Costa Guimarães, in Correio do Minho
Encerrou há alguns dias o Ano Europeu do Voluntariado, uma data instituída em 2009 pela União Europeia na sequência de um conjunto de solicitações feitas por organizações de voluntariado de toda a Europa.
O ano foi vivido em conjunto pelos 27 Estados-membros, quando a conjuntura económica e financeira tornava mais necessária a promoção de uma cidadania activa, capaz de contrariar a escassez de trabalho voluntário que se verifica na sociedade civil.
Existem mais de cem milhões de europeus a fazer trabalho voluntário, mas são insuficientes para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, fixados pelas Nações Unidas.
Em Portugal, o numero de voluntários ronda um milhão e meio de pessoas, sendo meio milhão activos e os restantes esporádicos.
A Europa assume que o voluntariado desempenha um papel fundamental no desenvolvimento social, mas os Estados ignoram as acções implementadas pelas organizações, empresas e autoridades locais e regionais.
Por feliz coincidência, o Ano Europeu do Voluntariado engatou no Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social envolvendo 17 mil organizações em toda a Europa. Esta plataforma comum tarda em conseguir influenciar os lideres europeus para o cumprimento das 43 directivas.
O voluntariado está presente em quase todas as áreas da sociedade, desde a acção social ao apoio a crianças e jovens ou à área da saúde, mas os cidadãos tendem cada vez mais a participar nas áreas da cultura ou ambiente.
Os cem milhões de europeus voluntários são insuficientes para dar resposta a uma cidadania verdadeiramente activa.
Apesar de o número de voluntários ser insuficiente na Europa, o seu trabalho contribuiu para reduzir o número de pessoas que vive abaixo do limiar da pobreza, de 1800 para 1400 milhões, nos últimos quinze anos.
O ano europeu do voluntariado encerrou mas as barreiras à sua progressão continuam por derrubar, desde logo: falta de tempo (agravada com mais meia hora de trabalho); escassos recursos económicos gerados pela crise; leis desencorajadoras; falta de protecção contra os riscos que a actividade pode acarretar.
O voluntariado é hoje essencial para a construção de uma Europa social e para o seu crescimento. Os voluntários são o espelho da diversidade da sociedade europeia que constrói a inclusão social e alimenta a cidadania activa protagonizada 'por' pessoas em situação de pobreza e exclusão social.
O Ano do Voluntariado prova que os anões políticos que dirigem Europa continuam mergulhados na sua própria mediocridade. Entre a solidariedade evidentemente necessária entre os povos e os mangas de alpaca da numerologia aceleram o suicídio da entre-ajuda entre as pessoas e entre os Estados.
Desobedientes, a realidade do Voluntariado continua a ignorá-los.


