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2.11.22

Um em cada dez trabalhadores eram pobres em 2019, mas o rendimento não é o único fator

in Visão

Cerca de 10% das pessoas que trabalhavam em Portugal em 2019 eram pobres, sendo o rendimento apenas um dos fatores, segundo um relatório divulgado hoje que sublinha a importância dos apoios sociais para a mitigação da pobreza

As conclusões constam da nota intercalar dedicada à pobreza no trabalho do relatório “Portugal, Balanço Social”, da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), Fundação “la Caixa” e o BPI.

Em 2019, 439.242 trabalhadores viviam em situação de pobreza, o que representa cerca de 10% das 4,5 milhões de pessoas que trabalhavam em Portugal naquele ano.

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Os dados são anteriores à pandemia da covid-19 e à atual crise financeira, que poderão aumentar os níveis de pobreza face à inflação, mas a escolha foi intencional, explicou à Lusa Susana Peralta, uma das autoras, afirmando que o objetivo era analisar uma situação estrutural, reportando, por isso, “a um momento em que o mercado de trabalho estivesse a funcionar normalmente”.

Relativamente aos resultados, a economista e docente na Nova SBE explicou que a pobreza no trabalho resulta do rendimento, mas não só.

“Uma pessoa é ou não pobre se tem recursos para fazer face às despesas normais do seu agregado familiar”, afirmou a economista, referindo que a pobreza no trabalho resulta, precisamente, da combinação dos rendimentos com a caracterização do agregado familiar.

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De facto, os trabalhadores pobres pertencem maioritariamente a agregados com crianças e, sobretudo, a famílias monoparentais e numerosas, sendo que 52% dos trabalhadores em situação de pobreza não seriam pobres se vivessem sozinhos.

Quanto aos rendimentos provenientes do trabalho, os trabalhadores pobres receberam quase duas vezes menos face à média dos trabalhadores (9,6 mil euros brutos e 18,4 mil euros brutos, respetivamente).

Ainda assim, a maioria (53,4%) não tinha sequer baixas remunerações, revelando que, em muitos casos, a pobreza no trabalho está sobretudo relacionada com o agregado familiar.

“Vão haver sempre situações de pobreza em que, apesar de o rendimento ser suficiente para a pessoa sozinha não ser pobre, tem uma composição do seu agregado familiar que faz com que caia na pobreza porque aquele rendimento não é suficiente para os dependentes do agregado”, afirmou a economista.

Por outro lado, cerca 38% dos trabalhadores pobres auferiam rendimentos compatíveis com o salário mínimo nacional em 2019, mas cerca de um quarto recebiam ainda menos.

O relatório destaca ainda a importância das transferências sociais no alívio da pobreza no trabalho, que chegam a 54% dos trabalhadores pobres. Sem esse apoio, a taxa de pobreza no trabalho quase duplicaria para os 19%.

“Nunca vamos conseguir atacar o problema da pobreza no trabalho sem termos também transferências sociais dirigidas às famílias que têm maior probabilidade de estar na pobreza”, referiu a economista, afirmando que medidas como o aumento do salário mínimo nacional “são importantes, mas nunca vão resolver o problema todo”.

A pobreza no trabalho está também relacionada com a relação com o mercado de trabalho, afetando sobretudo os trabalhadores por conta própria (28,9%, sendo 7,7% entre trabalhadores por conta de outrem), os trabalhadores em tempo parcial (29,6% face a 9,0% dos que trabalham a tempo inteiro) e os que têm contratos temporários (11,9% e 6,4% para os permanentes).

Entre os trabalhadores que recebem o salário mínimo, 11% tinham contratos temporários, uma percentagem que sobe para 29,4% no caso dos trabalhadores que auferem menos do que o salário mínimo nacional.

Por outro lado, a taxa de risco de pobreza no trabalho é mais prevalente entre os homens (11,1% face a 8,6% entre as mulheres), mas é no caso das mulheres que é mais frequentemente uma questão de baixos rendimentos.

“Esta assimetria de género está associada a salários em média mais baixos para as mulheres, mas também ao facto de os filhos terem maior impacto na participação no mercado de trabalho para as mulheres do que para os homens”, lê-se no relatório.

Em 2019, 11,8% das pessoas na faixa etária dos 55 aos 64 anos viviam em situação de pobreza no trabalho, que incidiu mais sobre indivíduos com um nível de escolaridade até ao ensino básico (15,9%).

 

6.10.22

Desemprego manteve-se nos 6% em Agosto

Raquel Martins, in Público Online

A taxa de desemprego terá estabilizado nos 6% em Agosto, pelo quarto mês consecutivo. De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o desemprego manteve um valor idêntico ao de Maio, Junho e Julho e recuou 0,3 pontos percentuais em relação a Agosto de 2021.

As estatísticas provisórias apontam para um acréscimo mensal tanto da população activa (mais 7000 pessoas do que em Julho), como da população empregada (mais 4600 pessoas, totalizando 4,8 milhões) e desempregada, que totalizava 312.500 pessoas (mais 2400).

Em Agosto, sublinha o INE, assistiu-se a uma diminuição da população inactiva, explicada “pelos decréscimos observados nos três grupos de inactividade que a compõem, com destaque para o número de inactivos à procura de emprego, mas não disponíveis para trabalhar (menos 3500 pessoas) e de outros inactivos, os que nem estão disponíveis, nem procuram emprego (menos 4.400 pessoas)”.

A taxa de subutilização do trabalho – um indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inactivos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inactivos disponíveis, mas que não procuram emprego – foi estimada em 11,4% e diminuiu em relação ao mês anterior e a 2021.

O INE reviu em alta a taxa de desemprego de Julho, passando do valor provisório de 5,9% para 6%.

A partir de Novembro de 2014, o INE passou a divulgar dados mensais sobre a evolução do mercado de trabalho. Estas estatísticas seguem uma metodologia diferente dos dados que são divulgados todos os trimestres.


1.8.22

Desemprego na zona euro desce para 6,6% em junho face ao mesmo mês de 2021

in o Observador

A taxa de desemprego na zona euro fixou-se em 6,6% em junho passado. Portugal ficou abaixo da média da média, com 6,1%, menos do que o período homólogo de 2021 (quando esta se fixou em 6,7%).

A taxa de desemprego na zona euro fixou-se em 6,6% em junho passado, abaixo dos 7,9% do período homólogo de 2021 e estável face à percentagem registada em maio deste ano, anunciou esta segunda-feira o Eurostat.

De acordo com os dados publicados pelo gabinete estatístico comunitário, Eurostat, na variação homóloga, registou-se então uma descida na taxa de desemprego (corrigida de sazonalidade) de 7,9% para 6,6%, respetivamente entre junho de 2021 e o mesmo mês de 2022.

Já na variação em cadeia, este foi o terceiro mês consecutivo em que a taxa de desemprego na zona euro foi de 6,6%, o que já tinha acontecido também em abril e maio.

Portugal ficou abaixo da média da zona euro, ao registar uma taxa de desemprego de 6,1% em junho de 2022, menos do que o período homólogo de 2021 (quando esta se fixou em 6,7%) e ligeiramente acima do mês passado (6%).

Como é calculada a inflação?


No conjunto da União Europeia (UE), a taxa de desemprego foi de 6% em junho deste ano, também abaixo dos 7,2% do mesmo mês de 2021 e estável face à percentagem de maio.

Em números absolutos, o Eurostat estima que 12,9 milhões de homens e mulheres na UE, dos quais 10,9 milhões na zona euro, estavam desempregados em junho de 2022.

Em comparação com junho de 2021, o desemprego diminuiu 2,3 milhões na UE e 1,9 milhões na zona do euro.

Já no que toca ao desemprego juvenil, em junho de 2022, 2,5 milhões de jovens (menores de 25 anos) estavam desempregados na UE, dos quais dois milhões na zona euro.

Por percentagem, em junho de 2022, a taxa de desemprego juvenil era de 13,6% tanto na UE como na zona euro, contra 16,8% no conjunto da União e 17,1% na área da moeda única no período homólogo de 2021 e 13,3% e 13,2% no mês anterior.

Em comparação com maio de 2022, o desemprego juvenil aumentou em 59 mil na UE e em 64 mil na zona do euro, enquanto face a junho de 2021, o desemprego juvenil diminuiu em 527 mil na UE e em 450 mil na zona do euro.

Por género, a taxa de desemprego era, em junho, de 6,4% na UE para as mulheres e de 5,7% para os homens.

3.3.22

Depois de recuar em Dezembro, desemprego sobe para 6% em Janeiro

Raquel Martins, in Público on-line

A taxa de desemprego aumentou face aos 5,8% registados em Dezembro e recuou um ponto percentual em relação ao período homólogo de 2021.

O início de 2022 foi marcado por um ligeiro agravamento da situação do mercado de trabalho em Portugal. Os dados provisórios divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a taxa de desemprego registou um aumento face a Dezembro, afectando agora 6% da população activa, enquanto o emprego diminuiu.

Depois de ter recuado na recta final do ano passado para 5,8%, o desemprego subiu para 6% em Janeiro. Já na comparação com o mês homólogo de 2021, assistiu-se a uma diminuição de um ponto percentual deste indicador (passando de 7% em Janeiro de 2021 para os 6% agora apurados).

O INE dá conta de 308,6 mil pessoas desempregadas no final de Janeiro, mais 1,9% do que no mês anterior e menos 12,2% face ao mês homólogo. “Em Janeiro de 2022, a população desempregada interrompeu a tendência decrescente observada desde Janeiro de 2013, com excepção do período de Junho a Agosto de 2020”, destaca o instituto.

A taxa de desemprego de Janeiro (ajustada dos efeitos sazonais) acabou por beneficiar da diminuição de 0,2% da população activa (5,184 milhões de pessoas) que, sublinha o INE, resultou do facto de a redução da população empregada ter sido superior ao acréscimo da população desempregada.

A subutilização de trabalho – um indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inactivos à procura de emprego mas não disponíveis, assim como inactivos disponíveis que não procuram emprego – também se agravou entre Dezembro e Janeiro. A taxa de subutilização situou-se em 11,7%, o que representa um aumento de 0,3 pontos percentuais face a Dezembro e uma diminuição de 2,3 pontos percentuais face ao mês homólogo do ano passado.

A população empregada, destaca o INE, “que tem vindo a registar um crescimento mensal mais ou menos contínuo desde Fevereiro de 2021, diminuiu em Janeiro de 2022”. A estimativa dá conta de um recuo de 0,4% em relação a Dezembro (para 4,875 milhões de pessoas), mas comparativamente a Janeiro de 2021 assistiu-se a um aumento de 4,7%.

Numa perspectiva de longo prazo, a taxa de desemprego de Janeiro é a mais baixa registada naquele mês nos últimos 20 anos, ficando abaixo dos 6,9% verificados em Janeiro de 2020, antes da eclosão da pandemia de covid-19 em Portugal.

Isso mesmo é destacado num comunicado do Governo, que sublinhou “a importância da resposta colectiva para apoiar a manutenção e criação de emprego, num contexto particularmente difícil”.

Estes números são ainda provisórios e poderão ser revistos pelo INE daqui a um mês.

As estatísticas mensais, que começaram a ser divulgadas em 2014, seguem uma metodologia diferente das estatísticas mensais, centrando-se na população dos 16 aos 74 anos e dando mais ênfase aos dados corrigidos dos efeitos sazonais.

Os últimos dados trimestrais conhecidos dizem respeito ao período entre Outubro e Dezembro de 2021, altura em que a taxa de desemprego atingiu os 6,3%. Embora se tenha verificado um crescimento em relação aos 6,1% registados no terceiro trimestre, o mercado de trabalho acabou por ter um desempenho no final do ano passado melhor do que no período anterior à pandemia.

18.11.20

Portugal tem 40 mil desempregados 'invisíveis'. Taxa de desemprego aumenta para 8,5%

Sónia Santos Pereira, in DN

Segundo um estudo da Euler Hermes, os desempregados 'invisíveis' em Portugal impactam o consumo em cerca de 15 milhões de euros mensais.

Portugal fechou o terceiro trimestre do ano com uma taxa de desemprego de 7,8%, um valor impactado negativamente pelos efeitos da pandemia na economia e que deverá estar aquém da realidade. Segundo um estudo da Euler Hermes, o país tem 40 mil desempregados 'invisíveis' (pessoas sem trabalho que não estão inscritas em centros de emprego nem recebem subsídio de desemprego) , o que eleva a taxa de desemprego em mais 0,7 pontos percentuais, para 8,5%. Esta franja da população implica uma contração no consumo interno da ordem dos 15 milhões de euros mensais, revela o documento.

Esta é uma situação que se verifica em muitos outros países. Em Espanha, por exemplo, o estudo admite que a taxa real de desemprego ronde os 21,9%, superior em quase 6 pontos percentuais à oficial, caso se contabilize os 1,5 milhões de desempregados 'invisíveis'. O país vizinho estará assim entre os que registam maior perda de consumo interno - perto de 927 milhões de euros por mês.

Segundo o estudo da Euler Hermes, acionista da COSEC - Companhia de Seguro de Créditos, existem atualmente "mais de 30 milhões de desempregados "invisíveis", que não estão a ser tidos em conta nas projeções de evolução do consumo interno, e que podem representar, à escala global, uma contração mensal deste indicador em cerca de 12 mil milhões de euros".

O estudo analisou o número de desempregados "invisíveis" nas estatísticas oficiais desde fevereiro de 2020 em 25 países da OCDE e mercados emergentes e concluiu que varia entre os 40 mil em Portugal, 320 mil em França, 350 mil em Itália, 160 mil na Irlanda, 1,5 milhões em Espanha, 5,5 milhões nos Estados Unidos da América, até 13 milhões no Brasil.

Nos Estados Unidos, os analistas da Euler Hermes apontam para que o valor real da taxa de desemprego seja superior à oficial em mais 3,1 pontos percentuais, o que corresponde a uma taxa 10,9% e a um impacto mensal no consumo de cerca de 4,4 mil milhões.

Nos mercados emergentes os números disparam. No Brasil, a taxa de desemprego será superior a 10,4 pontos percentuais à oficial, equivalendo a um impacto mensal de 3,7 mil milhões no consumo. Na África do Sul, o estudo estima mais 16,7 pontos percentuais e no Chile mais 15,8 pontos percentuais acima da taxa de desemprego oficial.

3.7.20

Taxa de desemprego continua a descer em Portugal. Onde estão os desempregados?

Cátia Mateus, in Expresso

População empregada voltou a diminuir em maio, mas segundo os indicadores do Instituto Nacional de Estatística o desemprego está em níveis mínimos: 5,5%. Desempregados estão a ser classificados como inativos. Taxa real de desemprego pode já superar os 14%
A pandemia trocou as voltas à estatística e retirou à taxa de desemprego a importância que os analistas lhe atribuiam enquanto indicador de vitalidade económica do país. Não porque ela tenham deixado de ser relevante, mas porque deixou de traduzir a real dimensão do desemprego nacional. Em Portugal, à semelhança de outras economias afetadas pela crise covid, a população empregada está a diminuir, mas o indicador do desemprego não só não aumenta, como até traça uma curva descendente. Nos indicadores divulgados esta quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) dá conta de uma redução da população empregada para os 4.646,6 indivíduos. Em apenas um mês o país perdeu 104,9 mil empregos. No mesmo período a taxa de desemprego caiu para os 5,5%, o que compara com a taxa de 6,3% registada em abril. É no grupo dos inativos que estão a ser enquadrados os milhares de desempregados que nos últimos meses têm sido empurrados para fora do mercado de trabalho. E é por isso que hoje a taxa de subutilização do trabalho, que já vai nos 14,2%, é um indicador mais próximo do desemprego “real” do que a própria taxa de desemprego.

A estimativa é ainda provisória mas, em linha com o que vem acontecendo nos últimos meses, a diminuição da população empregada não está a ter uma tradução direta no aumento do desemprego nas estatísticas divulgadas mensalmente pelo INE. Aconteceu em março, voltou a acontecer em abril e agora, novamente, em maio. Os indicadores hoje divulgados pelo organismo oficial de estatística dão conta de que no quinto mês do ano,a população empregada em Portugal totalizava 4 646,6 indivíduos, uma diminuição de 2,2% relativamente ao mês anterior e de 4,0% em relação a três meses antes e ao mesmo mês de 2019.

Por sua vez, a população desempregada era de 267,9 mil pessoas, menos 50,9 mil indivíduos do que em abril. O número é, segundo o INE, influenciado pela atual situação de pandemia, mas também pelas restrições impostas pelo confinamento e que impactam na própria classificação de desempregado. Senão vejamos. O conceito de desempregado pressupõe que o indíviduo cumpra, cumulativamente, três critérios: não tenha trabalho remunerado, tenha procurado ativamente emprego, remunerado ou não, no período de referência ou nas três semanas anteriores e esteja disponível para trabalhar. Ora, durante parte do mês de maio o país ainda só tinha parcialmente retomado atividade e o cumprimento destes requisitos, de forma cumulativa, continuava a ser impossível de cumprir por grande parte dos desempregados, seja por restrições de mobilidade, redução ou interrupção dos canais normais de recrutamento ou suspensão (total ou parcial) da atividade das empresas.

Inativos agregam desemprego real

De resto, os números demonstram-no. Enquanto as populações empregada e desempregada diminuiam, o grupo dos inativos “engordava”. Entre fevereiro e maio, “aumentou significativamente o número de inativos que se integram em dois grupos que estão na fronteira com a população ativa: inativos que, embora pretendam trabalhar, não fizeram diligências ativas para procurar trabalho e inativos que, embora pretendam trabalhar e tenham procurado ativamente trabalho, não estavam disponíveis para iniciar trabalho na semana de referência ou nas duas semanas seguintes”, explica o INE na informação hoje divulgada.

No mesmo período de tempo, o emprego sofreu uma redução de 4,0% e taxa de subutilização do trabalho – que abrange a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego” -, um indicador agora mais próximo do “desemprego real”, aumentou para os 14,2% em maio.

Para este aumento terá contribuído sobretudo o grupo dos “inativos disponíveis mas que não procuram emprego”, que agregou em maio mais 97,4 mil indivíduos do que em abril e mais 149,9 mil do quem março deste ano, no início da pandemia. No grupo de profissionais sem trabalho, mas que gostariam de trabalhar ou de trabalhar mais horas, estavam em maio 749,5 mil indivíduos. Uma parte deles serão os novos desempregados.


14.3.18

Também emigrámos das estatísticas?

Hugo Carvalho, in Público on-line

O serviço público de emprego não está a acautelar ou a resolver a vertente social, nem a lidar com a qualidade do emprego.

No último artigo que escrevi sobre emprego (ou desemprego) jovem, questionava-me sobre a pertinência das estatísticas e das percentagens nesta discussão. Há indicadores para todos os gostos: os do IEFP retratam o número de cidadãos que quer trabalhar e que vai diminuindo ao passo que os mesmos passam a estar “ocupados” em estágios e formações profissionais; os do INE retratam o número de cidadãos da população ativa que estão empregados; os da OCDE misturam os dois… enfim.

Permitam-me que ilustre o problema da inutilidade das estatísticas quando vistas por si só, sem contexto, com um exemplo de choque: num país em guerra a taxa de desemprego pode ser zero, porque as pessoas estão a fugir, não estão à procura de emprego.

Esta semana, e em boa hora, o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia mostrou-nos que existe uma taxa de desemprego para além dos indicadores tradicionais, que inclui as pessoas que estão em situação de subemprego ou de “trabalhos” temporários, as pessoas que desistiram de procurar emprego e as pessoas que não estão em condições de aceitar uma proposta de trabalho (por hipótese: quem tem pessoas a seu cargo, quem engravida…). Em 2008 estes representavam 176 mil cidadãos, hoje são 484 mil. Nenhum deles está incluído nas estatísticas do desemprego.

Durante a crise, a dimensão económica do desemprego diminuiu face à sua componente social. Essa mantém-se absolutamente determinante e não pode ser desvalorizada nem ofuscada por estatísticas que tantas vezes falham em espelhar a realidade, porque não são lidas no seu contexto. E a realidade passa a mostrar assim que a emigração não foi só para fora do país: foi também para fora das estatísticas.

No desemprego jovem, que – já agora – continua a ser o dobro do da população no geral, precisamos de uma abordagem que integre quem os números não representam, desafiante do sistema, crítica da forma como queremos resolver este problema. Continuamos a ver anúncios que não se concretizam, porque tem havido sempre outras prioridades e opções políticas: mas temos ficado sempre por aí, pelos anúncios… Onde está o plano nacional de combate à precariedade? Para quando o inovador contrato-geração? Como refinanciaremos em larga escala as medidas ativas de emprego, para aproveitar o ciclo económico positivo para dar soluções aos desempregados? Quem terá a coragem política de abordar com seriedade o tema do subemprego e dos postos de trabalho com condições e vínculos precários?

Volto a dizer: o serviço público de emprego não está a acautelar ou a resolver a vertente social, nem a lidar com a qualidade do emprego. E, pelo visto, vai continuar a refugiar-se em descidas de uns números que deixam de fora quase meio milhão de pessoas, que nem cumprem os critérios estatísticos para serem representados num gráfico.
É célebre a frase de que os números das estatísticas, quando suficientemente torturados, acabam por dizer o que se pretende. Temos de parar de discutir números e décimas, para começar a olhar para as pessoas e para o seu contexto: e estas pessoas precisam de soluções.

16.8.17

Jovens são mais instruídos, têm menos trabalho e emigram mais do que há 20 anos

in Diário de Notícias

Para assinalar o Dia Internacional da Juventude, serão divulgados 12 vídeos inspirados no "Retrato dos Jovens em Portugal 2017", elaborados pela base de dados Pordata

Os jovens portugueses estão mais instruídos do que há duas décadas, têm menos trabalho, emigram mais e adiam a decisão de casar e ter filhos, segundo um retrato feito pela base de dados Pordata.

Para assinalar o Dia Internacional da Juventude, que se comemora no sábado, o Conselho Nacional da Juventude, a Pordata e o município de Cascais uniram-se para divulgar 12 vídeos inspirados no "Retrato dos Jovens em Portugal 2017", elaborado pela base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

5.2.15

Regras tiram 640 mil das estatísticas de pobreza em Portugal

in Expresso

Por outro lado, metade das pessoas consideradas pobres tem um rendimento 30,3% inferior ao limiar de pobreza, ou seja, menos de €286 mensais.

O indicador que mede a pobreza em Portugal, e que segue a metodologia europeia, não tem uma leitura tão imediata quanto pode, por vezes, parecer à primeira vista. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados na última sexta-feira, a taxa de risco de pobreza está nos 19,5%, já depois de transferências sociais - caso contrário, o valor seria ainda superior. De acordo com este indicador, cerca de 1,95 milhões de pessoas estão em risco por ter um rendimento inferior ao limiar de pobreza, que é definido como 60% da mediana do rendimento - que era de 4.937 euros anuais em 2013.

Só que, na verdade, o cenário pode ainda ser mais negro do que estes números já o pintam. Como se trata de uma medida relativa ao rendimento mediano, o limiar tende a baixar quando o rendimento cai, que é o caso do período de crise em que Portugal tem vivido. Assim, muitas pessoas que eram pobres deixam de o ser por mera metodologia estatística, ainda que, na realidade, tenham exatamente o mesmo rendimento.

Para eliminar este efeito, o INE calculou também a percentagem de pessoas em risco de pobreza fixando o limiar de 2009, o ano pós-estouro do Lehman Brothers, quando os rendimentos começaram a cair. Aqui, verifica-se que o total de pessoas em risco é de 25,9% e que houve um aumento de oito pontos percentuais nestes anos.

Desta forma, quando se elimina o efeito da descida dos rendimentos, constata-se que há cerca de 640 mil mais pobres do que a estatística oficial indica. E são, tal como nos números "oficiais", também as crianças que mais sofrem (31,1% contra 25,6%). Este agravamento da pobreza, em 2012 e 2013, acontece num período de crise económica e de medidas de austeridade. O primeiro-ministro referiu o ano de 2013 como o pior para a economia e sugeriu que a tendência para a pobreza deverá melhorar a partir de 2014, cujos dados só serão conhecidos no início de 2015.

Quantos pobres ou quão pobres?
O INE não calcula só, no entanto, a taxa de risco de pobreza. É também analisada a intensidade da pobreza que mede quão pobres são os pobres. Trata-se, no fundo, de medir a distância entre o rendimento mediano das pessoas consideradas pobres e o limiar de pobreza. Em 2013, esse valor foi de 30,3%, o que representa um salto de 2,9 pontos face ao ano anterior e de 7,1 pontos em relação a 2010.

Este indicador de intensidade de pobreza permite ver alguns dos "estragos" provocados pelas medidas de austeridade que podem não ser visíveis na taxa de risco de pobreza. Como algumas das políticas mais emblemáticas deste período de aperto de cinto, como os cortes salariais, reduções de pensões ou aumentos de IRS, tiveram sempre um patamar mínimo de isenção acima do limiar de pobreza, acabaram por não levar diretamente pessoas para a pobreza, em termos estatísticos. Convém recordar que o limiar de pobreza, em termos mensais, foi de 411 euros em 2013, o que é inferior ao salário mínimo nacional - que é frequentemente usado como referência.

No entanto, isso já não aconteceu com outras medidas, como as reduções do Rendimento Social de Inserção (RSI) ou do Complemento Solidário para Idosos (CSI), que têm um valor inferior ao limiar de pobreza e cuja função é precisamente minorar a pobreza e não eliminá-la. Um outro sinal disso é o agravamento de indicadores como a taxa de privação material (pessoas incapazes de fazer face a pelo menos três de nove despesas, como rendas, telefone, refeições de carne ou peixe de dois em dois dias ou automóvel).

Números

47,8%
Taxa de risco de pobreza antes de qualquer transferência social (pensões incluídas). Com as pensões reduz-se para 26,7% e só chega a 19,5% com outros apoios

€411
Limiar de pobreza mensal em 2013. Teve uma ligeira subida, de dois euros/mês, face a 2012. Em termos anuais são €4937

25,9%
Taxa de risco de pobreza, em 2013, com rendimento ancorado ao nível de 2009 (atualizado pela inflação). É uma diferença de 6,4 pontos face ao valor 'oficial' que é reduzido pelo facto de o rendimento ter caído.

30,3%
Taxa de intensidade de pobreza que indica quão pobres são os pobres. Significa que metade das pessoas consideradas pobres (cerca de 975 mil pessoas) tem um rendimento 30,3% inferior ao limiar de pobreza, ou seja, menos de €286 mensais

34,5
Índice de Gini, que mede a desigualdade, agravou-se face a 2012 quando foi de 34,2. Os rácios entre o rendimento dos mais ricos - percentis 80 e 90 - e dos mais pobres - percentis 20 e 10 - aumentaram, respetivamente, de 6 para 6,2 e de 10,7 para 11,1.

4.2.15

Regras estatísticas 'apagaram' 640 mil pobres do mapa

Por Notícias Ao Minuto

A Regras estatísticas 'apagaram' 640 mil pobres do mapa Regras estatísticas 'apagaram' 640 mil pobres do mapa Regras estatísticas 'apagaram' 640 mil pobres do mapa forma como são apresentados pelo INE o número de pobres em Portugal, que segue orientações europeias, faz com que centenas de pessoas com rendimentos considerados muito baixos não apareceram nas estatísticas, dá conta o Expresso, na sua edição diária.

Segundo uma notícia publicada pelo Expresso, pelo facto de serem seguidas determinadas fórmulas de cálculo no que diz respeito aos indicadores de pobreza, há uma quantidade expressiva de pessoas pobres que não estão a ser quantificadas.

Ou seja, o valor de 19,5% apresentado na passada sexta-feira de pessoas em risco de pobreza, pode esconder uma realidade bem mais gravosa. Esta estatística reflete apenas o facto 1,95 milhões de portugueses sobreviver com um rendimento familiar inferior a 60% da mediana da população – 4937 euros. Este valor, explica o Expresso, contabiliza ainda as transferências sociais.

Segundo o semanário, sempre que existe uma estatística que contabiliza o rendimento médio da população para chegar ao resultado final, e uma vez que o rendimento tem vindo a cair, o limiar tende a baixar.

Assim, eliminando do cálculo do indicador a variação dos rendimentos médios, verifica-se que existem cerca de 640 mil pobres que não são contabilizados, sendo que os valores do INE exprimem apenas a realidade em 2013, um dos anos mais negros da economia lusa.

1.10.14

Dia Internacional do Idoso, Envelhecimento, Estatísticas, Idosos, Portugal

in O Observador

Cerca de 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos e Portugal é um dos países mais envelhecidos da UE. Fique a perceber quem são e como vivem os idosos portugueses.

A população mundial está a envelhecer. Na maioria dos países, a percentagem do número de pessoas idosas está a aumentar rapidamente, a par com uma diminuição no número de nascimentos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de crianças continuará a descer até ao final do século. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos triplique de 400 milhões para mais de dois mil milhões. Apesar de este aumento refletir uma melhoria nas condições de vida e das políticas de saúde na maioria dos países desenvolvidos, representa também um desafio para a sociedade atual, que terá de se adaptar de modo a “maximizar a capacidade funcional e a saúde” dos mais velhos, assim como a sua participação e integração social.

Em Portugal, a realidade não é diferente. Muitas vezes referido como um dos países mais envelhecidos da União Europeia, 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos. Os dados divulgados esta terça-feira pela Pordata (uma base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), a propósito do Dia Internacional do Idoso que se celebra a 1 de outubro, ajudam a perceber melhor quem são e como vivem os idosos portugueses.

Portugal é o quarto país da União Europeia com maior percentagem de idosos, logo a seguir a países como Itália e Grécia. Desde os anos 60, o número de pessoas com mais de 65 anos aumentou de cerca de 700 mil para mais de dois milhões, acompanhando a diminuição do número de nascimentos. Na década de 70, por cada idoso com mais de 65 anos, existiam duas crianças com menos de 10. Atualmente, as estatísticas mostram exatamente o oposto — por cada criança com menos de 10 anos, existem cerca de dois idosos.

Em termos regionais e segundo dados de 2013, o distrito com maior número de idosos é Castelo Branco. A maioria dos municípios mais envelhecidos encontra-se nas regiões da Beira Baixa e Beira Litoral, apesar de Alcoutim, no distrito de Faro, ter a maior percentagem de pessoas idosas. Segundo dados divulgados pela GNR, a propósito da operação “Censos Sénior 2014″, existem cerca de 34 mil idosos a viverem sozinhos ou isolados, mais 5.766 do que no ano passado. Viseu, à semelhança do que tem sido detetado nos anos anteriores, é o distrito com o maior número de pessoas idosas isoladas.

O aumento do número de idosos significa também que os portugueses vivem cada vez mais tempo. Nos anos 1960, a esperança média de vida para as mulheres era de 66 anos e para os homens 60. Agora, aos 65 anos, as mulheres podem esperar viver mais vinte anos e os homens mais dezassete, com o aumento da esperança média de vida para 80 anos, segundo dados de 2012.

Apesar disso, apenas metade dos indivíduos entre os 55 e os 64 anos estão empregados, enquanto a maioria dos pensionistas de velhice da Segurança Social (77,9%) recebe pensões inferiores ao salário mínimo nacional (485 euros em 2013). Aliás, Portugal surge colocado em sétimo lugar entre os países com maior percentagem de pessoas idosas que vivem sozinhas e abaixo do limiar da pobreza, e encontra-se acima da média da UE (23,6%). Esta realidade é apenas superada por países como o Chipre ou a Bulgária, onde a percentagem quase supera os 50%.

25.3.14

Habemus dados sobre a pobreza (e são alarmantes)

Vítor Junqueira, in Buracos na Estrada

Foram hoje publicados pelo INE os principais resultados da última vaga do Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos (ICOR 2013), e que constituem a informação oficial para a análise do fenómeno da pobreza e da distribuição de rendimentos em Portugal. Os resultados estão disponíveis no portal do INE.

O primeiro indicador a destacar é, obviamente, o da taxa de pobreza, da qual temos falado aqui ao longo das últimas semanas. O risco de pobreza relativa em 2012 foi de 18,7%, quase um ponto percentual acima do valor do ano anterior. Mas talvez ainda mais importante que este indicador é o da pobreza ancorada no tempo, como vimos aqui, que atinge em 2012 os 24,7%, evidenciando o crescimento significativo dos últimos anos, conforme mostra o gráfico:

Também a taxa de privação material -- que corresponde à proporção da população em que se verificaram pelo menos três de nove dificuldades (ver nota metodológica no destaque do INE) -- registou um aumento significativo, tendo ultrapassado a impensável fasquia dos 25%, o que atesta bem as terríveis e crescentes privações pelas quais cada vez uma maior parte da sociedade portuguesa tem vindo a atravessar nos últimos anos:

No campo das desigualdades, apesar da manutenção do coeficiente de Gini, o índice S80/S20, que corresponde, grosso modo, ao quociente do rendimento entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, continua a crescer, depois dos ganhos conseguidos até 2009. Em 2012, os 20% mais ricos ganhavam seis vezes mais que os 20% mais pobres:

Finalmente (embora haja muito mais para analisar no destaque do INE), cabe aqui uma referência aos objetivos da estratégia EUROPA 2020, que cada vez estão mais longe de serem cumpridos. A este propósito, Portugal comprometeu-se, em linha com os outros Estados-membros da UE, a reduzir fortemente o número de pessoas em pobreza e/ou em exclusão social, aqui medido através da verificação de uma ou mais de três situações: 1) encontrar-se em risco de pobreza; 2) encontrar-se em privação material severa; e 3) pertencer a um agregado com intensidade laboral per capita muito reduzida. Estes três indicadores e o subsequente indicador compósito final, que subiu em 2013 para 27,4%, surgem neste último gráfico:

Uma nota metodológica: as referências temporais são o ano anterior do inquérito para tudo o que esteja diretamente relacionado com rendimentos (portanto, a taxa de pobreza resultante do ICOR 2013 é relativa a 2012) e o próprio ano para os indicadores de privação. Estes e outros resultados estão a partir de hoje disponíveis no site do INE e devem ser considerados como provisórios, refletindo uma antecipação do conjunto global de indicadores a divulgar no final do ano em articulação com o Eurostat.

10.5.12

Sociólogo António Barreto: "Crise é profunda e vai deixar uma cicatriz nas estatísticas"

in Diário de Notícias

O sociólogo António Barreto considerou hoje que a atual crise económica vai deixar uma cicatriz nas estatísticas que já será visível dentro de quatro anos em indicadores como a escola, a imigração ou o rendimento per capita.

"Esta crise económica e social é tão profunda que vai deixar marca nas estatísticas. "s vezes não se nota, mas esta vai deixar [marcas]", disse o sociólogo, à margem da apresentação pública do PORDATA Municípios, uma base de dados com indicadores dos 308 municípios portugueses relativos, por exemplo, ao número de habitantes, às condições de vida e às finanças autárquicas.

Segundo o sociólogo, "daqui a três ou quatro anos" já será possível ver reduções ou aumentos em certos indicadores, como a escola, a imigração ou o rendimento per capita, "porque a crise tem sido muito profunda".

António Barreto salientou a grande evolução dos dados estatísticos disponíveis em Portugal nas últimas décadas, de forma que hoje os portugueses veem nos órgãos de comunicação dados estatísticos que não existiam há cinco anos.

"A imprensa faz bem em utilizar profundamente os dados, mas, ao mesmo tempo, também sinto que à imprensa basta muitas vezes um número para impressionar. É preciso também explicar, colocar a informação em contexto, perceber aquela informação e não nos ficarmos pelo choque inicial", afirmou.

Barreto criticou alguma tendência para a demagogia.

"Eu já ouvi que a crise está a aumentar os suicídios, porque há um indicador para 2011 que dava um número de suicídios superior a 2010. Mas estes fenómenos são sempre mais lentos e a primeira coisa a ver são os últimos 10 anos. Ora, em 2006 e 2007 existem mais suicídios do que em 2011, pelo que o raciocínio morre logo", exemplificou.

Saber quanto é que é gasto em cartões de crédito, como é que vai a insolvência pessoal e das famílias, o pagamento de créditos à banca e da prestação da casa são, segundo o sociólogo, dados essenciais para "saber o que se passa no país e como é que a crise vai afetar o país".

O PORDATA Municípios, hoje apresentado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, junta-se às bases de dados já disponíveis acerca de Portugal e da Europa.

Segundo a diretora da PORDATA, Maria João Valente Rosa, para já o projeto está completo e a próxima fase será de enriquecimento de dados.

Os mais de 530 gráficos, que permitem comparar informação entre diferentes tipos de indicadores, permitem sobretudo verificar que "Portugal é um país com fortes assimetrias e estas não são necessariamente as distâncias físicas, mas sim sociais, culturais e económicas", acrescentou.

A nova base de dados disponibiliza informação estatística oficial para os 308 municípios, agrupados em 12 temas: a população, a saúde, a educação, a proteção social, o emprego, as empresas, a justiça, a sociedade da informação, a habitação, cultura, ambiente e finanças autárquicas.

Os dados foram recolhidos junto de cerca de 50 organismos oficiais, entre os quais se destaca o INE.

Os números são os mais recentes, mas estão incluídos também os primeiros dados estatísticos disponíveis sobre o item a consultar e também dados de alguns períodos intermédios.

5.4.12

Portugueses têm mais doutorados e mais filhos fora do casamento do que os espanhóis

Por Natália Faria, in Público online

VOs espanhóis vivem mais tempo. Navegam mais na Internet. Lá, como cá, o abandono escolar ultrapassa os 28%.

As teses iberistas que defendem a fusão de Portugal e Espanha num único Estado parecem ter desaparecido com o seu principal defensor, José Saramago, mas as comparações perduram. Os organismos estatísticos dos dois países confrontaram indicadores e concluíram, por exemplo, que por cada português há quatro espanhóis. E que, a confirmarem-se as previsões, o desequilíbrio irá aumentar. Os portugueses deverão ver diminuída a sua população, enquanto os espanhóis deverão somar mais seis milhões em 2060.

A Península Ibérica compõe-se de 56.626.729 habitantes, dos quais 10,6 milhões são portugueses e 46 milhões são espanhóis. Dentro de 50 anos, os portugueses deverão ficar-se pelos 10,3 milhões e os espanhóis deverão ultrapassar os 52 milhões.

Do outro lado da fronteira vive-se mais tempo: a esperança de vida, à nascença, é de 78,7 anos para os espanhóis e de 83,2 anos para as espanholas; entre os portugueses a expectativa de vida baixa para os 76,1 anos (homens) e para os 81,2 anos (mulheres). A esperança de vida saudável aos 65 anos também é maior em Espanha: 9,2 anos para os homens e 8,4 para as mulheres. Em Portugal, essa expectativa reduz-se para os 6,6 e para os 5,4 anos. Quanto às causas de morte, são as mesmas para os dois países: tumores e doenças dos aparelhos circulatório e respiratório.

Dado curioso é que em Portugal há mais crianças nascidas fora do casamento. Em 2009 – ano em que foi possível encontrar referências comuns aos dois países –, mais de 38% das crianças portuguesas nasceram fora do casamento, enquanto em Espanha essa taxa é de 34%.

Abandono escolar

Relativamente às qualificações académicas, os portugueses saem a ganhar: somam 41 doutorados por 100 mil habitantes contra os 17 espanhóis. Por cá, dois em cada três doutorados são mulheres. A distribuição por género está mais equilibrada em Espanha: 51,2% são homens e 48,8% mulheres.

Quanto ao abandono escolar, nenhum dos países fica bem no retrato: 28,7% portugueses, entre os 18 e os 24 anos, abandonam precocemente a escola; o mesmo se passando com 28,4% dos espanhóis – o dobro do verificado na média da União Europeia (UE). De recordar que, em 2000, o abandono escolar precoce em Portugal atingia os 44,2% e os 29,7% entre os espanhóis.

Na comparação com a média da UE (70%), quer portugueses quer espanhóis acedem muito menos à Internet a partir de casa. Navega-se em 54% das casas portuguesas e 59% das espanholas.