15.6.23

Papa critica especulação e precariedade laboral como novas formas de pobreza

Agência Lusa, in Observador



"A especulação provocou dramáticas subidas de preços que empobrecem ainda mais muitas famílias. O dinheiro gasta-se rapidamente, obrigando a sacrifícios que comprometem a dignidade" disse Francisco.


O papa Francisco criticou esta terça-feira a especulação que “leva a um aumento dramático dos preços” e a precariedade laboral como novas formas de pobreza, na sua mensagem a propósito da VII Dia Mundial dos Pobres, a 19 de novembro.

“Não podemos ignorar as formas de especulação em diversos setores, que provocaram dramáticas subidas de preços que empobrecem ainda mais muitas famílias. O dinheiro gasta-se rapidamente, obrigando a sacrifícios que comprometem a dignidade de cada pessoa”, criticou o chefe da igreja católica.

No seu discurso, divulgado pelo Vaticano, o papa referiu-se à inflação que agrava a situação económica: “Se uma família tem que escolher entre comida para se alimentar ou cuidados médicos, devemos prestar atenção às vozes que defendem o direito a ambos em nome da dignidade da pessoa”.

Francisco pediu à sociedade que repare na “confusão ética que reina no mundo do trabalho”.

“O trato inumano que recebem muitos trabalhadores e trabalhadoras, a remuneração insuficiente pelo trabalho realizado, o flagelo da precariedade laboral, o excessivo número de mortes relacionadas com acidentes, muitas vezes consequência de uma mentalidade que prefere o lucro rápido à segurança no trabalho”, enumerou o papa.

Francisco recordou ainda o antigo papa João Paulo II, que defendia que o primeiro fundamento do valor do trabalho é o próprio homem, afirmando que “o homem está destinado ao trabalho” e que “o trabalho existe para o homem e não o homem para o trabalho”.

Dirigiu-se também às gerações mais jovens, as quais, segundo Francisco, sofrem com uma cultura que aumenta a sensação de pobreza e uma baixa autoestima.

“Não posso deixar de mencionar em particular uma forma cada vez mais evidente de pobreza que afeta os jovens. Quanta frustração e quantos suicídios estão a ser causados por ilusões criadas por uma cultura que leva os jovens a pensar que são ‘perdedores, bons para nada”, disse. O papa pediu realismo e pragmatismo nas ações dirigidas aos pobres.

“Também é uma tentação insidiosa ficar-se pelas estatísticas e pelos números. Os pobres são pessoas, têm rostos, histórias, corações, almas. São nossos irmãos e irmãs, com coisas boas e más, como todos nós, e é importante ter uma relação pessoal com cada um deles”, afirmou.

O VII Dia Mundial dos Pobres assinala-se este ano a 19 de novembro, sob o lema “Não desvies o olhar dos pobres”, em referência ao Livro de Tobias.