in Jornal de Notícias
A diretora geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, defendeu hoje em Tóquio um "pensamento mais global" para se enfrentar os desafios de "um mundo em transformação" e afetado por uma crise económica.
"Essas transformações necessitam de um pensamento mais global, porque os problemas são globais e porque as responsabilidades também o são", disse Lagarde num discurso dirigido aos alunos da Universidade de Keio, em Tóquio.
A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou a importância da diversidade num momento de "rápida transformação" marcado pela revolução da Internet e apelou aos estudantes para serem "desesperadamente otimistas" para "participarem nessas mudanças".
"O espírito de companheirismo" e o esforço coletivo demonstrado pelo Japão, que "realmente chocou o mundo" depois do tsunami do ano passado, foi apontado por Lagarde como um exemplo de um comportamento necessário para se superarem os desafios atuais.
A ex-ministra francesa da Economia explicou que, no contexto atual, a instituição que lidera procura trabalhar com um enfoque cada vez mais global, nomeadamente através da análise detalhada dos efeitos das políticas económicas locais, cujo impacto é hoje transfronteiriço.
Lagarde também referiu que o FMI procurou nos últimos anos "mais diálogo com a sociedade" e que essa aproximação com "sindicatos, organizações não governamentais ou com os menos privilegiados" será patente nas reuniões do organismo e do Banco Mundial que Tóquio vai acolher em outubro.
7.7.12
Suicídios quadruplicaram nas prisões no primeiro semestre de 2012
in Jornal de Notícias
O número de suicídios nas cadeias portuguesas quadruplicou no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2011, segundo dados da Direção-Geral dos Serviços Prisionais.
De 1 de janeiro a 25 de junho deste ano, morreram 26 reclusos nas 51 cadeias portuguesas, 18 dos quais devido a doença, e oito por suicídio, segundo dados solicitados pela Lusa à Direção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP)..
No primeiro semestre de 2011, o número de mortes foi superior, tendo atingido as 35 - duas por suicídio e 33 por doença.
Contactado pela Lusa para comentar estes dados, o professor catedrático de psicologia forense Carlos Poiares alegou a necessidade de se fazer "alguma reflexão e algum estudo sobre o assunto", considerando "elevado" o número de oito suicídios, em seis meses.
"Claro que é positivo que haja menos mortes nas cadeias, e negativo que nos apareça um número elevado de suicídios; oito já é um número que, creio, se pode considerar elevado", observou.
Os "suicídios nas cadeias podem ter várias leituras", sustentou.
Penas elevadas de que os reclusos tenham sido notificados sem contarem com uma medida tão severa, quebra de vínculos com o exterior que não saibam gerir, eventual insuficiência de acompanhamento psicológico, podem, para o psicólogo forense, ser causas de suicídio.
O efeito de crise, que se reflete na cadeia e nos reclusos, levando-os a ter a perceção do mundo exterior e do que afeta as próprias famílias são, segundo o diretor da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona, outras hipóteses a ponderar.
Para Carlos Poiares é também importante saber se nos suicídios ocorridos em meio prisional já existia uma "situação prévia de patologia mental ou de ideação suicida, que apenas a cadeia tivesse vindo a agravar", referiu.
Saber se são reclusos em prisão preventiva ou já definitivamente condenados, e conhecer "a dimensão das medidas", nomeadamente se foram "penas severas" que "terão vindo ao arrepio do que era expectável para os próprios reclusos", são outros fatores que podem estar na origem do fenómeno, disse.
"É necessário, para podermos comentar esses números, ter uma perceção de cada caso por si e, [no conjunto], não é possível, antes pelo contrário, percebermos qual é a história de reclusão de cada um desses sujeitos, se estavam presos há muito tempo, se eram pessoas que tinham iniciado o contacto com a cadeia e também as condições de cada estabelecimento em si mesmo considerado", frisou.
Carlos Poiares admitiu, porém, que aqueles números da DGSP lhe suscitam dois "comentários imediatos".
"A necessidade urgente de os serviços públicos estudarem o fenómeno e falarem sobre ele" para que possam ser estudados sem "a ideia de uma reação à flor da pele que, depois, não é consumada em elementos mais aprofundados", disse.
"E, em segundo lugar, uma coisa, que é antiga no nosso país e em quase todos os países: a necessidade de se repensar cada vez mais o sistema prisional e de se desenvolverem estratégias cada vez mais inclusivas dentro da prisão, preparando, necessariamente, a saída do espaço prisional", concluiu.
O número de suicídios nas cadeias portuguesas quadruplicou no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2011, segundo dados da Direção-Geral dos Serviços Prisionais.
De 1 de janeiro a 25 de junho deste ano, morreram 26 reclusos nas 51 cadeias portuguesas, 18 dos quais devido a doença, e oito por suicídio, segundo dados solicitados pela Lusa à Direção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP)..
No primeiro semestre de 2011, o número de mortes foi superior, tendo atingido as 35 - duas por suicídio e 33 por doença.
Contactado pela Lusa para comentar estes dados, o professor catedrático de psicologia forense Carlos Poiares alegou a necessidade de se fazer "alguma reflexão e algum estudo sobre o assunto", considerando "elevado" o número de oito suicídios, em seis meses.
"Claro que é positivo que haja menos mortes nas cadeias, e negativo que nos apareça um número elevado de suicídios; oito já é um número que, creio, se pode considerar elevado", observou.
Os "suicídios nas cadeias podem ter várias leituras", sustentou.
Penas elevadas de que os reclusos tenham sido notificados sem contarem com uma medida tão severa, quebra de vínculos com o exterior que não saibam gerir, eventual insuficiência de acompanhamento psicológico, podem, para o psicólogo forense, ser causas de suicídio.
O efeito de crise, que se reflete na cadeia e nos reclusos, levando-os a ter a perceção do mundo exterior e do que afeta as próprias famílias são, segundo o diretor da Faculdade de Psicologia da Universidade Lusófona, outras hipóteses a ponderar.
Para Carlos Poiares é também importante saber se nos suicídios ocorridos em meio prisional já existia uma "situação prévia de patologia mental ou de ideação suicida, que apenas a cadeia tivesse vindo a agravar", referiu.
Saber se são reclusos em prisão preventiva ou já definitivamente condenados, e conhecer "a dimensão das medidas", nomeadamente se foram "penas severas" que "terão vindo ao arrepio do que era expectável para os próprios reclusos", são outros fatores que podem estar na origem do fenómeno, disse.
"É necessário, para podermos comentar esses números, ter uma perceção de cada caso por si e, [no conjunto], não é possível, antes pelo contrário, percebermos qual é a história de reclusão de cada um desses sujeitos, se estavam presos há muito tempo, se eram pessoas que tinham iniciado o contacto com a cadeia e também as condições de cada estabelecimento em si mesmo considerado", frisou.
Carlos Poiares admitiu, porém, que aqueles números da DGSP lhe suscitam dois "comentários imediatos".
"A necessidade urgente de os serviços públicos estudarem o fenómeno e falarem sobre ele" para que possam ser estudados sem "a ideia de uma reação à flor da pele que, depois, não é consumada em elementos mais aprofundados", disse.
"E, em segundo lugar, uma coisa, que é antiga no nosso país e em quase todos os países: a necessidade de se repensar cada vez mais o sistema prisional e de se desenvolverem estratégias cada vez mais inclusivas dentro da prisão, preparando, necessariamente, a saída do espaço prisional", concluiu.
5.7.12
RSI: Governo nega «impacto negativo» para habitantes de bairros sociais
in TSF
O secretário de Estado Marco António Costa negou que o Governo queira «criar perturbações adicionais na fórmula e modelo de cálculo para a atribuição do Rendimento Social de Inserção».
O secretário de Estado da Segurança Social desmentiu que haja qualquer «impacto negativo e desmesurado» com a entrada em vigor das novas regras de cálculo do RSI para habitantes de bairros sociais.
Em conferência de imprensa, Marco António Costa desmentiu «qualquer intenção do Governo em criar qualquer tipo de perturbação adicional na fórmula e modelo de cálculo para a atribuição do Rendimento Social de Inserção».
«Estas matérias serão alvo de uma regulamentação que está prevista em portaria que será publicada na próxima semana e que já está praticamente concluída e que os serviços da direção-geral se encontram a elaborar», acrescentou.
Marco António Costa garantiu ainda que ninguém vai perder o seu RSI e assegurou que o Governo corrigiu uma situação «estranha» na antiga fórmula de cálculo em que uma situação em particular em que uma despesa era considerada como um rendimento.
«Estamos a corrigir alguns modelos que estão desadequados e estamos acima de tudo preocupados em garantir que este novo diploma do RSI seja um verdadeiro instrumento de inserção das pessoas», sublinhou.
Este governante pretende ainda fazer com que «60 mil que deveriam estar inscritas nos centros de emprego e que são beneficiárias do RSI possam vir a ser inscritas rapidamente e com isso poderem aceder a programas de formação e enquadramento profissional».
«O Estado não estava a tratar adequadamente a inserção dessas pessoas. Se há pessoas que estão no desemprego e que têm condições, podem e muitas vezes desejam ter um processo de valorização profissional interessa que o Estado trate disso», frisou.
O secretário de Estado Marco António Costa negou que o Governo queira «criar perturbações adicionais na fórmula e modelo de cálculo para a atribuição do Rendimento Social de Inserção».
O secretário de Estado da Segurança Social desmentiu que haja qualquer «impacto negativo e desmesurado» com a entrada em vigor das novas regras de cálculo do RSI para habitantes de bairros sociais.
Em conferência de imprensa, Marco António Costa desmentiu «qualquer intenção do Governo em criar qualquer tipo de perturbação adicional na fórmula e modelo de cálculo para a atribuição do Rendimento Social de Inserção».
«Estas matérias serão alvo de uma regulamentação que está prevista em portaria que será publicada na próxima semana e que já está praticamente concluída e que os serviços da direção-geral se encontram a elaborar», acrescentou.
Marco António Costa garantiu ainda que ninguém vai perder o seu RSI e assegurou que o Governo corrigiu uma situação «estranha» na antiga fórmula de cálculo em que uma situação em particular em que uma despesa era considerada como um rendimento.
«Estamos a corrigir alguns modelos que estão desadequados e estamos acima de tudo preocupados em garantir que este novo diploma do RSI seja um verdadeiro instrumento de inserção das pessoas», sublinhou.
Este governante pretende ainda fazer com que «60 mil que deveriam estar inscritas nos centros de emprego e que são beneficiárias do RSI possam vir a ser inscritas rapidamente e com isso poderem aceder a programas de formação e enquadramento profissional».
«O Estado não estava a tratar adequadamente a inserção dessas pessoas. Se há pessoas que estão no desemprego e que têm condições, podem e muitas vezes desejam ter um processo de valorização profissional interessa que o Estado trate disso», frisou.
Quebra na natalidade coloca nascimentos em mínimos históricos
in RR
No primeiro semestre deste ano nasceram menos quatro mil bebés, do que em igual período do ano passado.
A taxa de natalidade nacional está em vias de chegar a mínimos históricos este ano. Os nascimentos podem nem sequer chegar aos 90 mil.
Dados do Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães - citados pelo “Diário de Notícias” – mostram que no primeiro semestre deste ano nasceram menos quatro mil bebés, do que em igual período do ano passado.
Os números têm por base o chamado "teste do pezinho".
Se a tendência se mantiver haverá menos oito mil bebés no final do ano em relação a 2011, ou seja, os números devem ficar pelos 89 mil nascimentos.
Estes números podem ser explicados pela crise: “A precaridade, a imprevisibilidade, a incerteza, faz com que as famílias pelo menos tentem adiar os filhos que querem ter. Obviamente que num quadro de elevado desemprego e de grande incerteza face ao futuro do país e da situação económica e financeira, é natural que as famílias pensem assim, sobretudo nos casos em que têm idade para adiar a vinda dos filhos. Pode ser uma causa para estes últimos dois anos em que a fertilidade se deprime ainda mais”, explica Filomena Mendes, demógrafa da Universidade de Évora.
No primeiro semestre deste ano nasceram menos quatro mil bebés, do que em igual período do ano passado.
A taxa de natalidade nacional está em vias de chegar a mínimos históricos este ano. Os nascimentos podem nem sequer chegar aos 90 mil.
Dados do Centro de Genética Médica Doutor Jacinto Magalhães - citados pelo “Diário de Notícias” – mostram que no primeiro semestre deste ano nasceram menos quatro mil bebés, do que em igual período do ano passado.
Os números têm por base o chamado "teste do pezinho".
Se a tendência se mantiver haverá menos oito mil bebés no final do ano em relação a 2011, ou seja, os números devem ficar pelos 89 mil nascimentos.
Estes números podem ser explicados pela crise: “A precaridade, a imprevisibilidade, a incerteza, faz com que as famílias pelo menos tentem adiar os filhos que querem ter. Obviamente que num quadro de elevado desemprego e de grande incerteza face ao futuro do país e da situação económica e financeira, é natural que as famílias pensem assim, sobretudo nos casos em que têm idade para adiar a vinda dos filhos. Pode ser uma causa para estes últimos dois anos em que a fertilidade se deprime ainda mais”, explica Filomena Mendes, demógrafa da Universidade de Évora.
Mais de 80 pessoas por dia procuram ajuda para resolver dívidas
in RR
Gabinete de Apoio da Deco já foi contactado por cerca de 15.700 portugueses. A lista tem sido aumentada por funcionários públicos e reformados.
O endividamento das famílias está a atingir níveis muito elevados. Por dia, recorrem à Deco 86 pessoas que não conseguem pagar as suas contas. Em dois anos, mais do que duplicaram os pedidos de ajuda.
No primeiro semestre deste ano, o Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) foi contactado por mais de 15.700 portugueses. A lista tem sido engrossada por funcionários públicos e reformados.
O número de sobreendividados aumentou 50% comparando com igual período do ano passado. À Renascença, a coordenadora do GAS, Natália Nunes, salienta que, cada vez mais, é o crédito pessoal que contribui para desestabilizar as contas.
"Quarenta e cinco por cento de todo o crédito que renegociamos é crédito pessoal, daí o peso que este tem no seio do orçamento das famílias", precisa Natáloa Nunes.
Gabinete de Apoio da Deco já foi contactado por cerca de 15.700 portugueses. A lista tem sido aumentada por funcionários públicos e reformados.
O endividamento das famílias está a atingir níveis muito elevados. Por dia, recorrem à Deco 86 pessoas que não conseguem pagar as suas contas. Em dois anos, mais do que duplicaram os pedidos de ajuda.
No primeiro semestre deste ano, o Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) foi contactado por mais de 15.700 portugueses. A lista tem sido engrossada por funcionários públicos e reformados.
O número de sobreendividados aumentou 50% comparando com igual período do ano passado. À Renascença, a coordenadora do GAS, Natália Nunes, salienta que, cada vez mais, é o crédito pessoal que contribui para desestabilizar as contas.
"Quarenta e cinco por cento de todo o crédito que renegociamos é crédito pessoal, daí o peso que este tem no seio do orçamento das famílias", precisa Natáloa Nunes.
"Tenho 63 anos. Se me aumentam a renda de casa, estou feito"
Por Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Actualização do Instituto da Habitação e da Reabilitação fará subir média das rendas de 27,5 para 67 euros até ao final de 2013. No bairro de Contumil, Nordeste do Porto, já se fala na mudança.
Álvaro Fonseca Ribeiro vinha a sair de casa, com a mulher, Maria de Fátima. Mora no Bairro de Contumil, no Nordeste do Porto, há mais de 30 anos. Nem quer ouvir falar na actualização de rendas que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) fará até ao final do próximo ano. "Se me aumentam a renda, estou feito. Tenho 63 anos. Fui operado ao coração. Tive um esgotamento de cérebro."
O homem de cabelos brancos, fato preto, paga dois euros para morar num bairro que trata como o seu reino. A sua voz é "a mais ouvida" nestes blocos de um bege empalidecido pela idade e pela incúria. "Não há aqui malfeitores, droga. Eu não deixo. Qualquer pessoa, cigana ou não cigana, vem comigo para resolver qualquer problema."
Nunca ouviu falar no novo regime de rendas apoiadas, que a Assembleia da República aprovou em 1993. Ninguém lhe falou na ideia de uniformizar o sistema de renda da habitação social - propriedade de organismos autónomos ou institutos públicos, de autarquias locais ou de instituições particulares de solidariedade social. Os seus filhos cresceram e saíram do apartamento e nunca ninguém lhe mexeu na renda.
Está longe de ser caso único. Num total de cerca de 12.500 fogos, só três mil estão sujeitos ao regime de rendas sociais baseado na composição e no rendimento do agregado. Nos outros, as rendas estão congeladas há 20 ou 30 anos, diz Vítor Reis, presidente do IHRU. O que se passa, agora? "O processo de actualização, que começou há dois anos, estava a andar muito devagar e foi acelerado. O objectivo é que esteja concluído até ao final do próximo ano."
Para já, há quem pague dois euros, como Álvaro. E quem pague 220 euros. A média das rendas anda pelos 27,5 euros. Com a actualização em curso, deverá ascender aos 67, o que representa um aumento de 150%. Incomportável para famílias com orçamentos cada vez mais reduzidos? A ninguém, assegura Vítor Reis, será pedida uma taxa de esforço superior a 15%.
O plano é aumentar a receita de quatro para dez milhões de euros por ano, o que deverá servir para fazer as obras que muitos dos bairros carecem. Em 2007, o instituto contraiu um empréstimo de 55 milhões - já gastou 22 milhões. A intervenção no Bairro de Contumil começa ainda este ano.
As obras que Vítor Reis anuncia podem mudar a vida de quem, como os filhos de Álvaro, se cansou de esperar por um apartamento, tomou as caves e as transformou em sítios com grau de habitabilidade variável. Álvaro nem os quer imaginar a sair dali: "São eles que me estão a ajudar a levar isto. É um bairro com muita gente. E eu tenho de manter isto tudo em ordem".
60 euros por um T4
As famílias deverão ser chamadas, uma a uma, ao IHRU. Todas serão, depois, informadas dos novos valores. A ordem, torna Vítor Reis, é para não facilitar: "15% das rendas que emitimos não são pagas. Há pessoas que não pagam renda há dez anos. Estamos a mover todo o tipo de processos para que cumpram com as suas obrigações".
A mudança, avançada ontem pelo Jornal de Negócios, entrara no bairro através das televisões e infiltrara-se nas conversas. Numa rua, atrás de uma carrinha branca, um homem vendia ameixas douradas apanhadas ali perto: um euro e meio por cada dois quilos. Num muro, três mulheres comentavam as últimas. O marido de Lina Cunha é que ouvira a notícia. "A gente tem tão pouco e ainda vai ficar com menos! Tem de haver uma guerra."
Paga 60 euros por um T4. Parece pouco. Pagavam mais antes de o marido perder o emprego no bingo. Não vê como pagar mais agora, que estão ambos sem trabalho e têm a casa cheia de filhos e netos. Em casa de Manuela Pereira, a mulher que se senta ao seu lado, com o seu saco de ameixas, paga-se 32 euros. "É isso há 32 anos. Há 32 anos, era o máximo. O direito era não aumentar enquanto o meu pai for vivo." A mulher, de 46 anos, está desempregada: "Só numa fábrica trabalhei 17 anos. A fábrica fechou e eu vim para a rua. Antigamente, arranjava-se para senhoras, mas também está mau para as senhoras. As senhoras separam-se dos maridos, ficam sem subsídio [de férias e Natal]. Também nos mandam embora". Paula Machado, a da cadela, também está só com duas horas de limpeza. "Já nem para comer dá. Muitas vezes, é uma refeição ao meio-dia e uma sopinha à noite. Antigamente, não havia rendimento, mas havia trabalho. Daqui a pouco a gente vai trabalhar para o passe. Ai! Vem aí a fome. Fome mesmo."
Menos inquietos, a digerir o almoço no sofá da sala, estavam Eva Vaz e o marido. É auxiliar de acção médica. O marido é reformado dos serviços prisionais. Têm dois filhos fora. Vivem com a que acabou o mestrado em Biologia com 20 e está a concorrer para uma bolsa de investigação. Não é de esperar que continuem a pagar os 32 euros que pagam desde que para ali se mudaram, há 32 anos.
Actualização do Instituto da Habitação e da Reabilitação fará subir média das rendas de 27,5 para 67 euros até ao final de 2013. No bairro de Contumil, Nordeste do Porto, já se fala na mudança.
Álvaro Fonseca Ribeiro vinha a sair de casa, com a mulher, Maria de Fátima. Mora no Bairro de Contumil, no Nordeste do Porto, há mais de 30 anos. Nem quer ouvir falar na actualização de rendas que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) fará até ao final do próximo ano. "Se me aumentam a renda, estou feito. Tenho 63 anos. Fui operado ao coração. Tive um esgotamento de cérebro."
O homem de cabelos brancos, fato preto, paga dois euros para morar num bairro que trata como o seu reino. A sua voz é "a mais ouvida" nestes blocos de um bege empalidecido pela idade e pela incúria. "Não há aqui malfeitores, droga. Eu não deixo. Qualquer pessoa, cigana ou não cigana, vem comigo para resolver qualquer problema."
Nunca ouviu falar no novo regime de rendas apoiadas, que a Assembleia da República aprovou em 1993. Ninguém lhe falou na ideia de uniformizar o sistema de renda da habitação social - propriedade de organismos autónomos ou institutos públicos, de autarquias locais ou de instituições particulares de solidariedade social. Os seus filhos cresceram e saíram do apartamento e nunca ninguém lhe mexeu na renda.
Está longe de ser caso único. Num total de cerca de 12.500 fogos, só três mil estão sujeitos ao regime de rendas sociais baseado na composição e no rendimento do agregado. Nos outros, as rendas estão congeladas há 20 ou 30 anos, diz Vítor Reis, presidente do IHRU. O que se passa, agora? "O processo de actualização, que começou há dois anos, estava a andar muito devagar e foi acelerado. O objectivo é que esteja concluído até ao final do próximo ano."
Para já, há quem pague dois euros, como Álvaro. E quem pague 220 euros. A média das rendas anda pelos 27,5 euros. Com a actualização em curso, deverá ascender aos 67, o que representa um aumento de 150%. Incomportável para famílias com orçamentos cada vez mais reduzidos? A ninguém, assegura Vítor Reis, será pedida uma taxa de esforço superior a 15%.
O plano é aumentar a receita de quatro para dez milhões de euros por ano, o que deverá servir para fazer as obras que muitos dos bairros carecem. Em 2007, o instituto contraiu um empréstimo de 55 milhões - já gastou 22 milhões. A intervenção no Bairro de Contumil começa ainda este ano.
As obras que Vítor Reis anuncia podem mudar a vida de quem, como os filhos de Álvaro, se cansou de esperar por um apartamento, tomou as caves e as transformou em sítios com grau de habitabilidade variável. Álvaro nem os quer imaginar a sair dali: "São eles que me estão a ajudar a levar isto. É um bairro com muita gente. E eu tenho de manter isto tudo em ordem".
60 euros por um T4
As famílias deverão ser chamadas, uma a uma, ao IHRU. Todas serão, depois, informadas dos novos valores. A ordem, torna Vítor Reis, é para não facilitar: "15% das rendas que emitimos não são pagas. Há pessoas que não pagam renda há dez anos. Estamos a mover todo o tipo de processos para que cumpram com as suas obrigações".
A mudança, avançada ontem pelo Jornal de Negócios, entrara no bairro através das televisões e infiltrara-se nas conversas. Numa rua, atrás de uma carrinha branca, um homem vendia ameixas douradas apanhadas ali perto: um euro e meio por cada dois quilos. Num muro, três mulheres comentavam as últimas. O marido de Lina Cunha é que ouvira a notícia. "A gente tem tão pouco e ainda vai ficar com menos! Tem de haver uma guerra."
Paga 60 euros por um T4. Parece pouco. Pagavam mais antes de o marido perder o emprego no bingo. Não vê como pagar mais agora, que estão ambos sem trabalho e têm a casa cheia de filhos e netos. Em casa de Manuela Pereira, a mulher que se senta ao seu lado, com o seu saco de ameixas, paga-se 32 euros. "É isso há 32 anos. Há 32 anos, era o máximo. O direito era não aumentar enquanto o meu pai for vivo." A mulher, de 46 anos, está desempregada: "Só numa fábrica trabalhei 17 anos. A fábrica fechou e eu vim para a rua. Antigamente, arranjava-se para senhoras, mas também está mau para as senhoras. As senhoras separam-se dos maridos, ficam sem subsídio [de férias e Natal]. Também nos mandam embora". Paula Machado, a da cadela, também está só com duas horas de limpeza. "Já nem para comer dá. Muitas vezes, é uma refeição ao meio-dia e uma sopinha à noite. Antigamente, não havia rendimento, mas havia trabalho. Daqui a pouco a gente vai trabalhar para o passe. Ai! Vem aí a fome. Fome mesmo."
Menos inquietos, a digerir o almoço no sofá da sala, estavam Eva Vaz e o marido. É auxiliar de acção médica. O marido é reformado dos serviços prisionais. Têm dois filhos fora. Vivem com a que acabou o mestrado em Biologia com 20 e está a concorrer para uma bolsa de investigação. Não é de esperar que continuem a pagar os 32 euros que pagam desde que para ali se mudaram, há 32 anos.
Governo diz que beneficiários de renda apoiada nunca irão perder RSI
in Público on-line
O Secretário de Estado da Segurança Social garantiu esta quinta-feira que os beneficiários da renda apoiada nunca irão perder o que recebem de rendimento social de inserção (RSI).
“Não, nunca acontecerá. Isso posso garantir que nunca acontecerá”, respondeu Marco António Costa aos jornalistas, quando questionado se quem tem renda apoiada poderia perder o RSI.
O secretário de Estado recomenda “que se aguarde uma semana, porque a portaria regulamentar sairá e será uma oportunidade de todos perceberem em detalhe todos estes mecanismos”.
Marco António Costa esclareceu que “o que estava até agora previsto era uma coisa muito estranha: era considerado como rendimento um valor ficcionado na ordem dos 48 euros, que correspondia àquilo que era um valor médio que as pessoas pagariam de renda”.
“Ora, se pagam a despesa, não é rendimento, e era considerado rendimento. Estamos a corrigir alguns modelos que estão completamente desadequados”, afirmou.
O secretário de Estado referiu ainda que a portaria a publicar permitirá também perceber os mecanismos “da inscrição dos centros de emprego daquelas pessoas que, estando em condições legais de poderem estar inscritas, por razões de falha do sistema não estavam”.
O governante referiu que, “sendo a activação profissional um valor fundamental da reinserção”, é “incompreensível” que a tutela tenha detectado “mais de 60 mil pessoas que, estando a receber o RSI, podendo e devendo estar inscritas nos centros de emprego, não constassem do sistema”.
Com os novos regimes jurídicos das prestações sociais, que entraram em vigor a 1 de Julho, todas as pessoas que tenham mais de 25 mil euros em depósitos bancários ficam de fora do RSI.
Ao abrigo das novas regras, a atribuição do RSI vai passar pela assinatura de um contrato anual, com obrigações que envolvem todos os membros do agregado familiar beneficiário.
O contrato de inserção terá uma duração de 12 meses e se no fim deste prazo o beneficiário quiser continuar a auferir desta prestação, tem de apresentar um novo requerimento com indicação dos seus rendimentos e com novo contrato de inserção, adequado à realidade.
O Secretário de Estado da Segurança Social garantiu esta quinta-feira que os beneficiários da renda apoiada nunca irão perder o que recebem de rendimento social de inserção (RSI).
“Não, nunca acontecerá. Isso posso garantir que nunca acontecerá”, respondeu Marco António Costa aos jornalistas, quando questionado se quem tem renda apoiada poderia perder o RSI.
O secretário de Estado recomenda “que se aguarde uma semana, porque a portaria regulamentar sairá e será uma oportunidade de todos perceberem em detalhe todos estes mecanismos”.
Marco António Costa esclareceu que “o que estava até agora previsto era uma coisa muito estranha: era considerado como rendimento um valor ficcionado na ordem dos 48 euros, que correspondia àquilo que era um valor médio que as pessoas pagariam de renda”.
“Ora, se pagam a despesa, não é rendimento, e era considerado rendimento. Estamos a corrigir alguns modelos que estão completamente desadequados”, afirmou.
O secretário de Estado referiu ainda que a portaria a publicar permitirá também perceber os mecanismos “da inscrição dos centros de emprego daquelas pessoas que, estando em condições legais de poderem estar inscritas, por razões de falha do sistema não estavam”.
O governante referiu que, “sendo a activação profissional um valor fundamental da reinserção”, é “incompreensível” que a tutela tenha detectado “mais de 60 mil pessoas que, estando a receber o RSI, podendo e devendo estar inscritas nos centros de emprego, não constassem do sistema”.
Com os novos regimes jurídicos das prestações sociais, que entraram em vigor a 1 de Julho, todas as pessoas que tenham mais de 25 mil euros em depósitos bancários ficam de fora do RSI.
Ao abrigo das novas regras, a atribuição do RSI vai passar pela assinatura de um contrato anual, com obrigações que envolvem todos os membros do agregado familiar beneficiário.
O contrato de inserção terá uma duração de 12 meses e se no fim deste prazo o beneficiário quiser continuar a auferir desta prestação, tem de apresentar um novo requerimento com indicação dos seus rendimentos e com novo contrato de inserção, adequado à realidade.
Moradores de habitação social podem vir a perder a quase totalidade do RSI
Por Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Valor da renda técnica dos apartamentos, que é comparticipada pelas entidades públicas, passa a ser considerado como receita das famílias para cálculo do Rendimento Social de Inserção
A mudança está a passar despercebida mas deverá afectar milhares de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) que vivem em habitação social: agora, morar numa casa municipal, por exemplo, é uma forma de rendimento, que se calcula fazendo a diferença entre a renda técnica (o preço real da habitação) e a renda apoiada (o valor pago à câmara).
O alerta foi lançado pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, com recurso a exemplos concretos como este: um indivíduo, desempregado, sozinho, recebe no máximo 189,52 euros de RSI; como paga 5,92 euros para morar num apartamento com um preço técnico de 176,58 euros, receberá 17, 94 euros de RSI assim que o Instituto de Segurança Social rever o seu processo e notar a comparticipação da autarquia de 170, 66. "Achamos que a lei é intolerável e que não se pode aplicar sob pena das pessoas não receberem nada", diz.
Ao ler o decreto-lei, Sérgio Aires, director do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, nem queria acreditar: "As pessoas não vão ao supermercado com esses valores". "Já se multiplicam puxadas de água e luz, agora as pessoas vão deixar de pagar a renda", prevê Eduardo Vítor Rodrigues, investigador da Universidade o Porto.
A lei, em vigor desde o dia 1, parece clara. Considera rendimento qualquer subsídio de residência, subsídio de renda de casa ou apoio público "no âmbito da habitação social, com carácter de regularidade, incluindo os relativos à renda social e à renda apoiada".
Ontem, o PÚBLICO contactou perto de uma dezena de técnicos de serviço social que gerem processos de RSI e sobravam dúvidas. A maior parte estava a chamar as famílias para as ajudar a perceber quanto irão receber tendo em conta apenas outras alterações, como a diminuição do valor do segundo adulto (de 70 para 50 %) e de cada criança (de 50 para 30%).
Apenas os requerimentos tratados desde o dia 2 respondem às novas regras. Todos os outros beneficiários só sentirão a mudança quando forem chamados, de forma gradual, a fazer prova das suas condições económicas para aceder à medida, o que implicará agora a entrega de recibos da renda.
"No anterior regime os valores das rendas sociais e apoiadas já eram considerados para efeitos de cálculo da prestação RSI", esclarece o assessor do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, por e-mail. Só que as contas eram diferentes: descontava-se 15,45 euros a quem tinha habitação social há menos de um ano; 30,91 euros há dois e 46,36 há mais de três.
Remetendo para uma "portaria a publicar dentro de dias", não quis entrar em detalhes. Lembrou que a medida vem "na linha do Programa de Governo", que defende um "cálculo conjunto de todos os apoios públicos atribuídos às famílias". Com a alteração, pretende evitar "duplicações de financiamentos públicos".
O assessor escusou-se a comentar casos concretos, como este: uma mãe com uma filha menor, desempregada, pode aspirar a um RSI máximo de 246,40 euros; como esta paga cinco euros para viver num apartamento com um preço técnico de 176,58 euros, receberá 74,82 euros de RSI. Preferiu dar este exemplo: "Quando o valor do preço técnico coincide com o valor da renda paga pelo beneficiário, não há qualquer comparticipação do Estado, anteriormente era sempre considerado um valor que podia ir até 46,36 euros".
O preço técnico dos apartamentos varia de bairro para bairro. No Ilhéu, No Porto, um T3 vale 277,75. E basta isso para reduzir uma família com dois adultos e duas crianças a um RSI de 146 euros. Para Sérgio Aires, isto é "meio caminho andado para acabar com a medida". Enquanto cai a prestação, exige-se mais contrapartidas ao beneficiário, que até pode ser chamado a prestar serviço à comunidade. "Por cinco euros, vai apagar fogos?", ironiza. Parece-lhe que todo o país perde: "Não combate a pobreza."
Eduardo Rodrigues não podia estar mais de acordo: "Transformam-se as prestações sociais em favores. As políticas sociais são também actos de dignificação das pessoas." A ideologia comanda, acusa Fernando Diogo, da Universidade dos Açores. "O RSI é um ódio de estimação do PP. Só não acabam com ele porque não podem", diz, indicando uma contradição que, em seu entender, deve fazer pensar: as medidas de acesso apertaram em 2010 e tornaram a apertar agora e o número de beneficiários cresceu.
Valor da renda técnica dos apartamentos, que é comparticipada pelas entidades públicas, passa a ser considerado como receita das famílias para cálculo do Rendimento Social de Inserção
A mudança está a passar despercebida mas deverá afectar milhares de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) que vivem em habitação social: agora, morar numa casa municipal, por exemplo, é uma forma de rendimento, que se calcula fazendo a diferença entre a renda técnica (o preço real da habitação) e a renda apoiada (o valor pago à câmara).
O alerta foi lançado pelo presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, com recurso a exemplos concretos como este: um indivíduo, desempregado, sozinho, recebe no máximo 189,52 euros de RSI; como paga 5,92 euros para morar num apartamento com um preço técnico de 176,58 euros, receberá 17, 94 euros de RSI assim que o Instituto de Segurança Social rever o seu processo e notar a comparticipação da autarquia de 170, 66. "Achamos que a lei é intolerável e que não se pode aplicar sob pena das pessoas não receberem nada", diz.
Ao ler o decreto-lei, Sérgio Aires, director do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, nem queria acreditar: "As pessoas não vão ao supermercado com esses valores". "Já se multiplicam puxadas de água e luz, agora as pessoas vão deixar de pagar a renda", prevê Eduardo Vítor Rodrigues, investigador da Universidade o Porto.
A lei, em vigor desde o dia 1, parece clara. Considera rendimento qualquer subsídio de residência, subsídio de renda de casa ou apoio público "no âmbito da habitação social, com carácter de regularidade, incluindo os relativos à renda social e à renda apoiada".
Ontem, o PÚBLICO contactou perto de uma dezena de técnicos de serviço social que gerem processos de RSI e sobravam dúvidas. A maior parte estava a chamar as famílias para as ajudar a perceber quanto irão receber tendo em conta apenas outras alterações, como a diminuição do valor do segundo adulto (de 70 para 50 %) e de cada criança (de 50 para 30%).
Apenas os requerimentos tratados desde o dia 2 respondem às novas regras. Todos os outros beneficiários só sentirão a mudança quando forem chamados, de forma gradual, a fazer prova das suas condições económicas para aceder à medida, o que implicará agora a entrega de recibos da renda.
"No anterior regime os valores das rendas sociais e apoiadas já eram considerados para efeitos de cálculo da prestação RSI", esclarece o assessor do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, por e-mail. Só que as contas eram diferentes: descontava-se 15,45 euros a quem tinha habitação social há menos de um ano; 30,91 euros há dois e 46,36 há mais de três.
Remetendo para uma "portaria a publicar dentro de dias", não quis entrar em detalhes. Lembrou que a medida vem "na linha do Programa de Governo", que defende um "cálculo conjunto de todos os apoios públicos atribuídos às famílias". Com a alteração, pretende evitar "duplicações de financiamentos públicos".
O assessor escusou-se a comentar casos concretos, como este: uma mãe com uma filha menor, desempregada, pode aspirar a um RSI máximo de 246,40 euros; como esta paga cinco euros para viver num apartamento com um preço técnico de 176,58 euros, receberá 74,82 euros de RSI. Preferiu dar este exemplo: "Quando o valor do preço técnico coincide com o valor da renda paga pelo beneficiário, não há qualquer comparticipação do Estado, anteriormente era sempre considerado um valor que podia ir até 46,36 euros".
O preço técnico dos apartamentos varia de bairro para bairro. No Ilhéu, No Porto, um T3 vale 277,75. E basta isso para reduzir uma família com dois adultos e duas crianças a um RSI de 146 euros. Para Sérgio Aires, isto é "meio caminho andado para acabar com a medida". Enquanto cai a prestação, exige-se mais contrapartidas ao beneficiário, que até pode ser chamado a prestar serviço à comunidade. "Por cinco euros, vai apagar fogos?", ironiza. Parece-lhe que todo o país perde: "Não combate a pobreza."
Eduardo Rodrigues não podia estar mais de acordo: "Transformam-se as prestações sociais em favores. As políticas sociais são também actos de dignificação das pessoas." A ideologia comanda, acusa Fernando Diogo, da Universidade dos Açores. "O RSI é um ódio de estimação do PP. Só não acabam com ele porque não podem", diz, indicando uma contradição que, em seu entender, deve fazer pensar: as medidas de acesso apertaram em 2010 e tornaram a apertar agora e o número de beneficiários cresceu.
Arrendamento social poderá chegar aos espaços comerciais
por Dinheiro Vivo
O ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, manifestou hoje disponibilidade para alargar o programa de arrendamento social a espaços comerciais para criação de emprego para jovens, após um desafio lançado pelo deputado social-democrata Duarte Marques.
"Estamos completamente disponíveis, sabemos da importância destas medidas nomeadamente para os mais jovens, estamos completamente disponíveis para medidas que possam alargar este mercado", respondeu o ministro da Segurança Social.
Pedro Mota Soares respondia a Duarte Marques durante um debate de atualidade sobre o mercado de arrendamento social, marcado pelos partidos da maioria PSD/CDS-PP.
"Lançava o desafio ao Governo de estender este programa também a espaços comerciais, lojas, armazéns ou escritórios, permitindo criar as condições que possam permitir aos mais jovens criar o seu emprego, iniciar o seu negócio ou estender áreas de negócio que possam criar mais emprego para os mais jovens", propôs Duarte Marques.
O também líder da JSD salientou que "os mesmos proprietários" que participam deste programa de arrendamento social "têm outros espaços com fins comerciais que também podem estar disponíveis".
O programa foi muito criticado pela oposição, a começar pelo PS, que, através do deputado Mota Andrade, afirmou que é "nitidamente pouco para as necessidades", cobrindo apenas 100 dos 308 municípios.
"É um analgésico para uma situação muito grave de que padece o nosso tecido social, e que se agravará com a aprovação da lei do arrendamento", afirmou, lamentando que o Governo não tenha revisto o regime de renda apoiada no sentido de introduzir mais proteção aos casos de maior fragilidade social, conforme recomendaram várias resoluções do Parlamento.
O deputado comunista Paulo Sá acusou o Governo de promover uma "manobra de diversão" com este mercado de arrendamento social, argumentando que os valores das rendas são "idênticos aos do mercado de arrendamento".
"O país não precisa destes programas de pacotilha, mas uma política de combate ao desemprego e aos baixos salários", defendeu.
José Luís Ferreira, de "Os Verdes", centrou a sua intervenção no aumento das rendas do regime de rendas apoiadas, acusando o Governo de não saber como cortar nas "rendas excessivas aos produtores de eletricidade", tomando sempre "partido pelos mais fortes".
O ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, manifestou hoje disponibilidade para alargar o programa de arrendamento social a espaços comerciais para criação de emprego para jovens, após um desafio lançado pelo deputado social-democrata Duarte Marques.
"Estamos completamente disponíveis, sabemos da importância destas medidas nomeadamente para os mais jovens, estamos completamente disponíveis para medidas que possam alargar este mercado", respondeu o ministro da Segurança Social.
Pedro Mota Soares respondia a Duarte Marques durante um debate de atualidade sobre o mercado de arrendamento social, marcado pelos partidos da maioria PSD/CDS-PP.
"Lançava o desafio ao Governo de estender este programa também a espaços comerciais, lojas, armazéns ou escritórios, permitindo criar as condições que possam permitir aos mais jovens criar o seu emprego, iniciar o seu negócio ou estender áreas de negócio que possam criar mais emprego para os mais jovens", propôs Duarte Marques.
O também líder da JSD salientou que "os mesmos proprietários" que participam deste programa de arrendamento social "têm outros espaços com fins comerciais que também podem estar disponíveis".
O programa foi muito criticado pela oposição, a começar pelo PS, que, através do deputado Mota Andrade, afirmou que é "nitidamente pouco para as necessidades", cobrindo apenas 100 dos 308 municípios.
"É um analgésico para uma situação muito grave de que padece o nosso tecido social, e que se agravará com a aprovação da lei do arrendamento", afirmou, lamentando que o Governo não tenha revisto o regime de renda apoiada no sentido de introduzir mais proteção aos casos de maior fragilidade social, conforme recomendaram várias resoluções do Parlamento.
O deputado comunista Paulo Sá acusou o Governo de promover uma "manobra de diversão" com este mercado de arrendamento social, argumentando que os valores das rendas são "idênticos aos do mercado de arrendamento".
"O país não precisa destes programas de pacotilha, mas uma política de combate ao desemprego e aos baixos salários", defendeu.
José Luís Ferreira, de "Os Verdes", centrou a sua intervenção no aumento das rendas do regime de rendas apoiadas, acusando o Governo de não saber como cortar nas "rendas excessivas aos produtores de eletricidade", tomando sempre "partido pelos mais fortes".
Descida da taxa é boa para créditos à habitação e má para a poupança
in Jornal de Notícias
A descida das taxas de juro decidida, esta quinta-feira, pelo Banco Central Europeu traz boas notícias para quem tem créditos à habitação, mas é negativa para quem depósitos bancários, afirmou um economista do Banco Carregosa.
O gestor de ativos do Banco Carregosa, Rui Bárbara, destacou que a redução da taxa diretora do BCE para 0,75%, o valor mais baixo de sempre, é positivo para quem tem empréstimos, mas menos bom para os aforradores.
"Se, por um lado, vão baixar as taxas de crédito à habitação que já tinham sido contratadas, o que é positivo para quem tem empréstimos, por outro lado, não podemos descurar o facto de existirem muitos aforradores, que também dependem dos juros dos depósitos a prazo, que, no fundo, são as suas poupanças, para viverem. Essa baixa de taxa afeta negativamente essas pessoas que terão menos rendimento dos seus aforros", salientou o analista.
Ainda assim o balanço global é positivo, já que se está "a baixar o custo do dinheiro como um todo" para a economia da zona euro, que está em recessão.
No entanto, "para os países do Sul da Europa e, nomeadamente Portugal, as condições de acesso a novo crédito por parte dos particulares ou das empresas continua muito difícil, pela falta de liquidez que existe no mercado bancário português", reconhece Rui Bárbara.
Daí que, acrescentou, as empresas portuguesas estejam cada vez mais empenhadas nas emissões obrigacionistas diretas aos pequenos aforradores.
"As empresas, apesar de sólidas, estão com dificuldades em recorrer à banca e pagam taxas de juro que, não sendo exorbitantes, são atrativas para o pequeno investidor que vê as suas poupanças nos bancos terem baixas remunerações porque as taxas estão em queda", justificou.
Para o economista, a baixa da taxa de juro do BCE "não chega" para resolver o problema da falta de liquidez para as famílias e para as empresas, porque o problema da crise da dívida soberana dos países do Sul da Europa tem reflexos no sistema bancário.
"São precisas mais medidas para desbloquear a questão da liquidez", declarou, considerando necessária a criação de "uma entidade central europeia responsável pela supervisão e com capacidade de intervenção em toda a banca da zona euro, para aliviar a ligação negativa entre os problemas da divida publica dos países do Sul e o setor bancário desses países".
A descida das taxas de juro decidida, esta quinta-feira, pelo Banco Central Europeu traz boas notícias para quem tem créditos à habitação, mas é negativa para quem depósitos bancários, afirmou um economista do Banco Carregosa.
O gestor de ativos do Banco Carregosa, Rui Bárbara, destacou que a redução da taxa diretora do BCE para 0,75%, o valor mais baixo de sempre, é positivo para quem tem empréstimos, mas menos bom para os aforradores.
"Se, por um lado, vão baixar as taxas de crédito à habitação que já tinham sido contratadas, o que é positivo para quem tem empréstimos, por outro lado, não podemos descurar o facto de existirem muitos aforradores, que também dependem dos juros dos depósitos a prazo, que, no fundo, são as suas poupanças, para viverem. Essa baixa de taxa afeta negativamente essas pessoas que terão menos rendimento dos seus aforros", salientou o analista.
Ainda assim o balanço global é positivo, já que se está "a baixar o custo do dinheiro como um todo" para a economia da zona euro, que está em recessão.
No entanto, "para os países do Sul da Europa e, nomeadamente Portugal, as condições de acesso a novo crédito por parte dos particulares ou das empresas continua muito difícil, pela falta de liquidez que existe no mercado bancário português", reconhece Rui Bárbara.
Daí que, acrescentou, as empresas portuguesas estejam cada vez mais empenhadas nas emissões obrigacionistas diretas aos pequenos aforradores.
"As empresas, apesar de sólidas, estão com dificuldades em recorrer à banca e pagam taxas de juro que, não sendo exorbitantes, são atrativas para o pequeno investidor que vê as suas poupanças nos bancos terem baixas remunerações porque as taxas estão em queda", justificou.
Para o economista, a baixa da taxa de juro do BCE "não chega" para resolver o problema da falta de liquidez para as famílias e para as empresas, porque o problema da crise da dívida soberana dos países do Sul da Europa tem reflexos no sistema bancário.
"São precisas mais medidas para desbloquear a questão da liquidez", declarou, considerando necessária a criação de "uma entidade central europeia responsável pela supervisão e com capacidade de intervenção em toda a banca da zona euro, para aliviar a ligação negativa entre os problemas da divida publica dos países do Sul e o setor bancário desses países".
Norte tem 130 mil sem trabalho há mais de um ano
Pedro Araújo e Nuno Aguiar, in Jornal de Notícias
O Norte de Portugal tem a segunda maior percentagem de desempregados de longa duração do país (50,5%), mais elevada do que todas as regiões espanholas, à exceção de Ciudad Autónoma de Melilla.
O Eurostat divulgou ontem dados sobre o desemprego regional da União Europeia (UE) em 2011, utilizando um método distinto do INE. Em vez de ter como referência a população ativa para calcular a taxa de desemprego de longa duração, o Eurostat avançou com as "quotas de desemprego", que representam a percentagem do total de desempregados à procura de emprego há mais de um ano.
O Norte de Portugal tem a segunda maior percentagem de desempregados de longa duração do país (50,5%), mais elevada do que todas as regiões espanholas, à exceção de Ciudad Autónoma de Melilla.
O Eurostat divulgou ontem dados sobre o desemprego regional da União Europeia (UE) em 2011, utilizando um método distinto do INE. Em vez de ter como referência a população ativa para calcular a taxa de desemprego de longa duração, o Eurostat avançou com as "quotas de desemprego", que representam a percentagem do total de desempregados à procura de emprego há mais de um ano.
Preços dos alimentos continuam a descer
Erika Nunes, in Dinheiro Vivo
Os preços dos alimentos estão ao nível mais baixo a nível mundial desde Setembro de 2010, tendo descido pelo terceiro mês consecutivo, em Junho. Segundo a agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, em Junho os preços desceram 1,8%.
O índice FAO do preço dos alimentos ficou em 201 pontos, menos quatro do que em Maio, sendo também menos 15,4% do que no pico registado em Fevereiro de 2011.
A FAO também desceu as suas previsões quanto ao stock de cereais deste ano, no entanto ainda está 2% acima do nível recorde registado no ano passado.
Alguns preços de cereais têm continuado voláteis, em perspetiva de alguma seca, porém a FAO continua a "estudar a volatilidade dos preços dos alimentos e a identificar políticas de resposta adequadas", tal como afirmou José Graziano da Silva, presidente da República Dominicana, local escolhido para o evento da FAO, amanhã, sobre "Volatilidade dos Preços dos Alimentos e Especulação de Preços".
Os preços dos alimentos estão ao nível mais baixo a nível mundial desde Setembro de 2010, tendo descido pelo terceiro mês consecutivo, em Junho. Segundo a agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, em Junho os preços desceram 1,8%.
O índice FAO do preço dos alimentos ficou em 201 pontos, menos quatro do que em Maio, sendo também menos 15,4% do que no pico registado em Fevereiro de 2011.
A FAO também desceu as suas previsões quanto ao stock de cereais deste ano, no entanto ainda está 2% acima do nível recorde registado no ano passado.
Alguns preços de cereais têm continuado voláteis, em perspetiva de alguma seca, porém a FAO continua a "estudar a volatilidade dos preços dos alimentos e a identificar políticas de resposta adequadas", tal como afirmou José Graziano da Silva, presidente da República Dominicana, local escolhido para o evento da FAO, amanhã, sobre "Volatilidade dos Preços dos Alimentos e Especulação de Preços".
Governo garante que quem tem renda apoiada nunca irá perder RSI
in Jornal de Notícias
O secretário de Estado da Segurança Social garantiu, esta quinta-feira, que os beneficiários da renda apoiada nunca irão perder o que recebem de rendimento social de inserção.
"Não, nunca acontecerá. Isso posso garantir que nunca acontecerá", respondeu Marco António Costa aos jornalistas, quando questionado se quem tem renda apoiada poderia perder o RSI.
O secretário de Estado fez uma declaração aos jornalistas no ministério, em Lisboa, a propósito da manchete do jornal "Público" desta quinta-feira. "Milhares de moradores de bairros sociais em risco de perderem RSI - A mudança está a passar despercebida, mas deve afetar milhares de beneficiários de RSI que vivem em habitação social", escreve o jornal.
"Sossego as notícias que hoje são veiculadas relativamente a este assunto", afirmou Marco António Costa, sublinhando que "não há razão para alarme, pelo contrário".
O secretário de Estado recomenda "que se aguarde uma semana, porque a portaria regulamentar sairá e será uma oportunidade de todos perceberem em detalhe todos estes mecanismos".
Marco António Costa esclareceu que "o que estava até agora previsto era uma coisa muito estranha: era considerado como rendimento um valor ficcionado na ordem dos 48 euros, que correspondia àquilo que era um valor médio que as pessoas pagariam de renda".
"Ora, se pagam a despesa, não é rendimento, e era considerado rendimento. Estamos a corrigir alguns modelos que estão completamente desadequados", afirmou.
60 mil com RSI fora do registo dos centros de emprego
O secretário de Estado referiu ainda que a portaria a publicar permitirá também perceber os mecanismos "da inscrição dos centros de emprego daquelas pessoas que, estando em condições legais de poderem estar inscritas, por razões de falha do sistema não estavam".
O governante referiu que, "sendo a ativação profissional um valor fundamental da reinserção", é "incompreensível" que a tutela tenha detetado "mais de 60 mil pessoas que, estando a receber o RSI, podendo e devendo estar inscritas nos centros de emprego, não constassem do sistema".
Com os novos regimes jurídicos das prestações sociais, que entraram em vigor a 1 de julho, todas as pessoas que tenham mais de 25 mil euros em depósitos bancários ficam de fora do RSI.
Ao abrigo das novas regras, a atribuição do RSI vai passar pela assinatura de um contrato anual, com obrigações que envolvem todos os membros do agregado familiar beneficiário.
O contrato de inserção terá uma duração de 12 meses e se no fim deste prazo o beneficiário quiser continuar a auferir desta prestação, tem de apresentar um novo requerimento com indicação dos seus rendimentos e com novo contrato de inserção, adequado à realidade.
O secretário de Estado da Segurança Social garantiu, esta quinta-feira, que os beneficiários da renda apoiada nunca irão perder o que recebem de rendimento social de inserção.
"Não, nunca acontecerá. Isso posso garantir que nunca acontecerá", respondeu Marco António Costa aos jornalistas, quando questionado se quem tem renda apoiada poderia perder o RSI.
O secretário de Estado fez uma declaração aos jornalistas no ministério, em Lisboa, a propósito da manchete do jornal "Público" desta quinta-feira. "Milhares de moradores de bairros sociais em risco de perderem RSI - A mudança está a passar despercebida, mas deve afetar milhares de beneficiários de RSI que vivem em habitação social", escreve o jornal.
"Sossego as notícias que hoje são veiculadas relativamente a este assunto", afirmou Marco António Costa, sublinhando que "não há razão para alarme, pelo contrário".
O secretário de Estado recomenda "que se aguarde uma semana, porque a portaria regulamentar sairá e será uma oportunidade de todos perceberem em detalhe todos estes mecanismos".
Marco António Costa esclareceu que "o que estava até agora previsto era uma coisa muito estranha: era considerado como rendimento um valor ficcionado na ordem dos 48 euros, que correspondia àquilo que era um valor médio que as pessoas pagariam de renda".
"Ora, se pagam a despesa, não é rendimento, e era considerado rendimento. Estamos a corrigir alguns modelos que estão completamente desadequados", afirmou.
60 mil com RSI fora do registo dos centros de emprego
O secretário de Estado referiu ainda que a portaria a publicar permitirá também perceber os mecanismos "da inscrição dos centros de emprego daquelas pessoas que, estando em condições legais de poderem estar inscritas, por razões de falha do sistema não estavam".
O governante referiu que, "sendo a ativação profissional um valor fundamental da reinserção", é "incompreensível" que a tutela tenha detetado "mais de 60 mil pessoas que, estando a receber o RSI, podendo e devendo estar inscritas nos centros de emprego, não constassem do sistema".
Com os novos regimes jurídicos das prestações sociais, que entraram em vigor a 1 de julho, todas as pessoas que tenham mais de 25 mil euros em depósitos bancários ficam de fora do RSI.
Ao abrigo das novas regras, a atribuição do RSI vai passar pela assinatura de um contrato anual, com obrigações que envolvem todos os membros do agregado familiar beneficiário.
O contrato de inserção terá uma duração de 12 meses e se no fim deste prazo o beneficiário quiser continuar a auferir desta prestação, tem de apresentar um novo requerimento com indicação dos seus rendimentos e com novo contrato de inserção, adequado à realidade.
Moradores em bairros sociais arriscam-se a perder o RSI
in Negócios online
Valor que poupam na renda, por terem casa social, vai ser descontado ao rendimento social de inserção. Presidente da Câmara de Matosinhos diz que as novas regras são "intoleráveis".
Milhares de pobres moradores em bairros de habitação social arriscam-se a perder a quase totalidade do rendimento social de inserção (RSI). A responsabilidade é das novas regras que entraram recentemente em vigor, e que obrigam a incluir no rendimento dos beneficiários aquilo que eles poupam na habitação por terem uma casa de renda apoiada.
A situação é denunciada ao jornal “Público” pelo presidente da câmara de Matosinhos Guilherme Pinto, que recorre a exemplos concretos: um desempregado a viver sozinho recebe no máximo 189,52 euros de RSI. Como paga 5,92 para morar num apartamento social cuja renda é de 176,58 euros, vai passar a considerar-se que ele tem 170,66 euros de rendimento. Este valor apenas permitirá ao beneficiário receber 17,94 euros de RSI.
Guilherme Pinto classifica a lei de “intolerável”. Sérgio Aires, director do Observatório da Luta Contra a Pobreza em Lisboa, também contactado pelo “Público”, diz que “as pessoas não vão ao supermercado com esses valores”.
Tesouradas chegam de vários lados
O actual Governo reviu as regras de atribuição do RSI, dificultando as condições de acesso a esta prestação social. Por exemplo, a prestação vai ficar vedada a quem tem mais do que 25 mil euros de património mobiliário, como contas bancárias, acções, obrigações e outros títulos financeiros. Do mesmo modo, também perderá o direito à prestação quem tenha carros, barcos e aeronaves de valor superior aquele patamar.
Procederam-se também a mudanças na forma de contabilizar o valor a que tem direito cada um dos membros da família, através da alteração da chamada "capitação". O resultado final é que cada membro do agregado familiar, à excepção do requerente, vai receber menos dinheiro.
O próprio valor do RSI também diminui, passando a corresponder a 45,2% do Indexante de Apoios Sociais, ou seja, cerca de 189,5 euro (contra 195,4 euros até aqui).
As alterações terão efeitos nas prestações em curso, à medida que forem sendo revistas. "A partir do mês de julho, vão começar a ser chamados progressivamente todos os beneficiários com contrato de inserção com 10 meses ou mais", explicou recentemente fonte oficial da Segurança Social ao Negócios.
De acordo com os dados oficiais da Segurança Social, existiam em Maio 335 mil beneficiários do RSI, mais 3% do que há um ano. Em causa estão 126 mil famílias que recebem, em média, um apoio de cerca de 247 euros. Além de rever os valores, o diploma aperta as regras de atribuição.Partilhar
Valor que poupam na renda, por terem casa social, vai ser descontado ao rendimento social de inserção. Presidente da Câmara de Matosinhos diz que as novas regras são "intoleráveis".
Milhares de pobres moradores em bairros de habitação social arriscam-se a perder a quase totalidade do rendimento social de inserção (RSI). A responsabilidade é das novas regras que entraram recentemente em vigor, e que obrigam a incluir no rendimento dos beneficiários aquilo que eles poupam na habitação por terem uma casa de renda apoiada.
A situação é denunciada ao jornal “Público” pelo presidente da câmara de Matosinhos Guilherme Pinto, que recorre a exemplos concretos: um desempregado a viver sozinho recebe no máximo 189,52 euros de RSI. Como paga 5,92 para morar num apartamento social cuja renda é de 176,58 euros, vai passar a considerar-se que ele tem 170,66 euros de rendimento. Este valor apenas permitirá ao beneficiário receber 17,94 euros de RSI.
Guilherme Pinto classifica a lei de “intolerável”. Sérgio Aires, director do Observatório da Luta Contra a Pobreza em Lisboa, também contactado pelo “Público”, diz que “as pessoas não vão ao supermercado com esses valores”.
Tesouradas chegam de vários lados
O actual Governo reviu as regras de atribuição do RSI, dificultando as condições de acesso a esta prestação social. Por exemplo, a prestação vai ficar vedada a quem tem mais do que 25 mil euros de património mobiliário, como contas bancárias, acções, obrigações e outros títulos financeiros. Do mesmo modo, também perderá o direito à prestação quem tenha carros, barcos e aeronaves de valor superior aquele patamar.
Procederam-se também a mudanças na forma de contabilizar o valor a que tem direito cada um dos membros da família, através da alteração da chamada "capitação". O resultado final é que cada membro do agregado familiar, à excepção do requerente, vai receber menos dinheiro.
O próprio valor do RSI também diminui, passando a corresponder a 45,2% do Indexante de Apoios Sociais, ou seja, cerca de 189,5 euro (contra 195,4 euros até aqui).
As alterações terão efeitos nas prestações em curso, à medida que forem sendo revistas. "A partir do mês de julho, vão começar a ser chamados progressivamente todos os beneficiários com contrato de inserção com 10 meses ou mais", explicou recentemente fonte oficial da Segurança Social ao Negócios.
De acordo com os dados oficiais da Segurança Social, existiam em Maio 335 mil beneficiários do RSI, mais 3% do que há um ano. Em causa estão 126 mil famílias que recebem, em média, um apoio de cerca de 247 euros. Além de rever os valores, o diploma aperta as regras de atribuição.Partilhar
Mediadores ciganos fazem formação em Coimbra
in Diário das Beiras
A sessão de experimentação prática da formação para mediadores ciganos decorre nas instalações do núcleo distrital de Coimbra da EAPN Portugal/ Rede Europeia Anti-Pobreza (Estrada de Coselhas), a 16 de julho.
A iniciativa surge no âmbito do Programa Europeu de Formação de Mediadores Ciganos – ROMED, e tem o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI. As sessões de experimentação prática contemplam quatro pontos: a abordagem
à mediação do ROMED; direitos humanos e código de ética; o ciclo de trabalho; planeamento participativo.
A sessão de experimentação prática da formação para mediadores ciganos decorre nas instalações do núcleo distrital de Coimbra da EAPN Portugal/ Rede Europeia Anti-Pobreza (Estrada de Coselhas), a 16 de julho.
A iniciativa surge no âmbito do Programa Europeu de Formação de Mediadores Ciganos – ROMED, e tem o apoio do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI. As sessões de experimentação prática contemplam quatro pontos: a abordagem
à mediação do ROMED; direitos humanos e código de ética; o ciclo de trabalho; planeamento participativo.
Prémio "Os Nossos Heróis"
in Visão
O prémio "Os Nossos Heróis" destina-se a distinguir anualmente pessoas e empresas que sejam um exemplo, nas áreas de intervenção social. Conheça o regulamento e saiba como participar.
O prémio "Os Nossos Heróis" destina-se a distinguir anualmente pessoas e empresas que sejam um exemplo, nas áreas de intervenção social. Conheça o regulamento e saiba como participar.
4.7.12
Mercado Social de Arrendamento vai ter duas mil casas até final do ano
in Sol
O ministro da Segurança Social disse hoje, no parlamento, que até Dezembro o Mercado Social de Arrendamento vai ter 2.000 imóveis disponíveis e que até ao momento há duas famílias beneficiadas e 450 candidatas.
«Disponibilizamos mil imóveis e prevemos disponibilizar 2.000 até final do ano", disse hoje no Parlamento o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, num primeiro balanço do programa lançado no final de Junho.
O governante afirmou também que, até hoje, «há mais de 390 mil visitas ao portal [do Mercado Social de Arrendamento], 450 candidaturas, estando em avaliação camarária 300 pedidos».
Além disso, anunciou, «há já duas famílias beneficiadas, aprovadas» para acederem ao mercado social de arrendamento.
O mercado social de arrendamento, anunciado pelo Governo em Fevereiro, arrancou no final de Junho, tendo então 915 imóveis prontos a habitar - 729 dos bancos, 172 do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e 14 do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS).
Os imóveis em causa saem das mãos das entidades bancárias e são colocados no mercado de arrendamento.
Segundo disse hoje Mota Soares, as casas disponibilizadas ao abrigo deste programa têm rendas 30 por cento abaixo das praticadas no mercado, nas mesmas condições, sendo 108 os municípios portugueses participantes.
O Mercado Social de Arrendamento está hoje a ser alvo debatido pelos deputados, na sessão plenária, na Assembleia da República, com a presença do ministro da Solidariedade e Segurança Social, Mota Soares.
Lusa/SOL
O ministro da Segurança Social disse hoje, no parlamento, que até Dezembro o Mercado Social de Arrendamento vai ter 2.000 imóveis disponíveis e que até ao momento há duas famílias beneficiadas e 450 candidatas.
«Disponibilizamos mil imóveis e prevemos disponibilizar 2.000 até final do ano", disse hoje no Parlamento o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, num primeiro balanço do programa lançado no final de Junho.
O governante afirmou também que, até hoje, «há mais de 390 mil visitas ao portal [do Mercado Social de Arrendamento], 450 candidaturas, estando em avaliação camarária 300 pedidos».
Além disso, anunciou, «há já duas famílias beneficiadas, aprovadas» para acederem ao mercado social de arrendamento.
O mercado social de arrendamento, anunciado pelo Governo em Fevereiro, arrancou no final de Junho, tendo então 915 imóveis prontos a habitar - 729 dos bancos, 172 do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e 14 do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS).
Os imóveis em causa saem das mãos das entidades bancárias e são colocados no mercado de arrendamento.
Segundo disse hoje Mota Soares, as casas disponibilizadas ao abrigo deste programa têm rendas 30 por cento abaixo das praticadas no mercado, nas mesmas condições, sendo 108 os municípios portugueses participantes.
O Mercado Social de Arrendamento está hoje a ser alvo debatido pelos deputados, na sessão plenária, na Assembleia da República, com a presença do ministro da Solidariedade e Segurança Social, Mota Soares.
Lusa/SOL
Dar crédito a quem não consegue pagar propinas é "quase mórbido"
por Domingos Pinto, in RR
Pastoral Universitária critica proposta avançada por uma faculdade de Lisboa, que sugeriu a estudantes com propinas em atraso que recorressem a empréstimos bancários.
A Pastoral Universitária diz que é "uma ilusão" e uma proposta "quase mórbida" dar crédito a estudantes que já não conseguem sequer pagar propinas.
A crítica é do padre Nuno Miguel dos Santos, a propósito da carta que o presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa escreveu a 2300 alunos a sugerir o recurso a empréstimos bancários para pagar propinas em atraso.
Para a Igreja, o sobreendividamento de quem já vive com sérias dificuldades para estudar não é a melhor solução.
“Percebo que quem esteja à frente de uma instituição queira ver o seu problema resolvido. Agora, sugerir fazer créditos a pessoas que não têm recursos parece-me uma ilusão, quase mórbido, no sentido de que agudiza as dificuldades. Se já não têm capacidade de pagar as despesas de hoje, não se percebe qual é a vantagem de uma solução dessas”, refere o padre Nuno Miguel dos Santos.
Numa altura em que já se prepara um novo ano lectivo, o padre Nuno Miguel dos Santos deixa três apelosao Governo. “Que procure encontrar soluções que dêem ao ensino superior essa capacidade de ser um ponto importante para o nosso desenvolvimento; que se procure resolver esta questão das dívidas à Segurança Social e ou às Finanças, procurando que cada aluno seja autónomo e não responda pelos devedores do seu agregado familiar; e que se valorize nas bolsas a questão académica - aqueles que têm mais capacidade académica, mas que têm dificuldades de pagamento, devem ser reconhecidos e apoiados”.
Pastoral Universitária critica proposta avançada por uma faculdade de Lisboa, que sugeriu a estudantes com propinas em atraso que recorressem a empréstimos bancários.
A Pastoral Universitária diz que é "uma ilusão" e uma proposta "quase mórbida" dar crédito a estudantes que já não conseguem sequer pagar propinas.
A crítica é do padre Nuno Miguel dos Santos, a propósito da carta que o presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa escreveu a 2300 alunos a sugerir o recurso a empréstimos bancários para pagar propinas em atraso.
Para a Igreja, o sobreendividamento de quem já vive com sérias dificuldades para estudar não é a melhor solução.
“Percebo que quem esteja à frente de uma instituição queira ver o seu problema resolvido. Agora, sugerir fazer créditos a pessoas que não têm recursos parece-me uma ilusão, quase mórbido, no sentido de que agudiza as dificuldades. Se já não têm capacidade de pagar as despesas de hoje, não se percebe qual é a vantagem de uma solução dessas”, refere o padre Nuno Miguel dos Santos.
Numa altura em que já se prepara um novo ano lectivo, o padre Nuno Miguel dos Santos deixa três apelosao Governo. “Que procure encontrar soluções que dêem ao ensino superior essa capacidade de ser um ponto importante para o nosso desenvolvimento; que se procure resolver esta questão das dívidas à Segurança Social e ou às Finanças, procurando que cada aluno seja autónomo e não responda pelos devedores do seu agregado familiar; e que se valorize nas bolsas a questão académica - aqueles que têm mais capacidade académica, mas que têm dificuldades de pagamento, devem ser reconhecidos e apoiados”.
Madeira e Algarve com desemprego jovem mais alto
por Nuno Aguiar, in Dinheiro Vivo
Madeira e Algarve são as regiões de Portugal com mais jovens à procura de trabalho, com taxas de 39,1% e 37%, respetivamente. Segundo os dados publicados hoje pelo Eurostat, em 2011, todas as regiões do país tinham níveis de desemprego jovem superiores a 26%.
Estes números representam um crescimento significativo face a 2010. No Algarve, a taxa de desemprego jovem aumentou de 28,8% para 37%, enquanto no Centro a percentagem de menores de 25 anos à procura de trabalho subiu de 17,3% para 26,3%. Lisboa regista também um salto significativo, passando de 25,1% para 33,2%. O Alentejo foi a região do país com o salto mais modesto, de 28,9% para 32,2%.
A Região Autónoma da Madeira não tinha dados disponíveis em 2010, tendo registado em 2011 o valor mais elevado em Portugal (39,1%). Os Açores continuam a não dispor destes números.
No ano passado, Portugal teve uma taxa de desemprego jovem de 30,1%, mas em maio deste ano, já atingia os 36,4%, o que significa que os números em cada região deverão ser agora ainda mais elevados.
Madeira e Algarve são as regiões de Portugal com mais jovens à procura de trabalho, com taxas de 39,1% e 37%, respetivamente. Segundo os dados publicados hoje pelo Eurostat, em 2011, todas as regiões do país tinham níveis de desemprego jovem superiores a 26%.
Estes números representam um crescimento significativo face a 2010. No Algarve, a taxa de desemprego jovem aumentou de 28,8% para 37%, enquanto no Centro a percentagem de menores de 25 anos à procura de trabalho subiu de 17,3% para 26,3%. Lisboa regista também um salto significativo, passando de 25,1% para 33,2%. O Alentejo foi a região do país com o salto mais modesto, de 28,9% para 32,2%.
A Região Autónoma da Madeira não tinha dados disponíveis em 2010, tendo registado em 2011 o valor mais elevado em Portugal (39,1%). Os Açores continuam a não dispor destes números.
No ano passado, Portugal teve uma taxa de desemprego jovem de 30,1%, mas em maio deste ano, já atingia os 36,4%, o que significa que os números em cada região deverão ser agora ainda mais elevados.
Portugal tem menos imigrantes
por Céu Neves, in Diário de Notícias
O número de imigrantes baixou pelo segundo ano consecutivo. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) regista 436 822 cidadãos, recuando-se a valores de 2007. São os brasileiros quem mais regressam.
Vivem em Portugal 111 445 brasileiros, a comunidade estrangeira mais representativa, mas são menos 7 918 do que em 2010. Além doBrasil, a Ucrânia,Cabo Verde, a Roménia, Angola e a Guiné-Bissau são as principais nacionalidades.
O Relatório de Imigração Fronteira e Asilo 2011, que será hoje apresentado, demonstra que Portugal deixou de ser atrativo para os estrangeiros.
A crise económica no País, ao mesmo tempo que os países de origem registam crescimento económico, como o Brasil e Angola, são as principais razões apontadas.
Entre as seis comunidades mais representativas, os romenos foram os únicos a registar mais cidadãos, totalizando 39 312. Os ucranianos (48 0022) continuam em segundo lugar, apesar de terem começado a regressar a partir de 2002/2003, seguindo-se os cabo-verdianos (43 920), os angolanos (21 563) e os guineenses (18 487).
O SEF controlou mais de 11 milhões de estrangeiros à entrada de Portugal, dos quais 9,6 milhões por via aérea. Aumentaram as ações de controle em relação a 2010, mas diminuíram as recusas de entrada.
Mil 797 cidadãos estrangeiros foram impedidos de entrar no País, menos 13,10% do que no ano anterior.As nacionalidades mais relevantes foram o Brasil, Angola, Senegal, Venezuela e Paraguai.
O número de imigrantes baixou pelo segundo ano consecutivo. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) regista 436 822 cidadãos, recuando-se a valores de 2007. São os brasileiros quem mais regressam.
Vivem em Portugal 111 445 brasileiros, a comunidade estrangeira mais representativa, mas são menos 7 918 do que em 2010. Além doBrasil, a Ucrânia,Cabo Verde, a Roménia, Angola e a Guiné-Bissau são as principais nacionalidades.
O Relatório de Imigração Fronteira e Asilo 2011, que será hoje apresentado, demonstra que Portugal deixou de ser atrativo para os estrangeiros.
A crise económica no País, ao mesmo tempo que os países de origem registam crescimento económico, como o Brasil e Angola, são as principais razões apontadas.
Entre as seis comunidades mais representativas, os romenos foram os únicos a registar mais cidadãos, totalizando 39 312. Os ucranianos (48 0022) continuam em segundo lugar, apesar de terem começado a regressar a partir de 2002/2003, seguindo-se os cabo-verdianos (43 920), os angolanos (21 563) e os guineenses (18 487).
O SEF controlou mais de 11 milhões de estrangeiros à entrada de Portugal, dos quais 9,6 milhões por via aérea. Aumentaram as ações de controle em relação a 2010, mas diminuíram as recusas de entrada.
Mil 797 cidadãos estrangeiros foram impedidos de entrar no País, menos 13,10% do que no ano anterior.As nacionalidades mais relevantes foram o Brasil, Angola, Senegal, Venezuela e Paraguai.
Diminuiu comunidade brasileira e aumentou a romena em Portugal
in Jornal de Notícias
A população estrangeira em Portugal diminuiu 1,90% em 2011, face ao ano anterior, tendo contribuído para esta redução os quase oito mil brasileiros que abandonaram o país, segundo um relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras apresentado esta quarta-feira.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011) destaca, em contrapartida, que os romenos foram a única comunidade estrangeira que aumentou no ano passado em Portugal, passando dos 36830 para os 39312.
O documento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica que a população estrangeira, em Portugal, totalizava 436822 cidadãos a 31 de dezembro de 2011, menos 1,90% em relação a 2010.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011) destaca que a comunidade brasileira é a mais representativa em Portugal, onde residem 111445, apesar de terem deixado o país 7918 cidadãos oriundos do Brasil.
A Ucrânia permanece como a segunda comunidade estrangeira mais representativa (48022), seguida de Cabo Verde (43920), Roménia (39312) e Guiné-Bissau (18487).
O relatório do SEF conclui que o decréscimo de imigrantes em Portugal poderá configurar "uma nova tendência na evolução da população estrangeira", sem que isso modifique o elenco das comunidades mais representativas.
No âmbito das fronteiras, o SEF controlou cerca de 11,497 milhões de pessoas, das quais 9,683 nas fronteiras áreas (mais 6,88% do que em 2010), e 1,804 milhões nas fronteiras marítimas (mais 4,44%), correspondendo ao controlo de 71285 voos e 33391 embarcações.
De acordo com o RIFA 2011, o SEF recusou a entrada no país a 1797 estrangeiros, representando uma descida de 13,10% relativamente a 2010, sobretudo a cidadãos oriundos do Brasil, Angola, Senegal, Venezuela e Paraguai.
O documento indica também que foram realizadas 10892 ações de fiscalização de controlo de imigrantes no país, significando um aumento de 13,28% face ao ano transato.
No domínio do afastamento do país de imigrantes ilegais, registaram-se 6648 notificações para abandono voluntário (menos 10,46% face ao ano anterior) e foram instaurados 2486 processos administrativos de expulsão (mais 10,22%).
No ano passado, O SEF instaurou 38811 processos de contraordenação, dos quais 37,86% por permanência irregular no país, 4,70 por cento por falta de declaração de entrada, e 1,79% pelo exercício de atividade profissional não autorizada.
O RIFA salienta igualmente que os imigrantes ilegais em Portugal continuam a ser, na sua maioria, os brasileiros.
O uso de documentos falsos, casamentos por conveniência e auxílio à imigração ilegal foram os principais processos na área de investigação criminal, tendo o SEF concluído a investigação de 438 processos crime no ano passado.
No ano passado, o SEF registou ainda 597 deteções de utilização fraudulenta de documentos de viagem, identificação e residência, mais 4,37% do que em 2010, contrariando uma tendência dos anos anteriores.
A população estrangeira em Portugal diminuiu 1,90% em 2011, face ao ano anterior, tendo contribuído para esta redução os quase oito mil brasileiros que abandonaram o país, segundo um relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras apresentado esta quarta-feira.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011) destaca, em contrapartida, que os romenos foram a única comunidade estrangeira que aumentou no ano passado em Portugal, passando dos 36830 para os 39312.
O documento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica que a população estrangeira, em Portugal, totalizava 436822 cidadãos a 31 de dezembro de 2011, menos 1,90% em relação a 2010.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011) destaca que a comunidade brasileira é a mais representativa em Portugal, onde residem 111445, apesar de terem deixado o país 7918 cidadãos oriundos do Brasil.
A Ucrânia permanece como a segunda comunidade estrangeira mais representativa (48022), seguida de Cabo Verde (43920), Roménia (39312) e Guiné-Bissau (18487).
O relatório do SEF conclui que o decréscimo de imigrantes em Portugal poderá configurar "uma nova tendência na evolução da população estrangeira", sem que isso modifique o elenco das comunidades mais representativas.
No âmbito das fronteiras, o SEF controlou cerca de 11,497 milhões de pessoas, das quais 9,683 nas fronteiras áreas (mais 6,88% do que em 2010), e 1,804 milhões nas fronteiras marítimas (mais 4,44%), correspondendo ao controlo de 71285 voos e 33391 embarcações.
De acordo com o RIFA 2011, o SEF recusou a entrada no país a 1797 estrangeiros, representando uma descida de 13,10% relativamente a 2010, sobretudo a cidadãos oriundos do Brasil, Angola, Senegal, Venezuela e Paraguai.
O documento indica também que foram realizadas 10892 ações de fiscalização de controlo de imigrantes no país, significando um aumento de 13,28% face ao ano transato.
No domínio do afastamento do país de imigrantes ilegais, registaram-se 6648 notificações para abandono voluntário (menos 10,46% face ao ano anterior) e foram instaurados 2486 processos administrativos de expulsão (mais 10,22%).
No ano passado, O SEF instaurou 38811 processos de contraordenação, dos quais 37,86% por permanência irregular no país, 4,70 por cento por falta de declaração de entrada, e 1,79% pelo exercício de atividade profissional não autorizada.
O RIFA salienta igualmente que os imigrantes ilegais em Portugal continuam a ser, na sua maioria, os brasileiros.
O uso de documentos falsos, casamentos por conveniência e auxílio à imigração ilegal foram os principais processos na área de investigação criminal, tendo o SEF concluído a investigação de 438 processos crime no ano passado.
No ano passado, o SEF registou ainda 597 deteções de utilização fraudulenta de documentos de viagem, identificação e residência, mais 4,37% do que em 2010, contrariando uma tendência dos anos anteriores.
Pedidos de asilo em Portugal aumentaram 71,88% em 2011
in Jornal de Notícias
O número de pedidos de asilo a Portugal aumentou 71,88% em 2011 em relação a 2010, ascendendo a 275 as solicitações, indica o Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo do ano passado.
O documento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que é hoje apresentado, adianta que, dos 275 pedidos de asilo, 162 foram feitos em território nacional e 113, nos postos de fronteira.
Segundo o Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011), no ano passado foram concedidos 27 estatutos de refugiados a cidadãos de países africanos e asiáticos, e 38 autorizações de residência por razões humanitárias, maioritariamente a africanos.
O RIFA 2011 sublinha também que foram reinstalados em Portugal 30 refugiados sob a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e acolhidos seis beneficiários de proteção internacional, no âmbito da solidariedade europeia com Malta.
No quadro das competências do SEF, no que diz respeito à concessão da nacionalidade portuguesa, o relatório indica que, em 2011, foram formulados 28643 pedidos de parecer, sendo a maioria de brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, guineenses e ucranianos.
No ano passado, este serviço de segurança emitiu 29228 pareceres para acesso à nacionalidade, dos quais 27819 foram positivos.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo vai ser apresentado, esta quarta-feira, na sede do SEF, em Barcarena, Oeiras, e contará com a presença do secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D' Ávila.
O número de pedidos de asilo a Portugal aumentou 71,88% em 2011 em relação a 2010, ascendendo a 275 as solicitações, indica o Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo do ano passado.
O documento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que é hoje apresentado, adianta que, dos 275 pedidos de asilo, 162 foram feitos em território nacional e 113, nos postos de fronteira.
Segundo o Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo (RIFA 2011), no ano passado foram concedidos 27 estatutos de refugiados a cidadãos de países africanos e asiáticos, e 38 autorizações de residência por razões humanitárias, maioritariamente a africanos.
O RIFA 2011 sublinha também que foram reinstalados em Portugal 30 refugiados sob a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e acolhidos seis beneficiários de proteção internacional, no âmbito da solidariedade europeia com Malta.
No quadro das competências do SEF, no que diz respeito à concessão da nacionalidade portuguesa, o relatório indica que, em 2011, foram formulados 28643 pedidos de parecer, sendo a maioria de brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, guineenses e ucranianos.
No ano passado, este serviço de segurança emitiu 29228 pareceres para acesso à nacionalidade, dos quais 27819 foram positivos.
O Relatório de Imigração Fronteiras e Asilo vai ser apresentado, esta quarta-feira, na sede do SEF, em Barcarena, Oeiras, e contará com a presença do secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D' Ávila.
Elas vivem mais anos mas eles são mais saudáveis
in TVI24
Diferença entre sexos «na Europa» é mais discreta depois dos 65
As portuguesas têm uma esperança média de vida três anos superior à dos homens, mas eles são saudáveis até mais tarde, ao contrário da média europeia em que as mulheres se mantém sãs durante mais tempo.
Aos 65 anos, as mulheres têm uma esperança média de vida de 20 anos enquanto os homens têm, em média, apenas mais 17,1 anos. No entanto, o Eurostat estima que as portuguesas vão manter-se sem problemas de saúde até aos 60, enquanto os homens deverão estar saudáveis aos 62.
«As mulheres têm uma esperança de vida maior, mas isso não quer dizer que esse tempo seja vivido de forma saudável», sublinhou Pedro Perista, citado pela Lusa, um dos responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento», apresentado durante o seminário da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) na Assembleia da República, nesta terça-feira.
Comparando com a média europeia, parece que ser mulher em Portugal é mais penalizador, já que a diferença entre sexos «na Europa» é mais discreta: depois dos 65, as mulheres têm 8,8 anos de vida saudável e os homens 8,7.
«Os anos a mais das mulheres são de solidão, pobreza e incapacidade», lembrou a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, durante a apresentação do estudo, sublinhando que as portuguesas «são mais pobres e incorrem em maior risco de pobreza», quando comparadas com os homens.
Hoje, os responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento» traçaram o perfil da mulher em Portugal: tem menos escolaridade, recebe pensões mais baixas, vive mais sozinha e sofre mais com os efeitos da idade.
Em comparação com os homens, as mulheres ganham em média menos 200 euros de reforma e, muitas vezes, esta diferença prende-se com os anos de descontos e não com o trabalho efetivo, sublinhou o investigador do Centro de Estudos para a Intervenção Social.
No entanto, a percentagem de homens com mais de 55 anos a trabalhar é muito superior à das mulheres. Só no grupo etário entre os 55 e os 64 anos, mais de metade dos homens tinha um emprego, enquanto no caso das mulheres eram apenas 42,1%. A diferença aumenta cerca de 13 pontos percentuais na faixa etária entre os 65 e os 74 anos.
No que toca à educação, os investigadores sublinham que esta é uma área que tem registado um progresso ao longo das últimas décadas, apesar de ainda mostrar grandes vulnerabilidades, «principalmente quando se olha para os mais velhos e em especial para as mulheres». Os números hoje apresentados mostram que uma em cada três pessoas com mais de 65 anos não tem escolaridade. «Número que no caso das mulheres duplica», destacou o especialista.
Diferença entre sexos «na Europa» é mais discreta depois dos 65
As portuguesas têm uma esperança média de vida três anos superior à dos homens, mas eles são saudáveis até mais tarde, ao contrário da média europeia em que as mulheres se mantém sãs durante mais tempo.
Aos 65 anos, as mulheres têm uma esperança média de vida de 20 anos enquanto os homens têm, em média, apenas mais 17,1 anos. No entanto, o Eurostat estima que as portuguesas vão manter-se sem problemas de saúde até aos 60, enquanto os homens deverão estar saudáveis aos 62.
«As mulheres têm uma esperança de vida maior, mas isso não quer dizer que esse tempo seja vivido de forma saudável», sublinhou Pedro Perista, citado pela Lusa, um dos responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento», apresentado durante o seminário da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) na Assembleia da República, nesta terça-feira.
Comparando com a média europeia, parece que ser mulher em Portugal é mais penalizador, já que a diferença entre sexos «na Europa» é mais discreta: depois dos 65, as mulheres têm 8,8 anos de vida saudável e os homens 8,7.
«Os anos a mais das mulheres são de solidão, pobreza e incapacidade», lembrou a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, durante a apresentação do estudo, sublinhando que as portuguesas «são mais pobres e incorrem em maior risco de pobreza», quando comparadas com os homens.
Hoje, os responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento» traçaram o perfil da mulher em Portugal: tem menos escolaridade, recebe pensões mais baixas, vive mais sozinha e sofre mais com os efeitos da idade.
Em comparação com os homens, as mulheres ganham em média menos 200 euros de reforma e, muitas vezes, esta diferença prende-se com os anos de descontos e não com o trabalho efetivo, sublinhou o investigador do Centro de Estudos para a Intervenção Social.
No entanto, a percentagem de homens com mais de 55 anos a trabalhar é muito superior à das mulheres. Só no grupo etário entre os 55 e os 64 anos, mais de metade dos homens tinha um emprego, enquanto no caso das mulheres eram apenas 42,1%. A diferença aumenta cerca de 13 pontos percentuais na faixa etária entre os 65 e os 74 anos.
No que toca à educação, os investigadores sublinham que esta é uma área que tem registado um progresso ao longo das últimas décadas, apesar de ainda mostrar grandes vulnerabilidades, «principalmente quando se olha para os mais velhos e em especial para as mulheres». Os números hoje apresentados mostram que uma em cada três pessoas com mais de 65 anos não tem escolaridade. «Número que no caso das mulheres duplica», destacou o especialista.
Mulheres ganham menos 200 euros de reforma que os homens
in TVI24
Vivem mais e sozinhas, com menos dinheiro e em casas mais degradadas, segundo estudo divulgado
As mulheres ganham, em média, menos 200 euros de reforma do que os homens, segundo um estudo nacional divulgado nesta terça-feira e que alerta para as dificuldades por que passam as idosas em Portugal.
«As mulheres têm uma esperança de vida maior, mas isso não quer dizer que esse tempo seja vivido de forma saudável», sublinhou Pedro Perista, citado pela Lusa, um dos responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento», apresentado hoje durante o seminário da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) na Assembleia da República.
Dois investigadores do Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS) cruzaram os dados existentes (desde os Censos 2011, aos números do Instituto da Segurança Social e da Eurostat) e traçaram um retrato das portuguesas com mais de 65 anos. Resultado: as mulheres vivem mais sozinhas, com menos dinheiro e em casas mais degradadas.
No ano passado, a GNR contabilizou 23 mil idosos a viver sozinhos. Dois em cada três eram mulheres (63,5% mulheres versus 37,5%). Muitas chegam à velhice sós e sem dinheiro. Se a pobreza está muito associada aos idosos, é entre as mulheres que a situação é mais preocupante.
O investigador realçou «a diferença abismal entre a situação de pobreza dos idosos antes e depois de receberem as prestações sociais: antes das prestações, a maior parte da população idosa estaria numa situação de pobreza. Depois das transferências sociais as diferenças evidenciam-se», com uma clara desvantagem para as mulheres.
O valor médio das pensões de velhice atribuídas aos homens com mais de 65 anos rondava os 500 euros, em 2010, enquanto o valor atribuído às mulheres se ficava nos 297 euros.
Em algumas situações, as diferenças de rendimentos poderão não estar diretamente relacionados com os anos de trabalho, mas apenas com os descontos feitos: «É preciso distinguir as carreiras contributivas e o trabalho, porque existem muitos casos de mulheres que trabalharam mas não descontaram. Isto tem depois um impacto nas taxas de pobreza», sublinhou o investigador do CESIS.
No caso das pensões de invalidez verifica-se o mesmo fenómeno, com os homens a ganhar em média 358 euros e as mulheres apenas 281 euros.
Olhando para a pensão social de velhice, destinada a quem não tem qualquer sistema de proteção social obrigatória ou não fez descontos suficientes para ter direito à pensão de velhice, as mulheres aparecem em maioria: representam dois em cada três beneficiários, entre os 80 e os 84 anos (74%), e quatro em cada cinco beneficiários, com mais de 85 anos (82,7%).
Quando as pensões são demasiado baixas, o estado dá o «Complemento Solidário para Idosos». Segundo números apresentados hoje, dois em cada três beneficiários deste apoio são mulheres.
As mulheres também surgem neste retrato como vivendo em habitações mais degradadas: casas com tetos que deixam passar água, com humidade nas paredes ou janelas apodrecidas são a realidade de 27,4% das idosas. Nas mesmas condições vivem 21,9% dos homens, com mais de 65 anos.
Para 4,7% das mulheres, viver num sítio sem casa de banho, duche ou autoclismo não são coisas do passado, passando-se o mesmo com 3,5% dos homens.
As más condições das habitações dos idosos levou o Governo a criar, em 2008, o Programa Conforto Habitacional para Pessoas Idosas que deu resposta, na primeira fase, a 1.100 pessoas. «Destas, 57,2% eram mulheres», concluiu o investigador.
Vivem mais e sozinhas, com menos dinheiro e em casas mais degradadas, segundo estudo divulgado
As mulheres ganham, em média, menos 200 euros de reforma do que os homens, segundo um estudo nacional divulgado nesta terça-feira e que alerta para as dificuldades por que passam as idosas em Portugal.
«As mulheres têm uma esperança de vida maior, mas isso não quer dizer que esse tempo seja vivido de forma saudável», sublinhou Pedro Perista, citado pela Lusa, um dos responsáveis pelo estudo «Género e Envelhecimento», apresentado hoje durante o seminário da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) na Assembleia da República.
Dois investigadores do Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS) cruzaram os dados existentes (desde os Censos 2011, aos números do Instituto da Segurança Social e da Eurostat) e traçaram um retrato das portuguesas com mais de 65 anos. Resultado: as mulheres vivem mais sozinhas, com menos dinheiro e em casas mais degradadas.
No ano passado, a GNR contabilizou 23 mil idosos a viver sozinhos. Dois em cada três eram mulheres (63,5% mulheres versus 37,5%). Muitas chegam à velhice sós e sem dinheiro. Se a pobreza está muito associada aos idosos, é entre as mulheres que a situação é mais preocupante.
O investigador realçou «a diferença abismal entre a situação de pobreza dos idosos antes e depois de receberem as prestações sociais: antes das prestações, a maior parte da população idosa estaria numa situação de pobreza. Depois das transferências sociais as diferenças evidenciam-se», com uma clara desvantagem para as mulheres.
O valor médio das pensões de velhice atribuídas aos homens com mais de 65 anos rondava os 500 euros, em 2010, enquanto o valor atribuído às mulheres se ficava nos 297 euros.
Em algumas situações, as diferenças de rendimentos poderão não estar diretamente relacionados com os anos de trabalho, mas apenas com os descontos feitos: «É preciso distinguir as carreiras contributivas e o trabalho, porque existem muitos casos de mulheres que trabalharam mas não descontaram. Isto tem depois um impacto nas taxas de pobreza», sublinhou o investigador do CESIS.
No caso das pensões de invalidez verifica-se o mesmo fenómeno, com os homens a ganhar em média 358 euros e as mulheres apenas 281 euros.
Olhando para a pensão social de velhice, destinada a quem não tem qualquer sistema de proteção social obrigatória ou não fez descontos suficientes para ter direito à pensão de velhice, as mulheres aparecem em maioria: representam dois em cada três beneficiários, entre os 80 e os 84 anos (74%), e quatro em cada cinco beneficiários, com mais de 85 anos (82,7%).
Quando as pensões são demasiado baixas, o estado dá o «Complemento Solidário para Idosos». Segundo números apresentados hoje, dois em cada três beneficiários deste apoio são mulheres.
As mulheres também surgem neste retrato como vivendo em habitações mais degradadas: casas com tetos que deixam passar água, com humidade nas paredes ou janelas apodrecidas são a realidade de 27,4% das idosas. Nas mesmas condições vivem 21,9% dos homens, com mais de 65 anos.
Para 4,7% das mulheres, viver num sítio sem casa de banho, duche ou autoclismo não são coisas do passado, passando-se o mesmo com 3,5% dos homens.
As más condições das habitações dos idosos levou o Governo a criar, em 2008, o Programa Conforto Habitacional para Pessoas Idosas que deu resposta, na primeira fase, a 1.100 pessoas. «Destas, 57,2% eram mulheres», concluiu o investigador.
Enfermeiros contratados a quatro euros por hora
in Público on-line
Profissionais de saúde recebiam cerca de seis euros por hora, mas as novas regras do Estado para contratação de colaboradores em regime de prestação de serviços reduziram os valores a pagar
Os enfermeiros que comecem a trabalhar, a partir desta segunda-feira, nos centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo e que tenham sido contratados pelas empresas de prestação de serviços vencedoras do último concurso da Administração Regional de Saúde, vão receber quatro euros por hora, adianta o "Diário de Notícias".
Até agora estes profissionais de saúde recebiam cerca de seis euros por hora, mas as novas regras do Estado para contratação de colaboradores em regime de prestação de serviços reduziram os valores a pagar às empresas e estabeleceram o preço mais baixo como critério dominante.
Segundo explicou ao mesmo jornal o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, em muitos casos são enfermeiros que já trabalhavam nos centros de saúde para outras empresas, ou até para a mesma, e que vêem o valor pago por hora baixar para os 3,96 euros – o que no final do mês corresponde a cerca de 555 euros brutos e a 250 a 300 euros após os descontos, para 140 horas mensais de trabalho.
O sindicato vai por isso reunir-se nesta segunda-feira com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para fazer uma exposição sobre a situação. A MedicSearch, uma das empresas vencedoras, citada pelo "Diário de Notícias", lamenta que para o Estado apenas conte o valor a pagar e não a qualidade dos enfermeiros contratados.
E explica que “os preços desceram 45% em relação ao caderno de encargos do concurso anterior”, já que a ARS estabeleceu como preço máximo o que era pago (seis euros) e como mínimo um valor 50% inferior, sendo obrigada a escolher as propostas mais económicas.
Já o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, diz não conhecer os valores pagos, justificando que não contratam enfermeiros mas sim serviços de enfermagem. Na semana passada, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já tinha anunciado que vai exigir ao Ministério da Saúde que cerca de 3000 enfermeiros com vínculo precário sejam admitidos na função pública, num regime de excepção semelhante ao encontrado para os médicos.
Em causa estão profissionais que estão há vários anos no Serviço Nacional de Saúde a cobrir necessidades permanentes. Já no que diz respeito ao excesso de profissionais nesta área, em meados de Junho o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, propôs uma “redução de 10% ao ano” nas vagas de acesso ao ensino superior para combater o desemprego na profissão, já que o mercado mesmo em áreas carenciadas não consegue absorver todos os profissionais formados.
Profissionais de saúde recebiam cerca de seis euros por hora, mas as novas regras do Estado para contratação de colaboradores em regime de prestação de serviços reduziram os valores a pagar
Os enfermeiros que comecem a trabalhar, a partir desta segunda-feira, nos centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo e que tenham sido contratados pelas empresas de prestação de serviços vencedoras do último concurso da Administração Regional de Saúde, vão receber quatro euros por hora, adianta o "Diário de Notícias".
Até agora estes profissionais de saúde recebiam cerca de seis euros por hora, mas as novas regras do Estado para contratação de colaboradores em regime de prestação de serviços reduziram os valores a pagar às empresas e estabeleceram o preço mais baixo como critério dominante.
Segundo explicou ao mesmo jornal o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, em muitos casos são enfermeiros que já trabalhavam nos centros de saúde para outras empresas, ou até para a mesma, e que vêem o valor pago por hora baixar para os 3,96 euros – o que no final do mês corresponde a cerca de 555 euros brutos e a 250 a 300 euros após os descontos, para 140 horas mensais de trabalho.
O sindicato vai por isso reunir-se nesta segunda-feira com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para fazer uma exposição sobre a situação. A MedicSearch, uma das empresas vencedoras, citada pelo "Diário de Notícias", lamenta que para o Estado apenas conte o valor a pagar e não a qualidade dos enfermeiros contratados.
E explica que “os preços desceram 45% em relação ao caderno de encargos do concurso anterior”, já que a ARS estabeleceu como preço máximo o que era pago (seis euros) e como mínimo um valor 50% inferior, sendo obrigada a escolher as propostas mais económicas.
Já o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, diz não conhecer os valores pagos, justificando que não contratam enfermeiros mas sim serviços de enfermagem. Na semana passada, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses já tinha anunciado que vai exigir ao Ministério da Saúde que cerca de 3000 enfermeiros com vínculo precário sejam admitidos na função pública, num regime de excepção semelhante ao encontrado para os médicos.
Em causa estão profissionais que estão há vários anos no Serviço Nacional de Saúde a cobrir necessidades permanentes. Já no que diz respeito ao excesso de profissionais nesta área, em meados de Junho o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, propôs uma “redução de 10% ao ano” nas vagas de acesso ao ensino superior para combater o desemprego na profissão, já que o mercado mesmo em áreas carenciadas não consegue absorver todos os profissionais formados.
São licenciados e lutam contra o desemprego
in Público on-line (P3)
Não estão onde pensavam que iriam estar. São jovens, têm licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Poderiam ser professores de filosofia, psicólogos, engenheiros químicos e por aí fora. A lista continua. Chamam-lhes "struggling generation". E não é à toa. Não encontram emprego na sua área de estudos e ficam a trabalhar onde os deixarem. Mesmo que seja bem distante do que deveriam estar. Os fotógrafos da Reuters quiseram captar essa realidade. O resultado está à vista: desde um cozinheiro em Atenas com uma licenciatura em engenharia civil, até um licenciado em comunicação a trabalhar como empregado de mesa num restaurante da Califórnia. Um cenário comum a muitos jovens espalhados por todo o mundo.
Não estão onde pensavam que iriam estar. São jovens, têm licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Poderiam ser professores de filosofia, psicólogos, engenheiros químicos e por aí fora. A lista continua. Chamam-lhes "struggling generation". E não é à toa. Não encontram emprego na sua área de estudos e ficam a trabalhar onde os deixarem. Mesmo que seja bem distante do que deveriam estar. Os fotógrafos da Reuters quiseram captar essa realidade. O resultado está à vista: desde um cozinheiro em Atenas com uma licenciatura em engenharia civil, até um licenciado em comunicação a trabalhar como empregado de mesa num restaurante da Califórnia. Um cenário comum a muitos jovens espalhados por todo o mundo.
Advogados e enfermeiros regressam do Luxemburgo sem encontrar emprego
in Público on-line
Advogados e enfermeiros portugueses têm chegado ao Luxemburgo à procura de emprego e regressado sem encontrar trabalho, alertou hoje o responsável da capelania portuguesa no país, recordando que o desemprego já afecta 15 mil pessoas no país.
“A emigração [portuguesa] continua a chegar e é uma emigração de pessoas especializadas”, disse Remildo Boldori, que falava à Lusa em Lisboa, à margem das comemorações dos 50 anos da Obra Católica Portuguesa das Migrações.
Sem adiantar números, que diz nem a agência luxemburguesa de estatística deter, o responsável assegura conhecer casos de juristas, advogados, sociólogos, psicólogos e enfermeiros que continuam a chegar ao Luxemburgo à procura de trabalho.
“Temos casos concretos. Ainda esta semana houve um português a quem a Caritas pagou a viagem de autocarro de regresso a Portugal”.
Na maioria dos casos, os portugueses “ficam uma semana ou duas e quando não encontram trabalho voltam”, disse, admitindo que alguns encontram trabalho, mas em trabalhos pouco qualificados, como no sector das limpezas.
“É um desperdício. Partem de um país que poderiam ajudar a desenvolver e põem os seus talentos em trabalhos destes”, lamentou.
O sacerdote apelou aos candidatos à emigração que se informem antes de partirem, já que, no caso do Luxemburgo, é preciso falarem francês, alemão ou luxemburguês, assim como terem uma promessa de trabalho e um lugar para morar.
Além disso, sublinhou, quando há lugares disponíveis, as empresas procuram colocar as pessoas que já estão no país. “Um novo inscrito, que acaba de chegar ao país e se inscreve no centro de emprego, é sempre o último”, disse.
Já em França, o problema não é tanto o emprego, que para os portugueses sempre vai aparecendo, mas sim o alojamento, disse o responsável da capelania portuguesa, Geraldo Finatto.
“Os portugueses chegam e facilmente encontram trabalho. (...) A dificuldade agora é o alojamento. Alguns portugueses vivem muito mal”, disse.
Afirmando que a maioria dos portugueses, quando chega a França, encontra o apoio de familiares ou amigos, o padre admitiu que “há gente a viver em baixo de pontes”.
Advogados e enfermeiros portugueses têm chegado ao Luxemburgo à procura de emprego e regressado sem encontrar trabalho, alertou hoje o responsável da capelania portuguesa no país, recordando que o desemprego já afecta 15 mil pessoas no país.
“A emigração [portuguesa] continua a chegar e é uma emigração de pessoas especializadas”, disse Remildo Boldori, que falava à Lusa em Lisboa, à margem das comemorações dos 50 anos da Obra Católica Portuguesa das Migrações.
Sem adiantar números, que diz nem a agência luxemburguesa de estatística deter, o responsável assegura conhecer casos de juristas, advogados, sociólogos, psicólogos e enfermeiros que continuam a chegar ao Luxemburgo à procura de trabalho.
“Temos casos concretos. Ainda esta semana houve um português a quem a Caritas pagou a viagem de autocarro de regresso a Portugal”.
Na maioria dos casos, os portugueses “ficam uma semana ou duas e quando não encontram trabalho voltam”, disse, admitindo que alguns encontram trabalho, mas em trabalhos pouco qualificados, como no sector das limpezas.
“É um desperdício. Partem de um país que poderiam ajudar a desenvolver e põem os seus talentos em trabalhos destes”, lamentou.
O sacerdote apelou aos candidatos à emigração que se informem antes de partirem, já que, no caso do Luxemburgo, é preciso falarem francês, alemão ou luxemburguês, assim como terem uma promessa de trabalho e um lugar para morar.
Além disso, sublinhou, quando há lugares disponíveis, as empresas procuram colocar as pessoas que já estão no país. “Um novo inscrito, que acaba de chegar ao país e se inscreve no centro de emprego, é sempre o último”, disse.
Já em França, o problema não é tanto o emprego, que para os portugueses sempre vai aparecendo, mas sim o alojamento, disse o responsável da capelania portuguesa, Geraldo Finatto.
“Os portugueses chegam e facilmente encontram trabalho. (...) A dificuldade agora é o alojamento. Alguns portugueses vivem muito mal”, disse.
Afirmando que a maioria dos portugueses, quando chega a França, encontra o apoio de familiares ou amigos, o padre admitiu que “há gente a viver em baixo de pontes”.
Apelar à emigração é “um erro enorme”, denuncia socióloga Beatriz Rocha-Trindade
in Público on-line
A socióloga das migrações Beatriz Rocha-Trindade considera “um erro enorme” apelar à emigração, considerando que só o faz quem não conhece “todos os desgastes e as perdas emocionais que ela acarreta”.
“Mais uma vez, a mobilidade está a ser uma solução para as dificuldades que existem”, diz Beatriz Rocha-Trindade, lembrando que emigrar é “em muitos casos uma solução necessária, que não pode ser identificada com insucessos, pobreza ou desgraça”.
Para a socióloga, que introduziu em Portugal o ensino da sociologia das migrações, a emigração tem muitos casos de sucesso, “que são ainda mais de exaltar” devido “às dificuldades que o migrante enfrenta para se adaptar”. “Os migrantes, para vencerem, têm de deter qualidades muito grandes para mostrar o que valem em espaços muito adversos”, sublinha a especialista, à margem da apresentação do livro A Igreja face ao Fenómeno Migratório, de que é co-autora, esta terça-feira, em Lisboa.
O livro, escrito também por Eugénia Costa Quaresma, faz uma retrospectiva dos 50 anos da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), criada a 1 de Julho de 1962. “São umas pinceladas, que podem parecer soltas, mas o objectivo foi dar uma ideia geral”, disse na apresentação o director da OCPM, Frei Francisco Sales, considerando tratar-se de um “trabalho muito bem conseguido” que permite “aprender com as lições do passado e projectar o futuro”.
Para Eugénia Costa Quaresma, o livro mostra uma “Igreja sempre presente”, que no processo de acompanhar os que mais sofrem “sofreu uma evolução e aprendeu a descobrir neles uma riqueza e a contar com eles para construir um mundo novo”.
A autora recordou que embora a preocupação inicial tenha sido acompanhar a diáspora portuguesa, a missão foi evoluindo.
“Com a revolução, passa a preocupar-se com os que vêm, não só os chamados retornados, mas também os que vêm de outros países, os refugiados, os evacuados de guerra. E vai-se estendendo”, explica.
Por outro lado, o que começou por ser um acompanhamento espiritual, depressa passou a abranger questões materiais: “Alguns [missionários] transformam-se em assistentes sociais, porque era preciso defender a dignidade daquela pessoa”.
Para Beatriz Rocha-Trindade, a história dos 50 anos da OCPM mostra que a Igreja Católica “tem antecipado, e até previsto”, o fenómeno migratório, muitas vezes antes dos estudiosos. “Começou com o nome emigração, mudou para migrações, actualmente dá um enfoque sobre a mobilidade e a sua filosofia é essencialmente intercultural”, exemplifica.
A autora recorda ainda que, tal como a igreja “era focada sobre si própria e é cada vez mais eclética e aberta ao diálogo intercultural”, também Portugal, onde durante a ditadura “não se falava de migrações”, assume-se hoje como um país de emigração.
“O equivalente a metade da população reside no estrangeiro, há quatro vezes mais madeirenses no estrangeiro do que os que vivem na região e três vezes nos Açores”, recorda, lembrando que também dentro do país houve mudanças: “Portugal hoje é um país de todas as cores. O Portugal do meu tempo não era assim”, conclui a socióloga, de 74 anos.
A socióloga das migrações Beatriz Rocha-Trindade considera “um erro enorme” apelar à emigração, considerando que só o faz quem não conhece “todos os desgastes e as perdas emocionais que ela acarreta”.
“Mais uma vez, a mobilidade está a ser uma solução para as dificuldades que existem”, diz Beatriz Rocha-Trindade, lembrando que emigrar é “em muitos casos uma solução necessária, que não pode ser identificada com insucessos, pobreza ou desgraça”.
Para a socióloga, que introduziu em Portugal o ensino da sociologia das migrações, a emigração tem muitos casos de sucesso, “que são ainda mais de exaltar” devido “às dificuldades que o migrante enfrenta para se adaptar”. “Os migrantes, para vencerem, têm de deter qualidades muito grandes para mostrar o que valem em espaços muito adversos”, sublinha a especialista, à margem da apresentação do livro A Igreja face ao Fenómeno Migratório, de que é co-autora, esta terça-feira, em Lisboa.
O livro, escrito também por Eugénia Costa Quaresma, faz uma retrospectiva dos 50 anos da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), criada a 1 de Julho de 1962. “São umas pinceladas, que podem parecer soltas, mas o objectivo foi dar uma ideia geral”, disse na apresentação o director da OCPM, Frei Francisco Sales, considerando tratar-se de um “trabalho muito bem conseguido” que permite “aprender com as lições do passado e projectar o futuro”.
Para Eugénia Costa Quaresma, o livro mostra uma “Igreja sempre presente”, que no processo de acompanhar os que mais sofrem “sofreu uma evolução e aprendeu a descobrir neles uma riqueza e a contar com eles para construir um mundo novo”.
A autora recordou que embora a preocupação inicial tenha sido acompanhar a diáspora portuguesa, a missão foi evoluindo.
“Com a revolução, passa a preocupar-se com os que vêm, não só os chamados retornados, mas também os que vêm de outros países, os refugiados, os evacuados de guerra. E vai-se estendendo”, explica.
Por outro lado, o que começou por ser um acompanhamento espiritual, depressa passou a abranger questões materiais: “Alguns [missionários] transformam-se em assistentes sociais, porque era preciso defender a dignidade daquela pessoa”.
Para Beatriz Rocha-Trindade, a história dos 50 anos da OCPM mostra que a Igreja Católica “tem antecipado, e até previsto”, o fenómeno migratório, muitas vezes antes dos estudiosos. “Começou com o nome emigração, mudou para migrações, actualmente dá um enfoque sobre a mobilidade e a sua filosofia é essencialmente intercultural”, exemplifica.
A autora recorda ainda que, tal como a igreja “era focada sobre si própria e é cada vez mais eclética e aberta ao diálogo intercultural”, também Portugal, onde durante a ditadura “não se falava de migrações”, assume-se hoje como um país de emigração.
“O equivalente a metade da população reside no estrangeiro, há quatro vezes mais madeirenses no estrangeiro do que os que vivem na região e três vezes nos Açores”, recorda, lembrando que também dentro do país houve mudanças: “Portugal hoje é um país de todas as cores. O Portugal do meu tempo não era assim”, conclui a socióloga, de 74 anos.
Crise afecta grande comércio e obrigou ao encerramento de 37 lojas
Por Ana Rute Silva, in Público on-line
Em 2011 perderam-se 6593 empregos na grande distribuição, a maior parte nos super e hipermercados.
Depois de anos de expansão e abertura de lojas, a distribuição moderna, que inclui hipermercados ou lojas como o Ikea ou a C&A, está a sofrer os impactos da crise económica e, pela primeira vez em vários anos, não criou emprego.
De acordo com dados da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), entre Janeiro de 2011 e Março deste anos, encerraram 37 lojas, “uma realidade claramente em contraciclo com a expansão do sector nos últimos anos”.
Se em 2010 foram criados 5195 postos de trabalho, em 2011 a realidade foi inversa: perderam-se 6593 empregos, 64% na área alimentar. Foi nos super e hipermercados que mais emprego se perdeu, apesar do número de lojas encerradas ser inferior ao dos estabelecimentos dos ramos não alimentares (onde encerraram 21 lojas).
“O sector da distribuição em Portugal atravessa uma grave crise, que resulta de uma forte quebra do poder de compra dos consumidores, gerada pelas medidas de austeridade. O consumo em Portugal sofreu alterações profundas e está em queda livre”, sublinha Ana Isabel Trigo de Morais, directora-geral da APED.
De acordo com o Barómetro de Vendas da associação, que tem cerca de 109 associados, o volume de vendas caiu 3,7% nos primeiros três meses do ano, em comparação com 2011. A descida foi mais acentuada no sector não alimentar (-8,6%).
Em 2011 perderam-se 6593 empregos na grande distribuição, a maior parte nos super e hipermercados.
Depois de anos de expansão e abertura de lojas, a distribuição moderna, que inclui hipermercados ou lojas como o Ikea ou a C&A, está a sofrer os impactos da crise económica e, pela primeira vez em vários anos, não criou emprego.
De acordo com dados da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), entre Janeiro de 2011 e Março deste anos, encerraram 37 lojas, “uma realidade claramente em contraciclo com a expansão do sector nos últimos anos”.
Se em 2010 foram criados 5195 postos de trabalho, em 2011 a realidade foi inversa: perderam-se 6593 empregos, 64% na área alimentar. Foi nos super e hipermercados que mais emprego se perdeu, apesar do número de lojas encerradas ser inferior ao dos estabelecimentos dos ramos não alimentares (onde encerraram 21 lojas).
“O sector da distribuição em Portugal atravessa uma grave crise, que resulta de uma forte quebra do poder de compra dos consumidores, gerada pelas medidas de austeridade. O consumo em Portugal sofreu alterações profundas e está em queda livre”, sublinha Ana Isabel Trigo de Morais, directora-geral da APED.
De acordo com o Barómetro de Vendas da associação, que tem cerca de 109 associados, o volume de vendas caiu 3,7% nos primeiros três meses do ano, em comparação com 2011. A descida foi mais acentuada no sector não alimentar (-8,6%).
Empresas podem começar a contratar ao abrigo do Impulso Jovem em Agosto
in Público on-line
As empresas portuguesas deverão poder começar a contratar jovens desempregados ao abrigo dos apoios do Programa Impulso Jovem, no final do mês ou no início de Agosto, informou nesta terça-feira o secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins.
“Estamos em condições para ter a portaria, que é o documento legal que vai dar início às medidas [do Impulso Jovem], publicada no final do mês ou no início do próximo”, disse Pedro Martins aos jornalistas no final de uma reunião com os parceiros sociais.
“Estaremos então em condições para permitir às empresas medidas de apoio para poderem contratar jovens e, dessa forma, reduzirem o desemprego em Portugal”, acrescentou o governante.
O secretário de Estado considerou que o encontro de hoje com os parceiros sociais, para discutir o Impulso Jovem, “foi uma reunião muito construtiva” em que os parceiros apresentaram sugestões para melhorar a proposta de Portaria do Governo, algumas das quais vão ser aproveitadas pelo Executivo.
O governante referiu, como exemplo, o alargamento do número de estagiários a serem colocados em empresas de menor dimensão, dependendo da empregabilidade das mesmas.
Pedro Martins assegurou que está ser tomada “uma importante medida” para garantir que os apoios que vão ser dados às empresas para a contratação de jovens “não resultem na simples troca de trabalhadores”.
Para garantir os níveis de emprego líquido nas empresas, o Governo vai condicionar o reembolso da Taxa Social Unica pela contratação de jovens desempregados de longa duração. Só serão reembolsadas as empresas que contratarem jovens sem reduzirem o número total de trabalhadores.
Esta foi uma das preocupações manifestadas pela UGT no encontro com os representantes governamentais.
“Relativamente aos incentivos à contratação, não prevêem a criação líquida de emprego. Para nós é fundamental clarificar que ficam os estagiários nas empresas, mas não são despedidos os trabalhadores que já estavam nas empresas”, disse o secretário-geral da UGT, João Proença, aos jornalistas, no final da segunda reunião de acompanhamento do Impulso Jovem.
O Conselho de Ministros aprovou no início de Junho o programa de combate ao desemprego Impulso Jovem, que envolve mais de 344 milhões de euros e vai abranger 90 mil jovens.
O programa prevê, nomeadamente, uma redução da taxa social única (TSU) de 90%, até ao montante máximo de 175 euros, para as empresas que contratem a termo jovens desempregados de longa duração, por um período mínimo de 18 meses.
O passaporte emprego, que garante, no final de um estágio profissional de seis meses (com formação profissional mínima de 50 horas), um prémio de integração caso ocorra a celebração de um contrato de trabalho sem termo é outra das medidas do programa.
As empresas portuguesas deverão poder começar a contratar jovens desempregados ao abrigo dos apoios do Programa Impulso Jovem, no final do mês ou no início de Agosto, informou nesta terça-feira o secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins.
“Estamos em condições para ter a portaria, que é o documento legal que vai dar início às medidas [do Impulso Jovem], publicada no final do mês ou no início do próximo”, disse Pedro Martins aos jornalistas no final de uma reunião com os parceiros sociais.
“Estaremos então em condições para permitir às empresas medidas de apoio para poderem contratar jovens e, dessa forma, reduzirem o desemprego em Portugal”, acrescentou o governante.
O secretário de Estado considerou que o encontro de hoje com os parceiros sociais, para discutir o Impulso Jovem, “foi uma reunião muito construtiva” em que os parceiros apresentaram sugestões para melhorar a proposta de Portaria do Governo, algumas das quais vão ser aproveitadas pelo Executivo.
O governante referiu, como exemplo, o alargamento do número de estagiários a serem colocados em empresas de menor dimensão, dependendo da empregabilidade das mesmas.
Pedro Martins assegurou que está ser tomada “uma importante medida” para garantir que os apoios que vão ser dados às empresas para a contratação de jovens “não resultem na simples troca de trabalhadores”.
Para garantir os níveis de emprego líquido nas empresas, o Governo vai condicionar o reembolso da Taxa Social Unica pela contratação de jovens desempregados de longa duração. Só serão reembolsadas as empresas que contratarem jovens sem reduzirem o número total de trabalhadores.
Esta foi uma das preocupações manifestadas pela UGT no encontro com os representantes governamentais.
“Relativamente aos incentivos à contratação, não prevêem a criação líquida de emprego. Para nós é fundamental clarificar que ficam os estagiários nas empresas, mas não são despedidos os trabalhadores que já estavam nas empresas”, disse o secretário-geral da UGT, João Proença, aos jornalistas, no final da segunda reunião de acompanhamento do Impulso Jovem.
O Conselho de Ministros aprovou no início de Junho o programa de combate ao desemprego Impulso Jovem, que envolve mais de 344 milhões de euros e vai abranger 90 mil jovens.
O programa prevê, nomeadamente, uma redução da taxa social única (TSU) de 90%, até ao montante máximo de 175 euros, para as empresas que contratem a termo jovens desempregados de longa duração, por um período mínimo de 18 meses.
O passaporte emprego, que garante, no final de um estágio profissional de seis meses (com formação profissional mínima de 50 horas), um prémio de integração caso ocorra a celebração de um contrato de trabalho sem termo é outra das medidas do programa.
EPIS lança fundo para garantir estágios a 200 jovens em risco
in Público on-line
Apoiar quem “muitas vezes é esquecido”. É este o objectivo de um novo programa de estágios profissionais que vai ser lançado pela associação EPIS - Empresários pela Inclusão Social e terá como destinatários jovens com 18 anos, mas que estão ainda a concluir o 3.º ciclo.
O Fundo de Inserção Profissional EPIS terá uma verba de 250 mil euros, suficiente segundo a associação para assegurar estágios de seis meses a 200 jovens. Estes terão uma remuneração de 418,22 euros, metade a cargo da EPIS e a outra parte da entidade empregadora. Segundo a associação, os jovens a que se destina este programa “estiveram já, por longos períodos, afastados da escola”.
Acabaram por voltar e estão agora a concluir o 9.º ano. “São jovens com percursos muito complicados e que não têm condições nem vontade de prosseguir estudos para já. Se não se fizer nada para ajudar à sua inclusão social corre-se o risco de que voltem ao mau caminho”, alerta a associação. Os estágios poderão constituir um meio de ultrapassar as “inúmeras barreiras” que se colocam à inserção profissional destes jovens. A começar pela “falta de competências sociais e profissionais”.
A iniciativa será apresentada nesta quarta-feira ao Presidente da República. Os programas de estágios já existentes, a cargo do Instituto de Emprego e Formação Profissional, destinam-se a licenciados ou a jovens com o 12.º ano. O fundo para estágios da EPIS começará a ser disponibilizado a partir de Outubro de 2012 e será sobretudo aplicado nos concelhos onde a associação tem desenvolvido programas de combate ao insucesso e abandono escolar, que se traduziram no acompanhamento de 10 mil alunos.
Para já, a associação estabeleceu parcerias com seis câmaras. A partir de Setembro prevê alargar a acção a mais cinco municípios. A EPIS foi constituída, em 2006, por mais de 100 empresários.
Apoiar quem “muitas vezes é esquecido”. É este o objectivo de um novo programa de estágios profissionais que vai ser lançado pela associação EPIS - Empresários pela Inclusão Social e terá como destinatários jovens com 18 anos, mas que estão ainda a concluir o 3.º ciclo.
O Fundo de Inserção Profissional EPIS terá uma verba de 250 mil euros, suficiente segundo a associação para assegurar estágios de seis meses a 200 jovens. Estes terão uma remuneração de 418,22 euros, metade a cargo da EPIS e a outra parte da entidade empregadora. Segundo a associação, os jovens a que se destina este programa “estiveram já, por longos períodos, afastados da escola”.
Acabaram por voltar e estão agora a concluir o 9.º ano. “São jovens com percursos muito complicados e que não têm condições nem vontade de prosseguir estudos para já. Se não se fizer nada para ajudar à sua inclusão social corre-se o risco de que voltem ao mau caminho”, alerta a associação. Os estágios poderão constituir um meio de ultrapassar as “inúmeras barreiras” que se colocam à inserção profissional destes jovens. A começar pela “falta de competências sociais e profissionais”.
A iniciativa será apresentada nesta quarta-feira ao Presidente da República. Os programas de estágios já existentes, a cargo do Instituto de Emprego e Formação Profissional, destinam-se a licenciados ou a jovens com o 12.º ano. O fundo para estágios da EPIS começará a ser disponibilizado a partir de Outubro de 2012 e será sobretudo aplicado nos concelhos onde a associação tem desenvolvido programas de combate ao insucesso e abandono escolar, que se traduziram no acompanhamento de 10 mil alunos.
Para já, a associação estabeleceu parcerias com seis câmaras. A partir de Setembro prevê alargar a acção a mais cinco municípios. A EPIS foi constituída, em 2006, por mais de 100 empresários.
Missões: Igreja atenta ao voluntariado
in Agência Ecclesia
«Revolução silenciosa» está a mudar «consciências e mentalidades», diz responsável da Fundação Fé e Cooperação
A Igreja Católica está preocupada com a reintegração profissional de voluntários que deixaram vínculos laborais seguros nas suas empresas para abraçarem ações de cooperação no estrangeiro durante um ou mais anos.
“Muitas pessoas tinham emprego estável e despediram-se para partir em missão durante um ou mais anos; no regresso vivem na incerteza e tudo volta à estaca zero”, explicou a responsável pela Rede de Voluntariado Missionário da Fundação Fé e Cooperação (FEC) em declarações ao programa ECCLESIA na Antena 1.
A demissão do posto de trabalho revela que os voluntários “não partem para fazer uma experiência exótica mas têm um projeto de vida que querem cumprir ao serviço de outras pessoas”, frisa Patrícia Fonseca na entrevista que vai para o ar este domingo e que ficará disponível na internet a partir de segunda-feira.
“Era importante para quem deixa as suas vidas profissionais em Portugal, com o objetivo de fazer estas experiências de forma gratuita, que no regresso encontrasse mais apoio e reconhecimento”, sustenta.
A responsável sugere que as contribuições à Segurança Social para efeitos de reforma, feitas pelas associações a que os voluntários pertencem durante o tempo de missão, tenham um acréscimo que em contrapartida faça com que o Estado conceda um apoio à reintegração durante seis meses, após o regresso a Portugal.
Esta é uma das propostas feitas pela FEC ao Governo, no âmbito do processo da revisão da lei do voluntariado que está a ser conduzido pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social.
A cooperação em Portugal e no estrangeiro inspirada pela perspetiva cristã, o denominado voluntariado missionário, é uma “revolução silenciosa” que, “com passos curtos mas firmes”, está a mudar “consciências e mentalidades”, observa Patrícia Fonseca.
“Quando se iniciou, há mais de 20 anos, participaram apenas nove jovens; hoje são 4500”, destaca a coordenadora da Fundação Fé e Cooperação, instituição dependente da Conferência Episcopal que prepara os voluntários antes da partida e os acompanha no terreno.
Os resultados de um inquérito às 61 organizações da Rede de Voluntariado Missionário, anunciados esta segunda-feira pela FEC, mostram um crescimento de participação nestas iniciativas de 40% face a 2011, que constitui “o maior aumento” de sempre, assinala a coordenadora.
Patrícia Fonseca sublinha os efeitos positivos a nível pessoal e coletivo das experiências de cooperação: ao voltar a Portugal os voluntários dão mais importância “à vida em comunidade” e aprendem “novas formas de ser e de estar”.
“Valorizam pequenas coisas ligadas aos recursos naturais, como abrir a torneira e ter água ou ir à despensa e ter o que comer, realidades que não encontram quando estão em missão”, acrescenta.
A coordenadora nota também que a experiência de privação de alguns recursos sensibiliza os voluntários que regressam a Portugal a envolverem-se em atividades tendentes a “diminuir as assimetrias” económicas.
Os voluntários, que trabalham sobretudo nas áreas da formação, educação, saúde e evangelização, ganham “outra visão do mundo” e voltam com “aprendizagens que nem lhes passava pela cabeça que pudessem ter”, salienta Patrícia Fonseca.
PRE/RJM
«Revolução silenciosa» está a mudar «consciências e mentalidades», diz responsável da Fundação Fé e Cooperação
A Igreja Católica está preocupada com a reintegração profissional de voluntários que deixaram vínculos laborais seguros nas suas empresas para abraçarem ações de cooperação no estrangeiro durante um ou mais anos.
“Muitas pessoas tinham emprego estável e despediram-se para partir em missão durante um ou mais anos; no regresso vivem na incerteza e tudo volta à estaca zero”, explicou a responsável pela Rede de Voluntariado Missionário da Fundação Fé e Cooperação (FEC) em declarações ao programa ECCLESIA na Antena 1.
A demissão do posto de trabalho revela que os voluntários “não partem para fazer uma experiência exótica mas têm um projeto de vida que querem cumprir ao serviço de outras pessoas”, frisa Patrícia Fonseca na entrevista que vai para o ar este domingo e que ficará disponível na internet a partir de segunda-feira.
“Era importante para quem deixa as suas vidas profissionais em Portugal, com o objetivo de fazer estas experiências de forma gratuita, que no regresso encontrasse mais apoio e reconhecimento”, sustenta.
A responsável sugere que as contribuições à Segurança Social para efeitos de reforma, feitas pelas associações a que os voluntários pertencem durante o tempo de missão, tenham um acréscimo que em contrapartida faça com que o Estado conceda um apoio à reintegração durante seis meses, após o regresso a Portugal.
Esta é uma das propostas feitas pela FEC ao Governo, no âmbito do processo da revisão da lei do voluntariado que está a ser conduzido pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social.
A cooperação em Portugal e no estrangeiro inspirada pela perspetiva cristã, o denominado voluntariado missionário, é uma “revolução silenciosa” que, “com passos curtos mas firmes”, está a mudar “consciências e mentalidades”, observa Patrícia Fonseca.
“Quando se iniciou, há mais de 20 anos, participaram apenas nove jovens; hoje são 4500”, destaca a coordenadora da Fundação Fé e Cooperação, instituição dependente da Conferência Episcopal que prepara os voluntários antes da partida e os acompanha no terreno.
Os resultados de um inquérito às 61 organizações da Rede de Voluntariado Missionário, anunciados esta segunda-feira pela FEC, mostram um crescimento de participação nestas iniciativas de 40% face a 2011, que constitui “o maior aumento” de sempre, assinala a coordenadora.
Patrícia Fonseca sublinha os efeitos positivos a nível pessoal e coletivo das experiências de cooperação: ao voltar a Portugal os voluntários dão mais importância “à vida em comunidade” e aprendem “novas formas de ser e de estar”.
“Valorizam pequenas coisas ligadas aos recursos naturais, como abrir a torneira e ter água ou ir à despensa e ter o que comer, realidades que não encontram quando estão em missão”, acrescenta.
A coordenadora nota também que a experiência de privação de alguns recursos sensibiliza os voluntários que regressam a Portugal a envolverem-se em atividades tendentes a “diminuir as assimetrias” económicas.
Os voluntários, que trabalham sobretudo nas áreas da formação, educação, saúde e evangelização, ganham “outra visão do mundo” e voltam com “aprendizagens que nem lhes passava pela cabeça que pudessem ter”, salienta Patrícia Fonseca.
PRE/RJM
Voluntários portugueses são na maioria mulheres estudantes
in TVI24
Perto de 1100 participam este ano em projetos de voluntariado missionário em países em desenvolvimento e em Portugal
No total são 1.096 jovens e adultos, dos quais 694 estão integrados em projetos em Portugal.
Os dados indicam que 402 voluntários portugueses participam em missões em África, América do Sul e Ásia, o que representa um aumento de 40 por cento face a 2011.
Destes, 140 partem para Moçambique, 64 para Angola e 56 para São Tomé e Príncipe. Cabo Verde acolhe 52 voluntários, a Guiné Bissau 51, o Brasil 25, Timor-Leste 10, a Colômbia dois e outros dois na Zâmbia.
Este é o resultado de um inquérito feito às 61 entidades que integram a Rede de Voluntariado Missionário coordenada pela FEC, das quais 44 vão enviar voluntários em missão este ano.
Segundo a FEC, 353 voluntários participam em projetos nos países em desenvolvimento considerados de curta duração (entre 15 dias a seis meses) e 49 dedicam um ou dois anos da sua vida ao «voluntariado para a cooperação de inspiração cristã».
Mais de metade dos voluntários que parte para missões internacionais é estudante, tem entre os 18 e os 25 anos (55%) e é mulher (70%).
A FEC observa que 22% dos voluntários de curta duração estão empregados e disponibilizam as suas férias para desenvolver projetos de voluntariado em países em desenvolvimento.
Jovens em idade ativa pedem licenças sem vencimento ou desempregam-se para partir em missões de longa duração.
Dos voluntários que dedicam um ou mais anos ao voluntariado missionário, 37% têm entre os 18 e os 25 anos e 35% entre os 26 e os 30 anos.
Mais de metade (57%) destes jovens deixou o emprego que tinha para partir em missão, sendo que 41% desempregaram-se e 16% pediram licença sem vencimento.
A grande maioria (80%) das organizações trabalha na área da Educação/Formação, 55% na área da saúde e 50% na pastoral.
Os principais destinatários das ações do voluntariado missionário são as crianças (75%), seguindo-se os jovens (57%), as famílias e professores (30%) e as mulheres (25%).
Técnicos de associações (14%) e população idosa (11%) também são alvo das intervenções dos voluntários.
No regresso de missão, os voluntários dão maior importância à vida em comunidade (68,2%) e 61,4% destacam o trabalho junto de pessoas de outras culturas, com hábitos e costumes distintos.
Perto de metade (47,7%) dos voluntários comprometem-se a continuar a apoiar os projetos locais a partir do seu país.
Em Portugal, os voluntários trabalham com crianças e jovens, refere a FEC, adiantando que 310 estão a desenvolver atividades durante as férias e 384 a realizar ações com regularidade durante o ano.
A grande parte do trabalho, em Portugal, é realizada na área da Animação Sociocultural (47%), da Educação (44%) e da Pastoral (33%).
Os voluntários dedicam o seu tempo, conhecimento e atenção às crianças e jovens (44%), idosos (40%) e famílias (26%).
Os projetos de voluntariado multiplicam-se pelas regiões Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve.
Perto de 1100 participam este ano em projetos de voluntariado missionário em países em desenvolvimento e em Portugal
No total são 1.096 jovens e adultos, dos quais 694 estão integrados em projetos em Portugal.
Os dados indicam que 402 voluntários portugueses participam em missões em África, América do Sul e Ásia, o que representa um aumento de 40 por cento face a 2011.
Destes, 140 partem para Moçambique, 64 para Angola e 56 para São Tomé e Príncipe. Cabo Verde acolhe 52 voluntários, a Guiné Bissau 51, o Brasil 25, Timor-Leste 10, a Colômbia dois e outros dois na Zâmbia.
Este é o resultado de um inquérito feito às 61 entidades que integram a Rede de Voluntariado Missionário coordenada pela FEC, das quais 44 vão enviar voluntários em missão este ano.
Segundo a FEC, 353 voluntários participam em projetos nos países em desenvolvimento considerados de curta duração (entre 15 dias a seis meses) e 49 dedicam um ou dois anos da sua vida ao «voluntariado para a cooperação de inspiração cristã».
Mais de metade dos voluntários que parte para missões internacionais é estudante, tem entre os 18 e os 25 anos (55%) e é mulher (70%).
A FEC observa que 22% dos voluntários de curta duração estão empregados e disponibilizam as suas férias para desenvolver projetos de voluntariado em países em desenvolvimento.
Jovens em idade ativa pedem licenças sem vencimento ou desempregam-se para partir em missões de longa duração.
Dos voluntários que dedicam um ou mais anos ao voluntariado missionário, 37% têm entre os 18 e os 25 anos e 35% entre os 26 e os 30 anos.
Mais de metade (57%) destes jovens deixou o emprego que tinha para partir em missão, sendo que 41% desempregaram-se e 16% pediram licença sem vencimento.
A grande maioria (80%) das organizações trabalha na área da Educação/Formação, 55% na área da saúde e 50% na pastoral.
Os principais destinatários das ações do voluntariado missionário são as crianças (75%), seguindo-se os jovens (57%), as famílias e professores (30%) e as mulheres (25%).
Técnicos de associações (14%) e população idosa (11%) também são alvo das intervenções dos voluntários.
No regresso de missão, os voluntários dão maior importância à vida em comunidade (68,2%) e 61,4% destacam o trabalho junto de pessoas de outras culturas, com hábitos e costumes distintos.
Perto de metade (47,7%) dos voluntários comprometem-se a continuar a apoiar os projetos locais a partir do seu país.
Em Portugal, os voluntários trabalham com crianças e jovens, refere a FEC, adiantando que 310 estão a desenvolver atividades durante as férias e 384 a realizar ações com regularidade durante o ano.
A grande parte do trabalho, em Portugal, é realizada na área da Animação Sociocultural (47%), da Educação (44%) e da Pastoral (33%).
Os voluntários dedicam o seu tempo, conhecimento e atenção às crianças e jovens (44%), idosos (40%) e famílias (26%).
Os projetos de voluntariado multiplicam-se pelas regiões Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve.
Os pobres desta crise são diferentes
Marta Moitinho Oliveira, in Diário Económico
Licenciados desempregados, empregados que não recebem e idosos que acolhem de novo os filhos em casa são o
Quando o ‘rapper’ Boss AC lançou a música “Sexta-feira” queria transmitir a sua “visão dos factos”. “O retrato que faço da sociedade”. A letra da música,que conta a vida de um licenciado que ora está desempregado,ora tem um emprego de salário baixo, mostra como vivem os novos pobres, que “ainda omês vai ameio” e já estão aflitos.
A música saiu no início de 2012, cinco anos depois da bolha imobiliária do ‘subprime’
ter rebentado nos EUA. De lá para cá, a crise foi-se agravando, passou dos bancos para a economia, da economia para os Estados, que se viram obrigados a aplicar fortes medidas de austeridade. Até chegar aos bolsos dos portugueses foi um pequeno salto.
As consequências estão à vista. O Banco Alimentar apoiou, no ano passado, 329.176 pessoas,mais 96 mil desde que a crise começou. O número de famílias a decretar falência disparou. Dados do Ministério da Justiça mostram que, no ano passado,
5.711 famílias faliram, 11,7 vezes mais do que em 2007. No total, as falências decretadas pelos tribunais sobre empresas e famílias apontam para 10.303 insolvências,
em2011, quase quatro vezes mais do que quando a crise do ‘subprime’ teve início.
[Leia aqui o artigo na íntegra]
Licenciados desempregados, empregados que não recebem e idosos que acolhem de novo os filhos em casa são o
Quando o ‘rapper’ Boss AC lançou a música “Sexta-feira” queria transmitir a sua “visão dos factos”. “O retrato que faço da sociedade”. A letra da música,que conta a vida de um licenciado que ora está desempregado,ora tem um emprego de salário baixo, mostra como vivem os novos pobres, que “ainda omês vai ameio” e já estão aflitos.
A música saiu no início de 2012, cinco anos depois da bolha imobiliária do ‘subprime’
ter rebentado nos EUA. De lá para cá, a crise foi-se agravando, passou dos bancos para a economia, da economia para os Estados, que se viram obrigados a aplicar fortes medidas de austeridade. Até chegar aos bolsos dos portugueses foi um pequeno salto.
As consequências estão à vista. O Banco Alimentar apoiou, no ano passado, 329.176 pessoas,mais 96 mil desde que a crise começou. O número de famílias a decretar falência disparou. Dados do Ministério da Justiça mostram que, no ano passado,
5.711 famílias faliram, 11,7 vezes mais do que em 2007. No total, as falências decretadas pelos tribunais sobre empresas e famílias apontam para 10.303 insolvências,
em2011, quase quatro vezes mais do que quando a crise do ‘subprime’ teve início.
[Leia aqui o artigo na íntegra]
Faltam homens no voluntariado
Texto Francisco Pedro, Fátima Missionária
O número de jovens e adultos envolvidos em projetos de voluntariado no estrangeiro aumentou 40 por cento este ano. Em contrapartida, reduziram as partidas para missões com duração superior a um ano. A maioria dos candidatos é do sexo feminino
Ultrapassa o milhar o número de portugueses que em 2012 participa em projetos de voluntariado em Portugal e no estrangeiro. Segundo dados revelados esta segunda-feira pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), este ano, 1096 jovens e adultos aderiram a iniciativas de cariz voluntário. A maior parte (694) está a trabalhar em Portugal, os restantes 402 distribuem-se para África, América do Sul e Ásia.
A evolução anual dos voluntários em missões internacionais demonstra ainda uma tendência para o aumento de projetos de voluntariado de curta duração e a diminuição das missões com duração superior a um ano. Enquanto em 2003 se registaram 227 partidas por um a dois meses, em 2012 esta modalidade atingiu o total de 353 saídas. No mesmo período, as adesões a projetos por um a dois anos reduziram de 63 para 49.
No inquérito feito às 61 entidades que integram a rede de Voluntariado Missionário, concluiu-se que são as jovens estudantes quem mais adere a este tipo de projetos. De acordo com a FEC, a maioria dos voluntários que parte para as missões internacionais é estudante (50 por cento), tem entre 18 e 25 anos (55 por cento) e é do sexo feminino (70 por cento). De salientar que 22 por cento dos voluntários de curta duração estão empregados e disponibilizam as suas férias para desenvolver projetos de voluntariado em países em desenvolvimento.
Em Portugal e no estrangeiro, as áreas de maior intervenção são na edução, formação, animação sócio-cultural , saúde e pastoral. Num e noutro caso, as crianças e os jovens são o público-alvo preferencial. Ao participarem nestes projetos, os voluntários têm a oportunidade «de se envolverem num processo de educação não-formal, que os torna cidadãos ativos, atuantes e comprometidos com a transformação da realidade social, em benefício do bem comum», destaca a FEC.
O número de jovens e adultos envolvidos em projetos de voluntariado no estrangeiro aumentou 40 por cento este ano. Em contrapartida, reduziram as partidas para missões com duração superior a um ano. A maioria dos candidatos é do sexo feminino
Ultrapassa o milhar o número de portugueses que em 2012 participa em projetos de voluntariado em Portugal e no estrangeiro. Segundo dados revelados esta segunda-feira pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), este ano, 1096 jovens e adultos aderiram a iniciativas de cariz voluntário. A maior parte (694) está a trabalhar em Portugal, os restantes 402 distribuem-se para África, América do Sul e Ásia.
A evolução anual dos voluntários em missões internacionais demonstra ainda uma tendência para o aumento de projetos de voluntariado de curta duração e a diminuição das missões com duração superior a um ano. Enquanto em 2003 se registaram 227 partidas por um a dois meses, em 2012 esta modalidade atingiu o total de 353 saídas. No mesmo período, as adesões a projetos por um a dois anos reduziram de 63 para 49.
No inquérito feito às 61 entidades que integram a rede de Voluntariado Missionário, concluiu-se que são as jovens estudantes quem mais adere a este tipo de projetos. De acordo com a FEC, a maioria dos voluntários que parte para as missões internacionais é estudante (50 por cento), tem entre 18 e 25 anos (55 por cento) e é do sexo feminino (70 por cento). De salientar que 22 por cento dos voluntários de curta duração estão empregados e disponibilizam as suas férias para desenvolver projetos de voluntariado em países em desenvolvimento.
Em Portugal e no estrangeiro, as áreas de maior intervenção são na edução, formação, animação sócio-cultural , saúde e pastoral. Num e noutro caso, as crianças e os jovens são o público-alvo preferencial. Ao participarem nestes projetos, os voluntários têm a oportunidade «de se envolverem num processo de educação não-formal, que os torna cidadãos ativos, atuantes e comprometidos com a transformação da realidade social, em benefício do bem comum», destaca a FEC.
Alunos que façam voluntariado poderão incluir essas acções no seu curriculum vitae
in Público on-line
O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, reiterou esta terça-feira a intenção de incluir nos diplomas dos alunos do ensino secundário as acções de voluntariado em que participaram.
Esta é uma das medidas que estará plasmada no Plano Nacional de Voluntariado que o Governo pretende apresentar até ao final de Julho. “Muitos jovens estão empenhados em acções de voluntariado e essa dimensão também tem de ter uma capacidade efectiva de concretização”, disse Mota Soares à margem da conferência “Uma nova geração de Voluntariado”, organizada pela rede My Social Project, em Lisboa.
Para Mota Soares, é “fundamental” garantir que as escolas tenham projectos de voluntariado, uma iniciativa que deve ser desenvolvida em coordenação com o Ministério da Educação.
Por outro lado, defendeu, devia incluir-se “nos diplomas escolares do ensino secundário a dimensão do voluntariado que os jovens vão fazendo”. “É muito importante sensibilizarmos os jovens nas escolas e explicar-lhes que, hoje, o mercado de trabalho olha cada vez mais não só para a formação, mas também para a dimensão social e para as acções de voluntariado que tem vindo a fazer”, sustentou.
Nesse sentido, salientou, “é muito importante poder promover com o Ministério da Educação, junto das escolas, muitas destas iniciativas”. O ministro anunciou que até ao final do mês será apresentado o Plano Nacional de Voluntariado que criará a rede para o desenvolvimento do voluntariado.
O plano será “transversal a todo o Governo e terá um conjunto de concretizações que poderá passar por alterações legislativas”.
“Hoje faz todo o sentido rever a lei de bases do voluntariado que tem cerca de dez anos e não contempla novas dimensões como a da responsabilidade social das empresas”, defendeu.
Pedro Mota Soares afirmou que é “muito importante” conseguir motivar as empresas para ajudarem instituições sociais e causas sociais, “mas também, do ponto de vista da sua gestão de recursos humanos, poderem ter muitas acções de voluntariado.
Lançado em Março, o My Social Project é uma rede social que “acredita na capacidade de mobilização das sociedades e das novas tecnologias para a concretização de projectos sociais”. Partindo de valores como a equidade, cidadania e voluntariado, My Social Project pretende dinamizar o universo da solidariedade e ter um papel interventivo na sociedade portuguesa, através de uma rede activa de voluntários, causas e empresas que, de forma interactiva e directa, podem estabelecer contactos entre si, criar pontes, parcerias e cadeias de entre-ajuda.
Segundo o co-fundador do projecto, Pedro Bártolo, os três meses da rede têm sido “muito promissores”, contando já com mais de 2000 voluntários inscritos e mais de 150 instituições. “Os nossos objectivos continuam a ser os mesmos, ambicionamos chegar ao final do ano com 5000 voluntários, mas estamos convictos que iremos superar esse valor”, disse Pedro Bártolo.
O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, reiterou esta terça-feira a intenção de incluir nos diplomas dos alunos do ensino secundário as acções de voluntariado em que participaram.
Esta é uma das medidas que estará plasmada no Plano Nacional de Voluntariado que o Governo pretende apresentar até ao final de Julho. “Muitos jovens estão empenhados em acções de voluntariado e essa dimensão também tem de ter uma capacidade efectiva de concretização”, disse Mota Soares à margem da conferência “Uma nova geração de Voluntariado”, organizada pela rede My Social Project, em Lisboa.
Para Mota Soares, é “fundamental” garantir que as escolas tenham projectos de voluntariado, uma iniciativa que deve ser desenvolvida em coordenação com o Ministério da Educação.
Por outro lado, defendeu, devia incluir-se “nos diplomas escolares do ensino secundário a dimensão do voluntariado que os jovens vão fazendo”. “É muito importante sensibilizarmos os jovens nas escolas e explicar-lhes que, hoje, o mercado de trabalho olha cada vez mais não só para a formação, mas também para a dimensão social e para as acções de voluntariado que tem vindo a fazer”, sustentou.
Nesse sentido, salientou, “é muito importante poder promover com o Ministério da Educação, junto das escolas, muitas destas iniciativas”. O ministro anunciou que até ao final do mês será apresentado o Plano Nacional de Voluntariado que criará a rede para o desenvolvimento do voluntariado.
O plano será “transversal a todo o Governo e terá um conjunto de concretizações que poderá passar por alterações legislativas”.
“Hoje faz todo o sentido rever a lei de bases do voluntariado que tem cerca de dez anos e não contempla novas dimensões como a da responsabilidade social das empresas”, defendeu.
Pedro Mota Soares afirmou que é “muito importante” conseguir motivar as empresas para ajudarem instituições sociais e causas sociais, “mas também, do ponto de vista da sua gestão de recursos humanos, poderem ter muitas acções de voluntariado.
Lançado em Março, o My Social Project é uma rede social que “acredita na capacidade de mobilização das sociedades e das novas tecnologias para a concretização de projectos sociais”. Partindo de valores como a equidade, cidadania e voluntariado, My Social Project pretende dinamizar o universo da solidariedade e ter um papel interventivo na sociedade portuguesa, através de uma rede activa de voluntários, causas e empresas que, de forma interactiva e directa, podem estabelecer contactos entre si, criar pontes, parcerias e cadeias de entre-ajuda.
Segundo o co-fundador do projecto, Pedro Bártolo, os três meses da rede têm sido “muito promissores”, contando já com mais de 2000 voluntários inscritos e mais de 150 instituições. “Os nossos objectivos continuam a ser os mesmos, ambicionamos chegar ao final do ano com 5000 voluntários, mas estamos convictos que iremos superar esse valor”, disse Pedro Bártolo.
V Feira Social do Peso da Régua
in Jornal de Douro
O Município do Peso da Régua, em parceria com a Rede Social do Peso da Régua, promove de 28 a 30 de junho, a V Feira Social do concelho. Subordinada ao tema “Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações”, a iniciativa decorrerá no Pavilhão Multiusos
Municipal António Saraiva.
Trinta e duas instituições estarão presentes no certame, numa demonstração das dinâmicas sociais desenvolvidas com e para a comunidade-alvo, em torno da importância
atribuída ao envelhecimento ativo.
O programa é multidisciplinar, traduzindo a expetativa de que resultem benefícios reais para a população do trabalho a desenvolver ao longo dos três dias.
O Município do Peso da Régua, em parceria com a Rede Social do Peso da Régua, promove de 28 a 30 de junho, a V Feira Social do concelho. Subordinada ao tema “Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações”, a iniciativa decorrerá no Pavilhão Multiusos
Municipal António Saraiva.
Trinta e duas instituições estarão presentes no certame, numa demonstração das dinâmicas sociais desenvolvidas com e para a comunidade-alvo, em torno da importância
atribuída ao envelhecimento ativo.
O programa é multidisciplinar, traduzindo a expetativa de que resultem benefícios reais para a população do trabalho a desenvolver ao longo dos três dias.
3.7.12
Três Objectivos Milénio atingidos
in Correio da Manhã
As Nações Unidas anunciaram esta segunda-feira que três dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, metas acordadas internacionalmente com o prazo de 2015, já foram cumpridas, incluindo a de redução da pobreza extrema para metade.
O relatório anual dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio divulgado esta segunda-feira pela ONU indica que o cumprimento das restantes cinco metas é ainda "possível, embora um desafio" na actual conjuntura de crise económica e cortes na cooperação internacional, levando o secretário geral Ban Ki-moon a afirmar que "não é altura para descansar".
"As projecções indicam que em 2015 mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão carenciadas de acesso a fontes de água de qualidade, mais de mil milhões de pessoas estarão na pobreza e a fome continuará a ser um desafio global", disse esta segunda-feira o secretário gral da ONU.
Falando na abertura da sessão de alto nível do Comité Económico e Social da ONU (ECOSOC), o secretário-geral alertou ainda para a persistência da morte de crianças vítimas de doenças tratáveis, falta de saneamento e de nutrição, a par de perda de biodiversidade e poluição.
Durante a recente conferência sobre desenvolvimento sustentável no Brasil, Rio +20, foi decidido iniciar o processo de transição dos ODM para novos indicadores, os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, a lançar em 2015.
O relatório divulgado esta segunda-feira indica que, pela primeira vez, se registou um recuo no número de pessoas que vivem em pobreza extrema e nas taxas de pobreza em todas as regiões em desenvolvimento, incluindo na África subsaariana, onde são mais elevadas.
As Nações Unidas anunciaram esta segunda-feira que três dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, metas acordadas internacionalmente com o prazo de 2015, já foram cumpridas, incluindo a de redução da pobreza extrema para metade.
O relatório anual dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio divulgado esta segunda-feira pela ONU indica que o cumprimento das restantes cinco metas é ainda "possível, embora um desafio" na actual conjuntura de crise económica e cortes na cooperação internacional, levando o secretário geral Ban Ki-moon a afirmar que "não é altura para descansar".
"As projecções indicam que em 2015 mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão carenciadas de acesso a fontes de água de qualidade, mais de mil milhões de pessoas estarão na pobreza e a fome continuará a ser um desafio global", disse esta segunda-feira o secretário gral da ONU.
Falando na abertura da sessão de alto nível do Comité Económico e Social da ONU (ECOSOC), o secretário-geral alertou ainda para a persistência da morte de crianças vítimas de doenças tratáveis, falta de saneamento e de nutrição, a par de perda de biodiversidade e poluição.
Durante a recente conferência sobre desenvolvimento sustentável no Brasil, Rio +20, foi decidido iniciar o processo de transição dos ODM para novos indicadores, os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, a lançar em 2015.
O relatório divulgado esta segunda-feira indica que, pela primeira vez, se registou um recuo no número de pessoas que vivem em pobreza extrema e nas taxas de pobreza em todas as regiões em desenvolvimento, incluindo na África subsaariana, onde são mais elevadas.
Banco Mundial: Jim Yong Kim assume presidência
in Visão
O médico coreano-americano Jim Yong Kim iniciou hoje as funções de presidente do Banco Mundial (BM), e prometeu trabalho árduo, para assegurar que a crise internacional não faz recuar o combate contra a pobreza.
O novo líder do BM prometeu também continuidade na missão da instituição, que é de ajudar os países mais pobres do mundo, e não deixou indicações de que vai mudar os processos de trabalho herdados do antecessor, Robert Zoellick.
"Vamos continuar a trabalhar com inovação, com rigor analítico e com um grande paixão, trabalhando em parceria com os governos, com as organizações da sociedade civil, com o setor privado e, mais importante do que tudo, com as pessoas que vivem na pobreza, a quem aspiramos servir", disse Jim Yong Kim, à entrada do BM, no primeiro dia de trabalho à frente da instituição.
O médico coreano-americano Jim Yong Kim iniciou hoje as funções de presidente do Banco Mundial (BM), e prometeu trabalho árduo, para assegurar que a crise internacional não faz recuar o combate contra a pobreza.
O novo líder do BM prometeu também continuidade na missão da instituição, que é de ajudar os países mais pobres do mundo, e não deixou indicações de que vai mudar os processos de trabalho herdados do antecessor, Robert Zoellick.
"Vamos continuar a trabalhar com inovação, com rigor analítico e com um grande paixão, trabalhando em parceria com os governos, com as organizações da sociedade civil, com o setor privado e, mais importante do que tudo, com as pessoas que vivem na pobreza, a quem aspiramos servir", disse Jim Yong Kim, à entrada do BM, no primeiro dia de trabalho à frente da instituição.
AMI lança marca de produtos alimentares SOS Pobreza
Catarina Nunes, in Expresso
Objetivo é financiar projeto da AMI de ajuda a famílias em situação de pobreza, que desde 2008 mais do que duplicaram.
São 30 produtos alimentares que estão à venda no Continente, E.Leclerc, Jumbo e Pingo Doce.
A AMI - Assistência Médica Internacional lança na próxima terça-feira a marca de produtos alimentares SOS Pobreza, cujo objetivo é garantir financiamento para esta associação. Segundo a AMI, o número de casos de pobreza apoiados por esta fundação passaram de 7000, em 2008, para 14937, em 2011.
São 30 produtos alimentares - entre arroz, azeite, óleo, farinha, frutas, legumes, água, sumos, papel higiénico, etc - que estão à venda no Continente, E.Leclerc, Jumbo e Pingo Doce. "Achámos que este projeto seria interessante, por serem produtos que as pessoas compram sempre, para conseguirmos ter uma forma de angariar fundos para as nossas ações de apoio social e, ao mesmo tempo, ajudar a produção nacional", explica Paulo Cavaleiro, assessor de imprensa da AMI.
Os lucros da venda destes produtos revertem a favor da AMI e Paulo Cavaleiro salienta o facto de os preços serem ligeiramente acima dos praticados pelas marcas próprias dos supermercados e hipermercados onde vão estar presentes. "Significa que é um projeto sustentável para nós, para os produtores e para a distribuição, assegurando que o preço não é conseguido com o esmagamento das margens", justifica.
Sem referir números, Paulo Cavaleiro avança que a margem de lucro é pequena e que, por isso, a AMI aposta no sucesso da iniciativa como forma de alcançar elevados volumes de vendas. A SOS Pobreza é lançada na terça-feira às 17h30 em simultâneo em Lisboa e no Porto, em tendas montadas entre o centro comercial Vasco da Gama e a Estação do Oriente e na praça D. João I, respetivamente. Durante esta ação, a AMI irá oferecer um cabaz com os produtos SOS Pobreza às primeiras 100 pessoas.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ami-lanca-marca-de-produtos-alimentares-sos-pobreza=f736527#ixzz1zYzAKeRt
Objetivo é financiar projeto da AMI de ajuda a famílias em situação de pobreza, que desde 2008 mais do que duplicaram.
São 30 produtos alimentares que estão à venda no Continente, E.Leclerc, Jumbo e Pingo Doce.
A AMI - Assistência Médica Internacional lança na próxima terça-feira a marca de produtos alimentares SOS Pobreza, cujo objetivo é garantir financiamento para esta associação. Segundo a AMI, o número de casos de pobreza apoiados por esta fundação passaram de 7000, em 2008, para 14937, em 2011.
São 30 produtos alimentares - entre arroz, azeite, óleo, farinha, frutas, legumes, água, sumos, papel higiénico, etc - que estão à venda no Continente, E.Leclerc, Jumbo e Pingo Doce. "Achámos que este projeto seria interessante, por serem produtos que as pessoas compram sempre, para conseguirmos ter uma forma de angariar fundos para as nossas ações de apoio social e, ao mesmo tempo, ajudar a produção nacional", explica Paulo Cavaleiro, assessor de imprensa da AMI.
Os lucros da venda destes produtos revertem a favor da AMI e Paulo Cavaleiro salienta o facto de os preços serem ligeiramente acima dos praticados pelas marcas próprias dos supermercados e hipermercados onde vão estar presentes. "Significa que é um projeto sustentável para nós, para os produtores e para a distribuição, assegurando que o preço não é conseguido com o esmagamento das margens", justifica.
Sem referir números, Paulo Cavaleiro avança que a margem de lucro é pequena e que, por isso, a AMI aposta no sucesso da iniciativa como forma de alcançar elevados volumes de vendas. A SOS Pobreza é lançada na terça-feira às 17h30 em simultâneo em Lisboa e no Porto, em tendas montadas entre o centro comercial Vasco da Gama e a Estação do Oriente e na praça D. João I, respetivamente. Durante esta ação, a AMI irá oferecer um cabaz com os produtos SOS Pobreza às primeiras 100 pessoas.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ami-lanca-marca-de-produtos-alimentares-sos-pobreza=f736527#ixzz1zYzAKeRt
Saúde: : Mais de metade das IPSS em risco de fechar
in TSF
Um estudo revela que mais de metade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) para a saúde correm o risco de fechar.
Manuel Vilas-Boas regista declarações de Duarte Vilar, responsável do Planeamento da Família e analista do diagnóstico das dificuldades destas IPSS
O número consta das conclusões preliminares de um estudo, ao qual a TSF teve acesso e que evidencia as dificuldades financeiras das IPSS na saúde.
Segundo o estudo, que contempla 36 instituições, mais de metade têm dificuldades em assegurar os custos de financiamento.
Por outro lado, 72 por cento afirmam que houve um aumento de procura destes serviços pela população.
Devido a dificuldades financeiras, 42 por cento tiveram de diminuir os serviços e 17 por cento efetuaram despedimentos.
Duarte Vilar, responsável do Planeamento da Família e analista do diagnóstico das dificuldades destas IPSS, disse não alimentar quaisquer esperanças.
«Há iminência de fechar Instituições Particulares de Solidariedade Social na saúde, pelo menos é o que nos dizem nas respostas a esse questionário», sublinhou.
Um estudo revela que mais de metade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) para a saúde correm o risco de fechar.
Manuel Vilas-Boas regista declarações de Duarte Vilar, responsável do Planeamento da Família e analista do diagnóstico das dificuldades destas IPSS
O número consta das conclusões preliminares de um estudo, ao qual a TSF teve acesso e que evidencia as dificuldades financeiras das IPSS na saúde.
Segundo o estudo, que contempla 36 instituições, mais de metade têm dificuldades em assegurar os custos de financiamento.
Por outro lado, 72 por cento afirmam que houve um aumento de procura destes serviços pela população.
Devido a dificuldades financeiras, 42 por cento tiveram de diminuir os serviços e 17 por cento efetuaram despedimentos.
Duarte Vilar, responsável do Planeamento da Família e analista do diagnóstico das dificuldades destas IPSS, disse não alimentar quaisquer esperanças.
«Há iminência de fechar Instituições Particulares de Solidariedade Social na saúde, pelo menos é o que nos dizem nas respostas a esse questionário», sublinhou.
Cursos profissionais não podem ignorar exigências do mercado de trabalho
Por Clara Viana, Público on-line
Para combater o crescente desemprego entre os jovens, a Comissão Europeia apela a uma redefinição dos cursos e estágios profissionais.
Com a taxa de desemprego jovem a situar-se em 22,7% na União Europeia (UE) em Maio passado (em Portugal estava nos 36,4%), a Comissão Europeia (CE) voltou a apelar para “acções imediatas” por parte dos Estados membros para fazer face ao que classifica como uma situação dramática. Uma das prioridades apontadas pela CE é a de “garantir uma transição suave da escola para o trabalho”, o que poderá ser conseguido através de uma reforma dos cursos profissionais e dos programas de estágio existentes.
O caminho a seguir é recomendado em dois estudos encomendados pela CE divulgados esta segunda-feira: tanto os cursos de orientação vocacional, como os estágios “devem ser mais sensíveis às exigências do mercado de trabalho, mais bem adaptados às necessidades de negócios e oferecer mais garantias de qualidade e de perspectivas para os jovens”.
Segundo a CE, nas empresas europeias existem estágios para 9,4 milhões de estudantes. Em média, na UE, 40,5% dos estudantes do ensino secundário optaram por cursos de orientação vocacional. Os últimos dados conhecidos sobre Portugal são do ano lectivo 2010/2011. Nessa altura cerca de 33% dos estudantes do secundário estavam em cursos profissionais, uma percentagem que subia para 48,9% à entrada neste nível de ensino (10.º ano).
Inclusão dos estágios nos currículos
Quanto a experiências profissionais em empresas, a última informação disponível data de 2009, antes portanto dos principais impactos da crise em Portugal, e diz respeito a um balanço do Programa Estágios Profissionais lançado em 1997. Em 12 anos este programa beneficiou 170.000 desempregados com menos de 30 anos. Destes 72,5% ficaram empregados após o estágio, a maioria dos quais nas empresas onde estagiaram.
Entre as alterações que a CE propõe aos programas de estágios destaca-se a sua inclusão, sempre que possível, nos currículos dos cursos profissionais em vez de esta experiência ser adiada para depois da conclusão do secundário. No estudo encomendado pela CE conclui-se pela necessidade de uma definição clara, a nível europeu, do conceito de estágio, uma vez que a tipologia destes programas é muito variável de país para país.
Também se apela a um esforço conjunto da UE e dos Estados nacionais com vista a um aumento da oferta de estágios, especialmente nas pequenas e médias empresas; a um reforço do apoio financeiro aos alunos oriundos de meios mais desfavorecidos e a uma maior transparência nos processos de recrutamento.
Em Portugal, como em outros países europeus, os cursos de orientação vocacional tendem a ser encarados como uma opção de segunda, destinada aos estudantes com fraco rendimento escolares. Segundo a CE, da sua credibilização passará pela definição de níveis de qualidade homogéneos e por acções junto dos jovens com vista à sua reabilitação. Por outro lado, defende-se que os parceiros sociais devem ser envolvidos na definição e organização destes cursos, um factor considerado "essencial" para o seu sucesso.
O pacote para o emprego, lançado em Abril pela CE, apontou a economia verde e a saúde como áreas privilegiadas para a recuperação de postos de trabalho. O Ministério da Educação e Ciência anunciou recentemente que, já a partir do próximo ano lectivo, a oferta de cursos profissionais deve privilegiar cursos dirigidos à indústria, pescas e agricultura.
Para combater o crescente desemprego entre os jovens, a Comissão Europeia apela a uma redefinição dos cursos e estágios profissionais.
Com a taxa de desemprego jovem a situar-se em 22,7% na União Europeia (UE) em Maio passado (em Portugal estava nos 36,4%), a Comissão Europeia (CE) voltou a apelar para “acções imediatas” por parte dos Estados membros para fazer face ao que classifica como uma situação dramática. Uma das prioridades apontadas pela CE é a de “garantir uma transição suave da escola para o trabalho”, o que poderá ser conseguido através de uma reforma dos cursos profissionais e dos programas de estágio existentes.
O caminho a seguir é recomendado em dois estudos encomendados pela CE divulgados esta segunda-feira: tanto os cursos de orientação vocacional, como os estágios “devem ser mais sensíveis às exigências do mercado de trabalho, mais bem adaptados às necessidades de negócios e oferecer mais garantias de qualidade e de perspectivas para os jovens”.
Segundo a CE, nas empresas europeias existem estágios para 9,4 milhões de estudantes. Em média, na UE, 40,5% dos estudantes do ensino secundário optaram por cursos de orientação vocacional. Os últimos dados conhecidos sobre Portugal são do ano lectivo 2010/2011. Nessa altura cerca de 33% dos estudantes do secundário estavam em cursos profissionais, uma percentagem que subia para 48,9% à entrada neste nível de ensino (10.º ano).
Inclusão dos estágios nos currículos
Quanto a experiências profissionais em empresas, a última informação disponível data de 2009, antes portanto dos principais impactos da crise em Portugal, e diz respeito a um balanço do Programa Estágios Profissionais lançado em 1997. Em 12 anos este programa beneficiou 170.000 desempregados com menos de 30 anos. Destes 72,5% ficaram empregados após o estágio, a maioria dos quais nas empresas onde estagiaram.
Entre as alterações que a CE propõe aos programas de estágios destaca-se a sua inclusão, sempre que possível, nos currículos dos cursos profissionais em vez de esta experiência ser adiada para depois da conclusão do secundário. No estudo encomendado pela CE conclui-se pela necessidade de uma definição clara, a nível europeu, do conceito de estágio, uma vez que a tipologia destes programas é muito variável de país para país.
Também se apela a um esforço conjunto da UE e dos Estados nacionais com vista a um aumento da oferta de estágios, especialmente nas pequenas e médias empresas; a um reforço do apoio financeiro aos alunos oriundos de meios mais desfavorecidos e a uma maior transparência nos processos de recrutamento.
Em Portugal, como em outros países europeus, os cursos de orientação vocacional tendem a ser encarados como uma opção de segunda, destinada aos estudantes com fraco rendimento escolares. Segundo a CE, da sua credibilização passará pela definição de níveis de qualidade homogéneos e por acções junto dos jovens com vista à sua reabilitação. Por outro lado, defende-se que os parceiros sociais devem ser envolvidos na definição e organização destes cursos, um factor considerado "essencial" para o seu sucesso.
O pacote para o emprego, lançado em Abril pela CE, apontou a economia verde e a saúde como áreas privilegiadas para a recuperação de postos de trabalho. O Ministério da Educação e Ciência anunciou recentemente que, já a partir do próximo ano lectivo, a oferta de cursos profissionais deve privilegiar cursos dirigidos à indústria, pescas e agricultura.
Mais estudos equivalem a menos desemprego, revela estudo da Nova
in Público on-line
Mesmo com a crise, mais estudos equivalem a menos desemprego e maiores salários e os mestres e doutorados estão em vantagem em todas as áreas, revela uma pesquisa da Universidade Nova de Lisboa sobre os seus alunos, divulgada esta sexta-feira.
O estudo do Observatório da Inserção Profissional dos Diplomados da Universidade Nova de Lisboa mostra que para a grande maioria dos formados o curso foi garantia de emprego e salários líquidos que vão até acima dos dois mil euros, no caso dos doutorados.
Um dos responsáveis pelo estudo, Miguel Chaves, disse estes dados “demonstram que há uma vantagem clara em obter uma pós-graduação, desde logo o 2.º ciclo (mestrado), que terá cada vez mais um poder diferenciador no mercado de trabalho”.
Mariana Gaio Alves, também responsável pelo estudo, frisou que os dados desmentem a “visão catastrofista da situação dos diplomados no mercado de trabalho”, pelo menos no caso dos alunos da Nova. A académica frisou que o impacto definitivo da crise está ainda por avaliar, uma vez que os dados relativos a 2011 acabam de ser recolhidos e são ainda provisórios.
Com dados recolhidos entre mais de 3000 ex-alunos, os números permitem concluir que o desemprego aumentou de 2004/05 para 2008/09, mas mesmo assim ficou abaixo da média nacional para a mesma faixa etária.
A taxa de emprego dos licenciados de 2004/05 era 88,1% no primeiro ano do curso e nos licenciados de 2009/10 desceu para 58%. No caso dos mestres formados nos mesmos períodos desceu de 91,8% para 87,6% e quanto aos doutores desceu de 96,2% para 94,9%.
No que toca às remunerações, nota-se uma descida da média dos salários líquidos dos formados em 2008/09, explicável pela conjuntura económica, segundo os responsáveis pelo estudo. Os licenciados em 2004/05, antes da uniformização dos cursos europeus com o processo de Bolonha, ganhavam em média 939 euros por mês no primeiro ano após a conclusão, valor que desceu para 894 euros nos anos 2008/09, quando as licenciaturas passaram de quatro para três anos.
Quanto aos mestres, os salários líquidos no primeiro ano após a conclusão variaram de 1394 euros em 2004/05 para 1246 em 2008/09. Os doutores também começaram a sentir algum peso da crise, mas menos: de 1882 euros mensais líquidos em 2004/05 os salários baixaram para 1768 euros em 2008/09.
Mesmo assim, os dados relativos ao que os formados de 2004/05 ganhavam cinco anos depois da conclusão dos estudos mostram que o tempo trouxe melhorias na sua condição: licenciados levavam para casa em média 1359 euros, os mestres 1589 e os doutorados 2122 euros.
Miguel Chaves destacou a grande fiabilidade dos dados, conseguidos com taxas de resposta que ultrapassaram os 70% no caso dos licenciados e mestres.
Mesmo com a crise, mais estudos equivalem a menos desemprego e maiores salários e os mestres e doutorados estão em vantagem em todas as áreas, revela uma pesquisa da Universidade Nova de Lisboa sobre os seus alunos, divulgada esta sexta-feira.
O estudo do Observatório da Inserção Profissional dos Diplomados da Universidade Nova de Lisboa mostra que para a grande maioria dos formados o curso foi garantia de emprego e salários líquidos que vão até acima dos dois mil euros, no caso dos doutorados.
Um dos responsáveis pelo estudo, Miguel Chaves, disse estes dados “demonstram que há uma vantagem clara em obter uma pós-graduação, desde logo o 2.º ciclo (mestrado), que terá cada vez mais um poder diferenciador no mercado de trabalho”.
Mariana Gaio Alves, também responsável pelo estudo, frisou que os dados desmentem a “visão catastrofista da situação dos diplomados no mercado de trabalho”, pelo menos no caso dos alunos da Nova. A académica frisou que o impacto definitivo da crise está ainda por avaliar, uma vez que os dados relativos a 2011 acabam de ser recolhidos e são ainda provisórios.
Com dados recolhidos entre mais de 3000 ex-alunos, os números permitem concluir que o desemprego aumentou de 2004/05 para 2008/09, mas mesmo assim ficou abaixo da média nacional para a mesma faixa etária.
A taxa de emprego dos licenciados de 2004/05 era 88,1% no primeiro ano do curso e nos licenciados de 2009/10 desceu para 58%. No caso dos mestres formados nos mesmos períodos desceu de 91,8% para 87,6% e quanto aos doutores desceu de 96,2% para 94,9%.
No que toca às remunerações, nota-se uma descida da média dos salários líquidos dos formados em 2008/09, explicável pela conjuntura económica, segundo os responsáveis pelo estudo. Os licenciados em 2004/05, antes da uniformização dos cursos europeus com o processo de Bolonha, ganhavam em média 939 euros por mês no primeiro ano após a conclusão, valor que desceu para 894 euros nos anos 2008/09, quando as licenciaturas passaram de quatro para três anos.
Quanto aos mestres, os salários líquidos no primeiro ano após a conclusão variaram de 1394 euros em 2004/05 para 1246 em 2008/09. Os doutores também começaram a sentir algum peso da crise, mas menos: de 1882 euros mensais líquidos em 2004/05 os salários baixaram para 1768 euros em 2008/09.
Mesmo assim, os dados relativos ao que os formados de 2004/05 ganhavam cinco anos depois da conclusão dos estudos mostram que o tempo trouxe melhorias na sua condição: licenciados levavam para casa em média 1359 euros, os mestres 1589 e os doutorados 2122 euros.
Miguel Chaves destacou a grande fiabilidade dos dados, conseguidos com taxas de resposta que ultrapassaram os 70% no caso dos licenciados e mestres.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

