Maria Lopes e Susana Madureira Martins (Renascença), in Público online
Dirigente do PS pede a Costa “um pouco mais de maturidade” na governação e lamenta “défice de debate político interno” no partido – que atribui aos sete anos de governo.
Segunda parte: Corrida pela sucessão de Costa “está no terreno” e “não é alheia ao que se passou nas Infra-estruturas”
Antigo ministro socialista do Trabalho "compreende" a decisão de António Costa em manter João Galamba como ministro das Infra-estruturas, mas avisa o primeiro-ministro que é o próprio Governo que tem o desafio de "estar à altura" da opção que foi tomada. Em entrevista ao Hora da Verdade do PÚBLICO e da Renascença (onde pode ouvir esta noite, às 23h), José António Vieira da Silva lamenta ainda que Marcelo esteja há meses a falar da dissolução do Parlamento. Numa altura em que se espera uma reacção do Presidente sobre a crise política e o caso Galamba, o dirigente nacional do PS salienta que a designada bomba atómica tem de ser usada "de forma bem pensada e sóbria".
Ficou surpreendido com a decisão de António Costa não aceitar a demissão de João Galamba? Com os dados que tem, considera que foi a decisão certa?
É difícil responder a essa pergunta, porque uma coisa é nós pensarmos o que é que António Costa vai decidir e vai dizer; outra coisa é o que ele decidiu depois de ter explicado as razões da sua decisão. Quando o ouvi falar sobre a abordagem que ele fez da situação e a decisão que tomou, compreendo-a. Apesar de, como ele próprio disse, para grande parte das pessoas, dos comentadores, dos analistas, seria outra solução, implicando uma demissão do ministro João Galamba.
Mas, ouvindo-o falar, percebi a situação dele. Naturalmente que também compreendo, como ele disse, que é um risco. Mas quem faz os governos e é responsável pelas remodelações é o primeiro-ministro. Há algumas pessoas que não entendem isso. Acham que as vozes públicas, as opiniões mais ou menos bem informadas, devem decidir.
É uma matéria extremamente complexa quando se decide alterar a estrutura, mexer no Governo. Há por vezes factos ou condições que tornam isso inevitável. Da minha experiência de participar em vários governos, não é uma coisa que os primeiros-ministros façam com tranquilidade. Percebo que tenha dito ‘não vejo razões para a demissão e, portanto, não aceitei’.
O primeiro-ministro também admitiu riscos. Quais são os de manter João Galamba em funções?
Eu acho que não é tanto manter João Galamba em funções. É relativamente pacífico que tem qualidades do ponto de vista técnico, do ponto de vista de formação e experiência. Mas não é tanto essa questão. O que havia era uma expectativa que daqui resultasse uma mudança no Governo com algum significado e, portanto, o primeiro-ministro contrariou essa expectativa. E isso, quando se contraria uma expectativa alargada, que é partilhada por muitos comentadores…
Não são só comentadores: até o presidente do PS falou na necessidade de uma remodelação mais profunda.
Eu aí tenho que dizer que a opinião é livre no nosso país. Cada um tem esse direito e o facto de ser membro de um partido não inibe as pessoas de terem opiniões. Pessoalmente, sou mais favorável a que essas opiniões sejam transmitidas aos responsáveis nos momentos e nos sítios adequados e não transformados em mais uma onda.
Então Carlos César excedeu-se?
Não digo que se excedeu: somos um país livre e ele tem todo o direito a dizer as suas opiniões. Eu não a subscrevo.
Considera que não há necessidade de uma remodelação mais profunda?
Não é isso que estou a dizer. Não subscrevo que vários militantes do PS, numa altura em que é preciso reforçar a confiança na capacidade do PS e do Governo de ultrapassar as dificuldades, entrem numa espécie de competição sobre quem é mais independente e mais livre pensador.
Claro que o presidente do partido é uma personalidade importante, mas eu, se tivesse responsabilidades dirigentes no PS, iria sempre preferir ter uma conversa nos órgãos próprios.
Na comissão política?
Por exemplo. O PS tem tido um défice de debate político interno; isso é indiscutível.
Desde quando?
Foi-se acumulando. O facto de estar no Governo é normalmente entendido como um factor de diminuição do peso do debate dos partidos. Esse risco existe: que a actividade governativa, a comunicação governativa, não se sobreponham àquilo que é uma reflexão livre que é essencial aos partidos democráticos. Tenho pena que o PS não a pratique mais vezes.
Estar no poder há sete anos e agora ter uma maioria absoluta tem influência nisso?
As maiorias absolutas, ao contrário do que se possa pensar, têm virtudes e têm riscos. Uma virtude é que é mais fácil, por exemplo, fazer acordos com maioria absoluta na concertação social, como aconteceu com os mais relevantes.
Há uma capacidade de conjugar as várias dimensões. Obviamente que o poder tem sempre problemas a gerir a relação de poder. Mesmo individualmente. As pessoas têm que ter o bom senso e a sobriedade que é exigida a quem exerce um cargo público daquela responsabilidade que provavelmente nem sempre tem acontecido. A falta de debate político tem muito a ver com os problemas de governação que estamos a viver.
Os casos e casinhos, como lhes chama o primeiro-ministro?
Não são todos. Mas alguns terão a ver com o PS não ter tirado todas as ilações que devia ter tirado nesta sequência em que está no Governo. Um período com um acordo com três partidos, que nem sequer conversavam entre eles. Tanto que teve óbvias vantagens para o país mas muito trabalho para quem governava, e que depois mostrou a sua fragilidade. Depois passou-se para uma situação de maioria e quando o PS ganha a maioria absoluta, tinha que ter tirado todas as ilações desse facto. Ou seja, o eleitorado preferiu uma via reformista, com capacidade de falar à esquerda, à direita, mas com autonomia estratégica do Partido Socialista.
Eu gostaria que tivesse sido mais reflectido e que quem não pensava assim tivesse assumido que o eleitorado lhe tinha corrigido as suas leituras acerca do futuro do PS.
O que é que a maioria absoluta não está a fazer nessa autonomia em que tem de falar à esquerda e à direita?
A maioria absoluta tem cumprido muitos dos aspectos virtuosos, como o acordo de concertação social com uma dimensão plurianual que é muito difícil de fazer e é extremamente importante.
Talvez um pouco estranhamente, mais ao nível da governação e da gestão, se deva exigir e esperar um pouco mais de maturidade e esforço na construção da narrativa, do discurso, da explicação das opções. O que faz com que muito do que discutimos sirva como uma espécie de véu que nos impede de estar a debater algumas das coisas que são mais importantes para o país.
Estamos a atravessar a maior crise desde o pós-guerra, com a combinação da pandemia, da inflação e da guerra. Não há nada parecido desde a Segunda Guerra Mundial na Europa e isso é de uma enorme exigência. Portugal tem feito um esforço muito grande nesse sentido e o prestígio internacional de António Costa ajudou muito com algumas soluções.
Essas dificuldades e exigências aconselhariam a que se discutisse mais no país, nos partidos e no Parlamento o que é que se pode fazer melhor, como é que se podem corrigir as lacunas, reconhecer o que tem corrido bem. Isso tem sido, infelizmente, muito, muito escondido por esta vertigem de polémicas, de estarmos há dois meses a discutir se vai haver dissolução ou não. Não é uma discussão que faça sentido.
Desde o 5 de Outubro que estamos a ouvir Marcelo Rebelo de Sousa a falar do seu poder, de que não abdica, de dissolver o Parlamento. O Presidente da República é também um foco de instabilidade?
Não direi que é um foco de instabilidade. Todos conhecemos o Presidente da República, que tem muitas qualidades e alguns defeitos. Eu estou um bocado à-vontade, porque eu apelei publicamente ao voto em Marcelo Rebelo de Sousa nas últimas eleições.
Está arrependido?
Não sou muito de arrependimentos em opções políticas. Fiz aquilo que achava mais adequado naquela altura, quando outros, com a mesma filiação partidária, fizeram outras opções.
Isso não me impede de ter uma visão mais ou menos crítica sobre algumas das dimensões: o Presidente da República não precisa dizer que não abdica dos seus poderes. Alguém está a pedir que abdique? Todos sabemos que tem esse poder. Mas esse poder reforça-se usando quando ele deve ser usado e não andando permanentemente a falar dele. Desse ponto de vista, tenho muita dificuldade em compreender e não creio que tenha sido uma ajuda muito significativa para ultrapassar as dificuldades que temos. É a célebre coabitação. Também já vivemos períodos em que Presidentes do mesmo partido do governo tiveram dificuldades de relacionamento.
Estamos nesse caminho de já não falar da dissolução, mas aplicá-la?
Acho que não. A dissolução da Assembleia tem um conjunto de preceitos, regras e de exigências e deve ser aplicada de forma muito bem pensada, muito sóbria. Não é um assunto de política corrente; é uma situação de excepção.
E não um ano e meio depois de ter sido usada.
E principalmente, como o Presidente já disse várias vezes, numa altura em que o nosso país, a Europa e o mundo defrontam problemas que são até imprevisíveis. Num contexto tão difícil, tivemos uma recuperação recorde no ano passado, porque vínhamos de um ponto muito baixo; agora estamos com um crescimento estimado de 2,5%, que é forte para a conjuntura que vivemos.
Essa recuperação podia ficar em causa se a legislatura fosse quebrada?
É sempre um risco: quebrar uma legislatura são seis meses sem política activa e sem legitimidade política, sem orçamentos, com menor capacidade para que a máquina do Estado funcione.
António Costa já terá dito a Marcelo Rebelo de Sousa que se recandidatará…
Não tenho nenhum comentário, não sei nada.
O primeiro-ministro tem sabido tratar da estabilidade necessária ao funcionamento do Governo tendo em conta os casos e casinhos? O xeque-mate desta semana ao Presidente é esse tudo ou nada para a estabilidade?
Não creio que se possa falar de xeque-mate. Se estamos a falar de xadrez, António Costa não fez uma jogada defensiva, não sacrificou nenhuma peça e reafirmou a sua vontade de levar o jogo até ao fim.
Não fez nenhum xeque-mate; não se faz xeque-mate ao Presidente da República. A posição institucional do Presidente não é passível de sofrer um xeque-mate. Veja-se bem a expressão “derrubar uma peça”, no xadrez é a rainha. Isso faz parte do relacionamento normal entre as instituições e acho que António Costa marcou uma posição que até agora não tinha.
É um desafio ao Presidente da República?
Acho que é mais um desafio para o Governo. Quer dizer, tendo António Costa tomado esta posição, quem agora tem que estar à altura desta posição é o Governo.
E fazendo o quê exactamente?
Governando bem e tendo uma comunicação mais sóbria e mais madura, correcção de políticas, aqui ou acolá.
Não com correcção de equipa?
Essa decisão é de António Costa. Se ele quiser fazer, fá-la-á quando entender. As mudanças de equipas são também um problema para quem governa, porque normalmente quando sai um ministro tem que entrar outro e isso é um processo algo traumático. Essas mudanças têm que ser sempre pensadas com muita sobriedade e escolher o momento em que possam ter maior eficácia do ponto de vista governativo.
Agenda do Trabalho Digno é inconstitucional? “É o debate político…”
Foi o autor da fórmula de actualização das pensões há 17 anos e o Governo já admitiu revê-la. Que critérios podem ser revistos?
A fórmula já previa uma reavaliação. Tem um referencial principal que é a inflação, e depois outros indicadores que a tornam menos rígida, fazendo com que o crescimento económico influencie [o valor], e tendo sempre em conta alguma discriminação positiva para as pensões mais baixas. Muitos países utilizam os salários [como critério] porque estes estão a contribuir para o bolo da receita.
É uma discussão que vale a pena fazer. Eu teria duas preocupações: não mexeria na fórmula num período de tanta turbulência económica e financeira como estamos a viver. Mas começaria a discuti-la porque é de prever que a situação estabilize.
Faz sentido aumentar o período da inflação?
O período é de dois anos. Não vejo muita razão para aumentar, mas admito que também não encontro muitas alternativas. Introduzir mais tempo faz com que crescimentos ou decrescimentos que se passaram a três anos influenciam o que vai acontecer às pensões.
O mecanismo usado pelo Governo com a meia pensão em Outubro e depois dois aumentos este ano fez com que as pensões mais altas fossem especialmente beneficiadas. Isso não contraria a sua ideia inicial de privilegiar as mais baixas?
Estamos numa situação excepcional, isto é uma medida excepcional. O Governo passou de ser criticado por cortar pensões para ser criticado por estar a aumentar as pensões. Se olharmos para a história recente, quer no período em que se aplicou e nos que não se aplicou, as mais penalizadas foram as pensões acima das mínimas.
Acho razoável discutir se o momento era este ou não, mas também que haja um momento em que as outras pessoas não sejam completamente esquecidas, porque há de facto uma tendência de diminuição do valor real das pensões médias mais altas.
O Governo do PSD/ CDS não aumentou nenhuma pensão acima da mínima. Se há uma situação de algum conforto orçamental, é justo, até porque outros segmentos da sociedade tiveram outro tipo de apoios.
Esta semana entrou em vigor a Agenda do Trabalho Digno. Dá crédito às críticas das confederações do patronato sobre a inconstitucionalidade de algumas medidas como a da proibição de outsourcing depois de despedimento?
Não sou constitucionalista, mas não estou a ver muita razão das entidades empregadoras – que, aliás, não me lembro de terem questionado alguns cortes, esses sim, inconstitucionais, do Governo PSD/CDS. É certo que várias associações de empregadores se opuseram a algumas das medidas consideradas mais prejudiciais para a economia e também para os trabalhadores.
Agora acusarem-nos de inconstitucionalidade… É o debate político. É claro que eu gostaria que tivesse havido um acordo de concertação para uma mudança tão relevante como esta. Não foi possível; nem sempre é possível acordo. Dá mais solidez às mudanças se elas estiverem estribadas e assentes num acordo de concertação. Mas também reconheço que nem sempre isso é possível.
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4.5.23
26.10.21
A partir das 15h00 há debate orçamental com crise política em pano de fundo
in RR
O Governo entra no debate a defender que nestas negociações foi mais longe do que em outros orçamentos viabilizados à esquerda e que o país não precisa de uma crise política.
A partir das 15h00, arranca na Assembleia da República o debate na generalidade da proposta de Orçamento de Estado para 2022, que será chumbada na votação de quarta-feira em plenário, caso se mantenha o voto contra anunciado pelo BE e PCP.
Esta apreciação da proposta orçamental inicia-se nesta terça-feira e continuará na quarta, terminando com a votação na generalidade. O debate pode ter uma duração superior a dez horas.
A apreciação na generalidade terá lugar depois de, na segunda-feira, o PCP ter anunciado que irá votar contra o OE2022, tendo o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, defendido que o Governo se recusa a responder aos flagelos do país, apesar de haver "meios e condições" para tal.
A posição comunista veio acrescentar-se à do Bloco de Esquerda que, no domingo, também adiantou que vai votar contra a proposta orçamental caso, até quarta-feira, o Governo insista "em impor recusas onde a esquerda podia ter avanços".
Perante o anúncio da rejeição dos principais parceiros de esquerda, o Governo advertiu que, caso o Orçamento do Estado seja chumbado, ficarão comprometidas várias medidas em matérias como salários, pensões, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e legislação laboral.
Apesar disso, segundo o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, o executivo tem disponibilidade para continuar a negociar o Orçamento até à votação, adiantando, no entanto, que não podem ser criadas "ilusões", já que foram anunciados votos contra logo na generalidade.
Governo defende que foi longe nas negociações
O Governo entra no debate orçamental a defender que nestas negociações foi mais longe do que em outros orçamentos viabilizados à esquerda e que o país não precisa de uma crise política.
Estas posições foram transmitidas à agência Lusa por fonte oficial do executivo, já depois da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio Nacional da Ajuda, que se iniciou na noite de segunda-feira e terminou perto da meia-noite.
"Uma crise política é tudo o que o país não precisa e o Governo não deseja. Por isso, o Governo se empenhou tão séria e construtivamente nas negociações", sustentou o mesmo membro do executivo, numa alusão a duas das posições base que o Governo transmitirá ao longo do debate da proposta de Orçamento do Estado para 2022, diploma que será votado na quarta-feira na generalidade.
No debate, o Governo defenderá a tese de que a sua proposta de Orçamento do Estado para 2022 "consagra avanços muito significativos e aproximações relevantes às posições defendidas pelos partidos que, no passado, viabilizaram orçamentos do Estado".
Ainda em relação às negociações, sobretudo com o PCP e Bloco de Esquerda, o Governo destaca os diplomas aprovados em Conselho de Ministros na quinta-feira, "como a Agenda para o Trabalho Digno, com aproximações palpáveis em matéria laboral às posições dos parceiros parlamentares, o Estatuto do SNS ou o Estatuto dos Profissionais da Cultura".
Se os partidos mantiverem o sentido de voto anunciado, a proposta de Orçamento deverá ser chumbada na quarta-feira logo na generalidade com os votos contra do PSD, Bloco de Esquerda, PCP, CDS-PP, PEV, Iniciativa Liberal e Chega, tendo os votos a favor apenas do PS e as abstenções do PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar-Moreira e Cristina Rodrigues.
Com este cenário, o Presidente da República já anunciou que irá dissolver o Parlamento, precipitando a organização de eleições antecipadas.
O Governo entra no debate a defender que nestas negociações foi mais longe do que em outros orçamentos viabilizados à esquerda e que o país não precisa de uma crise política.
A partir das 15h00, arranca na Assembleia da República o debate na generalidade da proposta de Orçamento de Estado para 2022, que será chumbada na votação de quarta-feira em plenário, caso se mantenha o voto contra anunciado pelo BE e PCP.
Esta apreciação da proposta orçamental inicia-se nesta terça-feira e continuará na quarta, terminando com a votação na generalidade. O debate pode ter uma duração superior a dez horas.
A apreciação na generalidade terá lugar depois de, na segunda-feira, o PCP ter anunciado que irá votar contra o OE2022, tendo o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, defendido que o Governo se recusa a responder aos flagelos do país, apesar de haver "meios e condições" para tal.
A posição comunista veio acrescentar-se à do Bloco de Esquerda que, no domingo, também adiantou que vai votar contra a proposta orçamental caso, até quarta-feira, o Governo insista "em impor recusas onde a esquerda podia ter avanços".
Perante o anúncio da rejeição dos principais parceiros de esquerda, o Governo advertiu que, caso o Orçamento do Estado seja chumbado, ficarão comprometidas várias medidas em matérias como salários, pensões, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e legislação laboral.
Apesar disso, segundo o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, o executivo tem disponibilidade para continuar a negociar o Orçamento até à votação, adiantando, no entanto, que não podem ser criadas "ilusões", já que foram anunciados votos contra logo na generalidade.
Governo defende que foi longe nas negociações
O Governo entra no debate orçamental a defender que nestas negociações foi mais longe do que em outros orçamentos viabilizados à esquerda e que o país não precisa de uma crise política.
Estas posições foram transmitidas à agência Lusa por fonte oficial do executivo, já depois da reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio Nacional da Ajuda, que se iniciou na noite de segunda-feira e terminou perto da meia-noite.
"Uma crise política é tudo o que o país não precisa e o Governo não deseja. Por isso, o Governo se empenhou tão séria e construtivamente nas negociações", sustentou o mesmo membro do executivo, numa alusão a duas das posições base que o Governo transmitirá ao longo do debate da proposta de Orçamento do Estado para 2022, diploma que será votado na quarta-feira na generalidade.
No debate, o Governo defenderá a tese de que a sua proposta de Orçamento do Estado para 2022 "consagra avanços muito significativos e aproximações relevantes às posições defendidas pelos partidos que, no passado, viabilizaram orçamentos do Estado".
Ainda em relação às negociações, sobretudo com o PCP e Bloco de Esquerda, o Governo destaca os diplomas aprovados em Conselho de Ministros na quinta-feira, "como a Agenda para o Trabalho Digno, com aproximações palpáveis em matéria laboral às posições dos parceiros parlamentares, o Estatuto do SNS ou o Estatuto dos Profissionais da Cultura".
Se os partidos mantiverem o sentido de voto anunciado, a proposta de Orçamento deverá ser chumbada na quarta-feira logo na generalidade com os votos contra do PSD, Bloco de Esquerda, PCP, CDS-PP, PEV, Iniciativa Liberal e Chega, tendo os votos a favor apenas do PS e as abstenções do PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar-Moreira e Cristina Rodrigues.
Com este cenário, o Presidente da República já anunciou que irá dissolver o Parlamento, precipitando a organização de eleições antecipadas.
17.7.13
Parceiros sociais pedem aos partidos entendimento rápido para "um novo ciclo"
in Jornal de Notícias
Os parceiros sociais apelaram, esta quarta-feira, aos partidos políticos que cheguem rapidamente a um entendimento, colocando de lado interesses partidários, e disponibilizaram o seu apoio e contributo para "um novo ciclo económico e social".
Em comunicado, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a Confederação do Turismo Português (CTP) e a União Geral de Trabalhadores (UGT) apelam para que "este entendimento seja encontrado tão rapidamente quanto possível.
As quatro confederações empresariais - que apresentaram no mês passado um compromisso coeso para o crescimento económico em Portugal - às quais se juntou a UGT apelam também aos partidos "que se encontram a negociar o compromisso de médio prazo que envidem todos os esforços, pondo de lado interesses partidários de conjuntura".
A CAP, CCP, CIP, CTP e UGT pedem também que, na sequência de um "entendimento entre os agentes políticos, sejam implementadas medidas, que permitam aos portugueses olhar com confiança o futuro, acreditando que o esforço desenvolvido garantirá um Portugal melhor e mais justo".
As confederações lembram que o país está viver um período difícil e que o crescimento económico e a melhoria de vida dos portugueses depende do entendimento de todos os agentes com responsabilidades políticas.
"Estamos convencidos de que o diálogo e a concertação social precisam deste compromisso nacional, sob pena de o país correr o sério risco de entrar numa fase de grande gravidade em termos económicos e sociais, de consequências imprevisíveis", referem em comunicado.
A CAP, CCP, CIP, CTP e UGT sublinham ainda que Portugal precisa de "estabilidade política e social e de uma economia mais forte e competitiva, com um sólido tecido empresarial, que permita o aumento da produção, a diminuição do desemprego, o crescimento da riqueza e confiança dos mercados externos".
Os parceiros sociais salientam ainda a necessidade de os partidos políticos terem de agir com "clareza e determinação" e em conformidade e com a urgência que se impõe.
Os parceiros sociais apelaram, esta quarta-feira, aos partidos políticos que cheguem rapidamente a um entendimento, colocando de lado interesses partidários, e disponibilizaram o seu apoio e contributo para "um novo ciclo económico e social".
Em comunicado, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a Confederação do Turismo Português (CTP) e a União Geral de Trabalhadores (UGT) apelam para que "este entendimento seja encontrado tão rapidamente quanto possível.
As quatro confederações empresariais - que apresentaram no mês passado um compromisso coeso para o crescimento económico em Portugal - às quais se juntou a UGT apelam também aos partidos "que se encontram a negociar o compromisso de médio prazo que envidem todos os esforços, pondo de lado interesses partidários de conjuntura".
A CAP, CCP, CIP, CTP e UGT pedem também que, na sequência de um "entendimento entre os agentes políticos, sejam implementadas medidas, que permitam aos portugueses olhar com confiança o futuro, acreditando que o esforço desenvolvido garantirá um Portugal melhor e mais justo".
As confederações lembram que o país está viver um período difícil e que o crescimento económico e a melhoria de vida dos portugueses depende do entendimento de todos os agentes com responsabilidades políticas.
"Estamos convencidos de que o diálogo e a concertação social precisam deste compromisso nacional, sob pena de o país correr o sério risco de entrar numa fase de grande gravidade em termos económicos e sociais, de consequências imprevisíveis", referem em comunicado.
A CAP, CCP, CIP, CTP e UGT sublinham ainda que Portugal precisa de "estabilidade política e social e de uma economia mais forte e competitiva, com um sólido tecido empresarial, que permita o aumento da produção, a diminuição do desemprego, o crescimento da riqueza e confiança dos mercados externos".
Os parceiros sociais salientam ainda a necessidade de os partidos políticos terem de agir com "clareza e determinação" e em conformidade e com a urgência que se impõe.
16.7.13
Dimensões da crise
por Adriano Moreira, in Jornal de Notícias
A infeliz moldura da crise política que atingiu não apenas a imagem internacional do País mas também a autoestima dos portugueses exige que seja separada do conjunto de desafios sérios que o projeto europeu entretanto vai sofrendo, desafios esses têm que ver com o futuro da comunidade e com a falta de estadismo e liderança com que a Europa se confronta, e à qual temos dado visível contribuição.
Não pode omitir-se o conjunto de sacrifícios que um neoliberalismo sem regras e repressivo, com um historial elucidativo já do século passado, produziu até que os fracassos das previsões tenham finalmente sido assumidos: mas tal memória, que não serve para os remediar, embora possa ajudar a não os repetir, implica sobretudo a urgência de meditar sobre o consequencialismo no que toca ao projeto da União, e ao seu conceito estratégico, se ainda for possível identifica-lo com clareza.
Embora sem nunca ter sido assumido um modelo final da União, não por falta de projetos históricos mas por escassez de experiências, estavam claros os princípios que deviam ser respeitados e fortalecidos pela prudente política dos pequenos passos.
Tais princípios, sem grande risco de erro de omissão ou entendimento, incluíam o Estado social, a democracia de modelo ocidental, a coesão social, o desenvolvimento sustentado entendido como o nome da paz para os nossos dias, a diversidade cultural unificada por um conjunto de valores que fazem parte do património imaterial da humanidade.
A pretensão de ser um modelo de regionalismo para um mundo em mudança que obrigava a avaliar a relação entre objetivos e capacidades, com o inevitável reflexo na redefinição das soberanias, não exigia apenas a igualdade dos direitos do homem, também implicava a igualdade dos Estados admitidos no projeto inovador.
Muito cedo se tornou evidente que a inicial preocupação com o modelo económico, traduzido num mercado livre, exigia uma inovadora estrutura política, de que o Tratado de Lisboa foi o imperfeito último passo.
O talento dos grandes pensadores e interventores que construíram o património político europeu, pagando os custos de uma evolução longa, e frequentemente conflituosa, depois da última grande, exigia uma capacidade de gestão das diferenças unificadas e presididas por uma maneira europeia de estar no mundo.
As desordens orçamentais, a crise financeira e económica, a confusão entre o multiculturalismo e o cosmopolitismo são consequências de causas entre as quais avulta com destaque a fraqueza das lideranças, a falta de herdeiros dos que sofreram e conduziram o calvário da guerra mundial, e a longa penitência da Guerra Fria.
A incapacidade manifesta de uma gestão das diferenças implicou o acidente grave de a própria igualdade dos Estados da União não ser preservada, o renascimento dos demónios que os fundadores julgaram dominar, a convicção não assumida de que a realidade apenas era um processo europeu para uma conjuntura datada, a qual, nesta entrada de um "século sem bússola", abria agora caminho, e para alguns necessidade, de dar lugar à pluralidade de capacidades individualizadas dos Estados, a recordarem a hierarquia dos poderes efetivos.
A situação dos países do Norte do Mediterrâneo, abrangidos pela fronteira da pobreza, consentiu que o modelo real do protetorado, que no passado ajudou a tornar infeliz a relação das soberanias europeias com a área da "primavera muçulmana", pudesse voltar ao exercício dentro do território da própria União. O que tem demonstração na situação do Estado português, e com a contribuição dispensável do nosso percurso interno para a demonstração de que a falta de liderança e o simultâneo enfraquecimento do conceito estratégico europeu estão a transformar em modesta parcela dos tempos o que se sonhava caminhar para um fim, que não era o de perder a voz da Europa no mundo.
Não há experiência de um governo a prazo ser uma resposta para a recuperação da igualdade internacional.
A infeliz moldura da crise política que atingiu não apenas a imagem internacional do País mas também a autoestima dos portugueses exige que seja separada do conjunto de desafios sérios que o projeto europeu entretanto vai sofrendo, desafios esses têm que ver com o futuro da comunidade e com a falta de estadismo e liderança com que a Europa se confronta, e à qual temos dado visível contribuição.
Não pode omitir-se o conjunto de sacrifícios que um neoliberalismo sem regras e repressivo, com um historial elucidativo já do século passado, produziu até que os fracassos das previsões tenham finalmente sido assumidos: mas tal memória, que não serve para os remediar, embora possa ajudar a não os repetir, implica sobretudo a urgência de meditar sobre o consequencialismo no que toca ao projeto da União, e ao seu conceito estratégico, se ainda for possível identifica-lo com clareza.
Embora sem nunca ter sido assumido um modelo final da União, não por falta de projetos históricos mas por escassez de experiências, estavam claros os princípios que deviam ser respeitados e fortalecidos pela prudente política dos pequenos passos.
Tais princípios, sem grande risco de erro de omissão ou entendimento, incluíam o Estado social, a democracia de modelo ocidental, a coesão social, o desenvolvimento sustentado entendido como o nome da paz para os nossos dias, a diversidade cultural unificada por um conjunto de valores que fazem parte do património imaterial da humanidade.
A pretensão de ser um modelo de regionalismo para um mundo em mudança que obrigava a avaliar a relação entre objetivos e capacidades, com o inevitável reflexo na redefinição das soberanias, não exigia apenas a igualdade dos direitos do homem, também implicava a igualdade dos Estados admitidos no projeto inovador.
Muito cedo se tornou evidente que a inicial preocupação com o modelo económico, traduzido num mercado livre, exigia uma inovadora estrutura política, de que o Tratado de Lisboa foi o imperfeito último passo.
O talento dos grandes pensadores e interventores que construíram o património político europeu, pagando os custos de uma evolução longa, e frequentemente conflituosa, depois da última grande, exigia uma capacidade de gestão das diferenças unificadas e presididas por uma maneira europeia de estar no mundo.
As desordens orçamentais, a crise financeira e económica, a confusão entre o multiculturalismo e o cosmopolitismo são consequências de causas entre as quais avulta com destaque a fraqueza das lideranças, a falta de herdeiros dos que sofreram e conduziram o calvário da guerra mundial, e a longa penitência da Guerra Fria.
A incapacidade manifesta de uma gestão das diferenças implicou o acidente grave de a própria igualdade dos Estados da União não ser preservada, o renascimento dos demónios que os fundadores julgaram dominar, a convicção não assumida de que a realidade apenas era um processo europeu para uma conjuntura datada, a qual, nesta entrada de um "século sem bússola", abria agora caminho, e para alguns necessidade, de dar lugar à pluralidade de capacidades individualizadas dos Estados, a recordarem a hierarquia dos poderes efetivos.
A situação dos países do Norte do Mediterrâneo, abrangidos pela fronteira da pobreza, consentiu que o modelo real do protetorado, que no passado ajudou a tornar infeliz a relação das soberanias europeias com a área da "primavera muçulmana", pudesse voltar ao exercício dentro do território da própria União. O que tem demonstração na situação do Estado português, e com a contribuição dispensável do nosso percurso interno para a demonstração de que a falta de liderança e o simultâneo enfraquecimento do conceito estratégico europeu estão a transformar em modesta parcela dos tempos o que se sonhava caminhar para um fim, que não era o de perder a voz da Europa no mundo.
Não há experiência de um governo a prazo ser uma resposta para a recuperação da igualdade internacional.
12.7.13
Os três cenários financeiros depois desta crise
por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo
Os três cenários financeiros depois desta crise
Fotografia © João Girão / Global ImagensExistem, basicamente, três cenários possíveis a nível orçamental/financeiro para o chamado período "pós-troika", na sequência da atual crise política. Um fantástico e ideal (Vítor Gaspar e a troika tinham razão e tudo dará certo), outro desejável e mais provável (o do plano cautelar, que trará novas medidas associadas) e um terceiro que implicará muito mais austeridade durante um ano ou dois.
Nestes dois últimos quadros, o conceito pós-troika será mais figura de estilo. Bruxelas, BCE e FMI continuarão a avaliar a par e passo o país.
1. O melhor cenário, mas quase improvável
O atual programa de ajustamento "termina" em junho de 2014, com a troika a libertar em julho a 12ª tranche (2,6 mil milhões de euros) do empréstimo de 79,4 mil milhões (a preços atuais). Os partidos fazem as pazes, o país aprofunda o regresso aos mercados de dívida de médio e longo prazo, financia-se a taxas de juro decentes (na casa dos 4% ou menos é o admissível). Mesmo que o défice não esteja controlado por causa de uma eventual (nova)recessão, o que interessa é o défice estrutural (aquele que existiria caso não houvesse crise económica), portanto haverá mais margem de manobra no âmbito do cumprimento das metas do Pacto Orçamental europeu.
2. O cenário “desejável” e mais plausível
Um segundo resgate, mas no âmbito do plano cautelar defendido pelo Banco de Portugal. PSD, PS e CDS assinam um pacto de “salvação nacional” para os próximos oito anos ou mais, mas os juros ficam colados aos 6% ou 7%, valores considerados pouco razoáveis e insustentáveis.
O fundo europeu (Mecanismo Europeu de Estabilidade ou MEE), em ligação com a Comissão e o BCE, aciona uma linha de crédito, um mecanismo que permitirá ao MEE comprar dívida diretamente ao Tesouro (mercado primário). O plano dura, no mínimo, um ano podendo ser renovável por mais seis meses duas vezes. O valor que está a circular nas altas instâncias europeias aponta para uma verba na ordem dos 20 a 21 mil milhões de euros por ano (para Portugal poder pagar 14 mil milhões de euros aos credores e ainda financiar um défice de 7 mil milhões).
Anteontem, Cavaco Silva, o Presidente da República, apontou para 14 mil milhões de euros que terão de ser devolvidos aos credores em 2014. Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, sublinhou esta semana que se o Tesouro não conseguir ir normalmente ao mercado, em média, estará em risco a amortização de 14,5 mil milhões de euros em obrigações (ou o seu refinanciamento) entre 2014 e 2023. São as duas legislaturas de que falou o banqueiro central.
O plano cautelar terá condições associadas. Em vez de tranches, o fundo europeu empresta dinheiro à República sempre que o Tesouro for ao mercado vender as suas obrigações, comprando-lhe (em princípio) metade da colocação de cada vez. Isto permitirá baixar as taxas de juro. Se não for suficiente, o BCE estará na retaguarda podendo ele próprio comprar no mercado secundário (OMT).
3. O pior cenário é um segundo ajustamento
Depois dos “enormes” sacrifícios, os juros não baixam, ficando na fronteira dos 7% ou mais. Um segundo programa implicaria um novo empréstimo, também na ordem dos 20 mil milhões de euros ao ano, que poderia prolongar-se por um ano ou dois. Teria a mesma filosofia do ‘resgate’ em curso. Libertação regular de tranches de financiamento, avaliações da troika, mais austeridade e insitência em muitas medidas dolorosas que não foram adiante ou foram suavizadas no atual programa.
Nos cenários 2 e 3, o FMI já não deverá entrar com dinheiro, mas continuará a desenhar políticas e a avaliar o país, juntamente com Bruxelas e BCE.
Os três cenários financeiros depois desta crise
Fotografia © João Girão / Global ImagensExistem, basicamente, três cenários possíveis a nível orçamental/financeiro para o chamado período "pós-troika", na sequência da atual crise política. Um fantástico e ideal (Vítor Gaspar e a troika tinham razão e tudo dará certo), outro desejável e mais provável (o do plano cautelar, que trará novas medidas associadas) e um terceiro que implicará muito mais austeridade durante um ano ou dois.
Nestes dois últimos quadros, o conceito pós-troika será mais figura de estilo. Bruxelas, BCE e FMI continuarão a avaliar a par e passo o país.
1. O melhor cenário, mas quase improvável
O atual programa de ajustamento "termina" em junho de 2014, com a troika a libertar em julho a 12ª tranche (2,6 mil milhões de euros) do empréstimo de 79,4 mil milhões (a preços atuais). Os partidos fazem as pazes, o país aprofunda o regresso aos mercados de dívida de médio e longo prazo, financia-se a taxas de juro decentes (na casa dos 4% ou menos é o admissível). Mesmo que o défice não esteja controlado por causa de uma eventual (nova)recessão, o que interessa é o défice estrutural (aquele que existiria caso não houvesse crise económica), portanto haverá mais margem de manobra no âmbito do cumprimento das metas do Pacto Orçamental europeu.
2. O cenário “desejável” e mais plausível
Um segundo resgate, mas no âmbito do plano cautelar defendido pelo Banco de Portugal. PSD, PS e CDS assinam um pacto de “salvação nacional” para os próximos oito anos ou mais, mas os juros ficam colados aos 6% ou 7%, valores considerados pouco razoáveis e insustentáveis.
O fundo europeu (Mecanismo Europeu de Estabilidade ou MEE), em ligação com a Comissão e o BCE, aciona uma linha de crédito, um mecanismo que permitirá ao MEE comprar dívida diretamente ao Tesouro (mercado primário). O plano dura, no mínimo, um ano podendo ser renovável por mais seis meses duas vezes. O valor que está a circular nas altas instâncias europeias aponta para uma verba na ordem dos 20 a 21 mil milhões de euros por ano (para Portugal poder pagar 14 mil milhões de euros aos credores e ainda financiar um défice de 7 mil milhões).
Anteontem, Cavaco Silva, o Presidente da República, apontou para 14 mil milhões de euros que terão de ser devolvidos aos credores em 2014. Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, sublinhou esta semana que se o Tesouro não conseguir ir normalmente ao mercado, em média, estará em risco a amortização de 14,5 mil milhões de euros em obrigações (ou o seu refinanciamento) entre 2014 e 2023. São as duas legislaturas de que falou o banqueiro central.
O plano cautelar terá condições associadas. Em vez de tranches, o fundo europeu empresta dinheiro à República sempre que o Tesouro for ao mercado vender as suas obrigações, comprando-lhe (em princípio) metade da colocação de cada vez. Isto permitirá baixar as taxas de juro. Se não for suficiente, o BCE estará na retaguarda podendo ele próprio comprar no mercado secundário (OMT).
3. O pior cenário é um segundo ajustamento
Depois dos “enormes” sacrifícios, os juros não baixam, ficando na fronteira dos 7% ou mais. Um segundo programa implicaria um novo empréstimo, também na ordem dos 20 mil milhões de euros ao ano, que poderia prolongar-se por um ano ou dois. Teria a mesma filosofia do ‘resgate’ em curso. Libertação regular de tranches de financiamento, avaliações da troika, mais austeridade e insitência em muitas medidas dolorosas que não foram adiante ou foram suavizadas no atual programa.
Nos cenários 2 e 3, o FMI já não deverá entrar com dinheiro, mas continuará a desenhar políticas e a avaliar o país, juntamente com Bruxelas e BCE.
5.7.13
Merkel: crise não vai atirar nenhum país para fora do euro
in Público on-line
Chanceler alemã defende que a saída da crise será um processo longo, mas não implicará a saída de Estados-membros da moeda única.
Angela Merkel foi peremptória. Numa entrevista à agência noticiosa alemã DPA frisou que não imagina que a situação económica da Europa se possa degradar ao ponto de fazer sair algum país da zona euro.
“Sempre disse que a crise da dívida na Europa não vai resolver-se com medidas decididas numa noite. Será um processo longo, feito de numerosas etapas e iniciativas. Já avançámos muito, mas ainda restam muitos problemas para resolver”, disse.
A chanceler alemã recusou o fim do euro em alguns Estados-membros, defendendo que é preciso haver melhorias conjuntas.
“Temos de melhorar juntos e para isso é preciso ter a Europa no seu todo”, acrescentou.
As declarações de Merkel seguem-se às do seu ministro das finanças, Wolfgang Schäuble que, quinta-feira, disse não acreditar que a crise política instalada em Portugal - depois da demissão dos ministros Vítor Gaspar e Paulo Portas - voltasse a afundar a zona euro.
“Penso que o euro é de novo visto pelos mercados como suficientemente estável e a situação política de um único país não significa uma crise na estabilidade da moeda única”, disse Schäuble.
Chanceler alemã defende que a saída da crise será um processo longo, mas não implicará a saída de Estados-membros da moeda única.
Angela Merkel foi peremptória. Numa entrevista à agência noticiosa alemã DPA frisou que não imagina que a situação económica da Europa se possa degradar ao ponto de fazer sair algum país da zona euro.
“Sempre disse que a crise da dívida na Europa não vai resolver-se com medidas decididas numa noite. Será um processo longo, feito de numerosas etapas e iniciativas. Já avançámos muito, mas ainda restam muitos problemas para resolver”, disse.
A chanceler alemã recusou o fim do euro em alguns Estados-membros, defendendo que é preciso haver melhorias conjuntas.
“Temos de melhorar juntos e para isso é preciso ter a Europa no seu todo”, acrescentou.
As declarações de Merkel seguem-se às do seu ministro das finanças, Wolfgang Schäuble que, quinta-feira, disse não acreditar que a crise política instalada em Portugal - depois da demissão dos ministros Vítor Gaspar e Paulo Portas - voltasse a afundar a zona euro.
“Penso que o euro é de novo visto pelos mercados como suficientemente estável e a situação política de um único país não significa uma crise na estabilidade da moeda única”, disse Schäuble.
Cavaco Silva sugere que segundo resgate se tornou mais provável nos últimos dias
Sérgio Aníbal, in Público on-line
Presidente da República defendeu que o sucesso do período pós-troika em Portugal depende da estabilidade política.
O Presidente da República mostrou-se, nesta sexta-feira, preocupado com a possibilidade de nos últimos dias se ter tornado mais provável um cenário em que Portugal não consegue obter acesso ao mercado a taxas de juro razoáveis, sendo forçado a recorrer a um segundo resgate.
Na sua intervenção inicial, esta manhã no encontro de economistas que a Presidência está a promover no Palácio de Belém, Cavaco Silva repetiu por diversas vezes que existia a possibilidade de, nos últimos dias, as probabilidades de Portugal conseguir o regresso bem-sucedido aos mercados terem mudado.
A traçar cenários para o período após a conclusão do programa de ajustamento português em Junho de 2014, o Presidente disse que "ou Portugal consegue obter financiamento nos mercados a taxas razoáveis, o que era considerado ate há poucos dias a hipótese mais provável, (...) ou verifica-se a hipótese mais negativa, a que os analistas atribuíam até há poucos dias baixa probabilidade, de se verificar uma incapacidade de Portugal recorrer aos mercados".
O Presidente salientou ainda, como uma das condições para o sucesso de Portugal no período pós-troika, a necessidade de existência de estabilidade política.
No lançamento do debate, que reúne 30 economistas portugueses de diversas universidades, Cavaco disse também que o objectivo do encontro era debater a situação após o final do programa de ajustamento, "independentemente do Governo que estiver em funções nessa altura".
Cavaco Silva tem gerido a crise política nos bastidores e na quinta-feira exigiu que o acordo entre o PSD e o CDS passe pela manutenção dos líderes dos dois partidos da coligação. O Presidente considera que não é viável um Governo de coligação em cujo Conselho de Ministros não se sentem os responsáveis máximos dos dois partidos.
O primeiro-ministro e o líder dos centristas estiveram reunidos para tentar encontrar uma base de acordo que mantenha o Governo. Passos Coelho esteve com Cavaco em Belém na quinta-feira à tarde e, no final, disse aos jornalistas que se comprometeu com o Presidente da República encontrar uma solução para um Governo estável. Nesse sentido, acrescentou que irá "aprofundar" junto de Paulo Portas e do CDS "uma forma de garantir as condições necessárias" com o objectivo de "procurar um reforço" da solução.
A actual situação política levou também a direcção do CDS a propor o adiamento do congresso previsto para este fim de semana na Póvoa de Varzim, justificando que Paulo Portas ainda está a negociar com Passos Coelho.
Entretanto, o Presidente da República remeteu para a próxima segunda-feira o início das audiências com os partidos políticos que anunciou na quarta-feira de manhã.
Presidente da República defendeu que o sucesso do período pós-troika em Portugal depende da estabilidade política.
O Presidente da República mostrou-se, nesta sexta-feira, preocupado com a possibilidade de nos últimos dias se ter tornado mais provável um cenário em que Portugal não consegue obter acesso ao mercado a taxas de juro razoáveis, sendo forçado a recorrer a um segundo resgate.
Na sua intervenção inicial, esta manhã no encontro de economistas que a Presidência está a promover no Palácio de Belém, Cavaco Silva repetiu por diversas vezes que existia a possibilidade de, nos últimos dias, as probabilidades de Portugal conseguir o regresso bem-sucedido aos mercados terem mudado.
A traçar cenários para o período após a conclusão do programa de ajustamento português em Junho de 2014, o Presidente disse que "ou Portugal consegue obter financiamento nos mercados a taxas razoáveis, o que era considerado ate há poucos dias a hipótese mais provável, (...) ou verifica-se a hipótese mais negativa, a que os analistas atribuíam até há poucos dias baixa probabilidade, de se verificar uma incapacidade de Portugal recorrer aos mercados".
O Presidente salientou ainda, como uma das condições para o sucesso de Portugal no período pós-troika, a necessidade de existência de estabilidade política.
No lançamento do debate, que reúne 30 economistas portugueses de diversas universidades, Cavaco disse também que o objectivo do encontro era debater a situação após o final do programa de ajustamento, "independentemente do Governo que estiver em funções nessa altura".
Cavaco Silva tem gerido a crise política nos bastidores e na quinta-feira exigiu que o acordo entre o PSD e o CDS passe pela manutenção dos líderes dos dois partidos da coligação. O Presidente considera que não é viável um Governo de coligação em cujo Conselho de Ministros não se sentem os responsáveis máximos dos dois partidos.
O primeiro-ministro e o líder dos centristas estiveram reunidos para tentar encontrar uma base de acordo que mantenha o Governo. Passos Coelho esteve com Cavaco em Belém na quinta-feira à tarde e, no final, disse aos jornalistas que se comprometeu com o Presidente da República encontrar uma solução para um Governo estável. Nesse sentido, acrescentou que irá "aprofundar" junto de Paulo Portas e do CDS "uma forma de garantir as condições necessárias" com o objectivo de "procurar um reforço" da solução.
A actual situação política levou também a direcção do CDS a propor o adiamento do congresso previsto para este fim de semana na Póvoa de Varzim, justificando que Paulo Portas ainda está a negociar com Passos Coelho.
Entretanto, o Presidente da República remeteu para a próxima segunda-feira o início das audiências com os partidos políticos que anunciou na quarta-feira de manhã.
4.7.13
Neste café de Gaia, a crise não saiu do rodapé do telejornal
por Pedro Rios, in RR
Num café de Gaia, a sucessão de acontecimentos políticos e a crise no Governo não se intrometeu nos almoços desta quarta-feira.
A televisão está em silêncio, como se a crise política fosse muda para quem almoça neste café de Vila Nova de Gaia. O telejornal da hora do almoço dá as últimas dos acontecimentos. As notícias precipitam-se, em cadeia: demite-se Gaspar, demite-se Portas; não se demite Passos, que não aceita a demissão de Portas.
Maria Pereira espreita os rodapés entre dentadas nos bolinhos de bacalhau, um dos pratos do dia. "Só vejo rodapés", conta. "À noite", quando chega a casa depois do trabalho (é engenheira civil), "já passou o telejornal".
Não leu a carta de demissão de Portas. Assiste a tudo com uma espécie de "afastamento" consciente, próprio de quem não quer ficar "triste" com o que se passa. Está apenas algo "desiludida", ao contrário da mãe, que "já não pode ouvir aquela gente". "Está mais em casa e sente aquilo de outra forma."
Eleições? Para quê, pergunta, se "isto não vai sair da cepa torta"?
"Por trás das cortinas"
A crise em curso, diz Maria, "é um grande circo". "Só por trás das cortinas percebemos o que se passa." E em Lisboa, a 300 quilómetros deste café suburbano, onde a crise política passa ao lado das conversas, como se decorresse num planeta distante, as cortinas continuam fechadas.
Essa incerteza é o que preocupa Raquel Silva e Nuno Almeida, dois bancários que partilham uma mesa de almoço.
A profissão manda que estejam atentos ao que se passa - há que sossegar depositantes e investidores. Mas, por estes dias, não "há muitos argumentos" para lhes apresentar. "Nem nós sabemos como é que estamos", confessa Raquel.
Este primeiro-ministro "não sabia governar", pensa Nuno. "Este governo era mau, péssimo, mas havia um acordo que estava a chegar a algum porto", aponta Raquel. As saídas de Vítor Gaspar e Paulo Portas surpreenderam-na, a decisão de Passos não. "Sair agora era uma fraqueza."
Um "funeral"
Eduardo Pinto, 65 anos, ficou surpreendido por Passos Coelho não se ter demitido. "Agarra-se o poder e agarrou o outro". O "outro" é Portas, cuja demissão fez da tomada de posse da nova ministra das Finanças uma "vergonha", uma cerimónia "meio sorumbática, como se estivessem num funeral".
Para Eduardo, o Governo só pode cair até porque "o défice não é cumprido, a dívida pública aumentou de forma astronómica" – os sacrifícios "já foram em vão". Por isso, o caminho é eleições e "já". "Em democracia é assim".
Até pode parecer, para alguns, mas "isto não é uma peça de teatro, é a realidade dos políticos", que "não estão à altura de governar o país", diz Manuela Aguiar, profissional de seguros.
Tem saudades de Mário Soares, de Álvaro Cunhal, de Francisco Sá Carneiro, "verdadeiros patriotas". "Ainda hoje me disseram que a ministra das Finanças, não sei quê Albuquerque… A EDP já contratou o marido dela."
Almoça à pressa, tem pouco tempo para seguir a "embrulhada total" em que se meteu o Governo. Aos 46 anos, trabalha numa seguradora e tenta licenciar-se em gestão de marketing. "Hoje tenho emprego, amanhã posso não ter."
Num café de Gaia, a sucessão de acontecimentos políticos e a crise no Governo não se intrometeu nos almoços desta quarta-feira.
A televisão está em silêncio, como se a crise política fosse muda para quem almoça neste café de Vila Nova de Gaia. O telejornal da hora do almoço dá as últimas dos acontecimentos. As notícias precipitam-se, em cadeia: demite-se Gaspar, demite-se Portas; não se demite Passos, que não aceita a demissão de Portas.
Maria Pereira espreita os rodapés entre dentadas nos bolinhos de bacalhau, um dos pratos do dia. "Só vejo rodapés", conta. "À noite", quando chega a casa depois do trabalho (é engenheira civil), "já passou o telejornal".
Não leu a carta de demissão de Portas. Assiste a tudo com uma espécie de "afastamento" consciente, próprio de quem não quer ficar "triste" com o que se passa. Está apenas algo "desiludida", ao contrário da mãe, que "já não pode ouvir aquela gente". "Está mais em casa e sente aquilo de outra forma."
Eleições? Para quê, pergunta, se "isto não vai sair da cepa torta"?
"Por trás das cortinas"
A crise em curso, diz Maria, "é um grande circo". "Só por trás das cortinas percebemos o que se passa." E em Lisboa, a 300 quilómetros deste café suburbano, onde a crise política passa ao lado das conversas, como se decorresse num planeta distante, as cortinas continuam fechadas.
Essa incerteza é o que preocupa Raquel Silva e Nuno Almeida, dois bancários que partilham uma mesa de almoço.
A profissão manda que estejam atentos ao que se passa - há que sossegar depositantes e investidores. Mas, por estes dias, não "há muitos argumentos" para lhes apresentar. "Nem nós sabemos como é que estamos", confessa Raquel.
Este primeiro-ministro "não sabia governar", pensa Nuno. "Este governo era mau, péssimo, mas havia um acordo que estava a chegar a algum porto", aponta Raquel. As saídas de Vítor Gaspar e Paulo Portas surpreenderam-na, a decisão de Passos não. "Sair agora era uma fraqueza."
Um "funeral"
Eduardo Pinto, 65 anos, ficou surpreendido por Passos Coelho não se ter demitido. "Agarra-se o poder e agarrou o outro". O "outro" é Portas, cuja demissão fez da tomada de posse da nova ministra das Finanças uma "vergonha", uma cerimónia "meio sorumbática, como se estivessem num funeral".
Para Eduardo, o Governo só pode cair até porque "o défice não é cumprido, a dívida pública aumentou de forma astronómica" – os sacrifícios "já foram em vão". Por isso, o caminho é eleições e "já". "Em democracia é assim".
Até pode parecer, para alguns, mas "isto não é uma peça de teatro, é a realidade dos políticos", que "não estão à altura de governar o país", diz Manuela Aguiar, profissional de seguros.
Tem saudades de Mário Soares, de Álvaro Cunhal, de Francisco Sá Carneiro, "verdadeiros patriotas". "Ainda hoje me disseram que a ministra das Finanças, não sei quê Albuquerque… A EDP já contratou o marido dela."
Almoça à pressa, tem pouco tempo para seguir a "embrulhada total" em que se meteu o Governo. Aos 46 anos, trabalha numa seguradora e tenta licenciar-se em gestão de marketing. "Hoje tenho emprego, amanhã posso não ter."
Ruptura no Governo... e já estamos mais pobres
in RR
Juros da dívida a subir, cenário de "crash" na bolsa nacional, segundo os analistas. Quem tem dívida pública portuguesa vai sofrer com a hipótese de um segundo resgate a Portugal, possibilidade de que se volta a falar perante a situação de instabilidade política provocada pelas demissões no Governo. A banca nacional, muito exposta à dívida portuguesa, será extremamente lesada. E há uma certeza: hoje já estamos mais pobres, depois da ruptura no Governo.
Juros da dívida a subir, cenário de "crash" na bolsa nacional, segundo os analistas. Quem tem dívida pública portuguesa vai sofrer com a hipótese de um segundo resgate a Portugal, possibilidade de que se volta a falar perante a situação de instabilidade política provocada pelas demissões no Governo. A banca nacional, muito exposta à dívida portuguesa, será extremamente lesada. E há uma certeza: hoje já estamos mais pobres, depois da ruptura no Governo.
Angústia na rua. "O problema existe, falta-lhes imaginação"
Por Marta F. Reis, in iOnline
Revolta, conformismo, apatia, ironia. Nas ruas de Lisboa, a crise política dá para chorar e rir
"O negócio? Vai de vento em popa". Manuel Marques, 68 anos, responde em frases curtas sem levantar os olhos do caderno e da moldura que está a montar numa loja em Alvalade. Este é o único momento em que sorri, por simpatia. Como é que reagiu às notícias? "Apagando a televisão, para não me irritar mais." Como é que isto vai ser agora? "Já estava mal e vai ficar pior." Na porta, um papel anuncia descontos de 40% em quadros e espelhos expostos no interior da loja. Quando é que começou a campanha? "Há quinze dias." Está a resultar? "Não".
Nas ruas à procura do estado de espírito, os olhos de Manuel são um encontro desolador. A loja está vazia. Quase apático, vai escrevinhando no bloco e ajeita os caixilhos. Decidiu esta semana que nunca mais vota. Não há revolta, apenas uma angústia onde não parece caber qualquer tipo de esperança.
"As pessoas estão todas assim, desorientadas, tristes", conta Zélia, 65 anos, vendedora no mercado de Alvalade. Passa pouco as 14 horas e já não há nenhuma banca montada. "Dantes ficávamos até às 16h, agora ao meio-dia já não há ninguém." A crise na carteira não é de agora, vem desde 2008 quando chegaram a ser seis funcionárias na banca de peixe. Agora são duas. E a crise política desta semana? "Isso, é tudo igual. Eles querem todos é poleiro. Se fazem fitas e discussões é porque aquilo lá está bem. Esse das Finanças fez-nos comprar umas máquinas novas, para cima de 1000 euros. Agora é preciso um programa novo e vão ser mais 200."
Modernizar seria aceitável, não fosse o peixe não se vender e acabar congelado ao final do dia. Ou as flores, conta Maria, 84 anos. "No domingo foi tudo para o lixo", diz. "Isto acabou. Está tudo calado."
No silêncio do mercado, irrompe a voz de Jorge, estafeta de 34 anos que transporta baldes de gelo e lixo das bancas por 15 euros à semana, e só porque os mais velhos continuam a pagar por esse serviço. "Dêem-me carta branca que eu governo o país, mas não me lixem. Eles a ganhar e nós com cada vez mais descontos." Aos 41 anos, há um segundo filho a caminho.
Para Jorge, a solução para crise do país, seria taxar mais quem ganha mais, em vez de penalizar os baixos rendimentos. "Ganhas 200 mil, passa para cá 100", faz de governante. A solução para a crise política era uma ETA, da qual seria sócio número um. A ironia repete-se na rua, como o negócio de vento em popa de Manuel ou o discurso Odete, numa lavandaria da Lapa. Começa por exigir, delicada, que escrevamos que naquela loja é muito feliz porque trabalha desde os 14 anos e nunca gastou mais do que tinha. Para desatar a disparar contra quem interrompe uma legislatura e celebra com isso.
De fundo, a Sic Notícias grita declarações políticas do parlamento. "O que é que essa piolhosa sabe da vida?", ataca uma deputada da esquerda. "Deviam ir mesmo para lá esses comunistas, havia de ser castigo. Mas alguém acha que vamos lá sem sacrificios? E essas pessoas que enchem o Pavilhão Atlântico em todos os concertos, onde é que está afinal a crise?"
Odete diz que não entendemos nada, que o sofrimento é a única escola. Não teve filhos porque não quis deixar ninguém num mundo podre. "Não acha que isto tem de mudar?", repete. O sofrimento dela está lembrado em fotografias por cima do televisor, imagens da antiga fábrica Tinturaria Nacional, saneada após o 25 de Abril. "O meu pai era dono de um império. Um dia entraram por lá a dentro com metralhedoras e perdeu tudo", conta.
Dessa revolta, passaram anos e está ali, onde continua a dar emprego a funcionários que já estavam no negócio familiar há 50 anos e diz recusar carimbar as folhas de muitos que entram sem querer trabalhar, só à procura do registo para manter o subsídio do desemprego. "Já mais de 50 vezes vieram cá e quando ofereci trabalho ainda me ofenderam. Só querem o carimbo. Salazar teve muitos defeitos, mas dizia uma coisa: em Portugal nunca fomos muitos, mas sempre que fomos todos fomos muitos. Trabalhem."
Carlos Costa tem 47 anos e é encarregado de construção civil. "A sensação é dúbia. As coisas não estavam bem mas não sei se a alternativa será melhor. O problema existe, o que lhes falta é imaginação. Foram buscar o programa dos outros sem ter o mínimo contacto com o terreno, claro que não funcionou. Não me importo se voltar tudo à estaca zero, se for com pés e cabeça." A começar, diz, seria não permitir que a corrupção continue a enriquecer os ricos, mais os seus offshores. Se isso é incentivo, que valha para todos.
Impreparação política, birras e mal entendidos acumulados são juízos comuns sobre o diferendo Portas/Passos Coelho.
Fernanda, brasileira de 32 anos que há 15 achou que Portugal era a solução para a crise no Brasil, alinha na análise mas está menos certa de que a crise política mude o que quer que seja. "Diz-se que vão pedir um segundo resgate, penso que já iam pedi-lo na mesma." No restaurante, a clientela só se mantém porque pelo preço de meia-dose dão menú completo. Dia 6, regressa ao Brasil. "Gostei muito mas não vejo perspectivas para os meus filhos. O Brasil demorou 20 anos a sair da crise, não me parece que Portugal vá demorar menos."
Num talho 264 da Lapa, José Filipe está tranquilo. "Já estávamos à espera, estes políticos não têm capacidade de gestão." Entre os fregueses, alguns desabafos e piadas. "Agora que abriram as Portas tudo sai", repete uma das graças. Já teve quatro empregados, agora só tem um. Mas sente que nas últimas semanas o negócio até estava a arrebitar. Talvez por ser uma zona boa da cidade? "Isso não quer dizer nada. Às vezes pessoas com nome viradas do avesso já não cairia nada." A crise pode medir-se em peças do lombo, muito mais fácil que fazer prognósticos políticos. Há três anos saíam seis por semana, agora são no máximo três.
Nos cafés, não é díficil dar com desabafos em voz alta. "Isto agora quem puder que se segure", desabafa uma senhora nos 80. Não estão informados, não querem falar, não percebem nada do assunto, são algumas respostas. "Não temo nada, só espero que haja mais carácter", diz Manuela Pinto, professora de 57 anos. "Surpreende-me sobretudo o Presidente da República não fazer nada." Odette, de dedo em riste, teme no fundo da agitação que não consegue controlar que vão dois anos de sacrífico ao lixo. "Se sofremos dois anos, não se pode travar isto a meio."
Revolta, conformismo, apatia, ironia. Nas ruas de Lisboa, a crise política dá para chorar e rir
"O negócio? Vai de vento em popa". Manuel Marques, 68 anos, responde em frases curtas sem levantar os olhos do caderno e da moldura que está a montar numa loja em Alvalade. Este é o único momento em que sorri, por simpatia. Como é que reagiu às notícias? "Apagando a televisão, para não me irritar mais." Como é que isto vai ser agora? "Já estava mal e vai ficar pior." Na porta, um papel anuncia descontos de 40% em quadros e espelhos expostos no interior da loja. Quando é que começou a campanha? "Há quinze dias." Está a resultar? "Não".
Nas ruas à procura do estado de espírito, os olhos de Manuel são um encontro desolador. A loja está vazia. Quase apático, vai escrevinhando no bloco e ajeita os caixilhos. Decidiu esta semana que nunca mais vota. Não há revolta, apenas uma angústia onde não parece caber qualquer tipo de esperança.
"As pessoas estão todas assim, desorientadas, tristes", conta Zélia, 65 anos, vendedora no mercado de Alvalade. Passa pouco as 14 horas e já não há nenhuma banca montada. "Dantes ficávamos até às 16h, agora ao meio-dia já não há ninguém." A crise na carteira não é de agora, vem desde 2008 quando chegaram a ser seis funcionárias na banca de peixe. Agora são duas. E a crise política desta semana? "Isso, é tudo igual. Eles querem todos é poleiro. Se fazem fitas e discussões é porque aquilo lá está bem. Esse das Finanças fez-nos comprar umas máquinas novas, para cima de 1000 euros. Agora é preciso um programa novo e vão ser mais 200."
Modernizar seria aceitável, não fosse o peixe não se vender e acabar congelado ao final do dia. Ou as flores, conta Maria, 84 anos. "No domingo foi tudo para o lixo", diz. "Isto acabou. Está tudo calado."
No silêncio do mercado, irrompe a voz de Jorge, estafeta de 34 anos que transporta baldes de gelo e lixo das bancas por 15 euros à semana, e só porque os mais velhos continuam a pagar por esse serviço. "Dêem-me carta branca que eu governo o país, mas não me lixem. Eles a ganhar e nós com cada vez mais descontos." Aos 41 anos, há um segundo filho a caminho.
Para Jorge, a solução para crise do país, seria taxar mais quem ganha mais, em vez de penalizar os baixos rendimentos. "Ganhas 200 mil, passa para cá 100", faz de governante. A solução para a crise política era uma ETA, da qual seria sócio número um. A ironia repete-se na rua, como o negócio de vento em popa de Manuel ou o discurso Odete, numa lavandaria da Lapa. Começa por exigir, delicada, que escrevamos que naquela loja é muito feliz porque trabalha desde os 14 anos e nunca gastou mais do que tinha. Para desatar a disparar contra quem interrompe uma legislatura e celebra com isso.
De fundo, a Sic Notícias grita declarações políticas do parlamento. "O que é que essa piolhosa sabe da vida?", ataca uma deputada da esquerda. "Deviam ir mesmo para lá esses comunistas, havia de ser castigo. Mas alguém acha que vamos lá sem sacrificios? E essas pessoas que enchem o Pavilhão Atlântico em todos os concertos, onde é que está afinal a crise?"
Odete diz que não entendemos nada, que o sofrimento é a única escola. Não teve filhos porque não quis deixar ninguém num mundo podre. "Não acha que isto tem de mudar?", repete. O sofrimento dela está lembrado em fotografias por cima do televisor, imagens da antiga fábrica Tinturaria Nacional, saneada após o 25 de Abril. "O meu pai era dono de um império. Um dia entraram por lá a dentro com metralhedoras e perdeu tudo", conta.
Dessa revolta, passaram anos e está ali, onde continua a dar emprego a funcionários que já estavam no negócio familiar há 50 anos e diz recusar carimbar as folhas de muitos que entram sem querer trabalhar, só à procura do registo para manter o subsídio do desemprego. "Já mais de 50 vezes vieram cá e quando ofereci trabalho ainda me ofenderam. Só querem o carimbo. Salazar teve muitos defeitos, mas dizia uma coisa: em Portugal nunca fomos muitos, mas sempre que fomos todos fomos muitos. Trabalhem."
Carlos Costa tem 47 anos e é encarregado de construção civil. "A sensação é dúbia. As coisas não estavam bem mas não sei se a alternativa será melhor. O problema existe, o que lhes falta é imaginação. Foram buscar o programa dos outros sem ter o mínimo contacto com o terreno, claro que não funcionou. Não me importo se voltar tudo à estaca zero, se for com pés e cabeça." A começar, diz, seria não permitir que a corrupção continue a enriquecer os ricos, mais os seus offshores. Se isso é incentivo, que valha para todos.
Impreparação política, birras e mal entendidos acumulados são juízos comuns sobre o diferendo Portas/Passos Coelho.
Fernanda, brasileira de 32 anos que há 15 achou que Portugal era a solução para a crise no Brasil, alinha na análise mas está menos certa de que a crise política mude o que quer que seja. "Diz-se que vão pedir um segundo resgate, penso que já iam pedi-lo na mesma." No restaurante, a clientela só se mantém porque pelo preço de meia-dose dão menú completo. Dia 6, regressa ao Brasil. "Gostei muito mas não vejo perspectivas para os meus filhos. O Brasil demorou 20 anos a sair da crise, não me parece que Portugal vá demorar menos."
Num talho 264 da Lapa, José Filipe está tranquilo. "Já estávamos à espera, estes políticos não têm capacidade de gestão." Entre os fregueses, alguns desabafos e piadas. "Agora que abriram as Portas tudo sai", repete uma das graças. Já teve quatro empregados, agora só tem um. Mas sente que nas últimas semanas o negócio até estava a arrebitar. Talvez por ser uma zona boa da cidade? "Isso não quer dizer nada. Às vezes pessoas com nome viradas do avesso já não cairia nada." A crise pode medir-se em peças do lombo, muito mais fácil que fazer prognósticos políticos. Há três anos saíam seis por semana, agora são no máximo três.
Nos cafés, não é díficil dar com desabafos em voz alta. "Isto agora quem puder que se segure", desabafa uma senhora nos 80. Não estão informados, não querem falar, não percebem nada do assunto, são algumas respostas. "Não temo nada, só espero que haja mais carácter", diz Manuela Pinto, professora de 57 anos. "Surpreende-me sobretudo o Presidente da República não fazer nada." Odette, de dedo em riste, teme no fundo da agitação que não consegue controlar que vão dois anos de sacrífico ao lixo. "Se sofremos dois anos, não se pode travar isto a meio."
"Temos que fazer todo o possível para evitar caminho da Grécia"
in iOnline
Faria de Oliveira falava à margem do seminário "Segurança Digital e Privacidade no Setor Bancário"
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando faria de Oliveira, afirmou hoje que Portugal tem que "fazer todo o possível para evitar o caminho da Grécia", preservando aquilo que "de positivo ocorreu até agora".
As consequências desta crise, apontou Faria de Oliveira, "foram vistas em termos da desvalorização ocorrida no mercado de capitais. Foi essa a primeira e grave consequência de uma crise política que tem que ser resolvida pelos responsáveis políticos".
Mas aquilo que, "como cidadão", o presidente da APB fez questão de destacar é que considera "fundamental que esta crise política seja resolvida o mais rapidamente possível, mas ponderando seriamente as consequências das soluções que vierem a ser adotadas".
Faria de Oliveira falava à margem do seminário "Segurança Digital e Privacidade no Setor Bancário", organizado pela sociedade de advogados SRS Advogados e a Associação Portuguesa de Bancos, em Lisboa.
"Temos que fazer todo o possível para evitar o caminho da Grécia. Temos que saber preservar aquilo que de positivo ocorreu até agora e temos que ser capazes de evitar danos cada vez mais profundos que uma crise política comporta", acrescentou.
Ora, para isso, sublinhou o mesmo responsável, "é preciso uma grande capacidade de discernimento, de lucidez, em relação àquilo que pode acontecer na solução que vier a ser encontrada. Mas isso compete aos políticos".
O presidente da APB fez questão de dizer aos depositantes que "o setor bancário português está robusto, está sólido, está solvente e oferece a maior serenidade possível".
"Uma coisa é as quedas inevitáveis em momentos como este – aliás, os reflexos não foram apenas na bolsa portuguesa, acabaram por ser em todas as bolsas europeias – que penalizam largamente os investidores e com isso penalizam largamente a economia. Mas em termos dos depositantes, aquilo que se pode dizer é que os seus depósitos estão seguros e podemos ter confiança no nosso sistema bancário", acrescentou.
Finalmente, Faria de Oliveira admitiu que a nova escalada dos custos de financiamento da economia portuguesa "é uma das consequências da crise que foi aberta", mas manifestou a esperança de que "possa ser minorada rapidamente, se se encontrarem as soluções políticas convenientes", até porque, "num momento pode estragar-se grande parte daquilo que se foi percorrendo".
Faria de Oliveira falava à margem do seminário "Segurança Digital e Privacidade no Setor Bancário"
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando faria de Oliveira, afirmou hoje que Portugal tem que "fazer todo o possível para evitar o caminho da Grécia", preservando aquilo que "de positivo ocorreu até agora".
As consequências desta crise, apontou Faria de Oliveira, "foram vistas em termos da desvalorização ocorrida no mercado de capitais. Foi essa a primeira e grave consequência de uma crise política que tem que ser resolvida pelos responsáveis políticos".
Mas aquilo que, "como cidadão", o presidente da APB fez questão de destacar é que considera "fundamental que esta crise política seja resolvida o mais rapidamente possível, mas ponderando seriamente as consequências das soluções que vierem a ser adotadas".
Faria de Oliveira falava à margem do seminário "Segurança Digital e Privacidade no Setor Bancário", organizado pela sociedade de advogados SRS Advogados e a Associação Portuguesa de Bancos, em Lisboa.
"Temos que fazer todo o possível para evitar o caminho da Grécia. Temos que saber preservar aquilo que de positivo ocorreu até agora e temos que ser capazes de evitar danos cada vez mais profundos que uma crise política comporta", acrescentou.
Ora, para isso, sublinhou o mesmo responsável, "é preciso uma grande capacidade de discernimento, de lucidez, em relação àquilo que pode acontecer na solução que vier a ser encontrada. Mas isso compete aos políticos".
O presidente da APB fez questão de dizer aos depositantes que "o setor bancário português está robusto, está sólido, está solvente e oferece a maior serenidade possível".
"Uma coisa é as quedas inevitáveis em momentos como este – aliás, os reflexos não foram apenas na bolsa portuguesa, acabaram por ser em todas as bolsas europeias – que penalizam largamente os investidores e com isso penalizam largamente a economia. Mas em termos dos depositantes, aquilo que se pode dizer é que os seus depósitos estão seguros e podemos ter confiança no nosso sistema bancário", acrescentou.
Finalmente, Faria de Oliveira admitiu que a nova escalada dos custos de financiamento da economia portuguesa "é uma das consequências da crise que foi aberta", mas manifestou a esperança de que "possa ser minorada rapidamente, se se encontrarem as soluções políticas convenientes", até porque, "num momento pode estragar-se grande parte daquilo que se foi percorrendo".
Draghi: Portugal "está em mãos seguras" com Maria Luís Albuquerque
Sérgio Aníbal, in Público on-line
Presidente do BCE elogia Gaspar e diz-se reconfortado com a sua sucessora.
O presidente do Banco Central Europeu defendeu esta quinta feira que Portugal "está em mãos seguras" com a subida de Maria Luís Albuquerque à liderança do Ministério das Finanças.
Questionado esta quinta-feira em Frankfurt, na conferência de imprensa mensal do BCE, sobre a situação em Portugal, Mario Draghi começou por dizer que Portugal "tem percorrido um caminho doloroso, mas tem conseguido excelentes resultados". Para o presidente do BCE, "o mérito tem de ser dado ao Governo português e, especialmente, ao ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar".
No entanto, de imediato, o presidente do BCE fez questão de mostrar a sua confiança na sucessora de Gaspar no Ministério das Finanças. "Também estamos reconfortados com a nova ministra. Ela tem estado presente nas reuniões do Eurogrupo [em que o BCE também participa] e conhecemos as suas características. Aqui, Portugal está em mãos seguras", disse, escusando-se a fazer comentários em relação à crise política que se seguiu à nomeação de Maria Luís Albuquerque.
Perante a pergunta sobre se o BCE estava disposto a apoiar Portugal com o seu novo programa de compra de obrigações (OMT), Mario Draghi limitou-se a dizer que as condições para acesso a esse programa são conhecidas. Um país precisa de garantir primeiro um acesso completo aos mercados de dívida pública para que o banco central inicie depois, no mercado secundário, compras de títulos.
Presidente do BCE elogia Gaspar e diz-se reconfortado com a sua sucessora.
O presidente do Banco Central Europeu defendeu esta quinta feira que Portugal "está em mãos seguras" com a subida de Maria Luís Albuquerque à liderança do Ministério das Finanças.
Questionado esta quinta-feira em Frankfurt, na conferência de imprensa mensal do BCE, sobre a situação em Portugal, Mario Draghi começou por dizer que Portugal "tem percorrido um caminho doloroso, mas tem conseguido excelentes resultados". Para o presidente do BCE, "o mérito tem de ser dado ao Governo português e, especialmente, ao ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar".
No entanto, de imediato, o presidente do BCE fez questão de mostrar a sua confiança na sucessora de Gaspar no Ministério das Finanças. "Também estamos reconfortados com a nova ministra. Ela tem estado presente nas reuniões do Eurogrupo [em que o BCE também participa] e conhecemos as suas características. Aqui, Portugal está em mãos seguras", disse, escusando-se a fazer comentários em relação à crise política que se seguiu à nomeação de Maria Luís Albuquerque.
Perante a pergunta sobre se o BCE estava disposto a apoiar Portugal com o seu novo programa de compra de obrigações (OMT), Mario Draghi limitou-se a dizer que as condições para acesso a esse programa são conhecidas. Um país precisa de garantir primeiro um acesso completo aos mercados de dívida pública para que o banco central inicie depois, no mercado secundário, compras de títulos.
3.7.13
Durão Barroso exige clarificação política urgente a Portugal
in RR
Comissão Europeia não exclui cenário de adiamento da oitava avaliação da “troika”, porta-voz prefire sublinhar que ainda é cedo para pensar nisso. Presidente do executivo comunitário apela a solução que garanta que sacrifícios dos portugueses não foram em vão.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, garante estar a acompanhar a crise política em Portugal “com preocupação" e espera uma clarificação da situação “o mais cedo possível”.
Numa declaração escrita, lida esta quarta-feira pelo porta-voz Olivier Bailly, Durão Barroso sublinha que, “a reacção inicial dos mercados mostra os óbvios riscos financeiros que a credibilidade recém-criada por Portugal enfrenta com a corrente instabilidade política”.
Em causa está o pedido de demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, líder do CDS-PP, parceiro de coligação do PSD no Governo.
“Esta situação delicada exige um grande sentido de responsabilidade por parte de todos os líderes e as forças políticas”, apela o presidente do executivo comunitário, sublinhando ser necessário garantir “que os sacrifícios que o povo português fez até agora não foram em vão”.
“Confiamos que a democracia portuguesa será capaz de encontrar uma solução”, termina a nota.
Hoje de manhã, um alto responsável do Eurogrupo admitiu que, se Portugal avançar para eleições antecipadas, a oitava missão da “troika”, prevista para 15 de Julho, pode ser adiada.
No “briefing” da Comissão Europeia, Olivier Bailly não excluiu o cenário, mas preferiu prefira sublinhar ser cedo para pensar na possibilidade.
“Ainda é muito cedo para especular sobre isso. Vamos monitorizar a situação de perto nos próximos dias, estamos a acompanhar a situação com todos os nossos parceiros e por agora não há mais comentários a fazer sobre isso”, afirmou o porta-voz o executivo comunitário.
Desde o início dos programas de ajustamento, as relações da “troika” com os países resgatados obedecem a uma lógica de ultimato.
Outra fonte europeia explica que, no caso português, a lógica é simples: a missão da “troika” está associada à necessidade de tomar decisões políticas e, sem um Governo em funções, essas decisões não podem ser tomadas, pelo que não faz sentido a deslocação a Portugal – o que, na prática, significa a suspensão da implementação do programa de ajustamento.
Comissão Europeia não exclui cenário de adiamento da oitava avaliação da “troika”, porta-voz prefire sublinhar que ainda é cedo para pensar nisso. Presidente do executivo comunitário apela a solução que garanta que sacrifícios dos portugueses não foram em vão.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, garante estar a acompanhar a crise política em Portugal “com preocupação" e espera uma clarificação da situação “o mais cedo possível”.
Numa declaração escrita, lida esta quarta-feira pelo porta-voz Olivier Bailly, Durão Barroso sublinha que, “a reacção inicial dos mercados mostra os óbvios riscos financeiros que a credibilidade recém-criada por Portugal enfrenta com a corrente instabilidade política”.
Em causa está o pedido de demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, líder do CDS-PP, parceiro de coligação do PSD no Governo.
“Esta situação delicada exige um grande sentido de responsabilidade por parte de todos os líderes e as forças políticas”, apela o presidente do executivo comunitário, sublinhando ser necessário garantir “que os sacrifícios que o povo português fez até agora não foram em vão”.
“Confiamos que a democracia portuguesa será capaz de encontrar uma solução”, termina a nota.
Hoje de manhã, um alto responsável do Eurogrupo admitiu que, se Portugal avançar para eleições antecipadas, a oitava missão da “troika”, prevista para 15 de Julho, pode ser adiada.
No “briefing” da Comissão Europeia, Olivier Bailly não excluiu o cenário, mas preferiu prefira sublinhar ser cedo para pensar na possibilidade.
“Ainda é muito cedo para especular sobre isso. Vamos monitorizar a situação de perto nos próximos dias, estamos a acompanhar a situação com todos os nossos parceiros e por agora não há mais comentários a fazer sobre isso”, afirmou o porta-voz o executivo comunitário.
Desde o início dos programas de ajustamento, as relações da “troika” com os países resgatados obedecem a uma lógica de ultimato.
Outra fonte europeia explica que, no caso português, a lógica é simples: a missão da “troika” está associada à necessidade de tomar decisões políticas e, sem um Governo em funções, essas decisões não podem ser tomadas, pelo que não faz sentido a deslocação a Portugal – o que, na prática, significa a suspensão da implementação do programa de ajustamento.
Berlim "confiante" que Portugal vai prosseguir com reformas
in iOnline
O Governo alemão está “confiante” de que Portugal irá prosseguir com as reformas acordadas com os credores internacionais, declarou hoje o porta-voz do executivo Steffen Seibert.
“O Governo [alemão] está confiante que Portugal irá continuar com as reformas acordadas”, disse o porta-voz, em declarações aos jornalistas, descrevendo ainda os esforços de Lisboa para superar a crise como “impressionantes”.
O porta-voz do executivo alemão reagia desta forma à atual crise política em Portugal, após a demissão de Vítor Gaspar, do Ministério das Finanças, e de Paulo Portas, líder do CDS-PP, parceiro da coligação governamental.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez uma declaração ao país na terça-feira à noite após a demissão de Paulo Portas de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Passos Coelho frisou que não se demitiria do cargo de primeiro-ministro, manifestando-se surpreendido com o pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Na mesma intervenção, o chefe do Governo adiantou que iria procurar com o CDS, parceiro da coligação governamental, garantir as condições de estabilidade do executivo.
Passos Coelho encontra-se hoje em Berlim para participar numa conferência europeia sobre emprego, participação que decidiu manter apesar do ambiente de crise governativa. O primeiro-ministro justificou esta decisão pela necessidade de preservar a "credibilidade" e "confiança" internacionais de Portugal.
O Governo alemão está “confiante” de que Portugal irá prosseguir com as reformas acordadas com os credores internacionais, declarou hoje o porta-voz do executivo Steffen Seibert.
“O Governo [alemão] está confiante que Portugal irá continuar com as reformas acordadas”, disse o porta-voz, em declarações aos jornalistas, descrevendo ainda os esforços de Lisboa para superar a crise como “impressionantes”.
O porta-voz do executivo alemão reagia desta forma à atual crise política em Portugal, após a demissão de Vítor Gaspar, do Ministério das Finanças, e de Paulo Portas, líder do CDS-PP, parceiro da coligação governamental.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez uma declaração ao país na terça-feira à noite após a demissão de Paulo Portas de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Passos Coelho frisou que não se demitiria do cargo de primeiro-ministro, manifestando-se surpreendido com o pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Na mesma intervenção, o chefe do Governo adiantou que iria procurar com o CDS, parceiro da coligação governamental, garantir as condições de estabilidade do executivo.
Passos Coelho encontra-se hoje em Berlim para participar numa conferência europeia sobre emprego, participação que decidiu manter apesar do ambiente de crise governativa. O primeiro-ministro justificou esta decisão pela necessidade de preservar a "credibilidade" e "confiança" internacionais de Portugal.
Portugal já chegou à Grécia e o segundo resgate vem a caminho
Por António Ribeiro Ferreira, in iOnline
A sétima foi tirada a ferros com a ajuda divina. A oitava, com 4700 milhões de cortes na despesa do Estado, morreu à nascença
O guião português é semelhante ao grego dois anos depois da chegada da troika e de sete avaliações. Na hora das grandes decisões, o espectáculo político, económico e social é o mesmo a que os portugueses assistiram há um ano nas ruas e nos gabinetes políticos de Atenas. Quando os políticos portugueses, da esquerda à direita, clamavam que Portugal não era a Grécia. Agora passou a ser.
Recusa de avançar com a reforma do Estado e fazer cortes significativos na despesa pública, instabilidade social, com patrões e sindicatos a baterem o pé não só ao caminho de austeridade como a medidas duras na administração pública, alta tensão na coligação, com a ruptura entre os partidos do governo, indicadores económicos descontrolados, como o défice, a dívida pública, o desemprego e a recessão. Para não falar do afastamento total da oposição, com a exigência de eleições antecipadas.
seguir a desgraça grega E o guião português continua a seguir à risca a desgraça grega. Eleições antecipadas sem garantia de maioria absoluta de qualquer partido e, claro, a exigência frontal da troika de um segundo resgate violento, que pode ou não incluir a reestruturação da dívida. Quem ganhar as eleições terá este cenário pela frente. Ou pior. Poderá mesmo ter de equacionar a saída do euro. É que os tempos são outros e as vontades na Europa de terem uma segunda Grécia na zona euro estão a perder força.
Ultimato à Grécia Ainda ontem, num aviso solene à navegação da zona euro, a União Europeia lançou um ultimato à Grécia. O país tem três dias para assegurar aos seus credores que pode cumprir as condições associadas ao resgate internacional a fim de receber a próxima tranche da ajuda. Caso contrário, "Atenas terá de enfrentar consequências". A notícia foi veiculada pela agência Reuters, que citou quatro responsáveis europeus, que garantem que, se a Grécia quiser receber o próximo cheque, no valor de cerca de 8 mil milhões de euros, terá de apresentar garantias nos próximos dias. "Há uma insatisfação geral com o progresso da Grécia quando se trata de reformar o sector público, fiscal ou os serviços de saúde", disse um dos funcionários da UE. Outro dos responsáveis afirmou que a Grécia precisa de dar provas até ao final desta semana, antes da reunião do Eurogrupo marcada para a próxima segunda- -feira. A Grécia e os credores internacionais retomaram no início da semana as discussões que permitem libertar 8,1 mil milhões de euros no âmbito do programa de resgate, depois de uma interrupção de duas semanas devido ao encerramento da TV estatal grega ERT, que quase levou ao colapso do governo. Se as discussões falharem, o Fundo Monetário Internacional pode retirar o apoio ao resgate grego para não violar as suas próprias regras.
A miragem da reforma As Finanças de Vítor Gaspar lançaram um importante aviso no fim-de-semana. Os técnicos da troika, que estiveram a semana passada em Lisboa a preparar a vinda da equipa principal a 15 de Julho, saíram de Portugal convencidos de que não havia condições políticas e sociais para o governo conseguir cumprir o compromisso de cortar 4700 milhões de euros na despesa do Estado até final de 2014, para além das naturais dúvidas constitucionais. Mas Vítor Gaspar fez mais no seu último fim--de-semana no governo. Divulgou um documento de 13 páginas entregue aos deputados da maioria em que desmonta uma a uma as medidas económicas do PS que os parlamentares do PSD e do CDS acolheram em grande parte. O ex-ministro das Finanças já podia ter pedido a demissão duas vezes. Mas o fim problemático da sétima avaliação e o ambiente político dentro e fora no governo foram a prova provada para Gaspar de que a reforma do Estado em Portugal é uma miragem e os cortes estruturais e permanentes na despesa do Estado são outra miragem.
Agora já não há oitava avaliação. Chegou a vez do inferno. Para todos os portugueses, com respeito integral pelo princípio constitucional da igualdade.
A sétima foi tirada a ferros com a ajuda divina. A oitava, com 4700 milhões de cortes na despesa do Estado, morreu à nascença
O guião português é semelhante ao grego dois anos depois da chegada da troika e de sete avaliações. Na hora das grandes decisões, o espectáculo político, económico e social é o mesmo a que os portugueses assistiram há um ano nas ruas e nos gabinetes políticos de Atenas. Quando os políticos portugueses, da esquerda à direita, clamavam que Portugal não era a Grécia. Agora passou a ser.
Recusa de avançar com a reforma do Estado e fazer cortes significativos na despesa pública, instabilidade social, com patrões e sindicatos a baterem o pé não só ao caminho de austeridade como a medidas duras na administração pública, alta tensão na coligação, com a ruptura entre os partidos do governo, indicadores económicos descontrolados, como o défice, a dívida pública, o desemprego e a recessão. Para não falar do afastamento total da oposição, com a exigência de eleições antecipadas.
seguir a desgraça grega E o guião português continua a seguir à risca a desgraça grega. Eleições antecipadas sem garantia de maioria absoluta de qualquer partido e, claro, a exigência frontal da troika de um segundo resgate violento, que pode ou não incluir a reestruturação da dívida. Quem ganhar as eleições terá este cenário pela frente. Ou pior. Poderá mesmo ter de equacionar a saída do euro. É que os tempos são outros e as vontades na Europa de terem uma segunda Grécia na zona euro estão a perder força.
Ultimato à Grécia Ainda ontem, num aviso solene à navegação da zona euro, a União Europeia lançou um ultimato à Grécia. O país tem três dias para assegurar aos seus credores que pode cumprir as condições associadas ao resgate internacional a fim de receber a próxima tranche da ajuda. Caso contrário, "Atenas terá de enfrentar consequências". A notícia foi veiculada pela agência Reuters, que citou quatro responsáveis europeus, que garantem que, se a Grécia quiser receber o próximo cheque, no valor de cerca de 8 mil milhões de euros, terá de apresentar garantias nos próximos dias. "Há uma insatisfação geral com o progresso da Grécia quando se trata de reformar o sector público, fiscal ou os serviços de saúde", disse um dos funcionários da UE. Outro dos responsáveis afirmou que a Grécia precisa de dar provas até ao final desta semana, antes da reunião do Eurogrupo marcada para a próxima segunda- -feira. A Grécia e os credores internacionais retomaram no início da semana as discussões que permitem libertar 8,1 mil milhões de euros no âmbito do programa de resgate, depois de uma interrupção de duas semanas devido ao encerramento da TV estatal grega ERT, que quase levou ao colapso do governo. Se as discussões falharem, o Fundo Monetário Internacional pode retirar o apoio ao resgate grego para não violar as suas próprias regras.
A miragem da reforma As Finanças de Vítor Gaspar lançaram um importante aviso no fim-de-semana. Os técnicos da troika, que estiveram a semana passada em Lisboa a preparar a vinda da equipa principal a 15 de Julho, saíram de Portugal convencidos de que não havia condições políticas e sociais para o governo conseguir cumprir o compromisso de cortar 4700 milhões de euros na despesa do Estado até final de 2014, para além das naturais dúvidas constitucionais. Mas Vítor Gaspar fez mais no seu último fim--de-semana no governo. Divulgou um documento de 13 páginas entregue aos deputados da maioria em que desmonta uma a uma as medidas económicas do PS que os parlamentares do PSD e do CDS acolheram em grande parte. O ex-ministro das Finanças já podia ter pedido a demissão duas vezes. Mas o fim problemático da sétima avaliação e o ambiente político dentro e fora no governo foram a prova provada para Gaspar de que a reforma do Estado em Portugal é uma miragem e os cortes estruturais e permanentes na despesa do Estado são outra miragem.
Agora já não há oitava avaliação. Chegou a vez do inferno. Para todos os portugueses, com respeito integral pelo princípio constitucional da igualdade.
6.4.13
Cavaco “tranquilo” diz que não antevê crise política
Por Rita Tavares, in iOnline
Logo ao fim da manhã, o Presidente da República quis fazer saber que, no seu entender, a decisão do Tribunal Constitucional não implica uma crise política. Cavaco Silva aguardou com “serenidade e tranquilidade” o veredicto final sobre o Orçamento do Estado e disse que a decisão teria de ser acatada e respeitada. Tudo isto no dia em que garantiu não haver razões para antecipar as legislativas.
A inauguração da nova refinaria de Sines foi proveitosa em declarações do Presidente (ver página 23) e Cavaco Silva falou, ainda antes de a decisão sair, das consequências de uma decisão do Tribunal Constitucional: “Quando a decisão for conhecida, seguir-se-ão os trâmites normais e os processos legislativos que a Assembleia da República decida seguir, porque o que está em causa é um diploma da As- sembleia da República e não do governo.”
Cavaco tentou assim, logo pela hora de almoço, desdramatizar o ambiente em volta da decisão do TC. Resta saber agora o que dirá depois de saber que dois dos artigos chumbados foram aqueles em que levantou dúvidas ao Constitucional no seu pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado.
Perante os tumultos da última semana, e a previsão desta decisão, Cavaco tinha dito não ter qualquer indicação de que se esteja “na iminência ou proximidade” de legislativas antecipadas.
Logo ao fim da manhã, o Presidente da República quis fazer saber que, no seu entender, a decisão do Tribunal Constitucional não implica uma crise política. Cavaco Silva aguardou com “serenidade e tranquilidade” o veredicto final sobre o Orçamento do Estado e disse que a decisão teria de ser acatada e respeitada. Tudo isto no dia em que garantiu não haver razões para antecipar as legislativas.
A inauguração da nova refinaria de Sines foi proveitosa em declarações do Presidente (ver página 23) e Cavaco Silva falou, ainda antes de a decisão sair, das consequências de uma decisão do Tribunal Constitucional: “Quando a decisão for conhecida, seguir-se-ão os trâmites normais e os processos legislativos que a Assembleia da República decida seguir, porque o que está em causa é um diploma da As- sembleia da República e não do governo.”
Cavaco tentou assim, logo pela hora de almoço, desdramatizar o ambiente em volta da decisão do TC. Resta saber agora o que dirá depois de saber que dois dos artigos chumbados foram aqueles em que levantou dúvidas ao Constitucional no seu pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado.
Perante os tumultos da última semana, e a previsão desta decisão, Cavaco tinha dito não ter qualquer indicação de que se esteja “na iminência ou proximidade” de legislativas antecipadas.
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