5.5.15

Maus-tratos? "É dizer todos os dias que não gosto de ti"

por Ana Maia, in Diário de Notícias

Enfermeiros da Ajuda distribuíram mensagens feitas por alunos que participam na campanha nacional de prevenção dos maus-tratos na infância "Apenas o coração pode bater".

Igor é uma requisição de última hora. "Posso levá-lo?", pergunta a enfermeira Fátima Esteves à mãe, Patrícia Campos, vendedora de legumes no mercado de Alcântara. "Pode sim", diz a mãe. O rapaz de 11 anos pega num pequeno monte de espátulas desenhadas que Fátima lhe dá e acompanha-a pelo mercado. De ar tímido estende a mão, enquanto a enfermeira explica: "Olá. Estamos aqui numa ação para assinalar o mês da prevenção da violência contra crianças. Estamos a distribuir espátulas que os meninos do 4.º ano desenharam e escreveram sobre o que são os maus-tratos. E agora estamos a devolvê-las à comunidade. Deixamos uma consigo para depois dar a um dos clientes."

Fátima Esteves é a coordenadora da Unidade de Cuidados na Comunidade Consigo, que funciona no centro de saúde da Ajuda. A iniciativa faz parte da campanha nacional de prevenção de maus-tratos na infância "Apenas o coração pode bater". É feita em parceria com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Oeiras. Têm com elas 360 espátulas, desenhadas pelos alunos do 4.º ano das escolas de Campo de Ourique, Santo Condestável, Alcântara, Ajuda e Belém, distribuídas por vários locais e pelos médicos e enfermeiros.

A ideia? "É devolver à comunidade as mensagens destes meninos", explica Fátima Esteves. As duas primeiras ações decorreram na quarta-feira, uma no mercado de Alcântara, outra no elétrico 18. No domingo quem foi à pastelaria Aloma em Campo de Ourique ou ao Centro Cultural de Belém também recebeu uma espátula.