9.12.11

Um quarto dos imigrantes tem trabalho abaixo das qualificações

Por Natália Faria, in Jornal Público

Um em cada quatro estrangeiros residentes em Portugal exerce funções abaixo daquelas para as quais está qualificado. A conclusão está contida num relatório do Eurostat sobre migrações na Europa a 27, segundo o qual 25% dos estrangeiros residentes em território nacional são excessivamente qualificados para o trabalho que exercem, enquanto entre os portugueses a taxa se fica nos 14%.

Apesar desta diferença, Portugal está longe de ser o país que pior sai na fotografia na Europa a 27: na Grécia, por exemplo, 62% dos imigrantes exercem funções abaixo das suas qualificações, enquanto entre os gregos a taxa é de apenas de 18%, ou seja, há uma diferença de 44 pontos percentuais. Em Espanha, essa diferença é de 27 pontos percentuais: 58% dos imigrantes são sobrequalificados para o trabalho que exercem, contra 31 % dos espanhóis.

Portugal está, de resto, abaixo da média europeia. Segundo as contas do Eurostat, que se baseia em indicadores de 2008, 34% dos europeus com idades entre os 25 e os 54 anos e que trabalham fora do país de onde são naturais exercem funções abaixo daquelas para as quais se qualificaram. Entre os residentes de cada país, a taxa baixa para os 19%, ou seja, há uma diferença de 15 pontos percentuais.

Não surpreende assim que a taxa de desemprego seja maior entre os migrantes. Entre quem trabalha no seu próprio país, o desemprego ronda os 6% na média a 27. Já entre os estrangeiros, a taxa sobe para os 10%. No caso português, os valores apontados eram de 7% para os nacionais e 9% para os estrangeiros, mas aqui as contas não traduzem a recente escalada do desemprego em Portugal (12,4% no 3.º trimestre de 2011, segundo a estimativa do INE, que conta 689,6 mil pessoas no desemprego).

Do mesmo modo, contavam-se no espaço europeu 31% de migrantes em risco de pobreza, enquanto a média para os cidadãos a residir e a trabalhar no seu próprio país se fixava nos 20%. No caso português, a percentagem de nativos em risco de pobreza fixava-se nos 22%, enquanto entre os estrangeiros a residir e a trabalhar no território nacional a taxa subia para os 26%.