela Segurança Social. Os apoios iam ser cortados porque a casa não tem condições. "Não tem elevador, tem escadas íngremes e espaços pequenos. É uma boa casa, mas não é um lar", concorda a provedora.

Perante a falta de apoio, informaram as idosas e deram-lhes a hipótese de ficar. Mas tinham de pagar mais do que os 37 euros mensais que estavam a gastar até então. A maioria vive de baixas reformas e tem os cêntimos contados. Das oito, só uma pôde ficar.

Entretanto, o Recolhimento das Trinas já está destinado. Vai acolher refugiados que chegarão a qualquer momento e passarão a viver no Centro Histórico da cidade. Dos 12 quartos da casa, um fica para a idosa que escolheu continuar ali, outro vai para uma socióloga que acompanhará os refugiados e os restantes são para os migrantes.